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3a
SÉRIE
ENSINO MÉDIO
Volume2
EDUCAÇÃO
FÍSICA
Linguagens
CADERNO DO PROFESSOR
MATERIAL DE APOIO AO
CURRÍCULO DO ESTADO DE SÃO PAULO
CADERNO DO PROFESSOR
EDUCAÇÃO FÍSICA
ENSINO MÉDIO
3a
SÉRIE
VOLUME 2
Nova edição
2014-2017
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO
São Paulo
Governo do Estado de São Paulo
Governador
Geraldo Alckmin
Vice-Governador
Guilherme Afif Domingos
Secretário da Educação
Herman Voorwald
Secretária-Adjunta
Cleide Bauab Eid Bochixio
Chefe de Gabinete
Fernando Padula Novaes
Subsecretária de Articulação Regional
Rosania Morales Morroni
Coordenadora da Escola de Formação e
Aperfeiçoamento dos Professores – EFAP
Silvia Andrade da Cunha Galletta
Coordenadora de Gestão da
Educação Básica
Maria Elizabete da Costa
Coordenadora de Gestão de
Recursos Humanos
Cleide Bauab Eid Bochixio
Coordenadora de Informação,
Monitoramento e Avaliação
Educacional
Ione Cristina Ribeiro de Assunção
Coordenadora de Infraestrutura e
Serviços Escolares
Dione Whitehurst Di Pietro
Coordenadora de Orçamento e
Finanças
Claudia Chiaroni Afuso
Presidente da Fundação para o
Desenvolvimento da Educação – FDE
Barjas Negri
Senhoras e senhores docentes,
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo sente-se honrada em tê-los como colabo-
radores nesta nova edição do Caderno do Professor, realizada a partir dos estudos e análises que
permitiram consolidar a articulação do currículo proposto com aquele em ação nas salas de aula
de todo o Estado de São Paulo. Para isso, o trabalho realizado em parceria com os PCNP e com
os professores da rede de ensino tem sido basal para o aprofundamento analítico e crítico da abor-
dagem dos materiais de apoio ao currículo. Essa ação, efetivada por meio do programa Educação
— Compromisso de São Paulo, é de fundamental importância para a Pasta, que despende, neste
programa, seus maiores esforços ao intensificar ações de avaliação e monitoramento da utilização
dos diferentes materiais de apoio à implementação do currículo e ao empregar o Caderno nas ações
de formação de professores e gestores da rede de ensino. Além disso, firma seu dever com a busca
por uma educação paulista de qualidade ao promover estudos sobre os impactos gerados pelo uso
do material do São Paulo Faz Escola nos resultados da rede, por meio do Saresp e do Ideb.
Enfim, o Caderno do Professor, criado pelo programa São Paulo Faz Escola, apresenta orien-
tações didático-pedagógicas e traz como base o conteúdo do Currículo Oficial do Estado de São
Paulo, que pode ser utilizado como complemento à Matriz Curricular. Observem que as atividades
ora propostas podem ser complementadas por outras que julgarem pertinentes ou necessárias,
dependendo do seu planejamento e da adequação da proposta de ensino deste material à realidade
da sua escola e de seus alunos. O Caderno tem a proposição de apoiá-los no planejamento de suas
aulas para que explorem em seus alunos as competências e habilidades necessárias que comportam
a construção do saber e a apropriação dos conteúdos das disciplinas, além de permitir uma avalia-
ção constante, por parte dos docentes, das práticas metodológicas em sala de aula, objetivando a
diversificação do ensino e a melhoria da qualidade do fazer pedagógico.
Revigoram-se assim os esforços desta Secretaria no sentido de apoiá-los e mobilizá-los em seu
trabalho e esperamos que o Caderno, ora apresentado, contribua para valorizar o ofício de ensinar
e elevar nossos discentes à categoria de protagonistas de sua história.
Contamos com nosso Magistério para a efetiva, contínua e renovada implementação do currículo.
Bom trabalho!
Herman Voorwald
Secretário da Educação do Estado de São Paulo
Os materiais de apoio à implementação
do Currículo do Estado de São Paulo
são oferecidos a gestores, professores e alunos
da rede estadual de ensino desde 2008, quando
foram originalmente editados os Cadernos
do Professor. Desde então, novos materiais
foram publicados, entre os quais os Cadernos
do Aluno, elaborados pela primeira vez
em 2009.
Na nova edição 2014-2017, os Cadernos do
Professor e do Aluno foram reestruturados para
atender às sugestões e demandas dos professo-
res da rede estadual de ensino paulista, de modo
a ampliar as conexões entre as orientações ofe-
recidas aos docentes e o conjunto de atividades
propostas aos estudantes. Agora organizados
em dois volumes semestrais para cada série/
ano do Ensino Fundamental – Anos Finais e
série do Ensino Médio, esses materiais foram re-
vistos de modo a ampliar a autonomia docente
no planejamento do trabalho com os conteúdos
e habilidades propostos no Currículo Oficial
de São Paulo e contribuir ainda mais com as
ações em sala de aula, oferecendo novas orien-
tações para o desenvolvimento das Situações de
Aprendizagem.
Para tanto, as diversas equipes curricula-
res da Coordenadoria de Gestão da Educação
Básica (CGEB) da Secretaria da Educação do
Estado de São Paulo reorganizaram os Cader-
nos do Professor, tendo em vista as seguintes
finalidades:
incorporar todas as atividades presentes
nos Cadernos do Aluno, considerando
também os textos e imagens, sempre que
possível na mesma ordem;
orientar possibilidades de extrapolação
dos conteúdos oferecidos nos Cadernos do
Aluno, inclusive com sugestão de novas ati-
vidades;
apresentar as respostas ou expectativas
de aprendizagem para cada atividade pre-
sente nos Cadernos do Aluno – gabarito
que, nas demais edições, esteve disponível
somente na internet.
Esse processo de compatibilização buscou
respeitar as características e especificidades de
cada disciplina, a fim de preservar a identidade
de cada área do saber e o movimento metodo-
lógico proposto. Assim, além de reproduzir as
atividades conforme aparecem nos Cadernos
do Aluno, algumas disciplinas optaram por des-
crever a atividade e apresentar orientações mais
detalhadas para sua aplicação, como também in-
cluir o ícone ou o nome da seção no Caderno do
Professor (uma estratégia editorial para facilitar
a identificação da orientação de cada atividade).
A incorporação das respostas também res-
peitou a natureza de cada disciplina. Por isso,
elas podem tanto ser apresentadas diretamente
após as atividades reproduzidas nos Cadernos
do Professor quanto ao final dos Cadernos, no
Gabarito. Quando incluídas junto das ativida-
des, elas aparecem destacadas.
ANOVA EDIÇÃO
Leitura e análise
Lição de casa
Pesquisa em grupo
Pesquisa de
campo
Aprendendo a
aprender
Roteiro de
experimentação
Pesquisa individual
Apreciação
Você aprendeu?
O que penso
sobre arte?
Ação expressiva
!
?
Situated learning
Homework
Learn to learn
Além dessas alterações, os Cadernos do
Professor e do Aluno também foram anali-
sados pelas equipes curriculares da CGEB
com o objetivo de atualizar dados, exemplos,
situações e imagens em todas as disciplinas,
possibilitando que os conteúdos do Currículo
continuem a ser abordados de maneira próxi-
ma ao cotidiano dos alunos e às necessidades
de aprendizagem colocadas pelo mundo con-
temporâneo.
Para saber mais
Para começo de
conversa
Seções e ícones
SUMÁRIO
Orientação sobre os conteúdos do volume 8
Tema 1 – Atividade rítmica – Manifestações e representações da cultura rítmica
nacional – o samba 11
Situação de Aprendizagem 1 – A dança do jongo, isso dá samba 14
Situação de Aprendizagem 2 – A roda viva do samba 19
Atividade Avaliadora 23
Proposta de Situações de Recuperação 24
Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do
tema 24
Tema 2 – Lazer e trabalho – O lazer como direito do cidadão e dever do Estado 26
Situação de Aprendizagem 3 – Esporte como lazer e como trabalho 28
Atividade Avaliadora 32
Proposta de Situações de Recuperação 32
Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do
tema 32
Tema 3 – Corpo na contemporaneidade – A virtualização do corpo e os jogos virtuais:
videogames e jogos de botão 34
Situação de Aprendizagem 4 – Os jogos virtuais 36
Atividade Avaliadora 43
Proposta de Situações de Recuperação 45
Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do
tema 46
Tema 4 – Organização de torneios esportivos e festivais de dança, ginástica e luta 48
Situação de Aprendizagem 5 – Um evento da escola é um evento de toda a comunidade 49
Atividade Avaliadora 60
Proposta de Situações de Recuperação 64
Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão
do tema 65
Tema 5 – Lazer e trabalho – O lazer na comunidade escolar e em seu entorno 67
Situação de Aprendizagem 6 – As opções de lazer na comunidade 70
Atividade Avaliadora 74
Proposta de Situações de Recuperação 75
Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão
do tema 75
Tema 6 – Corpo, saúde e beleza – Promoção da atividade física e do exercício físico na
comunidade escolar 77
Situação de Aprendizagem 7 – Formando agentes multiplicadores 78
Atividade Avaliadora 82
Proposta de Situações de Recuperação 82
Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão
do tema 83
Quadro de conteúdos do Ensino Médio 84
8
ORIENTAÇÃO SOBRE OS CONTEÚDOS DO VOLUME
Professor, este Caderno foi elaborado para
servir de apoio ao seu trabalho pedagógico co-
tidiano com a 3a
série do Ensino Médio. Os te-
mas deste volume são enfocados com base na
concepção teórica da disciplina, já explicitada
anteriormente, fundamentada nos conceitos
de Cultura de Movimento e Se-Movimentar.
Assim, pretende-se que as Situações de
Aprendizagem aqui sugeridas para os temas
Atividade rítmica, Lazer e trabalho, Contem-
poraneidade, Organização de torneios espor-
tivos e festivais de dança, ginástica e luta e
Corpo, saúde e beleza possibilitem aos alunos
confrontarem suas experiências de Se-Movi-
mentar com importantes dimensões do mun-
do contemporâneo, gerando conteúdos mais
próximos de suas vidas cotidianas. Espera-se,
desse modo, contribuir para a construção de
uma autonomia crítica e autocrítica no âm-
bito da Cultura de Movimento. Há ainda a
expectativa de que o enfoque adotado para o
desenvolvimento dos conteúdos deste volume
seja compatível com as intencionalidades do
projeto político-pedagógico de cada escola.
No tema Atividade rítmica, será abordado
o samba, como exemplo das manifestações e
representações da cultura rítmica nacional,
com base em seus aspectos regionais e em seu
processo histórico. Pretende-se que os alunos
sejam competentes ao elaborar argumentos
acerca das manifestações rítmicas do samba,
interpretando-o criticamente.
No tema Lazer e trabalho, serão enfatizadas
as possibilidades de lazer na Cultura de Movi-
mento, tratando-o como direito do cidadão e
dever do Estado. O conceito de lazer será enfo-
cado, ainda, nas dimensões estética (presencial
e televisiva), comunitária e de entretenimen-
to, para que os alunos possam cotejá-lo com
suas próprias experiências do Se-Movimentar
no esporte. E, ainda no tema Lazer e traba-
lho, pretende-se fazer que os alunos discutam
a disponibilidade de espaços e equipamentos
de lazer, bem como o alcance e as prioridades
das políticas públicas para o setor. O lazer na
comunidade escolar e em seu entorno também
será discutido, bem como seus espaços, tempos,
interesses e suas necessidades, de modo a enfa-
tizar com os alunos estratégias de intervenção
na comunidade.
No tema Contemporaneidade, a intenção
é destacar a questão do corpo em uma das
principais manifestações na atualidade, que é
sua tendência à virtualização. Pretende-se que
os alunos compreendam esse fenômeno con-
temporâneo associado aos jogos eletrônicos,
como os videogames, e também aos mais tra-
dicionais, como os jogos de botão.
Este volume, por ser o último da 3a
série do
Ensino Médio, mostra-se especial. Em primei-
ro lugar, por possibilitar uma avaliação de todo
o processo da escolarização básica. Em segun-
do, por ser o momento de enfatizar ações na
interação direta dos alunos com sua comuni-
dade escolar e seu entorno, com o intuito de
promover intervenções no âmbito da Cultura
de Movimento, do lazer e da promoção da saú-
de por meio da atividade física/exercício físico,
em sintonia com questões sociais mais amplas.
Para tanto, propomos a organização de um
torneio esportivo e de um festival de dança,
ginástica e luta envolvendo a comunidade. A
realização do evento não pretende resumir-se
ao evento em si, mas constituir-se em opor-
tunidade para que os alunos aprofundem as
aprendizagens específicas dos temas relativos
ao esporte, à ginástica, à luta e à atividade
rítmica. Visa também a desenvolver outras
9
Educação Física – 3a
série – Volume 2
capacidades relacionadas ao protagonismo
juvenil, como: planejar, divulgar, realizar e
avaliar as etapas de um evento. A realização
de um festival e/ou de um torneio neste se-
mestre pode ser vista como um processo ava-
liativo não só do período letivo da 3a
série
do Ensino Médio, mas de todo o trabalho
desenvolvido pela Educação Física nas séries
anteriores da Educação Básica.
No tema Corpo, saúde e beleza, sugerimos
a discussão de estratégias de intervenção para
a promoção da atividade física e do exercício
físico na comunidade escolar. A intenção é que
os alunos compreendam a importância da ati-
vidade física regular, tornando-se praticantes,
e passem a interferir em sua comunidade para
disseminar e compartilhar esse aprendizado.
As estratégias escolhidas – que incluem a
realização de gestos/movimentos, a busca de
informações, a projeção de vídeos, o debate, o
relato das próprias percepções, a resolução de
situações-problema etc. – procuram ampliar as
possibilidades de aprendizagem e compreensão
por parte dos alunos, bem como enfatizar as
possibilidades de compreensão da realidade so-
cial e de intervenção na comunidade, uma vez
que, como concluintes do Ensino Médio, os
alunos devem ser capazes de sintetizar todo o
aprendizado escolar em situações reais dos seus
grupos de convívio sociocultural.
Os procedimentos propostos para a avalia-
ção caminham na direção de uma avaliação
integrada ao processo de ensino e aprendiza-
gem, sem estabelecer procedimentos isolados
e formais. As Atividades Avaliadoras devem
favorecer a geração, por parte dos alunos, de
informações ou indícios, qualitativos e quan-
titativos, verbais e não verbais, que serão in-
terpretados pelo professor, nos termos das
competências e das habilidades que se pre-
tende desenvolver em cada tema/conteúdo.
Privilegia-se a proposição de Situações de
Aprendizagem que favoreçam a aplicação dos
conhecimentos em situações reais e a elabora-
ção de textos-síntese relacionados aos temas
abordados. São também priorizados os ques-
tionamentos dirigidos aos alunos ao longo
das aulas, para que se verifique a compreen-
são dos conteúdos e a aquisição das compe-
tências e habilidades propostas.
A quadra é o tradicional espaço da aula de
Educação Física, mas algumas Situações de
Aprendizagem aqui sugeridas podem ser desen-
volvidas no espaço da sala de aula, no pátio ex-
terno, na biblioteca, na sala de informática ou
de vídeo, bem como em espaços da comunidade
local, desde que compatíveis com as atividades
programadas. Algumas etapas podem ser tam-
bém realizadas pelos alunos como atividade
extra-aula (pesquisas, produção de textos etc.).
As orientações e as sugestões a seguir têm
por objetivo oferecer-lhe subsídios para o de-
senvolvimento dos temas apresentados. Não
pretendem apresentar as Situações de Aprendi-
zagem como as únicas a ser realizadas, nem res-
tringir sua criatividade, como professor, para
outras atividades ou variações de abordagem
dos mesmos temas.
Nesse mesmo sentido, o Caderno do Aluno
é mais um instrumento para servir de apoio
ao seu trabalho e ao aprendizado dos alunos.
Elaborado com base no Caderno do Profes-
sor, esse material adicional não tem a preten-
são de restringir ou limitar as possibilidades
do seu fazer pedagógico.
De acordo com o projeto político-pedagógi-
co da escola e do planejamento do componente
curricular,épossívelqueostemasneleelencados,
selecionados entre os propostos no Caderno do
Professor, não coincidam com as atividades que
vêm sendo desenvolvidas na escola. Nesse caso,
a expectativa é subsidiar o seu trabalho para que
as competências e habilidades propostas, tanto
no Caderno do Professor quanto no Caderno
do Aluno, sejam alcançadas.
10
Para otimizar o tempo pedagogicamente
necessário para a aula, o Caderno do Aluno
apresenta as Situações de Aprendizagem de
caráter teórico, também propostas no Caderno
do Professor, como sugestões de pesquisa e ati-
vidades de lição de casa. Além disso, traz, em
todos os volumes, dicas sobre nutrição ou pos-
tura, a fim de contribuir para a construção da
autonomia dos alunos, um dos princípios do
Currículo da disciplina.
Isto posto, professor, bom trabalho!
11
Educação Física – 3a
série – Volume 2
TEMA 1 – ATIVIDADE RÍTMICA – MANIFESTAÇÕES E
REPRESENTAÇÕES DA CULTURA RÍTMICA NACIONAL –
O SAMBA
Tratar do processo histórico do samba é re-
meter à lembrança da capoeira, cabendo refletir
e questionar: o samba surgiu aqui ou na África?
Suas características são as mesmas de várias
danças africanas? Era um refúgio para matar
a saudade da terra de origem ou um meio de
disfarce do momento da luta em que o negro
escravizado ludibriava, com o movimento da
ginga, o capitão do mato pouco antes do ata-
que? Qual a relação, enfim, dos ritmos e gestos
particulares do samba com a escravização de
pessoas oriundas de diferentes países do con-
tinente africano, já que havia dificuldade de
diálogo no cativeiro, em virtude dessa diversi-
dade cultural?
Com base nessas reflexões, nota-se como é
complexa a origem do samba. Nesse processo
estão imbricadas outras manifestações, como o
jongo, o lundu e o maxixe, representações afri-
canas presenciadas no Brasil, além do próprio
samba. O lundu é possivelmente o primeiro ritmo
afro-brasileiro em forma de canção acompanha-
do de dança e que, com o maxixe, influenciou o
samba baiano. Já o jongo, que tem semelhanças
com o semba/masemba, de Angola, precursor
do samba, faz parte do conjunto das danças de
umbigada que influenciaram o samba carioca.
Ojongoéumaformadelouvaçãoaosantepas-
sados,deconsolidaçãodetradiçõeseafirmaçãode
identidades. Tem suas raízes nos saberes, nos ritos
e nas crenças dos povos africanos, principalmente
os de idioma banto. São sugestivos dessas origens
o profundo respeito aos ancestrais, a valorização
dos enigmas cantados e o elemento coreográ-
ficodaumbigada,queéum“toqueleve”naregião
do umbigo, uma espécie de convite à dança.
Figura 1 – Jongo. Figura 2 – Dança coletiva com umbigada em
Capivari (SP).
©MarcoAntonioSá/PulsarImagens
©ReginaldoVilalta
12
No Brasil, o jongo consolidou-se entre os
descendentes dos negros escravizados que tra-
balhavam nas lavouras de café e de cana-de-
-açúcar no Sudeste, principalmente no vale
do rio Paraíba. Nos tempos da escravidão, a
poesia metafórica do jongo permitiu aos pra-
ticantes da dança que se comunicassem por
meio de pontos que os capatazes e os senhores
não conseguiam compreender. O jongo esteve,
assim, em uma dimensão marginal, em que os
negros falavam de si e de sua comunidade por
meio da crônica e da linguagem cifrada.
Tambu, batuque, tambor, caxambu: o jongo
tem diversos nomes. Ele é cantado e tocado de
diversas formas, dependendo da comuni-
dade que o pratica. Se existem diferenças de
lugar para lugar, existem também semelhanças,
características comuns presentes em muitas de
suas manifestações.
O termo “samba”tem sua origem associada
à expressão angolana “semba”, que designa um
ritmo religioso. O primeiro samba gravado em
disco, intitulado Pelo telefone, foi registrado
pelo cantor e compositor Donga.
Assim, o samba refere-se a um estilo mu-
sical e a uma forma de dança e, ao se identi-
ficar seus vários subgêneros, percebe-se uma
ligação direta com os instrumentos musicais
utilizados.
No jongo, iniciado o toque dos tambores,
forma-se uma roda de dançarinos que cantam
em coro, respondendo ao solo de um deles.
Os tambores e os batuqueiros estão sempre
na roda ou perto dela. Sozinhos ou em pa-
res, os praticantes vão ao centro da roda e
dançam até serem substituídos por outros
jongueiros. Muitas vezes, nesse momento da
substituição, nota-se o elemento coreográfico
da umbigada. Dança-se conforme se sabe.
Uns dançam rodando, outros pulando ou
arrastando os pés. Uns dançam devagar, ou-
tros, rapidamente. Em cidades como Taubaté,
São Luiz do Paraitinga, Pindamonhangaba
e Cunha, há alguns redutos de jongueiros do
Vale Paulista (Vale do Paraíba). O jongo é
estruturado em roda e acontecia nos terrei-
ros, próximo ou ao redor de uma fogueira.
Hoje é possível assistir a apresentações em
praças públicas.
Figura 3 – Jongo: mais que uma dança, um ritual.
©AntônioGaudério/Folhapress
13
Educação Física – 3a
série – Volume 2
As letras do samba geralmente tratam do
cotidiano e, em suas raízes, remetiam ao pre-
conceito (baseado nos costumes dos europeus)
em relação aos rituais religiosos realizados pela
população negra, como no candomblé.
A forte influência do samba pode ser per-
cebida predominantemente em alguns estados
brasileiros, como na Bahia, no Rio de Janeiro e
em São Paulo, locais em que a presença da mão
de obra negra escravizada foi mais acentuada
nos engenhos e nas fazendas. Nesse sentido,
tanto o samba baiano como o carioca remetem
ao samba de roda. É provável que o samba de
roda seja uma ramificação original da Bahia,
presente nas rodas de capoeira, em forma de
dança. A cantoria acompanhada por palmas é
essencial nessa manifestação.
Figuras 4 e 5 – Mulheres dançando o samba de roda (à esquerda) e o jongo (à direita).
©MarcoAntonioSá/PulsarImagens
©AndréadeValentim
Samba – Alguns subgêneros e instrumentos utilizados
Samba “comum” Surdo ou tantã, cavaco, pandeiro, cavaquinho e violão.
Samba de roda Pandeiro, atabaque, berimbau, viola e chocalho.
Samba de partido-alto Surdo, pandeiro, tamborim, cavaquinho e violão.
Pagode Banjo, tantã, repique de mão, cavaquinho, violão e pandeiro.
Samba de breque Música intercalada com partes faladas ou diálogos.
Samba de enredo Cavaquinho e bateria de escola de samba.
Bossa-nova (samba e jazz) Repique de mão e viola eletrônica.
Além disso, há uma variedade de expressões
do Se-Movimentar no samba, como o samba-
-rock e a gafieira. Ambos os estilos permitem
variações dos movimentos, momentos de impro-
visação, descoberta e prazer para quem dança
e/ou aprecia essa manifestação rítmica.
Possibilidades interdisciplinares
Converse com os professores responsáveis pelas disciplinas de História, Língua Portuguesa
e Arte em sua escola, uma vez que a temática do samba também aborda o contexto histórico,
linguístico e artístico do País. Essa iniciativa pode facilitar a compreensão, por parte dos alunos,
das relações complexas no processo histórico dessa manifestação da cultura rítmica nacional.
14
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1
A DANÇA DO JONGO, ISSO DÁ SAMBA
Conteúdo e temas: cultura rítmica nacional e o processo histórico do samba; cultura rítmica nacional
e seus aspectos regionais no samba.
Competências e habilidades: relacionar informações entre diferentes manifestações rítmicas, confron-
tando-as e interpretando-as criticamente; compreender o processo histórico do samba.
Sugestão de recursos: local/espaço amplo para dança; folhas de papel e canetas (para cada grupo); rádio/CD
(opcional); TV/DVD (opcional); computador/internet (opcional); latas de tinta vazias e/ou baldes.
Esta Situação de Aprendizagem pretende
contextualizar o processo histórico do sam-
ba com base na vivência de movimentos e
ritmos do jongo, que têm implicação com
Desenvolvimento da Situação de
Aprendizagem 1
Etapa 1 – Jongueiros
O jongo é uma forma de expressão afro-
-brasileira que integra percussão de tambores e
dança coletiva. É praticado em algumas perife-
rias urbanas e comunidades rurais do Sudeste
brasileiro, sobretudo no Rio de Janeiro e em
São Paulo. Está presente nas festas dos san-
tos católicos e de divindades afro-brasileiras,
nas festas juninas, na festa do Divino Espíri-
to Santo e também no dia 13 de maio, como
referência à abolição da escravatura, embora
atualmente a celebração dessa data seja se-
cundária em relação à do dia da Consciência
Negra, comemorada em 20 de novembro.
Apresente informações sobre o jongo e suas
relações com a origem do samba. Mencione,
por exemplo, o uso de instrumentos semelhan-
tes, a associação das letras das músicas com o
cotidiano e os sentimentos de quem dançava,
as expressões conhecidas apenas pelos par-
ticipantes (pontos e gírias), os movimentos
predominantes na cintura pélvica (umbigada)
e/ou o respeito aos ancestrais. Solicite, inicial-
mente, aos alunos que se agrupem e registrem
como imaginam ter sido o surgimento do sam-
ba. A seguir, compartilhe os registros com
todos os grupos e questione-os acerca do jon-
go. Caso algum aluno tenha experiência com
o samba e/ou com o jongo, peça-lhe que de-
monstre alguns movimentos à turma.
Proponha, depois, uma vivência para a dança
do jongo. Considere as seguintes condições para
que os alunos realizem os movimentos/passos:
o samba contemporâneo. Os alunos viven-
ciarão uma sequência de passos do jongo,
estabelecendo relações com outras manifes-
tações do samba.
Professor, não é necessário que você saiba dançar samba, jongo ou outra manifestação rítmica es-
colhida para este volume. Uma sondagem prévia com os alunos certamente permitirá identificar alunos
que tenham experiência ou facilidade para aprender passos de dança. Solicite-lhes que o auxiliem nas
aulas, fornecendo-lhes previamente fontes e materiais relacionados ao processo histórico do samba. Por
meio de sites de busca, é possível acessar vídeos com demonstrações dos movimentos/passos do samba,
do jongo e de muitas outras manifestações rítmicas.
15
Educação Física – 3a
série – Volume 2
a dança se faz em roda, com três tambores
e cantores ao fundo;
os dançarinos marcam, com pés e palmas,
o ritmo dos tambores;
um homem entra na roda e convida uma
mulher para dançar (embora a condução
de todo o ritual subsequente na dança seja
atribuída às mulheres);
a substituição dos dançarinos na roda se
dá com o passo da umbigada.
Opcionalmente, você pode utilizar alguma
música do jongo previamente escolhida. Suas
letras geralmente mencionam o dia a dia dos
negros escravizados nas fazendas e misturam
referências religiosas do candomblé e de san-
tos católicos.
Discuta as diferentes percepções dos alunos
sobre o jongo e procure identificar com a tur-
ma as semelhanças com o samba. Por exemplo,
há movimentos do jongo que se assemelham
aos de mestres-salas e porta-bandeiras nas es-
colas de samba.
Professor, coordene a pesquisa
com os alunos sobre o jongo, so-
licitequerespondamerelacionem
as questões presentes na seção
“Pesquisa em grupo”, no Caderno do Aluno.
Dançando e cantando o jongo
O jongo é uma forma de expressão afro-
-brasileira, que compreende o canto (fala,
versos com adivinhas), a dança (umbigada) e
a percussão (tambor). Também é conhecido
como tambu, batuque, tambor e caxambu.
O jongo era cantado, tocado e dançado pe-
los negros escravizados em formação de roda,
em torno de uma fogueira. Segundo pesquisas,
apenas os mais velhos podiam soltar os pon-
tos, isto é, as falas e versos com adivinhas. Por
meio deles, confrontavam seu conhecimento,
já que a linguagem cifrada deveria ser des-
vendada, e a adivinha, respondida. O uso de
uma comunicação codificada também evitava
que capatazes, capitães do mato e senhores de
engenho compreendessem o que estava sendo
articulado pelos negros escravizados na roda
de jongo.
Para conhecer mais sobre o jongo, que deu
origem a uma das principais manifestações
culturais brasileiras, o samba, pesquise e res-
ponda com seu grupo às perguntas a seguir.
1. Como e quem dança o jongo?
É uma dança de roda realizada à volta ou perto dos instru-
mentos (tambu e candongueiro), no sentido anti-horário, e
da qual participam homens e mulheres alternados, sozinhos
ou em pares. Os jongueiros vão ao centro da roda e dançam
até serem substituídos por outros.
2. O que e como os jongueiros cantam?
O canto, ou “ponto”, dos jongueiros é feito por um solista,
que fica no centro da roda e improvisa canções (“pontos”)
em que relata situações do cotidiano ou tradicionais que
são respondidas pelos participantes em coro. Os pontos de
jongo têm frases curtas, e é através deles que os jongueiros
conversam. Na época da escravidão, essa era uma forma
de os negros escravizados trocarem mensagens secretas
contra a escravidão e combinarem festas e fugas. Isso era
possível porque eles utilizavam uma linguagem cifrada
(com códigos), que era entendida apenas por aqueles que
tinham muita experiência, pois misturava o português com
dialetos africanos de origem bantu.
3. Cite alguns estados brasileiros em que o
jongo ainda é dançado hoje.
O jongo é referência cultural de várias regiões no Rio de
Janeiro e nos Estados do Espírito Santo, São Paulo e Minas
Gerais. No Estado de São Paulo, estão os últimos redutos de
jongueiros do Vale do Paraíba em Taubaté, São Luiz do Parai-
tinga, Pindamonhangaba e Cunha.
4. Cite o nome de pelo menos três grupos de
jongueiros da atualidade.
Quilombo São José: o quilombo São José da Serra é uma
comunidade descendente de negros escravizados que está lo-
calizada em Valença, no interior do Estado do Rio de Janeiro.
16
Integra um universo quilombola de 13 comunidades no Estado
e mais de 1 000 comunidades espalhadas por todo o Brasil. Este
é o quilombo mais antigo do Estado do Rio de Janeiro e, no
local, moram cerca de 200 quilombolas. O jongo faz parte do
cotidiano dos moradores dessa comunidade desde a chegada
de seus antepassados.
Jongo da Serrinha: situado no Morro da Serrinha, no Rio
de Janeiro, é uma das manifestações culturais mais impor-
tantes do Brasil. Foi criado no fim da década de 1960, pelo
Mestre Darcy Monteiro e por sua família, com o objetivo de
preservar as tradições.
Jongo Mistura da Raça: localizado em São José dos
Campos, surgiu da necessidade do Mestre Laudeni e de
sua família em vivenciar a prática do jongo, tradição que
herdou de seu pai, Mestre Dorvalino de Souza. Promo-
vendo a revitalização do jongo, uma expressão de cultura
tradicional popular, o grupo mostra que em São José dos
Campos há manifestações culturais diversificadas – ao
mesmo tempo vinculadas à tradição e em contato com
a modernidade.
Você sabe como é o acompanhamento rít-
mico do jongo? Quantos instrumentos são
usados?
Em geral, o acompanhamento é feito por
dois tambores, um mais grave e outro mais
agudo. Também há grupos que usam choca-
lho e uma espécie de cuíca.
5. Relacione os nomes e as descrições ao tipo
de instrumento.
Tipo de instrumento Nomes e descrições de instrumentos
a) Tambor grave
( C ) Ganzá ou guaiá, tubo de folha de flandres, às vezes no formato
de dois cones emendados, fechados, com duas cabeças, preenchidos
com capiá (caapiá), sementes arredondadas ou chumbinhos, que soam
quando o instrumento é agitado.
b) Tambor agudo
( D ) Puíta ou cuíca, cilindro oco, com uma das bocas coberta por couro,
de preferência de cabrito. Em seu interior é amarrada uma varinha de
madeira lisa. Na ponta dessa varinha, em contato com o couro, há uma
cabeça e uma escavação chamada pescoço. Toca-se a puíta esfregando a
varinha com a palma da mão ou com um pano molhado.
c) Tambor rouco
( B ) Tambu ou caxambu, instrumento de 1,2 metro de comprimento,
geralmente feito de um tronco todo perfurado a fogo. Uma das extre-
midades é coberta com couro de boi. É colocado horizontalmente no
chão e senta-se sobre ele para tocar. Quando o tambu fica “rouco”, é
borrifado com pinga e esfregado vivamente para afinar o som.
d) Chocalho
( A ) Candongueiro, espécie de atabaque de menor tamanho, coberto com
couro de boi, que produz sons agudos. Para tocá-lo, senta-se sobre ele.
Etapa 2 – Enquanto isso, em São Paulo...
O samba acontece
Proponha aos alunos que analisem o se-
guinte relato das memórias de Jacob Penteado,
por volta de 1910, ao se referir ao bairro do
Belenzinho, na cidade de São Paulo.
17
Educação Física – 3a
série – Volume 2
Na rua Conselheiro Cotegipe “[...] havia uns casebres, para dentro do alinhamento, com
um terreiro e um vasto quintal, aos fundos, habitados por negros. Muitos deles diziam-se ex-
-escravos. Na época, era difícil encontrar-se um negro velho que não se dissesse antigo escravo
e veterano do Paraguai...
No dia 12 de maio, à véspera, portanto, daquela data, à boca da noite, começavam a chegar
negros que nem formiga. Vinham sozinhos ou em magotes, todos empunhando os mais variados
instrumentos: bombos, chocalhos, pandeiros, atabaques, triângulos, maracas, tamborins, reque-re-
ques, puítas, urucungos, marimbas, adufes e outros, herdados, quiçá, dos seus ancestrais africanos.
Surgiam tantos, que parecia incrível que coubessem naquele reduto. [...]
O samba de então era bem diferente do atual. Não passava de um exótico amálgama das
numerosas danças regionais, da capoeira, do lundu, do jongo, do batuque, do cateretê etc.
Depois dos comes e bebes, de muita cachaça ou quentão, os negros animavam-se, e aí come-
çava o samba de roda. Sob o som infernal dos instrumentos de percussão, onde se destacava o
toque surdo dos bombos e dos tambores, iniciava-se a noitada.
Formava-se uma roda no terreiro, um dos parceiros pulava para o centro e começava a can-
tar, saracoteando-se todo: [...]
O batuque ia esquentando. Em pouco tempo, vários pares pulavam no centro da roda, en-
quanto os demais batiam palmas, compassadamente. Eram movimentos alucinantes [...]. E o
coro prosseguia [...]. E nessa toada varavam a noite. [...] E o samba continuava até o dia raiar.”
PENTEADO, Jacob. Belenzinho, 1910 (retrato de uma época). São Paulo: Carrenho Editoral, 2003.
Professor, atente como nesse relato há
comentários marcados por preconceitos e es-
tranhezas remanescentes em uma sociedade em
que a abolição havia sido promulgada há me-
nos de uma geração. A descrição desse evento
organizado pelos negros do Belenzinho destoa
consideravelmente da concepção defendida
pelo Ministério da Cultura, que caracteriza o
jongo como patrimônio cultural nacional.
Esclareça aos alunos como esse relato eviden-
cia uma das inúmeras tensões provocadas pelo
adensamento de uma população diversificada
na cidade de São Paulo no início do século XX,
de modo semelhante ao processo de urbaniza-
ção de outras regiões do Estado. Aproveite para
salientar e assinalar a persistência de costumes
e elementos socioculturais construídos sob au-
tonomia relativa, vivida por homens e mulheres
negros nos tempos do cativeiro, a conviver com
os olhares ambíguos marcados pelos preconcei-
tos existentes, assim como a solidariedade entre
os negros outrora escravizados.
Professor, faça uma reflexão com
os alunos sobre as considerações
das questões presentes na seção
“Para começo de conversa”, no
Caderno do Aluno. ©JúlioCosta/FuturaPress
Desfile da escola de samba Mocidade Alegre,
campeã do carnaval de 2014, em São Paulo.
18
Quando você ouve falar em samba, que
imagens e sons vêm à sua mente? Um grupo de
pessoas cantando e tocando instrumentos
de percussão? Homens e mulheres dançando
separados, com ginga e passos variados? Ou o
carnaval e o desfile das escolas de samba?
O samba é uma das maiores manifestações
da nossa cultura, originado de ritmos brasilei-
ros e africanos. Neste Caderno, vamos tratar
do samba como expressão rítmica, na pers-
pectiva da Cultura de Movimento.
O samba apresenta aspectos musicais e de
dança peculiares. Ao ouvir diferentes músicas,
é possível diferenciar o samba de outros esti-
los, tanto pelo ritmo como pelos instrumentos
usados para tocá-lo.
1. Você seria capaz de identificar os instru-
mentos mais comuns utilizados em uma
roda de samba?
( ) Guitarra. ( X ) Cavaquinho.
( X ) Pandeiro. ( X ) Atabaque.
( ) Gaita. ( X ) Berimbau.
( ) Violino. ( X ) Surdo.
( X ) Violão. ( X ) Viola.
( ) Prato. ( X ) Cavaco.
A palavra samba se originou do termo sem-
ba – expressão oriunda de uma língua africana
chamada quimbundo –, que significa umbiga-
da. As raízes do samba no Brasil remontam ao
período colonial, época em que negros africa-
nos foram capturados, torturados e trazidos
para trabalhar como escravos nas lavouras de
café e cana-de-açúcar.
Com os africanos, aportaram no Brasil no-
vas formas musicais, danças e manifestações
religiosas. Eles costumavam se reunir para
dançar e cantar nas noites de festa dos santos
católicos; não para festejarem os mesmos san-
tos, mas talvez porque, nesses dias, os donos
das terras deixavam a fazenda para participar
das festas nas igrejas.
Considerados os ancestrais do samba,
o jongo e o batuque eram danças ritmadas
pelo tambor. O samba, especialmente o baia-
no, também teve influências do lundu e do
maxixe. O jongo, uma dança de umbigada se-
melhante ao semba de Angola, influenciou o
samba carioca.
2. Atualmente, existem vários tipos de
samba, com características particula-
res. Converse com seus colegas sobre os
diferentes gêneros de samba. Com base
nas informações a seguir, relacione a
segunda coluna de acordo com as letras
da primeira.
Gênero Descrição
a) Samba-enredo
( G ) Apresenta interrupções repentinas nas quais o cantor faz co-
mentários, muitos deles em tom crítico ou humorístico.
b) Samba de partido-alto
( H ) Ritmo rápido, forte e principalmente instrumental, é apreciado
nas danças de salão.
c) Pagode
( A ) Samba composto especialmente para o desfile de carnaval que
desenvolve o enredo definido pela escola de samba.
d) Samba-canção
( F ) Samba grandioso, geralmente tocado por orquestra, que apre-
senta tema patriótico.
e) Samba carnavalesco
( I ) Foi influenciado pelo jazz (música estadunidense) e deu ori-
gem à bossa-nova.
19
Educação Física – 3a
série – Volume 2
f) Samba-exaltação ( D ) Ritmo lento, com tema romântico e sentimental.
g) Samba de breque
( B ) Letras improvisadas que narram a vida nos morros e outras
regiões pouco assistidas historicamente pelo poder público.
h) Samba de gafieira
( C ) Variação do samba de partido-alto, utiliza instrumentos de per-
cussão e sons eletrônicos; surgiu na cidade do Rio de Janeiro, na
década de 1970.
i) Sambalanço
( E ) Marchinhas e sambas para serem cantados e dançados nos bai-
les de carnaval.
Etapa 3 – Mas que jongo é esse no samba
de novo?
Proponha à turma uma possível sequência
da dança do jongo. Três alunos devem criar
diferentes ritmos durante a dança, utilizando
latas de tinta vazias ou baldes (os “tambores”).
Os alunos podem ficar descalços. Forme um
círculo e solicite-lhes que iniciem o toque dos
“tambores”. Todos devem fazer uma reverên-
cia em direção aos instrumentos, como forma
de pedir licença aos ancestrais, uma maneira de
manifestar saudades. O círculo deve ser man-
tido durante toda a dança, e todos devem per-
manecer dançando até serem convidados por
alguém que estiver no centro da roda.
Quem for convidado dirige-se para o cen-
tro da roda, cumprimentando com a umbi-
gada. Homens e mulheres dançam formando
pares. Com a perna direita, dão um passo com
saltito para a frente enquanto elevam a per-
na esquerda lateralmente e para trás. Depois,
com a perna direita retornam com um saltito
para trás, elevando a perna esquerda à frente.
Esses passos são constantes e ocorrem em gi-
ros, como se estivessem desenhando uma roda
entre cada pessoa, até que um dos casais saia,
convidando outra pessoa do círculo e manten-
do o ritmo estabelecido pelos tambores.
Como opção, proponha aos alunos que
façam a análise dos movimentos do jongo
assistindo a um vídeo, aproveitando a produ-
ção de regiões do Estado de São Paulo que
mantêm a prática dessa manifestação rítmi-
ca. Nesse caso, a ênfase pode ser em ritmos
diferenciados no jongo e seus movimentos
correspondentes.
É possível ainda solicitar aos alunos que
pesquisem o tema previamente e, depois, orga-
nizem a apresentação das pesquisas na forma
de seminário, relacionando os movimentos e
os ritmos encontrados no jongo com manifes-
tações atuais do samba.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2
A RODA VIVA DO SAMBA
Esta Situação de Aprendizagem pretende
contextualizar o processo histórico do samba
com base na vivência de movimentos e ritmos
no samba de roda, relacionando-o a outras
manifestações contemporâneas. Os alunos vi-
venciarão uma sequência de passos do samba
de roda para estabelecer, em seguida, relações
com outras manifestações contemporâneas,
20
Conteúdo e temas: cultura rítmica nacional e o processo histórico do samba – o samba de roda e suas
características regionais; cultura rítmica nacional e elementos contemporâneos no samba – movimen-
tos e gestos característicos do samba de roda.
Competências e habilidades: relacionar informações entre diferentes manifestações rítmicas, con-
frontando-as e interpretando-as criticamente; identificar e compreender as características do samba
de roda: gestos e movimentos; conhecer, elaborar e associar os diferentes instrumentos caracterís-
ticos do samba de roda; compreender o processo histórico do samba de roda nas diferentes regiões
brasileiras.
Sugestão de recursos: local/espaço amplo para dança, folhas de papel e canetas (para cada grupo), rádio/
CD, TV/DVD, computador/internet.
Desenvolvimento da Situação de
Aprendizagem 2
Etapa 1 – Samba de roda
Informe antecipadamente o tema da aula
(samba, capoeira e samba de roda) para que
os alunos possam pesquisar o assunto. Se pos-
sível, organize-os e acompanhe-os na consulta
a sites na escola ou sugira o uso de computa-
dores públicos e em suas residências; também
estimule a consulta em outras fontes, como re-
vistas, jornais ou entrevistas com pessoas que
tenham familiaridade com essas atividades
rítmicas. Feito isso, realize uma “chamada te-
mática” sobre o samba de roda: em vez de o
aluno responder “presente”, ele deverá apre-
sentar alguma informação ou movimento re-
lacionado ao assunto.
A seguir, organize-os em grupos e propo-
nha a vivência de diversos movimentos do
samba, conforme o que já conhecem, ou de
alguns passos básicos, como:
pé direito à frente e virando para fora;
voltar a perna para trás, transferindo o
peso do corpo, e repetir o primeiro passo
com o pé esquerdo;
repetir esses movimentos várias vezes, se-
guindo a velocidade da música, que pode
ser escolhida pelos alunos;
a partir desses passos, realizá-los girando,
imaginando uma volta completa. Também
se pode caminhar de um lado a outro, ele-
vando um pouco os joelhos;
após compartilhar esses e/ou outros pas-
sos conhecidos pela turma, organize os
alunos em um círculo e, posicionados
em uma roda de samba, solicite-lhes que
apresentem suas descobertas e dificulda-
des encontradas.
Figura 6 – Samba de roda.
©MarcoAntonioSá/PulsarImagens
como a capoeira. Para tanto, irão confeccio-
nar e experimentar diferentes instrumentos
musicais, além de pesquisar a relação existente
entre a capoeira e o samba de roda.
21
Educação Física – 3a
série – Volume 2
Professor, solicite aos alunos que,
após analisarem as imagens e le-
rem o texto, respondam às ativida-
des presentes na seção “Lição de
casa”, no Caderno do Aluno.
Samba de roda
Relacionada ao culto aos orixás e ca-
boclos, nessa variedade de samba forma-
-se uma roda de instrumentistas que tocam
pandeiro, atabaque, berimbau, viola e cho-
calho, e dançarinos, que marcam o ritmo
com cantos e palmas. No centro da roda,
um dançarino samba sozinho até intimar,
com uma umbigada, outra pessoa para to-
mar seu lugar.
1. Em cada imagem, indique pelo menos
uma característica do samba de roda ou
do jongo.
©MarcoAntonioSá/
PulsarImagens
a)
Samba de roda.
Há uma dançarina que samba sozinha, até intimar outra pes-
soa no meio da roda para o revezamento do dançarino.
©MarcoAntonioSá/
PulsarImagens
b)
Jongo.
A dança é realizada por jongueiros, enquanto os demais ob-
servam, batendo palma ou se movimentando no lugar, lateral-
mente; os instrumentos são tambores (tambu e candongueiro).
“Comunidade” é um conceito que tem uma profunda e histórica ligação com o samba.
Os desfiles de rua representavam o auge das “folganças” do carnaval negro, pois era uma for-
ma eficiente para esse grupo se afirmar socioculturalmente na vida urbana de uma cidade
como São Paulo, caracteristicamente reconhecida como branca, imigrante e discriminadora
(SIMSON, 1991 apud ABIB, 2006). Segundo a autora, só foi possível a organização do carna-
val negro, e a sua articulação através de uma rede de filiais dos cordões e escolas de samba, pelo
profundo sentido comunitário desse grupo social. Tinha como núcleos fundamentais as casas
de membros mais influentes das agremiações (geralmente as costureiras), situadas em bairros
periféricos, geralmente na zona leste e norte da cidade, onde era realizado um importante tra-
balho preliminar de organização e ensaio dos folguedos. Somente buscavam a sede, situada em
bairros centrais e tradicionais, para os ensaios finais.
Simson (apud ABIB, 2006) afirma que o significado maior que o carnaval assume para a
população negra paulistana se dá justamente pela oportunidade de ela se expressar sociocultu-
ralmente para toda uma sociedade – a princípio escravocrata e posteriormente altamente dis-
criminadora. O espaço do carnaval foi sempre utilizado pelos grupos negros para o exercício
do que pode ser tido como “resistência inteligente”, ou seja, “aquela resistência que se exerce
no cotidiano, ao nível da cultura, aproveitando as brechas que a religião, o lazer e a política
apresentam, e que o negro paulistano sempre soube alargar”.
Fonte: ABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Cultura popular, educação e lazer: uma abordagem sobre a
capoeira e o samba. Práxis Educativa. Ponta Grossa, v. 1, n. 1, jan./jun. 2006. p. 62-3. Disponível em:
<http://www.revistas2.uepg.br/index.php/praxiseducativa/article/view/245/248>. Acesso em: 12 nov. 2013.
22
2. Leia o texto de Jacob Penteado e faça a
tarefa solicitada a seguir.
Esse relato descreve um evento ocorrido
na região do Belenzinho, em São Paulo, no
início do século XX, em comemoração ao
dia 13 de maio. Com base nesse texto e em
outros conteúdos estudados, reflita sobre
as condições socioculturais da época, espe-
cialmente sobre o preconceito em relação às
manifestações culturais dos negros, os costu-
mes, as relações entre as etnias e as danças
que você está estudando neste volume (jongo
e samba).
Etapa 2 – O samba e suas manifestações
Possibilite aos alunos a leitura comparti-
lhada de um texto sobre o samba de roda e sua
influência em outras ramificações do samba.
Podem ser utilizados materiais previamente
pesquisados pela turma ou informações con-
tidas neste Caderno, como o texto anterior.
Proponha, em seguida, que os alunos criem
alguns instrumentos necessários ao samba de
roda, aproveitando materiais recicláveis e/ou ou-
tros utensílios do cotidiano: o balde ou a lata de
tinta podem virar um tantã ou tambor, a garrafa
PET com relevo pode virar um reco-reco, uma
latinha de alumínio sobreposta a outra pode vi-
rar um agogô, o papelão recortado em círculo
com tampinhas de aço ao redor pode virar um
pandeiro... Todos esses instrumentos serão utili-
zados em uma roda de samba. Os instrumentos
também podem ser utilizados em uma banda/
fanfarra, se a escola tiver esse tipo de atividade.
Apresente aos alunos um vídeo ou site com
movimentos do samba e também músicas es-
pecíficas, que podem ser trazidas pela própria
turma. Discuta a influência das representa-
ções africanas, do jongo, vivenciado anterior-
mente, ou da capoeira às manifestações mais
recentes do samba.
Opcionalmente, organize os alunos em
grupos, envolvendo toda a turma, e prepare
uma roda de samba com todas as suas ca-
racterísticas (instrumentos e movimentos).
Apresente a produção dos alunos a outras
salas ou aproveite-a em algum evento orga-
nizado na escola. Cada grupo também pode
construir uma roda de samba e apresentar-se
à própria turma.
Professor, solicite aos alunos
que respondam às questões pre-
sentes na seção “Você apren-
deu?”, no Caderno do Aluno.
1. “Samba” vem de que palavra do quimbun-
do? O que significa essa palavra?
Semba. Significa umbigada e designa um ritmo religioso.
2. Cite três gêneros de samba que você co-
nhece.
Professor, as respostas podem ser bem variadas. Entre os gê-
neros podem ser citados: samba-enredo, samba de partido-
-alto, pagode, samba-canção, samba carnavalesco, samba-
-exaltação, samba de breque, samba de gafieira e sambalanço,
entre outros.
3. O “ponto” é o canto ou a fala improvisada
que alude a situações do cotidiano ou da
tradição por meio de adivinhas, que são
respondidas em coro pelos participantes
enquanto dançam e batem palmas. Isso
ocorre em que modalidade de samba?
Jongo.
23
Educação Física – 3a
série – Volume 2
ATIVIDADE AVALIADORA
Durante as várias etapas das Situações de
Aprendizagem, procure avaliar se os alunos
conseguem relacionar o samba a outras mani-
festações da cultura rítmica brasileira, conside-
rando aspectos históricos, em especial.
Em relação aos passos vivenciados, pro-
cure problematizar com os alunos algumas
questões:
Quais foram as maiores facilidades e dificul-
dades em dançar e realizar movimentos de
acordo com os ritmos do samba, em cada
um dos passos vivenciados?
Foi possível coordenar o ritmo próprio
com o ritmo dos companheiros?
Como foi a experiência de dançar com
diferentes parceiros? Todos conseguiram
coordenar consensualmente os ritmos pró-
prios com os dos colegas?
Quais as diferenças nas percepções/sensa-
ções dos jovens entre os gêneros ao dançar
o samba?
Professor, solicite aos alunos que relacionem
cada palavra da coluna da direita com uma da
coluna da esquerda na seção “Desafio!”, no Ca-
derno do Aluno.
Desafio!
Palavras parceiras
Cada palavra da coluna da direita tem rela-
ção com uma palavra da coluna da esquerda.
Quais são essas duplas? Siga o exemplo a seguir.
Depois de resolvido o desafio, surgirá (na ver-
tical) o nome da escola de samba tricampeã do
carnaval de 2014 em São Paulo, que teve como
enredo “Andar com Fé eu vou... Que a Fé não
costuma falhar!”.
©LeandroMartins/FuturaPress
Magnanimidade H E R O Í S M O Criativo
Recebidos H E R D A D O S Pulsação
Pássaro M A R I T A C A Renomada
Corpo A N A T O M I A Glóbulos
Juventude M O C I D A D E Máquinas
Ritmo P U L S A Ç A O Saudável
Famosa R E N O M A D A Aguçados
Salutar S A U D Á V E L Medicina
Mecanismos M A Q U I N A S Heroísmo
Células G L Ó B U L O S Mocidade
Vitorioso V E N C E D O R Anatomia
Atentos A G U Ç A D O S Maritaca
Criador C R I A T I V O Herdados
Ciência M E D I C I N A Vencedor
Desfile da Mocidade Alegre, escola campeã
do carnaval de São Paulo em 2014.
24
RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO PROFESSOR
E DO ALUNO PARA A COMPREENSÃO DO TEMA
PROPOSTA DE SITUAÇÕES DE RECUPERAÇÃO
Durante o percurso pelas várias etapas das
Situações de Aprendizagem, alguns alunos
poderão não ter compreendido os conteúdos e
temas, ou desenvolvido habilidades da forma
esperada. É necessário, então, professor, que
você proponha outras Situações de Aprendi-
zagem que estimulem a reflexão sobre as ma-
nifestações rítmicas; em especial, o samba e
sua pertinência às aulas de Educação Física.
Essas situações devem ser diferentes, de pre-
ferência, daquelas que geraram dificuldades
para os alunos. Tais estratégias podem ser
desenvolvidas durante as aulas ou em outros
momentos, envolver todos os alunos ou ape-
nas aqueles que apresentaram dificuldades na
compreensão dos temas. Por exemplo:
sugestão para que os alunos assistam a
programas de televisão contendo ativi-
dades da cultura rítmica, identifiquem
associações com o samba e as apresentem
posteriormente;
sugestão para que os alunos observem mani-
festações do samba no cotidiano, da região
em que vivem, identificando e registrando
suas características principais.
Livros
KUNZ, Elenor. Didática da Educação Física.
Ijuí: Unijuí, 2006. Apresenta subsídios para
a intervenção do professor ao trabalhar com
manifestações da cultura rítmica nas aulas de
Educação Física.
PENTEADO, Jacob. Belenzinho, 1910 (re-
trato de uma época). São Paulo: Carrenho
Editorial, 2003. Esse relato descreve um even-
to ocorrido na região do Belenzinho, em São
Paulo, no início do século XX, em comemora-
ção ao 13 de maio.
Artigos
ABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Cultura
popular, educação e lazer: uma abordagem
sobre a capoeira e o samba. Práxis Educa-
tiva. Ponta Grossa, v. 1, n. 1, jan./jun. 2006.
p. 58-66. Disponível em: <http://www.revistas2.
uepg.br/index.php/praxiseducativa/article/
view/245/248>. Acesso em: 12 nov. 2013. Rela-
ciona o processo histórico do samba à capoeira.
Destaque para a citação de pesquisa sobre o
contexto do samba paulistano, reforçando o
conceito de “comunidade” e tratando-o como
um “espaço de resistência inteligente dos ne-
gros em São Paulo”.
KOGURUMA, Paulo. A saracura: ritmos so-
ciais e temporalidades da metrópole do café
(1890-1920). Revista Brasileira de História. São
Paulo, v. 19, n. 38, 1999. p. 81-99. Disponível
em: <http://www.scielo.br/pdf/rbh/v19n38/0997.
pdf>. Acesso em: 12 nov. 2013. Aborda o pro-
cesso de urbanização da cidade de São Paulo na
transição do século XIX para o século XX, rela-
cionando situações do contexto social, como as
manifestações rítmicas populares.
NOEL, Francisco L. Jongo, ritual de resistên-
cia e tradição: manifestação de origem africana
sobrevive e se consolida como patrimônio cul-
tural. Revista Problemas Brasileiros. São Paulo,
ano 45, mar./abr. 2007, n. 380. Disponível em:
<http://sesc-novoportal-hom.agenciaclick.
com.br/online/artigo/3781_EM+PAUTA>.
Acesso em: 17 jan. 2014. Analisa o processo
25
Educação Física – 3a
série – Volume 2
histórico do jongo, interpretando-o como
espaço de resistência dos negros escravizados
e seus descendentes. Apresenta uma relação
entre a comunicação nas comunidades negras,
tendo os pontos comunicativos do jongo como
elemento essencial, e os aspectos espirituais de
ascendência banto.
Sites
Produção da Associação Grupo Cultural Jongo
da Serrinha – GCJS. Disponível em: <http://
www.jongodaserrinha.org.br/secao.asp?cod_
secao=home>. Acesso em: 12 nov. 2013. A
associação tem o objetivo de preservar o pa-
trimônio histórico do jongo. No site é possível
reproduzir um CD com músicas de jongo.
Samba de roda: patrimônio da humanidade.
Disponível em: <http://www.bahia.com.br/
viverbahia/cultura/samba-de-roda>. Acesso em:
12 nov. 2013. Apresenta informações sobre
o samba de roda, como origem e trajetória,
cuja importância rendeu a esse gênero o tí-
tulo de Obra-prima do Patrimônio Oral e
Imaterial da Humanidade.
Sua Pesquisa: folclore. Disponível em: <http://
www.suapesquisa.com/folclorebrasileiro/folclore.
htm>. Acesso em: 12 nov. 2013. Site rico em
informações sobre diferentes danças e festas,
além de lendas brasileiras.
Vídeo
XAVIER, Rubens. Feiticeiros da palavra: o
jongo do Tamandaré. Direção: Rubens Xavier.
Brasil, 2001. 55 min. Núcleo de Documentários
da TV Cultura. Este documentário apresenta
os praticantes do jongo em situações cotidia-
nas, explicitando seus costumes e os aspectos
espirituais da manifestação rítmica.
26
Em pesquisa realizada pelo jornal Folha de
S.Paulo (apud MARCELLINO, 2006) com
moradores das cidades de São Paulo e Rio de
Janeiro acima de 14 anos de idade sobre as prá-
ticas esportivas preferidas, são apresentados
alguns números que permitem observações in-
teressantes. A principal é a defasagem entre os
que declaram gostar de esporte e aqueles que
efetivamente têm a oportunidade de praticá-lo.
Apenas 7% dos entrevistados declararam que
não apreciam nenhum esporte, número que se-
ria animador, não fosse o fato de 61% afirmarem
não praticar qualquer atividade esportiva.
É claro que a dificuldade de prática de ati-
vidades esportivas nos momentos de lazer por
parte da população deve-se a vários motivos,
sendo o principal a pouca ênfase dada às po-
líticas de lazer, tanto públicas como privadas.
Se o lazer é um direito do cidadão e um dever
do Estado, cabe a este priorizar ações para
prover condições efetivas de acesso a essa di-
mensão. Deve-se, ainda, à falta de equipamen-
tos e locais específicos para a prática e à falta
de uma Cultura do Lazer, que incorpore essa
dimensão na vida de todas as pessoas.
Vale ressaltar o papel das mídias que, se
por um lado difundem as práticas de lazer
– esportivas ou não –, por outro geram uma
necessidade que não é atendida pelo poder
público, causando insatisfação por parte da
população. Assistir pela televisão a uma gran-
de competição esportiva, como os Jogos Olím-
picos, pode ser uma atividade enriquecedora
sob vários aspectos, mas ter oportunidade e
TEMA 2 – LAZER E TRABALHO – O LAZER COMO DIREITO
DO CIDADÃO E DEVER DO ESTADO
condições de praticar efetivamente algumas
modalidades, participando de competições no
seu bairro ou na sua cidade, é mais ainda.
O que a Educação Física escolar tem a ver
com esses dados? Ela também tem uma par-
cela de responsabilidade na criação de uma
Cultura do Lazer, transformando o gosto pelo
lazer em ações que levem às oportunidades de
prática efetiva. Nesse sentido, a Educação Fí-
sica tem como objetivo oferecer aos alunos, ao
longo das várias séries/anos em que atua, uma
educação pelo lazer e para o lazer.
É importante que os conteúdos da Edu-
cação Física, que compõem a Cultura de
Movimento – esporte, jogo, ginástica, luta e
atividade rítmica –, tornem-se significativos
aos alunos, sejam incorporados a suas vidas
e possam ser usufruídos por eles em seus mo-
mentos de lazer de modo autônomo e crítico.
A Assembleia Geral da Organização das
Nações Unidas (ONU) aprovou, em 1948, a
Declaração Universal dos Direitos Humanos,
reconhecendo o lazer como direito dos cida-
dãos. Também a Constituição brasileira de
1988 reafirma esse direito, o que demonstra a
atualidade e a importância desse tema. A par-
tir dos anos 1950, o lazer passou a ser objeto
de estudos sistemáticos, configurando uma
área de pesquisa e intervenção.
O lazer surge como conceito na relação com
o trabalho na sociedade industrial. À medida
que as jornadas de trabalho foram regulamen-
tadas nas indústrias, os operários passaram a
ter um tempo de não trabalho, no qual deve-
riam repor as energias para a jornada seguinte.
É no contexto dessa discussão que o lazer, tan-
to como área de estudo quanto como indústria
Professor, este tema será abordado no
Caderno do Aluno de forma integrada ao
Tema 3.
27
Educação Física – 3a
série – Volume 2
produtora de bens e práticas, ganha importân-
cia para estimular ou sugerir práticas não só aos
trabalhadores, mas a toda a população.
Nelson Marcellino, um dos principais estu-
diosos brasileiros do lazer, alerta sobre os juízos
de valor de senso comum que associam o lazer
às coisas negativas, considerando-o um não fa-
zer ou coisa de desocupados ou, ainda, mero
passatempo. Para esse autor, os valores do sen-
so comum contrapõem lazer e trabalho, consi-
derando o primeiro menos importante do que o
segundo e útil apenas para compensar o esforço
do trabalho. Esse é o risco das propostas atuais
de lazer nas empresas caso sejam empreendidas
na perspectiva de apenas divertir o trabalhador
ou fazê-lo compensar e recuperar sua força de
trabalho para a continuidade da jornada.
O mesmo autor atenta para dois conceitos
importantes no estudo do lazer – o tempo e a
atitude – que podem dar a dimensão do que
caracteriza uma atividade de lazer. Segundo
ele, o lazer não se caracteriza somente pelo
conteúdo da ação ou pela atividade em si,
como o futebol, a jardinagem ou a pescaria.
Importa saber a atitude em relação à ativida-
de e em que tempo ela ocorre. Por exemplo,
atividades como o futebol, a jardinagem ou a
pescaria têm outros sentidos para os profis-
sionais que as desempenham como trabalho.
Em relação à atitude: “O lazer considerado
como atitude será caracterizado pelo tipo de
relação verificada entre o sujeito e a experiên-
cia vivida, basicamente a satisfação provoca-
da pela atividade”a
.
Em relação ao tempo: “O lazer ligado ao as-
pecto tempo considera as atividades desenvolvi-
dasnotempoliberadodotrabalho,ouno‘tempo
livre’, não só das obrigações profissionais, mas
também das familiares, sociais e religiosas”b
.
As difíceis condições de vida atuais nas
grandes cidades, o surgimento de doenças
como o estresse, os riscos à saúde causados
pela obesidade e pelo sedentarismo e a ne-
cessidade de redução da jornada de trabalho
a fim de que haja empregos para todos real-
çam a importância de atividades que sejam
praticadas na dimensão do lazer na socieda-
de contemporânea.
Mesmo reconhecendo que o lazer ainda
não está disponível a todos, e que o acesso a
ele depende de condições socioeconômicas,
considera-se aqui sua importância como um
“tempo e lugar de construção da cidadania e
exercício da liberdade” (MASCARENHAS,
2003, p. 10). Dessa forma, é preciso superar
a visão de lazer como recreação descompro-
missada, ou apenas como momento de recu-
peração das energias de trabalho, ou como
consumo passivo de determinados produtos
de lazer. É preciso superar, também, certos
preconceitos, como o de que as atividades
de lazer são dirigidas somente para jovens
ou o de que certas atividades de lazer não
podem ser praticadas por pessoas com
deficiências.
O lazer, na perspectiva aqui adotada,
defende a autonomia do cidadão para pos-
suir conhecimentos mínimos que propiciem
a escolha e a realização de várias práticas
no seu tempo livre. Defende também a im-
portância da compreensão do lazer como
controle do próprio esforço e direito ao
repouso; e a formação política necessária
para que todas as pessoas reivindiquem
tempos, espaços e oportunidades de lazer.
Nesse sentido, propõe-se um enfoque que
problematiza o tema “lazer e trabalho”, a
fim de propiciar aos alunos oportunidades
de prática e reflexão, capazes de contribuir
para a sua emancipação.
a
MARCELLINO, Nelson C. Estudos do lazer: uma introdução. 4. ed. Campinas: Autores Associados, 2006, p. 8.
www.autoresassociados.com.br.
b
Idem, ibidem.
28
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3
ESPORTE COMO LAZER E COMO TRABALHO
Esta Situação de Aprendizagem pretende
propiciar aos alunos a oportunidade de com-
preender o esporte nas dimensões do lazer e do
trabalho. Inicialmente, os alunos se colocarão
como espectadores de uma partida de futebol,
observando os atletas em situação de trabalho.
Na etapa seguinte, os alunos vivenciarão o futebol
como praticantes no seu tempo de lazer. Poste-
riormente, os alunos discutirão as facilidades e
as dificuldades de acesso à prática do futebol. É
importante observar que o futebol é apenas uma
sugestão, podendo ser substituído por outra mo-
dalidade, de acordo com os interesses dos alunos
ou as particularidades da escola.
Conteúdo e temas: possibilidades de lazer na Cultura de Movimento; lazer e trabalho; o esporte como
trabalho e como lazer.
Competências e habilidades: compreender a importância do lazer; identificar possibilidades de lazer
nas atividades de Cultura de Movimento; identificar diferenças e semelhanças de valores, interesses e
recompensas nas situações de lazer e trabalho; identificar e reconhecer as dificuldades/facilidades para
o acesso ao lazer.
Sugestão de recursos: aparelho de DVD; TV; bola de futebol ou futsal.
Desenvolvimento da Situação de
Aprendizagem 3
Etapa 1 – Lazer ou trabalho?
Apresente aos alunos um vídeo de um jogo
de futebol previamente gravado. Se não for pos-
sível, peça-lhes que assistam em casa à transmis-
são de um jogo pela televisão. Peça aos alunos
que identifiquem os papéis representados pelos
jogadores de ambas as equipes, pelo árbitro e
por seus auxiliares, pelos profissionais ligados às
equipes (técnico, massagista, médico etc.), pelos
torcedores no estádio, pelos torcedores de cada
um dos dois times que assistem ao jogo pela tele-
visão e pelos espectadores que assistem ao jogo,
mas não torcem por nenhuma das duas equipes.
Auxilie os alunos a perceber que as funções
exercidas pelas diferentes pessoas indicam
atitudes diversas, com valores e intenciona-
lidades específicas. Enquanto os jogadores
e demais profissionais estão vivenciando um
tempo de trabalho, os torcedores e espectado-
res televisivos vivenciam um tempo de lazer.
Dentro de cada grupo, os papéis ainda podem
ser diferenciados. Os profissionais jogadores,
por dependerem diretamente do resultado da
partida para sua carreira e seu sucesso pro-
fissional, tendem a se empenhar mais. Já os
profissionais que arbitram o jogo, bem como
aqueles da mídia, têm o objetivo de realizar
bem o seu trabalho, sem se importar com o
resultado. Também entre os que assistem ao
jogo há diferenças de interesse e motivação.
Figura 7 – O futebol e os diferentes membros da
equipe: jogadores, treinador, médico.
©Barros&Barros/TheImageBank/GettyImages
29
Educação Física – 3a
série – Volume 2
Professor, solicite aos alunos que
assinalem as informações com V
ou F, na seção “Para começo de
conversa”, no Caderno do Aluno.
Uma pesquisa sobre as práticas esportivas
preferidas das pessoas maiores de 14 anos no
Rio de Janeiro e em São Paulo revelou que só
7% dos entrevistados alegaram desinteresse
pelo esporte. No entanto, 61% dos que de-
clararam gostar de alguma modalidade não
praticam nenhuma atividade física. Você está
dentro dessa estatística? Será que gostaria de
fazer algum esporte, mas não tem tempo e/ou
acesso aos lugares adequados?
A Constituição Federal Brasileira garante
o direito ao lazer a todos os cidadãos. Por-
tanto, o Estado tem o dever de proporcionar
espaços e equipamentos destinados ao lazer.
Mas o que é lazer?
Partida de futebol na praia.
©RachelGuedes/PulsarImagens
de lazer e do avanço tecnológico – cada vez
mais acessível por meio dos incentivos à in-
clusão digital e do barateamento dos equi-
pamentos de informática –, observa-se uma
mudança no uso do tempo livre. Pesquisas
mostram que cerca de 3 milhões de brasileiros
frequentam lan houses, e que os videogames
(que em nada lembram o primeiro joguinho
de poucos recursos visuais que simulava um
jogo de tênis, criado em 1958) estão ocupan-
do o tempo antes destinado à música, à TV e
ao cinema.
Neste Caderno, além de discutir a expe-
riência do esporte como lazer e a relação entre
lazer e trabalho no esporte, você vai participar
de vivências relacionadas aos videogames.
Adolescentes jogando videogame.
©Kuttig-People/Alamy/GlowImages
Nelson Marcellino, no livro Estudos do
lazer: uma introdução, diz que a atitude e o
tempo caracterizam o lazer. A atitude diz
respeito à satisfação obtida pelo sujeito ao pra-
ticar uma atividade. No caso do lazer, espera-se
que a atividade seja prazerosa. Sobre o tempo
de prática, o autor argumenta que o lazer deve
acontecer durante o “tempo livre”, livre não
apenas do trabalho, mas de qualquer obrigação.
Por causa da escassez de espaços e equipa-
mentos para a prática do esporte como forma
Mas, antes, vamos ver o que você conhece
sobre esses assuntos.
1. Assinale as informações a seguir com V
(verdadeira) ou F (falsa):
a) De acordo com a pesquisa referida no
texto, as pessoas com mais de 14 anos
preferem jogar videogame e praticar al-
gum esporte. ( F )
b) O lazer é um período de descanso para
recuperar as energias e render mais no
trabalho. ( F )
30
c) O que é lazer para você pode ser trabalho
para outra pessoa. ( V )
d) Ao reconhecer a importância do direito
ao lazer, é papel da comunidade reivin-
dicar ao poder público espaços e equi-
pamentos para sua prática. ( V )
e) O videogame foi criado por um fun-
cionário do governo estadunidense em
1958. ( V )
f) Esse videogame simulava um jogo de
basquetebol. ( F )
g) A nova geração de videogames permite
muito mais interatividade. ( V )
Em alguns jogos, a simulação num tabu-
leiro de jogo de botão já havia antecipado o
que se conseguiria depois, com os recursos da
tecnologia.
2. Observe a imagem a seguir. Que jogo é esse
e o que está faltando nele?
©FernandoFavoretto
O empenho, a motivação e o envolvimento
dos jogadores profissionais e dos alunos fo-
ram diferentes?
Quais são as diferenças e as semelhanças
entre as duas situações?
Como as regras do esporte foram cumpri-
das? O árbitro é sempre necessário?
Como os conflitos em relação ao descum-
primento das regras foram resolvidos?
Quais valores estiveram presentes em cada
uma das situações?
Quais são as recompensas presentes em
uma e em outra situação?
Etapa 3 – Facilidades e dificuldades para o
acesso ao lazer
Reúna os alunos em grupos de cerca de
cinco integrantes e apresente a cada grupo a
tarefa de discutir as dificuldades e as facili-
dades para a prática do futebol – e de outras
modalidades esportivas – no bairro em que
moram. Apresente algumas questões instiga-
doras, tais como:
Em seus momentos de lazer, em que locais
os alunos podem praticar o futebol (ou
outra modalidade esportiva)?
Quem utiliza esses locais para atividades de
lazer?
Todos os locais possíveis para a prática
são públicos ou de acesso restrito, como os
clubes privados?
A quadra da escola em que estudam é uti-
lizada nos fins de semana para a prática es-
portiva da comunidade?
Quais locais do bairro poderiam ser uti-
lizados para atividades de lazer da comu-
nidade?
Que materiais e equipamentos seriam ne-
cessários para otimizar a prática do lazer
na comunidade?
Que ações poderiam ser empreendidas no
bairro a fim de que as atividades de lazer
fossem valorizadas?
Futebol de botão; faltam as traves e os goleiros.
Etapa 2 – Esporte como lazer
Na aula seguinte, proponha aos alunos a
realização de jogos de futebol ou futsal, dei-
xando por conta deles a organização da ati-
vidade e a solução de possíveis dificuldades e
conflitos que possam ocorrer. Ao final do jogo,
na mesma aula ou na seguinte, discuta com os
alunos as diferenças e as semelhanças entre as
situações da etapa anterior e desta. Algumas
questões podem ser lançadas para o debate:
31
Educação Física – 3a
série – Volume 2
Com base nessas questões, os alunos rea-
lizarão o debate em grupo e, posteriormente,
apresentarão suas respostas e conclusões à classe.
Procure intermediar as apresentações dos alu-
nos, encerrando com algumas conclusões sobre
o tema do acesso ao lazer na comunidade.
Figura 8 – Meninos jogando futebol na praia.
©JucaMartins/PulsarImagens
Professor, faça uma reflexão
com os alunos sobre as dificul-
dades e facilidades para a prática
de modalidades esportivas no
seu bairro e, depois, solicite que respondam às
questões presentes na seção “Pesquisa em gru-
po”, no Caderno do Aluno.
Facilidadesedificuldadesparaoacessoaolazer
Seu professor já deve ter comentado o tipo
de relação com o esporte desenvolvido pelos
diversos sujeitos em um jogo de futebol – tra-
balho para jogadores, para equipe técnica,
para equipe médica, para funcionários da bi-
lheteria etc.; lazer para torcedores presenciais
e para telespectadores.
©ArthurTilley/TheImageBank/GettyImages
Agora, você vai discutir as dificuldades e as
facilidades para a prática de modalidades es-
portivas no seu bairro. Para conhecermos as
condições de lazer da região onde você mora,
responda às questões a seguir. Com base nas in-
formações apresentadas por você e seus colegas,
o professor pode promover um debate na classe:
1. Quais locais você pode utilizar para praticar
alguma modalidade esportiva em seus mo-
mentos de lazer?
2. Quem utiliza esses espaços de lazer?
3. Todos os locais apontados por você são
públicos ou há espaços privados?
4. A quadra da escola também é utilizada
pela comunidade nos fins de semana? Em
caso negativo, por quê?
5. Quais recursos materiais seriam necessá-
rios para melhorar as condições de lazer
do seu bairro?
6. Em sua opinião, o que poderia ser feito na
região onde você mora para valorizar as
atividades de lazer?
O objetivo das questões é levar o aluno a identificar a existência
de espaços de lazer em sua comunidade, bem como as possí-
veis intervenções para a criação e/ou melhoria desses espaços.Voleibol como lazer.
32
ATIVIDADE AVALIADORA
A exemplo do futebol, procure avaliar se
os alunos são capazes de perceber como ou-
tras manifestações da Cultura de Movimento
são expressas na sociedade no que se refere às
dimensões do lazer e do trabalho. Apresente
uma situação de dança profissional confronta-
da com a manifestação de um grupo de jovens
dançando na rua. Ou uma situação de luta
profissional confrontada com brincadeiras de
luta realizadas por crianças. Pergunte aos alu-
nos sobre os valores envolvidos, recompensas
atribuídas e interesses em cada caso. Pergunte
também sobre o papel representado pelos es-
pectadores, presenciais ou não.
PROPOSTA DE SITUAÇÕES DE RECUPERAÇÃO
Durante o percurso pelas várias etapas
da Situação de Aprendizagem, alguns alu-
nos poderão não apreender os conteúdos da
forma esperada. É necessário, então, profes-
sor, que você proponha outras Situações de
Aprendizagem que os estimulem a refletir
sobre a questão do lazer em suas relações
com as atividades da Cultura de Movi-
mento próprias da Educação Física. Essas
situações devem ser diferentes, de preferên-
cia, daquelas que geraram dificuldade para
os alunos. Tais estratégias podem ser de-
senvolvidas durante as aulas ou em outros
momentos, envolver todos os alunos ou ape-
nas aqueles que apresentaram dificuldades
na compreensão dos temas. Por exemplo:
sugestão para que os alunos assistam a
programas de televisão contendo ativida-
des da Cultura de Movimento e identifi-
quem situações de lazer e de trabalho para
posterior apresentação;
sugestão para que os alunos, com base na
observação do cotidiano de seus pais ou de
outros familiares, identifiquem situações
de lazer e de trabalho, comparando-as.
RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO PROFESSOR
E DO ALUNO PARA A COMPREENSÃO DO TEMA
Livros
MARCELLINO, Nelson C. Estudos do lazer:
uma introdução. 4. ed. Campinas: Autores
Associados, 2006. Composto de 39 pequenos
textos e dirigido a um público amplo, o livro
procura oferecer elementos para o entendimento
das questões relativas ao lazer na vida cotidiana.
MASCARENHAS, Fernando. Lazer como
prática da liberdade. Goiânia: UFG, 2003.
Propõe-se a fornecer contribuições para o
debate acerca do lazer em suas inter-rela-
ções com a educação, além de apresentar
subsídios para a intervenção no campo do
lazer.
STIGGER, Marco Paulo. Esporte, lazer e
estilos de vida. São Paulo: Autores Associa-
dos, 2002. Problematiza as relações entre es-
porte e lazer, apontando a heterogeneidade
do fenômeno esportivo, que permite a apro-
priação de diferentes sentidos e valores pelos
praticantes.
33
Educação Física – 3a
série – Volume 2
Site
Revista Licere. Disponível em: <http://www.
eeffto.ufmg.br/licere/home.html>. Acesso em:
12 nov. 2013. Site da Revista do Programa de
Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos
do Lazer da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG), com artigos específicos so-
bre o tema lazer.
34
Partindo do caminho já percorrido em outros
volumes, pautado na compreensão da Educa-
ção Física no Ensino Médio como uma disci-
plina que deve propiciar aos alunos o confronto
de suas experiências de Se-Movimentar com as
constantes mudanças no mundo, mais um tema
sobre contemporaneidade é proposto para este
semestre final da Educação Física.
Abordaremos os processos de virtualização
do corpo nos jogos eletrônicos e das repercus-
sões desse fenômeno na Cultura de Movimento
contemporânea, com o objetivo de desenvolver
as possibilidades de correlação entre o jogo e
as mídias, no caso específico dos jogos virtuais,
propondo a transferência da virtualidade para
possíveis vivências na forma de jogos.
Trata-se de acompanhar, pelo menos em
parte, as novas tecnologias surgidas com o
desenvolvimento da informática e da inter-
net e com o relativo barateamento dos com-
putadores pessoais. Inseridos nesse processo,
os videogames e os “jogos virtuais” merecem
TEMA 3 – CORPO NA CONTEMPORANEIDADE – A
VIRTUALIZAÇÃO DO CORPO E OS JOGOS VIRTUAIS:
VIDEOGAMES E JOGOS DE BOTÃO
especial atenção, por estarem vinculados às
culturas juvenis contemporâneas.
Há indicadores de que os videogames estão
ocupando o tempo que no passado era dedi-
cado à música, à televisão e ao cinema. Assim,
uma explicação para o sucesso dos games está
no avanço tecnológico, permitindo interativi-
dade e simulação da realidade, o que torna o
divertimento interessante para todas as faixas
etárias. Estima-se que aproximadamente 3 mi-
lhões de brasileiros, a maioria no Estado de
São Paulo, frequentem as LAN houses (local
area network), lojas que permitem jogar os di-
versos tipos de games conectados à internet.
Todo esse processo acelerado influencia
não só as atividades realizadas durante o
tempo livre, mas todas as relações humanas,
que podem passar por uma tela (da TV ou do
computador) e ter seus diálogos codificados
(por teclados, joysticks ou ondas eletromagné-
ticas dos telefones celulares). É essa dinâmica
que Pierre Lévy (1996, p. 11) chama de mo-
vimento geral de virtualização, fruto do ad-
vento das novas tecnologias de comunicação
que está modificando diversas esferas da vida
humana, como o trabalho e o lazer.
O processo de virtualização advém do entendimento de virtual, ou seja, daquilo que existe como possi-
bilidade: “A árvore está virtualmente na semente”(LÉVY, 1996, p. 15). A invenção de novas tecnologias da
informação e da comunicação (TICs) acarreta possibilidades de espaços paralelos. Em um simples clique,
pode-se ter uma nova vivência de uma atividade esportiva. O futebol, por exemplo, já não é mais apenas
um esporte conhecido, jogado por 11 jogadores em cada equipe e uma bola em um campo gramado. É
também um programa televisivo, um site, um jogo de videogame etc. Nesse sentido, a virtualização não é
uma “desrealização”, mas “um dos principais vetores de criação de realidade” (LÉVY, 1996, p. 18).
A atualização pode ser entendida como a criação de uma nova realidade, a solução para um problema
de forma criativa e colaborativa, uma transformação, enfim, de ideias. É por vivenciar determinada
situação que alguém cria e/ou produz as soluções necessárias para aquele momento.
Professor, este tema será abordado no
Caderno do Aluno integrado ao Tema 2.
35
Educação Física – 3a
série – Volume 2
Entendemos ser de primordial importân-
cia, portanto, que o professor de Educação
Física esteja preparado e atualizado para pro-
por estratégias e conteúdos significativos para
os alunos familiarizados com essa “cultura do
virtual”. Isso inclui a incorporação das “vi-
vências eletrônicas” do esporte. Há, para tan-
to, subsídios que demonstram que a tendência
da virtualização dos jogos e dos esportes é
acompanhada simultaneamente por possibili-
dades de atualização. Isso significa dizer que,
se um jogo ou esporte virtualiza-se na forma
de filmes, brinquedos, desenhos animados ou
videogames, um jogo que já é concebido em
sua origem como vivência eletrônica, como
equivalência do mesmo fenômeno, também
pode se tornar atual sendo vivenciado “cor-
poralmente” na quadra da escola.
Tal perspectiva não significa que outras
sugestões, baseadas na realidade percebida
pelos alunos, não sejam válidas. Muito pelo
contrário, a integração de novas possibili-
dades evitará que os professores estejam em
situação de fragilidade perante linguagens e
conhecimentos tecnológicos facilmente do-
minados pelos alunos.
Os jogos virtuais
Desde o surgimento do videogame que si-
mulava um jogo de tênis em 1958, criado por
um funcionário do governo estadunidense,
muito se avançou em termos de tecnologia. O
primeiro avanço foi realizado no Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Es-
tados Unidos, com a criação do Space War.
A partir da década de 1970, com a popula-
rização dos equipamentos domésticos e de
jogos como Pac Man e Space Invaders, hoje
considerados clássicos, os videogames pas-
saram a ter uma relação constante com os
avanços tecnológicos.
Dessa relação resultou a melhoria de grá-
ficos com efeitos em terceira dimensão, tri-
lhas sonoras e possibilidades interativas que
permitem ao jogador criar suas próprias his-
tórias e tramas, escolher seus próprios perso-
nagens e fantasias, assim como os ambientes
por onde desenvolverá suas aventuras.
Com novos joysticks do tipo “controle
remoto”, webcams e plataformas com sen-
sores de peso e de equilíbrio, a geração atual
de videogames permite que o jogador, por
meio de movimentos de seu corpo, comande
as ações do personagem (que pode ser ele
mesmo representado na tela). Isso abre no-
vas e inusitadas possibilidades, pois permite
a simulação de gestos esportivos, de exercí-
cios ginásticos ou de coreografias de dança,
por exemplo.
Atualmente, os diferentes jogos ou games
atendem não apenas as crianças e os jovens,
mas os adultos também, dadas as possibilida-
des de jogá-los em comunicação com outros
jogadores na internet, em casa ou em LAN
houses. Esses jogos são parecidos com os de
representação, do tipo Role Playing Game
(RPG). Os novos RPGs, também conheci-
dos como games on-line, já contam com uma
liga profissional de jogadores (World Cyber
Games), que movimenta milhões de dólares
em seus campeonatos e congrega jogadores
do mundo todo, inclusive do Brasil.
Por serem os jovens os construtores e os
consumidores dessa “linguagem tecnoló-
gica”, ainda que em ambientes diferentes,
não se faz necessário esperar que as esco-
las possuam os equipamentos eletrônicos
envolvidos. Por isso, sugerimos algumas
alternativas para atualizar os chamados
jogos virtuais em práticas “corporais” nas
aulas de Educação Física.
36
Conteúdo e temas: jogos virtuais contemporâneos – jogos eletrônicos e jogos de botão.
Competências e habilidades: perceber a influência das mídias (jogos virtuais) na vida cotidiana; elabo-
rar argumentos e estratégias cooperativas e competitivas para os jogos virtuais.
Sugestão de recursos: plataforma (tapete) eletrônica de dança, que pode ser adaptada com placas de EVA ou
papelão colorido; peças (botões plásticos, traves e bola) e tabuleiro de jogo de botão, que pode ser confeccio-
nado com uma moldura ou tela para pintura (painel); botões comuns de roupa (jogadores), arame e saqui-
nho plástico de rede ou tecido (traves) e miolo de pão endurecido com cola (bola); rádio e aparelho de CD.
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4
OS JOGOS VIRTUAIS
O objetivo desta Situação de Aprendizagem é
possibilitar a compreensão do processo de virtua-
lizaçãodocorpopelasmídiascombasenaanálise
de jogos virtuais. Os alunos serão estimulados a
expressar seus conhecimentos sobre o tema e suas
vivências com jogos virtuais. Em seguida, experi-
mentarão uma forma atualizada de jogo virtual,
procurando encontrar novas possibilidades de
recriar ou adaptar a experiência vivenciada. Por
fim, compararão os jogos eletrônicos com jogos
virtuais sem o mesmo apelo tecnológico, como os
jogos de botão.
Desenvolvimento da Situação de
Aprendizagem 4
Etapa 1 – O que são jogos virtuais?
Faça uma chamada temática ou inicie uma
conversa com os alunos sobre seus conhecimen-
tos acerca do tema (jogos virtuais) e qual a abran-
gência desses conhecimentos (diferentes jogos
eletrônicos, minigames, celulares, computadores,
videogames, programas de TV etc.). Observe se
mencionam jogos que simulam, mesmo não sen-
do eletrônicos, os movimentos e os corpos dos
jogadores, como os jogos de botão e o pebolim,
entreoutros,tambémconsideradosjogosvirtuais.
Faça um levantamento dos jogos virtuais já
conhecidos pelos alunos e discuta brevemente
seus hábitos de consumo. Por exemplo, questio-
ne-os sobre os valores dos jogos, o mercado de
trabalho que envolve a criação e a prática dos
jogos e a “pirataria” que explora esse segmento.
Professor, solicite aos alunos
que respondam às questões pre-
sentes na seção “Você apren-
deu?”, no Caderno do Aluno.
1. Observe as atividades cotidianas de alguns
adultos com os quais você convive (pai,
mãe ou outra pessoa). Depois, identifique e
compare as situações de lazer e de trabalho
das quais eles participam.
Espera-se que o aluno tenha assimilado o significado das
situações de lazer.
2. Quais são os jogos virtuais que você conhece?
3. Quais são as semelhanças e as diferenças
entre os jogos virtuais e os de botão?
4. Quais são as vantagens e as desvantagens
dessas práticas?
5. Qual delas você prefere? Por quê?
Estas questões têm por objetivo captar as sensações dos
alunos em relação ao tema.
Etapa 2 – Dança virtual
Comente com os alunos o jogo de “dança
no tapete”. Caso eles já tenham mencionado
esse tipo de jogo virtual durante a chamada
temática, aproveite as informações. Converse
sobre o nome do jogo (Dance Dance Revolution
37
Educação Física – 3a
série – Volume 2
ou Dance Stage), como funciona e quais os
equipamentos necessários para a sua prática.
Caso seja possível disponibilizar um tapete de
dança, apresente-o aos alunos, para que eles
possam conhecer o material de que é feito, os
itens que compõem o videogame ou o software
(programa de computador), como estes se in-
terligam e como funcionam seus comandos.
©LisaRyder/Alamy/GlowImages
©ShoosmithFunFairCollection/Alamy/GlowImages
Pergunte aos alunos sobre a possibilidade
de jogá-lo sem equipamento. Após a discus-
são, sugira uma adaptação, como “dançando
com a sombra”, da seguinte maneira:
Selecione previamente com os alunos algu-
mas músicas que serão utilizadas na ativi-
dade. Organize a turma em duplas e solici-
te que um dos alunos crie uma sequência
de movimentos para que o colega siga seus
passos. Os movimentos podem ou não se-
guir o ritmo da música, como uma coreo-
grafia simples com ou sem deslocamento.
Após a experiência dessa dinâmica, pro-
ponha uma alteração. Solicite ao aluno
que esteja criando a sequência de movi-
mentos que, ao seu sinal (apito, palmas ou
interrupção da música), corra e pegue um
parceiro. Sugere-se que o “pega-pega” seja
breve, a fim de evitar a dispersão.
Inverta as duplas após o sinal e sugira ou-
tras variações na dinâmica do jogo. Por
exemplo: troque as duplas a cada rodada;
proponha diferentes sequências de mo-
vimentos; utilize diversos tipos de ritmo
musical; faça rodadas sem música; forme
grupos maiores (dez alunos ou mais) ou
colunas para que o primeiro aluno coorde-
ne os demais etc.
A seguir, solicite aos alunos que se organi-
zem em grupos para confeccionar um “tapete
virtual” de dança. Placas de EVA, ou mesmo
papelões, de diferentes cores podem ser uti-
lizados nesta tarefa, devendo ser justapostos
de modo que formem algo parecido com um
tapete de retalhos. Após a elaboração do ma-
terial, peça a um aluno de cada grupo que se
posicione sobre a plataforma. Os colegas deve-
rão coordenar seus movimentos de acordo com
Figuras 9 e 10 – Videogame Dance Dance Revolution.
38
as cores do material. Por exemplo, se alguém
mencionar “direito/vermelho”, o aluno deverá
movimentar seu pé direito para o local verme-
lho, que poderá estar à sua direita ou à sua es-
querda, à frente ou atrás dele. Outra opção é
utilizar e apresentar aos estudantes placas de
pedaços de cartolina ou de papelão coloridos
com a sequência já desejada.
A velocidade dos comandos poderá variar
conforme o ritmo das músicas selecionadas
para a vivência. Sugere-se que cada um dos
grupos confeccione um tapete e que as músi-
cas iniciais sejam de ritmos mais lentos.
Peça aos grupos que relatem verbalmente
suas impressões ou suas sensações sobre a vivên-
cia.Sugiraacadaumdosgruposqueregistrepor
escrito a sequência considerada mais complexa,
detalhando ou desenhando os passos executa-
dos e identificando os movimentos mais difíceis
de realizar. Proponha uma discussão sobre a
complexidade dos movimentos que aparecem
em alguns dos jogos virtuais, mas que podem ser
inviáveis nas práticas corporais. Como sugestão,
organize um torneio entre os grupos, envolven-
do a apreciação da complexidade das coreogra-
fias elaboradas como critério de análise.
Professor, solicite aos alunos que
construam uma réplica do tapete
virtual, para que vivenciem o jogo de
“dança no tapete”, apresentado na
seção “Lição de casa”, no Caderno do Aluno.
Dança virtual
Seu professor vai propor vivências que si-
mulem um game no qual se dança sobre um
tapete ao ritmo de luzes e sons. Para isso,
será necessário construir uma réplica do
tapete virtual. Você pode usar papelão colo-
rido, placas de EVA e até cartolinas, embora
seja aconselhável escolher um material mais
resistente. Veja aqui um modelo que você
pode adaptar como quiser:
você
Depois de vivenciar as coreografias em aula,
escreva a sequência que você deseja aperfeiçoar.
Também desenhe e explique, em detalhes, os
movimentos mais difíceis.
Etapa 3 – Jogos de botão
Procure comentar com os alunos a possi-
bilidade de construírem seus próprios jogos,
aproveitando a experiência da etapa anterior.
Questione-os: quais eram os jogos mais popula-
res no passado? E atualmente? Questione-os tam-
bém sobre como serão os jogos e as brincadeiras
no futuro. Discuta os possíveis motivos dessas
transformações, enfatizando as influências tecno-
lógicas e econômicas envolvidas nesse processo.
Pergunte se conhecem os jogos de botão (o fute-
bol de mesa ou de botão pode ser popular entre
alguns alunos) ou outros jogos semelhantes. Caso
os estudantes já tenham mencionado esses jogos
na chamada temática inicial, aproveite as infor-
mações dadas e proponha que pensem em como
modificá-los.
Aseguir,apresenteumtabuleiroparaapráti-
ca do futebol de botão ou risque com giz as suas
©PauloManzi
39
Educação Física – 3a
série – Volume 2
demarcações no chão da quadra ou do pátio.
Explique aos alunos que é possível relacionar
esse jogo com outras modalidades esportivas,
como o handebol, o basquetebol e o voleibol, e
não apenas ao futebol. Solicite que opinem so-
bre possíveis condições para a realização desses
jogos no tabuleiro.
Figura 11 – Tabuleiro de jogo de futebol de botão.
Organize os alunos em quatro grupos,
aproximadamente, e solicite a cada um dos
grupos que elabore o jogo de botão para
uma modalidade diferente: futebol, hande-
bol, basquetebol ou voleibol. Como exemplo,
sugerimos as condições para a realização do
basquetebol e do voleibol de botão. Outros jo-
gos, porém, poderão ser também produzidos
ou organizados sob o formato de um torneio
entre os grupos, de modo que se aproveitem
todos os jogos elaborados.
Basquetebol de botão
O tabuleiro poderá ser construído com
uma tela de pintura com moldura (painéis).
©FernandoFavoretto
Oriente os alunos para que façam peque-
nos buracos que simulem as cestas, afixan-
do caixas de fósforo como tabelas e pintando
as demarcações. Como alternativa, pode-se
pintar o chão da quadra ou do pátio da escola,
fazendo pequenos sulcos para substituir as ces-
tas. Essa produção poderia ser feita em caráter
permanente, ficando gravada no solo para que
outras turmas possam vivenciar os jogos.
A seguir, sugerimos algumas regras para
simular as condições de um jogo de basquete-
bol.Adaptações foram realizadas para caracte-
rizar o tempo e a dinâmica do jogo de tabuleiro.
Figura 12 – Tabuleiro de jogo de basquetebol de botão.
Professor, analise com os alunos as dicas
de como construir um tabuleiro de botão dos
jogos de basquetebol e voleibol, apresenta-
das na seção “Curiosidade”, no Caderno
do Aluno.
©PauloManzi
Curiosidade
Você também pode construir um campo de basquetebol de botão usando os mesmos
botões e bolinha do jogo de futebol (desta vez, são apenas cinco jogadores em cada equipe).
Numa tela de pintura sem moldura, marque as linhas da quadra. A cesta é criada com um
simples furo na tela. No lugar da trave, use uma caixa de fósforos para simular a tabela, e boa
partida! Veja a seguir um modelo de quadra e as regras iniciais e avançadas do basquetebol
de botão. Veja também a opção do voleibol de botão.
40
Regras iniciais do basquetebol de botão
Cada time é formado por cinco jogadores (botões de dimensões iguais). O movimento
dos botões deve ser executado com uma palheta.
Um jogador de cada equipe deve ser colocado no círculo central, e a partida é iniciada
com o lançamento da bola no centro da quadra. O jogador que estiver mais perto de onde
a bola cair ficará com a sua posse.
Cada ataque deve ser finalizado com, no máximo, dez toques consecutivos da mesma
equipe. E cada jogador pode tocar, no máximo, cinco vezes consecutivamente.
Cada time deve ultrapassar sua área de defesa com cinco toques, no máximo, e não
pode voltar com a bola para o seu campo após a transição para o ataque.
Para manter o elemento surpresa durante o ataque, a defesa deverá ser movimentada
antes. A cada passe, a defesa pode movimentar um jogador. Depois disso, o ataque tam-
bém pode movimentar um de seus jogadores e prosseguir a jogada. A cada cesta converti-
da ou reposição de bola em jogo, todos os jogadores podem ser movimentados.
Seja por violação de regras ou cesta convertida, a bola deve ser reposicionada sobre a
linha, com a ajuda da palheta.
Mesa de basquetebol de botão.
©HudsonCalasans
41
Educação Física – 3a
série – Volume 2
Um jogador com a posse da bola pode ser movimentado para passá-la ou arremessá-la,
mas não tocá-la imediatamente após o passe ou arremesso.
Uma enterrada acontece quando um jogador com a posse da bola está em contato com
as bordas que simulam o aro (ou o furo na tela). Numa tentativa de enterrada, a bola pode
ser sobreposta ao jogador, que deve finalizar a jogada sem ultrapassar a quantidade de toques
permitida e ser movimentado apenas com a palheta.
A pontuação das cestas refere-se à posição do jogador no momento do arremesso, e não
à da bola. Por exemplo, uma cesta vale três pontos quando o jogador que arremessar a bola
estiver fora da linha de três pontos, mesmo que a bola tenha ultrapassado essa linha.
Uma falta é cometida quando um jogador colide com outro do time adversário sem que
a bola tenha sido tocada direta ou indiretamente por um deles no lance.
Todas as faltas resultam em dois lances livres, cobrados com a bola posicionada na entra-
da da área pintada, a “cabeça do garrafão”.
O jogo acaba quando um dos times totaliza dez ou mais pontos.
Adaptado de: VENÂNCIO, Luciana; SANCHES NETO, Luiz. Brincadeira e jogo. In: DARIDO, Suraya
Cristina (Org.). Educação Física escolar: compartilhando experiências. São Paulo: Phorte, 2011. p. 46.
Após a prática do jogo com essas regras,
sugere-se a inclusão de outras mais complexas,
que tentam simular situações específicas do
basquetebol.
Regras avançadas do basquetebol de botão
Para simular a regra dos três segundos ofensivos (como no basquetebol internacional), o
ataque não pode posicionar mais de um jogador dentro da área pintada (“garrafão”), a não
ser que esteja com a posse da bola. Também se pode restringir a presença dos jogadores de
defesa no garrafão para simular a regra dos três segundos defensivos (como no basquetebol
profissional dos Estados Unidos).
Para simular a defesa individual e/ou por zona: o jogador da defesa, caso seja movimen-
tado sem o uso da palheta nos lances permitidos, pode se posicionar em qualquer lugar da
quadra, não podendo, porém, se posicionar entre a bola e o jogador do ataque quando este
já estiver com a bola dominada.
Para simular a disputa de rebotes: no momento em que a bola bate na tabela, são reinicia-
dos os 10 toques para o time atacante. Porém, quando um lance livre não é convertido, bate
na tabela ou no “aro”, o primeiro toque será necessariamente da defesa, a não ser que a bola
toque em um jogador do ataque após o rebote.
42
Para simular a cobrança de um lance livre: três defensores e dois atacantes devem ser
posicionados em áreas delimitadas no garrafão, e os demais, fora da linha de três pontos.
Para simular os passes e as assistências: um passe somente será completado quando o
jogador que recebeu a bola for movimentado com a palheta.
Para simular lances em que o jogador se arrisca para “salvar” a bola: quando um jogador
toca a bola e sai da quadra, ele pode ser posicionado imediatamente em qualquer lugar da
quadra para prosseguir a jogada. Caso saia da quadra sem tocar na bola, ele apenas poderá
voltar à quadra quando o adversário finalizar a jogada ou errar um lance ou, no caso de
alguma violação, devendo ser posicionado no círculo central.
Para simular o limite de faltas pessoais e coletivas: a partir da terceira falta coletiva por
equipe, um jogador deverá ser retirado do jogo, e a partida prosseguirá com a cobrança dos
lances livres.
Para simular os bloqueios de arremesso (“tocos”): nenhum jogador deve permanecer
sobreposto ao sulco que simula o aro ou em contato permanente com ele, exceto nas enterradas.
Adaptado de: VENÂNCIO, Luciana; SANCHES NETO, Luiz. Brincadeira e jogo. In: DARIDO, Suraya
Cristina (Org.). Educação Física escolar: compartilhando experiências. São Paulo: Phorte, 2011. p. 47.
Voleibol de botão
Utilizando uma madeira, como uma mol-
dura de quadro, ou um papelão, oriente os
alunos a fazer riscos semelhantes às demar-
cações existentes em uma quadra de voleibol.
Em seguida, dividam cada metade da quadra
em setores, identificando-os pelos números
de 1 a 6, conforme as posições específicas dos
jogadores no voleibol durante o rodízio. De-
pois, façam sulcos entre as metades da qua-
dra para caracterizar a rede. Os espaçamentos
devem permitir que as duas metades da qua-
dra permaneçam unidas, mas que haja espaço
suficiente para que uma bolinha possa ficar
presa ou cair nos orifícios.
Regras do voleibol de botão
Dois ou mais jogadores podem se revezar nesse jogo, iniciado pelo saque de uma das
equipes. Todo contato com a bola deve ser feito por meio dos botões, movimentados com
uma palheta.
Antes de sacar, o jogador deve dizer em qual posição pretende jogar a bola. Caso a bola
pare no setor correspondente, o saque é considerado “ponto”.
Caso caia em outra posição da quadra, a equipe adversária terá até três toques para
devolver a bola, que deverá cair no setor da quadra pretendido pelo ataque para que seja
considerado ponto.
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  • 2. MATERIAL DE APOIO AO CURRÍCULO DO ESTADO DE SÃO PAULO CADERNO DO PROFESSOR EDUCAÇÃO FÍSICA ENSINO MÉDIO 3a SÉRIE VOLUME 2 Nova edição 2014-2017 GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DA EDUCAÇÃO São Paulo
  • 3. Governo do Estado de São Paulo Governador Geraldo Alckmin Vice-Governador Guilherme Afif Domingos Secretário da Educação Herman Voorwald Secretária-Adjunta Cleide Bauab Eid Bochixio Chefe de Gabinete Fernando Padula Novaes Subsecretária de Articulação Regional Rosania Morales Morroni Coordenadora da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores – EFAP Silvia Andrade da Cunha Galletta Coordenadora de Gestão da Educação Básica Maria Elizabete da Costa Coordenadora de Gestão de Recursos Humanos Cleide Bauab Eid Bochixio Coordenadora de Informação, Monitoramento e Avaliação Educacional Ione Cristina Ribeiro de Assunção Coordenadora de Infraestrutura e Serviços Escolares Dione Whitehurst Di Pietro Coordenadora de Orçamento e Finanças Claudia Chiaroni Afuso Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE Barjas Negri
  • 4. Senhoras e senhores docentes, A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo sente-se honrada em tê-los como colabo- radores nesta nova edição do Caderno do Professor, realizada a partir dos estudos e análises que permitiram consolidar a articulação do currículo proposto com aquele em ação nas salas de aula de todo o Estado de São Paulo. Para isso, o trabalho realizado em parceria com os PCNP e com os professores da rede de ensino tem sido basal para o aprofundamento analítico e crítico da abor- dagem dos materiais de apoio ao currículo. Essa ação, efetivada por meio do programa Educação — Compromisso de São Paulo, é de fundamental importância para a Pasta, que despende, neste programa, seus maiores esforços ao intensificar ações de avaliação e monitoramento da utilização dos diferentes materiais de apoio à implementação do currículo e ao empregar o Caderno nas ações de formação de professores e gestores da rede de ensino. Além disso, firma seu dever com a busca por uma educação paulista de qualidade ao promover estudos sobre os impactos gerados pelo uso do material do São Paulo Faz Escola nos resultados da rede, por meio do Saresp e do Ideb. Enfim, o Caderno do Professor, criado pelo programa São Paulo Faz Escola, apresenta orien- tações didático-pedagógicas e traz como base o conteúdo do Currículo Oficial do Estado de São Paulo, que pode ser utilizado como complemento à Matriz Curricular. Observem que as atividades ora propostas podem ser complementadas por outras que julgarem pertinentes ou necessárias, dependendo do seu planejamento e da adequação da proposta de ensino deste material à realidade da sua escola e de seus alunos. O Caderno tem a proposição de apoiá-los no planejamento de suas aulas para que explorem em seus alunos as competências e habilidades necessárias que comportam a construção do saber e a apropriação dos conteúdos das disciplinas, além de permitir uma avalia- ção constante, por parte dos docentes, das práticas metodológicas em sala de aula, objetivando a diversificação do ensino e a melhoria da qualidade do fazer pedagógico. Revigoram-se assim os esforços desta Secretaria no sentido de apoiá-los e mobilizá-los em seu trabalho e esperamos que o Caderno, ora apresentado, contribua para valorizar o ofício de ensinar e elevar nossos discentes à categoria de protagonistas de sua história. Contamos com nosso Magistério para a efetiva, contínua e renovada implementação do currículo. Bom trabalho! Herman Voorwald Secretário da Educação do Estado de São Paulo
  • 5. Os materiais de apoio à implementação do Currículo do Estado de São Paulo são oferecidos a gestores, professores e alunos da rede estadual de ensino desde 2008, quando foram originalmente editados os Cadernos do Professor. Desde então, novos materiais foram publicados, entre os quais os Cadernos do Aluno, elaborados pela primeira vez em 2009. Na nova edição 2014-2017, os Cadernos do Professor e do Aluno foram reestruturados para atender às sugestões e demandas dos professo- res da rede estadual de ensino paulista, de modo a ampliar as conexões entre as orientações ofe- recidas aos docentes e o conjunto de atividades propostas aos estudantes. Agora organizados em dois volumes semestrais para cada série/ ano do Ensino Fundamental – Anos Finais e série do Ensino Médio, esses materiais foram re- vistos de modo a ampliar a autonomia docente no planejamento do trabalho com os conteúdos e habilidades propostos no Currículo Oficial de São Paulo e contribuir ainda mais com as ações em sala de aula, oferecendo novas orien- tações para o desenvolvimento das Situações de Aprendizagem. Para tanto, as diversas equipes curricula- res da Coordenadoria de Gestão da Educação Básica (CGEB) da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo reorganizaram os Cader- nos do Professor, tendo em vista as seguintes finalidades: incorporar todas as atividades presentes nos Cadernos do Aluno, considerando também os textos e imagens, sempre que possível na mesma ordem; orientar possibilidades de extrapolação dos conteúdos oferecidos nos Cadernos do Aluno, inclusive com sugestão de novas ati- vidades; apresentar as respostas ou expectativas de aprendizagem para cada atividade pre- sente nos Cadernos do Aluno – gabarito que, nas demais edições, esteve disponível somente na internet. Esse processo de compatibilização buscou respeitar as características e especificidades de cada disciplina, a fim de preservar a identidade de cada área do saber e o movimento metodo- lógico proposto. Assim, além de reproduzir as atividades conforme aparecem nos Cadernos do Aluno, algumas disciplinas optaram por des- crever a atividade e apresentar orientações mais detalhadas para sua aplicação, como também in- cluir o ícone ou o nome da seção no Caderno do Professor (uma estratégia editorial para facilitar a identificação da orientação de cada atividade). A incorporação das respostas também res- peitou a natureza de cada disciplina. Por isso, elas podem tanto ser apresentadas diretamente após as atividades reproduzidas nos Cadernos do Professor quanto ao final dos Cadernos, no Gabarito. Quando incluídas junto das ativida- des, elas aparecem destacadas. ANOVA EDIÇÃO
  • 6. Leitura e análise Lição de casa Pesquisa em grupo Pesquisa de campo Aprendendo a aprender Roteiro de experimentação Pesquisa individual Apreciação Você aprendeu? O que penso sobre arte? Ação expressiva ! ? Situated learning Homework Learn to learn Além dessas alterações, os Cadernos do Professor e do Aluno também foram anali- sados pelas equipes curriculares da CGEB com o objetivo de atualizar dados, exemplos, situações e imagens em todas as disciplinas, possibilitando que os conteúdos do Currículo continuem a ser abordados de maneira próxi- ma ao cotidiano dos alunos e às necessidades de aprendizagem colocadas pelo mundo con- temporâneo. Para saber mais Para começo de conversa Seções e ícones
  • 7. SUMÁRIO Orientação sobre os conteúdos do volume 8 Tema 1 – Atividade rítmica – Manifestações e representações da cultura rítmica nacional – o samba 11 Situação de Aprendizagem 1 – A dança do jongo, isso dá samba 14 Situação de Aprendizagem 2 – A roda viva do samba 19 Atividade Avaliadora 23 Proposta de Situações de Recuperação 24 Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do tema 24 Tema 2 – Lazer e trabalho – O lazer como direito do cidadão e dever do Estado 26 Situação de Aprendizagem 3 – Esporte como lazer e como trabalho 28 Atividade Avaliadora 32 Proposta de Situações de Recuperação 32 Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do tema 32 Tema 3 – Corpo na contemporaneidade – A virtualização do corpo e os jogos virtuais: videogames e jogos de botão 34 Situação de Aprendizagem 4 – Os jogos virtuais 36 Atividade Avaliadora 43 Proposta de Situações de Recuperação 45 Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do tema 46
  • 8. Tema 4 – Organização de torneios esportivos e festivais de dança, ginástica e luta 48 Situação de Aprendizagem 5 – Um evento da escola é um evento de toda a comunidade 49 Atividade Avaliadora 60 Proposta de Situações de Recuperação 64 Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do tema 65 Tema 5 – Lazer e trabalho – O lazer na comunidade escolar e em seu entorno 67 Situação de Aprendizagem 6 – As opções de lazer na comunidade 70 Atividade Avaliadora 74 Proposta de Situações de Recuperação 75 Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do tema 75 Tema 6 – Corpo, saúde e beleza – Promoção da atividade física e do exercício físico na comunidade escolar 77 Situação de Aprendizagem 7 – Formando agentes multiplicadores 78 Atividade Avaliadora 82 Proposta de Situações de Recuperação 82 Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do tema 83 Quadro de conteúdos do Ensino Médio 84
  • 9. 8 ORIENTAÇÃO SOBRE OS CONTEÚDOS DO VOLUME Professor, este Caderno foi elaborado para servir de apoio ao seu trabalho pedagógico co- tidiano com a 3a série do Ensino Médio. Os te- mas deste volume são enfocados com base na concepção teórica da disciplina, já explicitada anteriormente, fundamentada nos conceitos de Cultura de Movimento e Se-Movimentar. Assim, pretende-se que as Situações de Aprendizagem aqui sugeridas para os temas Atividade rítmica, Lazer e trabalho, Contem- poraneidade, Organização de torneios espor- tivos e festivais de dança, ginástica e luta e Corpo, saúde e beleza possibilitem aos alunos confrontarem suas experiências de Se-Movi- mentar com importantes dimensões do mun- do contemporâneo, gerando conteúdos mais próximos de suas vidas cotidianas. Espera-se, desse modo, contribuir para a construção de uma autonomia crítica e autocrítica no âm- bito da Cultura de Movimento. Há ainda a expectativa de que o enfoque adotado para o desenvolvimento dos conteúdos deste volume seja compatível com as intencionalidades do projeto político-pedagógico de cada escola. No tema Atividade rítmica, será abordado o samba, como exemplo das manifestações e representações da cultura rítmica nacional, com base em seus aspectos regionais e em seu processo histórico. Pretende-se que os alunos sejam competentes ao elaborar argumentos acerca das manifestações rítmicas do samba, interpretando-o criticamente. No tema Lazer e trabalho, serão enfatizadas as possibilidades de lazer na Cultura de Movi- mento, tratando-o como direito do cidadão e dever do Estado. O conceito de lazer será enfo- cado, ainda, nas dimensões estética (presencial e televisiva), comunitária e de entretenimen- to, para que os alunos possam cotejá-lo com suas próprias experiências do Se-Movimentar no esporte. E, ainda no tema Lazer e traba- lho, pretende-se fazer que os alunos discutam a disponibilidade de espaços e equipamentos de lazer, bem como o alcance e as prioridades das políticas públicas para o setor. O lazer na comunidade escolar e em seu entorno também será discutido, bem como seus espaços, tempos, interesses e suas necessidades, de modo a enfa- tizar com os alunos estratégias de intervenção na comunidade. No tema Contemporaneidade, a intenção é destacar a questão do corpo em uma das principais manifestações na atualidade, que é sua tendência à virtualização. Pretende-se que os alunos compreendam esse fenômeno con- temporâneo associado aos jogos eletrônicos, como os videogames, e também aos mais tra- dicionais, como os jogos de botão. Este volume, por ser o último da 3a série do Ensino Médio, mostra-se especial. Em primei- ro lugar, por possibilitar uma avaliação de todo o processo da escolarização básica. Em segun- do, por ser o momento de enfatizar ações na interação direta dos alunos com sua comuni- dade escolar e seu entorno, com o intuito de promover intervenções no âmbito da Cultura de Movimento, do lazer e da promoção da saú- de por meio da atividade física/exercício físico, em sintonia com questões sociais mais amplas. Para tanto, propomos a organização de um torneio esportivo e de um festival de dança, ginástica e luta envolvendo a comunidade. A realização do evento não pretende resumir-se ao evento em si, mas constituir-se em opor- tunidade para que os alunos aprofundem as aprendizagens específicas dos temas relativos ao esporte, à ginástica, à luta e à atividade rítmica. Visa também a desenvolver outras
  • 10. 9 Educação Física – 3a série – Volume 2 capacidades relacionadas ao protagonismo juvenil, como: planejar, divulgar, realizar e avaliar as etapas de um evento. A realização de um festival e/ou de um torneio neste se- mestre pode ser vista como um processo ava- liativo não só do período letivo da 3a série do Ensino Médio, mas de todo o trabalho desenvolvido pela Educação Física nas séries anteriores da Educação Básica. No tema Corpo, saúde e beleza, sugerimos a discussão de estratégias de intervenção para a promoção da atividade física e do exercício físico na comunidade escolar. A intenção é que os alunos compreendam a importância da ati- vidade física regular, tornando-se praticantes, e passem a interferir em sua comunidade para disseminar e compartilhar esse aprendizado. As estratégias escolhidas – que incluem a realização de gestos/movimentos, a busca de informações, a projeção de vídeos, o debate, o relato das próprias percepções, a resolução de situações-problema etc. – procuram ampliar as possibilidades de aprendizagem e compreensão por parte dos alunos, bem como enfatizar as possibilidades de compreensão da realidade so- cial e de intervenção na comunidade, uma vez que, como concluintes do Ensino Médio, os alunos devem ser capazes de sintetizar todo o aprendizado escolar em situações reais dos seus grupos de convívio sociocultural. Os procedimentos propostos para a avalia- ção caminham na direção de uma avaliação integrada ao processo de ensino e aprendiza- gem, sem estabelecer procedimentos isolados e formais. As Atividades Avaliadoras devem favorecer a geração, por parte dos alunos, de informações ou indícios, qualitativos e quan- titativos, verbais e não verbais, que serão in- terpretados pelo professor, nos termos das competências e das habilidades que se pre- tende desenvolver em cada tema/conteúdo. Privilegia-se a proposição de Situações de Aprendizagem que favoreçam a aplicação dos conhecimentos em situações reais e a elabora- ção de textos-síntese relacionados aos temas abordados. São também priorizados os ques- tionamentos dirigidos aos alunos ao longo das aulas, para que se verifique a compreen- são dos conteúdos e a aquisição das compe- tências e habilidades propostas. A quadra é o tradicional espaço da aula de Educação Física, mas algumas Situações de Aprendizagem aqui sugeridas podem ser desen- volvidas no espaço da sala de aula, no pátio ex- terno, na biblioteca, na sala de informática ou de vídeo, bem como em espaços da comunidade local, desde que compatíveis com as atividades programadas. Algumas etapas podem ser tam- bém realizadas pelos alunos como atividade extra-aula (pesquisas, produção de textos etc.). As orientações e as sugestões a seguir têm por objetivo oferecer-lhe subsídios para o de- senvolvimento dos temas apresentados. Não pretendem apresentar as Situações de Aprendi- zagem como as únicas a ser realizadas, nem res- tringir sua criatividade, como professor, para outras atividades ou variações de abordagem dos mesmos temas. Nesse mesmo sentido, o Caderno do Aluno é mais um instrumento para servir de apoio ao seu trabalho e ao aprendizado dos alunos. Elaborado com base no Caderno do Profes- sor, esse material adicional não tem a preten- são de restringir ou limitar as possibilidades do seu fazer pedagógico. De acordo com o projeto político-pedagógi- co da escola e do planejamento do componente curricular,épossívelqueostemasneleelencados, selecionados entre os propostos no Caderno do Professor, não coincidam com as atividades que vêm sendo desenvolvidas na escola. Nesse caso, a expectativa é subsidiar o seu trabalho para que as competências e habilidades propostas, tanto no Caderno do Professor quanto no Caderno do Aluno, sejam alcançadas.
  • 11. 10 Para otimizar o tempo pedagogicamente necessário para a aula, o Caderno do Aluno apresenta as Situações de Aprendizagem de caráter teórico, também propostas no Caderno do Professor, como sugestões de pesquisa e ati- vidades de lição de casa. Além disso, traz, em todos os volumes, dicas sobre nutrição ou pos- tura, a fim de contribuir para a construção da autonomia dos alunos, um dos princípios do Currículo da disciplina. Isto posto, professor, bom trabalho!
  • 12. 11 Educação Física – 3a série – Volume 2 TEMA 1 – ATIVIDADE RÍTMICA – MANIFESTAÇÕES E REPRESENTAÇÕES DA CULTURA RÍTMICA NACIONAL – O SAMBA Tratar do processo histórico do samba é re- meter à lembrança da capoeira, cabendo refletir e questionar: o samba surgiu aqui ou na África? Suas características são as mesmas de várias danças africanas? Era um refúgio para matar a saudade da terra de origem ou um meio de disfarce do momento da luta em que o negro escravizado ludibriava, com o movimento da ginga, o capitão do mato pouco antes do ata- que? Qual a relação, enfim, dos ritmos e gestos particulares do samba com a escravização de pessoas oriundas de diferentes países do con- tinente africano, já que havia dificuldade de diálogo no cativeiro, em virtude dessa diversi- dade cultural? Com base nessas reflexões, nota-se como é complexa a origem do samba. Nesse processo estão imbricadas outras manifestações, como o jongo, o lundu e o maxixe, representações afri- canas presenciadas no Brasil, além do próprio samba. O lundu é possivelmente o primeiro ritmo afro-brasileiro em forma de canção acompanha- do de dança e que, com o maxixe, influenciou o samba baiano. Já o jongo, que tem semelhanças com o semba/masemba, de Angola, precursor do samba, faz parte do conjunto das danças de umbigada que influenciaram o samba carioca. Ojongoéumaformadelouvaçãoaosantepas- sados,deconsolidaçãodetradiçõeseafirmaçãode identidades. Tem suas raízes nos saberes, nos ritos e nas crenças dos povos africanos, principalmente os de idioma banto. São sugestivos dessas origens o profundo respeito aos ancestrais, a valorização dos enigmas cantados e o elemento coreográ- ficodaumbigada,queéum“toqueleve”naregião do umbigo, uma espécie de convite à dança. Figura 1 – Jongo. Figura 2 – Dança coletiva com umbigada em Capivari (SP). ©MarcoAntonioSá/PulsarImagens ©ReginaldoVilalta
  • 13. 12 No Brasil, o jongo consolidou-se entre os descendentes dos negros escravizados que tra- balhavam nas lavouras de café e de cana-de- -açúcar no Sudeste, principalmente no vale do rio Paraíba. Nos tempos da escravidão, a poesia metafórica do jongo permitiu aos pra- ticantes da dança que se comunicassem por meio de pontos que os capatazes e os senhores não conseguiam compreender. O jongo esteve, assim, em uma dimensão marginal, em que os negros falavam de si e de sua comunidade por meio da crônica e da linguagem cifrada. Tambu, batuque, tambor, caxambu: o jongo tem diversos nomes. Ele é cantado e tocado de diversas formas, dependendo da comuni- dade que o pratica. Se existem diferenças de lugar para lugar, existem também semelhanças, características comuns presentes em muitas de suas manifestações. O termo “samba”tem sua origem associada à expressão angolana “semba”, que designa um ritmo religioso. O primeiro samba gravado em disco, intitulado Pelo telefone, foi registrado pelo cantor e compositor Donga. Assim, o samba refere-se a um estilo mu- sical e a uma forma de dança e, ao se identi- ficar seus vários subgêneros, percebe-se uma ligação direta com os instrumentos musicais utilizados. No jongo, iniciado o toque dos tambores, forma-se uma roda de dançarinos que cantam em coro, respondendo ao solo de um deles. Os tambores e os batuqueiros estão sempre na roda ou perto dela. Sozinhos ou em pa- res, os praticantes vão ao centro da roda e dançam até serem substituídos por outros jongueiros. Muitas vezes, nesse momento da substituição, nota-se o elemento coreográfico da umbigada. Dança-se conforme se sabe. Uns dançam rodando, outros pulando ou arrastando os pés. Uns dançam devagar, ou- tros, rapidamente. Em cidades como Taubaté, São Luiz do Paraitinga, Pindamonhangaba e Cunha, há alguns redutos de jongueiros do Vale Paulista (Vale do Paraíba). O jongo é estruturado em roda e acontecia nos terrei- ros, próximo ou ao redor de uma fogueira. Hoje é possível assistir a apresentações em praças públicas. Figura 3 – Jongo: mais que uma dança, um ritual. ©AntônioGaudério/Folhapress
  • 14. 13 Educação Física – 3a série – Volume 2 As letras do samba geralmente tratam do cotidiano e, em suas raízes, remetiam ao pre- conceito (baseado nos costumes dos europeus) em relação aos rituais religiosos realizados pela população negra, como no candomblé. A forte influência do samba pode ser per- cebida predominantemente em alguns estados brasileiros, como na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo, locais em que a presença da mão de obra negra escravizada foi mais acentuada nos engenhos e nas fazendas. Nesse sentido, tanto o samba baiano como o carioca remetem ao samba de roda. É provável que o samba de roda seja uma ramificação original da Bahia, presente nas rodas de capoeira, em forma de dança. A cantoria acompanhada por palmas é essencial nessa manifestação. Figuras 4 e 5 – Mulheres dançando o samba de roda (à esquerda) e o jongo (à direita). ©MarcoAntonioSá/PulsarImagens ©AndréadeValentim Samba – Alguns subgêneros e instrumentos utilizados Samba “comum” Surdo ou tantã, cavaco, pandeiro, cavaquinho e violão. Samba de roda Pandeiro, atabaque, berimbau, viola e chocalho. Samba de partido-alto Surdo, pandeiro, tamborim, cavaquinho e violão. Pagode Banjo, tantã, repique de mão, cavaquinho, violão e pandeiro. Samba de breque Música intercalada com partes faladas ou diálogos. Samba de enredo Cavaquinho e bateria de escola de samba. Bossa-nova (samba e jazz) Repique de mão e viola eletrônica. Além disso, há uma variedade de expressões do Se-Movimentar no samba, como o samba- -rock e a gafieira. Ambos os estilos permitem variações dos movimentos, momentos de impro- visação, descoberta e prazer para quem dança e/ou aprecia essa manifestação rítmica. Possibilidades interdisciplinares Converse com os professores responsáveis pelas disciplinas de História, Língua Portuguesa e Arte em sua escola, uma vez que a temática do samba também aborda o contexto histórico, linguístico e artístico do País. Essa iniciativa pode facilitar a compreensão, por parte dos alunos, das relações complexas no processo histórico dessa manifestação da cultura rítmica nacional.
  • 15. 14 SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1 A DANÇA DO JONGO, ISSO DÁ SAMBA Conteúdo e temas: cultura rítmica nacional e o processo histórico do samba; cultura rítmica nacional e seus aspectos regionais no samba. Competências e habilidades: relacionar informações entre diferentes manifestações rítmicas, confron- tando-as e interpretando-as criticamente; compreender o processo histórico do samba. Sugestão de recursos: local/espaço amplo para dança; folhas de papel e canetas (para cada grupo); rádio/CD (opcional); TV/DVD (opcional); computador/internet (opcional); latas de tinta vazias e/ou baldes. Esta Situação de Aprendizagem pretende contextualizar o processo histórico do sam- ba com base na vivência de movimentos e ritmos do jongo, que têm implicação com Desenvolvimento da Situação de Aprendizagem 1 Etapa 1 – Jongueiros O jongo é uma forma de expressão afro- -brasileira que integra percussão de tambores e dança coletiva. É praticado em algumas perife- rias urbanas e comunidades rurais do Sudeste brasileiro, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo. Está presente nas festas dos san- tos católicos e de divindades afro-brasileiras, nas festas juninas, na festa do Divino Espíri- to Santo e também no dia 13 de maio, como referência à abolição da escravatura, embora atualmente a celebração dessa data seja se- cundária em relação à do dia da Consciência Negra, comemorada em 20 de novembro. Apresente informações sobre o jongo e suas relações com a origem do samba. Mencione, por exemplo, o uso de instrumentos semelhan- tes, a associação das letras das músicas com o cotidiano e os sentimentos de quem dançava, as expressões conhecidas apenas pelos par- ticipantes (pontos e gírias), os movimentos predominantes na cintura pélvica (umbigada) e/ou o respeito aos ancestrais. Solicite, inicial- mente, aos alunos que se agrupem e registrem como imaginam ter sido o surgimento do sam- ba. A seguir, compartilhe os registros com todos os grupos e questione-os acerca do jon- go. Caso algum aluno tenha experiência com o samba e/ou com o jongo, peça-lhe que de- monstre alguns movimentos à turma. Proponha, depois, uma vivência para a dança do jongo. Considere as seguintes condições para que os alunos realizem os movimentos/passos: o samba contemporâneo. Os alunos viven- ciarão uma sequência de passos do jongo, estabelecendo relações com outras manifes- tações do samba. Professor, não é necessário que você saiba dançar samba, jongo ou outra manifestação rítmica es- colhida para este volume. Uma sondagem prévia com os alunos certamente permitirá identificar alunos que tenham experiência ou facilidade para aprender passos de dança. Solicite-lhes que o auxiliem nas aulas, fornecendo-lhes previamente fontes e materiais relacionados ao processo histórico do samba. Por meio de sites de busca, é possível acessar vídeos com demonstrações dos movimentos/passos do samba, do jongo e de muitas outras manifestações rítmicas.
  • 16. 15 Educação Física – 3a série – Volume 2 a dança se faz em roda, com três tambores e cantores ao fundo; os dançarinos marcam, com pés e palmas, o ritmo dos tambores; um homem entra na roda e convida uma mulher para dançar (embora a condução de todo o ritual subsequente na dança seja atribuída às mulheres); a substituição dos dançarinos na roda se dá com o passo da umbigada. Opcionalmente, você pode utilizar alguma música do jongo previamente escolhida. Suas letras geralmente mencionam o dia a dia dos negros escravizados nas fazendas e misturam referências religiosas do candomblé e de san- tos católicos. Discuta as diferentes percepções dos alunos sobre o jongo e procure identificar com a tur- ma as semelhanças com o samba. Por exemplo, há movimentos do jongo que se assemelham aos de mestres-salas e porta-bandeiras nas es- colas de samba. Professor, coordene a pesquisa com os alunos sobre o jongo, so- licitequerespondamerelacionem as questões presentes na seção “Pesquisa em grupo”, no Caderno do Aluno. Dançando e cantando o jongo O jongo é uma forma de expressão afro- -brasileira, que compreende o canto (fala, versos com adivinhas), a dança (umbigada) e a percussão (tambor). Também é conhecido como tambu, batuque, tambor e caxambu. O jongo era cantado, tocado e dançado pe- los negros escravizados em formação de roda, em torno de uma fogueira. Segundo pesquisas, apenas os mais velhos podiam soltar os pon- tos, isto é, as falas e versos com adivinhas. Por meio deles, confrontavam seu conhecimento, já que a linguagem cifrada deveria ser des- vendada, e a adivinha, respondida. O uso de uma comunicação codificada também evitava que capatazes, capitães do mato e senhores de engenho compreendessem o que estava sendo articulado pelos negros escravizados na roda de jongo. Para conhecer mais sobre o jongo, que deu origem a uma das principais manifestações culturais brasileiras, o samba, pesquise e res- ponda com seu grupo às perguntas a seguir. 1. Como e quem dança o jongo? É uma dança de roda realizada à volta ou perto dos instru- mentos (tambu e candongueiro), no sentido anti-horário, e da qual participam homens e mulheres alternados, sozinhos ou em pares. Os jongueiros vão ao centro da roda e dançam até serem substituídos por outros. 2. O que e como os jongueiros cantam? O canto, ou “ponto”, dos jongueiros é feito por um solista, que fica no centro da roda e improvisa canções (“pontos”) em que relata situações do cotidiano ou tradicionais que são respondidas pelos participantes em coro. Os pontos de jongo têm frases curtas, e é através deles que os jongueiros conversam. Na época da escravidão, essa era uma forma de os negros escravizados trocarem mensagens secretas contra a escravidão e combinarem festas e fugas. Isso era possível porque eles utilizavam uma linguagem cifrada (com códigos), que era entendida apenas por aqueles que tinham muita experiência, pois misturava o português com dialetos africanos de origem bantu. 3. Cite alguns estados brasileiros em que o jongo ainda é dançado hoje. O jongo é referência cultural de várias regiões no Rio de Janeiro e nos Estados do Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais. No Estado de São Paulo, estão os últimos redutos de jongueiros do Vale do Paraíba em Taubaté, São Luiz do Parai- tinga, Pindamonhangaba e Cunha. 4. Cite o nome de pelo menos três grupos de jongueiros da atualidade. Quilombo São José: o quilombo São José da Serra é uma comunidade descendente de negros escravizados que está lo- calizada em Valença, no interior do Estado do Rio de Janeiro.
  • 17. 16 Integra um universo quilombola de 13 comunidades no Estado e mais de 1 000 comunidades espalhadas por todo o Brasil. Este é o quilombo mais antigo do Estado do Rio de Janeiro e, no local, moram cerca de 200 quilombolas. O jongo faz parte do cotidiano dos moradores dessa comunidade desde a chegada de seus antepassados. Jongo da Serrinha: situado no Morro da Serrinha, no Rio de Janeiro, é uma das manifestações culturais mais impor- tantes do Brasil. Foi criado no fim da década de 1960, pelo Mestre Darcy Monteiro e por sua família, com o objetivo de preservar as tradições. Jongo Mistura da Raça: localizado em São José dos Campos, surgiu da necessidade do Mestre Laudeni e de sua família em vivenciar a prática do jongo, tradição que herdou de seu pai, Mestre Dorvalino de Souza. Promo- vendo a revitalização do jongo, uma expressão de cultura tradicional popular, o grupo mostra que em São José dos Campos há manifestações culturais diversificadas – ao mesmo tempo vinculadas à tradição e em contato com a modernidade. Você sabe como é o acompanhamento rít- mico do jongo? Quantos instrumentos são usados? Em geral, o acompanhamento é feito por dois tambores, um mais grave e outro mais agudo. Também há grupos que usam choca- lho e uma espécie de cuíca. 5. Relacione os nomes e as descrições ao tipo de instrumento. Tipo de instrumento Nomes e descrições de instrumentos a) Tambor grave ( C ) Ganzá ou guaiá, tubo de folha de flandres, às vezes no formato de dois cones emendados, fechados, com duas cabeças, preenchidos com capiá (caapiá), sementes arredondadas ou chumbinhos, que soam quando o instrumento é agitado. b) Tambor agudo ( D ) Puíta ou cuíca, cilindro oco, com uma das bocas coberta por couro, de preferência de cabrito. Em seu interior é amarrada uma varinha de madeira lisa. Na ponta dessa varinha, em contato com o couro, há uma cabeça e uma escavação chamada pescoço. Toca-se a puíta esfregando a varinha com a palma da mão ou com um pano molhado. c) Tambor rouco ( B ) Tambu ou caxambu, instrumento de 1,2 metro de comprimento, geralmente feito de um tronco todo perfurado a fogo. Uma das extre- midades é coberta com couro de boi. É colocado horizontalmente no chão e senta-se sobre ele para tocar. Quando o tambu fica “rouco”, é borrifado com pinga e esfregado vivamente para afinar o som. d) Chocalho ( A ) Candongueiro, espécie de atabaque de menor tamanho, coberto com couro de boi, que produz sons agudos. Para tocá-lo, senta-se sobre ele. Etapa 2 – Enquanto isso, em São Paulo... O samba acontece Proponha aos alunos que analisem o se- guinte relato das memórias de Jacob Penteado, por volta de 1910, ao se referir ao bairro do Belenzinho, na cidade de São Paulo.
  • 18. 17 Educação Física – 3a série – Volume 2 Na rua Conselheiro Cotegipe “[...] havia uns casebres, para dentro do alinhamento, com um terreiro e um vasto quintal, aos fundos, habitados por negros. Muitos deles diziam-se ex- -escravos. Na época, era difícil encontrar-se um negro velho que não se dissesse antigo escravo e veterano do Paraguai... No dia 12 de maio, à véspera, portanto, daquela data, à boca da noite, começavam a chegar negros que nem formiga. Vinham sozinhos ou em magotes, todos empunhando os mais variados instrumentos: bombos, chocalhos, pandeiros, atabaques, triângulos, maracas, tamborins, reque-re- ques, puítas, urucungos, marimbas, adufes e outros, herdados, quiçá, dos seus ancestrais africanos. Surgiam tantos, que parecia incrível que coubessem naquele reduto. [...] O samba de então era bem diferente do atual. Não passava de um exótico amálgama das numerosas danças regionais, da capoeira, do lundu, do jongo, do batuque, do cateretê etc. Depois dos comes e bebes, de muita cachaça ou quentão, os negros animavam-se, e aí come- çava o samba de roda. Sob o som infernal dos instrumentos de percussão, onde se destacava o toque surdo dos bombos e dos tambores, iniciava-se a noitada. Formava-se uma roda no terreiro, um dos parceiros pulava para o centro e começava a can- tar, saracoteando-se todo: [...] O batuque ia esquentando. Em pouco tempo, vários pares pulavam no centro da roda, en- quanto os demais batiam palmas, compassadamente. Eram movimentos alucinantes [...]. E o coro prosseguia [...]. E nessa toada varavam a noite. [...] E o samba continuava até o dia raiar.” PENTEADO, Jacob. Belenzinho, 1910 (retrato de uma época). São Paulo: Carrenho Editoral, 2003. Professor, atente como nesse relato há comentários marcados por preconceitos e es- tranhezas remanescentes em uma sociedade em que a abolição havia sido promulgada há me- nos de uma geração. A descrição desse evento organizado pelos negros do Belenzinho destoa consideravelmente da concepção defendida pelo Ministério da Cultura, que caracteriza o jongo como patrimônio cultural nacional. Esclareça aos alunos como esse relato eviden- cia uma das inúmeras tensões provocadas pelo adensamento de uma população diversificada na cidade de São Paulo no início do século XX, de modo semelhante ao processo de urbaniza- ção de outras regiões do Estado. Aproveite para salientar e assinalar a persistência de costumes e elementos socioculturais construídos sob au- tonomia relativa, vivida por homens e mulheres negros nos tempos do cativeiro, a conviver com os olhares ambíguos marcados pelos preconcei- tos existentes, assim como a solidariedade entre os negros outrora escravizados. Professor, faça uma reflexão com os alunos sobre as considerações das questões presentes na seção “Para começo de conversa”, no Caderno do Aluno. ©JúlioCosta/FuturaPress Desfile da escola de samba Mocidade Alegre, campeã do carnaval de 2014, em São Paulo.
  • 19. 18 Quando você ouve falar em samba, que imagens e sons vêm à sua mente? Um grupo de pessoas cantando e tocando instrumentos de percussão? Homens e mulheres dançando separados, com ginga e passos variados? Ou o carnaval e o desfile das escolas de samba? O samba é uma das maiores manifestações da nossa cultura, originado de ritmos brasilei- ros e africanos. Neste Caderno, vamos tratar do samba como expressão rítmica, na pers- pectiva da Cultura de Movimento. O samba apresenta aspectos musicais e de dança peculiares. Ao ouvir diferentes músicas, é possível diferenciar o samba de outros esti- los, tanto pelo ritmo como pelos instrumentos usados para tocá-lo. 1. Você seria capaz de identificar os instru- mentos mais comuns utilizados em uma roda de samba? ( ) Guitarra. ( X ) Cavaquinho. ( X ) Pandeiro. ( X ) Atabaque. ( ) Gaita. ( X ) Berimbau. ( ) Violino. ( X ) Surdo. ( X ) Violão. ( X ) Viola. ( ) Prato. ( X ) Cavaco. A palavra samba se originou do termo sem- ba – expressão oriunda de uma língua africana chamada quimbundo –, que significa umbiga- da. As raízes do samba no Brasil remontam ao período colonial, época em que negros africa- nos foram capturados, torturados e trazidos para trabalhar como escravos nas lavouras de café e cana-de-açúcar. Com os africanos, aportaram no Brasil no- vas formas musicais, danças e manifestações religiosas. Eles costumavam se reunir para dançar e cantar nas noites de festa dos santos católicos; não para festejarem os mesmos san- tos, mas talvez porque, nesses dias, os donos das terras deixavam a fazenda para participar das festas nas igrejas. Considerados os ancestrais do samba, o jongo e o batuque eram danças ritmadas pelo tambor. O samba, especialmente o baia- no, também teve influências do lundu e do maxixe. O jongo, uma dança de umbigada se- melhante ao semba de Angola, influenciou o samba carioca. 2. Atualmente, existem vários tipos de samba, com características particula- res. Converse com seus colegas sobre os diferentes gêneros de samba. Com base nas informações a seguir, relacione a segunda coluna de acordo com as letras da primeira. Gênero Descrição a) Samba-enredo ( G ) Apresenta interrupções repentinas nas quais o cantor faz co- mentários, muitos deles em tom crítico ou humorístico. b) Samba de partido-alto ( H ) Ritmo rápido, forte e principalmente instrumental, é apreciado nas danças de salão. c) Pagode ( A ) Samba composto especialmente para o desfile de carnaval que desenvolve o enredo definido pela escola de samba. d) Samba-canção ( F ) Samba grandioso, geralmente tocado por orquestra, que apre- senta tema patriótico. e) Samba carnavalesco ( I ) Foi influenciado pelo jazz (música estadunidense) e deu ori- gem à bossa-nova.
  • 20. 19 Educação Física – 3a série – Volume 2 f) Samba-exaltação ( D ) Ritmo lento, com tema romântico e sentimental. g) Samba de breque ( B ) Letras improvisadas que narram a vida nos morros e outras regiões pouco assistidas historicamente pelo poder público. h) Samba de gafieira ( C ) Variação do samba de partido-alto, utiliza instrumentos de per- cussão e sons eletrônicos; surgiu na cidade do Rio de Janeiro, na década de 1970. i) Sambalanço ( E ) Marchinhas e sambas para serem cantados e dançados nos bai- les de carnaval. Etapa 3 – Mas que jongo é esse no samba de novo? Proponha à turma uma possível sequência da dança do jongo. Três alunos devem criar diferentes ritmos durante a dança, utilizando latas de tinta vazias ou baldes (os “tambores”). Os alunos podem ficar descalços. Forme um círculo e solicite-lhes que iniciem o toque dos “tambores”. Todos devem fazer uma reverên- cia em direção aos instrumentos, como forma de pedir licença aos ancestrais, uma maneira de manifestar saudades. O círculo deve ser man- tido durante toda a dança, e todos devem per- manecer dançando até serem convidados por alguém que estiver no centro da roda. Quem for convidado dirige-se para o cen- tro da roda, cumprimentando com a umbi- gada. Homens e mulheres dançam formando pares. Com a perna direita, dão um passo com saltito para a frente enquanto elevam a per- na esquerda lateralmente e para trás. Depois, com a perna direita retornam com um saltito para trás, elevando a perna esquerda à frente. Esses passos são constantes e ocorrem em gi- ros, como se estivessem desenhando uma roda entre cada pessoa, até que um dos casais saia, convidando outra pessoa do círculo e manten- do o ritmo estabelecido pelos tambores. Como opção, proponha aos alunos que façam a análise dos movimentos do jongo assistindo a um vídeo, aproveitando a produ- ção de regiões do Estado de São Paulo que mantêm a prática dessa manifestação rítmi- ca. Nesse caso, a ênfase pode ser em ritmos diferenciados no jongo e seus movimentos correspondentes. É possível ainda solicitar aos alunos que pesquisem o tema previamente e, depois, orga- nizem a apresentação das pesquisas na forma de seminário, relacionando os movimentos e os ritmos encontrados no jongo com manifes- tações atuais do samba. SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2 A RODA VIVA DO SAMBA Esta Situação de Aprendizagem pretende contextualizar o processo histórico do samba com base na vivência de movimentos e ritmos no samba de roda, relacionando-o a outras manifestações contemporâneas. Os alunos vi- venciarão uma sequência de passos do samba de roda para estabelecer, em seguida, relações com outras manifestações contemporâneas,
  • 21. 20 Conteúdo e temas: cultura rítmica nacional e o processo histórico do samba – o samba de roda e suas características regionais; cultura rítmica nacional e elementos contemporâneos no samba – movimen- tos e gestos característicos do samba de roda. Competências e habilidades: relacionar informações entre diferentes manifestações rítmicas, con- frontando-as e interpretando-as criticamente; identificar e compreender as características do samba de roda: gestos e movimentos; conhecer, elaborar e associar os diferentes instrumentos caracterís- ticos do samba de roda; compreender o processo histórico do samba de roda nas diferentes regiões brasileiras. Sugestão de recursos: local/espaço amplo para dança, folhas de papel e canetas (para cada grupo), rádio/ CD, TV/DVD, computador/internet. Desenvolvimento da Situação de Aprendizagem 2 Etapa 1 – Samba de roda Informe antecipadamente o tema da aula (samba, capoeira e samba de roda) para que os alunos possam pesquisar o assunto. Se pos- sível, organize-os e acompanhe-os na consulta a sites na escola ou sugira o uso de computa- dores públicos e em suas residências; também estimule a consulta em outras fontes, como re- vistas, jornais ou entrevistas com pessoas que tenham familiaridade com essas atividades rítmicas. Feito isso, realize uma “chamada te- mática” sobre o samba de roda: em vez de o aluno responder “presente”, ele deverá apre- sentar alguma informação ou movimento re- lacionado ao assunto. A seguir, organize-os em grupos e propo- nha a vivência de diversos movimentos do samba, conforme o que já conhecem, ou de alguns passos básicos, como: pé direito à frente e virando para fora; voltar a perna para trás, transferindo o peso do corpo, e repetir o primeiro passo com o pé esquerdo; repetir esses movimentos várias vezes, se- guindo a velocidade da música, que pode ser escolhida pelos alunos; a partir desses passos, realizá-los girando, imaginando uma volta completa. Também se pode caminhar de um lado a outro, ele- vando um pouco os joelhos; após compartilhar esses e/ou outros pas- sos conhecidos pela turma, organize os alunos em um círculo e, posicionados em uma roda de samba, solicite-lhes que apresentem suas descobertas e dificulda- des encontradas. Figura 6 – Samba de roda. ©MarcoAntonioSá/PulsarImagens como a capoeira. Para tanto, irão confeccio- nar e experimentar diferentes instrumentos musicais, além de pesquisar a relação existente entre a capoeira e o samba de roda.
  • 22. 21 Educação Física – 3a série – Volume 2 Professor, solicite aos alunos que, após analisarem as imagens e le- rem o texto, respondam às ativida- des presentes na seção “Lição de casa”, no Caderno do Aluno. Samba de roda Relacionada ao culto aos orixás e ca- boclos, nessa variedade de samba forma- -se uma roda de instrumentistas que tocam pandeiro, atabaque, berimbau, viola e cho- calho, e dançarinos, que marcam o ritmo com cantos e palmas. No centro da roda, um dançarino samba sozinho até intimar, com uma umbigada, outra pessoa para to- mar seu lugar. 1. Em cada imagem, indique pelo menos uma característica do samba de roda ou do jongo. ©MarcoAntonioSá/ PulsarImagens a) Samba de roda. Há uma dançarina que samba sozinha, até intimar outra pes- soa no meio da roda para o revezamento do dançarino. ©MarcoAntonioSá/ PulsarImagens b) Jongo. A dança é realizada por jongueiros, enquanto os demais ob- servam, batendo palma ou se movimentando no lugar, lateral- mente; os instrumentos são tambores (tambu e candongueiro). “Comunidade” é um conceito que tem uma profunda e histórica ligação com o samba. Os desfiles de rua representavam o auge das “folganças” do carnaval negro, pois era uma for- ma eficiente para esse grupo se afirmar socioculturalmente na vida urbana de uma cidade como São Paulo, caracteristicamente reconhecida como branca, imigrante e discriminadora (SIMSON, 1991 apud ABIB, 2006). Segundo a autora, só foi possível a organização do carna- val negro, e a sua articulação através de uma rede de filiais dos cordões e escolas de samba, pelo profundo sentido comunitário desse grupo social. Tinha como núcleos fundamentais as casas de membros mais influentes das agremiações (geralmente as costureiras), situadas em bairros periféricos, geralmente na zona leste e norte da cidade, onde era realizado um importante tra- balho preliminar de organização e ensaio dos folguedos. Somente buscavam a sede, situada em bairros centrais e tradicionais, para os ensaios finais. Simson (apud ABIB, 2006) afirma que o significado maior que o carnaval assume para a população negra paulistana se dá justamente pela oportunidade de ela se expressar sociocultu- ralmente para toda uma sociedade – a princípio escravocrata e posteriormente altamente dis- criminadora. O espaço do carnaval foi sempre utilizado pelos grupos negros para o exercício do que pode ser tido como “resistência inteligente”, ou seja, “aquela resistência que se exerce no cotidiano, ao nível da cultura, aproveitando as brechas que a religião, o lazer e a política apresentam, e que o negro paulistano sempre soube alargar”. Fonte: ABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Cultura popular, educação e lazer: uma abordagem sobre a capoeira e o samba. Práxis Educativa. Ponta Grossa, v. 1, n. 1, jan./jun. 2006. p. 62-3. Disponível em: <http://www.revistas2.uepg.br/index.php/praxiseducativa/article/view/245/248>. Acesso em: 12 nov. 2013.
  • 23. 22 2. Leia o texto de Jacob Penteado e faça a tarefa solicitada a seguir. Esse relato descreve um evento ocorrido na região do Belenzinho, em São Paulo, no início do século XX, em comemoração ao dia 13 de maio. Com base nesse texto e em outros conteúdos estudados, reflita sobre as condições socioculturais da época, espe- cialmente sobre o preconceito em relação às manifestações culturais dos negros, os costu- mes, as relações entre as etnias e as danças que você está estudando neste volume (jongo e samba). Etapa 2 – O samba e suas manifestações Possibilite aos alunos a leitura comparti- lhada de um texto sobre o samba de roda e sua influência em outras ramificações do samba. Podem ser utilizados materiais previamente pesquisados pela turma ou informações con- tidas neste Caderno, como o texto anterior. Proponha, em seguida, que os alunos criem alguns instrumentos necessários ao samba de roda, aproveitando materiais recicláveis e/ou ou- tros utensílios do cotidiano: o balde ou a lata de tinta podem virar um tantã ou tambor, a garrafa PET com relevo pode virar um reco-reco, uma latinha de alumínio sobreposta a outra pode vi- rar um agogô, o papelão recortado em círculo com tampinhas de aço ao redor pode virar um pandeiro... Todos esses instrumentos serão utili- zados em uma roda de samba. Os instrumentos também podem ser utilizados em uma banda/ fanfarra, se a escola tiver esse tipo de atividade. Apresente aos alunos um vídeo ou site com movimentos do samba e também músicas es- pecíficas, que podem ser trazidas pela própria turma. Discuta a influência das representa- ções africanas, do jongo, vivenciado anterior- mente, ou da capoeira às manifestações mais recentes do samba. Opcionalmente, organize os alunos em grupos, envolvendo toda a turma, e prepare uma roda de samba com todas as suas ca- racterísticas (instrumentos e movimentos). Apresente a produção dos alunos a outras salas ou aproveite-a em algum evento orga- nizado na escola. Cada grupo também pode construir uma roda de samba e apresentar-se à própria turma. Professor, solicite aos alunos que respondam às questões pre- sentes na seção “Você apren- deu?”, no Caderno do Aluno. 1. “Samba” vem de que palavra do quimbun- do? O que significa essa palavra? Semba. Significa umbigada e designa um ritmo religioso. 2. Cite três gêneros de samba que você co- nhece. Professor, as respostas podem ser bem variadas. Entre os gê- neros podem ser citados: samba-enredo, samba de partido- -alto, pagode, samba-canção, samba carnavalesco, samba- -exaltação, samba de breque, samba de gafieira e sambalanço, entre outros. 3. O “ponto” é o canto ou a fala improvisada que alude a situações do cotidiano ou da tradição por meio de adivinhas, que são respondidas em coro pelos participantes enquanto dançam e batem palmas. Isso ocorre em que modalidade de samba? Jongo.
  • 24. 23 Educação Física – 3a série – Volume 2 ATIVIDADE AVALIADORA Durante as várias etapas das Situações de Aprendizagem, procure avaliar se os alunos conseguem relacionar o samba a outras mani- festações da cultura rítmica brasileira, conside- rando aspectos históricos, em especial. Em relação aos passos vivenciados, pro- cure problematizar com os alunos algumas questões: Quais foram as maiores facilidades e dificul- dades em dançar e realizar movimentos de acordo com os ritmos do samba, em cada um dos passos vivenciados? Foi possível coordenar o ritmo próprio com o ritmo dos companheiros? Como foi a experiência de dançar com diferentes parceiros? Todos conseguiram coordenar consensualmente os ritmos pró- prios com os dos colegas? Quais as diferenças nas percepções/sensa- ções dos jovens entre os gêneros ao dançar o samba? Professor, solicite aos alunos que relacionem cada palavra da coluna da direita com uma da coluna da esquerda na seção “Desafio!”, no Ca- derno do Aluno. Desafio! Palavras parceiras Cada palavra da coluna da direita tem rela- ção com uma palavra da coluna da esquerda. Quais são essas duplas? Siga o exemplo a seguir. Depois de resolvido o desafio, surgirá (na ver- tical) o nome da escola de samba tricampeã do carnaval de 2014 em São Paulo, que teve como enredo “Andar com Fé eu vou... Que a Fé não costuma falhar!”. ©LeandroMartins/FuturaPress Magnanimidade H E R O Í S M O Criativo Recebidos H E R D A D O S Pulsação Pássaro M A R I T A C A Renomada Corpo A N A T O M I A Glóbulos Juventude M O C I D A D E Máquinas Ritmo P U L S A Ç A O Saudável Famosa R E N O M A D A Aguçados Salutar S A U D Á V E L Medicina Mecanismos M A Q U I N A S Heroísmo Células G L Ó B U L O S Mocidade Vitorioso V E N C E D O R Anatomia Atentos A G U Ç A D O S Maritaca Criador C R I A T I V O Herdados Ciência M E D I C I N A Vencedor Desfile da Mocidade Alegre, escola campeã do carnaval de São Paulo em 2014.
  • 25. 24 RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO PROFESSOR E DO ALUNO PARA A COMPREENSÃO DO TEMA PROPOSTA DE SITUAÇÕES DE RECUPERAÇÃO Durante o percurso pelas várias etapas das Situações de Aprendizagem, alguns alunos poderão não ter compreendido os conteúdos e temas, ou desenvolvido habilidades da forma esperada. É necessário, então, professor, que você proponha outras Situações de Aprendi- zagem que estimulem a reflexão sobre as ma- nifestações rítmicas; em especial, o samba e sua pertinência às aulas de Educação Física. Essas situações devem ser diferentes, de pre- ferência, daquelas que geraram dificuldades para os alunos. Tais estratégias podem ser desenvolvidas durante as aulas ou em outros momentos, envolver todos os alunos ou ape- nas aqueles que apresentaram dificuldades na compreensão dos temas. Por exemplo: sugestão para que os alunos assistam a programas de televisão contendo ativi- dades da cultura rítmica, identifiquem associações com o samba e as apresentem posteriormente; sugestão para que os alunos observem mani- festações do samba no cotidiano, da região em que vivem, identificando e registrando suas características principais. Livros KUNZ, Elenor. Didática da Educação Física. Ijuí: Unijuí, 2006. Apresenta subsídios para a intervenção do professor ao trabalhar com manifestações da cultura rítmica nas aulas de Educação Física. PENTEADO, Jacob. Belenzinho, 1910 (re- trato de uma época). São Paulo: Carrenho Editorial, 2003. Esse relato descreve um even- to ocorrido na região do Belenzinho, em São Paulo, no início do século XX, em comemora- ção ao 13 de maio. Artigos ABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Cultura popular, educação e lazer: uma abordagem sobre a capoeira e o samba. Práxis Educa- tiva. Ponta Grossa, v. 1, n. 1, jan./jun. 2006. p. 58-66. Disponível em: <http://www.revistas2. uepg.br/index.php/praxiseducativa/article/ view/245/248>. Acesso em: 12 nov. 2013. Rela- ciona o processo histórico do samba à capoeira. Destaque para a citação de pesquisa sobre o contexto do samba paulistano, reforçando o conceito de “comunidade” e tratando-o como um “espaço de resistência inteligente dos ne- gros em São Paulo”. KOGURUMA, Paulo. A saracura: ritmos so- ciais e temporalidades da metrópole do café (1890-1920). Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 19, n. 38, 1999. p. 81-99. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbh/v19n38/0997. pdf>. Acesso em: 12 nov. 2013. Aborda o pro- cesso de urbanização da cidade de São Paulo na transição do século XIX para o século XX, rela- cionando situações do contexto social, como as manifestações rítmicas populares. NOEL, Francisco L. Jongo, ritual de resistên- cia e tradição: manifestação de origem africana sobrevive e se consolida como patrimônio cul- tural. Revista Problemas Brasileiros. São Paulo, ano 45, mar./abr. 2007, n. 380. Disponível em: <http://sesc-novoportal-hom.agenciaclick. com.br/online/artigo/3781_EM+PAUTA>. Acesso em: 17 jan. 2014. Analisa o processo
  • 26. 25 Educação Física – 3a série – Volume 2 histórico do jongo, interpretando-o como espaço de resistência dos negros escravizados e seus descendentes. Apresenta uma relação entre a comunicação nas comunidades negras, tendo os pontos comunicativos do jongo como elemento essencial, e os aspectos espirituais de ascendência banto. Sites Produção da Associação Grupo Cultural Jongo da Serrinha – GCJS. Disponível em: <http:// www.jongodaserrinha.org.br/secao.asp?cod_ secao=home>. Acesso em: 12 nov. 2013. A associação tem o objetivo de preservar o pa- trimônio histórico do jongo. No site é possível reproduzir um CD com músicas de jongo. Samba de roda: patrimônio da humanidade. Disponível em: <http://www.bahia.com.br/ viverbahia/cultura/samba-de-roda>. Acesso em: 12 nov. 2013. Apresenta informações sobre o samba de roda, como origem e trajetória, cuja importância rendeu a esse gênero o tí- tulo de Obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade. Sua Pesquisa: folclore. Disponível em: <http:// www.suapesquisa.com/folclorebrasileiro/folclore. htm>. Acesso em: 12 nov. 2013. Site rico em informações sobre diferentes danças e festas, além de lendas brasileiras. Vídeo XAVIER, Rubens. Feiticeiros da palavra: o jongo do Tamandaré. Direção: Rubens Xavier. Brasil, 2001. 55 min. Núcleo de Documentários da TV Cultura. Este documentário apresenta os praticantes do jongo em situações cotidia- nas, explicitando seus costumes e os aspectos espirituais da manifestação rítmica.
  • 27. 26 Em pesquisa realizada pelo jornal Folha de S.Paulo (apud MARCELLINO, 2006) com moradores das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro acima de 14 anos de idade sobre as prá- ticas esportivas preferidas, são apresentados alguns números que permitem observações in- teressantes. A principal é a defasagem entre os que declaram gostar de esporte e aqueles que efetivamente têm a oportunidade de praticá-lo. Apenas 7% dos entrevistados declararam que não apreciam nenhum esporte, número que se- ria animador, não fosse o fato de 61% afirmarem não praticar qualquer atividade esportiva. É claro que a dificuldade de prática de ati- vidades esportivas nos momentos de lazer por parte da população deve-se a vários motivos, sendo o principal a pouca ênfase dada às po- líticas de lazer, tanto públicas como privadas. Se o lazer é um direito do cidadão e um dever do Estado, cabe a este priorizar ações para prover condições efetivas de acesso a essa di- mensão. Deve-se, ainda, à falta de equipamen- tos e locais específicos para a prática e à falta de uma Cultura do Lazer, que incorpore essa dimensão na vida de todas as pessoas. Vale ressaltar o papel das mídias que, se por um lado difundem as práticas de lazer – esportivas ou não –, por outro geram uma necessidade que não é atendida pelo poder público, causando insatisfação por parte da população. Assistir pela televisão a uma gran- de competição esportiva, como os Jogos Olím- picos, pode ser uma atividade enriquecedora sob vários aspectos, mas ter oportunidade e TEMA 2 – LAZER E TRABALHO – O LAZER COMO DIREITO DO CIDADÃO E DEVER DO ESTADO condições de praticar efetivamente algumas modalidades, participando de competições no seu bairro ou na sua cidade, é mais ainda. O que a Educação Física escolar tem a ver com esses dados? Ela também tem uma par- cela de responsabilidade na criação de uma Cultura do Lazer, transformando o gosto pelo lazer em ações que levem às oportunidades de prática efetiva. Nesse sentido, a Educação Fí- sica tem como objetivo oferecer aos alunos, ao longo das várias séries/anos em que atua, uma educação pelo lazer e para o lazer. É importante que os conteúdos da Edu- cação Física, que compõem a Cultura de Movimento – esporte, jogo, ginástica, luta e atividade rítmica –, tornem-se significativos aos alunos, sejam incorporados a suas vidas e possam ser usufruídos por eles em seus mo- mentos de lazer de modo autônomo e crítico. A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, reconhecendo o lazer como direito dos cida- dãos. Também a Constituição brasileira de 1988 reafirma esse direito, o que demonstra a atualidade e a importância desse tema. A par- tir dos anos 1950, o lazer passou a ser objeto de estudos sistemáticos, configurando uma área de pesquisa e intervenção. O lazer surge como conceito na relação com o trabalho na sociedade industrial. À medida que as jornadas de trabalho foram regulamen- tadas nas indústrias, os operários passaram a ter um tempo de não trabalho, no qual deve- riam repor as energias para a jornada seguinte. É no contexto dessa discussão que o lazer, tan- to como área de estudo quanto como indústria Professor, este tema será abordado no Caderno do Aluno de forma integrada ao Tema 3.
  • 28. 27 Educação Física – 3a série – Volume 2 produtora de bens e práticas, ganha importân- cia para estimular ou sugerir práticas não só aos trabalhadores, mas a toda a população. Nelson Marcellino, um dos principais estu- diosos brasileiros do lazer, alerta sobre os juízos de valor de senso comum que associam o lazer às coisas negativas, considerando-o um não fa- zer ou coisa de desocupados ou, ainda, mero passatempo. Para esse autor, os valores do sen- so comum contrapõem lazer e trabalho, consi- derando o primeiro menos importante do que o segundo e útil apenas para compensar o esforço do trabalho. Esse é o risco das propostas atuais de lazer nas empresas caso sejam empreendidas na perspectiva de apenas divertir o trabalhador ou fazê-lo compensar e recuperar sua força de trabalho para a continuidade da jornada. O mesmo autor atenta para dois conceitos importantes no estudo do lazer – o tempo e a atitude – que podem dar a dimensão do que caracteriza uma atividade de lazer. Segundo ele, o lazer não se caracteriza somente pelo conteúdo da ação ou pela atividade em si, como o futebol, a jardinagem ou a pescaria. Importa saber a atitude em relação à ativida- de e em que tempo ela ocorre. Por exemplo, atividades como o futebol, a jardinagem ou a pescaria têm outros sentidos para os profis- sionais que as desempenham como trabalho. Em relação à atitude: “O lazer considerado como atitude será caracterizado pelo tipo de relação verificada entre o sujeito e a experiên- cia vivida, basicamente a satisfação provoca- da pela atividade”a . Em relação ao tempo: “O lazer ligado ao as- pecto tempo considera as atividades desenvolvi- dasnotempoliberadodotrabalho,ouno‘tempo livre’, não só das obrigações profissionais, mas também das familiares, sociais e religiosas”b . As difíceis condições de vida atuais nas grandes cidades, o surgimento de doenças como o estresse, os riscos à saúde causados pela obesidade e pelo sedentarismo e a ne- cessidade de redução da jornada de trabalho a fim de que haja empregos para todos real- çam a importância de atividades que sejam praticadas na dimensão do lazer na socieda- de contemporânea. Mesmo reconhecendo que o lazer ainda não está disponível a todos, e que o acesso a ele depende de condições socioeconômicas, considera-se aqui sua importância como um “tempo e lugar de construção da cidadania e exercício da liberdade” (MASCARENHAS, 2003, p. 10). Dessa forma, é preciso superar a visão de lazer como recreação descompro- missada, ou apenas como momento de recu- peração das energias de trabalho, ou como consumo passivo de determinados produtos de lazer. É preciso superar, também, certos preconceitos, como o de que as atividades de lazer são dirigidas somente para jovens ou o de que certas atividades de lazer não podem ser praticadas por pessoas com deficiências. O lazer, na perspectiva aqui adotada, defende a autonomia do cidadão para pos- suir conhecimentos mínimos que propiciem a escolha e a realização de várias práticas no seu tempo livre. Defende também a im- portância da compreensão do lazer como controle do próprio esforço e direito ao repouso; e a formação política necessária para que todas as pessoas reivindiquem tempos, espaços e oportunidades de lazer. Nesse sentido, propõe-se um enfoque que problematiza o tema “lazer e trabalho”, a fim de propiciar aos alunos oportunidades de prática e reflexão, capazes de contribuir para a sua emancipação. a MARCELLINO, Nelson C. Estudos do lazer: uma introdução. 4. ed. Campinas: Autores Associados, 2006, p. 8. www.autoresassociados.com.br. b Idem, ibidem.
  • 29. 28 SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3 ESPORTE COMO LAZER E COMO TRABALHO Esta Situação de Aprendizagem pretende propiciar aos alunos a oportunidade de com- preender o esporte nas dimensões do lazer e do trabalho. Inicialmente, os alunos se colocarão como espectadores de uma partida de futebol, observando os atletas em situação de trabalho. Na etapa seguinte, os alunos vivenciarão o futebol como praticantes no seu tempo de lazer. Poste- riormente, os alunos discutirão as facilidades e as dificuldades de acesso à prática do futebol. É importante observar que o futebol é apenas uma sugestão, podendo ser substituído por outra mo- dalidade, de acordo com os interesses dos alunos ou as particularidades da escola. Conteúdo e temas: possibilidades de lazer na Cultura de Movimento; lazer e trabalho; o esporte como trabalho e como lazer. Competências e habilidades: compreender a importância do lazer; identificar possibilidades de lazer nas atividades de Cultura de Movimento; identificar diferenças e semelhanças de valores, interesses e recompensas nas situações de lazer e trabalho; identificar e reconhecer as dificuldades/facilidades para o acesso ao lazer. Sugestão de recursos: aparelho de DVD; TV; bola de futebol ou futsal. Desenvolvimento da Situação de Aprendizagem 3 Etapa 1 – Lazer ou trabalho? Apresente aos alunos um vídeo de um jogo de futebol previamente gravado. Se não for pos- sível, peça-lhes que assistam em casa à transmis- são de um jogo pela televisão. Peça aos alunos que identifiquem os papéis representados pelos jogadores de ambas as equipes, pelo árbitro e por seus auxiliares, pelos profissionais ligados às equipes (técnico, massagista, médico etc.), pelos torcedores no estádio, pelos torcedores de cada um dos dois times que assistem ao jogo pela tele- visão e pelos espectadores que assistem ao jogo, mas não torcem por nenhuma das duas equipes. Auxilie os alunos a perceber que as funções exercidas pelas diferentes pessoas indicam atitudes diversas, com valores e intenciona- lidades específicas. Enquanto os jogadores e demais profissionais estão vivenciando um tempo de trabalho, os torcedores e espectado- res televisivos vivenciam um tempo de lazer. Dentro de cada grupo, os papéis ainda podem ser diferenciados. Os profissionais jogadores, por dependerem diretamente do resultado da partida para sua carreira e seu sucesso pro- fissional, tendem a se empenhar mais. Já os profissionais que arbitram o jogo, bem como aqueles da mídia, têm o objetivo de realizar bem o seu trabalho, sem se importar com o resultado. Também entre os que assistem ao jogo há diferenças de interesse e motivação. Figura 7 – O futebol e os diferentes membros da equipe: jogadores, treinador, médico. ©Barros&Barros/TheImageBank/GettyImages
  • 30. 29 Educação Física – 3a série – Volume 2 Professor, solicite aos alunos que assinalem as informações com V ou F, na seção “Para começo de conversa”, no Caderno do Aluno. Uma pesquisa sobre as práticas esportivas preferidas das pessoas maiores de 14 anos no Rio de Janeiro e em São Paulo revelou que só 7% dos entrevistados alegaram desinteresse pelo esporte. No entanto, 61% dos que de- clararam gostar de alguma modalidade não praticam nenhuma atividade física. Você está dentro dessa estatística? Será que gostaria de fazer algum esporte, mas não tem tempo e/ou acesso aos lugares adequados? A Constituição Federal Brasileira garante o direito ao lazer a todos os cidadãos. Por- tanto, o Estado tem o dever de proporcionar espaços e equipamentos destinados ao lazer. Mas o que é lazer? Partida de futebol na praia. ©RachelGuedes/PulsarImagens de lazer e do avanço tecnológico – cada vez mais acessível por meio dos incentivos à in- clusão digital e do barateamento dos equi- pamentos de informática –, observa-se uma mudança no uso do tempo livre. Pesquisas mostram que cerca de 3 milhões de brasileiros frequentam lan houses, e que os videogames (que em nada lembram o primeiro joguinho de poucos recursos visuais que simulava um jogo de tênis, criado em 1958) estão ocupan- do o tempo antes destinado à música, à TV e ao cinema. Neste Caderno, além de discutir a expe- riência do esporte como lazer e a relação entre lazer e trabalho no esporte, você vai participar de vivências relacionadas aos videogames. Adolescentes jogando videogame. ©Kuttig-People/Alamy/GlowImages Nelson Marcellino, no livro Estudos do lazer: uma introdução, diz que a atitude e o tempo caracterizam o lazer. A atitude diz respeito à satisfação obtida pelo sujeito ao pra- ticar uma atividade. No caso do lazer, espera-se que a atividade seja prazerosa. Sobre o tempo de prática, o autor argumenta que o lazer deve acontecer durante o “tempo livre”, livre não apenas do trabalho, mas de qualquer obrigação. Por causa da escassez de espaços e equipa- mentos para a prática do esporte como forma Mas, antes, vamos ver o que você conhece sobre esses assuntos. 1. Assinale as informações a seguir com V (verdadeira) ou F (falsa): a) De acordo com a pesquisa referida no texto, as pessoas com mais de 14 anos preferem jogar videogame e praticar al- gum esporte. ( F ) b) O lazer é um período de descanso para recuperar as energias e render mais no trabalho. ( F )
  • 31. 30 c) O que é lazer para você pode ser trabalho para outra pessoa. ( V ) d) Ao reconhecer a importância do direito ao lazer, é papel da comunidade reivin- dicar ao poder público espaços e equi- pamentos para sua prática. ( V ) e) O videogame foi criado por um fun- cionário do governo estadunidense em 1958. ( V ) f) Esse videogame simulava um jogo de basquetebol. ( F ) g) A nova geração de videogames permite muito mais interatividade. ( V ) Em alguns jogos, a simulação num tabu- leiro de jogo de botão já havia antecipado o que se conseguiria depois, com os recursos da tecnologia. 2. Observe a imagem a seguir. Que jogo é esse e o que está faltando nele? ©FernandoFavoretto O empenho, a motivação e o envolvimento dos jogadores profissionais e dos alunos fo- ram diferentes? Quais são as diferenças e as semelhanças entre as duas situações? Como as regras do esporte foram cumpri- das? O árbitro é sempre necessário? Como os conflitos em relação ao descum- primento das regras foram resolvidos? Quais valores estiveram presentes em cada uma das situações? Quais são as recompensas presentes em uma e em outra situação? Etapa 3 – Facilidades e dificuldades para o acesso ao lazer Reúna os alunos em grupos de cerca de cinco integrantes e apresente a cada grupo a tarefa de discutir as dificuldades e as facili- dades para a prática do futebol – e de outras modalidades esportivas – no bairro em que moram. Apresente algumas questões instiga- doras, tais como: Em seus momentos de lazer, em que locais os alunos podem praticar o futebol (ou outra modalidade esportiva)? Quem utiliza esses locais para atividades de lazer? Todos os locais possíveis para a prática são públicos ou de acesso restrito, como os clubes privados? A quadra da escola em que estudam é uti- lizada nos fins de semana para a prática es- portiva da comunidade? Quais locais do bairro poderiam ser uti- lizados para atividades de lazer da comu- nidade? Que materiais e equipamentos seriam ne- cessários para otimizar a prática do lazer na comunidade? Que ações poderiam ser empreendidas no bairro a fim de que as atividades de lazer fossem valorizadas? Futebol de botão; faltam as traves e os goleiros. Etapa 2 – Esporte como lazer Na aula seguinte, proponha aos alunos a realização de jogos de futebol ou futsal, dei- xando por conta deles a organização da ati- vidade e a solução de possíveis dificuldades e conflitos que possam ocorrer. Ao final do jogo, na mesma aula ou na seguinte, discuta com os alunos as diferenças e as semelhanças entre as situações da etapa anterior e desta. Algumas questões podem ser lançadas para o debate:
  • 32. 31 Educação Física – 3a série – Volume 2 Com base nessas questões, os alunos rea- lizarão o debate em grupo e, posteriormente, apresentarão suas respostas e conclusões à classe. Procure intermediar as apresentações dos alu- nos, encerrando com algumas conclusões sobre o tema do acesso ao lazer na comunidade. Figura 8 – Meninos jogando futebol na praia. ©JucaMartins/PulsarImagens Professor, faça uma reflexão com os alunos sobre as dificul- dades e facilidades para a prática de modalidades esportivas no seu bairro e, depois, solicite que respondam às questões presentes na seção “Pesquisa em gru- po”, no Caderno do Aluno. Facilidadesedificuldadesparaoacessoaolazer Seu professor já deve ter comentado o tipo de relação com o esporte desenvolvido pelos diversos sujeitos em um jogo de futebol – tra- balho para jogadores, para equipe técnica, para equipe médica, para funcionários da bi- lheteria etc.; lazer para torcedores presenciais e para telespectadores. ©ArthurTilley/TheImageBank/GettyImages Agora, você vai discutir as dificuldades e as facilidades para a prática de modalidades es- portivas no seu bairro. Para conhecermos as condições de lazer da região onde você mora, responda às questões a seguir. Com base nas in- formações apresentadas por você e seus colegas, o professor pode promover um debate na classe: 1. Quais locais você pode utilizar para praticar alguma modalidade esportiva em seus mo- mentos de lazer? 2. Quem utiliza esses espaços de lazer? 3. Todos os locais apontados por você são públicos ou há espaços privados? 4. A quadra da escola também é utilizada pela comunidade nos fins de semana? Em caso negativo, por quê? 5. Quais recursos materiais seriam necessá- rios para melhorar as condições de lazer do seu bairro? 6. Em sua opinião, o que poderia ser feito na região onde você mora para valorizar as atividades de lazer? O objetivo das questões é levar o aluno a identificar a existência de espaços de lazer em sua comunidade, bem como as possí- veis intervenções para a criação e/ou melhoria desses espaços.Voleibol como lazer.
  • 33. 32 ATIVIDADE AVALIADORA A exemplo do futebol, procure avaliar se os alunos são capazes de perceber como ou- tras manifestações da Cultura de Movimento são expressas na sociedade no que se refere às dimensões do lazer e do trabalho. Apresente uma situação de dança profissional confronta- da com a manifestação de um grupo de jovens dançando na rua. Ou uma situação de luta profissional confrontada com brincadeiras de luta realizadas por crianças. Pergunte aos alu- nos sobre os valores envolvidos, recompensas atribuídas e interesses em cada caso. Pergunte também sobre o papel representado pelos es- pectadores, presenciais ou não. PROPOSTA DE SITUAÇÕES DE RECUPERAÇÃO Durante o percurso pelas várias etapas da Situação de Aprendizagem, alguns alu- nos poderão não apreender os conteúdos da forma esperada. É necessário, então, profes- sor, que você proponha outras Situações de Aprendizagem que os estimulem a refletir sobre a questão do lazer em suas relações com as atividades da Cultura de Movi- mento próprias da Educação Física. Essas situações devem ser diferentes, de preferên- cia, daquelas que geraram dificuldade para os alunos. Tais estratégias podem ser de- senvolvidas durante as aulas ou em outros momentos, envolver todos os alunos ou ape- nas aqueles que apresentaram dificuldades na compreensão dos temas. Por exemplo: sugestão para que os alunos assistam a programas de televisão contendo ativida- des da Cultura de Movimento e identifi- quem situações de lazer e de trabalho para posterior apresentação; sugestão para que os alunos, com base na observação do cotidiano de seus pais ou de outros familiares, identifiquem situações de lazer e de trabalho, comparando-as. RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO PROFESSOR E DO ALUNO PARA A COMPREENSÃO DO TEMA Livros MARCELLINO, Nelson C. Estudos do lazer: uma introdução. 4. ed. Campinas: Autores Associados, 2006. Composto de 39 pequenos textos e dirigido a um público amplo, o livro procura oferecer elementos para o entendimento das questões relativas ao lazer na vida cotidiana. MASCARENHAS, Fernando. Lazer como prática da liberdade. Goiânia: UFG, 2003. Propõe-se a fornecer contribuições para o debate acerca do lazer em suas inter-rela- ções com a educação, além de apresentar subsídios para a intervenção no campo do lazer. STIGGER, Marco Paulo. Esporte, lazer e estilos de vida. São Paulo: Autores Associa- dos, 2002. Problematiza as relações entre es- porte e lazer, apontando a heterogeneidade do fenômeno esportivo, que permite a apro- priação de diferentes sentidos e valores pelos praticantes.
  • 34. 33 Educação Física – 3a série – Volume 2 Site Revista Licere. Disponível em: <http://www. eeffto.ufmg.br/licere/home.html>. Acesso em: 12 nov. 2013. Site da Revista do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com artigos específicos so- bre o tema lazer.
  • 35. 34 Partindo do caminho já percorrido em outros volumes, pautado na compreensão da Educa- ção Física no Ensino Médio como uma disci- plina que deve propiciar aos alunos o confronto de suas experiências de Se-Movimentar com as constantes mudanças no mundo, mais um tema sobre contemporaneidade é proposto para este semestre final da Educação Física. Abordaremos os processos de virtualização do corpo nos jogos eletrônicos e das repercus- sões desse fenômeno na Cultura de Movimento contemporânea, com o objetivo de desenvolver as possibilidades de correlação entre o jogo e as mídias, no caso específico dos jogos virtuais, propondo a transferência da virtualidade para possíveis vivências na forma de jogos. Trata-se de acompanhar, pelo menos em parte, as novas tecnologias surgidas com o desenvolvimento da informática e da inter- net e com o relativo barateamento dos com- putadores pessoais. Inseridos nesse processo, os videogames e os “jogos virtuais” merecem TEMA 3 – CORPO NA CONTEMPORANEIDADE – A VIRTUALIZAÇÃO DO CORPO E OS JOGOS VIRTUAIS: VIDEOGAMES E JOGOS DE BOTÃO especial atenção, por estarem vinculados às culturas juvenis contemporâneas. Há indicadores de que os videogames estão ocupando o tempo que no passado era dedi- cado à música, à televisão e ao cinema. Assim, uma explicação para o sucesso dos games está no avanço tecnológico, permitindo interativi- dade e simulação da realidade, o que torna o divertimento interessante para todas as faixas etárias. Estima-se que aproximadamente 3 mi- lhões de brasileiros, a maioria no Estado de São Paulo, frequentem as LAN houses (local area network), lojas que permitem jogar os di- versos tipos de games conectados à internet. Todo esse processo acelerado influencia não só as atividades realizadas durante o tempo livre, mas todas as relações humanas, que podem passar por uma tela (da TV ou do computador) e ter seus diálogos codificados (por teclados, joysticks ou ondas eletromagné- ticas dos telefones celulares). É essa dinâmica que Pierre Lévy (1996, p. 11) chama de mo- vimento geral de virtualização, fruto do ad- vento das novas tecnologias de comunicação que está modificando diversas esferas da vida humana, como o trabalho e o lazer. O processo de virtualização advém do entendimento de virtual, ou seja, daquilo que existe como possi- bilidade: “A árvore está virtualmente na semente”(LÉVY, 1996, p. 15). A invenção de novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) acarreta possibilidades de espaços paralelos. Em um simples clique, pode-se ter uma nova vivência de uma atividade esportiva. O futebol, por exemplo, já não é mais apenas um esporte conhecido, jogado por 11 jogadores em cada equipe e uma bola em um campo gramado. É também um programa televisivo, um site, um jogo de videogame etc. Nesse sentido, a virtualização não é uma “desrealização”, mas “um dos principais vetores de criação de realidade” (LÉVY, 1996, p. 18). A atualização pode ser entendida como a criação de uma nova realidade, a solução para um problema de forma criativa e colaborativa, uma transformação, enfim, de ideias. É por vivenciar determinada situação que alguém cria e/ou produz as soluções necessárias para aquele momento. Professor, este tema será abordado no Caderno do Aluno integrado ao Tema 2.
  • 36. 35 Educação Física – 3a série – Volume 2 Entendemos ser de primordial importân- cia, portanto, que o professor de Educação Física esteja preparado e atualizado para pro- por estratégias e conteúdos significativos para os alunos familiarizados com essa “cultura do virtual”. Isso inclui a incorporação das “vi- vências eletrônicas” do esporte. Há, para tan- to, subsídios que demonstram que a tendência da virtualização dos jogos e dos esportes é acompanhada simultaneamente por possibili- dades de atualização. Isso significa dizer que, se um jogo ou esporte virtualiza-se na forma de filmes, brinquedos, desenhos animados ou videogames, um jogo que já é concebido em sua origem como vivência eletrônica, como equivalência do mesmo fenômeno, também pode se tornar atual sendo vivenciado “cor- poralmente” na quadra da escola. Tal perspectiva não significa que outras sugestões, baseadas na realidade percebida pelos alunos, não sejam válidas. Muito pelo contrário, a integração de novas possibili- dades evitará que os professores estejam em situação de fragilidade perante linguagens e conhecimentos tecnológicos facilmente do- minados pelos alunos. Os jogos virtuais Desde o surgimento do videogame que si- mulava um jogo de tênis em 1958, criado por um funcionário do governo estadunidense, muito se avançou em termos de tecnologia. O primeiro avanço foi realizado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Es- tados Unidos, com a criação do Space War. A partir da década de 1970, com a popula- rização dos equipamentos domésticos e de jogos como Pac Man e Space Invaders, hoje considerados clássicos, os videogames pas- saram a ter uma relação constante com os avanços tecnológicos. Dessa relação resultou a melhoria de grá- ficos com efeitos em terceira dimensão, tri- lhas sonoras e possibilidades interativas que permitem ao jogador criar suas próprias his- tórias e tramas, escolher seus próprios perso- nagens e fantasias, assim como os ambientes por onde desenvolverá suas aventuras. Com novos joysticks do tipo “controle remoto”, webcams e plataformas com sen- sores de peso e de equilíbrio, a geração atual de videogames permite que o jogador, por meio de movimentos de seu corpo, comande as ações do personagem (que pode ser ele mesmo representado na tela). Isso abre no- vas e inusitadas possibilidades, pois permite a simulação de gestos esportivos, de exercí- cios ginásticos ou de coreografias de dança, por exemplo. Atualmente, os diferentes jogos ou games atendem não apenas as crianças e os jovens, mas os adultos também, dadas as possibilida- des de jogá-los em comunicação com outros jogadores na internet, em casa ou em LAN houses. Esses jogos são parecidos com os de representação, do tipo Role Playing Game (RPG). Os novos RPGs, também conheci- dos como games on-line, já contam com uma liga profissional de jogadores (World Cyber Games), que movimenta milhões de dólares em seus campeonatos e congrega jogadores do mundo todo, inclusive do Brasil. Por serem os jovens os construtores e os consumidores dessa “linguagem tecnoló- gica”, ainda que em ambientes diferentes, não se faz necessário esperar que as esco- las possuam os equipamentos eletrônicos envolvidos. Por isso, sugerimos algumas alternativas para atualizar os chamados jogos virtuais em práticas “corporais” nas aulas de Educação Física.
  • 37. 36 Conteúdo e temas: jogos virtuais contemporâneos – jogos eletrônicos e jogos de botão. Competências e habilidades: perceber a influência das mídias (jogos virtuais) na vida cotidiana; elabo- rar argumentos e estratégias cooperativas e competitivas para os jogos virtuais. Sugestão de recursos: plataforma (tapete) eletrônica de dança, que pode ser adaptada com placas de EVA ou papelão colorido; peças (botões plásticos, traves e bola) e tabuleiro de jogo de botão, que pode ser confeccio- nado com uma moldura ou tela para pintura (painel); botões comuns de roupa (jogadores), arame e saqui- nho plástico de rede ou tecido (traves) e miolo de pão endurecido com cola (bola); rádio e aparelho de CD. SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4 OS JOGOS VIRTUAIS O objetivo desta Situação de Aprendizagem é possibilitar a compreensão do processo de virtua- lizaçãodocorpopelasmídiascombasenaanálise de jogos virtuais. Os alunos serão estimulados a expressar seus conhecimentos sobre o tema e suas vivências com jogos virtuais. Em seguida, experi- mentarão uma forma atualizada de jogo virtual, procurando encontrar novas possibilidades de recriar ou adaptar a experiência vivenciada. Por fim, compararão os jogos eletrônicos com jogos virtuais sem o mesmo apelo tecnológico, como os jogos de botão. Desenvolvimento da Situação de Aprendizagem 4 Etapa 1 – O que são jogos virtuais? Faça uma chamada temática ou inicie uma conversa com os alunos sobre seus conhecimen- tos acerca do tema (jogos virtuais) e qual a abran- gência desses conhecimentos (diferentes jogos eletrônicos, minigames, celulares, computadores, videogames, programas de TV etc.). Observe se mencionam jogos que simulam, mesmo não sen- do eletrônicos, os movimentos e os corpos dos jogadores, como os jogos de botão e o pebolim, entreoutros,tambémconsideradosjogosvirtuais. Faça um levantamento dos jogos virtuais já conhecidos pelos alunos e discuta brevemente seus hábitos de consumo. Por exemplo, questio- ne-os sobre os valores dos jogos, o mercado de trabalho que envolve a criação e a prática dos jogos e a “pirataria” que explora esse segmento. Professor, solicite aos alunos que respondam às questões pre- sentes na seção “Você apren- deu?”, no Caderno do Aluno. 1. Observe as atividades cotidianas de alguns adultos com os quais você convive (pai, mãe ou outra pessoa). Depois, identifique e compare as situações de lazer e de trabalho das quais eles participam. Espera-se que o aluno tenha assimilado o significado das situações de lazer. 2. Quais são os jogos virtuais que você conhece? 3. Quais são as semelhanças e as diferenças entre os jogos virtuais e os de botão? 4. Quais são as vantagens e as desvantagens dessas práticas? 5. Qual delas você prefere? Por quê? Estas questões têm por objetivo captar as sensações dos alunos em relação ao tema. Etapa 2 – Dança virtual Comente com os alunos o jogo de “dança no tapete”. Caso eles já tenham mencionado esse tipo de jogo virtual durante a chamada temática, aproveite as informações. Converse sobre o nome do jogo (Dance Dance Revolution
  • 38. 37 Educação Física – 3a série – Volume 2 ou Dance Stage), como funciona e quais os equipamentos necessários para a sua prática. Caso seja possível disponibilizar um tapete de dança, apresente-o aos alunos, para que eles possam conhecer o material de que é feito, os itens que compõem o videogame ou o software (programa de computador), como estes se in- terligam e como funcionam seus comandos. ©LisaRyder/Alamy/GlowImages ©ShoosmithFunFairCollection/Alamy/GlowImages Pergunte aos alunos sobre a possibilidade de jogá-lo sem equipamento. Após a discus- são, sugira uma adaptação, como “dançando com a sombra”, da seguinte maneira: Selecione previamente com os alunos algu- mas músicas que serão utilizadas na ativi- dade. Organize a turma em duplas e solici- te que um dos alunos crie uma sequência de movimentos para que o colega siga seus passos. Os movimentos podem ou não se- guir o ritmo da música, como uma coreo- grafia simples com ou sem deslocamento. Após a experiência dessa dinâmica, pro- ponha uma alteração. Solicite ao aluno que esteja criando a sequência de movi- mentos que, ao seu sinal (apito, palmas ou interrupção da música), corra e pegue um parceiro. Sugere-se que o “pega-pega” seja breve, a fim de evitar a dispersão. Inverta as duplas após o sinal e sugira ou- tras variações na dinâmica do jogo. Por exemplo: troque as duplas a cada rodada; proponha diferentes sequências de mo- vimentos; utilize diversos tipos de ritmo musical; faça rodadas sem música; forme grupos maiores (dez alunos ou mais) ou colunas para que o primeiro aluno coorde- ne os demais etc. A seguir, solicite aos alunos que se organi- zem em grupos para confeccionar um “tapete virtual” de dança. Placas de EVA, ou mesmo papelões, de diferentes cores podem ser uti- lizados nesta tarefa, devendo ser justapostos de modo que formem algo parecido com um tapete de retalhos. Após a elaboração do ma- terial, peça a um aluno de cada grupo que se posicione sobre a plataforma. Os colegas deve- rão coordenar seus movimentos de acordo com Figuras 9 e 10 – Videogame Dance Dance Revolution.
  • 39. 38 as cores do material. Por exemplo, se alguém mencionar “direito/vermelho”, o aluno deverá movimentar seu pé direito para o local verme- lho, que poderá estar à sua direita ou à sua es- querda, à frente ou atrás dele. Outra opção é utilizar e apresentar aos estudantes placas de pedaços de cartolina ou de papelão coloridos com a sequência já desejada. A velocidade dos comandos poderá variar conforme o ritmo das músicas selecionadas para a vivência. Sugere-se que cada um dos grupos confeccione um tapete e que as músi- cas iniciais sejam de ritmos mais lentos. Peça aos grupos que relatem verbalmente suas impressões ou suas sensações sobre a vivên- cia.Sugiraacadaumdosgruposqueregistrepor escrito a sequência considerada mais complexa, detalhando ou desenhando os passos executa- dos e identificando os movimentos mais difíceis de realizar. Proponha uma discussão sobre a complexidade dos movimentos que aparecem em alguns dos jogos virtuais, mas que podem ser inviáveis nas práticas corporais. Como sugestão, organize um torneio entre os grupos, envolven- do a apreciação da complexidade das coreogra- fias elaboradas como critério de análise. Professor, solicite aos alunos que construam uma réplica do tapete virtual, para que vivenciem o jogo de “dança no tapete”, apresentado na seção “Lição de casa”, no Caderno do Aluno. Dança virtual Seu professor vai propor vivências que si- mulem um game no qual se dança sobre um tapete ao ritmo de luzes e sons. Para isso, será necessário construir uma réplica do tapete virtual. Você pode usar papelão colo- rido, placas de EVA e até cartolinas, embora seja aconselhável escolher um material mais resistente. Veja aqui um modelo que você pode adaptar como quiser: você Depois de vivenciar as coreografias em aula, escreva a sequência que você deseja aperfeiçoar. Também desenhe e explique, em detalhes, os movimentos mais difíceis. Etapa 3 – Jogos de botão Procure comentar com os alunos a possi- bilidade de construírem seus próprios jogos, aproveitando a experiência da etapa anterior. Questione-os: quais eram os jogos mais popula- res no passado? E atualmente? Questione-os tam- bém sobre como serão os jogos e as brincadeiras no futuro. Discuta os possíveis motivos dessas transformações, enfatizando as influências tecno- lógicas e econômicas envolvidas nesse processo. Pergunte se conhecem os jogos de botão (o fute- bol de mesa ou de botão pode ser popular entre alguns alunos) ou outros jogos semelhantes. Caso os estudantes já tenham mencionado esses jogos na chamada temática inicial, aproveite as infor- mações dadas e proponha que pensem em como modificá-los. Aseguir,apresenteumtabuleiroparaapráti- ca do futebol de botão ou risque com giz as suas ©PauloManzi
  • 40. 39 Educação Física – 3a série – Volume 2 demarcações no chão da quadra ou do pátio. Explique aos alunos que é possível relacionar esse jogo com outras modalidades esportivas, como o handebol, o basquetebol e o voleibol, e não apenas ao futebol. Solicite que opinem so- bre possíveis condições para a realização desses jogos no tabuleiro. Figura 11 – Tabuleiro de jogo de futebol de botão. Organize os alunos em quatro grupos, aproximadamente, e solicite a cada um dos grupos que elabore o jogo de botão para uma modalidade diferente: futebol, hande- bol, basquetebol ou voleibol. Como exemplo, sugerimos as condições para a realização do basquetebol e do voleibol de botão. Outros jo- gos, porém, poderão ser também produzidos ou organizados sob o formato de um torneio entre os grupos, de modo que se aproveitem todos os jogos elaborados. Basquetebol de botão O tabuleiro poderá ser construído com uma tela de pintura com moldura (painéis). ©FernandoFavoretto Oriente os alunos para que façam peque- nos buracos que simulem as cestas, afixan- do caixas de fósforo como tabelas e pintando as demarcações. Como alternativa, pode-se pintar o chão da quadra ou do pátio da escola, fazendo pequenos sulcos para substituir as ces- tas. Essa produção poderia ser feita em caráter permanente, ficando gravada no solo para que outras turmas possam vivenciar os jogos. A seguir, sugerimos algumas regras para simular as condições de um jogo de basquete- bol.Adaptações foram realizadas para caracte- rizar o tempo e a dinâmica do jogo de tabuleiro. Figura 12 – Tabuleiro de jogo de basquetebol de botão. Professor, analise com os alunos as dicas de como construir um tabuleiro de botão dos jogos de basquetebol e voleibol, apresenta- das na seção “Curiosidade”, no Caderno do Aluno. ©PauloManzi Curiosidade Você também pode construir um campo de basquetebol de botão usando os mesmos botões e bolinha do jogo de futebol (desta vez, são apenas cinco jogadores em cada equipe). Numa tela de pintura sem moldura, marque as linhas da quadra. A cesta é criada com um simples furo na tela. No lugar da trave, use uma caixa de fósforos para simular a tabela, e boa partida! Veja a seguir um modelo de quadra e as regras iniciais e avançadas do basquetebol de botão. Veja também a opção do voleibol de botão.
  • 41. 40 Regras iniciais do basquetebol de botão Cada time é formado por cinco jogadores (botões de dimensões iguais). O movimento dos botões deve ser executado com uma palheta. Um jogador de cada equipe deve ser colocado no círculo central, e a partida é iniciada com o lançamento da bola no centro da quadra. O jogador que estiver mais perto de onde a bola cair ficará com a sua posse. Cada ataque deve ser finalizado com, no máximo, dez toques consecutivos da mesma equipe. E cada jogador pode tocar, no máximo, cinco vezes consecutivamente. Cada time deve ultrapassar sua área de defesa com cinco toques, no máximo, e não pode voltar com a bola para o seu campo após a transição para o ataque. Para manter o elemento surpresa durante o ataque, a defesa deverá ser movimentada antes. A cada passe, a defesa pode movimentar um jogador. Depois disso, o ataque tam- bém pode movimentar um de seus jogadores e prosseguir a jogada. A cada cesta converti- da ou reposição de bola em jogo, todos os jogadores podem ser movimentados. Seja por violação de regras ou cesta convertida, a bola deve ser reposicionada sobre a linha, com a ajuda da palheta. Mesa de basquetebol de botão. ©HudsonCalasans
  • 42. 41 Educação Física – 3a série – Volume 2 Um jogador com a posse da bola pode ser movimentado para passá-la ou arremessá-la, mas não tocá-la imediatamente após o passe ou arremesso. Uma enterrada acontece quando um jogador com a posse da bola está em contato com as bordas que simulam o aro (ou o furo na tela). Numa tentativa de enterrada, a bola pode ser sobreposta ao jogador, que deve finalizar a jogada sem ultrapassar a quantidade de toques permitida e ser movimentado apenas com a palheta. A pontuação das cestas refere-se à posição do jogador no momento do arremesso, e não à da bola. Por exemplo, uma cesta vale três pontos quando o jogador que arremessar a bola estiver fora da linha de três pontos, mesmo que a bola tenha ultrapassado essa linha. Uma falta é cometida quando um jogador colide com outro do time adversário sem que a bola tenha sido tocada direta ou indiretamente por um deles no lance. Todas as faltas resultam em dois lances livres, cobrados com a bola posicionada na entra- da da área pintada, a “cabeça do garrafão”. O jogo acaba quando um dos times totaliza dez ou mais pontos. Adaptado de: VENÂNCIO, Luciana; SANCHES NETO, Luiz. Brincadeira e jogo. In: DARIDO, Suraya Cristina (Org.). Educação Física escolar: compartilhando experiências. São Paulo: Phorte, 2011. p. 46. Após a prática do jogo com essas regras, sugere-se a inclusão de outras mais complexas, que tentam simular situações específicas do basquetebol. Regras avançadas do basquetebol de botão Para simular a regra dos três segundos ofensivos (como no basquetebol internacional), o ataque não pode posicionar mais de um jogador dentro da área pintada (“garrafão”), a não ser que esteja com a posse da bola. Também se pode restringir a presença dos jogadores de defesa no garrafão para simular a regra dos três segundos defensivos (como no basquetebol profissional dos Estados Unidos). Para simular a defesa individual e/ou por zona: o jogador da defesa, caso seja movimen- tado sem o uso da palheta nos lances permitidos, pode se posicionar em qualquer lugar da quadra, não podendo, porém, se posicionar entre a bola e o jogador do ataque quando este já estiver com a bola dominada. Para simular a disputa de rebotes: no momento em que a bola bate na tabela, são reinicia- dos os 10 toques para o time atacante. Porém, quando um lance livre não é convertido, bate na tabela ou no “aro”, o primeiro toque será necessariamente da defesa, a não ser que a bola toque em um jogador do ataque após o rebote.
  • 43. 42 Para simular a cobrança de um lance livre: três defensores e dois atacantes devem ser posicionados em áreas delimitadas no garrafão, e os demais, fora da linha de três pontos. Para simular os passes e as assistências: um passe somente será completado quando o jogador que recebeu a bola for movimentado com a palheta. Para simular lances em que o jogador se arrisca para “salvar” a bola: quando um jogador toca a bola e sai da quadra, ele pode ser posicionado imediatamente em qualquer lugar da quadra para prosseguir a jogada. Caso saia da quadra sem tocar na bola, ele apenas poderá voltar à quadra quando o adversário finalizar a jogada ou errar um lance ou, no caso de alguma violação, devendo ser posicionado no círculo central. Para simular o limite de faltas pessoais e coletivas: a partir da terceira falta coletiva por equipe, um jogador deverá ser retirado do jogo, e a partida prosseguirá com a cobrança dos lances livres. Para simular os bloqueios de arremesso (“tocos”): nenhum jogador deve permanecer sobreposto ao sulco que simula o aro ou em contato permanente com ele, exceto nas enterradas. Adaptado de: VENÂNCIO, Luciana; SANCHES NETO, Luiz. Brincadeira e jogo. In: DARIDO, Suraya Cristina (Org.). Educação Física escolar: compartilhando experiências. São Paulo: Phorte, 2011. p. 47. Voleibol de botão Utilizando uma madeira, como uma mol- dura de quadro, ou um papelão, oriente os alunos a fazer riscos semelhantes às demar- cações existentes em uma quadra de voleibol. Em seguida, dividam cada metade da quadra em setores, identificando-os pelos números de 1 a 6, conforme as posições específicas dos jogadores no voleibol durante o rodízio. De- pois, façam sulcos entre as metades da qua- dra para caracterizar a rede. Os espaçamentos devem permitir que as duas metades da qua- dra permaneçam unidas, mas que haja espaço suficiente para que uma bolinha possa ficar presa ou cair nos orifícios. Regras do voleibol de botão Dois ou mais jogadores podem se revezar nesse jogo, iniciado pelo saque de uma das equipes. Todo contato com a bola deve ser feito por meio dos botões, movimentados com uma palheta. Antes de sacar, o jogador deve dizer em qual posição pretende jogar a bola. Caso a bola pare no setor correspondente, o saque é considerado “ponto”. Caso caia em outra posição da quadra, a equipe adversária terá até três toques para devolver a bola, que deverá cair no setor da quadra pretendido pelo ataque para que seja considerado ponto.