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Cultura e AçãoKarl Marx e Antonio Gramsciana amorim – ana aragão – gisélia castro – leila damiana – luana vilutis – marilu casto – paulo fernandes
Karl Marx
Karl MarxCONTEXTOS  E INFLUÊNCIAS: SURGE UM PENSADOR CRÍTICO
Karl Marx nasce e cresce vivenciando adventos da Idade contemporânea.  Está tem como marco a Revolução Francesa (1789);
Os aspectos culturais da época possibilitam o contato com uma nova perspectiva de produção do conhecimento. Mas, a maior marca desse período histórico para a sua obra foi a percepção e a crítica do desenvolvimento e consolidação do regime capitalista;
Outros fatores da época que o influenciou foram as disputas das grandes potências europeias por territórios, matérias-primas e mercados consumidores. A percepção e crítica desses fatos foram fundamentais para o desenvolvimento de alguns conceitos como: propriedade privada, classes sociais, luta de classes, divisão social do trabalho, dentre outros.Trajetória de um Pensador: percursos, percalços e construções
Karl Heinrich Marx nasceu em Trier (atual Alemanha Ocidental) a 5 de maio de 1818;
O ambiente familiar contribuiu para sua formação. Filho de um advogado judeu, convertido ao protestantismo, adepto de idéias liberais e democráticas, razão pela qual sua casa se tornou um ambiente de discussão em torno de teóricos iluministas e liberais, como Voltaire e Rousseau;
Jovem dedicado aos estudos. Na universidade, aproximou-se de grupos dedicados à política;Percurso Acadêmico e ProfissionalIngressounaUniversidade de Bonn, no cursou Direito. Transferiu-se para a Universidade de Berlim, onde concluiu seus estudos em Filosofia;
Doutorou-se em 1841, em filosofia, na Universidade de Iena, com a apresentação de uma tese sobre os filósofos materialistas da antiguidade, Demócrito e Epicuro;
Desejo lecionar em Universidades de Berlim. Como o Governo de Frederico IV proibirá todos os simpatizantes das teorias do filósofo Hegel de lecionar, Marx acaba se voltando para área jornalística;
Colabora com Gazeta Renana. Que defendia ideias democráticas, mudanças políticas e reforma do Estado.
Publica textos decisivos na sua trajetória intelectual, que expressam o contato com questões sociais. Toma posição sobre as ideias socialistas. Percebe a necessidade de estudar as ideias os socialistas. Assim, começa todo um processo de produção em torno do socialismo;
Por conta da censura, deixa a Gazeta Renana. Dedica-se à crítica do pensamento de Hegel;
No final de 1843, viaja para Paris, centro das ideias e movimentos socialistas. Após várias publicações e estudos, acerca das idéias socialistas e os teóricos da economia política, conhece Engels com quem passa a produzir suas obras.Percalços Devido seus posicionamentos e a sua relação como os movimentos revolucionários Marx coleciona uma série de expulsões de vários países:
1845: expulso de Paris por pressão do governo alemão. Após publicar críticas ao governo Alemão;
1847: expulso de Bruxelas, por ajudar na organização dos trabalhadores e escrever sobre a face injusta do capitalismo;
Vai para Londres, mas logo volta para França e depois para Alemanha sempre fugindo das perseguições e processos.Família de Marxcom Engels
1845 – A Ideologia Alemã: É a primeira crítica aberta a Feuerbach, em cujas idéias Marx se baseou desde a crítica de Hegel em 1843. É o acerto de contas final com a sua consciência filosófica anterior, o hegelianismo e os jovens hegelianos.  “Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo”;
“Mas, a essência humana não é uma abstração inerente a cada indivíduo. Na sua realidade ela é o conjunto das relações sociais”; 1848 – Manifesto Comunista:Marx e Engels foram encarregados de redigir um manifesto pela Liga dos Comunistas. Deste trabalho surge a obra citada. É um marco na história do pensamento da humanidade, constituindo uma síntese do desenvolvimento histórico da sociedade burguesa e de suas contradições.
Mas a burguesia não forjou apenas as armas que a levarão à morte; produziu também os homens que usarão essas armas: os trabalhadores modernos, os proletários".Conceitos Fundantes: sociedade burguesa; proletariado; mais-valia; luta de classesAs sociedades sempre se fundaram na exploração. O próprio desenvolvimento da burguesia é permeado pelas contradições, pois, a própria não se sustenta se não pelo trabalho alheio;
Proletariado: classe que produz a riqueza social, apropriada pelo capital sob a forma da mais-valia, que vive inteiramente de seu próprio trabalho;
Mais-valia: apropriação de lucro que a burguesia faz a partir do trabalho do proletariado;
Luta de Classe: acirramento das relaçoes entre classe dominante e proletariado. Condição para emancipação do proletariado e superação da sociedade burguesa.1867 – O Capital:O movimento operário renasce na década de 1860 na Europa, depois da contra-revolução da década de 1950. Envolvido nas lutas políticas, Marx inicia a redação de O Capital em 1863. Finalmente é publicado o primeiro livro de O Capital (1867), a obra magna de Marx. Conceitos Fundantes: Mercadoria e trabalhoMercadoria: célula da sociedade burguesa. A partir dela é determinado o preço, o salário e o lucro;
Trabalho é a relação metabólica do homem com a natureza, a partir do qual se extraem os meios de produção e os meios de subsistência, indispensáveis à existência social;
Por meio da exploração do se deu históricamente a acumulação primitiva do capital.Quem foi o Homem Marx?	Relatório de um agente policial a serviço do Estado prussiano que frequentou a casa de Karl Marx em Londres, em 1853.
Antonio Gramsci
GRAMSCI
Giuseppina Marcias, mãe de Gramsci – 1800 	 Francesco Gramsci, pai de Gramsci - 1800
Ales, a casa de Gramsci  - 1948  Gramsci, 1897
Ales, inicio de 1900Grazietta Gramsci para um amigoTeresa e Emma em traje sardo, cerca de 1908
Giulia Schucht, 1922 Tatiana Schucht, 1925 Gennaro Gramsci, 1903
Teresina e Carlo Gramsci, 1912 Gramsci no ginásio, 1905
Delio, Giulia e Giuliano em 1933Gramsci em Ustica em 1926Gramsci em 1935
Gramsci em Moscou, 1922Gramsci em 1911Gramsci em 1922Gramsci no IV Congresso da Internacional Comunista, 1922
Gramsci, em Viena, 1924Cartão de acesso ao Kremlin,1923
Mussolini, líder fascista italianoA marcha sobre Roma
XVII  Congresso Nacional Socialista
Turi, instituição especializada da punição, 1930Turi, cela de Antonio Gramsci, 1950
Gramsci assinatura e impressões digitais, novembro de 1926Primeiro Caderno" de Gramsci, 08 de fevereiro de 1929
Capa de um panfleto publicado pelo romancista francês Romain Rolland, 1934. Sob o nome de Gramsci são as palavras "Aqueles que estão morrendo nas prisões de Mussolini." O panfleto foi traduzido e distribuído em vários países.Marx e o materialismo dialético
Marx e o materialismo dialéticoPara Hegel, a dialética é concebida como essencialmente idealista, abstrata, quase metafísica. Fechada em um raciocínio circular, assume um aspecto dogmático, apenas com a coerência interna do raciocínio servindo de justificativa final ao sistema do pensamento.Marx e Engels se apropriam do método dialético, porém, numa perspectiva materialista, afirmando Marx: “O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência.” (MARX)
Marx e o materialismo dialéticoEm Teses sobre Feuerbach, de quem apreendeu e reformulou o materialismo, Marx afirma: “O principal defeito de todo materialismo até aqui (inclusive o de Feuerbach) é que o objeto, a realidade, o mundo sensível só são apreendidos sob a forma de objeto ou de intuição, mas não como atividade humana sensível, enquanto práxis, não de maneira não subjetiva.” (MARX, p.99)
Diálogo com Hegel HEGEL - “O racional é real; o real é racional”. MARX – Realidade é diferente do Real “Nenhum desses filósofos teve a idéia de se perguntar qual era a ligação entre a filosofia alemã e a realidade alemã, a ligação entre a sua crítica e o seu próprio meio material.” Marx Visão do sujeito – pensamento / sociedade
Diálogo com Hegel Núcleo da dialética de Hegel - Tese, antítese e síntese 1° momento – ser em si2° momento – ser para si 3° momento – ser por si Hegel - a evolução só tem lugar no espírito e como ideia absolutaMarx - a alteração do mundo se dá na vida prática, ação contradição – práxis – alienação
Diálogo com Hegel“O que vale como essência posta (gesetze) e a superar da alienação não é que o ser humano se objetive desumanamente, em oposição a si mesmo, mas sim que se objetive diferenciando-se do pensamento abstrato e em oposição a ele”. Marx (O Saber Absoluto, p.36) Exteriorização de todas as suas forças genéricas só é posśivel em virtude da ação conjunta dos homens enquanto resultado da história
A influência de Marx na noção de cultura nas ciências sociais
A influência de Marx na noção de cultura nas ciências sociaisImportante destacar que Marx não se deteve em um estudo específico sobre cultura, no entanto, pode-se definir a partir do pensamento de Marx “o conceito de cultura está no âmago da concepção de consciência como existência consciente: a consciência diretamente ligada a um estado de coisas existente e, também, condição para a possível transformação desse estado de coisas.” (OUTWAITE, p. 94)
A influência de Marx na noção de cultura nas ciências sociaisNesse sentido, a cultura da classe dominante é a cultura dominante, não na sua essência, mas como reflexo da distinção de classes. Essa dominação cultural, no entanto, nunca é total, na medida em que o subalterno não está desarmado do jogo cultural (CUCHE, 144).“A dominação cultural nunca é total e definitivamente garantida e por essa razão, ela deve sempre ser acompanhada de um trabalho para inculcar essa dominação cujos efeitos não são jamais unívocos; eles são às vezes ‘perversos’, contrários às expectativas dos dominantes, pois sofrer a dominação não significa necessariamente aceitá-la.” (CUCHE, p.146)
Arte e sociedade segundo Marx“A arte grega supõe a mitologia grega, quer dizer, a natureza e as formas da sociedade, já elaboradas pela imaginação popular, ainda que de uma maneira inconscientemente artística. São estes os seus materiais. A arte grega, portanto, não se apoia numa mitologia qualquer, isto é, numa maneira qualquer de transformar, ainda que inconscientemente, a natureza em arte (a palavra natureza designa aqui tudo o que é objetivo, e portanto também a sociedade). De modo nenhum a mitologia egípcia poderia ter gerado a arte grega; nem poderia ter gerado uma sociedade que tivesse alcançado um nível de desenvolvimento capaz de excluir as relações mitológicas com a natureza exigindo do artista uma imaginação independente da mitologia. Trata-se de uma mitologia que proporciona o terreno favorável ao florescimento da arte grega”'. Marx (Uma contribuição para a crítica da economia política, p.21).
Hegemonia e subalternidade
HegemoniaO termo “hegemonia” aparece em Lênin, pela primeira vez, num escrito de 1905. Diz ele: “Segundo o ponto de vista proletário, a hegemonia pertence a quem bate com maior energia, a quem se aproveita de toda ocasião para golpear o inimigo; pertence àquele a cujas palavras correspondem os fatos, é o líder ideológico da democracia, criticando-lhe qualquer inconsequência”.
Hegemonia e subalternidadeHegemonia em Gramsci: entendida não apenas como direção política, mas também como direção moral, cultural e ideológica.Subalternidade em Gramsci: surge como uma categoria política e cultural para os camponeses ao Sul da Itália.O Estado e a Igreja.
Hegemonia e subalternidadeAs classes subalternas e a concepção dominante.O pensamento de Gramsci ocupa um ponto central nos subaltern studies, trabalho levado a cabo pelo historiador Ranajit Guha, na Índia a partir de 1982.Guha define os estudos subalternos como "escuta da voz pequena da história".
Intelectuais e sociedade
O lugar dos intelectuais na sociedadeTeoria da cultura tem como ponto de partida a sociedade capitalista.Alvo: hegemonia de uma sociedade emancipada (sujeito coletivo)Organização da cultura
O trabalho na teoria marxianaNo sistema capitalista, as relações econômicas são alienadas e sustentam a propriedade privada. Propriedade é o produto do trabalho humano.No trabalho estranhado (alienação), o sujeito (o homem) tornou-se um objeto e o objeto (a propriedade), um sujeito (Frederico, 2009).
A sociedade capitalistaEstruturas sociais reproduzem as relações sociais de classe, a divisão do trabalho e a propriedade privada. Uma visão de mundo objetivada na superestrutura da sociedade capitalista: Estado e sociedade civil.
O intelectual no capitalismoObserva como a sociedade se organiza a partir de seu grupo dirigente e dominante e como este escolhe e forma os seus intelectuais (prepostos).Atuação dos intelectuais tem relação com a homogeneidade do grupo. Em geral, é um especialista parcial.
O intelectual no capitalismoHá uma categoria de intelectuais preexistentes. Representam uma continuidade histórica e permaneceram mesmo com as modificações das formas sociais e políticas. A categoria dos intelectuais tradicionais mais antiga é a dos eclesiásticos. A força dos eclesiásticos está no monopólio (da ideologia religiosa, à filosofia, à ciência, à escola, à moral, à justiça, à beneficência, à assistência, etc.).
A função dos intelectuaisGramsci concebe a função dos intelectuais a partir de dois planos superestruturais: sociedade civil e sociedade política (Estado). Hegemonia  + comando (consenso + coerção)O intelectual trabalha para manter a unidade da classe.
O Estado na visão de GramsciEstado = sociedade civil + sociedade política  “Hegemonia encouraçada de coerção” (Gramsci)Fonte: Farias, 2001
Novo intelectualO grupo social cria uma camada de intelectual para si que vai atuar no desenvolvimento progressivo da classe social. Organizador da classe política do proletariado (intelectual coletivo): consciência e espontaneidadeSão funções organizativas, conectivas, políticasPolítica é uma ciência, na prática
Um novo intelectual A produção do conhecimento deve estar comprometida com a construção de uma nova visão de mundo. O intelectual tem um papel importante no processo de constituição de uma sociedade emancipada. O primeiro passo é a crítica de si mesmo e do mundo como produto historicamente determinado.
“Criar uma nova cultura não significa apenas fazer individualmente descobertas ‘originais’; significa também, e sobretudo, difundir criticamente verdades já descobertas, ‘socializá-las’ por assim dizer; e, portanto, transformá-las em uma base de ações vitais, em elemento de coordenação e de ordem intelectual e moral” (Gramsci, p.95-96).
“O fato de que uma multidão de homens seja conduzida a pensar coerentemente e de maneira unitária a realidade presente é um fato ‘filosófico’ bem mais importante e ‘original’ do que a descoberta, por parte de um ‘gênio’ filosófico, de uma nova verdade que permaneça como patrimônio de pequenos grupos intelectuais” (Gramsci, p.96).
A teoria gramsciana de cultura
A teoria gramsciana de culturaCultura = consciência críticaA emancipação da sociedade requer a elaboração da consciência crítica.
“Quando a concepção do mundo não é crítica e coerente, mas ocasional e desagregada, pertencemos simultaneamente a uma multiplicidade de homens-massa” (Gramsci, p.94). A teoria gramsciana de culturaRejeita qualquer definição positivista da cultura como saber enciclopédico ou especializado. Pensa em cultura como crítica da civilização capitalista.Crítica significa cultura (Buci-Glucksmann, 1980)
A revolução passa pela escola“A escola é o instrumento para elaborar os intelectuais de diversos níveis” (Gramsci)Propõe uma “escola única inicial de cultura geral, humanista, formativa, que equilibre de modo justo o desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente (tecnicamente, industrialmente) e o desenvolvimento das capacidades de trabalho intelectual”.
Cultura, escola e trabalhoOs organismos culturais atuam de forma integrada. A formação intelectual continua na vida profissional e no cotidiano e se mantém como responsabilidade da sociedade emancipada.
“Os elementos sociais empregados no trabalho profissional não devem cair na passividade intelectual, mas devem ter à sua disposição (por iniciativa coletiva e não de indivíduos, como função social orgânica reconhecida como de utilidade pública e necessidades públicas) institutos especializados em todos os ramos de pesquisa e de trabalho científico, para os quais poderão colaborar e nos quais encontrarão todos os subsídios necessários para qualquer forma de atividade cultural que pretendem empreender” (Gramsci, 40-41).
Notas sobre jornalismo e educação na leitura marxista
Jornalismo em LêninPlano de um jornal político para toda a RússiaCríticas dos economicistas: “trabalho político vivo”, “algo de mais concreto”.“Falar agora de uma organização cujos fios seriam atados a um jornal para toda a Rússia é produzir em profusão ideias abstratas e um trabalho de gabinete, é fazer literatura falsificada” - Nadejdine