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PROFESSORA CLAUDIA GUMMERSBACH
SIMBOLISMO
 Movimento literário do final do século XIX,
simultâneo ao Realismo, Naturalismo e o
Parnasianismo.
 Foi um movimento de oposição contra o
materialista e o objetivismo do Realismo,
Naturalismo e do Parnasianismo.
 O Simbolismo iniciou quando alguns escritores
passaram a considerar que a forte influência das
correntes científicas e o ateísmo (características
do Realismo e Naturalismo) não conseguiam
expressar o que acontecia com o homem e a
Simbolismo
 No Simbolismo, ao contrário do Realismo, não
há uma preocupação com a representação fiel da
realidade.
 Apesar de se opor tematicamente ao
Parnasianismo, existe uma semelhança na
forma entre os dois movimentos.
 No Brasil, o inicio se dá com a obra “Broqueis
(poesia) e Missal(poemas em prosa) de Cruz e
Souza em 1893.
 Decadentismo: foi o primeiro nome do
Simbolismo .
 Nefelitaba é outra denominação do poeta
 A designação Simbolismo se deve à intenção
principal de evocar a realidade, traduzindo-a em
forma de símbolos e não descrevendo-a
detalhadamente.
 Percebe-se no Simbolismo uma aproximação com
os ideais românticos, entretanto, com uma
profundidade maior;
 Os simbolistas preocupavam-se em retratar em
seus textos o inconsciente, o irracional, com
sensações e atitudes que a lógica não conseguia
explicar.
 O leitor não deveria tentar entender os textos, mas
 mistérios do mundo
 o fascínio pela morte e pelo desconhecido
 os contrastes entre o real e o irreal
 o dualismo humano(matéria/espírito)
Temas mais frequentes do Simbolismo
ORIGENS DO SIMBOLISMO
 Poeta, teórico e crítico francês.
 Conhecido como “Pai do Simbolismo”;
 Precursor do movimento simbolista na França e
também o fundador da poesia moderna.
 Principal obra: “Flores do Mal” (1857). Após a
publicação, ela foi censurada e Baudelaire foi
condenado por ser subversivo e ofender à
moral pública.
CHARLES BAUDELAIRE – 1821 - 1867
 As Flores do Mal reúnem, de modo
exemplar, uma série de motivos da obra do
poeta: a queda; a expulsão do paraíso; o
amor; o erotismo; a decadência; a morte; o
tempo; o exílio e o tédio.
 Os chamados “poetas malditos” (Arthur
Rimbaud, Paul Verlaine e Stéphane
Mallarmé) sofreram influência da obra de
Baudelaire. Até os dias de hoje, sua obra
influencia a literatura mundial.
CHARLES BAUDELAIRE – 1821 - 1867
CONTEXTO HISTÓRICO
 O Simbolismo surgiu nas últimas décadas
do século XIX com o objetivo de negar o
materialismo que dominava o pensamento
da época.
 O final do século XIX representou uma
sociedade marcada por um sentimento de
inquietação decorrente da influência das
descobertas científicas, que acabou
desencadeando um processo de
indefinições com relação a valores e
convicções que todo ser humano possui.
 Paralelamente a isso, o mundo sofria uma
enorme crise social desencadeada pela
disputa econômica entre as grandes
potências mundiais devido à Revolução
Industrial. Esse fato resultou nas duas
grandes guerras mundiais.
 Esses acontecimentos geraram uma grande
insatisfação e frustração ao homem , que
deixou de lado o otimismo da época das
revoluções e passa a ter uma visão mais
reflexiva e pessimista da vida.
 Assim, o homem passa a buscar conforto
no lado místico e espiritual do universo.
 Essa busca pelo subjetivismo é retratada
nas artes como um retorno ao
Romantismo, onde o desejo pelo refúgio
fora do mundo real era muito valorizado.
 Nesse sentido, o predomínio da emoção
supera o cientificismo e o objetivismo do
período anterior.
CARACTERÍSTICAS
1) Predominância da emoção;
2) O objeto deve estar subentendido, não se
mostrando claramente – daí o "símbolo“
3) Obsessão pela cor branca e tudo que sugere
brancura;
4) Espiritualismo e misticismo - Religiosidade;
5) Sugestão
6) Imprecisão
7) Sinestesias
8) Musicalidade
9) Maiúsculas Alegorizantes
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
1) Predominância da
emoção
 Os artistas desse
movimento não se
limitaram aos princípios
estéticos que norteavam a
arte vigente;
 Enfatizaram que as
emoções eram mais
importantes que a razão.
 O artista deveria criar
segundo sua percepção,
entendimento e
imaginação deixando de
Eugène Delacroix: A Morte
de Sardanapal — 1827
2) O objeto deve estar subentendido, não se
mostrando claramente – daí o "símbolo“
A carícia: versão simbolista de uma esfinge, por Fernand
Khnopff
3) Obsessão pela cor branca e tudo que sugere
brancura:
 Encontram-se inúmeras referências à cor branca,
assim como à transparência, à translucidez, à
nebulosidade e aos brilhos, e a muitas outras
cores.
4) Espiritualismo e
Misticismo:
• A arte como forma de
religião.
• Alguns textos simbolistas
apresentam uma visão cristã.
• Distinção entre corpo e alma;
• desejo de purificação e
sublimação: anulação da
matéria para a libertação da
alma.
• Uso de vocábulos ligados ao
místico e ao religioso, como
missal, breviário, hinos,
O sonho, de Pierre Puvis de
Chavanes
5) Sugestão:
 Para a arte simbolista
mais importante que
nomear as coisas era
sugeri-las.
 Segundo os simbolistas
os leitores é que
deveriam adivinhar o
enigma de cada
poema.
A Noite Estrelada – Van Gogh (1889)
6) Imprecisão :
 Atrelada à
característica anterior,
a realidade deveria ser
expressa de maneira
vaga e imprecisa.
 O Simbolismo buscava
a essência do ser
humano, os estados da
alma, o inconsciente.
El cíclope. Odilon Redon
7) Sinestesias:
 Na poesia simbolista era comum a presença
de sinestesias. A sinestesia é uma figura de
linguagem que consiste na fusão de várias
sensações, sem que necessariamente haja
lógica:
“Nasce a manhã, a luz tem cheiro ... Ei-la que
assoma Pelo ar sutil ... Tem cheiro a luz, a
manhã nasce ...
Oh sonora audição colorida do aroma!”
Alphonsus de Guimaraens
8) Musicalidade:
 A poesia deveria se aproximar da música.
 Uso de figuras de linguagem associadas à
sonoridade – rimas, ecos, aliteração,
assonância.
Aliteração: repetição de sons consonantais
Assonância: repetição de sons de vogais
“E as cantinelas de serenos sons amenos
fogem fluidas fluindo à fina flor dos fenos”.
Eugênio de Castro
9) Maiúsculas alegorizantes:
 Correspondem à utilização de letras
maiúsculas no meio do texto sem que haja
alguma razão gramatical para o seu uso.
Elas são usadas para enfatizar as palavras:
“Indefiníveis músicas supremas, Harmonias
da Cor e do Perfume ...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas, Réquiem
do Sol que a Dor da Luz resume ...”
Cruz e Souza
SIMBOLISMO EM PORTUGAL
 O marco do Simbolismo em Portugal é a
publicação da obra Oaristos (1890), livro de
poemas de Eugênio de Castro.
 O movimento literário, contudo, já
influenciava Portugal a partir das revistas
acadêmicas "Os Insubmissos" e "Boêmia Nova"
que tinham entre seus colaboradores os
autores Eugênio de Castro e Antônio Nobre.
 O Simbolismo prolonga-se até a Proclamação
da República, em 1910, sob a influência da
nova realidade política.
 O fim do movimento ocorre, porém, em 1915,
no meio da Primeira Guerra Mundial, o
marco cronológico do Modernismo em
Portugal.
 É nesse contexto que Mário Sá-Carneiro e
Fernando Pessoa lançam a revista "Orpheu".
 O movimento Simbolismo em Portugal está
intimamente ligado ao estado de depressão
que domina a sociedade em consequência da
crise da monarquia, da crise econômica e
financeira e do ultimato inglês.
 É O ultimato inglês ocorre a partir de 1870,
quando a Inglaterra inicia o plano
expansionista com o lema: um domínio do
Cabo do Cairo.
 É nessa conjuntura que surge o grupo de
escritores conhecido como “Os vencidos da
vida”, denominação que revela o espírito
depressivo que se viveu na época .
Fases do Simbolismo
em Portugal:
 1ª. Fase: Envolve
escritores nefelibatas
ou decadentistas
 2ª. Fase: Envolve
escritores nacionalistas
mais atuantes
politicamente com
relação à realidade
portuguesa.
Três maiores representantes do Simbolismo
português:
AUTORES PORTUGUESES
Eugênio de Castro Antonio
Nobre
Camilo
Pessanha
 Eugênio de Castro e Almeida foi um importante
poeta português do final do século XIX e início do
XX. É considerado, assim como Camilo Pessanha,
um dos principais representantes do Simbolismo
em Portugal.
 O seu livro Oaristos, publicado em 1890, é
considerado o marco inicial do simbolismo
português.
 Eugênio de Castro nasceu na cidade de Coimbra
(Portugal) em 4 de março de 1869. Faleceu em
sua cidade natal em 17 de agosto de 1944, aos 75
anos de idade.
Eugenio de Castro
Características de seu estilo literário:
 Utilização, em seus poemas, de sinestesias (figura
de linguagem).
 Uso de vocabulário marcado pela musicalidade.
 Uso de rimas raras e novas.
 Utilização de aliteração, figura de linguagem
muito usada por poetas simbolistas.
Principais obras poéticas de
Eugênio de Castro:
 Oras Tristes (1888)
 Oaristos (1890)
 Horas (1891)
 Sylva (1894)
 Salomé e outros poemas
(1896)
 O rei Galor (1897)
 Saudade do Céu (1899)
 Depois da ceifa (1901)
 A sombra do quadrante (1906)
 A mantilha de medronhos
(1923)
 António Pereira Nobre (1867-1900)nasceu em Porto,
Portugal no dia 16 de agosto de 1867.
 Cursou Direito na Universidade de Coimbra, porém
após duas reprovações, mudou-se para Paris onde
estudou na Escola Livre de Ciências Políticas.
 Nessa época, familiarizou-se com as novas tendências
da poesia – a poesia simbolista.
 Em 1892, em Paris, publicou o livro de poemas “Só”,
obra marcada pela nostalgia e lamentação, porém
com um vocabulário refinado, característica do
simbolismo francês.
Antonio Nobre
Características de seu estilo literário:
 Poesia com tom de coloquialidade, cheio de ritmos livres e
musicais, acompanhado de uma imagística rica e original.
 Obras marcadas pelo pessimismo e a obsessão da morte
(Balada do Caixão, Ca(ro) Da(ta) Ver(mibus), Males de Anto
ou Meses depois, num cemitério)
 Fatalismo com a sua predestinação para a infelicidade
(Memória, Lusitânia No Bairro Latino ou D. Enguiço)
 Apreço pela paisagem e pelos tipos pitorescos portugueses
(como na segunda e terceira partes de António, Viagens na
Minha Terra ou no soneto Poveirinhos! Meus velhos
pescadores).
Principais obras poéticas de
Antonio Nobre:
 Foi a sua única obra publicada
em vida.
 Representa um dos marcos da
poesia portuguesa do século
XIX.
 Publicada em Paris, em 1892,
foi reeditada em Lisboa, com
algumas alterações, lançando
o poeta no meio cultural
português.
 O próprio autor afirma: «É o
livro mais triste que há em
 Camilo de Almeida Pessanha
– nasceu Coimbra, em 1867 e
faleceu de tuberculose, em
1926.
 Em 1891, formou-se em Direito
na Universidade de Coimbra,
tendo posteriormente vivido
em Macau.
 Clepsidra (1922) – coletânea de
poemas e trabalhos publicados
em diversos jornais e revistas.
Esta obra teve uma grande
Camilo Pessanha
 Colaborou com produções suas em diversas publicações,
entre as quais Ave Azul, Atlântico e Centauro.
 É considerado o mais genuíno representante do
simbolismo português.
 A sua obra China, datada de 1944, consiste num
conjunto de estudos e ensaios sobre a civilização,
literatura e cultura chinesas.
 Pessanha é conhecido como o “poeta da dor espiritual“
 Diz-se que os problemas familiares graves foram os
responsáveis por seu definhamento e essa angústia se
refletiu em sua obra.
Camilo Pessanha
SIMBOLISMO NO BRASIL
SIMBOLISMO NO BRASIL
 Oficialmente, o Simbolismo foi instaurado no
Brasil em 1893, com a publicação de dois livros
de Cruz e Souza – Missal (Prosa poética) e
Broquéis.
 Cruz e Souza e Alphonsus Guimaraens são
considerados os maiores representantes do
movimento no país.
 Missal é o nome de um livro que contém
orações utilizadas nas missas e broquéis vem de
broquel, tipo de um escudo espartano, numa
clara aproximação com o parnasianismo e seu
 No Brasil, o Simbolismo coincide com a Revolução
Federalista (1893-95) e a Revolta da Armada (1893-
94).
 A Revolução Federalista opunha-se ao governo de
Floriano Peixoto, o que provocou conflitos na Região
Sul.
 Na Revolta da Armada, a Marinha, em ação
combinada com os federalistas, apontou os canhões
dos navios para o palácio do governo no Rio de
Janeiro como forma de exigir a renúncia de
Floriano.
Contexto histórico
 O Simbolismo no Brasil não teve muita aceitação
por parte do público leitor.
 A maior parte dos leitores preferia os textos
parnasianos.
 Os parnasianos tinham a imprensa como aliada,
pois seus poemas vendiam muito mais. É por isso
que se costuma dizer que o Brasil não teve um
momento tipicamente simbolista, ele ficou meio
à margem da literatura oficial da época.
 Não-racionalidade
 Subjetivismo, individualismo e imaginação
 Espiritualidade e transcendentalidade
 Subconsciente e inconsciente
 Musicalidade e misticismo
 Figuras de linguagem: sinestesia, aliteração,
assonância
Características do Simbolismo
AUTORES SIMBOLISTAS BRASILEIROS
 Filho de ex-escravos, foi criado por um
Marechal e sua esposa como um filho e teve
educação de qualidade.
 Perseguido a vida inteira por ser negro, é
ativo na causa abolicionista.
 Morre jovem de tuberculose, vítima da
pobreza e do preconceito.
 Considerado um dos maiores representantes
do Simbolismo mundial
 Por ser negro foi vítima de muitos
preconceitos.
Cruz e Souza - 1861-1898
 Partindo de seus sofrimentos enquanto homem
negro, alcançou a dor e o sofrimento do ser
humano.
 Suas poesias eram marcadas por um forte
misticismo e religiosidade, na busca de um mundo
mais espiritualizado.
 Outra característica interessante de sua obra é a
recorrência direta e indireta à cor branca, vista na
maioria das vezes como símbolo da pureza.
 Uma de suas obsessões era cor branca, como mostra
a passagem a seguir:
Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras
Formas do Amor, constelarmante puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas ...
ANTÍFONA
 É considerado neo-romântico simbolista, pois
valoriza os impulsos pessoais e sua condição de
indivíduo sofredor como fonte de inspiração
poética.
 Suas poesias sempre oferecem dificuldade de
leitura.
 Trata-se de um poeta expressivo, apelidado de
“Cisne Negro” ou “Dante Negro".
 Prenuncia duas tendências que marcam a poesia
moderna: sondagem psicológica, pela expressão
do mundo interior e invenção linguística, pela
preferência a estruturas conscientemente
OBRA
Poesia:
 Bróqueis (1893);
 Faróis (1900);
 Últimos sonetos (1905).
Prosa:
 Tropos e fantasias (1885) Missal
(1893) – poemas em prosa;
 Evocações (1898) – poemas em
prosa.
VIOLÕES QUE CHORAM
Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
Bocas murmurejantes de lamento.
Noites de além, remotas, que eu recordo,
Noites da solidão, noites remotas
Que nos azuis da fantasia bordo,
Vou constelando de visões ignotas.
Sutis palpitações à luz da lua.
Anseio dos momentos mais saudosos,
Quando lá choram na deserta rua
As cordas vivas dos violões chorosos.
Quando os sons dos violões vão soluçando,
Quando os sons dos violões nas cordas gemem,
E vão dilacerando e deliciando,
Rasgando as almas que nas sombras tremem.
Harmonias que pungem, que laceram,
Dedos nervosos e ágeis que percorrem
Cordas e um mundo de dolências geram,
Gemidos, prantos, que no espaço morrem...
E sons soturnos, suspiradas mágoas,
Mágoas amargas e melancolias,
No sussurro monótono das águas,
Noturnamente, entre remagens frias.
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febirl agitação de um pulso.
Que esses violões nevoentos e tristonhos
São ilhas de degredo atroz, funéreo,
Para onde vão, fatigadas no sonho,
Almas que se abismaram no mistério.
 Apaixonado desde jovem por uma prima, sofre com a
prematura morte da amada e passa por uma crise de doença e
boêmia. Forma-se em Direito e Ciências Sociais, colaborando
sempre na melhor imprensa paulistana. Fica conhecido como
“O Solitário de Mariana”.
 O outro representante do Simbolismo brasileiro.
 Temas constantes em sua obra: a fuga da realidade, a
natureza, a religiosidade, o amor espiritualizado, a mulher,
muitas vezes comparada à Virgem Maria, os tons fúnebres de
cemitérios e enterros.
 Muitos de seus poemas relacionam-se à noiva, Constança,
morta prematuramente
ALPHONSUNS DE GUIMARAENS - 1870 -1921
Obras Principais:
Poesia:
 Setenário das Dores de
Nossa Senhora (1899)
 Dona Mística (1899)
 Câmara Ardente (1899)
 Pastoral aos Crentes do
Amor e da Morte (1923)
Prosa:
 Mendigos (1920)
 Seus versos tinham musicalidade e sutileza para
a atmosfera religiosa que inspiravam, como
mostra a passagem a seguir:
"O céu é todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem açoitar o rosto meu.
E a catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.”
Área Temática: Transcendência pelo onirismo e
espiritualismo
Cárcere das Almas
Ah! Toda a alma num cárcere anda
presa.
soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as
liberdades
Sonha e sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo Espaço da Pureza.
Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
da dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves
Que chaveiro do Céu possui as chaves
Para abrir-vos as portas do Mistério?!
1 – Condição humana
sofrida e oprimida.
2 – O sonho como
condicionante para
a
libertação do
homem.
3 – Os valores
espirituais
como solução do
caos.
Onirismo: estado anormal de
consciência caracterizado por
sensação de irrealidade, como
num sonho [Pode ser causado por
substâncias tóxicas, drogas
anestésicas, autointoxicação etc.]
Tema: Esoterismo, Satanismo, Goticismo
“Como fantásticos signos,
erram demônios malignos.
Na brancura da ossadas
gemem as almas penadas.
Lobisomens, feiticeiras
gargalham no luar das eiras.
Os uivos dos enforcados
uivam nos ventos irados”.
O Plano Poético
Derrama luz e cânticos e
poemas
No verso, torna-o musical e doce
Como se o coração nessas
supremas
Estrofes, puro e diluído fosse.
Faze estrofes assim! E após, na
chama
Do amor, de fecundá-las e
acendê-las,
Derrama em cima lágrimas,
derrama,
Como as eflorescências das
Estrelas.
•Recusa a
materialidade do signo:
palavras abstratas,
vagas, etéreas.
• A linguagem busca a
interioridade do “EU”.
Recursos utilizados no Simbolismo
Vozes veladas, veludosas vozes
Volúpia dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas
• Aliteração