Comprehensive Medical Semiotics: General Physical Examination Techniques and Diagnostic Signs
Detailed overview of general physical examination including inspection, consciousness levels, speech, gait, facial diagnosis, posture, body types, and skin alterations for clinical assessment.
Comprehensive Medical Semiotics: General Physical Examination Techniques and Diagnostic Signs
1.
SEMIOLOGIA MÉDICA -Módulo 03
EXAME FÍSICO
GERAL
Monitor: Pedro Henrique Miranda Braga
Referência: PORTO, Celmo Celeno. Semiologia Médica. 8ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
2.
→
O QUE ÉO EXAME FÍSICO GERAL?
"O exame físico geral é a parte do exame físico que avalia o estado geral do paciente por meio de inspeção, palpação e ausculta,
antes do exame dos aparelhos e sistemas, fornecendo dados fundamentais para o diagnóstico."
— Porto, Semiologia Médica, 8ª ed.
1ª ETAPA
Realizado ANTES do exame dos aparelhos
(cardiovascular, respiratório etc.)
INSPEÇÃO
Método predominante — a maioria dos dados é
obtida apenas olhando o paciente
NORTEADOR
Orienta toda a sequência do exame físico
especial que vem a seguir
3.
📋
EXAME FÍSICO GERAL(EFG)
OBS: Não existe um rígido sequenciamento para avaliar os componentes do exame físico geral. Em muitos pacientes são suas próprias condições clínicas
que vão estabelecer a sequência a ser seguida.
01 Estado Geral
02 Nível de Consciência
03 Fala e linguagem
04 Marcha
05 Fácies
06 Marcha
07 Biótipo / Constituição
08 Pele
09 Fâneros
10 Mucosas
11 Tecido Celular Subcutâneo
12 Linfonodos
13 Peso / Altura / IMC
4.
01
ESTADO GERAL
"Estado geralé a avaliação global do paciente, obtida principalmente pela inspeção, refletindo as condições de saúde no momento do
exame." — Porto
BEG Bom Estado Geral
Paciente corado, hidratado, eupneico, consciente,
orientado, sem sinais de sofrimento agudo
REG Regular Estado Geral
Sinais discretos de comprometimento sistêmico:
palidez leve, cansaço, taquicardia discreta, mas
sem sofrimento importante
MEG Mau Estado Geral
Aspecto toxemiado, prostrado, caquético,
sudoreico, com sinais evidentes de sofrimento
agudo ou doença grave
O QUE OBSERVAR AO ENTRAR NO QUARTO:
▸ Posição espontânea na cama (decúbito, posição antálgica)
▸ Expressão de dor, sofrimento ou ansiedade
▸ Coloração da pele e mucosas visíveis
▸ Padrão respiratório (ritmo, esforço, uso de musculatura acessória)
▸ Nível de alerta e cooperação com o examinador
5.
02
NÍVEL DE CONSCIÊNCIA
Porto— Avaliação qualitativa e quantitativa
AVALIAÇÃO QUALITATIVA:
Lúcido e Orientado
Orientado em tempo, espaço, pessoa. Responde adequadamente
Confuso / Desorientado
Desorientação em tempo e/ou espaço. Raciocínio lentificado
Obnubilado
Sonolento. Responde ao estímulo verbal, mas com latência
Torpor / Estupor
Responde apenas a estímulos dolorosos intensos
Coma
Ausência de resposta mesmo a estímulos dolorosos
ESCALA DE COMA DE GLASGOW (ECG):
Abertura Ocular (O)
4 — Espontânea
3 — À voz (som)
2 — À dor (pressão)
1 — Ausente
Resposta Verbal (V)
5 — Orientado
4 — Confuso
3 — Palavras inapropriadas (palavras soltas)
2 — Sons incompreensíveis (gemidos)
1 — Ausente
Resposta Motora (M)
6 — Obedece ordens
5 — Localiza dor
4 — Flexão normal
3 — Flexão anormal
2 — Extensão
1 — Ausente
15
Normal
9–14
TCE Moderado
≤ 8
Coma → IOT
6.
03/
04
FALA, LINGUAGEM EMARCHA
05 — FALA E LINGUAGEM
Disfonia:
Alteração da qualidade da voz (rouca, bitonal) — laringe, nervo vago
Disartria:
Dificuldade na articulação das palavras — lesão cerebelar, Parkinson, AVC
Afasia:
Perda ou alteração da linguagem — lesão do córtex dominante (AVC, tumor)
Disfemia:
Gagueira — distúrbio fluência, origem funcional ou orgânica
Bradilalia:
Fala lentificada — hipotireoidismo, depressão, encefalopatia
Taquilalia:
Fala acelerada — mania, hipertireoidismo, ansiedade, cocaína
06 — MARCHA
Marcha em tesoura:
Paralisia cerebral, espasticidade bilateral — pernas cruzadas
Marcha anserina:
"Pato" — miopatias proximais (DMD, polimiosite)
Marcha ceifante:
AVC hemiplégico — perna rígida, circundução do pé
Marcha atáxica cerebelar:
Base alargada, ziguezague, tontura — lesão cerebelar
Marcha atáxica sensitiva:
Olha para o chão, piora no escuro — tabes dorsalis, B12
Marcha parkinsoniana:
Passos curtos, anteropulsão, braços sem balançar, festinação
Porto: Avaliar fala e marcha durante a consulta, sem necessidade de teste formal — a observação espontânea já é suficiente na maioria dos casos.
7.
05
FÁCIES — DIAGNÓSTICOPELA EXPRESSÃO FACIAL
Fácies Hipocrática
Desnutrição severa; câncer terminal
Olhos fundos e opacos, nariz afilado, pele pálida e
pegajosa, lábios cianóticos, expressão de sofrimento
intenso
Fácies de Cushing
Hipercortisolismo
Face em 'lua cheia', eritema malar bilateral,
hirsutismo facial, acne
Fácies Mixedematosa
Hipotireoidismo
Edema periorbital, pálpebras túmidas, expressão
apática, cabelo ressecado e quebradiço, macroglossia
Fácies Basedowiana
Hipertireoidismo / Graves
Exoftalmia bilateral, olhar fixo e assustado, retração
palpebral, face emagrecida e ansiosa
Fácies Acromegálica
Acromegalia
Prognatismo, nariz e orelhas grandes, supercílios
proeminentes, macroglicia, mãos e pés espessos
Fácies Parkinsoniana
Doença de Parkinson
Hipomimia (expressão em máscara), redução do
piscar, seborreia facial, olhar fixo, salivação
8.
05
FÁCIES — DIAGNÓSTICOPELA EXPRESSÃO FACIAL
Fácies Mongolóide
Sindrome de Down
Fenda palpebral seu elemento característico, uma
prega cutânea (epicanto) que torna os olhos oblíquos,
bem distantes um do outro, lembrando o tipo de
olhos dos chineses
Fácies Etílica
Alcoolismo crônico
Rubor facial, telangiectasias, rinofima, edema facial
matinal, conjuntivas hiperemiadas, hálito alcoólico
Fácies Renal
Insuficiência renal crônica
Palidez amarelada (urochromos), edema periorbitário
matinal, olhar cansado, pele ressecada
Fácies Adenoideana
Hipertrofia de adenoides
Boca permanentemente aberta, olhar vago e
sonolento, nariz pequeno, olheiras, mais comum em
crianças
Fácies de Depressão
Depressão maior
Comissuras labiais rebaixadas, olhar triste, supercílios
em ômega de Veraguth, hipomimia
9.
05
FÁCIES — DIAGNÓSTICOPELA EXPRESSÃO FACIAL
Fácies Hipocrática
Desnutrição severa; câncer terminal
Olhos fundos e opacos, nariz afilado, pele pálida e
pegajosa, lábios cianóticos, expressão de sofrimento
intenso
10.
05
FÁCIES — DIAGNÓSTICOPELA EXPRESSÃO FACIAL
Fácies de cushing (cushinoide ou lua cheia)
S
Síndrome de Cushing por hiperfunção da
adrenal
Face em 'lua cheia', eritema malar bilateral,
hirsutismo facial, acne, obesidade centrípeta
11.
05
FÁCIES — DIAGNÓSTICOPELA EXPRESSÃO FACIAL
Fácies mixedematosa
Hipotireoidismo ou mixedema
Rosto arredondado, nariz e lábios grossos, pele
seca, espessada e com acentuação de seus
sulcos. As pálpebras tornam-se infiltradas e
enrugadas. Os supercílios são escassos e os
cabelos secos e sem brilho + desânimo e apatia
12.
05
FÁCIES — DIAGNÓSTICOPELA EXPRESSÃO FACIAL
Fácies Basedowiana
Hipertireoidismo
Os olhos são salientes (exoftalmia) e brilhantes,
destacando-se sobremaneira no rosto magro. A
expressão fisionômica indica vivacidade.
Contudo, às vezes, tem um aspecto de espanto e
ansiedade.
13.
05
FÁCIES — DIAGNÓSTICOPELA EXPRESSÃO FACIAL
Fácies Acromegálica
Hipertireoidismo
Saliência das arcadas supraorbitárias,
proeminência das maçãs do rosto e maior
desenvolvimento do maxilar inferior, além do
aumento do tamanho do nariz, lábios e orelhas
14.
05
FÁCIES — DIAGNÓSTICOPELA EXPRESSÃO FACIAL
Fácies Parkinsoniana
Doença de Parkinson
A cabeça inclina-se um pouco para frente e
permanece imóvel nessa posição. O olhar fixo, os
supercílios elevados e a fronte enrugada conferem
ao paciente uma expressão de espanto.
15.
05
FÁCIES — DIAGNÓSTICOPELA EXPRESSÃO FACIAL
Fácies Mongolóide
Sindrome de Down
Fenda palpebral seu elemento característico, uma
prega cutânea (epicanto) que torna os olhos
oblíquos, bem distantes um do outro, lembrando
o tipo de olhos dos chineses
16.
05
FÁCIES — DIAGNÓSTICOPELA EXPRESSÃO FACIAL
Fácies Renal
Edema que predomina ao redor dos olhos.
Completa o quadro a palidez cutânea. É observada
nas doenças renais, particularmente na síndrome
nefrótica e na glomerulonefrite aguda
17.
05
FÁCIES — DIAGNÓSTICOPELA EXPRESSÃO FACIAL
Fácies Adenoidiana
Nariz pequeno e afilado e a boca sempre
entreaberta. Aparece nos indivíduos com
hipertrofia das adenoides, as quais
dificultam a respiração pelo nariz ao obstruírem os
orifícios posteriores das fossas nasais
18.
06
ATITUDE E POSTURA
Atitudeé a posição que o paciente assume espontaneamente, podendo ser ativa (voluntária), passiva (incapacidade de se mover) ou compulsória
(imposta pela doença para aliviar sintomas).
ATIVA
Paciente se movimenta livremente, sem limitações
— compatível com BEG
Ex: Saúde ou doença leve
PASSIVA
Paciente imóvel, sem capacidade de se mover
voluntariamente — indica gravidade
Ex: Coma, paralisia, MEG
COMPULSÓRIA
Posição assumida para aliviar dor ou dispneia —
valor diagnóstico alto
Ex: Ver exemplos abaixo
POSTURAS COMPULSÓRIAS DE MAIOR VALOR DIAGNÓSTICO (Porto):
Ortopneia: Dispneia em decúbito → melhora sentado. Insuf. cardíaca congestiva, asma grave
Posição genupeitoral: "De prece maometana" — alivio de derrame pericárdico
Decúbito lateral com pernas fletidas: Posição fetal — peritonite, pancreatite aguda
Posição antálgica lombar: Inclinação lateral — hérnia de disco, cólica renal
Agachamento (squatting): Cardiopatias congênitas cianóticas (Tetralogia de Fallot)
Porto: A atitude compulsória é um sinal semiológico valioso — sempre perguntar se a posição melhora ou piora a dor/dispneia.
19.
07
BIÓTIPO / CONSTITUIÇÃOFÍSICA
LONGILÍNEO
Ectomorfo / Hiperestênico
Características:
• Alto, magro, pescoço longo e fino
• Tórax estreito, longo e plano
• Ângulo de Charpy < 90°
• Membros longos em relação ao tronco
• Musculatura pouco desenvolvida
MEDIOLÍNEO
Mesomorfo / Normolíneo
Características:
• Proporções equilibradas entre tronco e membros
• Ângulo de Charpy ≈ 90°
• Musculatura bem desenvolvida
• Considerado o padrão de referência
Porto: O ângulo de Charpy (ângulo subcostal) é o melhor parâmetro para diferenciar longilíneo (<90°) de brevílineo (>90°).
BREVÍLINEO
Endomorfo / Hipostênico
Características:
• Baixo, largo, pescoço curto e grosso
• Tórax alargado e volumoso
• Ângulo de Charpy > 90°
• Tendência ao acúmulo de gordura central
• Membros curtos em relação ao tronco
13
PESO, ALTURA, IMCE ESTADO NUTRICIONAL
Porto — Avaliação antropométrica como parte obrigatória do EFG
ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC = Peso ÷ Altura²):
< 18,5 Baixo peso Desnutrição, sarcopenia, osteoporose
18,5–24,9 Peso normal Padrão de referência — menor risco CV
25,0–29,9 Sobrepeso Risco aumentado de HAS, DM, dislipidemia
30,0–34,9 Obesidade grau I Risco alto de síndrome metabólica
35,0–39,9 Obesidade grau II Risco muito alto — avaliar cirurgia bariátrica
≥ 40,0 Obesidade grau III (mórbida) Risco extremo — mortalidade aumentada
Circunferência Abdominal (risco CV): ♂ > 102 cm | ♀ > 88 cm →
Risco cardiovascular aumentado (Porto / OMS)
Perda de peso significativa (Porto): > 5% em 1 mês ou > 10% em 6 meses
→ Investigar neoplasia, TB, doenças crônicas
29.
SV
SINAIS VITAIS —COMPLEMENTO AO EFG
Avaliados antes ou conjuntamente ao EFG
PRESSÃO ARTERIAL Normal: < 120/80 mmHg
▸ Aferir nos 2 braços na 1ª consulta (Porto)
▸ Diferença > 20 mmHg: coarctação da aorta, dissecção aórtica
▸ HAS: ≥ 140/90 mmHg (2 medidas em 2 ocasiões) - avaliar novas diretrizes*
▸ HAS grave: ≥ 180/120 mmHg (crise hipertensiva) - avaliar novas diretrizes*
▸ Hipotensão postural: queda > 20 PA sistólica ao ortostatismo
FREQUÊNCIA CARDÍACA Normal: 60–100 bpm
▸ Taquicardia > 100 bpm: febre, anemia, hipertireoidismo, dor, IC
▸ Bradicardia < 60 bpm: atletas, hipotireoidismo, BAV, digital
▸ Pulso irregular: FA, extrassístoles — auscultar coração
▸ Déficit de pulso: FC auscultatória > pulso radial (FA)
▸ Pulso paradoxal: queda > 10 mmHg na inspiração (tamponamento)
FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA Normal: 12–20 irpm
▸ Taquipneia > 20 irpm: dor, febre, TEP, pneumonia, IC
▸ Bradipneia < 12 irpm: depressão SNC, opioides, hipotireoidismo
▸ Cheyne-Stokes: crescente-decrescente — IC grave, AVC
▸ Kussmaul: profunda e regular — acidose metabólica (CAD)
▸ Biot: irregular com apneias — lesão bulbar, meningite
TEMPERATURA Normal: 36,0–37,2°C
(axilar)
▸ Axilar: referência brasileira — 0,5°C < oral; 1°C < retal
▸ Febre ≥ 38,0°C; hiperpirexia > 41°C
▸ Subfebril / febrícula: 37,3–37,9°C
▸ Hipotermia < 35°C: exposição ao frio, hipotireoidismo grave, sepse
▸ Sempre registrar método e horário da aferição (Porto)
30.
+
MUSCULATURA E ESQUELETONO EFG
MUSCULATURA
Hipotrofia muscular (atrofia)
Desnutrição, caquexia, imobilidade, desnervação
Hipertrofia fisiológica
Atletas, trabalho físico intenso
Pseudo-hipertrofia
DMD de Duchenne — panturrilhas firmes mas substituídas por gordura
Fasciculações (contrações breves e espontâneas)
ELA, lesão de neurônio motor inferior, uremia
Tônus aumentado (rigidez)
Parkinsonismo (em roda dentada), meningismo
Força muscular reduzida
Avaliar por grupos musculares — MRC 0 a 5
ESQUELETO
Escoliose
Desvio lateral da coluna — funcional ou estrutural
Cifose
Curva dorsal aumentada — osteoporose, espondilite, velhice
Lordose lombar aumentada
Obesidade, gravidez, miopatias proximais
Tórax em quilha (Pectus carinatum)
Doenças respiratórias crônicas na infância
Tórax em funil (Pectus excavatum)
Síndrome de Marfan, idiopático
Deformidades articulares
AR (mãos), gota tofácea, osteoartrite (nódulos de Heberden)
31.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
PORTO, CelmoCeleno.
Semiologia Médica. 8ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.
"Olhai para o doente; ele vos dirá o diagnóstico." — Celmo Celeno Porto