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Compostagem Doméstica – uma solução para todos os gostos
A Compostagem é um processo de valorização da matéria orgânica, que consiste na degradação
biológica de resíduos orgânicos domésticos, originando uma substância designada por composto. Se
compostar, as suas plantas vão agradecer.
Maria João Carvalho
Muitos artigos tenho visto sobre compostagem, mas fica quase sempre no ar a impressão de que
se trata, ou de um processo industrial a implementar perto de localidades para resolver o
problema dos resíduos sólidos urbanos orgânicos, ou de algo que só se faz quando se tem um
jardim, uma horta, uma pequena exploração agrícola. Enfim, fica a ideia que todas as pessoas
que têm a sua vida compartimentada em espaços urbanos, com o jardim reduzido a uns vasos e
umas floreiras na varanda ou mesmo dentro de casa, não podem pensar em reaproveitar os
restos que lhes enchem o caixote do lixo todos os dias, depois de prepararem mais uma refeição
para a família.
Fica aqui assim, um pequeno apontamento sobre como se pode implementar este tipo de
procedimento em cada casa e, com ele, reduzir consideravelmente o lixo orgânico produzido,
com a vantagem de o poder reutilizar como composto para as plantas de interior e exterior,
mesmo que apenas em vasos e floreiras. Multiplicando o processo que aqui apresento à devida
escala, o mesmo pode ser utilizado em escolas, hotéis, restaurantes, bares e toda e qualquer
empresa que tenha um espaço reservado à produção ou ao consumo de produtos alimentares.
Pensando bem e alargando o conceito um pouco mais, mesmo os espaços comerciais
dedicados à venda de produtos alimentares perecíveis, como frutas e legumes, podem utilizar
este tipo de sistema para dar destino aos produtos não vendidos.
Estima-se que neste momento em Portugal cada indivíduo produza cerca de 4 kg de resíduos
sólidos urbanos por dia. Destes resíduos sólidos urbanos a maioria são compostáveis e podem
ser utilizados para corecção de solos depois de submetidos a um dos diversos tipos de
tratamento existentes para o efeito.
Os resíduos sólidos urbanos provocam diversos tipos de problemas à comunidade, entre os
quais se destacam:
• Poluição atmosférica durante a incineração e por arrastamento de materiais pelo vento.
• Odores desagradáveis.
• Fogos perigosos nos aterros, produzidos pela libertação de biogás – metano, amoníaco
– altamente inflamável.
• Contaminação de águas subterrâneas e superfíciais através da escorrência e infiltração.
• Contaminação de solos.
• Presença de roedores e insectos, transmissores de várias doenças.
• Falta de espaço e muitas vezes de vontade das populações locais, para a construção
de aterros e incineradoras.
A compostagem traz inúmeras vantagens e na maioria dos casos todas ou quase todas podem
ser aproveitadas dentro de casa, desde que se perca algum tempo a pensar no assunto e a
encontrar a melhor solução para cada caso. Algumas das vantagens mais fáceis de identificar
são:
• Produção de um corrector de solos orgânico e não poluente, deste que não sejam
utilizados dejectos, que pode ser utilizado nos vasos e floreiras, directamente no jardim
se este existir ou vendido como composto a jardins e parques públicos ou privados, no
caso de se tratar de entidades já de uma certa dimensão.
• Melhoria das características gerais dos solos, tais como maior porosidade e retenção de
água, que leva à melhoria das condições biológicas dos mesmos e permite usar menos
os solos à venda nos supermercados e lojas da especialidade e, substituí-los total ou
parcialmente por solos à partida menos ricos mas que podem ser corrigidos pelo
composto.
• Produção de biogás que pode ser aproveitado para produção de energia calorífica ou
mesmo eléctrica, se houver em casa ou na empresa um engenhocas com vontade
de se informar e experimentar.
• Processo simples e de fácil implementação.
• Possibilita a resolução do problema da deposição final de grande parte dos resíduos
sólidos urbanos.
O método aqui proposto usa como agente compostor uma minhoca vermelha da terra, conhecida
por Minhoca Vermelha da Califórnia ou Eisenia fetida, pelos especialistas, mas reconhecida
facilmente por todos os que lidam com a terra todos os dias, apenas como minhoca vermelha da
terra. Encontra-se em terrenos húmidos e é muito frequente nas zonas rurais Portuguesas.
É a minhoca mais usada na decomposição de resíduos orgânicos porque:
• Facilmente coloniza estes restos – uma minhoca vermelha gera, em condições óptimas,
cerca de 1500 crias por ano, sendo possível iniciar um compostor com um nº
reduzido de minhocas e depois esperar que estas colonizem toda a estrutura.
• Grande longevidade – cerca de 16 anos.
• Resiste a elevados teores de humidade.
• É muito tolerante a variações de temperatura.
• Ingere diariamente o seu peso em comida e transforma em composto 60% do que
ingere, produzindo um adubo orgânico muito rico em flora bacteriana – cerca de
2000 milhares de bactérias vivas e activas, por cada grama de húmus produzido.
Existem outras espécies de minhocas vermelhas muito parecidas com a Eisenia fetida, que
apenas se distinguem pela configuração da parte terminal que é arredondada e estriada,
enquanto noutras espécies é pontiaguda, ou não é estriada – a questão é que a Eisenia fetida se
reproduz 9 a 20 vezes mais ao fim de dois anos.
Condições de sobrevivência óptima da minhoca vermelha da Califórnia:
Condições Requisitos
Temperaturas 15-20 ºC (limites 4-30 ºC)
Teor de humidade 80-90% (limites 60-90%)
Necessidades em oxigénio Aeróbias
Quantidade de amónia nos resíduosBaixo:<0,5 mg/g
Salinidade dos resíduos Baixo:<0,5 %
pH > 5 e < 9
Fonte: Adaptado de Earthworm Ecology, pág. 337
Estas minhocas devem ser protegidas da luz pois a radiação ultravioleta provoca-lhes a morte
em poucos minutos, pelo que o compostor deve ser sempre tapado.
Existem materiais compostáveis e não compostáveis, dos quais se dão aqui alguns exemplos:
Materiais Compostáveis: Verdes (> % de N): cascas de batata, legumes, cascas de fruta, borras
de café, restos de pão, arroz, massa, cascas de ovos esmagadas, folhas e sacos de chá, cereais
e restos de comida cozinhada. Castanhos (> % de C): aparas de madeira, serradura, relva e
erva seca, ramos pequenos, folhas secas, pequenas quantidades de cinza de madeira, feno e
palha.
Materiais não Compostáveis: carne, peixe, lacticínios e gorduras, porque rançam e são difíceis
de digerir.
Para proceder à construção do compostor há que seguir os seguintes passos:
1. Fazer os orifícios de entrada de ar, na tampa e na parte superior das paredes da caixa
com um berbequim ou um ferro em brasa.
2. Cortar a rede mosquiteira no tamanho necessário para forrar a caixa e a tampa e colá-la.
3. Fazer uma cama de minhocas com tiras de papel de jornal húmidas (1 parte de jornal :
3 partes de água), e colocá-las dentro do compostor.
4. Adicionar 3 a 4 chávenas de terra de jardim.
5. Colocar as minhocas e os materiais orgânicos compostáveis, cortados em pedaços
pequenos, para facilitar a decomposição.
6. Revolver cuidadosamente com um ancinho pequeno.
7. Colocar uma folha de papel de jornal seca a tapar.
8. Fechar o compostor.
Para proceder à manutenção semanal do compostor procede-se da seguinte forma:
1. Afastar a camada superior de jornal e verificar o desenvolvimento das minhocas.
2. Juntar matéria orgânica compostável, espalhada uniformemente, de acordo com o
desenvolvimento das minhocas.
3. Adicionar água
4. Revolver o material
5. Voltar a colocar uma folha de papel de jornal seco
6. Fechar o compostor
Três a quatro vezes por ano deve-se renovar a cama de minhocas, procedendo da seguinte
maneira:
1. Mover o composto para um dos lados
2. Colocar uma nova “cama de minhocas”, na metade livre
3. Adicionar matéria orgânica só à nova cama
4. Uma a duas semanas mais tarde, retirar o composto e completar a cama da mesma
maneira
5. Substituir a rede, se necessário
Para evitar o aparecimento de moscas, aqui ficam algumas sugestões:
• Não usar alimentos podres
• Não dar demasiada comida
• Enterrar os alimentos na “cama das minhocas”
• Manter a humidade
• Colocar uma folha de jornal seca por cima
• Retirar a comida em decomposição
• Colocar uma taça com vinagre e uma gota de detergente da louça perto do compostor
• Após o aparecimento de moscas, não colocar restos de comida durante duas a três
semanas, de forma a prevenir o aparecimento de novas larvas
Podem por vezes surgir odores desagradáveis, fáceis de evitar da seguinte forma:
• Se houver excesso de humidade – adicionar tiras de jornal secas e matéria orgânica
com pouca água.
• Revolver o compostor para que o ar entre.
• Não colocar alimentos difíceis de compostar.
Se as minhocas começarem a morrer ou fugirem da caixa, rever todos os procedimentos
e factores que influenciam a sua sobrevivência.
Bibliografia
• Carvalho, M. J., Sousa, M. S. (2003). Estações de Compostagem nas Escolas –
Acção de Formação – Ano Lectivo 2003 / 2004, Caldas da Rainha.
• Marques, A. S.,Silva, J. P. (2001). Composto de Resíduos Sólidos Urbanos –
Vantagens e Desvantagens da sua Aplicação no Solo, Mestrado Luso-Brasileiro
em Gestão e Políticas Ambientais, Módulo de Gestão e Tecnologias Ambientais,
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Compostagem domestica –_uma_solucao_para_todos_os_gostos

  • 1. Compostagem Doméstica – uma solução para todos os gostos A Compostagem é um processo de valorização da matéria orgânica, que consiste na degradação biológica de resíduos orgânicos domésticos, originando uma substância designada por composto. Se compostar, as suas plantas vão agradecer. Maria João Carvalho Muitos artigos tenho visto sobre compostagem, mas fica quase sempre no ar a impressão de que se trata, ou de um processo industrial a implementar perto de localidades para resolver o problema dos resíduos sólidos urbanos orgânicos, ou de algo que só se faz quando se tem um jardim, uma horta, uma pequena exploração agrícola. Enfim, fica a ideia que todas as pessoas que têm a sua vida compartimentada em espaços urbanos, com o jardim reduzido a uns vasos e umas floreiras na varanda ou mesmo dentro de casa, não podem pensar em reaproveitar os restos que lhes enchem o caixote do lixo todos os dias, depois de prepararem mais uma refeição para a família. Fica aqui assim, um pequeno apontamento sobre como se pode implementar este tipo de procedimento em cada casa e, com ele, reduzir consideravelmente o lixo orgânico produzido, com a vantagem de o poder reutilizar como composto para as plantas de interior e exterior, mesmo que apenas em vasos e floreiras. Multiplicando o processo que aqui apresento à devida escala, o mesmo pode ser utilizado em escolas, hotéis, restaurantes, bares e toda e qualquer empresa que tenha um espaço reservado à produção ou ao consumo de produtos alimentares. Pensando bem e alargando o conceito um pouco mais, mesmo os espaços comerciais dedicados à venda de produtos alimentares perecíveis, como frutas e legumes, podem utilizar este tipo de sistema para dar destino aos produtos não vendidos. Estima-se que neste momento em Portugal cada indivíduo produza cerca de 4 kg de resíduos sólidos urbanos por dia. Destes resíduos sólidos urbanos a maioria são compostáveis e podem ser utilizados para corecção de solos depois de submetidos a um dos diversos tipos de tratamento existentes para o efeito.
  • 2. Os resíduos sólidos urbanos provocam diversos tipos de problemas à comunidade, entre os quais se destacam: • Poluição atmosférica durante a incineração e por arrastamento de materiais pelo vento. • Odores desagradáveis. • Fogos perigosos nos aterros, produzidos pela libertação de biogás – metano, amoníaco – altamente inflamável. • Contaminação de águas subterrâneas e superfíciais através da escorrência e infiltração. • Contaminação de solos. • Presença de roedores e insectos, transmissores de várias doenças. • Falta de espaço e muitas vezes de vontade das populações locais, para a construção de aterros e incineradoras. A compostagem traz inúmeras vantagens e na maioria dos casos todas ou quase todas podem ser aproveitadas dentro de casa, desde que se perca algum tempo a pensar no assunto e a encontrar a melhor solução para cada caso. Algumas das vantagens mais fáceis de identificar são: • Produção de um corrector de solos orgânico e não poluente, deste que não sejam utilizados dejectos, que pode ser utilizado nos vasos e floreiras, directamente no jardim se este existir ou vendido como composto a jardins e parques públicos ou privados, no caso de se tratar de entidades já de uma certa dimensão. • Melhoria das características gerais dos solos, tais como maior porosidade e retenção de água, que leva à melhoria das condições biológicas dos mesmos e permite usar menos os solos à venda nos supermercados e lojas da especialidade e, substituí-los total ou parcialmente por solos à partida menos ricos mas que podem ser corrigidos pelo composto. • Produção de biogás que pode ser aproveitado para produção de energia calorífica ou mesmo eléctrica, se houver em casa ou na empresa um engenhocas com vontade de se informar e experimentar. • Processo simples e de fácil implementação. • Possibilita a resolução do problema da deposição final de grande parte dos resíduos sólidos urbanos.
  • 3. O método aqui proposto usa como agente compostor uma minhoca vermelha da terra, conhecida por Minhoca Vermelha da Califórnia ou Eisenia fetida, pelos especialistas, mas reconhecida facilmente por todos os que lidam com a terra todos os dias, apenas como minhoca vermelha da terra. Encontra-se em terrenos húmidos e é muito frequente nas zonas rurais Portuguesas. É a minhoca mais usada na decomposição de resíduos orgânicos porque: • Facilmente coloniza estes restos – uma minhoca vermelha gera, em condições óptimas, cerca de 1500 crias por ano, sendo possível iniciar um compostor com um nº reduzido de minhocas e depois esperar que estas colonizem toda a estrutura. • Grande longevidade – cerca de 16 anos. • Resiste a elevados teores de humidade. • É muito tolerante a variações de temperatura. • Ingere diariamente o seu peso em comida e transforma em composto 60% do que ingere, produzindo um adubo orgânico muito rico em flora bacteriana – cerca de 2000 milhares de bactérias vivas e activas, por cada grama de húmus produzido. Existem outras espécies de minhocas vermelhas muito parecidas com a Eisenia fetida, que apenas se distinguem pela configuração da parte terminal que é arredondada e estriada, enquanto noutras espécies é pontiaguda, ou não é estriada – a questão é que a Eisenia fetida se reproduz 9 a 20 vezes mais ao fim de dois anos. Condições de sobrevivência óptima da minhoca vermelha da Califórnia: Condições Requisitos Temperaturas 15-20 ºC (limites 4-30 ºC) Teor de humidade 80-90% (limites 60-90%) Necessidades em oxigénio Aeróbias Quantidade de amónia nos resíduosBaixo:<0,5 mg/g Salinidade dos resíduos Baixo:<0,5 % pH > 5 e < 9 Fonte: Adaptado de Earthworm Ecology, pág. 337 Estas minhocas devem ser protegidas da luz pois a radiação ultravioleta provoca-lhes a morte em poucos minutos, pelo que o compostor deve ser sempre tapado.
  • 4. Existem materiais compostáveis e não compostáveis, dos quais se dão aqui alguns exemplos: Materiais Compostáveis: Verdes (> % de N): cascas de batata, legumes, cascas de fruta, borras de café, restos de pão, arroz, massa, cascas de ovos esmagadas, folhas e sacos de chá, cereais e restos de comida cozinhada. Castanhos (> % de C): aparas de madeira, serradura, relva e erva seca, ramos pequenos, folhas secas, pequenas quantidades de cinza de madeira, feno e palha. Materiais não Compostáveis: carne, peixe, lacticínios e gorduras, porque rançam e são difíceis de digerir. Para proceder à construção do compostor há que seguir os seguintes passos: 1. Fazer os orifícios de entrada de ar, na tampa e na parte superior das paredes da caixa com um berbequim ou um ferro em brasa. 2. Cortar a rede mosquiteira no tamanho necessário para forrar a caixa e a tampa e colá-la. 3. Fazer uma cama de minhocas com tiras de papel de jornal húmidas (1 parte de jornal : 3 partes de água), e colocá-las dentro do compostor. 4. Adicionar 3 a 4 chávenas de terra de jardim. 5. Colocar as minhocas e os materiais orgânicos compostáveis, cortados em pedaços pequenos, para facilitar a decomposição. 6. Revolver cuidadosamente com um ancinho pequeno. 7. Colocar uma folha de papel de jornal seca a tapar. 8. Fechar o compostor. Para proceder à manutenção semanal do compostor procede-se da seguinte forma: 1. Afastar a camada superior de jornal e verificar o desenvolvimento das minhocas. 2. Juntar matéria orgânica compostável, espalhada uniformemente, de acordo com o desenvolvimento das minhocas. 3. Adicionar água 4. Revolver o material 5. Voltar a colocar uma folha de papel de jornal seco
  • 5. 6. Fechar o compostor Três a quatro vezes por ano deve-se renovar a cama de minhocas, procedendo da seguinte maneira: 1. Mover o composto para um dos lados 2. Colocar uma nova “cama de minhocas”, na metade livre 3. Adicionar matéria orgânica só à nova cama 4. Uma a duas semanas mais tarde, retirar o composto e completar a cama da mesma maneira 5. Substituir a rede, se necessário Para evitar o aparecimento de moscas, aqui ficam algumas sugestões: • Não usar alimentos podres • Não dar demasiada comida • Enterrar os alimentos na “cama das minhocas” • Manter a humidade • Colocar uma folha de jornal seca por cima • Retirar a comida em decomposição • Colocar uma taça com vinagre e uma gota de detergente da louça perto do compostor • Após o aparecimento de moscas, não colocar restos de comida durante duas a três semanas, de forma a prevenir o aparecimento de novas larvas Podem por vezes surgir odores desagradáveis, fáceis de evitar da seguinte forma: • Se houver excesso de humidade – adicionar tiras de jornal secas e matéria orgânica com pouca água. • Revolver o compostor para que o ar entre. • Não colocar alimentos difíceis de compostar. Se as minhocas começarem a morrer ou fugirem da caixa, rever todos os procedimentos e factores que influenciam a sua sobrevivência.
  • 6. Bibliografia • Carvalho, M. J., Sousa, M. S. (2003). Estações de Compostagem nas Escolas – Acção de Formação – Ano Lectivo 2003 / 2004, Caldas da Rainha. • Marques, A. S.,Silva, J. P. (2001). Composto de Resíduos Sólidos Urbanos – Vantagens e Desvantagens da sua Aplicação no Solo, Mestrado Luso-Brasileiro em Gestão e Políticas Ambientais, Módulo de Gestão e Tecnologias Ambientais, Universidade de Évora. • Morais, M. J., Sousa, M. M. (2001). Vermicompostagem, Mestrado Luso- Brasileiro em Gestão e Políticas Ambientais, Módulo de Gestão e Tecnologias Ambientais, Universidade de Évora.