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Business Writing
Carga horária: 01 hora
Palestrante: José Paulo Moreira de Oliveira
Sócio-diretor do Grupo Independente de Português e da José Paulo,
consultoria em comunicação (ZPC).
Tutor: Rubiana Silva Pereira
Pós-graduada em Lingüística Aplicada pela UFPR, professora de Língua
Portuguesa e Literatura para o Ensino Médio e Pré-vestibular, corretora das
redações do ENEM, capacitadora e palestrante em cursos de capacitação e
aperfeiçoamento profissional na área de Língua Portuguesa.
Neste curso, abordaremos alguns aspectos que compõem a boa escrita.
Trataremos de sua aquisição e/ou aperfeiçoamento.
Objetivos de Aprendizagem
• Compreender que a boa escrita é aquela que atinge o enunciado
comunicativo;
• Identificar as três condições para escrever: ter o que dizer, ter para
quem dizer e saber como dizer;
• Identificar os elementos que compõem a escrita de bons textos:
clareza, coesão e coerência;
• Identificar que a escrita é diferente da fala, é sistemática e precisa ser
aprendida;
• Conhecer alguns elementos que garantem a clareza do texto;
• Identificar a ambigüidade como mecanismo desqualificador dos textos
utilitários;
• Conhecer a estrutura de alguns gêneros textuais que compõem o mundo
corporativo.
Mapa do Curso
1. Introdução
2. A Motivação da Escrita: Por Que Escrever e Para Que Escrever?
3. Características da Oralidade na Escrita
4. Momentos da Escrita: Planejar, Escrever e Reescrever
5. Características de um Bom Texto
6. Características e Dicas para Elaboração de Alguns Textos
Corporativos: O E-mail
7. Características e Dicas para Elaboração de Alguns Textos
Corporativos: Apresentações em PowerPoint
8. Conclusão
2
1. Introdução
Olá!
Seja bem-vindo (a) ao curso Escrita para Negócios!
Esperamos que no final deste curso, você possa ter
agregado ainda mais valores à sua prática
profissional.
Aproveite bem esta oportunidade, renove seus
conhecimentos e aperfeiçoe a sua escrita.
Bom curso!!!
Para começarmos, gostaria de dividir com você algumas de minhas leituras...
Há alguns anos li uma reportagem na revista Exame que despertou
minha curiosidade para a escrita corporativa. Dizia o seguinte:
“Quem comete erros de português ao falar, e não é capaz de escrever dez
linhas gramaticalmente corretas e com clareza, passa aos outros uma
péssima imagem. Imagem de pessoa mal informada, de nível cultural
baixo, que não lê. Ou seja, que não tem o perfil que o mercado procura.
No mundo competitivo das empresas é bom que esse tipo de gente não
tenha grandes aspirações.” (Exame, 23 de abril de 1997)
A reportagem revelava ainda que executivos brasileiros produzem relatórios
incompreensíveis, cartas que levam a diferentes interpretações, textos
absolutamente pobres de idéias, frases e sentenças e orações desconexas e
por aí afora.
Você concorda que, nos dias de hoje, as empresas e
instituições procuram pessoas com habilidade para
escrever?
( ) Sim ( ) Não
O texto da revista exame nos faz pensar sobre o valor
de um bom domínio de escrita para a nossa vida
profissional, não é mesmo?
É, mas a história não pára por aí....
Em 18 de maio de 2000, a Folha de São Paulo
Justifique sua resposta:
3
publicou os dados de pesquisa da Fundação do
Serviço Estadual de Análise de Dados, apontando a
deficiência dos trabalhadores para se comunicar por
escrito. Segundo a reportagem, 47,5% dos
empregados de nível superior tabelados têm
dificuldade de se comunicar por escrito.
Mas afinal, o que caracteriza um bom texto? Registre
três características que você acredita que devam
estar inseridas dentro de um bom texto.
Clique no botão resposta e conheça algumas
respostas possíveis para esta pergunta.
Bem, depois de tudo isso, você deve estar se
perguntando: qual é a saída para resolver o problema
da dificuldade de escrever?
Vamos iniciar com uma dica valiosa retirada da
mesma reportagem da Exame:
Em geral, escrevemos para outras pessoas, mas a
maioria das pessoas comete o erro de escrever para
o outro como se escrevesse para si própria. Quando
termina o texto vem o reconhecimento da
necessidade de reestruturação (reescrita), não é
verdade, isto acontece com você?
( ) sim, sempre ( ) não ( ) poucas vezes
De fato, redigir um bom texto dá trabalho mesmo.
Exige atenção, concentração, esforço, tempo,
dedicação, treino e paciência para começar de novo
muitas vezes.
__________________________________________
Resposta
4
2. A Motivação da Escrita: Por que Escrever e Para Que Escrever?
Quem nunca foi pego por um lapso de esquecimento? Todos nós, não é?
Diariamente, somos bombardeados com milhares de informações, muito mais
do que a nossa memória pode suportar.
Há um episódio que se conta sobre a vida do famoso
físico Albert Einstein. Certa vez, após uma
entrevista, o repórter perguntou o número do
telefone de Albert. Este abriu sua caderneta de
anotações e, lendo o número, o disse para o
jornalista. Bastante surpreso, o jovem entrevistador
perguntou a Einstein: “O senhor não se lembra o
número do seu próprio telefone?“ Calmamente,
Einsten respondeu: “Meu jovem, a inteligência não
está em decorar as informações, mas em saber onde
encontrá-las.”
Portanto, a escrita serve como registro auxiliar da
memória e você pode fazer um bom uso deste
recurso.
Acompanhe meu raciocínio e vamos rever um pouco da história...
Garantir a memória refere-se não apenas ao indivíduo, mas à cultura, à
sociedade em que a escrita está inserida. Quando não havia escrita, essa
memória era transmitida através da oralidade. E ainda é assim nas culturas
dos povos ágrafos (sem escrita). Através de contações de histórias, por
exemplo, transmitem aos filhos e netos valores morais, ou se prepara o pajé,
ou o líder, ou conta-se a saga de seus heróis e deuses. No entanto, é
impossível imaginar uma sociedade como a nossa manter sua memória
histórica e cultural sem a escrita, não é mesmo? Imagine a sua organização
sem registro, seria um verdadeiro desastre, concorda?
Dentro das corporações, a escrita toma um papel importante não apenas
como reflexo de uma sociedade gráfica, mas também como veículo de lucro,
considerando que o uso de informação escrita reduz gastos com o tempo,
ligações telefônicas, reuniões, etc.
Sem falar na transmissão de normas (como as ISO), ou dados, ou avisos,
5
enfim, praticamente toda grande parte da vida corporativa vem por meio da
comunicação escrita. Imagine se para todas as informações veiculadas
diariamente fosse marcada uma reunião... ou diversos telefonemas... Haja
tempo e paciência... E imagine, quando as pessoas não fossem localizadas...
Perderiam a informação?
Em nossa cultura, a escrita tem valor “oficial”.
Transações de todos os tipos precisam ser
documentadas por escrito pra terem reconhecimento
legal. Isso confere à escrita um valor ainda maior.
Como vimos, escreve-se para manter por longos anos, e
até para gerações futuras e longínquas, o registro de
acontecimentos, atos, pensamentos, idéias,
sentimentos, enfim, tudo que a escrita pode registrar.
Desse modo, a motivação da escrita está no outro.
Lembra-se da crítica feita pela reportagem da Exame?
O erro número 1 que a maioria das pessoas
comete é escrever para si próprias.
Por mais que a escrita possa auxiliar na memória
individual (exemplo disso é a caderneta do Einsten), é
sempre utilizada para que alguém leia. Portanto, a
escrita existe em função do outro, nunca para si mesma.
Escreve-se para o outro.
Para que você possa se fazer entender é preciso que se comunique
adequadamente. Isto é, não basta ter para quem dizer, é preciso ter o que
dizer e saber como dizer para ser compreendido. Escute a história da
seqüência que retrata a conversa entre uma cliente e um caixa de banco.
Somente quando você tem em mente quem é o seu interlocutor é que
você pode definir uma linguagem que seja apropriada. Porque, afinal,
segundo os valores culturais das relações corporativas, não convém que, por
exemplo, você envie pela primeira vez um e-mail para um cliente com a
mesma linguagem de um enviado para o seu(sua) namorado(a), por exemplo.
6
Do mesmo modo, se o texto produzido dirige-se a um público jovem a
linguagem usada deve provocar identificação.
Assim, a escrita não apenas transmite informação, mas também traz
conceitos sociais, julgamento de valores, pontos-de-vista.
Pense e responda abaixo: Você acredita que a forma como você escreve
pode influenciar a imagem da sua organização?
Agora, vamos fazer a seguinte atividade escrita:
Pense numa situação real, a necessidade de passar uma informação escrita
para um gerente ou diretor de sua organização avisando que você não poderá
comparecer ao trabalho.
Agora releia o texto que escreveu, coloque-se no lugar da pessoa para
quem você escreveu e responda:
• Este vocabulário está adequado: utilizo palavras
compreensíveis e que transmitem exatamente minhas
idéias?____________________________________________
________
• Meu leitor compreenderá claramente o que eu quero dizer?
____________________________________________________
___
• Se minha intenção é transmitir a seriedade ou a
descontração, esse texto reflete isso?
A que conclusão você chegou? Caso sinta necessidade, reescreva seu texto
no espaço abaixo:
*Se você tiver em mente que escreve para que alguém leia, e não para você
mesmo, mais da metade do seu percentual de habilidade de escrita já está
garantido!
3. Pontos Chaves da Escrita: Planejar, Escrever e Reescrever
A doutora Raquel Fiad, da UNICAMP, escreveu a seguinte frase sobre as
7
etapas de uma comunicação escrita:
“ Assumindo que a linguagem é construída pela interação (trocas) entre
os sujeitos, entendemos que, na modalidade escrita da linguagem, essa
construção envolve momentos diferentes, como o de planejamento de um
texto, o das modificações feitas no texto a partir dessa leitura.”
A afirmação da Dra. Fiad, implica que, diferente da fala, a escrita exige
sistematização. Isso envolve planejamento, trabalho e modificações até se
chegar na obtenção de um texto satisfatório. Depois de muitas pesquisas ela
aponta que escrever é apenas um pouco de inspiração, e muita, mas muita
mesmo transpiração.
É não tem outro caminho, a questão é escrever, ler, reescrever e só depois
encaminhar seu texto ao destinatário, certo?
Escrever é trabalhar e envolve etapas. A primeira, como tudo na vida, é a do
planejamento. A preocupação é com o que será enfocado no tema que o
texto pretende abordar e qual será o assunto de cada parágrafo.
A partir disso, se inicia a escrita propriamente dita; “preenchendo-se” o
conteúdo de cada parágrafo em uma seqüência lógica, com clareza e tudo o
mais que proporciona a produção de um bom texto.
Lembre-se que um texto nunca fica pronto após a primeira escrita. É
necessário revê-lo. Ler buscando o que pode ser melhorado, fazer
adequações gramaticais e estruturais. Esse processo é denominado reescrita
ou reestruturação do texto. Pois, no momento de colocar as idéias no papel,
você está preocupado em garantir o registro delas na velocidade do
pensamento, em não se esquecer de nada. E por isso alguns “deslizes”
passam desapercebidos. Isso é normal no processo de escrita. Acontece com
você, comigo, com o Saramago, com qualquer outro escritor ou pessoas que
lidam com a escrita.
Outra dica interessante é: após escrever, solicitar que alguém leia o texto
para ver se o que você pretende informar está de fato claro e será
compreendido pelo leitor. É uma boa forma de avaliar sua produção escrita,
afinal, escrevemos para o outro, não é mesmo?
Por vezes, dizemos ou escrevemos alguma coisa, mas na verdade, queremos
dizer outra coisa.... observe a tirinha abaixo:
8
As situações de reescrita podem ocorrer também durante a escrita. No
entanto, consideramos o estudo da revisão que ocorre após a escrita, a qual
envolve: Inclusão de tudo o que dará maior clareza ao texto e que atende a
norma culta da língua, ou seja, palavras, sinais e parágrafos.
Observe o texto 1 - original e observe a mudança ocorrida após a reescrita –
texto 2:
1. Trecho do texto original –
Água é vida, mas não seria ao
mesmo tempo morte? Tragédias
em relação à água ocorrem no
nosso cotidiano diariamente.
Pessoas perdem suas vidas não só
em relação à morte, mas também
nas enchentes, por exemplo:
perdem suas casas, seus bens
materiais.
Perceba que, pela forma como foi
escrito, o texto não deixa claro de
que maneira a água é vida e morte.
2.Trecho reescrito –
Água é vida. No entanto, seria ao
mesmo tempo morte? Tragédias em
relação à água ocorrem
diariamente. Pessoas perdem suas
vidas em enchentes e alagamentos
provocados pela água. Não só a
morte física tira a dádiva da vida.
Ela também se vai, quando acaba o
gosto de viver. Quando essa água
leva tudo o que essas pessoas
construíram e conquistaram, como
suas casas e outros bens materiais.
9
Observe que durante a reescrita do texto 1, alguns dados foram incluídos. O
que garantiu a clareza do texto 2, o reescrito. Observe que recursos foram
usados para a reescrita deste texto:
1. Supressão: de idéias redundantes ou incoerentes.
No caso do trecho citado no texto 1, a expressão: ...cotidiano diariamente
é redundante, devendo ser suprimida escolhendo-se usar ou a palavra
cotidiano ou a palavra diariamente, mas não as duas juntas.
2. Substituição: de palavras repetidas, ambíguas, ou inadequadas; de
expressões ou construções por outras que, do ponto de vista do autor, deixam
o texto mais adequado.
3. Deslocamento: de parágrafos que devem estar ordenados de maneira mais
coesa possível ou frases e períodos.
Compreendeu?
Atividade Pense e associe as palavras da direita com as frases da
esquerda.
A - A escrita é o resultado
de um trabalho consciente,
-----------------, repensado e
não uma inspiração divina.
( ) Supressão
B – O processo de -------------
---------- consiste em retirar
idéias redundantes ou
incoerentes do texto.
( ) Deslocamento
C –O processo de -------------
--------------------------
consiste em mudar os
parágrafos que devem estar
ordenados de maneira mais
coesa possível ou frases e
períodos.
( ) Planejado
Esperamos que até aqui o curso esteja sendo
proveitoso e você já tenha tido condições de avaliar
sua condição enquanto escritor.
Sendo assim, que tal darmos uma paradinha para
exercitar o conhecimento adquirido até aqui?
Para isso, complete a cruzadinha respondendo as afirmações de forma a
preencher as lacunas:
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1. Um dos grandes erros que uma pessoa comete ao escrever é escrever
para __________próprio.
2. Um texto nunca fica pronto na primeira vez que se escreve. Sendo
assim, a _________é a parte da escrita de bons textos.
3. Um bom texto é aquele que possui uma escrita.
4. Sempre coloque-se no lugar dos leitores antes de começar a escrever e
pergunte-se:
Este _____________está adequado: utilizo palavras compreensíveis a
este público leitor e que transmitem exatamente minhas idéias?
5. A escrita é um registro auxiliar da _______________, ela nos permite
“arquivar” as informações para as gerações futuras, para nós mesmos e
principalmente para os outros.
4. As Características da Oralidade na Escrita
Pense e responda no espaço abaixo:
As marcas da oralidade devem aparecer nos textos escritos formais?
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Vamos conhecer as características que distinguem a fala da escrita para que
evitemos equívocos. Observe a distinção entre elas:
Fala Escrita
Ampla variedade Modalidade Padrão
Frases curtas Frases longas
Redundante, repetitivo Conciso
Marcas de oralidade Uso de elementos próprios
Aprendizagem natural Aprendizagem sistemática
Fonte: Koch
Vamos ver agora o que quer dizer cada um dos tópicos apresentados na tabela que
difere fala de escrita e como ele se manifesta no texto.
1.Ampla variedade/Modalidade Padrão: a fala difere entre homens e mulheres,
idade, classe social, região, época, entre outros. Um adolescente, por exemplo,
utiliza um vocabulário cheio de gírias se comparado com a fala de um idoso. A fala
da região Sul possui marcas diferentes da fala da região Norte.
Observe a tirinha:
A tira acima é um bom exemplo de como a fala é diversificada, como existem vários
dialetos dentro de uma mesma língua nacional. Essa variação da linguagem é normal
e saudável. Afinal, a linguagem é dinâmica e reflete a vivência de cada pessoa. E ser
diferente não é errado, apenas é ser diferente.
O que acontece é que na hora de escrever, como você não estará junto do
seu leitor para resolver qualquer dúvida, você precisa assegurar a
compreensão do seu texto. Assim, a escrita precisa fixar estas diferenças
para assegurar a informação, ou seja, apesar da diferença regional uma
revista de circulação nacional tem de apresentar uma escrita compreensível
de Norte a Sul do país. Não importa se no Sul fala-se abóbora e no norte
12
jerimum, o texto escrito precisa “uniformizar” a língua. Por isso, dizemos
que bons textos seguem o padrão da norma culta, ou a norma padrão da
língua, a qual nada mais é que a língua socialmente aceita nos veículos de
comunicação e nas relações sociais escritas. É a língua da gramática e dos
dicionários, dos jornais e revistas de circulação nacional.
É importante lembrar que desmerecer as variações regionais ou locais de fala
é preconceito.
Se você se interessar pode saber mais sobre o
assunto lendo o livro do lingüista Marcos Bagno “Preconceito Lingüístico: o
que é e como se faz” da editora Loyola.
13
Vamos rever a tabela de diferenças entre a fala e a escrita, para nos
aprofundarmos no conteúdo do segundo item:
Frases curtas/Frases longas: A fala possui frases mais curtas em relação à
escrita (devido à memória, lembra-se?). Esse recurso garante que o
interlocutor apreenda as informações e também para que o falante consiga
formular frases e elaborar o texto ao mesmo tempo em que fala. Já a escrita
permite a elaboração de frases mais longas porque é possível ler o texto
quantas vezes for necessário para entendê-lo ou relembrar informações.
Além do que, o texto precisa garantir também a compreensão do leitor, já
que o escritor não está presente na interlocução como na oralidade.
Continuaremos estudando o terceiro item da tabela que diferencia a fala da
escrita. Vamos lá!
Redundante, repetitivo/Conciso: Na fala é natural a repetição de palavras e
mesmo de idéias. Isso na escrita torna o texto confuso e de baixa qualidade,
porque, afinal se o leitor pode “voltar” ao texto tanto quanto necessário para
compreendê-lo, para que escrever várias vezes a mesma coisa? A redundância
na escrita revela falta de conhecimento do assunto por parte de quem
escreve ou vocabulário pobre. Quanto mais objetivo o texto for, maior
garantia de clareza ele terá.
Marcas de oralidade/Uso de elementos próprios: O falante, mesmo sem
perceber, utiliza-se de marcas próprias da fala. São expressões como: né, ta,
e tal, tipo assim, daí. Essas expressões garantem um intervalo de memória a
quem fala para que seja elaborada a próxima fala ou para garantir que o
interlocutor não tome a vez de falar. A escrita não precisa garantir a
memória, muito menos temer não ter suas idéias concluídas. No entanto,
uma característica muito importante na escrita são as “partículas coesivas”,
ou elementos de ligação ou ainda elementos de coesão. São três nomes para
a mesma coisa: expressões que garantem a “costura” das idéias entre as
palavras, frases, períodos e parágrafos.
E para concluir estudaremos o quarto item da tabela:
Aprendizagem natural/Aprendizagem sistemática: A fala é aprendida
naturalmente no convívio social da criança, tanto que pessoas que nunca
foram alfabetizadas, que não possuem deficiências biológicas como surdez,
fazem uso da fala tranqüilamente. Já a escrita precisa ser aprendida, é
sistêmica. Isto, nos leva a pensar: Quais são as características de um bom
texto?
5.Características de um Bom Texto
Falamos tanto sobre “bons textos” mas afinal: o que é um bom texto? Será
14
que um bom texto é aquele que se apropria de uma retórica sofisticada,
pouco compreensível?
Vamos conhecer as sete características básicas de um bom texto:
1. Clareza e objetividade – Ter em mente para quem está escrevendo e
saber o que diz sem floreios ou voltas. É ir direto ao assunto.
2. Seqüência lógica – A famosa seqüência: introdução, desenvolvimento e
conclusão. A seqüência lógica é o encadeamento das frases de forma a
transmitirem uma seqüência lógica de idéias que permitam a compreensão do
seu texto.
1.Clareza e objetividade
2.Seqüência lógica
3.Coesão
4.Coerência
5.Originalidade
6.Convenções da língua
7.Argumentação
Continuaremos a conhecer as demais características básicas de um bom
texto:
Para relembrar as duas primeiras características de um bom texto
3. Coesão - Amarrar bem as idéias.
4. Coerência – Parece óbvio que é preciso dizer coisa com coisas para
escrever um texto coerente, mas, às vezes, podem ocorrer incoerências
quando, por exemplo, se começa a escrever um relatório no modo impessoal
e lá no final muda-se para o pessoal.
5. Originalidade – É dizer do seu jeito, evitar frases feitas e clichês.
6. Convenções da língua – Usar a norma culta, evitar desvios ortográficos, de
regência, etc.
7. Argumentação (quando necessário) – Saber defender seu ponto de vista,
quando o texto assim pede. Mostrando dados, citações e fatos que
argumentem a favor da sua opinião, convencendo o leitor.
Vamos exercitar:
Arraste a palavra para a lacuna correta:
15
1. Se inicio o texto no modo pessoal e termino no impessoal é sinal que
faltou___________
2. Convenções da língua significa ____________________
3. Amarrando bem as idéias do texto eu usei de_______________
4. Evitar frases feitas é usar de______________________
5. Saber defender seus pontos de vista é o mesmo que
ter__________________
Escrever Bem e Escrever Correto
Você acha que escrever correto é o mesmo que escrever bem?
Para sanar sua dúvida leia os dois textos e depois respondas as perguntas
abaixo:
I) Tendo em conta a experiência de
1989, uma análise do quadro
político-eleitoral estadual e
nacional, a dificuldade de realizar
amplas mudanças no modelo
econômico-político e social
brasileiro sem contar com uma
sólida retaguarda do Estado de São
Paulo, e a dificuldade de realizar
um governo estadual democrático-
popular sem o respaldo de políticas
federais, consideramos ser possível
e necessário, nas eleições de 1994,
trabalhar com o cenário de uma
vitória simultânea do nosso partido*
para os governos paulista e federal.
(*no lugar da sigla do partido)
II) Em 1994, a gente tem que
ganhar a eleição pro governo
estadual e pro federal. Os dois
juntos, porque, pelo que se viu em
1989, as jogadas eleitoreiras diz
que não é fácil fazer mudança na
política e na economia do Brasil
sem o apoio de São Paulo. Nem dá
pra fazer um governo bom pro povo
em São Paulo sem a ajuda do
governo federal.
E então, qual dos dois textos é mais compreensível?
Qual é mais fácil explicar? Qual, dos dois, é um bom texto, na sua opinião?
Escreva sua resposta nas linhas abaixo, justificando-a:
__________________________________________________________________
É importante lembrar que escrever corretamente não é o mesmo que
16
escrever bem. A eficiência na interpretação e na produção de textos não
depende exclusivamente da correção gramatical. Ela é um fator, mas não o
único ou o mais importante.
Falar e escrever bem é utilizar a linguagem com eficiência, atingindo
objetivos programados, sempre levando em conta a situação em que o
texto é produzido e o público a que se dirige.
Observe a tirinha:
O Sr. “Consultor Meio Retardado” disse bonito, mas não disse nada. Falhou na
clareza da exposição das suas idéias... Mas o que garante clareza para um
texto escrito?
Uma forma de garantir a clareza de seu texto é optar por períodos curtos,
separados por ponto. Evite parágrafos inteiros separados apenas por vírgula.
Além do risco de comprometer a clareza do seu texto, você pode ainda
cometer equívocos quanto ao uso da vírgula. Deste modo, prefira ordenar o
texto com uma frase de cada vez. Como quem constrói uma casa, tijolo após
tijolo.
No entanto, lembre-se: para que haja clareza na exposição das idéias, alguns
elementos como coesão e coerência devem ser considerados. É sobre esses
elementos que trataremos na seqüência.
Coesão textual é a ligação entre as idéias do texto, obtida através de
elementos lingüísticos específicos, os chamados conectivos. São eles: as
preposições, os pronomes e as conjunções que estabelecem vínculos entre as
palavras, frases, períodos e parágrafos.
Para que você possa fazer uso desta ferramenta apresentamos as
preposições:
A função das preposições é a de relacionar palavras estabelecendo entre
elas um vínculo de subordinação. São elas:
a, ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para,
perante, por, sem, sob, sobre, trás, segundo, salvo.
17
Observe que apenas mudando a proposição,
criamos vários sentidos para a mesma frase. Esta
é também a função dos conectivos, além de ligar
as idéias eles acrescentam um significado, um
sentido, ao que ligam.
Estamos estudando a Coesão Textual que é a ligação entre as idéias do
texto, obtida através de elementos lingüísticos específicos, os chamados
conectivos. Dentre os conectivos estão as conjunções. Qual seu significado?
Conjunções: podem unir palavras, períodos (duas ou mais orações), ou ainda
parágrafos inteiros. Observe o exemplo:
Quanto maiores as chances de oscilação abrupta de um preço,
(tanto) maiores serão também as chances dos ganhos
especulativos.
(Jornal Folha de São Paulo - Editorial - 26/07/96).
Acesse no material complementar o arquivo chamado
Quadro com a Classificação das Conjunções e verifique além das conjunções
existentes o valor semântico que estabelecem as idéias.
Sugerimos que você imprima uma cópia desta tabela e exercite o uso para
textos escritos.
Os pronomes são também conectivos que produzem coesão no texto, eles
têm como uma das funções na nossa língua de substituir um substantivo
(nome), fazendo referência no texto a algo que já foi dito ou será dito.
Observe o exemplo:
Reduzir custos, agilizar a produção, desenvolver um novo produto que atenda
às necessidades do mercado consumidor. Esses são alguns exemplos do que
se pode chamar de inovação. Ao contrário do que se pensa, as empresas
brasileiras têm se mostrado cada vez mais preocupadas com seu potencial
O diretor está no jornal.
O diretor está sob o jornal.
O diretor está sobre o jornal.
O diretor está com o jornal.
O diretor está perante o jornal.
18
inovativo e até o Terceiro Setor, por meio de Organizações Não-
Governamentais (ONGs), também inova. Porém, de acordo com especialistas,
faltam políticas públicas de fomento à inovação gerada no setor produtivo
privado.
(http://www.comciencia.br/reportagens/2004/08/04.shtml)
Observe como os pronomes “esses” e “seus” retomam, no texto, os
substantivos sublinhados.
Abuse dos elementos de coesão e capriche na compreensão do seu texto!
Acesse no Material Complementar o arquivo chamado
Tabela dos Pronomes, lá você encontrará uma tabela
completa dos diferentes tipos de pronome, certo?
Um texto coerente é uma seqüência cujo sentido o leitor identifica, de um
lado, em função das informações que lhe são apresentadas e, de outro, pela
relação que é capaz de estabelecer entre o que é dito e o que já conhece. A
coerência, portanto, diz respeito ao texto em si e à relação que mantém com
aspectos conhecidos da realidade.
Para que a coerência se estabeleça, espera-se que o assunto escolhido seja
desenvolvido sem acréscimos de informações não-pertinentes, sem
repetições desnecessárias e sem contradições.
19
Vamos nos divertir um pouco? Encontre as incoerências presentes no exemplo.
Vitório era gordinho, atarracado e briguento. Não gostava de reuniões de
família e adorava ver tevê e se encher de porcarias – no que se refere a
comidas... Namorava Sueli, a garota mais cobiçada do emprego, que
conseguira após meses de desemprego graças à ajuda do pai, professor
aposentado.
Em uma festa de aniversário de seu sobrinho favorito, Vitório encontra um
parente distante, que, provocativamente, deu um encontrão em Sueli,
derrubando-a no chão. O namorado socorreu-a, sem dar maior importância ao
fato. Da mesma forma, ela aproximou-se do desconhecido e começou uma
enorme discussão, que acabou em briga.
E então? Encontrou quantas incoerências? Uma? Ih, é pouco! Duas?
Anote aqui as incoerências que você encontrou:
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
Gabarito:
1. Contradição entre características e ações da personagem Vitório:
a. Avesso às reuniões familiares, mas participa de um aniversário;
b. É briguento, mas assume uma atitude passiva diante de uma
provocação.
2. Inclusão de informações não-pertinentes.
a. O desemprego de Vitório e o auxílio do pai não são informações
importantes para os fatos narrados em seguida.
3. Emprego inadequado de conectivo:
a. A expressão “da mesma forma” deveria introduzir uma ação
semelhante à anteriormente narrada, mas a garota teve uma
reação contrária à do namorado.
A ambigüidade gera o problema de interpretação para os leitores dos textos.
Observe a frase abaixo:
“Russel Crowe vai se casar com namorada de 12 anos”
Uol News, 15 dez. 2002
E ai? O que você me diz sobre o casamento de Russel Crowe? A namorada
dele tem 12 anos ou há doze anos eles namoram e agora decidiram se casar?
Percebe como esse enunciado possui um duplo sentido? Uma ambigüidade?
20
Num caso como esse, a ambigüidade é extremamente prejudicial, pois leva o
leitor a uma duplicidade de sentidos que prejudica a interpretação do texto.
6. Características e Dicas para Elaboração de Alguns Textos
Corporativos: o e-mail.
Quais são os gêneros textuais que circulam no seu dia-a-dia profissional?
Conhecer e dominar a estrutura dos gêneros textuais correntes na sua
interação social é fator fundamental de domínio do uso da linguagem. Já que
cada tipo de texto possui características próprias.
Vamos iniciar pelo texto que circula por e-mail, seja pela intranet ou pela
internet, o e-mail tem, sem dúvida alguma, tomado posição privilegiada
quanto à transmissão de informações dentro de uma corporação. Seja por sua
agilidade ou pela amplitude de contatos que ele possibilita.
Agora, apesar de estar tão presente no nosso dia-a-dia, será que você sabe
escrever bons e-mails?
Aqui vão 10 dicas sobre como elaborar um e-mail para
aplicação profissional:
1. Escreva uma saudação para cada e-mail que você
enviar.
2. Procure ser breve no que você tem a dizer.
3. Procure limitar seu e-mail em linhas de até 80
caracteres ou menos.
4. Responda a um e-mail na mesma velocidade que
você retornaria uma ligação telefônica.
5. Cheque a pontuação, a objetividade, a clareza e os
possíveis desvios gramaticais.
6. Use adequadamente as letras maiúsculas e os
parágrafos. Nada de escrever tudo em maiúscula.
Existem outros recursos para se destacar informações
importantes, como negrito, cores ou ainda mudar o
tamanho da fonte.
7. Use uma fonte que dê uma impressão profissional
ou neutra.
8. Se você quiser enumerar alguma instrução ou
destacar alguma informação, utilize numeradores ou
bullets.
Por exemplo:
1) Coloque o papel na bandeja;
21
2) Aperte o botão verde “start”.
9. Utilize um discurso de tom positivo: “Quando você
concluir o relatório...” é melhor do que “Se você concluir
o relatório...”
10.Use smiles :-) ou símbolos gráficos somente quando
for apropriado.
7. Características Dicas para Elaboração de Alguns Textos Corporativos:
Apresentações em PowerPoint
Para que escrever no PowerPoint?
O PowerPoint é uma forma de incrementar uma apresentação oral. Ele
permite incorporar recursos visuais e de mídia nas apresentações para
grandes grupos. È uma forma de apresentação muito utilizada pelas
corporações.
Antes de começar a elaborar sua apresentação, se pergunte:
• Quem é meu público?
• Qual o nível de relacionamento que tenho ou quero estabelecer com
ele? Qual o propósito dessa apresentação?
• Irei informar ou argumentar?
• Qual a ocasião na qual esta apresentação será feita: uma apresentação
profissional, uma conferência, um treinamento?
• O que eu quero que o público perceba?
• Estou representando um negócio ou uma empresa?
A resposta a estas perguntas lhe orientará na escolha do formato do seu PPT.
Algumas dicas práticas para a preparação de seu PPT:
1. Ao escolher o template considere que os lineares, de tons sóbrios e sem
desenhos transmitem uma imagem mais profissional. Em geral, as
empresas já possuem templates personalizados com a logomarca da
empresa ou alguma inscrição que a identifique.
2. Utilize textos apenas para reforçar ou facilitar a compreensão das
informações orais. Nada de fazer slides com textos enormes e ficar lendo
lá na frente.
22
3. Procure utilizar imagens que permitam uma associação e, portanto,
uma melhor memorização ou ilustração do conteúdo apresentado. Se
necessário monte tabelas ou gráficos que sintetizam e expressam as
informações abordadas na apresentação.
4. Procure ter equilíbrio com o uso de animações, elas podem causar
distração. Mas é um bom recurso quando se quer ilustrar a fala,
demonstrar um exemplo ou levantar uma reflexão.
5. Comunique de forma efetiva com desenhos simples, texto conciso e
conteúdo relevante. Saber coordenar fala, expressão corporal com os
recursos do PowerPoint é a grande sacada para obter-se sucesso em uma
apresentação desse tipo.
8. Conclusão
Para finalizarmos nossos estudos, descreva no espaço abaixo:
Em os conhecimentos que você construiu durante este curso poderão
contribuir para a sua vida profissional?
Após concluir seu texto escrito, salve-o em seu computador e envie para o
seguinte e-mail : andrea@dtcom.com.br
É isso ai! Concluímos por aqui nosso estudo sobre a escrita para negócios.
Espero que você tenha aprendido após esse tempo que passamos juntos.
No entanto, eu não poderia me despedir sem antes deixar a última dica: leia!
Leia de tudo e leia muito. Ser leitor é o grande segredo de quem escreve
bem. Vale ler de folder de mercado aos clássicos da literatura, passando pela
leitura de jornais, periódicos, bula de remédio, enfim, tudo.
Sucesso pra você e até a próxima!
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Como escrever bem business writing

  • 1. 1 Business Writing Carga horária: 01 hora Palestrante: José Paulo Moreira de Oliveira Sócio-diretor do Grupo Independente de Português e da José Paulo, consultoria em comunicação (ZPC). Tutor: Rubiana Silva Pereira Pós-graduada em Lingüística Aplicada pela UFPR, professora de Língua Portuguesa e Literatura para o Ensino Médio e Pré-vestibular, corretora das redações do ENEM, capacitadora e palestrante em cursos de capacitação e aperfeiçoamento profissional na área de Língua Portuguesa. Neste curso, abordaremos alguns aspectos que compõem a boa escrita. Trataremos de sua aquisição e/ou aperfeiçoamento. Objetivos de Aprendizagem • Compreender que a boa escrita é aquela que atinge o enunciado comunicativo; • Identificar as três condições para escrever: ter o que dizer, ter para quem dizer e saber como dizer; • Identificar os elementos que compõem a escrita de bons textos: clareza, coesão e coerência; • Identificar que a escrita é diferente da fala, é sistemática e precisa ser aprendida; • Conhecer alguns elementos que garantem a clareza do texto; • Identificar a ambigüidade como mecanismo desqualificador dos textos utilitários; • Conhecer a estrutura de alguns gêneros textuais que compõem o mundo corporativo. Mapa do Curso 1. Introdução 2. A Motivação da Escrita: Por Que Escrever e Para Que Escrever? 3. Características da Oralidade na Escrita 4. Momentos da Escrita: Planejar, Escrever e Reescrever 5. Características de um Bom Texto 6. Características e Dicas para Elaboração de Alguns Textos Corporativos: O E-mail 7. Características e Dicas para Elaboração de Alguns Textos Corporativos: Apresentações em PowerPoint 8. Conclusão
  • 2. 2 1. Introdução Olá! Seja bem-vindo (a) ao curso Escrita para Negócios! Esperamos que no final deste curso, você possa ter agregado ainda mais valores à sua prática profissional. Aproveite bem esta oportunidade, renove seus conhecimentos e aperfeiçoe a sua escrita. Bom curso!!! Para começarmos, gostaria de dividir com você algumas de minhas leituras... Há alguns anos li uma reportagem na revista Exame que despertou minha curiosidade para a escrita corporativa. Dizia o seguinte: “Quem comete erros de português ao falar, e não é capaz de escrever dez linhas gramaticalmente corretas e com clareza, passa aos outros uma péssima imagem. Imagem de pessoa mal informada, de nível cultural baixo, que não lê. Ou seja, que não tem o perfil que o mercado procura. No mundo competitivo das empresas é bom que esse tipo de gente não tenha grandes aspirações.” (Exame, 23 de abril de 1997) A reportagem revelava ainda que executivos brasileiros produzem relatórios incompreensíveis, cartas que levam a diferentes interpretações, textos absolutamente pobres de idéias, frases e sentenças e orações desconexas e por aí afora. Você concorda que, nos dias de hoje, as empresas e instituições procuram pessoas com habilidade para escrever? ( ) Sim ( ) Não O texto da revista exame nos faz pensar sobre o valor de um bom domínio de escrita para a nossa vida profissional, não é mesmo? É, mas a história não pára por aí.... Em 18 de maio de 2000, a Folha de São Paulo Justifique sua resposta:
  • 3. 3 publicou os dados de pesquisa da Fundação do Serviço Estadual de Análise de Dados, apontando a deficiência dos trabalhadores para se comunicar por escrito. Segundo a reportagem, 47,5% dos empregados de nível superior tabelados têm dificuldade de se comunicar por escrito. Mas afinal, o que caracteriza um bom texto? Registre três características que você acredita que devam estar inseridas dentro de um bom texto. Clique no botão resposta e conheça algumas respostas possíveis para esta pergunta. Bem, depois de tudo isso, você deve estar se perguntando: qual é a saída para resolver o problema da dificuldade de escrever? Vamos iniciar com uma dica valiosa retirada da mesma reportagem da Exame: Em geral, escrevemos para outras pessoas, mas a maioria das pessoas comete o erro de escrever para o outro como se escrevesse para si própria. Quando termina o texto vem o reconhecimento da necessidade de reestruturação (reescrita), não é verdade, isto acontece com você? ( ) sim, sempre ( ) não ( ) poucas vezes De fato, redigir um bom texto dá trabalho mesmo. Exige atenção, concentração, esforço, tempo, dedicação, treino e paciência para começar de novo muitas vezes. __________________________________________ Resposta
  • 4. 4 2. A Motivação da Escrita: Por que Escrever e Para Que Escrever? Quem nunca foi pego por um lapso de esquecimento? Todos nós, não é? Diariamente, somos bombardeados com milhares de informações, muito mais do que a nossa memória pode suportar. Há um episódio que se conta sobre a vida do famoso físico Albert Einstein. Certa vez, após uma entrevista, o repórter perguntou o número do telefone de Albert. Este abriu sua caderneta de anotações e, lendo o número, o disse para o jornalista. Bastante surpreso, o jovem entrevistador perguntou a Einstein: “O senhor não se lembra o número do seu próprio telefone?“ Calmamente, Einsten respondeu: “Meu jovem, a inteligência não está em decorar as informações, mas em saber onde encontrá-las.” Portanto, a escrita serve como registro auxiliar da memória e você pode fazer um bom uso deste recurso. Acompanhe meu raciocínio e vamos rever um pouco da história... Garantir a memória refere-se não apenas ao indivíduo, mas à cultura, à sociedade em que a escrita está inserida. Quando não havia escrita, essa memória era transmitida através da oralidade. E ainda é assim nas culturas dos povos ágrafos (sem escrita). Através de contações de histórias, por exemplo, transmitem aos filhos e netos valores morais, ou se prepara o pajé, ou o líder, ou conta-se a saga de seus heróis e deuses. No entanto, é impossível imaginar uma sociedade como a nossa manter sua memória histórica e cultural sem a escrita, não é mesmo? Imagine a sua organização sem registro, seria um verdadeiro desastre, concorda? Dentro das corporações, a escrita toma um papel importante não apenas como reflexo de uma sociedade gráfica, mas também como veículo de lucro, considerando que o uso de informação escrita reduz gastos com o tempo, ligações telefônicas, reuniões, etc. Sem falar na transmissão de normas (como as ISO), ou dados, ou avisos,
  • 5. 5 enfim, praticamente toda grande parte da vida corporativa vem por meio da comunicação escrita. Imagine se para todas as informações veiculadas diariamente fosse marcada uma reunião... ou diversos telefonemas... Haja tempo e paciência... E imagine, quando as pessoas não fossem localizadas... Perderiam a informação? Em nossa cultura, a escrita tem valor “oficial”. Transações de todos os tipos precisam ser documentadas por escrito pra terem reconhecimento legal. Isso confere à escrita um valor ainda maior. Como vimos, escreve-se para manter por longos anos, e até para gerações futuras e longínquas, o registro de acontecimentos, atos, pensamentos, idéias, sentimentos, enfim, tudo que a escrita pode registrar. Desse modo, a motivação da escrita está no outro. Lembra-se da crítica feita pela reportagem da Exame? O erro número 1 que a maioria das pessoas comete é escrever para si próprias. Por mais que a escrita possa auxiliar na memória individual (exemplo disso é a caderneta do Einsten), é sempre utilizada para que alguém leia. Portanto, a escrita existe em função do outro, nunca para si mesma. Escreve-se para o outro. Para que você possa se fazer entender é preciso que se comunique adequadamente. Isto é, não basta ter para quem dizer, é preciso ter o que dizer e saber como dizer para ser compreendido. Escute a história da seqüência que retrata a conversa entre uma cliente e um caixa de banco. Somente quando você tem em mente quem é o seu interlocutor é que você pode definir uma linguagem que seja apropriada. Porque, afinal, segundo os valores culturais das relações corporativas, não convém que, por exemplo, você envie pela primeira vez um e-mail para um cliente com a mesma linguagem de um enviado para o seu(sua) namorado(a), por exemplo.
  • 6. 6 Do mesmo modo, se o texto produzido dirige-se a um público jovem a linguagem usada deve provocar identificação. Assim, a escrita não apenas transmite informação, mas também traz conceitos sociais, julgamento de valores, pontos-de-vista. Pense e responda abaixo: Você acredita que a forma como você escreve pode influenciar a imagem da sua organização? Agora, vamos fazer a seguinte atividade escrita: Pense numa situação real, a necessidade de passar uma informação escrita para um gerente ou diretor de sua organização avisando que você não poderá comparecer ao trabalho. Agora releia o texto que escreveu, coloque-se no lugar da pessoa para quem você escreveu e responda: • Este vocabulário está adequado: utilizo palavras compreensíveis e que transmitem exatamente minhas idéias?____________________________________________ ________ • Meu leitor compreenderá claramente o que eu quero dizer? ____________________________________________________ ___ • Se minha intenção é transmitir a seriedade ou a descontração, esse texto reflete isso? A que conclusão você chegou? Caso sinta necessidade, reescreva seu texto no espaço abaixo: *Se você tiver em mente que escreve para que alguém leia, e não para você mesmo, mais da metade do seu percentual de habilidade de escrita já está garantido! 3. Pontos Chaves da Escrita: Planejar, Escrever e Reescrever A doutora Raquel Fiad, da UNICAMP, escreveu a seguinte frase sobre as
  • 7. 7 etapas de uma comunicação escrita: “ Assumindo que a linguagem é construída pela interação (trocas) entre os sujeitos, entendemos que, na modalidade escrita da linguagem, essa construção envolve momentos diferentes, como o de planejamento de um texto, o das modificações feitas no texto a partir dessa leitura.” A afirmação da Dra. Fiad, implica que, diferente da fala, a escrita exige sistematização. Isso envolve planejamento, trabalho e modificações até se chegar na obtenção de um texto satisfatório. Depois de muitas pesquisas ela aponta que escrever é apenas um pouco de inspiração, e muita, mas muita mesmo transpiração. É não tem outro caminho, a questão é escrever, ler, reescrever e só depois encaminhar seu texto ao destinatário, certo? Escrever é trabalhar e envolve etapas. A primeira, como tudo na vida, é a do planejamento. A preocupação é com o que será enfocado no tema que o texto pretende abordar e qual será o assunto de cada parágrafo. A partir disso, se inicia a escrita propriamente dita; “preenchendo-se” o conteúdo de cada parágrafo em uma seqüência lógica, com clareza e tudo o mais que proporciona a produção de um bom texto. Lembre-se que um texto nunca fica pronto após a primeira escrita. É necessário revê-lo. Ler buscando o que pode ser melhorado, fazer adequações gramaticais e estruturais. Esse processo é denominado reescrita ou reestruturação do texto. Pois, no momento de colocar as idéias no papel, você está preocupado em garantir o registro delas na velocidade do pensamento, em não se esquecer de nada. E por isso alguns “deslizes” passam desapercebidos. Isso é normal no processo de escrita. Acontece com você, comigo, com o Saramago, com qualquer outro escritor ou pessoas que lidam com a escrita. Outra dica interessante é: após escrever, solicitar que alguém leia o texto para ver se o que você pretende informar está de fato claro e será compreendido pelo leitor. É uma boa forma de avaliar sua produção escrita, afinal, escrevemos para o outro, não é mesmo? Por vezes, dizemos ou escrevemos alguma coisa, mas na verdade, queremos dizer outra coisa.... observe a tirinha abaixo:
  • 8. 8 As situações de reescrita podem ocorrer também durante a escrita. No entanto, consideramos o estudo da revisão que ocorre após a escrita, a qual envolve: Inclusão de tudo o que dará maior clareza ao texto e que atende a norma culta da língua, ou seja, palavras, sinais e parágrafos. Observe o texto 1 - original e observe a mudança ocorrida após a reescrita – texto 2: 1. Trecho do texto original – Água é vida, mas não seria ao mesmo tempo morte? Tragédias em relação à água ocorrem no nosso cotidiano diariamente. Pessoas perdem suas vidas não só em relação à morte, mas também nas enchentes, por exemplo: perdem suas casas, seus bens materiais. Perceba que, pela forma como foi escrito, o texto não deixa claro de que maneira a água é vida e morte. 2.Trecho reescrito – Água é vida. No entanto, seria ao mesmo tempo morte? Tragédias em relação à água ocorrem diariamente. Pessoas perdem suas vidas em enchentes e alagamentos provocados pela água. Não só a morte física tira a dádiva da vida. Ela também se vai, quando acaba o gosto de viver. Quando essa água leva tudo o que essas pessoas construíram e conquistaram, como suas casas e outros bens materiais.
  • 9. 9 Observe que durante a reescrita do texto 1, alguns dados foram incluídos. O que garantiu a clareza do texto 2, o reescrito. Observe que recursos foram usados para a reescrita deste texto: 1. Supressão: de idéias redundantes ou incoerentes. No caso do trecho citado no texto 1, a expressão: ...cotidiano diariamente é redundante, devendo ser suprimida escolhendo-se usar ou a palavra cotidiano ou a palavra diariamente, mas não as duas juntas. 2. Substituição: de palavras repetidas, ambíguas, ou inadequadas; de expressões ou construções por outras que, do ponto de vista do autor, deixam o texto mais adequado. 3. Deslocamento: de parágrafos que devem estar ordenados de maneira mais coesa possível ou frases e períodos. Compreendeu? Atividade Pense e associe as palavras da direita com as frases da esquerda. A - A escrita é o resultado de um trabalho consciente, -----------------, repensado e não uma inspiração divina. ( ) Supressão B – O processo de ------------- ---------- consiste em retirar idéias redundantes ou incoerentes do texto. ( ) Deslocamento C –O processo de ------------- -------------------------- consiste em mudar os parágrafos que devem estar ordenados de maneira mais coesa possível ou frases e períodos. ( ) Planejado Esperamos que até aqui o curso esteja sendo proveitoso e você já tenha tido condições de avaliar sua condição enquanto escritor. Sendo assim, que tal darmos uma paradinha para exercitar o conhecimento adquirido até aqui? Para isso, complete a cruzadinha respondendo as afirmações de forma a preencher as lacunas:
  • 10. 10 1. Um dos grandes erros que uma pessoa comete ao escrever é escrever para __________próprio. 2. Um texto nunca fica pronto na primeira vez que se escreve. Sendo assim, a _________é a parte da escrita de bons textos. 3. Um bom texto é aquele que possui uma escrita. 4. Sempre coloque-se no lugar dos leitores antes de começar a escrever e pergunte-se: Este _____________está adequado: utilizo palavras compreensíveis a este público leitor e que transmitem exatamente minhas idéias? 5. A escrita é um registro auxiliar da _______________, ela nos permite “arquivar” as informações para as gerações futuras, para nós mesmos e principalmente para os outros. 4. As Características da Oralidade na Escrita Pense e responda no espaço abaixo: As marcas da oralidade devem aparecer nos textos escritos formais?
  • 11. 11 Vamos conhecer as características que distinguem a fala da escrita para que evitemos equívocos. Observe a distinção entre elas: Fala Escrita Ampla variedade Modalidade Padrão Frases curtas Frases longas Redundante, repetitivo Conciso Marcas de oralidade Uso de elementos próprios Aprendizagem natural Aprendizagem sistemática Fonte: Koch Vamos ver agora o que quer dizer cada um dos tópicos apresentados na tabela que difere fala de escrita e como ele se manifesta no texto. 1.Ampla variedade/Modalidade Padrão: a fala difere entre homens e mulheres, idade, classe social, região, época, entre outros. Um adolescente, por exemplo, utiliza um vocabulário cheio de gírias se comparado com a fala de um idoso. A fala da região Sul possui marcas diferentes da fala da região Norte. Observe a tirinha: A tira acima é um bom exemplo de como a fala é diversificada, como existem vários dialetos dentro de uma mesma língua nacional. Essa variação da linguagem é normal e saudável. Afinal, a linguagem é dinâmica e reflete a vivência de cada pessoa. E ser diferente não é errado, apenas é ser diferente. O que acontece é que na hora de escrever, como você não estará junto do seu leitor para resolver qualquer dúvida, você precisa assegurar a compreensão do seu texto. Assim, a escrita precisa fixar estas diferenças para assegurar a informação, ou seja, apesar da diferença regional uma revista de circulação nacional tem de apresentar uma escrita compreensível de Norte a Sul do país. Não importa se no Sul fala-se abóbora e no norte
  • 12. 12 jerimum, o texto escrito precisa “uniformizar” a língua. Por isso, dizemos que bons textos seguem o padrão da norma culta, ou a norma padrão da língua, a qual nada mais é que a língua socialmente aceita nos veículos de comunicação e nas relações sociais escritas. É a língua da gramática e dos dicionários, dos jornais e revistas de circulação nacional. É importante lembrar que desmerecer as variações regionais ou locais de fala é preconceito. Se você se interessar pode saber mais sobre o assunto lendo o livro do lingüista Marcos Bagno “Preconceito Lingüístico: o que é e como se faz” da editora Loyola.
  • 13. 13 Vamos rever a tabela de diferenças entre a fala e a escrita, para nos aprofundarmos no conteúdo do segundo item: Frases curtas/Frases longas: A fala possui frases mais curtas em relação à escrita (devido à memória, lembra-se?). Esse recurso garante que o interlocutor apreenda as informações e também para que o falante consiga formular frases e elaborar o texto ao mesmo tempo em que fala. Já a escrita permite a elaboração de frases mais longas porque é possível ler o texto quantas vezes for necessário para entendê-lo ou relembrar informações. Além do que, o texto precisa garantir também a compreensão do leitor, já que o escritor não está presente na interlocução como na oralidade. Continuaremos estudando o terceiro item da tabela que diferencia a fala da escrita. Vamos lá! Redundante, repetitivo/Conciso: Na fala é natural a repetição de palavras e mesmo de idéias. Isso na escrita torna o texto confuso e de baixa qualidade, porque, afinal se o leitor pode “voltar” ao texto tanto quanto necessário para compreendê-lo, para que escrever várias vezes a mesma coisa? A redundância na escrita revela falta de conhecimento do assunto por parte de quem escreve ou vocabulário pobre. Quanto mais objetivo o texto for, maior garantia de clareza ele terá. Marcas de oralidade/Uso de elementos próprios: O falante, mesmo sem perceber, utiliza-se de marcas próprias da fala. São expressões como: né, ta, e tal, tipo assim, daí. Essas expressões garantem um intervalo de memória a quem fala para que seja elaborada a próxima fala ou para garantir que o interlocutor não tome a vez de falar. A escrita não precisa garantir a memória, muito menos temer não ter suas idéias concluídas. No entanto, uma característica muito importante na escrita são as “partículas coesivas”, ou elementos de ligação ou ainda elementos de coesão. São três nomes para a mesma coisa: expressões que garantem a “costura” das idéias entre as palavras, frases, períodos e parágrafos. E para concluir estudaremos o quarto item da tabela: Aprendizagem natural/Aprendizagem sistemática: A fala é aprendida naturalmente no convívio social da criança, tanto que pessoas que nunca foram alfabetizadas, que não possuem deficiências biológicas como surdez, fazem uso da fala tranqüilamente. Já a escrita precisa ser aprendida, é sistêmica. Isto, nos leva a pensar: Quais são as características de um bom texto? 5.Características de um Bom Texto Falamos tanto sobre “bons textos” mas afinal: o que é um bom texto? Será
  • 14. 14 que um bom texto é aquele que se apropria de uma retórica sofisticada, pouco compreensível? Vamos conhecer as sete características básicas de um bom texto: 1. Clareza e objetividade – Ter em mente para quem está escrevendo e saber o que diz sem floreios ou voltas. É ir direto ao assunto. 2. Seqüência lógica – A famosa seqüência: introdução, desenvolvimento e conclusão. A seqüência lógica é o encadeamento das frases de forma a transmitirem uma seqüência lógica de idéias que permitam a compreensão do seu texto. 1.Clareza e objetividade 2.Seqüência lógica 3.Coesão 4.Coerência 5.Originalidade 6.Convenções da língua 7.Argumentação Continuaremos a conhecer as demais características básicas de um bom texto: Para relembrar as duas primeiras características de um bom texto 3. Coesão - Amarrar bem as idéias. 4. Coerência – Parece óbvio que é preciso dizer coisa com coisas para escrever um texto coerente, mas, às vezes, podem ocorrer incoerências quando, por exemplo, se começa a escrever um relatório no modo impessoal e lá no final muda-se para o pessoal. 5. Originalidade – É dizer do seu jeito, evitar frases feitas e clichês. 6. Convenções da língua – Usar a norma culta, evitar desvios ortográficos, de regência, etc. 7. Argumentação (quando necessário) – Saber defender seu ponto de vista, quando o texto assim pede. Mostrando dados, citações e fatos que argumentem a favor da sua opinião, convencendo o leitor. Vamos exercitar: Arraste a palavra para a lacuna correta:
  • 15. 15 1. Se inicio o texto no modo pessoal e termino no impessoal é sinal que faltou___________ 2. Convenções da língua significa ____________________ 3. Amarrando bem as idéias do texto eu usei de_______________ 4. Evitar frases feitas é usar de______________________ 5. Saber defender seus pontos de vista é o mesmo que ter__________________ Escrever Bem e Escrever Correto Você acha que escrever correto é o mesmo que escrever bem? Para sanar sua dúvida leia os dois textos e depois respondas as perguntas abaixo: I) Tendo em conta a experiência de 1989, uma análise do quadro político-eleitoral estadual e nacional, a dificuldade de realizar amplas mudanças no modelo econômico-político e social brasileiro sem contar com uma sólida retaguarda do Estado de São Paulo, e a dificuldade de realizar um governo estadual democrático- popular sem o respaldo de políticas federais, consideramos ser possível e necessário, nas eleições de 1994, trabalhar com o cenário de uma vitória simultânea do nosso partido* para os governos paulista e federal. (*no lugar da sigla do partido) II) Em 1994, a gente tem que ganhar a eleição pro governo estadual e pro federal. Os dois juntos, porque, pelo que se viu em 1989, as jogadas eleitoreiras diz que não é fácil fazer mudança na política e na economia do Brasil sem o apoio de São Paulo. Nem dá pra fazer um governo bom pro povo em São Paulo sem a ajuda do governo federal. E então, qual dos dois textos é mais compreensível? Qual é mais fácil explicar? Qual, dos dois, é um bom texto, na sua opinião? Escreva sua resposta nas linhas abaixo, justificando-a: __________________________________________________________________ É importante lembrar que escrever corretamente não é o mesmo que
  • 16. 16 escrever bem. A eficiência na interpretação e na produção de textos não depende exclusivamente da correção gramatical. Ela é um fator, mas não o único ou o mais importante. Falar e escrever bem é utilizar a linguagem com eficiência, atingindo objetivos programados, sempre levando em conta a situação em que o texto é produzido e o público a que se dirige. Observe a tirinha: O Sr. “Consultor Meio Retardado” disse bonito, mas não disse nada. Falhou na clareza da exposição das suas idéias... Mas o que garante clareza para um texto escrito? Uma forma de garantir a clareza de seu texto é optar por períodos curtos, separados por ponto. Evite parágrafos inteiros separados apenas por vírgula. Além do risco de comprometer a clareza do seu texto, você pode ainda cometer equívocos quanto ao uso da vírgula. Deste modo, prefira ordenar o texto com uma frase de cada vez. Como quem constrói uma casa, tijolo após tijolo. No entanto, lembre-se: para que haja clareza na exposição das idéias, alguns elementos como coesão e coerência devem ser considerados. É sobre esses elementos que trataremos na seqüência. Coesão textual é a ligação entre as idéias do texto, obtida através de elementos lingüísticos específicos, os chamados conectivos. São eles: as preposições, os pronomes e as conjunções que estabelecem vínculos entre as palavras, frases, períodos e parágrafos. Para que você possa fazer uso desta ferramenta apresentamos as preposições: A função das preposições é a de relacionar palavras estabelecendo entre elas um vínculo de subordinação. São elas: a, ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás, segundo, salvo.
  • 17. 17 Observe que apenas mudando a proposição, criamos vários sentidos para a mesma frase. Esta é também a função dos conectivos, além de ligar as idéias eles acrescentam um significado, um sentido, ao que ligam. Estamos estudando a Coesão Textual que é a ligação entre as idéias do texto, obtida através de elementos lingüísticos específicos, os chamados conectivos. Dentre os conectivos estão as conjunções. Qual seu significado? Conjunções: podem unir palavras, períodos (duas ou mais orações), ou ainda parágrafos inteiros. Observe o exemplo: Quanto maiores as chances de oscilação abrupta de um preço, (tanto) maiores serão também as chances dos ganhos especulativos. (Jornal Folha de São Paulo - Editorial - 26/07/96). Acesse no material complementar o arquivo chamado Quadro com a Classificação das Conjunções e verifique além das conjunções existentes o valor semântico que estabelecem as idéias. Sugerimos que você imprima uma cópia desta tabela e exercite o uso para textos escritos. Os pronomes são também conectivos que produzem coesão no texto, eles têm como uma das funções na nossa língua de substituir um substantivo (nome), fazendo referência no texto a algo que já foi dito ou será dito. Observe o exemplo: Reduzir custos, agilizar a produção, desenvolver um novo produto que atenda às necessidades do mercado consumidor. Esses são alguns exemplos do que se pode chamar de inovação. Ao contrário do que se pensa, as empresas brasileiras têm se mostrado cada vez mais preocupadas com seu potencial O diretor está no jornal. O diretor está sob o jornal. O diretor está sobre o jornal. O diretor está com o jornal. O diretor está perante o jornal.
  • 18. 18 inovativo e até o Terceiro Setor, por meio de Organizações Não- Governamentais (ONGs), também inova. Porém, de acordo com especialistas, faltam políticas públicas de fomento à inovação gerada no setor produtivo privado. (http://www.comciencia.br/reportagens/2004/08/04.shtml) Observe como os pronomes “esses” e “seus” retomam, no texto, os substantivos sublinhados. Abuse dos elementos de coesão e capriche na compreensão do seu texto! Acesse no Material Complementar o arquivo chamado Tabela dos Pronomes, lá você encontrará uma tabela completa dos diferentes tipos de pronome, certo? Um texto coerente é uma seqüência cujo sentido o leitor identifica, de um lado, em função das informações que lhe são apresentadas e, de outro, pela relação que é capaz de estabelecer entre o que é dito e o que já conhece. A coerência, portanto, diz respeito ao texto em si e à relação que mantém com aspectos conhecidos da realidade. Para que a coerência se estabeleça, espera-se que o assunto escolhido seja desenvolvido sem acréscimos de informações não-pertinentes, sem repetições desnecessárias e sem contradições.
  • 19. 19 Vamos nos divertir um pouco? Encontre as incoerências presentes no exemplo. Vitório era gordinho, atarracado e briguento. Não gostava de reuniões de família e adorava ver tevê e se encher de porcarias – no que se refere a comidas... Namorava Sueli, a garota mais cobiçada do emprego, que conseguira após meses de desemprego graças à ajuda do pai, professor aposentado. Em uma festa de aniversário de seu sobrinho favorito, Vitório encontra um parente distante, que, provocativamente, deu um encontrão em Sueli, derrubando-a no chão. O namorado socorreu-a, sem dar maior importância ao fato. Da mesma forma, ela aproximou-se do desconhecido e começou uma enorme discussão, que acabou em briga. E então? Encontrou quantas incoerências? Uma? Ih, é pouco! Duas? Anote aqui as incoerências que você encontrou: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Gabarito: 1. Contradição entre características e ações da personagem Vitório: a. Avesso às reuniões familiares, mas participa de um aniversário; b. É briguento, mas assume uma atitude passiva diante de uma provocação. 2. Inclusão de informações não-pertinentes. a. O desemprego de Vitório e o auxílio do pai não são informações importantes para os fatos narrados em seguida. 3. Emprego inadequado de conectivo: a. A expressão “da mesma forma” deveria introduzir uma ação semelhante à anteriormente narrada, mas a garota teve uma reação contrária à do namorado. A ambigüidade gera o problema de interpretação para os leitores dos textos. Observe a frase abaixo: “Russel Crowe vai se casar com namorada de 12 anos” Uol News, 15 dez. 2002 E ai? O que você me diz sobre o casamento de Russel Crowe? A namorada dele tem 12 anos ou há doze anos eles namoram e agora decidiram se casar? Percebe como esse enunciado possui um duplo sentido? Uma ambigüidade?
  • 20. 20 Num caso como esse, a ambigüidade é extremamente prejudicial, pois leva o leitor a uma duplicidade de sentidos que prejudica a interpretação do texto. 6. Características e Dicas para Elaboração de Alguns Textos Corporativos: o e-mail. Quais são os gêneros textuais que circulam no seu dia-a-dia profissional? Conhecer e dominar a estrutura dos gêneros textuais correntes na sua interação social é fator fundamental de domínio do uso da linguagem. Já que cada tipo de texto possui características próprias. Vamos iniciar pelo texto que circula por e-mail, seja pela intranet ou pela internet, o e-mail tem, sem dúvida alguma, tomado posição privilegiada quanto à transmissão de informações dentro de uma corporação. Seja por sua agilidade ou pela amplitude de contatos que ele possibilita. Agora, apesar de estar tão presente no nosso dia-a-dia, será que você sabe escrever bons e-mails? Aqui vão 10 dicas sobre como elaborar um e-mail para aplicação profissional: 1. Escreva uma saudação para cada e-mail que você enviar. 2. Procure ser breve no que você tem a dizer. 3. Procure limitar seu e-mail em linhas de até 80 caracteres ou menos. 4. Responda a um e-mail na mesma velocidade que você retornaria uma ligação telefônica. 5. Cheque a pontuação, a objetividade, a clareza e os possíveis desvios gramaticais. 6. Use adequadamente as letras maiúsculas e os parágrafos. Nada de escrever tudo em maiúscula. Existem outros recursos para se destacar informações importantes, como negrito, cores ou ainda mudar o tamanho da fonte. 7. Use uma fonte que dê uma impressão profissional ou neutra. 8. Se você quiser enumerar alguma instrução ou destacar alguma informação, utilize numeradores ou bullets. Por exemplo: 1) Coloque o papel na bandeja;
  • 21. 21 2) Aperte o botão verde “start”. 9. Utilize um discurso de tom positivo: “Quando você concluir o relatório...” é melhor do que “Se você concluir o relatório...” 10.Use smiles :-) ou símbolos gráficos somente quando for apropriado. 7. Características Dicas para Elaboração de Alguns Textos Corporativos: Apresentações em PowerPoint Para que escrever no PowerPoint? O PowerPoint é uma forma de incrementar uma apresentação oral. Ele permite incorporar recursos visuais e de mídia nas apresentações para grandes grupos. È uma forma de apresentação muito utilizada pelas corporações. Antes de começar a elaborar sua apresentação, se pergunte: • Quem é meu público? • Qual o nível de relacionamento que tenho ou quero estabelecer com ele? Qual o propósito dessa apresentação? • Irei informar ou argumentar? • Qual a ocasião na qual esta apresentação será feita: uma apresentação profissional, uma conferência, um treinamento? • O que eu quero que o público perceba? • Estou representando um negócio ou uma empresa? A resposta a estas perguntas lhe orientará na escolha do formato do seu PPT. Algumas dicas práticas para a preparação de seu PPT: 1. Ao escolher o template considere que os lineares, de tons sóbrios e sem desenhos transmitem uma imagem mais profissional. Em geral, as empresas já possuem templates personalizados com a logomarca da empresa ou alguma inscrição que a identifique. 2. Utilize textos apenas para reforçar ou facilitar a compreensão das informações orais. Nada de fazer slides com textos enormes e ficar lendo lá na frente.
  • 22. 22 3. Procure utilizar imagens que permitam uma associação e, portanto, uma melhor memorização ou ilustração do conteúdo apresentado. Se necessário monte tabelas ou gráficos que sintetizam e expressam as informações abordadas na apresentação. 4. Procure ter equilíbrio com o uso de animações, elas podem causar distração. Mas é um bom recurso quando se quer ilustrar a fala, demonstrar um exemplo ou levantar uma reflexão. 5. Comunique de forma efetiva com desenhos simples, texto conciso e conteúdo relevante. Saber coordenar fala, expressão corporal com os recursos do PowerPoint é a grande sacada para obter-se sucesso em uma apresentação desse tipo. 8. Conclusão Para finalizarmos nossos estudos, descreva no espaço abaixo: Em os conhecimentos que você construiu durante este curso poderão contribuir para a sua vida profissional? Após concluir seu texto escrito, salve-o em seu computador e envie para o seguinte e-mail : andrea@dtcom.com.br É isso ai! Concluímos por aqui nosso estudo sobre a escrita para negócios. Espero que você tenha aprendido após esse tempo que passamos juntos. No entanto, eu não poderia me despedir sem antes deixar a última dica: leia! Leia de tudo e leia muito. Ser leitor é o grande segredo de quem escreve bem. Vale ler de folder de mercado aos clássicos da literatura, passando pela leitura de jornais, periódicos, bula de remédio, enfim, tudo. Sucesso pra você e até a próxima!
  • 23. 23