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Cálculo de Riscos de atividades industriais
Antonio Fernando Navarro1
www.scribd.com/antoniofernandonavarro
navarro@vm.uff.br
Introdução ao Cálculo de Riscos
Risco é um evento que é decorrente da existência de perigos associados a situações
propícias, o qual, para que materialize, deve estar enquadrado como um evento futuro, ou seja, não estamos
tratando de algo que já ocorreu ou que está ocorrendo; o evento em questão deve ser possível, isto é tem a
possibilidade ou probabilidade de ocorrer; também tem que ser incerto, pois que se estamos tratando de
eventos certos esses já não serão riscos, mas sim eventos possíveis de ocorrer; serem independente da
vontade das partes, ou seja, não podem passar a existir com a colaboração direta ou indireta do ser humano;
serem capazes de causar perdas ou danos, e esses poderem ser mensuráveis. Se o evento não vier a causar
nenhuma perda ou dano não pode ser “matematizado”. Por outra feita, se essas perdas ou danos não puderem
ser mensurados certamente não serão repostas, já que a reposição significa a substituição por outro bem
equivalente ou igual, que somente é obtido com recursos extra, quase sempre provenientes de indenizações
de seguradoras.
O nascimento de uma criança é um risco. Ao longo de sua vida temos a certeza de sua
morte, mas não sabemos como e quando ocorrerá. Também sabemos que se a própria pessoa quiser tirar sua
vida estará cometendo suicídio. Se for atingida por uma bala poderá ser um caso de assassinato.
O lançamento de um empreendimento imobiliário é um risco. Pode dar certo ou não.
Diferentemente dos demais, um cálculo errado sobre a probabilidade de certeza de dar certo, baseado em
pesquisas insuficientes ou ultrapassadas retiram dessas todas as demais características de riscos.
Não faz muito tempo e assistimos pela televisão a explosão da Challenger, que em sua
décima missão em 1986 veio a explodir. Constatou-se a posteriori que houve falhas na manutenção do
equipamento. Se toda a análise da perda estivesse centrada na causa da ocorrência já se poderia prever a
possibilidade da perda.
Construir-se barracos na beira de encostas é um risco. Diferentemente das definições
apresentadas passa a ser um risco assumido e, em assim o sendo, certamente não será indenizado pelas
seguradoras.
Os especialistas reconhecem que os riscos são derivados dos perigos. Por exemplo,
trabalhar no alto de uma casa para instalar uma antena pode ser um trabalho perigoso. Em função disso
podem existir riscos associados, como o de queda. Assim, o risco sucede ao perigo. Destarte, um mesmo
1
Antonio Fernando Navarro é Físico, Engenheiro Civil, Engenheiro de Segurança do Trabalho e professor do curso de
Ciências Atuariais da Universidade Federal Fluminense, Mestre em Saúde e Meio Ambiente, tendo atuado em
atividades industriais por mais de 30 anos como Gerente de Riscos, principalmente em seguradoras e para o IRB Brasil
Re como Perito de grandes sinistros.
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perigo pode ser o responsável por várias causas, mas, dificilmente uma causa pode ser resultado de vários
perigos.
Uma questão aparentemente complexa é a que diz respeito à mensuração dos riscos.
Voltando ao exemplo anterior, qual seria a mensuração do risco de queda? Poderia ser em razão da gravidade
das lesões? Se, assim o fosse, como se mensurar as gravidades? Pelo número de ossos partidos ou pelo
tempo de restabelecimento do acidentado, ou quem sabe, pelos custos que a empresa teve para cuidar desse
funcionário?
Efetivamente, a mensuração dos riscos não é uma tarefa das mais fáceis, notadamente em
algumas áreas específicas. Uma dessas é a que envolve a responsabilidade civil de danos causados a
terceiros, outra a de danos morais. Muitas vezes, pela dificuldade de precificação das perdas os magistrados
passam a arbitrar valores que passam a ser adotados em outras demandas assemelhadas.
Uma das maneiras de se precificar os riscos ocorre através da estipulação de taxas, as
quais, aplicadas a valores específicos pode se transformar em um custo. Quem arbitra o valor específico
quase sempre é o ente que pode ser acionado para a reparação das perdas, também dito segurado. Quem fixa
as taxas é quem passa a se responsabilizar pelas indenizações, uma seguradora. Sob essa ótica, o segurado
que se encontrar sujeito a um risco, proveniente da execução de atividades ou trabalhos perigosos pode
encontrar o amparo ou respaldo de uma seguradora que passará a ser sua parceira na indenização proveniente
de perdas ou danos. O proprietário de um automóvel está sujeito a uma série de riscos. O automóvel pode ser
furtado, roubado ou colidir com outro veículo. Uma seguradora irá avaliar os riscos e apresentar suas taxas
para assegurar que o proprietário do veículo seja acobertado. Ambos, seguradora e proprietário do veículo –
segurado – estabelecem de comum acordo o valor do bem a ser reparado, caso se esteja tratando apenas da
reposição do bem, automóvel. Idêntico procedimento poderá ocorrer com outros riscos e outras atividades.
Contudo, há situações onde o dono do bem é o próprio segurado e o segurador e nessa condição, terá que ter
o conhecimento de quanto poderá perder se houver uma perda ou dano. Um motor elétrico está sujeito a
riscos. Alguns podem ser devido ao desgaste normal do equipamento e da forma de como ele será operado.
As peças que serão substituídas ou reparadas serão as perdas. O responsável por esses custos será o
segurado/segurador.
Inúmeros são os critérios atualmente existentes para a taxação dos riscos industriais. Sob
essa denominação podem estar acobertadas: refinarias, siderúrgicas, petroquímicas, fábricas diversas e outros
empreendimentos de mesma grandeza. Antigamente, quando ainda existiam tarifas para a taxação de riscos,
únicas para todas as seguradoras, seguia-se uma rotina de taxação, que era submetida à apreciação do
Ressegurador.
Para quem não está familiarizado com a linguagem do seguro, as seguradoras possuem
um Limite Técnico para a aceitação dos riscos e um Limite Operacional. As seguradoras podem assumir a
responsabilidade pela assunção dos riscos sozinhas, repassando o que exceda a seu limite de retenção a um
ressegurador e ou a outras seguradoras, de sorte que todo o valor segurado venha a ser acobertado por essas
sociedades. O ressegurador assume as responsabilidades excedentes das seguradoras, sendo um segurador
em um segundo nível, repassa o que ultrapassa a seus limites de retenção a outros resseguradores. Essa via é
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de mão dupla, ou seja, da mesma forma que se envia riscos essas empresas, seguradoras e resseguradoras
recebem riscos.
O vai e vem de riscos é na verdade um vai e vem de recursos, já que risco significa uma
taxa, a qual aplicada ao valor segurado do bem, o risco, é transformada no prêmio de seguros. Nesta fase
ainda está se referindo aos prêmios de riscos sem os carregamentos habituais devido às comissões de
corretagem, despesas operacionais, impostos e encargos e taxas técnicas ou carregamentos, que suprem
eventuais desvios de taxas ou de riscos.
O modelo abaixo exemplifica o limite de retenção da seguradora. Ultrapassado esse limite
há um receptáculo para o mesmo, em linguagem figurada, denominado aqui ressegurador. O que ultrapassa à
retenção do ressegurador é repassado a outros resseguradores, ou os seguradores do ressegurador. Os limites
de retenção aqui relatados são limites por riscos e não limites por carteiras de seguros.
O objeto do seguro é o risco, representado pelas suas consequências. No primeiro
exemplo, uma atividade perigosa de se instalar uma antena no telhado de uma casa é perigosa, apresenta
como um dos riscos a queda do trabalhador. Essa queda pode provocar lesões no trabalhador. São as lesões
que são indenizadas.
No ambiente dos seguradores o risco passa a ter outro significado, como: uma pessoa (no
seguro de vida ou de acidentes pessoais), uma edificação (no seguro de incêndio), um equipamento (no
seguro de riscos de engenharia ou riscos diversos), uma embarcação ou uma aeronave, nos seguros de cascos
marítimos ou aeronáuticos, e por aí segue.
Uma relação importante qualquer que seja o risco é a de que para cada risco há uma taxa,
já que os riscos podem representar prejuízos distintos. Essa taxa aplicada sobre a importância segurada do
bem termina por se transformar no prêmio de seguros. Essa pode ser agravada ou reduzida em função da boa
experiência da seguradora e do segurado não apresentar sinistros.
Em uma apólice que acoberte um edifício contra o risco de incêndio, se houver o
incêndio, não importa a causa e desde que essa esteja contemplada como risco coberto, o incêndio ocorrido é
o sinistro. Se não houver possibilidade de salvar-se nada se diz que houve a “perda total”. Caso haja a
possibilidade de se salvar algo se diz “salvados do incêndio”, que podem ficar de posse do segurado,
reduzindo a perda da seguradora, ou ficar com a seguradora, que indenizará o segurado da perda. Para que
ocorra o equilíbrio da operação as taxas devem corresponder aos riscos assumidos.
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De forma resumida, taxar-se um risco é o mesmo que avaliar-se o grau de perda, seja essa
para o segurado, indústria, ou para a seguradora. Para tal, devem ser conhecidos os modos de falha dos
sistemas, a extensão das perdas, a frequência de como essas perdas ocorrem em um determinado período e os
custos envolvidos. A taxa de risco pode ser resumida como o produto do percentual de frequência das
ocorrências com o percentual das perdas ocorridas, essas tomadas relacionando-se o que se perdeu com o
montante existente não afetado e fazendo parte do mesmo sistema e ou equipamento.
Neste artigo tratar-se-ão dos critérios de taxação dos riscos industriais, ou seja, das perdas
e ou danos que possam ocorrer em instalações industriais, que não necessariamente sejam indenizados por
seguradores.
Os riscos dos seguros industriais
“Riscos são todos os insucessos ocorridos em uma determinada fase ou época e não de
todo esperados”.
Risco não é somente o que está para acontecer ou o que temos receio de que aconteça:
• Hoje teremos o risco de um temporal; Levem os seus casacos; Não cheguem tarde da noite;
• Há risco de vocês serem assaltados, portanto, não cheguem tarde; Não andem por ruas escuras;
• Se vocês não estudarem correrão o risco de não tirar boas notas;
• Não tente consertar o chuveiro para não ter o risco de levar um choque.
Os riscos podem vir a ser encontrados em várias atividades, como:
• procedimentos cirúrgicos;
• operações financeiras;
• construções civis;
• montagens industriais;
• implantação de empreendimentos, etc.
Qualificação - identificação do tipo de risco (trata-se de um risco de incêndio, de um risco de explosão, de
um risco de danos elétricos, etc.).
Risco
Taxas
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Quantificação - determinação do valor da perda, expressa em percentual do valor dos bens ou em valores
absolutos, ou do tamanho do prejuízo a se verificar no futuro (P.Ex. o risco, se ocorrer, poderá gerar uma
perda que irá afetar 48% do patrimônio da indústria).
Quando o risco se materializa tem-se o dano. Quase sempre o dano está associado a uma
perda material, humana, patrimonial ou de responsabilidades.
Os estudos de confiabilidade, hoje traduzidos pela aplicação de softwares específicos
possibilitam que se tenha, de antemão, uma idéia do que pode ocorrer se houver um acidente ambiental. Há
mais de 25 anos já se empregavam softwares, simplificados, que avaliavam o grau de perdas materiais
causadas por eventos envolvendo explosão.
As análises até então, restringiam-se a se equiparar as perdas sofridas, com o rompimento
de um vaso de pressão de um processo, ao equivalente a uma detonação de uma carga de TNT. A partir daí,
simulava-se o impacto expansivo radial da explosão sobre as edificações, trabalhando-se com plantas que
representavam corretamente as edificações e a fonte dos riscos. Durante anos, o Ex-tool foi uma das
ferramentas mais utilizadas no mercado de seguros para a avaliação das perdas máximas admissíveis.
As construções existentes no “caminho” das ondas de explosão eram classificadas
conforme sua resistência estrutural. Ao final, o software apresentava os círculos de perdas, onde os limites
extremos eram a quebra de vidros das janelas, ou seja, os impactos de menor importância. A partir daí eram
tomadas as medidas de prevenção necessárias, quase sempre de reposicionamento dos equipamentos ou do
reforço das estruturas, com o objetivo de redução das perdas. Já naquela época aplicavam-se os conceitos de
níveis de proteção aplicados às instalações mais vulneráveis às perdas.
Entende-se o Grau de Confiabilidade como o inverso do Grau de probabilidade de Falha.
Assim, quanto maior é o grau de confiabilidade menor é o grau de falha. Um sistema altamente confiável
apresenta um baixo nível de falha. Um sistema que apresente elevado nível de falhas é pouco confiável.
Nas questões envolvendo o meio ambiente têm-se situações onde os problemas decorrem
de ações humanas e outros de ações naturais. As ações humanas não são tão simples assim de serem
analisadas, já que podem estar associadas a inúmeras variáveis. As ações naturais também são associadas a
inúmeras variáveis.
Em ambos os casos, de ações humanas e de ações naturais costuma-se praticar regras de
regressões lineares, objetivando-se reduzir os graus de liberdade assumidos pelas funções. Nesta
apresentação vamos nos ater aos acidentes ambientais de forma genérica. Os elementos pesquisados no
gerenciamento de riscos são:
• Riscos que têm maior probabilidade de ocorrência;
• Freqüência de ocorrência dos riscos;
• Causas e conseqüências das ocorrências;
• Perdas usualmente verificadas;
• Processos de prevenção existentes que venham a inibir as ocorrências.
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Os seguros industriais, pelas suas características, são sempre seguros mais técnicos,
exigindo das seguradoras análises de gerenciamento de riscos realizadas por engenheiros. Pelo porte das
empresas quase sempre chegam a ser seguros vultosos, ou seja, com valores segurados que ultrapassam a
capacidade de retenção de riscos do mercado segurador nacional, exigindo transferências de riscos para o
mercado internacional.
A qualificação do mercado segurador e a distribuição dos riscos continuamente
fiscalizada transforma as empresas em instituições com grande liquidez. Um sinistro, a efetivação do risco
sobre o evento segurado, não prejudica financeiramente a seguradora a ponto de causar sua insolvência por
falta de liquidez. Quando há um sinistro vultoso (perda elevada) certamente muitas serão as seguradoras
envolvidas, direta ou indiretamente, sem que o segurado tenha o conhecimento de todo esse processo de
repasse do risco.
Contrariamente, quando o segurado é o próprio segurador, esse participa da reposição de
todas as suas perdas. No início da década de 60 o mercado segurador passou a se beneficiar com os conceitos
de Confiabilidade de Processos, instituído naquela ocasião com o propósito de se assegurar que as perdas
seriam conhecidas. O segurado, ou o industrial pode, dependendo das circunstâncias legais e mesmo
acionárias resolver não contratar o seguro para nada. Mesmo assim deverá ter o conhecimento de suas
responsabilidades futuras com a ocorrência de acidentes. Como ele será o segurador de seus próprios bens,
auto seguro, deverá constituir reservas para fazer frente a eventuais substituições, reparos ou manutenções. A
forma de como isso ocorrerá, em termos de gestão, é idêntica a que se processa quando se contrata um
seguro.
Uma obra industrial compreende um complexo de atividades que demandam vários tipos
de serviços, alguns dos quais apresentam riscos potenciais elevados, capazes de causar inúmeras perdas ou
danos. Assim, existem atividades:
• manuais e com o emprego de equipamentos de vários portes;
• com o emprego de robôs (atividades submarinas e as realizadas em espaços confinados, principalmente
para soldas);
• com a necessidade de apenas uma pessoa e com enorme efetivo de pessoal;
• desde a simples fabricação de uma cadeira à fabricação e montagem de uma plataforma de petróleo;
• executadas no nível do chão, sob o solo ou em alturas elevadas;
• realizadas com o objeto do trabalho estático ou em movimento (P.Ex.: reparo de uma estação espacial);
• sobre o solo ou sob a água;
• com pressões elevadas ou pressões negativas;
• com temperaturas são normais ou elevadas, etc..
Cada uma dessas atividades apresenta características em específicas e que requerem do
analista de riscos ou gerente de riscos um conhecimento aprofundado do processo, principalmente para
compreender o sinistro, ou perda ocorrida, o modus operandi, se acha inserido em uma cobertura de seguros
como um item segurado ou, caso não exista o seguro para tal evento, se a falha se deveu à operação, ao
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próprio equipamento (fadiga de material ou falha de produção, construção ou montagem), ou a outros fatores
intervenientes ao processo.
Na linguagem empregada no gerenciamento de riscos, nas atividades relacionadas com a
segurança industrial ou segurança dos processos, atividades essas bem mais amplas do que as simples
análises de segurança do trabalho, o risco é mensurado multiplicando-se o resultado da frequência das
ocorrências dos acidentes com a severidade ou gravidade dos mesmos.
Pode parecer à primeira vista uma função simples, de multiplicar-se a quantidade de
ocorrências com as perdas geradas, mas não é assim como parece. Em primeiro lugar são relacionadas todas
as ocorrências identificadas ao longo de um período associando-as à perdas desde a falta de produção, danos
aos equipamentos e instalações, e processo. Depois de relacionadas busca-se obter as perdas médias e valores
de ocorrências, para estruturar a análise atuarial. A partir daí, com o apoio de conceitos matemáticos
determina-se o valor da taxa. Nessa fase passa a ser muito importante que o período de avaliação seja tão
extenso quanto se possa ter informações, e essas, tão completas quanto se requer. Muitas vezes as pessoas
mais importantes para informar as frequências das falhas são os operadores dos equipamentos, já que nem
todas as perdas ou danos são relatados. Também é importante se obter informações nos almoxarifados das
empresas e ferramentarias.
Quanto maior a frequência com que os acidentes ou falhas ocorrem mais os
empreendimentos devem investir em supervisão, controle de atividades e capacitação dos trabalhadores.
Quando a frequência é elevada isso pode significar que podem estar associadas várias questões como:
• pressa para a conclusão das tarefas,
• chefias preocupadas com a produção,
• ambientes de trabalho que propiciam a desatenção dos trabalhadores,
• ausência de supervisão dos encarregados,
• falta de manutenção dos equipamentos,
• máquinas, ferramentas ou equipamentos que baixa qualidade,
• emprego de componentes para os reparos ou manutenções não recomendados pelos fabricantes, entre
inúmeras outras questões.
Por outro lado, quando a severidade é alta a empresa deve voltar suas atenções para os
dispositivos de proteção dos trabalhadores e equipamentos, ou seja, reduzir, mitigar ou eliminar os riscos,
além de reavaliar as barreiras ou níveis de proteção, também conhecidas como camadas de proteção. Se a
probabilidade da perda for elevada algumas medidas imediatas devem ser tomadas, como:
• Identificação se a perda pode atingir outros equipamentos, componentes ou sistemas,
• Verificar se o acidente pode paralisar as atividades ou se ficará restrito ao próprio equipamento,
• Identificar se o acidente pode atingir pessoas ou instalações de terceiros,
• Avaliar se a energia dispersa com a ocorrência do acidente pode propagar-se com força suficiente
que ultrapasse as barreiras de contenção,
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• Identificar os níveis de proteção dos equipamentos e se esses são os adequados.
A associação das duas funções que compõem a equação onde o risco faz parte depende de
fatores envolvendo trabalhadores, empresa, ambiente e processos de trabalho, equipamentos empregados,
enfim, pode-se imaginar que há um “sem fim” de aspectos muitas vezes não percebidos ou identificados nas
análises de risco tradicionais e recomendadas em literaturas, como: análises preliminares de riscos, de riscos
de processo, de árvores de falhas, série de riscos e série de eventos, HAZOP, análise dos modos de falhas e
efeitos, e várias outras. Com as novas tecnologias e capacitações dos profissionais, passam a ser mais
empregados os recursos computacionais para a simulação de eventos.
No início da década de 80 a Swiss Re (uma das maiores resseguradores internacionais)
adotava um programa computacional denominado Ex-Tool para avaliação dos danos causados por explosões
de caldeiras. Na época o mercado segurador encontrava-se na dianteira das análises de riscos, principalmente
porque dispunha de bancos de dados confiáveis sobre a ocorrência de sinistros (perdas e danos) em bens
segurados e ou ressegurados com valores elevados e os utilizava para a avaliação da extensão das perdas e ou
danos e para negociar com os resseguradores taxas mais vantajosas em função de eventuais medidas de
contenção adotadas pelos segurados.
O mercado segurador, no início da década de 60, através de seus técnicos, acompanhou
de perto a mudança da cultura dos riscos. A “guerra fria” entre Estados Unidos e Rússia desenvolvia-se
largamente. Os Estados Unidos, preparando-se contra ataques de outros países lançou o projeto de misseis
balísticos intercontinentais. Para preservar as informações de projeto, foram contratadas centenas de
empresas para atuar na fabricação de partes dos mísseis, dispersas pelos vários estados americanos. Essas
empresas não tinham contato entre sí e, em assim o sendo, não sabiam das configurações finais do que
executavam. Contudo, o Governo Americano precisava encontrar um meio de que esse conjunto de
componentes que seriam unidos para a montagem do míssil tivesse o desempenho desejado. Como já havia
estudos sobre a Confiabilidade de Processos esses passaram a ser adotados em todas as fases da fabricação.
De certa forma foi a primeira incursão na área da Qualidade e, mais do que isso, assegurar-se que pelo
elevado grau de confiabilidade exigida em todos os processos ocorresse a minimização ou eliminação das
falhas. Hoje esses conceitos são largamente empregados, desde a fabricação e montagem de módulos de
plataformas de petróleo, fabricação e montagem de seções de navios, montagem de unidades de processo, e,
até o inesperado, a construção de túneis extensos.
Para o mercado segurador as falhas representam os riscos. Assim, partir-se desse conceito
para desenvolve-se atividades de Gerenciamento de Riscos foi apenas um pequeno passo, tanto que no final
da década de 70 as seguradoras nacionais, ao proporem aos resseguradores participação nos chamados riscos
vultosos, tinham que ter profissionais experientes e desenvolver relatórios sobre os riscos. A visão das
seguradoras e das indústrias era a mesma, mas os conceitos não.
Enquanto que na Confiabilidade de Processos avaliava-se o grau de confiança, no
mercado de seguros verificava-se o grau de falhas. Isso passou a ser relativamente fácil na medida em que se
criou uma relação matemática entre confiabilidade e riscos, sendo: C = 1/f, onde C é o grau de confiabilidade
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avaliado e f a frequência de ocorrências de falhas. Nessa função inversa, uma confiabilidade elevada
significa uma baixa incidência de falhas.
Em meados da década de 80 novos conceitos de enquadramento das perdas foram
apresentados para a fixação de franquias e de limites de indenização, que passaram a ser conhecidos como:
PNE – Perda Normal Esperada, nome atribuído àquelas perdas usuais e previstas de ocorrer durante um
processo ou atividade. Essas perdas eram associadas a um elemento do seguro denominado Franquia, ou a
parte do prejuízo que cabia ao segurado. As perdas normais eram esperadas e passaram se relacionar com
aquelas sob responsabilidade do segurado e inerentes aos processos fabris, como de trocas durante dos
processos de manutenção, como a quebra de uma correia, a troca de uma lâmpada ou um relé, substituição de
um coxim, entre outras tantas.
DMP – Dano Máximo Provável, maior dano que poderia ocorrer em uma instalação supondo que todos os
sistemas e dispositivos de controle e redução ou mitigação das perdas fossem acionados. Alguns desses
dispositivos são: sistemas de alarme contra incêndio, chuveiros automáticos contra incêndio (sprinklers),
sistemas fixos de gases ou de pó, barreiras corta-fogo, portas corta-fogo, dispositivos de proteção de
estruturas contra fogo ou explosão (proteções passivas ou barreiras de contenção), e uma série de outros
dispositivos. Admitia-se que os próprios sistemas de proteção existentes pudessem conter as perdas, desde de
apropriados. Nesses casos associava-se a eficácia dos dispositivos às proteções oferecidas por cada um
desses sistemas. Contou-se muito com normas produzidas pela FOC Fire Office Committee, e normas da
NFPA National Fire Protection Association.
PMA – Perda Máxima Admissível, nome atribuído à maior perda que pode ocorrer supondo que o evento
seja extinto completamente, sem a intervenção de dispositivos especiais automáticos ou não. Essa perda
também é conhecida como perda catastrófica. No dimensionamento dessa perda considerava-se que os
dispositivos de proteção falhassem encadeados ou não e que os eventos se extinguissem com a ausência do
calor, do combustível ou do comburente.
Através da PNE definia-se o nível de franquia. Por meio do DMP fixava a taxa normal e a
retenção da seguradora. Através da PMA chegava-se ao limite de catástrofe.
O importante desse comentário é que através de uma boa base de dados e algumas
ferramentas de análise poderiam ser mensurados adequadamente as perdas ou danos. Dois desses bancos de
dados se destacaram no cenário marítimo envolvendo acidentes com embarcações. Os mais empregados
eram o OREDA - Offshore Reliability Data Handbook e WOAD - Worldwide Offshore Accident Databank.
A previsibilidade de ocorrências passava a ser tão habitual quanto a identificação, através
de uma pirâmide de análise de riscos, tendo na base a quantidade de ocorrências de desvios e no topo o
evento maior. Ocorre que tanto em um caso quanto em outro, trabalha-se fortemente em análises
matemáticas envolvendo hipóteses e estatísticas. As ocorrências de acidentes nem sempre assumem o
comportamento matemático previsto. Passam a ser chamados de “pontos fora da curva”.
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Nesse cenário, de variáveis tão díspares pode-se imaginar que não ocorram acidentes? Ou
deve-se considerar que o acidente não precisa necessariamente ocorrer? Há pelo menos umas quatro décadas
atrás, entendia-se que a cada cem quilômetros de dutos lançados era previsível ocorrer uma morte, da mesma
forma que a cada quilômetro construído de ponte podia se esperar uma morte. Ou seja, a morte, como um
dos piores acidentes, era previsível, em função das características das atividades desenvolvidas.
De lá pra cá algo mudou, ou as mortes e, por conseguinte, os acidentes, ainda continuam
sendo previsíveis? De certa maneira os acidentes são ainda previsíveis. As mudanças mais substanciais que
têm ocorrido passam pela gestão dos processos, e formas de controle e ou de contenção, abrangendo o
equipamento em sí e as instalações e ambientes.
Dentro dessa ótica da análise dos processos de gestão, sem se deparar especificamente
com um deles, mas dos princípios gerais é que se irá tratar a questão dos acidentes, com um grande recorte
para a atividade industrial e sobre sua previsibilidade, apresentando algumas considerações técnicas à
respeito das obras industriais e de como podem ser evitados os acidentes, desde aqueles que envolvem o
trabalhador a aqueles que atingem o meio ambiente ou o patrimônio das empresas e de terceiros.
As inspeções de riscos
A inspeção de risco é definida como sendo o meio para o conhecimento do risco, com
vistas a determinação do nível de taxa a ser aplicada. Na verdade, a inspeção de risco não é pré-requisito para
a determinação da taxa, tanto pura, quanto estatística ou comercial. Ela atua definindo carregamentos
técnicos e informando se o risco em questão pode afetar ou vir a ser afetado por eventos originados no
próprio risco ou em riscos contíguos.
A taxa estatística é conhecida como sendo o resultado da divisão do premio estatístico
pela importância segurada, ou capital segurado do próprio risco:
Te = ((Pe ÷ ISr) x 100)%, onde:
Te = Taxa Estatística ou Taxa de Risco Puro.
Pe = Prêmio Estatístico ou Prêmio Puro sem nenhum carregamento técnico ou comercial.
ISr = Importância Segurada específica ao risco assumido, sem qualquer carregamento, impostos ou
emolumentos.
A definição matemática do premio estatístico (Pe) é a do resultado do produto do valor
matemático do risco (Vm) pelo custo médio verificado por sinistro (Cm).
Pe = Vm x Cm
Onde: Vm = nº de sinistros ÷ nº de bens sujeitos a riscos (amostra)
Cm – perda total computada ÷ nº de sinistros
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De um modo geral. O Prêmio Estatístico é a relação entre a perda total computada e o
número de bens sujeitos a riscos.
A Taxa Comercial, da mesma forma que a Taxa Estatística, também é produto de uma
divisão do Prêmio Comercial (Pc) pela Importância Segurada do Risco (ISr).
Tc = ((Pc ÷ ISr) x 100)%
Prêmio Comercial é o resultado da adição do prêmio estatístico com o carregamento
técnico comercial.
Pc = Pe + Ct
Como Carregamento Técnico (Ct) entendem-se:
• despesas administrativas da seguradora (impostos, alugueis, propaganda, pessoal, etc.);
• comissionamentos diversos;
• custos financeiros praticados;
• previsão para sinistros catastróficos;
• variações ocorridas com as características do risco, ou eventuais desvios de sinistralidade;
• taxas e emolumentos;
• sinistralidade, etc.
Por ser o carregamento um percentual do próprio prêmio comercial, costuma-se
representar sua expressão matemática como:
Pc = (Pe ÷ 1) - Ct
Como se vê, poder-se-ia taxar um risco tomando-se por base somente sua historia passada
e os valores segurados atuais, sem necessidade da realização de inspeções, desde que o risco fosse
completamente isolado de qualquer outro. Assim a ocorrência verificada, sinistro, seria somente aquela, não
haveria outra. Entretanto, nem sempre tudo é assim. Há riscos em que o segurado é mais zeloso com os seus
bens, e outros onde a possibilidade deles virem a ser atingidos por sinistros e bem maior, chegando-se a
pensar que o próprio segurado busca o sinistro.
Para a compreensão de todos esses fatos é que se recorre à inspeção de riscos. Ela sempre
deve servir como uma fotografia correta do risco a ser aceito, tirada por um bom profissional e com uma boa
máquina, de sorte que se tenham condições de aplicar a taxa justa. É importante se frisar o aspecto de que o
segurado deve ser sempre contemplado com a taxa considerada justa. O que denominamos aqui como uma
fotografia nada mais é do que um relatório preciso, bem elaborado, contendo todas as informações
necessárias para a compreensão e taxação do risco. Vários são os critérios e formas utilizadas para a inspeção
de riscos, a saber:
• Método de pontos;
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• Cálculo de apreciação do risco incêndio por série de pontos;
• Cálculo do grau de proteção;
• Método de Gretener;
• Método de Purt;
• Método de Messere;
• Método de Cluzel e Eric Sarrat;
• Método de Shibe;
• Método de Aschoff;
• Metodo de Dow;
• Método de Trabaud, etc..
Os Riscos Industriais
Os seguros industriais possuem critérios de taxação específicos e são vistoriados
periodicamente pelos engenheiros das seguradoras e do ressegurador, que avaliam se o que consta dos
critérios de avaliação realmente existe. O processo se assemelha em muito ao que ocorre nas certificações
das empresas, através da adoção de normas de gestão, como as ABNT NBR 9001, ABNT NBR 14001 e
OHSAS 18001, aplicadas, respectivamente às disciplinas de qualidade, meio ambiente e segurança e saúde
ocupacional. Assim, as visitas, dependendo do porte das empresas, podem durar dias, com o acionamento
dos sistemas de combate a incêndios e, algumas vezes, com simulados.
Um aspecto interessante é que o grau de especialização das empresas cresce na medida
que o mercado segurador também cresce, já que as demandas passam a ser cada vez mais complexas e
representam custos mais elevados.
O Mercado Londrino, considerado como referência durante centenas de anos, começou a
se estruturar após o grande incêndio que atingiu a cidade de Londres em 1.666. A partir da descoberta do
risco, a cidade e a Prefeitura começaram a impor sanções e ao mesmo tempo obrigar a existência de
dispositivos de combate a incêndios, desde pá a baldes de couro, enfim, a população, preocupada com o risco
e com a possibilidade de não ter como repor o que foi perdido, passou a se proteger. Na Inglaterra, logo após
o grande incêndio e após frustradas as inúmeras tentativas individuais, que mais se assemelhavam a brigadas
de incêndio de bairros, surgiu a primeira seguradora, constituída em 1.710, sob o nome de The Sun Fire
Office, atuando especificamente na área de seguros contra incêndio. Essa empresa hoje faz parte do grupo
Royal & SunAlliance, considerada a maior seguradora Britânica.
O grande incêndio que praticamente destruiu a cidade de Londres ocorrido no século
XVII, e o advento da máquina a vapor, já na revolução industrial, possibilitou o rápido desenvolvimento de
novas modalidades de seguros, de forma a atender a um crescente mercado consumidor. Grandes acidentes
naturais, como tormentas, maremotos, terremotos, furacões, ciclones, tornados, vieram demonstrar a
premente necessidade do seguro em todos os segmentos, inclusive os industriais. As indústrias ficam mais
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vulneráveis pelas peculiaridades de suas construções e dimensões. Os acidentes naturais são responsáveis por
bilhões de dólares de prejuízos, quase que totalmente assegurados.
Determinando as Taxas de Riscos
A palavra Risco dá margem a uma série de interpretações. Contudo, está sempre
associada, em qualquer caso, a: um insucesso, um perigo, uma perda ou um dano. Riscos são todos os
insucessos ocorridos em uma determinada fase ou época e não de todo esperados. Os riscos podem vir a ser
encontrados em várias atividades. Algumas das que procuramos destacar são as seguintes:
• procedimentos cirúrgicos;
• operações financeiras;
• construções civis;
• montagens industriais;
• implantação de empreendimentos, etc.
Para que a definição fique mais clara, o insucesso é traduzido como um fato gerador de
perdas materiais, financeiras ou pessoais. Tem-se então uma ampliação do conceito para o mercado
segurador.
a) riscos puros
Os riscos puros são aqueles onde há somente duas possibilidades: perder ou não perder.
Não existe a chance de nada acontecer, ou seja, quase que o risco materializou-se.
b) riscos especulativos
Nos riscos especulativos há possibilidade, além da perda ou da não perda, do ganho. O
componente adicional desse enquadramento é o do ganho, que até então não era abordado. Em um jogo,
qualquer que seja ele, pode-se perder, pode-se ganhar e pode-se não perder se não houver a participação do
jogador.
O risco especulativo é diferenciado dos demais riscos por possuir um componente
adicional de ganho, componente esse inexistente nas outras categorias de eventos. Por exemplo, a análise de
um empreendimento imobiliário, em lançamento, é um risco especulativo, já que o mesmo poderá redundar
num ganho. Aplicações em mercados financeiros também são riscos especulativos.
Riscos voluntários
Riscos voluntários são todos aqueles incorridos conscientemente pela empresa ou por
seus funcionários. A morte de soldados durante uma guerra travada entre dois países é um risco voluntário
do país invasor. A navegação em um mar revolto é um risco voluntário do comandante da embarcação.
Atravessar a pé uma grande avenida com o sinal de pedestres fechado é um risco voluntário do próprio
pedestre.
Riscos voluntários também podem ser identificados como todos aqueles em que há um
ato voluntário o qual induz à participação humana no evento. A criança que acende uma fogueira está
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praticando um risco voluntário, porque ela assim o quer, ou seja, deseja acender o fogo. Pode estar
praticando o ato de forma consciente ou não. O risco voluntário enquadra-se na categoria de riscos puros.
Riscos acidentais
Riscos acidentais são os riscos ocorridos sem que tenha havido contribuição voluntária
para tal. O desabamento de um prédio, o alagamento de um pátio de estocagem são riscos acidentais. Os
riscos a que estão sujeitos os construtores são também riscos acidentais. Para que não haja conflito de
interpretação os riscos acidentais podem ser enquadrados dentro das características daqueles decorrentes das
atividades normais de uma empresa, gerados acidentalmente. Da mesma forma como nos riscos voluntários,
os riscos acidentais também são riscos puros.
Riscos aleatórios
Riscos aleatórios são aqueles eventos ocorridos sem a participação humana, tais como:
terremotos, tremores de terra naturais, vendavais, furacões, enchentes, inundações. Na linguagem de seguros
são considerados os eventos de causa externa. Os riscos aleatórios também são conhecidos como riscos da
natureza. A aleatóriedade dos riscos indica que não podem ser previstos. Podem ocorrer a qualquer
momento. Atualmente, com a adoção de dispositivos de monitoramento e controle mais eficazes, pode-se
prever com razoável antecipação a ocorrência de furações e tornados, de terremotos e maremotos, de
erupções vulcânicas e outros riscos da natureza de características catastróficas. A ciência está em uma
velocidade de aprimoramento tal que há controle de queda de meteoros, que estejam enquadrados
tecnicamente em certas dimensões que sejam captadas pelos instrumentos ópticos.
Hoje em dia, com a evolução da informática, o homem já consegue modelar parâmetros
da natureza, com uma margem de erro bastante reduzida. Em nível de condições atmosféricas as análises já
indicam uma previsão com até 5 dias de antecedência, com margens de erro inferiores a 10%. Computadores
mais poderosos já conseguem aumentar o percentual de Confiabilidade das informações, auxiliando em
muito os agricultores em suas tarefas, informando as épocas de secas e de chuvas. Isso não quer dizer que os
riscos, com essas análises estarão deixando de possuir algumas daquelas particularidades a eles inerentes,
quais sejam, a de serem futuros e principalmente incertos.
Uma segunda classificação define os riscos como:
Estáticos
Dinâmicos
a) Riscos Dinâmicos
São os derivados da atividade financeira especulativa. O risco do sucesso de um
lançamento imobiliário é um risco dinâmico, da mesma forma que o lançamento de um novo produto no
mercado consumidor.
Esses riscos não são sujeitos, normalmente, a um processo de Gerenciamento de Riscos.
Até o podem ser. Dentre os fatores que impedem uma avaliação mais criteriosa estão: dependência de fatores
externos ao processo, como por exemplo, conjunturas econômicas; execução inadequada do projeto ou
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execução do projeto por empresa ou pessoa que não levou em consideração ou não foi convenientemente
informada de parâmetros importantes.
Se uma empresa resolve lançar um empreendimento imobiliário em um momento em que
o País está em crise ou com falta de liquidez certamente terá dificuldades em vendê-lo. Por outro lado, se o
projeto é maravilhoso mas o local não é adequado com certeza o maior impeditivo da venda será o preço
cobrado de cada uma das unidades lançadas.
b) Riscos Estáticos
São todos aqueles em que a efetivação do evento pode ou deve pressupor uma perda ou
uma redução do patrimônio humano ou material da empresa. Um incêndio ou um alagamento são riscos
estáticos. A determinação da magnitude ou da gravidade dos riscos estáticos deve ser feita partindo-se dos
seguintes dados:
• aleatóriedade das ocorrências de perdas;
• freqüência das ocorrências;
• valores médios das perdas;
• valores acumulados de perdas previsíveis e esperadas;
• perda máxima possível, e outros dados estatísticos.
Na medida em que se define uma freqüência de ocorrências, quantificando-a e se avalia a
extensão provável das perdas verificadas tem-se uma real noção da magnitude do risco, de seu tamanho ou
expressão. Esse dimensionamento possibilita que se determine o risco, em termos numéricos.
Qualquer processo de avaliação de riscos conduz sempre a dados empíricos. Quando se
diz que a probabilidade de uma pessoa morrer pela descarga elétrica de um raio é de 0,0000001% não se está
afirmando que a cada 1.000.000 de pessoas morrerá uma eletrocutada. Quer dizer que de um universo de
pessoas estudadas, o número de mortes por eletrocussão é de 1 para cada 1.000.000. Assim, a freqüência da
ocorrência será de 1 para cada 1.000.000, ou 1:1.000.000.
Ainda tratando do mesmo exemplo de queda de raio, a medida do risco é dada,
principalmente, por dois parâmetros, a saber:
# freqüência: um acidente a cada 1.000.000 de pessoas da amostra;
# gravidade: uma morte por eletrocussão ou uma morte para cada parcela da população sujeita
a risco.
No segmento industrial são utilizadas técnicas de Engenharia de Confiabilidade para a
mensuração de riscos, complementarmente às várias técnicas de Gerenciamento de Riscos existentes,
envolvendo conceitos de Confiabilidade.
Critérios para a determinação das Taxas de Riscos
Quase sempre os critérios de determinação das taxas de riscos iniciavam com a análise
das plantas (desenhos) das instalações da empresa. Nessas plantas eram indicados os principais riscos, os
meios de proteção existentes contra o combate a riscos, as distâncias entre os demais locais, os valores
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envolvidos, os meios de desocupação do local, a possibilidade dos sinistros (eventos) serem debelados
através de meios próprios e em caso contrário, as facilidades existentes que poderiam possibilitar o acesso de
meios externos de apoio. Em resumo, analisavam-se todos os aspectos positivos e negativos supondo que os
riscos pudessem ocorrer em qualquer ponto da indústria e alastrar-se por qualquer meio.
Nessa primeira fase as tarifas e manuais técnicos não saiam de sobre as mesas dos
underwriters, ou subscritores de riscos. Em uma segunda fase eram analisadas as estatísticas dos riscos.
Assim, a determinação de taxas para uma indústria, como um todo, sempre foi uma das
tarefas menos fáceis, mesmo com toda a tecnologia existente, porque, em uma mesma empresa há riscos com
características de todos os tipos, com vários níveis de gradação de perdas, enfim, há milhares de riscos, os
quais, se somados para a obtenção de uma única taxa para uma indústria tornaria o processo de taxação
inviável para a empresa seguradora e para a própria indústria, essa em função dos custos que seriam
cobrados.
Por exemplo, em uma única área, como o de processamento de uma petroquímica, pode
haver riscos de explosões de quebra de equipamentos, de acidentes elétricos, de perda de produção, de
derrames de materiais, enfim, muitos são os riscos. Um dos conceitos que nunca mudou foi o de se avaliar os
riscos das indústrias em função dos níveis de proteção existentes, na medida em que, quanto mais eficazes
fossem os sistemas de detecção e combate aos riscos, menores seriam as perdas ocorridas.
De certa maneira, a lógica é bem simples. Maiores proteções podem corresponder a
menores riscos. Entretanto, mesmo nesses processos de simplificações deve-se contar sempre com a
possibilidade do dispositivo de segurança adotado não vir a funcionar corretamente, assim, não basta apenas
possuir os equipamentos e esses serem os adequados, também devem estar funcionando adequadamente.
Um desses exemplos é o do risco de explosão de caldeiras e vasos de pressão. Quando há
uma explosão são formadas ondas de impacto que se irradiam do ponto onde foi formada. Essas ondas vão
quanto mais distantes se encontrem do ponto de origem, perdendo força. No início podem destruir
edificações, ao final podem apenas vibrar vidros de uma janela. Nesse caso, não há um dispositivo de
proteção específico. Os equipamentos possuem válvulas de alívio. Os equipamentos possuem pontos onde o
excesso de pressão pode ser extravasado. Ou seja, os projetistas preveem que os riscos, quando ocorridos,
possam ser minimizados. Nas panelas de pressão caseiras, para o cozimento do feijão, há uma válvula central
cujo peso produz uma pressão interna de uma atmosfera e outra válvula de segurança. Falhando a válvula
principal é acionada a válvula complementar. O mesmo ocorre com os equipamentos de pressão das
indústrias, que trabalham com pressões centenas de vezes maiores do que a de uma simples panela de
pressão caseira. Entretanto, as falhas podem ocorrer. Até por essa razão é que houve tanto progresso dos
estudos de Confiabilidade de Processos, associando-se estudos de confiabilidade a estatísticas, mecânica,
instrumentação, processos, enfim, a união de vários conhecimentos. Nos tempos mais antigos, quando esses
estudos ainda não eram tão sofisticados e técnicos, as empresas terminavam por enclausurar as áreas de
riscos, construindo grossas paredes de alvenaria ou de concreto, auto portantes direcionando as ondas de
explosão para cima, e não radialmente. Desta maneira protegiam-se os equipamentos nas proximidades e os
custos dos seguros eram menores.
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Uma das seguradoras mais antigas do mercado segurador, fundada em 1866 foi The
Hartford Steam Boiler Inspection & Insurance Company, conhecida como Hartford Insurance Company, que
se notabilizou por possuir elevada expertise na análise de equipamentos sujeitos à pressão, como caldeiras,
por exemplo. Atualmente a empresa faz parte do grupo Munich Re e possui mais de 1.200 engenheiros
especializados na análise de riscos industriais.
Ainda existiam situações onde os equipamentos críticos, em termos de geração de riscos,
ficavam distantes dos demais, quase que da mesma forma que o empregado na distribuição dos paióis de
pólvora, onde os mesmos são construídos semi enterrados e tendo ao redor elevações de terra formando
pequenas colinas. As taxas aplicadas contemplavam a existência dessas distâncias. Ainda hoje, quando se
refere ao depósito de material explosivo, o volume admitido para estocagem em um só lugar depende da
distância que o depósito se encontra das demais construções.
Desta maneira, mesmo simplificando ao máximo os processos de taxação ainda assim a
questão da adequada mensuração torna-se uma tarefa bem difícil. Em um simples exemplo, um sistema de
combate a incêndio através de hidrantes é considerado como um bom dispositivo. Uma rede de hidrantes
bem dimensionada e com os dispositivos adequados pode combater praticamente todos os tipos de incêndio,
inclusive os envolvendo subestações. Nesses casos empregam-se dispositivos do tipo protector spray nas
saídas, ao invés de lançar-se um jato contínuo. Contudo, para que o sistema funcione, em cada uma das
saídas das canalizações, onde há registros, devem ter mangueiras e esguichos. Além disso, o sistema deve ter
sistema de bombeamento, cuja adução se faz através de reservatórios elevados que são alimentados por
cisternas. Se não há água suficiente na cisterna ou no castelo de água, mesmo que a equipe seja muito boa e
as mangueiras estejam posicionadas corretamente pode-se ter uma falha no processo. O sucesso da extinção
ocorrerá com o equipamento em condições operacionais operado por pessoal competente, habilidoso e pró-
ativo.
As probabilidades de falhas, processos esses que até algumas décadas atrás não eram tão
importantes assim passaram a ser importantes, na medida em que cada componente de um sistema deve ter o
desempenho esperado, não menor ou maior, mas sim aquele esperado para que o conjunto funcione
adequadamente. Desta maneira, passamos a compreender que em uma indústria passa-se a considerar como
sistemas ou blocos, tanto os riscos, quanto os processos e os sistemas de detecção e combate a incêndios. Se
um desses blocos falha todo o conjunto passa a apresentar um resultado que não é o esperado.
Uma das teorias que não é específica para o caso em questão, mas que se aplica muito
bem ao que informamos é a teoria dos dominós desenvolvida por Heinrich. Nessa, cada peça representa uma
etapa do processo ou um bloco do sistema. Se esse falha a tendência é a de todo o conjunto falhar. Na cadeia
dos dominós terminamos torcendo para que a peça que caia não seja a primeira, e sim, se tiver que cair, a
última, já que a primeira tem a probabilidade de derrubar todas as demais.
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Os cinco fatores na sequência do acidente - HEINRICH, 1959.
1. personalidade;
2. falhas humanas no exercício do trabalho;
3. causas de acidentes (Atos Inseguros e Condições Inseguras);
4. acidente;
5. lesão.
Uma das conclusões era de removendo uma única peça do dominó a sequência de quedas
seria interrompida, evitando, assim, a ocorrência do acidente. Portanto, as ações de prevenção deveriam se
concentrar nos fatores que antecedem a ocorrência do evento indesejável.
Para Heinrich (1959), o erro humano é o que apresenta a maior probabilidade de
contribuir para a ocorrência do acidente, podendo ser considerado como ponto central. O erro pode ser
decorrente de modos de falha como: conhecimento, atitude, aptidão e habilidade.
Em artigo publicado na Revista Proteção, nº 241, NAVARRO, A.F. & LIMA, G.B.A,
intitulado Desafios da NR-18, p. 72, pp.72.80, janeiro, 2012, Navarro cita que ao longo de 20 anos de análise
de acidentes identificou que a participação humana se dava por vários motivos, como:
Fatores Principais Fatores Contributários
Fome Má alimentação
Falta de alimentação
Doença Mal estar
Uso de medicamentos que prejudiquem seu equilíbrio ou compreensão
Drogadição Uso de drogas lícitas ou não, que prejudiquem a compreensão ou o desempenho do
trabalhador
Pressa
Término da jornada
Término do serviço
Fome
Mal estar físico ou emocional
Pressão pelo término da atividade
Jornadas excessivas
Situações anormais no ambiente do trabalho, como por exemplo, a proximidade do
corte de energia elétrica, a necessidade imediata de um ajuste ou reparo de um
equipamento, a interrupção momentânea de um setor da empresa, entre outros.
Desatenção
Doença
Fome
Mal estar físico ou emocional
Possibilidade do time de futebol vir a ganhar ou perder logo mais
Possibilidade de vir a receber algum telefonema, seja para um novo emprego ou de
casa, por algum problema
Problemas familiares
Problemas financeiros
Condições físicas do ambiente do trabalho
Condições ambientais adversas
Conversas excessivas ao redor
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Jornadas excessivas
Stress
Doença
Fome
Possibilidade de demissões no trabalho ou do corte de pessoas ou da redução das
atividades
Ambiente do trabalho
Relacionamento interpessoal no trabalho
Condições ambientais adversas
Jornadas excessivas
Local escuro, mal iluminado ou excessivamente iluminado
Pressão pela conclusão das tarefas
Pressão pelas chefias ou colegas
Falta de treinamento ou
capacitação
Não realização de treinamento
Treinamento mal transmitido
Baixa capacidade de assimilação
Falta de habilidade
Compreensão do treinamento
Compreensão da atividade
Falta de habilidade
Falta de conhecimento
Cultura
Formação escolar
Problemas psicológicos
Doenças / transtornos
Transtornos motivados por pressão
Fatores motivacionais
Problemas familiares
Doenças em família
Pressões financeiras
Condições ambientais
adversas
Frio
Calor
Umidade
Vibração
Movimentação de máquinas e equipamentos
Aspectos ergonômicos
Posto de trabalho
Ambiente de trabalho
Ruído
Frio ou Calor
Vibração
Insolação excessiva
Falta ou excesso de iluminação
Conversas excessivas ao redor
Condições de trabalho
Em outra seguradora americana, dos segmentos de property, ou danos materiais,
Insurance Company of North America, foram desenvolvidas análises semelhantes a que tinha se dado a 30
anos, contando com o apoio de Frank Bird Jr., estudioso da área prevencionista, que, no princípio da década
de 50, tomando por base a indústria de seu país, verificou que a prevenção contra acidentes estiva limitada
somente à prevenção contra lesões incapacitantes. Julgava que, para haver algum progresso, não se poderia
esperar a morte do trabalhador para reconhecer o acidente. Já naquela época a Pirâmide de Heinrich que
apresentava uma relação de 1 para cada 29 e para cada 300, já estava sendo aceita no meio industrial como
uma das formas de prevenção dos riscos. Assim, passou a se preocupar também com os acidentes que
provocavam lesões sem perda de tempo e com os acidentes sem lesão.
Em 1954, Bird deu um notável passo no desenvolvimento prevencionista, quando iniciou,
na companhia siderúrgica Luckens Steel Company, com mais de 5.000 empregados, da Filadélfia, um
programa de controle de danos à propriedade. Nesse programa havia a necessidade de se buscar a
identificação, registro e investigação dos acidentes com danos à propriedade, e a determinação de seus custos
para a empresa, para, em seguida, serem tomadas as devidas ações preventivas.
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De 1959 a 1966, a Luckens Steel Company estabeleceu um programa de controle de
todos os acidentes, envolvendo uma análise de 75.000 envolvendo danos patrimoniais e 15.000 acidentes
pessoais, com lesões, dos quais 145 se classificaram com incapacitantes, durante um período de sete anos.
Através dessas investigações Bird propôs um programa de Controle de Perdas e Danos.
Essa estratégia tinha como finalidade principal reduzir ou eliminar as perdas dos acidentes com danos
materiais, sem descuidar dos acidentes com danos pessoais.
Da mesma forma que seu antecessor, definiu quatro aspectos principais em que se
baseava para o desenvolvimento de programas de controle de perdas: informação, investigação, análise e
revisão do processo. O resultado de seu trabalho foi publicado em 1966 sob o título de Pirâmide de Bird.
Nessa verifica-se que para cada acidente com lesão incapacitante, ocorriam 100 acidentes com lesões não
incapacitantes e outros 500 acidentes com danos à propriedade.
Bird (1966) estabeleceu também em seu trabalho a proporção entre os custos indiretos
(não segurados) e os custos diretos (segurados). Tais custos têm por objetivo dar uma idéia de como cada
empresa pode estimar os seus custos individuais em seus programas de Gerenciamento de Riscos. Na década
de 70 foram implantados os programas baseados em conceitos de Taylor e Fayol.
Em 1969, ou seja, três anos após haver concluído a série de pesquisa na Luckens Steel
Company, Bird, estando agora a serviço do Instituto Internacional de Controle de Perdas, contribuiu com sua
experiência para o estudo sobre acidentes industriais que a Insurance Company of North America realizou.
Foram analisados 1.753.498 acidentes, informados por 297 empresas que representavam 21 grupos
industriais, com 1.750.000 empregados que trabalharam mais de três bilhões de horas-homem, durante o
período de exposição analisada.
Foi uma amostra consideravelmente maior do que as anteriores, a qual possibilitou que se
chegasse a uma relação mais precisa que a de Bird. Nesse estudo, foi introduzida também a análise do quase-
acidente, ou seja, acidentes sem lesão ou danos visíveis, pois que esses revelavam potenciais enormes de 69
acidentes, situações com risco potencial de ocorrência sem que tivesse ocorrido ainda a perda pessoal ou não
pessoal. O resultado final desse estudo indicou que para cada acidente com lesão incapacitante (lesão grave),
ocorriam 10 acidentes sem perda de tempo (lesões leves), 30 com danos à propriedade e 600 acidentes que
não representavam lesões ou danos visíveis (quase-acidente). A atuação na base da pirâmide não era a
prioridade, mas sim um complemento da análise.
Em conseqüência dos resultados das diversas experiências em que Bird atuou ou orientou,
criou-se interesse para que muitos especialistas viessem a conhecer sua obra dentro de vários países. Com
isso, numerosos programas de controle de danos foram implantados e novas experiências realizadas.
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Pirâmide de resultados de Frank Bird (1969) da Insurance Company of North America
No final da década de 90 a DUPONT com base em sua experiência em mais de 200 anos
de existência, e apoiando-se nos estudos anteriores criou uma Pirâmide de Desvios, acrescentando um nível a
mais do que o acrescentado por Bird, em relação ao trabalho original de Heinrich.
Pode ser destacado que os dois primeiros trabalhos voltavam-se a ações de redução dos
níveis de perdas indenizadas seja envolvendo pessoas quanto o patrimônio, trabalho esse bastante enfatizado
por Bird. A visão da DUPONT foi a de unificar os conceitos de prevenção de perdas, migrando para o
conceito de prevenção de Riscos. Baseando-se em sua própria experiência a empresa chegou a números
como os apresentados a seguir.
Pirâmide definida por Du Pont du Neymors
Uma questão que deve ser destacada é a que em todas as três pirâmides os valores
crescem decuplicados. Também em todas há um evento topo, ou evento indesejado. Talvez por isso essas
pirâmides possam ser aplicadas a outras áreas como a de Meio Ambiente e a de Saúde, como poderemos
observar mais adiante.
A técnica de Gerenciamento de Riscos voltava-se à identificação das origens de eventuais
sinistros, os quais, reclamados pelos segurados transformavam-se em perdas indenizadas. Ao longo de todo
esse período de mais de 30 anos, avaliamos não só as questões de property (danos ao patrimônio), como
casualty (danos de responsabilidade), marine (danos a embarcações e todo o meio flutuante), engeneering
risks (Erection all risks, Construction all risks e Machinery breakdown insurance) (riscos de engenharia, com
construção e montagem, obras civis e equipamentos), e personal lines (riscos a pessoas).
Durante o período entre 1978 a 2000 aplicamos os conceitos de gerenciamento de riscos
em mais de 500 empresas. Seguramente nessas também ocorriam problemas semelhantes aos encontrados
por Heinrich e por Bird. Utilizando todo o material coletado, os resultados de nossas pesquisas e os relatórios
elaborados definimos também uma Pirâmide de Desvios, que resolvemos denominar de Matriz de Desvios,
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pois que os resultados práticos dessas análises são muito mais de gestão e prevenção. O resultado a que
chegamos foi que, antes mesmo que os desvios possam se manifestar, há questões envolvendo o
conhecimento (cultura) das pessoas e a vontade.
De posse dos resultados dessas auditorias, lançadas em cadernetas, no início, e
posteriormente no sistema, pelo próprio auditor, eram extraídos o total de atos inseguros, o total de condições
inseguras, o total de desvios apontados e o total de pessoas observadas, avaliando as seguintes questões:
1. Emprego correto dos EPIs conforme atividades desenvolvidas
2. Utilização correta e adequada de Ferramentas e Equipamentos
3. Identificação da posição das pessoas quanto a possibilidade de sofrerem acidentes
4. Atendimento aos procedimentos adotados para a execução das atividades
5. Reação comportamental das pessoas com a aproximação dos membros da equipe auditora
6. Organização e limpeza da área de Trabalho
O resultado final era representado por uma planilha, por unidade, com a indicação do HH
programado, HH realizado, % de realização de auditorias, total de desvios observados durante o período
(mês) e a quantidade de desvios observados por hora de auditoria realizada. No período foram analisadas
18.300 auditorias realizadas e 1.280.000 desvios significativos e confirmados. Sim, porque, periodicamente
tínhamos que ir ao campo, e avaliar o panorama geral, para que pudéssemos nos certificar se poderia haver
um auditor lançando mais desvios do que os efetivamente existentes. Transformando esses períodos para
períodos anualizados, chegamos ao seguinte resultado, estratificado a seguir. Deve ser ressaltado que não
ocorreram mortes e nem acidentes com afastamentos, tendo esses sido deduzidos através de métodos
matemáticos de modo a compor a imagem para comparar-se com as demais anteriores:
Triangulo de Desvios de Navarro (2012)
Morte
1
Acidente com
Afastamento
50
Acidente sem
Afastamento
120
Quase Acidentes
310
Desvios
750
Desconhecimento dos Riscos
1300
Desconhecimento Técnico
3500
Nível de ações
proativas
Nível de ações
reativas
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Na avaliação anualizada, a exemplo das demais pirâmides estudadas e apresentadas, o
desconhecimento técnico do empregado faz com que ele não tenha o adequado conhecimento dos riscos.
Pelo fato de desconhecer os riscos termina por cometer desvios técnicos, de procedimentos e de conduta. Ao
cometer os desvios pode estar sujeito a assumir postura ou posição onde haja maior probabilidade de sofrer
acidentes.
Assumindo a postura ou posição inadequada ou desconforme passa a ter maior
probabilidade de ser atingido ou se envolver em acidentes, a princípio sem afastamento, posteriormente, e na
continuidade da postura não conforme tem maior probabilidade ainda de sofrer acidente com afastamento e,
por fim, acidente grave incapacitante ou até morte.
Retornando ao tema da taxa de riscos, essa é proveniente de uma enorme gama de
disciplinas. Trata-se da matemática pura, da estatística, dos estudos de processos, da análise de
equipamentos, do conhecimento dos processos, ou seja, a visão deixa de ser apenas um “achismo” para uma
análise onde se consiga provar que é correta, seguindo do princípio para o fim ou do fim para o começo.
O seguro, em uma descrição simplificada é uma operação contratual onde o proprietário
de um bem oferece a alguém, empresa, a responsabilizá-lo repondo ou reparando o bem, bastando para isso
que o proprietário pague o que se denomina de prêmio de seguros. Assim, há um acordo com regras bem
claras, onde se discrimina o que será acobertado, quais os riscos que serão levados em consideração, o que
será excluído e o que não será objeto do seguro. Ajustadas as partes assina-se a apólice de seguros.
Todavia, essa é a parte mais simples do processo. O quanto custará o risco assumido
normalmente é a grande preocupação dos Atuários e dos gerentes de Riscos das Seguradoras, já que, com seu
conhecimento, compreensão do risco e experiência pessoal e do mercado poderá informar o valor do custo
do risco.
Análise da Questão
Denomina-se custo do risco a parcela do preço do seguro onde o segurador passa a ser o
responsável pela indenização. O custo é na verdade uma taxa resultado de uma análise técnica que é aplicada
ao valor do bem, esse atribuído pelo segurado. Essa, aplicada ao valor dos bens representa o custo do risco.
A esse são agregados outros custos melhor exemplificados mais adiante (despesas de comercialização,
impostos e encargos financeiros, despesas operacionais, entre outras), transformando-se em custo do seguro.
Em 1996, sob o título: Gerenciamento de Riscos Industriais, registramos na Fundação
Biblioteca Nacional - Ministério da Cultura - Escritório de Direitos Autorais - Certificado de Registro ou
Averbação nº 123.087, Livro 190, Folha 202 a publicação de onde iremos tirar alguns conceitos sobre o
tema.
Assim, no início da prática do Gerenciamento de Riscos, nos finais da década dos anos
70, observamos que os conceitos terminavam se mesclando, e que o seguro quase nunca era a causa e sim o
efeito, ou a consequência, para o resultado da aplicação da técnica de gestão. Passamos a compreender que o
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seguro é uma forma de tratamento dos riscos. É uma das maneiras de se recompor um patrimônio afetado por
uma perda ou por um dano.
O mercado de seguros sempre foi um dos pioneiros no incentivo ao desenvolvimento de
ações para a identificação das perdas e danos, com o objetivo da aplicação de medidas de prevenção. As
análises de conduziram aos estudos que redundaram em estratificações das principais causas dos acidentes é
muito semelhante ao das técnicas de gerenciamento de riscos.
As medidas preventivas a serem adotadas dependem do reconhecimento das causas que
podem ser identificadas por meio da coleta de dados durante a investigação dos acidentes, como a Técnica
dos Por Quês, no nosso exemplo anterior.
O uso dos quadros estatísticos (baseados nos dados coletados) pode ser considerado,
portanto, como fundamental para a programação de prevenção de acidentes.
Ainda como mérito de Herbert William Heinrich, concluiu-se que em qualquer
discussão sobre causas e modelos para estimativa de custo de acidentes, não se pode esquecer que não há
uma lógica para definir a ocorrência de um acidente, mas sim, dados estatísticos que apontam para algumas
questões dominantes. Essas questões podem ser posicionadas tal qual dominós, onde a queda de um termina
por provocar a queda de todos.
Algumas das questões pesquisadas partiam da hereditariedade e do meio, passando pela
inadequação pessoal e terminando com o ato perigoso, o acidente e, finalmente, à lesão. H. W. Heinrich e
Roland P. Blake foram os primeiros a apontar que apenas a reparação de danos não era suficiente e, sim, a
necessidade de ações tão ou mais importantes, que além de assegurar o risco de lesões, tendessem a prevenir
os acidentes.
Isso significava que 88,0% dos acidentes são provocados por atos inseguros, 10,0% por
condições inseguras e 2,0% por causas fortuitas e ou imprevisíveis. Em nossa história inicial tivemos o ato
inseguro, o ambiente inseguro, condições inseguras e causas fortuitas. A conclusão dos estudos dos dois
profissionais ficou conhecida como Pirâmide de Heinrich, publicado inicialmente em 1931, onde para um
acidente com lesão incapacitante, correspondiam 29 acidentes com lesões não incapacitantes e 300 acidentes
sem lesão, que não necessariamente não eram relevantes. Esses acidentes eram considerados sem lesão pois
que não havia a cobertura de seguros para os mesmos. Heinrich teve o grande mérito de entender essa
questão, que poderiam existir outras causas que muitas vezes não se dava a importância devida porque não
era indenizadas.
Essa grande parcela de acidentes sem lesão não vinha sendo considerada, até então pelas
seguradoras, pois que não representavam indenizações, ou seja, não eram perdas que pudessem ser
reclamadas. Entretanto, os pesquisadores notaram que havia uma lógica nos números e que essa poderia ser
estendida a todas às demais empresas pesquisadas. A partir de então, a preocupação maior não era mais a
reparação, mas sim a aplicação de medidas preventivas que impedissem a ocorrência de um acidente.
Certamente os custos de tais medidas preventivas seriam menores do que os custos das indenizações
promovidas.
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Pirâmide de Herbert William Heinrich e Roland P. Blake 1931
No final da década de 90 a DUPONT (Du Pont du Neymors) com base em sua
experiência em mais de 200 anos de existência, e apoiando-se nos estudos anteriores criou uma Pirâmide de
Desvios, acrescentando um nível a mais do que o acrescentado por Bird, em relação ao trabalho original de
Heinrich. Pode ser destacado que os dois primeiros trabalhos voltavam-se a ações de redução dos níveis de
perdas indenizadas seja envolvendo pessoas quanto o patrimônio, trabalho esse bastante enfatizado por Bird.
A visão da DUPONT foi a de unificar os conceitos de prevenção de perdas, migrando para o conceito de
prevenção de Riscos. Em programa de capacitação em setembro de 2006, relatava-se que, de cada 100
ocorrências 96% deviam-se a atos praticados pelos próprios trabalhadores e o restante a fatores externos ou
do ambiente do trabalho. No desenvolvimento das explicações, ressaltava, sem exposição de números, os
seguintes resultados:
Apenas o mau posicionamento das pessoas e o emprego de ferramentas e equipamentos
fora de padrões ou com algum tipo de comprometimento eram responsáveis por mais da metades dos desvios
observados. Isoladamente, o trabalhador tinha uma grande expressão nesse cenário por cometer os desvios
intencionalmente ou não, e até por isso a principal vítima do processo de “fabricação de acidentes”,
Na avaliação anualizada, a exemplo das demais pirâmides estudadas e apresentadas, o
desconhecimento técnico do empregado faz com que ele não tenha o adequado conhecimento dos riscos.
Pelo fato de desconhecer os riscos termina por cometer desvios técnicos, de procedimentos e de conduta. Ao
cometer os desvios pode estar sujeito a assumir postura ou posição onde haja maior probabilidade de sofrer
acidentes.
Assumindo a postura ou posição inadequada ou desconforme passa a ter maior
probabilidade de ser atingido ou se envolver em acidentes, a princípio sem afastamento, posteriormente, e na
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continuidade da postura não conforme tem maior probabilidade ainda de sofrer acidente com afastamento e,
por fim, acidente grave incapacitante ou até morte.
O estudo das Perdas
Nos programas de Gerenciamento de Riscos, da mesma forma que nos estudos
desenvolvidos por Heinrich (1931), Bird (1954), DUPONT (1998) e Navarro (2012), através de Pirâmides de
Desvios, objetivava-se, a partir da eleição ou escolha de um evento denominado de topo, quase sempre o
acidente mais grave ou letal, galgar-se, degrau por degrau as causas que contribuíram para a ocorrência do
evento topo.
Nos programas de Gestão de Riscos ou de Perdas, percebe-se sempre que há situações
corriqueiras, que olhadas com maior atenção podem vir a representar um acidente. Uma poça de água no
chão, o descumprimento momentâneo de uma norma, o salto de uma etapa do processo é o primeiro degrau.
A esse pode ser dado o título de Desvio. No Gerenciamento de Riscos, nesse degrau tem-se as perdas mais
corriqueiras e de menor valor. Por exemplo, ao longo do dia em uma fábrica de parafusos, de uma produção
de cinco milhões de parafusos pode-se perder 100 parafusos, por exemplo. O custo deles em relação ao total
não é relevante. As ações para a correção dos problemas muitas vezes custa muitas vezes mais do que as
despesas com as perdas.
Contudo, certas perdas costumam ser freqüentes, bem como conduzir a prejuízos de
pequena monta. Nesses casos, a contratação de seguros de pouco vai adiantar. Para essas perdas que
terminam sendo habituais nos processos, passam a ser denominadas de Perdas Normais Esperadas. Um
arranhão na porta de um carro que fica muito tempo em um estacionamento termina sendo uma perda
normal.
Há uma relação entre as Perdas Normais Esperadas e o que se denomina de Franquia, ou
participação obrigatória do segurado. Faz até sentido que aquilo que é corriqueiro termine sendo assumido
pelo segurado, sob a denominação de Franquia. Uma PNE apresenta como principal característica o fato de
ocorrer com uma maior periodicidade do que as demais perdas, porém com valores (severidade) baixa.
No segundo degrau da escalada tem-se as Perdas Máximas Prováveis. Também pode ser
lido em algumas literaturas a respeito a tradução para Dano Máximo Provável. Essa perda é mensurada como
aquela que ocorre a partir do momento em que um evento é percebido até o controle do mesmo empregando-
se os dispositivos existente de prevenção e controle. Por exemplo, o incêndio pode ser percebido por
sensores, ópticos, de calor ou de luz. Com a detecção, o sistema de prevenção entra em funcionamento. As
ações podem envolver o deslocamento de brigadas de incêndio, o acionamento de um bico de sprinklers, que
provoca a extinção do incêndio. Todos os custos decorrentes do evento somados, são denominados de Perdas
Máximas Prováveis. São assim chamadas, de admissíveis, porque as empresas devem ter seus sistemas de
prevenção e segurança corretamente instalados.
O terceiro e último degrau, de maneira semelhante às Pirâmides, é o da Perda Máxima
Admissível. A perda é caracterizada como tendo um início que pode ser ou não detectado visualmente ou
através de algum dispositivo de segurança e que é extinto sem que tenha havido a intervenção de nenhum
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equipamento, sistema ou equipe de segurança. Assim, o evento termina da mesma forma que começou, sem
a intervenção de ninguém ou de nenhum sistema. As perdas poder vir a ser totais ou não, dependendo para
isso da concentração ou da dispersão dos bens nas edificações e no espaço ocupado pela empresa.
No aprofundamento da análise descobre-se que é possível o gerenciamento de qualquer
tipo de risco e que uma das funções dessa nova ciência e talvez a principal, é a da redução das perdas
humanas e patrimoniais. Nessa linha, o Gerenciamento de Riscos passa a ser uma ferramenta empregada em
programas de Qualidade e Produtividade.
No final dos anos setenta as características das atividades de Gerenciamento de Riscos
eram muito mais próximas das características da Segurança Industrial do que da Segurança Patrimonial ou da
Segurança do Trabalho. Os acidentes patrimoniais e aqueles envolvendo pessoas terminam sendo uma
decorrentes das atividades industriais.
Gerenciando Riscos
Como já comentado, o Gerenciamento de Riscos surgiu nos Estados Unidos nos anos
sessenta, voltado às questões armamentistas. Assim, a cada instante e em cada serviço desenvolvido há
acréscimos de experiências e de metodologias que vieram a dar certo, ou seja, acrescenta-se um pouco da
própria experiência profissional do Gerente de Riscos, incorporando experiências passadas, que tiveram por
mérito, conduzir a resultados positivos.
O risco, tratado no Gerenciamento de Riscos, é um evento que tem probabilidade de
materializar-se em um determinado tempo, acarretando perdas materiais significativas, que podem vir a ser
objeto de análise por uma Seguradora para fins de emissão de uma apólice de seguros. O conceito de risco
varia, de certa maneira, na área de investimentos financeiros, no segmento imobiliário, nos riscos cirúrgicos,
na área de projeto, enfim, em cada atividade humana há riscos. Assim, generalizando pode-se dizer que risco
passa a ser significado de insucesso. Na área de Confiabilidade de Processos o risco transmuda-se para falha.
Essa, quando ocorre, reduz a confiabilidade do processo. Assim, falha passa a ser sinônimo de
vulnerabilidade.
Hoje, estudos mais acurados nos informam, com uma probabilidade de acerto quase
próxima a 100%, qual o risco dominante, qual a perda que ele poderá gerar, e quando será o momento em
que isso pode ocorrerá. É importante que se frise que a certeza de 100% ainda não foi alcançada. Mas, para
quem tinha uma dose maior de incerteza já significa uma grande evolução. Outro aspecto a ser ressaltado é
que, quanto mais próximos nos aproximamos do momento da ocorrência mais próximos também nos
aproximamos no momento em que as ações de prevenção tem que estar sendo aplicadas, já que prevenção
significa o inverso de dano.
f (P) = 1/f (D)
Para ser capaz de gerar danos um risco materializa-se em função de um infindável
número de situações. É como o projeto de se lançar uma sonda espacial para fora do sistema solar a fim de se
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estudar outros corpos celestes. Para que o empreendimento venha a ter sucesso, além de se esperar que tudo
venha a dar certo com o veículo lançador e com a nave espacial, deve-se aguardar o alinhamento dos
planetas, o que só vem a ocorrer a intervalos de tempo definidos, e mesmo assim não se tem total certeza do
sucesso da missão. É o que chamamos de imponderável.
O Gerenciamento de Riscos avalia o imponderável. Chega-se a determinar, por
intermédio de técnicas de avaliação de riscos, qual a probabilidade de se ter sucesso no empreendimento, e
qual a probabilidade de se ter um fracasso. Para modelos de análise mais simples, consegue-se descobrir os
prováveis fatores causadores do insucesso. Assim, elaboram-se previsões com elevado percentual de acertos.
Algumas técnicas de Estudos de Confiabilidade de Processos apresentam resultados bem confiáveis e
próximos de 100%.
O gerenciamento de riscos é uma das melhores ferramentas de avaliação de processos.
Nesses estudos, procura-se saber qual é o “elo mais fraco da corrente”, qual seja, onde uma instalação pode
falhar primeiro? Quando visualizamos um processo temos que enxergar que ele é o resultado de ações
pontuais de equipamentos e sistemas. Um processo pode ser representado como uma caixa de engrenagens,
onde todas devem funcionar em sincronia. Quando uma dessas engrenagens para, por menor que seja, todo o
conjunto também para. Se a menor das menores engrenagens perde um dente isso irá se refletir no
comportamento do conjunto de engrenagens.
Grosseiramente falando, uma empresa pode ser igualada a um processo e as múltiplas
engrenagens aos seus empregados. Parece que não, mas todas as engrenagens são importantes, já que podem
produzir resultados distintos, quando não ajustadas. Se a copeira da empresa falta, isso pode ser um
problema. Observem que a copeira é uma das menores engrenagens da empresa. Na falta da copeira os
chefes irão chamar outros funcionários todas as vezes que quiserem um copo de água ou um café. Se o pó de
café não tiver sido comprado na véspera muitos descerão para tomar o cafezinho na rua. A perda de tempo,
somada, será enorme. Aqui não estamos tratando ainda de acidentes.
Quando um encarregado falta. O seu substituto eventual é seu chefe, que deixará de
cuidar de seu trabalho. Por não conhecer os funcionários, tanto quanto o encarregado, poderá retardar o
trabalho ou mesmo não se aperceber que algo deixou de ser feito ou foi mal feito. Se esses conceitos ficam
claros quando ditos desta forma, porque não o associarmos aos acidentes do trabalho?
O acionamento do conjunto de maneira harmoniosa gera um resultado, que pode ser
denominado de produto. Um processo gera produtos. Esses produtos são fruto do acionamento de
equipamentos. Se um dos equipamentos que compõe o processo falha pode-se dizer que há uma falha do
conjunto.
Transportando esse conceito para uma construção civil ou de montagem, percebe-se que
cada um dos indivíduos que faz parte da equipe são equiparados a equipamentos. O todo é o processo. Em
uma visão geral, cada pessoa desempenha um papel importante no processo. Pode não ser um papel
importante hierarquicamente, ou financeiramente, mas é importante. Quando estamos tratando de um
processo de montagem industrial, vemos que o processo começa com um projeto, que é sucedido pelo
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fornecimento dos insumos, que também é sucedido pela aplicação dos insumos, que também é sucedido pela
junção de cada uma das partes para compor o todo.
A Gestão dos Riscos e a Produtividade
A Sociedade de hoje cobra dos empresários produtos bons e baratos, anteriormente a uma
Sociedade que sabia distinguir as diferenças entre um produto bom e um produto barato, isso porque, para se
chegar a um maior grau de excelência a empresa fabricante tinha que desenvolver pesquisas e
desenvolvimentos e investir em novas tecnologias. Na visão de hoje, o centro das atenções passa a ser a
produtividade. Um prédio residencial que era construído há 30 anos em até três anos, atualmente passa um
pouco de um ano, Mudanças tecnológicas e o aprimoramento dos métodos construtivos contribuíram muito
para tal.
A Produtividade pode vir a ser expressa pela razão entre o Faturamento e os Custos
incidentes para a obtenção do faturamento. Os custos devidos a perdas não são todos perfeitamente
mensuráveis ou previsíveis. Pela inexistência de um maior controle ou de dados confiáveis parte-se para a
contratação de seguros, como um atenuante, ou como uma forma de transferência dos riscos. Ocorre que,
quase sempre, as coberturas oferecidas pelas seguradoras preveem a inclusão de franquias ou de
participações obrigatórias para a empresa, obrigando-as a retenção de parte dos riscos incidentes.
Muitas vezes, um bom programa de prevenção de perdas conduz a diminuição das
ocorrências, ou então, à limitação da extensão de suas consequências a um nível aceitável ou gerenciável.
Em função disto tudo, as empresas que têm um maior controle sobre o seu patrimônio e sobre as suas perdas
costumam praticar a política do auto seguro, transferindo para as Seguradoras somente a parcela de risco que
seria financeiramente insuportável. Graficamente, um dos principais conceitos de Qualidade e de
Produtividade pode vir a ser expresso, de maneira simplificada por:
Faturamento
Produtividade =
Custos
Matematicamente a nossa formulação pode ser transformada em f(P) = f(F) ÷ f(C)
Pela amplitude de sua área de atuação a Gerência de Riscos não é uma técnica exata, mas
sim de aproximação. Não é uma técnica ou um conjunto de procedimentos que defina de modo preciso:
haverá um incêndio naquele equipamento nos próximos 200 dias de operação; mas sim, e tão somente que,
dentre uma amostra de 2.000 equipamentos existentes em um empreendimento industrial e em
funcionamento ocorre, em média, um incêndio a cada 200 dias. Essa aproximação se deve ao fato de não se
ter condições de matematizar totalmente os riscos, face às suas inúmeras variáveis. O que se faz é, por meio
de processos matemáticos, estatísticos ou atuariais, e levando-se em conta o histórico de eventos ocorridos,
projetar um comportamento provável e futuro para os riscos.
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Consideremos a análise de um sujeito ao risco de incêndio. De modo amplo, para que
esse venha a estar envolvido pelo incêndio deverá estar operando sob certas variáveis, dentre as quais
destacamos:
Estar sobrecarregado;
Estar operando continuamente, sem interrupção;
Estar envolto por uma atmosfera propícia (com presença de substâncias combustíveis ou comburentes);
Não possuir um adequado plano de manutenção corretiva ou preventiva;
Estar empregando materiais, substâncias ou produtos que facilitem a ação do incêndio, sem os cuidados
necessários.
Se qualquer um desses fatores envolvendo a operação vier a ocorrer de forma isolada ou
em conjunto isso já será suficiente, com uma grande probabilidade, para o surgimento de um incêndio.
A imprevisibilidade das ocorrências
Deve-se salientar que muitas correntes de disseminação da cultura do Gerenciamento de
Riscos pregam a identificação e a mensuração de riscos, através da utilização de fórmulas matemáticas.
Entendemos que, para os riscos extremamente simples, ou para as análises de riscos com poucas variáveis ou
com variáveis previamente conhecidas, uma fórmula é um elemento simplificador de uma análise ou de uma
idéia, visto que não demanda, para a conclusão do trabalho, de qualquer análise pessoal. Porém, para riscos
de maior complexidade a simples adoção de uma fórmula ou de uma regra de análise não significa um pré-
requisito para uma boa análise, ou para uma análise confiável. Cabe-se destacar que análises pessoais podem
enriquecer o resultado de um trabalho como também podem vir a comprometê-lo. Se o trabalho de análise
precisa ser despersonalizado a aplicação de fórmulas passa a ser importante. Por outro lado, se o mais
importante é a exteriorização do conhecimento do engenheiro de risco de nada valerá a aplicação de
formulações matemáticas, muitas vezes desconexas do objetivo básico de reconhecimento do risco.
Não faz tanto tempo assim quando aguardávamos nos noticiários de televisão,
principalmente em vésperas de feriados, a repórter informar se ia chover ou não. A intuição e experiência do
meteorologista prevalecia sobre qualquer tipo de cálculo. Com o passar do tempo, foram desenvolvidos
programas de computação extremamente potentes e complexos, que determinam, com uma razoável
precisão, se irá chover dentro dos próximos 4 ou 5 dias. É lógico que nem todos os riscos têm a
complexidade de uma previsão do tempo, principalmente se podemos traçar um modelo matemático
confiável.
Para uma previsão de risco de incêndio os conceitos poderão variar desde resultados bem
simples até resultados mais complexos. Tudo dependerá do que irá se fazer com essa análise. Em grandes
empreendimentos industriais espera-se poder oferecer, com uma pequena margem de erro um cenário mais
realista possível. Para trabalhos menos sofisticados e que não requerem maior conhecimento técnico pode-se
pensar em algo bem simples, como por exemplo, o incêndio iniciando-se em uma lixeira, dessas de
escritório. As perguntas que podem vir a ser feitas para a obtenção de dados preliminares são as seguintes:
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Qual a probabilidade de um cesto de lixo de escritório vir a pegar fogo?
A probabilidade desse evento ocorrer dependerá do local em que ela estiver localizada, do
tipo de lixo contido nele, do grau de cultura das pessoas que transitam pelas proximidades, do fato de possuir
ou não tampa, e outros fatores mais.
Se a lixeira não estiver em um local com grande tiragem de ar certamente o incêndio
demorará para irromper-se. Se o lixo nela contido não for combustível não haverá chance para o incêndio
iniciar-se. Se as pessoas tiverem um elevado nível de conscientização certamente não permitirão que alguém
jogue algo que possa gerar um incêndio. Se a lixeira tiver uma tampa, pela falta de oxigenação em seu
interior a possibilidade de um incêndio ocorrer será remota. Provavelmente, não há necessidade de criarem-
se modelos probabilísticos para a determinação da possibilidade de ocorrência de incêndio em uma lixeira. O
mais provável é que alguém já tenha alguma estatística montada em cima de ocorrências verificadas em uma
determinada instalação industrial ou em conjuntos de escritórios.
É importante abordar este assunto desta forma, porque muitas vezes somos compelidos a
dar pareceres ou esclarecer se determinado risco irá materializar-se, e, mesmo se ocorrendo, será capaz de
gerar perdas humanas, materiais ou financeiras, equivalentes a milhares de unidades monetárias.
Voltando à exemplificação anterior percebe-se que, mesmo se tratando de um estudo
aparentemente simples, como o envolvendo uma lixeira, dessas mais baratas, não se deve descuidar da boa
interpretação dos dados obtidos. Normalmente, em atividades de escritório, é nesse recipiente que começam
a maioria dos incêndios. Podemos mesmo afirmar que ultrapassa a 60% a estatística de incêndios originários
em lixeiras.
Lembramo-nos de um trabalho de Gerenciamento de Riscos que envolvia um parecer
acerca de uma obra marítima, caracterizada pela deposição de um enrocamento que avançava sobre o mar
uns 400 metros, e a seguir projetava-se da direção paralela à costa, por uns 500 metros. Durante a fase do
projeto executivo e bem no início dos serviços, optou-se por construir-se o molhe do enrocamento em duas
fases, ao invés de uma só fase. Ao sermos consultados fomos verificar as cartas náuticas de correntes
marinhas e o Departamento de Hidrografia e Navegação do Ministério da Marinha, a fim de obter dados
referentes à altura e à força da “onda centenária”. Como o próprio nome indica, uma onda centenária é
aquela que ocorre somente a cada 100 anos, e com uma intensidade tal que a torna ímpar. Pois bem,
analisamos os fatos e chegamos à conclusão que a possibilidade de ocorrer uma onda centenária, naquela
época do ano era bem remota. Esclarecemos os riscos que se corria ao mudar-se o planejamento da execução.
Em um período de um ano e meio ocorreram duas ondas centenárias, com elevadas perdas para o projeto.
Para melhor exemplificar, pedras de 4 a 6 toneladas foram arrastadas como se fossem cascalhos de rio, por
longas distâncias.
O número de etapas básicas empregadas no processo de identificação e Gerenciamento de
Riscos pode variar substancialmente de autor para autor, não sendo algo pré-determinado. Entretanto, alguns
parâmetros devem ser conhecidos.
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Gravidade
A função do Gerenciamento de Riscos
A função do Gerenciamento de Riscos é a de reduzir perdas e minimizar os seus efeitos.
Isso quer dizer que se assume a existência de perdas em todos os processos industriais, como um fato
perfeitamente natural. Entretanto, por meio de técnicas, basicamente de inspeções e de análises, procura-se
evitar que essas perdas venham a ocorrer com certa freqüência, ou reduzir os efeitos dessas mesmas perdas,
limitando-as a valores aceitáveis, ou dentro do perfil estipulado pela empresa em seus orçamentos anuais.
Quando o gerenciamento dos riscos é bem acurado em seus resultados são apresentadas
planilhas onde constam questões associando as frequências com a severidade. Aqui frequência tem o mesmo
conceito de periodicidade e gravidade de tamanho das perdas.
Frequencia
Pequena Média Elevada
Pequena
Média
Elevada
Pelo gráfico acima, identifica-se que os maiores riscos ocorrerão com o aumento da
gravidade das perdas e a elevação das frequências. O que torno o risco maior é que em um intervalo menor
de tempo fica mais difícil para o empresário recuperar-se das perdas. Isso seria o mesmo que uma pessoa ser
assaltada quatro vezes em um mesmo ano e nesses assaltos levarem seu automóvel de luxo. O que para uns é
um grande azar, para outros pode se tratar de análises de risco equivocadas,
Ocorre que há soluções para frequências elevadas, da mesma maneira que para
severidades elevadas. A frequência elevada gera uma maior exposição do risco. Assim cuidar-se para
reduzir-se essa exposição já é uma medida paliativa. Quanto à severidade, o melhor tratamento da mesma é a
de evitar-se o alastramento das perdas, razão pela qual a empresa deve investir em alterações de processos,
metodologias, meios de trabalho, projetos e equipamentos de segurança, sem nos delongarmos.
O estudo do Gerenciamento de Riscos
Não existe um método único de Gerenciamento de Riscos, ou uma metodologia padrão.
Costuma-se confrontar os procedimentos em vigor com procedimentos-padrão para aquele tipo de etapa,
analisando as possíveis alterações existentes, através de um amplo conhecimento das atividades analisadas.
O Gerenciamento de Riscos é um contínuo processo de busca de defeitos, ou de quase-
defeitos, com vistas à sua prevenção. Esses defeitos são chamados riscos. Risco é uma chance de perda e
provavelmente, o mais importante degrau no processo de identificação e gerenciamento das perdas.
Com as informações obtidas por intermédio da aplicação das várias técnicas adotadas no
Gerenciamento de Riscos e o emprego de metodologias específicas pode-se também quantificar riscos. A
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partir do momento que se qualifica e quantifica um risco tem-se a sua real magnitude ou sua expressão
matemática.
A qualificação é a identificação do tipo de risco ou da qualidade, se é que podemos assim
dizer à respeito das características dos eventos que podem surgir. Trata-se de um risco de incêndio, ou de um
risco de explosão, ou de um risco de danos elétricos, etc.. A quantificação é a determinação do valor da
perda, expressa em percentual do valor dos bens ou em valores absolutos, ou do tamanho do prejuízo a se
verificar no futuro. O risco, se ocorrer, poderá gerar uma perda que irá afetar 48% do patrimônio da
indústria. A perda potencial é de cerca de $ 500,000.
Como veremos adiante, tanto o tipo de risco quanto o valor da perda gerada são bastante
importantes para a fixação do custo do risco, ou seja, do valor que a perda, se ocorrida, pode assumir. Essa
informação é muito importante para a execução de um programa de tratamento do risco. Em função do custo
do risco, que pode vir a ser razoavelmente calculado por processos simples, consegue-se elaborar um plano
de retenção das perdas ou de transferência para uma Seguradora, por intermédio de um contrato de seguros.
Se as perdas são pequenas e a probabilidade de virem a ocorrer é baixa, com toda a
certeza pode se tratar de um caso de retenção do risco, ou de um auto-seguro, Em nossa fala anterior
preferimos tratar da questão relacionando-a a franquia. Ou participação obrigatória. Por outro lado, se a
perda tem características de vir a apresentar danos severos, é o momento de se pensar em transferi-la, por
intermédio da contratação de uma apólice de seguros.
Diferença entre Franquia e Participação obrigatória do Segurado
Denomina-se franquia a um valor quase sempre fixo, que está a cargo do segurado. Ele é
o responsável pela integralização da indenização completando o processo de indenização para a reposição do
bem repondo a franquia. A aplicação da franquia nivela a todos, acobertando somente acima de uma linha de
corte definida através da perda normal esperada.
Participação obrigatória do Segurado, praticada em muitas modalidades de seguros,
inclusive para a redução das taxas, está relacionada a um percentual da indenização. Normalmente baixo, que
deve ser integralizado pelo segurado. Quase sempre essas participações se dão quando há possibilidade do
segurado contribuir ou não para com o agravamento das perdas. Em nosso gráfico anterior a POS pode ser
aplicada nas áreas de zonas verdes. A POS pode, em alguns cálculos atuariais, representar a média das
indenizações que suplantam o Dano Máximo Provável.
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A transferência de risco não é uma operação isolada. O fato de se transferir um risco não
é um pressuposto de que todas as preocupações da empresa estarão resolvidas, ou todos os prejuízos serão
reembolsados, ou as perdas reparadas. Normalmente existem mecanismos dentro do contrato de seguros que
transformam a empresa em co-responsável pelas perdas, ou seja, se um sinistro vier a ocorrer, a empresa terá
que bancar uma parte do mesmo e a seguradora a quem ela transferiu a responsabilidade será responsável
pela diferença. Esse mecanismo de co-responsabilidade é o que denominamos de participação obrigatória do
segurado (POS). Assim, a empresa por não ter condições técnicas de repassar 100% tem que se preparar para
evitar as ocorrências dos eventos.
Uma das formas de prevenção se dá por intermédio da aplicação das técnicas corretas de
Gerenciamento de Riscos, associada a adoção de mecanismos ou de sistemas de prevenção de perdas. No
tocante a esses, iremos destinar alguns capítulos para tratar do assunto especificamente.
A Gerência de Riscos surgiu como técnica nos Estados Unidos, no ano de 1963, com a
publicação do livro Risk Management in the Business Enterprise, de Robert Mehr e Bob Hedges.
Seguramente uma das fontes de consulta ou de inspiração dos autores foi um trabalho de Henry Fayol,
divulgado na França em 1916. A origem da Gerência de Riscos é a mesma da Administração de Empresas, a
qual, por sua vez, conduziu aos processos de Qualidade e de Produtividade. Por ser uma técnica
relativamente nova, sua divulgação e adaptação pelos países variou de acordo com as necessidades de
momento, das experiências dos técnicos que a difundiram, da fase de desenvolvimento pela qual estava
passando o país e outros motivos mais.
No Brasil o seu ingresso deu-se na segunda metade da década de 1970, com aplicação
voltada especificamente para a área de seguros, com vistas à prevenção de riscos em bens patrimoniais,
segurados pelas empresas do setor. Desta forma, seus conceitos começaram a se propagar juntamente com os
conceitos prevencionistas do Mercado Segurador Brasileiro, principalmente no que diz respeito ao risco de
incêndio. Porém, com o intercâmbio entre os países e a melhor compreensão da técnica vislumbrou-se um
melhor futuro para a mesma.
Quase ao final da década de 70, com o desenvolvimento da Engenharia de Confiabilidade
de Sistemas, ou a Engenharia de Segurança de Sistemas, alguns conceitos comuns passaram a se mesclar,
dando nova configuração à Gerência de Riscos. Existem inúmeros eventos que constantemente ameaçam o
patrimônio das empresas. Porém, em linhas gerais, dos eventos geradores de danos que incidem em
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instalações industriais, tanto no que diz respeito à freqüência de ocorrências, como também no tocante à
severidade das perdas, o Incêndio é o mais comum. Na ilustração a seguir apresenta-se um gráfico com os
percentuais médios, aplicados aos riscos maiores ou geradores das ocorrências, verificados nos acidentes
envolvendo indústrias.
X
Y
5
60
15
5 5 5
1 2 1
Quebra de
Máquinas
Incêndio
Danos Elétricos
Explosão
Equipament.
Explosão
Substâncias
Impacto de
Veículos
Derrame de
Materiais
Corrosão
Erosão
Finalmente, cumpre ressaltar que muitas vezes a Gerência de Riscos é confundida com a
Segurança Industrial. Ambas têm caráter preventivo. Entretanto, na Gerência de Riscos procura-se tratar o
risco sob o prisma matemático de sua ocorrência, quase que para fins de estudos, enquanto que a Segurança
Industrial parte direto para as medidas corretivas. A linha de trabalho que consideramos ideal é aquela que
associa os métodos de análise empregados na Gerência de Riscos com os procedimentos da Segurança
Industrial.
O livro Gerenciamento de Riscos Industriais vem a tratar das formas de identificação,
mensuração e tratamento dos eventos, ou dos riscos, que atingem indústrias, causando-lhes danos ou perdas,
preenchendo uma lacuna na análise de perdas para fins de tratamento dos riscos. Existem inúmeras
ocorrências que são objeto de análise pelos Gerentes de Riscos, da mesma forma que existem dezenas de
significados para a palavra Risco.
Confiabilidade
Confiabilidade é a probabilidade de um sistema ou algum de seus componentes vir a
desempenhar satisfatoriamente as funções a ele atribuída em projeto, dentro de condições normais de
utilização e operação. A não Confiabilidade, ou o insucesso, é denominada de probabilidade de falha. O
conjunto de falhas ocorridas em um intervalo de tempo é conhecido como taxa de falha.
Normalmente atribui-se à palavra confiabilidade uma quase certeza de que tudo ocorrerá
a contento. Por exemplo: tenho a maior confiança de que tudo correrá bem. Ë uma definição quase que
intuitiva.
Lançam-se mão de estudos de Confiabilidade quando se quer analisar o comportamento
de um sistema, com vistas à análise de prevenção de riscos. Os estudos de Confiabilidade também são
empregados na elaboração de planejamentos de manutenção preditiva.
Confiabilidade (R) pode ser traduzida como a probabilidade de um equipamento, ou de
um sistema, desempenhar satisfatoriamente suas funções específicas, por um período de tempo determinado
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  • 1. Cálculo de Riscos de atividades industriais Antonio Fernando Navarro1 www.scribd.com/antoniofernandonavarro navarro@vm.uff.br Introdução ao Cálculo de Riscos Risco é um evento que é decorrente da existência de perigos associados a situações propícias, o qual, para que materialize, deve estar enquadrado como um evento futuro, ou seja, não estamos tratando de algo que já ocorreu ou que está ocorrendo; o evento em questão deve ser possível, isto é tem a possibilidade ou probabilidade de ocorrer; também tem que ser incerto, pois que se estamos tratando de eventos certos esses já não serão riscos, mas sim eventos possíveis de ocorrer; serem independente da vontade das partes, ou seja, não podem passar a existir com a colaboração direta ou indireta do ser humano; serem capazes de causar perdas ou danos, e esses poderem ser mensuráveis. Se o evento não vier a causar nenhuma perda ou dano não pode ser “matematizado”. Por outra feita, se essas perdas ou danos não puderem ser mensurados certamente não serão repostas, já que a reposição significa a substituição por outro bem equivalente ou igual, que somente é obtido com recursos extra, quase sempre provenientes de indenizações de seguradoras. O nascimento de uma criança é um risco. Ao longo de sua vida temos a certeza de sua morte, mas não sabemos como e quando ocorrerá. Também sabemos que se a própria pessoa quiser tirar sua vida estará cometendo suicídio. Se for atingida por uma bala poderá ser um caso de assassinato. O lançamento de um empreendimento imobiliário é um risco. Pode dar certo ou não. Diferentemente dos demais, um cálculo errado sobre a probabilidade de certeza de dar certo, baseado em pesquisas insuficientes ou ultrapassadas retiram dessas todas as demais características de riscos. Não faz muito tempo e assistimos pela televisão a explosão da Challenger, que em sua décima missão em 1986 veio a explodir. Constatou-se a posteriori que houve falhas na manutenção do equipamento. Se toda a análise da perda estivesse centrada na causa da ocorrência já se poderia prever a possibilidade da perda. Construir-se barracos na beira de encostas é um risco. Diferentemente das definições apresentadas passa a ser um risco assumido e, em assim o sendo, certamente não será indenizado pelas seguradoras. Os especialistas reconhecem que os riscos são derivados dos perigos. Por exemplo, trabalhar no alto de uma casa para instalar uma antena pode ser um trabalho perigoso. Em função disso podem existir riscos associados, como o de queda. Assim, o risco sucede ao perigo. Destarte, um mesmo 1 Antonio Fernando Navarro é Físico, Engenheiro Civil, Engenheiro de Segurança do Trabalho e professor do curso de Ciências Atuariais da Universidade Federal Fluminense, Mestre em Saúde e Meio Ambiente, tendo atuado em atividades industriais por mais de 30 anos como Gerente de Riscos, principalmente em seguradoras e para o IRB Brasil Re como Perito de grandes sinistros.
  • 2. Página 2 de 59 perigo pode ser o responsável por várias causas, mas, dificilmente uma causa pode ser resultado de vários perigos. Uma questão aparentemente complexa é a que diz respeito à mensuração dos riscos. Voltando ao exemplo anterior, qual seria a mensuração do risco de queda? Poderia ser em razão da gravidade das lesões? Se, assim o fosse, como se mensurar as gravidades? Pelo número de ossos partidos ou pelo tempo de restabelecimento do acidentado, ou quem sabe, pelos custos que a empresa teve para cuidar desse funcionário? Efetivamente, a mensuração dos riscos não é uma tarefa das mais fáceis, notadamente em algumas áreas específicas. Uma dessas é a que envolve a responsabilidade civil de danos causados a terceiros, outra a de danos morais. Muitas vezes, pela dificuldade de precificação das perdas os magistrados passam a arbitrar valores que passam a ser adotados em outras demandas assemelhadas. Uma das maneiras de se precificar os riscos ocorre através da estipulação de taxas, as quais, aplicadas a valores específicos pode se transformar em um custo. Quem arbitra o valor específico quase sempre é o ente que pode ser acionado para a reparação das perdas, também dito segurado. Quem fixa as taxas é quem passa a se responsabilizar pelas indenizações, uma seguradora. Sob essa ótica, o segurado que se encontrar sujeito a um risco, proveniente da execução de atividades ou trabalhos perigosos pode encontrar o amparo ou respaldo de uma seguradora que passará a ser sua parceira na indenização proveniente de perdas ou danos. O proprietário de um automóvel está sujeito a uma série de riscos. O automóvel pode ser furtado, roubado ou colidir com outro veículo. Uma seguradora irá avaliar os riscos e apresentar suas taxas para assegurar que o proprietário do veículo seja acobertado. Ambos, seguradora e proprietário do veículo – segurado – estabelecem de comum acordo o valor do bem a ser reparado, caso se esteja tratando apenas da reposição do bem, automóvel. Idêntico procedimento poderá ocorrer com outros riscos e outras atividades. Contudo, há situações onde o dono do bem é o próprio segurado e o segurador e nessa condição, terá que ter o conhecimento de quanto poderá perder se houver uma perda ou dano. Um motor elétrico está sujeito a riscos. Alguns podem ser devido ao desgaste normal do equipamento e da forma de como ele será operado. As peças que serão substituídas ou reparadas serão as perdas. O responsável por esses custos será o segurado/segurador. Inúmeros são os critérios atualmente existentes para a taxação dos riscos industriais. Sob essa denominação podem estar acobertadas: refinarias, siderúrgicas, petroquímicas, fábricas diversas e outros empreendimentos de mesma grandeza. Antigamente, quando ainda existiam tarifas para a taxação de riscos, únicas para todas as seguradoras, seguia-se uma rotina de taxação, que era submetida à apreciação do Ressegurador. Para quem não está familiarizado com a linguagem do seguro, as seguradoras possuem um Limite Técnico para a aceitação dos riscos e um Limite Operacional. As seguradoras podem assumir a responsabilidade pela assunção dos riscos sozinhas, repassando o que exceda a seu limite de retenção a um ressegurador e ou a outras seguradoras, de sorte que todo o valor segurado venha a ser acobertado por essas sociedades. O ressegurador assume as responsabilidades excedentes das seguradoras, sendo um segurador em um segundo nível, repassa o que ultrapassa a seus limites de retenção a outros resseguradores. Essa via é
  • 3. Página 3 de 59 de mão dupla, ou seja, da mesma forma que se envia riscos essas empresas, seguradoras e resseguradoras recebem riscos. O vai e vem de riscos é na verdade um vai e vem de recursos, já que risco significa uma taxa, a qual aplicada ao valor segurado do bem, o risco, é transformada no prêmio de seguros. Nesta fase ainda está se referindo aos prêmios de riscos sem os carregamentos habituais devido às comissões de corretagem, despesas operacionais, impostos e encargos e taxas técnicas ou carregamentos, que suprem eventuais desvios de taxas ou de riscos. O modelo abaixo exemplifica o limite de retenção da seguradora. Ultrapassado esse limite há um receptáculo para o mesmo, em linguagem figurada, denominado aqui ressegurador. O que ultrapassa à retenção do ressegurador é repassado a outros resseguradores, ou os seguradores do ressegurador. Os limites de retenção aqui relatados são limites por riscos e não limites por carteiras de seguros. O objeto do seguro é o risco, representado pelas suas consequências. No primeiro exemplo, uma atividade perigosa de se instalar uma antena no telhado de uma casa é perigosa, apresenta como um dos riscos a queda do trabalhador. Essa queda pode provocar lesões no trabalhador. São as lesões que são indenizadas. No ambiente dos seguradores o risco passa a ter outro significado, como: uma pessoa (no seguro de vida ou de acidentes pessoais), uma edificação (no seguro de incêndio), um equipamento (no seguro de riscos de engenharia ou riscos diversos), uma embarcação ou uma aeronave, nos seguros de cascos marítimos ou aeronáuticos, e por aí segue. Uma relação importante qualquer que seja o risco é a de que para cada risco há uma taxa, já que os riscos podem representar prejuízos distintos. Essa taxa aplicada sobre a importância segurada do bem termina por se transformar no prêmio de seguros. Essa pode ser agravada ou reduzida em função da boa experiência da seguradora e do segurado não apresentar sinistros. Em uma apólice que acoberte um edifício contra o risco de incêndio, se houver o incêndio, não importa a causa e desde que essa esteja contemplada como risco coberto, o incêndio ocorrido é o sinistro. Se não houver possibilidade de salvar-se nada se diz que houve a “perda total”. Caso haja a possibilidade de se salvar algo se diz “salvados do incêndio”, que podem ficar de posse do segurado, reduzindo a perda da seguradora, ou ficar com a seguradora, que indenizará o segurado da perda. Para que ocorra o equilíbrio da operação as taxas devem corresponder aos riscos assumidos.
  • 4. Página 4 de 59 De forma resumida, taxar-se um risco é o mesmo que avaliar-se o grau de perda, seja essa para o segurado, indústria, ou para a seguradora. Para tal, devem ser conhecidos os modos de falha dos sistemas, a extensão das perdas, a frequência de como essas perdas ocorrem em um determinado período e os custos envolvidos. A taxa de risco pode ser resumida como o produto do percentual de frequência das ocorrências com o percentual das perdas ocorridas, essas tomadas relacionando-se o que se perdeu com o montante existente não afetado e fazendo parte do mesmo sistema e ou equipamento. Neste artigo tratar-se-ão dos critérios de taxação dos riscos industriais, ou seja, das perdas e ou danos que possam ocorrer em instalações industriais, que não necessariamente sejam indenizados por seguradores. Os riscos dos seguros industriais “Riscos são todos os insucessos ocorridos em uma determinada fase ou época e não de todo esperados”. Risco não é somente o que está para acontecer ou o que temos receio de que aconteça: • Hoje teremos o risco de um temporal; Levem os seus casacos; Não cheguem tarde da noite; • Há risco de vocês serem assaltados, portanto, não cheguem tarde; Não andem por ruas escuras; • Se vocês não estudarem correrão o risco de não tirar boas notas; • Não tente consertar o chuveiro para não ter o risco de levar um choque. Os riscos podem vir a ser encontrados em várias atividades, como: • procedimentos cirúrgicos; • operações financeiras; • construções civis; • montagens industriais; • implantação de empreendimentos, etc. Qualificação - identificação do tipo de risco (trata-se de um risco de incêndio, de um risco de explosão, de um risco de danos elétricos, etc.). Risco Taxas
  • 5. Página 5 de 59 Quantificação - determinação do valor da perda, expressa em percentual do valor dos bens ou em valores absolutos, ou do tamanho do prejuízo a se verificar no futuro (P.Ex. o risco, se ocorrer, poderá gerar uma perda que irá afetar 48% do patrimônio da indústria). Quando o risco se materializa tem-se o dano. Quase sempre o dano está associado a uma perda material, humana, patrimonial ou de responsabilidades. Os estudos de confiabilidade, hoje traduzidos pela aplicação de softwares específicos possibilitam que se tenha, de antemão, uma idéia do que pode ocorrer se houver um acidente ambiental. Há mais de 25 anos já se empregavam softwares, simplificados, que avaliavam o grau de perdas materiais causadas por eventos envolvendo explosão. As análises até então, restringiam-se a se equiparar as perdas sofridas, com o rompimento de um vaso de pressão de um processo, ao equivalente a uma detonação de uma carga de TNT. A partir daí, simulava-se o impacto expansivo radial da explosão sobre as edificações, trabalhando-se com plantas que representavam corretamente as edificações e a fonte dos riscos. Durante anos, o Ex-tool foi uma das ferramentas mais utilizadas no mercado de seguros para a avaliação das perdas máximas admissíveis. As construções existentes no “caminho” das ondas de explosão eram classificadas conforme sua resistência estrutural. Ao final, o software apresentava os círculos de perdas, onde os limites extremos eram a quebra de vidros das janelas, ou seja, os impactos de menor importância. A partir daí eram tomadas as medidas de prevenção necessárias, quase sempre de reposicionamento dos equipamentos ou do reforço das estruturas, com o objetivo de redução das perdas. Já naquela época aplicavam-se os conceitos de níveis de proteção aplicados às instalações mais vulneráveis às perdas. Entende-se o Grau de Confiabilidade como o inverso do Grau de probabilidade de Falha. Assim, quanto maior é o grau de confiabilidade menor é o grau de falha. Um sistema altamente confiável apresenta um baixo nível de falha. Um sistema que apresente elevado nível de falhas é pouco confiável. Nas questões envolvendo o meio ambiente têm-se situações onde os problemas decorrem de ações humanas e outros de ações naturais. As ações humanas não são tão simples assim de serem analisadas, já que podem estar associadas a inúmeras variáveis. As ações naturais também são associadas a inúmeras variáveis. Em ambos os casos, de ações humanas e de ações naturais costuma-se praticar regras de regressões lineares, objetivando-se reduzir os graus de liberdade assumidos pelas funções. Nesta apresentação vamos nos ater aos acidentes ambientais de forma genérica. Os elementos pesquisados no gerenciamento de riscos são: • Riscos que têm maior probabilidade de ocorrência; • Freqüência de ocorrência dos riscos; • Causas e conseqüências das ocorrências; • Perdas usualmente verificadas; • Processos de prevenção existentes que venham a inibir as ocorrências.
  • 6. Página 6 de 59 Os seguros industriais, pelas suas características, são sempre seguros mais técnicos, exigindo das seguradoras análises de gerenciamento de riscos realizadas por engenheiros. Pelo porte das empresas quase sempre chegam a ser seguros vultosos, ou seja, com valores segurados que ultrapassam a capacidade de retenção de riscos do mercado segurador nacional, exigindo transferências de riscos para o mercado internacional. A qualificação do mercado segurador e a distribuição dos riscos continuamente fiscalizada transforma as empresas em instituições com grande liquidez. Um sinistro, a efetivação do risco sobre o evento segurado, não prejudica financeiramente a seguradora a ponto de causar sua insolvência por falta de liquidez. Quando há um sinistro vultoso (perda elevada) certamente muitas serão as seguradoras envolvidas, direta ou indiretamente, sem que o segurado tenha o conhecimento de todo esse processo de repasse do risco. Contrariamente, quando o segurado é o próprio segurador, esse participa da reposição de todas as suas perdas. No início da década de 60 o mercado segurador passou a se beneficiar com os conceitos de Confiabilidade de Processos, instituído naquela ocasião com o propósito de se assegurar que as perdas seriam conhecidas. O segurado, ou o industrial pode, dependendo das circunstâncias legais e mesmo acionárias resolver não contratar o seguro para nada. Mesmo assim deverá ter o conhecimento de suas responsabilidades futuras com a ocorrência de acidentes. Como ele será o segurador de seus próprios bens, auto seguro, deverá constituir reservas para fazer frente a eventuais substituições, reparos ou manutenções. A forma de como isso ocorrerá, em termos de gestão, é idêntica a que se processa quando se contrata um seguro. Uma obra industrial compreende um complexo de atividades que demandam vários tipos de serviços, alguns dos quais apresentam riscos potenciais elevados, capazes de causar inúmeras perdas ou danos. Assim, existem atividades: • manuais e com o emprego de equipamentos de vários portes; • com o emprego de robôs (atividades submarinas e as realizadas em espaços confinados, principalmente para soldas); • com a necessidade de apenas uma pessoa e com enorme efetivo de pessoal; • desde a simples fabricação de uma cadeira à fabricação e montagem de uma plataforma de petróleo; • executadas no nível do chão, sob o solo ou em alturas elevadas; • realizadas com o objeto do trabalho estático ou em movimento (P.Ex.: reparo de uma estação espacial); • sobre o solo ou sob a água; • com pressões elevadas ou pressões negativas; • com temperaturas são normais ou elevadas, etc.. Cada uma dessas atividades apresenta características em específicas e que requerem do analista de riscos ou gerente de riscos um conhecimento aprofundado do processo, principalmente para compreender o sinistro, ou perda ocorrida, o modus operandi, se acha inserido em uma cobertura de seguros como um item segurado ou, caso não exista o seguro para tal evento, se a falha se deveu à operação, ao
  • 7. Página 7 de 59 próprio equipamento (fadiga de material ou falha de produção, construção ou montagem), ou a outros fatores intervenientes ao processo. Na linguagem empregada no gerenciamento de riscos, nas atividades relacionadas com a segurança industrial ou segurança dos processos, atividades essas bem mais amplas do que as simples análises de segurança do trabalho, o risco é mensurado multiplicando-se o resultado da frequência das ocorrências dos acidentes com a severidade ou gravidade dos mesmos. Pode parecer à primeira vista uma função simples, de multiplicar-se a quantidade de ocorrências com as perdas geradas, mas não é assim como parece. Em primeiro lugar são relacionadas todas as ocorrências identificadas ao longo de um período associando-as à perdas desde a falta de produção, danos aos equipamentos e instalações, e processo. Depois de relacionadas busca-se obter as perdas médias e valores de ocorrências, para estruturar a análise atuarial. A partir daí, com o apoio de conceitos matemáticos determina-se o valor da taxa. Nessa fase passa a ser muito importante que o período de avaliação seja tão extenso quanto se possa ter informações, e essas, tão completas quanto se requer. Muitas vezes as pessoas mais importantes para informar as frequências das falhas são os operadores dos equipamentos, já que nem todas as perdas ou danos são relatados. Também é importante se obter informações nos almoxarifados das empresas e ferramentarias. Quanto maior a frequência com que os acidentes ou falhas ocorrem mais os empreendimentos devem investir em supervisão, controle de atividades e capacitação dos trabalhadores. Quando a frequência é elevada isso pode significar que podem estar associadas várias questões como: • pressa para a conclusão das tarefas, • chefias preocupadas com a produção, • ambientes de trabalho que propiciam a desatenção dos trabalhadores, • ausência de supervisão dos encarregados, • falta de manutenção dos equipamentos, • máquinas, ferramentas ou equipamentos que baixa qualidade, • emprego de componentes para os reparos ou manutenções não recomendados pelos fabricantes, entre inúmeras outras questões. Por outro lado, quando a severidade é alta a empresa deve voltar suas atenções para os dispositivos de proteção dos trabalhadores e equipamentos, ou seja, reduzir, mitigar ou eliminar os riscos, além de reavaliar as barreiras ou níveis de proteção, também conhecidas como camadas de proteção. Se a probabilidade da perda for elevada algumas medidas imediatas devem ser tomadas, como: • Identificação se a perda pode atingir outros equipamentos, componentes ou sistemas, • Verificar se o acidente pode paralisar as atividades ou se ficará restrito ao próprio equipamento, • Identificar se o acidente pode atingir pessoas ou instalações de terceiros, • Avaliar se a energia dispersa com a ocorrência do acidente pode propagar-se com força suficiente que ultrapasse as barreiras de contenção,
  • 8. Página 8 de 59 • Identificar os níveis de proteção dos equipamentos e se esses são os adequados. A associação das duas funções que compõem a equação onde o risco faz parte depende de fatores envolvendo trabalhadores, empresa, ambiente e processos de trabalho, equipamentos empregados, enfim, pode-se imaginar que há um “sem fim” de aspectos muitas vezes não percebidos ou identificados nas análises de risco tradicionais e recomendadas em literaturas, como: análises preliminares de riscos, de riscos de processo, de árvores de falhas, série de riscos e série de eventos, HAZOP, análise dos modos de falhas e efeitos, e várias outras. Com as novas tecnologias e capacitações dos profissionais, passam a ser mais empregados os recursos computacionais para a simulação de eventos. No início da década de 80 a Swiss Re (uma das maiores resseguradores internacionais) adotava um programa computacional denominado Ex-Tool para avaliação dos danos causados por explosões de caldeiras. Na época o mercado segurador encontrava-se na dianteira das análises de riscos, principalmente porque dispunha de bancos de dados confiáveis sobre a ocorrência de sinistros (perdas e danos) em bens segurados e ou ressegurados com valores elevados e os utilizava para a avaliação da extensão das perdas e ou danos e para negociar com os resseguradores taxas mais vantajosas em função de eventuais medidas de contenção adotadas pelos segurados. O mercado segurador, no início da década de 60, através de seus técnicos, acompanhou de perto a mudança da cultura dos riscos. A “guerra fria” entre Estados Unidos e Rússia desenvolvia-se largamente. Os Estados Unidos, preparando-se contra ataques de outros países lançou o projeto de misseis balísticos intercontinentais. Para preservar as informações de projeto, foram contratadas centenas de empresas para atuar na fabricação de partes dos mísseis, dispersas pelos vários estados americanos. Essas empresas não tinham contato entre sí e, em assim o sendo, não sabiam das configurações finais do que executavam. Contudo, o Governo Americano precisava encontrar um meio de que esse conjunto de componentes que seriam unidos para a montagem do míssil tivesse o desempenho desejado. Como já havia estudos sobre a Confiabilidade de Processos esses passaram a ser adotados em todas as fases da fabricação. De certa forma foi a primeira incursão na área da Qualidade e, mais do que isso, assegurar-se que pelo elevado grau de confiabilidade exigida em todos os processos ocorresse a minimização ou eliminação das falhas. Hoje esses conceitos são largamente empregados, desde a fabricação e montagem de módulos de plataformas de petróleo, fabricação e montagem de seções de navios, montagem de unidades de processo, e, até o inesperado, a construção de túneis extensos. Para o mercado segurador as falhas representam os riscos. Assim, partir-se desse conceito para desenvolve-se atividades de Gerenciamento de Riscos foi apenas um pequeno passo, tanto que no final da década de 70 as seguradoras nacionais, ao proporem aos resseguradores participação nos chamados riscos vultosos, tinham que ter profissionais experientes e desenvolver relatórios sobre os riscos. A visão das seguradoras e das indústrias era a mesma, mas os conceitos não. Enquanto que na Confiabilidade de Processos avaliava-se o grau de confiança, no mercado de seguros verificava-se o grau de falhas. Isso passou a ser relativamente fácil na medida em que se criou uma relação matemática entre confiabilidade e riscos, sendo: C = 1/f, onde C é o grau de confiabilidade
  • 9. Página 9 de 59 avaliado e f a frequência de ocorrências de falhas. Nessa função inversa, uma confiabilidade elevada significa uma baixa incidência de falhas. Em meados da década de 80 novos conceitos de enquadramento das perdas foram apresentados para a fixação de franquias e de limites de indenização, que passaram a ser conhecidos como: PNE – Perda Normal Esperada, nome atribuído àquelas perdas usuais e previstas de ocorrer durante um processo ou atividade. Essas perdas eram associadas a um elemento do seguro denominado Franquia, ou a parte do prejuízo que cabia ao segurado. As perdas normais eram esperadas e passaram se relacionar com aquelas sob responsabilidade do segurado e inerentes aos processos fabris, como de trocas durante dos processos de manutenção, como a quebra de uma correia, a troca de uma lâmpada ou um relé, substituição de um coxim, entre outras tantas. DMP – Dano Máximo Provável, maior dano que poderia ocorrer em uma instalação supondo que todos os sistemas e dispositivos de controle e redução ou mitigação das perdas fossem acionados. Alguns desses dispositivos são: sistemas de alarme contra incêndio, chuveiros automáticos contra incêndio (sprinklers), sistemas fixos de gases ou de pó, barreiras corta-fogo, portas corta-fogo, dispositivos de proteção de estruturas contra fogo ou explosão (proteções passivas ou barreiras de contenção), e uma série de outros dispositivos. Admitia-se que os próprios sistemas de proteção existentes pudessem conter as perdas, desde de apropriados. Nesses casos associava-se a eficácia dos dispositivos às proteções oferecidas por cada um desses sistemas. Contou-se muito com normas produzidas pela FOC Fire Office Committee, e normas da NFPA National Fire Protection Association. PMA – Perda Máxima Admissível, nome atribuído à maior perda que pode ocorrer supondo que o evento seja extinto completamente, sem a intervenção de dispositivos especiais automáticos ou não. Essa perda também é conhecida como perda catastrófica. No dimensionamento dessa perda considerava-se que os dispositivos de proteção falhassem encadeados ou não e que os eventos se extinguissem com a ausência do calor, do combustível ou do comburente. Através da PNE definia-se o nível de franquia. Por meio do DMP fixava a taxa normal e a retenção da seguradora. Através da PMA chegava-se ao limite de catástrofe. O importante desse comentário é que através de uma boa base de dados e algumas ferramentas de análise poderiam ser mensurados adequadamente as perdas ou danos. Dois desses bancos de dados se destacaram no cenário marítimo envolvendo acidentes com embarcações. Os mais empregados eram o OREDA - Offshore Reliability Data Handbook e WOAD - Worldwide Offshore Accident Databank. A previsibilidade de ocorrências passava a ser tão habitual quanto a identificação, através de uma pirâmide de análise de riscos, tendo na base a quantidade de ocorrências de desvios e no topo o evento maior. Ocorre que tanto em um caso quanto em outro, trabalha-se fortemente em análises matemáticas envolvendo hipóteses e estatísticas. As ocorrências de acidentes nem sempre assumem o comportamento matemático previsto. Passam a ser chamados de “pontos fora da curva”.
  • 10. Página 10 de 59 Nesse cenário, de variáveis tão díspares pode-se imaginar que não ocorram acidentes? Ou deve-se considerar que o acidente não precisa necessariamente ocorrer? Há pelo menos umas quatro décadas atrás, entendia-se que a cada cem quilômetros de dutos lançados era previsível ocorrer uma morte, da mesma forma que a cada quilômetro construído de ponte podia se esperar uma morte. Ou seja, a morte, como um dos piores acidentes, era previsível, em função das características das atividades desenvolvidas. De lá pra cá algo mudou, ou as mortes e, por conseguinte, os acidentes, ainda continuam sendo previsíveis? De certa maneira os acidentes são ainda previsíveis. As mudanças mais substanciais que têm ocorrido passam pela gestão dos processos, e formas de controle e ou de contenção, abrangendo o equipamento em sí e as instalações e ambientes. Dentro dessa ótica da análise dos processos de gestão, sem se deparar especificamente com um deles, mas dos princípios gerais é que se irá tratar a questão dos acidentes, com um grande recorte para a atividade industrial e sobre sua previsibilidade, apresentando algumas considerações técnicas à respeito das obras industriais e de como podem ser evitados os acidentes, desde aqueles que envolvem o trabalhador a aqueles que atingem o meio ambiente ou o patrimônio das empresas e de terceiros. As inspeções de riscos A inspeção de risco é definida como sendo o meio para o conhecimento do risco, com vistas a determinação do nível de taxa a ser aplicada. Na verdade, a inspeção de risco não é pré-requisito para a determinação da taxa, tanto pura, quanto estatística ou comercial. Ela atua definindo carregamentos técnicos e informando se o risco em questão pode afetar ou vir a ser afetado por eventos originados no próprio risco ou em riscos contíguos. A taxa estatística é conhecida como sendo o resultado da divisão do premio estatístico pela importância segurada, ou capital segurado do próprio risco: Te = ((Pe ÷ ISr) x 100)%, onde: Te = Taxa Estatística ou Taxa de Risco Puro. Pe = Prêmio Estatístico ou Prêmio Puro sem nenhum carregamento técnico ou comercial. ISr = Importância Segurada específica ao risco assumido, sem qualquer carregamento, impostos ou emolumentos. A definição matemática do premio estatístico (Pe) é a do resultado do produto do valor matemático do risco (Vm) pelo custo médio verificado por sinistro (Cm). Pe = Vm x Cm Onde: Vm = nº de sinistros ÷ nº de bens sujeitos a riscos (amostra) Cm – perda total computada ÷ nº de sinistros
  • 11. Página 11 de 59 De um modo geral. O Prêmio Estatístico é a relação entre a perda total computada e o número de bens sujeitos a riscos. A Taxa Comercial, da mesma forma que a Taxa Estatística, também é produto de uma divisão do Prêmio Comercial (Pc) pela Importância Segurada do Risco (ISr). Tc = ((Pc ÷ ISr) x 100)% Prêmio Comercial é o resultado da adição do prêmio estatístico com o carregamento técnico comercial. Pc = Pe + Ct Como Carregamento Técnico (Ct) entendem-se: • despesas administrativas da seguradora (impostos, alugueis, propaganda, pessoal, etc.); • comissionamentos diversos; • custos financeiros praticados; • previsão para sinistros catastróficos; • variações ocorridas com as características do risco, ou eventuais desvios de sinistralidade; • taxas e emolumentos; • sinistralidade, etc. Por ser o carregamento um percentual do próprio prêmio comercial, costuma-se representar sua expressão matemática como: Pc = (Pe ÷ 1) - Ct Como se vê, poder-se-ia taxar um risco tomando-se por base somente sua historia passada e os valores segurados atuais, sem necessidade da realização de inspeções, desde que o risco fosse completamente isolado de qualquer outro. Assim a ocorrência verificada, sinistro, seria somente aquela, não haveria outra. Entretanto, nem sempre tudo é assim. Há riscos em que o segurado é mais zeloso com os seus bens, e outros onde a possibilidade deles virem a ser atingidos por sinistros e bem maior, chegando-se a pensar que o próprio segurado busca o sinistro. Para a compreensão de todos esses fatos é que se recorre à inspeção de riscos. Ela sempre deve servir como uma fotografia correta do risco a ser aceito, tirada por um bom profissional e com uma boa máquina, de sorte que se tenham condições de aplicar a taxa justa. É importante se frisar o aspecto de que o segurado deve ser sempre contemplado com a taxa considerada justa. O que denominamos aqui como uma fotografia nada mais é do que um relatório preciso, bem elaborado, contendo todas as informações necessárias para a compreensão e taxação do risco. Vários são os critérios e formas utilizadas para a inspeção de riscos, a saber: • Método de pontos;
  • 12. Página 12 de 59 • Cálculo de apreciação do risco incêndio por série de pontos; • Cálculo do grau de proteção; • Método de Gretener; • Método de Purt; • Método de Messere; • Método de Cluzel e Eric Sarrat; • Método de Shibe; • Método de Aschoff; • Metodo de Dow; • Método de Trabaud, etc.. Os Riscos Industriais Os seguros industriais possuem critérios de taxação específicos e são vistoriados periodicamente pelos engenheiros das seguradoras e do ressegurador, que avaliam se o que consta dos critérios de avaliação realmente existe. O processo se assemelha em muito ao que ocorre nas certificações das empresas, através da adoção de normas de gestão, como as ABNT NBR 9001, ABNT NBR 14001 e OHSAS 18001, aplicadas, respectivamente às disciplinas de qualidade, meio ambiente e segurança e saúde ocupacional. Assim, as visitas, dependendo do porte das empresas, podem durar dias, com o acionamento dos sistemas de combate a incêndios e, algumas vezes, com simulados. Um aspecto interessante é que o grau de especialização das empresas cresce na medida que o mercado segurador também cresce, já que as demandas passam a ser cada vez mais complexas e representam custos mais elevados. O Mercado Londrino, considerado como referência durante centenas de anos, começou a se estruturar após o grande incêndio que atingiu a cidade de Londres em 1.666. A partir da descoberta do risco, a cidade e a Prefeitura começaram a impor sanções e ao mesmo tempo obrigar a existência de dispositivos de combate a incêndios, desde pá a baldes de couro, enfim, a população, preocupada com o risco e com a possibilidade de não ter como repor o que foi perdido, passou a se proteger. Na Inglaterra, logo após o grande incêndio e após frustradas as inúmeras tentativas individuais, que mais se assemelhavam a brigadas de incêndio de bairros, surgiu a primeira seguradora, constituída em 1.710, sob o nome de The Sun Fire Office, atuando especificamente na área de seguros contra incêndio. Essa empresa hoje faz parte do grupo Royal & SunAlliance, considerada a maior seguradora Britânica. O grande incêndio que praticamente destruiu a cidade de Londres ocorrido no século XVII, e o advento da máquina a vapor, já na revolução industrial, possibilitou o rápido desenvolvimento de novas modalidades de seguros, de forma a atender a um crescente mercado consumidor. Grandes acidentes naturais, como tormentas, maremotos, terremotos, furacões, ciclones, tornados, vieram demonstrar a premente necessidade do seguro em todos os segmentos, inclusive os industriais. As indústrias ficam mais
  • 13. Página 13 de 59 vulneráveis pelas peculiaridades de suas construções e dimensões. Os acidentes naturais são responsáveis por bilhões de dólares de prejuízos, quase que totalmente assegurados. Determinando as Taxas de Riscos A palavra Risco dá margem a uma série de interpretações. Contudo, está sempre associada, em qualquer caso, a: um insucesso, um perigo, uma perda ou um dano. Riscos são todos os insucessos ocorridos em uma determinada fase ou época e não de todo esperados. Os riscos podem vir a ser encontrados em várias atividades. Algumas das que procuramos destacar são as seguintes: • procedimentos cirúrgicos; • operações financeiras; • construções civis; • montagens industriais; • implantação de empreendimentos, etc. Para que a definição fique mais clara, o insucesso é traduzido como um fato gerador de perdas materiais, financeiras ou pessoais. Tem-se então uma ampliação do conceito para o mercado segurador. a) riscos puros Os riscos puros são aqueles onde há somente duas possibilidades: perder ou não perder. Não existe a chance de nada acontecer, ou seja, quase que o risco materializou-se. b) riscos especulativos Nos riscos especulativos há possibilidade, além da perda ou da não perda, do ganho. O componente adicional desse enquadramento é o do ganho, que até então não era abordado. Em um jogo, qualquer que seja ele, pode-se perder, pode-se ganhar e pode-se não perder se não houver a participação do jogador. O risco especulativo é diferenciado dos demais riscos por possuir um componente adicional de ganho, componente esse inexistente nas outras categorias de eventos. Por exemplo, a análise de um empreendimento imobiliário, em lançamento, é um risco especulativo, já que o mesmo poderá redundar num ganho. Aplicações em mercados financeiros também são riscos especulativos. Riscos voluntários Riscos voluntários são todos aqueles incorridos conscientemente pela empresa ou por seus funcionários. A morte de soldados durante uma guerra travada entre dois países é um risco voluntário do país invasor. A navegação em um mar revolto é um risco voluntário do comandante da embarcação. Atravessar a pé uma grande avenida com o sinal de pedestres fechado é um risco voluntário do próprio pedestre. Riscos voluntários também podem ser identificados como todos aqueles em que há um ato voluntário o qual induz à participação humana no evento. A criança que acende uma fogueira está
  • 14. Página 14 de 59 praticando um risco voluntário, porque ela assim o quer, ou seja, deseja acender o fogo. Pode estar praticando o ato de forma consciente ou não. O risco voluntário enquadra-se na categoria de riscos puros. Riscos acidentais Riscos acidentais são os riscos ocorridos sem que tenha havido contribuição voluntária para tal. O desabamento de um prédio, o alagamento de um pátio de estocagem são riscos acidentais. Os riscos a que estão sujeitos os construtores são também riscos acidentais. Para que não haja conflito de interpretação os riscos acidentais podem ser enquadrados dentro das características daqueles decorrentes das atividades normais de uma empresa, gerados acidentalmente. Da mesma forma como nos riscos voluntários, os riscos acidentais também são riscos puros. Riscos aleatórios Riscos aleatórios são aqueles eventos ocorridos sem a participação humana, tais como: terremotos, tremores de terra naturais, vendavais, furacões, enchentes, inundações. Na linguagem de seguros são considerados os eventos de causa externa. Os riscos aleatórios também são conhecidos como riscos da natureza. A aleatóriedade dos riscos indica que não podem ser previstos. Podem ocorrer a qualquer momento. Atualmente, com a adoção de dispositivos de monitoramento e controle mais eficazes, pode-se prever com razoável antecipação a ocorrência de furações e tornados, de terremotos e maremotos, de erupções vulcânicas e outros riscos da natureza de características catastróficas. A ciência está em uma velocidade de aprimoramento tal que há controle de queda de meteoros, que estejam enquadrados tecnicamente em certas dimensões que sejam captadas pelos instrumentos ópticos. Hoje em dia, com a evolução da informática, o homem já consegue modelar parâmetros da natureza, com uma margem de erro bastante reduzida. Em nível de condições atmosféricas as análises já indicam uma previsão com até 5 dias de antecedência, com margens de erro inferiores a 10%. Computadores mais poderosos já conseguem aumentar o percentual de Confiabilidade das informações, auxiliando em muito os agricultores em suas tarefas, informando as épocas de secas e de chuvas. Isso não quer dizer que os riscos, com essas análises estarão deixando de possuir algumas daquelas particularidades a eles inerentes, quais sejam, a de serem futuros e principalmente incertos. Uma segunda classificação define os riscos como: Estáticos Dinâmicos a) Riscos Dinâmicos São os derivados da atividade financeira especulativa. O risco do sucesso de um lançamento imobiliário é um risco dinâmico, da mesma forma que o lançamento de um novo produto no mercado consumidor. Esses riscos não são sujeitos, normalmente, a um processo de Gerenciamento de Riscos. Até o podem ser. Dentre os fatores que impedem uma avaliação mais criteriosa estão: dependência de fatores externos ao processo, como por exemplo, conjunturas econômicas; execução inadequada do projeto ou
  • 15. Página 15 de 59 execução do projeto por empresa ou pessoa que não levou em consideração ou não foi convenientemente informada de parâmetros importantes. Se uma empresa resolve lançar um empreendimento imobiliário em um momento em que o País está em crise ou com falta de liquidez certamente terá dificuldades em vendê-lo. Por outro lado, se o projeto é maravilhoso mas o local não é adequado com certeza o maior impeditivo da venda será o preço cobrado de cada uma das unidades lançadas. b) Riscos Estáticos São todos aqueles em que a efetivação do evento pode ou deve pressupor uma perda ou uma redução do patrimônio humano ou material da empresa. Um incêndio ou um alagamento são riscos estáticos. A determinação da magnitude ou da gravidade dos riscos estáticos deve ser feita partindo-se dos seguintes dados: • aleatóriedade das ocorrências de perdas; • freqüência das ocorrências; • valores médios das perdas; • valores acumulados de perdas previsíveis e esperadas; • perda máxima possível, e outros dados estatísticos. Na medida em que se define uma freqüência de ocorrências, quantificando-a e se avalia a extensão provável das perdas verificadas tem-se uma real noção da magnitude do risco, de seu tamanho ou expressão. Esse dimensionamento possibilita que se determine o risco, em termos numéricos. Qualquer processo de avaliação de riscos conduz sempre a dados empíricos. Quando se diz que a probabilidade de uma pessoa morrer pela descarga elétrica de um raio é de 0,0000001% não se está afirmando que a cada 1.000.000 de pessoas morrerá uma eletrocutada. Quer dizer que de um universo de pessoas estudadas, o número de mortes por eletrocussão é de 1 para cada 1.000.000. Assim, a freqüência da ocorrência será de 1 para cada 1.000.000, ou 1:1.000.000. Ainda tratando do mesmo exemplo de queda de raio, a medida do risco é dada, principalmente, por dois parâmetros, a saber: # freqüência: um acidente a cada 1.000.000 de pessoas da amostra; # gravidade: uma morte por eletrocussão ou uma morte para cada parcela da população sujeita a risco. No segmento industrial são utilizadas técnicas de Engenharia de Confiabilidade para a mensuração de riscos, complementarmente às várias técnicas de Gerenciamento de Riscos existentes, envolvendo conceitos de Confiabilidade. Critérios para a determinação das Taxas de Riscos Quase sempre os critérios de determinação das taxas de riscos iniciavam com a análise das plantas (desenhos) das instalações da empresa. Nessas plantas eram indicados os principais riscos, os meios de proteção existentes contra o combate a riscos, as distâncias entre os demais locais, os valores
  • 16. Página 16 de 59 envolvidos, os meios de desocupação do local, a possibilidade dos sinistros (eventos) serem debelados através de meios próprios e em caso contrário, as facilidades existentes que poderiam possibilitar o acesso de meios externos de apoio. Em resumo, analisavam-se todos os aspectos positivos e negativos supondo que os riscos pudessem ocorrer em qualquer ponto da indústria e alastrar-se por qualquer meio. Nessa primeira fase as tarifas e manuais técnicos não saiam de sobre as mesas dos underwriters, ou subscritores de riscos. Em uma segunda fase eram analisadas as estatísticas dos riscos. Assim, a determinação de taxas para uma indústria, como um todo, sempre foi uma das tarefas menos fáceis, mesmo com toda a tecnologia existente, porque, em uma mesma empresa há riscos com características de todos os tipos, com vários níveis de gradação de perdas, enfim, há milhares de riscos, os quais, se somados para a obtenção de uma única taxa para uma indústria tornaria o processo de taxação inviável para a empresa seguradora e para a própria indústria, essa em função dos custos que seriam cobrados. Por exemplo, em uma única área, como o de processamento de uma petroquímica, pode haver riscos de explosões de quebra de equipamentos, de acidentes elétricos, de perda de produção, de derrames de materiais, enfim, muitos são os riscos. Um dos conceitos que nunca mudou foi o de se avaliar os riscos das indústrias em função dos níveis de proteção existentes, na medida em que, quanto mais eficazes fossem os sistemas de detecção e combate aos riscos, menores seriam as perdas ocorridas. De certa maneira, a lógica é bem simples. Maiores proteções podem corresponder a menores riscos. Entretanto, mesmo nesses processos de simplificações deve-se contar sempre com a possibilidade do dispositivo de segurança adotado não vir a funcionar corretamente, assim, não basta apenas possuir os equipamentos e esses serem os adequados, também devem estar funcionando adequadamente. Um desses exemplos é o do risco de explosão de caldeiras e vasos de pressão. Quando há uma explosão são formadas ondas de impacto que se irradiam do ponto onde foi formada. Essas ondas vão quanto mais distantes se encontrem do ponto de origem, perdendo força. No início podem destruir edificações, ao final podem apenas vibrar vidros de uma janela. Nesse caso, não há um dispositivo de proteção específico. Os equipamentos possuem válvulas de alívio. Os equipamentos possuem pontos onde o excesso de pressão pode ser extravasado. Ou seja, os projetistas preveem que os riscos, quando ocorridos, possam ser minimizados. Nas panelas de pressão caseiras, para o cozimento do feijão, há uma válvula central cujo peso produz uma pressão interna de uma atmosfera e outra válvula de segurança. Falhando a válvula principal é acionada a válvula complementar. O mesmo ocorre com os equipamentos de pressão das indústrias, que trabalham com pressões centenas de vezes maiores do que a de uma simples panela de pressão caseira. Entretanto, as falhas podem ocorrer. Até por essa razão é que houve tanto progresso dos estudos de Confiabilidade de Processos, associando-se estudos de confiabilidade a estatísticas, mecânica, instrumentação, processos, enfim, a união de vários conhecimentos. Nos tempos mais antigos, quando esses estudos ainda não eram tão sofisticados e técnicos, as empresas terminavam por enclausurar as áreas de riscos, construindo grossas paredes de alvenaria ou de concreto, auto portantes direcionando as ondas de explosão para cima, e não radialmente. Desta maneira protegiam-se os equipamentos nas proximidades e os custos dos seguros eram menores.
  • 17. Página 17 de 59 Uma das seguradoras mais antigas do mercado segurador, fundada em 1866 foi The Hartford Steam Boiler Inspection & Insurance Company, conhecida como Hartford Insurance Company, que se notabilizou por possuir elevada expertise na análise de equipamentos sujeitos à pressão, como caldeiras, por exemplo. Atualmente a empresa faz parte do grupo Munich Re e possui mais de 1.200 engenheiros especializados na análise de riscos industriais. Ainda existiam situações onde os equipamentos críticos, em termos de geração de riscos, ficavam distantes dos demais, quase que da mesma forma que o empregado na distribuição dos paióis de pólvora, onde os mesmos são construídos semi enterrados e tendo ao redor elevações de terra formando pequenas colinas. As taxas aplicadas contemplavam a existência dessas distâncias. Ainda hoje, quando se refere ao depósito de material explosivo, o volume admitido para estocagem em um só lugar depende da distância que o depósito se encontra das demais construções. Desta maneira, mesmo simplificando ao máximo os processos de taxação ainda assim a questão da adequada mensuração torna-se uma tarefa bem difícil. Em um simples exemplo, um sistema de combate a incêndio através de hidrantes é considerado como um bom dispositivo. Uma rede de hidrantes bem dimensionada e com os dispositivos adequados pode combater praticamente todos os tipos de incêndio, inclusive os envolvendo subestações. Nesses casos empregam-se dispositivos do tipo protector spray nas saídas, ao invés de lançar-se um jato contínuo. Contudo, para que o sistema funcione, em cada uma das saídas das canalizações, onde há registros, devem ter mangueiras e esguichos. Além disso, o sistema deve ter sistema de bombeamento, cuja adução se faz através de reservatórios elevados que são alimentados por cisternas. Se não há água suficiente na cisterna ou no castelo de água, mesmo que a equipe seja muito boa e as mangueiras estejam posicionadas corretamente pode-se ter uma falha no processo. O sucesso da extinção ocorrerá com o equipamento em condições operacionais operado por pessoal competente, habilidoso e pró- ativo. As probabilidades de falhas, processos esses que até algumas décadas atrás não eram tão importantes assim passaram a ser importantes, na medida em que cada componente de um sistema deve ter o desempenho esperado, não menor ou maior, mas sim aquele esperado para que o conjunto funcione adequadamente. Desta maneira, passamos a compreender que em uma indústria passa-se a considerar como sistemas ou blocos, tanto os riscos, quanto os processos e os sistemas de detecção e combate a incêndios. Se um desses blocos falha todo o conjunto passa a apresentar um resultado que não é o esperado. Uma das teorias que não é específica para o caso em questão, mas que se aplica muito bem ao que informamos é a teoria dos dominós desenvolvida por Heinrich. Nessa, cada peça representa uma etapa do processo ou um bloco do sistema. Se esse falha a tendência é a de todo o conjunto falhar. Na cadeia dos dominós terminamos torcendo para que a peça que caia não seja a primeira, e sim, se tiver que cair, a última, já que a primeira tem a probabilidade de derrubar todas as demais.
  • 18. Página 18 de 59 Os cinco fatores na sequência do acidente - HEINRICH, 1959. 1. personalidade; 2. falhas humanas no exercício do trabalho; 3. causas de acidentes (Atos Inseguros e Condições Inseguras); 4. acidente; 5. lesão. Uma das conclusões era de removendo uma única peça do dominó a sequência de quedas seria interrompida, evitando, assim, a ocorrência do acidente. Portanto, as ações de prevenção deveriam se concentrar nos fatores que antecedem a ocorrência do evento indesejável. Para Heinrich (1959), o erro humano é o que apresenta a maior probabilidade de contribuir para a ocorrência do acidente, podendo ser considerado como ponto central. O erro pode ser decorrente de modos de falha como: conhecimento, atitude, aptidão e habilidade. Em artigo publicado na Revista Proteção, nº 241, NAVARRO, A.F. & LIMA, G.B.A, intitulado Desafios da NR-18, p. 72, pp.72.80, janeiro, 2012, Navarro cita que ao longo de 20 anos de análise de acidentes identificou que a participação humana se dava por vários motivos, como: Fatores Principais Fatores Contributários Fome Má alimentação Falta de alimentação Doença Mal estar Uso de medicamentos que prejudiquem seu equilíbrio ou compreensão Drogadição Uso de drogas lícitas ou não, que prejudiquem a compreensão ou o desempenho do trabalhador Pressa Término da jornada Término do serviço Fome Mal estar físico ou emocional Pressão pelo término da atividade Jornadas excessivas Situações anormais no ambiente do trabalho, como por exemplo, a proximidade do corte de energia elétrica, a necessidade imediata de um ajuste ou reparo de um equipamento, a interrupção momentânea de um setor da empresa, entre outros. Desatenção Doença Fome Mal estar físico ou emocional Possibilidade do time de futebol vir a ganhar ou perder logo mais Possibilidade de vir a receber algum telefonema, seja para um novo emprego ou de casa, por algum problema Problemas familiares Problemas financeiros Condições físicas do ambiente do trabalho Condições ambientais adversas Conversas excessivas ao redor
  • 19. Página 19 de 59 Jornadas excessivas Stress Doença Fome Possibilidade de demissões no trabalho ou do corte de pessoas ou da redução das atividades Ambiente do trabalho Relacionamento interpessoal no trabalho Condições ambientais adversas Jornadas excessivas Local escuro, mal iluminado ou excessivamente iluminado Pressão pela conclusão das tarefas Pressão pelas chefias ou colegas Falta de treinamento ou capacitação Não realização de treinamento Treinamento mal transmitido Baixa capacidade de assimilação Falta de habilidade Compreensão do treinamento Compreensão da atividade Falta de habilidade Falta de conhecimento Cultura Formação escolar Problemas psicológicos Doenças / transtornos Transtornos motivados por pressão Fatores motivacionais Problemas familiares Doenças em família Pressões financeiras Condições ambientais adversas Frio Calor Umidade Vibração Movimentação de máquinas e equipamentos Aspectos ergonômicos Posto de trabalho Ambiente de trabalho Ruído Frio ou Calor Vibração Insolação excessiva Falta ou excesso de iluminação Conversas excessivas ao redor Condições de trabalho Em outra seguradora americana, dos segmentos de property, ou danos materiais, Insurance Company of North America, foram desenvolvidas análises semelhantes a que tinha se dado a 30 anos, contando com o apoio de Frank Bird Jr., estudioso da área prevencionista, que, no princípio da década de 50, tomando por base a indústria de seu país, verificou que a prevenção contra acidentes estiva limitada somente à prevenção contra lesões incapacitantes. Julgava que, para haver algum progresso, não se poderia esperar a morte do trabalhador para reconhecer o acidente. Já naquela época a Pirâmide de Heinrich que apresentava uma relação de 1 para cada 29 e para cada 300, já estava sendo aceita no meio industrial como uma das formas de prevenção dos riscos. Assim, passou a se preocupar também com os acidentes que provocavam lesões sem perda de tempo e com os acidentes sem lesão. Em 1954, Bird deu um notável passo no desenvolvimento prevencionista, quando iniciou, na companhia siderúrgica Luckens Steel Company, com mais de 5.000 empregados, da Filadélfia, um programa de controle de danos à propriedade. Nesse programa havia a necessidade de se buscar a identificação, registro e investigação dos acidentes com danos à propriedade, e a determinação de seus custos para a empresa, para, em seguida, serem tomadas as devidas ações preventivas.
  • 20. Página 20 de 59 De 1959 a 1966, a Luckens Steel Company estabeleceu um programa de controle de todos os acidentes, envolvendo uma análise de 75.000 envolvendo danos patrimoniais e 15.000 acidentes pessoais, com lesões, dos quais 145 se classificaram com incapacitantes, durante um período de sete anos. Através dessas investigações Bird propôs um programa de Controle de Perdas e Danos. Essa estratégia tinha como finalidade principal reduzir ou eliminar as perdas dos acidentes com danos materiais, sem descuidar dos acidentes com danos pessoais. Da mesma forma que seu antecessor, definiu quatro aspectos principais em que se baseava para o desenvolvimento de programas de controle de perdas: informação, investigação, análise e revisão do processo. O resultado de seu trabalho foi publicado em 1966 sob o título de Pirâmide de Bird. Nessa verifica-se que para cada acidente com lesão incapacitante, ocorriam 100 acidentes com lesões não incapacitantes e outros 500 acidentes com danos à propriedade. Bird (1966) estabeleceu também em seu trabalho a proporção entre os custos indiretos (não segurados) e os custos diretos (segurados). Tais custos têm por objetivo dar uma idéia de como cada empresa pode estimar os seus custos individuais em seus programas de Gerenciamento de Riscos. Na década de 70 foram implantados os programas baseados em conceitos de Taylor e Fayol. Em 1969, ou seja, três anos após haver concluído a série de pesquisa na Luckens Steel Company, Bird, estando agora a serviço do Instituto Internacional de Controle de Perdas, contribuiu com sua experiência para o estudo sobre acidentes industriais que a Insurance Company of North America realizou. Foram analisados 1.753.498 acidentes, informados por 297 empresas que representavam 21 grupos industriais, com 1.750.000 empregados que trabalharam mais de três bilhões de horas-homem, durante o período de exposição analisada. Foi uma amostra consideravelmente maior do que as anteriores, a qual possibilitou que se chegasse a uma relação mais precisa que a de Bird. Nesse estudo, foi introduzida também a análise do quase- acidente, ou seja, acidentes sem lesão ou danos visíveis, pois que esses revelavam potenciais enormes de 69 acidentes, situações com risco potencial de ocorrência sem que tivesse ocorrido ainda a perda pessoal ou não pessoal. O resultado final desse estudo indicou que para cada acidente com lesão incapacitante (lesão grave), ocorriam 10 acidentes sem perda de tempo (lesões leves), 30 com danos à propriedade e 600 acidentes que não representavam lesões ou danos visíveis (quase-acidente). A atuação na base da pirâmide não era a prioridade, mas sim um complemento da análise. Em conseqüência dos resultados das diversas experiências em que Bird atuou ou orientou, criou-se interesse para que muitos especialistas viessem a conhecer sua obra dentro de vários países. Com isso, numerosos programas de controle de danos foram implantados e novas experiências realizadas.
  • 21. Página 21 de 59 Pirâmide de resultados de Frank Bird (1969) da Insurance Company of North America No final da década de 90 a DUPONT com base em sua experiência em mais de 200 anos de existência, e apoiando-se nos estudos anteriores criou uma Pirâmide de Desvios, acrescentando um nível a mais do que o acrescentado por Bird, em relação ao trabalho original de Heinrich. Pode ser destacado que os dois primeiros trabalhos voltavam-se a ações de redução dos níveis de perdas indenizadas seja envolvendo pessoas quanto o patrimônio, trabalho esse bastante enfatizado por Bird. A visão da DUPONT foi a de unificar os conceitos de prevenção de perdas, migrando para o conceito de prevenção de Riscos. Baseando-se em sua própria experiência a empresa chegou a números como os apresentados a seguir. Pirâmide definida por Du Pont du Neymors Uma questão que deve ser destacada é a que em todas as três pirâmides os valores crescem decuplicados. Também em todas há um evento topo, ou evento indesejado. Talvez por isso essas pirâmides possam ser aplicadas a outras áreas como a de Meio Ambiente e a de Saúde, como poderemos observar mais adiante. A técnica de Gerenciamento de Riscos voltava-se à identificação das origens de eventuais sinistros, os quais, reclamados pelos segurados transformavam-se em perdas indenizadas. Ao longo de todo esse período de mais de 30 anos, avaliamos não só as questões de property (danos ao patrimônio), como casualty (danos de responsabilidade), marine (danos a embarcações e todo o meio flutuante), engeneering risks (Erection all risks, Construction all risks e Machinery breakdown insurance) (riscos de engenharia, com construção e montagem, obras civis e equipamentos), e personal lines (riscos a pessoas). Durante o período entre 1978 a 2000 aplicamos os conceitos de gerenciamento de riscos em mais de 500 empresas. Seguramente nessas também ocorriam problemas semelhantes aos encontrados por Heinrich e por Bird. Utilizando todo o material coletado, os resultados de nossas pesquisas e os relatórios elaborados definimos também uma Pirâmide de Desvios, que resolvemos denominar de Matriz de Desvios,
  • 22. Página 22 de 59 pois que os resultados práticos dessas análises são muito mais de gestão e prevenção. O resultado a que chegamos foi que, antes mesmo que os desvios possam se manifestar, há questões envolvendo o conhecimento (cultura) das pessoas e a vontade. De posse dos resultados dessas auditorias, lançadas em cadernetas, no início, e posteriormente no sistema, pelo próprio auditor, eram extraídos o total de atos inseguros, o total de condições inseguras, o total de desvios apontados e o total de pessoas observadas, avaliando as seguintes questões: 1. Emprego correto dos EPIs conforme atividades desenvolvidas 2. Utilização correta e adequada de Ferramentas e Equipamentos 3. Identificação da posição das pessoas quanto a possibilidade de sofrerem acidentes 4. Atendimento aos procedimentos adotados para a execução das atividades 5. Reação comportamental das pessoas com a aproximação dos membros da equipe auditora 6. Organização e limpeza da área de Trabalho O resultado final era representado por uma planilha, por unidade, com a indicação do HH programado, HH realizado, % de realização de auditorias, total de desvios observados durante o período (mês) e a quantidade de desvios observados por hora de auditoria realizada. No período foram analisadas 18.300 auditorias realizadas e 1.280.000 desvios significativos e confirmados. Sim, porque, periodicamente tínhamos que ir ao campo, e avaliar o panorama geral, para que pudéssemos nos certificar se poderia haver um auditor lançando mais desvios do que os efetivamente existentes. Transformando esses períodos para períodos anualizados, chegamos ao seguinte resultado, estratificado a seguir. Deve ser ressaltado que não ocorreram mortes e nem acidentes com afastamentos, tendo esses sido deduzidos através de métodos matemáticos de modo a compor a imagem para comparar-se com as demais anteriores: Triangulo de Desvios de Navarro (2012) Morte 1 Acidente com Afastamento 50 Acidente sem Afastamento 120 Quase Acidentes 310 Desvios 750 Desconhecimento dos Riscos 1300 Desconhecimento Técnico 3500 Nível de ações proativas Nível de ações reativas
  • 23. Página 23 de 59 Na avaliação anualizada, a exemplo das demais pirâmides estudadas e apresentadas, o desconhecimento técnico do empregado faz com que ele não tenha o adequado conhecimento dos riscos. Pelo fato de desconhecer os riscos termina por cometer desvios técnicos, de procedimentos e de conduta. Ao cometer os desvios pode estar sujeito a assumir postura ou posição onde haja maior probabilidade de sofrer acidentes. Assumindo a postura ou posição inadequada ou desconforme passa a ter maior probabilidade de ser atingido ou se envolver em acidentes, a princípio sem afastamento, posteriormente, e na continuidade da postura não conforme tem maior probabilidade ainda de sofrer acidente com afastamento e, por fim, acidente grave incapacitante ou até morte. Retornando ao tema da taxa de riscos, essa é proveniente de uma enorme gama de disciplinas. Trata-se da matemática pura, da estatística, dos estudos de processos, da análise de equipamentos, do conhecimento dos processos, ou seja, a visão deixa de ser apenas um “achismo” para uma análise onde se consiga provar que é correta, seguindo do princípio para o fim ou do fim para o começo. O seguro, em uma descrição simplificada é uma operação contratual onde o proprietário de um bem oferece a alguém, empresa, a responsabilizá-lo repondo ou reparando o bem, bastando para isso que o proprietário pague o que se denomina de prêmio de seguros. Assim, há um acordo com regras bem claras, onde se discrimina o que será acobertado, quais os riscos que serão levados em consideração, o que será excluído e o que não será objeto do seguro. Ajustadas as partes assina-se a apólice de seguros. Todavia, essa é a parte mais simples do processo. O quanto custará o risco assumido normalmente é a grande preocupação dos Atuários e dos gerentes de Riscos das Seguradoras, já que, com seu conhecimento, compreensão do risco e experiência pessoal e do mercado poderá informar o valor do custo do risco. Análise da Questão Denomina-se custo do risco a parcela do preço do seguro onde o segurador passa a ser o responsável pela indenização. O custo é na verdade uma taxa resultado de uma análise técnica que é aplicada ao valor do bem, esse atribuído pelo segurado. Essa, aplicada ao valor dos bens representa o custo do risco. A esse são agregados outros custos melhor exemplificados mais adiante (despesas de comercialização, impostos e encargos financeiros, despesas operacionais, entre outras), transformando-se em custo do seguro. Em 1996, sob o título: Gerenciamento de Riscos Industriais, registramos na Fundação Biblioteca Nacional - Ministério da Cultura - Escritório de Direitos Autorais - Certificado de Registro ou Averbação nº 123.087, Livro 190, Folha 202 a publicação de onde iremos tirar alguns conceitos sobre o tema. Assim, no início da prática do Gerenciamento de Riscos, nos finais da década dos anos 70, observamos que os conceitos terminavam se mesclando, e que o seguro quase nunca era a causa e sim o efeito, ou a consequência, para o resultado da aplicação da técnica de gestão. Passamos a compreender que o
  • 24. Página 24 de 59 seguro é uma forma de tratamento dos riscos. É uma das maneiras de se recompor um patrimônio afetado por uma perda ou por um dano. O mercado de seguros sempre foi um dos pioneiros no incentivo ao desenvolvimento de ações para a identificação das perdas e danos, com o objetivo da aplicação de medidas de prevenção. As análises de conduziram aos estudos que redundaram em estratificações das principais causas dos acidentes é muito semelhante ao das técnicas de gerenciamento de riscos. As medidas preventivas a serem adotadas dependem do reconhecimento das causas que podem ser identificadas por meio da coleta de dados durante a investigação dos acidentes, como a Técnica dos Por Quês, no nosso exemplo anterior. O uso dos quadros estatísticos (baseados nos dados coletados) pode ser considerado, portanto, como fundamental para a programação de prevenção de acidentes. Ainda como mérito de Herbert William Heinrich, concluiu-se que em qualquer discussão sobre causas e modelos para estimativa de custo de acidentes, não se pode esquecer que não há uma lógica para definir a ocorrência de um acidente, mas sim, dados estatísticos que apontam para algumas questões dominantes. Essas questões podem ser posicionadas tal qual dominós, onde a queda de um termina por provocar a queda de todos. Algumas das questões pesquisadas partiam da hereditariedade e do meio, passando pela inadequação pessoal e terminando com o ato perigoso, o acidente e, finalmente, à lesão. H. W. Heinrich e Roland P. Blake foram os primeiros a apontar que apenas a reparação de danos não era suficiente e, sim, a necessidade de ações tão ou mais importantes, que além de assegurar o risco de lesões, tendessem a prevenir os acidentes. Isso significava que 88,0% dos acidentes são provocados por atos inseguros, 10,0% por condições inseguras e 2,0% por causas fortuitas e ou imprevisíveis. Em nossa história inicial tivemos o ato inseguro, o ambiente inseguro, condições inseguras e causas fortuitas. A conclusão dos estudos dos dois profissionais ficou conhecida como Pirâmide de Heinrich, publicado inicialmente em 1931, onde para um acidente com lesão incapacitante, correspondiam 29 acidentes com lesões não incapacitantes e 300 acidentes sem lesão, que não necessariamente não eram relevantes. Esses acidentes eram considerados sem lesão pois que não havia a cobertura de seguros para os mesmos. Heinrich teve o grande mérito de entender essa questão, que poderiam existir outras causas que muitas vezes não se dava a importância devida porque não era indenizadas. Essa grande parcela de acidentes sem lesão não vinha sendo considerada, até então pelas seguradoras, pois que não representavam indenizações, ou seja, não eram perdas que pudessem ser reclamadas. Entretanto, os pesquisadores notaram que havia uma lógica nos números e que essa poderia ser estendida a todas às demais empresas pesquisadas. A partir de então, a preocupação maior não era mais a reparação, mas sim a aplicação de medidas preventivas que impedissem a ocorrência de um acidente. Certamente os custos de tais medidas preventivas seriam menores do que os custos das indenizações promovidas.
  • 25. Página 25 de 59 Pirâmide de Herbert William Heinrich e Roland P. Blake 1931 No final da década de 90 a DUPONT (Du Pont du Neymors) com base em sua experiência em mais de 200 anos de existência, e apoiando-se nos estudos anteriores criou uma Pirâmide de Desvios, acrescentando um nível a mais do que o acrescentado por Bird, em relação ao trabalho original de Heinrich. Pode ser destacado que os dois primeiros trabalhos voltavam-se a ações de redução dos níveis de perdas indenizadas seja envolvendo pessoas quanto o patrimônio, trabalho esse bastante enfatizado por Bird. A visão da DUPONT foi a de unificar os conceitos de prevenção de perdas, migrando para o conceito de prevenção de Riscos. Em programa de capacitação em setembro de 2006, relatava-se que, de cada 100 ocorrências 96% deviam-se a atos praticados pelos próprios trabalhadores e o restante a fatores externos ou do ambiente do trabalho. No desenvolvimento das explicações, ressaltava, sem exposição de números, os seguintes resultados: Apenas o mau posicionamento das pessoas e o emprego de ferramentas e equipamentos fora de padrões ou com algum tipo de comprometimento eram responsáveis por mais da metades dos desvios observados. Isoladamente, o trabalhador tinha uma grande expressão nesse cenário por cometer os desvios intencionalmente ou não, e até por isso a principal vítima do processo de “fabricação de acidentes”, Na avaliação anualizada, a exemplo das demais pirâmides estudadas e apresentadas, o desconhecimento técnico do empregado faz com que ele não tenha o adequado conhecimento dos riscos. Pelo fato de desconhecer os riscos termina por cometer desvios técnicos, de procedimentos e de conduta. Ao cometer os desvios pode estar sujeito a assumir postura ou posição onde haja maior probabilidade de sofrer acidentes. Assumindo a postura ou posição inadequada ou desconforme passa a ter maior probabilidade de ser atingido ou se envolver em acidentes, a princípio sem afastamento, posteriormente, e na
  • 26. Página 26 de 59 continuidade da postura não conforme tem maior probabilidade ainda de sofrer acidente com afastamento e, por fim, acidente grave incapacitante ou até morte. O estudo das Perdas Nos programas de Gerenciamento de Riscos, da mesma forma que nos estudos desenvolvidos por Heinrich (1931), Bird (1954), DUPONT (1998) e Navarro (2012), através de Pirâmides de Desvios, objetivava-se, a partir da eleição ou escolha de um evento denominado de topo, quase sempre o acidente mais grave ou letal, galgar-se, degrau por degrau as causas que contribuíram para a ocorrência do evento topo. Nos programas de Gestão de Riscos ou de Perdas, percebe-se sempre que há situações corriqueiras, que olhadas com maior atenção podem vir a representar um acidente. Uma poça de água no chão, o descumprimento momentâneo de uma norma, o salto de uma etapa do processo é o primeiro degrau. A esse pode ser dado o título de Desvio. No Gerenciamento de Riscos, nesse degrau tem-se as perdas mais corriqueiras e de menor valor. Por exemplo, ao longo do dia em uma fábrica de parafusos, de uma produção de cinco milhões de parafusos pode-se perder 100 parafusos, por exemplo. O custo deles em relação ao total não é relevante. As ações para a correção dos problemas muitas vezes custa muitas vezes mais do que as despesas com as perdas. Contudo, certas perdas costumam ser freqüentes, bem como conduzir a prejuízos de pequena monta. Nesses casos, a contratação de seguros de pouco vai adiantar. Para essas perdas que terminam sendo habituais nos processos, passam a ser denominadas de Perdas Normais Esperadas. Um arranhão na porta de um carro que fica muito tempo em um estacionamento termina sendo uma perda normal. Há uma relação entre as Perdas Normais Esperadas e o que se denomina de Franquia, ou participação obrigatória do segurado. Faz até sentido que aquilo que é corriqueiro termine sendo assumido pelo segurado, sob a denominação de Franquia. Uma PNE apresenta como principal característica o fato de ocorrer com uma maior periodicidade do que as demais perdas, porém com valores (severidade) baixa. No segundo degrau da escalada tem-se as Perdas Máximas Prováveis. Também pode ser lido em algumas literaturas a respeito a tradução para Dano Máximo Provável. Essa perda é mensurada como aquela que ocorre a partir do momento em que um evento é percebido até o controle do mesmo empregando- se os dispositivos existente de prevenção e controle. Por exemplo, o incêndio pode ser percebido por sensores, ópticos, de calor ou de luz. Com a detecção, o sistema de prevenção entra em funcionamento. As ações podem envolver o deslocamento de brigadas de incêndio, o acionamento de um bico de sprinklers, que provoca a extinção do incêndio. Todos os custos decorrentes do evento somados, são denominados de Perdas Máximas Prováveis. São assim chamadas, de admissíveis, porque as empresas devem ter seus sistemas de prevenção e segurança corretamente instalados. O terceiro e último degrau, de maneira semelhante às Pirâmides, é o da Perda Máxima Admissível. A perda é caracterizada como tendo um início que pode ser ou não detectado visualmente ou através de algum dispositivo de segurança e que é extinto sem que tenha havido a intervenção de nenhum
  • 27. Página 27 de 59 equipamento, sistema ou equipe de segurança. Assim, o evento termina da mesma forma que começou, sem a intervenção de ninguém ou de nenhum sistema. As perdas poder vir a ser totais ou não, dependendo para isso da concentração ou da dispersão dos bens nas edificações e no espaço ocupado pela empresa. No aprofundamento da análise descobre-se que é possível o gerenciamento de qualquer tipo de risco e que uma das funções dessa nova ciência e talvez a principal, é a da redução das perdas humanas e patrimoniais. Nessa linha, o Gerenciamento de Riscos passa a ser uma ferramenta empregada em programas de Qualidade e Produtividade. No final dos anos setenta as características das atividades de Gerenciamento de Riscos eram muito mais próximas das características da Segurança Industrial do que da Segurança Patrimonial ou da Segurança do Trabalho. Os acidentes patrimoniais e aqueles envolvendo pessoas terminam sendo uma decorrentes das atividades industriais. Gerenciando Riscos Como já comentado, o Gerenciamento de Riscos surgiu nos Estados Unidos nos anos sessenta, voltado às questões armamentistas. Assim, a cada instante e em cada serviço desenvolvido há acréscimos de experiências e de metodologias que vieram a dar certo, ou seja, acrescenta-se um pouco da própria experiência profissional do Gerente de Riscos, incorporando experiências passadas, que tiveram por mérito, conduzir a resultados positivos. O risco, tratado no Gerenciamento de Riscos, é um evento que tem probabilidade de materializar-se em um determinado tempo, acarretando perdas materiais significativas, que podem vir a ser objeto de análise por uma Seguradora para fins de emissão de uma apólice de seguros. O conceito de risco varia, de certa maneira, na área de investimentos financeiros, no segmento imobiliário, nos riscos cirúrgicos, na área de projeto, enfim, em cada atividade humana há riscos. Assim, generalizando pode-se dizer que risco passa a ser significado de insucesso. Na área de Confiabilidade de Processos o risco transmuda-se para falha. Essa, quando ocorre, reduz a confiabilidade do processo. Assim, falha passa a ser sinônimo de vulnerabilidade. Hoje, estudos mais acurados nos informam, com uma probabilidade de acerto quase próxima a 100%, qual o risco dominante, qual a perda que ele poderá gerar, e quando será o momento em que isso pode ocorrerá. É importante que se frise que a certeza de 100% ainda não foi alcançada. Mas, para quem tinha uma dose maior de incerteza já significa uma grande evolução. Outro aspecto a ser ressaltado é que, quanto mais próximos nos aproximamos do momento da ocorrência mais próximos também nos aproximamos no momento em que as ações de prevenção tem que estar sendo aplicadas, já que prevenção significa o inverso de dano. f (P) = 1/f (D) Para ser capaz de gerar danos um risco materializa-se em função de um infindável número de situações. É como o projeto de se lançar uma sonda espacial para fora do sistema solar a fim de se
  • 28. Página 28 de 59 estudar outros corpos celestes. Para que o empreendimento venha a ter sucesso, além de se esperar que tudo venha a dar certo com o veículo lançador e com a nave espacial, deve-se aguardar o alinhamento dos planetas, o que só vem a ocorrer a intervalos de tempo definidos, e mesmo assim não se tem total certeza do sucesso da missão. É o que chamamos de imponderável. O Gerenciamento de Riscos avalia o imponderável. Chega-se a determinar, por intermédio de técnicas de avaliação de riscos, qual a probabilidade de se ter sucesso no empreendimento, e qual a probabilidade de se ter um fracasso. Para modelos de análise mais simples, consegue-se descobrir os prováveis fatores causadores do insucesso. Assim, elaboram-se previsões com elevado percentual de acertos. Algumas técnicas de Estudos de Confiabilidade de Processos apresentam resultados bem confiáveis e próximos de 100%. O gerenciamento de riscos é uma das melhores ferramentas de avaliação de processos. Nesses estudos, procura-se saber qual é o “elo mais fraco da corrente”, qual seja, onde uma instalação pode falhar primeiro? Quando visualizamos um processo temos que enxergar que ele é o resultado de ações pontuais de equipamentos e sistemas. Um processo pode ser representado como uma caixa de engrenagens, onde todas devem funcionar em sincronia. Quando uma dessas engrenagens para, por menor que seja, todo o conjunto também para. Se a menor das menores engrenagens perde um dente isso irá se refletir no comportamento do conjunto de engrenagens. Grosseiramente falando, uma empresa pode ser igualada a um processo e as múltiplas engrenagens aos seus empregados. Parece que não, mas todas as engrenagens são importantes, já que podem produzir resultados distintos, quando não ajustadas. Se a copeira da empresa falta, isso pode ser um problema. Observem que a copeira é uma das menores engrenagens da empresa. Na falta da copeira os chefes irão chamar outros funcionários todas as vezes que quiserem um copo de água ou um café. Se o pó de café não tiver sido comprado na véspera muitos descerão para tomar o cafezinho na rua. A perda de tempo, somada, será enorme. Aqui não estamos tratando ainda de acidentes. Quando um encarregado falta. O seu substituto eventual é seu chefe, que deixará de cuidar de seu trabalho. Por não conhecer os funcionários, tanto quanto o encarregado, poderá retardar o trabalho ou mesmo não se aperceber que algo deixou de ser feito ou foi mal feito. Se esses conceitos ficam claros quando ditos desta forma, porque não o associarmos aos acidentes do trabalho? O acionamento do conjunto de maneira harmoniosa gera um resultado, que pode ser denominado de produto. Um processo gera produtos. Esses produtos são fruto do acionamento de equipamentos. Se um dos equipamentos que compõe o processo falha pode-se dizer que há uma falha do conjunto. Transportando esse conceito para uma construção civil ou de montagem, percebe-se que cada um dos indivíduos que faz parte da equipe são equiparados a equipamentos. O todo é o processo. Em uma visão geral, cada pessoa desempenha um papel importante no processo. Pode não ser um papel importante hierarquicamente, ou financeiramente, mas é importante. Quando estamos tratando de um processo de montagem industrial, vemos que o processo começa com um projeto, que é sucedido pelo
  • 29. Página 29 de 59 fornecimento dos insumos, que também é sucedido pela aplicação dos insumos, que também é sucedido pela junção de cada uma das partes para compor o todo. A Gestão dos Riscos e a Produtividade A Sociedade de hoje cobra dos empresários produtos bons e baratos, anteriormente a uma Sociedade que sabia distinguir as diferenças entre um produto bom e um produto barato, isso porque, para se chegar a um maior grau de excelência a empresa fabricante tinha que desenvolver pesquisas e desenvolvimentos e investir em novas tecnologias. Na visão de hoje, o centro das atenções passa a ser a produtividade. Um prédio residencial que era construído há 30 anos em até três anos, atualmente passa um pouco de um ano, Mudanças tecnológicas e o aprimoramento dos métodos construtivos contribuíram muito para tal. A Produtividade pode vir a ser expressa pela razão entre o Faturamento e os Custos incidentes para a obtenção do faturamento. Os custos devidos a perdas não são todos perfeitamente mensuráveis ou previsíveis. Pela inexistência de um maior controle ou de dados confiáveis parte-se para a contratação de seguros, como um atenuante, ou como uma forma de transferência dos riscos. Ocorre que, quase sempre, as coberturas oferecidas pelas seguradoras preveem a inclusão de franquias ou de participações obrigatórias para a empresa, obrigando-as a retenção de parte dos riscos incidentes. Muitas vezes, um bom programa de prevenção de perdas conduz a diminuição das ocorrências, ou então, à limitação da extensão de suas consequências a um nível aceitável ou gerenciável. Em função disto tudo, as empresas que têm um maior controle sobre o seu patrimônio e sobre as suas perdas costumam praticar a política do auto seguro, transferindo para as Seguradoras somente a parcela de risco que seria financeiramente insuportável. Graficamente, um dos principais conceitos de Qualidade e de Produtividade pode vir a ser expresso, de maneira simplificada por: Faturamento Produtividade = Custos Matematicamente a nossa formulação pode ser transformada em f(P) = f(F) ÷ f(C) Pela amplitude de sua área de atuação a Gerência de Riscos não é uma técnica exata, mas sim de aproximação. Não é uma técnica ou um conjunto de procedimentos que defina de modo preciso: haverá um incêndio naquele equipamento nos próximos 200 dias de operação; mas sim, e tão somente que, dentre uma amostra de 2.000 equipamentos existentes em um empreendimento industrial e em funcionamento ocorre, em média, um incêndio a cada 200 dias. Essa aproximação se deve ao fato de não se ter condições de matematizar totalmente os riscos, face às suas inúmeras variáveis. O que se faz é, por meio de processos matemáticos, estatísticos ou atuariais, e levando-se em conta o histórico de eventos ocorridos, projetar um comportamento provável e futuro para os riscos.
  • 30. Página 30 de 59 Consideremos a análise de um sujeito ao risco de incêndio. De modo amplo, para que esse venha a estar envolvido pelo incêndio deverá estar operando sob certas variáveis, dentre as quais destacamos: Estar sobrecarregado; Estar operando continuamente, sem interrupção; Estar envolto por uma atmosfera propícia (com presença de substâncias combustíveis ou comburentes); Não possuir um adequado plano de manutenção corretiva ou preventiva; Estar empregando materiais, substâncias ou produtos que facilitem a ação do incêndio, sem os cuidados necessários. Se qualquer um desses fatores envolvendo a operação vier a ocorrer de forma isolada ou em conjunto isso já será suficiente, com uma grande probabilidade, para o surgimento de um incêndio. A imprevisibilidade das ocorrências Deve-se salientar que muitas correntes de disseminação da cultura do Gerenciamento de Riscos pregam a identificação e a mensuração de riscos, através da utilização de fórmulas matemáticas. Entendemos que, para os riscos extremamente simples, ou para as análises de riscos com poucas variáveis ou com variáveis previamente conhecidas, uma fórmula é um elemento simplificador de uma análise ou de uma idéia, visto que não demanda, para a conclusão do trabalho, de qualquer análise pessoal. Porém, para riscos de maior complexidade a simples adoção de uma fórmula ou de uma regra de análise não significa um pré- requisito para uma boa análise, ou para uma análise confiável. Cabe-se destacar que análises pessoais podem enriquecer o resultado de um trabalho como também podem vir a comprometê-lo. Se o trabalho de análise precisa ser despersonalizado a aplicação de fórmulas passa a ser importante. Por outro lado, se o mais importante é a exteriorização do conhecimento do engenheiro de risco de nada valerá a aplicação de formulações matemáticas, muitas vezes desconexas do objetivo básico de reconhecimento do risco. Não faz tanto tempo assim quando aguardávamos nos noticiários de televisão, principalmente em vésperas de feriados, a repórter informar se ia chover ou não. A intuição e experiência do meteorologista prevalecia sobre qualquer tipo de cálculo. Com o passar do tempo, foram desenvolvidos programas de computação extremamente potentes e complexos, que determinam, com uma razoável precisão, se irá chover dentro dos próximos 4 ou 5 dias. É lógico que nem todos os riscos têm a complexidade de uma previsão do tempo, principalmente se podemos traçar um modelo matemático confiável. Para uma previsão de risco de incêndio os conceitos poderão variar desde resultados bem simples até resultados mais complexos. Tudo dependerá do que irá se fazer com essa análise. Em grandes empreendimentos industriais espera-se poder oferecer, com uma pequena margem de erro um cenário mais realista possível. Para trabalhos menos sofisticados e que não requerem maior conhecimento técnico pode-se pensar em algo bem simples, como por exemplo, o incêndio iniciando-se em uma lixeira, dessas de escritório. As perguntas que podem vir a ser feitas para a obtenção de dados preliminares são as seguintes:
  • 31. Página 31 de 59 Qual a probabilidade de um cesto de lixo de escritório vir a pegar fogo? A probabilidade desse evento ocorrer dependerá do local em que ela estiver localizada, do tipo de lixo contido nele, do grau de cultura das pessoas que transitam pelas proximidades, do fato de possuir ou não tampa, e outros fatores mais. Se a lixeira não estiver em um local com grande tiragem de ar certamente o incêndio demorará para irromper-se. Se o lixo nela contido não for combustível não haverá chance para o incêndio iniciar-se. Se as pessoas tiverem um elevado nível de conscientização certamente não permitirão que alguém jogue algo que possa gerar um incêndio. Se a lixeira tiver uma tampa, pela falta de oxigenação em seu interior a possibilidade de um incêndio ocorrer será remota. Provavelmente, não há necessidade de criarem- se modelos probabilísticos para a determinação da possibilidade de ocorrência de incêndio em uma lixeira. O mais provável é que alguém já tenha alguma estatística montada em cima de ocorrências verificadas em uma determinada instalação industrial ou em conjuntos de escritórios. É importante abordar este assunto desta forma, porque muitas vezes somos compelidos a dar pareceres ou esclarecer se determinado risco irá materializar-se, e, mesmo se ocorrendo, será capaz de gerar perdas humanas, materiais ou financeiras, equivalentes a milhares de unidades monetárias. Voltando à exemplificação anterior percebe-se que, mesmo se tratando de um estudo aparentemente simples, como o envolvendo uma lixeira, dessas mais baratas, não se deve descuidar da boa interpretação dos dados obtidos. Normalmente, em atividades de escritório, é nesse recipiente que começam a maioria dos incêndios. Podemos mesmo afirmar que ultrapassa a 60% a estatística de incêndios originários em lixeiras. Lembramo-nos de um trabalho de Gerenciamento de Riscos que envolvia um parecer acerca de uma obra marítima, caracterizada pela deposição de um enrocamento que avançava sobre o mar uns 400 metros, e a seguir projetava-se da direção paralela à costa, por uns 500 metros. Durante a fase do projeto executivo e bem no início dos serviços, optou-se por construir-se o molhe do enrocamento em duas fases, ao invés de uma só fase. Ao sermos consultados fomos verificar as cartas náuticas de correntes marinhas e o Departamento de Hidrografia e Navegação do Ministério da Marinha, a fim de obter dados referentes à altura e à força da “onda centenária”. Como o próprio nome indica, uma onda centenária é aquela que ocorre somente a cada 100 anos, e com uma intensidade tal que a torna ímpar. Pois bem, analisamos os fatos e chegamos à conclusão que a possibilidade de ocorrer uma onda centenária, naquela época do ano era bem remota. Esclarecemos os riscos que se corria ao mudar-se o planejamento da execução. Em um período de um ano e meio ocorreram duas ondas centenárias, com elevadas perdas para o projeto. Para melhor exemplificar, pedras de 4 a 6 toneladas foram arrastadas como se fossem cascalhos de rio, por longas distâncias. O número de etapas básicas empregadas no processo de identificação e Gerenciamento de Riscos pode variar substancialmente de autor para autor, não sendo algo pré-determinado. Entretanto, alguns parâmetros devem ser conhecidos.
  • 32. Página 32 de 59 Gravidade A função do Gerenciamento de Riscos A função do Gerenciamento de Riscos é a de reduzir perdas e minimizar os seus efeitos. Isso quer dizer que se assume a existência de perdas em todos os processos industriais, como um fato perfeitamente natural. Entretanto, por meio de técnicas, basicamente de inspeções e de análises, procura-se evitar que essas perdas venham a ocorrer com certa freqüência, ou reduzir os efeitos dessas mesmas perdas, limitando-as a valores aceitáveis, ou dentro do perfil estipulado pela empresa em seus orçamentos anuais. Quando o gerenciamento dos riscos é bem acurado em seus resultados são apresentadas planilhas onde constam questões associando as frequências com a severidade. Aqui frequência tem o mesmo conceito de periodicidade e gravidade de tamanho das perdas. Frequencia Pequena Média Elevada Pequena Média Elevada Pelo gráfico acima, identifica-se que os maiores riscos ocorrerão com o aumento da gravidade das perdas e a elevação das frequências. O que torno o risco maior é que em um intervalo menor de tempo fica mais difícil para o empresário recuperar-se das perdas. Isso seria o mesmo que uma pessoa ser assaltada quatro vezes em um mesmo ano e nesses assaltos levarem seu automóvel de luxo. O que para uns é um grande azar, para outros pode se tratar de análises de risco equivocadas, Ocorre que há soluções para frequências elevadas, da mesma maneira que para severidades elevadas. A frequência elevada gera uma maior exposição do risco. Assim cuidar-se para reduzir-se essa exposição já é uma medida paliativa. Quanto à severidade, o melhor tratamento da mesma é a de evitar-se o alastramento das perdas, razão pela qual a empresa deve investir em alterações de processos, metodologias, meios de trabalho, projetos e equipamentos de segurança, sem nos delongarmos. O estudo do Gerenciamento de Riscos Não existe um método único de Gerenciamento de Riscos, ou uma metodologia padrão. Costuma-se confrontar os procedimentos em vigor com procedimentos-padrão para aquele tipo de etapa, analisando as possíveis alterações existentes, através de um amplo conhecimento das atividades analisadas. O Gerenciamento de Riscos é um contínuo processo de busca de defeitos, ou de quase- defeitos, com vistas à sua prevenção. Esses defeitos são chamados riscos. Risco é uma chance de perda e provavelmente, o mais importante degrau no processo de identificação e gerenciamento das perdas. Com as informações obtidas por intermédio da aplicação das várias técnicas adotadas no Gerenciamento de Riscos e o emprego de metodologias específicas pode-se também quantificar riscos. A
  • 33. Página 33 de 59 partir do momento que se qualifica e quantifica um risco tem-se a sua real magnitude ou sua expressão matemática. A qualificação é a identificação do tipo de risco ou da qualidade, se é que podemos assim dizer à respeito das características dos eventos que podem surgir. Trata-se de um risco de incêndio, ou de um risco de explosão, ou de um risco de danos elétricos, etc.. A quantificação é a determinação do valor da perda, expressa em percentual do valor dos bens ou em valores absolutos, ou do tamanho do prejuízo a se verificar no futuro. O risco, se ocorrer, poderá gerar uma perda que irá afetar 48% do patrimônio da indústria. A perda potencial é de cerca de $ 500,000. Como veremos adiante, tanto o tipo de risco quanto o valor da perda gerada são bastante importantes para a fixação do custo do risco, ou seja, do valor que a perda, se ocorrida, pode assumir. Essa informação é muito importante para a execução de um programa de tratamento do risco. Em função do custo do risco, que pode vir a ser razoavelmente calculado por processos simples, consegue-se elaborar um plano de retenção das perdas ou de transferência para uma Seguradora, por intermédio de um contrato de seguros. Se as perdas são pequenas e a probabilidade de virem a ocorrer é baixa, com toda a certeza pode se tratar de um caso de retenção do risco, ou de um auto-seguro, Em nossa fala anterior preferimos tratar da questão relacionando-a a franquia. Ou participação obrigatória. Por outro lado, se a perda tem características de vir a apresentar danos severos, é o momento de se pensar em transferi-la, por intermédio da contratação de uma apólice de seguros. Diferença entre Franquia e Participação obrigatória do Segurado Denomina-se franquia a um valor quase sempre fixo, que está a cargo do segurado. Ele é o responsável pela integralização da indenização completando o processo de indenização para a reposição do bem repondo a franquia. A aplicação da franquia nivela a todos, acobertando somente acima de uma linha de corte definida através da perda normal esperada. Participação obrigatória do Segurado, praticada em muitas modalidades de seguros, inclusive para a redução das taxas, está relacionada a um percentual da indenização. Normalmente baixo, que deve ser integralizado pelo segurado. Quase sempre essas participações se dão quando há possibilidade do segurado contribuir ou não para com o agravamento das perdas. Em nosso gráfico anterior a POS pode ser aplicada nas áreas de zonas verdes. A POS pode, em alguns cálculos atuariais, representar a média das indenizações que suplantam o Dano Máximo Provável.
  • 34. Página 34 de 59 A transferência de risco não é uma operação isolada. O fato de se transferir um risco não é um pressuposto de que todas as preocupações da empresa estarão resolvidas, ou todos os prejuízos serão reembolsados, ou as perdas reparadas. Normalmente existem mecanismos dentro do contrato de seguros que transformam a empresa em co-responsável pelas perdas, ou seja, se um sinistro vier a ocorrer, a empresa terá que bancar uma parte do mesmo e a seguradora a quem ela transferiu a responsabilidade será responsável pela diferença. Esse mecanismo de co-responsabilidade é o que denominamos de participação obrigatória do segurado (POS). Assim, a empresa por não ter condições técnicas de repassar 100% tem que se preparar para evitar as ocorrências dos eventos. Uma das formas de prevenção se dá por intermédio da aplicação das técnicas corretas de Gerenciamento de Riscos, associada a adoção de mecanismos ou de sistemas de prevenção de perdas. No tocante a esses, iremos destinar alguns capítulos para tratar do assunto especificamente. A Gerência de Riscos surgiu como técnica nos Estados Unidos, no ano de 1963, com a publicação do livro Risk Management in the Business Enterprise, de Robert Mehr e Bob Hedges. Seguramente uma das fontes de consulta ou de inspiração dos autores foi um trabalho de Henry Fayol, divulgado na França em 1916. A origem da Gerência de Riscos é a mesma da Administração de Empresas, a qual, por sua vez, conduziu aos processos de Qualidade e de Produtividade. Por ser uma técnica relativamente nova, sua divulgação e adaptação pelos países variou de acordo com as necessidades de momento, das experiências dos técnicos que a difundiram, da fase de desenvolvimento pela qual estava passando o país e outros motivos mais. No Brasil o seu ingresso deu-se na segunda metade da década de 1970, com aplicação voltada especificamente para a área de seguros, com vistas à prevenção de riscos em bens patrimoniais, segurados pelas empresas do setor. Desta forma, seus conceitos começaram a se propagar juntamente com os conceitos prevencionistas do Mercado Segurador Brasileiro, principalmente no que diz respeito ao risco de incêndio. Porém, com o intercâmbio entre os países e a melhor compreensão da técnica vislumbrou-se um melhor futuro para a mesma. Quase ao final da década de 70, com o desenvolvimento da Engenharia de Confiabilidade de Sistemas, ou a Engenharia de Segurança de Sistemas, alguns conceitos comuns passaram a se mesclar, dando nova configuração à Gerência de Riscos. Existem inúmeros eventos que constantemente ameaçam o patrimônio das empresas. Porém, em linhas gerais, dos eventos geradores de danos que incidem em
  • 35. Página 35 de 59 instalações industriais, tanto no que diz respeito à freqüência de ocorrências, como também no tocante à severidade das perdas, o Incêndio é o mais comum. Na ilustração a seguir apresenta-se um gráfico com os percentuais médios, aplicados aos riscos maiores ou geradores das ocorrências, verificados nos acidentes envolvendo indústrias. X Y 5 60 15 5 5 5 1 2 1 Quebra de Máquinas Incêndio Danos Elétricos Explosão Equipament. Explosão Substâncias Impacto de Veículos Derrame de Materiais Corrosão Erosão Finalmente, cumpre ressaltar que muitas vezes a Gerência de Riscos é confundida com a Segurança Industrial. Ambas têm caráter preventivo. Entretanto, na Gerência de Riscos procura-se tratar o risco sob o prisma matemático de sua ocorrência, quase que para fins de estudos, enquanto que a Segurança Industrial parte direto para as medidas corretivas. A linha de trabalho que consideramos ideal é aquela que associa os métodos de análise empregados na Gerência de Riscos com os procedimentos da Segurança Industrial. O livro Gerenciamento de Riscos Industriais vem a tratar das formas de identificação, mensuração e tratamento dos eventos, ou dos riscos, que atingem indústrias, causando-lhes danos ou perdas, preenchendo uma lacuna na análise de perdas para fins de tratamento dos riscos. Existem inúmeras ocorrências que são objeto de análise pelos Gerentes de Riscos, da mesma forma que existem dezenas de significados para a palavra Risco. Confiabilidade Confiabilidade é a probabilidade de um sistema ou algum de seus componentes vir a desempenhar satisfatoriamente as funções a ele atribuída em projeto, dentro de condições normais de utilização e operação. A não Confiabilidade, ou o insucesso, é denominada de probabilidade de falha. O conjunto de falhas ocorridas em um intervalo de tempo é conhecido como taxa de falha. Normalmente atribui-se à palavra confiabilidade uma quase certeza de que tudo ocorrerá a contento. Por exemplo: tenho a maior confiança de que tudo correrá bem. Ë uma definição quase que intuitiva. Lançam-se mão de estudos de Confiabilidade quando se quer analisar o comportamento de um sistema, com vistas à análise de prevenção de riscos. Os estudos de Confiabilidade também são empregados na elaboração de planejamentos de manutenção preditiva. Confiabilidade (R) pode ser traduzida como a probabilidade de um equipamento, ou de um sistema, desempenhar satisfatoriamente suas funções específicas, por um período de tempo determinado