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Chico Xavier e o Natal
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Chico Xavier e o Natal
SUMÁRIO
1 O Natal ...............................................................................................................................1
1.1 O Natal – visão Espiritual .........................................................................................1
2 O Natal de Chico Xavier...................................................................................................7
2.1 Chico Xavier e as peregrinações de Natal................................................................7
2.2 O Natal de Chico Xavier com Maria da Conceição................................................8
2.2.1 Maria da Conceição – O Depoimento ..................................................................8
2.2.2 Maria da Conceição – O Presente ......................................................................11
2.2.3 Maria da Conceição – O Passado .......................................................................14
2.2.4 Maria da Conceição – O Natal ...........................................................................16
2.2.5 Maria da Conceição – Passado/Presente – Cronologia ......................................20
2.2.5.1 O Presente.......................................................................................................20
2.2.5.2 O Passado........................................................................................................29
3 O Natal - Mensagens selecionadas.................................................................................30
3.1 Emmanuel.................................................................................................................30
3.1.1 Natal ...................................................................................................................30
3.1.2 O Natal do Cristo................................................................................................31
3.1.3 Rogativa de Natal ...............................................................................................33
3.1.4 Desce Elevando ..................................................................................................34
3.1.5 Algo mais no Natal.............................................................................................35
3.1.6 No Natal..............................................................................................................36
3.1.7 Natal II................................................................................................................37
3.1.8 Humildade Celeste..............................................................................................39
3.2 Joanna de Angelis ....................................................................................................40
3.2.1 Atualidade do Natal............................................................................................40
3.2.2 Orando no Natal .................................................................................................43
3.2.3 Ressonâncias do Natal........................................................................................45
3.2.4 Insuperável Amor ...............................................................................................47
3.2.5 Extremos de Amor..............................................................................................49
3.2.6 Festival de Amor ................................................................................................51
3.2.7 Ante o Amor.......................................................................................................54
3.2.8 Natal Íntimo........................................................................................................57
3.2.9 Natal de Amor ....................................................................................................59
3.3 André Luiz................................................................................................................62
3.3.1 Nas Orações de Natal .........................................................................................62
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Chico Xavier e o Natal
3.4 Humberto de Campos..............................................................................................63
3.4.1 Crônica de Natal.................................................................................................63
3.4.2 Na Glória do Natal..............................................................................................65
3.4.3 Natal Simbólico..................................................................................................67
3.4.4 O Encontro Divino .............................................................................................70
3.4.5 O Natal do Apóstolo...........................................................................................73
3.4.6 O Conquistador Diferente...................................................................................77
3.4.7 Oração de Natal ..................................................................................................80
3.5 Casemiro Cunha ......................................................................................................84
3.5.1 Bilhete de Natal ..................................................................................................84
3.6 Cornélio Pires...........................................................................................................85
3.6.1 Natal de Maria ....................................................................................................85
3.7 Maria Dolores...........................................................................................................86
3.7.1 Mensagem de Natal ............................................................................................86
3.8 Carmem Cinira ........................................................................................................87
3.8.1 Versos do Natal ..................................................................................................87
3.8.2 Súplica de Natal..................................................................................................89
3.9 Vianna de Carvalho.................................................................................................90
3.9.1 Ante o Príncipe da Paz .......................................................................................90
3.9.2 Inversão de Valores no Natal..............................................................................92
3.10 Meimei.......................................................................................................................96
3.10.1 Natal do Coração ................................................................................................96
3.11 Wallace Leal .............................................................................................................97
3.11.1 O Natal e o Santo Graal – A História de Sir Launfal .........................................97
3.12 Jácome Góes ...........................................................................................................103
3.12.1 Momento de Decisão........................................................................................103
3.12.2 Nascimento do Cristo .......................................................................................105
3.13 Rui Barbosa............................................................................................................106
3.13.1 Prece de Natal...................................................................................................106
4 Referências.....................................................................................................................109
Chico Xavier e o Natal
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1 O Natal
1.1 O Natal – visão Espiritual
Rememorando o Natal, lembramo-nos de que Jesus é o Suprimento Divino
à Necessidade Humana.
Para o Sofrimento, é o Consolo;
Para a Aflição, é a Esperança;
Para a Tristeza, é o Bom Ânimo;
Para o Desespero, é a Fé Viva;
Para o Desequilíbrio, é o Reajuste;
Para o Orgulho, é a Humildade;
Para a Violência, é a Tolerância;
Para a Vaidade, é a Singeleza;
Para a Ofensa, é a Compreensão;
Para a Discórdia, é a Paz;
Para o Egoísmo, é a Renúncia;
Para a Ambição, é o Sacrifício;
Para a Ignorância, é o Esclarecimento;
Para a Inconformação, é a Serenidade;
Para a Dor, é a Paciência;
Para a Angústia, é o Bálsamo;
Para a Ilusão, é a Verdade;
Para a Morte, é a Ressurreição.
Se nos propomos, assim, aceitar o Cristo por Mestre e Senhor de nossos
caminhos, é imprescindível recordar que o seu Apostolado não veio para os Sãos e,
sim, para os antigos doentes da Terra, entre os quais nos alistamos...
Buscando, pois, acompanhá-lo e servi-lo, façamos de nosso coração uma luz
que possa inflamar-se ao toque de seu infinito amor, cada dia, a fim de que nossa
tarefa ilumine com Ele a milenária estrada de nossas experiências, expulsando as
sombras de nossos velhos enganos e despertando-nos o espírito para a glória
imperecível da Vida Eterna.
André Luiz - Os Dois Maiores Amores – Cap. 15
Chico Xavier e o Natal
2
O Natal é dádiva do Céu à Terra como ocasião de refazer e recomeçar.
Detém-te a contemplar as criaturas que passam apressadas.
Se tiveres olhos de ver percebê-las-ás tristes, sucumbidas, como se
carregassem pesados fardos, apesar de exibirem tecidos custosos e aparência
cuidada.
Explodem facilmente, transfigurando a face e deixando-se consumir pela
cólera que as vence implacavelmente.
Todas desejam compreensão e amor, entendimento e perdão, sem coragem
de ser quem compreenda ou ame, entenda ou perdoe.
Espalha uma nova claridade neste Natal, na senda por onde avanças na busca
de Vida.
Engrandece-te nas pequenas doações, crescendo nos deveres que poucos
se propõem executar.
Desde que já podes dar os valores amoedados e as contribuições do
entendimento moral, distribui, também, as jóias sublimes do perdão aos que te
fizeram ou fazem sofrer.
Sentirás que Jesus, escolhendo um humílimo refúgio para viver entre os
homens semeando alegrias incomparáveis, nasce, agora, no teu coração como a
informar-te que todo dia é Natal para quem o ama e deseja transformar-se em
Carta-Viva para anunciá-lo às criaturas desatentas e sofredoras do mundo.
Somente assim ouviras no imo da alma e entenderás a saudação
inesquecível dos anjos, na noite excelsa :
“Gloria a Deus nas alturas, Paz na Terra, Boa Vontade, para com os
Homens” – vivendo um perene Natal de benções por amor a JESUS.
Joanna de Angelis – Espírito e Vida – Cap. 60
(...)
NATAL NO MUNDO é a epopéia do reconhecimento ao Senhor.
NATAL NO ESPÍRITO é a comunhão com Ele próprio.
Ainda que te encontres em plena solidão na manjedoura do infortúnio, sai
de ti mesmo e reparte com alguém o dom inefável de tua fé.
Lembra-te de que Ele, em brilhando na manjedoura, tinha consigo apenas o
amor a desfazer-se em humildade, e, em agonizando na cruz, possuía apenas o
coração, a desfazer-se em renúncia...
Chico Xavier e o Natal
3
Mas, usando tão-somente o coração e o amor, sem uma pedra onde
repousar a cabeça, converteu-se no Salvador do Mundo, e, embora coroado de
espinhos, fez-se o Rei das Nações para sempre.
Meimei – Antologia Mediúnica de Natal – Cap. 71
Jesus é um poema da Vida, uma canção de Amor. É a maior história dentro
da História da Humanidade, que a ultrapassa.
Uma gruta e um céu descampado são os dois pontos culminantes de uma
Vida que não começou no berço nem se esvaiu numa cruz.
Com Jesus surgem novas condições:
o PODEROSO é aquele que vence a si mesmo;
o FRACO o que se submete às paixões;
o VITORIOSO é quem supera as imperfeições e não se propõe
predominar sobre os demais do caminho redentor.
Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 23 & Cap. 42
(...)
Anjo entre os anjos, faz-se pobre criança necessitada do arrimo de singelos
pastores;
Sábio entre os sábios, transforma-se em amigo anônimo de pescadores
humildes, comungando-lhes a linguagem;
Instrutor entre instrutores, detém-se, bondoso, entre enfermos e aflitos,
crianças e mendigos abandonados, para abraçar-lhes a luta, e,
Juiz dos juízes, não se revolta por sofrer no tumulto da praça o iníquo
julgamento do povo que o prefere a Barrabás, para os tormentos imerecidos.
Todavia, por descer, elevando quantos lhe não podiam compreender a
refulgência da altura, é que se fez
o Caminho de nossa Ascensão Espiritual,
a Verdade de nosso gradativo Aprimoramento
e a Vida de nossas vidas, a erguer-nos a alma entenebrecida no erro, para a
Vitória da Luz.
Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 28
Chico Xavier e o Natal
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Um só conquistador houve no mundo, diferente de todos pela
singularidade de sua missão entre as criaturas. Não possuía legiões armadas,
nem poderes políticos, nem mantos de gala.
Nunca expediu ordens e soldados, nem traçou programas de dominação.
Jamais humilhou e feriu.
Cercou-se de cooperadores aos quais chamou "amigos".
Dignificou a vida familiar, recolheu crianças desamparadas, libertou os
oprimidos, consolou os tristes e sofredores, curou cegos e paralíticos.
E, por fim, em compensação aos seus trabalhos, levados a efeito com
humildade e amor; aceitou acusações para que ninguém as sofresse, submeteu-se à
prisão para que outros não experimentassem a angústia do cárcere, conheceu o
abandono dos que amava, separou-se dos seus, recebeu, sem revolta, ironias e
bofetadas, carregou a cruz em que foi imolado e na sua morte passou por ser a de
um ladrão.
Mas, desde a última vitória no madeiro, tecida em perdão e misericórdia,
consolidou o seu infinito poder sobre as almas, e, desde esse dia, Jesus Cristo, o
conquistador diferente, começou a estender o seu divino império no mundo,
prosseguindo no serviço sublime da edificação espiritual, no Oriente e no Ocidente,
no Norte e no Sul, nas mais cariadas regiões do Planeta, erguendo uma Terra
aperfeiçoada e feliz, que continua a ser construída, em bases de amor e concórdia,
fraternidade e justiça, acima da sombria animalidade do egoísmo e das ruínas
geladas da morte.
Humberto de Campos - Antologia Mediúnica do Natal – Cap. 3
Chico Xavier e o Natal
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(...)
Ele, porém, o Príncipe da Paz, que nascera na manjedoura, passou entre os
homens, sem distintivos e sem palácios, sem ouro e sem legiões.
Seu reinado foi a revelação do amor entre os simples.
Suas armas foram, em todos os dias, a bondade e o perdão.
Seu diadema foi a coroa de espinhos.
Seu salário foi a morte afrontosa entre malfeitores.
Por insígnia de poder, ofertou-se-lhe uma cana à guisa de cetro.
E, por trono de realeza teve a cruz de sacrifício, que converteu na espada
do mal, à ensarilhar-se para sempre no alto de um monte, como a dizer-nos que
apensa no esquecimento voluntário das exigências de nosso “eu”, pelo
engrandecimento constante do bem de todos é que poderemos atingir a senda do
luminoso Reino de Deus.
É por isso que, volvidos quase vinte séculos, ao recordar-lhe a suprema
renúncia, saudamo-lo em profunda reverência, ainda hoje:
Ave Cristo! Os que aspiram vencer a treva e a animalidade em si
mesmos, a favor da verdadeira paz sobre a Terra, te glorificam e te saúdam.
Vianna de Carvalho – Comandos do Amor – Cap. 1
Quem O contemplasse entre as palhas ressequidas do berço improvisado não
suporia que ali estava o Rei do Orbe, e quem se detivesse a contemplá-Lo coroado
de espinhos, em extremo ridículo, silencioso e triste, não acreditaria que era o
Excelso Filho de Deus.
No entanto, foi entre aqueles dois pólos, o berço e a cruz, que Ele traçou
a Ponte de Libertação, instaurando, de logo, o primado do espírito, com o próprio
exemplo de renúncia total e total amor à humanidade de todos os tempos, de modo
a conduzir-te ainda hoje, na direção dos Cimos da Vida.
Joanna de Angelis – Espírito e Vida – Cap. 41
Chico Xavier e o Natal
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Outrora, convertíamos a existência corpórea em instrumento de preservação
da animalidade e do crime, depredando as promessas da luz, cristalizados que nos
achávamos na furna de nossa própria miséria!...
Hoje, porém, o Espiritismo é a nossa porta de trabalho para a benção
do reajuste.
Exumados da aflição e do nevoeiro que nos paralisavam os braços nos
precipícios da sombra, somos agora trazidos pela Misericórdia d`Ele, Nosso Mestre
e Senhor, à construção da felicidade humana que expressa nossa própria felicidade.
É por isso que, convidados ao campo de abençoada luta, não podemos
olvidar nossa responsabilidade maior...
Cristo em Nós para que o Mundo se renove nas excelsas realidades do
Espírito...
Jesus – Em nosso Pensamento para que saibamos entender e ajudar;
– Em nossas Palavras a fim de aprendamos a soerguer e auxiliar, ao
invés de reprovar e ferir;
– Em nossos Olhos e em nossos Ouvidos para que venhamos a
encontrar o bem com o esquecimento do mal;
– Em nossas Mãos a fim de que nos decidamos a converter as horas
em cânticos de trabalho a favor do progresso comum...
E, sobretudo, amigos, Cristo em nosso Coração para que a Boa Nova não
seja um tema vazio em nossos lábios, mas sim a própria melodia do Céu a
exprimir-se na Terra, onde estejamos, em nome da nossa fé, cultivando a
fraternidade e a confiança, a paz e a beleza, em refulgente antecipação do Reino de
Deus...
Emmanuel – Através do Tempo – Cap. 34
Chico Xavier e o Natal
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2 O Natal de Chico Xavier
2.1 Chico Xavier e as peregrinações de Natal
A distribuição natalina que Chico Xavier promovia, juntamente com
diversos amigos, há vários anos, desde os tempos de Pedro Leopoldo, inspirou
diversos grupos espíritas de todo o Brasil.
As chamadas “repartições” de Natal constituem hoje o cartão de
apresentação do trabalho assistencial desenvolvido pelos espíritas.
(...)
O próprio Chico fazia questão de entregar simbolicamente, algum dinheiro
aos irmãos que têm, igualmente, as suas mãos osculadas por ele.
Mas quem imagina que o Natal de Chico Xavier se restringe a essa grande
distribuição que muitos interpretam erroneamente, estão equivocados.
Na véspera de Natal, na noite do dia 24, sem que ninguém o veja, Chico sai
com reduzido número de amigos para visitar aqueles que nem sequer podem se
locomover de seus barracos…
Acobertado pelo manto da noite, percorre vários bairros carentes de
Uberaba, visitando pessoalmente, em nome de Jesus, os doentes, as viúvas, os filhos
do infortúnio oculto…
Além de levar algum presente para cada um, Chico conta casos, sorri com
eles, lembra a sua infância, toma café e, depois de orar, segue em frente…
Poucas pessoas sabem que Chico passa o Natal peregrinando.
(...)
Na simplicidade de suas atitudes está a grandeza do seu Espírito.
Se a vida de Chico nas páginas abertas é bonita, nas páginas que ninguém conhece,
naquelas que só o Senhor pode ler, ela é muito mais, porquanto o seu amor pelo
Cristo é algo que transcende, se perdendo na noite insondável dos séculos…
O Natal de Chico Xavier era assim…
Carlos Antônio Baccelli - Chico Xavier Mediunidade e Coração
Chico Xavier e o Natal
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2.2 O Natal de Chico Xavier com Maria da Conceição
2.2.1 Maria da Conceição – O Depoimento
Aqueles que se entregam às lides espiritistas encontram, comumente,
surpresas consoladoras e emocionantes.
Visitáramos, várias vezes, Maria da Conceição, pobre moça que renascera
paralítica, muda e surda, vivendo por mais de meio século num catre de sofrimento,
sob os cuidados de abnegada avó.
Nunca lhe esqueceremos os olhos tristes, repletos de resignação e
humildade, e que a morte cerrou em janeiro de 1954, como quem liberta dos
grilhões da sombra infortunada criatura desde muito sentenciada a terríveis
padecimentos.
Pois foi Maria da Conceição a nossa visitante, no encerramento das tarefas
da noite de 30 de junho de 1955.
Amparada por Benfeitores da Espiritualidade, falou-nos em lágrimas de sua
difícil experiência.
Filhos de Deus, que a paz do Senhor seja a nossa luz.
Enquanto permanecemos no corpo de carne, não conseguimos, por mais
clara se nos faça a compreensão da justiça, apreender-lhe a grandeza em toda a
extensão.
Admitimos a existência do Inferno que pune os transgressores e acreditamos
no braço vingador daqueles que se entregam ao papel de carrascos de quantos se
renderam ao sorvedouro do crime.
Raras vezes, porém, refletimos nos tormentos que a consciência culpada
impõe a si própria, além-túmulo.
Fascinados pelo mundo exterior, dormitamos ao aconchego da ilusão e não
nos recordamos de que, um dia, virá o despertar no mundo de nós mesmos.
A morte arranca-nos o véu em que nos ocultamos e ai de nós quando não
temos por moldura espiritual senão remorso e arrependimento, vileza e degradação.
Achamo-nos em plena nudez, diante do autojulgamento, e somente
assinalamos os quadros e gritos acusadores que nascem de nossa própria alma,
exprimindo maldição.
Chico Xavier e o Natal
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Nossos olhos nada mais veem senão o painel das lembranças amargas, os
ouvidos não escutam outras palavras que não as do libelo por nós e contra nós, e,
por mais vagueemos com a ligeireza do pensamento, através de milhares de
quilômetros no espaço, encontramos simplesmente a nós mesmos, na vastidão do
tempo, confinados ao escuro e estreito horizonte de nossa própria condenação.
Os dias passam por nós como as vagas do mar, lambendo o rochedo na
solidão que lhe é própria, até que os raios da Compaixão Divina nos dissipem as
sombras, ensejando-nos a prece como caridosa luz que nos clareia a furna da
inconsequência.
É então que a Bondade do Senhor interfere na justiça, permitindo ao
criminoso traçar mentalmente a correção que lhe é necessária.
E o delinquente sempre escolhe a posição das vítimas que lhe sucumbiram
às mãos, bendizendo a reencarnação expiatória que lhe faculta o reexame dos
caminhos percorridos.
Trazida até aqui por nossos Benfeitores, falo-vos de minha experiência.
Sou a vossa irmã Conceição, que volta a fim de comentar convosco o
impositivo da consciência tranquila perante a Lei.
Administrais o esclarecimento justo às almas desgarradas do trilho reto e
determinam nossos Instrutores vos diga a todos, encarnados e desencarnados,
daquele esclarecimento vivo que nos é imposto pelas duras provas da vida, quando
não assimilamos o valor da palavra enquanto é tempo!…
Paralítica, surda, muda e quase cega, não era surda para as vozes que me
acusavam, na profundez de minhas dores da consciência, não era paralítica para o
pensamento que se movimentava a distância de minha cabeça flagelada, não era
muda para as considerações que me saltavam do cérebro e nem cega para os quadros
terrificantes do plano imaginativo…
Dama vaidosa e influente da Corte de Filipe II, na Espanha inquisitorial,
reapareci neste século, de corpo desfigurado, a mergulhar nos próprios detritos,
corpo que era simplesmente a imagem torturada de minhalma, açoitada de angústia
e emparedada nos ossos doentes, para redimir o passado delituoso.
Durante mais de cinquenta anos sucessivos, por felicidade minha
experimentei fome, frio, enfermidade e desprezo de meus semelhantes…
Em toda a existência, como bênção de calor na carne devastada de
sofrimento, não recebi senão a das lágrimas que me escorriam dos olhos…
Chico Xavier e o Natal
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Mas a doutrinação regeneradora que não recolhi da palavra de quantos me
ampararam noutro tempo, com amoroso aviso, fui constrangida a assimilá-la sob o
rude tacão de atrozes padecimentos.
Quando a lição do Senhor é recusada por nossos ouvidos, ressurge
invariável, em nós mesmos, na forma de provação necessária ao reajuste de nossos
destinos.
Dirigindo-me, assim, a vós outros que me conhecestes o leito atormentado
no mundo e a vós que me escutais sem a vestimenta física, rogo devoção e respeito
para com o socorro moral de Jesus através daqueles que lhe distribuem os dons de
conhecimento e consolação.
Quem alcança a verdade, sabe o que deve fazer.
Submetamo-nos ao amor de Deus, enquanto há tempo de partilhar o tempo
daqueles que mais amamos, a fim de que a dor não nos submeta, implacável,
obrigando-nos a partilhar o tempo da dificuldade e da solidão.
Essa tem sido para mim a mais severa advertência da vida. Com o Amparo
Divino, entretanto, sinto que o meu novo dia nasceu.
Aprendamos, pois, a ouvir e a refletir, sem jamais esquecer que o Amor
reina, soberano, em todos os círculos do Universo, recordando, porém, que a Justiça
cumprir-se-á, rigorosa, na senda de cada um.
Maria da Conceição – Vozes do Grande Além – Cap. 3 – Ensinamento
Vivo
Chico Xavier e o Natal
11
2.2.2 Maria da Conceição – O Presente
No ano de 1954, no mês de junho, eu [Divaldo Franco] me encontrava em
Pedro Leopoldo.
Como, na época, eu fazia viagens duas vezes por ano àquela cidade, na
ocasião, no dia 20 de junho, ao terminarmos a reunião em que Chico Xavier
psicografava, aos sábados à noite, depois do atendimento aos sofredores, nos
arredores da sua cidade, ele me disse, enquanto caminhávamos na direção da
residência do seu irmão André, que, naquela noite, experimentara um fenômeno
muito especial.
Estando desdobrado parcialmente, enquanto os Benfeitores psicografavam,
havia recebido a visita de duas damas espanholas (encarnadas) que estavam
recebendo a sua ajuda material durante a expiação redentora na atualidade, e
vinham pedir-lhe para que não esquecesse de levar-lhes comida, porque ainda não
havia terminado o seu resgate doloroso, mas a fome poderia interromper esse
processo libertador, e que, no domingo — já era madrugada de domingo — à tarde,
nós iríamos visitá-las. Chamavam-se Lia e Maria da Conceição as duas senhoras
muito pobres que residiam ali próximo, num lugarzinho conhecido como a Lapinha.
(...)
Dirigimo-nos à Lapinha, um lugar muito humilde. Fazia muito frio, porque,
àquela época, o inverno era rigoroso na região.
Em ali chegando, saltamos, enquanto o Chico foi nos contando que o drama
daquelas duas senhoras era tão grande que a sua genitora, antes de desencarnar, em
1914, já se referia que, toda vez quando experimentava grandes dores, encontrava
conforto no testemunho de D. Lia e na coragem de Maria da Conceição.
Isso havia ficado na sua memória, como resultado dos relatos maternos
dentro de casa — ele era criança de três para quatro anos. Nunca mais ele ouviu
falar sobre essas senhoras até que, mais ou menos pelos anos quarenta, Luísa, sua
irmã mais velha, narrou a história de D. Lia, elucidando que essa senhora se havia
casado com um homem portador de transtornos psiquiátricos muito graves.
Naquela época, ela residia com a família em uma das fazendas em torno do
Curral del Rei, quando esse senhor muito rico se apaixonou e pediu-a em
casamento. O pai dela aquiesceu, e ela viu o futuro marido apenas nesse dia e no
das bodas.
Chico Xavier e o Natal
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Ele levou-a para a sua propriedade, após o consórcio matrimonial, quando
começou o calvário da senhora, porque, muito atormentado, entre os vários desvios
de conduta, ele era portador de um ciúme mórbido, e depois que nasceu a primeira
filha, desvairado, ele começou a atribuir que a menina não era sua filha e sim do
capataz.
Depois de mandar surrar o empregado e expulsá-lo da fazenda, ele queimou
com tição de fogo as partes pudentas da mulher, para que ela ficasse impossibilitada
de traí-lo outra vez com quem quer que fosse.
D. Lia criou a filha com abnegação, com muito sofrimento, sem nunca sair
daquela herdade.
A filha casou-se, mais tarde, conforme os padrões da época, e foi morar com
o seu marido em uma outra propriedade.
Dois anos após, estando grávida, mandou pedir à mãe que fosse acompanhá-
la no momento da délivrance e levasse também a aparadeira, uma parteira prática
muito famosa que havia na região.
Era a primeira vez que D. Lia saía de casa, para ir ajudar a filha numa
situação muito grave.
O parto foi muito difícil e, quando nasceu a criança, a parteira teve um
choque muito grande, porque a menina apresentava anomalias teratológicas muito
graves: a cabeça era normal, mas o corpo se apresentava retorcido como se fosse
moldado por mãos impiedosas que lhe mudaram a estrutura.
A parteira, assustada, mostrou-a à mãe, ainda no leito.
A senhora teve uma crise de loucura e atirou a filha pela janela.
Então D. Lia saiu correndo — a avó —, pegou a criança e desapareceu.
Não se soube, durante muitos anos, do paradeiro das duas, até que as notícias
começaram a aparecer, narrando a história dolorosa de uma senhora que carregava
um monstro, pedindo esmolas pelas cidades interioranas próximas a Belo
Horizonte.
D. Luísa se lembrou que chegou a vê-las e contou isso ao irmão comovido.
(...)
Subimos o aclive e, quando ele bateu à porta, D. Lia abriu-a.
Tratava-se de uma mulher nonagenária, e foi comovedor o encontro, porque
ela o olhou, teve uma exclamação, informando: — Seu Chico, essa noite eu sonhei
com vós.
Chico Xavier e o Natal
13
Eu dizia: Venha trazer comida pra nós, seu Chico, que nós tá morrendo!
Ele então olhou-me e sorriu, porque aí estava a confirmação do que nos
houvera contado.
Entramos. D. Luísa foi à cozinha, que era um pequeno vão ao lado, levar os
alimentos e preparar um lanche, enquanto nós fomos ao outro quartinho.
A cama era de varas, enfiadas no chão, com outras transversais, algum
capim coberto com tecidos velhos, sujos, e um corpo, que não deveria ter mais do
que seis palmos de uma mão adulta.
A cabeça era perfeitamente normal.
O cabelo, desgrenhado, não tinha nada a ver com aquele de que Chico falara.
Como ele possuía beleza nos olhos e na alma!
Eu olhei-a… era… engraçadinha…, mas não parecida à Rita Hayworth
como ele havia definido.
Nesse ínterim, ela se agitava, contorcia-se. Ele se acercou e disse-lhe: —
Pois é, Maria da Conceição eu aqui estou. E acarinhou-lhe os cabelos.
Ela precisava de higiene, porque era uma vez por semana que ele podia ir
ajudá-la. De imediato pôs-se a conversar, acalmando-a, suavemente.
Nesses comenos, D. Luísa veio da cozinha e, para que nós víssemos as
deformidades da paciente, tirou o pano que a cobria.
Foi a cena mais chocante que eu já vi.
Era como se o corpo fosse retorcido, não exatamente como um parafuso,
mas algo parecido, pequeno, com muitas limitações.
Então ela gritou, e Chico elucidou: — Luísa, você sabe que ela tem pudor,
cubra-a!
Divaldo Franco - Caderno de mensagens – Cap. 2 - Encontro com
Divaldo Pereira Franco
Chico Xavier e o Natal
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2.2.3 Maria da Conceição – O Passado
No começo dos anos 50, ele [Chico Xavier] estava numa das suas reuniões
de atividades mediúnico-doutrinárias, psicografando, quando, fora do corpo, ele viu
adentrarem-se duas damas muito belas, vestidas ricamente, à espanhola, e que se
lhe acercaram. Aquela que parecia ser a de mais idade perguntou-lhe em Espírito:
— Você é o filho de D. Maria João de Deus, o Chico Xavier?
Ele respondeu: — Sim, sou.
— Pois é, sua mãe foi muito amiga nossa. Nós estamos reencarnadas,
resgatando dolorosos crimes anteriormente cometidos.
Encontramo-nos numa situação muito lamentável e D. Maria João de Deus
sugeriu-me que viesse pedir-lhe socorro, porque você é dotado de sentimentos
cristãos e de muita misericórdia.
Nós estamos morando aqui próximo, na Lapinha, e precisamos de alimentos
para que nossos corpos resistam à expiação. Você poderia nos visitar, Chico?
Ele confirmou: — Mas com muito prazer.
Ela então explicou-lhe que havia exercido, na corte de Felipe II, uma
posição muito relevante, havendo sido mãe de uma personalidade de alta
significação no clero, tendo contribuído com a sua ambição para atormentar pessoas
que eram acusadas como dignas de processo inquisitorial, por heresia.
Ela e sua filha, irmã, portanto, da alta personalidade clerical, beneficiavam-
se das denúncias que eram feitas contra pessoas muito ricas, porque, segundo a lei
da época, os bens passavam a pertencer ao Estado, que ficava com 50%, outra parte
ia para a Igreja e a outra para o denunciante.
Elas compraziam-se nisso, mas nunca se deram ao trabalho de ver como
eram arrancadas as confissões das suas vítimas.
Sabiam, no entanto, que eram por processos muito bárbaros, e que, ao
desencarnarem os três — ela primeiro, o filho depois e a filha em último lugar —,
tiveram o despertar da consciência e encontraram grande número das suas vítimas,
que os infelicitaram de maneira impiedosa, quase hedionda.
Chico Xavier e o Natal
15
A Misericórdia Divina, apiedada dos seus sofrimentos, trouxe-os a
expiações dolorosas e, durante várias vezes, reencarnaram-se sob os espículos da
lepra, mas esta, na qual se encontravam, seria a última fase de recuperação, e que
elas pretendiam — porque o filho já estava redimido — coroar a jornada com muito
êxito.
Chico ficou muito sensibilizado e prometeu visitá-las.
No dia seguinte, em companhia de D. Luísa, eles procuraram reunir alguns
víveres do pouco que tinham e foram visitar o casebre de D. Lia e D. Conceição.
Era uma dessas construções de pau-a-pique muito modesta, no cimo de um
aclive, num lugarejo separado do aglomerado de casas. A partir de então, vez que
outra, quando ele dispunha de qualquer recurso, comprava alimentos e ia levá-los
às duas senhoras.
D. Maria da Conceição era surda-muda, além da deformidade que
apresentava no corpo. E era quase totalmente cega.
Ela ouvia-o e sentia-o e os dois conversavam mentalmente.
Quando ele se acercava, ela se agitava de felicidade, porque lhe percebia a
presença. Então, com um jeito muito peculiar, ele disse-me: Pois é, eu sou o seu
cabeleireiro. Eu sou o seu manicure. Sou eu que lhe corto os cabelos… lindos!
Divaldo — ele me afirmou —, ela é linda! Parece Rita Hayworth.
Estava na época de Gilda, a célebre Rita Hayworth. E eu, com a minha
imaginação juvenil, naquela época, já mentalizei aquela mulher hollywoodiana,
fascinante, começando a concebê-la, deslumbrante.
— Agora o corpinho é deficiente, etc. — ele acrescentou, com um riso
maroto.
Divaldo Franco - Caderno de mensagens – Cap. 2 - Encontro com
Divaldo Pereira Franco
Chico Xavier e o Natal
16
2.2.4 Maria da Conceição – O Natal
Voltamos a Pedro Leopoldo, já noite. Eu viajei de retorno a Salvador. No
ano seguinte, no mês de março, quando eu retornei a Pedro Leopoldo, perguntei a
Chico: — E D. Lia, nós iremos visitá-la?
Ele me respondeu: — Ah, Divaldo, você não faz ideia do que aconteceu!
Eu não lhe contei tudo.
Naquele período, eu estava muito sofrido.
A imprensa… as acusações descabidas, incompreensões dentro e fora de
casa. Meu próprio pai não me entendia. Era muito severo com as pessoas que
vinham conversar comigo.
Às vezes, portava-se mal, dizendo que eu não era médium coisa nenhuma,
embora não o fizesse por mal.
Ele era vendedor de bilhetes da Loteria Federal, e afirmava que se eu fosse
médium e se existissem Espíritos, esses dariam o número do bilhete para ele e
acabávamos com a problemática da nossa pobreza.
Ele não entendia a mediunidade.
Eu estava, numa noite de Natal, muito amargurado!
Sem ninguém, fisicamente.
Luísa se encontrava com os seus filhos e esposo, no lar, e eu não queria
perturbá-los.
Os meus irmãos reuniam-se com as suas famílias modestas, e esse era o
momento deles.
Então, quando tomado pela tristeza e solidão, lembrei-me: Como estariam
Lia e Conceição?
E já que nós éramos, possivelmente, as pessoas mais isoladas que eu poderia
identificar, mais solitárias, resolvi visitá-las.
Tomei um táxi e fui correndo até a Lapinha.
Quando eu saltei do veículo e me aproximei do outeiro, eu vi uma espécie
de “spot light”, que descia de um ponto, que eu não podia identificar, do Infinito,
salpicado de estrelas.
Estrelas matizadas cobriam aquela choupana modesta.
Chico Xavier e o Natal
17
Quando eu me acerquei, à porta estava Eurípedes Barsanulfo, porém com a
indumentária de Rufus.
Estava ali Rufus, o bem-aventurado, porque, se ele já era cristão desse jaez
àquela época, o seu ministério de apóstolo sacramentano era natural (numa
preparação para as tarefas do Chico no mundo social pela mesma região
triangulina).
E, então, era o Natal mais lindo que se podia imaginar.
Vozes, entoando hinos, e as duas, que uma visão apressada poderia
confundir com obsidiadas.
Então, ele passou o Natal mais feliz da sua atual existência.
A partir daquela vez, toda época de Natal, quando terminava as tarefas, ele
ia à casa de D. Lia e de D. Conceição.
Dando continuidade à resposta, ele me informou:
— Pois é, eu estava, no mês de janeiro último, psicografando, quando Dr.
Bezerra se me acercou, solicitando-me: — “Chico, assim que termine as atividades
programadas, não dialogue com os nossos irmãos, porque Maria da Conceição está
voltando ao Grande Lar.
Já estamos operando o processo de libertação do Espírito, desimantando-o
dos liames materiais e, logo, dentro de duas horas, no máximo, ela estará conosco.
Gostaríamos que você fosse participar desse momento.
Ele terminou o trabalho, desculpou-se, tomou um automóvel, seguiu à
Lapinha e, então, comoveu-se com a mesma presença feérica de Entidades nobres,
que ali visitavam o casebre modesto, e acompanhou o momento em que o próprio
Dr. Bezerra de Menezes desenovelou a moribunda, agindo no centro
coronário, liberando-a dos últimos vínculos com a matéria.
Desprendendo-se, ela reconheceu-o, sorriu, e foi conduzida pelo Benfeitor
para o mundo espiritual.
Ante a nova realidade, ele ficou numa conjuntura dolorosa.
Que fazer agora com D. Lia, que já estava com mais de noventa anos?
Sepultou D. Maria da Conceição e levou D. Lia para Pedro Leopoldo.
Chico Xavier e o Natal
18
Alugou um quartinho, próximo da sua casa, para dar-lhe assistência,
mandou comunicar ao Dr. Pereira de Andrade e, mais ou menos, quinze dias após,
também num sábado pela madrugada de domingo, o venerando Guia convidou-o,
novamente, explicando-lhe: — Estamos retirando Lia do invólucro carnal.
Conceição veio buscá-la, o filho e alguns beneficiários hoje dos seus
sofrimentos, dos seus testemunhos dolorosos encontram-se presentes.
Terminada a reunião, nós o aguardamos.
Concluída a reunião, ele correu à nova residência da anciã e, de longe, viu
sobre aquela ruela sem saída, as luzes e a movimentação de Entidades nobres,
ouvindo um coral, que houvera escutado anteriormente, quando a irmã
desencarnou, que entoava um hino à vida.
Quando D. Lia foi retirada do corpo, ele anotou, como houvera feito por
ocasião da desencarnação, o poema de exaltação da Vida, que diz, em parte:
Rasgaram-se os véus da noite,
Novo dia resplandece,
Viajor, descansa em prece
Ao lado da própria cruz.
No horizonte rebrilha
Nova aurora matutina,
Pois a morte descortina
Dia novo com Jesus.
A música continuava, e ele ainda pôde ver D. Lia sorrir-lhe, sem
possibilidade de agradecer-lhe, ser retirada do corpo, levada para o mundo de
origem.
Poucos dias depois de desencarnada, ela retornou, trazendo a netinha, que
falecera com cinquenta e cinco anos de idade, mais ou menos, a qual então
transmitiu uma mensagem de rara beleza, por psicofonia, que se encontra no livro
“Vozes do Grande Além” [Ensinamento Vivo], publicado pela FEB, organizado
por Arnaldo Rocha, resultado das sessões mediúnicas do Grupo Meimei, de Pedro
Leopoldo, entre 1952-1956.
Divaldo Franco - Caderno de mensagens – Cap. 2 - Encontro com
Divaldo Pereira Franco
Chico Xavier e o Natal
19
Rufus:
Para quem não se recorda ou não leu o livro Ave Cristo!, ditado por
Emmanuel, Rufus era um escravo, que, no século II, na cidade de Lyon, deu seu
testemunho de fé, quando Taciano mandou matar os cristãos que viviam na então
chamada Gália Lugdunense.
A morte de Rufus foi muito dolorosa, porque ele foi amarrado à cauda de
um potro bravio, para sair em disparada e despedaçá-lo.
Quando Rufus estava nessa situação pungente, recordou-se que a esposa e
os filhinhos haviam sido vendidos a um mercador de escravos.
Ele reflexionava em agonia: Jesus, que fazer?
Eu poderei acabar com esta situação se abjurar à fé por amor a meus filhos
e à minha mulher.
Mas, que fazer? Ser fiel a Jesus…
A minha vida eu a dou, mas a dos meus filhos e da companheira?
Assim mesmo ele optou por permanecer fiel a Jesus.
Nesse transe, que são alguns segundos e parecem horas, o homem que
comprara a sua família como escravos acercou-se e deu-lhe uma bofetada.
Ao fazê-lo, abaixou-se e ciciou-lhe ao ouvido: Morre em paz.
Eu também sou cristão.
Cuidarei da tua família.
Ele então se entregou a Deus.
E o Chico me narraria, depois, que os pedaços de Rufus ficaram pelas
estradas, e que ele viu, psiquicamente, e essa parte não consta no livro, o
sepultamento dos despojos recolhidos pelos seus irmãos de fé naquela noite,
conduzindo archotes e cantando hinos de exaltação ao Bem.
Chico Xavier e o Natal
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2.2.5 Maria da Conceição – Passado/Presente – Cronologia
2.2.5.1 O Presente
 1860 – BRASIL - Lia Nascimento – Curral Del Rei
 1880 – Lia Casamento
− esposo distúrbios mentais, obsedado, ciúme doentio, marcada a fogo,
prisioneira no Lar
 1900 – Casamento da Filha
 1902 – Nascimento da Neta (Maria da Conceição)
− deficiente física, surda, muda quase cega
− repudiada pela Mãe, acolhida pela Avó e fuga com ela.
“O parto foi muito difícil e, quando nasceu a criança, a parteira teve um
choque muito grande, porque a menina apresentava anomalias teratológicas muito
graves: a cabeça era normal, mas o corpo se apresentava retorcido como se fosse
moldado por mãos impiedosas que lhe mudaram a estrutura. A parteira, assustada,
mostrou-a à mãe, ainda no leito. A senhora teve uma crise de loucura e atirou a filha
pela janela. Então D. Lia saiu correndo — a avó —, pegou a criança e desapareceu”.
Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
“Paralítica, surda, muda e quase cega, não era surda para as vozes que me
acusavam, na profundez de minhas dores da consciência, não era paralítica para o
pensamento que se movimentava a distância de minha cabeça flagelada, não era
muda para as considerações que me saltavam do cérebro e nem cega para os quadros
terrificantes do plano imaginativo…”
“Durante mais de cinquenta anos sucessivos, por felicidade minha
experimentei fome, frio, enfermidade e desprezo de meus semelhantes… Em toda
a existência, como bênção de calor na carne devastada de sofrimento, não recebi
senão a das lágrimas que me escorriam dos olhos…”
Maria da Conceição – Vozes do Grande Além – Cap. 3
Chico Xavier e o Natal
21
 1950 – CHICO XAVIER e A IRMÃ LUÍSA
− 1º Visita – duas personalidades em desdobramento – Lia (Avó) e Maria da
Conceição
− Veio indicada pela Mãe do Chico Xavier
“No começo dos anos 50, ele [Chico Xavier] estava numa das suas reuniões
de atividades mediúnico-doutrinárias, psicografando, quando, fora do corpo, ele viu
adentrarem-se duas damas muito belas, vestidas ricamente, à espanhola, e que se
lhe acercaram. Aquela que parecia ser a de mais idade perguntou-lhe em Espírito:
— Você é o filho de D. Maria João de Deus, o Chico Xavier?
Ele respondeu: — Sim, sou.
— Pois é, sua mãe foi muito amiga nossa. Nós estamos reencarnadas,
resgatando dolorosos crimes anteriormente cometidos. Encontramo-nos numa
situação muito lamentável e D. Maria João de Deus sugeriu-me que viesse pedir-
lhe socorro, porque você é dotado de sentimentos cristãos e de muita misericórdia.
Nós estamos morando aqui próximo, na Lapinha, e precisamos de alimentos para
que nossos corpos resistam à expiação. Você poderia nos visitar, Chico?”.
Chico ficou muito sensibilizado e prometeu visita-las.
No dia seguinte, em companhia de D. Luísa [irmã do Chico Xavier], eles
procuraram reunir alguns víveres do pouco que tinham e foram visitar o casebre de
D. Lia e D. Conceição.
Era uma dessas construções de pau-a-pique muito modesta, no cimo de um
aclive, num lugarejo separado do aglomerado de casas. A partir de então, vez que
outra, quando ele dispunha de qualquer recurso, comprava alimentos e ia leva-los
às duas senhoras”.
Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
Chico Xavier e o Natal
22
 1954 – JUNHO/20 – SÁBADO – CHICO XAVIER/DIVALDO FRANCO
− 2º Visita – duas personalidades espanholas em desdobramento – Lia e
Maria da Conceição
− Pedir comida
− Bairro Lapinha/Pedro Leopoldo
“Estando [Chico Xavier] desdobrado parcialmente, enquanto os Benfeitores
psicografavam, havia recebido a visita de duas damas espanholas (encarnadas) que
estavam recebendo a sua ajuda material durante a expiação redentora na atualidade,
e vinham pedir-lhe para que não esquecesse de levar-lhes comida, porque ainda não
havia terminado o seu resgate doloroso, mas a fome poderia interromper esse
processo libertador, e que, no domingo — já era madrugada de domingo — à tarde,
nós iríamos visita-las.”
“(...) Subimos o aclive e, quando ele bateu à porta, D. Lia abriu-a. Tratava-
se de uma mulher nonagenária, e foi comovedor o encontro, porque ela o olhou,
teve uma exclamação, informando: — Seu Chico, essa noite eu sonhei com vós. Eu
dizia: Venha trazer comida pra nós, seu Chico, que nós tá morrendo!
Ele então olhou-me [Divaldo Franco] e sorriu, porque aí estava a
confirmação do que nos houvera contado. Entramos. D. Luísa foi à cozinha, que era
um pequeno vão ao lado, levar os alimentos e preparar um lanche, enquanto nós
fomos ao outro quartinho.
A cama era de varas, enfiadas no chão, com outras transversais, algum
capim coberto com tecidos velhos, sujos, e um corpo, que não deveria ter mais do
que seis palmos de uma mão adulta.
A cabeça era perfeitamente normal.
O cabelo desgrenhado, não tinha nada a ver com aquele de que Chico falara.
(...) Nesses comenos, D. Luísa veio da cozinha e, para que nós víssemos as
deformidades da paciente, tirou o pano que a cobria. Foi a cena mais chocante que
eu já vi. Era como se o corpo fosse retorcido, não exatamente como um parafuso,
mas algo parecido, pequeno, com muitas limitações.
Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
Chico Xavier e o Natal
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 1954 – DEZEMBRO/24 – NATAL – RUFUS/EURÍPEDES
BARSANULFO
“Eu estava, numa noite de Natal, muito amargurado! Sem ninguém,
fisicamente. Luísa se encontrava com os seus filhos e esposo, no lar, e eu não queria
perturbá-los. Os meus irmãos reuniam-se com as suas famílias modestas, e esse era
o momento deles.
Então, quando tomado pela tristeza e solidão, lembrei-me: Como estariam
Lia e Conceição? E já que nós éramos, possivelmente, as pessoas mais isoladas que
eu poderia identificar, mais solitárias, resolvi visita-las.
Tomei um táxi e fui correndo até a Lapinha. Quando eu saltei do veículo e
me aproximei do outeiro, eu vi uma espécie de “spot light”, que descia de um ponto,
que eu não podia identificar, do Infinito, salpicado de estrelas.
Estrelas matizadas cobriam aquela choupana modesta.
Quando eu me acerquei, à porta estava Eurípedes Barsanulfo, porém com a
indumentária de Rufus.
Estava ali Rufus, o bem-aventurado, porque, se ele já era cristão desse jaez
àquela época, o seu ministério de apóstolo sacramentano era natural (numa
preparação para as tarefas do Chico no mundo social pela mesma região
triangulina).
E, então, era o Natal mais lindo que se podia imaginar. Vozes, entoando
hinos, e as duas, que uma visão apressada poderia confundir com obsidiadas. Então,
ele passou o Natal mais feliz da sua atual existência”.
Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
Chico Xavier e o Natal
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 1955 – JANEIRO – DESENCARNE – MARIA DA
CONCEIÇÃO/BEZERRA DE MENESES
“Pois é, eu estava, no mês de janeiro último, psicografando, quando Dr.
Bezerra se me acercou, solicitando-me:
— “Chico, assim que termine as atividades programadas, não dialogue com
os nossos irmãos, porque Maria da Conceição está voltando ao Grande Lar.
Já estamos operando o processo de libertação do Espírito, desimantando-o
dos liames materiais e, logo, dentro de duas horas, no máximo, ela estará conosco.
Gostaríamos que você fosse participar desse momento.
Ele terminou o trabalho, desculpou-se, tomou um automóvel, seguiu à
Lapinha e, então, comoveu-se com a mesma presença feérica de Entidades nobres,
que ali visitavam o casebre modesto, e acompanhou o momento em que o próprio
Dr. Bezerra de Menezes desenovelou a moribunda, agindo no centro coronário,
liberando-a dos últimos vínculos com a matéria”.
Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
 1955 – FEVEREIRO – DESENCARNE – LIA/BEZERRA DE MENESES
“Mais ou menos, quinze dias após [o desencarne de Maria da Conceição],
também num sábado pela madrugada de domingo, o venerando Guia convidou-o,
novamente, explicando-lhe:
— Estamos retirando Lia do invólucro carnal. Conceição veio busca-la, o
filho e alguns beneficiários hoje dos seus sofrimentos, dos seus testemunhos
dolorosos encontram-se presentes.
Terminada a reunião, nós o aguardamos.
Concluída a reunião, ele correu à nova residência da anciã e, de longe, viu
sobre aquela ruela sem saída, as luzes e a movimentação de Entidades nobres,
ouvindo um coral, que houvera escutado anteriormente, quando a irmã
desencarnou, que entoava um hino à vida.
Quando D. Lia foi retirada do corpo, ele anotou, como houvera feito por
ocasião da desencarnação, o poema de exaltação da Vida (Hino do Repouso), que
diz :
Chico Xavier e o Natal
25
Rasgaram-se
os véus da noite…
Novo dia resplandece.
Viajor, descansa em prece
Ao lado da própria cruz.
No firmamento dourado
Rebrilha a aurora divina,
Porque a morte descortina
Vida nova com Jesus.
Esquece a aflição do mundo!
No seio da crença, olvida
Todas as sombras da vida,
Todo sonho enganador…
Sob a bênção da alegria,
Na esperança que te veste,
És a andorinha celeste
Voltando ao ninho de amor.
Repete, agora conosco —
“Bendita a dor santa e pura
Que me deu tanta amargura
E tanta consolação”.
E orando, em paz, no repouso,
De alma robusta e contente,
Agradece alegremente
A própria libertação.
Descansa! que além da sombra,
Outra alvorada te espera!
Abençoa a nova Esfera
A que o Senhor nos conduz.
Dilatarás, muito em breve,
Todo o júbilo que vazas,
Desdobrando as próprias asas
No Reino da Eterna Luz!
Cartas do Coração – 2º Parte – Cap. 5 – Hino do Repouso
Chico Xavier e o Natal
26
A música continuava, e ele ainda pôde ver D. Lia sorrir-lhe, sem
possibilidade de agradecer-lhe, ser retirada do corpo, levada para o mundo de
origem.
Poucos dias depois de desencarnada, ela retornou, trazendo a netinha, que
falecera com cinquenta e cinco anos de idade, mais ou menos, a qual então
transmitiu uma mensagem de rara beleza, por psicofonia, que se encontra no livro
“Vozes do Grande Além” [Ensinamento vivo], publicado pela FEB, organizado por
Arnaldo Rocha, resultado das sessões mediúnicas do Grupo Meimei, de Pedro
Leopoldo, entre 1952/1956.
Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
Chico Xavier e o Natal
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 1955 – JUNHO – DEPOIMENTO/GRUPO MEIMEI – LIA
Filhos de Deus, que a paz do Senhor seja a nossa luz.
Enquanto permanecemos no corpo de carne, não conseguimos, por mais
clara se nos faça a compreensão da justiça, apreender-lhe a grandeza em toda a
extensão.
Admitimos a existência do Inferno que pune os transgressores e acreditamos
no braço vingador daqueles que se entregam ao papel de carrascos de quantos se
renderam ao sorvedouro do crime.
Raras vezes, porém, refletimos nos tormentos que a consciência culpada
impõe a si própria, além-túmulo.
Fascinados pelo mundo exterior, dormitamos ao aconchego da ilusão e não
nos recordamos de que, um dia, virá o despertar no mundo de nós mesmos.
A morte arranca-nos o véu em que nos ocultamos e ai de nós quando não
temos por moldura espiritual senão remorso e arrependimento, vileza e degradação.
Achamo-nos em plena nudez, diante do autojulgamento, e somente
assinalamos os quadros e gritos acusadores que nascem de nossa própria alma,
exprimindo maldição.
Nossos olhos nada mais veem senão o painel das lembranças amargas, os
ouvidos não escutam outras palavras que não as do libelo por nós e contra nós, e,
por mais vagueemos com a ligeireza do pensamento, através de milhares de
quilômetros no espaço, encontramos simplesmente a nós mesmos, na vastidão do
tempo, confinados ao escuro e estreito horizonte de nossa própria condenação.
Os dias passam por nós como as vagas do mar, lambendo o rochedo na
solidão que lhe é própria, até que os raios da Compaixão Divina nos dissipem as
sombras, ensejando-nos a prece como caridosa luz que nos clareia a furna da
inconsequência.
É então que a Bondade do Senhor interfere na justiça, permitindo ao
criminoso traçar mentalmente a correção que lhe é necessária.
E o delinquente sempre escolhe a posição das vítimas que lhe sucumbiram
às mãos, bendizendo a reencarnação expiatória que lhe faculta o reexame dos
caminhos percorridos.
Trazida até aqui por nossos Benfeitores, falo-vos de minha experiência.
Chico Xavier e o Natal
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Sou a vossa irmã Conceição, que volta a fim de comentar convosco o
impositivo da consciência tranquila perante a Lei.
Administrais o esclarecimento justo às almas desgarradas do trilho reto e
determinam nossos Instrutores vos diga a todos, encarnados e desencarnados,
daquele esclarecimento vivo que nos é imposto pelas duras provas da vida, quando
não assimilamos o valor da palavra enquanto é tempo!…
(...)
Mas a doutrinação regeneradora que não recolhi da palavra de quantos me
ampararam noutro tempo, com amoroso aviso, fui constrangida a assimilá-la sob o
rude tacão de atrozes padecimentos.
Quando a lição do Senhor é recusada por nossos ouvidos, ressurge
invariável, em nós mesmos, na forma de provação necessária ao reajuste de nossos
destinos.
Dirigindo-me, assim, a vós outros que me conhecestes o leito atormentado
no mundo e a vós que me escutais sem a vestimenta física, rogo devoção e respeito
para com o socorro moral de Jesus através daqueles que lhe distribuem os dons de
conhecimento e consolação.
Quem alcança a verdade, sabe o que deve fazer.
Submetamo-nos ao amor de Deus, enquanto há tempo de partilhar o tempo
daqueles que mais amamos, a fim de que a dor não nos submeta, implacável,
obrigando-nos a partilhar o tempo da dificuldade e da solidão.
Essa tem sido para mim a mais severa advertência da vida. Com o Amparo
Divino, entretanto, sinto que o meu novo dia nasceu.
Aprendamos, pois, a ouvir e a refletir, sem jamais esquecer que o Amor
reina, soberano, em todos os círculos do Universo, recordando, porém, que a Justiça
cumprir-se-á, rigorosa, na senda de cada um.
Maria da Conceição – Vozes do Grande Além – Cap. 3 – Ensinamento
Vivo
Chico Xavier e o Natal
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2.2.5.2 O Passado
 1560 - ESPANHA
− Reinado de Felipe II da Espanha
− Damas da Corte – Mãe, filha e filho (cardeal)
− Inquisição Espanhola – delatoras
− Arnaldo Rocha = Duque de Alba, Meimei = Condessa de Alba, Chico
Xavier = jovem aristocrática francesa protegida da Condessa de Nemours =
Esmeralda Barros/Noite de São Bartolomeu
“Ela [Lia] então explicou-lhe que havia exercido, na corte de Felipe II, uma
posição muito relevante, havendo sido mãe de uma personalidade de alta
significação no clero, tendo contribuído com a sua ambição para atormentar pessoas
que eram acusadas como dignas de processo inquisitorial, por heresia.
Ela e sua filha, irmã, portanto, da alta personalidade clerical, beneficiavam-
se das denúncias que eram feitas contra pessoas muito ricas, porque, segundo a lei
da época, os bens passavam a pertencer ao Estado, que ficava com 50%, outra parte
ia para a Igreja e a outra para o denunciante.
Elas compraziam-se nisso, mas nunca se deram ao trabalho de ver como
eram arrancadas as confissões das suas vítimas”.
Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
“Dama vaidosa e influente da Corte de Filipe II, na Espanha inquisitorial,
reapareci neste século, de corpo desfigurado, a mergulhar nos próprios detritos,
corpo que era simplesmente a imagem torturada de minhalma açoitada de angústia
e emparedada nos ossos doentes, para redimir o passado delituoso.
Maria da Conceição – Vozes do Grande Além – Cap. 3
 1600/1700 – Reencarnações Expiatórias
“A Misericórdia Divina, apiedada dos seus sofrimentos, trouxe-os a
expiações dolorosas e, durante várias vezes, reencarnaram-se sob os espículos da
lepra, mas esta reencarnação, na qual se encontravam, seria a última fase de
recuperação, e que elas pretendiam — porque o filho já estava redimido — coroar
a jornada com muito êxito”.
Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
Chico Xavier e o Natal
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3 O Natal - Mensagens selecionadas
3.1 Emmanuel
3.1.1 Natal
As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande
Renovador, não apresentaram qualquer palavra de violência.
Glória a Deus no Universo Divino. Paz na Terra. Boa-vontade para com os
Homens.
O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranquilidade ao mundo,
não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir.
Nem castigo ao rico avarento. Nem punição ao pobre desesperado. Nem
desprezo aos fracos.
Nem condenação aos pecadores. Nem hostilidade para com o fariseu
orgulhoso.
Nem anátema contra o gentio inconsciente.
Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço da
Boa-Vontade.
A justiça do “olho por olho” e do “dente por dente” encontrara, enfim, o
Amor disposto à sublime renuncia até à cruz.
Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria,
assinalaram júbilo inexprimível...
Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria.
O algoz seria digno de piedade. O inimigo converter-se-ia em irmão
transviado. O criminoso passaria à condição de doente.
Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. Em
Sidon, os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores.
Em Jerusalém, os enfermos não mais seriam relegados ao abandono nos vales de
imundície.
Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a,
transitou vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento.
Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos,
recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros.
Natal! Boa Nova! Boa-Vontade!...
Estendamos a simpatia para com todos e comecemos a viver realmente
com Jesus, sob os esplendores de um novo dia.
Emmanuel – Antologia Mediúnica do Natal – Cap. 17
Chico Xavier e o Natal
31
3.1.2 O Natal do Cristo
A Sabedoria da Vida situou o Natal de Jesus frente do Ano Novo, na
memória da Humanidade, como que renovando as oportunidades do amor fraterno,
diante dos nossos compromissos com o Tempo.
Projetam-se anualmente, sobre a Terra os mesmos raios excelsos da Estrela
de Belém, clareando a estrada dos corações na esteira dos dias incessantes,
convocando-nos a alma, em silêncio, à ascensão de todos os recursos para o bem
supremo.
A recordação do Mestre desperta novas vibrações no sentimento da
Cristandade.
Não mais o estábulo simples, mas nosso próprio espírito, em cujo íntimo o
Senhor deseja fazer mais luz...
Santas alegrias nos procuram a alma, em todos os campos do idealismo
evangélico
Natural o tom festivo das nossas manifestações de confiança renovada,
entretanto, não podemos olvidar o trabalho renovador a que o Natal nos
convida, cada ano, não obstante o pessimismo cristalizado de muitos
companheiros, que desistiram temporariamente da comunhão fraternal.
É o ensejo de novas relações, acordando raciocínios enregelados com as
notas harmoniosas do amor que o Mestre nos legou.
É a oportunidade de curar as nossas próprias fraquezas retificando atitudes
menos felizes, ou de esquecer as faltas alheias para conosco, restabelecendo os elos
da harmonia quebrada entre nós e os demais, em obediência à lição da desculpa
espontânea, quantas vezes se fizerem necessárias.
É o passo definitivo para a descoberta de novas sementeiras de serviço
edificante, através da visita aos irmãos mais sofredores do que nós mesmos e da
aproximação com aqueles que se mostram inclinados à cooperação no progresso, a
fim de praticarmos, mais intensivamente, o princípio do “amemo-nos uns aos
outros”.
- Conforme a nossa atitude espiritual ante o Natal, assim aparece o Ano
Novo à nossa vida.
- O aniversário de Jesus precede o natalício do Tempo.
- Com o Mestre, recebemos o Dia do Amor e da Concórdia.
Chico Xavier e o Natal
32
- Com o tempo, encontramos o Dia da Fraternidade Universal.
- O primeiro renova a alegria.
- O segundo reforma a responsabilidade.
Comecemos oferecendo a Ele cinco minutos de pensamento e atividade e, a
breve espaço, nosso espírito se achará convertido em altar vivo de sua infinita boa
vontade para com as criaturas, nas bases da Sabedoria e do Amor.
Não nos esqueçamos.
Se Jesus não nascer e crescer, na manjedoura de nossa alma, em vão os Anos
Novos se abrirão iluminados para nós.
Emmanuel - Fonte de Paz – Cap. 12
Chico Xavier e o Natal
33
3.1.3 Rogativa de Natal
Senhor Jesus!
Quando chegaste à Terra, através dos panos da manjedoura,
aguardava-te a Escritura como sendo a luz para os que jazem assentados nas
trevas!...
E, em verdade, Senhor, as sombras dominavam o mundo inteiro...
Sombras no trabalho, em forma de escravidão...
Sombras na justiça, em forma de crueldade...
Sombras no templo, em forma de fanatismo...
Sombras na governança, em forma de tirania...
Sombras na mente do povo, em forma de ignorância e de miséria...
Pouco a pouco, no entanto, ao clarão de tua infinita bondade,
quebraram-se as algemas da escravidão, transformou-se a crueldade em apreciáveis
direitos humanos, transmudou-se o fanatismo em fé raciocinada, converteu-se a
tirania em administração e, gradualmente, a ignorância e a miséria vão recebendo o
socorro da escola e da solidariedade.
Entretanto, Senhor, ainda sobram trevas no amor, em forma de
egoísmo!
Egoísmo no lar...
Egoísmo no afeto...
Egoísmo na caridade...
Egoísmo na prestação de serviço...
Egoísmo na devoção...
Mestre, dissipa o nevoeiro que nos obscurece ainda os horizontes e ensina-
nos a amar como nos amaste, sem buscar vaidosamente naqueles que amamos os
reflexos de nós mesmos, porque, somente em nos sentindo verdadeiros irmãos uns
dos outros, é que atingiremos, com a pura fraternidade, a nossa ressurreição para
sempre.
Emmanuel - Antologia Mediúnica do Natal – Cap. 31
Chico Xavier e o Natal
34
3.1.4 Desce Elevando
Desce, elevando aqueles que te comungam a convivência, para que a vida
em torno suba igualmente de nível.
Se sabes, não firas o ignorante. Oferece-lhe apoio para que se liberte da
sombra.
Se podes, não oprimas o fraco. Ajuda-o, de alguma sorte, a fortalecer-se,
para que se faça mais útil.
Se entesouraste a virtude, não humilhes o companheiro que o vicio
ensandece. Estende-lhe a bênção do amor como adequada medicação.
Se te sentes correto, não censures o irmão transviado em desajustes do
espírito. Dá-lhe o braço fraterno para que se renove.
Se ajudas, não recrimines quem te recebe o socorro. Pão amaldiçoado é
veneno na boca.
Se ensinas, não flageles quem te recebe a lição. Benefício com açoite é mel
em taça candente.
Auxilia em silêncio para que o teu amparo não se converta em tributo
espinhoso na sensibilidade daqueles que te recolhem a dádiva, porque toda caridade
a exibir-se no palanque das conveniências do mundo é sempre vaidade, em forma
de serpe no coração, e toda modéstia que pede o apreço dos outros, para exprimir-
se, é sempre orgulho em forma de lodo nos escaninhos da alma.
Nesse sentido, não te esqueças do Mestre que desceu, até nós, revelando-
nos como sublimar a existência.
Anjo entre os anjos, faz-se pobre criança necessitada do arrimo de singelos
pastores; sábio entre os sábios, transforma-se em amigo anônimo de pescadores
humildes, comungando-lhes a linguagem; instrutor entre os instrutores, detém-se,
bondoso, entre enfermos e aflitos, crianças e mendigos abandonados, para abraçar-
lhes a luta, e, juiz dos juízes, não se revolta por sofrer no tumulto da praça o iníquo
julgamento do povo que o prefere a Barrabás, para os tormentos imerecidos.
Todavia, por descer, elevando quantos lhe não podiam compreender a
refulgência da altura, é que se fez o caminho de nossa ascensão espiritual, a verdade
de nosso gradativo aprimoramento e a vida de nossas vidas, a erguer-nos a alma
entenebrecida no erro, para a vitória da luz.
Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 28
Chico Xavier e o Natal
35
3.1.5 Algo mais no Natal
Senhor Jesus!
Diante do Natal, que te lembra a glória na manjedoura, nós te agradecemos:
a música da oração;
o regozijo da fé;
a mensagem de amor;
a alegria do lar;
o apelo a fraternidade;
o júbilo da esperança;
a bênção do trabalho;
a confiança no bem;
o tesouro da tua paz;
a palavra da Boa Nova;
e a confiança no futuro!...
Entretanto, oh! Divino Mestre, de corações voltados para o teu coração, nós
te suplicamos algo mais! ...
Concede-nos, Senhor, o dom inefável da humildade para que tenhamos a
precisa coragem de seguir-te os exemplos!
Emmanuel – Luz do Coração – Cap. 73
Chico Xavier e o Natal
36
3.1.6 No Natal
É inútil que se apresente Jesus como filósofo do mundo.
O Mestre não era um simples reformador.
Nem a sua vida constituiu um fato que só alcançaria significação depois de
seus feitos inesquecíveis, culminantes na cruz.
Jesus Cristo era o esperado.
Pela sua vinda, numerosas gerações choraram e sofreram.
A chegada do Mestre foi a Benção
Os que desejavam caminhar para Deus alcançavam a Porta.
O Velho Testamento está cheio de esperanças no Messias.
O Evangelho de Lucas refere-se a um homem chamado Simeão, que vivia
esperando a consolação de Israel.
Homem justo e inspirado pelas forças do Céu, vendo a Divina Criança, no
Templo, tomou-a nos braços, louvou ao Altíssimo e exclamou: Agora, Senhor,
despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra.”
Havia surgido a consolação.
Ninguém estaria deserdado.
Deus repartira seu coração com os filhos da Terra.
E por isso que o Natal é a festa de lágrimas da Alegria.
Emmanuel - Fonte de Paz – Cap. 21
Chico Xavier e o Natal
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3.1.7 Natal II
"Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade parai com os
Homens." Lucas, 2:14.
As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande Renovador,
não apresentaram qualquer ação de reajuste violento.
Glória a Deus no Universo Divino.
Paz na Terra.
Boa vontade para com os homens.
O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranqüilidade ao mundo,
não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir.
Nem castigo ao rico avarento.
Nem punição ao pobre desesperado.
Nem desprezo aos fracos.
Nem condenação aos pecadores.
Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso.
Nem anátema contra o gentio inconsciente.
Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço da Boa
Vontade.
A justiça do "olho por olho" e do "dente por dente" encontrara, enfim, o
Amor disposto à sublime renúncia até à cruz.
Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria,
assinalaram júbilo inexprimível...
Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria.
O algoz seria digno de piedade.
O inimigo converter-se-ia em irmão transviado.
O criminoso passaria à condição de doente.
Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos.
Em Sídon, os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos
senhores.
Em Jerusalém, os enfermos não mais sofreriam relegados ao abandono nos
vales de imundície.
Chico Xavier e o Natal
38
Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a,
transitou, vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento.
Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos,
recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros.
Natal! Boa Nova! Boa Vontade!...
Estendamos a simpatia a todos e comecemos a viver realmente com Jesus,
sob os esplendores de um novo dia.
Emmanuel – Revista Reformador – 1950 – Dezembro – Natal II
Chico Xavier e o Natal
39
3.1.8 Humildade Celeste
Ninguém mais humilde que Ele, o Divino Governador da Terra.
Podia eleger um palácio para a glória do nascimento, mas preferiu sem
mágoa a manjedoura simples.
Podia reclamar os príncipes da cultura para o seu ministério de paz e
redenção; contudo, preferiu pescadores singelos para instrumentos sublimes do seu
verbo de luz.
Podia articular defesa irresistível a fim de dominar a governança política;
no entanto, preferiu render-se à autoridade, presente em sua época, ensinando que
o homem deve entregar ao mundo o que ao mundo pertence, e a Deus o que é de
Deus.
Podia banir de pronto do colégio apostólico o amigo invigilante, mas
preferiu que Judas conseguisse os seus fins, lamentáveis e escusos, descerrando-lhe
aos pés o caminho melhor.
Podia erguer-se ao Sol da plena vida eterna, sem voltar-se jamais ao
convívio humilhante daqueles que o feriram nos tormentos da cruz; no entanto,
preferiu regressar para o mundo, estendendo de novo as mãos alvas e puras aos
ingratos da véspera.
Podia constranger o Espírito de Saulo a receber-lhe as ordens, mas preferiu
surgir-lhe qual companheiro anônimo, rogando-lhe acordar, meditar e servir, em
favor de si mesmo.
Em Cristo, fulge sempre a humildade celeste, pela qual aprendemos que,
quanto mais poder, mais amplo o trilho augusto aberto às nossas almas para que nos
façamos, não apenas humildes pelos padrões da Terra, mas humildes enfim pelos
padrões de Deus.
Emmanuel - Antologia Mediúnica do Natal - Capítulo 13 - Humildade
celeste
Chico Xavier e o Natal
40
3.2 Joanna de Angelis
3.2.1 Atualidade do Natal
Andando sem rumo, sob o flagício de mil aflições, o homem moderno deixa-
se dominar pelo desânimo ou pela ansiedade, malbaratando o valioso contributo da
inteligência e do sentimento com que a vida o enriqueceu, exaurindo-se, ora no
consumismo insensato, ora na revolta desastrada por falta de recursos econômicos
ou emocionais para realizar-se.
A insatisfação é a tônica do comportamento individual e social que vige na
Terra.
Aqueles indivíduos que experimentam carência de qualquer natureza,
lamentam-se e rebolcam-se na rebeldia que degenera em violência, enquanto
aqueloutros que se encontram afortunados, deixam-se dominar pelas extravagâncias
ou pelo tédio, derrapando, uns e outros, nas viciações perturbadoras ou na
dependência de substâncias químicas de funestas conseqüências.
As admiráveis conquistas da Ciência e da Tecnologia não os tornaram mais
felizes nem menos tensos, pelo contrário, empurraram-nos na direção trágica da
neurastenia ou da depressão nas quais estorcegam.
Indubitavelmente, trouxeram incomparável ajuda para a solução de diversos
sofrimentos e situações penosas, de progresso material e social, porém, não
conseguiram penetrar o cerne dos seres humanos, modificando-lhes as disposições
íntimas em relação à existência terrena e aos seus objetivos essenciais.
Considerando a vida apenas do ponto de vista material, sem as conseqüentes
avaliações em torno do Espírito imortal, o comportamento materialista domina as
mentes e os corações que acreditam na felicidade em forma de valores amoedados,
satisfações dos sentidos, destaque social e harmonia física ...
Vive-se o apogeu da glória tecnológica diante dos descalabros
comportamentais que jugulam os seres humanos aos estados primevos da evolução.
Há conquistas do Infinito sem realização pessoal, sorrisos de triunfo sem
sustentação de felicidade, que logo se transformam em esgares, situações invejáveis
mas alicerçadas na miséria, na doença e no desconforto das pessoas excluídas ...
Faltando-lhes, porém, a vivência dos compromissos ético-morais, logo se
lhes apresentam os desapontamentos íntimos e os conflitos se lhes instalam
devoradores.
Chico Xavier e o Natal
41
Uma tormenta inigualável paira nos céus da sociedade moderna,
ameaçando-a com tragédias inomináveis.
Em período idêntico, no passado, salvadas as distâncias compreensíveis,
veio Jesus à Terra.
O mundo encontrava-se conturbado pelo poder mentiroso, pela falácia dos
dominadores, pelas ambições desmedidas, pelas conquistas arbitrárias, pelas
ilusões tresvairadas ...
Predominavam o luxo e a ostentação em alguns segmentos da humanidade,
enquanto nos porões do abandono em que desfaleciam, incontáveis criaturas
espiavam angustiadas o passar do tufão devorador ...
Apareceu Jesus, e uma aragem abençoada varreu o mundo, modificando-lhe
a psicosfera.
Sua voz levantou-se para profligar contra o crime e a insensatez, contra a
indiferença dos fortes em relação aos seus irmãos mais fracos, contra a hipocrisia e
o egoísmo então vigentes e dominantes como hoje ocorrem ...
Misturando-se aos mutilados do corpo e da alma, ergueu-os do pó em que
se asfixiavam, conduzindo-os na direção da glória estelar, demonstrando-lhes que
a vida física é experiência transitória, e que os valores reais são os que pertencem
ao Espírito imortal.
Utilizou-se da cátedra da Natureza e ensinou a felicidade mediante o
desapego e o despojamento das alucinantes prisões às coisas e às paixões materiais.
Cantou a esperança aos ouvidos da angústia e proporcionou a saúde
temporária a quantos se Lhe acercaram, alentando-os com a certeza da plenitude
após vencidas as etapas de regeneração e de resgate que todos os seres se impõem
no processo da evolução.
Atendeu a dor de todos os matizes, defendeu os pobres e oprimidos, os
esfaimados e sedentos de justiça, aos quais ofereceu os preciosos recursos de paz.
No entanto, quando acusado, abandonado, marchando para o testemunho, elegeu o
silêncio, a submissão à vontade de Deus, a fim de ensinar pelo exemplo resignação
e misericórdia para com os maus e perversos, confirmando a indiferença pelos
valores do mundo físico destituídos de utilidade.
Chico Xavier e o Natal
42
... E permanece até hoje como o Triunfador não-conquistado, que prossegue
alentando os padecentes, convocando-os à transformação moral para melhor e à
conquista dos imperecíveis tesouros internos do amor, do perdão, da caridade, da
paz ...
Recorda-te de Jesus neste Natal, e reaproxima-te d'Ele, analisando como te
encontras e de que forma deverias estar moralmente, conscientizando-te do que já
fizeste e de quanto ainda podes e deves investir em favor de ti mesmo e do teu
próximo mais próximo, no lar, no trabalho, na rua, na humanidade ...
O Natal é presença constante do amor e do bem na atualidade de todos os
tempos.
Não te esqueças que a evocação do nascimento do Excelente Filho de Deus
entre as criaturas humanas, é um convite para que O permitas renascer no teu
íntimo, se estiver desaparecido da tua emoção, ou prosseguir vivo e atuante nos teus
sentimentos convidados à construção da solidariedade, do dever e da lídima
fraternidade que deve viger entre todos os seres sencientes que vagueiam no Planeta
... E deixa que Jesus te fale novamente à acústica do coração e aos
escaninhos da mente, repetindo-te o poema imortal das Bem-aventuranças.
Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 36 – Atualidade do
Natal
Chico Xavier e o Natal
43
3.2.2 Orando no Natal
Senhor!
Enquanto vibram as emoções festivas e muitos homens se banqueteiam,
evocando aquele Natal que Te trouxe à Terra, recolhemo-nos em silêncio para orar.
Há tanta dor no mundo, Senhor!
Os canhões calam os seus troares, momentaneamente, as bombas
destruidoras cessam de cair por alguns instantes, nos países em guerra, enquanto
nós oramos pelos que mercantilizam vidas, fomentando conflitos e beligerâncias
outras;
pelos que escorcham as populações esfaimadas sob leis impiedosas e
escravizantes;
pelos que se comprazem, como se fossem abutres em forma humana, com a
renda nefanda das casas do comércio carnal;
pelos que exploram os vícios e acumulam usuras com o fruto da alucinação
dos obsidiados ignorantes da própria enfermidade;
pelos que malsinam moçoilas e rapagotes inexperientes, deslumbrados com
o fastígio mentiroso da ilusão;
pelos que difundem a literatura perversa e favorecem a divulgação da
criminalidade;
pelos que fazem enlouquecer, através dos processos escusos, decorrentes da
cultura que perverte mentes e corações;
pelos que se locupletam com as moedas adquiridas mediante o infanticídio
hediondo; pelos que dormem para a dignidade e sorriem nos pesadelos do torpor
moral, que os invadem!
Senhor!
Diante das crianças tristonhas e dos velhinhos estropiados, dos enfermos ao
abandono e dos atormentados à margem da sociedade, lembramo-nos de rogar por
todos eles, mas não nos esquecemos de Te suplicar pelos causadores da miséria e
do infortúnio.
"Não sabem o que fazem!" - perdoa-os, Senhor!
Chico Xavier e o Natal
44
Neste Natal, evocando o momento em que as Altas Esferas seguiram contigo
à Terra, até o singelo recinto de animais, para o Teu mergulho na névoa dos homens,
esparze, novamente, misericórdia e esperança para todos, a fim de que o Ano Novo
seja, para sofredores e responsáveis pelo sofrimento, a antemanhã da Era do
Espírito Imortal, de que Te fizeste paradigma após o martírio da Cruz.
Joanna de Ângelis - Celeiro de Bênçãos – Cap. 11
Chico Xavier e o Natal
45
3.2.3 Ressonâncias do Natal
Na paisagem fria e sem melhor acolhimento, a única hospedaria à disposição
era a gruta modesta onde se guardavam os animais. Não havia outro lugar que O
pudesse receber.
O mundo, repleto de problemas e de vidas inquietas, preocupava-se com os
poderosos do momento e reservava distinções apenas para os que se refestelavam
no luxo, bem como no prazer.
Aos simples e desataviados sempre se dedicavam a indiferença, o
desrespeito, fechando-lhes as portas, dificultando-lhes os passos.
Mas hoje, tudo permanece quase que da mesma forma.
Não obstante, durante aquela noite de céu transparente e estrelado, entre os
animais domésticos, em uma pequena baia, usada como berço acolhedor, nasceu
Jesus, que transformou a estrebaria num cenário de luzes inapagáveis que
prosseguem projetando claridade na noite demorada dos séculos, em quase dois mil
anos...
Inaugurando a era da humildade e da renúncia, Jesus elegeu a simplicidade,
a fim de ensinar engrandecimento íntimo como condição única para a
felicidade real.
O Seu reino, que então se instalou naquela noite de harmonias cósmicas,
permanece ensejando oportunidades de redenção a todos quantos se resolvam
abrigar nas suas dependências.
E o Seu nascimento modesto continua produzindo ressonâncias históricas,
antes jamais previstas.
Homens e mulheres, que tomaram contato com Sua notícia e mensagem,
transformaram-se, mudando-se-lhes o roteiro de vida e o comportamento,
convertendo-se, a partir de então, em luzeiros que apontam rumos felizes para a
Humanidade.
*
Guerreiros triunfadores passaram pelo mundo desde aquela época,
inumeráveis.
Governantes poderosos estabeleceram reinos e impérios, que pareciam
preparados para a eternidade, e ruíram dolorosamente.
Chico Xavier e o Natal
46
Artistas e técnicos, de rara beleza e profundo conhecimento, criaram formas
e aparelhagens sofisticadas para tornarem a Terra melhor, e desapareceram.
Ditadores indomáveis e aristocratas incomuns surgiram no proscênio
terrestre, envergando posição, orgulho e superioridade, que o túmulo silenciou.
.... Estiveram, por algum tempo, deixando suas pegadas fortes, que tornaram
alguns odiados, outros rechaçados e sob o desprezo das gerações posteriores.
Jesus, porém, foi diferente.
Incompreendido, o Cantor do Amor aceitou a cruz, para não anuir com o
crime, e abraçou a morte para não se mancomunar com os mortos.
Por isso, ressurgiu, em triunfo e grandeza, permanecendo o Ser mais
perfeito que jamais esteve na Terra, como modelo que Deus nos ofereceu
para Guia.
*
Quando a Humanidade experimenta dores superlativas, quando a miséria
sócio-econômica assassina milhões de vidas que estertoram ao abandono; quando
enfermidades cruéis demonstram a fragilidade orgânica das criaturas; quando a
violência enlouquece e mata; quando os tóxicos arruínam largas faixas da juventude
mundial, ao lado de outros males que atestam a falência do materialismo, ressurge
a figura impoluta de Jesus, convidando à reflexão, ao amor e à paz, enquanto as
ressonâncias do Seu Natal falam em silêncio: Ele, que tem salvo vidas incontáveis,
pede para que tentes fazer algo, amando e libertando do erro pelo menos uma
pessoa.
Lembrando-te dEle, na noite de Natal, reparte bondade, insculpe-O no
coração e na mente, a fim de que jamais te separes dEle.
Joanna de Angelis - Momentos Enriquecedores – Cap. 10
Chico Xavier e o Natal
47
3.2.4 Insuperável Amor
O momento fazia-se grave e as circunstâncias apresentavam-se negativas.
Os ódios incidiam virulentos, grassando entre as várias facções que se
hostilizavam reciprocamente, somando-se contra o conquistador romano que
humilhava a raça, desrespeitando os costumes e as tradições mais antigas.
Intrigas e disputas cruéis acendiam vorazes desejos de vingança, a que se
atiravam, quanto lhes permitiam as oportunidades, dos homens fazendo chacais
sanquissedentos.
As esperanças de consolação e os anelos de paz cediam lugar ao desalento e à
revolta surda que ensombreciam as vidas.
O culto religioso repetia as fórmulas da ortodoxia longe dos sentimentos de
legítima adoração a Deus e de respeito ao homem, enquanto as ambições políticas
substituíam as expressões da verdadeira fraternidade.
A bajulação e o servilismo rebaixavam o homem às manifestações primárias
do atrevimento e da vil hipocrisia.
A dúvida e o desinteresse pelo "reino dos Céus" tomavam os lugares da fé
ardente e da fidelidade aos deveres espirituais, que ficavam à margem, nos cultos e
ritos externos, sem o sentido de profundidade.
O silêncio da Espiritualidade traduzia o abismo a que se arrojaram o povo e os
seus condutores tresvariados.
Nos momentos de maior provação Israel sempre ouvira a boca profeta e sentira
nas carnes da alma o apelo da Vida Triunfante através dos mais categorizados
Mensageiros.
Não agora, porém. A caravana dos desalentados era conduzida pela argúcia dos
ambiciosos desmedidos.
Este era o clima emocional e tais as condições dominantes nas vésperas do
Nascimento do Cristo.
Subitamente, na capital do Império, as musas corporificaram-se e um período
de prosperidade e beleza, de cultura e de arte distendeu-se sobre a Terra...
Mãos angélicas entreteciam a túnica de ternura para o noivado que logo se
iniciaria entre as criaturas sofredoras e o Amado. A belicosidade geral amainou e
os ventos de branda alegria começaram a soprar por toda a parte, amenizando a
ardência das paixões dissolventes.
Chico Xavier e o Natal
48
Nesse hiato de harmonia nasceu Jesus.
Na paisagem agridoce de uma noite fria e estrelada o Conquistador mergulhou
nos fluidos densos do mundo terrestre, a fim de que nunca mais houvesse sombras...
Discreto, como o sutil perfume das flores silvestres, impregnou a Natureza e
penetraria, pelo futuro afora, a sensibilidade das almas.
Nenhum alarde, nem anúncios bombásticos expressaram a Sua chegada.
Entre os animais domésticos e humildes pastores que O visitaram, deu início à
mais excepcional experiência de todos os tempos: a eloquente realização do amor
sem fronteiras nem dimensão.
As vozes que O cantaram foram percebidas somente na acústica da alma e
olhos que O identificaram estavam além das dimensões físicas.
Nunca mais a Sua presença seria diluída na mente humana ou na Terra.
Campeiem as misérias humanas ou triunfem as urdiduras temporárias do mal
da astúcia e da loucura; predominem as acirradas lutas da ignorância e da
arbitrariedade; permaneçam as encarniçadas paixões de domínio e orgulho, de
poder e glória passageira; Jesus é o vencedor da morte, do tempo, Vida
permanente expressando triunfo real.
Desde o Seu berço até hoje, por mais que se haja procurado sepultá-lO no
olvido, nas liturgias retumbantes, nos cultos da opulência, ou se deseja colocá-lO a
serviço dos interesses mesquinhos e subalternos, ei-lO renascendo sempre, pulcro
ideal, nos corações transformados em novas manjedouras de Belém, para que
não tarde demasiadamente o momento da união da criatura humana com Ele no Seu
reino de insuperável amor.
Joanna de Ângelis – Otimismo – Cap. 60
Chico Xavier e o Natal
49
3.2.5 Extremos de Amor
Exaltando o berço de palha humilde não esqueçamos a glória estelar da
crucificação.
O Natal é uma perene promessa, mas a Glória é uma grave advertência.
Na manjedoura inicia-se o messianato sublime, mas no acume do “morro da
Caveira” desdobra-se a tragédia que Ele soube transformar em estrada venturosa
para os que desejem segui-lO.
Na mansarda singela aparece aos homens; da cruz extenuante marcha para
Deus.
A estrebaria é o nadir da humildade e a cruz é o zénite do sacrifício.
Transitando entre um e outro extremo de amor, toda uma via de abnegação.
Sua vida são os Seus feitos, Seu pensamento os Seus conceitos de luz.
Com um grão de mostarda, Ele compôs uma balada sobre a fé; com o feixe
de varas, lecionou um tratado sobre a filosofia, a força da solidariedade e da união;
utilizando-se de redes, propôs um poema à abundância junto ao mar; com grãos de
trigo e com ramos de joio, entreteceu uma coroa de sabedoria com que nos adverte
sobre a perseverança e os cuidados em torno da gleba a joeirar.
Uma dracma perdida na Sua voz é uma canção de esperança, quando
encontrada por quem a busca; com incisão conclama à decisão entre Deus e
Mamon; na severidade contra a hipocrisia, modulou uma patética sobre os túmulos
caiados por fora, guardando podridão na intimidade.
E soube ativar a vida através da rearticulação de membros hirtos, de ouvidos
moucos, de olhos apagados, de língua sem movimentação, através de uma sonata
por meio da qual a Sua palavra se transformava em vida ante os que jaziam na
limitação e na dor.
Senhor dos Espíritos, jamais se utilizou da potência de que era investido
para os azorragar. Entrementes, abriu-lhes a alma com misericórdia,
encaminhando-os ao Pai em nome de quem falava na jornada messiânica da Terra.
Seus amigos eram discípulos dúbios uns débeis outros, fieis alguns. Todos,
porém, fascinados pela Sua pujante presença, pela Sua transparente bondade.
Jesus é um poema da vida, uma canção de amor. É a maior história dentro
da História da Humanidade, que a ultrapassa.
Chico Xavier e o Natal
50
Uma gruta e um céu descampado são os dois pontos culminantes de uma
vida que não começou no berço nem se esvaiu numa cruz.
Por isso, diante dEle, todos nos sentimos fremir, tocados pela Sua
magnânima presença que venceu os séculos de desolação, de dor, de crime, de
hediondez, em que se tentou ocultá-lO entre mentiras, fantasias e corrupções.
Ressurgindo desses escombros morais, Ele sempre saiu ileso qual o sol, Sol Divino
que é, clarificando cada madrugada, após a mentirosa vitória da noite em triunfo
efêmero.
Joanna de Ângelis – Oferenda – Cap. 23
Chico Xavier e o Natal
51
3.2.6 Festival de Amor
"Reina lá a verdadeira fraternidade, porque não há egoísmo; a verdadeira
igualdade, porque não há orgulho, e a verdadeira liberdade por não haver desordens
a reprimir, nem ambiciosos que procurem oprimir o fraco."
O CÉU E O INFERNO - 1ª parte - Capítulo 3º - Item 11.
Canta, alma, as bênçãos da fé viva na ação edificante do bem sem limite.
Não indagues qual a técnica perfeita da arte de ajudar.
Não esperes um curso especializado para o apostolado do melhor servir.
Abre os braços e agasalha a luz do dia no coração. Sai, depois, a dilatar
claridade em festa incessante de alegria.
Se te perguntarem porque, embora a dor que te oprime, sorris, responde, que
apesar do lodo junto à raiz, e por isso mesmo, o lírio esplendente de imaculada
alvura esparze aroma.
Se te interrogarem quanto à utilidade do teu mister, reflete no mecanismo
da vida, que transforma a abelha diligente em serva da tua mesa, e reparte a
grandeza do serviço beneficente.
Ama, e coroarás as horas de luz; serve, e adornarás o coração de intérmina
ventura.
No turbilhão do vozeiro moderno ausculta a pulsação do progresso e ouvirás
a rés-do-chão um débil gemido ou um choro cansado que não cessa; vasculhando a
noite com intensa expectativa identificarás homens fracos que o cansaço venceu;
flamando pelas rotas do abandono tropeçarás em retalhos de gente, emaranhados na
sarjeta do esquecimento, em trapos lodosos e despedaçados; vagueando nos lagos
onde a dor se agasalha verás o azeite da vida se acabando nos vasos ressequidos,
em que se transformaram organismos estiolados pela fome e pela enfermidade.
Muitos desses, ainda crianças, seriam os homens do amanhã que o presente
tudo faz por negar a oportunidade de avançarem na rota da jornada evolutiva.
A destinação histórica do futuro vai esmagada no frenesi teimoso do
"agora".
Escuta-os sem as palavras que não ousam articular e recebe-os no coração
sem exigências punitivas. Dês que os não podes levar para o lar que te agasalha,
sorri e ajuda-os como puderes, considerando que sempre podes fazer algo por eles.
Chico Xavier e o Natal
52
Se, todavia, te for possível recebê-los, ama-os como se fossem
enflorescências da tua carne.
Pouco te importe sejam grandes ou pequenos, os sofredores.
O amor verdadeiro não escolhe dimensão nem seleciona aparências. É
santificante concessão de Deus para enriquecimento da vida.
Urge fazeres algo por eles, os teimosamente abandonados do caminho:
órfãos dos teus olhos não os vias; aflitos, que em soluços junto à tua companhia,
não tinham ninguém...
Quando alguém ama realmente uma criança que recebe e lhe não pertence
pela carne, a humanidade consegue um crédito da vida.
Quando um espírito valoroso derrama a taça da afeição e do socorro legítimo
no gral de quem sofre, o mundo se engrandece com ele.
É graças a esses, os irmãos pequeninos e sofredores, que a esperança se
envolve de bênçãos e permanece entre as criaturas.
Faze da tua comunhão com o Cristo, a Quem dizes amar, um ato de
abnegação junto aos que necessitam de carinho, produzindo o teu nobre esforço ao
lado deles um excelente festival de amor.
Olhos marejados de pranto, além-da-sepultura fitam os filhos que ficaram
ou afetos que permaneceram na retaguarda e corações que não cessam de pulsar
embora a desencarnação, latejam em apressado ritmo, quando te acercas desses
filhos desses quereres...
Não justifiques enfermidade, se pretendes disfarçar a indiferença em que te
comprazes discretamente, nem te apegues aos sofrimentos da leviandade se queres
desculpar a impiedade que te cerceia os passos.
Os que hoje são pequenos amanhã crescerão. Evita avinagrares a água da
misericórdia que lhes ofereces, sem o azedume da infelicidade que dizes sofrer.
Talvez eles sejam o sorriso dos teus lábios, mais tarde, se souberes o que fazer.
Os que já viveram, sofrem e podem compreender.
Sai da tua enfermidade imaginária para a ação curadora e faze uma doação
de ternura, saudando neles, os amargurados que Jesus te apresenta, o sol formoso
do dia sem fim da tua Imortalidade.
Chico Xavier e o Natal
53
Quem O contemplasse entre as palhas ressequidas do berço improvisado não
suporia que ali estava o Rei do Orbe, e
quem se detivesse a contemplá-Lo coroado de espinhos, em extremo
ridículo, silencioso e triste, não acreditaria que era o Excelso Filho de Deus.
No entanto, foi entre aqueles dois polos, o berço e a cruz, que ele traçou a
ponte de libertação, instaurando, de logo, o primado do espírito, com o próprio
exemplo de renúncia total e total amor à humanidade de todos os tempos, de modo
a conduzir-te ainda hoje, na direção dos Cimos da Vida.
Joanna de Ângelis - Espírito e Vida – Cap. 41
Chico Xavier e o Natal
54
3.2.7 Ante o Amor
"625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe
servir de guia e modelo?"
Jesus
O LIVRO DOS ESPÍRITOS
Considerando a alta significação do Natal em tua vida, podes ouvir e atender
os apelos dos pequeninos esquecidos no grabato da orfandade ou relegados às
palhas da miséria, em memória de Jesus quando menino;
consegues compreender as dificuldades dos que caminham pela via da
amargura, experimentando opróbrio e humilhação e dás-lhes a mão em gesto de
solidariedade humana, recordando Jesus nos constantes testemunhos;
abres os braços em socorro aos enfermos, estendendo-lhes o medicamento
salutar ou o penso balsamizante, desejando diminuir a intensidade da dor, evocando
Jesus entre os doentes que O buscavam, infelizes;
ofereces entendimento aos que malograram moralmente e se escondem nos
recantos do desprezo social, procurando-os para os levantar, reverenciando Jesus
que jamais se furtou à misericórdia para os que os foram colhidos nas malhas da
criminalidade, muitas vezes sob o jugo de obsessões cruéis;
preparas a mesa, decoras o lar, inundas a família de alegrias e cercas os
amigos de mimos e carinho pensando em Jesus, o Excelente Amigo de todos...
Tudo isto é Natal sem dúvida, como mensagem festiva que derrama bênçãos
de consolo e amparo, espalhando na Terra as promessas de um Mundo Melhor, nos
padrões estabelecidos por Jesus através das linhas mestras do amor.
Há, todavia, muitos outros corações junto aos quais deverias celebrar o
Natal, firmando novos propósitos em homenagem a Jesus.
Companheiros que te dilaceraram a honra e se afastaram;
Amigos que se voltaram contra a tua afeição e se fizeram adversários;
conhecidos caprichosos que exigiram alto tributo de amizade e avinagraram
tuas alegrias;
irmãos na fé que mudaram o conceito a teu respeito e atiraram espinhos por
onde segues;
Chico Xavier e o Natal
55
colaboradores do teu ideal, que sem motivo se levantaram contra teu
devotamento, criando dissensão e rebeldia ao teu lado;
inimigos de ontem que se demoram inimigos hoje; difamadores que sempre
constituíram dura provação.
Todos eles são oportunidade para a celebração do Natal pelo teu sentimento
cristão e espírita.
Esquece os males que te fizeram e pede-lhes te perdoem as dificuldades que
certamente também lhes impuseste.
Dirige-lhes um cartão colorido para esmaecer o negrume da aversão que os
manteve em silêncio e à distância nos quais, talvez, inconscientemente te
comprazes.
Provavelmente alguns até gostariam de reatar liames...
Dá-lhes esta oportunidade por amor a Jesus, que a todo instante, embora
conhecendo os inimigos os amou sem cansaço, oferecendo-lhes ensejos de
recuperação.
O Natal é dádiva do Céu à Terra como ocasião de refazer e recomeçar.
Detém-te a contemplar as criaturas que passam apressadas.
Se tiveres olhos de ver percebê-las-ás tristes, sucumbidas, como se
carregassem pesados fardos, apesar de exibirem tecidos custosos e aparência
cuidada.
Explodem facilmente, transfigurando a face e deixando-se consumir pela
cólera que as vence implacavelmente.
Todas desejam compreensão e amor, entendimento e perdão, sem coragem
de ser quem compreenda ou ame, entenda ou perdoe.
Espalha uma nova claridade neste Natal, na senda por onde avanças na busca
da Vida.
Engrandece-te nas pequenas doações, crescendo nos deveres que poucos se
propõem executar.
Desde que já podes dar os valores amoedados e as contribuições do
entendimento moral, distribui, também, as jóias sublimes do perdão aos que te
fizeram ou fazem sofrer.
Chico Xavier e o Natal
56
Sentirás que Jesus, escolhendo um humílimo refúgio para viver entre os
homens semeando alegrias incomparáveis, nasce, agora, no teu coração como a
informar-te que todo dia é natal para quem o ama e deseja transformar-se em carta-
viva para anuncia-lo às criaturas desatentas e sofredoras do mundo.
Somente assim ouvirás no imo d’alma e entenderás a saudação inesquecível
dos anjos, na noite excelsa:
"Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade, para com os homens"
- vivendo um perene natal de bênçãos por amor a Jesus.
Joanna de Ângelis - Espírito e Vida – Cap. 60.
Chico Xavier e o Natal
57
3.2.8 Natal Íntimo
Pairam sobre a grave noite moral que se abate sobre a Humanidade as
promessas consoladoras de Jesus, enunciadas em época relativamente semelhante,
quando a estroinice e a miséria disputavam destaque, e o sofrimento, cavalgando o
poder usurpador de Roma, reduzia o mundo à ínfima condição de escravo.
O homem ensoberbecido pelas conquistas que o arrojaram para o mundo
exterior, estorcega-se nas constrições da angústia, padecendo os rudes efeitos da
descrença a que se entregou, olvidando Deus e a alma, enquanto entronizava o
corpo e as paixões dissolventes, em aventuras que se converteram em pesadelos
torpes.
Não obstante as reivindicações de paz que propõe, ainda espalha os focos
das guerras, e, embora fomente o progresso tecnológico, arroja-se aos desgastantes
campeonatos do prazer, entorpecendo os sentimentos e avançando na direção dos
despenhadeiros da loucura e do suicídio.
São estes os dias de opulência e de mesquinhez, de exuberância e escassez,
demonstrando que a única ética portadora de esperança é a do Evangelho.
A cultura enlouquecida prossegue ultrajando a consciência humana, porque
a ética permanece fundamentada no imediatismo dos interesses materiais.
*
Ante os paradoxos que se chocam, nos arraiais da civilização, o homem vê-
se impelido a examinar a vida com mais respeito e o seu próprio destino com melhor
raciocínio.
Nessa busca, inevitavelmente, descobrirá que é um ser imortal,
compreendendo que a proposta do momento é a mesma que ressuma do pensamento
cristão primitivo.
Nessa criatura, que se candidata à renovação, nasce Jesus, silenciosamente,
no seu íntimo, iniciando uma etapa nova.
Esse, qual ocorreu com aquele Natal há dois mil anos, iluminar-lhe-á a vida
e o conduzirá à plenitude, fazendo-o volver os olhos para o seu redor e experimentar
a solidariedade com os que sofrem, espalhando dádivas de esperança e de
misericórdia com que os felicitará, mudando a paisagem onde se encontram, ao
embalo das vozes angélicas, novamente repetindo o inesquecível refrão:
Chico Xavier e o Natal
58
“Glória a Deus nas alturas; paz na Terra e boa vontade para com os
homens!”
Joanna de Angelis - Alegria de Viver – Cap. Natal Íntimo
Joanna de Angelis – Revista Reformador - 1983 – Dezembro - Natal
Íntimo
Chico Xavier e o Natal - TEXTO
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  • 1. Chico Xavier e o Natal
  • 2. i Chico Xavier e o Natal SUMÁRIO 1 O Natal ...............................................................................................................................1 1.1 O Natal – visão Espiritual .........................................................................................1 2 O Natal de Chico Xavier...................................................................................................7 2.1 Chico Xavier e as peregrinações de Natal................................................................7 2.2 O Natal de Chico Xavier com Maria da Conceição................................................8 2.2.1 Maria da Conceição – O Depoimento ..................................................................8 2.2.2 Maria da Conceição – O Presente ......................................................................11 2.2.3 Maria da Conceição – O Passado .......................................................................14 2.2.4 Maria da Conceição – O Natal ...........................................................................16 2.2.5 Maria da Conceição – Passado/Presente – Cronologia ......................................20 2.2.5.1 O Presente.......................................................................................................20 2.2.5.2 O Passado........................................................................................................29 3 O Natal - Mensagens selecionadas.................................................................................30 3.1 Emmanuel.................................................................................................................30 3.1.1 Natal ...................................................................................................................30 3.1.2 O Natal do Cristo................................................................................................31 3.1.3 Rogativa de Natal ...............................................................................................33 3.1.4 Desce Elevando ..................................................................................................34 3.1.5 Algo mais no Natal.............................................................................................35 3.1.6 No Natal..............................................................................................................36 3.1.7 Natal II................................................................................................................37 3.1.8 Humildade Celeste..............................................................................................39 3.2 Joanna de Angelis ....................................................................................................40 3.2.1 Atualidade do Natal............................................................................................40 3.2.2 Orando no Natal .................................................................................................43 3.2.3 Ressonâncias do Natal........................................................................................45 3.2.4 Insuperável Amor ...............................................................................................47 3.2.5 Extremos de Amor..............................................................................................49 3.2.6 Festival de Amor ................................................................................................51 3.2.7 Ante o Amor.......................................................................................................54 3.2.8 Natal Íntimo........................................................................................................57 3.2.9 Natal de Amor ....................................................................................................59 3.3 André Luiz................................................................................................................62 3.3.1 Nas Orações de Natal .........................................................................................62
  • 3. ii Chico Xavier e o Natal 3.4 Humberto de Campos..............................................................................................63 3.4.1 Crônica de Natal.................................................................................................63 3.4.2 Na Glória do Natal..............................................................................................65 3.4.3 Natal Simbólico..................................................................................................67 3.4.4 O Encontro Divino .............................................................................................70 3.4.5 O Natal do Apóstolo...........................................................................................73 3.4.6 O Conquistador Diferente...................................................................................77 3.4.7 Oração de Natal ..................................................................................................80 3.5 Casemiro Cunha ......................................................................................................84 3.5.1 Bilhete de Natal ..................................................................................................84 3.6 Cornélio Pires...........................................................................................................85 3.6.1 Natal de Maria ....................................................................................................85 3.7 Maria Dolores...........................................................................................................86 3.7.1 Mensagem de Natal ............................................................................................86 3.8 Carmem Cinira ........................................................................................................87 3.8.1 Versos do Natal ..................................................................................................87 3.8.2 Súplica de Natal..................................................................................................89 3.9 Vianna de Carvalho.................................................................................................90 3.9.1 Ante o Príncipe da Paz .......................................................................................90 3.9.2 Inversão de Valores no Natal..............................................................................92 3.10 Meimei.......................................................................................................................96 3.10.1 Natal do Coração ................................................................................................96 3.11 Wallace Leal .............................................................................................................97 3.11.1 O Natal e o Santo Graal – A História de Sir Launfal .........................................97 3.12 Jácome Góes ...........................................................................................................103 3.12.1 Momento de Decisão........................................................................................103 3.12.2 Nascimento do Cristo .......................................................................................105 3.13 Rui Barbosa............................................................................................................106 3.13.1 Prece de Natal...................................................................................................106 4 Referências.....................................................................................................................109
  • 4. Chico Xavier e o Natal 1 1 O Natal 1.1 O Natal – visão Espiritual Rememorando o Natal, lembramo-nos de que Jesus é o Suprimento Divino à Necessidade Humana. Para o Sofrimento, é o Consolo; Para a Aflição, é a Esperança; Para a Tristeza, é o Bom Ânimo; Para o Desespero, é a Fé Viva; Para o Desequilíbrio, é o Reajuste; Para o Orgulho, é a Humildade; Para a Violência, é a Tolerância; Para a Vaidade, é a Singeleza; Para a Ofensa, é a Compreensão; Para a Discórdia, é a Paz; Para o Egoísmo, é a Renúncia; Para a Ambição, é o Sacrifício; Para a Ignorância, é o Esclarecimento; Para a Inconformação, é a Serenidade; Para a Dor, é a Paciência; Para a Angústia, é o Bálsamo; Para a Ilusão, é a Verdade; Para a Morte, é a Ressurreição. Se nos propomos, assim, aceitar o Cristo por Mestre e Senhor de nossos caminhos, é imprescindível recordar que o seu Apostolado não veio para os Sãos e, sim, para os antigos doentes da Terra, entre os quais nos alistamos... Buscando, pois, acompanhá-lo e servi-lo, façamos de nosso coração uma luz que possa inflamar-se ao toque de seu infinito amor, cada dia, a fim de que nossa tarefa ilumine com Ele a milenária estrada de nossas experiências, expulsando as sombras de nossos velhos enganos e despertando-nos o espírito para a glória imperecível da Vida Eterna. André Luiz - Os Dois Maiores Amores – Cap. 15
  • 5. Chico Xavier e o Natal 2 O Natal é dádiva do Céu à Terra como ocasião de refazer e recomeçar. Detém-te a contemplar as criaturas que passam apressadas. Se tiveres olhos de ver percebê-las-ás tristes, sucumbidas, como se carregassem pesados fardos, apesar de exibirem tecidos custosos e aparência cuidada. Explodem facilmente, transfigurando a face e deixando-se consumir pela cólera que as vence implacavelmente. Todas desejam compreensão e amor, entendimento e perdão, sem coragem de ser quem compreenda ou ame, entenda ou perdoe. Espalha uma nova claridade neste Natal, na senda por onde avanças na busca de Vida. Engrandece-te nas pequenas doações, crescendo nos deveres que poucos se propõem executar. Desde que já podes dar os valores amoedados e as contribuições do entendimento moral, distribui, também, as jóias sublimes do perdão aos que te fizeram ou fazem sofrer. Sentirás que Jesus, escolhendo um humílimo refúgio para viver entre os homens semeando alegrias incomparáveis, nasce, agora, no teu coração como a informar-te que todo dia é Natal para quem o ama e deseja transformar-se em Carta-Viva para anunciá-lo às criaturas desatentas e sofredoras do mundo. Somente assim ouviras no imo da alma e entenderás a saudação inesquecível dos anjos, na noite excelsa : “Gloria a Deus nas alturas, Paz na Terra, Boa Vontade, para com os Homens” – vivendo um perene Natal de benções por amor a JESUS. Joanna de Angelis – Espírito e Vida – Cap. 60 (...) NATAL NO MUNDO é a epopéia do reconhecimento ao Senhor. NATAL NO ESPÍRITO é a comunhão com Ele próprio. Ainda que te encontres em plena solidão na manjedoura do infortúnio, sai de ti mesmo e reparte com alguém o dom inefável de tua fé. Lembra-te de que Ele, em brilhando na manjedoura, tinha consigo apenas o amor a desfazer-se em humildade, e, em agonizando na cruz, possuía apenas o coração, a desfazer-se em renúncia...
  • 6. Chico Xavier e o Natal 3 Mas, usando tão-somente o coração e o amor, sem uma pedra onde repousar a cabeça, converteu-se no Salvador do Mundo, e, embora coroado de espinhos, fez-se o Rei das Nações para sempre. Meimei – Antologia Mediúnica de Natal – Cap. 71 Jesus é um poema da Vida, uma canção de Amor. É a maior história dentro da História da Humanidade, que a ultrapassa. Uma gruta e um céu descampado são os dois pontos culminantes de uma Vida que não começou no berço nem se esvaiu numa cruz. Com Jesus surgem novas condições: o PODEROSO é aquele que vence a si mesmo; o FRACO o que se submete às paixões; o VITORIOSO é quem supera as imperfeições e não se propõe predominar sobre os demais do caminho redentor. Joanna de Angelis – Oferenda – Cap. 23 & Cap. 42 (...) Anjo entre os anjos, faz-se pobre criança necessitada do arrimo de singelos pastores; Sábio entre os sábios, transforma-se em amigo anônimo de pescadores humildes, comungando-lhes a linguagem; Instrutor entre instrutores, detém-se, bondoso, entre enfermos e aflitos, crianças e mendigos abandonados, para abraçar-lhes a luta, e, Juiz dos juízes, não se revolta por sofrer no tumulto da praça o iníquo julgamento do povo que o prefere a Barrabás, para os tormentos imerecidos. Todavia, por descer, elevando quantos lhe não podiam compreender a refulgência da altura, é que se fez o Caminho de nossa Ascensão Espiritual, a Verdade de nosso gradativo Aprimoramento e a Vida de nossas vidas, a erguer-nos a alma entenebrecida no erro, para a Vitória da Luz. Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 28
  • 7. Chico Xavier e o Natal 4 Um só conquistador houve no mundo, diferente de todos pela singularidade de sua missão entre as criaturas. Não possuía legiões armadas, nem poderes políticos, nem mantos de gala. Nunca expediu ordens e soldados, nem traçou programas de dominação. Jamais humilhou e feriu. Cercou-se de cooperadores aos quais chamou "amigos". Dignificou a vida familiar, recolheu crianças desamparadas, libertou os oprimidos, consolou os tristes e sofredores, curou cegos e paralíticos. E, por fim, em compensação aos seus trabalhos, levados a efeito com humildade e amor; aceitou acusações para que ninguém as sofresse, submeteu-se à prisão para que outros não experimentassem a angústia do cárcere, conheceu o abandono dos que amava, separou-se dos seus, recebeu, sem revolta, ironias e bofetadas, carregou a cruz em que foi imolado e na sua morte passou por ser a de um ladrão. Mas, desde a última vitória no madeiro, tecida em perdão e misericórdia, consolidou o seu infinito poder sobre as almas, e, desde esse dia, Jesus Cristo, o conquistador diferente, começou a estender o seu divino império no mundo, prosseguindo no serviço sublime da edificação espiritual, no Oriente e no Ocidente, no Norte e no Sul, nas mais cariadas regiões do Planeta, erguendo uma Terra aperfeiçoada e feliz, que continua a ser construída, em bases de amor e concórdia, fraternidade e justiça, acima da sombria animalidade do egoísmo e das ruínas geladas da morte. Humberto de Campos - Antologia Mediúnica do Natal – Cap. 3
  • 8. Chico Xavier e o Natal 5 (...) Ele, porém, o Príncipe da Paz, que nascera na manjedoura, passou entre os homens, sem distintivos e sem palácios, sem ouro e sem legiões. Seu reinado foi a revelação do amor entre os simples. Suas armas foram, em todos os dias, a bondade e o perdão. Seu diadema foi a coroa de espinhos. Seu salário foi a morte afrontosa entre malfeitores. Por insígnia de poder, ofertou-se-lhe uma cana à guisa de cetro. E, por trono de realeza teve a cruz de sacrifício, que converteu na espada do mal, à ensarilhar-se para sempre no alto de um monte, como a dizer-nos que apensa no esquecimento voluntário das exigências de nosso “eu”, pelo engrandecimento constante do bem de todos é que poderemos atingir a senda do luminoso Reino de Deus. É por isso que, volvidos quase vinte séculos, ao recordar-lhe a suprema renúncia, saudamo-lo em profunda reverência, ainda hoje: Ave Cristo! Os que aspiram vencer a treva e a animalidade em si mesmos, a favor da verdadeira paz sobre a Terra, te glorificam e te saúdam. Vianna de Carvalho – Comandos do Amor – Cap. 1 Quem O contemplasse entre as palhas ressequidas do berço improvisado não suporia que ali estava o Rei do Orbe, e quem se detivesse a contemplá-Lo coroado de espinhos, em extremo ridículo, silencioso e triste, não acreditaria que era o Excelso Filho de Deus. No entanto, foi entre aqueles dois pólos, o berço e a cruz, que Ele traçou a Ponte de Libertação, instaurando, de logo, o primado do espírito, com o próprio exemplo de renúncia total e total amor à humanidade de todos os tempos, de modo a conduzir-te ainda hoje, na direção dos Cimos da Vida. Joanna de Angelis – Espírito e Vida – Cap. 41
  • 9. Chico Xavier e o Natal 6 Outrora, convertíamos a existência corpórea em instrumento de preservação da animalidade e do crime, depredando as promessas da luz, cristalizados que nos achávamos na furna de nossa própria miséria!... Hoje, porém, o Espiritismo é a nossa porta de trabalho para a benção do reajuste. Exumados da aflição e do nevoeiro que nos paralisavam os braços nos precipícios da sombra, somos agora trazidos pela Misericórdia d`Ele, Nosso Mestre e Senhor, à construção da felicidade humana que expressa nossa própria felicidade. É por isso que, convidados ao campo de abençoada luta, não podemos olvidar nossa responsabilidade maior... Cristo em Nós para que o Mundo se renove nas excelsas realidades do Espírito... Jesus – Em nosso Pensamento para que saibamos entender e ajudar; – Em nossas Palavras a fim de aprendamos a soerguer e auxiliar, ao invés de reprovar e ferir; – Em nossos Olhos e em nossos Ouvidos para que venhamos a encontrar o bem com o esquecimento do mal; – Em nossas Mãos a fim de que nos decidamos a converter as horas em cânticos de trabalho a favor do progresso comum... E, sobretudo, amigos, Cristo em nosso Coração para que a Boa Nova não seja um tema vazio em nossos lábios, mas sim a própria melodia do Céu a exprimir-se na Terra, onde estejamos, em nome da nossa fé, cultivando a fraternidade e a confiança, a paz e a beleza, em refulgente antecipação do Reino de Deus... Emmanuel – Através do Tempo – Cap. 34
  • 10. Chico Xavier e o Natal 7 2 O Natal de Chico Xavier 2.1 Chico Xavier e as peregrinações de Natal A distribuição natalina que Chico Xavier promovia, juntamente com diversos amigos, há vários anos, desde os tempos de Pedro Leopoldo, inspirou diversos grupos espíritas de todo o Brasil. As chamadas “repartições” de Natal constituem hoje o cartão de apresentação do trabalho assistencial desenvolvido pelos espíritas. (...) O próprio Chico fazia questão de entregar simbolicamente, algum dinheiro aos irmãos que têm, igualmente, as suas mãos osculadas por ele. Mas quem imagina que o Natal de Chico Xavier se restringe a essa grande distribuição que muitos interpretam erroneamente, estão equivocados. Na véspera de Natal, na noite do dia 24, sem que ninguém o veja, Chico sai com reduzido número de amigos para visitar aqueles que nem sequer podem se locomover de seus barracos… Acobertado pelo manto da noite, percorre vários bairros carentes de Uberaba, visitando pessoalmente, em nome de Jesus, os doentes, as viúvas, os filhos do infortúnio oculto… Além de levar algum presente para cada um, Chico conta casos, sorri com eles, lembra a sua infância, toma café e, depois de orar, segue em frente… Poucas pessoas sabem que Chico passa o Natal peregrinando. (...) Na simplicidade de suas atitudes está a grandeza do seu Espírito. Se a vida de Chico nas páginas abertas é bonita, nas páginas que ninguém conhece, naquelas que só o Senhor pode ler, ela é muito mais, porquanto o seu amor pelo Cristo é algo que transcende, se perdendo na noite insondável dos séculos… O Natal de Chico Xavier era assim… Carlos Antônio Baccelli - Chico Xavier Mediunidade e Coração
  • 11. Chico Xavier e o Natal 8 2.2 O Natal de Chico Xavier com Maria da Conceição 2.2.1 Maria da Conceição – O Depoimento Aqueles que se entregam às lides espiritistas encontram, comumente, surpresas consoladoras e emocionantes. Visitáramos, várias vezes, Maria da Conceição, pobre moça que renascera paralítica, muda e surda, vivendo por mais de meio século num catre de sofrimento, sob os cuidados de abnegada avó. Nunca lhe esqueceremos os olhos tristes, repletos de resignação e humildade, e que a morte cerrou em janeiro de 1954, como quem liberta dos grilhões da sombra infortunada criatura desde muito sentenciada a terríveis padecimentos. Pois foi Maria da Conceição a nossa visitante, no encerramento das tarefas da noite de 30 de junho de 1955. Amparada por Benfeitores da Espiritualidade, falou-nos em lágrimas de sua difícil experiência. Filhos de Deus, que a paz do Senhor seja a nossa luz. Enquanto permanecemos no corpo de carne, não conseguimos, por mais clara se nos faça a compreensão da justiça, apreender-lhe a grandeza em toda a extensão. Admitimos a existência do Inferno que pune os transgressores e acreditamos no braço vingador daqueles que se entregam ao papel de carrascos de quantos se renderam ao sorvedouro do crime. Raras vezes, porém, refletimos nos tormentos que a consciência culpada impõe a si própria, além-túmulo. Fascinados pelo mundo exterior, dormitamos ao aconchego da ilusão e não nos recordamos de que, um dia, virá o despertar no mundo de nós mesmos. A morte arranca-nos o véu em que nos ocultamos e ai de nós quando não temos por moldura espiritual senão remorso e arrependimento, vileza e degradação. Achamo-nos em plena nudez, diante do autojulgamento, e somente assinalamos os quadros e gritos acusadores que nascem de nossa própria alma, exprimindo maldição.
  • 12. Chico Xavier e o Natal 9 Nossos olhos nada mais veem senão o painel das lembranças amargas, os ouvidos não escutam outras palavras que não as do libelo por nós e contra nós, e, por mais vagueemos com a ligeireza do pensamento, através de milhares de quilômetros no espaço, encontramos simplesmente a nós mesmos, na vastidão do tempo, confinados ao escuro e estreito horizonte de nossa própria condenação. Os dias passam por nós como as vagas do mar, lambendo o rochedo na solidão que lhe é própria, até que os raios da Compaixão Divina nos dissipem as sombras, ensejando-nos a prece como caridosa luz que nos clareia a furna da inconsequência. É então que a Bondade do Senhor interfere na justiça, permitindo ao criminoso traçar mentalmente a correção que lhe é necessária. E o delinquente sempre escolhe a posição das vítimas que lhe sucumbiram às mãos, bendizendo a reencarnação expiatória que lhe faculta o reexame dos caminhos percorridos. Trazida até aqui por nossos Benfeitores, falo-vos de minha experiência. Sou a vossa irmã Conceição, que volta a fim de comentar convosco o impositivo da consciência tranquila perante a Lei. Administrais o esclarecimento justo às almas desgarradas do trilho reto e determinam nossos Instrutores vos diga a todos, encarnados e desencarnados, daquele esclarecimento vivo que nos é imposto pelas duras provas da vida, quando não assimilamos o valor da palavra enquanto é tempo!… Paralítica, surda, muda e quase cega, não era surda para as vozes que me acusavam, na profundez de minhas dores da consciência, não era paralítica para o pensamento que se movimentava a distância de minha cabeça flagelada, não era muda para as considerações que me saltavam do cérebro e nem cega para os quadros terrificantes do plano imaginativo… Dama vaidosa e influente da Corte de Filipe II, na Espanha inquisitorial, reapareci neste século, de corpo desfigurado, a mergulhar nos próprios detritos, corpo que era simplesmente a imagem torturada de minhalma, açoitada de angústia e emparedada nos ossos doentes, para redimir o passado delituoso. Durante mais de cinquenta anos sucessivos, por felicidade minha experimentei fome, frio, enfermidade e desprezo de meus semelhantes… Em toda a existência, como bênção de calor na carne devastada de sofrimento, não recebi senão a das lágrimas que me escorriam dos olhos…
  • 13. Chico Xavier e o Natal 10 Mas a doutrinação regeneradora que não recolhi da palavra de quantos me ampararam noutro tempo, com amoroso aviso, fui constrangida a assimilá-la sob o rude tacão de atrozes padecimentos. Quando a lição do Senhor é recusada por nossos ouvidos, ressurge invariável, em nós mesmos, na forma de provação necessária ao reajuste de nossos destinos. Dirigindo-me, assim, a vós outros que me conhecestes o leito atormentado no mundo e a vós que me escutais sem a vestimenta física, rogo devoção e respeito para com o socorro moral de Jesus através daqueles que lhe distribuem os dons de conhecimento e consolação. Quem alcança a verdade, sabe o que deve fazer. Submetamo-nos ao amor de Deus, enquanto há tempo de partilhar o tempo daqueles que mais amamos, a fim de que a dor não nos submeta, implacável, obrigando-nos a partilhar o tempo da dificuldade e da solidão. Essa tem sido para mim a mais severa advertência da vida. Com o Amparo Divino, entretanto, sinto que o meu novo dia nasceu. Aprendamos, pois, a ouvir e a refletir, sem jamais esquecer que o Amor reina, soberano, em todos os círculos do Universo, recordando, porém, que a Justiça cumprir-se-á, rigorosa, na senda de cada um. Maria da Conceição – Vozes do Grande Além – Cap. 3 – Ensinamento Vivo
  • 14. Chico Xavier e o Natal 11 2.2.2 Maria da Conceição – O Presente No ano de 1954, no mês de junho, eu [Divaldo Franco] me encontrava em Pedro Leopoldo. Como, na época, eu fazia viagens duas vezes por ano àquela cidade, na ocasião, no dia 20 de junho, ao terminarmos a reunião em que Chico Xavier psicografava, aos sábados à noite, depois do atendimento aos sofredores, nos arredores da sua cidade, ele me disse, enquanto caminhávamos na direção da residência do seu irmão André, que, naquela noite, experimentara um fenômeno muito especial. Estando desdobrado parcialmente, enquanto os Benfeitores psicografavam, havia recebido a visita de duas damas espanholas (encarnadas) que estavam recebendo a sua ajuda material durante a expiação redentora na atualidade, e vinham pedir-lhe para que não esquecesse de levar-lhes comida, porque ainda não havia terminado o seu resgate doloroso, mas a fome poderia interromper esse processo libertador, e que, no domingo — já era madrugada de domingo — à tarde, nós iríamos visitá-las. Chamavam-se Lia e Maria da Conceição as duas senhoras muito pobres que residiam ali próximo, num lugarzinho conhecido como a Lapinha. (...) Dirigimo-nos à Lapinha, um lugar muito humilde. Fazia muito frio, porque, àquela época, o inverno era rigoroso na região. Em ali chegando, saltamos, enquanto o Chico foi nos contando que o drama daquelas duas senhoras era tão grande que a sua genitora, antes de desencarnar, em 1914, já se referia que, toda vez quando experimentava grandes dores, encontrava conforto no testemunho de D. Lia e na coragem de Maria da Conceição. Isso havia ficado na sua memória, como resultado dos relatos maternos dentro de casa — ele era criança de três para quatro anos. Nunca mais ele ouviu falar sobre essas senhoras até que, mais ou menos pelos anos quarenta, Luísa, sua irmã mais velha, narrou a história de D. Lia, elucidando que essa senhora se havia casado com um homem portador de transtornos psiquiátricos muito graves. Naquela época, ela residia com a família em uma das fazendas em torno do Curral del Rei, quando esse senhor muito rico se apaixonou e pediu-a em casamento. O pai dela aquiesceu, e ela viu o futuro marido apenas nesse dia e no das bodas.
  • 15. Chico Xavier e o Natal 12 Ele levou-a para a sua propriedade, após o consórcio matrimonial, quando começou o calvário da senhora, porque, muito atormentado, entre os vários desvios de conduta, ele era portador de um ciúme mórbido, e depois que nasceu a primeira filha, desvairado, ele começou a atribuir que a menina não era sua filha e sim do capataz. Depois de mandar surrar o empregado e expulsá-lo da fazenda, ele queimou com tição de fogo as partes pudentas da mulher, para que ela ficasse impossibilitada de traí-lo outra vez com quem quer que fosse. D. Lia criou a filha com abnegação, com muito sofrimento, sem nunca sair daquela herdade. A filha casou-se, mais tarde, conforme os padrões da época, e foi morar com o seu marido em uma outra propriedade. Dois anos após, estando grávida, mandou pedir à mãe que fosse acompanhá- la no momento da délivrance e levasse também a aparadeira, uma parteira prática muito famosa que havia na região. Era a primeira vez que D. Lia saía de casa, para ir ajudar a filha numa situação muito grave. O parto foi muito difícil e, quando nasceu a criança, a parteira teve um choque muito grande, porque a menina apresentava anomalias teratológicas muito graves: a cabeça era normal, mas o corpo se apresentava retorcido como se fosse moldado por mãos impiedosas que lhe mudaram a estrutura. A parteira, assustada, mostrou-a à mãe, ainda no leito. A senhora teve uma crise de loucura e atirou a filha pela janela. Então D. Lia saiu correndo — a avó —, pegou a criança e desapareceu. Não se soube, durante muitos anos, do paradeiro das duas, até que as notícias começaram a aparecer, narrando a história dolorosa de uma senhora que carregava um monstro, pedindo esmolas pelas cidades interioranas próximas a Belo Horizonte. D. Luísa se lembrou que chegou a vê-las e contou isso ao irmão comovido. (...) Subimos o aclive e, quando ele bateu à porta, D. Lia abriu-a. Tratava-se de uma mulher nonagenária, e foi comovedor o encontro, porque ela o olhou, teve uma exclamação, informando: — Seu Chico, essa noite eu sonhei com vós.
  • 16. Chico Xavier e o Natal 13 Eu dizia: Venha trazer comida pra nós, seu Chico, que nós tá morrendo! Ele então olhou-me e sorriu, porque aí estava a confirmação do que nos houvera contado. Entramos. D. Luísa foi à cozinha, que era um pequeno vão ao lado, levar os alimentos e preparar um lanche, enquanto nós fomos ao outro quartinho. A cama era de varas, enfiadas no chão, com outras transversais, algum capim coberto com tecidos velhos, sujos, e um corpo, que não deveria ter mais do que seis palmos de uma mão adulta. A cabeça era perfeitamente normal. O cabelo, desgrenhado, não tinha nada a ver com aquele de que Chico falara. Como ele possuía beleza nos olhos e na alma! Eu olhei-a… era… engraçadinha…, mas não parecida à Rita Hayworth como ele havia definido. Nesse ínterim, ela se agitava, contorcia-se. Ele se acercou e disse-lhe: — Pois é, Maria da Conceição eu aqui estou. E acarinhou-lhe os cabelos. Ela precisava de higiene, porque era uma vez por semana que ele podia ir ajudá-la. De imediato pôs-se a conversar, acalmando-a, suavemente. Nesses comenos, D. Luísa veio da cozinha e, para que nós víssemos as deformidades da paciente, tirou o pano que a cobria. Foi a cena mais chocante que eu já vi. Era como se o corpo fosse retorcido, não exatamente como um parafuso, mas algo parecido, pequeno, com muitas limitações. Então ela gritou, e Chico elucidou: — Luísa, você sabe que ela tem pudor, cubra-a! Divaldo Franco - Caderno de mensagens – Cap. 2 - Encontro com Divaldo Pereira Franco
  • 17. Chico Xavier e o Natal 14 2.2.3 Maria da Conceição – O Passado No começo dos anos 50, ele [Chico Xavier] estava numa das suas reuniões de atividades mediúnico-doutrinárias, psicografando, quando, fora do corpo, ele viu adentrarem-se duas damas muito belas, vestidas ricamente, à espanhola, e que se lhe acercaram. Aquela que parecia ser a de mais idade perguntou-lhe em Espírito: — Você é o filho de D. Maria João de Deus, o Chico Xavier? Ele respondeu: — Sim, sou. — Pois é, sua mãe foi muito amiga nossa. Nós estamos reencarnadas, resgatando dolorosos crimes anteriormente cometidos. Encontramo-nos numa situação muito lamentável e D. Maria João de Deus sugeriu-me que viesse pedir-lhe socorro, porque você é dotado de sentimentos cristãos e de muita misericórdia. Nós estamos morando aqui próximo, na Lapinha, e precisamos de alimentos para que nossos corpos resistam à expiação. Você poderia nos visitar, Chico? Ele confirmou: — Mas com muito prazer. Ela então explicou-lhe que havia exercido, na corte de Felipe II, uma posição muito relevante, havendo sido mãe de uma personalidade de alta significação no clero, tendo contribuído com a sua ambição para atormentar pessoas que eram acusadas como dignas de processo inquisitorial, por heresia. Ela e sua filha, irmã, portanto, da alta personalidade clerical, beneficiavam- se das denúncias que eram feitas contra pessoas muito ricas, porque, segundo a lei da época, os bens passavam a pertencer ao Estado, que ficava com 50%, outra parte ia para a Igreja e a outra para o denunciante. Elas compraziam-se nisso, mas nunca se deram ao trabalho de ver como eram arrancadas as confissões das suas vítimas. Sabiam, no entanto, que eram por processos muito bárbaros, e que, ao desencarnarem os três — ela primeiro, o filho depois e a filha em último lugar —, tiveram o despertar da consciência e encontraram grande número das suas vítimas, que os infelicitaram de maneira impiedosa, quase hedionda.
  • 18. Chico Xavier e o Natal 15 A Misericórdia Divina, apiedada dos seus sofrimentos, trouxe-os a expiações dolorosas e, durante várias vezes, reencarnaram-se sob os espículos da lepra, mas esta, na qual se encontravam, seria a última fase de recuperação, e que elas pretendiam — porque o filho já estava redimido — coroar a jornada com muito êxito. Chico ficou muito sensibilizado e prometeu visitá-las. No dia seguinte, em companhia de D. Luísa, eles procuraram reunir alguns víveres do pouco que tinham e foram visitar o casebre de D. Lia e D. Conceição. Era uma dessas construções de pau-a-pique muito modesta, no cimo de um aclive, num lugarejo separado do aglomerado de casas. A partir de então, vez que outra, quando ele dispunha de qualquer recurso, comprava alimentos e ia levá-los às duas senhoras. D. Maria da Conceição era surda-muda, além da deformidade que apresentava no corpo. E era quase totalmente cega. Ela ouvia-o e sentia-o e os dois conversavam mentalmente. Quando ele se acercava, ela se agitava de felicidade, porque lhe percebia a presença. Então, com um jeito muito peculiar, ele disse-me: Pois é, eu sou o seu cabeleireiro. Eu sou o seu manicure. Sou eu que lhe corto os cabelos… lindos! Divaldo — ele me afirmou —, ela é linda! Parece Rita Hayworth. Estava na época de Gilda, a célebre Rita Hayworth. E eu, com a minha imaginação juvenil, naquela época, já mentalizei aquela mulher hollywoodiana, fascinante, começando a concebê-la, deslumbrante. — Agora o corpinho é deficiente, etc. — ele acrescentou, com um riso maroto. Divaldo Franco - Caderno de mensagens – Cap. 2 - Encontro com Divaldo Pereira Franco
  • 19. Chico Xavier e o Natal 16 2.2.4 Maria da Conceição – O Natal Voltamos a Pedro Leopoldo, já noite. Eu viajei de retorno a Salvador. No ano seguinte, no mês de março, quando eu retornei a Pedro Leopoldo, perguntei a Chico: — E D. Lia, nós iremos visitá-la? Ele me respondeu: — Ah, Divaldo, você não faz ideia do que aconteceu! Eu não lhe contei tudo. Naquele período, eu estava muito sofrido. A imprensa… as acusações descabidas, incompreensões dentro e fora de casa. Meu próprio pai não me entendia. Era muito severo com as pessoas que vinham conversar comigo. Às vezes, portava-se mal, dizendo que eu não era médium coisa nenhuma, embora não o fizesse por mal. Ele era vendedor de bilhetes da Loteria Federal, e afirmava que se eu fosse médium e se existissem Espíritos, esses dariam o número do bilhete para ele e acabávamos com a problemática da nossa pobreza. Ele não entendia a mediunidade. Eu estava, numa noite de Natal, muito amargurado! Sem ninguém, fisicamente. Luísa se encontrava com os seus filhos e esposo, no lar, e eu não queria perturbá-los. Os meus irmãos reuniam-se com as suas famílias modestas, e esse era o momento deles. Então, quando tomado pela tristeza e solidão, lembrei-me: Como estariam Lia e Conceição? E já que nós éramos, possivelmente, as pessoas mais isoladas que eu poderia identificar, mais solitárias, resolvi visitá-las. Tomei um táxi e fui correndo até a Lapinha. Quando eu saltei do veículo e me aproximei do outeiro, eu vi uma espécie de “spot light”, que descia de um ponto, que eu não podia identificar, do Infinito, salpicado de estrelas. Estrelas matizadas cobriam aquela choupana modesta.
  • 20. Chico Xavier e o Natal 17 Quando eu me acerquei, à porta estava Eurípedes Barsanulfo, porém com a indumentária de Rufus. Estava ali Rufus, o bem-aventurado, porque, se ele já era cristão desse jaez àquela época, o seu ministério de apóstolo sacramentano era natural (numa preparação para as tarefas do Chico no mundo social pela mesma região triangulina). E, então, era o Natal mais lindo que se podia imaginar. Vozes, entoando hinos, e as duas, que uma visão apressada poderia confundir com obsidiadas. Então, ele passou o Natal mais feliz da sua atual existência. A partir daquela vez, toda época de Natal, quando terminava as tarefas, ele ia à casa de D. Lia e de D. Conceição. Dando continuidade à resposta, ele me informou: — Pois é, eu estava, no mês de janeiro último, psicografando, quando Dr. Bezerra se me acercou, solicitando-me: — “Chico, assim que termine as atividades programadas, não dialogue com os nossos irmãos, porque Maria da Conceição está voltando ao Grande Lar. Já estamos operando o processo de libertação do Espírito, desimantando-o dos liames materiais e, logo, dentro de duas horas, no máximo, ela estará conosco. Gostaríamos que você fosse participar desse momento. Ele terminou o trabalho, desculpou-se, tomou um automóvel, seguiu à Lapinha e, então, comoveu-se com a mesma presença feérica de Entidades nobres, que ali visitavam o casebre modesto, e acompanhou o momento em que o próprio Dr. Bezerra de Menezes desenovelou a moribunda, agindo no centro coronário, liberando-a dos últimos vínculos com a matéria. Desprendendo-se, ela reconheceu-o, sorriu, e foi conduzida pelo Benfeitor para o mundo espiritual. Ante a nova realidade, ele ficou numa conjuntura dolorosa. Que fazer agora com D. Lia, que já estava com mais de noventa anos? Sepultou D. Maria da Conceição e levou D. Lia para Pedro Leopoldo.
  • 21. Chico Xavier e o Natal 18 Alugou um quartinho, próximo da sua casa, para dar-lhe assistência, mandou comunicar ao Dr. Pereira de Andrade e, mais ou menos, quinze dias após, também num sábado pela madrugada de domingo, o venerando Guia convidou-o, novamente, explicando-lhe: — Estamos retirando Lia do invólucro carnal. Conceição veio buscá-la, o filho e alguns beneficiários hoje dos seus sofrimentos, dos seus testemunhos dolorosos encontram-se presentes. Terminada a reunião, nós o aguardamos. Concluída a reunião, ele correu à nova residência da anciã e, de longe, viu sobre aquela ruela sem saída, as luzes e a movimentação de Entidades nobres, ouvindo um coral, que houvera escutado anteriormente, quando a irmã desencarnou, que entoava um hino à vida. Quando D. Lia foi retirada do corpo, ele anotou, como houvera feito por ocasião da desencarnação, o poema de exaltação da Vida, que diz, em parte: Rasgaram-se os véus da noite, Novo dia resplandece, Viajor, descansa em prece Ao lado da própria cruz. No horizonte rebrilha Nova aurora matutina, Pois a morte descortina Dia novo com Jesus. A música continuava, e ele ainda pôde ver D. Lia sorrir-lhe, sem possibilidade de agradecer-lhe, ser retirada do corpo, levada para o mundo de origem. Poucos dias depois de desencarnada, ela retornou, trazendo a netinha, que falecera com cinquenta e cinco anos de idade, mais ou menos, a qual então transmitiu uma mensagem de rara beleza, por psicofonia, que se encontra no livro “Vozes do Grande Além” [Ensinamento Vivo], publicado pela FEB, organizado por Arnaldo Rocha, resultado das sessões mediúnicas do Grupo Meimei, de Pedro Leopoldo, entre 1952-1956. Divaldo Franco - Caderno de mensagens – Cap. 2 - Encontro com Divaldo Pereira Franco
  • 22. Chico Xavier e o Natal 19 Rufus: Para quem não se recorda ou não leu o livro Ave Cristo!, ditado por Emmanuel, Rufus era um escravo, que, no século II, na cidade de Lyon, deu seu testemunho de fé, quando Taciano mandou matar os cristãos que viviam na então chamada Gália Lugdunense. A morte de Rufus foi muito dolorosa, porque ele foi amarrado à cauda de um potro bravio, para sair em disparada e despedaçá-lo. Quando Rufus estava nessa situação pungente, recordou-se que a esposa e os filhinhos haviam sido vendidos a um mercador de escravos. Ele reflexionava em agonia: Jesus, que fazer? Eu poderei acabar com esta situação se abjurar à fé por amor a meus filhos e à minha mulher. Mas, que fazer? Ser fiel a Jesus… A minha vida eu a dou, mas a dos meus filhos e da companheira? Assim mesmo ele optou por permanecer fiel a Jesus. Nesse transe, que são alguns segundos e parecem horas, o homem que comprara a sua família como escravos acercou-se e deu-lhe uma bofetada. Ao fazê-lo, abaixou-se e ciciou-lhe ao ouvido: Morre em paz. Eu também sou cristão. Cuidarei da tua família. Ele então se entregou a Deus. E o Chico me narraria, depois, que os pedaços de Rufus ficaram pelas estradas, e que ele viu, psiquicamente, e essa parte não consta no livro, o sepultamento dos despojos recolhidos pelos seus irmãos de fé naquela noite, conduzindo archotes e cantando hinos de exaltação ao Bem.
  • 23. Chico Xavier e o Natal 20 2.2.5 Maria da Conceição – Passado/Presente – Cronologia 2.2.5.1 O Presente  1860 – BRASIL - Lia Nascimento – Curral Del Rei  1880 – Lia Casamento − esposo distúrbios mentais, obsedado, ciúme doentio, marcada a fogo, prisioneira no Lar  1900 – Casamento da Filha  1902 – Nascimento da Neta (Maria da Conceição) − deficiente física, surda, muda quase cega − repudiada pela Mãe, acolhida pela Avó e fuga com ela. “O parto foi muito difícil e, quando nasceu a criança, a parteira teve um choque muito grande, porque a menina apresentava anomalias teratológicas muito graves: a cabeça era normal, mas o corpo se apresentava retorcido como se fosse moldado por mãos impiedosas que lhe mudaram a estrutura. A parteira, assustada, mostrou-a à mãe, ainda no leito. A senhora teve uma crise de loucura e atirou a filha pela janela. Então D. Lia saiu correndo — a avó —, pegou a criança e desapareceu”. Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2 “Paralítica, surda, muda e quase cega, não era surda para as vozes que me acusavam, na profundez de minhas dores da consciência, não era paralítica para o pensamento que se movimentava a distância de minha cabeça flagelada, não era muda para as considerações que me saltavam do cérebro e nem cega para os quadros terrificantes do plano imaginativo…” “Durante mais de cinquenta anos sucessivos, por felicidade minha experimentei fome, frio, enfermidade e desprezo de meus semelhantes… Em toda a existência, como bênção de calor na carne devastada de sofrimento, não recebi senão a das lágrimas que me escorriam dos olhos…” Maria da Conceição – Vozes do Grande Além – Cap. 3
  • 24. Chico Xavier e o Natal 21  1950 – CHICO XAVIER e A IRMÃ LUÍSA − 1º Visita – duas personalidades em desdobramento – Lia (Avó) e Maria da Conceição − Veio indicada pela Mãe do Chico Xavier “No começo dos anos 50, ele [Chico Xavier] estava numa das suas reuniões de atividades mediúnico-doutrinárias, psicografando, quando, fora do corpo, ele viu adentrarem-se duas damas muito belas, vestidas ricamente, à espanhola, e que se lhe acercaram. Aquela que parecia ser a de mais idade perguntou-lhe em Espírito: — Você é o filho de D. Maria João de Deus, o Chico Xavier? Ele respondeu: — Sim, sou. — Pois é, sua mãe foi muito amiga nossa. Nós estamos reencarnadas, resgatando dolorosos crimes anteriormente cometidos. Encontramo-nos numa situação muito lamentável e D. Maria João de Deus sugeriu-me que viesse pedir- lhe socorro, porque você é dotado de sentimentos cristãos e de muita misericórdia. Nós estamos morando aqui próximo, na Lapinha, e precisamos de alimentos para que nossos corpos resistam à expiação. Você poderia nos visitar, Chico?”. Chico ficou muito sensibilizado e prometeu visita-las. No dia seguinte, em companhia de D. Luísa [irmã do Chico Xavier], eles procuraram reunir alguns víveres do pouco que tinham e foram visitar o casebre de D. Lia e D. Conceição. Era uma dessas construções de pau-a-pique muito modesta, no cimo de um aclive, num lugarejo separado do aglomerado de casas. A partir de então, vez que outra, quando ele dispunha de qualquer recurso, comprava alimentos e ia leva-los às duas senhoras”. Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
  • 25. Chico Xavier e o Natal 22  1954 – JUNHO/20 – SÁBADO – CHICO XAVIER/DIVALDO FRANCO − 2º Visita – duas personalidades espanholas em desdobramento – Lia e Maria da Conceição − Pedir comida − Bairro Lapinha/Pedro Leopoldo “Estando [Chico Xavier] desdobrado parcialmente, enquanto os Benfeitores psicografavam, havia recebido a visita de duas damas espanholas (encarnadas) que estavam recebendo a sua ajuda material durante a expiação redentora na atualidade, e vinham pedir-lhe para que não esquecesse de levar-lhes comida, porque ainda não havia terminado o seu resgate doloroso, mas a fome poderia interromper esse processo libertador, e que, no domingo — já era madrugada de domingo — à tarde, nós iríamos visita-las.” “(...) Subimos o aclive e, quando ele bateu à porta, D. Lia abriu-a. Tratava- se de uma mulher nonagenária, e foi comovedor o encontro, porque ela o olhou, teve uma exclamação, informando: — Seu Chico, essa noite eu sonhei com vós. Eu dizia: Venha trazer comida pra nós, seu Chico, que nós tá morrendo! Ele então olhou-me [Divaldo Franco] e sorriu, porque aí estava a confirmação do que nos houvera contado. Entramos. D. Luísa foi à cozinha, que era um pequeno vão ao lado, levar os alimentos e preparar um lanche, enquanto nós fomos ao outro quartinho. A cama era de varas, enfiadas no chão, com outras transversais, algum capim coberto com tecidos velhos, sujos, e um corpo, que não deveria ter mais do que seis palmos de uma mão adulta. A cabeça era perfeitamente normal. O cabelo desgrenhado, não tinha nada a ver com aquele de que Chico falara. (...) Nesses comenos, D. Luísa veio da cozinha e, para que nós víssemos as deformidades da paciente, tirou o pano que a cobria. Foi a cena mais chocante que eu já vi. Era como se o corpo fosse retorcido, não exatamente como um parafuso, mas algo parecido, pequeno, com muitas limitações. Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
  • 26. Chico Xavier e o Natal 23  1954 – DEZEMBRO/24 – NATAL – RUFUS/EURÍPEDES BARSANULFO “Eu estava, numa noite de Natal, muito amargurado! Sem ninguém, fisicamente. Luísa se encontrava com os seus filhos e esposo, no lar, e eu não queria perturbá-los. Os meus irmãos reuniam-se com as suas famílias modestas, e esse era o momento deles. Então, quando tomado pela tristeza e solidão, lembrei-me: Como estariam Lia e Conceição? E já que nós éramos, possivelmente, as pessoas mais isoladas que eu poderia identificar, mais solitárias, resolvi visita-las. Tomei um táxi e fui correndo até a Lapinha. Quando eu saltei do veículo e me aproximei do outeiro, eu vi uma espécie de “spot light”, que descia de um ponto, que eu não podia identificar, do Infinito, salpicado de estrelas. Estrelas matizadas cobriam aquela choupana modesta. Quando eu me acerquei, à porta estava Eurípedes Barsanulfo, porém com a indumentária de Rufus. Estava ali Rufus, o bem-aventurado, porque, se ele já era cristão desse jaez àquela época, o seu ministério de apóstolo sacramentano era natural (numa preparação para as tarefas do Chico no mundo social pela mesma região triangulina). E, então, era o Natal mais lindo que se podia imaginar. Vozes, entoando hinos, e as duas, que uma visão apressada poderia confundir com obsidiadas. Então, ele passou o Natal mais feliz da sua atual existência”. Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
  • 27. Chico Xavier e o Natal 24  1955 – JANEIRO – DESENCARNE – MARIA DA CONCEIÇÃO/BEZERRA DE MENESES “Pois é, eu estava, no mês de janeiro último, psicografando, quando Dr. Bezerra se me acercou, solicitando-me: — “Chico, assim que termine as atividades programadas, não dialogue com os nossos irmãos, porque Maria da Conceição está voltando ao Grande Lar. Já estamos operando o processo de libertação do Espírito, desimantando-o dos liames materiais e, logo, dentro de duas horas, no máximo, ela estará conosco. Gostaríamos que você fosse participar desse momento. Ele terminou o trabalho, desculpou-se, tomou um automóvel, seguiu à Lapinha e, então, comoveu-se com a mesma presença feérica de Entidades nobres, que ali visitavam o casebre modesto, e acompanhou o momento em que o próprio Dr. Bezerra de Menezes desenovelou a moribunda, agindo no centro coronário, liberando-a dos últimos vínculos com a matéria”. Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2  1955 – FEVEREIRO – DESENCARNE – LIA/BEZERRA DE MENESES “Mais ou menos, quinze dias após [o desencarne de Maria da Conceição], também num sábado pela madrugada de domingo, o venerando Guia convidou-o, novamente, explicando-lhe: — Estamos retirando Lia do invólucro carnal. Conceição veio busca-la, o filho e alguns beneficiários hoje dos seus sofrimentos, dos seus testemunhos dolorosos encontram-se presentes. Terminada a reunião, nós o aguardamos. Concluída a reunião, ele correu à nova residência da anciã e, de longe, viu sobre aquela ruela sem saída, as luzes e a movimentação de Entidades nobres, ouvindo um coral, que houvera escutado anteriormente, quando a irmã desencarnou, que entoava um hino à vida. Quando D. Lia foi retirada do corpo, ele anotou, como houvera feito por ocasião da desencarnação, o poema de exaltação da Vida (Hino do Repouso), que diz :
  • 28. Chico Xavier e o Natal 25 Rasgaram-se os véus da noite… Novo dia resplandece. Viajor, descansa em prece Ao lado da própria cruz. No firmamento dourado Rebrilha a aurora divina, Porque a morte descortina Vida nova com Jesus. Esquece a aflição do mundo! No seio da crença, olvida Todas as sombras da vida, Todo sonho enganador… Sob a bênção da alegria, Na esperança que te veste, És a andorinha celeste Voltando ao ninho de amor. Repete, agora conosco — “Bendita a dor santa e pura Que me deu tanta amargura E tanta consolação”. E orando, em paz, no repouso, De alma robusta e contente, Agradece alegremente A própria libertação. Descansa! que além da sombra, Outra alvorada te espera! Abençoa a nova Esfera A que o Senhor nos conduz. Dilatarás, muito em breve, Todo o júbilo que vazas, Desdobrando as próprias asas No Reino da Eterna Luz! Cartas do Coração – 2º Parte – Cap. 5 – Hino do Repouso
  • 29. Chico Xavier e o Natal 26 A música continuava, e ele ainda pôde ver D. Lia sorrir-lhe, sem possibilidade de agradecer-lhe, ser retirada do corpo, levada para o mundo de origem. Poucos dias depois de desencarnada, ela retornou, trazendo a netinha, que falecera com cinquenta e cinco anos de idade, mais ou menos, a qual então transmitiu uma mensagem de rara beleza, por psicofonia, que se encontra no livro “Vozes do Grande Além” [Ensinamento vivo], publicado pela FEB, organizado por Arnaldo Rocha, resultado das sessões mediúnicas do Grupo Meimei, de Pedro Leopoldo, entre 1952/1956. Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
  • 30. Chico Xavier e o Natal 27  1955 – JUNHO – DEPOIMENTO/GRUPO MEIMEI – LIA Filhos de Deus, que a paz do Senhor seja a nossa luz. Enquanto permanecemos no corpo de carne, não conseguimos, por mais clara se nos faça a compreensão da justiça, apreender-lhe a grandeza em toda a extensão. Admitimos a existência do Inferno que pune os transgressores e acreditamos no braço vingador daqueles que se entregam ao papel de carrascos de quantos se renderam ao sorvedouro do crime. Raras vezes, porém, refletimos nos tormentos que a consciência culpada impõe a si própria, além-túmulo. Fascinados pelo mundo exterior, dormitamos ao aconchego da ilusão e não nos recordamos de que, um dia, virá o despertar no mundo de nós mesmos. A morte arranca-nos o véu em que nos ocultamos e ai de nós quando não temos por moldura espiritual senão remorso e arrependimento, vileza e degradação. Achamo-nos em plena nudez, diante do autojulgamento, e somente assinalamos os quadros e gritos acusadores que nascem de nossa própria alma, exprimindo maldição. Nossos olhos nada mais veem senão o painel das lembranças amargas, os ouvidos não escutam outras palavras que não as do libelo por nós e contra nós, e, por mais vagueemos com a ligeireza do pensamento, através de milhares de quilômetros no espaço, encontramos simplesmente a nós mesmos, na vastidão do tempo, confinados ao escuro e estreito horizonte de nossa própria condenação. Os dias passam por nós como as vagas do mar, lambendo o rochedo na solidão que lhe é própria, até que os raios da Compaixão Divina nos dissipem as sombras, ensejando-nos a prece como caridosa luz que nos clareia a furna da inconsequência. É então que a Bondade do Senhor interfere na justiça, permitindo ao criminoso traçar mentalmente a correção que lhe é necessária. E o delinquente sempre escolhe a posição das vítimas que lhe sucumbiram às mãos, bendizendo a reencarnação expiatória que lhe faculta o reexame dos caminhos percorridos. Trazida até aqui por nossos Benfeitores, falo-vos de minha experiência.
  • 31. Chico Xavier e o Natal 28 Sou a vossa irmã Conceição, que volta a fim de comentar convosco o impositivo da consciência tranquila perante a Lei. Administrais o esclarecimento justo às almas desgarradas do trilho reto e determinam nossos Instrutores vos diga a todos, encarnados e desencarnados, daquele esclarecimento vivo que nos é imposto pelas duras provas da vida, quando não assimilamos o valor da palavra enquanto é tempo!… (...) Mas a doutrinação regeneradora que não recolhi da palavra de quantos me ampararam noutro tempo, com amoroso aviso, fui constrangida a assimilá-la sob o rude tacão de atrozes padecimentos. Quando a lição do Senhor é recusada por nossos ouvidos, ressurge invariável, em nós mesmos, na forma de provação necessária ao reajuste de nossos destinos. Dirigindo-me, assim, a vós outros que me conhecestes o leito atormentado no mundo e a vós que me escutais sem a vestimenta física, rogo devoção e respeito para com o socorro moral de Jesus através daqueles que lhe distribuem os dons de conhecimento e consolação. Quem alcança a verdade, sabe o que deve fazer. Submetamo-nos ao amor de Deus, enquanto há tempo de partilhar o tempo daqueles que mais amamos, a fim de que a dor não nos submeta, implacável, obrigando-nos a partilhar o tempo da dificuldade e da solidão. Essa tem sido para mim a mais severa advertência da vida. Com o Amparo Divino, entretanto, sinto que o meu novo dia nasceu. Aprendamos, pois, a ouvir e a refletir, sem jamais esquecer que o Amor reina, soberano, em todos os círculos do Universo, recordando, porém, que a Justiça cumprir-se-á, rigorosa, na senda de cada um. Maria da Conceição – Vozes do Grande Além – Cap. 3 – Ensinamento Vivo
  • 32. Chico Xavier e o Natal 29 2.2.5.2 O Passado  1560 - ESPANHA − Reinado de Felipe II da Espanha − Damas da Corte – Mãe, filha e filho (cardeal) − Inquisição Espanhola – delatoras − Arnaldo Rocha = Duque de Alba, Meimei = Condessa de Alba, Chico Xavier = jovem aristocrática francesa protegida da Condessa de Nemours = Esmeralda Barros/Noite de São Bartolomeu “Ela [Lia] então explicou-lhe que havia exercido, na corte de Felipe II, uma posição muito relevante, havendo sido mãe de uma personalidade de alta significação no clero, tendo contribuído com a sua ambição para atormentar pessoas que eram acusadas como dignas de processo inquisitorial, por heresia. Ela e sua filha, irmã, portanto, da alta personalidade clerical, beneficiavam- se das denúncias que eram feitas contra pessoas muito ricas, porque, segundo a lei da época, os bens passavam a pertencer ao Estado, que ficava com 50%, outra parte ia para a Igreja e a outra para o denunciante. Elas compraziam-se nisso, mas nunca se deram ao trabalho de ver como eram arrancadas as confissões das suas vítimas”. Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2 “Dama vaidosa e influente da Corte de Filipe II, na Espanha inquisitorial, reapareci neste século, de corpo desfigurado, a mergulhar nos próprios detritos, corpo que era simplesmente a imagem torturada de minhalma açoitada de angústia e emparedada nos ossos doentes, para redimir o passado delituoso. Maria da Conceição – Vozes do Grande Além – Cap. 3  1600/1700 – Reencarnações Expiatórias “A Misericórdia Divina, apiedada dos seus sofrimentos, trouxe-os a expiações dolorosas e, durante várias vezes, reencarnaram-se sob os espículos da lepra, mas esta reencarnação, na qual se encontravam, seria a última fase de recuperação, e que elas pretendiam — porque o filho já estava redimido — coroar a jornada com muito êxito”. Divaldo Franco – Caderno de Mensagens – Cap. 2
  • 33. Chico Xavier e o Natal 30 3 O Natal - Mensagens selecionadas 3.1 Emmanuel 3.1.1 Natal As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande Renovador, não apresentaram qualquer palavra de violência. Glória a Deus no Universo Divino. Paz na Terra. Boa-vontade para com os Homens. O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranquilidade ao mundo, não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir. Nem castigo ao rico avarento. Nem punição ao pobre desesperado. Nem desprezo aos fracos. Nem condenação aos pecadores. Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso. Nem anátema contra o gentio inconsciente. Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço da Boa-Vontade. A justiça do “olho por olho” e do “dente por dente” encontrara, enfim, o Amor disposto à sublime renuncia até à cruz. Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria, assinalaram júbilo inexprimível... Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria. O algoz seria digno de piedade. O inimigo converter-se-ia em irmão transviado. O criminoso passaria à condição de doente. Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. Em Sidon, os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores. Em Jerusalém, os enfermos não mais seriam relegados ao abandono nos vales de imundície. Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a, transitou vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento. Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos, recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros. Natal! Boa Nova! Boa-Vontade!... Estendamos a simpatia para com todos e comecemos a viver realmente com Jesus, sob os esplendores de um novo dia. Emmanuel – Antologia Mediúnica do Natal – Cap. 17
  • 34. Chico Xavier e o Natal 31 3.1.2 O Natal do Cristo A Sabedoria da Vida situou o Natal de Jesus frente do Ano Novo, na memória da Humanidade, como que renovando as oportunidades do amor fraterno, diante dos nossos compromissos com o Tempo. Projetam-se anualmente, sobre a Terra os mesmos raios excelsos da Estrela de Belém, clareando a estrada dos corações na esteira dos dias incessantes, convocando-nos a alma, em silêncio, à ascensão de todos os recursos para o bem supremo. A recordação do Mestre desperta novas vibrações no sentimento da Cristandade. Não mais o estábulo simples, mas nosso próprio espírito, em cujo íntimo o Senhor deseja fazer mais luz... Santas alegrias nos procuram a alma, em todos os campos do idealismo evangélico Natural o tom festivo das nossas manifestações de confiança renovada, entretanto, não podemos olvidar o trabalho renovador a que o Natal nos convida, cada ano, não obstante o pessimismo cristalizado de muitos companheiros, que desistiram temporariamente da comunhão fraternal. É o ensejo de novas relações, acordando raciocínios enregelados com as notas harmoniosas do amor que o Mestre nos legou. É a oportunidade de curar as nossas próprias fraquezas retificando atitudes menos felizes, ou de esquecer as faltas alheias para conosco, restabelecendo os elos da harmonia quebrada entre nós e os demais, em obediência à lição da desculpa espontânea, quantas vezes se fizerem necessárias. É o passo definitivo para a descoberta de novas sementeiras de serviço edificante, através da visita aos irmãos mais sofredores do que nós mesmos e da aproximação com aqueles que se mostram inclinados à cooperação no progresso, a fim de praticarmos, mais intensivamente, o princípio do “amemo-nos uns aos outros”. - Conforme a nossa atitude espiritual ante o Natal, assim aparece o Ano Novo à nossa vida. - O aniversário de Jesus precede o natalício do Tempo. - Com o Mestre, recebemos o Dia do Amor e da Concórdia.
  • 35. Chico Xavier e o Natal 32 - Com o tempo, encontramos o Dia da Fraternidade Universal. - O primeiro renova a alegria. - O segundo reforma a responsabilidade. Comecemos oferecendo a Ele cinco minutos de pensamento e atividade e, a breve espaço, nosso espírito se achará convertido em altar vivo de sua infinita boa vontade para com as criaturas, nas bases da Sabedoria e do Amor. Não nos esqueçamos. Se Jesus não nascer e crescer, na manjedoura de nossa alma, em vão os Anos Novos se abrirão iluminados para nós. Emmanuel - Fonte de Paz – Cap. 12
  • 36. Chico Xavier e o Natal 33 3.1.3 Rogativa de Natal Senhor Jesus! Quando chegaste à Terra, através dos panos da manjedoura, aguardava-te a Escritura como sendo a luz para os que jazem assentados nas trevas!... E, em verdade, Senhor, as sombras dominavam o mundo inteiro... Sombras no trabalho, em forma de escravidão... Sombras na justiça, em forma de crueldade... Sombras no templo, em forma de fanatismo... Sombras na governança, em forma de tirania... Sombras na mente do povo, em forma de ignorância e de miséria... Pouco a pouco, no entanto, ao clarão de tua infinita bondade, quebraram-se as algemas da escravidão, transformou-se a crueldade em apreciáveis direitos humanos, transmudou-se o fanatismo em fé raciocinada, converteu-se a tirania em administração e, gradualmente, a ignorância e a miséria vão recebendo o socorro da escola e da solidariedade. Entretanto, Senhor, ainda sobram trevas no amor, em forma de egoísmo! Egoísmo no lar... Egoísmo no afeto... Egoísmo na caridade... Egoísmo na prestação de serviço... Egoísmo na devoção... Mestre, dissipa o nevoeiro que nos obscurece ainda os horizontes e ensina- nos a amar como nos amaste, sem buscar vaidosamente naqueles que amamos os reflexos de nós mesmos, porque, somente em nos sentindo verdadeiros irmãos uns dos outros, é que atingiremos, com a pura fraternidade, a nossa ressurreição para sempre. Emmanuel - Antologia Mediúnica do Natal – Cap. 31
  • 37. Chico Xavier e o Natal 34 3.1.4 Desce Elevando Desce, elevando aqueles que te comungam a convivência, para que a vida em torno suba igualmente de nível. Se sabes, não firas o ignorante. Oferece-lhe apoio para que se liberte da sombra. Se podes, não oprimas o fraco. Ajuda-o, de alguma sorte, a fortalecer-se, para que se faça mais útil. Se entesouraste a virtude, não humilhes o companheiro que o vicio ensandece. Estende-lhe a bênção do amor como adequada medicação. Se te sentes correto, não censures o irmão transviado em desajustes do espírito. Dá-lhe o braço fraterno para que se renove. Se ajudas, não recrimines quem te recebe o socorro. Pão amaldiçoado é veneno na boca. Se ensinas, não flageles quem te recebe a lição. Benefício com açoite é mel em taça candente. Auxilia em silêncio para que o teu amparo não se converta em tributo espinhoso na sensibilidade daqueles que te recolhem a dádiva, porque toda caridade a exibir-se no palanque das conveniências do mundo é sempre vaidade, em forma de serpe no coração, e toda modéstia que pede o apreço dos outros, para exprimir- se, é sempre orgulho em forma de lodo nos escaninhos da alma. Nesse sentido, não te esqueças do Mestre que desceu, até nós, revelando- nos como sublimar a existência. Anjo entre os anjos, faz-se pobre criança necessitada do arrimo de singelos pastores; sábio entre os sábios, transforma-se em amigo anônimo de pescadores humildes, comungando-lhes a linguagem; instrutor entre os instrutores, detém-se, bondoso, entre enfermos e aflitos, crianças e mendigos abandonados, para abraçar- lhes a luta, e, juiz dos juízes, não se revolta por sofrer no tumulto da praça o iníquo julgamento do povo que o prefere a Barrabás, para os tormentos imerecidos. Todavia, por descer, elevando quantos lhe não podiam compreender a refulgência da altura, é que se fez o caminho de nossa ascensão espiritual, a verdade de nosso gradativo aprimoramento e a vida de nossas vidas, a erguer-nos a alma entenebrecida no erro, para a vitória da luz. Emmanuel – Religião dos Espíritos – Cap. 28
  • 38. Chico Xavier e o Natal 35 3.1.5 Algo mais no Natal Senhor Jesus! Diante do Natal, que te lembra a glória na manjedoura, nós te agradecemos: a música da oração; o regozijo da fé; a mensagem de amor; a alegria do lar; o apelo a fraternidade; o júbilo da esperança; a bênção do trabalho; a confiança no bem; o tesouro da tua paz; a palavra da Boa Nova; e a confiança no futuro!... Entretanto, oh! Divino Mestre, de corações voltados para o teu coração, nós te suplicamos algo mais! ... Concede-nos, Senhor, o dom inefável da humildade para que tenhamos a precisa coragem de seguir-te os exemplos! Emmanuel – Luz do Coração – Cap. 73
  • 39. Chico Xavier e o Natal 36 3.1.6 No Natal É inútil que se apresente Jesus como filósofo do mundo. O Mestre não era um simples reformador. Nem a sua vida constituiu um fato que só alcançaria significação depois de seus feitos inesquecíveis, culminantes na cruz. Jesus Cristo era o esperado. Pela sua vinda, numerosas gerações choraram e sofreram. A chegada do Mestre foi a Benção Os que desejavam caminhar para Deus alcançavam a Porta. O Velho Testamento está cheio de esperanças no Messias. O Evangelho de Lucas refere-se a um homem chamado Simeão, que vivia esperando a consolação de Israel. Homem justo e inspirado pelas forças do Céu, vendo a Divina Criança, no Templo, tomou-a nos braços, louvou ao Altíssimo e exclamou: Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra.” Havia surgido a consolação. Ninguém estaria deserdado. Deus repartira seu coração com os filhos da Terra. E por isso que o Natal é a festa de lágrimas da Alegria. Emmanuel - Fonte de Paz – Cap. 21
  • 40. Chico Xavier e o Natal 37 3.1.7 Natal II "Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade parai com os Homens." Lucas, 2:14. As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande Renovador, não apresentaram qualquer ação de reajuste violento. Glória a Deus no Universo Divino. Paz na Terra. Boa vontade para com os homens. O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranqüilidade ao mundo, não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir. Nem castigo ao rico avarento. Nem punição ao pobre desesperado. Nem desprezo aos fracos. Nem condenação aos pecadores. Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso. Nem anátema contra o gentio inconsciente. Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço da Boa Vontade. A justiça do "olho por olho" e do "dente por dente" encontrara, enfim, o Amor disposto à sublime renúncia até à cruz. Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria, assinalaram júbilo inexprimível... Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria. O algoz seria digno de piedade. O inimigo converter-se-ia em irmão transviado. O criminoso passaria à condição de doente. Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. Em Sídon, os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores. Em Jerusalém, os enfermos não mais sofreriam relegados ao abandono nos vales de imundície.
  • 41. Chico Xavier e o Natal 38 Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a, transitou, vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento. Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos, recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros. Natal! Boa Nova! Boa Vontade!... Estendamos a simpatia a todos e comecemos a viver realmente com Jesus, sob os esplendores de um novo dia. Emmanuel – Revista Reformador – 1950 – Dezembro – Natal II
  • 42. Chico Xavier e o Natal 39 3.1.8 Humildade Celeste Ninguém mais humilde que Ele, o Divino Governador da Terra. Podia eleger um palácio para a glória do nascimento, mas preferiu sem mágoa a manjedoura simples. Podia reclamar os príncipes da cultura para o seu ministério de paz e redenção; contudo, preferiu pescadores singelos para instrumentos sublimes do seu verbo de luz. Podia articular defesa irresistível a fim de dominar a governança política; no entanto, preferiu render-se à autoridade, presente em sua época, ensinando que o homem deve entregar ao mundo o que ao mundo pertence, e a Deus o que é de Deus. Podia banir de pronto do colégio apostólico o amigo invigilante, mas preferiu que Judas conseguisse os seus fins, lamentáveis e escusos, descerrando-lhe aos pés o caminho melhor. Podia erguer-se ao Sol da plena vida eterna, sem voltar-se jamais ao convívio humilhante daqueles que o feriram nos tormentos da cruz; no entanto, preferiu regressar para o mundo, estendendo de novo as mãos alvas e puras aos ingratos da véspera. Podia constranger o Espírito de Saulo a receber-lhe as ordens, mas preferiu surgir-lhe qual companheiro anônimo, rogando-lhe acordar, meditar e servir, em favor de si mesmo. Em Cristo, fulge sempre a humildade celeste, pela qual aprendemos que, quanto mais poder, mais amplo o trilho augusto aberto às nossas almas para que nos façamos, não apenas humildes pelos padrões da Terra, mas humildes enfim pelos padrões de Deus. Emmanuel - Antologia Mediúnica do Natal - Capítulo 13 - Humildade celeste
  • 43. Chico Xavier e o Natal 40 3.2 Joanna de Angelis 3.2.1 Atualidade do Natal Andando sem rumo, sob o flagício de mil aflições, o homem moderno deixa- se dominar pelo desânimo ou pela ansiedade, malbaratando o valioso contributo da inteligência e do sentimento com que a vida o enriqueceu, exaurindo-se, ora no consumismo insensato, ora na revolta desastrada por falta de recursos econômicos ou emocionais para realizar-se. A insatisfação é a tônica do comportamento individual e social que vige na Terra. Aqueles indivíduos que experimentam carência de qualquer natureza, lamentam-se e rebolcam-se na rebeldia que degenera em violência, enquanto aqueloutros que se encontram afortunados, deixam-se dominar pelas extravagâncias ou pelo tédio, derrapando, uns e outros, nas viciações perturbadoras ou na dependência de substâncias químicas de funestas conseqüências. As admiráveis conquistas da Ciência e da Tecnologia não os tornaram mais felizes nem menos tensos, pelo contrário, empurraram-nos na direção trágica da neurastenia ou da depressão nas quais estorcegam. Indubitavelmente, trouxeram incomparável ajuda para a solução de diversos sofrimentos e situações penosas, de progresso material e social, porém, não conseguiram penetrar o cerne dos seres humanos, modificando-lhes as disposições íntimas em relação à existência terrena e aos seus objetivos essenciais. Considerando a vida apenas do ponto de vista material, sem as conseqüentes avaliações em torno do Espírito imortal, o comportamento materialista domina as mentes e os corações que acreditam na felicidade em forma de valores amoedados, satisfações dos sentidos, destaque social e harmonia física ... Vive-se o apogeu da glória tecnológica diante dos descalabros comportamentais que jugulam os seres humanos aos estados primevos da evolução. Há conquistas do Infinito sem realização pessoal, sorrisos de triunfo sem sustentação de felicidade, que logo se transformam em esgares, situações invejáveis mas alicerçadas na miséria, na doença e no desconforto das pessoas excluídas ... Faltando-lhes, porém, a vivência dos compromissos ético-morais, logo se lhes apresentam os desapontamentos íntimos e os conflitos se lhes instalam devoradores.
  • 44. Chico Xavier e o Natal 41 Uma tormenta inigualável paira nos céus da sociedade moderna, ameaçando-a com tragédias inomináveis. Em período idêntico, no passado, salvadas as distâncias compreensíveis, veio Jesus à Terra. O mundo encontrava-se conturbado pelo poder mentiroso, pela falácia dos dominadores, pelas ambições desmedidas, pelas conquistas arbitrárias, pelas ilusões tresvairadas ... Predominavam o luxo e a ostentação em alguns segmentos da humanidade, enquanto nos porões do abandono em que desfaleciam, incontáveis criaturas espiavam angustiadas o passar do tufão devorador ... Apareceu Jesus, e uma aragem abençoada varreu o mundo, modificando-lhe a psicosfera. Sua voz levantou-se para profligar contra o crime e a insensatez, contra a indiferença dos fortes em relação aos seus irmãos mais fracos, contra a hipocrisia e o egoísmo então vigentes e dominantes como hoje ocorrem ... Misturando-se aos mutilados do corpo e da alma, ergueu-os do pó em que se asfixiavam, conduzindo-os na direção da glória estelar, demonstrando-lhes que a vida física é experiência transitória, e que os valores reais são os que pertencem ao Espírito imortal. Utilizou-se da cátedra da Natureza e ensinou a felicidade mediante o desapego e o despojamento das alucinantes prisões às coisas e às paixões materiais. Cantou a esperança aos ouvidos da angústia e proporcionou a saúde temporária a quantos se Lhe acercaram, alentando-os com a certeza da plenitude após vencidas as etapas de regeneração e de resgate que todos os seres se impõem no processo da evolução. Atendeu a dor de todos os matizes, defendeu os pobres e oprimidos, os esfaimados e sedentos de justiça, aos quais ofereceu os preciosos recursos de paz. No entanto, quando acusado, abandonado, marchando para o testemunho, elegeu o silêncio, a submissão à vontade de Deus, a fim de ensinar pelo exemplo resignação e misericórdia para com os maus e perversos, confirmando a indiferença pelos valores do mundo físico destituídos de utilidade.
  • 45. Chico Xavier e o Natal 42 ... E permanece até hoje como o Triunfador não-conquistado, que prossegue alentando os padecentes, convocando-os à transformação moral para melhor e à conquista dos imperecíveis tesouros internos do amor, do perdão, da caridade, da paz ... Recorda-te de Jesus neste Natal, e reaproxima-te d'Ele, analisando como te encontras e de que forma deverias estar moralmente, conscientizando-te do que já fizeste e de quanto ainda podes e deves investir em favor de ti mesmo e do teu próximo mais próximo, no lar, no trabalho, na rua, na humanidade ... O Natal é presença constante do amor e do bem na atualidade de todos os tempos. Não te esqueças que a evocação do nascimento do Excelente Filho de Deus entre as criaturas humanas, é um convite para que O permitas renascer no teu íntimo, se estiver desaparecido da tua emoção, ou prosseguir vivo e atuante nos teus sentimentos convidados à construção da solidariedade, do dever e da lídima fraternidade que deve viger entre todos os seres sencientes que vagueiam no Planeta ... E deixa que Jesus te fale novamente à acústica do coração e aos escaninhos da mente, repetindo-te o poema imortal das Bem-aventuranças. Joanna de Ângelis – Diretrizes para o Êxito – Cap. 36 – Atualidade do Natal
  • 46. Chico Xavier e o Natal 43 3.2.2 Orando no Natal Senhor! Enquanto vibram as emoções festivas e muitos homens se banqueteiam, evocando aquele Natal que Te trouxe à Terra, recolhemo-nos em silêncio para orar. Há tanta dor no mundo, Senhor! Os canhões calam os seus troares, momentaneamente, as bombas destruidoras cessam de cair por alguns instantes, nos países em guerra, enquanto nós oramos pelos que mercantilizam vidas, fomentando conflitos e beligerâncias outras; pelos que escorcham as populações esfaimadas sob leis impiedosas e escravizantes; pelos que se comprazem, como se fossem abutres em forma humana, com a renda nefanda das casas do comércio carnal; pelos que exploram os vícios e acumulam usuras com o fruto da alucinação dos obsidiados ignorantes da própria enfermidade; pelos que malsinam moçoilas e rapagotes inexperientes, deslumbrados com o fastígio mentiroso da ilusão; pelos que difundem a literatura perversa e favorecem a divulgação da criminalidade; pelos que fazem enlouquecer, através dos processos escusos, decorrentes da cultura que perverte mentes e corações; pelos que se locupletam com as moedas adquiridas mediante o infanticídio hediondo; pelos que dormem para a dignidade e sorriem nos pesadelos do torpor moral, que os invadem! Senhor! Diante das crianças tristonhas e dos velhinhos estropiados, dos enfermos ao abandono e dos atormentados à margem da sociedade, lembramo-nos de rogar por todos eles, mas não nos esquecemos de Te suplicar pelos causadores da miséria e do infortúnio. "Não sabem o que fazem!" - perdoa-os, Senhor!
  • 47. Chico Xavier e o Natal 44 Neste Natal, evocando o momento em que as Altas Esferas seguiram contigo à Terra, até o singelo recinto de animais, para o Teu mergulho na névoa dos homens, esparze, novamente, misericórdia e esperança para todos, a fim de que o Ano Novo seja, para sofredores e responsáveis pelo sofrimento, a antemanhã da Era do Espírito Imortal, de que Te fizeste paradigma após o martírio da Cruz. Joanna de Ângelis - Celeiro de Bênçãos – Cap. 11
  • 48. Chico Xavier e o Natal 45 3.2.3 Ressonâncias do Natal Na paisagem fria e sem melhor acolhimento, a única hospedaria à disposição era a gruta modesta onde se guardavam os animais. Não havia outro lugar que O pudesse receber. O mundo, repleto de problemas e de vidas inquietas, preocupava-se com os poderosos do momento e reservava distinções apenas para os que se refestelavam no luxo, bem como no prazer. Aos simples e desataviados sempre se dedicavam a indiferença, o desrespeito, fechando-lhes as portas, dificultando-lhes os passos. Mas hoje, tudo permanece quase que da mesma forma. Não obstante, durante aquela noite de céu transparente e estrelado, entre os animais domésticos, em uma pequena baia, usada como berço acolhedor, nasceu Jesus, que transformou a estrebaria num cenário de luzes inapagáveis que prosseguem projetando claridade na noite demorada dos séculos, em quase dois mil anos... Inaugurando a era da humildade e da renúncia, Jesus elegeu a simplicidade, a fim de ensinar engrandecimento íntimo como condição única para a felicidade real. O Seu reino, que então se instalou naquela noite de harmonias cósmicas, permanece ensejando oportunidades de redenção a todos quantos se resolvam abrigar nas suas dependências. E o Seu nascimento modesto continua produzindo ressonâncias históricas, antes jamais previstas. Homens e mulheres, que tomaram contato com Sua notícia e mensagem, transformaram-se, mudando-se-lhes o roteiro de vida e o comportamento, convertendo-se, a partir de então, em luzeiros que apontam rumos felizes para a Humanidade. * Guerreiros triunfadores passaram pelo mundo desde aquela época, inumeráveis. Governantes poderosos estabeleceram reinos e impérios, que pareciam preparados para a eternidade, e ruíram dolorosamente.
  • 49. Chico Xavier e o Natal 46 Artistas e técnicos, de rara beleza e profundo conhecimento, criaram formas e aparelhagens sofisticadas para tornarem a Terra melhor, e desapareceram. Ditadores indomáveis e aristocratas incomuns surgiram no proscênio terrestre, envergando posição, orgulho e superioridade, que o túmulo silenciou. .... Estiveram, por algum tempo, deixando suas pegadas fortes, que tornaram alguns odiados, outros rechaçados e sob o desprezo das gerações posteriores. Jesus, porém, foi diferente. Incompreendido, o Cantor do Amor aceitou a cruz, para não anuir com o crime, e abraçou a morte para não se mancomunar com os mortos. Por isso, ressurgiu, em triunfo e grandeza, permanecendo o Ser mais perfeito que jamais esteve na Terra, como modelo que Deus nos ofereceu para Guia. * Quando a Humanidade experimenta dores superlativas, quando a miséria sócio-econômica assassina milhões de vidas que estertoram ao abandono; quando enfermidades cruéis demonstram a fragilidade orgânica das criaturas; quando a violência enlouquece e mata; quando os tóxicos arruínam largas faixas da juventude mundial, ao lado de outros males que atestam a falência do materialismo, ressurge a figura impoluta de Jesus, convidando à reflexão, ao amor e à paz, enquanto as ressonâncias do Seu Natal falam em silêncio: Ele, que tem salvo vidas incontáveis, pede para que tentes fazer algo, amando e libertando do erro pelo menos uma pessoa. Lembrando-te dEle, na noite de Natal, reparte bondade, insculpe-O no coração e na mente, a fim de que jamais te separes dEle. Joanna de Angelis - Momentos Enriquecedores – Cap. 10
  • 50. Chico Xavier e o Natal 47 3.2.4 Insuperável Amor O momento fazia-se grave e as circunstâncias apresentavam-se negativas. Os ódios incidiam virulentos, grassando entre as várias facções que se hostilizavam reciprocamente, somando-se contra o conquistador romano que humilhava a raça, desrespeitando os costumes e as tradições mais antigas. Intrigas e disputas cruéis acendiam vorazes desejos de vingança, a que se atiravam, quanto lhes permitiam as oportunidades, dos homens fazendo chacais sanquissedentos. As esperanças de consolação e os anelos de paz cediam lugar ao desalento e à revolta surda que ensombreciam as vidas. O culto religioso repetia as fórmulas da ortodoxia longe dos sentimentos de legítima adoração a Deus e de respeito ao homem, enquanto as ambições políticas substituíam as expressões da verdadeira fraternidade. A bajulação e o servilismo rebaixavam o homem às manifestações primárias do atrevimento e da vil hipocrisia. A dúvida e o desinteresse pelo "reino dos Céus" tomavam os lugares da fé ardente e da fidelidade aos deveres espirituais, que ficavam à margem, nos cultos e ritos externos, sem o sentido de profundidade. O silêncio da Espiritualidade traduzia o abismo a que se arrojaram o povo e os seus condutores tresvariados. Nos momentos de maior provação Israel sempre ouvira a boca profeta e sentira nas carnes da alma o apelo da Vida Triunfante através dos mais categorizados Mensageiros. Não agora, porém. A caravana dos desalentados era conduzida pela argúcia dos ambiciosos desmedidos. Este era o clima emocional e tais as condições dominantes nas vésperas do Nascimento do Cristo. Subitamente, na capital do Império, as musas corporificaram-se e um período de prosperidade e beleza, de cultura e de arte distendeu-se sobre a Terra... Mãos angélicas entreteciam a túnica de ternura para o noivado que logo se iniciaria entre as criaturas sofredoras e o Amado. A belicosidade geral amainou e os ventos de branda alegria começaram a soprar por toda a parte, amenizando a ardência das paixões dissolventes.
  • 51. Chico Xavier e o Natal 48 Nesse hiato de harmonia nasceu Jesus. Na paisagem agridoce de uma noite fria e estrelada o Conquistador mergulhou nos fluidos densos do mundo terrestre, a fim de que nunca mais houvesse sombras... Discreto, como o sutil perfume das flores silvestres, impregnou a Natureza e penetraria, pelo futuro afora, a sensibilidade das almas. Nenhum alarde, nem anúncios bombásticos expressaram a Sua chegada. Entre os animais domésticos e humildes pastores que O visitaram, deu início à mais excepcional experiência de todos os tempos: a eloquente realização do amor sem fronteiras nem dimensão. As vozes que O cantaram foram percebidas somente na acústica da alma e olhos que O identificaram estavam além das dimensões físicas. Nunca mais a Sua presença seria diluída na mente humana ou na Terra. Campeiem as misérias humanas ou triunfem as urdiduras temporárias do mal da astúcia e da loucura; predominem as acirradas lutas da ignorância e da arbitrariedade; permaneçam as encarniçadas paixões de domínio e orgulho, de poder e glória passageira; Jesus é o vencedor da morte, do tempo, Vida permanente expressando triunfo real. Desde o Seu berço até hoje, por mais que se haja procurado sepultá-lO no olvido, nas liturgias retumbantes, nos cultos da opulência, ou se deseja colocá-lO a serviço dos interesses mesquinhos e subalternos, ei-lO renascendo sempre, pulcro ideal, nos corações transformados em novas manjedouras de Belém, para que não tarde demasiadamente o momento da união da criatura humana com Ele no Seu reino de insuperável amor. Joanna de Ângelis – Otimismo – Cap. 60
  • 52. Chico Xavier e o Natal 49 3.2.5 Extremos de Amor Exaltando o berço de palha humilde não esqueçamos a glória estelar da crucificação. O Natal é uma perene promessa, mas a Glória é uma grave advertência. Na manjedoura inicia-se o messianato sublime, mas no acume do “morro da Caveira” desdobra-se a tragédia que Ele soube transformar em estrada venturosa para os que desejem segui-lO. Na mansarda singela aparece aos homens; da cruz extenuante marcha para Deus. A estrebaria é o nadir da humildade e a cruz é o zénite do sacrifício. Transitando entre um e outro extremo de amor, toda uma via de abnegação. Sua vida são os Seus feitos, Seu pensamento os Seus conceitos de luz. Com um grão de mostarda, Ele compôs uma balada sobre a fé; com o feixe de varas, lecionou um tratado sobre a filosofia, a força da solidariedade e da união; utilizando-se de redes, propôs um poema à abundância junto ao mar; com grãos de trigo e com ramos de joio, entreteceu uma coroa de sabedoria com que nos adverte sobre a perseverança e os cuidados em torno da gleba a joeirar. Uma dracma perdida na Sua voz é uma canção de esperança, quando encontrada por quem a busca; com incisão conclama à decisão entre Deus e Mamon; na severidade contra a hipocrisia, modulou uma patética sobre os túmulos caiados por fora, guardando podridão na intimidade. E soube ativar a vida através da rearticulação de membros hirtos, de ouvidos moucos, de olhos apagados, de língua sem movimentação, através de uma sonata por meio da qual a Sua palavra se transformava em vida ante os que jaziam na limitação e na dor. Senhor dos Espíritos, jamais se utilizou da potência de que era investido para os azorragar. Entrementes, abriu-lhes a alma com misericórdia, encaminhando-os ao Pai em nome de quem falava na jornada messiânica da Terra. Seus amigos eram discípulos dúbios uns débeis outros, fieis alguns. Todos, porém, fascinados pela Sua pujante presença, pela Sua transparente bondade. Jesus é um poema da vida, uma canção de amor. É a maior história dentro da História da Humanidade, que a ultrapassa.
  • 53. Chico Xavier e o Natal 50 Uma gruta e um céu descampado são os dois pontos culminantes de uma vida que não começou no berço nem se esvaiu numa cruz. Por isso, diante dEle, todos nos sentimos fremir, tocados pela Sua magnânima presença que venceu os séculos de desolação, de dor, de crime, de hediondez, em que se tentou ocultá-lO entre mentiras, fantasias e corrupções. Ressurgindo desses escombros morais, Ele sempre saiu ileso qual o sol, Sol Divino que é, clarificando cada madrugada, após a mentirosa vitória da noite em triunfo efêmero. Joanna de Ângelis – Oferenda – Cap. 23
  • 54. Chico Xavier e o Natal 51 3.2.6 Festival de Amor "Reina lá a verdadeira fraternidade, porque não há egoísmo; a verdadeira igualdade, porque não há orgulho, e a verdadeira liberdade por não haver desordens a reprimir, nem ambiciosos que procurem oprimir o fraco." O CÉU E O INFERNO - 1ª parte - Capítulo 3º - Item 11. Canta, alma, as bênçãos da fé viva na ação edificante do bem sem limite. Não indagues qual a técnica perfeita da arte de ajudar. Não esperes um curso especializado para o apostolado do melhor servir. Abre os braços e agasalha a luz do dia no coração. Sai, depois, a dilatar claridade em festa incessante de alegria. Se te perguntarem porque, embora a dor que te oprime, sorris, responde, que apesar do lodo junto à raiz, e por isso mesmo, o lírio esplendente de imaculada alvura esparze aroma. Se te interrogarem quanto à utilidade do teu mister, reflete no mecanismo da vida, que transforma a abelha diligente em serva da tua mesa, e reparte a grandeza do serviço beneficente. Ama, e coroarás as horas de luz; serve, e adornarás o coração de intérmina ventura. No turbilhão do vozeiro moderno ausculta a pulsação do progresso e ouvirás a rés-do-chão um débil gemido ou um choro cansado que não cessa; vasculhando a noite com intensa expectativa identificarás homens fracos que o cansaço venceu; flamando pelas rotas do abandono tropeçarás em retalhos de gente, emaranhados na sarjeta do esquecimento, em trapos lodosos e despedaçados; vagueando nos lagos onde a dor se agasalha verás o azeite da vida se acabando nos vasos ressequidos, em que se transformaram organismos estiolados pela fome e pela enfermidade. Muitos desses, ainda crianças, seriam os homens do amanhã que o presente tudo faz por negar a oportunidade de avançarem na rota da jornada evolutiva. A destinação histórica do futuro vai esmagada no frenesi teimoso do "agora". Escuta-os sem as palavras que não ousam articular e recebe-os no coração sem exigências punitivas. Dês que os não podes levar para o lar que te agasalha, sorri e ajuda-os como puderes, considerando que sempre podes fazer algo por eles.
  • 55. Chico Xavier e o Natal 52 Se, todavia, te for possível recebê-los, ama-os como se fossem enflorescências da tua carne. Pouco te importe sejam grandes ou pequenos, os sofredores. O amor verdadeiro não escolhe dimensão nem seleciona aparências. É santificante concessão de Deus para enriquecimento da vida. Urge fazeres algo por eles, os teimosamente abandonados do caminho: órfãos dos teus olhos não os vias; aflitos, que em soluços junto à tua companhia, não tinham ninguém... Quando alguém ama realmente uma criança que recebe e lhe não pertence pela carne, a humanidade consegue um crédito da vida. Quando um espírito valoroso derrama a taça da afeição e do socorro legítimo no gral de quem sofre, o mundo se engrandece com ele. É graças a esses, os irmãos pequeninos e sofredores, que a esperança se envolve de bênçãos e permanece entre as criaturas. Faze da tua comunhão com o Cristo, a Quem dizes amar, um ato de abnegação junto aos que necessitam de carinho, produzindo o teu nobre esforço ao lado deles um excelente festival de amor. Olhos marejados de pranto, além-da-sepultura fitam os filhos que ficaram ou afetos que permaneceram na retaguarda e corações que não cessam de pulsar embora a desencarnação, latejam em apressado ritmo, quando te acercas desses filhos desses quereres... Não justifiques enfermidade, se pretendes disfarçar a indiferença em que te comprazes discretamente, nem te apegues aos sofrimentos da leviandade se queres desculpar a impiedade que te cerceia os passos. Os que hoje são pequenos amanhã crescerão. Evita avinagrares a água da misericórdia que lhes ofereces, sem o azedume da infelicidade que dizes sofrer. Talvez eles sejam o sorriso dos teus lábios, mais tarde, se souberes o que fazer. Os que já viveram, sofrem e podem compreender. Sai da tua enfermidade imaginária para a ação curadora e faze uma doação de ternura, saudando neles, os amargurados que Jesus te apresenta, o sol formoso do dia sem fim da tua Imortalidade.
  • 56. Chico Xavier e o Natal 53 Quem O contemplasse entre as palhas ressequidas do berço improvisado não suporia que ali estava o Rei do Orbe, e quem se detivesse a contemplá-Lo coroado de espinhos, em extremo ridículo, silencioso e triste, não acreditaria que era o Excelso Filho de Deus. No entanto, foi entre aqueles dois polos, o berço e a cruz, que ele traçou a ponte de libertação, instaurando, de logo, o primado do espírito, com o próprio exemplo de renúncia total e total amor à humanidade de todos os tempos, de modo a conduzir-te ainda hoje, na direção dos Cimos da Vida. Joanna de Ângelis - Espírito e Vida – Cap. 41
  • 57. Chico Xavier e o Natal 54 3.2.7 Ante o Amor "625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?" Jesus O LIVRO DOS ESPÍRITOS Considerando a alta significação do Natal em tua vida, podes ouvir e atender os apelos dos pequeninos esquecidos no grabato da orfandade ou relegados às palhas da miséria, em memória de Jesus quando menino; consegues compreender as dificuldades dos que caminham pela via da amargura, experimentando opróbrio e humilhação e dás-lhes a mão em gesto de solidariedade humana, recordando Jesus nos constantes testemunhos; abres os braços em socorro aos enfermos, estendendo-lhes o medicamento salutar ou o penso balsamizante, desejando diminuir a intensidade da dor, evocando Jesus entre os doentes que O buscavam, infelizes; ofereces entendimento aos que malograram moralmente e se escondem nos recantos do desprezo social, procurando-os para os levantar, reverenciando Jesus que jamais se furtou à misericórdia para os que os foram colhidos nas malhas da criminalidade, muitas vezes sob o jugo de obsessões cruéis; preparas a mesa, decoras o lar, inundas a família de alegrias e cercas os amigos de mimos e carinho pensando em Jesus, o Excelente Amigo de todos... Tudo isto é Natal sem dúvida, como mensagem festiva que derrama bênçãos de consolo e amparo, espalhando na Terra as promessas de um Mundo Melhor, nos padrões estabelecidos por Jesus através das linhas mestras do amor. Há, todavia, muitos outros corações junto aos quais deverias celebrar o Natal, firmando novos propósitos em homenagem a Jesus. Companheiros que te dilaceraram a honra e se afastaram; Amigos que se voltaram contra a tua afeição e se fizeram adversários; conhecidos caprichosos que exigiram alto tributo de amizade e avinagraram tuas alegrias; irmãos na fé que mudaram o conceito a teu respeito e atiraram espinhos por onde segues;
  • 58. Chico Xavier e o Natal 55 colaboradores do teu ideal, que sem motivo se levantaram contra teu devotamento, criando dissensão e rebeldia ao teu lado; inimigos de ontem que se demoram inimigos hoje; difamadores que sempre constituíram dura provação. Todos eles são oportunidade para a celebração do Natal pelo teu sentimento cristão e espírita. Esquece os males que te fizeram e pede-lhes te perdoem as dificuldades que certamente também lhes impuseste. Dirige-lhes um cartão colorido para esmaecer o negrume da aversão que os manteve em silêncio e à distância nos quais, talvez, inconscientemente te comprazes. Provavelmente alguns até gostariam de reatar liames... Dá-lhes esta oportunidade por amor a Jesus, que a todo instante, embora conhecendo os inimigos os amou sem cansaço, oferecendo-lhes ensejos de recuperação. O Natal é dádiva do Céu à Terra como ocasião de refazer e recomeçar. Detém-te a contemplar as criaturas que passam apressadas. Se tiveres olhos de ver percebê-las-ás tristes, sucumbidas, como se carregassem pesados fardos, apesar de exibirem tecidos custosos e aparência cuidada. Explodem facilmente, transfigurando a face e deixando-se consumir pela cólera que as vence implacavelmente. Todas desejam compreensão e amor, entendimento e perdão, sem coragem de ser quem compreenda ou ame, entenda ou perdoe. Espalha uma nova claridade neste Natal, na senda por onde avanças na busca da Vida. Engrandece-te nas pequenas doações, crescendo nos deveres que poucos se propõem executar. Desde que já podes dar os valores amoedados e as contribuições do entendimento moral, distribui, também, as jóias sublimes do perdão aos que te fizeram ou fazem sofrer.
  • 59. Chico Xavier e o Natal 56 Sentirás que Jesus, escolhendo um humílimo refúgio para viver entre os homens semeando alegrias incomparáveis, nasce, agora, no teu coração como a informar-te que todo dia é natal para quem o ama e deseja transformar-se em carta- viva para anuncia-lo às criaturas desatentas e sofredoras do mundo. Somente assim ouvirás no imo d’alma e entenderás a saudação inesquecível dos anjos, na noite excelsa: "Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade, para com os homens" - vivendo um perene natal de bênçãos por amor a Jesus. Joanna de Ângelis - Espírito e Vida – Cap. 60.
  • 60. Chico Xavier e o Natal 57 3.2.8 Natal Íntimo Pairam sobre a grave noite moral que se abate sobre a Humanidade as promessas consoladoras de Jesus, enunciadas em época relativamente semelhante, quando a estroinice e a miséria disputavam destaque, e o sofrimento, cavalgando o poder usurpador de Roma, reduzia o mundo à ínfima condição de escravo. O homem ensoberbecido pelas conquistas que o arrojaram para o mundo exterior, estorcega-se nas constrições da angústia, padecendo os rudes efeitos da descrença a que se entregou, olvidando Deus e a alma, enquanto entronizava o corpo e as paixões dissolventes, em aventuras que se converteram em pesadelos torpes. Não obstante as reivindicações de paz que propõe, ainda espalha os focos das guerras, e, embora fomente o progresso tecnológico, arroja-se aos desgastantes campeonatos do prazer, entorpecendo os sentimentos e avançando na direção dos despenhadeiros da loucura e do suicídio. São estes os dias de opulência e de mesquinhez, de exuberância e escassez, demonstrando que a única ética portadora de esperança é a do Evangelho. A cultura enlouquecida prossegue ultrajando a consciência humana, porque a ética permanece fundamentada no imediatismo dos interesses materiais. * Ante os paradoxos que se chocam, nos arraiais da civilização, o homem vê- se impelido a examinar a vida com mais respeito e o seu próprio destino com melhor raciocínio. Nessa busca, inevitavelmente, descobrirá que é um ser imortal, compreendendo que a proposta do momento é a mesma que ressuma do pensamento cristão primitivo. Nessa criatura, que se candidata à renovação, nasce Jesus, silenciosamente, no seu íntimo, iniciando uma etapa nova. Esse, qual ocorreu com aquele Natal há dois mil anos, iluminar-lhe-á a vida e o conduzirá à plenitude, fazendo-o volver os olhos para o seu redor e experimentar a solidariedade com os que sofrem, espalhando dádivas de esperança e de misericórdia com que os felicitará, mudando a paisagem onde se encontram, ao embalo das vozes angélicas, novamente repetindo o inesquecível refrão:
  • 61. Chico Xavier e o Natal 58 “Glória a Deus nas alturas; paz na Terra e boa vontade para com os homens!” Joanna de Angelis - Alegria de Viver – Cap. Natal Íntimo Joanna de Angelis – Revista Reformador - 1983 – Dezembro - Natal Íntimo