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Técnico do Seguro Social
Interpretação de Textos e
Redação Oficial
Profª Maria Tereza
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Interpretação de Textos e Redação Oficial
Professora Maria Tereza
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Edital
LÍNGUA PORTUGUESA: 1 Compreensão e interpretação de textos. 2 Tipologia textual. 11
Significação das palavras. 12 Redação de correspondências oficiais. Ortografia Oficial.
Banca: FCC
Cargo: Técnico do Seguro Social
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Último Edital
Compreensão e Interpretação de textos.
Tipologia textual.
Significação das palavras.
Redação de Correspondências Oficiais.
Aula 1
•• Compreensão e Interpretação de textos.
•• Identificação da Ideia Central.
•• Análise das Alternativas.
•• Estratégias Linguísticas.
•• Inferência.
•• Tipologias Textuais.
Compreensão e interpretação de texto
PROCEDIMENTOS
1.	 Observação da fonte bibliográfica, do autor e do título;
2.	 identificação do tipo de texto (artigo, editorial, notícia, crônica, textos literários, científicos,
etc.);
3.	 leitura do enunciado.
EXEMPLIFICANDO
Administração – Suporte Administrativo Geral / 2015 / TCE/CE / FCC / Médio
Preconceitos
	 Preconceitos são juízos firmados por antecipação; são rótulos prontos e aceitos para serem
colados no que mal conhecemos. São valores que se adiantam e qualificam pessoas, gestos,
ideias antes de bem distinguir o que sejam. São, nessa medida, profundamente injustos,
podendo acarretar consequências dolorosas para suas vítimas. São pré-juízos. Ainda assim, é
forçoso reconhecer: dificilmente vivemos sem alimentar e externar algum preconceito.
Aula 1
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	 São em geral formulados com um alcance genérico: “o povo tal não presta”, “quem nasce ali
é assim”, “música clássica é sempre chata”, “cuidado com quem lê muito” etc. Dispensam-nos
de pensar, de reconhecer particularidades, de identificar a personalidade própria de cada um.
“Detesto filmes franceses”, me disse um amigo. “Todos eles?” − perguntei, provocador. “Quem
viu um já viu todos”, arrematou ele, coroando sua forma preconceituosa de julgar.
	 Não confundir preconceito com gosto pessoal. É verdade que nosso gosto é sempre seletivo,
mas ele escolhe por um critério mais íntimo, difícil de explicar.
	 “Gosto porque gosto”, dizemos às vezes. Mas o preconceito tem raízes sociais mais fundas:
ele se dissemina pelas pessoas, se estabelece sem apelação, e quando damos por nós estamos
repetindo algo que sequer investigamos. Uma das funções da justiça institucionalizada é
evitar os preconceitos, e o faz julgando com critério e objetividade, por meio de leis. Adotar
uma posição racista, por exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa que
passamos, felizmente, a considerar a gravidade extrema das práticas preconceituosas.
(Bolívar Lacombe, inédito)
•• Trata-se de gênero textual denominado BREVE ENSAIO: opinativo/argumentativo, assinado,
no qual o autor expressa a sua opinião, abordando assuntos universais.
•• O TÍTULO pode constituir o menor resumo possível de um texto. Por meio dele, certas
vezes, identifica-se a ideia central do texto, sendo possível, pois, descartar afirmações feitas
em determinadas alternativas. No texto em questão, o título – Preconceitos –, somado à
repetição do vocábulo na primeira e na sétima linhas do texto e ao uso de expressões que
fazem referência à mesma ideia (“pré-juízos”, por exemplo), remete o leitor não só à ideia
central, mas também ao gênero do texto que lerá: um breve ensaio baseado em fato social
corrente entre os seres humanos.
•• No ENUNCIADO, observa-se a presença da expressão “sobretudo”, o que norteia a
estratégia de apreensão das ideias.
•• Destaque das palavras-chave das alternativas/afirmativas (expressões substantivas e
verbais).
•• Identificação das palavras-chave no texto.
•• Resposta correta = paráfrase mais completa do texto.
1.	 Ao avaliar a gravidade e a extensão dos preconceitos, o autor os condena sobretudo pela
seguinte razão: eles
a)	 acabam se confundindo com nosso gosto pessoal e prejudicando nosso entendimento das
coisas.
b)	 proporcionam uma visão de mundo excessivamente singular e viciosa, mesmo quando
justificável.
c)	 promovem profunda injustiça ao julgarem pessoas ou coisas a partir de valores já firmados.
d)	 acarretam máximos prejuízos para quem os alimenta, não atingindo as opiniões que
circulam socialmente.
e)	 deformam nossa visão de mundo por serem muito detalhistas, distraindo-nos do foco
principal.
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
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Anotações:
Identificação da ideia central
PROCEDIMENTOS
•• Identificação do “tópico frasal”: intenção textual percebida, geralmente, no 1º e 2º períodos
do texto (IDEIA CENTRAL).
•• Destaque das palavras-chave dos períodos (expressões substantivas e verbais).
•• Identificação das palavras-chave nas alternativas.
•• Resposta correta = paráfrase mais completa do texto.
Administração – Suporte Administrativo Geral / 2015 / TCE-CE / FCC / Médio
EXEMPLIFICANDO
Preconceitos
	 Preconceitos são juízos firmados por antecipação; são rótulos prontos e aceitos para serem
colados no que mal conhecemos. São valores que se adiantam e qualificam pessoas, gestos,
ideias antes de bem distinguir o que sejam. São, nessa medida, profundamente injustos,
podendo acarretar consequências dolorosas para suas vítimas. São pré-juízos. Ainda assim, é
forçoso reconhecer: dificilmente vivemos sem alimentar e externar algum preconceito.
	 São em geral formulados com um alcance genérico: “o povo tal não presta”, “quem nasce ali
é assim”, “música clássica é sempre chata”, “cuidado com quem lê muito” etc. Dispensam-nos
de pensar, de reconhecer particularidades, de identificar a personalidade própria de cada um.
“Detesto filmes franceses”, me disse um amigo. “Todos eles?” − perguntei, provocador. “Quem
viu um já viu todos”, arrematou ele, coroando sua forma preconceituosa de julgar.
	 Não confundir preconceito com gosto pessoal. É verdade que nosso gosto é sempre
seletivo, mas ele escolhe por um critério mais íntimo, difícil de explicar. “Gosto porque gosto”,
dizemos às vezes. Mas o preconceito tem raízes sociais mais fundas: ele se dissemina pelas
pessoas, se estabelece sem apelação, e quando damos por nós estamos repetindo algo que
sequer investigamos. Uma das funções da justiça institucionalizada é evitar os preconceitos,
e o faz julgando com critério e objetividade, por meio de leis. Adotar uma posição racista, por
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exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa que passamos, felizmente, a
considerar a gravidade extrema das práticas preconceituosas.
2.	 Atente para as seguintes afirmações:
I – No 1º parágrafo, o autor define o que seja preconceito e avalia a extensão dos prejuízos que
sua prática acarreta, considerando ainda a dificuldade de se os evitar plenamente.
II – No 2º parágrafo, o autor reconhece na prática algumas formulações preconceituosas,
reforçando a ideia de que os preconceitos impedem uma identificação adequada das coisas e
das pessoas.
III – No 3º parágrafo, o autor estabelece um paralelo entre o juízo preconceituoso, passível de
penalização, e o juízo decorrente do gosto pessoal, que se rege por critérios interiorizados e
difíceis de definir.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
a)	 I, II e III.
b)	 I e II, apenas.
c)	 II e III, apenas.
d)	 I e III, apenas.
e)	 II, apenas.
Anotações:
ERROS COMUNS
EXTRAPOLAÇÃO
Ocorre quando o leitor sai do contexto, acrescentando ideias que não estão no texto,
normalmente porque já conhecia o assunto devido à sua bagagem cultural.
REDUÇÃO
É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas a um ou outro aspecto, esquecendo-se de
que o texto é um conjunto de ideias.
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CONTRAPOSIÇÃO
EXEMPLIFICANDO
Controlador de Sistemas / 2014 / SABESP / FCC / Médio
	 A renovação do interesse pelas cidades marcou o início do novo século. O século XXI será
um século urbano, quando mais pessoas viverão em cidades do que em qualquer outro tipo de
formação espacial. Há o temor de que grande parte desse processo de urbanização se dê nas
cidades do sul global, cidades que têm sido caracterizadas pelo hipercrescimento.
	 Mas há muita discordância sobre como interpretar a paisagem urbana de hoje. De um lado,
um discurso otimista vê as cidades como arenas de transformação social. De outro lado, alguns
veem nelas o surgimento de formas fragmentadas e dispersas de cidadania urbana, constituídas
por enclaves fechados e espaços exclusivos.
(Adaptado de: ALSAYAD, Nezar; ROY, Ananya. Modernidade medieval: cidadania e urbanismo na era global. Trad.
Joaquim Toledo Jr. Novos Estudos CEBRAP, n. 85, 2009)
3.	 No texto, afirma-se categoricamente que as cidades no século XXI serão áreas
a)	 cujos habitantes se sentirão ameaçados.
b)	 em que prevalecerão as práticas democráticas de cidadania.
c)	 de transformação social.
d)	 de grande aglomeração humana.
e)	 constituídas por espaços públicos amplos e de fácil acesso.
Comentário:
a)	 EXTRAPOLAÇÃO: habitantes ameaçados > temor de hipercrescimento das cidades.
b)	 EXTRAPOLAÇÃO: práticas democráticas de cidadania > arenas de transformação
social.
c)	 REDUÇÃO: de um lado [...] arenas de transformação social < áreas de transformação
social.
e)	 CONTRAPOSIÇÃO: espaços públicos amplos e de fácil acesso ≠ De outro lado [...]
por enclaves fechados e espaços exclusivos.
Anotações:
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Análise das Alternativas – Estratégias Linguísticas
PROCEDIMENTOS
1.	 PALAVRAS DESCONHECIDAS = PARÁFRASES e CAMPO SEMÂNTICO e ETIMOLOGIA.
Paráfrase = versão de um texto, geralmente mais extensa e explicativa, cujo objetivo é torná-lo
mais fácil ao entendimento.
Campo Semântico = conjunto de palavras que pertencem a uma mesma área de conhecimento.
Exemplo: aluno / professor / caderno / notas / caneta, etc.
Anotações:
EXEMPLIFICANDO
Estagiário de Ensino Médio Regular – Manhã / 2015 / SABESP / FCC / Médio
	 Logo que Santo Ivo morreu, encaminhou-se ao Céu e bateu à porta, que São Pedro não se
atreveu a abrir, subestimando as razões do bom santo.
	 − Faço o que quiseres − repetia o porteiro do Céu, não lhe dando o devido valor −, mas não
acho que deva permitir a entrada a um advogado, não só porque nenhum tem assento entre os
santos, mas também porque, muito ao contrário, juraria que se encontram no inferno todos os
de tua profissão.
	 Santo Ivo não se desconcertou; antes, como bom advogado, teve tão convincentes razões
para rebater as de São Pedro que este lhe permitiu finalmente entrar no Céu, mas com a
condição de permanecer junto à porta. O hóspede entrou calmamente, sentou-se no lugar
indicado por São Pedro, que foi participar a Nosso Senhor o sucedido...
4.	 Mantendo-se a correção e o sentido, no segmento Santo Ivo não se desconcertou..., o termo
sublinhado pode ser substituído por
a)	 atinou.
b)	 enganou.
c)	 perdeu.
d)	 perturbou.
e)	 anulou.
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
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5.	 (adaptado) Caso desconhecesse o significado da palavra “subestimando” (l. 02), a fim de
apreendê-lo sem o uso do dicionário, o leitor poderia valer-se
I – sua função sintática.
II – paráfrase existente no 2º parágrafo.
III – significado dos morfemas que a compõem.
Quais afirmativas estão corretas?
a)	 Apenas I.
b)	 Apenas II.
c)	 Apenas III.
d)	 Apenas I e II.
e)	 Apenas II e III.
Atendente a clientes / 2014 / SABESP / FCC / Médio
	 Hermético e postiço, jargão incentiva ‘espírito de corpo’ Na maioria dos textos produzidos no
universo corporativo, vê-se um registro muito particular da língua, nem sempre compreensível
aos “não iniciados”. É o que se pode chamar de “jargão corporativo”, uma linguagem hoje
dominada por grande quantidade de decalques do inglês − ou ingênuas traduções literais.
	 O termo “jargão”, que em sua origem quer dizer “fala ininteligível”, guarda certa marca
pejorativa, fruto de sua antiga associação ao pedantismo, ao uso da linguagem empolada.
Embora os jargões sejam coisa muito antiga, foi nos séculos 19 e 20 que proliferaram na Europa,
fruto de uma maior divisão do trabalho nas sociedades industriais. Na época, já figuravam
entre as suas características o uso de termos de línguas estrangeiras como sinal de prestígio e o
emprego de metáforas e eufemismos, exatamente como vemos hoje.
	 Os jargões são alvo constante da crítica não só por abrigarem muitas expressões de outras
línguas, o que lhes confere um ar postiço e hermético, como por seu viés pretensioso. A crítica
a esse tipo de linguagem tem fundamento na preocupação com a “pureza” do idioma e com a
perda de identidade cultural, opinião que, para outros, revela traços de xenofobia.
	 Essa é uma discussão que não deve chegar ao fim tão cedo, mas é fato que os jargões têm
claras funções simbólicas: por um lado, visam a incentivar o “espírito de corpo”, o que deve
justificar o empenho das empresas em cultivá-los (até para camuflar as relações entre patrão e
empregado), e, por outro, promovem a inclusão de uns e a exclusão de outros, além, é claro, de
impressionar os neófitos.
(Adaptado de: CAMARGO, Thaís Nicoleti de. Caderno “Negócios e carreiras”, do jornal Folha de S. Paulo. São
Paulo, 24 de março de 2013. p. 7)
6.	 No título e no último parágrafo, a autora aproxima intencionalmente, de modo criativo, as
palavras “espírito” e “corpo”. No texto, a expressão “espírito de corpo” assume um sentido
mais diretamente relacionado a agrupamentos que se constituem no universo
a)	 da religião.
b)	 do trabalho.
c)	 da geografia.
d)	 da medicina.
e)	 do esporte.
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Anotações:
2.	 BUSCA DE PALAVRAS “FECHADAS” NAS ALTERNATIVAS (possibilidade de a alternativa ser
incorreta):
•• advérbios;
•• artigos;	 multimídia
•• tempos verbais;
•• expressões restritivas;
•• expressões totalizantes;
•• expressões enfáticas.
X
3.	 BUSCA DE PALAVRAS “ABERTAS” NAS ALTERNATIVAS (possibilidade de a alternativa ser a
correta):
•• Possibilidades;
•• hipóteses (provavelmente, é possível, uso do futuro do pretérito do indicativo (-ria) , modo
subjuntivo...).
Anotações:
EXEMPLIFICANDO
Analista do Tesouro Nacional / 2015 / SEFAZ-PI / FCC / Superior
Filosofia de borracharia
	 O borracheiro coçou a desmatada cabeça e proferiu a sentença tranquilizadora: nenhum
problema com o nosso pneu, aliás quase tão calvo quanto ele. Estava apenas um bocado
murcho.
	 − Camminando si sgonfia* − explicou o camarada, com um sorriso de pouquíssimos dentes
e enorme simpatia.
	 O italiano vem a ser um dos muitos idiomas em que a minha abrangente ignorância é
especializada, mas ainda assim compreendi que o pneu do nosso carro periclitante tinha se
esvaziado ao longo da estrada. Não era para menos. Tendo saído de Paris, havíamos rodado
muito antes de cair naquele emaranhado de fronteiras em que você corre o risco de não saber
se está na Áustria, na Suíça ou na Itália.
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
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Soubemos que estávamos no norte, no sótão da Itália, vendo um providencial borracheiro dar
nova carga a um pneu sgonfiato. Dali saímos − éramos dois jovens casais num distante verão
europeu, embarcados numa aventura que, de camping em camping, nos levaria a Istambul
– para dar carga nova a nossos estômagos, àquela altura não menos sgonfiati. O que pode
a fome, em especial na juventude: à beira de um himalaia de sofrível espaguete fumegante,
julguei ver fumaças filosóficas na sentença do tosco borracheiro. E, entre garfadas, sob o olhar
zombeteiro dos companheiros de viagem, me pus a teorizar.
Sim, camminando si sgonfia, e não apenas quando se é, nesta vida, um pneu. Também nós,
de tanto rodar, vamos aos poucos desinflando. E por aí fui, inflado e inflamado num papo
delirante. Fosse hoje, talvez tivesse dito, infelizmente com conhecimento de causa, que a partir
de determinado ponto carecemos todos de alguma espécie de fortificante, de um novo alento
para o corpo, quem sabe para a alma.
* Camminando si sgonfia = andando se esvazia.
(Adaptado de: WERNECK, Humberto – Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 85-86)
7.	 A expressão em italiano, dirigida aos dois jovens casais pelo borracheiro,
a)	 deu oportunidade a que todos reconhecessem na frase do borracheiro a filosofia que ele
havia incutido nela para orientar os jovens.
b)	 foi tomada em sentido puramente metafórico, já que parecia não se aplicar ao problema
que os fez parar na borracharia.
c)	 confundiu ainda mais aqueles aventureiros, que já se sentiam um tanto perdidos no
emaranhado de estradas fronteiriças.
d)	 deu aos turistas a certeza de que se encontravam na Itália, embora eles não atinassem com
o sentido daquelas palavras.
e)	 acabou propiciando uma interpretação mais abrangente, que resultou numa teoria
posteriormente levantada numa refeição.
Oficial de Defensoria Pública / 2011 / DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO / FCC
/ Médio
	 Estamos cercados de situações que banalizam o mal. Segundo Hannah Arendt, teórica
política alemã, a brutalidade é disseminada. Gostamos de pensar que a linha entre o bem e
o mal é impermeável, que as pessoas que cometem atrocidades estão no lado mau, nós no
lado bom, e que jamais cruzaremos a fronteira. Para banalizar o bem, entretanto, precisamos
construir circunstâncias contrárias àquelas que insidiosamente nos corrompem: uma sociedade
detentora de sistemas que permitam a contestação, a crítica e a verdade. Quem sabe assim não
precisaremos de super-heróis para garantir direitos básicos de cidadania.
8.	 ... uma sociedade detentora de sistemas que permitam a contestação, a crítica e a verdade.
O emprego da forma verbal grifada acima denota, no contexto,
a)	 possibilidade de realização de um fato.
b)	 certeza imediata a respeito de uma ação real.
c)	 dúvida plausível acerca da realização de um fato.
d)	 ação prevista em um futuro imediato.
e)	 fato realizado em um tempo indefinido.
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Técnico Judiciário / 2014 / TRF3 / FCC / Médio
	 Toda ficção científica, de Metrópolis ao Senhor dos Anéis, baseia-se, essencialmente, no
que está acontecendo no mundo no momento em que o filme foi feito. Não no futuro ou numa
galáxia distante, muitos e muitos anos atrás, mas agora mesmo, no presente, simbolizado em
projeções que nos confortam e tranquilizam ao nos oferecer uma adequada distância de tempo
e espaço.
	 Na ficção científica, a sociedade se permite sonhar seus piores problemas: desumanização,
superpopulação, totalitarismo, loucura, fome, epidemias. Não se imita a realidade, mas imagina-
se, sonha-se, cria-se outra realidade onde possamos colocar e resolver no plano da imaginação
tudo o que nos incomoda no cotidiano. O elemento essencial para guiar a lógica interna do
gênero, cuja quebra implica o fim da magia, é a ciência. Por isso, tecnologia é essencial ao
gênero. Parte do poder desse tipo de magia cinematográfica está em concretizar, diante dos
nossos olhos, objetos possíveis, mas inexistentes: carros voadores, robôs inteligentes. Como
parte dessas coisas imaginadas acaba se tornando realidade, o gênero reforça a sensação de
que estamos vendo na tela projeções das nossas possibilidades coletivas futuras.
(Adaptado de: BAHIANA, Ana Maria. Como ver um filme. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012. formato ebook.)
09.	Considere.
I – Segundo o texto, na ficção científica abordam-se, com distanciamento de tempo e espaço,
questões controversas e moralmente incômodas da sociedade atual, de modo que a solução
oferecida pela fantasia possa ser aplicada para resolver os problemas da realidade.
II – Parte do poder de convencimento da ficção científica deriva do fato de serem apresentados
ao espectador objetos imaginários que, embora não existam na vida real, estão, de algum
modo, conectados à realidade.
III – A ficção científica extrapola os limites da realidade, mas baseia-se naquilo que, pelo menos
em teoria, acredita-se que seja possível.
Está correto o que se afirma APENAS em
a)	 I e II.
b)	 I e III.
c)	 II e III.
d)	 II.
e)	 III.
Anotações:
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
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Inferência
PROCEDIMENTOS
INFERÊNCIA = ideias implícitas, sugeridas, que podem ser depreendidas a partir da leitura do
texto, de certas palavras ou expressões contidas na frase.
Enunciados = “Infere-se”, Deduz-se”, “Depreende-se”, etc.
Observe a tira.
Ao utilizar a palavra “também” (último quadro, sobretudo) – advérbio ou palavra denotativa
de inclusão, que significa “do mesmo modo” –, Stock comunica conjuntamente, de modo
implícito, que havia feito sexo com a noiva de Wood.
EXEMPLIFICANDO
Técnico Judiciário / 2014 / TRF3 / FCC / Médio
	 O canto das sereias é uma imagem que remonta às mais luminosas fontes da mitologia e da
literatura gregas. As versões da fábula variam, mas o sentido geral da trama é comum.
	 As sereias eram criaturas sobre-humanas. Ninfas de extraordinária beleza, viviam sozinhas
numa ilha do Mediterrâneo, mas tinham o dom de chamar a si os navegantes, graças ao
irresistível poder de sedução do seu canto. Atraídos por aquela melodia divina, os navios
batiam nos recifes submersos da beira-mar e naufragavam. As sereias então devoravam
impiedosamente os tripulantes.
	 Doce o caminho, amargo o fim. Como escapar com vida do canto das sereias? A literatura
grega registra duas soluções vitoriosas. Uma delas foi a saída encontrada por Orfeu, o
incomparável gênio da música e da poesia. Quando a embarcação na qual ele navegava entrou
inadvertidamente no raio de ação das sereias, ele conseguiu impedir a tripulação de perder
a cabeça tocando uma música ainda mais sublime do que aquela que vinha da ilha. O navio
atravessou incólume a zona de perigo.
	 A outra solução foi a de Ulisses. Sua principal arma para vencer as sereias foi o
reconhecimento franco e corajoso da sua fraqueza e da sua falibilidade − a aceitação dos seus
inescapáveis limites humanos. Ulisses sabia que ele e seus homens não teriam firmeza para
resistir ao apelo das sereias. Por isso, no momento em que a embarcação se aproximou da ilha,
mandou que todos os tripulantes tapassem os ouvidos com cera e ordenou que o amarrassem
ao mastro central do navio. O surpreendente é que Ulisses não tapou com cera os próprios
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ouvidos − ele quis ouvir. Quando chegou a hora, Ulisses foi seduzido pelas sereias e fez de tudo
para convencer os tripulantes a deixarem-no livre para ir juntar-se a elas. Seus subordinados,
contudo, cumpriram fielmente a ordem de não soltá-lo até que estivessem longe da zona de
perigo.
	 Orfeu escapou das sereias como divindade; Ulisses, como mortal. Ao se aproximar das
sereias, a escolha diante do herói era clara: a falsa promessa de gratificação imediata, de
um lado, e o bem permanente do seu projeto de vida − prosseguir viagem, retornar a Ítaca,
reconquistar Penélope −, do outro. A verdadeira vitória de Ulisses foi contra ele mesmo. Foi
contra a fraqueza, o oportunismo suicida e a surdez delirante que ele soube reconhecer em sua
própria alma.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Auto-engano. São Paulo, Cia. das Letras, 1997. Formato eBOOK)
10.	Depreende-se do texto que as sereias atingiam seus objetivos por meio de
a)	 dissimulação.
b)	 lisura.
c)	 observação.
d)	 condescendência.
e)	 intolerância.
Anotações:
INTERTEXTUALIDADE		 multimídia
Um texto remete a outro, contendo em si – muitas vezes – trechos ou temática desse outro
com o qual mantém “diálogo”.
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
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EXEMPLIFICANDO
Técnico Judiciário / 2014 / TRF3 / FCC / Médio
Texto I
	 O canto das sereias é uma imagem que remonta às mais luminosas fontes da mitologia e da
literatura gregas. As versões da fábula variam, mas o sentido geral da trama é comum.
	 As sereias eram criaturas sobre-humanas. Ninfas de extraordinária beleza, viviam sozinhas
numa ilha do Mediterrâneo, mas tinham o dom de chamar a si os navegantes, graças ao
irresistível poder de sedução do seu canto. Atraídos por aquela melodia divina, os navios
batiam nos recifes submersos da beira-mar e naufragavam. As sereias então devoravam
impiedosamente os tripulantes.
	 Doce o caminho, amargo o fim. Como escapar com vida do canto das sereias? A literatura
grega registra duas soluções vitoriosas. Uma delas foi a saída encontrada por Orfeu, o
incomparável gênio da música e da poesia. Quando a embarcação na qual ele navegava entrou
inadvertidamente no raio de ação das sereias, ele conseguiu impedir a tripulação de perder
a cabeça tocando uma música ainda mais sublime do que aquela que vinha da ilha. O navio
atravessou incólume a zona de perigo.
	 A outra solução foi a de Ulisses. Sua principal arma para vencer as sereias foi o
reconhecimento franco e corajoso da sua fraqueza e da sua falibilidade − a aceitação dos seus
inescapáveis limites humanos. Ulisses sabia que ele e seus homens não teriam firmeza para
resistir ao apelo das sereias. Por isso, no momento em que a embarcação se aproximou da ilha,
mandou que todos os tripulantes tapassem os ouvidos com cera e ordenou que o amarrassem
ao mastro central do navio. O surpreendente é que Ulisses não tapou com cera os próprios
ouvidos − ele quis ouvir. Quando chegou a hora, Ulisses foi seduzido pelas sereias e fez de tudo
para convencer os tripulantes a deixarem-no livre para ir juntar-se a elas. Seus subordinados,
contudo, cumpriram fielmente a ordem de não soltá-lo até que estivessem longe da zona de
perigo.
	 Orfeu escapou das sereias como divindade; Ulisses, como mortal. Ao se aproximar das
sereias, a escolha diante do herói era clara: a falsa promessa de gratificação imediata, de
um lado, e o bem permanente do seu projeto de vida − prosseguir viagem, retornar a Ítaca,
reconquistar Penélope −, do outro. A verdadeira vitória de Ulisses foi contra ele mesmo. Foi
contra a fraqueza, o oportunismo suicida e a surdez delirante que ele soube reconhecer em sua
própria alma.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Auto-engano. São Paulo, Cia. das Letras, 1997. Formato eBOOK)
Texto II
	 O consultor de empresas americano Herb M. Greenberg chegou à conclusão de que o
autoconhecimento é a base do sucesso de profissionais bem-sucedidos. Ele garante que
esses profissionais “conseguem compreender a si mesmos e sabem o que fazem de melhor;
conhecem exatamente quais são suas fraquezas e seus pontos fortes e por isso se destacam
dos demais”.
(Adaptado de: GRINBERG, Renato. A estratégia do olho de tigre. São Paulo: Gente, 2011. p.51)
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11.	Atente para o que se afirma abaixo.
I – Depreende-se do Texto II que o comentário sobre profissionais feito pelo consultor citado
aplica-se a Ulisses (Texto I), pois foi por meio do autoconhecimento que ele desenvolveu a
engenhosa estratégia que o salvou das sereias.
II – Ao se contrapor o Texto II à fábula das sereias (Texto I), percebe-se que as estratégias
realistas de um funcionário de uma empresa nada têm em comum com as decisões tomadas
por Orfeu e Ulisses, pois foi a intervenção sobrenatural que mudou o curso do destino dos
heróis.
III – A atitude de Orfeu não é um exemplo válido para o que se afirma no Texto II sobre
profissionais bem-sucedidos, pois fica evidente que Orfeu não conhecia seus pontos fracos.
Está correto o que se afirma APENAS em
a)	 II e III.
b)	 II.
c)	 I e II.
d)	 I e III.
e)	 I.
EXTRATEXTUALIDADE
A questão formulada por meio do texto encontra-se fora do universo textual, exigindo do
candidato conhecimento mais amplo de mundo.
EXEMPLIFICANDO
“...inúmeros filmes vetados por famílias que se julgam no direito de determinar o que pode ou
não pode ser dito sobre qualquer pessoa. Exatamente o que os generais acreditavam poder
fazer em relação a jornais, rádios e televisões.”
12.	”Exatamente o que os generais acreditavam poder fazer em relação a jornais, rádios e televisão.”
A finalidade da comparação no segmento do texto é a de
a)	 recordar as grandes injustiças do regime militar.
b)	 comparar dois momentos diferentes de nossa história.
c)	 condenar a censura no regime militar.
d)	 elogiar certas medidas duras, mas indispensáveis.
e)	 criticar a posição de algumas famílias de biografados.
A extratextualidade consiste em evocar o conhecimento prévio: a censura praticada
por militares durante momento de nossa história, criticada à época, é inadmissível,
independentemente da situação e do momento.
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Anotações:
Tipologias Textuais
Narração: modalidade na qual se contam um ou mais fatos – fictício ou não – que
ocorreram em determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Há uma
relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado.
EXEMPLIFICANDO
13.	(12252) Estão presentes características típicas de um discurso narrativo em
I – Heidegger reclamava, numa palestra que fez em 1942, da adoção progressiva das máquinas
de escrever.
II – A escrita mecanizada priva a mão da dignidade no domínio da palavra escrita.
III – A escrita manual estimularia os processos de memorização e representação verbal.
Atende ao enunciado APENAS o que consta em
a)	 I.
b)	 II.
c)	 III.
d)	 I e II.
e)	 II e III.
Descrição: é a modalidade na qual se apontam as características que compõem
determinado objeto, pessoa, ambiente ou paisagem. Usam-se adjetivos para tal.
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EXEMPLIFICANDO
A Carta de Pero Vaz de Caminha
	 De ponta a ponta é toda praia rasa, muito plana e bem formosa. Pelo sertão, pareceu nós
do mar muito grande, porque a estender a vista não podíamos ver senão terra e arvoredos,
parecendo-nos terra muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro nem
prata, nem nenhuma coisa de metal, nem de ferro; nem as vimos. Mas, a terra em si é muito
boa de ares, tão frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho, porque, neste tempo
de agora, assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas e infindas. De tal maneira é
graciosa que, querendo aproveitá-la dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem.
(In: Cronistas e viajantes. São Paulo: Abril Educação, 1982. p. 12-23. Literatura Comentada. Com adaptações)
14.	A respeito do trecho da Carta de Caminha e de suas características textuais, é correto afirmar
que
a)	 No texto, predominam características argumentativas e descritivas.
b)	 O principal objetivo do texto é ilustrar experiências vividas através de uma narrativa fictícia.
c)	 O relato das experiências vividas é feito com aspectos descritivos.
d)	 A intenção principal do autor é fazer oposição aos fatos mencionados.
e)	 O texto procura despertar a atenção do leitor para a mensagem através do uso
predominante de uma linguagem figurada.
Argumentação: modalidade na qual se expõem ideias e opiniões gerais, seguidas da
apresentação de argumentos que as defendam e comprovem.
EXEMPLIFICANDO
Técnico Judiciário – Administrativo / 2012 / TRE-SP / FCC / Médio
	 Adoniran Barbosa é um grande compositor e poeta popular, expressivo como poucos;
mas não é Adoniran nem Barbosa, e sim João Rubinato, que adotou o nome de um amigo do
Correio e o sobrenome de um compositor admirado. A idéia foi excelente, porque um artista
inventa antes de mais nada a sua própria personalidade; e porque, ao fazer isto, ele exprimiu
a realidade tão paulista do italiano recoberto pela terra e do brasileiro das raízes européias.
Adoniran é um paulista de cerne que exprime a sua terra com a força da imaginação alimentada
pelas heranças necessárias de fora.
	 Já tenho lido que ele usa uma língua misturada de italiano e português. Não concordo. Da
mistura, que é o sal da nossa terra, Adoniran colheu a flor e produziu uma obra radicalmente
brasileira, em que as melhores cadências do samba e da canção, alimentadas inclusive pelo
terreno fértil das Escolas, se alia com naturalidade às deformações normais de português
brasileiro, onde Ernesto vira Arnesto e assim por diante.
	 São Paulo muda muito, e ninguém é capaz de dizer aonde irá. Mas a cidade que nossa
geração conheceu (Adoniran é de 1910) foi a que se sobrepôs à velha cidadezinha caipira,
entre 1900 e 1950; e que desde então vem cedendo lugar a uma outra, transformada em vasta
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
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aglomeração de gente vinda de toda parte. Esta cidade que está acabando, que já acabou com
a garoa, os bondes, o trem da Cantareira, o Triângulo, as Cantinas do Bexiga, Adoniran não a
deixará acabar, porque graças a ele ela ficará, misturada vivamente com a nova mas, como o
quarto do poeta, também "intacta, boiando no ar."
	 A sua poesia e a sua música são ao mesmo tempo brasileiras em geral e paulistanas em
particular. Sobretudo quando entram (quase sempre discretamente) as indicações de lugar,
para nos porem no Alto da Mooca, na Casa Verde, na Avenida São João, na 23 de Maio, no Brás
genérico, no recente metrô, no antes remoto Jaçanã. Talvez João Rubinato não exista, porque
quem existe é o mágico Adoniran Barbosa, vindo dos carreadores de café para inventar no
plano da arte a permanência da sua cidade e depois fugir, com ela e conosco, para a terra da
poesia, ao apito fantasmal do trenzinho perdido da Cantareira."
Adaptado de Antônio Cândido. Textos de intervenção. São Paulo, Duas Cidades, Ed.34, 2002, p.211-213
15.	(12256) No primeiro parágrafo, Antônio Cândido
a)	 destaca a contribuição de Adoniran Barbosa para a comunidade italiana de São Paulo, na
época em que a cidade era conhecida como terra da garoa.
b)	 analisa o contexto histórico em que a obra de Adoniran Barbosa aflorou, emitindo opinião
crítica sobre a cidade que a acolheu.
c)	 contextualiza a obra de Adoniran Barbosa, expondo as características positivas e negativas
da época em que o autor compunha.
d)	 fornece alguns dados biográficos sobre Adoniran Barbosa e emite opiniões críticas
favoráveis a respeito do compositor.
e)	 critica João Rubinato por ter alterado o seu nome tipicamente brasileiro, embora reconheça
que o pseudônimo escolhido tem maior força poética.
Exposição: apresenta informações sobre assuntos, expõe ideias. Não faz defesa de uma
ideia, pois tal procedimento é característico do texto dissertativo. O texto expositivo
apenas revela ideias sobre um determinado assunto.
EXEMPLIFICANDO
O telefone celular
	 A história do celular é recente, mas remonta ao passado –– e às telas de cinema. A mãe do
telefone móvel é a austríaca Hedwig Kiesler (mais conhecida pelo nome artístico Hedy Lamaar),
uma atriz de Hollywood que estrelou o clássico Sansão e Dalila (1949). Hedy tinha tudo para
virar celebridade, mas pela inteligência. Ela foi casada com um austríaco nazista fabricante de
armas. O que sobrou de uma relação desgastante foi o interesse pela tecnologia.
	 Já nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, ela soube que alguns torpedos
teleguiados da Marinha haviam sido interceptados por inimigos. Ela ficou intrigada com isso,
e teve a ideia: um sistema no qual duas pessoas podiam se comunicar mudando o canal, para
que a conversa não fosse interrompida. Era a base dos celulares, patenteada em 1940.
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16.	O modo predominante de organização textual é
a)	 descritivo.
b)	 narrativo.
c)	 argumentativo.
d)	 expositivo.
e)	 injuntivo.
Injunção:indicacomorealizarumaação.Tambéméutilizadoparapredizeracontecimentos
e comportamentos. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria,
empregados no modo imperativo.
EXEMPLIFICANDO
Chutney de berinjela
1 pimentão amarelo
2 pimentões verdes
2 pimentões vermelhos
2 berinjelas
200 g de passas
Picar todos os ingredientes e misturar com as passas. Pôr tudo numa assadeira com sal, ½ copo
de azeite, ½ copo de vinagre. Levar ao forno até a berinjela ficar bem cozida.
17.	Considere as afirmações.
I – O texto insere-se em apenas uma tipologia, a saber, a injuntiva.
II – O texto insere-se predominantemente nas tipologias descritiva e injuntiva.
III – Tal gênero de texto é chamado (além de prescritivo) de instrucional.
Quais estão corretas?
a)	 Apenas I.
b)	 Apenas II.
c)	 Apenas III.
d)	 Apenas I e II.
e)	 I, II e III.
Anotações:
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AULA 2
•• Gêneros Textuais.
•• Semântica e Vocabulário.
•• Polissemia.
•• Conotação e Denotação.
•• Ortografia.
Gêneros Textuais
EDITORIAL: texto opinativo/argumentativo, não assinado, no qual o autor (ou autores)
não expressa a sua opinião, mas revela o ponto de vista da instituição. Geralmente, aborda
assuntos bastante atuais. Busca traduzir a opinião pública acerca de determinado tema,
dirigindo-se (explícita ou implicitamente) às autoridades, a fim de cobrar-lhes soluções.
EXEMPLIFICANDO
Analista Judiciário – Administrativa / 2014 / TJ-AP / FCC / Superior
	 A expressão “política indigenista” foi utilizada por muito tempo como sinônimo de toda
e qualquer ação política governamental que tivesse as populações indígenas como objeto.
As diversas mudanças no campo do indigenismo nos últimos anos, no entanto, exigem que
estabeleçamos uma definição mais precisa e menos ambígua do que seja a política indigenista.
	 Primeiramente temos como agentes principais os próprios povos indígenas, seus
representantes e organizações. O amadurecimento progressivo do movimento indígena desde
a década de 1970, e o consequente crescimento no número e diversidade de organizações
nativas, dirigidas pelos próprios índios, sugere uma primeira distinção no campo indigenista: a
“política indígena”, aquela protagonizada pelos próprios índios, não se confunde com a política
indigenista e nem a ela está submetida. Entretanto, boa parte das organizações e lideranças
indígenas vêm aumentando sua participação na formulação e execução das políticas para os
povos indígenas.
	 Numa segunda distinção, encontramos outros segmentos que interagem com os povos
indígenas e que também, como eles, têm aumentado sua participação na formulação e
execução de políticas indigenistas, antes atribuídas exclusivamente ao Estado brasileiro. Nesse
conjunto encontramos principalmente as organizações não governamentais. Somam-se a este
universo de agentes não indígenas as organizações religiosas que se relacionam com os povos
indígenas em diversos campos de atuação.
Aula 2
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	 Contemporaneamente, portanto, temos um quadro complexo no qual a política indigenista
oficial (formulada e executada pelo Estado) tem sido formulada e implementada a partir
de parcerias formais estabelecidas entre setores governamentais, organizações indígenas,
organizações não governamentais e missões religiosas.
(Disponível em: pib.socioambiental.org. Acesso em 03/10/14. Com adaptações)
18.	Depreende-se corretamente do texto que
a)	 a distinção entre a política indigenista e a política indígena está centrada no fato de que
a primeira é implementada pelo Estado enquanto a segunda é colocada em prática pelos
próprios índios.
b)	 a expressão política indigenista deixou de ser apropriada na medida em que uma
diversidade de organizações nativas, dirigidas pelos próprios índios, passou a prevalecer
sobre as práticas governamentais.
c)	 a tentativa de estabelecer uma definição menos ambígua do que seja a política indigenista
mostrou-se inconclusa, dada a complexidade da situação atual em que a política indígena
tem sido formulada.
d)	 os povos indígenas amadureceram nas últimas décadas, o que fez com que demandas
antigas do movimento indígena, aquelas protagonizada[s] pelos próprios índios, fossem
abandonadas.
e)	 os agentes não indígenas, apesar dos avanços atingidos desde a década de 1970, deixaram
de pôr em prática diversos projetos que tratavam de interesses específicos dos índios, nos
vários setores em que atuam.
ARTIGO: são os mais comuns. São textos autorais – assinados –, cuja opinião é da inteira
responsabilidade de quem o escreveu. Seu objetivo é o de persuadir o leitor.
EXEMPLIFICANDO
Técnico Judiciário – Enfermagem / 2012 / TRF 2ª / FCC / Médio
	 O Brasil é um país de preguiçosos. A pequena parcela da população com disposição de
calçar um par de tênis para se exercitar é formada majoritariamente por homens jovens e com
alto poder aquisitivo. O futebol é, disparado, o esporte mais praticado, seguido por corrida
e caminhada. Essas são as principais conclusões da maior pesquisa já feita sobre os hábitos
esportivos dos brasileiros. Os resultados preocupam. É indiscutível que a prática de esportes,
associada a uma alimentação regrada, está diretamente ligada a uma vida mais saudável.
	 A pesquisa traçou ainda um mapa da prática de esportes no Brasil. Poder aquisitivo
e questões culturais explicam as modalidades favoritas de cada região. Porto Alegre e
Florianópolis, locais de alto padrão de renda, são as cidades em que a população mais se
exercita. Já Recife é a capital do sedentarismo. Pelos mesmos motivos, os brasileiros se mexem
mais do que habitantes de países pobres da América Latina, África e Ásia. Mas bem menos do
que europeus, japoneses e americanos. O Rio de Janeiro, com suas praias e a tradição de seus
times, é a capital do futebol. Brasília, plana e cheia de parques, é onde mais se corre.
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
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	 A saúde aparece como o principal motivo para a procura por atividades físicas. No ranking
da Organização Mundial de Saúde dos principais fatores de risco para as causas mais comuns
de morte, como infarto e derrame, o sedentarismo figura na quarta posição, atrás apenas de
diabetes, tabagismo e hipertensão. "O corpo humano foi feito para se mexer", diz o fisiologista
Paulo Zogaib, da Universidade Federal de São Paulo. "Em movimento constante, nosso
organismo realiza melhor todas as suas funções. Parado, adoece."
(Otávio Cabral e Giuliana Bergamo. Veja, 28 de setembro de 2011, p. 103-104, com adaptações)
19.	(12212) Os mesmos motivos para a prática de exercícios físicos, referidos no 2º parágrafo, são
a)	 alimentação regrada e hábitos esportivos.
b)	 sedentarismo e modalidades favoritas.
c)	 praias e tradição dos times de futebol.
d)	 poder aquisitivo e questões culturais.
e)	 parques e existência de áreas planas.
NOTÍCIA: são autorais, apesar de nem sempre serem assinadas. Seu objetivo é tão
somente o de informar, não o de convencer.
CRÔNICA: fotografia do cotidiano, realizada por olhos particulares. Geralmente, o cronista
apropria-se de um fato atual do cotidiano, para, posteriormente, tecer críticas ao status
quo, baseadas quase exclusivamente em seu ponto de vista. A linguagem desse tipo de
texto é predominantemente coloquial.
EXEMPLIFICANDO
Controlador de Sistemas / 2014 / SABESP / FCC / Médio
	 "O amor acaba", disse Paulo Mendes Campos, em sua crônica mais bonita; só não disse
o que fica no lugar. É na esperança, talvez, de entender essa estranha melancolia, esse vazio
preenchido por boas lembranças e algumas cicatrizes, que a encontro a cada ano ou dois.
Marcamos um almoço num dia de semana. Falamos do passado, mas não muito. Falamos do
presente, mas não muito. Há uma vontade genuína de se aproximar e o tácito reconhecimento
dessa impossibilidade.
	 Dois velhos amigos, quando se reveem, voltam no ato para o território comum de sua
amizade. Reconstroem o pátio da escola, o prédio em que moraram − e o adentram. Para
antigos amantes, no entanto, é impossível restabelecer o elo, o elo morreu com o amor, era
o amor. O que sobra é feito um cômodo dentro da gente, cheio de objetos valiosos, porém
trancado. Sentimos saudades do que está ali dentro, mas não podemos nem queremos entrar.
Como disse um grego que viveu e amou há 2.500 anos: não somos mais aquelas pessoas nem é
mais o mesmo aquele rio.
	 Uma vez vi um filme em que alguém declarava: "Se duas pessoas que um dia se amaram
não puderem ser amigas, então o mundo é um lugar muito triste". O mundo é um lugar triste,
mas não porque antigos amantes não podem ser amigos: sim porque o passado não pode ser
recuperado.
(Adaptado de: PRATA, Antonio. Folha de S.Paulo, 20/02/2013)
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20.	No texto, o autor
a)	 contrapõe o amor à amizade, em defesa desta.
b)	 lamenta que antigos amantes não possam mais ser amigos.
c)	 admite nutrir a expectativa de recuperar um antigo amor.
d)	 constata que o passado é irrecuperável.
e)	 critica o caráter insondável das relações interpessoais.
PEÇA PUBLICITÁRIA: a propaganda é um modo específico de apresentar informação sobre
produto, marca, empresa, ideia ou política, visando a influenciar a atitude de uma audiência
em relação a uma causa, posição ou atuação. A propaganda comercial é chamada, também,
de publicidade. Ao contrário da busca de imparcialidade na comunicação, a propaganda
apresenta informações com o objetivo principal de influenciar uma audiência. Para tal,
frequentemente, apresenta os fatos seletivamente (possibilitando a mentira por omissão)
para encorajar determinadas conclusões, ou usa mensagens exageradas para produzir uma
resposta emocional e não racional à informação apresentada. Costuma ser estruturada por
meio de frases curtas e em ordem direta, utilizando elementos não verbais para reforçar a
mensagem.
CHARGE: é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar algum acontecimento
atual com uma ou mais personagens envolvidas. A palavra é de origem francesa e significa
carga, ou seja, exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo caricato, tece
uma crítica contundente. Mais do que um simples desenho, a charge é uma crítica político-
social mediante o artista expressa graficamente sua visão sobre determinadas situações
cotidianas por meio do humor e da sátira.
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CARTUM: retrata situações sociais corriqueiras, relacionadas ao comportamento humano,
mas não necessariamente situadas no tempo. Caracteriza-se por ser uma anedota gráfica
na qual se visualiza a presença da linguagem verbal associada à não verbal.
QUADRINHOS: hipergênero, que agrega diferentes outros gêneros, cada um com suas
peculiaridades.
TEXTO LITERÁRIO
EXEMPLIFICANDO
Técnico Judiciário – Enfermagem / 2015 / TRT 15ª / FCC / Médio
“Você não está mais na idade
de sofrer por essas coisas”
Há então a idade de sofrer
e a de não sofrer mais
por essas, essas coisas?
As coisas só deviam acontecer
para fazer sofrer
na idade própria de sofrer?
Ou não se devia sofrer
pelas coisas que causam sofrimento
pois vieram fora de hora, e a hora é calma?
E se não estou mais na idade de sofrer
é porque estou morto, e morto
é a idade de não sentir as coisas, essas coisas?
(ANDRADE, Carlos Drummond de. “Essas coisas”. As impurezas do branco. Rio de Janeiro: José Olympio, 3. ed., 1976, p.30)
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21.	Infere-se corretamente do poema que
a)	 a alegria é maior nas horas calmas da vida.
b)	 na vida há uma idade apropriada para sofrer por certas coisas.
c)	 quando se é jovem, o sofrimento deve ser evitado.
d)	 a ausência de sofrimento só é possível na morte.
e)	 o sofrimento é mais comum na velhice do que na juventude.
Anotações:
Semântica e Vocabulário
SINÔNIMOS: palavras que possuem significados iguais ou semelhantes.
Porém os sinônimos podem ser
•• perfeitos: significado absolutamente igual (o que não é muito frequente); cambiáveis em
qualquer contexto.
Ex.: morte = falecimento / idoso = ancião
•• imperfeitos: o significado das palavras é apenas semelhante.
Ex.: belo~formoso/ adorar~amar / fobia~receio
ANTÔNIMOS: palavras que possuem significados opostos, contrários. Pode originar-se do
acréscimo de um prefixo de sentido oposto ou negativo.
Exemplos:
mal X bem
fraco X forte
subir X descer
possível X impossível
simpático X antipático
EXEMPLIFICANDO
Analista do Tesouro Nacional / 2015 / SEFAZ-PI / FCC / Superior
Filosofia de borracharia
	 O borracheiro coçou a desmatada cabeça e proferiu a sentença tranquilizadora: nenhum
problema com o nosso pneu, aliás quase tão calvo quanto ele. Estava apenas um bocado
murcho.
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	 − Camminando si sgonfia* − explicou o camarada, com um sorriso de pouquíssimos dentes
e enorme simpatia.
	 O italiano vem a ser um dos muitos idiomas em que a minha abrangente ignorância é
especializada, mas ainda assim compreendi que o pneu do nosso carro periclitante tinha se
esvaziado ao longo da estrada. Não era para menos. Tendo saído de Paris, havíamos rodado
muito antes de cair naquele emaranhado de fronteiras em que você corre o risco de não saber
se está na Áustria, na Suíça ou na Itália.
	 Soubemos que estávamos no norte, no sótão da Itália, vendo um providencial borracheiro
dar nova carga a um pneu sgonfiato. Dali saímos − éramos dois jovens casais num distante verão
europeu, embarcados numa aventura que, de camping em camping, nos levaria a Istambul
– para dar carga nova a nossos estômagos, àquela altura não menos sgonfiati. O que pode
a fome, em especial na juventude: à beira de um himalaia de sofrível espaguete fumegante,
julguei ver fumaças filosóficas na sentença do tosco borracheiro. E, entre garfadas, sob o olhar
zombeteiro dos companheiros de viagem, me pus a teorizar.
	 Sim, camminando si sgonfia, e não apenas quando se é, nesta vida, um pneu. Também
nós, de tanto rodar, vamos aos poucos desinflando. E por aí fui, inflado e inflamado num papo
delirante. Fosse hoje, talvez tivesse dito, infelizmente com conhecimento de causa, que a partir
de determinado ponto carecemos todos de alguma espécie de fortificante, de um novo alento
para o corpo, quem sabe para a alma.
* Camminando si sgonfia = andando se esvazia.
(Adaptado de: WERNECK, Humberto – Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 85-86)
22.	Sem prejuízo para o sentido do contexto, pode-se substituir o elemento sublinhado no
segmento
a)	 sob o olhar zombeteiro (4º parágrafo) por exame indolente
1
.
b)	 proferiu a sentença tranquilizadora (1º parágrafo) por opinião
2
consoladora.
c)	 nosso carro periclitante (3º parágrafo) por indomável
3
.
d)	 um providencial borracheiro (3º parágrafo) por previdente.
4
e)	 julguei ver fumaças filosóficas (4º parágrafo) por presunções de filosofia
5
.
Anotações:
1	 sem vigor; insensível ≠ zombeteiro = aquele ou o que faz troça.
2	 parecer ≠ sentença = decisão final.
3	 que não pode ser domado, controlado ≠ periclitante = que está em perigo.
4	 precavido ≠ providencial = oportuno.
5	 pretensão = fumaças = maneiras presunçosas.
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Polissemia
Significa (poli = muitos; semia = significado) “muitos sentidos”, contudo, assim que se insere
no contexto, a palavra perde seu caráter polissêmico e assume significado específico, isto
é, significado contextual. Os vários significados de uma palavra, em geral, têm um traço em
comum. A cada um deles dá-se o nome de acepção.
•• A cabeça une-se ao tronco pelo pescoço.
•• Ele é o cabeça da rebelião.
•• Sabrina tem boa cabeça.
EXEMPLIFICANDO
23.	Encontramos o efeito polissêmico empregado na seguinte palavra:
a)	 vaca.
b)	 humano.
c)	 costela.
d)	 radiografia.
e)	 conversa.
Denotação e Conotação
DENOTAÇÃO: significação objetiva da palavra – valor referencial; é a palavra em "estado de
dicionário“.
CONOTAÇÃO: significação subjetiva da palavra; ocorre quando a palavra evoca outras realidades
devido às associações que ela provoca.
EXEMPLIFICANDO
Atendente a Clientes / 2014 / SABESP / FCC / Médio
A marca da solidão
Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de paralelepípedos, o menino espia. Tem
os braços dobrados e a testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de penumbra
na tarde quente.
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
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Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, dentro de cada uma delas, um diminuto
caminho de terra, com pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando pequenas plantas,
ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é capaz de parar de viver para, apenas, ver.
Quando se tem a marca da solidão na alma, o mundo cabe numa fresta.
(SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janeiro: Tinta negra bazar, 2010. p. 47)
24.	No primeiro parágrafo, a palavra utilizada em sentido figurado é
a)	 menino.
b)	 chão.
c)	 testa.
d)	 penumbra.
e)	 tenda.
Anotações:
Ortografia
Parônimos – palavras que são muito parecidas na escrita ou na pronúncia, porém
apresentam significados diferentes.
ALGUNS EXEMPLOS
absolver (perdoar, inocentar) absorver (aspirar, sorver)
ao encontro de (a favor) de encontro a (contra)
ao invés de (oposto) em vez de (no lugar de)
apóstrofe (figura de linguagem) apóstrofo (sinal gráfico)
aprender (tomar conhecimento) apreender (capturar, assimilar)
arrear (pôr arreios) arriar (descer, cair)
ascensão (subida) assunção (elevação a um cargo)
bebedor (aquele que bebe) bebedouro (local onde se bebe)
cavaleiro (que cavalga) cavalheiro (homem gentil)
comprimento (extensão) cumprimento (saudação)
deferir (atender) diferir (distinguir-se, divergir)
delatar (denunciar) dilatar (alargar)
descrição (ato de descrever) discrição (reserva, prudência)
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descriminar (tirar a culpa) discriminar (distinguir)
despensa (local onde se guardam mantimentos) dispensa (ato de dispensar)
docente (relativo a professores) discente (relativo a alunos)
emigrar (deixar um país) imigrar (entrar num país)
eminência (elevado) iminência (qualidade do que está iminente)
eminente (elevado) iminente (prestes a ocorrer)
esbaforido (ofegante, apressado) espavorido (apavorado)
estada (permanência em um lugar) estadia (permanência temporária em um lugar)
flagrante (evidente) fragrante (perfumado)
fluir (transcorrer, decorrer) fruir (desfrutar)
fusível (aquilo que funde) fuzil (arma de fogo)
imergir (afundar) emergir (vir à tona)
inflação (alta dos preços) infração (violação)
infligir (aplicar pena) infringir (violar, desrespeitar)
mandado (ordem judicial) mandato (procuração)
peão (aquele que anda a pé, domador de
cavalos)
pião (tipo de brinquedo)
precedente (que vem antes) procedente (proveniente; que tem fundamento)
ratificar (confirmar) retificar (corrigir)
recrear (divertir) recriar (criar novamente)
soar (produzir som) suar (transpirar)
sortir (abastecer, misturar) surtir (produzir efeito)
sustar (suspender) suster (sustentar)
tráfego (trânsito) tráfico (comércio ilegal)
vadear (atravessar a vau) vadiar (andar ociosamente)
Homônimos – palavras que são iguais na escrita e/ou na pronúncia, porém têm significados
diferentes.
Homônimos perfeitos são palavras diferentes no sentido, mas idênticas na escrita e na
pronúncia.
São Jorge / São várias as causas / Homem são.
Homônimos homógrafos têm a mesma escrita, porém diferente pronúncia na abertura da
vogal tônica “o” / “e”.
O molho / Eu molho – A colher / Vou colher
Homônimos homófonos têm a mesma pronúncia, mas escrita diferente.
Acender =	pôr fogo / Ascender = subir
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ALGUNS EXEMPLOS
Acento
Inflexão da voz; sinal
gráfico
Assento
Lugar onde a gente se
assenta
Anticé(p)tico Oposto aos céticos Antissé(p)tico Desinfetante
Caçar Perseguir a caça Cassar Anular
Cé(p)tico Que ou quem duvida Sé(p)tico Que causa infecção
Cela Pequeno aposento Sela Arreio de cavalgadura
Celeiro Depósito de provisões Seleiro Fabricante de selas
Censo Recenseamento Senso Juízo claro
Cerração Nevoeiro espesso Serração Ato de serrar
Cerrar Fechar Serrar Cortar
Cilício Cinto para penitências Silício Elemento químico
Círio Vela grande de cera Sírio da Síria
Concertar Harmonizar; combinar Consertar Remendar; reparar
Empoçar Formar poça Empossar Dar posse a
Estrato
Camadas (rochas);
seção ou divisão de um
sistema organizado;
faixa. P.ext., a classifi-
cação dos indivíduos a
partir de suas condições
socioeconômicas; grupo
composto por nuvens
baixas.
Extrato
Que foi extraído
de alguma coisa;
registro de uma conta
(bancária, p.ex.);
perfume.
Incerto Duvidoso Inserto Inserido, incluído
Incipiente Principiante Insipiente Ignorante
Intenção ou tenção Propósito Intensão ou tensão Intensidade
Intercessão Rogo, súplica Interse(c)ção
Ponto em que duas
linhas se cortam
Laço Laçada Lasso Cansado
Maça Clava Massa Pasta
Paço Palácio Passo Passada
Ruço Pardacento; grisalho Russo Natural da Rússia
Senão
A não ser, caso
contrário, defeito (= um
senão)
Se não
Caso não
(condicional)
Cesta
Recipiente de vime,
palha ou outro material
trançado
Sexta
Dia da semana; nu-
meral ordinal (fem.)
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Cessão = doação, anuência
Se(c)cão = divisão, setor,
departamento
Sessão = reunião
Acerca de = a respeito de,
sobre
A cerca de = aproximadamente,
perto (distância)
Há cerca de = tempo decorrido
(aproximadamente)
Anotações:
EXEMPLIFICANDO
Técnico Judiciário – Enfermagem / 2015 / TRT 15ª / FCC / Médio
“Você não está mais na idade
de sofrer por essas coisas”
Há então a idade de sofrer
e a de não sofrer mais
por essas, essas coisas?
As coisas só deviam acontecer
para fazer sofrer
na idade própria de sofrer?
Ou não se devia sofrer
pelas coisas que causam sofrimento
pois vieram fora de hora, e a hora é calma?
E se não estou mais na idade de sofrer
é porque estou morto, e morto
é a idade de não sentir as coisas, essas coisas?
(ANDRADE, Carlos Drummond de. “Essas coisas”. As impurezas do branco. Rio de Janeiro: José Olympio, 3. ed., 1976, p.30)
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
www.acasadoconcurseiro.com.br 37
25.	é porque estou morto
O elemento sublinhado acima também pode ser corretamente empregado na lacuna da frase
a)	 Não entendi o ...... da sua atitude na reunião.
b)	 Percebi logo ...... ele demorou para chegar.
c)	 ...... você não confia nas suas ideias?
d)	 Esclareça o ...... da necessidade desse procedimento.
e)	 Os jovens às vezes erram ...... são muito ansiosos.
Analista Judiciário – Área Administrativa / 2012 / TRF 2ª / FCC / Superior
26.	Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados em
a)	 Se o por quê da importância primitiva de Paraty estava na sua localização estratégica, a
importância de que goza atualmente está na relevância histórica porque é reconhecida.
b)	 Ninguém teria porque negar a Paraty esse duplo merecimento de ser poesia e história, por
que o tempo a escolheu para ser preservada e a natureza, para ser bela.
c)	 Os dissabores por que passa uma cidade turística devem ser prevenidos e evitados pela
Casa Azul, porque ela nasceu para disciplinar o turismo.
d)	 Porque teria a cidade passado por tão longos anos de esquecimento? Criou-se uma estrada
de ferro, eis porque.
e)	 Não há porquê imaginar que um esquecimento é sempre deplorável; veja-se como e por
quê Paraty acabou se tornando um atraente centro turístico.
Analista Judiciário – Análise de Sistemas / 2012 / TJ-RJ / FCC / Superior
27.	É preciso corrigir, por falhas diversas, a seguinte frase:
a)	 Quem ouve mal não tem necessariamente mau ouvido; pode ter sido afetado pelo
desconhecimento de um contexto determinado.
b)	 Quem não destorce
6
o que ouviu de modo torto acaba por permanecer longe do caminho
reto da compreensão.
c)	 Pelos sons exóticos das palavras, nos impregnamos da melodia poética a cujo encanto se
rendem, imantados, os nossos ouvidos.
d)	 Há sons indiscrimináveis, como os que se apanha do rádio mau sintonizado ou de uma
conversa aliatória, entre terceiros.
e)	 É possível elaborar-se uma longa lista de palavras e expressões em cuja recepção sonora
verificam-se os mais curiosos equívocos.
Técnico Judiciário – Segurança Judiciária / 2012 / TST / FCC / Médio
28.	O elemento em destaque está empregado corretamente na frase
a)	 O desempenho de um mau aluno deixa a desejar.
b)	 Um mal professor não é capaz de incentivar os alunos.
c)	 O aluno respondeu mau aos questionamentos do professor.
d)	 Mau chegou, ouviram-se suas reclamações.
e)	 A mudança de datas foi mau recebida pelos alunos.
6	 endireitar o que estava torcido.
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Técnico Judiciário – Área Administrativa / 2011 / TRE-PE / FCC / Médio
29.	O par grifado que constitui exemplo de parônimos está em
a)	 No espaço de uma noite, o rio havia transbordado e inundado o quintal da casa. / Pela
manhã, foi possível constatar a força destrutiva das águas.
b)	 O rio se convertera em um caudaloso fluxo de águas sujas. / O menino se assustou com a
violência barrenta das águas.
c)	 Famílias eminentes podiam ir para o campo, fugindo do bulício da cidade. / Eram iminentes
os riscos causados pela inundação das águas barrentas do rio.
d)	 Era urgente a necessidade de obras para a contenção do rio. / Havia heroísmo na
concentração dos homens que lutavam contra a corrente.
e)	 No pomar atrás da casa havia frutas, entre elas, mangas e cajus. / Em mangas de camisa,
homens tentavam salvar o que as águas levavam.
30.	Considere as afirmações que seguem.
I – Em “Seria ingênuo pensar que esse mito desapareceu com a recente crise, mas, que ele está
mal das pernas, está.”, o sentido da expressão "mal das pernas", característica da oralidade,
seria prejudicado caso se substituísse "mal" por mau.
II – A correção gramatical do texto seria mantida se, no trecho “posicionado a alguns metros”, o
termo “a” fosse substituído por há.
III – Em “As trevas medievais tomaram conta da Europa, fazendo-a mergulhar em mil anos
de estagnação, sob as mãos de senhores feudais, reis e papas, que não conheciam outro
limite senão seu próprio poder.”, a substituição do vocábulo “senão” por se não, embora
gramaticalmente correta, prejudicaria o sentido do texto.
Quais estão corretas?
a)	 Apenas I.
b)	 Apenas II.
c)	 Apenas III.
d)	 Apenas I e II.
e)	 Apenas I e III.
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Aula 3
Compreensão Gramatical do Texto.
Elementos Referenciais.
Confronto e reconhecimento de frases corretas e incorretas.
PRONOMINALIZAÇÃO
Analista do Ministério Público Estadual – Suporte Técnico / 2012 / MPE-RS / FCC / Superior
	 Não há dúvida de que o preconceito contra a mulher é forte no Brasil e que cabe ao poder
público tomar medidas para reduzi-lo. Pergunto-me, porém, se faz sentido esperar uma
situação de total isonomia entre os gêneros, como parecem querer os discursos dos políticos.
	 Nos anos 60 e 70, acreditava-se que as diferenças de comportamento entre os sexos eram
fruto de educação ou de discriminação. Quando isso fosse resolvido, surgiria o equilíbrio. Não
foi, porém, o que ocorreu, como mostra Susan Pinker, em "The Sexual Paradox". Para ela, não
se pode mais negar que há diferenças biológicas entre machos e fêmeas. Elas se materializam
estatisticamente (e não deterministicamente) em gostos e aptidões e, portanto, na opção por
profissões e regimes de trabalho.
31.	Quando isso fosse resolvido ... (2º parágrafo)
O pronome grifado acima substitui corretamente, considerando-se o contexto,
a)	 as diferenças de comportamento entre homens e mulheres.
b)	 os problemas referentes à educação e à discriminação contra mulheres.
c)	 as medidas governamentais para reduzir o preconceito contra as mulheres.
d)	 o equilíbrio entre os sexos a partir das opções por profissões e regimes de trabalho.
e)	 o cálculo estatístico quanto às preferências femininas por determinadas profissões.
Anotações:
Aula 3
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SINTAXE
Administração – Suporte Administrativo Geral / 2015 / TCE-CE / FCC / Médio
Insânia*
	 Não há limites para a insânia, costumava dizer um amigo meu, grande jornalista e pessoa
melhor ainda, desolado ante o espetáculo da humanidade sobre a Terra. Planejava começar
assim um artigo que não chegou a escrever. Uma pena. Eu próprio teria fornecido ao meu
amigo umas ilustrações de insânia
sem limites, e sem que precisasse recorrer à experiência alheia: rir de si mesmo é uma virtude,
e humildemente reconheço que motivos não me faltam.
*Insânia = loucura, demência, desatino
(WERNECK, Humberto, Esse inferno vai acabar. Porto Alegre: Arquipélago, 2011, p. 107)
32.	A frase “sem que precisasse recorrer à experiência alheia” está-se referindo
a)	 à pessoa do autor do texto, que está longe de ser um exemplo de insânia.
b)	 ao amigo do autor do texto, um jornalista desolado com a insânia da humanidade.
c)	 ao amigo do autor do texto, um jornalista que confessa ser capaz de rir de sua própria
insânia.
d)	 à pessoa do autor do texto, que se vê como ilustração da insânia humana.
e)	 a um insano qualquer, incapaz de ver a si mesmo como um desatinado.
Anotações:
PONTUAÇÃO
Escriturário / 2013 / BB / FCC / Médio
	 Ao longo do século XVII, a Holanda foi um dos dois motores de um fenômeno que
transformaria para sempre a natureza das relações internacionais: a primeira onda da chamada
globalização. O outro motor daquela era de florescimento extraordinário das trocas comerciais
e culturais era um império do outro lado do planeta − a China. Só na década de 1650, 40.000
homens partiram dos portos holandeses rumo ao Oriente, em busca dos produtos cobiçados
que se fabricavam por lá. Mas a derrota em uma guerra contra a França encerrou os dias da
Holanda como força dominante no comércio mundial.
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
www.acasadoconcurseiro.com.br 41
	 Se o século XVI havia sido marcado pelas grandes descobertas, o seguinte testemunhou a
consequência maior delas: o estabelecimento de um poderoso cinturão de comércio que ia da
Europa à Ásia. "O sonho de chegar à China é o fio imaginário que percorre a história da luta da
Europa para fugir do isolamento", diz o escritor canadense Timothy Brook, no livro O chapéu
de Vermeer.
	 Isso determinou mudanças de comportamento e de valores: "Mais gente aprendia novas
línguas e se ajustava a costumes desconhecidos". O estímulo a esse movimento era o desejo
irreprimível dos ocidentais de consumir as riquezas produzidas no Oriente. A princípio
refratários ao comércio com o exterior, os governantes chineses acabaram rendendo-se à
evidência de que o comércio significava a injeção de riqueza na economia local (em especial
sob a forma de toneladas de prata).
	 Sob vários aspectos, a China e a Holanda do século XVII eram a tradução de um mesmo
espírito de liberdade comercial. Mas deveu-se só à Holanda a invenção da pioneira engrenagem
econômica transnacional. A Companhia das Índias Orientais − a primeira grande companhia
de ações do mundo, criada em 1602 − foi a mãe das multinacionais contemporâneas.
Beneficiando-se dos baixos impostos e da flexibilidade administrativa, ela tornou-se a grande
potência empresarial do século XVII.
(Adaptado de: Marcelo Marthe. Veja, p. 136-137, 29 ago. 2012)
33.	(12205) A Companhia das Índias Orientais – a primeira grande companhia de ações do mundo,
criada em 1602 – foi a mãe das multinacionais contemporâneas.
O segmento isolado pelos travessões constitui, no contexto, comentário que
a)	 busca restringir o âmbito de ação de uma antiga empresa de comércio.
b)	 especifica as qualidades empresariais de uma companhia de comércio.
c)	 contém informações de sentido explicativo, referentes à empresa citada.
d)	 enumera as razões do sucesso atribuído a essa antiga empresa.
e)	 enfatiza, pela repetição, as vantagens oferecidas pela Empresa.
Anotações:
TEMPOS VERBAIS		 multimídia
Analista Judiciário – Área Apoio Especializado – Especialidade Enfermagem / 2012 / TRT 11ª
/ FCC / Superior
	 A Amazônia, dona de uma bacia hidrográfica com cerca de 60% do potencial hidrelétrico do
país, tem a chance de emergir como uma região próspera, capaz de conciliar desenvolvimento,
conservação e diversidade sociocultural. O progresso está diretamente ligado ao papel que a região
exercerá em duas áreas estratégicas para o planeta: clima e energia. Não se trata de explorar a
floresta e deixar para trás terra arrasada, mas de aproveitar o valor de seus ativos sem qualquer
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agressão ao meio ambiente. Para isso, basta que o Brasil seja capaz de colocar em prática uma
ampla e bem-sucedida política socioambiental, a exemplo do que faz a indústria cosmética nacional,
que seduziu o mundo com a biodiversidade brasileira. É marketing e é conservacionismo também.
	 Segundo o pesquisador Beto Veríssimo, fundador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da
Amazônia (Imazon), a floresta é fundamental para a redução global das emissões de gases de efeito
estufa. "O Brasil depende da região para produzir mais energia e não sou contra a expansão da rede
de usinas aqui, mas é preciso cautela, para não repetir erros do passado, quando as hidrelétricas
catalisaram ocupação desordenada, conflitos sociais e desmatamentos. Enfrentar o desmatamento
da Amazônia é crucial para o Brasil."
(Trecho de Diálogos capitais. CartaCapital, 7 de setembro de 2011, p. 46)
34.	Para isso, basta que o Brasil seja capaz de colocar em prática uma ampla e bem-sucedida
política sócio ambiental ... (1º parágrafo)
O emprego da forma verbal grifada na frase acima indica
a)	 restrição à afirmativa anterior.
b)	 condição da realização de um fato.
c)	 finalidade de uma ação futura.
d)	 tempo passado em correlação com outro.
e)	 hipótese passível de se realizar.
Assistente de Gestão de Políticas Públicas / 2012 / Fundação Paulistana de Educação e
Tecnologia / FCC / Superior
35.	Pouco após chegar ao Brasil com a família real, em 1808, o piano já se tornara símbolo de status
e de sintonia com uma forma mais culta de vida, mesmo quando essa de fato não acontecia.
...o piano já se tornara símbolo de status...
O tempo verbal empregado na frase acima exprime um fato
a)	 futuro em relação a outro já passado.
b)	 presente em relação a uma situação passada.
c)	 anterior ao momento da fala, mas não totalmente concluído.
d)	 passado em relação a outro fato também passado.
e)	 incerto, que pode ou não vir a ocorrer.
Anotações:
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
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NEXOS
Analista Judiciário – Área Apoio Especializado – Especialidade Enfermagem / 2012 / TRT 11ª
/ FCC / Superior
	 A Amazônia, dona de uma bacia hidrográfica com cerca de 60% do potencial hidrelétrico do
país, tem a chance de emergir como uma região próspera, capaz de conciliar desenvolvimento,
conservação e diversidade sociocultural. O progresso está diretamente ligado ao papel que a região
exercerá em duas áreas estratégicas para o planeta: clima e energia. Não se trata de explorar a
floresta e deixar para trás terra arrasada, mas de aproveitar o valor de seus ativos sem qualquer
agressão ao meio ambiente. Para isso, basta que o Brasil seja capaz de colocar em prática uma
ampla e bem-sucedida política socioambiental, a exemplo do que faz a indústria cosmética nacional,
que seduziu o mundo com a biodiversidade brasileira. É marketing e é conservacionismo também.
	 Segundo o pesquisador Beto Veríssimo, fundador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da
Amazônia (Imazon), a floresta é fundamental para a redução global das emissões de gases de efeito
estufa. "O Brasil depende da região para produzir mais energia e não sou contra a expansão da rede
de usinas aqui, mas é preciso cautela, para não repetir erros do passado, quando as hidrelétricas
catalisaram ocupação desordenada, conflitos sociais e desmatamentos. Enfrentar o desmatamento
da Amazônia é crucial para o Brasil."
(Trecho de Diálogos capitais. CartaCapital, 7 de setembro de 2011, p. 46)
36.	... e não sou contra a expansão da rede de usinas aqui, mas é preciso cautela ... (2º parágrafo)
O segmento grifado acima denota
a)	 finalidade decorrente do próprio desenvolvimento do texto.
b)	 ressalva em correlação com o sentido da afirmativa anterior.
c)	 temporalidade necessária à concretização da ação prevista.
d)	 causa que justifica o posicionamento do pesquisador.
e)	 condição para a realização da hipótese anterior a ele.
Auxiliar de Enfermagem do Trabalho / 2012 / BB / FCC / Médio
	 A mecanização dos meios de comunicação e da impressão foi de fundamental importância para
a expansão da imprensa no início do século XX. Os novos prelos (*) utilizados pela grande imprensa
eram comemorados em pequenos comentários dos semanários de narrativa irreverente paulistana.
SurgiamasMarioniseoutrastantasmarcasdeprelos,capazesdemultiplicarosexemplaresecombinar
textos e imagens como, durante o século XIX, nunca havia sido possível. Aliados à maior capacidade
de produção, impressão e composição estavam os correios e telégrafos, principais responsáveis pela
distribuiçãodosjornais,assimcomomeiodecomunicaçãofundamentalparaqueleitoreseospróprios
produtores de jornais mantivessem contato com os acontecimentos do momento.
	 Apesar de sua péssima fama, que atravessara o século XIX e permanecia ao longo da primeira
década do século XX em pequenas notas e comentários críticos dos jornais satíricos, por meio dos
correiossefaziamentregasemlocaisdistantesdointeriorpaulista,recebiam-sejornaisdeváriaspartes
do mundo e correspondências de leitores e colaboradores das folhas.
*prelo − aparelho manual ou mecânico que serve para imprimir; máquina impressora, prensa.
(Paula Ester Janovitch. Preso por trocadilho. São Paulo: Alameda, 2006. p.137-138)
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37.	Apesar de sua péssima fama ...
A observação inicial do parágrafo indica
a)	 opinião que confirma o que vem sendo exposto desde o início do texto.
b)	 hipótese que introduz uma afirmativa que não poderá se realizar.
c)	 ideia oposta à que vai ser expressa, contrariando uma possível expectativa.
d)	 conclusão das ideias contidas em todo o desenvolvimento textual.
e)	 retificação de um engano cometido no parágrafo anterior.
Anotações:
REESCRITA: CLAREZA E COESÃO
Técnico Ministerial – Área Apoio Especializado – Especialidade Informática / 2012 / MP-PE /
FCC / Médio
38.	O romance policial, descendente do extinto romance gótico, conserva características
significativas do gênero precursor: a popularidade imensa e os meios para obtê-la.
Mantendo-se a correção, a lógica e, em linhas gerais, o sentido original, uma redação alternativa
para a frase acima é
a)	 Originário no extinto romance gótico, no romance policial conserva-se a popularidade
imensa e os meios para obtê-la, características significativas do gênero precursor.
b)	 Características significativas do extinto romance gótico, no qual são conservadas do
romance policial, como a popularidade imensa e os meios para obtê-la.
c)	 A popularidade imensa e os meios para obtê-la, no qual são considerados características
significativas do romance policial, gênero precursor do extinto romance gótico.
d)	 Conservam-se no romance policial características significativas do extinto romance gótico,
gênero que o precede, tais como a popularidade imensa e os meios para obtê-la.
e)	 Características originárias do extinto romance gótico, na qual incluem a popularidade
imensa e os meios para obtê-la, conservam-se no romance policial.
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
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Agente de Segurança Metroviária / 2015 / METRÔ / FCC / Médio
	 Um filme é uma criatura muito especial, muito específica, nascida das mesmas vontades
antigas que levaram nossos antepassados a narrar uma caçada ao mamute nas paredes das
cavernas. Num filme está um impulso ao mesmo tempo mais primitivo que o da leitura e
mais tecnologicamente sofisticado que o do teatro. Como na leitura, queremos narrativas
que alimentem a nossa imaginação − mas diferentemente do livro, onde mundos interiores,
paisagens distantes, estados de espírito ou intenções ocultas podem ser descritos, deixando-a
preencher o vácuo, o filme tem a obrigação de nos mostrar visualmente cada uma dessas coisas.
Como no teatro, ele propõe a apreciação do movimento, da presença humana, da máscara do
personagem − mas apenas com a intermediação da imagem captada. E assim, desse jeito tão
peculiar, o cinema tem capturado nossa atenção, nossa imaginação e nosso tempo há mais de
um século.
	 Nos primórdios do cinema não havia montagem porque não havia o que montar: encantadas
com a novidade da imagem em movimento, as plateias do final do século XIX contentavam-
se com uma tomada estática, que durava algo em torno de três minutos. A necessidade de
aumentar a duração das sessões só podia ser resolvida com a adição de mais imagens, um
problema que Edwin Porter resolveu com inventividade. Em pouco mais de seis minutos,
Porter costura cenas de um dia na vida de um bombeiro, estabelecendo o conceito narrativo
que iria dominar o cinema comercial ao longo das décadas seguintes: as imagens se sucedem,
convidando o espectador a organizá-las como uma história linear, com começo meio e fim.
	 As normas que hoje regem o mercado da produção cinematográfica mundial não são exatas
e rígidas, mas, basicamente, a filosofia principal é: um filme, mesmo “barato”, é caro; antes
de investir a pequena fortuna necessária para que ele se torne realidade, há que se tentar ao
máximo minimizar os riscos. E esse processo interessa de perto a nós, os espectadores, porque
são as decisões tomadas durante essa tentativa que, em última análise, determinam a forma
final que um filme terá, se ele será ousado ou conservador, cheio de estrelas ou repleto de
desconhecidos, rodado em alguma ilha paradisíaca do Pacífico ou dentro de algum estúdio.
(Adaptado de: BAHIANA, Ana Maria. Como ver um filme. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, formato e-book.)
39.	O elemento que pode ser suprimido do texto, sem prejuízo do sentido, da correção e da clareza,
encontra-se sublinhado em
a)	 Como na leitura, queremos narrativas que alimentem a nossa imaginação...
b)	 ...as plateias do final do século XIX contentavam-se...
c)	 E esse processo interessa de perto a nós...
d)	 ...rodado em alguma ilha paradisíaca do Pacífico ou dentro de algum estúdio.
e)	 ...se ele será ousado ou conservador..
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Agente de Segurança Metroviária / 2015 / METRÔ / FCC / Médio
40.	A pergunta pegou Rosinha de surpresa. Ela levantou os olhos do menu e se deparou com o
marido em estado reflexivo.
As frases acima estão reescritas em um único período, mantendo-se a coerência e a correção,
em
a)	 A pergunta pegou Rosinha de surpresa, uma vez que ela levantou os olhos do menu para
deparar-se com o marido em estado reflexivo.
b)	 A pergunta pegou Rosinha de surpresa, de maneira que ela levantou os olhos do menu,
deparando com o marido em estado reflexivo.
c)	 Depois que a pergunta pegou Rosinha de surpresa, ela levantou os olhos do menu, pois se
deparou com o marido em estado reflexivo.
d)	 Quando a pergunta pegou Rosinha de surpresa, levantou os olhos do menu, deparando-se,
todavia, com o marido em estado reflexivo.
e)	 Embora a pergunta pegasse Rosinha de surpresa, levantou os olhos do menu, deparando
com o marido em estado reflexivo.
Anotações:
Gabarito: 1. C 2. A 3. D 4. D 5. E 6. B 7. E 8. A 9. C 10. A 11. E 12. E 13. A 14. C 15. D 16. D 17. C
18. A 19. D 20. D 21. D 22. E 23. C 24. E 25. E 26. C 27. D 28. A 29. C 30. E 31. B 32. D 33. C 34. E
35. D 36. B 37. C 38. D 39. A 40. B
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Aula 4
•• Redação de Correspondências Oficiais.
REDAÇÃO OFICIAL
Correspondência Oficial: maneira pela qual o Poder Público (artigo 37 da Constituição:
"administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios) redige atos normativos e comunicações.
Características (atributos decorrentes da Constituição)
•• Impessoalidade: ausência de impressões individuais de quem comunica; tratamento homo
gêneo e impessoal do destinatário.
•• Uso do padrão culto de linguagem: observação das regras da gramática formal e emprego
de vocabulário comum ao conjunto dos usuários do idioma (ausência de diferenças lexicais,
morfológicas ou sintáticas regionais, dos modismos vocabulares, das idiossincrasias
linguísticas). O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser evitado, pois terá sempre
sua compreensão limitada.
•• Clareza: ausência de duplicidade de interpretações; ausência de vocábulos de circulação
restrita, como a gíria e o jargão.
•• Concisão: transmissão de um máximo de informações com um mínimo de palavras.
•• Formalidade: obediência a certas regras de forma; certa formalidade de tratamento;
polidez, civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida a comunicação.
•• Uniformidade: atenção a todas as características da redação oficial e cuidado com a
apresentação dos textos (clareza da digitação, uso de papéis uniformes para o texto
definitivo e correta diagramação do texto).
•• Emissor: um único comunicador – o Serviço Público.
•• Receptor: o próprio Serviço Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão a outro)
– ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogênea (o público).
Anotações:
Aula 4
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EXEMPLIFICANDO
Assistente Administrativo / 2010 / SERGIPE GÁS / FCC / Médio
1.	 (34144) A maneira pela qual o poder público redige atos normativos e comunicações denomina-
se redação
a)	 empresarial.
b)	 oficial.
c)	 governamental.
d)	 mercadológica.
e)	 estadual.
Escriturário / 2011 / BB / FCC / Médio
2.	 A redação inteiramente apropriada e correta de um documento oficial é
a)	 Estamos encaminhando à Vossa Senhoria algumas reivindicações, e esperamos poder estar
sendo recebidos em vosso gabinete para discutir nossos problemas salariais.
b)	 O texto ora aprovado em sessão extraordinária prevê a redistribuição de pessoal
especializado em serviços gerais para os departamentos que foram recentemente criados.
c)	 Estou encaminhando a presença de V. Sa. este jovem, muito inteligente e esperto, que lhe
vai resolver os problemas do sistema de informatização de seu gabinete.
d)	 Quando se procurou resolver os problemas de pessoal aqui neste departamento, faltaram
um número grande de servidores para os andamentos do serviço.
e)	 Do nosso ponto de vista pessoal, fica difícil vos informar de quais providências vão ser
tomadas para resolver essa confusão que foi criado pelos manifestantes.
Uso de Pronomes de Tratamento
1.	 Concordância dos pronomes de tratamento
•• concordância verbal, nominal e pronominal: embora se refiram à segunda pessoa
gramatical (à pessoa com quem se fala ou a quem se dirige a comunicação), levam a
concordância para a terceira pessoa.
Ex.: "Vossa Excelência conhece o assunto". / "Vossa Senhoria nomeará seu substituto.”
•• adjetivos referidos a esses pronomes: o gênero gramatical coincide com o sexo da pessoa a
que se refere.
Ex.: "Vossa Excelência está atarefado." / "Vossa Excelência está atarefada."
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
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Resumindo:
1.	 com quem se fala (vossa(s)): verbo e pronomes na 3ª pessoa;
2.	 de quem se fala (sua(s)): verbo e pronomes na 3ª pessoa;
3.	 adjetivos: concordam com o sexo do destinatário.
2.	 Emprego dos Pronomes de Tratamento (uso consagrado):
•• Vossa Excelência
a)	 autoridades do Poder Executivo (Presidente da República; Vice-Presidente da República;
Ministros de Estado
1
, Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal;
Oficiais-Generais das Forças Armadas; Embaixadores; Secretários-Executivos de Ministérios
e demais ocupantes de cargos de natureza especial; Secretários de Estado dos Governos
Estaduais; Prefeitos Municipais).
b)	 autoridades do Poder Legislativo (Deputados Federais e Senadores; Ministro do Tribunal
de Contas da União; Deputados Estaduais e Distritais; Conselheiros dos Tribunais de Contas
Estaduais; Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais).
c)	 autoridades do Poder Judiciário (Ministros dos Tribunais Superiores; Membros de Tribunais;
Juízes; Auditores da Justiça Militar, Delegados
2
).
OBS.1: a vereadores, conforme Manual de Redação da Presidência da República, não é
dispensado o mesmo tratamento protocolar que recebem as autoridades legislativas. Logo, o
pronome a ser usado é “Vossa Senhoria”.
Vocativo Correspondente a “Vossa Excelência”
•• Chefes de Poder – Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo respectivo.
Ex.: “Excelentíssimo Senhor Presidente da República” / “Excelentíssimo Senhor Presidente do
Congresso Nacional” / “Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal”
•• Demais autoridades – Senhor, seguido do cargo respectivo.
Ex.: Senhor Senador / Senhor Juiz / Senhor Ministro / Senhor Governador.
1	 São Ministros de Estado, nos termos do Decreto 4.118/2002, além dos titulares dos Ministérios, o Chefe da Casa
Civil da Presidência da República, o Chefe de Gabinete de Segurança Institucional, o Chefe da Secretaria-Geral da
Presidência da República, o Advogado Geral da União e o Chefe da Corregedoria-Geral da União. Posteriormente, por
meio de adendos ao Decreto, foram incluídos outros cargos, entre eles, o de Presidente do Banco Central.
2	 A Lei nº 12.830/2013 dispõe, no art. 3º, que “O cargo de delegado de polícia é privativo de bacharel em Direito,
devendo-lhe ser dispensado o mesmo tratamento protocolar que recebem os magistrados, os membros da Defensoria
Pública e do Ministério Público e os advogados.”
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•• Vossa Senhoria
•• empregado para as demais autoridades e para particulares.
Vocativo correspondente a “Vossa Senhoria”
•• Senhor.
•• Vossa Magnificência
•• empregado,porforçadatradição,emcomunicaçõesdirigidasareitoresdeuniversidade.
Vocativo correspondente a “Vossa Magnificência”
•• Magnífico Reitor.
•• Pronomes de tratamento para religiosos
•• de acordo com a hierarquia eclesiástica.
•• Vossa Santidade: Papa. Vocativo Santíssimo Padre.
•• VossaEminênciaouVossaEminênciaReverendíssima:Cardeais.VocativoEminentíssimo
Senhor Cardeal ou Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal.
•• Vossa Excelência Reverendíssima: Arcebispos e Bispos.
•• Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima: Monsenhores, Cônegos e
superiores religiosos.
•• Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, clérigos e demais religiosos.
OBS. 2: O Manual de Redação da Presidência da República – bem como outros dele decorrentes
– não apresenta vocativo para Arcebispo, Bispo, Monsenhor, Cônego, Sacerdote, Clérigo e
demais religiosos. Outros manuais – de forma inconsistente – recomendam Excelentíssimo
Reverendíssimo para Arcebispo e Bispo; Reverendíssimo para as demais autoridades
eclesiásticas.
Resumindo:
1.	 TRATAMENTO Vossa Excelência: autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário;
2.	 VOCATIVO Excelentíssimo: chefes dos Três Poderes;
3.	 VOCATIVO Senhor: para os demais cargos;
4.	 TRATAMENTO Vossa Senhoria: para os demais.
5.	 VOCATIVO: Senhor.
OBS. 3: em comunicações oficiais, está abolido o uso do tratamento digníssimo (DD) para as
autoridades da lista anterior. A dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo pú-
blico, sendo desnecessária sua repetida evocação.
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
www.acasadoconcurseiro.com.br 51
OBS. 4: fica dispensado o emprego do superlativo ilustríssimo para as autoridades que rece-
bem o tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de
tratamento Senhor.
OBS. 5: doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. Evita-se usá-lo indiscrimina-
damente; é empregado apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por
terem concluído curso universitário de doutorado. É costume designar por doutor os bacharéis,
especialmente os bacharéis em Direito e em Medicina. Nos demais casos, o tratamento Senhor
confere a desejada formalidade às comunicações.
Envelope (endereçamento autoridades tratadas por Vossa Excelência):
A Sua Excelência o Senhor
Senador Fulano de Tal
Senado Federal
70.165-900 – Brasília. DF
A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Ministro de Estado da Justiça
70.064-900 – Brasília. DF
A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
Juiz de Direito da 10ª Vara Cível
Rua ABC, no 123
01.010-000 – São Paulo. SP
Envelope (endereçamento autoridades tratadas por Vossa Senhoria):
Ao Senhor
Fulano de Tal
Rua ABC, no 123
70.123 – Curitiba. PR
Verso do Envelope
Remetente: NOME (em caixa alta)
Cargo (em caixa alta e baixa)
Setor de Autarquias Sul
Quadra 4 – Bloco N
70.070-0400 – Brasília-DF
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Tabela de Abreviaturas
Pronome de
tratamento
Abreviatura
singular
Abreviatura
plural
Usado para se
dirigir a
Vossa Alteza V. A. VV. AA. Príncipes, duques
Vossa Eminência V. Em.a V. Em.as Cardeais
Vossa Excelência V. Ex.a V. Ex.as Altas autoridades
Vossa Magnificência V. Mag.a V. Mag.as
Reitores de
universidades
Vossa Majestade V. M. VV. MM. Reis, imperadores
Vossa Senhoria V. S.a V. S.as
Tratamento
cerimonioso
OBS. 6: não se abreviam os pronomes de tratamento quando os destinatários são o Presidente
da República e o Papa.
Anotações:
EXEMPLIFICANDO
Engenheiro de Segurança do Trabalho / 2012 / BB / FCC / Médio
3.	 Em uma correspondência oficial, em que se apuram o rigor e a formalidade da linguagem,
deve-se atentar para o seguinte procedimento
a)	 o verbo deve conjugar-se como se a pessoa gramatical fosse você no caso de tratamentos
como Vossa Senhoria ou Vossa Excelência.
b)	 o tratamento por vós (e não por tu) é o indicado no caso de interlocutores de alta projeção
na esfera política e institucional.
c)	 o tratamento por Sua Senhoria ou Sua Excelência revela menos solenidade do que os
tratamentos em Vossa.
d)	 apenas excepcionalmente o tratamento em Vossa Excelência levará o verbo a flexionar-se
na 3ª pessoa do singular.
e)	 formas abreviadas, como V. Exa., devem reservar-se a autoridades com quem se tenha
contato mais amiúde.
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
www.acasadoconcurseiro.com.br 53
Perito Médico Previdenciário / 2012 / INSS / FCC / Superior
4.	 Considere o trecho do documento que encaminha um relatório ao Chefe de um setor hospitalar.
Está inteiramente correto e segue as orientações da redação oficial o segmento
a)	 Temos o enorme prazer de encaminhar a V. Exa. no devido prazo, este relatório que nos foi
solicitado na semana passada, para que tomeis conhecimento da realização dos serviços
próprios deste Setor, e do que precisamos para melhorá-lo ainda mais.
b)	 Cabe-nos, cumprindo os devidos prazos, informar à V. Sa. de tudo o que deve ser conhecido
sobre os nossos serviços de atendimento ao público neste Setor, e também, sendo-lhe
possível, vossa atenção para os nossos pedidos de melhoria desse atendimento.
c)	 Encaminhamos a V. Sa. o relatório das atividades deste Setor, para dar-lhe conhecimento
da prestação dos serviços e solicitar sua atenção quanto a algumas providências a serem
tomadas no sentido de agilizar o atendimento ao público.
d)	 Este relatório que encaminhamos deverá informar-vos do que ocorre habitualmente em
nosso Setor, é para a tomada de providências que se torna necessário no andamento dos
nossos serviços e na melhoria do atendimento.
e)	 Para V. Sa. segue este relatório, cuja a avaliação de nosso Setor do que está sendo
necessário para nossos serviços o acompanha, esperando que será tomado providências
para melhorar os serviços prestados por este.
Fechos para Comunicações
1.	 para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República:
		 Respeitosamente.
2.	 para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior:
		 Atenciosamente.
CUIDADO!!!!! NÃO use Cordialmente, Graciosamente.
É ERRADO ABREVIAR QUALQUER UM DESSES FECHOS: Att., Atcs.
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras, que
atendem a rito e tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual de Redação do
Ministério das Relações Exteriores
Anotações:
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Analista Judiciário / 2010 / TRE-SP / FCC / Superior
5.	 A questão refere-se ao Manual de Redação da Presidência da República e ao Manual de
Elaboração de Textos do Senado Federal. Com base nos manuais citados, analise as afirmativas a
seguir: Contemporaneamente, os fechos para comunicação, com base nos manuais citados, são
a)	 somente "atenciosamente" e "respeitosamente".
b)	 preferencialmente "atenciosamente" e "cordialmente".
c)	 somente "cordialmente" e "respeitosamente".
d)	 preferencialmente "cordialmente" e "respeitosamente".
e)	 somente "atenciosamente" e "cordialmente".
Identificação do Signatário
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas as demais
comunicações oficiais devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do
local de sua assinatura. A forma da identificação deve ser a seguinte:
Ex.: (espaço para assinatura)
Nome
Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República
OBS. 7: para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura em página isolada do
expediente. Transfira para essa página ao menos a última frase anterior ao fecho.
OBS. 8:
•• Não se empregam PRECIOSISMOS: palavras raras, muitas vezes arcaicas, antigas, em
desuso (“Outrossim”, “Destarte”, “Subscrevemos mui atenciosamente.”...)
•• Não se empregam NEOLOGISMOS: criação de palavras.
•• Não se usam expressões que exprimam FAMILIARIDADE: “Prezados”, “caros”, no vocativo;
•• Não se utilizam expressões REDUNDANTES: “Sem mais, subscrevemo-nos.”; traço para a
assinatura; “Vimos por meio desta...”
•• VERBORRAGIA E PROLIXIDADE constituem erro: “Temos a satisfação de comunicar...”;
“Nada mais havendo para o momento, ficamos à disposição para maiores informações
necessárias.”; “Aproveitamos o ensejo, para protestos da mais elevada estima e
consideração.”
Anotações:
INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza
www.acasadoconcurseiro.com.br 55
EXEMPLIFICANDO
6.	 Em relação à redação de correspondências oficiais, considere as afirmações abaixo.
I – As comunicações oficiais, incluindo as assinadas pelo Presidente da República, devem trazer
o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do local da assinatura.
II – O pronome pessoal de tratamento referente ao cargo não deve ser abreviado quando se
tratar de Presidente da República e Papa.
III – A forma de tratamento e o vocativo que devem ser usados em correspondência que for
dirigida a Vereador são Vossa Senhoria e Sr. Vereador, respectivamente.
Quais estão corretas?
a)	 Apenas I.
b)	 Apenas II.
c)	 Apenas III.
d)	 Apenas I e II.
e)	 Apenas II e III.
Padrão Ofício
Ofício
Aviso 	 FORMA SEMELHANTE / FINALIDADE DIFERENTE
Memorando
SEMELHANÇAS
1.	 Partes:
•• tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede.
Exs.: Mem. 123/2012-MF Aviso 123/2012-SG Of. 123/2012-MME
•• local e data em que foi assinado, por extenso, com alinhamento à direita.
Ex.: Brasília, 15 de março de 2015.
•• destinatário (o nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida a comunicação; no ofício, deve
ser incluído também o endereço).
Casa   portugues - interpretação e redação oficial
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Casa portugues - interpretação e redação oficial

  • 1. Técnico do Seguro Social Interpretação de Textos e Redação Oficial Profª Maria Tereza
  • 2.
  • 3. www.acasadoconcurseiro.com.br Interpretação de Textos e Redação Oficial Professora Maria Tereza
  • 4.
  • 5. www.acasadoconcurseiro.com.br Edital LÍNGUA PORTUGUESA: 1 Compreensão e interpretação de textos. 2 Tipologia textual. 11 Significação das palavras. 12 Redação de correspondências oficiais. Ortografia Oficial. Banca: FCC Cargo: Técnico do Seguro Social
  • 6.
  • 7. www.acasadoconcurseiro.com.br 7 Último Edital Compreensão e Interpretação de textos. Tipologia textual. Significação das palavras. Redação de Correspondências Oficiais. Aula 1 •• Compreensão e Interpretação de textos. •• Identificação da Ideia Central. •• Análise das Alternativas. •• Estratégias Linguísticas. •• Inferência. •• Tipologias Textuais. Compreensão e interpretação de texto PROCEDIMENTOS 1. Observação da fonte bibliográfica, do autor e do título; 2. identificação do tipo de texto (artigo, editorial, notícia, crônica, textos literários, científicos, etc.); 3. leitura do enunciado. EXEMPLIFICANDO Administração – Suporte Administrativo Geral / 2015 / TCE/CE / FCC / Médio Preconceitos Preconceitos são juízos firmados por antecipação; são rótulos prontos e aceitos para serem colados no que mal conhecemos. São valores que se adiantam e qualificam pessoas, gestos, ideias antes de bem distinguir o que sejam. São, nessa medida, profundamente injustos, podendo acarretar consequências dolorosas para suas vítimas. São pré-juízos. Ainda assim, é forçoso reconhecer: dificilmente vivemos sem alimentar e externar algum preconceito. Aula 1
  • 8. www.acasadoconcurseiro.com.br8 São em geral formulados com um alcance genérico: “o povo tal não presta”, “quem nasce ali é assim”, “música clássica é sempre chata”, “cuidado com quem lê muito” etc. Dispensam-nos de pensar, de reconhecer particularidades, de identificar a personalidade própria de cada um. “Detesto filmes franceses”, me disse um amigo. “Todos eles?” − perguntei, provocador. “Quem viu um já viu todos”, arrematou ele, coroando sua forma preconceituosa de julgar. Não confundir preconceito com gosto pessoal. É verdade que nosso gosto é sempre seletivo, mas ele escolhe por um critério mais íntimo, difícil de explicar. “Gosto porque gosto”, dizemos às vezes. Mas o preconceito tem raízes sociais mais fundas: ele se dissemina pelas pessoas, se estabelece sem apelação, e quando damos por nós estamos repetindo algo que sequer investigamos. Uma das funções da justiça institucionalizada é evitar os preconceitos, e o faz julgando com critério e objetividade, por meio de leis. Adotar uma posição racista, por exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa que passamos, felizmente, a considerar a gravidade extrema das práticas preconceituosas. (Bolívar Lacombe, inédito) •• Trata-se de gênero textual denominado BREVE ENSAIO: opinativo/argumentativo, assinado, no qual o autor expressa a sua opinião, abordando assuntos universais. •• O TÍTULO pode constituir o menor resumo possível de um texto. Por meio dele, certas vezes, identifica-se a ideia central do texto, sendo possível, pois, descartar afirmações feitas em determinadas alternativas. No texto em questão, o título – Preconceitos –, somado à repetição do vocábulo na primeira e na sétima linhas do texto e ao uso de expressões que fazem referência à mesma ideia (“pré-juízos”, por exemplo), remete o leitor não só à ideia central, mas também ao gênero do texto que lerá: um breve ensaio baseado em fato social corrente entre os seres humanos. •• No ENUNCIADO, observa-se a presença da expressão “sobretudo”, o que norteia a estratégia de apreensão das ideias. •• Destaque das palavras-chave das alternativas/afirmativas (expressões substantivas e verbais). •• Identificação das palavras-chave no texto. •• Resposta correta = paráfrase mais completa do texto. 1. Ao avaliar a gravidade e a extensão dos preconceitos, o autor os condena sobretudo pela seguinte razão: eles a) acabam se confundindo com nosso gosto pessoal e prejudicando nosso entendimento das coisas. b) proporcionam uma visão de mundo excessivamente singular e viciosa, mesmo quando justificável. c) promovem profunda injustiça ao julgarem pessoas ou coisas a partir de valores já firmados. d) acarretam máximos prejuízos para quem os alimenta, não atingindo as opiniões que circulam socialmente. e) deformam nossa visão de mundo por serem muito detalhistas, distraindo-nos do foco principal.
  • 9. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 9 Anotações: Identificação da ideia central PROCEDIMENTOS •• Identificação do “tópico frasal”: intenção textual percebida, geralmente, no 1º e 2º períodos do texto (IDEIA CENTRAL). •• Destaque das palavras-chave dos períodos (expressões substantivas e verbais). •• Identificação das palavras-chave nas alternativas. •• Resposta correta = paráfrase mais completa do texto. Administração – Suporte Administrativo Geral / 2015 / TCE-CE / FCC / Médio EXEMPLIFICANDO Preconceitos Preconceitos são juízos firmados por antecipação; são rótulos prontos e aceitos para serem colados no que mal conhecemos. São valores que se adiantam e qualificam pessoas, gestos, ideias antes de bem distinguir o que sejam. São, nessa medida, profundamente injustos, podendo acarretar consequências dolorosas para suas vítimas. São pré-juízos. Ainda assim, é forçoso reconhecer: dificilmente vivemos sem alimentar e externar algum preconceito. São em geral formulados com um alcance genérico: “o povo tal não presta”, “quem nasce ali é assim”, “música clássica é sempre chata”, “cuidado com quem lê muito” etc. Dispensam-nos de pensar, de reconhecer particularidades, de identificar a personalidade própria de cada um. “Detesto filmes franceses”, me disse um amigo. “Todos eles?” − perguntei, provocador. “Quem viu um já viu todos”, arrematou ele, coroando sua forma preconceituosa de julgar. Não confundir preconceito com gosto pessoal. É verdade que nosso gosto é sempre seletivo, mas ele escolhe por um critério mais íntimo, difícil de explicar. “Gosto porque gosto”, dizemos às vezes. Mas o preconceito tem raízes sociais mais fundas: ele se dissemina pelas pessoas, se estabelece sem apelação, e quando damos por nós estamos repetindo algo que sequer investigamos. Uma das funções da justiça institucionalizada é evitar os preconceitos, e o faz julgando com critério e objetividade, por meio de leis. Adotar uma posição racista, por
  • 10. www.acasadoconcurseiro.com.br10 exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa que passamos, felizmente, a considerar a gravidade extrema das práticas preconceituosas. 2. Atente para as seguintes afirmações: I – No 1º parágrafo, o autor define o que seja preconceito e avalia a extensão dos prejuízos que sua prática acarreta, considerando ainda a dificuldade de se os evitar plenamente. II – No 2º parágrafo, o autor reconhece na prática algumas formulações preconceituosas, reforçando a ideia de que os preconceitos impedem uma identificação adequada das coisas e das pessoas. III – No 3º parágrafo, o autor estabelece um paralelo entre o juízo preconceituoso, passível de penalização, e o juízo decorrente do gosto pessoal, que se rege por critérios interiorizados e difíceis de definir. Em relação ao texto, está correto o que se afirma em a) I, II e III. b) I e II, apenas. c) II e III, apenas. d) I e III, apenas. e) II, apenas. Anotações: ERROS COMUNS EXTRAPOLAÇÃO Ocorre quando o leitor sai do contexto, acrescentando ideias que não estão no texto, normalmente porque já conhecia o assunto devido à sua bagagem cultural. REDUÇÃO É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas a um ou outro aspecto, esquecendo-se de que o texto é um conjunto de ideias.
  • 11. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 11 CONTRAPOSIÇÃO EXEMPLIFICANDO Controlador de Sistemas / 2014 / SABESP / FCC / Médio A renovação do interesse pelas cidades marcou o início do novo século. O século XXI será um século urbano, quando mais pessoas viverão em cidades do que em qualquer outro tipo de formação espacial. Há o temor de que grande parte desse processo de urbanização se dê nas cidades do sul global, cidades que têm sido caracterizadas pelo hipercrescimento. Mas há muita discordância sobre como interpretar a paisagem urbana de hoje. De um lado, um discurso otimista vê as cidades como arenas de transformação social. De outro lado, alguns veem nelas o surgimento de formas fragmentadas e dispersas de cidadania urbana, constituídas por enclaves fechados e espaços exclusivos. (Adaptado de: ALSAYAD, Nezar; ROY, Ananya. Modernidade medieval: cidadania e urbanismo na era global. Trad. Joaquim Toledo Jr. Novos Estudos CEBRAP, n. 85, 2009) 3. No texto, afirma-se categoricamente que as cidades no século XXI serão áreas a) cujos habitantes se sentirão ameaçados. b) em que prevalecerão as práticas democráticas de cidadania. c) de transformação social. d) de grande aglomeração humana. e) constituídas por espaços públicos amplos e de fácil acesso. Comentário: a) EXTRAPOLAÇÃO: habitantes ameaçados > temor de hipercrescimento das cidades. b) EXTRAPOLAÇÃO: práticas democráticas de cidadania > arenas de transformação social. c) REDUÇÃO: de um lado [...] arenas de transformação social < áreas de transformação social. e) CONTRAPOSIÇÃO: espaços públicos amplos e de fácil acesso ≠ De outro lado [...] por enclaves fechados e espaços exclusivos. Anotações:
  • 12. www.acasadoconcurseiro.com.br12 Análise das Alternativas – Estratégias Linguísticas PROCEDIMENTOS 1. PALAVRAS DESCONHECIDAS = PARÁFRASES e CAMPO SEMÂNTICO e ETIMOLOGIA. Paráfrase = versão de um texto, geralmente mais extensa e explicativa, cujo objetivo é torná-lo mais fácil ao entendimento. Campo Semântico = conjunto de palavras que pertencem a uma mesma área de conhecimento. Exemplo: aluno / professor / caderno / notas / caneta, etc. Anotações: EXEMPLIFICANDO Estagiário de Ensino Médio Regular – Manhã / 2015 / SABESP / FCC / Médio Logo que Santo Ivo morreu, encaminhou-se ao Céu e bateu à porta, que São Pedro não se atreveu a abrir, subestimando as razões do bom santo. − Faço o que quiseres − repetia o porteiro do Céu, não lhe dando o devido valor −, mas não acho que deva permitir a entrada a um advogado, não só porque nenhum tem assento entre os santos, mas também porque, muito ao contrário, juraria que se encontram no inferno todos os de tua profissão. Santo Ivo não se desconcertou; antes, como bom advogado, teve tão convincentes razões para rebater as de São Pedro que este lhe permitiu finalmente entrar no Céu, mas com a condição de permanecer junto à porta. O hóspede entrou calmamente, sentou-se no lugar indicado por São Pedro, que foi participar a Nosso Senhor o sucedido... 4. Mantendo-se a correção e o sentido, no segmento Santo Ivo não se desconcertou..., o termo sublinhado pode ser substituído por a) atinou. b) enganou. c) perdeu. d) perturbou. e) anulou.
  • 13. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 13 5. (adaptado) Caso desconhecesse o significado da palavra “subestimando” (l. 02), a fim de apreendê-lo sem o uso do dicionário, o leitor poderia valer-se I – sua função sintática. II – paráfrase existente no 2º parágrafo. III – significado dos morfemas que a compõem. Quais afirmativas estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) Apenas II e III. Atendente a clientes / 2014 / SABESP / FCC / Médio Hermético e postiço, jargão incentiva ‘espírito de corpo’ Na maioria dos textos produzidos no universo corporativo, vê-se um registro muito particular da língua, nem sempre compreensível aos “não iniciados”. É o que se pode chamar de “jargão corporativo”, uma linguagem hoje dominada por grande quantidade de decalques do inglês − ou ingênuas traduções literais. O termo “jargão”, que em sua origem quer dizer “fala ininteligível”, guarda certa marca pejorativa, fruto de sua antiga associação ao pedantismo, ao uso da linguagem empolada. Embora os jargões sejam coisa muito antiga, foi nos séculos 19 e 20 que proliferaram na Europa, fruto de uma maior divisão do trabalho nas sociedades industriais. Na época, já figuravam entre as suas características o uso de termos de línguas estrangeiras como sinal de prestígio e o emprego de metáforas e eufemismos, exatamente como vemos hoje. Os jargões são alvo constante da crítica não só por abrigarem muitas expressões de outras línguas, o que lhes confere um ar postiço e hermético, como por seu viés pretensioso. A crítica a esse tipo de linguagem tem fundamento na preocupação com a “pureza” do idioma e com a perda de identidade cultural, opinião que, para outros, revela traços de xenofobia. Essa é uma discussão que não deve chegar ao fim tão cedo, mas é fato que os jargões têm claras funções simbólicas: por um lado, visam a incentivar o “espírito de corpo”, o que deve justificar o empenho das empresas em cultivá-los (até para camuflar as relações entre patrão e empregado), e, por outro, promovem a inclusão de uns e a exclusão de outros, além, é claro, de impressionar os neófitos. (Adaptado de: CAMARGO, Thaís Nicoleti de. Caderno “Negócios e carreiras”, do jornal Folha de S. Paulo. São Paulo, 24 de março de 2013. p. 7) 6. No título e no último parágrafo, a autora aproxima intencionalmente, de modo criativo, as palavras “espírito” e “corpo”. No texto, a expressão “espírito de corpo” assume um sentido mais diretamente relacionado a agrupamentos que se constituem no universo a) da religião. b) do trabalho. c) da geografia. d) da medicina. e) do esporte.
  • 14. www.acasadoconcurseiro.com.br14 Anotações: 2. BUSCA DE PALAVRAS “FECHADAS” NAS ALTERNATIVAS (possibilidade de a alternativa ser incorreta): •• advérbios; •• artigos; multimídia •• tempos verbais; •• expressões restritivas; •• expressões totalizantes; •• expressões enfáticas. X 3. BUSCA DE PALAVRAS “ABERTAS” NAS ALTERNATIVAS (possibilidade de a alternativa ser a correta): •• Possibilidades; •• hipóteses (provavelmente, é possível, uso do futuro do pretérito do indicativo (-ria) , modo subjuntivo...). Anotações: EXEMPLIFICANDO Analista do Tesouro Nacional / 2015 / SEFAZ-PI / FCC / Superior Filosofia de borracharia O borracheiro coçou a desmatada cabeça e proferiu a sentença tranquilizadora: nenhum problema com o nosso pneu, aliás quase tão calvo quanto ele. Estava apenas um bocado murcho. − Camminando si sgonfia* − explicou o camarada, com um sorriso de pouquíssimos dentes e enorme simpatia. O italiano vem a ser um dos muitos idiomas em que a minha abrangente ignorância é especializada, mas ainda assim compreendi que o pneu do nosso carro periclitante tinha se esvaziado ao longo da estrada. Não era para menos. Tendo saído de Paris, havíamos rodado muito antes de cair naquele emaranhado de fronteiras em que você corre o risco de não saber se está na Áustria, na Suíça ou na Itália.
  • 15. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 15 Soubemos que estávamos no norte, no sótão da Itália, vendo um providencial borracheiro dar nova carga a um pneu sgonfiato. Dali saímos − éramos dois jovens casais num distante verão europeu, embarcados numa aventura que, de camping em camping, nos levaria a Istambul – para dar carga nova a nossos estômagos, àquela altura não menos sgonfiati. O que pode a fome, em especial na juventude: à beira de um himalaia de sofrível espaguete fumegante, julguei ver fumaças filosóficas na sentença do tosco borracheiro. E, entre garfadas, sob o olhar zombeteiro dos companheiros de viagem, me pus a teorizar. Sim, camminando si sgonfia, e não apenas quando se é, nesta vida, um pneu. Também nós, de tanto rodar, vamos aos poucos desinflando. E por aí fui, inflado e inflamado num papo delirante. Fosse hoje, talvez tivesse dito, infelizmente com conhecimento de causa, que a partir de determinado ponto carecemos todos de alguma espécie de fortificante, de um novo alento para o corpo, quem sabe para a alma. * Camminando si sgonfia = andando se esvazia. (Adaptado de: WERNECK, Humberto – Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 85-86) 7. A expressão em italiano, dirigida aos dois jovens casais pelo borracheiro, a) deu oportunidade a que todos reconhecessem na frase do borracheiro a filosofia que ele havia incutido nela para orientar os jovens. b) foi tomada em sentido puramente metafórico, já que parecia não se aplicar ao problema que os fez parar na borracharia. c) confundiu ainda mais aqueles aventureiros, que já se sentiam um tanto perdidos no emaranhado de estradas fronteiriças. d) deu aos turistas a certeza de que se encontravam na Itália, embora eles não atinassem com o sentido daquelas palavras. e) acabou propiciando uma interpretação mais abrangente, que resultou numa teoria posteriormente levantada numa refeição. Oficial de Defensoria Pública / 2011 / DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO / FCC / Médio Estamos cercados de situações que banalizam o mal. Segundo Hannah Arendt, teórica política alemã, a brutalidade é disseminada. Gostamos de pensar que a linha entre o bem e o mal é impermeável, que as pessoas que cometem atrocidades estão no lado mau, nós no lado bom, e que jamais cruzaremos a fronteira. Para banalizar o bem, entretanto, precisamos construir circunstâncias contrárias àquelas que insidiosamente nos corrompem: uma sociedade detentora de sistemas que permitam a contestação, a crítica e a verdade. Quem sabe assim não precisaremos de super-heróis para garantir direitos básicos de cidadania. 8. ... uma sociedade detentora de sistemas que permitam a contestação, a crítica e a verdade. O emprego da forma verbal grifada acima denota, no contexto, a) possibilidade de realização de um fato. b) certeza imediata a respeito de uma ação real. c) dúvida plausível acerca da realização de um fato. d) ação prevista em um futuro imediato. e) fato realizado em um tempo indefinido.
  • 16. www.acasadoconcurseiro.com.br16 Técnico Judiciário / 2014 / TRF3 / FCC / Médio Toda ficção científica, de Metrópolis ao Senhor dos Anéis, baseia-se, essencialmente, no que está acontecendo no mundo no momento em que o filme foi feito. Não no futuro ou numa galáxia distante, muitos e muitos anos atrás, mas agora mesmo, no presente, simbolizado em projeções que nos confortam e tranquilizam ao nos oferecer uma adequada distância de tempo e espaço. Na ficção científica, a sociedade se permite sonhar seus piores problemas: desumanização, superpopulação, totalitarismo, loucura, fome, epidemias. Não se imita a realidade, mas imagina- se, sonha-se, cria-se outra realidade onde possamos colocar e resolver no plano da imaginação tudo o que nos incomoda no cotidiano. O elemento essencial para guiar a lógica interna do gênero, cuja quebra implica o fim da magia, é a ciência. Por isso, tecnologia é essencial ao gênero. Parte do poder desse tipo de magia cinematográfica está em concretizar, diante dos nossos olhos, objetos possíveis, mas inexistentes: carros voadores, robôs inteligentes. Como parte dessas coisas imaginadas acaba se tornando realidade, o gênero reforça a sensação de que estamos vendo na tela projeções das nossas possibilidades coletivas futuras. (Adaptado de: BAHIANA, Ana Maria. Como ver um filme. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012. formato ebook.) 09. Considere. I – Segundo o texto, na ficção científica abordam-se, com distanciamento de tempo e espaço, questões controversas e moralmente incômodas da sociedade atual, de modo que a solução oferecida pela fantasia possa ser aplicada para resolver os problemas da realidade. II – Parte do poder de convencimento da ficção científica deriva do fato de serem apresentados ao espectador objetos imaginários que, embora não existam na vida real, estão, de algum modo, conectados à realidade. III – A ficção científica extrapola os limites da realidade, mas baseia-se naquilo que, pelo menos em teoria, acredita-se que seja possível. Está correto o que se afirma APENAS em a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) II. e) III. Anotações:
  • 17. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 17 Inferência PROCEDIMENTOS INFERÊNCIA = ideias implícitas, sugeridas, que podem ser depreendidas a partir da leitura do texto, de certas palavras ou expressões contidas na frase. Enunciados = “Infere-se”, Deduz-se”, “Depreende-se”, etc. Observe a tira. Ao utilizar a palavra “também” (último quadro, sobretudo) – advérbio ou palavra denotativa de inclusão, que significa “do mesmo modo” –, Stock comunica conjuntamente, de modo implícito, que havia feito sexo com a noiva de Wood. EXEMPLIFICANDO Técnico Judiciário / 2014 / TRF3 / FCC / Médio O canto das sereias é uma imagem que remonta às mais luminosas fontes da mitologia e da literatura gregas. As versões da fábula variam, mas o sentido geral da trama é comum. As sereias eram criaturas sobre-humanas. Ninfas de extraordinária beleza, viviam sozinhas numa ilha do Mediterrâneo, mas tinham o dom de chamar a si os navegantes, graças ao irresistível poder de sedução do seu canto. Atraídos por aquela melodia divina, os navios batiam nos recifes submersos da beira-mar e naufragavam. As sereias então devoravam impiedosamente os tripulantes. Doce o caminho, amargo o fim. Como escapar com vida do canto das sereias? A literatura grega registra duas soluções vitoriosas. Uma delas foi a saída encontrada por Orfeu, o incomparável gênio da música e da poesia. Quando a embarcação na qual ele navegava entrou inadvertidamente no raio de ação das sereias, ele conseguiu impedir a tripulação de perder a cabeça tocando uma música ainda mais sublime do que aquela que vinha da ilha. O navio atravessou incólume a zona de perigo. A outra solução foi a de Ulisses. Sua principal arma para vencer as sereias foi o reconhecimento franco e corajoso da sua fraqueza e da sua falibilidade − a aceitação dos seus inescapáveis limites humanos. Ulisses sabia que ele e seus homens não teriam firmeza para resistir ao apelo das sereias. Por isso, no momento em que a embarcação se aproximou da ilha, mandou que todos os tripulantes tapassem os ouvidos com cera e ordenou que o amarrassem ao mastro central do navio. O surpreendente é que Ulisses não tapou com cera os próprios
  • 18. www.acasadoconcurseiro.com.br18 ouvidos − ele quis ouvir. Quando chegou a hora, Ulisses foi seduzido pelas sereias e fez de tudo para convencer os tripulantes a deixarem-no livre para ir juntar-se a elas. Seus subordinados, contudo, cumpriram fielmente a ordem de não soltá-lo até que estivessem longe da zona de perigo. Orfeu escapou das sereias como divindade; Ulisses, como mortal. Ao se aproximar das sereias, a escolha diante do herói era clara: a falsa promessa de gratificação imediata, de um lado, e o bem permanente do seu projeto de vida − prosseguir viagem, retornar a Ítaca, reconquistar Penélope −, do outro. A verdadeira vitória de Ulisses foi contra ele mesmo. Foi contra a fraqueza, o oportunismo suicida e a surdez delirante que ele soube reconhecer em sua própria alma. (Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Auto-engano. São Paulo, Cia. das Letras, 1997. Formato eBOOK) 10. Depreende-se do texto que as sereias atingiam seus objetivos por meio de a) dissimulação. b) lisura. c) observação. d) condescendência. e) intolerância. Anotações: INTERTEXTUALIDADE multimídia Um texto remete a outro, contendo em si – muitas vezes – trechos ou temática desse outro com o qual mantém “diálogo”.
  • 19. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 19 EXEMPLIFICANDO Técnico Judiciário / 2014 / TRF3 / FCC / Médio Texto I O canto das sereias é uma imagem que remonta às mais luminosas fontes da mitologia e da literatura gregas. As versões da fábula variam, mas o sentido geral da trama é comum. As sereias eram criaturas sobre-humanas. Ninfas de extraordinária beleza, viviam sozinhas numa ilha do Mediterrâneo, mas tinham o dom de chamar a si os navegantes, graças ao irresistível poder de sedução do seu canto. Atraídos por aquela melodia divina, os navios batiam nos recifes submersos da beira-mar e naufragavam. As sereias então devoravam impiedosamente os tripulantes. Doce o caminho, amargo o fim. Como escapar com vida do canto das sereias? A literatura grega registra duas soluções vitoriosas. Uma delas foi a saída encontrada por Orfeu, o incomparável gênio da música e da poesia. Quando a embarcação na qual ele navegava entrou inadvertidamente no raio de ação das sereias, ele conseguiu impedir a tripulação de perder a cabeça tocando uma música ainda mais sublime do que aquela que vinha da ilha. O navio atravessou incólume a zona de perigo. A outra solução foi a de Ulisses. Sua principal arma para vencer as sereias foi o reconhecimento franco e corajoso da sua fraqueza e da sua falibilidade − a aceitação dos seus inescapáveis limites humanos. Ulisses sabia que ele e seus homens não teriam firmeza para resistir ao apelo das sereias. Por isso, no momento em que a embarcação se aproximou da ilha, mandou que todos os tripulantes tapassem os ouvidos com cera e ordenou que o amarrassem ao mastro central do navio. O surpreendente é que Ulisses não tapou com cera os próprios ouvidos − ele quis ouvir. Quando chegou a hora, Ulisses foi seduzido pelas sereias e fez de tudo para convencer os tripulantes a deixarem-no livre para ir juntar-se a elas. Seus subordinados, contudo, cumpriram fielmente a ordem de não soltá-lo até que estivessem longe da zona de perigo. Orfeu escapou das sereias como divindade; Ulisses, como mortal. Ao se aproximar das sereias, a escolha diante do herói era clara: a falsa promessa de gratificação imediata, de um lado, e o bem permanente do seu projeto de vida − prosseguir viagem, retornar a Ítaca, reconquistar Penélope −, do outro. A verdadeira vitória de Ulisses foi contra ele mesmo. Foi contra a fraqueza, o oportunismo suicida e a surdez delirante que ele soube reconhecer em sua própria alma. (Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Auto-engano. São Paulo, Cia. das Letras, 1997. Formato eBOOK) Texto II O consultor de empresas americano Herb M. Greenberg chegou à conclusão de que o autoconhecimento é a base do sucesso de profissionais bem-sucedidos. Ele garante que esses profissionais “conseguem compreender a si mesmos e sabem o que fazem de melhor; conhecem exatamente quais são suas fraquezas e seus pontos fortes e por isso se destacam dos demais”. (Adaptado de: GRINBERG, Renato. A estratégia do olho de tigre. São Paulo: Gente, 2011. p.51)
  • 20. www.acasadoconcurseiro.com.br20 11. Atente para o que se afirma abaixo. I – Depreende-se do Texto II que o comentário sobre profissionais feito pelo consultor citado aplica-se a Ulisses (Texto I), pois foi por meio do autoconhecimento que ele desenvolveu a engenhosa estratégia que o salvou das sereias. II – Ao se contrapor o Texto II à fábula das sereias (Texto I), percebe-se que as estratégias realistas de um funcionário de uma empresa nada têm em comum com as decisões tomadas por Orfeu e Ulisses, pois foi a intervenção sobrenatural que mudou o curso do destino dos heróis. III – A atitude de Orfeu não é um exemplo válido para o que se afirma no Texto II sobre profissionais bem-sucedidos, pois fica evidente que Orfeu não conhecia seus pontos fracos. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e III. b) II. c) I e II. d) I e III. e) I. EXTRATEXTUALIDADE A questão formulada por meio do texto encontra-se fora do universo textual, exigindo do candidato conhecimento mais amplo de mundo. EXEMPLIFICANDO “...inúmeros filmes vetados por famílias que se julgam no direito de determinar o que pode ou não pode ser dito sobre qualquer pessoa. Exatamente o que os generais acreditavam poder fazer em relação a jornais, rádios e televisões.” 12. ”Exatamente o que os generais acreditavam poder fazer em relação a jornais, rádios e televisão.” A finalidade da comparação no segmento do texto é a de a) recordar as grandes injustiças do regime militar. b) comparar dois momentos diferentes de nossa história. c) condenar a censura no regime militar. d) elogiar certas medidas duras, mas indispensáveis. e) criticar a posição de algumas famílias de biografados. A extratextualidade consiste em evocar o conhecimento prévio: a censura praticada por militares durante momento de nossa história, criticada à época, é inadmissível, independentemente da situação e do momento.
  • 21. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 21 Anotações: Tipologias Textuais Narração: modalidade na qual se contam um ou mais fatos – fictício ou não – que ocorreram em determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado. EXEMPLIFICANDO 13. (12252) Estão presentes características típicas de um discurso narrativo em I – Heidegger reclamava, numa palestra que fez em 1942, da adoção progressiva das máquinas de escrever. II – A escrita mecanizada priva a mão da dignidade no domínio da palavra escrita. III – A escrita manual estimularia os processos de memorização e representação verbal. Atende ao enunciado APENAS o que consta em a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III. Descrição: é a modalidade na qual se apontam as características que compõem determinado objeto, pessoa, ambiente ou paisagem. Usam-se adjetivos para tal.
  • 22. www.acasadoconcurseiro.com.br22 EXEMPLIFICANDO A Carta de Pero Vaz de Caminha De ponta a ponta é toda praia rasa, muito plana e bem formosa. Pelo sertão, pareceu nós do mar muito grande, porque a estender a vista não podíamos ver senão terra e arvoredos, parecendo-nos terra muito longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro nem prata, nem nenhuma coisa de metal, nem de ferro; nem as vimos. Mas, a terra em si é muito boa de ares, tão frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho, porque, neste tempo de agora, assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas e infindas. De tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem. (In: Cronistas e viajantes. São Paulo: Abril Educação, 1982. p. 12-23. Literatura Comentada. Com adaptações) 14. A respeito do trecho da Carta de Caminha e de suas características textuais, é correto afirmar que a) No texto, predominam características argumentativas e descritivas. b) O principal objetivo do texto é ilustrar experiências vividas através de uma narrativa fictícia. c) O relato das experiências vividas é feito com aspectos descritivos. d) A intenção principal do autor é fazer oposição aos fatos mencionados. e) O texto procura despertar a atenção do leitor para a mensagem através do uso predominante de uma linguagem figurada. Argumentação: modalidade na qual se expõem ideias e opiniões gerais, seguidas da apresentação de argumentos que as defendam e comprovem. EXEMPLIFICANDO Técnico Judiciário – Administrativo / 2012 / TRE-SP / FCC / Médio Adoniran Barbosa é um grande compositor e poeta popular, expressivo como poucos; mas não é Adoniran nem Barbosa, e sim João Rubinato, que adotou o nome de um amigo do Correio e o sobrenome de um compositor admirado. A idéia foi excelente, porque um artista inventa antes de mais nada a sua própria personalidade; e porque, ao fazer isto, ele exprimiu a realidade tão paulista do italiano recoberto pela terra e do brasileiro das raízes européias. Adoniran é um paulista de cerne que exprime a sua terra com a força da imaginação alimentada pelas heranças necessárias de fora. Já tenho lido que ele usa uma língua misturada de italiano e português. Não concordo. Da mistura, que é o sal da nossa terra, Adoniran colheu a flor e produziu uma obra radicalmente brasileira, em que as melhores cadências do samba e da canção, alimentadas inclusive pelo terreno fértil das Escolas, se alia com naturalidade às deformações normais de português brasileiro, onde Ernesto vira Arnesto e assim por diante. São Paulo muda muito, e ninguém é capaz de dizer aonde irá. Mas a cidade que nossa geração conheceu (Adoniran é de 1910) foi a que se sobrepôs à velha cidadezinha caipira, entre 1900 e 1950; e que desde então vem cedendo lugar a uma outra, transformada em vasta
  • 23. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 23 aglomeração de gente vinda de toda parte. Esta cidade que está acabando, que já acabou com a garoa, os bondes, o trem da Cantareira, o Triângulo, as Cantinas do Bexiga, Adoniran não a deixará acabar, porque graças a ele ela ficará, misturada vivamente com a nova mas, como o quarto do poeta, também "intacta, boiando no ar." A sua poesia e a sua música são ao mesmo tempo brasileiras em geral e paulistanas em particular. Sobretudo quando entram (quase sempre discretamente) as indicações de lugar, para nos porem no Alto da Mooca, na Casa Verde, na Avenida São João, na 23 de Maio, no Brás genérico, no recente metrô, no antes remoto Jaçanã. Talvez João Rubinato não exista, porque quem existe é o mágico Adoniran Barbosa, vindo dos carreadores de café para inventar no plano da arte a permanência da sua cidade e depois fugir, com ela e conosco, para a terra da poesia, ao apito fantasmal do trenzinho perdido da Cantareira." Adaptado de Antônio Cândido. Textos de intervenção. São Paulo, Duas Cidades, Ed.34, 2002, p.211-213 15. (12256) No primeiro parágrafo, Antônio Cândido a) destaca a contribuição de Adoniran Barbosa para a comunidade italiana de São Paulo, na época em que a cidade era conhecida como terra da garoa. b) analisa o contexto histórico em que a obra de Adoniran Barbosa aflorou, emitindo opinião crítica sobre a cidade que a acolheu. c) contextualiza a obra de Adoniran Barbosa, expondo as características positivas e negativas da época em que o autor compunha. d) fornece alguns dados biográficos sobre Adoniran Barbosa e emite opiniões críticas favoráveis a respeito do compositor. e) critica João Rubinato por ter alterado o seu nome tipicamente brasileiro, embora reconheça que o pseudônimo escolhido tem maior força poética. Exposição: apresenta informações sobre assuntos, expõe ideias. Não faz defesa de uma ideia, pois tal procedimento é característico do texto dissertativo. O texto expositivo apenas revela ideias sobre um determinado assunto. EXEMPLIFICANDO O telefone celular A história do celular é recente, mas remonta ao passado –– e às telas de cinema. A mãe do telefone móvel é a austríaca Hedwig Kiesler (mais conhecida pelo nome artístico Hedy Lamaar), uma atriz de Hollywood que estrelou o clássico Sansão e Dalila (1949). Hedy tinha tudo para virar celebridade, mas pela inteligência. Ela foi casada com um austríaco nazista fabricante de armas. O que sobrou de uma relação desgastante foi o interesse pela tecnologia. Já nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, ela soube que alguns torpedos teleguiados da Marinha haviam sido interceptados por inimigos. Ela ficou intrigada com isso, e teve a ideia: um sistema no qual duas pessoas podiam se comunicar mudando o canal, para que a conversa não fosse interrompida. Era a base dos celulares, patenteada em 1940.
  • 24. www.acasadoconcurseiro.com.br24 16. O modo predominante de organização textual é a) descritivo. b) narrativo. c) argumentativo. d) expositivo. e) injuntivo. Injunção:indicacomorealizarumaação.Tambéméutilizadoparapredizeracontecimentos e comportamentos. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo imperativo. EXEMPLIFICANDO Chutney de berinjela 1 pimentão amarelo 2 pimentões verdes 2 pimentões vermelhos 2 berinjelas 200 g de passas Picar todos os ingredientes e misturar com as passas. Pôr tudo numa assadeira com sal, ½ copo de azeite, ½ copo de vinagre. Levar ao forno até a berinjela ficar bem cozida. 17. Considere as afirmações. I – O texto insere-se em apenas uma tipologia, a saber, a injuntiva. II – O texto insere-se predominantemente nas tipologias descritiva e injuntiva. III – Tal gênero de texto é chamado (além de prescritivo) de instrucional. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) I, II e III. Anotações:
  • 25. www.acasadoconcurseiro.com.br 25 AULA 2 •• Gêneros Textuais. •• Semântica e Vocabulário. •• Polissemia. •• Conotação e Denotação. •• Ortografia. Gêneros Textuais EDITORIAL: texto opinativo/argumentativo, não assinado, no qual o autor (ou autores) não expressa a sua opinião, mas revela o ponto de vista da instituição. Geralmente, aborda assuntos bastante atuais. Busca traduzir a opinião pública acerca de determinado tema, dirigindo-se (explícita ou implicitamente) às autoridades, a fim de cobrar-lhes soluções. EXEMPLIFICANDO Analista Judiciário – Administrativa / 2014 / TJ-AP / FCC / Superior A expressão “política indigenista” foi utilizada por muito tempo como sinônimo de toda e qualquer ação política governamental que tivesse as populações indígenas como objeto. As diversas mudanças no campo do indigenismo nos últimos anos, no entanto, exigem que estabeleçamos uma definição mais precisa e menos ambígua do que seja a política indigenista. Primeiramente temos como agentes principais os próprios povos indígenas, seus representantes e organizações. O amadurecimento progressivo do movimento indígena desde a década de 1970, e o consequente crescimento no número e diversidade de organizações nativas, dirigidas pelos próprios índios, sugere uma primeira distinção no campo indigenista: a “política indígena”, aquela protagonizada pelos próprios índios, não se confunde com a política indigenista e nem a ela está submetida. Entretanto, boa parte das organizações e lideranças indígenas vêm aumentando sua participação na formulação e execução das políticas para os povos indígenas. Numa segunda distinção, encontramos outros segmentos que interagem com os povos indígenas e que também, como eles, têm aumentado sua participação na formulação e execução de políticas indigenistas, antes atribuídas exclusivamente ao Estado brasileiro. Nesse conjunto encontramos principalmente as organizações não governamentais. Somam-se a este universo de agentes não indígenas as organizações religiosas que se relacionam com os povos indígenas em diversos campos de atuação. Aula 2
  • 26. www.acasadoconcurseiro.com.br26 Contemporaneamente, portanto, temos um quadro complexo no qual a política indigenista oficial (formulada e executada pelo Estado) tem sido formulada e implementada a partir de parcerias formais estabelecidas entre setores governamentais, organizações indígenas, organizações não governamentais e missões religiosas. (Disponível em: pib.socioambiental.org. Acesso em 03/10/14. Com adaptações) 18. Depreende-se corretamente do texto que a) a distinção entre a política indigenista e a política indígena está centrada no fato de que a primeira é implementada pelo Estado enquanto a segunda é colocada em prática pelos próprios índios. b) a expressão política indigenista deixou de ser apropriada na medida em que uma diversidade de organizações nativas, dirigidas pelos próprios índios, passou a prevalecer sobre as práticas governamentais. c) a tentativa de estabelecer uma definição menos ambígua do que seja a política indigenista mostrou-se inconclusa, dada a complexidade da situação atual em que a política indígena tem sido formulada. d) os povos indígenas amadureceram nas últimas décadas, o que fez com que demandas antigas do movimento indígena, aquelas protagonizada[s] pelos próprios índios, fossem abandonadas. e) os agentes não indígenas, apesar dos avanços atingidos desde a década de 1970, deixaram de pôr em prática diversos projetos que tratavam de interesses específicos dos índios, nos vários setores em que atuam. ARTIGO: são os mais comuns. São textos autorais – assinados –, cuja opinião é da inteira responsabilidade de quem o escreveu. Seu objetivo é o de persuadir o leitor. EXEMPLIFICANDO Técnico Judiciário – Enfermagem / 2012 / TRF 2ª / FCC / Médio O Brasil é um país de preguiçosos. A pequena parcela da população com disposição de calçar um par de tênis para se exercitar é formada majoritariamente por homens jovens e com alto poder aquisitivo. O futebol é, disparado, o esporte mais praticado, seguido por corrida e caminhada. Essas são as principais conclusões da maior pesquisa já feita sobre os hábitos esportivos dos brasileiros. Os resultados preocupam. É indiscutível que a prática de esportes, associada a uma alimentação regrada, está diretamente ligada a uma vida mais saudável. A pesquisa traçou ainda um mapa da prática de esportes no Brasil. Poder aquisitivo e questões culturais explicam as modalidades favoritas de cada região. Porto Alegre e Florianópolis, locais de alto padrão de renda, são as cidades em que a população mais se exercita. Já Recife é a capital do sedentarismo. Pelos mesmos motivos, os brasileiros se mexem mais do que habitantes de países pobres da América Latina, África e Ásia. Mas bem menos do que europeus, japoneses e americanos. O Rio de Janeiro, com suas praias e a tradição de seus times, é a capital do futebol. Brasília, plana e cheia de parques, é onde mais se corre.
  • 27. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 27 A saúde aparece como o principal motivo para a procura por atividades físicas. No ranking da Organização Mundial de Saúde dos principais fatores de risco para as causas mais comuns de morte, como infarto e derrame, o sedentarismo figura na quarta posição, atrás apenas de diabetes, tabagismo e hipertensão. "O corpo humano foi feito para se mexer", diz o fisiologista Paulo Zogaib, da Universidade Federal de São Paulo. "Em movimento constante, nosso organismo realiza melhor todas as suas funções. Parado, adoece." (Otávio Cabral e Giuliana Bergamo. Veja, 28 de setembro de 2011, p. 103-104, com adaptações) 19. (12212) Os mesmos motivos para a prática de exercícios físicos, referidos no 2º parágrafo, são a) alimentação regrada e hábitos esportivos. b) sedentarismo e modalidades favoritas. c) praias e tradição dos times de futebol. d) poder aquisitivo e questões culturais. e) parques e existência de áreas planas. NOTÍCIA: são autorais, apesar de nem sempre serem assinadas. Seu objetivo é tão somente o de informar, não o de convencer. CRÔNICA: fotografia do cotidiano, realizada por olhos particulares. Geralmente, o cronista apropria-se de um fato atual do cotidiano, para, posteriormente, tecer críticas ao status quo, baseadas quase exclusivamente em seu ponto de vista. A linguagem desse tipo de texto é predominantemente coloquial. EXEMPLIFICANDO Controlador de Sistemas / 2014 / SABESP / FCC / Médio "O amor acaba", disse Paulo Mendes Campos, em sua crônica mais bonita; só não disse o que fica no lugar. É na esperança, talvez, de entender essa estranha melancolia, esse vazio preenchido por boas lembranças e algumas cicatrizes, que a encontro a cada ano ou dois. Marcamos um almoço num dia de semana. Falamos do passado, mas não muito. Falamos do presente, mas não muito. Há uma vontade genuína de se aproximar e o tácito reconhecimento dessa impossibilidade. Dois velhos amigos, quando se reveem, voltam no ato para o território comum de sua amizade. Reconstroem o pátio da escola, o prédio em que moraram − e o adentram. Para antigos amantes, no entanto, é impossível restabelecer o elo, o elo morreu com o amor, era o amor. O que sobra é feito um cômodo dentro da gente, cheio de objetos valiosos, porém trancado. Sentimos saudades do que está ali dentro, mas não podemos nem queremos entrar. Como disse um grego que viveu e amou há 2.500 anos: não somos mais aquelas pessoas nem é mais o mesmo aquele rio. Uma vez vi um filme em que alguém declarava: "Se duas pessoas que um dia se amaram não puderem ser amigas, então o mundo é um lugar muito triste". O mundo é um lugar triste, mas não porque antigos amantes não podem ser amigos: sim porque o passado não pode ser recuperado. (Adaptado de: PRATA, Antonio. Folha de S.Paulo, 20/02/2013)
  • 28. www.acasadoconcurseiro.com.br28 20. No texto, o autor a) contrapõe o amor à amizade, em defesa desta. b) lamenta que antigos amantes não possam mais ser amigos. c) admite nutrir a expectativa de recuperar um antigo amor. d) constata que o passado é irrecuperável. e) critica o caráter insondável das relações interpessoais. PEÇA PUBLICITÁRIA: a propaganda é um modo específico de apresentar informação sobre produto, marca, empresa, ideia ou política, visando a influenciar a atitude de uma audiência em relação a uma causa, posição ou atuação. A propaganda comercial é chamada, também, de publicidade. Ao contrário da busca de imparcialidade na comunicação, a propaganda apresenta informações com o objetivo principal de influenciar uma audiência. Para tal, frequentemente, apresenta os fatos seletivamente (possibilitando a mentira por omissão) para encorajar determinadas conclusões, ou usa mensagens exageradas para produzir uma resposta emocional e não racional à informação apresentada. Costuma ser estruturada por meio de frases curtas e em ordem direta, utilizando elementos não verbais para reforçar a mensagem. CHARGE: é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas. A palavra é de origem francesa e significa carga, ou seja, exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo caricato, tece uma crítica contundente. Mais do que um simples desenho, a charge é uma crítica político- social mediante o artista expressa graficamente sua visão sobre determinadas situações cotidianas por meio do humor e da sátira.
  • 29. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 29 CARTUM: retrata situações sociais corriqueiras, relacionadas ao comportamento humano, mas não necessariamente situadas no tempo. Caracteriza-se por ser uma anedota gráfica na qual se visualiza a presença da linguagem verbal associada à não verbal. QUADRINHOS: hipergênero, que agrega diferentes outros gêneros, cada um com suas peculiaridades. TEXTO LITERÁRIO EXEMPLIFICANDO Técnico Judiciário – Enfermagem / 2015 / TRT 15ª / FCC / Médio “Você não está mais na idade de sofrer por essas coisas” Há então a idade de sofrer e a de não sofrer mais por essas, essas coisas? As coisas só deviam acontecer para fazer sofrer na idade própria de sofrer? Ou não se devia sofrer pelas coisas que causam sofrimento pois vieram fora de hora, e a hora é calma? E se não estou mais na idade de sofrer é porque estou morto, e morto é a idade de não sentir as coisas, essas coisas? (ANDRADE, Carlos Drummond de. “Essas coisas”. As impurezas do branco. Rio de Janeiro: José Olympio, 3. ed., 1976, p.30)
  • 30. www.acasadoconcurseiro.com.br30 21. Infere-se corretamente do poema que a) a alegria é maior nas horas calmas da vida. b) na vida há uma idade apropriada para sofrer por certas coisas. c) quando se é jovem, o sofrimento deve ser evitado. d) a ausência de sofrimento só é possível na morte. e) o sofrimento é mais comum na velhice do que na juventude. Anotações: Semântica e Vocabulário SINÔNIMOS: palavras que possuem significados iguais ou semelhantes. Porém os sinônimos podem ser •• perfeitos: significado absolutamente igual (o que não é muito frequente); cambiáveis em qualquer contexto. Ex.: morte = falecimento / idoso = ancião •• imperfeitos: o significado das palavras é apenas semelhante. Ex.: belo~formoso/ adorar~amar / fobia~receio ANTÔNIMOS: palavras que possuem significados opostos, contrários. Pode originar-se do acréscimo de um prefixo de sentido oposto ou negativo. Exemplos: mal X bem fraco X forte subir X descer possível X impossível simpático X antipático EXEMPLIFICANDO Analista do Tesouro Nacional / 2015 / SEFAZ-PI / FCC / Superior Filosofia de borracharia O borracheiro coçou a desmatada cabeça e proferiu a sentença tranquilizadora: nenhum problema com o nosso pneu, aliás quase tão calvo quanto ele. Estava apenas um bocado murcho.
  • 31. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 31 − Camminando si sgonfia* − explicou o camarada, com um sorriso de pouquíssimos dentes e enorme simpatia. O italiano vem a ser um dos muitos idiomas em que a minha abrangente ignorância é especializada, mas ainda assim compreendi que o pneu do nosso carro periclitante tinha se esvaziado ao longo da estrada. Não era para menos. Tendo saído de Paris, havíamos rodado muito antes de cair naquele emaranhado de fronteiras em que você corre o risco de não saber se está na Áustria, na Suíça ou na Itália. Soubemos que estávamos no norte, no sótão da Itália, vendo um providencial borracheiro dar nova carga a um pneu sgonfiato. Dali saímos − éramos dois jovens casais num distante verão europeu, embarcados numa aventura que, de camping em camping, nos levaria a Istambul – para dar carga nova a nossos estômagos, àquela altura não menos sgonfiati. O que pode a fome, em especial na juventude: à beira de um himalaia de sofrível espaguete fumegante, julguei ver fumaças filosóficas na sentença do tosco borracheiro. E, entre garfadas, sob o olhar zombeteiro dos companheiros de viagem, me pus a teorizar. Sim, camminando si sgonfia, e não apenas quando se é, nesta vida, um pneu. Também nós, de tanto rodar, vamos aos poucos desinflando. E por aí fui, inflado e inflamado num papo delirante. Fosse hoje, talvez tivesse dito, infelizmente com conhecimento de causa, que a partir de determinado ponto carecemos todos de alguma espécie de fortificante, de um novo alento para o corpo, quem sabe para a alma. * Camminando si sgonfia = andando se esvazia. (Adaptado de: WERNECK, Humberto – Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 85-86) 22. Sem prejuízo para o sentido do contexto, pode-se substituir o elemento sublinhado no segmento a) sob o olhar zombeteiro (4º parágrafo) por exame indolente 1 . b) proferiu a sentença tranquilizadora (1º parágrafo) por opinião 2 consoladora. c) nosso carro periclitante (3º parágrafo) por indomável 3 . d) um providencial borracheiro (3º parágrafo) por previdente. 4 e) julguei ver fumaças filosóficas (4º parágrafo) por presunções de filosofia 5 . Anotações: 1 sem vigor; insensível ≠ zombeteiro = aquele ou o que faz troça. 2 parecer ≠ sentença = decisão final. 3 que não pode ser domado, controlado ≠ periclitante = que está em perigo. 4 precavido ≠ providencial = oportuno. 5 pretensão = fumaças = maneiras presunçosas.
  • 32. www.acasadoconcurseiro.com.br32 Polissemia Significa (poli = muitos; semia = significado) “muitos sentidos”, contudo, assim que se insere no contexto, a palavra perde seu caráter polissêmico e assume significado específico, isto é, significado contextual. Os vários significados de uma palavra, em geral, têm um traço em comum. A cada um deles dá-se o nome de acepção. •• A cabeça une-se ao tronco pelo pescoço. •• Ele é o cabeça da rebelião. •• Sabrina tem boa cabeça. EXEMPLIFICANDO 23. Encontramos o efeito polissêmico empregado na seguinte palavra: a) vaca. b) humano. c) costela. d) radiografia. e) conversa. Denotação e Conotação DENOTAÇÃO: significação objetiva da palavra – valor referencial; é a palavra em "estado de dicionário“. CONOTAÇÃO: significação subjetiva da palavra; ocorre quando a palavra evoca outras realidades devido às associações que ela provoca. EXEMPLIFICANDO Atendente a Clientes / 2014 / SABESP / FCC / Médio A marca da solidão Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de penumbra na tarde quente.
  • 33. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 33 Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, dentro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando pequenas plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é capaz de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a marca da solidão na alma, o mundo cabe numa fresta. (SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janeiro: Tinta negra bazar, 2010. p. 47) 24. No primeiro parágrafo, a palavra utilizada em sentido figurado é a) menino. b) chão. c) testa. d) penumbra. e) tenda. Anotações: Ortografia Parônimos – palavras que são muito parecidas na escrita ou na pronúncia, porém apresentam significados diferentes. ALGUNS EXEMPLOS absolver (perdoar, inocentar) absorver (aspirar, sorver) ao encontro de (a favor) de encontro a (contra) ao invés de (oposto) em vez de (no lugar de) apóstrofe (figura de linguagem) apóstrofo (sinal gráfico) aprender (tomar conhecimento) apreender (capturar, assimilar) arrear (pôr arreios) arriar (descer, cair) ascensão (subida) assunção (elevação a um cargo) bebedor (aquele que bebe) bebedouro (local onde se bebe) cavaleiro (que cavalga) cavalheiro (homem gentil) comprimento (extensão) cumprimento (saudação) deferir (atender) diferir (distinguir-se, divergir) delatar (denunciar) dilatar (alargar) descrição (ato de descrever) discrição (reserva, prudência)
  • 34. www.acasadoconcurseiro.com.br34 descriminar (tirar a culpa) discriminar (distinguir) despensa (local onde se guardam mantimentos) dispensa (ato de dispensar) docente (relativo a professores) discente (relativo a alunos) emigrar (deixar um país) imigrar (entrar num país) eminência (elevado) iminência (qualidade do que está iminente) eminente (elevado) iminente (prestes a ocorrer) esbaforido (ofegante, apressado) espavorido (apavorado) estada (permanência em um lugar) estadia (permanência temporária em um lugar) flagrante (evidente) fragrante (perfumado) fluir (transcorrer, decorrer) fruir (desfrutar) fusível (aquilo que funde) fuzil (arma de fogo) imergir (afundar) emergir (vir à tona) inflação (alta dos preços) infração (violação) infligir (aplicar pena) infringir (violar, desrespeitar) mandado (ordem judicial) mandato (procuração) peão (aquele que anda a pé, domador de cavalos) pião (tipo de brinquedo) precedente (que vem antes) procedente (proveniente; que tem fundamento) ratificar (confirmar) retificar (corrigir) recrear (divertir) recriar (criar novamente) soar (produzir som) suar (transpirar) sortir (abastecer, misturar) surtir (produzir efeito) sustar (suspender) suster (sustentar) tráfego (trânsito) tráfico (comércio ilegal) vadear (atravessar a vau) vadiar (andar ociosamente) Homônimos – palavras que são iguais na escrita e/ou na pronúncia, porém têm significados diferentes. Homônimos perfeitos são palavras diferentes no sentido, mas idênticas na escrita e na pronúncia. São Jorge / São várias as causas / Homem são. Homônimos homógrafos têm a mesma escrita, porém diferente pronúncia na abertura da vogal tônica “o” / “e”. O molho / Eu molho – A colher / Vou colher Homônimos homófonos têm a mesma pronúncia, mas escrita diferente. Acender = pôr fogo / Ascender = subir
  • 35. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 35 ALGUNS EXEMPLOS Acento Inflexão da voz; sinal gráfico Assento Lugar onde a gente se assenta Anticé(p)tico Oposto aos céticos Antissé(p)tico Desinfetante Caçar Perseguir a caça Cassar Anular Cé(p)tico Que ou quem duvida Sé(p)tico Que causa infecção Cela Pequeno aposento Sela Arreio de cavalgadura Celeiro Depósito de provisões Seleiro Fabricante de selas Censo Recenseamento Senso Juízo claro Cerração Nevoeiro espesso Serração Ato de serrar Cerrar Fechar Serrar Cortar Cilício Cinto para penitências Silício Elemento químico Círio Vela grande de cera Sírio da Síria Concertar Harmonizar; combinar Consertar Remendar; reparar Empoçar Formar poça Empossar Dar posse a Estrato Camadas (rochas); seção ou divisão de um sistema organizado; faixa. P.ext., a classifi- cação dos indivíduos a partir de suas condições socioeconômicas; grupo composto por nuvens baixas. Extrato Que foi extraído de alguma coisa; registro de uma conta (bancária, p.ex.); perfume. Incerto Duvidoso Inserto Inserido, incluído Incipiente Principiante Insipiente Ignorante Intenção ou tenção Propósito Intensão ou tensão Intensidade Intercessão Rogo, súplica Interse(c)ção Ponto em que duas linhas se cortam Laço Laçada Lasso Cansado Maça Clava Massa Pasta Paço Palácio Passo Passada Ruço Pardacento; grisalho Russo Natural da Rússia Senão A não ser, caso contrário, defeito (= um senão) Se não Caso não (condicional) Cesta Recipiente de vime, palha ou outro material trançado Sexta Dia da semana; nu- meral ordinal (fem.)
  • 36. www.acasadoconcurseiro.com.br36 Cessão = doação, anuência Se(c)cão = divisão, setor, departamento Sessão = reunião Acerca de = a respeito de, sobre A cerca de = aproximadamente, perto (distância) Há cerca de = tempo decorrido (aproximadamente) Anotações: EXEMPLIFICANDO Técnico Judiciário – Enfermagem / 2015 / TRT 15ª / FCC / Médio “Você não está mais na idade de sofrer por essas coisas” Há então a idade de sofrer e a de não sofrer mais por essas, essas coisas? As coisas só deviam acontecer para fazer sofrer na idade própria de sofrer? Ou não se devia sofrer pelas coisas que causam sofrimento pois vieram fora de hora, e a hora é calma? E se não estou mais na idade de sofrer é porque estou morto, e morto é a idade de não sentir as coisas, essas coisas? (ANDRADE, Carlos Drummond de. “Essas coisas”. As impurezas do branco. Rio de Janeiro: José Olympio, 3. ed., 1976, p.30)
  • 37. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 37 25. é porque estou morto O elemento sublinhado acima também pode ser corretamente empregado na lacuna da frase a) Não entendi o ...... da sua atitude na reunião. b) Percebi logo ...... ele demorou para chegar. c) ...... você não confia nas suas ideias? d) Esclareça o ...... da necessidade desse procedimento. e) Os jovens às vezes erram ...... são muito ansiosos. Analista Judiciário – Área Administrativa / 2012 / TRF 2ª / FCC / Superior 26. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados em a) Se o por quê da importância primitiva de Paraty estava na sua localização estratégica, a importância de que goza atualmente está na relevância histórica porque é reconhecida. b) Ninguém teria porque negar a Paraty esse duplo merecimento de ser poesia e história, por que o tempo a escolheu para ser preservada e a natureza, para ser bela. c) Os dissabores por que passa uma cidade turística devem ser prevenidos e evitados pela Casa Azul, porque ela nasceu para disciplinar o turismo. d) Porque teria a cidade passado por tão longos anos de esquecimento? Criou-se uma estrada de ferro, eis porque. e) Não há porquê imaginar que um esquecimento é sempre deplorável; veja-se como e por quê Paraty acabou se tornando um atraente centro turístico. Analista Judiciário – Análise de Sistemas / 2012 / TJ-RJ / FCC / Superior 27. É preciso corrigir, por falhas diversas, a seguinte frase: a) Quem ouve mal não tem necessariamente mau ouvido; pode ter sido afetado pelo desconhecimento de um contexto determinado. b) Quem não destorce 6 o que ouviu de modo torto acaba por permanecer longe do caminho reto da compreensão. c) Pelos sons exóticos das palavras, nos impregnamos da melodia poética a cujo encanto se rendem, imantados, os nossos ouvidos. d) Há sons indiscrimináveis, como os que se apanha do rádio mau sintonizado ou de uma conversa aliatória, entre terceiros. e) É possível elaborar-se uma longa lista de palavras e expressões em cuja recepção sonora verificam-se os mais curiosos equívocos. Técnico Judiciário – Segurança Judiciária / 2012 / TST / FCC / Médio 28. O elemento em destaque está empregado corretamente na frase a) O desempenho de um mau aluno deixa a desejar. b) Um mal professor não é capaz de incentivar os alunos. c) O aluno respondeu mau aos questionamentos do professor. d) Mau chegou, ouviram-se suas reclamações. e) A mudança de datas foi mau recebida pelos alunos. 6 endireitar o que estava torcido.
  • 38. www.acasadoconcurseiro.com.br38 Técnico Judiciário – Área Administrativa / 2011 / TRE-PE / FCC / Médio 29. O par grifado que constitui exemplo de parônimos está em a) No espaço de uma noite, o rio havia transbordado e inundado o quintal da casa. / Pela manhã, foi possível constatar a força destrutiva das águas. b) O rio se convertera em um caudaloso fluxo de águas sujas. / O menino se assustou com a violência barrenta das águas. c) Famílias eminentes podiam ir para o campo, fugindo do bulício da cidade. / Eram iminentes os riscos causados pela inundação das águas barrentas do rio. d) Era urgente a necessidade de obras para a contenção do rio. / Havia heroísmo na concentração dos homens que lutavam contra a corrente. e) No pomar atrás da casa havia frutas, entre elas, mangas e cajus. / Em mangas de camisa, homens tentavam salvar o que as águas levavam. 30. Considere as afirmações que seguem. I – Em “Seria ingênuo pensar que esse mito desapareceu com a recente crise, mas, que ele está mal das pernas, está.”, o sentido da expressão "mal das pernas", característica da oralidade, seria prejudicado caso se substituísse "mal" por mau. II – A correção gramatical do texto seria mantida se, no trecho “posicionado a alguns metros”, o termo “a” fosse substituído por há. III – Em “As trevas medievais tomaram conta da Europa, fazendo-a mergulhar em mil anos de estagnação, sob as mãos de senhores feudais, reis e papas, que não conheciam outro limite senão seu próprio poder.”, a substituição do vocábulo “senão” por se não, embora gramaticalmente correta, prejudicaria o sentido do texto. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) Apenas I e III.
  • 39. www.acasadoconcurseiro.com.br 39 Aula 3 Compreensão Gramatical do Texto. Elementos Referenciais. Confronto e reconhecimento de frases corretas e incorretas. PRONOMINALIZAÇÃO Analista do Ministério Público Estadual – Suporte Técnico / 2012 / MPE-RS / FCC / Superior Não há dúvida de que o preconceito contra a mulher é forte no Brasil e que cabe ao poder público tomar medidas para reduzi-lo. Pergunto-me, porém, se faz sentido esperar uma situação de total isonomia entre os gêneros, como parecem querer os discursos dos políticos. Nos anos 60 e 70, acreditava-se que as diferenças de comportamento entre os sexos eram fruto de educação ou de discriminação. Quando isso fosse resolvido, surgiria o equilíbrio. Não foi, porém, o que ocorreu, como mostra Susan Pinker, em "The Sexual Paradox". Para ela, não se pode mais negar que há diferenças biológicas entre machos e fêmeas. Elas se materializam estatisticamente (e não deterministicamente) em gostos e aptidões e, portanto, na opção por profissões e regimes de trabalho. 31. Quando isso fosse resolvido ... (2º parágrafo) O pronome grifado acima substitui corretamente, considerando-se o contexto, a) as diferenças de comportamento entre homens e mulheres. b) os problemas referentes à educação e à discriminação contra mulheres. c) as medidas governamentais para reduzir o preconceito contra as mulheres. d) o equilíbrio entre os sexos a partir das opções por profissões e regimes de trabalho. e) o cálculo estatístico quanto às preferências femininas por determinadas profissões. Anotações: Aula 3
  • 40. www.acasadoconcurseiro.com.br40 SINTAXE Administração – Suporte Administrativo Geral / 2015 / TCE-CE / FCC / Médio Insânia* Não há limites para a insânia, costumava dizer um amigo meu, grande jornalista e pessoa melhor ainda, desolado ante o espetáculo da humanidade sobre a Terra. Planejava começar assim um artigo que não chegou a escrever. Uma pena. Eu próprio teria fornecido ao meu amigo umas ilustrações de insânia sem limites, e sem que precisasse recorrer à experiência alheia: rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente reconheço que motivos não me faltam. *Insânia = loucura, demência, desatino (WERNECK, Humberto, Esse inferno vai acabar. Porto Alegre: Arquipélago, 2011, p. 107) 32. A frase “sem que precisasse recorrer à experiência alheia” está-se referindo a) à pessoa do autor do texto, que está longe de ser um exemplo de insânia. b) ao amigo do autor do texto, um jornalista desolado com a insânia da humanidade. c) ao amigo do autor do texto, um jornalista que confessa ser capaz de rir de sua própria insânia. d) à pessoa do autor do texto, que se vê como ilustração da insânia humana. e) a um insano qualquer, incapaz de ver a si mesmo como um desatinado. Anotações: PONTUAÇÃO Escriturário / 2013 / BB / FCC / Médio Ao longo do século XVII, a Holanda foi um dos dois motores de um fenômeno que transformaria para sempre a natureza das relações internacionais: a primeira onda da chamada globalização. O outro motor daquela era de florescimento extraordinário das trocas comerciais e culturais era um império do outro lado do planeta − a China. Só na década de 1650, 40.000 homens partiram dos portos holandeses rumo ao Oriente, em busca dos produtos cobiçados que se fabricavam por lá. Mas a derrota em uma guerra contra a França encerrou os dias da Holanda como força dominante no comércio mundial.
  • 41. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 41 Se o século XVI havia sido marcado pelas grandes descobertas, o seguinte testemunhou a consequência maior delas: o estabelecimento de um poderoso cinturão de comércio que ia da Europa à Ásia. "O sonho de chegar à China é o fio imaginário que percorre a história da luta da Europa para fugir do isolamento", diz o escritor canadense Timothy Brook, no livro O chapéu de Vermeer. Isso determinou mudanças de comportamento e de valores: "Mais gente aprendia novas línguas e se ajustava a costumes desconhecidos". O estímulo a esse movimento era o desejo irreprimível dos ocidentais de consumir as riquezas produzidas no Oriente. A princípio refratários ao comércio com o exterior, os governantes chineses acabaram rendendo-se à evidência de que o comércio significava a injeção de riqueza na economia local (em especial sob a forma de toneladas de prata). Sob vários aspectos, a China e a Holanda do século XVII eram a tradução de um mesmo espírito de liberdade comercial. Mas deveu-se só à Holanda a invenção da pioneira engrenagem econômica transnacional. A Companhia das Índias Orientais − a primeira grande companhia de ações do mundo, criada em 1602 − foi a mãe das multinacionais contemporâneas. Beneficiando-se dos baixos impostos e da flexibilidade administrativa, ela tornou-se a grande potência empresarial do século XVII. (Adaptado de: Marcelo Marthe. Veja, p. 136-137, 29 ago. 2012) 33. (12205) A Companhia das Índias Orientais – a primeira grande companhia de ações do mundo, criada em 1602 – foi a mãe das multinacionais contemporâneas. O segmento isolado pelos travessões constitui, no contexto, comentário que a) busca restringir o âmbito de ação de uma antiga empresa de comércio. b) especifica as qualidades empresariais de uma companhia de comércio. c) contém informações de sentido explicativo, referentes à empresa citada. d) enumera as razões do sucesso atribuído a essa antiga empresa. e) enfatiza, pela repetição, as vantagens oferecidas pela Empresa. Anotações: TEMPOS VERBAIS multimídia Analista Judiciário – Área Apoio Especializado – Especialidade Enfermagem / 2012 / TRT 11ª / FCC / Superior A Amazônia, dona de uma bacia hidrográfica com cerca de 60% do potencial hidrelétrico do país, tem a chance de emergir como uma região próspera, capaz de conciliar desenvolvimento, conservação e diversidade sociocultural. O progresso está diretamente ligado ao papel que a região exercerá em duas áreas estratégicas para o planeta: clima e energia. Não se trata de explorar a floresta e deixar para trás terra arrasada, mas de aproveitar o valor de seus ativos sem qualquer
  • 42. www.acasadoconcurseiro.com.br42 agressão ao meio ambiente. Para isso, basta que o Brasil seja capaz de colocar em prática uma ampla e bem-sucedida política socioambiental, a exemplo do que faz a indústria cosmética nacional, que seduziu o mundo com a biodiversidade brasileira. É marketing e é conservacionismo também. Segundo o pesquisador Beto Veríssimo, fundador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a floresta é fundamental para a redução global das emissões de gases de efeito estufa. "O Brasil depende da região para produzir mais energia e não sou contra a expansão da rede de usinas aqui, mas é preciso cautela, para não repetir erros do passado, quando as hidrelétricas catalisaram ocupação desordenada, conflitos sociais e desmatamentos. Enfrentar o desmatamento da Amazônia é crucial para o Brasil." (Trecho de Diálogos capitais. CartaCapital, 7 de setembro de 2011, p. 46) 34. Para isso, basta que o Brasil seja capaz de colocar em prática uma ampla e bem-sucedida política sócio ambiental ... (1º parágrafo) O emprego da forma verbal grifada na frase acima indica a) restrição à afirmativa anterior. b) condição da realização de um fato. c) finalidade de uma ação futura. d) tempo passado em correlação com outro. e) hipótese passível de se realizar. Assistente de Gestão de Políticas Públicas / 2012 / Fundação Paulistana de Educação e Tecnologia / FCC / Superior 35. Pouco após chegar ao Brasil com a família real, em 1808, o piano já se tornara símbolo de status e de sintonia com uma forma mais culta de vida, mesmo quando essa de fato não acontecia. ...o piano já se tornara símbolo de status... O tempo verbal empregado na frase acima exprime um fato a) futuro em relação a outro já passado. b) presente em relação a uma situação passada. c) anterior ao momento da fala, mas não totalmente concluído. d) passado em relação a outro fato também passado. e) incerto, que pode ou não vir a ocorrer. Anotações:
  • 43. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 43 NEXOS Analista Judiciário – Área Apoio Especializado – Especialidade Enfermagem / 2012 / TRT 11ª / FCC / Superior A Amazônia, dona de uma bacia hidrográfica com cerca de 60% do potencial hidrelétrico do país, tem a chance de emergir como uma região próspera, capaz de conciliar desenvolvimento, conservação e diversidade sociocultural. O progresso está diretamente ligado ao papel que a região exercerá em duas áreas estratégicas para o planeta: clima e energia. Não se trata de explorar a floresta e deixar para trás terra arrasada, mas de aproveitar o valor de seus ativos sem qualquer agressão ao meio ambiente. Para isso, basta que o Brasil seja capaz de colocar em prática uma ampla e bem-sucedida política socioambiental, a exemplo do que faz a indústria cosmética nacional, que seduziu o mundo com a biodiversidade brasileira. É marketing e é conservacionismo também. Segundo o pesquisador Beto Veríssimo, fundador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a floresta é fundamental para a redução global das emissões de gases de efeito estufa. "O Brasil depende da região para produzir mais energia e não sou contra a expansão da rede de usinas aqui, mas é preciso cautela, para não repetir erros do passado, quando as hidrelétricas catalisaram ocupação desordenada, conflitos sociais e desmatamentos. Enfrentar o desmatamento da Amazônia é crucial para o Brasil." (Trecho de Diálogos capitais. CartaCapital, 7 de setembro de 2011, p. 46) 36. ... e não sou contra a expansão da rede de usinas aqui, mas é preciso cautela ... (2º parágrafo) O segmento grifado acima denota a) finalidade decorrente do próprio desenvolvimento do texto. b) ressalva em correlação com o sentido da afirmativa anterior. c) temporalidade necessária à concretização da ação prevista. d) causa que justifica o posicionamento do pesquisador. e) condição para a realização da hipótese anterior a ele. Auxiliar de Enfermagem do Trabalho / 2012 / BB / FCC / Médio A mecanização dos meios de comunicação e da impressão foi de fundamental importância para a expansão da imprensa no início do século XX. Os novos prelos (*) utilizados pela grande imprensa eram comemorados em pequenos comentários dos semanários de narrativa irreverente paulistana. SurgiamasMarioniseoutrastantasmarcasdeprelos,capazesdemultiplicarosexemplaresecombinar textos e imagens como, durante o século XIX, nunca havia sido possível. Aliados à maior capacidade de produção, impressão e composição estavam os correios e telégrafos, principais responsáveis pela distribuiçãodosjornais,assimcomomeiodecomunicaçãofundamentalparaqueleitoreseospróprios produtores de jornais mantivessem contato com os acontecimentos do momento. Apesar de sua péssima fama, que atravessara o século XIX e permanecia ao longo da primeira década do século XX em pequenas notas e comentários críticos dos jornais satíricos, por meio dos correiossefaziamentregasemlocaisdistantesdointeriorpaulista,recebiam-sejornaisdeváriaspartes do mundo e correspondências de leitores e colaboradores das folhas. *prelo − aparelho manual ou mecânico que serve para imprimir; máquina impressora, prensa. (Paula Ester Janovitch. Preso por trocadilho. São Paulo: Alameda, 2006. p.137-138)
  • 44. www.acasadoconcurseiro.com.br44 37. Apesar de sua péssima fama ... A observação inicial do parágrafo indica a) opinião que confirma o que vem sendo exposto desde o início do texto. b) hipótese que introduz uma afirmativa que não poderá se realizar. c) ideia oposta à que vai ser expressa, contrariando uma possível expectativa. d) conclusão das ideias contidas em todo o desenvolvimento textual. e) retificação de um engano cometido no parágrafo anterior. Anotações: REESCRITA: CLAREZA E COESÃO Técnico Ministerial – Área Apoio Especializado – Especialidade Informática / 2012 / MP-PE / FCC / Médio 38. O romance policial, descendente do extinto romance gótico, conserva características significativas do gênero precursor: a popularidade imensa e os meios para obtê-la. Mantendo-se a correção, a lógica e, em linhas gerais, o sentido original, uma redação alternativa para a frase acima é a) Originário no extinto romance gótico, no romance policial conserva-se a popularidade imensa e os meios para obtê-la, características significativas do gênero precursor. b) Características significativas do extinto romance gótico, no qual são conservadas do romance policial, como a popularidade imensa e os meios para obtê-la. c) A popularidade imensa e os meios para obtê-la, no qual são considerados características significativas do romance policial, gênero precursor do extinto romance gótico. d) Conservam-se no romance policial características significativas do extinto romance gótico, gênero que o precede, tais como a popularidade imensa e os meios para obtê-la. e) Características originárias do extinto romance gótico, na qual incluem a popularidade imensa e os meios para obtê-la, conservam-se no romance policial.
  • 45. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 45 Agente de Segurança Metroviária / 2015 / METRÔ / FCC / Médio Um filme é uma criatura muito especial, muito específica, nascida das mesmas vontades antigas que levaram nossos antepassados a narrar uma caçada ao mamute nas paredes das cavernas. Num filme está um impulso ao mesmo tempo mais primitivo que o da leitura e mais tecnologicamente sofisticado que o do teatro. Como na leitura, queremos narrativas que alimentem a nossa imaginação − mas diferentemente do livro, onde mundos interiores, paisagens distantes, estados de espírito ou intenções ocultas podem ser descritos, deixando-a preencher o vácuo, o filme tem a obrigação de nos mostrar visualmente cada uma dessas coisas. Como no teatro, ele propõe a apreciação do movimento, da presença humana, da máscara do personagem − mas apenas com a intermediação da imagem captada. E assim, desse jeito tão peculiar, o cinema tem capturado nossa atenção, nossa imaginação e nosso tempo há mais de um século. Nos primórdios do cinema não havia montagem porque não havia o que montar: encantadas com a novidade da imagem em movimento, as plateias do final do século XIX contentavam- se com uma tomada estática, que durava algo em torno de três minutos. A necessidade de aumentar a duração das sessões só podia ser resolvida com a adição de mais imagens, um problema que Edwin Porter resolveu com inventividade. Em pouco mais de seis minutos, Porter costura cenas de um dia na vida de um bombeiro, estabelecendo o conceito narrativo que iria dominar o cinema comercial ao longo das décadas seguintes: as imagens se sucedem, convidando o espectador a organizá-las como uma história linear, com começo meio e fim. As normas que hoje regem o mercado da produção cinematográfica mundial não são exatas e rígidas, mas, basicamente, a filosofia principal é: um filme, mesmo “barato”, é caro; antes de investir a pequena fortuna necessária para que ele se torne realidade, há que se tentar ao máximo minimizar os riscos. E esse processo interessa de perto a nós, os espectadores, porque são as decisões tomadas durante essa tentativa que, em última análise, determinam a forma final que um filme terá, se ele será ousado ou conservador, cheio de estrelas ou repleto de desconhecidos, rodado em alguma ilha paradisíaca do Pacífico ou dentro de algum estúdio. (Adaptado de: BAHIANA, Ana Maria. Como ver um filme. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, formato e-book.) 39. O elemento que pode ser suprimido do texto, sem prejuízo do sentido, da correção e da clareza, encontra-se sublinhado em a) Como na leitura, queremos narrativas que alimentem a nossa imaginação... b) ...as plateias do final do século XIX contentavam-se... c) E esse processo interessa de perto a nós... d) ...rodado em alguma ilha paradisíaca do Pacífico ou dentro de algum estúdio. e) ...se ele será ousado ou conservador..
  • 46. www.acasadoconcurseiro.com.br46 Agente de Segurança Metroviária / 2015 / METRÔ / FCC / Médio 40. A pergunta pegou Rosinha de surpresa. Ela levantou os olhos do menu e se deparou com o marido em estado reflexivo. As frases acima estão reescritas em um único período, mantendo-se a coerência e a correção, em a) A pergunta pegou Rosinha de surpresa, uma vez que ela levantou os olhos do menu para deparar-se com o marido em estado reflexivo. b) A pergunta pegou Rosinha de surpresa, de maneira que ela levantou os olhos do menu, deparando com o marido em estado reflexivo. c) Depois que a pergunta pegou Rosinha de surpresa, ela levantou os olhos do menu, pois se deparou com o marido em estado reflexivo. d) Quando a pergunta pegou Rosinha de surpresa, levantou os olhos do menu, deparando-se, todavia, com o marido em estado reflexivo. e) Embora a pergunta pegasse Rosinha de surpresa, levantou os olhos do menu, deparando com o marido em estado reflexivo. Anotações: Gabarito: 1. C 2. A 3. D 4. D 5. E 6. B 7. E 8. A 9. C 10. A 11. E 12. E 13. A 14. C 15. D 16. D 17. C 18. A 19. D 20. D 21. D 22. E 23. C 24. E 25. E 26. C 27. D 28. A 29. C 30. E 31. B 32. D 33. C 34. E 35. D 36. B 37. C 38. D 39. A 40. B
  • 47. www.acasadoconcurseiro.com.br 47 Aula 4 •• Redação de Correspondências Oficiais. REDAÇÃO OFICIAL Correspondência Oficial: maneira pela qual o Poder Público (artigo 37 da Constituição: "administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios) redige atos normativos e comunicações. Características (atributos decorrentes da Constituição) •• Impessoalidade: ausência de impressões individuais de quem comunica; tratamento homo gêneo e impessoal do destinatário. •• Uso do padrão culto de linguagem: observação das regras da gramática formal e emprego de vocabulário comum ao conjunto dos usuários do idioma (ausência de diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais, dos modismos vocabulares, das idiossincrasias linguísticas). O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada. •• Clareza: ausência de duplicidade de interpretações; ausência de vocábulos de circulação restrita, como a gíria e o jargão. •• Concisão: transmissão de um máximo de informações com um mínimo de palavras. •• Formalidade: obediência a certas regras de forma; certa formalidade de tratamento; polidez, civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida a comunicação. •• Uniformidade: atenção a todas as características da redação oficial e cuidado com a apresentação dos textos (clareza da digitação, uso de papéis uniformes para o texto definitivo e correta diagramação do texto). •• Emissor: um único comunicador – o Serviço Público. •• Receptor: o próprio Serviço Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogênea (o público). Anotações: Aula 4
  • 48. www.acasadoconcurseiro.com.br48 EXEMPLIFICANDO Assistente Administrativo / 2010 / SERGIPE GÁS / FCC / Médio 1. (34144) A maneira pela qual o poder público redige atos normativos e comunicações denomina- se redação a) empresarial. b) oficial. c) governamental. d) mercadológica. e) estadual. Escriturário / 2011 / BB / FCC / Médio 2. A redação inteiramente apropriada e correta de um documento oficial é a) Estamos encaminhando à Vossa Senhoria algumas reivindicações, e esperamos poder estar sendo recebidos em vosso gabinete para discutir nossos problemas salariais. b) O texto ora aprovado em sessão extraordinária prevê a redistribuição de pessoal especializado em serviços gerais para os departamentos que foram recentemente criados. c) Estou encaminhando a presença de V. Sa. este jovem, muito inteligente e esperto, que lhe vai resolver os problemas do sistema de informatização de seu gabinete. d) Quando se procurou resolver os problemas de pessoal aqui neste departamento, faltaram um número grande de servidores para os andamentos do serviço. e) Do nosso ponto de vista pessoal, fica difícil vos informar de quais providências vão ser tomadas para resolver essa confusão que foi criado pelos manifestantes. Uso de Pronomes de Tratamento 1. Concordância dos pronomes de tratamento •• concordância verbal, nominal e pronominal: embora se refiram à segunda pessoa gramatical (à pessoa com quem se fala ou a quem se dirige a comunicação), levam a concordância para a terceira pessoa. Ex.: "Vossa Excelência conhece o assunto". / "Vossa Senhoria nomeará seu substituto.” •• adjetivos referidos a esses pronomes: o gênero gramatical coincide com o sexo da pessoa a que se refere. Ex.: "Vossa Excelência está atarefado." / "Vossa Excelência está atarefada."
  • 49. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 49 Resumindo: 1. com quem se fala (vossa(s)): verbo e pronomes na 3ª pessoa; 2. de quem se fala (sua(s)): verbo e pronomes na 3ª pessoa; 3. adjetivos: concordam com o sexo do destinatário. 2. Emprego dos Pronomes de Tratamento (uso consagrado): •• Vossa Excelência a) autoridades do Poder Executivo (Presidente da República; Vice-Presidente da República; Ministros de Estado 1 , Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal; Oficiais-Generais das Forças Armadas; Embaixadores; Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupantes de cargos de natureza especial; Secretários de Estado dos Governos Estaduais; Prefeitos Municipais). b) autoridades do Poder Legislativo (Deputados Federais e Senadores; Ministro do Tribunal de Contas da União; Deputados Estaduais e Distritais; Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais; Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais). c) autoridades do Poder Judiciário (Ministros dos Tribunais Superiores; Membros de Tribunais; Juízes; Auditores da Justiça Militar, Delegados 2 ). OBS.1: a vereadores, conforme Manual de Redação da Presidência da República, não é dispensado o mesmo tratamento protocolar que recebem as autoridades legislativas. Logo, o pronome a ser usado é “Vossa Senhoria”. Vocativo Correspondente a “Vossa Excelência” •• Chefes de Poder – Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo respectivo. Ex.: “Excelentíssimo Senhor Presidente da República” / “Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional” / “Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal” •• Demais autoridades – Senhor, seguido do cargo respectivo. Ex.: Senhor Senador / Senhor Juiz / Senhor Ministro / Senhor Governador. 1 São Ministros de Estado, nos termos do Decreto 4.118/2002, além dos titulares dos Ministérios, o Chefe da Casa Civil da Presidência da República, o Chefe de Gabinete de Segurança Institucional, o Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, o Advogado Geral da União e o Chefe da Corregedoria-Geral da União. Posteriormente, por meio de adendos ao Decreto, foram incluídos outros cargos, entre eles, o de Presidente do Banco Central. 2 A Lei nº 12.830/2013 dispõe, no art. 3º, que “O cargo de delegado de polícia é privativo de bacharel em Direito, devendo-lhe ser dispensado o mesmo tratamento protocolar que recebem os magistrados, os membros da Defensoria Pública e do Ministério Público e os advogados.”
  • 50. www.acasadoconcurseiro.com.br50 •• Vossa Senhoria •• empregado para as demais autoridades e para particulares. Vocativo correspondente a “Vossa Senhoria” •• Senhor. •• Vossa Magnificência •• empregado,porforçadatradição,emcomunicaçõesdirigidasareitoresdeuniversidade. Vocativo correspondente a “Vossa Magnificência” •• Magnífico Reitor. •• Pronomes de tratamento para religiosos •• de acordo com a hierarquia eclesiástica. •• Vossa Santidade: Papa. Vocativo Santíssimo Padre. •• VossaEminênciaouVossaEminênciaReverendíssima:Cardeais.VocativoEminentíssimo Senhor Cardeal ou Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal. •• Vossa Excelência Reverendíssima: Arcebispos e Bispos. •• Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima: Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos. •• Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, clérigos e demais religiosos. OBS. 2: O Manual de Redação da Presidência da República – bem como outros dele decorrentes – não apresenta vocativo para Arcebispo, Bispo, Monsenhor, Cônego, Sacerdote, Clérigo e demais religiosos. Outros manuais – de forma inconsistente – recomendam Excelentíssimo Reverendíssimo para Arcebispo e Bispo; Reverendíssimo para as demais autoridades eclesiásticas. Resumindo: 1. TRATAMENTO Vossa Excelência: autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; 2. VOCATIVO Excelentíssimo: chefes dos Três Poderes; 3. VOCATIVO Senhor: para os demais cargos; 4. TRATAMENTO Vossa Senhoria: para os demais. 5. VOCATIVO: Senhor. OBS. 3: em comunicações oficiais, está abolido o uso do tratamento digníssimo (DD) para as autoridades da lista anterior. A dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo pú- blico, sendo desnecessária sua repetida evocação.
  • 51. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 51 OBS. 4: fica dispensado o emprego do superlativo ilustríssimo para as autoridades que rece- bem o tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor. OBS. 5: doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. Evita-se usá-lo indiscrimina- damente; é empregado apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem concluído curso universitário de doutorado. É costume designar por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito e em Medicina. Nos demais casos, o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às comunicações. Envelope (endereçamento autoridades tratadas por Vossa Excelência): A Sua Excelência o Senhor Senador Fulano de Tal Senado Federal 70.165-900 – Brasília. DF A Sua Excelência o Senhor Fulano de Tal Ministro de Estado da Justiça 70.064-900 – Brasília. DF A Sua Excelência o Senhor Fulano de Tal Juiz de Direito da 10ª Vara Cível Rua ABC, no 123 01.010-000 – São Paulo. SP Envelope (endereçamento autoridades tratadas por Vossa Senhoria): Ao Senhor Fulano de Tal Rua ABC, no 123 70.123 – Curitiba. PR Verso do Envelope Remetente: NOME (em caixa alta) Cargo (em caixa alta e baixa) Setor de Autarquias Sul Quadra 4 – Bloco N 70.070-0400 – Brasília-DF
  • 52. www.acasadoconcurseiro.com.br52 Tabela de Abreviaturas Pronome de tratamento Abreviatura singular Abreviatura plural Usado para se dirigir a Vossa Alteza V. A. VV. AA. Príncipes, duques Vossa Eminência V. Em.a V. Em.as Cardeais Vossa Excelência V. Ex.a V. Ex.as Altas autoridades Vossa Magnificência V. Mag.a V. Mag.as Reitores de universidades Vossa Majestade V. M. VV. MM. Reis, imperadores Vossa Senhoria V. S.a V. S.as Tratamento cerimonioso OBS. 6: não se abreviam os pronomes de tratamento quando os destinatários são o Presidente da República e o Papa. Anotações: EXEMPLIFICANDO Engenheiro de Segurança do Trabalho / 2012 / BB / FCC / Médio 3. Em uma correspondência oficial, em que se apuram o rigor e a formalidade da linguagem, deve-se atentar para o seguinte procedimento a) o verbo deve conjugar-se como se a pessoa gramatical fosse você no caso de tratamentos como Vossa Senhoria ou Vossa Excelência. b) o tratamento por vós (e não por tu) é o indicado no caso de interlocutores de alta projeção na esfera política e institucional. c) o tratamento por Sua Senhoria ou Sua Excelência revela menos solenidade do que os tratamentos em Vossa. d) apenas excepcionalmente o tratamento em Vossa Excelência levará o verbo a flexionar-se na 3ª pessoa do singular. e) formas abreviadas, como V. Exa., devem reservar-se a autoridades com quem se tenha contato mais amiúde.
  • 53. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 53 Perito Médico Previdenciário / 2012 / INSS / FCC / Superior 4. Considere o trecho do documento que encaminha um relatório ao Chefe de um setor hospitalar. Está inteiramente correto e segue as orientações da redação oficial o segmento a) Temos o enorme prazer de encaminhar a V. Exa. no devido prazo, este relatório que nos foi solicitado na semana passada, para que tomeis conhecimento da realização dos serviços próprios deste Setor, e do que precisamos para melhorá-lo ainda mais. b) Cabe-nos, cumprindo os devidos prazos, informar à V. Sa. de tudo o que deve ser conhecido sobre os nossos serviços de atendimento ao público neste Setor, e também, sendo-lhe possível, vossa atenção para os nossos pedidos de melhoria desse atendimento. c) Encaminhamos a V. Sa. o relatório das atividades deste Setor, para dar-lhe conhecimento da prestação dos serviços e solicitar sua atenção quanto a algumas providências a serem tomadas no sentido de agilizar o atendimento ao público. d) Este relatório que encaminhamos deverá informar-vos do que ocorre habitualmente em nosso Setor, é para a tomada de providências que se torna necessário no andamento dos nossos serviços e na melhoria do atendimento. e) Para V. Sa. segue este relatório, cuja a avaliação de nosso Setor do que está sendo necessário para nossos serviços o acompanha, esperando que será tomado providências para melhorar os serviços prestados por este. Fechos para Comunicações 1. para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República: Respeitosamente. 2. para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior: Atenciosamente. CUIDADO!!!!! NÃO use Cordialmente, Graciosamente. É ERRADO ABREVIAR QUALQUER UM DESSES FECHOS: Att., Atcs. Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual de Redação do Ministério das Relações Exteriores Anotações:
  • 54. www.acasadoconcurseiro.com.br54 Analista Judiciário / 2010 / TRE-SP / FCC / Superior 5. A questão refere-se ao Manual de Redação da Presidência da República e ao Manual de Elaboração de Textos do Senado Federal. Com base nos manuais citados, analise as afirmativas a seguir: Contemporaneamente, os fechos para comunicação, com base nos manuais citados, são a) somente "atenciosamente" e "respeitosamente". b) preferencialmente "atenciosamente" e "cordialmente". c) somente "cordialmente" e "respeitosamente". d) preferencialmente "cordialmente" e "respeitosamente". e) somente "atenciosamente" e "cordialmente". Identificação do Signatário Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas as demais comunicações oficiais devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma da identificação deve ser a seguinte: Ex.: (espaço para assinatura) Nome Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República OBS. 7: para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura em página isolada do expediente. Transfira para essa página ao menos a última frase anterior ao fecho. OBS. 8: •• Não se empregam PRECIOSISMOS: palavras raras, muitas vezes arcaicas, antigas, em desuso (“Outrossim”, “Destarte”, “Subscrevemos mui atenciosamente.”...) •• Não se empregam NEOLOGISMOS: criação de palavras. •• Não se usam expressões que exprimam FAMILIARIDADE: “Prezados”, “caros”, no vocativo; •• Não se utilizam expressões REDUNDANTES: “Sem mais, subscrevemo-nos.”; traço para a assinatura; “Vimos por meio desta...” •• VERBORRAGIA E PROLIXIDADE constituem erro: “Temos a satisfação de comunicar...”; “Nada mais havendo para o momento, ficamos à disposição para maiores informações necessárias.”; “Aproveitamos o ensejo, para protestos da mais elevada estima e consideração.” Anotações:
  • 55. INSS 2015 – Interpretação de Texto e Redação Oficial – Profª Maria Tereza www.acasadoconcurseiro.com.br 55 EXEMPLIFICANDO 6. Em relação à redação de correspondências oficiais, considere as afirmações abaixo. I – As comunicações oficiais, incluindo as assinadas pelo Presidente da República, devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do local da assinatura. II – O pronome pessoal de tratamento referente ao cargo não deve ser abreviado quando se tratar de Presidente da República e Papa. III – A forma de tratamento e o vocativo que devem ser usados em correspondência que for dirigida a Vereador são Vossa Senhoria e Sr. Vereador, respectivamente. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) Apenas II e III. Padrão Ofício Ofício Aviso FORMA SEMELHANTE / FINALIDADE DIFERENTE Memorando SEMELHANÇAS 1. Partes: •• tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o expede. Exs.: Mem. 123/2012-MF Aviso 123/2012-SG Of. 123/2012-MME •• local e data em que foi assinado, por extenso, com alinhamento à direita. Ex.: Brasília, 15 de março de 2015. •• destinatário (o nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida a comunicação; no ofício, deve ser incluído também o endereço).