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Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural -
SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo
Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do
evento.
Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil
Karen Rother Piedade
Universidade de São Paulo
ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
Bolsista de Iniciação Científica da FUNDACE/FEARP/USP
Av. dos Bandeirantes, 3900 – Monte Alegre
14040-900 - Ribeirão Preto - SP - Brasil
Tel: 16-6023892 / Fax: 16-6334411
Marcos Fava Neves
Universidade de São Paulo
FEARP – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – Ribeirão Preto
PENSA – Programa de Estudos dos Negócios dos Sistemas Agroalimentares
Av. dos Bandeirantes, 3900 – Monte Alegre
14040-900 - Ribeirão Preto - SP - Brasil
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Marcel José Martins dos Santos
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Aqüicultura
Centro de Aqüicultura da UNESP- CAUNESP
Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane s/n
CEP 14.870-000
Jaboticabal-SP
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Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil
RESUMO
Há um enorme potencial para o desenvolvimento das redes produtivas do camarão
de água doce no Brasil, já que a oferta atual não atende completamente a demanda no país.
O camarão de água doce é um produto interessante pela fonte potencial de lucratividade
que representa, podendo ser criado juntamente com várias espécies de peixes,
diversificando as fontes de renda de cultivos pouco lucrativos. O principal objetivo desse
artigo é contribuir para a viabilidade comercial das atividades da rede produtiva. Assim, são
descritos a cadeia produtiva e os principais entraves para seu desenvolvimento. Também
são comentados possíveis aspectos de melhoria que possam consolidar o produto camarão
de água doce frente aos distribuidores e consumidores finais.
Palavras-chave: Camarão de água doce, Redes Agro-alimentares, Entraves e Melhorias.
1. Introdução
O próximo grande salto em produção de alimentos será dado pela a aqüicultura,
como aponta relatório do Banco Mundial (Macgin, 1998). Atualmente, ocorre a exaustão
do setor pesqueiro e ao mesmo tempo o aumento do consumo de pescado. A aquicultura
tem sido importante forma de acompanhar esta crescente demanda (Boyd et al., 1998).
Segundo Valenti (2000) a aquicultura moderna está embasada numa produção
lucrativa, alavancando o desenvolvimento social e econômico, e possibilitando o
aproveitamento efetivo de recursos naturais locais. A atividade encontra-se hoje, diante do
desafio de moldar-se ao conceito de sustentabilidade. Isso implica agregar novas dimensões
à racionalidade que move a produção de conhecimentos e as práticas do setor, que está
intensificando o cultivo, implantando a monocultura, trabalhando a genética, utilizando
produtos químicos e hormônios, aumentando a dependência por alimentos balanceados,
introduzindo pacotes tecnológicos e aprimorando as relações sociais (Assad & Bursztyn em
Valenti, 2000).
A aqüicultura produz alimentos de alto valor protéico. Numa de suas categorias, de
considerável valor econômico, está o camarão, cuja exploração vem despertando grande
interesse. Ressalta-se que atualmente 50% dos camarões consumidos mundialmente são
oriundos de cultivo (carcinicultura) contra apenas 6% na década passada (Macgin, 1998).
Esta proporção foi inferior a 1% no início dos anos 80. Os camarões de água doce
contribuem com cerca de 5% de todo camarão cultivado. O Brasil está em vias de se tornar
o maior produtor mundial de crustáceos e 99% dos projetos relacionados à carcinicultura
estão no Nordeste, onde o clima favorece a produção, a prática da engorda e da larvicultura.
O Macrobrachium rosenbergii é a espécie de camarão de água doce mais utilizada
em cultivos de escala comercial, em vários países tropicais e subtropicais. É conhecido
como Camarão de água doce, Gigante da Malásia, Camarão Azul, Pitu Havaiano, Lagostim
de água doce. A tecnologia de produção está relativamente, bem desenvolvida. Alcança
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evento.
bons preços no mercado nacional e internacional devido ao seu tamanho e sabor da sua
carne (Rural News). Além disso, a instalação de um criatório de camarão de água doce
causa menos conflitos por não necessitar da utilização de áreas costeiras, que são requeridas
para os camarões marinhos, causando impactos ambientais pela substituição das áreas de
mangue por viveiros de cultivo (New et al. 2000)
Segundo Moraes-Riodades & Valenti (1999) há um enorme potencial para o
desenvolvimento desse setor. É um produto interessante e que pode representar boa fonte
de lucratividade. Além disso, o camarão de água doce pode ser criado em policultivo com
várias espécies de peixes, diversificando as fontes de renda ou ainda elevando a
rentabilidade (Santos e Valenti, 2000).
2. Objetivos e Metodologia
Para que se possa atingir um estágio de desenvolvimento sustentável e com
viabilidade comercial, o primeiro passo é conhecer a fundo os elos que compõe essa cadeia
produtiva e a forma como eles interagem. O objetivo deste artigo é descrever toda a cadeia
produtiva do camarão de água doce e os principais entraves para seu desenvolvimento. Este
trabalho procura ainda comentar possíveis aspectos que melhorariam a atual situação do
produto, tanto em relação a sua produção, quanto ao mercado.
A metodologia utilizada baseou-se em entrevistas em profundidade e individuais,
com caráter exploratório e explicativo, sendo este o meio mais rápido e eficiente para
entender os principais aspectos da cadeia. Acrescentado a isso, uma revisão bibliográfica
procurou ressaltar os principais aspectos sobre o tema, também utilizando recursos como
buscas via Internet e vídeos institucionais. Foram entrevistadas no total 65 organizações,
sendo associações (01), cooperativas (04), prefeituras e Sebrae (05), produtores (10),
técnicos (01), laboratórios (06), secretarias da agricultura (01), estação experimental (01),
empresa verticalizada (01), professor (01), biólogos (01), empresas de ração (06), empresas
exportadoras (01), empresas de suporte técnico/equipamentos (05), canais de distribuição
(19) e beneficiadoras (02). A lista completa e detalhada de entrevistados pode ser
conseguida com os autores.
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3. Descrição da Cadeia Produtiva
Desenho da Cadeia Produtiva do Camarão de Água Doce:
Fonte: Elaborado pelos Autores
Insumos Produção
Processamento
Industrial Distribuição
Consumo
Empresas Facilitadoras (não estão no eixo central, pois não têm direitos de propriedade)
Ex: Treinamento e capacitação profissional, cooperativas e associações, serviços laboratoriais, licenciamento ambiental,
pesquisa e desenvolvimento tecnológico, transportadoras, bancos, seguradoras, certificadoras.
Fluxo de Pagamentos,
Pedidos e Informações
Fluxo de Produtos,
Serviços e Comunicação
Risco e
Negociação
Fluxo de Pagamentos,
Pedidos e Informações
Fluxo de Produtos,
Serviços e Comunicação
Risco e
Negociação
Impacto das Variáveis Macroambientais (Incontroláveis)
Político-Legal, Econ/Natural, Sócio-cultural e Tecnológico
Exemplos Exemplos Exemplos Exemplos
Indústria de
materiais e
equipamentos
Produção/
Importação de
insumos
Ex: Indústria de
ração e peletizadora,
laboratórios de
PL's/Artemia
Pós-Larvas
Engorda e
Terminação Frigoríficos
Empresas
Beneficiadoras
Supermercados
Restaurantes
Boutiques de carnes
Feiras e
Mercados Livres
Peixarias
Exportadora
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3.3. Consumidor
Segundo Iacobucci (2001), para um novo produto ter sucesso, ele precisa ser
lançado de maneira pró-ativa no mercado certo, na hora apropriada e com plano de
marketing correto. Há 20 anos houve uma tentativa de introdução do camarão de água doce
no Brasil, que não apresentou obteve êxito desejado por vários motivos. Dentre eles
destacam-se a falta de cuidado no abate, por parte dos produtores, que permitiram o
desenvolvimento do "mushines" na carne do camarão (desestruturação da carne, com a
perda de sua textura característica, apresentando uma consistência farinhenta) e a falta de
informações, para os consumidores finais, quanto ao preparo do camarão. De maneira geral,
os camarões de água doce eram preparados da mesma forma que os camarões marinhos, no
entanto, sua carne é mais delicada e os tempos de cozimento e fritura são bem menores.
Desta forma, qualquer descuido no momento do preparo pode acarretar em perda sensível
na qualidade do camarão. Este foi um grande entrave para o produto naquela época, sendo
que essa imagem ainda permanece.
Conforme Czinkota (2000), produtos são o conjunto de atributos (maneiras pela
qual os benefícios são prestados aos clientes, fornecendo a solução para seus problemas),
funções e benefícios que os clientes compram. Hoje, existe uma clara tendência dos
consumidores procurarem produtos com maior conveniência e principalmente qualidade
devido à preocupação com a saúde, nutrição e segurança alimentar, além da satisfação
pessoal. O camarão de água doce é considerado uma excelente fonte de proteína, um
produto de luxo. O aumento de tamanho dos segmentos de mercado de mais alta renda e
educação pode representar crescimento no consumo de produtos como o camarão de água
doce.
A marca é um nome, símbolo ou estampa de um produto ou serviço ao qual os
compradores associam sensações psicológicas. O mercado consumidor nacional e
internacional ainda tem muito espaço para crescimento, o que trará oportunidades aos
produtores. O nacional está cada vez mais ligado, em termos de confiança, aos varejistas e
em suas marcas, surgindo então, mais uma oportunidade neste mercado. Marcas são uma
das peças fundamentais de informação que os clientes utilizam para simplificar as escolhas
e reduzir os riscos da aquisição (Czinkota, 2000). Muito ainda deve ser feito no quesito
marca de camarões.
Ligado à marca estão as embalagens e rótulos. Segundo Czinkota (2000)
embalagem é o esforço de marketing mais distintivo, desempenhando funções de proteção,
identificação, informação, intensificando a utilização, aperfeiçoando o descarte e
reforçando a aceitação do canal. O rótulo identifica o fabricante, o lugar de origem, os
ingredientes, prazo de validade, explicações de uso e cuidados, servindo como uma ligação
de comunicação importante entre usuários, compradores eventuais e empresas. Os dois
devem atender as exigências do consumidor. Muito espaço nestes fatores existe para
trabalho.
O consumidor brasileiro, que mais reconhece e valoriza o produto está localizado no
Nordeste, uma vez que a maior parte da produção nacional acontece nesse estado. O
camarão de água doce é apreciado na forma de aperitivo e chega a custar o dobro do
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camarão marinho. Segundo New (2000), o cultivo de M. rosenbergii, neste início de
milênio, movimentará no mercado mundial a marca de US$ 1 bilhão ao ano.
3.4. Distribuição e Comercialização
Um bom sistema de distribuição oferece vantagens competitivas sustentáveis, por
suas características de longo prazo, tanto no planejamento como na implementação, por
exigirem estrutura de organizações consistentes e serem baseados em pessoas e
relacionamentos (Stern et al., 1996). afirma que canal de distribuição é a rede de
organizações que cria utilidades de tempo, lugar e posse para consumidores e usuários
empresariais (Rosenbloom, 1999).
A carcinicultura apresenta canais com diferentes níveis tecnológicos e de
profissionalização. Qualquer produto in natura deve ser comercializado o mais rápido
possível, pois é altamente perecível. Os agentes atuantes no oferecimento do camarão ao
consumidor final são hipermercados, mercados municipais, pequenos e médios
supermercados, açougues, boutiques de carnes exóticas ou não, hotéis, barraqueiros de
estrada, cooperativas, restaurantes japoneses e de frutos do mar e em alguns casos, o
pequeno proprietário rural comercializa diretamente ao consumidor final.
Observa-se uma tendência de cooperativas funcionarem de atacadistas para grandes
redes de supermercado. Tem dado certo em um ou outro caso, pois ainda falta estabilidade
de produção e consolidação do produto. A distribuição para grandes redes seria uma
excelente solução para o desenvolvimento do produto nacional e internacionalmente, visto
a grande internacionalização do varejo no Brasil.
As lojas especializadas e as boutiques de carne vêm crescendo e se consolidando na
distribuição. Segundo Azevedo (1997) são especializadas em carnes exóticas ou com cortes
diferenciados, individualmente embaladas que podem até mesmo ser entregues em casa. Os
funcionários são pessoas treinadas para melhor atender. Geralmente são usadas embalagens
especiais que aumentam a vida de prateleira do produto. Estão localizadas em bairros
nobres, ou em shoppings. Grandes transformações na cadeia aconteceriam se houvesse o
desenvolvimento de produtos com marca e embalagem.
Cresce a distribuição 'fora do lar', através de restaurantes, empresas de catering
(refeições em aviões, em empresas, cozinhas industriais, hospitais), bares, redes de fast
food, podendo ser estes possíveis clientes. As fast food cresceram 50% em 2000, gerando
US$ 3 bilhões em vendas (Distribuição, 2001). Isso acontece devido aos novos hábitos do
consumidor que necessita de refeições rápidas e fora do lar. Um exemplo de rede de fast
food seria a 'Vivenda do Camarão', já presente em muitos shoppings do país.
Em cultivo no sistema semi-intesivo, o camarão pode alcançar um peso médio de 30
g entre 6 e 8 meses, quando estará em condições de ser comercializado. Hoje o camarão de
água doce desfruta altos preços sendo considerado um produto de exportação em pé de
igualdade com outros crustáceos de alto valor comercial, atingindo valores de 8 a 20 reais o
kg, para um custo operacional de 3 a 6 reais o kg (W. Valenti, comunicação pessoal, 2002).
Um exemplo de relação é a comercialização de camarões pela cooperativa do
Espírito Santo para a rede Carrefour, onde os camarões são comercializados frescos com
peso médio entre 15 e 20 g. Os demais produtores, inclusive a cooperativa, comercializam
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os camarões congelados em bandejas de isopor envolvidas por um filme de pvc e com uma
etiqueta de identificação. Antes da embalagem é realizada uma toalete nos camarões para a
retirada de alguns apêndices (rostro, quelas, antenas) em seguida, estes são classificados
conforme seu peso em camarão pequeno, de 18 a 22 g; Camarão médio, de 25 a 30 g;
Camarão grande, de 32 a 39 g; Camarão especial, maiores que 40 g. Após o beneficiamento
os camarões são comercializados em pontos de revenda localizados ao longo das BR's e em
restaurantes e bares.
Em Pernambuco, o preço de venda pode variar de 3 a 15 reais o quilo. O principal
concorrente é o camarão marinho. Houve uma tentativa para que terceiros (barraqueiros)
distribuíssem ao pequeno varejo, no entanto prevaleceu a forma de venda direta ao
consumidor, realizada na própria fazenda. Segundo os produtores, 70% da produção é
comercializada no próprio Estado de Pernambuco. O camarão de água doce produzido nos
Estados de São Paulo e Espírito Santo, por ser em pequena escala, é comercializado
diretamente ao consumidor, pelos próprios carcinicultores.
Como tendências deve-se avaliar a participação de lojas de conveniência, de redes
de fastfood e mesmo varejistas com presença internacional comprando produtos no Brasil
para todas as lojas da rede (global sourcing)
3.5. Indústria e beneficiamento
O setor de transformação da aqüicultura ainda dá seus primeiros passos. Grande
parte da tecnologia e até mesmo das unidades processadoras utilizadas são originadas para
produtos da pesca extrativa. As unidades não possuem técnicas adequadas de depuração, o
que compromete a qualidade do produto. Já que estão vinculadas ao extrativismo, que é
uma atividade em declínio, as indústrias são passíveis de utilização pela carcinicultura em
questão (Poli et al., 2000). Com o desenvolvimento do setor aquícola deverá haver a
presença de novos investimentos e de novos grupos de empresas no Brasil.
Os subprodutos do camarão (cabeça, casca e apêndices) também apresentam
utilidade. Com a cabeça é fabricada a farinha de camarão, utilizada na indústria de rações.
Da quitina, que forma a casca, é extraído um material para a fabricação de colas altamente
resistentes, utilizadas pela indústria aeronáutica e para material odontológico de alta
precisão, sendo esses exemplos de potenciais consumidores.
A Cooperativa dos Aqüicultores do Espírito Santo conta com uma unidade de
beneficiamento, localizada no município de São Domingos do Norte, com capacidade de
processamento de 200 kg/dia e estocagem de 5.000kg/mês; Esta unidade encontra-se em
processo de obtenção do S.I.E. (Serviço de inspeção Estadual). Os cooperados contam
ainda, com mais duas beneficiadoras, uma localizada no município de Pedro Canário e
outra em Linhares.
Atualmente, no Brasil, existe apenas um abatedouro com registro no S.I.F. (Serviço
de Inspeção Federal), que atua especificamente com camarão de água doce. Este localiza-se
no município de Prata, MG e possui autorização para comercialização de pescado fresco.
Sua capacidade de processamento é superior a 200 kg/dia e a produção da fazenda não é
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suficientemente regular para abastecê-lo. No entanto, o proprietário, está em busca de
parceiros regionais para diminuir a ociosidade do abatedouro e regular a sua freqüência de
fornecimento. Ressalta-se aqui, que os investimentos em grandes unidades beneficiadoras
se não se justificam se não há estabilidade de produção.
Tabela 1: Unidades de beneficiamento para camarões marinhos e de água doce, oriundos da
aqüicultura, no Brasil.
Estado Capacidade (t/Ano) Área Total (m2
) Total de Unidades U. c/ inspeção sanitária
Potencial real
RN 3.000 1.600 1.300 2 2
PI 3.000 280 1.500 2 2
PB 450 250 1.500 2 1
PE 2.0001
- 1.700 1 -
BA 4.200 2.150 1.071 1 1
ES - - - 4 2
MG 54 8 500 1 1
Fonte: Adaptado de Pereira et al.(2000); Pezzato e Scorvo Fo
(2000).
(1)
Recém construída; (-) = Não informado
3.1. Produção
Segundo um levantamento da ABCC (Associação Brasileira de Criadores de
Camarão), 85,5% dos produtores brasileiros são de pequeno porte. A atividade geralmente
é secundária na propriedade. Alguns atuam em parcerias com proprietários maiores e
órgãos públicos como prefeituras e SEBRAE.
O Macrobrachium rosenbergii é considerada a espécie de água doce mais utilizada
para o cultivo, em todo o mundo. É a maior espécie do gênero, podendo atingir 32 cm e
pesar 500 g. Foi introduzida no Brasil em 1977. É um animal rústico, precoce, fecundo,
bastante fértil e prolífico, adaptando-se bem à criação em cativeiro. É bastante resistente às
variações físico-químicas do meio ambiente, principalmente as de ordem climática. Sua
carne é de sabor suave e de textura mais delicada que a do camarão marinho (Valenti,
1996).
De acordo com os dados da FAO (2000), o Brasil figura entre os 10 maiores
produtores mundiais de camarão de água doce, porém 98% da produção global de M.
rosenbergii está concentrada na Ásia.
O cultivo de camarões de água doce é relativamente mais simples que o de
camarões marinhos, podendo ser realizado em propriedades de pequeno, médio ou grande
porte, localizadas próximo ao litoral ou no interior (Valenti, 1996). A produtividade de M.
rosenbergii varia de acordo com o tipo de sistema de cultivo empregado e a situação
climática regional. Geralmente, produtividades entre 500 e 5.000 Kg/ha/ano são obtidas em
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sistema semi-intensivo, nos empreendimentos comerciais em operação (Valenti e New,
2000).
Nos anos oitenta, a região Nordeste foi bastante expressiva em relação ao surto
desenvolvimentista e o estágio tecnológico decorrentes da introdução do camarão de água
doce a partir de experiências bem sucedidas de larvicultura e engorda, especialmente nos
Estados de Pernambuco e Alagoas, logo difundidas para outras regiões do país (Pereira et
al., 2000). A partir de investimentos necessários, tanto em linhas de pesquisa, devidamente
direcionadas, como em unidades de cultivo tecnicamente comprovadas, a região poderá,
num futuro próximo, ocupar uma posição de destaque no cenário mundial. A região tem um
potencial de 300 mil ha ainda não explorados. (Jornal do Comércio de Recife-02.04.2000).
Segundo Pezzato e Scorvo Fo
. (2000), o Estado de São Paulo caracteriza-se por ser
restrito a poucos pequenos produtores do camarão da Malásia. Existem, no Estado, apenas
10 propriedades com uma área média de 1 ha, com uma produção de 15 toneladas/ano. O
Estado do Rio de Janeiro, a exemplo de São Paulo, caracteriza-se por apresentar poucos e
pequenos produtores. Registraram-se no Estado apenas 4 propriedades com uma área de 8
ha, sendo a produção estimada inferior a 15 toneladas/ano.
A carcinicultura de água doce era praticada em todos os Estados da Região Centro-
Oeste. Problemas com o fornecimento de pós-larvas e proibição de cultivo de espécies
exóticas em alguns locais trouxeram redução na participação (W. Valenti, comunicação
pessoal, 1999). Em Goiás existe uma região produtora (Uruaçu) e está ligada a
Universidade Católica e a Escola de Veterinária da Universidade Federal de Goiás.
Segundo Poli et al. (2000) foram produzidos na Região Sul, apenas 6 toneladas de
camarões de água doce na safra 98/99.
3.2. Insumos
Conforme demonstrado anteriormente, no desenho da cadeia produtiva, tudo que
está relacionado ao suporte técnico e infraestrutura foi considerado como insumo e não
somente matéria-prima. Nesse caso, uma consultoria para o setor produtivo é um insumo
técnico. O termo tecnologia implica na existência de pesquisas científicas e extensão rural.
Há tecnologia de ponta no Brasil, mas esta tem dificuldades em chegar aos produtores
(Valenti, 1998).
O cultivo do camarão de água doce geralmente se faz em viveiros escavados em
terra. As prefeituras da maioria das cidades são capacitadas para oferecer esse tipo de
serviço, mas nem todas colaboram. Tanques de manutenção de matrizes (caixas d'água, de
fibras, de plástico), tanque de eclosão e tanques de pré-cultivo também se fazem
necessários.
Para realizar a larvicultura, o carcinicultor deve ter disponível água salgada e doce
que são misturadas de forma adequada, antes de ser fornecida aos tanques de cultivo.
Quando a propriedade situa-se longe da costa, a aquisição da água salgada encarece muito a
produção. Nesse caso utiliza-se sistemas fechados de circulação, que reciclam a água
salobra, que pode ser preparada com a fórmula de água do mar artificial, recentemente
desenvolvida no Caunesp (Unesp/Jaboticabal), indicada à propriedades situadas a mais de
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600 km do litoral. Para distâncias menores é mais interessante transportar a água do mar
natural.
Além disso, o laboratório precisa de tanques especiais, incubadoras para eclosão de
Artemia (microcrustáceo importado de difícil acesso e manter seu estoque em qualquer
Estado é complicado devido ao alto preço do produto.), equipamentos para análise de água
e uma dieta específica à uma fase da larva, a base de ovo, leite, peixe, complexo
vitamínico, ômega-3 e outros.
Segundo Pezzato e Scorvo Fo
(2000), com relação à quantidade de produção de pós-
larvas, existem no Estado de São Paulo dois laboratórios instalados e funcionando, com
uma produção estimada em 1.200.000 PL's/ano. A produção de pós-larvas no Estado do
Rio de Janeiro é de 1.000.000 PL's/ano. O milheiro custa em torno de R$ 45,00. A
carcinicultura passou por um momento difícil quando as pós-larvas eram obtidas de
laboratórios de outros Estados. Com a instalação de três novos laboratórios em cada um dos
dois Estados, o fornecimento tende a se normalizar.
Havia uma larvicultura de camarões de água doce no Mato Grosso, que fechou em
1999 devido à proibição de espécies exóticas na região (W. Valenti, comunicação pessoal,
1999). Em todas as fases os camarões recebem alimentação artificial na forma de ração
balanceada e peletizada, cujos tamanhos das partículas, quantidades e teores protéicos
variam de acordo com a faixa etária dos camarões.
Apesar de ser evidente a melhoria da qualidade das rações, ainda torna-se necessário
o aperfeiçoamento desse setor, a fim de possibilitar a oferta de vários tipos de rações para
as várias fases de vida do animal. A maioria das fábricas de rações existente ainda não
conta com uma linha especial para o camarão de água doce. Muitas vendem rações
indicadas para peixes como 'supra alevino' e 'supra juvenil', para a fase inicial do camarão.
Esta ração é encontrada com facilidade nos quatro estados da Região Sudeste, mas seu
preço tem elevado o custo de produção em alguns casos.
A adubação química ou orgânica da água é periodicamente praticada a fim de
incrementar a produtividade natural dos viveiros, que servirá de alimentação aos camarões.
São insumos importantes cujo acesso não é tão problemático.
Segundo Pereira et al. (2000) a maioria dos insumos da aquicultura está disponível,
principalmente nas grandes cidades dos Estados nordestinos. Atualmente a região nordeste
conta com estrutura suficiente para a produção de 14 milhões de pós-larvas de camarão de
água doce por ano. Entretanto, nos municípios menores há carência de alguns itens, e
muitas vezes o produtor precisa adquiri-los em outras cidades, dificultando o
desenvolvimento da atividade. O crescimento da atividade ainda depende de infra-estrutura
básica em alguns locais, onde ainda se constata a ausência ou deficiência de energia
elétrica, por exemplo.
Ressalta-se que a região Nordeste está atraindo empresas fornecedoras de ração.
Uma das primeiras interessadas em montar uma unidade no Estado é a cartarinense
'Nutrifarma Nutrição e Saúde Animal', ligadas a investidores argentinos, venezuelanos e
espanhóis. A empresa norte-rio-grandense 'Companhia exportadora de Produtos de Mar'
('Produmar') está negociando uma parceria para a implantação de uma outra unidade
industrial com a norte-americana 'Buris Mills e Feed Inc.' Atualmente a região conta com a
Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do
Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural -
SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo
Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do
evento.
norte-americana 'Agribrands Purina' e a 'Socil Guyomarc’H', associação entre a brasileira
'Socil' e o grupo francês 'Guyomarc’H Nutrition Animale'.
A qualidade da água deve ser rigorosamente controlada para que as condições
ambientais permaneçam dentro dos padrões de exigência dos camarões a fim de gerar
maior produtividade no cultivo. Teores de oxigênio dissolvido, pH, temperatura e
transparência são parâmetros controlados diariamente nos viveiros, enquanto que, dureza,
alcalinidade e outros são monitorados semanalmente. Daí a necessidade de aparelhos de
medição, muitas vezes inacessíveis aos pequenos produtores.
Existe uma empresa potiguar que fabrica redes de pesca que são procuradas por
produtores de todo o Brasil para serem usadas como rede anti-pássaro e anti-libélula em
cima dos viveiros, já que existem tais predadores. A tabela 02 traz as larviculturas
instaladas na região nordeste.
Tabela 2: Larviculturas Marinhas (M) e de Água Doce (D) instaladas na Região Nordeste.
Estados Nº de estações Capacidade de Produção de Pós Larvas (x 1000 unidades)/Ano
Potencial Real
PI (M) 1 216.000 180.000
CE (M+D)1
1 6.000 2.000
RN (M) 5 1.428.000 720.000
PB (M) 1 120.000 15.000
PE (M+D)2
3 1.806.000 803.000
BA (M+D)3
3 1.980.000 1.306.000
Total 14 5.556.000* 3.026.000
1-CE-2.000.000 PL’s/ano; 2-PE-3.000.000 PL’s/ano; 3-BA-6.000.000 PL’s/ano.
* capacidade regional é de 14 milhões de pós larvas de camarões de água doce/Ano.
Fonte: Pereira et al. (2000).
Feita esta descrição da cadeia produtiva do camarão de água doce, desde o consumo
até o setor de insumos, o próximo passo e descrever, por setor, os entraves listados durantes
as entrevistas e consolidados pelos autores.
Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do
Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural -
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4. Principais entraves à cadeia produtiva
Quadro 01: Resumo dos Entraves a Cadeia Produtiva do Camarão de Água Doce
Principais entraves à cadeia produtiva em cada setor de produção
Insumos e
Suporte Técnico Produção
Indústria e
Beneficiamento
Distribuição e
Comercialização Consumidor
Falta de Laborat. de PL´s
em todo país e dificuldades
de transporte.
Extensão rural deixa a
desejar
Falta de produção
em escala
Falta de
desenvolvimento do
produto
Falta de
conhecimento do
produto
Carência de insumos
básicos, como energia
elétrica, em algumas
cidades
Falta de estabilidade
de produção e
organizações
associativas,
cooperativass para
conseguir escala de
produção.
Aversão a
contratos c/
produtores
Falta de estabilidade
da produção
Preocupação com a
segurança alimentar
por parte dos
consumidores e a
origem do produto.
Falta de controle
Sanitário
Ineficiência no mecanismo
de transferência de
tecnologia aos produtores
Desconhecimento
técnico de alguns
órgãos de
licenciamento,
prejudicando a
regularização de
empreendimentos.
Pouco volume
dificulta
investimentos em
unidades
dedicadas
Alta perecibilidade
do produto
Desconhecimento
de marcas e
embalagens/rótulos.
Dificuldade de
encontrar o produto.
Demanda por empresas de
comercialização e
assistência técnica de
equipamentos
Grandes riscos de
perda que podem ser
causados por
variações climáticas
Falta de
tecnologia e
pesquisa sobre
modo de preparo
da carne e
subprodutos
Dificuldade para
a consolidação de
novos canais e
mesmo de grandes
redes varejistas.
Concorrência com
o camarão marinho.
Falta de linhas de crédito Proibição de espécies
exóticas em alguns
Estados como os do
Norte
Desconhecimento
por parte das
indústrias da
utilização de
subprodutos
Curto prazo de
validade do produto
Dificuldade de
pedidos/contatos e
indicação/referência
para concretizar
pedidos e compra.
Falta de convênios
públicos ou privados que
façam as larviculturas
funcionarem
Falta de política de
divulgação /fomento
da atividade.
Produtores
desestruturados e sem
acesso à pesquisas
existentes
Precaução das
grandes empresas
em desenvolver
linhas de produtos
com a espécie
Grande distância
entre regiões de
maior consumo e
produtores
Necessidade de
desenvolvimento da
indústria de insumos. Falta
de rações especiais para as
diferentes faixas etárias
do camarão
Falta de instrumentos
econômicos e
institucionais de apoio
Carência de reuniões
entre assentados e
presidentes de
associações
Falta de empresas
de embalagens
especiais perto
das regiões
produtoras
Suporte técnico e
infraestrutura
operacional para o
transporte
Fonte: Elaborado e consolidado pelos autores a partir das entrevistas.
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Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural -
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5. Considerações Finais: Aproveitando as Oportunidades
Segundo Friedman e Furey (1999), boutiques de carne são o formato de loja
considerado hight touch channel, ou seja, há uma forte interação entre consumidor e
vendedor. As atividades são desenvolvidas para providenciar melhor atendimento ao
cliente, e prover informações sobre as características do produto (SEBRAE,1999). São
nestes locais, assim como nas grandes redes de supermercado, que estão presentes as
oportunidades e canais de divulgação e convencimento do consumidor.
Ações junto às grandes redes de supermercados são necessárias trabalhando-se
continuamente três componentes: qualidade, preço e imagem. Empresas com facilidades de
distribuição e com marcas conhecidas poderiam comprar camarão para o processo de
acabamento. Avanços na tecnologia de processamento, que podem ser gerados pela
indústria, pelo varejo ou por centros de pesquisa poderão permitir elaboração de produtos
com maior conveniência e qualidade.
Como tendência, as maiores exigências com rotulagem, pelos consumidores, trarão
transparência a cadeia produtiva, aumentando custo, mas trazendo a informação desejada
pelo consumidor. Isso pode representar uma das maneiras de divulgar o correto preparo do
produto. Existe aí, oportunidade para selos e marcas. A comparação do camarão de água
doce com os produtos de pesca extrativa pode ser uma maneira de diferenciar o produto.
O policultivo dos camarões com outras espécies, como peixes não carnívoros, por
exemplo, tem se mostrado opção para diversificação da fonte de renda.
Para concluir, é de fundamental importância ações coletivas que possam ajudar a
coordenação desta cadeia produtiva. Dentre elas são destacadas ações para facilitar o acesso
a linhas de crédito (compatíveis à realidade), revisar/adequar a legislação aquícola, facilitar
a obtenção de licença ambiental, promover o melhoramento genético das espécies, gerar,
atualizar e divulgar dados estatísticos, promover a organização/reorganização dos
produtores, monitoramento dos ambientes aquáticos de cultivo, apoio à geração de
tecnologia, apoio ao treinamento, capacitação e qualificação de mão-de-obra, desenvolver
novas tecnologias de produção e programas de transferência e adaptação de tecnologia,
disponibilidade de informações setoriais básicas, melhoria da qualidade e redução dos
custos de rações, melhorar e criar canais de distribuição e comercialização, facilitar a
importação de insumos estratégicos, racionalização da carga tributária e um programa de
marketing nacional.
6. Bibliografia
ABCC.1997.Jornal da Associação Brasileira de Criadores de Camarões. Ano V, nº4.p.1-4
Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do
Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural -
SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo
Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do
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Assad, L.T. 1996. Maricultura para produção de pescado em zonas costeiras. In: Fonteles-Filho,
A.A.(Ed.), Workshop Internacional sobre a Pesca Artesanal. Laboratório de Ciências do Mar-
UFC, Fortaleza, 1996. Anais..113-118.
Azevedo, J.H. (Coord.). Como abrir seu próprio negócio: Butique de Carnes. Brasília, Ed.Sebrae,
60p.1997
Borghetti, J.R.; Ostrensky, A. 1999. A aqüicultura brasileira situação atual e perspectiva. 8p. (Não
publicado)
Boyd, C.E.; Massaut, L. and Weddig, L.J. 1998. Towards reducing environmental impacts of pond
aquaculture. Infofish International, 2:27-33.
Carvalho, R.A.P.L.F.; Chammas, M.A. 1999. O impacto da aquicultura na oferta global de
pescado: uma nova força para o agribusiness brasileiro. 8p. (não publicado)
Coughlan, A.T., Anderson, E.; Stern, L.W.; El-Ansary, A.I. Marketing Channels. Prentice-Hall, 6º
edição. 590p. 2001
Czinkota, M. (2001). Marketing; As Melhores Práticas-Decisões de Produtos e Papel do marketing
no Desenvolvimento de Novos Produtos. Cap 8. 546 p.
Distribuição – Revista da Associação Brasileira de Distribuidores - ABAD nº102, Maio 2001
FAO. 1999. The state of world fisheries and aquaculture: 1998. FAO, Roma.112p.
FAO. 2000. Aquaculture production statistics 1989-1998. FAO Fisheries Circular 815. FAO,
Roma.
Friedman, L.G.; Furey, T.R. The Channel Advantage. Going to market with multiple sales to reach
more customers, sell more products, make more profit. London 2000
Gemundem. H.G.; Fairhead, J.; O'Sullivan, D. (1997) Marriages Made in Heaven: The power of
Network Latency. – In Gemunden et al. Relationships and Networks in International Markets –
Pergamon, 460 p.
Iacobucci, D., 2001 Os desafios do Marketing: Aprendendo com os mestres da Kelogg. School of
Management, Futura, 283 p..
Jornal do Comércio de recife. 02-04-2000/Domingo. J. C. OnLine-Editora Economia. Título
Agricultura III
Kotler, P. Administração de Marketing. São Paulo, Prentice Hall, 2000. 10ºedição, 658 p.
Macgin, A.P. 1998. Rocking the boat: conserving fisheries and protecting jobs. Word Watch Paper
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Engenharia de Pesca, 9 e Congresso Latino-Americano de Engenharia de Pesca, 1,
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Neves, M.F., 1999 - Um modelo para planejamento de canais de distribuição no setor de
alimentos-Tese doutorado, FEA/USP. São Paulo, 297p. 1999.
Neves, M.F.; Castro, L.T.; Fazanaro, K. Marketing e o Novo Consumidor de Alimentos, Tecnologia
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Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do
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Pezzato, L. E.; Scorvo Fo
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322 In: Valenti, W.C.; Poli, C.R.; Pereira, J.A.; Borguetti, J.R., editores. Aqüicultura no Brasil.
Bases para um desenvolvimento sustentável. Brasília:CNPq, 2000. 399p.
Poli, C. R.; Grumann, A.; Borghetti, J. R. 2000. Situação da aqüicultura na região sul. Páginas
323-352 In: Valenti, W.C.; Poli, C.R.; Pereira, J.A.; Borguetti, J.R., editores. Aqüicultura no
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Rana, K.J. 1997- Guidelines on the collection of structural aquaculture statistics. Supplement to the
Program for thr world census of agriculture 2000. FAO Statistical Development Series, 5b.
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RuralNews - Site informativo Agropecuário. Internet
Santos, M.J.M; Valenti, W.C. Estratégia para elevar a rentabilidade do cultivo de tilápia: Policultivo
com camarão de água doce. In: Simpósio Brasileiro de Aqüicultura, 11, 2000. Florianópolis,
SC. Anais..., Florianópolis: Simbraq, 2000. Não paginado, CD Rom.
Stern, L. & El Ansary, A.I. & Coughlan, ª; 1996 - Marketing Channels – 5th
. Edition, Prentice Hall,
576 p.
Valenti, W. C. 1996. Criação de camarões em águas interiores. Jaboticabal: Funep. 81 p.
Valenti, W. C. 1998. Sistemas de produção na fase de crescimento final. Páginas 165-178 In:
Valenti, W.C., editor. Carcinicultura de água doce: Tecnologia para a produção de camarões.
IBAMA/FAPESP, 1998. 383 p.
Valenti, W.C. 1999. Carcinicultura de água doce no Brasil: mitos, realidades, perspectivas, In
Cogresso Sul-americano de Aquicultura, 1, Simpósio Brasileiro de Aquicultura,10, Simpósio
Brasileiro sobre cultivo de camarão, 5, Recife, 1999. Anais...p.199-206
Valenti, W.C. 2000. Aquaculture for sustainable development. Páginas 17-24 In: Valenti, W.C.;
Poli, C.R.; Pereira, J.A.; Borguetti, J.R., editores. Aqüicultura no Brasil. Bases para um
desenvolvimento sustentável. Brasília:CNPq, 2000. 399p.
Valenti, W. C.; New, M. B. 2000. Grow-out systems - Monoculture. Páginas 157-176 In: M. B.
New e W. C. Valenti, editores. Freshwater prawn farming. The farming of Macrobrachium
rosenbergii. Osney Mead, Oxford, USA.443 p.
Zylbersztajn D. & Neves, M.F. (coordenadores), 2000 – Economia e Gestão dos
NegóciosAgroalimentares- Pioneira, 2000, 356 p.

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Caracterização da rede produtiva do camarão de água doce no brasil

  • 1. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil Karen Rother Piedade Universidade de São Paulo ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Bolsista de Iniciação Científica da FUNDACE/FEARP/USP Av. dos Bandeirantes, 3900 – Monte Alegre 14040-900 - Ribeirão Preto - SP - Brasil Tel: 16-6023892 / Fax: 16-6334411 Marcos Fava Neves Universidade de São Paulo FEARP – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – Ribeirão Preto PENSA – Programa de Estudos dos Negócios dos Sistemas Agroalimentares Av. dos Bandeirantes, 3900 – Monte Alegre 14040-900 - Ribeirão Preto - SP - Brasil Tel: 16-6023892 / Fax: 16-6334411 E-mail: mfaneves@usp.br Web page: www.usp.br/fearp/fava Marcel José Martins dos Santos Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Aqüicultura Centro de Aqüicultura da UNESP- CAUNESP Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane s/n CEP 14.870-000 Jaboticabal-SP
  • 2. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil RESUMO Há um enorme potencial para o desenvolvimento das redes produtivas do camarão de água doce no Brasil, já que a oferta atual não atende completamente a demanda no país. O camarão de água doce é um produto interessante pela fonte potencial de lucratividade que representa, podendo ser criado juntamente com várias espécies de peixes, diversificando as fontes de renda de cultivos pouco lucrativos. O principal objetivo desse artigo é contribuir para a viabilidade comercial das atividades da rede produtiva. Assim, são descritos a cadeia produtiva e os principais entraves para seu desenvolvimento. Também são comentados possíveis aspectos de melhoria que possam consolidar o produto camarão de água doce frente aos distribuidores e consumidores finais. Palavras-chave: Camarão de água doce, Redes Agro-alimentares, Entraves e Melhorias. 1. Introdução O próximo grande salto em produção de alimentos será dado pela a aqüicultura, como aponta relatório do Banco Mundial (Macgin, 1998). Atualmente, ocorre a exaustão do setor pesqueiro e ao mesmo tempo o aumento do consumo de pescado. A aquicultura tem sido importante forma de acompanhar esta crescente demanda (Boyd et al., 1998). Segundo Valenti (2000) a aquicultura moderna está embasada numa produção lucrativa, alavancando o desenvolvimento social e econômico, e possibilitando o aproveitamento efetivo de recursos naturais locais. A atividade encontra-se hoje, diante do desafio de moldar-se ao conceito de sustentabilidade. Isso implica agregar novas dimensões à racionalidade que move a produção de conhecimentos e as práticas do setor, que está intensificando o cultivo, implantando a monocultura, trabalhando a genética, utilizando produtos químicos e hormônios, aumentando a dependência por alimentos balanceados, introduzindo pacotes tecnológicos e aprimorando as relações sociais (Assad & Bursztyn em Valenti, 2000). A aqüicultura produz alimentos de alto valor protéico. Numa de suas categorias, de considerável valor econômico, está o camarão, cuja exploração vem despertando grande interesse. Ressalta-se que atualmente 50% dos camarões consumidos mundialmente são oriundos de cultivo (carcinicultura) contra apenas 6% na década passada (Macgin, 1998). Esta proporção foi inferior a 1% no início dos anos 80. Os camarões de água doce contribuem com cerca de 5% de todo camarão cultivado. O Brasil está em vias de se tornar o maior produtor mundial de crustáceos e 99% dos projetos relacionados à carcinicultura estão no Nordeste, onde o clima favorece a produção, a prática da engorda e da larvicultura. O Macrobrachium rosenbergii é a espécie de camarão de água doce mais utilizada em cultivos de escala comercial, em vários países tropicais e subtropicais. É conhecido como Camarão de água doce, Gigante da Malásia, Camarão Azul, Pitu Havaiano, Lagostim de água doce. A tecnologia de produção está relativamente, bem desenvolvida. Alcança
  • 3. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. bons preços no mercado nacional e internacional devido ao seu tamanho e sabor da sua carne (Rural News). Além disso, a instalação de um criatório de camarão de água doce causa menos conflitos por não necessitar da utilização de áreas costeiras, que são requeridas para os camarões marinhos, causando impactos ambientais pela substituição das áreas de mangue por viveiros de cultivo (New et al. 2000) Segundo Moraes-Riodades & Valenti (1999) há um enorme potencial para o desenvolvimento desse setor. É um produto interessante e que pode representar boa fonte de lucratividade. Além disso, o camarão de água doce pode ser criado em policultivo com várias espécies de peixes, diversificando as fontes de renda ou ainda elevando a rentabilidade (Santos e Valenti, 2000). 2. Objetivos e Metodologia Para que se possa atingir um estágio de desenvolvimento sustentável e com viabilidade comercial, o primeiro passo é conhecer a fundo os elos que compõe essa cadeia produtiva e a forma como eles interagem. O objetivo deste artigo é descrever toda a cadeia produtiva do camarão de água doce e os principais entraves para seu desenvolvimento. Este trabalho procura ainda comentar possíveis aspectos que melhorariam a atual situação do produto, tanto em relação a sua produção, quanto ao mercado. A metodologia utilizada baseou-se em entrevistas em profundidade e individuais, com caráter exploratório e explicativo, sendo este o meio mais rápido e eficiente para entender os principais aspectos da cadeia. Acrescentado a isso, uma revisão bibliográfica procurou ressaltar os principais aspectos sobre o tema, também utilizando recursos como buscas via Internet e vídeos institucionais. Foram entrevistadas no total 65 organizações, sendo associações (01), cooperativas (04), prefeituras e Sebrae (05), produtores (10), técnicos (01), laboratórios (06), secretarias da agricultura (01), estação experimental (01), empresa verticalizada (01), professor (01), biólogos (01), empresas de ração (06), empresas exportadoras (01), empresas de suporte técnico/equipamentos (05), canais de distribuição (19) e beneficiadoras (02). A lista completa e detalhada de entrevistados pode ser conseguida com os autores.
  • 4. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. 3. Descrição da Cadeia Produtiva Desenho da Cadeia Produtiva do Camarão de Água Doce: Fonte: Elaborado pelos Autores Insumos Produção Processamento Industrial Distribuição Consumo Empresas Facilitadoras (não estão no eixo central, pois não têm direitos de propriedade) Ex: Treinamento e capacitação profissional, cooperativas e associações, serviços laboratoriais, licenciamento ambiental, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, transportadoras, bancos, seguradoras, certificadoras. Fluxo de Pagamentos, Pedidos e Informações Fluxo de Produtos, Serviços e Comunicação Risco e Negociação Fluxo de Pagamentos, Pedidos e Informações Fluxo de Produtos, Serviços e Comunicação Risco e Negociação Impacto das Variáveis Macroambientais (Incontroláveis) Político-Legal, Econ/Natural, Sócio-cultural e Tecnológico Exemplos Exemplos Exemplos Exemplos Indústria de materiais e equipamentos Produção/ Importação de insumos Ex: Indústria de ração e peletizadora, laboratórios de PL's/Artemia Pós-Larvas Engorda e Terminação Frigoríficos Empresas Beneficiadoras Supermercados Restaurantes Boutiques de carnes Feiras e Mercados Livres Peixarias Exportadora
  • 5. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. 3.3. Consumidor Segundo Iacobucci (2001), para um novo produto ter sucesso, ele precisa ser lançado de maneira pró-ativa no mercado certo, na hora apropriada e com plano de marketing correto. Há 20 anos houve uma tentativa de introdução do camarão de água doce no Brasil, que não apresentou obteve êxito desejado por vários motivos. Dentre eles destacam-se a falta de cuidado no abate, por parte dos produtores, que permitiram o desenvolvimento do "mushines" na carne do camarão (desestruturação da carne, com a perda de sua textura característica, apresentando uma consistência farinhenta) e a falta de informações, para os consumidores finais, quanto ao preparo do camarão. De maneira geral, os camarões de água doce eram preparados da mesma forma que os camarões marinhos, no entanto, sua carne é mais delicada e os tempos de cozimento e fritura são bem menores. Desta forma, qualquer descuido no momento do preparo pode acarretar em perda sensível na qualidade do camarão. Este foi um grande entrave para o produto naquela época, sendo que essa imagem ainda permanece. Conforme Czinkota (2000), produtos são o conjunto de atributos (maneiras pela qual os benefícios são prestados aos clientes, fornecendo a solução para seus problemas), funções e benefícios que os clientes compram. Hoje, existe uma clara tendência dos consumidores procurarem produtos com maior conveniência e principalmente qualidade devido à preocupação com a saúde, nutrição e segurança alimentar, além da satisfação pessoal. O camarão de água doce é considerado uma excelente fonte de proteína, um produto de luxo. O aumento de tamanho dos segmentos de mercado de mais alta renda e educação pode representar crescimento no consumo de produtos como o camarão de água doce. A marca é um nome, símbolo ou estampa de um produto ou serviço ao qual os compradores associam sensações psicológicas. O mercado consumidor nacional e internacional ainda tem muito espaço para crescimento, o que trará oportunidades aos produtores. O nacional está cada vez mais ligado, em termos de confiança, aos varejistas e em suas marcas, surgindo então, mais uma oportunidade neste mercado. Marcas são uma das peças fundamentais de informação que os clientes utilizam para simplificar as escolhas e reduzir os riscos da aquisição (Czinkota, 2000). Muito ainda deve ser feito no quesito marca de camarões. Ligado à marca estão as embalagens e rótulos. Segundo Czinkota (2000) embalagem é o esforço de marketing mais distintivo, desempenhando funções de proteção, identificação, informação, intensificando a utilização, aperfeiçoando o descarte e reforçando a aceitação do canal. O rótulo identifica o fabricante, o lugar de origem, os ingredientes, prazo de validade, explicações de uso e cuidados, servindo como uma ligação de comunicação importante entre usuários, compradores eventuais e empresas. Os dois devem atender as exigências do consumidor. Muito espaço nestes fatores existe para trabalho. O consumidor brasileiro, que mais reconhece e valoriza o produto está localizado no Nordeste, uma vez que a maior parte da produção nacional acontece nesse estado. O camarão de água doce é apreciado na forma de aperitivo e chega a custar o dobro do
  • 6. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. camarão marinho. Segundo New (2000), o cultivo de M. rosenbergii, neste início de milênio, movimentará no mercado mundial a marca de US$ 1 bilhão ao ano. 3.4. Distribuição e Comercialização Um bom sistema de distribuição oferece vantagens competitivas sustentáveis, por suas características de longo prazo, tanto no planejamento como na implementação, por exigirem estrutura de organizações consistentes e serem baseados em pessoas e relacionamentos (Stern et al., 1996). afirma que canal de distribuição é a rede de organizações que cria utilidades de tempo, lugar e posse para consumidores e usuários empresariais (Rosenbloom, 1999). A carcinicultura apresenta canais com diferentes níveis tecnológicos e de profissionalização. Qualquer produto in natura deve ser comercializado o mais rápido possível, pois é altamente perecível. Os agentes atuantes no oferecimento do camarão ao consumidor final são hipermercados, mercados municipais, pequenos e médios supermercados, açougues, boutiques de carnes exóticas ou não, hotéis, barraqueiros de estrada, cooperativas, restaurantes japoneses e de frutos do mar e em alguns casos, o pequeno proprietário rural comercializa diretamente ao consumidor final. Observa-se uma tendência de cooperativas funcionarem de atacadistas para grandes redes de supermercado. Tem dado certo em um ou outro caso, pois ainda falta estabilidade de produção e consolidação do produto. A distribuição para grandes redes seria uma excelente solução para o desenvolvimento do produto nacional e internacionalmente, visto a grande internacionalização do varejo no Brasil. As lojas especializadas e as boutiques de carne vêm crescendo e se consolidando na distribuição. Segundo Azevedo (1997) são especializadas em carnes exóticas ou com cortes diferenciados, individualmente embaladas que podem até mesmo ser entregues em casa. Os funcionários são pessoas treinadas para melhor atender. Geralmente são usadas embalagens especiais que aumentam a vida de prateleira do produto. Estão localizadas em bairros nobres, ou em shoppings. Grandes transformações na cadeia aconteceriam se houvesse o desenvolvimento de produtos com marca e embalagem. Cresce a distribuição 'fora do lar', através de restaurantes, empresas de catering (refeições em aviões, em empresas, cozinhas industriais, hospitais), bares, redes de fast food, podendo ser estes possíveis clientes. As fast food cresceram 50% em 2000, gerando US$ 3 bilhões em vendas (Distribuição, 2001). Isso acontece devido aos novos hábitos do consumidor que necessita de refeições rápidas e fora do lar. Um exemplo de rede de fast food seria a 'Vivenda do Camarão', já presente em muitos shoppings do país. Em cultivo no sistema semi-intesivo, o camarão pode alcançar um peso médio de 30 g entre 6 e 8 meses, quando estará em condições de ser comercializado. Hoje o camarão de água doce desfruta altos preços sendo considerado um produto de exportação em pé de igualdade com outros crustáceos de alto valor comercial, atingindo valores de 8 a 20 reais o kg, para um custo operacional de 3 a 6 reais o kg (W. Valenti, comunicação pessoal, 2002). Um exemplo de relação é a comercialização de camarões pela cooperativa do Espírito Santo para a rede Carrefour, onde os camarões são comercializados frescos com peso médio entre 15 e 20 g. Os demais produtores, inclusive a cooperativa, comercializam
  • 7. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. os camarões congelados em bandejas de isopor envolvidas por um filme de pvc e com uma etiqueta de identificação. Antes da embalagem é realizada uma toalete nos camarões para a retirada de alguns apêndices (rostro, quelas, antenas) em seguida, estes são classificados conforme seu peso em camarão pequeno, de 18 a 22 g; Camarão médio, de 25 a 30 g; Camarão grande, de 32 a 39 g; Camarão especial, maiores que 40 g. Após o beneficiamento os camarões são comercializados em pontos de revenda localizados ao longo das BR's e em restaurantes e bares. Em Pernambuco, o preço de venda pode variar de 3 a 15 reais o quilo. O principal concorrente é o camarão marinho. Houve uma tentativa para que terceiros (barraqueiros) distribuíssem ao pequeno varejo, no entanto prevaleceu a forma de venda direta ao consumidor, realizada na própria fazenda. Segundo os produtores, 70% da produção é comercializada no próprio Estado de Pernambuco. O camarão de água doce produzido nos Estados de São Paulo e Espírito Santo, por ser em pequena escala, é comercializado diretamente ao consumidor, pelos próprios carcinicultores. Como tendências deve-se avaliar a participação de lojas de conveniência, de redes de fastfood e mesmo varejistas com presença internacional comprando produtos no Brasil para todas as lojas da rede (global sourcing) 3.5. Indústria e beneficiamento O setor de transformação da aqüicultura ainda dá seus primeiros passos. Grande parte da tecnologia e até mesmo das unidades processadoras utilizadas são originadas para produtos da pesca extrativa. As unidades não possuem técnicas adequadas de depuração, o que compromete a qualidade do produto. Já que estão vinculadas ao extrativismo, que é uma atividade em declínio, as indústrias são passíveis de utilização pela carcinicultura em questão (Poli et al., 2000). Com o desenvolvimento do setor aquícola deverá haver a presença de novos investimentos e de novos grupos de empresas no Brasil. Os subprodutos do camarão (cabeça, casca e apêndices) também apresentam utilidade. Com a cabeça é fabricada a farinha de camarão, utilizada na indústria de rações. Da quitina, que forma a casca, é extraído um material para a fabricação de colas altamente resistentes, utilizadas pela indústria aeronáutica e para material odontológico de alta precisão, sendo esses exemplos de potenciais consumidores. A Cooperativa dos Aqüicultores do Espírito Santo conta com uma unidade de beneficiamento, localizada no município de São Domingos do Norte, com capacidade de processamento de 200 kg/dia e estocagem de 5.000kg/mês; Esta unidade encontra-se em processo de obtenção do S.I.E. (Serviço de inspeção Estadual). Os cooperados contam ainda, com mais duas beneficiadoras, uma localizada no município de Pedro Canário e outra em Linhares. Atualmente, no Brasil, existe apenas um abatedouro com registro no S.I.F. (Serviço de Inspeção Federal), que atua especificamente com camarão de água doce. Este localiza-se no município de Prata, MG e possui autorização para comercialização de pescado fresco. Sua capacidade de processamento é superior a 200 kg/dia e a produção da fazenda não é
  • 8. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. suficientemente regular para abastecê-lo. No entanto, o proprietário, está em busca de parceiros regionais para diminuir a ociosidade do abatedouro e regular a sua freqüência de fornecimento. Ressalta-se aqui, que os investimentos em grandes unidades beneficiadoras se não se justificam se não há estabilidade de produção. Tabela 1: Unidades de beneficiamento para camarões marinhos e de água doce, oriundos da aqüicultura, no Brasil. Estado Capacidade (t/Ano) Área Total (m2 ) Total de Unidades U. c/ inspeção sanitária Potencial real RN 3.000 1.600 1.300 2 2 PI 3.000 280 1.500 2 2 PB 450 250 1.500 2 1 PE 2.0001 - 1.700 1 - BA 4.200 2.150 1.071 1 1 ES - - - 4 2 MG 54 8 500 1 1 Fonte: Adaptado de Pereira et al.(2000); Pezzato e Scorvo Fo (2000). (1) Recém construída; (-) = Não informado 3.1. Produção Segundo um levantamento da ABCC (Associação Brasileira de Criadores de Camarão), 85,5% dos produtores brasileiros são de pequeno porte. A atividade geralmente é secundária na propriedade. Alguns atuam em parcerias com proprietários maiores e órgãos públicos como prefeituras e SEBRAE. O Macrobrachium rosenbergii é considerada a espécie de água doce mais utilizada para o cultivo, em todo o mundo. É a maior espécie do gênero, podendo atingir 32 cm e pesar 500 g. Foi introduzida no Brasil em 1977. É um animal rústico, precoce, fecundo, bastante fértil e prolífico, adaptando-se bem à criação em cativeiro. É bastante resistente às variações físico-químicas do meio ambiente, principalmente as de ordem climática. Sua carne é de sabor suave e de textura mais delicada que a do camarão marinho (Valenti, 1996). De acordo com os dados da FAO (2000), o Brasil figura entre os 10 maiores produtores mundiais de camarão de água doce, porém 98% da produção global de M. rosenbergii está concentrada na Ásia. O cultivo de camarões de água doce é relativamente mais simples que o de camarões marinhos, podendo ser realizado em propriedades de pequeno, médio ou grande porte, localizadas próximo ao litoral ou no interior (Valenti, 1996). A produtividade de M. rosenbergii varia de acordo com o tipo de sistema de cultivo empregado e a situação climática regional. Geralmente, produtividades entre 500 e 5.000 Kg/ha/ano são obtidas em
  • 9. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. sistema semi-intensivo, nos empreendimentos comerciais em operação (Valenti e New, 2000). Nos anos oitenta, a região Nordeste foi bastante expressiva em relação ao surto desenvolvimentista e o estágio tecnológico decorrentes da introdução do camarão de água doce a partir de experiências bem sucedidas de larvicultura e engorda, especialmente nos Estados de Pernambuco e Alagoas, logo difundidas para outras regiões do país (Pereira et al., 2000). A partir de investimentos necessários, tanto em linhas de pesquisa, devidamente direcionadas, como em unidades de cultivo tecnicamente comprovadas, a região poderá, num futuro próximo, ocupar uma posição de destaque no cenário mundial. A região tem um potencial de 300 mil ha ainda não explorados. (Jornal do Comércio de Recife-02.04.2000). Segundo Pezzato e Scorvo Fo . (2000), o Estado de São Paulo caracteriza-se por ser restrito a poucos pequenos produtores do camarão da Malásia. Existem, no Estado, apenas 10 propriedades com uma área média de 1 ha, com uma produção de 15 toneladas/ano. O Estado do Rio de Janeiro, a exemplo de São Paulo, caracteriza-se por apresentar poucos e pequenos produtores. Registraram-se no Estado apenas 4 propriedades com uma área de 8 ha, sendo a produção estimada inferior a 15 toneladas/ano. A carcinicultura de água doce era praticada em todos os Estados da Região Centro- Oeste. Problemas com o fornecimento de pós-larvas e proibição de cultivo de espécies exóticas em alguns locais trouxeram redução na participação (W. Valenti, comunicação pessoal, 1999). Em Goiás existe uma região produtora (Uruaçu) e está ligada a Universidade Católica e a Escola de Veterinária da Universidade Federal de Goiás. Segundo Poli et al. (2000) foram produzidos na Região Sul, apenas 6 toneladas de camarões de água doce na safra 98/99. 3.2. Insumos Conforme demonstrado anteriormente, no desenho da cadeia produtiva, tudo que está relacionado ao suporte técnico e infraestrutura foi considerado como insumo e não somente matéria-prima. Nesse caso, uma consultoria para o setor produtivo é um insumo técnico. O termo tecnologia implica na existência de pesquisas científicas e extensão rural. Há tecnologia de ponta no Brasil, mas esta tem dificuldades em chegar aos produtores (Valenti, 1998). O cultivo do camarão de água doce geralmente se faz em viveiros escavados em terra. As prefeituras da maioria das cidades são capacitadas para oferecer esse tipo de serviço, mas nem todas colaboram. Tanques de manutenção de matrizes (caixas d'água, de fibras, de plástico), tanque de eclosão e tanques de pré-cultivo também se fazem necessários. Para realizar a larvicultura, o carcinicultor deve ter disponível água salgada e doce que são misturadas de forma adequada, antes de ser fornecida aos tanques de cultivo. Quando a propriedade situa-se longe da costa, a aquisição da água salgada encarece muito a produção. Nesse caso utiliza-se sistemas fechados de circulação, que reciclam a água salobra, que pode ser preparada com a fórmula de água do mar artificial, recentemente desenvolvida no Caunesp (Unesp/Jaboticabal), indicada à propriedades situadas a mais de
  • 10. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. 600 km do litoral. Para distâncias menores é mais interessante transportar a água do mar natural. Além disso, o laboratório precisa de tanques especiais, incubadoras para eclosão de Artemia (microcrustáceo importado de difícil acesso e manter seu estoque em qualquer Estado é complicado devido ao alto preço do produto.), equipamentos para análise de água e uma dieta específica à uma fase da larva, a base de ovo, leite, peixe, complexo vitamínico, ômega-3 e outros. Segundo Pezzato e Scorvo Fo (2000), com relação à quantidade de produção de pós- larvas, existem no Estado de São Paulo dois laboratórios instalados e funcionando, com uma produção estimada em 1.200.000 PL's/ano. A produção de pós-larvas no Estado do Rio de Janeiro é de 1.000.000 PL's/ano. O milheiro custa em torno de R$ 45,00. A carcinicultura passou por um momento difícil quando as pós-larvas eram obtidas de laboratórios de outros Estados. Com a instalação de três novos laboratórios em cada um dos dois Estados, o fornecimento tende a se normalizar. Havia uma larvicultura de camarões de água doce no Mato Grosso, que fechou em 1999 devido à proibição de espécies exóticas na região (W. Valenti, comunicação pessoal, 1999). Em todas as fases os camarões recebem alimentação artificial na forma de ração balanceada e peletizada, cujos tamanhos das partículas, quantidades e teores protéicos variam de acordo com a faixa etária dos camarões. Apesar de ser evidente a melhoria da qualidade das rações, ainda torna-se necessário o aperfeiçoamento desse setor, a fim de possibilitar a oferta de vários tipos de rações para as várias fases de vida do animal. A maioria das fábricas de rações existente ainda não conta com uma linha especial para o camarão de água doce. Muitas vendem rações indicadas para peixes como 'supra alevino' e 'supra juvenil', para a fase inicial do camarão. Esta ração é encontrada com facilidade nos quatro estados da Região Sudeste, mas seu preço tem elevado o custo de produção em alguns casos. A adubação química ou orgânica da água é periodicamente praticada a fim de incrementar a produtividade natural dos viveiros, que servirá de alimentação aos camarões. São insumos importantes cujo acesso não é tão problemático. Segundo Pereira et al. (2000) a maioria dos insumos da aquicultura está disponível, principalmente nas grandes cidades dos Estados nordestinos. Atualmente a região nordeste conta com estrutura suficiente para a produção de 14 milhões de pós-larvas de camarão de água doce por ano. Entretanto, nos municípios menores há carência de alguns itens, e muitas vezes o produtor precisa adquiri-los em outras cidades, dificultando o desenvolvimento da atividade. O crescimento da atividade ainda depende de infra-estrutura básica em alguns locais, onde ainda se constata a ausência ou deficiência de energia elétrica, por exemplo. Ressalta-se que a região Nordeste está atraindo empresas fornecedoras de ração. Uma das primeiras interessadas em montar uma unidade no Estado é a cartarinense 'Nutrifarma Nutrição e Saúde Animal', ligadas a investidores argentinos, venezuelanos e espanhóis. A empresa norte-rio-grandense 'Companhia exportadora de Produtos de Mar' ('Produmar') está negociando uma parceria para a implantação de uma outra unidade industrial com a norte-americana 'Buris Mills e Feed Inc.' Atualmente a região conta com a
  • 11. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. norte-americana 'Agribrands Purina' e a 'Socil Guyomarc’H', associação entre a brasileira 'Socil' e o grupo francês 'Guyomarc’H Nutrition Animale'. A qualidade da água deve ser rigorosamente controlada para que as condições ambientais permaneçam dentro dos padrões de exigência dos camarões a fim de gerar maior produtividade no cultivo. Teores de oxigênio dissolvido, pH, temperatura e transparência são parâmetros controlados diariamente nos viveiros, enquanto que, dureza, alcalinidade e outros são monitorados semanalmente. Daí a necessidade de aparelhos de medição, muitas vezes inacessíveis aos pequenos produtores. Existe uma empresa potiguar que fabrica redes de pesca que são procuradas por produtores de todo o Brasil para serem usadas como rede anti-pássaro e anti-libélula em cima dos viveiros, já que existem tais predadores. A tabela 02 traz as larviculturas instaladas na região nordeste. Tabela 2: Larviculturas Marinhas (M) e de Água Doce (D) instaladas na Região Nordeste. Estados Nº de estações Capacidade de Produção de Pós Larvas (x 1000 unidades)/Ano Potencial Real PI (M) 1 216.000 180.000 CE (M+D)1 1 6.000 2.000 RN (M) 5 1.428.000 720.000 PB (M) 1 120.000 15.000 PE (M+D)2 3 1.806.000 803.000 BA (M+D)3 3 1.980.000 1.306.000 Total 14 5.556.000* 3.026.000 1-CE-2.000.000 PL’s/ano; 2-PE-3.000.000 PL’s/ano; 3-BA-6.000.000 PL’s/ano. * capacidade regional é de 14 milhões de pós larvas de camarões de água doce/Ano. Fonte: Pereira et al. (2000). Feita esta descrição da cadeia produtiva do camarão de água doce, desde o consumo até o setor de insumos, o próximo passo e descrever, por setor, os entraves listados durantes as entrevistas e consolidados pelos autores.
  • 12. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. 4. Principais entraves à cadeia produtiva Quadro 01: Resumo dos Entraves a Cadeia Produtiva do Camarão de Água Doce Principais entraves à cadeia produtiva em cada setor de produção Insumos e Suporte Técnico Produção Indústria e Beneficiamento Distribuição e Comercialização Consumidor Falta de Laborat. de PL´s em todo país e dificuldades de transporte. Extensão rural deixa a desejar Falta de produção em escala Falta de desenvolvimento do produto Falta de conhecimento do produto Carência de insumos básicos, como energia elétrica, em algumas cidades Falta de estabilidade de produção e organizações associativas, cooperativass para conseguir escala de produção. Aversão a contratos c/ produtores Falta de estabilidade da produção Preocupação com a segurança alimentar por parte dos consumidores e a origem do produto. Falta de controle Sanitário Ineficiência no mecanismo de transferência de tecnologia aos produtores Desconhecimento técnico de alguns órgãos de licenciamento, prejudicando a regularização de empreendimentos. Pouco volume dificulta investimentos em unidades dedicadas Alta perecibilidade do produto Desconhecimento de marcas e embalagens/rótulos. Dificuldade de encontrar o produto. Demanda por empresas de comercialização e assistência técnica de equipamentos Grandes riscos de perda que podem ser causados por variações climáticas Falta de tecnologia e pesquisa sobre modo de preparo da carne e subprodutos Dificuldade para a consolidação de novos canais e mesmo de grandes redes varejistas. Concorrência com o camarão marinho. Falta de linhas de crédito Proibição de espécies exóticas em alguns Estados como os do Norte Desconhecimento por parte das indústrias da utilização de subprodutos Curto prazo de validade do produto Dificuldade de pedidos/contatos e indicação/referência para concretizar pedidos e compra. Falta de convênios públicos ou privados que façam as larviculturas funcionarem Falta de política de divulgação /fomento da atividade. Produtores desestruturados e sem acesso à pesquisas existentes Precaução das grandes empresas em desenvolver linhas de produtos com a espécie Grande distância entre regiões de maior consumo e produtores Necessidade de desenvolvimento da indústria de insumos. Falta de rações especiais para as diferentes faixas etárias do camarão Falta de instrumentos econômicos e institucionais de apoio Carência de reuniões entre assentados e presidentes de associações Falta de empresas de embalagens especiais perto das regiões produtoras Suporte técnico e infraestrutura operacional para o transporte Fonte: Elaborado e consolidado pelos autores a partir das entrevistas.
  • 13. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. 5. Considerações Finais: Aproveitando as Oportunidades Segundo Friedman e Furey (1999), boutiques de carne são o formato de loja considerado hight touch channel, ou seja, há uma forte interação entre consumidor e vendedor. As atividades são desenvolvidas para providenciar melhor atendimento ao cliente, e prover informações sobre as características do produto (SEBRAE,1999). São nestes locais, assim como nas grandes redes de supermercado, que estão presentes as oportunidades e canais de divulgação e convencimento do consumidor. Ações junto às grandes redes de supermercados são necessárias trabalhando-se continuamente três componentes: qualidade, preço e imagem. Empresas com facilidades de distribuição e com marcas conhecidas poderiam comprar camarão para o processo de acabamento. Avanços na tecnologia de processamento, que podem ser gerados pela indústria, pelo varejo ou por centros de pesquisa poderão permitir elaboração de produtos com maior conveniência e qualidade. Como tendência, as maiores exigências com rotulagem, pelos consumidores, trarão transparência a cadeia produtiva, aumentando custo, mas trazendo a informação desejada pelo consumidor. Isso pode representar uma das maneiras de divulgar o correto preparo do produto. Existe aí, oportunidade para selos e marcas. A comparação do camarão de água doce com os produtos de pesca extrativa pode ser uma maneira de diferenciar o produto. O policultivo dos camarões com outras espécies, como peixes não carnívoros, por exemplo, tem se mostrado opção para diversificação da fonte de renda. Para concluir, é de fundamental importância ações coletivas que possam ajudar a coordenação desta cadeia produtiva. Dentre elas são destacadas ações para facilitar o acesso a linhas de crédito (compatíveis à realidade), revisar/adequar a legislação aquícola, facilitar a obtenção de licença ambiental, promover o melhoramento genético das espécies, gerar, atualizar e divulgar dados estatísticos, promover a organização/reorganização dos produtores, monitoramento dos ambientes aquáticos de cultivo, apoio à geração de tecnologia, apoio ao treinamento, capacitação e qualificação de mão-de-obra, desenvolver novas tecnologias de produção e programas de transferência e adaptação de tecnologia, disponibilidade de informações setoriais básicas, melhoria da qualidade e redução dos custos de rações, melhorar e criar canais de distribuição e comercialização, facilitar a importação de insumos estratégicos, racionalização da carga tributária e um programa de marketing nacional. 6. Bibliografia ABCC.1997.Jornal da Associação Brasileira de Criadores de Camarões. Ano V, nº4.p.1-4
  • 14. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. Assad, L.T. 1996. Maricultura para produção de pescado em zonas costeiras. In: Fonteles-Filho, A.A.(Ed.), Workshop Internacional sobre a Pesca Artesanal. Laboratório de Ciências do Mar- UFC, Fortaleza, 1996. Anais..113-118. Azevedo, J.H. (Coord.). Como abrir seu próprio negócio: Butique de Carnes. Brasília, Ed.Sebrae, 60p.1997 Borghetti, J.R.; Ostrensky, A. 1999. A aqüicultura brasileira situação atual e perspectiva. 8p. (Não publicado) Boyd, C.E.; Massaut, L. and Weddig, L.J. 1998. Towards reducing environmental impacts of pond aquaculture. Infofish International, 2:27-33. Carvalho, R.A.P.L.F.; Chammas, M.A. 1999. O impacto da aquicultura na oferta global de pescado: uma nova força para o agribusiness brasileiro. 8p. (não publicado) Coughlan, A.T., Anderson, E.; Stern, L.W.; El-Ansary, A.I. Marketing Channels. Prentice-Hall, 6º edição. 590p. 2001 Czinkota, M. (2001). Marketing; As Melhores Práticas-Decisões de Produtos e Papel do marketing no Desenvolvimento de Novos Produtos. Cap 8. 546 p. Distribuição – Revista da Associação Brasileira de Distribuidores - ABAD nº102, Maio 2001 FAO. 1999. The state of world fisheries and aquaculture: 1998. FAO, Roma.112p. FAO. 2000. Aquaculture production statistics 1989-1998. FAO Fisheries Circular 815. FAO, Roma. Friedman, L.G.; Furey, T.R. The Channel Advantage. Going to market with multiple sales to reach more customers, sell more products, make more profit. London 2000 Gemundem. H.G.; Fairhead, J.; O'Sullivan, D. (1997) Marriages Made in Heaven: The power of Network Latency. – In Gemunden et al. Relationships and Networks in International Markets – Pergamon, 460 p. Iacobucci, D., 2001 Os desafios do Marketing: Aprendendo com os mestres da Kelogg. School of Management, Futura, 283 p.. Jornal do Comércio de recife. 02-04-2000/Domingo. J. C. OnLine-Editora Economia. Título Agricultura III Kotler, P. Administração de Marketing. São Paulo, Prentice Hall, 2000. 10ºedição, 658 p. Macgin, A.P. 1998. Rocking the boat: conserving fisheries and protecting jobs. Word Watch Paper nº142. World Watch Institute, Washington D.C.92p. Moraes-Riodades, P.M.C.; Valenti, W.C.; Peralta,A.S.L.; Amorim,M.D.L.1999. - Carcinicultura de água doce no Estado do Pará: situação atual e perspectivas. In Congresso Brasileiro de Engenharia de Pesca, 9 e Congresso Latino-Americano de Engenharia de Pesca, 1, Recife,1999.Anais.p.598-604. Neves, M.F., 1999 - Um modelo para planejamento de canais de distribuição no setor de alimentos-Tese doutorado, FEA/USP. São Paulo, 297p. 1999. Neves, M.F.; Castro, L.T.; Fazanaro, K. Marketing e o Novo Consumidor de Alimentos, Tecnologia Business, Guia do Setor Alimentício 2001-Edição Especial, p.34-38, Janeiro de 2001.
  • 15. Citar como : PIEDADE, R. K. NEVES, M.F & SANTOS, M. J. M – Caracterização da Rede Produtiva do Camarão de Água Doce no Brasil - Anais do XL Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural - SOBER, “Equidade e Eficiência na Agricultura Brasileira”, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo – Rio Grande do Sul, 28 a 31 de julho de 2002, p. 177. Versão integral disponível no CD-ROM do evento. New, M. B. 2000. History and global status of freshwater prawn farming. Páginas 1-11 In: M. B. New e W. C. Valenti, editores. Freshwater prawn farming. The farming of Macrobrachium rosenbergii. Osney Mead, Oxford, USA. 443 p. New, M. B.; D'Abramo, L.R.; Valenti, W.C.; Singholka, S. 2000. Sustainability of freshwater prawn culture. Páginas 429-434 In: M. B. New e W. C. Valenti, editores. Freshwater prawn farming. The farming of Macrobrachium rosenbergii. Osney Mead, Oxford, USA.443 p. Pereira, J. A.; Silva, A. L. N.; Correia, E. S. 2000. Situação atual da aqüicultura na região nordeste. Páginas 267-288 In: Valenti, W.C.; Poli, C.R.; Pereira, J.A.; Borguetti, J.R., editores. Aqüicultura no Brasil. Bases para um desenvolvimento sustentável. Brasília:CNPq, 2000. 399p. Pezzato, L. E.; Scorvo Fo , J. D. 2000. Situação atual da aqüicultura na região sudeste. Páginas 303- 322 In: Valenti, W.C.; Poli, C.R.; Pereira, J.A.; Borguetti, J.R., editores. Aqüicultura no Brasil. Bases para um desenvolvimento sustentável. Brasília:CNPq, 2000. 399p. Poli, C. R.; Grumann, A.; Borghetti, J. R. 2000. Situação da aqüicultura na região sul. Páginas 323-352 In: Valenti, W.C.; Poli, C.R.; Pereira, J.A.; Borguetti, J.R., editores. Aqüicultura no Brasil. Bases para um desenvolvimento sustentável. Brasília:CNPq, 2000. 399p. Rana, K.J. 1997- Guidelines on the collection of structural aquaculture statistics. Supplement to the Program for thr world census of agriculture 2000. FAO Statistical Development Series, 5b. FAO,Roma,56p. RuralNews - Site informativo Agropecuário. Internet Santos, M.J.M; Valenti, W.C. Estratégia para elevar a rentabilidade do cultivo de tilápia: Policultivo com camarão de água doce. In: Simpósio Brasileiro de Aqüicultura, 11, 2000. Florianópolis, SC. Anais..., Florianópolis: Simbraq, 2000. Não paginado, CD Rom. Stern, L. & El Ansary, A.I. & Coughlan, ª; 1996 - Marketing Channels – 5th . Edition, Prentice Hall, 576 p. Valenti, W. C. 1996. Criação de camarões em águas interiores. Jaboticabal: Funep. 81 p. Valenti, W. C. 1998. Sistemas de produção na fase de crescimento final. Páginas 165-178 In: Valenti, W.C., editor. Carcinicultura de água doce: Tecnologia para a produção de camarões. IBAMA/FAPESP, 1998. 383 p. Valenti, W.C. 1999. Carcinicultura de água doce no Brasil: mitos, realidades, perspectivas, In Cogresso Sul-americano de Aquicultura, 1, Simpósio Brasileiro de Aquicultura,10, Simpósio Brasileiro sobre cultivo de camarão, 5, Recife, 1999. Anais...p.199-206 Valenti, W.C. 2000. Aquaculture for sustainable development. Páginas 17-24 In: Valenti, W.C.; Poli, C.R.; Pereira, J.A.; Borguetti, J.R., editores. Aqüicultura no Brasil. Bases para um desenvolvimento sustentável. Brasília:CNPq, 2000. 399p. Valenti, W. C.; New, M. B. 2000. Grow-out systems - Monoculture. Páginas 157-176 In: M. B. New e W. C. Valenti, editores. Freshwater prawn farming. The farming of Macrobrachium rosenbergii. Osney Mead, Oxford, USA.443 p. Zylbersztajn D. & Neves, M.F. (coordenadores), 2000 – Economia e Gestão dos NegóciosAgroalimentares- Pioneira, 2000, 356 p.