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Contato: Gibson Moreira Praça - gibson_moreira@yahoo.com.br
Artigo Original
Caracterização da demanda física de pequenos
jogos no futebol: influência do estatuto
posicional
Physical demand in soccer small-sided games: playing position
influence
Gibson Moreira Praça1
Davidson Alves da Silva1
Luciano Sales Prado1
Pablo Juan Greco1
1
UFMG
Recebido: 26/05/2014
Aceito: 19/01/2015
RESUMO: Pequenos Jogos no Futebol são ferramentas úteis para o treinamento de capacidades técnicas,
táticas, físicas e fisiológicas de jogadores de Futebol. Estudos verificaram variações no perfil motor –
distâncias percorridas e distâncias em intervalos de intensidade - e fisiológicas – concentração sanguínea
de lactato, frequência cardíaca e percepção subjetiva de esforço – em função de variações nas
configurações como o tamanho do campo, número de jogadores e regras técnicas. Contudo, no jogo formal
(11x11), estudos apontam diferenças nestas demandas em função do Estatuto Posicional, i.e zagueiros,
meio-campistas e atacantes, e pouca atenção dedicou-se à avaliação da influência desta variável na
demanda física em Pequenos Jogos. Desta forma, este estudo visou comparar o perfil motor associado às
distâncias percorridas em intervalos de intensidade e a demanda fisiológica (frequência cardíaca média,
máxima e percepção subjetiva de esforço) entre zagueiros, meio-campistas e atacantes em Pequenos
Jogos. Analisaram-se 12 Pequenos Jogos, na estrutura GR3-3GR, com 4 minutos de duração e todas as
regras oficiais do Futebol, incluindo o impedimento. Utilizaram-se sistemas de posicionamento global
(GPS), cardiofrequencímetros e a escala de BORG para acessar, respectivamente, distância total
percorrida, Frequência Cardíaca Máxima, Média, e Percepção Subjetiva de Esforço. Analisaram-se médias
e desvios-padrões dos dados inicialmente através do teste de Shapiro-Wilk e por fim a partir da ANOVA
One-Way. Observou-se ausência de diferença nas demandas fisiológicas em função do estatuto posicional,
e apenas meio-campistas e atacantes diferenciaram-se em função da distância total percorrida. Conclui-se
que Pequenos Jogos na configuração proposta não potencializam o aparecimento de diferenças no perfil
motor e na demanda fisiológica dos jogadores de Futebol em função do estatuto posicional.
Palavras-chave: Futebol; Pequenos Jogos; Avaliação da Performance.
PRAÇA, G M; SILVA, D A; PRADO, L S; GRECO, P J. Caracterização da demanda
física de pequenos jogos no futebol: influência do estatuto posicional. R. bras. Ci. e
Mov 2015;23(1):58-64.
ABSTRACT: Small-sided games (SSG) are useful tools to improve, simultaneously, technical, tactical,
physical and physiological skills of soccer players. Studies have verified changes in time-motion
characteristics – distance covered and distances in different speeds – and physiological – blood lactate,
heart rate and scale of perceived exertion (SPE) – related with different playing rules, as changes on the
pitch size, number of players and technical constraints. However, the 11vs.11 game presents specific
demands related with the playing position, i.e. defenders, midfielders and forwards, and little attention has
been dedicated to assess these characteristics during SSG. So, this studied aimed to compare time-motion
characteristics (associated with distance covered in certain intensity intervals) and physiological demands
(maximum and average heart rate and the scale of perceived exertion) between defenders, midfielders and
forwards during small-sided games. It was analyzed twelve GK3-3GK SSG, which lasted four minutes and
all official rules – including the offside – were used. Global Positioning Systems (GPS), heart rate
monitors and Borg Scale were used to assess physical and physiological demands of the players. The
normality of the distribution was analyzed through Shapiro-Wilk test, and groups were compared through
One-way ANOVA. It was not observed differences between players from different positions with respect
to the physiological demands. Midfielders presented a higher total distance covered than forward. It
follows that the GK3-3GK small-sided game configuration does not allow the emergence of differences in
physical and physiological demands related with the playing position.
Key Words: Soccer; Small-sided Games; Performance Assessment.
59 Demanda Física em Pequenos Jogos no Futebol
R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64.
Introdução
Pequenos Jogos são ferramentas úteis para o
treinamento no Futebol por permitirem o aumento na
eficiência ao estimularem, concomitantemente,
componentes técnicos, táticos, físicos e fisiológicos1-3
.
Neste âmbito, estudos verificaram a validade desta
ferramenta para o desenvolvimento de capacidades
físicas, como a aeróbica, em jogadores de Futebol4,5
.
Estudos avaliaram comportamentos táticos,
técnicos, mecânicos e o perfil motor de atletas de Futebol
em Pequenos Jogos a partir da manipulação de
configurações como o tamanho do campo, número de
jogadores e regras do jogo6
. Em estudos que analisaram a
demanda fisiológica e o perfil motor em Pequenos Jogos,
variáveis como a distância total percorrida1,2
, a frequência
cardíaca3,7
e a percepção subjetiva de esforço (PSE) 3,7,8
foram utilizadas para quantificar as ações dos jogadores.
Utilizaram-se equipamentos de GPS,
cardiofrequencímetros e o protocolo de Borg9
para,
respectivamente, acessar as variáveis acima descritas.
Por outro lado, estudos verificaram que o estatuto
posicional, função exercida pelo jogador no jogo formal
(11x11), i.e. zagueiros, meio-campistas e atacantes10
,
interfere no comportamento dos jogadores ao longo do
jogo11-14
. Dellal et al14
observaram diferenças em relação
ao comportamento técnico e Di Salvo et al analisaram o
perfil motor15
e apontaram diferenças nas distâncias
percorridas pelos atletas de diferentes posições. Assim,
aparentemente, o jogo formal demanda dos jogadores
diferentes comportamentos em relação às funções
desempenhadas por jogadores.
Embora diversos estudos tenham quantificado a
carga física em Pequenos Jogos (PJ)16- 22
, evidencia-se
que o Estatuto Posicional ainda não foi considerado nas
análises. Assim, ao utilizar PJ durante o treinamento de
jogadores de Futebol é importante considerar se as
diferenças demandadas em relação à posição do jogador
durante o jogo formal podem ser eficientemente treinadas
em situações de Pequenos Jogos. Desta forma, este
trabalho objetiva comparar o perfil das distâncias
percorridas, a frequência cardíaca e a percepção subjetiva
de esforço (PSE) de zagueiros, meio-campistas e
atacantes durante Pequenos Jogos de Futebol.
Materiais e Métodos
O projeto foi submetido à Plataforma Brasil e
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o CAAE
29215814.8.0000.5149. Todos participantes e
responsáveis legais autorizaram a coleta de dados
mediante preenchimento de Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido.
Participaram do estudo nove (9) atletas de futebol
(três zagueiros, três meio-campistas e três atacantes)
pertencentes a uma equipe de Futebol da cidade de Belo
Horizonte que disputa a principal competição estadual na
categoria sub-17 anos. Os sujeitos tinham idade média de
16,1 (± 0,4) anos e 4,5 (± 2,1) anos de tempo de prática
no Futebol e VO2max estimado no teste Yo-Yo Endurance
de 58,45 ml.kg.-1
min.-1
(±3,24). Os atletas foram
incluídos por não apresentarem lesões, terem experiência
na modalidade em questão e fornecerem consentimento
livre e esclarecido para participação no estudo.
Durante a realização dos Pequenos Jogos utilizou-
se a constelação GR3-3GR (um goleiro e três jogadores
de linha) por permitir que atletas realizem todos os
princípios táticos inerentes ao jogo formal23
. Utilizou-se
um campo de superfície gramada com dimensões de 36
metros de profundidade e 27 metros de largura, tamanho
que permite uma relação espacial próxima ao do jogo
formal, geralmente com medidas oficiais de 105mx68m.
Além disso, posicionaram-se quatro bolas auxiliares ao
redor do campo de jogo de forma a reduzir o tempo
perdido após a bola sair do terreno e treinadores
realizaram permanente encorajamento externo. As balizas
tiveram a dimensão de sete metros de largura por dois
metros de altura. Cada Pequeno Jogo durou quatro
minutos e jogou-se com todas as regras do jogo oficial,
incluindo o impedimento.
Cada equipe foi composta por um defensor, um
meio-campista e um atacante, de forma a criar
configurações espaciais semelhantes. Além disso,
realizou-se o Teste de Conhecimento Tático Processual24
PRAÇA et al.
R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64.
60
(TCTP) para quantificar o comportamento tático dos
jogadores e dividir equipes que fossem homogêneas do
ponto de vista tático. Assim, compuseram-se as equipes
da seguinte forma:
Equipe A Z¹ M³ A²
Equipe B Z² M¹ A³
Equipe C Z³ M² A¹
Figura 1. Composição das equipes
Legenda: Z: Zagueiro; M: Meio-campo; A: Atacante. Números sobrescritos indicam a posição
do atleta (relativizada pelo estatuto posicional) do atleta no TCTP.
No TCTP, zagueiros apresentaram média de 5,6 e
1,6 ações ofensivas e defensivas, respectivamente,
enquanto meias apresentaram 9,9 (ofensivas,
significativamente superior aos defensores2
, 4,54, (p-valor
0,033) e 2,1 (defensivas) e atacantes 7, 8 e 3 ações em
média. Conforme observado na figura acima, na equipe A
tem-se o zagueiro de melhor desempenho técnico tático, o
terceiro melhor meio-campista e o segundo melhor
atacante. Já a equipe B conta com o segundo melhor
zagueiro, o melhor meio-campista e o terceiro melhor
atacante. Por fim, a equipe C contempla o terceiro melhor
zagueiro, segundo melhor meio-campista e o melhor
atacante.
Foram analisados doze diferentes Pequenos Jogos
realizados em três sessões separadas por 48 horas. Em
cada sessão de treino aconteceram quatro Pequenos Jogos
de quatro minutos separados por 5 minutos de pausa
passiva com consumo de água permitido ad libitum. Em
cada dia, duas equipes se enfrentavam nos dois Pequenos
Jogos programados para essa sessão. A ordem dos
confrontos durante a coleta foi balanceada de forma que
todas as equipes se enfrentaram ao longo do protocolo.
Assim, no primeiro dia enfrentaram-se as equipes A e B,
no segundo as equipes A e C e no terceiro as equipes B e
C.
Para avaliação da distância percorrida pelos
atletas, utilizou-se equipamento de monitoramento global
(GPS) Garmin Forerunner 410 (Copyright © 1996-2014
Garmin Ltd.) com frequência de obtenção de dados de
1Hz, já utilizada em outros estudos25,26
e com aceitável
fidedignidade para medidas de distância em baixa
intensidade e reduzida acuidade para medidas de
aceleração e alta intensidade. Para a avaliação da
Frequência Cardíaca, utilizou-se o equipamento Polar
Team System (Polar Team Sport System, Polar-Electro
OY, Kempele, Finland) também já utilizado em outros
estudos14
. Os valores de frequência cardíaca média e
máxima foram relativizados pela máxima obtida no Yo-
Yo Endurance Test. Por fim, a escala de 6-20 de Borg9
foi
utilizada para acessar a percepção subjetiva de esforço
dos atletas ao final de cada Pequeno Jogo.
Inicialmente recorreu-se ao teste de Shapiro-Wilk
para verificação da normalidade. Observou-se que
nenhuma das variáveis se distanciou significativamente de
uma distribuição normal, e optou-se a partir daí pela
realização de ANOVA One Way para verificação da
diferença das demandas físicas e fisiológicas entre os
jogadores. Por fim, utilizou-se o Post Hoc de Bonferroni
para verificar onde se localizam as diferenças e calculou-
se o tamanho do efeito de Cohen (d) para acessar a
significância clínica27
.
Resultados
A tabela 1 apresenta os resultados médios,
desvios-padrões e a comparação entre os grupos para as
variáveis estudadas.
Os resultados apontam para ausência de evidência
de diferenças significativas entre a maioria das variáveis
estudadas. Apenas em relação à distância total percorrida
entre meio-campistas e atacantes observou-se diferença,
com tamanho do efeito de 0,78.
Discussão
O principal achado deste estudo é a ausência de
diferença no perfil motor e fisiológico dos atletas de
Futebol em função do estatuto posicional. Observou-se
diferença apenas em relação à distância total percorrida
entre meio-campistas (menor) e atacantes (maior).
Observa-se na literatura que jogadores de Futebol
pouco diferiram entre si em relação ao desempenho em
testes de velocidade e capacidade aeróbica 28
, com apenas
os goleiros diferindo significativamente dos demais
jogadores29
. Já no jogo, observou-se que meio-campistas
61 Demanda Física em Pequenos Jogos no Futebol
R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64.
encontraram-se mais tempo em zonas mais intensas de
frequências cardíacas do que atacantes e zagueiros, e
menos tempo na zona de menor intensidade de frequência
cardíaca do que atacantes. Além disso, meio-campistas
percorreram maiores distâncias em situação de jogo do
que atacantes, defensores e laterais15
. Contudo, o presente
aporte apontou que meio-campistas percorreram menores
distâncias durante os pequenos jogos do que atacantes.
A necessidade de atacantes realizarem
permanentemente retornos defensivos e retornarem de
posições de impedimento leva a um aumento na distância
percorrida durante o Pequeno Jogo. Já meio-campistas,
por encontrarem-se frequentemente próximos ao centro de
jogo, precisam movimentar-se menos para efetivamente
participarem das condutas ofensivas e defensivas. Assim,
justifica-se o aparecimento da diferença entre meio-
campistas e atacantes observada neste estudo e presente
em sentido contrário em situações de jogo formal15
.
Tabela 1. Perfil motor e demanda fisiológica em função do estatuto posicional
Variável
Dependente
Posição
Média/Desvio-
padrão
Valores Comparação p-valor
Tamanho do
Efeito
FCmax Zagueiro Média 0,93 Meia 0,746 0,38
Dp 0,071 Atacante 1,000 0,15
Meia Média 0,95 Zagueiro 0,746 0,38
Dp 0,021 Atacante 1,000 0,24
Atacante Média 0,94 Zagueiro 0,746 0,15
Dp 0,054 Meia 1,000 0,24
FCmed Zagueiro Média 0,83 Meia 0,634 0,14
Dp 0,14 Atacante 0,391 0,21
Meia Média 0,85 Zagueiro 0,634 0,14
Dp 0,13 Atacante 1,000 0,07
Atacante Média 0,86 Zagueiro 0,391 0,21
Dp 0,14 Meia 1,000 0,07
DistTotal Zagueiro Média 430,25 Meia 0,068 0,71
Dp 9,14 Atacante 0,481
0,83
Meia Média 400,5 Zagueiro 0,068 0,71
Dp 9,26 Atacante 0,003 0,78
Atacante Média 451,62 Zagueiro 0,481 0,83
Dp 7,78 Meia 0,003 0,78
PSE Zagueiro Média 10,25 Meia 0,419 0,30
Dp 0,53 Atacante 1,000 0,35
Meia Média 9,06 Zagueiro 0,419 0,30
Dp 0,47 Atacante 0,898 0,33
Atacante Média 10 Zagueiro 1,000 0,35
Dp 0,9 Meia 0,898 0,33
Legenda: Dp: Desvio Padrão; PSE: Percepção Subjetiva de Esforço
Estudos reportam um aumento na intensidade de
jogo quando se comparam atividades em Pequenos Jogos
e jogos formais14
. Assim, a redução do espaço de jogo
conduz a um aumento nos valores de FCmáx, média e na
percepção de esforço dos jogadores. Além disso, a menor
presença de jogadores leva à necessidade de participação
PRAÇA et al.
R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64.
62
efetiva durante toda a partida, fazendo com que atletas se
desloquem ativamente durante o jogo com maior
frequência e minimizando, assim, o efeito do estatuto
posicional na demanda fisiológica dos jogadores.
Justifica-se assim a ausência de diferenças nas variáveis
PSE e Frequência Cardíaca apresentadas neste estudo.
O presente estudo avaliou apenas atletas da
categoria sub-17 anos, não sendo possível extrapolar os
resultados para demais categorias. Além disso, os
comportamentos podem ser específicos para a
configuração de Pequeno Jogo adotada, sendo necessário
adotar o mesmo procedimento em novas configurações,
por exemplo, tamanhos de campo, número de jogadores e
regras técnicas.
Conclusões
Conclui-se que as demandas físicas e fisiológicas
foram pouco influenciadas pelo estatuto posicional
durante Pequenos Jogos de Futebol. Especificamente,
observou-se apenas que a distância total percorrida
variou, apresentando maiores valores para atacantes
comparativamente aos meio-campistas.
Os resultados deste aporte implicam na prática
do treinamento. Embora as demandas do jogo formal
apresentem especificidades em relação à função exercida
pelo jogador12; 15
, Pequenos Jogos podem apresentar
cargas de treinamento similares, diferentes apenas no que
tange às distâncias totais percorridas, para jogadores em
função da necessidade constante de participação efetiva
no jogo, resultado do menor número de atletas
envolvidos. Assim, cabe a treinadores e preparadores
físicos selecionar a utilização dos Pequenos Jogos com
base na intencionalidade da sessão de treino.
Por fim, sugere-se que o entendimento da
influência do estatuto posicional extrapole variáveis
físicas e fisiológicas. A partir do momento em que o uso
de Pequenos Jogos justifica-se pela possibilidade de
treinamento simultâneo de componentes técnicos, táticos,
físicos e fisiológicos inerentes ao desempenho no
Futebol2; 6
, é também importante verificar como se dão
comportamentos táticos e técnicos, bem como sua relação
com comportamentos físicos e fisiológicos, descritos
neste aporte. Assim novos estudos podem auxiliar no
entendimento da influência do estatuto posicional nos
comportamentos técnicos, táticos, físicos e fisiológicos
em Pequenos Jogos
Agradecimentos
À Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas
Gerais (FAPEMIG) pelo apoio financeiro à realização do
projeto.
63 Demanda Física em Pequenos Jogos no Futebol
R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64.
Referências
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within Professional Soccer. International Journal of Sports and Medicine, 2013, v. 34, p. 1-7.
2. Hodgson, C., Akenhead, R., Thomas, K. Time-motion analysis of acceleration demands of 4v4 small-sided soccer
games played on different pitch sizes. Human Movement Science, 2014, v. 33, p. 25–32.
3. Dellal, A. et al. Small-sided games in soccer: amateur vs. professional players' physiological responses, physical and
technical activities. Journal of Strenght and Conditioning Research, 2011, v. 25, n.9, p.2371-81.
4. Young, W., Rogers, N. Effects of small-sided game and change-of-direction training on reactive agility and change-
of-direction speed. Journal of Sports Sciences, 2014, v.32, n.4, p.307-14.
5. Impellizzeri, F. M. et al. Physiological and performance effects of generic versus specific aerobic training in soccer
players. International Journal of Sports and Medicine, 2006, v. 27, n. 6, p. 483-92.
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Journal of Human Kinects, 2012, v. 33, p. 103-113.
7. Dellal, A. Logo-Penas, C., Wong, D. P., Chamari, K Effect of the number of ball contacts within bouts of 4 vs. 4
Small-Sided Soccer Games International Journal of Physiology and Performance, 2011, v. 6, n. 3, p.322-33.
8. Dellal, A., Jannault, R., Lopez-Segovia, M., Pialoux, V. Influence of the Numbers of Players in the Heart Rate
Responses of Youth Soccer Players Within 2 vs. 2, 3 vs. 3 and 4 vs. 4 Small-sided Games. J Hum Kinet, 2011, v. 28,
p. 107-114.
9. Borg, G. A. V. Psychophysical bases of perceived exertion. Medicine and Science in Sports and Exercise, 1982, v.
14, n. 5, p. 377-381.
10. Garganta, J. M. Modelação tática do jogo de futebol: estudo da organização da fase ofensiva em equipas de alto
rendimento. Faculdade de Ciências do Desporto: Universidade do Porto. Doutorado 1997.
11. Giacomini, D. S.; Greco, P. J. Comparação do conhecimento tático processual em jogadores de diferentes categorias
e posições. Revista Portuguesa de Ciência do Desporto, 2008, v. 8, n.1, p.126-136.
12. Padilha, M. B.; Moraes, J. C.; Costa, I. T. O estatuto posicional pode influenciar o desempenho tático ente jogadores
da Categoria Sub-13? Revista Brasileira de Ciência e Movimento, 2013, v. 21, n. 4, p. 73-79.
13. Silva, B. S. R. Estudo dos comportamentos táticos de jogadores de Futebol em jogos reduzidos e por estatuto
posicional. 2011. (Mestrado). Faculdade de Desporto, Universidade do Porto, Porto.
14. Dellal, A. Owen, A., Wong, D. P., Krustrup, P., Van Exsel, M., Mallo, J. Technical and physical demands of small
vs. large sided games in relation to playing position in elite soccer. Hum Mov Sci, 2012, v. 31, p. 957-969.
15. Di Salvo, V., Baron, R., Tschan, H., Calderon Montero, F. J., Bach, N. Pigozzi, F. Performance characteristics
according to playing position in elite soccer. Int J Sports Med, 2007, v. 28, p. 222-227.
16. Abrantes, C. et al. Effects of the number of players and game type constraints on heart rate, rating of perceived
exertion, and technical actions of small-sided soccer games. Journal of Strength and Conditioning Research, 2012,
v. 26, n. 4, p. 976-981.
17. Aguiar, M. V. D. et al. Physiological responses and activity profiles of football small-sided games. Journal of
Strength and Conditioning Research, 2013, v. 27, p. 1287-1294.
18. Brandes, M.; Heitmann, A.; Muller, L. Physical responses of different small-sided game formats in elite youth
soccer players. Journal of Strength and Conditioning Research, 2012 v. 26, p. 1353-1360.
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demands during small-sided games: continuous vs. intermittent format. Journal of Strenght and Conditioning
Research, 2013, v. 27, n. 3.
22. Castellano, J.; Casamichana, D.; Dellal, A. Influence Of Game Format And Number Of Players On Heart Rate
Responses And Physical Demands In Small-Sided Soccer Games. Journal Of Strength And Conditioning Research,
2013, V. 27, P. 1295-1303.
23. Costa, I. T., Garganta, J., Greco, P.J., Mesquita, I., Maia, J. Sistema de Avaliação Tática no Futebol (FUT-SAT):
desenvolvimento e validação preliminar. Motricidade, 2011, v. 7.
PRAÇA et al.
R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64.
60
(TCTP) para quantificar o comportamento tático dos
jogadores e dividir equipes que fossem homogêneas do
ponto de vista tático. Assim, compuseram-se as equipes
da seguinte forma:
Equipe A Z¹ M³ A²
Equipe B Z² M¹ A³
Equipe C Z³ M² A¹
Figura 1. Composição das equipes
Legenda: Z: Zagueiro; M: Meio-campo; A: Atacante. Números sobrescritos indicam a posição
do atleta (relativizada pelo estatuto posicional) do atleta no TCTP.
No TCTP, zagueiros apresentaram média de 5,6 e
1,6 ações ofensivas e defensivas, respectivamente,
enquanto meias apresentaram 9,9 (ofensivas,
significativamente superior aos defensores2
, 4,54, (p-valor
0,033) e 2,1 (defensivas) e atacantes 7, 8 e 3 ações em
média. Conforme observado na figura acima, na equipe A
tem-se o zagueiro de melhor desempenho técnico tático, o
terceiro melhor meio-campista e o segundo melhor
atacante. Já a equipe B conta com o segundo melhor
zagueiro, o melhor meio-campista e o terceiro melhor
atacante. Por fim, a equipe C contempla o terceiro melhor
zagueiro, segundo melhor meio-campista e o melhor
atacante.
Foram analisados doze diferentes Pequenos Jogos
realizados em três sessões separadas por 48 horas. Em
cada sessão de treino aconteceram quatro Pequenos Jogos
de quatro minutos separados por 5 minutos de pausa
passiva com consumo de água permitido ad libitum. Em
cada dia, duas equipes se enfrentavam nos dois Pequenos
Jogos programados para essa sessão. A ordem dos
confrontos durante a coleta foi balanceada de forma que
todas as equipes se enfrentaram ao longo do protocolo.
Assim, no primeiro dia enfrentaram-se as equipes A e B,
no segundo as equipes A e C e no terceiro as equipes B e
C.
Para avaliação da distância percorrida pelos
atletas, utilizou-se equipamento de monitoramento global
(GPS) Garmin Forerunner 410 (Copyright © 1996-2014
Garmin Ltd.) com frequência de obtenção de dados de
1Hz, já utilizada em outros estudos25,26
e com aceitável
fidedignidade para medidas de distância em baixa
intensidade e reduzida acuidade para medidas de
aceleração e alta intensidade. Para a avaliação da
Frequência Cardíaca, utilizou-se o equipamento Polar
Team System (Polar Team Sport System, Polar-Electro
OY, Kempele, Finland) também já utilizado em outros
estudos14
. Os valores de frequência cardíaca média e
máxima foram relativizados pela máxima obtida no Yo-
Yo Endurance Test. Por fim, a escala de 6-20 de Borg9
foi
utilizada para acessar a percepção subjetiva de esforço
dos atletas ao final de cada Pequeno Jogo.
Inicialmente recorreu-se ao teste de Shapiro-Wilk
para verificação da normalidade. Observou-se que
nenhuma das variáveis se distanciou significativamente de
uma distribuição normal, e optou-se a partir daí pela
realização de ANOVA One Way para verificação da
diferença das demandas físicas e fisiológicas entre os
jogadores. Por fim, utilizou-se o Post Hoc de Bonferroni
para verificar onde se localizam as diferenças e calculou-
se o tamanho do efeito de Cohen (d) para acessar a
significância clínica27
.
Resultados
A tabela 1 apresenta os resultados médios,
desvios-padrões e a comparação entre os grupos para as
variáveis estudadas.
Os resultados apontam para ausência de evidência
de diferenças significativas entre a maioria das variáveis
estudadas. Apenas em relação à distância total percorrida
entre meio-campistas e atacantes observou-se diferença,
com tamanho do efeito de 0,78.
Discussão
O principal achado deste estudo é a ausência de
diferença no perfil motor e fisiológico dos atletas de
Futebol em função do estatuto posicional. Observou-se
diferença apenas em relação à distância total percorrida
entre meio-campistas (menor) e atacantes (maior).
Observa-se na literatura que jogadores de Futebol
pouco diferiram entre si em relação ao desempenho em
testes de velocidade e capacidade aeróbica 28
, com apenas
os goleiros diferindo significativamente dos demais
jogadores29
. Já no jogo, observou-se que meio-campistas

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Tensor of the vastus intermedius
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Periodization training
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Caracterização da demanda física de pequenos jogos no futebol

  • 1. Contato: Gibson Moreira Praça - gibson_moreira@yahoo.com.br Artigo Original Caracterização da demanda física de pequenos jogos no futebol: influência do estatuto posicional Physical demand in soccer small-sided games: playing position influence Gibson Moreira Praça1 Davidson Alves da Silva1 Luciano Sales Prado1 Pablo Juan Greco1 1 UFMG Recebido: 26/05/2014 Aceito: 19/01/2015 RESUMO: Pequenos Jogos no Futebol são ferramentas úteis para o treinamento de capacidades técnicas, táticas, físicas e fisiológicas de jogadores de Futebol. Estudos verificaram variações no perfil motor – distâncias percorridas e distâncias em intervalos de intensidade - e fisiológicas – concentração sanguínea de lactato, frequência cardíaca e percepção subjetiva de esforço – em função de variações nas configurações como o tamanho do campo, número de jogadores e regras técnicas. Contudo, no jogo formal (11x11), estudos apontam diferenças nestas demandas em função do Estatuto Posicional, i.e zagueiros, meio-campistas e atacantes, e pouca atenção dedicou-se à avaliação da influência desta variável na demanda física em Pequenos Jogos. Desta forma, este estudo visou comparar o perfil motor associado às distâncias percorridas em intervalos de intensidade e a demanda fisiológica (frequência cardíaca média, máxima e percepção subjetiva de esforço) entre zagueiros, meio-campistas e atacantes em Pequenos Jogos. Analisaram-se 12 Pequenos Jogos, na estrutura GR3-3GR, com 4 minutos de duração e todas as regras oficiais do Futebol, incluindo o impedimento. Utilizaram-se sistemas de posicionamento global (GPS), cardiofrequencímetros e a escala de BORG para acessar, respectivamente, distância total percorrida, Frequência Cardíaca Máxima, Média, e Percepção Subjetiva de Esforço. Analisaram-se médias e desvios-padrões dos dados inicialmente através do teste de Shapiro-Wilk e por fim a partir da ANOVA One-Way. Observou-se ausência de diferença nas demandas fisiológicas em função do estatuto posicional, e apenas meio-campistas e atacantes diferenciaram-se em função da distância total percorrida. Conclui-se que Pequenos Jogos na configuração proposta não potencializam o aparecimento de diferenças no perfil motor e na demanda fisiológica dos jogadores de Futebol em função do estatuto posicional. Palavras-chave: Futebol; Pequenos Jogos; Avaliação da Performance. PRAÇA, G M; SILVA, D A; PRADO, L S; GRECO, P J. Caracterização da demanda física de pequenos jogos no futebol: influência do estatuto posicional. R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1):58-64. ABSTRACT: Small-sided games (SSG) are useful tools to improve, simultaneously, technical, tactical, physical and physiological skills of soccer players. Studies have verified changes in time-motion characteristics – distance covered and distances in different speeds – and physiological – blood lactate, heart rate and scale of perceived exertion (SPE) – related with different playing rules, as changes on the pitch size, number of players and technical constraints. However, the 11vs.11 game presents specific demands related with the playing position, i.e. defenders, midfielders and forwards, and little attention has been dedicated to assess these characteristics during SSG. So, this studied aimed to compare time-motion characteristics (associated with distance covered in certain intensity intervals) and physiological demands (maximum and average heart rate and the scale of perceived exertion) between defenders, midfielders and forwards during small-sided games. It was analyzed twelve GK3-3GK SSG, which lasted four minutes and all official rules – including the offside – were used. Global Positioning Systems (GPS), heart rate monitors and Borg Scale were used to assess physical and physiological demands of the players. The normality of the distribution was analyzed through Shapiro-Wilk test, and groups were compared through One-way ANOVA. It was not observed differences between players from different positions with respect to the physiological demands. Midfielders presented a higher total distance covered than forward. It follows that the GK3-3GK small-sided game configuration does not allow the emergence of differences in physical and physiological demands related with the playing position. Key Words: Soccer; Small-sided Games; Performance Assessment.
  • 2. 59 Demanda Física em Pequenos Jogos no Futebol R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64. Introdução Pequenos Jogos são ferramentas úteis para o treinamento no Futebol por permitirem o aumento na eficiência ao estimularem, concomitantemente, componentes técnicos, táticos, físicos e fisiológicos1-3 . Neste âmbito, estudos verificaram a validade desta ferramenta para o desenvolvimento de capacidades físicas, como a aeróbica, em jogadores de Futebol4,5 . Estudos avaliaram comportamentos táticos, técnicos, mecânicos e o perfil motor de atletas de Futebol em Pequenos Jogos a partir da manipulação de configurações como o tamanho do campo, número de jogadores e regras do jogo6 . Em estudos que analisaram a demanda fisiológica e o perfil motor em Pequenos Jogos, variáveis como a distância total percorrida1,2 , a frequência cardíaca3,7 e a percepção subjetiva de esforço (PSE) 3,7,8 foram utilizadas para quantificar as ações dos jogadores. Utilizaram-se equipamentos de GPS, cardiofrequencímetros e o protocolo de Borg9 para, respectivamente, acessar as variáveis acima descritas. Por outro lado, estudos verificaram que o estatuto posicional, função exercida pelo jogador no jogo formal (11x11), i.e. zagueiros, meio-campistas e atacantes10 , interfere no comportamento dos jogadores ao longo do jogo11-14 . Dellal et al14 observaram diferenças em relação ao comportamento técnico e Di Salvo et al analisaram o perfil motor15 e apontaram diferenças nas distâncias percorridas pelos atletas de diferentes posições. Assim, aparentemente, o jogo formal demanda dos jogadores diferentes comportamentos em relação às funções desempenhadas por jogadores. Embora diversos estudos tenham quantificado a carga física em Pequenos Jogos (PJ)16- 22 , evidencia-se que o Estatuto Posicional ainda não foi considerado nas análises. Assim, ao utilizar PJ durante o treinamento de jogadores de Futebol é importante considerar se as diferenças demandadas em relação à posição do jogador durante o jogo formal podem ser eficientemente treinadas em situações de Pequenos Jogos. Desta forma, este trabalho objetiva comparar o perfil das distâncias percorridas, a frequência cardíaca e a percepção subjetiva de esforço (PSE) de zagueiros, meio-campistas e atacantes durante Pequenos Jogos de Futebol. Materiais e Métodos O projeto foi submetido à Plataforma Brasil e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o CAAE 29215814.8.0000.5149. Todos participantes e responsáveis legais autorizaram a coleta de dados mediante preenchimento de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Participaram do estudo nove (9) atletas de futebol (três zagueiros, três meio-campistas e três atacantes) pertencentes a uma equipe de Futebol da cidade de Belo Horizonte que disputa a principal competição estadual na categoria sub-17 anos. Os sujeitos tinham idade média de 16,1 (± 0,4) anos e 4,5 (± 2,1) anos de tempo de prática no Futebol e VO2max estimado no teste Yo-Yo Endurance de 58,45 ml.kg.-1 min.-1 (±3,24). Os atletas foram incluídos por não apresentarem lesões, terem experiência na modalidade em questão e fornecerem consentimento livre e esclarecido para participação no estudo. Durante a realização dos Pequenos Jogos utilizou- se a constelação GR3-3GR (um goleiro e três jogadores de linha) por permitir que atletas realizem todos os princípios táticos inerentes ao jogo formal23 . Utilizou-se um campo de superfície gramada com dimensões de 36 metros de profundidade e 27 metros de largura, tamanho que permite uma relação espacial próxima ao do jogo formal, geralmente com medidas oficiais de 105mx68m. Além disso, posicionaram-se quatro bolas auxiliares ao redor do campo de jogo de forma a reduzir o tempo perdido após a bola sair do terreno e treinadores realizaram permanente encorajamento externo. As balizas tiveram a dimensão de sete metros de largura por dois metros de altura. Cada Pequeno Jogo durou quatro minutos e jogou-se com todas as regras do jogo oficial, incluindo o impedimento. Cada equipe foi composta por um defensor, um meio-campista e um atacante, de forma a criar configurações espaciais semelhantes. Além disso, realizou-se o Teste de Conhecimento Tático Processual24
  • 3. PRAÇA et al. R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64. 60 (TCTP) para quantificar o comportamento tático dos jogadores e dividir equipes que fossem homogêneas do ponto de vista tático. Assim, compuseram-se as equipes da seguinte forma: Equipe A Z¹ M³ A² Equipe B Z² M¹ A³ Equipe C Z³ M² A¹ Figura 1. Composição das equipes Legenda: Z: Zagueiro; M: Meio-campo; A: Atacante. Números sobrescritos indicam a posição do atleta (relativizada pelo estatuto posicional) do atleta no TCTP. No TCTP, zagueiros apresentaram média de 5,6 e 1,6 ações ofensivas e defensivas, respectivamente, enquanto meias apresentaram 9,9 (ofensivas, significativamente superior aos defensores2 , 4,54, (p-valor 0,033) e 2,1 (defensivas) e atacantes 7, 8 e 3 ações em média. Conforme observado na figura acima, na equipe A tem-se o zagueiro de melhor desempenho técnico tático, o terceiro melhor meio-campista e o segundo melhor atacante. Já a equipe B conta com o segundo melhor zagueiro, o melhor meio-campista e o terceiro melhor atacante. Por fim, a equipe C contempla o terceiro melhor zagueiro, segundo melhor meio-campista e o melhor atacante. Foram analisados doze diferentes Pequenos Jogos realizados em três sessões separadas por 48 horas. Em cada sessão de treino aconteceram quatro Pequenos Jogos de quatro minutos separados por 5 minutos de pausa passiva com consumo de água permitido ad libitum. Em cada dia, duas equipes se enfrentavam nos dois Pequenos Jogos programados para essa sessão. A ordem dos confrontos durante a coleta foi balanceada de forma que todas as equipes se enfrentaram ao longo do protocolo. Assim, no primeiro dia enfrentaram-se as equipes A e B, no segundo as equipes A e C e no terceiro as equipes B e C. Para avaliação da distância percorrida pelos atletas, utilizou-se equipamento de monitoramento global (GPS) Garmin Forerunner 410 (Copyright © 1996-2014 Garmin Ltd.) com frequência de obtenção de dados de 1Hz, já utilizada em outros estudos25,26 e com aceitável fidedignidade para medidas de distância em baixa intensidade e reduzida acuidade para medidas de aceleração e alta intensidade. Para a avaliação da Frequência Cardíaca, utilizou-se o equipamento Polar Team System (Polar Team Sport System, Polar-Electro OY, Kempele, Finland) também já utilizado em outros estudos14 . Os valores de frequência cardíaca média e máxima foram relativizados pela máxima obtida no Yo- Yo Endurance Test. Por fim, a escala de 6-20 de Borg9 foi utilizada para acessar a percepção subjetiva de esforço dos atletas ao final de cada Pequeno Jogo. Inicialmente recorreu-se ao teste de Shapiro-Wilk para verificação da normalidade. Observou-se que nenhuma das variáveis se distanciou significativamente de uma distribuição normal, e optou-se a partir daí pela realização de ANOVA One Way para verificação da diferença das demandas físicas e fisiológicas entre os jogadores. Por fim, utilizou-se o Post Hoc de Bonferroni para verificar onde se localizam as diferenças e calculou- se o tamanho do efeito de Cohen (d) para acessar a significância clínica27 . Resultados A tabela 1 apresenta os resultados médios, desvios-padrões e a comparação entre os grupos para as variáveis estudadas. Os resultados apontam para ausência de evidência de diferenças significativas entre a maioria das variáveis estudadas. Apenas em relação à distância total percorrida entre meio-campistas e atacantes observou-se diferença, com tamanho do efeito de 0,78. Discussão O principal achado deste estudo é a ausência de diferença no perfil motor e fisiológico dos atletas de Futebol em função do estatuto posicional. Observou-se diferença apenas em relação à distância total percorrida entre meio-campistas (menor) e atacantes (maior). Observa-se na literatura que jogadores de Futebol pouco diferiram entre si em relação ao desempenho em testes de velocidade e capacidade aeróbica 28 , com apenas os goleiros diferindo significativamente dos demais jogadores29 . Já no jogo, observou-se que meio-campistas
  • 4. 61 Demanda Física em Pequenos Jogos no Futebol R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64. encontraram-se mais tempo em zonas mais intensas de frequências cardíacas do que atacantes e zagueiros, e menos tempo na zona de menor intensidade de frequência cardíaca do que atacantes. Além disso, meio-campistas percorreram maiores distâncias em situação de jogo do que atacantes, defensores e laterais15 . Contudo, o presente aporte apontou que meio-campistas percorreram menores distâncias durante os pequenos jogos do que atacantes. A necessidade de atacantes realizarem permanentemente retornos defensivos e retornarem de posições de impedimento leva a um aumento na distância percorrida durante o Pequeno Jogo. Já meio-campistas, por encontrarem-se frequentemente próximos ao centro de jogo, precisam movimentar-se menos para efetivamente participarem das condutas ofensivas e defensivas. Assim, justifica-se o aparecimento da diferença entre meio- campistas e atacantes observada neste estudo e presente em sentido contrário em situações de jogo formal15 . Tabela 1. Perfil motor e demanda fisiológica em função do estatuto posicional Variável Dependente Posição Média/Desvio- padrão Valores Comparação p-valor Tamanho do Efeito FCmax Zagueiro Média 0,93 Meia 0,746 0,38 Dp 0,071 Atacante 1,000 0,15 Meia Média 0,95 Zagueiro 0,746 0,38 Dp 0,021 Atacante 1,000 0,24 Atacante Média 0,94 Zagueiro 0,746 0,15 Dp 0,054 Meia 1,000 0,24 FCmed Zagueiro Média 0,83 Meia 0,634 0,14 Dp 0,14 Atacante 0,391 0,21 Meia Média 0,85 Zagueiro 0,634 0,14 Dp 0,13 Atacante 1,000 0,07 Atacante Média 0,86 Zagueiro 0,391 0,21 Dp 0,14 Meia 1,000 0,07 DistTotal Zagueiro Média 430,25 Meia 0,068 0,71 Dp 9,14 Atacante 0,481 0,83 Meia Média 400,5 Zagueiro 0,068 0,71 Dp 9,26 Atacante 0,003 0,78 Atacante Média 451,62 Zagueiro 0,481 0,83 Dp 7,78 Meia 0,003 0,78 PSE Zagueiro Média 10,25 Meia 0,419 0,30 Dp 0,53 Atacante 1,000 0,35 Meia Média 9,06 Zagueiro 0,419 0,30 Dp 0,47 Atacante 0,898 0,33 Atacante Média 10 Zagueiro 1,000 0,35 Dp 0,9 Meia 0,898 0,33 Legenda: Dp: Desvio Padrão; PSE: Percepção Subjetiva de Esforço Estudos reportam um aumento na intensidade de jogo quando se comparam atividades em Pequenos Jogos e jogos formais14 . Assim, a redução do espaço de jogo conduz a um aumento nos valores de FCmáx, média e na percepção de esforço dos jogadores. Além disso, a menor presença de jogadores leva à necessidade de participação
  • 5. PRAÇA et al. R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64. 62 efetiva durante toda a partida, fazendo com que atletas se desloquem ativamente durante o jogo com maior frequência e minimizando, assim, o efeito do estatuto posicional na demanda fisiológica dos jogadores. Justifica-se assim a ausência de diferenças nas variáveis PSE e Frequência Cardíaca apresentadas neste estudo. O presente estudo avaliou apenas atletas da categoria sub-17 anos, não sendo possível extrapolar os resultados para demais categorias. Além disso, os comportamentos podem ser específicos para a configuração de Pequeno Jogo adotada, sendo necessário adotar o mesmo procedimento em novas configurações, por exemplo, tamanhos de campo, número de jogadores e regras técnicas. Conclusões Conclui-se que as demandas físicas e fisiológicas foram pouco influenciadas pelo estatuto posicional durante Pequenos Jogos de Futebol. Especificamente, observou-se apenas que a distância total percorrida variou, apresentando maiores valores para atacantes comparativamente aos meio-campistas. Os resultados deste aporte implicam na prática do treinamento. Embora as demandas do jogo formal apresentem especificidades em relação à função exercida pelo jogador12; 15 , Pequenos Jogos podem apresentar cargas de treinamento similares, diferentes apenas no que tange às distâncias totais percorridas, para jogadores em função da necessidade constante de participação efetiva no jogo, resultado do menor número de atletas envolvidos. Assim, cabe a treinadores e preparadores físicos selecionar a utilização dos Pequenos Jogos com base na intencionalidade da sessão de treino. Por fim, sugere-se que o entendimento da influência do estatuto posicional extrapole variáveis físicas e fisiológicas. A partir do momento em que o uso de Pequenos Jogos justifica-se pela possibilidade de treinamento simultâneo de componentes técnicos, táticos, físicos e fisiológicos inerentes ao desempenho no Futebol2; 6 , é também importante verificar como se dão comportamentos táticos e técnicos, bem como sua relação com comportamentos físicos e fisiológicos, descritos neste aporte. Assim novos estudos podem auxiliar no entendimento da influência do estatuto posicional nos comportamentos técnicos, táticos, físicos e fisiológicos em Pequenos Jogos Agradecimentos À Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG) pelo apoio financeiro à realização do projeto.
  • 6. 63 Demanda Física em Pequenos Jogos no Futebol R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64. Referências 1. Owen, A. L., Wong, D. P., Paul, D., Dellal, A. . Physical and Technical Comparisons between Various-Sided Games within Professional Soccer. International Journal of Sports and Medicine, 2013, v. 34, p. 1-7. 2. Hodgson, C., Akenhead, R., Thomas, K. Time-motion analysis of acceleration demands of 4v4 small-sided soccer games played on different pitch sizes. Human Movement Science, 2014, v. 33, p. 25–32. 3. Dellal, A. et al. Small-sided games in soccer: amateur vs. professional players' physiological responses, physical and technical activities. Journal of Strenght and Conditioning Research, 2011, v. 25, n.9, p.2371-81. 4. Young, W., Rogers, N. Effects of small-sided game and change-of-direction training on reactive agility and change- of-direction speed. Journal of Sports Sciences, 2014, v.32, n.4, p.307-14. 5. Impellizzeri, F. M. et al. Physiological and performance effects of generic versus specific aerobic training in soccer players. International Journal of Sports and Medicine, 2006, v. 27, n. 6, p. 483-92. 6. Aguiar, M., Botelho, G., Lago, C., Maças, V., Sampaio, J. A review on the effects of soccer small-sided games. Journal of Human Kinects, 2012, v. 33, p. 103-113. 7. Dellal, A. Logo-Penas, C., Wong, D. P., Chamari, K Effect of the number of ball contacts within bouts of 4 vs. 4 Small-Sided Soccer Games International Journal of Physiology and Performance, 2011, v. 6, n. 3, p.322-33. 8. Dellal, A., Jannault, R., Lopez-Segovia, M., Pialoux, V. Influence of the Numbers of Players in the Heart Rate Responses of Youth Soccer Players Within 2 vs. 2, 3 vs. 3 and 4 vs. 4 Small-sided Games. J Hum Kinet, 2011, v. 28, p. 107-114. 9. Borg, G. A. V. Psychophysical bases of perceived exertion. Medicine and Science in Sports and Exercise, 1982, v. 14, n. 5, p. 377-381. 10. Garganta, J. M. Modelação tática do jogo de futebol: estudo da organização da fase ofensiva em equipas de alto rendimento. Faculdade de Ciências do Desporto: Universidade do Porto. Doutorado 1997. 11. Giacomini, D. S.; Greco, P. J. Comparação do conhecimento tático processual em jogadores de diferentes categorias e posições. Revista Portuguesa de Ciência do Desporto, 2008, v. 8, n.1, p.126-136. 12. Padilha, M. B.; Moraes, J. C.; Costa, I. T. O estatuto posicional pode influenciar o desempenho tático ente jogadores da Categoria Sub-13? Revista Brasileira de Ciência e Movimento, 2013, v. 21, n. 4, p. 73-79. 13. Silva, B. S. R. Estudo dos comportamentos táticos de jogadores de Futebol em jogos reduzidos e por estatuto posicional. 2011. (Mestrado). Faculdade de Desporto, Universidade do Porto, Porto. 14. Dellal, A. Owen, A., Wong, D. P., Krustrup, P., Van Exsel, M., Mallo, J. Technical and physical demands of small vs. large sided games in relation to playing position in elite soccer. Hum Mov Sci, 2012, v. 31, p. 957-969. 15. Di Salvo, V., Baron, R., Tschan, H., Calderon Montero, F. J., Bach, N. Pigozzi, F. Performance characteristics according to playing position in elite soccer. Int J Sports Med, 2007, v. 28, p. 222-227. 16. Abrantes, C. et al. Effects of the number of players and game type constraints on heart rate, rating of perceived exertion, and technical actions of small-sided soccer games. Journal of Strength and Conditioning Research, 2012, v. 26, n. 4, p. 976-981. 17. Aguiar, M. V. D. et al. Physiological responses and activity profiles of football small-sided games. Journal of Strength and Conditioning Research, 2013, v. 27, p. 1287-1294. 18. Brandes, M.; Heitmann, A.; Muller, L. Physical responses of different small-sided game formats in elite youth soccer players. Journal of Strength and Conditioning Research, 2012 v. 26, p. 1353-1360. 19. Brito, J.; Krustrup, P.; Rebelo, A. The influence of the playing surface on the exercise intensity of small-sided recreational soccer games. Hum Mov Sci, 2012 v. 31, p. 946-956. 20. Casamichana, D.; Castellano, J. Time-motion, heart rate, perceptual and motor behavior demands in small-sided games: effects on pitch size. Journal of Sports Sciences, 2010, v. 28. 21. Casamichana, D.; Castellano, J.; Dellal, A. Influence of different training regimes on physical and physiological demands during small-sided games: continuous vs. intermittent format. Journal of Strenght and Conditioning Research, 2013, v. 27, n. 3. 22. Castellano, J.; Casamichana, D.; Dellal, A. Influence Of Game Format And Number Of Players On Heart Rate Responses And Physical Demands In Small-Sided Soccer Games. Journal Of Strength And Conditioning Research, 2013, V. 27, P. 1295-1303. 23. Costa, I. T., Garganta, J., Greco, P.J., Mesquita, I., Maia, J. Sistema de Avaliação Tática no Futebol (FUT-SAT): desenvolvimento e validação preliminar. Motricidade, 2011, v. 7.
  • 7. PRAÇA et al. R. bras. Ci. e Mov 2015;23(1): 58-64. 60 (TCTP) para quantificar o comportamento tático dos jogadores e dividir equipes que fossem homogêneas do ponto de vista tático. Assim, compuseram-se as equipes da seguinte forma: Equipe A Z¹ M³ A² Equipe B Z² M¹ A³ Equipe C Z³ M² A¹ Figura 1. Composição das equipes Legenda: Z: Zagueiro; M: Meio-campo; A: Atacante. Números sobrescritos indicam a posição do atleta (relativizada pelo estatuto posicional) do atleta no TCTP. No TCTP, zagueiros apresentaram média de 5,6 e 1,6 ações ofensivas e defensivas, respectivamente, enquanto meias apresentaram 9,9 (ofensivas, significativamente superior aos defensores2 , 4,54, (p-valor 0,033) e 2,1 (defensivas) e atacantes 7, 8 e 3 ações em média. Conforme observado na figura acima, na equipe A tem-se o zagueiro de melhor desempenho técnico tático, o terceiro melhor meio-campista e o segundo melhor atacante. Já a equipe B conta com o segundo melhor zagueiro, o melhor meio-campista e o terceiro melhor atacante. Por fim, a equipe C contempla o terceiro melhor zagueiro, segundo melhor meio-campista e o melhor atacante. Foram analisados doze diferentes Pequenos Jogos realizados em três sessões separadas por 48 horas. Em cada sessão de treino aconteceram quatro Pequenos Jogos de quatro minutos separados por 5 minutos de pausa passiva com consumo de água permitido ad libitum. Em cada dia, duas equipes se enfrentavam nos dois Pequenos Jogos programados para essa sessão. A ordem dos confrontos durante a coleta foi balanceada de forma que todas as equipes se enfrentaram ao longo do protocolo. Assim, no primeiro dia enfrentaram-se as equipes A e B, no segundo as equipes A e C e no terceiro as equipes B e C. Para avaliação da distância percorrida pelos atletas, utilizou-se equipamento de monitoramento global (GPS) Garmin Forerunner 410 (Copyright © 1996-2014 Garmin Ltd.) com frequência de obtenção de dados de 1Hz, já utilizada em outros estudos25,26 e com aceitável fidedignidade para medidas de distância em baixa intensidade e reduzida acuidade para medidas de aceleração e alta intensidade. Para a avaliação da Frequência Cardíaca, utilizou-se o equipamento Polar Team System (Polar Team Sport System, Polar-Electro OY, Kempele, Finland) também já utilizado em outros estudos14 . Os valores de frequência cardíaca média e máxima foram relativizados pela máxima obtida no Yo- Yo Endurance Test. Por fim, a escala de 6-20 de Borg9 foi utilizada para acessar a percepção subjetiva de esforço dos atletas ao final de cada Pequeno Jogo. Inicialmente recorreu-se ao teste de Shapiro-Wilk para verificação da normalidade. Observou-se que nenhuma das variáveis se distanciou significativamente de uma distribuição normal, e optou-se a partir daí pela realização de ANOVA One Way para verificação da diferença das demandas físicas e fisiológicas entre os jogadores. Por fim, utilizou-se o Post Hoc de Bonferroni para verificar onde se localizam as diferenças e calculou- se o tamanho do efeito de Cohen (d) para acessar a significância clínica27 . Resultados A tabela 1 apresenta os resultados médios, desvios-padrões e a comparação entre os grupos para as variáveis estudadas. Os resultados apontam para ausência de evidência de diferenças significativas entre a maioria das variáveis estudadas. Apenas em relação à distância total percorrida entre meio-campistas e atacantes observou-se diferença, com tamanho do efeito de 0,78. Discussão O principal achado deste estudo é a ausência de diferença no perfil motor e fisiológico dos atletas de Futebol em função do estatuto posicional. Observou-se diferença apenas em relação à distância total percorrida entre meio-campistas (menor) e atacantes (maior). Observa-se na literatura que jogadores de Futebol pouco diferiram entre si em relação ao desempenho em testes de velocidade e capacidade aeróbica 28 , com apenas os goleiros diferindo significativamente dos demais jogadores29 . Já no jogo, observou-se que meio-campistas