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03
Levantamento sobre o registro
zootécnico e a rastreabilidade bovina
na pecuária com bovinos no Piauí
Diego Helcias Cavalcante
José Elivalto Guimarães Campelo
Natanael Pereira da Silva Santos
Amauri Felipe Evangelista
Wéverton José Lima Fonseca
Gioto Ghiarone Terto e Sousa
Marcelo Richelly Alves de Oliveira
Geandro Carvalho Castro
Luciano Silva Sena
10.37885/210203164
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
40
Palavras-chave: Identificação Animal, Pecuária Familiar, Bovinos.
RESUMO
Objetivou-se caracterizar o perfil da pecuária de corte no estado do Piauí para inferência
acerca do registro zootécnico dos animais para inserção em sistema de rastreabilida-
de. Os dados foram coletados por meio da aplicação de questionário semiestruturado de
múltipla escolha a 400 pecuaristas em todas as microrregiões do estado, nos meses de
maio e novembro de 2012. As perguntas continham os seguintes direcionadores: perfil
da propriedade e dos produtores, condições zootécnicas dos rebanhos e condições téc-
nicas no tocante ao registro zootécnico. O cenário da pecuária bovina é caracterizado
predominantemente pela atividade familiar, com a maioria dos produtores apresentando
idade superior a 50 anos, que se encontram sem grandes perspectivas de inovação
tecnológica, inseridos num ambiente onde a renovação de recursos humanos enfrenta
dificuldades. A análise dos dados constatou a prevalência de rebanhos com até 50 bovinos
explorados em propriedades com até 50 ha, sem identificação individual dos animais.
Esses resultados, aliados ao fato do pecuarista desconhecer tecnicamente a importância
do registro zootécnico e da rastreabilidade, indicam a baixa capacidade da atividade ser
inserida em um ambiente informatizado.
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
41
INTRODUÇÃO
O ambiente socioeconômico e institucional do Brasil impõe que o setor rural se ade-
que às transformações que vem ocorrendo no mundo, pressionando o produtor a assumir
atitudes empresariais. Com isso, adaptações nas propriedades rurais vêm ocorrendo, com
regras de gerenciamento se modificando para atender a mercados exigentes, como ocorre
com a carne bovina em termos de sanidade e rastreabilidade (Machado & Nantes, 2008).
A rastreabilidade na cadeia produtiva da carne bovina já é uma realidade nessa última
década no Brasil, mas sendo praticada apenas pelos frigoríficos que exportam. Entretanto,
essa mesma prática de segurança alimentar deve ser disponibilizada ao consumidor brasi-
leiro, apesar das dificuldades em se implantar um sistema nacional único (Lopes, Demeu,
Ribeiro, RochaI, Bruhn, & Retes, 2012). No caso da pecuária com perfil familiar, uma difi-
culdade a ser enfrentada é o fato da identificação individual dos animais pode implicar em
custo elevado, dependendo do método a ser utilizado (Lopes & Santos, 2007).
O poder público de cada estado, por intermédio das Agências de Defesa Agropecuária,
cobra dos produtores, o registro da quantidade de animais das propriedades, porém, sem
a identificação do animal. Essa identificação sem caracterização individual do animal, limi-
ta muito a qualidade do banco de dados gerado, que geralmente se restringe a aspectos
quantitativos de rebanho.
O conhecimento do perfil e das dificuldades enfrentadas pelo pequeno produtor de
bovino para rastrear seu produto, pode contribuir para a definição de estratégias capazes
de sanar tais limitações, que devem contemplar incluí-lo em ambiente com tecnologia de
informatização, visto que compõe um segmento de grande importância socioeconômica em
cada região, que apresenta peculiaridades, mas que não deve ser excluído desse processo
ou tratado como empecilho à implantação de programas eficientes de rastreabilidade sa-
nitária e zootécnica no país. Segundo Miguel et al. (2007), a caracterização adequada da
produção com bovinos de corte é necessária para qualquer ação de intervenção, tanto ao
nível dos próprios produtores quanto ao nível do estabelecimento de políticas para o setor.
Cabe ressaltar, que os condicionantes para os diferentes sistemas de produção podem ser
de ordem cultural, ecológica (determinantes do meio físico solo e clima), ou até mesmo
conjunturais (preços e mercados).
Vários estudos sobre a caracterização da bovinocultura foram realizados no Brasil
(MIGUEL et al., 2007; MOURA et al., 2010; SILVA et al., 2010), porém, sem uma padroni-
zação na metodologia de caracterização dos sistemas produtivos, onde as características
analisadas podem mais amplas ou restritas, dependendo do objetivo da pesquisa.
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
42
OBJETIVO
Caracterizar o perfil do pecuarista bovino e da produção pecuária bovina no Piauí quanto
ao uso de registro zootécnico como meio para implantação da rastreabilidade.
MÉTODOS
Utilizou-se informações de 430 questionários respondidos por criadores de bovinos
durante os períodos de certificação da vacinação contra Febre Aftosa no Piauí.
A aplicação dos questionários se deu de forma aleatória aos criadores que comparece-
ram às Unidades de Sanidade Animal e Vegetal – USAV durante a certificação da vacinação
contra a Febre Aftosa, realizada em duas etapas (maio e novembro) do ano de 2012. O local
foi escolhido por se tratar de uma instituição que apresenta capilaridade em todo o estado
e ser o principal ponto de convergência de criadores de bovinos no período.
As mesorregiões do estado e a frequência de propriedades amostradas foram: Norte
(42), Centro-Norte (179), Sudeste (80) e Sudoeste (129), como apresentado na Figura 1.
Figura 1. Localização das Unidades de Sanidade Animal e Vegetal – USAV no Piauí e os municípios onde foram aplicados
os questionários aos criadores de bovinos.
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
43
O modelo do questionário foi do tipo semiestruturado dividido em quatro direcionadores
(informação do pecuarista, do sistema de produção, conhecimento tecnológico e opinião
sobre rastreabilidade), para análise com estatística descritiva.
O tamanho da amostra necessária para o estudo foi calculado de acordo a fórmula,
segundo Barbetta (2008):
sendo,
n0
= Uma aproximação do tamanho da amostra.
N = Número de propriedades rurais no Piauí.
n = Número de elementos da amostra.
E0
= Erro amostral tolerável.
O número de propriedades rurais no estado foi 64.067, segundo informação retirada do
banco de dados da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí - ADAPI. Portando,
como o tamanho da amostra com erro estatístico de 5% é de, aproximadamente, 398 ques-
tionários, considera-se que a quantidade utilizada (430) foi adequada em termos estatísticos.
Foram utilizadas também, informações adicionais fornecidas pela ADAPI, relativas ao
efetivo bovino do Piauí, correspondente ao período de 2009 a 2012.
As informações coletadas foram tabuladas em planilhas eletrônicas e submetidas a
análises com estatísticas descritivas, recorrendo-se a análises de frequências cruzadas, com
estratificação dos dados por mesorregião: Norte, Centro-Norte, Sudeste e Sudoeste. Foi
aplicado o teste do qui-quadrado utilizando-se o pacote estatístico do software SPSS 17.0,
para constatação da significância dos efeitos dos fatores testados a 5% de probabilidade.
RESULTADOS
Apresenta-se na Tabela 1, a relação entre a quantidade de animais e a área da pro-
priedade (ha) onde são criados. Os valores obtidos mostram que, ocorre a prevalência de
pequenas propriedades envolvidas na criação de bovinos, pois 54,2% informaram ter até
50 animais criados em propriedade com até 50ha, que diferiu significativamente das demais
combinações testadas (P<0,05).
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
44
Tabela 1. Porcentagem de propriedades estimada pela frequência cruzada da quantidade de bovinos em relação a área
da propriedade.
Quantidade de animais na propriedade
Tamanho da propriedade (ha)
Total (%)
Até 50 Entre 50 e 100 Entre 100 e 200 Mais de 200
Até 50 54,2a
19,2b
15,5b
11,1b
100
Entre 50 e 100 10,9c
27,3b
23,6b
38,2a
100
Entre 100 e 200 6,9c
20,7b
17,2b
55,2a
100
Mais de 200 0,0c
13,0b
8,7bc
78,3a
100
*Significativo a 5% de probabilidade pelo teste Qui-quadrado, na mesma linha.
A Tabela 2 apresenta o efetivo bovino do Piauí estratificado por sexo e faixa etária no
período de 2009 a 2012.
Tabela 2. Efetivo bovino do Piauí, estratificado por sexo e faixa etária, extraído da base de dados da Agência de Defesa
Sanitária do Estado do Piauí - ADAPI, no período de 2009 a 2012.
Etapa de vacinação
0 a 12 meses 13 a 24 meses 25 a 36 meses > 36 meses
Total
F M F M F M F M
Mai/09 134.968 133.023 172.086 139.917 231.448 106.975 615.947 110.819 1.645.183
Nov/09 139.058 140.207 164.484 138.108 227.585 111.755 634.546 116.479 1.672.222
Mai/10 135.795 138.999 161.869 135.512 229.522 112.031 654.039 126.322 1.694.089
Nov/10 139.385 143.963 160.536 136.242 219.359 109.843 667.296 132.296 1.708.920
Mai/11 138.108 144.019 158.995 138.238 209.629 111.359 685.876 144.591 1.730.815
Nov/11 141.924 148.081 165.216 141.849 205.343 110.002 696.686 148.254 1.757.355
Mai/12 143.531 145.738 167.705 139.075 208.835 108.795 708.836 155.458 1.777.973
Fonte: Dados fornecidos pela da Base de dados da ADAPI.
Para a caracterização mais detalhada do ambiente rural amostrado, de forma a tor-
na-lo útil para se inferir acerca das dificuldades para a implantação de rastreabilidade na
agropecuária praticada com perfil de atividade familiar, estão apresentadas na Tabela 3
informações relacionadas ao perfil socioeconômico da criação de bovinos no Piauí, estra-
tificadas por mesorregiões.
Tabela 3. Informações relacionadas ao perfil socioeconômico da criação de bovinos (em %), estratificadas por mesorregião
no Piauí.
Parâmetro Detalhamento do parâmetro
Mesorregião do Estado Total
(%)
Norte (%) Centro (%) Sudeste (%) Sudoeste (%)
Idade do proprietário
(ano)
Até 30 anos 2,4c
4,5c
8,7c
6,2c
5,6c
De 31 a 50 19,0b
37,4b
40,0b
38,8b
36,5b
Mais de 50 anos 78,6a
58,1a
51,3a
55,0a
57,9a
Tamanho da proprieda-
de (ha)
Até 50 ha 35,7a
41,4a
62,5a
34,1a
42,6a
De 51 a 100 21,4b
18,4b
20,0b
21,7b
20,0b
De 101 a 200 21,5b
17,9b
15,0b
13,2c
16,2b
Mais de 200 21,4b
22,3b
2,50c
31,0a
21,2b
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
45
Parâmetro Detalhamento do parâmetro
Mesorregião do Estado Total
(%)
Norte (%) Centro (%) Sudeste (%) Sudoeste (%)
Área cercada na pro-
priedade
100% cercada 64,3a
72,6a
52,0a
54,3ª 62,3a
Mais de 50% 9,5b
15,1b
20,0b
27,1b
19,1b
Menos de 50% 21,4b
11,7b
26,0b
18,6b
17,7b
Não é cercada 4,8b
0,6b
2,0b
0,0 0,9c
Infraestrutura disponí-
vel na propriedade
Energ. elétrica 95,2 74,3 76,3 82,9 79,3
Sinal de celular 64,3 55,9 65,0 69,0 62,3
Televisão 90,5 55,3 52,3 62,8 60,5
Água encanada 50,0 65,4 38,8 38,8 50,9
Culturas exploradas
Grãos 73,8 52,5 57,5 66,7 59,8
Pastagem 90,5 62,0 61,3 59,7 64,0
*Significativo a 5% de probabilidade pelo teste Qui-quadrado, para o parâmetro, dentro da mesorregião.
Em relação à idade do pecuarista, observa-se que a criação de bovinos não apresenta
indícios de se renovar com a inclusão de jovens, visto que a quantidade de criadores en-
trevistados que informaram ter mais de 50 anos corresponde a 57,9% do total, ocorrendo
diferença significativa entre as mesorregiões (P<0,05), com destaque para o norte do Estado,
que apresentou valor de 78,6%, enquanto na mesorregião sudeste o problema se apresenta
menos grave, onde 40,0% informa idade entre 31 e 50 anos.
Tabela 4. Informações relacionadas ao uso de registro zootécnico no rebanho bovino, estratificadas por mesorregião
no Piauí.
Pergunta feita Detalhamento da pergunta
Mesorregião do Estado*
Total
Norte (%) Centro Norte (%) Sudeste (%) Sudoeste (%)
Como identifica os animais
na propriedade?
Marca a ferro candente 85,7a
67,0a
82,5a
98,4a
81,2a
Usa brinco ou similar 14,3b
8,4c
8,8b
0,0b
6,50b
Usa ambos 0,0c
19,6b
5,0b
0,8b
12,3b
Que tipo de marca utiliza no
rebanho?
Identificador do proprietário 92,9ª 75,4ª 93,8ª 86,8ª 84,0a
N° do animal 7,1b
24,6b
6,2b
13,2b
16,0b
Como registra informações
do rebanho?
Em fichas de ocorrência 21,4b
35,2b
21,3b
55,0a
37,2b
Computador 0,00c 0,00c 2,50c 0,00c 0,50c
Não registra 78,60ª 64,80ª 76,20ª 45,00b 62,30ª
*Significativo a 5% de probabilidade pelo teste Qui-quadrado, para a pergunta dentro da mesorregião.
Quanto as principais dificuldades que os criadores apresentaram para a utilização de
registro zootécnico nos rebanhos são: não conhecer seu significado (43,5%), o que denota,
culturalmente, que o costume de anotar informações dos animais de forma sistemática não
faz parte do cotidiano; a falta de um modelo padrão de registro zootécnico (23,5%) e não
saber ler/escrever (12,3%) (Tabela 5).
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
46
Tabela 5. Dificuldades para a realização de registro zootécnico no rebanho bovino, estratificadas por mesorregião no Piauí
Dificuldades para a realização de registro zootécnico
Mesorregião*
Média (%)
Norte (%) Centro Norte (%) Sudeste (%) Sudoeste (%)
Não sabe ler/escrever 28,6b
6,7d
26,3b
6,2d
12,3c
Falta de um modelo padrão 23,8c
29,1b
18,8c
18,6c
23,5b
Desconhece registro zootécnico 45,2a
48,0a
51,3a
31,8b
43,5a
Não vê dificuldade 2,4d
16,2c
3,6d
43,4a
20,7b
*Significativo a 5% de probabilidade pelo teste Qui-quadrado, para a pergunta dentro da mesorregião.
DISCUSSÃO
Estudando a prática da bovinocultura de corte no sul do Piauí, Bezerra et al. (2013)
encontraram resultados semelhantes ao deste trabalho, pois constataram que 66,3% pro-
dutores entrevistados realizavam a atividade em propriedade em pequenas propriedades
de até 50ha e apenas 11,5% em propriedades acima de 200ha. Esse percentual passa para
73,4% se for considerado propriedades com até 100ha. Portanto, há uma relação direta
entre a área da propriedade e o número de animais do rebanho, mas com a prevalência da
exploração de poucos animais em pequenas áreas.
De acordo com a Tabela 2, o rebanho bovino do Piauí apresentou crescimento contínuo
no período, com maior prevalência de animais fêmeas, principalmente com idade superior
a 12 meses, provavelmente pelas fêmeas serem mantidas para a reprodução e os machos
jovens inaptos à reprodução serem descartados do rebanho para venda ou abate.
Em relação à utilidade ou qualidade dessa informação para rastreamento sanitário
(Tabela 2), considera-se que tem potencial limitado por não conter informação individuali-
zada dos animais para rastreamento, como exige o Serviço de Rastreabilidade da Cadeia
Produtiva de Bovinos e Bubalinos – SISBOV, regulamentado pelo Ministério da Agricultura,
para poder exportar para Comunidade Europeia (Lopes et al., 2012).
Como o percentual observado de criadores com até 30 anos não ultrapassou 8,7%, é
forte indício que não há tendência de reposição de recursos humanos nessa atividade rural,
com perspectiva de se agravar mais no norte do Estado. Na parte sul a situação tende a ser
menos grave, pois é possível que o agronegócio da soja esteja influenciando esse compor-
tamento, pois conforme Macedo (2006), ocorreu intensa mudança na distribuição do rebanho
nacional, em virtude, principalmente da expansão dessa cultura. (Tabela 3).
Com relação ao tamanho da propriedade e o sistema de exploração dos animais uti-
lizado, observa-se que 42,6% dos entrevistados informaram possuir propriedade com área
de até 50 ha, sendo que 62,3% afirmaram manejar os animais com a área 100% cerca-
da. A criação realizada em pequenas áreas e totalmente cercadas apresenta-se favorável
ao uso controle zootécnico pelo criador pela maior facilidade de gestão da produção. Porém,
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
47
convém considerar que 17,7% informaram ter menos de 50% da área cercada, e isto, limita
o controle de acasalamentos e, consequentemente, a realização do registro zootécnico, que
é a base de todo sistema de rastreabilidade (Lirani, 2008).
Ao se considerar a infraestrutura disponível na propriedade, observa-se que 79,3%
informaram dispor de energia elétrica na propriedade e 50,9% dispõem de fonte de água.
Quanto ao acesso meio de comunicação ou a informação, apenas 62,3% e 60,5% infor-
maram ter acesso a sinal de telefonia celular e de televisão, respectivamente. Assim, essa
situação mostra uma dimensão inicial das dificuldades a serem enfrentadas, visto que, o
baixo acesso à informação dificulta a mudança no modo de produção tradicional para um
sistema de melhor gestão dos insumos com maior conectividade entre os atores da cadeia
produtiva. Ou seja, o acesso à informação permite o uso mais consciente dos recursos dis-
poníveis quando comparado com uma atividade produtiva conduzida pela tradição familiar.
Outro fator que fica limitado nos meios de produção tradicionais é a segurança ali-
mentar, que deve ser prioridade, e os produtos não rastreados tenderão a perder espaço
no mercado (Lopes, Santos & Amado, 2008), além disso, de acordo com Rigueira, Lopes,
Bruhn, Rodrigues & Faria (2014), que avaliaram atributos que influenciam a tomada de de-
cisão para a compra de carne bovina, constataram a disposição do consumidor pagar mais
pela carne com certificação de origem.
No Brasil dos quatro métodos para identificação dos animais, os mais utilizados pelos
pecuaristas, segundo Lopes et al. (2012) foram: o brinco e botão (90%); brinco e marca a
ferro quente (6%); brinco e tatuagem (3%); brinco e dispositivo eletrônico – implante na ore-
lha (1%), sendo que 78% dos pecuaristas consideraram esses dispositivos de identificação
eficientes e o uso de dois ao mesmo tempo garante mais segurança em caso de perda de
um identificador.
Há constatação que mais da metade dos entrevistados não tem a prática de anotar da-
dos relativos à sanidade ou ao controle zootécnico no rebanho em cada mesorregião (Tabela
4), a exceção dos pecuaristas do sudoeste do estado, torna-se preocupante, pois o registro
zootécnico é a base para o rastreamento animal, logo uma exigência legal do Ministério da
Agricultura que está com dificuldade para ser atendida em todo o país (Barcellos, Abicht,
Brandão, Canozzi & Collares, 2012).
Quanto ao armazenamento da informação, apenas na mesorregião sudeste há refe-
rência que 2,50% recorrem a utilização de recurso computacional e isso guarda estreita
relação com a forma de identificação dos animais. Entretanto, a qualidade de um sistema
de rastreabilidade não depende do tipo de dispositivo de identificação empregado (Lirani,
2008), desde que seja feita com frequência e de maneira sistemática, mas, sem recursos de
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
48
informática para catalogar e gerar dados como um todo, compromete a eficácia do sistema
(Machado & Nantes, 2008).
Constata-se que não há a consciência do pecuarista usar a marcação dos animais com
o intuito de rastreabilidade, mesmo considerando que marcam cada animal, que é a base de
qualquer sistema de rastreabilidade zootécnica (Bass, Pendel & Morris, 2008), já que não há
identificação individual do animal por números sequenciados, ano de nascimento, ou outro
método de marcação que vise tornar o registro específico tendendo para uma marcação
única. É também importante atentar para o fato que prevalece a identificação do animal com
o uso de marcação a ferro candente, que é permitido no Brasil (Lopes et al., 2012), porém
prevalece o uso da identificação apenas do proprietário independentemente da mesorregião,
o que é um padrão da pecuária tradicional do Nordeste.
O processo de identificação pode ser aprimorado, se a obrigatoriedade de certifica-
ção da vacinação do rebanho contra febre aftosa, por exemplo, for atrelada a imposição
de registrar a informação individual do animal, desde que inserida num processo capaz de
ser informatizado, sem implicar em custos para o criador ou no contato direto dele com a
informática, ou softwares, sendo que na motivação de uso quebre a visão do criador de que,
a identificação individual dos animais no rebanho seja apenas um obstáculo a mais.
Em relação a possibilidades de inclusão de Tecnologia da Informação num cenário
como este, Machado e Nantes (2008) chamaram atenção para a grande contribuição da
informática como ferramenta de suporte à implantação de rastreabilidade, pois a utilização
do computador apresenta vantagens como gerar confiabilidade dos dados, velocidade de
informação e facilidade de comunicação, dentro e fora da propriedade. A esse respeito, a
utilização da Internet para assessorar a atividade pecuária está entre os principais serviços
possíveis, sendo que em relação ao uso de softwares na agropecuária brasileira, é maior
na produção animal do que na vegetal (Cócaro, Lopes & Campos, 2005).
Dessa forma, há a necessidade de adoção de políticas públicas que visem a capaci-
tação no meio rural para que passe a valorizar ações como esta, de modo que os criadores
vejam utilidade dessa prática. Porém, em relação a informar o quanto possui, Lirani (2008)
chama atenção para certa resistência por parte do pecuarista.
O desconhecimento do que é registro zootécnico, a pequena quantidade de animais
no rebanho e a idade avançada dos proprietários rurais, se destacam como fatores que
contribuem para a não utilização de processo sistemático de identificação dos animais na
criação, perpetuando a desinformação sobre a qualidade da produção bovina na atividade
exercida com perfil de atividade familiar, razão pela qual o rastreamento dependerá da dis-
ponibilização de protocolo ou produto específico capaz de suplantar essas dificuldades, que
pode ser atrelado à obrigatoriedade de registro individual do animal.
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
49
Para se inferir no tema para esse cenário, convém considerar que a implantação de
sistema de rastreabilidade no Brasil tem passado por mudanças, dificultando que ela ocor-
ra de fato mesmo no agronegócio, ainda assim, muitos pecuaristas a julgam importante e
acreditam em seu futuro (Lopes et al., 2012), principalmente em razão do Brasil competir
com a Austrália na exportação de carne, visto que esse país se destaca como um dos mais
avançados na rastreabilidade, com sistemas de produção baseados em identificação indi-
vidual dos animais (Cavalcante, Pinheiro & Ribeiro, 2015).
Das dificuldades citadas pelos pecuaristas que já aderiram ao SISBOV, merecem des-
taque: a remuneração inadequada de animais rastreados (68%); seguida do custo elevado
da certificação (49%); burocracia na compra e venda de animais (45%); a deficiência na
mão de obra para registros na caderneta de campo (45%), o que mostra a importância de
se investir na qualificação do homem do campo (Lopes et al., 2012). Assim, se isso ocorreu
na agroindústria da carne, as perspectivas não são animadoras, podendo implicar que a
bovinocultura exercida como atividade familiar, passe a ser visto como um seguimento da
produção animal a ser discriminado por não atender as exigências do mercado da carne,
em termos de rastreamento do produto.
CONCLUSÃO / CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pecuária com bovinos no Piauí se apresenta como atividade praticada com estrutura
familiar, com poucos animais em pequenas áreas, sem processo sistemático de identificação
individual dos animais, sem grandes perspectivas de renovação de recursos humanos na
atividade, consequentemente, com baixo potencial para inserção da atividade em ambiente
com tecnologia de informatização ou em sistema de rastreamento zootécnico.
O desconhecimento da importância e de como utilizar registro zootécnico no rebanho,
dentre outros fatores, são obstáculos que dificultam a implantação da rastreabilidade zoo-
técnica na pecuária com bovinos, praticada com perfil de atividade familiar.
AGRADECIMENTOS
À Agência de Defesa Agropecuária do Piauí – ADAPI pela parceria na realização desta
pesquisa. À CAPES pelo auxílio financeiro ao proporcionar uma bolsa de estudos.
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
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FINANCIAMENTO
Esta pesquisa foi possível graças ao Financiamento da CAPES através de uma bolsa
de estudos de mestrado oferecida pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da
Universidade Federal do Piauí (UFPI).
REFERÊNCIAS
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UFSC.
2.	 Barcellos, J. O., Abicht, A. M., Brandão, F. S., Canozzi, M. E. A. & Collares, F. C. (2012).
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4.	 Bezerra, L. R., de Araújo, M. J., Marques, C. A. T., da Costa Torreão, J. N., Vaz, R. R., & de
Oliveira Neto, C. B. (2013). Caracterização de propriedades agrícolas para pecuária de cor-
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5.	 Cavalcante, D. H., Pinheiro, R. E. E. & Ribeiro, M. N. (2015). A rastreabilidade animal na pe-
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6.	 Cócaro, H., Lopes & M. A., Campos, F. C. A. (2005). Qualidade de software agropecuário: um
estudo de caso. Ciência e Agrotecnologia, 29(5), 1075-1082.
7.	 Lirani, A. C. (2008). Rastreabilidade na cadeia produtiva das carnes caprinas e ovinas. Tec-
nologia & Ciência Agropecuária, 2(3), 71-79.
8.	 Lopes, M. A. & Santos, G. (2007). Principais dificuldades encontradas pelas certificadoras para
rastrear bovinos. Ciência e Agrotecnologia, 31(5), 1552-1557.
9.	 Lopes, M. A., Demeu, A. A., Ribeiro, A. D. B., RochaI, C. M. B. M., Bruhn, F. R. P . & Retes,
P.L. (2012). Dificuldades encontradas pelos pecuaristas na implantação da rastreabilidade
bovina. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, 64(6), 1621-1628.
10.	 Lopes, M. A., Santos, G. & Amado, G. B. (2008). Viabilidade econômica da adoção e implan-
tação da rastreabilidade em sistemas de produção de bovinos no Estado de Minas Gerais.
Ciência e Agrotecnologia, 32(1), 288-294.
11.	 Macedo, L. O. B. (2006). Modernização da pecuária de corte bovina no Brasil e a importância
do crédito rural. Informações Econômicas, 36(7), 83-95.
12.	 Machado, J. G. C. F. & Nantes, J. F. D. (2008). Tecnologia de Informação em Organizações
Rurais: um estudo na pecuária de corte. Informações Econômicas, 38(10), 45-57.
13.	 Miguel, L. A., Mielitz Netto, C. G. A., Nabinger, C., Sanguiné, E., Waquil, P. D. & Schneider,
S. (2007)”Caracterização socioeconômica e produtiva da bovinocultura de corte no estado do
Rio Grande do Sul.” Revista Estudo e Debate, 14(2), 95-125.
Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1
51
14.	 Moura, J. F. P., Pimenta Filho, E. C., Neto, S. G., Menezes, M. P. C., de Farias Leite, S. V.,
& Guilhermino, M. M. (2010). Caracterização dos sistemas de produção de leite bovino no
Cariri, Acta Scientiarum. Animal Sciences, 32(3), 293-298.
15.	 Rigueira, L. L., Lopes, M. A., Bruhn, F. R. P., Rodrigues, C. G. & Faria, P. B. (2014). Disposição
dos consumidores do Distrito Federal em adquirir carne bovina com certificação de origem.
Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, 66(6), 1946-1950.
16.	 Silva, R. A., Fernandes Filho, S., de Oliveira, A. V. B., dos Santos Araújo, A., de Oliveira Silva,
F., & Pereira, E. M. (2010). Caracterização do sistema de produção de leite do município de
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Cap. Livro - Zootecnia: Pesquisas e Práticas Contemporâneas.

  • 1. 03 Levantamento sobre o registro zootécnico e a rastreabilidade bovina na pecuária com bovinos no Piauí Diego Helcias Cavalcante José Elivalto Guimarães Campelo Natanael Pereira da Silva Santos Amauri Felipe Evangelista Wéverton José Lima Fonseca Gioto Ghiarone Terto e Sousa Marcelo Richelly Alves de Oliveira Geandro Carvalho Castro Luciano Silva Sena 10.37885/210203164
  • 2. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 40 Palavras-chave: Identificação Animal, Pecuária Familiar, Bovinos. RESUMO Objetivou-se caracterizar o perfil da pecuária de corte no estado do Piauí para inferência acerca do registro zootécnico dos animais para inserção em sistema de rastreabilida- de. Os dados foram coletados por meio da aplicação de questionário semiestruturado de múltipla escolha a 400 pecuaristas em todas as microrregiões do estado, nos meses de maio e novembro de 2012. As perguntas continham os seguintes direcionadores: perfil da propriedade e dos produtores, condições zootécnicas dos rebanhos e condições téc- nicas no tocante ao registro zootécnico. O cenário da pecuária bovina é caracterizado predominantemente pela atividade familiar, com a maioria dos produtores apresentando idade superior a 50 anos, que se encontram sem grandes perspectivas de inovação tecnológica, inseridos num ambiente onde a renovação de recursos humanos enfrenta dificuldades. A análise dos dados constatou a prevalência de rebanhos com até 50 bovinos explorados em propriedades com até 50 ha, sem identificação individual dos animais. Esses resultados, aliados ao fato do pecuarista desconhecer tecnicamente a importância do registro zootécnico e da rastreabilidade, indicam a baixa capacidade da atividade ser inserida em um ambiente informatizado.
  • 3. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 41 INTRODUÇÃO O ambiente socioeconômico e institucional do Brasil impõe que o setor rural se ade- que às transformações que vem ocorrendo no mundo, pressionando o produtor a assumir atitudes empresariais. Com isso, adaptações nas propriedades rurais vêm ocorrendo, com regras de gerenciamento se modificando para atender a mercados exigentes, como ocorre com a carne bovina em termos de sanidade e rastreabilidade (Machado & Nantes, 2008). A rastreabilidade na cadeia produtiva da carne bovina já é uma realidade nessa última década no Brasil, mas sendo praticada apenas pelos frigoríficos que exportam. Entretanto, essa mesma prática de segurança alimentar deve ser disponibilizada ao consumidor brasi- leiro, apesar das dificuldades em se implantar um sistema nacional único (Lopes, Demeu, Ribeiro, RochaI, Bruhn, & Retes, 2012). No caso da pecuária com perfil familiar, uma difi- culdade a ser enfrentada é o fato da identificação individual dos animais pode implicar em custo elevado, dependendo do método a ser utilizado (Lopes & Santos, 2007). O poder público de cada estado, por intermédio das Agências de Defesa Agropecuária, cobra dos produtores, o registro da quantidade de animais das propriedades, porém, sem a identificação do animal. Essa identificação sem caracterização individual do animal, limi- ta muito a qualidade do banco de dados gerado, que geralmente se restringe a aspectos quantitativos de rebanho. O conhecimento do perfil e das dificuldades enfrentadas pelo pequeno produtor de bovino para rastrear seu produto, pode contribuir para a definição de estratégias capazes de sanar tais limitações, que devem contemplar incluí-lo em ambiente com tecnologia de informatização, visto que compõe um segmento de grande importância socioeconômica em cada região, que apresenta peculiaridades, mas que não deve ser excluído desse processo ou tratado como empecilho à implantação de programas eficientes de rastreabilidade sa- nitária e zootécnica no país. Segundo Miguel et al. (2007), a caracterização adequada da produção com bovinos de corte é necessária para qualquer ação de intervenção, tanto ao nível dos próprios produtores quanto ao nível do estabelecimento de políticas para o setor. Cabe ressaltar, que os condicionantes para os diferentes sistemas de produção podem ser de ordem cultural, ecológica (determinantes do meio físico solo e clima), ou até mesmo conjunturais (preços e mercados). Vários estudos sobre a caracterização da bovinocultura foram realizados no Brasil (MIGUEL et al., 2007; MOURA et al., 2010; SILVA et al., 2010), porém, sem uma padroni- zação na metodologia de caracterização dos sistemas produtivos, onde as características analisadas podem mais amplas ou restritas, dependendo do objetivo da pesquisa.
  • 4. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 42 OBJETIVO Caracterizar o perfil do pecuarista bovino e da produção pecuária bovina no Piauí quanto ao uso de registro zootécnico como meio para implantação da rastreabilidade. MÉTODOS Utilizou-se informações de 430 questionários respondidos por criadores de bovinos durante os períodos de certificação da vacinação contra Febre Aftosa no Piauí. A aplicação dos questionários se deu de forma aleatória aos criadores que comparece- ram às Unidades de Sanidade Animal e Vegetal – USAV durante a certificação da vacinação contra a Febre Aftosa, realizada em duas etapas (maio e novembro) do ano de 2012. O local foi escolhido por se tratar de uma instituição que apresenta capilaridade em todo o estado e ser o principal ponto de convergência de criadores de bovinos no período. As mesorregiões do estado e a frequência de propriedades amostradas foram: Norte (42), Centro-Norte (179), Sudeste (80) e Sudoeste (129), como apresentado na Figura 1. Figura 1. Localização das Unidades de Sanidade Animal e Vegetal – USAV no Piauí e os municípios onde foram aplicados os questionários aos criadores de bovinos.
  • 5. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 43 O modelo do questionário foi do tipo semiestruturado dividido em quatro direcionadores (informação do pecuarista, do sistema de produção, conhecimento tecnológico e opinião sobre rastreabilidade), para análise com estatística descritiva. O tamanho da amostra necessária para o estudo foi calculado de acordo a fórmula, segundo Barbetta (2008): sendo, n0 = Uma aproximação do tamanho da amostra. N = Número de propriedades rurais no Piauí. n = Número de elementos da amostra. E0 = Erro amostral tolerável. O número de propriedades rurais no estado foi 64.067, segundo informação retirada do banco de dados da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí - ADAPI. Portando, como o tamanho da amostra com erro estatístico de 5% é de, aproximadamente, 398 ques- tionários, considera-se que a quantidade utilizada (430) foi adequada em termos estatísticos. Foram utilizadas também, informações adicionais fornecidas pela ADAPI, relativas ao efetivo bovino do Piauí, correspondente ao período de 2009 a 2012. As informações coletadas foram tabuladas em planilhas eletrônicas e submetidas a análises com estatísticas descritivas, recorrendo-se a análises de frequências cruzadas, com estratificação dos dados por mesorregião: Norte, Centro-Norte, Sudeste e Sudoeste. Foi aplicado o teste do qui-quadrado utilizando-se o pacote estatístico do software SPSS 17.0, para constatação da significância dos efeitos dos fatores testados a 5% de probabilidade. RESULTADOS Apresenta-se na Tabela 1, a relação entre a quantidade de animais e a área da pro- priedade (ha) onde são criados. Os valores obtidos mostram que, ocorre a prevalência de pequenas propriedades envolvidas na criação de bovinos, pois 54,2% informaram ter até 50 animais criados em propriedade com até 50ha, que diferiu significativamente das demais combinações testadas (P<0,05).
  • 6. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 44 Tabela 1. Porcentagem de propriedades estimada pela frequência cruzada da quantidade de bovinos em relação a área da propriedade. Quantidade de animais na propriedade Tamanho da propriedade (ha) Total (%) Até 50 Entre 50 e 100 Entre 100 e 200 Mais de 200 Até 50 54,2a 19,2b 15,5b 11,1b 100 Entre 50 e 100 10,9c 27,3b 23,6b 38,2a 100 Entre 100 e 200 6,9c 20,7b 17,2b 55,2a 100 Mais de 200 0,0c 13,0b 8,7bc 78,3a 100 *Significativo a 5% de probabilidade pelo teste Qui-quadrado, na mesma linha. A Tabela 2 apresenta o efetivo bovino do Piauí estratificado por sexo e faixa etária no período de 2009 a 2012. Tabela 2. Efetivo bovino do Piauí, estratificado por sexo e faixa etária, extraído da base de dados da Agência de Defesa Sanitária do Estado do Piauí - ADAPI, no período de 2009 a 2012. Etapa de vacinação 0 a 12 meses 13 a 24 meses 25 a 36 meses > 36 meses Total F M F M F M F M Mai/09 134.968 133.023 172.086 139.917 231.448 106.975 615.947 110.819 1.645.183 Nov/09 139.058 140.207 164.484 138.108 227.585 111.755 634.546 116.479 1.672.222 Mai/10 135.795 138.999 161.869 135.512 229.522 112.031 654.039 126.322 1.694.089 Nov/10 139.385 143.963 160.536 136.242 219.359 109.843 667.296 132.296 1.708.920 Mai/11 138.108 144.019 158.995 138.238 209.629 111.359 685.876 144.591 1.730.815 Nov/11 141.924 148.081 165.216 141.849 205.343 110.002 696.686 148.254 1.757.355 Mai/12 143.531 145.738 167.705 139.075 208.835 108.795 708.836 155.458 1.777.973 Fonte: Dados fornecidos pela da Base de dados da ADAPI. Para a caracterização mais detalhada do ambiente rural amostrado, de forma a tor- na-lo útil para se inferir acerca das dificuldades para a implantação de rastreabilidade na agropecuária praticada com perfil de atividade familiar, estão apresentadas na Tabela 3 informações relacionadas ao perfil socioeconômico da criação de bovinos no Piauí, estra- tificadas por mesorregiões. Tabela 3. Informações relacionadas ao perfil socioeconômico da criação de bovinos (em %), estratificadas por mesorregião no Piauí. Parâmetro Detalhamento do parâmetro Mesorregião do Estado Total (%) Norte (%) Centro (%) Sudeste (%) Sudoeste (%) Idade do proprietário (ano) Até 30 anos 2,4c 4,5c 8,7c 6,2c 5,6c De 31 a 50 19,0b 37,4b 40,0b 38,8b 36,5b Mais de 50 anos 78,6a 58,1a 51,3a 55,0a 57,9a Tamanho da proprieda- de (ha) Até 50 ha 35,7a 41,4a 62,5a 34,1a 42,6a De 51 a 100 21,4b 18,4b 20,0b 21,7b 20,0b De 101 a 200 21,5b 17,9b 15,0b 13,2c 16,2b Mais de 200 21,4b 22,3b 2,50c 31,0a 21,2b
  • 7. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 45 Parâmetro Detalhamento do parâmetro Mesorregião do Estado Total (%) Norte (%) Centro (%) Sudeste (%) Sudoeste (%) Área cercada na pro- priedade 100% cercada 64,3a 72,6a 52,0a 54,3ª 62,3a Mais de 50% 9,5b 15,1b 20,0b 27,1b 19,1b Menos de 50% 21,4b 11,7b 26,0b 18,6b 17,7b Não é cercada 4,8b 0,6b 2,0b 0,0 0,9c Infraestrutura disponí- vel na propriedade Energ. elétrica 95,2 74,3 76,3 82,9 79,3 Sinal de celular 64,3 55,9 65,0 69,0 62,3 Televisão 90,5 55,3 52,3 62,8 60,5 Água encanada 50,0 65,4 38,8 38,8 50,9 Culturas exploradas Grãos 73,8 52,5 57,5 66,7 59,8 Pastagem 90,5 62,0 61,3 59,7 64,0 *Significativo a 5% de probabilidade pelo teste Qui-quadrado, para o parâmetro, dentro da mesorregião. Em relação à idade do pecuarista, observa-se que a criação de bovinos não apresenta indícios de se renovar com a inclusão de jovens, visto que a quantidade de criadores en- trevistados que informaram ter mais de 50 anos corresponde a 57,9% do total, ocorrendo diferença significativa entre as mesorregiões (P<0,05), com destaque para o norte do Estado, que apresentou valor de 78,6%, enquanto na mesorregião sudeste o problema se apresenta menos grave, onde 40,0% informa idade entre 31 e 50 anos. Tabela 4. Informações relacionadas ao uso de registro zootécnico no rebanho bovino, estratificadas por mesorregião no Piauí. Pergunta feita Detalhamento da pergunta Mesorregião do Estado* Total Norte (%) Centro Norte (%) Sudeste (%) Sudoeste (%) Como identifica os animais na propriedade? Marca a ferro candente 85,7a 67,0a 82,5a 98,4a 81,2a Usa brinco ou similar 14,3b 8,4c 8,8b 0,0b 6,50b Usa ambos 0,0c 19,6b 5,0b 0,8b 12,3b Que tipo de marca utiliza no rebanho? Identificador do proprietário 92,9ª 75,4ª 93,8ª 86,8ª 84,0a N° do animal 7,1b 24,6b 6,2b 13,2b 16,0b Como registra informações do rebanho? Em fichas de ocorrência 21,4b 35,2b 21,3b 55,0a 37,2b Computador 0,00c 0,00c 2,50c 0,00c 0,50c Não registra 78,60ª 64,80ª 76,20ª 45,00b 62,30ª *Significativo a 5% de probabilidade pelo teste Qui-quadrado, para a pergunta dentro da mesorregião. Quanto as principais dificuldades que os criadores apresentaram para a utilização de registro zootécnico nos rebanhos são: não conhecer seu significado (43,5%), o que denota, culturalmente, que o costume de anotar informações dos animais de forma sistemática não faz parte do cotidiano; a falta de um modelo padrão de registro zootécnico (23,5%) e não saber ler/escrever (12,3%) (Tabela 5).
  • 8. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 46 Tabela 5. Dificuldades para a realização de registro zootécnico no rebanho bovino, estratificadas por mesorregião no Piauí Dificuldades para a realização de registro zootécnico Mesorregião* Média (%) Norte (%) Centro Norte (%) Sudeste (%) Sudoeste (%) Não sabe ler/escrever 28,6b 6,7d 26,3b 6,2d 12,3c Falta de um modelo padrão 23,8c 29,1b 18,8c 18,6c 23,5b Desconhece registro zootécnico 45,2a 48,0a 51,3a 31,8b 43,5a Não vê dificuldade 2,4d 16,2c 3,6d 43,4a 20,7b *Significativo a 5% de probabilidade pelo teste Qui-quadrado, para a pergunta dentro da mesorregião. DISCUSSÃO Estudando a prática da bovinocultura de corte no sul do Piauí, Bezerra et al. (2013) encontraram resultados semelhantes ao deste trabalho, pois constataram que 66,3% pro- dutores entrevistados realizavam a atividade em propriedade em pequenas propriedades de até 50ha e apenas 11,5% em propriedades acima de 200ha. Esse percentual passa para 73,4% se for considerado propriedades com até 100ha. Portanto, há uma relação direta entre a área da propriedade e o número de animais do rebanho, mas com a prevalência da exploração de poucos animais em pequenas áreas. De acordo com a Tabela 2, o rebanho bovino do Piauí apresentou crescimento contínuo no período, com maior prevalência de animais fêmeas, principalmente com idade superior a 12 meses, provavelmente pelas fêmeas serem mantidas para a reprodução e os machos jovens inaptos à reprodução serem descartados do rebanho para venda ou abate. Em relação à utilidade ou qualidade dessa informação para rastreamento sanitário (Tabela 2), considera-se que tem potencial limitado por não conter informação individuali- zada dos animais para rastreamento, como exige o Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos – SISBOV, regulamentado pelo Ministério da Agricultura, para poder exportar para Comunidade Europeia (Lopes et al., 2012). Como o percentual observado de criadores com até 30 anos não ultrapassou 8,7%, é forte indício que não há tendência de reposição de recursos humanos nessa atividade rural, com perspectiva de se agravar mais no norte do Estado. Na parte sul a situação tende a ser menos grave, pois é possível que o agronegócio da soja esteja influenciando esse compor- tamento, pois conforme Macedo (2006), ocorreu intensa mudança na distribuição do rebanho nacional, em virtude, principalmente da expansão dessa cultura. (Tabela 3). Com relação ao tamanho da propriedade e o sistema de exploração dos animais uti- lizado, observa-se que 42,6% dos entrevistados informaram possuir propriedade com área de até 50 ha, sendo que 62,3% afirmaram manejar os animais com a área 100% cerca- da. A criação realizada em pequenas áreas e totalmente cercadas apresenta-se favorável ao uso controle zootécnico pelo criador pela maior facilidade de gestão da produção. Porém,
  • 9. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 47 convém considerar que 17,7% informaram ter menos de 50% da área cercada, e isto, limita o controle de acasalamentos e, consequentemente, a realização do registro zootécnico, que é a base de todo sistema de rastreabilidade (Lirani, 2008). Ao se considerar a infraestrutura disponível na propriedade, observa-se que 79,3% informaram dispor de energia elétrica na propriedade e 50,9% dispõem de fonte de água. Quanto ao acesso meio de comunicação ou a informação, apenas 62,3% e 60,5% infor- maram ter acesso a sinal de telefonia celular e de televisão, respectivamente. Assim, essa situação mostra uma dimensão inicial das dificuldades a serem enfrentadas, visto que, o baixo acesso à informação dificulta a mudança no modo de produção tradicional para um sistema de melhor gestão dos insumos com maior conectividade entre os atores da cadeia produtiva. Ou seja, o acesso à informação permite o uso mais consciente dos recursos dis- poníveis quando comparado com uma atividade produtiva conduzida pela tradição familiar. Outro fator que fica limitado nos meios de produção tradicionais é a segurança ali- mentar, que deve ser prioridade, e os produtos não rastreados tenderão a perder espaço no mercado (Lopes, Santos & Amado, 2008), além disso, de acordo com Rigueira, Lopes, Bruhn, Rodrigues & Faria (2014), que avaliaram atributos que influenciam a tomada de de- cisão para a compra de carne bovina, constataram a disposição do consumidor pagar mais pela carne com certificação de origem. No Brasil dos quatro métodos para identificação dos animais, os mais utilizados pelos pecuaristas, segundo Lopes et al. (2012) foram: o brinco e botão (90%); brinco e marca a ferro quente (6%); brinco e tatuagem (3%); brinco e dispositivo eletrônico – implante na ore- lha (1%), sendo que 78% dos pecuaristas consideraram esses dispositivos de identificação eficientes e o uso de dois ao mesmo tempo garante mais segurança em caso de perda de um identificador. Há constatação que mais da metade dos entrevistados não tem a prática de anotar da- dos relativos à sanidade ou ao controle zootécnico no rebanho em cada mesorregião (Tabela 4), a exceção dos pecuaristas do sudoeste do estado, torna-se preocupante, pois o registro zootécnico é a base para o rastreamento animal, logo uma exigência legal do Ministério da Agricultura que está com dificuldade para ser atendida em todo o país (Barcellos, Abicht, Brandão, Canozzi & Collares, 2012). Quanto ao armazenamento da informação, apenas na mesorregião sudeste há refe- rência que 2,50% recorrem a utilização de recurso computacional e isso guarda estreita relação com a forma de identificação dos animais. Entretanto, a qualidade de um sistema de rastreabilidade não depende do tipo de dispositivo de identificação empregado (Lirani, 2008), desde que seja feita com frequência e de maneira sistemática, mas, sem recursos de
  • 10. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 48 informática para catalogar e gerar dados como um todo, compromete a eficácia do sistema (Machado & Nantes, 2008). Constata-se que não há a consciência do pecuarista usar a marcação dos animais com o intuito de rastreabilidade, mesmo considerando que marcam cada animal, que é a base de qualquer sistema de rastreabilidade zootécnica (Bass, Pendel & Morris, 2008), já que não há identificação individual do animal por números sequenciados, ano de nascimento, ou outro método de marcação que vise tornar o registro específico tendendo para uma marcação única. É também importante atentar para o fato que prevalece a identificação do animal com o uso de marcação a ferro candente, que é permitido no Brasil (Lopes et al., 2012), porém prevalece o uso da identificação apenas do proprietário independentemente da mesorregião, o que é um padrão da pecuária tradicional do Nordeste. O processo de identificação pode ser aprimorado, se a obrigatoriedade de certifica- ção da vacinação do rebanho contra febre aftosa, por exemplo, for atrelada a imposição de registrar a informação individual do animal, desde que inserida num processo capaz de ser informatizado, sem implicar em custos para o criador ou no contato direto dele com a informática, ou softwares, sendo que na motivação de uso quebre a visão do criador de que, a identificação individual dos animais no rebanho seja apenas um obstáculo a mais. Em relação a possibilidades de inclusão de Tecnologia da Informação num cenário como este, Machado e Nantes (2008) chamaram atenção para a grande contribuição da informática como ferramenta de suporte à implantação de rastreabilidade, pois a utilização do computador apresenta vantagens como gerar confiabilidade dos dados, velocidade de informação e facilidade de comunicação, dentro e fora da propriedade. A esse respeito, a utilização da Internet para assessorar a atividade pecuária está entre os principais serviços possíveis, sendo que em relação ao uso de softwares na agropecuária brasileira, é maior na produção animal do que na vegetal (Cócaro, Lopes & Campos, 2005). Dessa forma, há a necessidade de adoção de políticas públicas que visem a capaci- tação no meio rural para que passe a valorizar ações como esta, de modo que os criadores vejam utilidade dessa prática. Porém, em relação a informar o quanto possui, Lirani (2008) chama atenção para certa resistência por parte do pecuarista. O desconhecimento do que é registro zootécnico, a pequena quantidade de animais no rebanho e a idade avançada dos proprietários rurais, se destacam como fatores que contribuem para a não utilização de processo sistemático de identificação dos animais na criação, perpetuando a desinformação sobre a qualidade da produção bovina na atividade exercida com perfil de atividade familiar, razão pela qual o rastreamento dependerá da dis- ponibilização de protocolo ou produto específico capaz de suplantar essas dificuldades, que pode ser atrelado à obrigatoriedade de registro individual do animal.
  • 11. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 49 Para se inferir no tema para esse cenário, convém considerar que a implantação de sistema de rastreabilidade no Brasil tem passado por mudanças, dificultando que ela ocor- ra de fato mesmo no agronegócio, ainda assim, muitos pecuaristas a julgam importante e acreditam em seu futuro (Lopes et al., 2012), principalmente em razão do Brasil competir com a Austrália na exportação de carne, visto que esse país se destaca como um dos mais avançados na rastreabilidade, com sistemas de produção baseados em identificação indi- vidual dos animais (Cavalcante, Pinheiro & Ribeiro, 2015). Das dificuldades citadas pelos pecuaristas que já aderiram ao SISBOV, merecem des- taque: a remuneração inadequada de animais rastreados (68%); seguida do custo elevado da certificação (49%); burocracia na compra e venda de animais (45%); a deficiência na mão de obra para registros na caderneta de campo (45%), o que mostra a importância de se investir na qualificação do homem do campo (Lopes et al., 2012). Assim, se isso ocorreu na agroindústria da carne, as perspectivas não são animadoras, podendo implicar que a bovinocultura exercida como atividade familiar, passe a ser visto como um seguimento da produção animal a ser discriminado por não atender as exigências do mercado da carne, em termos de rastreamento do produto. CONCLUSÃO / CONSIDERAÇÕES FINAIS A pecuária com bovinos no Piauí se apresenta como atividade praticada com estrutura familiar, com poucos animais em pequenas áreas, sem processo sistemático de identificação individual dos animais, sem grandes perspectivas de renovação de recursos humanos na atividade, consequentemente, com baixo potencial para inserção da atividade em ambiente com tecnologia de informatização ou em sistema de rastreamento zootécnico. O desconhecimento da importância e de como utilizar registro zootécnico no rebanho, dentre outros fatores, são obstáculos que dificultam a implantação da rastreabilidade zoo- técnica na pecuária com bovinos, praticada com perfil de atividade familiar. AGRADECIMENTOS À Agência de Defesa Agropecuária do Piauí – ADAPI pela parceria na realização desta pesquisa. À CAPES pelo auxílio financeiro ao proporcionar uma bolsa de estudos.
  • 12. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 50 FINANCIAMENTO Esta pesquisa foi possível graças ao Financiamento da CAPES através de uma bolsa de estudos de mestrado oferecida pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Universidade Federal do Piauí (UFPI). REFERÊNCIAS 1. Barbetta, P.A. (2008) Estatística Aplicada às Ciências Sociais. (7nd ed.) Florianópolis, SC: UFSC. 2. Barcellos, J. O., Abicht, A. M., Brandão, F. S., Canozzi, M. E. A. & Collares, F. C. (2012). Consumer perception of Brazilian traced beef. Revista Brasileira de Zootecnia, 41(3), 771-774. 3. Bass, P. D., Pendel, D. L. & Morris, D. L. (2008). Sheep Traceability Systems in Selected Cou- ntries Outside of North America. The Professional Animal Scientist, 24(4), 302-307. 4. Bezerra, L. R., de Araújo, M. J., Marques, C. A. T., da Costa Torreão, J. N., Vaz, R. R., & de Oliveira Neto, C. B. (2013). Caracterização de propriedades agrícolas para pecuária de cor- te. Comunicata Scientiae, 4(1), 75-84. 5. Cavalcante, D. H., Pinheiro, R. E. E. & Ribeiro, M. N. (2015). A rastreabilidade animal na pe- cuária bovina Nutritime Revista Eletrônica, 12(5), 4333-4341. 6. Cócaro, H., Lopes & M. A., Campos, F. C. A. (2005). Qualidade de software agropecuário: um estudo de caso. Ciência e Agrotecnologia, 29(5), 1075-1082. 7. Lirani, A. C. (2008). Rastreabilidade na cadeia produtiva das carnes caprinas e ovinas. Tec- nologia & Ciência Agropecuária, 2(3), 71-79. 8. Lopes, M. A. & Santos, G. (2007). Principais dificuldades encontradas pelas certificadoras para rastrear bovinos. Ciência e Agrotecnologia, 31(5), 1552-1557. 9. Lopes, M. A., Demeu, A. A., Ribeiro, A. D. B., RochaI, C. M. B. M., Bruhn, F. R. P . & Retes, P.L. (2012). Dificuldades encontradas pelos pecuaristas na implantação da rastreabilidade bovina. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, 64(6), 1621-1628. 10. Lopes, M. A., Santos, G. & Amado, G. B. (2008). Viabilidade econômica da adoção e implan- tação da rastreabilidade em sistemas de produção de bovinos no Estado de Minas Gerais. Ciência e Agrotecnologia, 32(1), 288-294. 11. Macedo, L. O. B. (2006). Modernização da pecuária de corte bovina no Brasil e a importância do crédito rural. Informações Econômicas, 36(7), 83-95. 12. Machado, J. G. C. F. & Nantes, J. F. D. (2008). Tecnologia de Informação em Organizações Rurais: um estudo na pecuária de corte. Informações Econômicas, 38(10), 45-57. 13. Miguel, L. A., Mielitz Netto, C. G. A., Nabinger, C., Sanguiné, E., Waquil, P. D. & Schneider, S. (2007)”Caracterização socioeconômica e produtiva da bovinocultura de corte no estado do Rio Grande do Sul.” Revista Estudo e Debate, 14(2), 95-125.
  • 13. Zootecnia: pesquisa e práticas contemporâneas - Volume 1 51 14. Moura, J. F. P., Pimenta Filho, E. C., Neto, S. G., Menezes, M. P. C., de Farias Leite, S. V., & Guilhermino, M. M. (2010). Caracterização dos sistemas de produção de leite bovino no Cariri, Acta Scientiarum. Animal Sciences, 32(3), 293-298. 15. Rigueira, L. L., Lopes, M. A., Bruhn, F. R. P., Rodrigues, C. G. & Faria, P. B. (2014). Disposição dos consumidores do Distrito Federal em adquirir carne bovina com certificação de origem. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, 66(6), 1946-1950. 16. Silva, R. A., Fernandes Filho, S., de Oliveira, A. V. B., dos Santos Araújo, A., de Oliveira Silva, F., & Pereira, E. M. (2010). Caracterização do sistema de produção de leite do município de Paulista-PB. Agropecuária Científica no Semiárido, 6(2), 31-46.