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CAOS NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS CONTEMPORÂNEAS
Fernando Alcoforado*
O livro Caos e Governabilidade no moderno sistema mundial (Rio de Janeiro:
Contraponto; Editora UFRJ, 2001) de autoria de Giovanni Arrighi e Beverly J. Silver
deixa claro que o sistema internacional tem oscilado entre momentos de caos e
governabilidade ao longo da história nos últimos 500 anos. A governabilidade acontece
quando um país exerce papel hegemônico na economia mundial e é capaz de liderar os
demais Estados nacionais por meio do consenso. Já o caos decorre da crise hegemônica,
em que a típica anarquia internacional dá lugar a “uma escalada da competição e dos
conflitos que ultrapassa a capacidade reguladora das estruturas existentes”, ou seja, as
estruturas da ordem vigente são confrontadas por novos modelos desafiantes.
Segundo Arrighi e Silver, desde seu surgimento em fins da Idade Média, o sistema-
mundo moderno testemunhou a ocorrência de três hegemonias mundiais: a holandesa,
no século XVII, a inglesa no século XIX e a norte-americana no século XX. As
transições de uma hegemonia a outra foram marcadas pelo aumento do caos sistêmico e
a tese exposta no livro Caos e Governabilidade no moderno sistema mundial é que
vivemos, desde a década de 1970, um novo caos, marcado pela crise da hegemonia dos
Estados Unidos. A primeira característica da atual crise hegemônica diz respeito à
chamada bifurcação da redução das capacidades militares e financeiras. Nas duas outras
transições, da holandesa para a britânica e desta para a norte-americana, a decadência
econômico-financeira da nação hegemônica veio acompanhada da decadência
militar. Hoje, os Estados Unidos enfrentam uma gigantesca crise econômica e
financeira e, no plano militar, se enfraquecem além de se defrontarem com dois
oponentes que aumentam seu poderio a cada dia, Rússia e China.
Em artigo publicado em fevereiro de 2012, Vladimir Putin anunciou que a Rússia ia
gastar 580 bilhões de euros em armamento nos próximos dez anos para modernizar seu
exército. Foi a partir do ano 2000 que a Rússia resolveu desenvolver uma parceria
estratégica com a China. A Rússia considerou que a China poderia ajudá-la na sua
resistência às ambições geopolíticas dos Estados Unidos tanto na Europa Oriental,
quanto no Cáucaso ou na Ásia Central. A Organização da Cooperação de Xangai
(Shanghai Cooperation Organization – SCO) foi criada em 2001 para estabelecer uma
aliança entre a Rússia e a China em termos militares e de combate ao terrorismo, ao
fundamentalismo religioso e ao separatismo na região da Ásia (MAZAT, Numa e
SERRANO, Franklin.. A Geopolítica das Relações entre a Federação Russa e os EUA:
da “Cooperação” ao Conflito. Disponível no website
<http://www.revistaoikos.org/seer/index.php/oikos/article/view/293>).
A China está construindo uma grande força naval para controlar o Oceano Pacífico
tendo como objetivo imediato frear o poderio militar americano no Pacífico ocidental.
Os chineses estão construindo uma força defensiva, que inclui armas que podem atingir
alvos militares norte-americanos. Os gastos militares chineses vão ultrapassar os
orçamentos combinados das doze outras grandes potências da Ásia-Pacífico (WINES,
Michael. EUA e China procuram acordar estratégia militar. Disponível no website
<http://www1.folha.uol.com.br/mundo/944409-eua-e-china-procuram-acordar-
estrategia-militar.shtml>). Segundo a revista The Economist, a China vai ultrapassar os
gastos militares dos Estados Unidos até 2025 (ALVES, José Eustáquio Diniz. EUA,
China e Índia: disputa de hegemonia e destruição do meio ambiente. Disponível no
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hegemonia-e-destruicao-do-meio-ambiente-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/>).
Da mesma forma que as duas guerras mundiais terminaram com o status da Grã-
Bretanha de maior nação credora e a tornaram em uma nação endividada, a Guerra Fria
provocou o fim da União Soviética, mas, transformou os Estados Unidos na maior
nação devedora do globo. O centro hegemônico em declínio (Estados Unidos) fica na
situação de enfrentar o desafio militar da era contemporânea e não dispor dos meios
financeiros necessários para resolver problemas de nível sistêmicos que exigem
soluções de nível sistêmico. É importante observar que a China é o principal credor dos
Estados Unidos haja vista que compra boa parte dos títulos da dívida dos Estados
Unidos e que ela depende do mercado e dos investimentos norte-americanos.
O segundo ponto que evidencia a decadência hegemônica norte-americana é a
globalização da economia, que vem, na visão de Arrighi e Silver, minando o poder dos
Estados e enfraquecendo a capacidade reguladora das grandes nações até mesmo dentro
de suas próprias economias. O processo é similar ao das companhias de comércio e
navegação holandesas, que, ao mesmo tempo em que deram à Holanda do século XVII
o poder de operar globalmente, também esvaziaram suas funções e seu poder. As
empresas multinacionais norte-americanas, apesar de apropriarem-se de parte da renda
dos países onde se instalam, não têm proporcionado aumento equivalente na renda dos
residentes dos Estados Unidos e nem do seu governo. Ao contrário, ao menor sinal de
instabilidade econômico-financeira na matriz ou na economia nacional, esses capitais
fogem para mercados estrangeiros como, por exemplo, a China, Índia e México, e
servem apenas para acentuar a crise econômica nos Estados Unidos.
Com o fim da centralização econômica e financeira em torno da nação hegemônica,
Estados Unidos, sua capacidade reguladora terminou enfraquecida e abriu espaço para
uma forma nova de reorganização sistêmica. Reflexo disso é a ausência de
governabilidade mundial na atualidade. É oportuno observar que os Estados Unidos se
consolidaram como nação hegemônica ao resolverem os problemas sistêmicos que
atormentavam o mundo entre as duas guerras mundiais. Esta governabilidade global não
existe mais. Os problemas de nível sistêmico na era contemporânea não podem ser
resolvidos nem pelos Estados Unidos e nem por outro país do mundo disto resultando o
caos sistêmico atual. Do ponto de vista do conceito de hegemonia de Gramsci, a falta de
governabilidade global é ponto central nas evidências de decadência hegemônica.
Segundo Gramsci, "ter hegemonia é assegurar a direção intelectual e moral do processo
político-social, ou estabelecer a supremacia de uma forma de unidade do pensamento e
da vida que se expressa em uma concepção do mundo". Nesse sentido, o objetivo da
ação hegemônica é fazer com que o outro aceite a vontade da potência hegemônica
como sendo a dele mesmo, por meio da interiorização de valores que se tornam
consensuais (GRUPPI, L. O conceito de hegemonia em Gramsci. Rio de Janeiro: Graal,
1978). Quando o Estado hegemônico deixa de fazer seu interesse parecer o interesse de
todos, para Gramsci ele perde sua condição e tende a partir para um processo de
dominação com o uso do poder militar. Esta é a situação dos Estados Unidos no
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Arrighi e Silver defendem a tese de que depois da ruptura hegemônica atual o centro do
poder mundial deve se concentrar no Leste Asiático. A consolidação da região como
centro mais dinâmico dos processos de acumulação de capital em grande escala tem
possibilitado o surgimento de uma estrutura produtiva antagônica à norte-americana.
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Essa combinação de novas características estruturais tem transformado o Leste Asiático
tanto na nova oficina quanto no cofre da economia mundial, sob a liderança, na década
de 1980, de um Estado semelhante a uma empresa (o Japão) e depois de uma diáspora
comercial (os chineses de além-mar), o que terminou transformando a China no chão de
fábrica mundial e tende a transformá-la, também, no cofre da economia mundial.
Arrighi e Silver consideram que o posto-chave na emergência do Leste Asiático é que
não se trata de um processo galopante de ganho de poder em função da inauguração de
um novo sistema produtivo ou de governança global que dê conta da reorganização
sistêmica em curso, mas tão-somente fruto da falência dos Estados Unidos.
O sistema internacional está desmoronando não porque novas potências estejam
ampliando seus domínios, mas porque os Estados Unidos estão encolhendo a sua
dominação. Isso tende a transformar a hegemonia decrescente dos Estados Unidos em
uma dominação exploradora, o que por si só descaracteriza o processo de dominação
hegemônica. Arrighi e Silver acham difícil imaginar uma liderança global nos centros
financeiros do Leste da Ásia disposta a enfrentar a tarefa de fornecer soluções
sistêmicas para os problemas sistêmicos deixados pela hegemonia norte-americana,
especialmente porque a região enfrenta também contradições sociais que de certa
maneira se somam às contradições alimentadas pelos Estados Unidos. Apesar de afirmar
que o Leste da Ásia ainda não esboça nenhuma via nova de desenvolvimento que aponte
uma alternativa ao beco sem saída em que vivemos hoje, Arrighi parece convencido de
que a alternativa sairá de lá. A lacuna final do livro é esta: apesar da nova estrutura
econômica que se desenha na região, não há sinais de que o Leste da Ásia tenha um
projeto de governança global que surja como alternativa ao caos sistêmico
existente. Isto significa dizer que o mundo terá que conviver com uma situação de caos
sistêmico por bastante tempo com risco gigantesco da eclosão de guerras locais,
regionais e até mesmo mundial.
*Fernando Alcoforado, 77, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em
Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor
universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento
regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São
Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo,
1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do
desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de
Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento
(Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos
Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the
Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller
Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe
Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável-
Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do
Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social
(Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática
Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015) e As Grandes Revoluções Científicas,
Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016). Possui blog na Internet
(http://fernando.alcoforado.zip.net). E-mail: falcoforado@uol.com.br.

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Caos nas relações internacionais contemporâneas

  • 1. 1 CAOS NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS CONTEMPORÂNEAS Fernando Alcoforado* O livro Caos e Governabilidade no moderno sistema mundial (Rio de Janeiro: Contraponto; Editora UFRJ, 2001) de autoria de Giovanni Arrighi e Beverly J. Silver deixa claro que o sistema internacional tem oscilado entre momentos de caos e governabilidade ao longo da história nos últimos 500 anos. A governabilidade acontece quando um país exerce papel hegemônico na economia mundial e é capaz de liderar os demais Estados nacionais por meio do consenso. Já o caos decorre da crise hegemônica, em que a típica anarquia internacional dá lugar a “uma escalada da competição e dos conflitos que ultrapassa a capacidade reguladora das estruturas existentes”, ou seja, as estruturas da ordem vigente são confrontadas por novos modelos desafiantes. Segundo Arrighi e Silver, desde seu surgimento em fins da Idade Média, o sistema- mundo moderno testemunhou a ocorrência de três hegemonias mundiais: a holandesa, no século XVII, a inglesa no século XIX e a norte-americana no século XX. As transições de uma hegemonia a outra foram marcadas pelo aumento do caos sistêmico e a tese exposta no livro Caos e Governabilidade no moderno sistema mundial é que vivemos, desde a década de 1970, um novo caos, marcado pela crise da hegemonia dos Estados Unidos. A primeira característica da atual crise hegemônica diz respeito à chamada bifurcação da redução das capacidades militares e financeiras. Nas duas outras transições, da holandesa para a britânica e desta para a norte-americana, a decadência econômico-financeira da nação hegemônica veio acompanhada da decadência militar. Hoje, os Estados Unidos enfrentam uma gigantesca crise econômica e financeira e, no plano militar, se enfraquecem além de se defrontarem com dois oponentes que aumentam seu poderio a cada dia, Rússia e China. Em artigo publicado em fevereiro de 2012, Vladimir Putin anunciou que a Rússia ia gastar 580 bilhões de euros em armamento nos próximos dez anos para modernizar seu exército. Foi a partir do ano 2000 que a Rússia resolveu desenvolver uma parceria estratégica com a China. A Rússia considerou que a China poderia ajudá-la na sua resistência às ambições geopolíticas dos Estados Unidos tanto na Europa Oriental, quanto no Cáucaso ou na Ásia Central. A Organização da Cooperação de Xangai (Shanghai Cooperation Organization – SCO) foi criada em 2001 para estabelecer uma aliança entre a Rússia e a China em termos militares e de combate ao terrorismo, ao fundamentalismo religioso e ao separatismo na região da Ásia (MAZAT, Numa e SERRANO, Franklin.. A Geopolítica das Relações entre a Federação Russa e os EUA: da “Cooperação” ao Conflito. Disponível no website <http://www.revistaoikos.org/seer/index.php/oikos/article/view/293>). A China está construindo uma grande força naval para controlar o Oceano Pacífico tendo como objetivo imediato frear o poderio militar americano no Pacífico ocidental. Os chineses estão construindo uma força defensiva, que inclui armas que podem atingir alvos militares norte-americanos. Os gastos militares chineses vão ultrapassar os orçamentos combinados das doze outras grandes potências da Ásia-Pacífico (WINES, Michael. EUA e China procuram acordar estratégia militar. Disponível no website <http://www1.folha.uol.com.br/mundo/944409-eua-e-china-procuram-acordar- estrategia-militar.shtml>). Segundo a revista The Economist, a China vai ultrapassar os gastos militares dos Estados Unidos até 2025 (ALVES, José Eustáquio Diniz. EUA, China e Índia: disputa de hegemonia e destruição do meio ambiente. Disponível no
  • 2. 2 website <http://www.ecodebate.com.br/2012/01/13/eua-china-e-india-disputa-de- hegemonia-e-destruicao-do-meio-ambiente-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/>). Da mesma forma que as duas guerras mundiais terminaram com o status da Grã- Bretanha de maior nação credora e a tornaram em uma nação endividada, a Guerra Fria provocou o fim da União Soviética, mas, transformou os Estados Unidos na maior nação devedora do globo. O centro hegemônico em declínio (Estados Unidos) fica na situação de enfrentar o desafio militar da era contemporânea e não dispor dos meios financeiros necessários para resolver problemas de nível sistêmicos que exigem soluções de nível sistêmico. É importante observar que a China é o principal credor dos Estados Unidos haja vista que compra boa parte dos títulos da dívida dos Estados Unidos e que ela depende do mercado e dos investimentos norte-americanos. O segundo ponto que evidencia a decadência hegemônica norte-americana é a globalização da economia, que vem, na visão de Arrighi e Silver, minando o poder dos Estados e enfraquecendo a capacidade reguladora das grandes nações até mesmo dentro de suas próprias economias. O processo é similar ao das companhias de comércio e navegação holandesas, que, ao mesmo tempo em que deram à Holanda do século XVII o poder de operar globalmente, também esvaziaram suas funções e seu poder. As empresas multinacionais norte-americanas, apesar de apropriarem-se de parte da renda dos países onde se instalam, não têm proporcionado aumento equivalente na renda dos residentes dos Estados Unidos e nem do seu governo. Ao contrário, ao menor sinal de instabilidade econômico-financeira na matriz ou na economia nacional, esses capitais fogem para mercados estrangeiros como, por exemplo, a China, Índia e México, e servem apenas para acentuar a crise econômica nos Estados Unidos. Com o fim da centralização econômica e financeira em torno da nação hegemônica, Estados Unidos, sua capacidade reguladora terminou enfraquecida e abriu espaço para uma forma nova de reorganização sistêmica. Reflexo disso é a ausência de governabilidade mundial na atualidade. É oportuno observar que os Estados Unidos se consolidaram como nação hegemônica ao resolverem os problemas sistêmicos que atormentavam o mundo entre as duas guerras mundiais. Esta governabilidade global não existe mais. Os problemas de nível sistêmico na era contemporânea não podem ser resolvidos nem pelos Estados Unidos e nem por outro país do mundo disto resultando o caos sistêmico atual. Do ponto de vista do conceito de hegemonia de Gramsci, a falta de governabilidade global é ponto central nas evidências de decadência hegemônica. Segundo Gramsci, "ter hegemonia é assegurar a direção intelectual e moral do processo político-social, ou estabelecer a supremacia de uma forma de unidade do pensamento e da vida que se expressa em uma concepção do mundo". Nesse sentido, o objetivo da ação hegemônica é fazer com que o outro aceite a vontade da potência hegemônica como sendo a dele mesmo, por meio da interiorização de valores que se tornam consensuais (GRUPPI, L. O conceito de hegemonia em Gramsci. Rio de Janeiro: Graal, 1978). Quando o Estado hegemônico deixa de fazer seu interesse parecer o interesse de todos, para Gramsci ele perde sua condição e tende a partir para um processo de dominação com o uso do poder militar. Esta é a situação dos Estados Unidos no momento atual. Arrighi e Silver defendem a tese de que depois da ruptura hegemônica atual o centro do poder mundial deve se concentrar no Leste Asiático. A consolidação da região como centro mais dinâmico dos processos de acumulação de capital em grande escala tem possibilitado o surgimento de uma estrutura produtiva antagônica à norte-americana.
  • 3. 3 Essa combinação de novas características estruturais tem transformado o Leste Asiático tanto na nova oficina quanto no cofre da economia mundial, sob a liderança, na década de 1980, de um Estado semelhante a uma empresa (o Japão) e depois de uma diáspora comercial (os chineses de além-mar), o que terminou transformando a China no chão de fábrica mundial e tende a transformá-la, também, no cofre da economia mundial. Arrighi e Silver consideram que o posto-chave na emergência do Leste Asiático é que não se trata de um processo galopante de ganho de poder em função da inauguração de um novo sistema produtivo ou de governança global que dê conta da reorganização sistêmica em curso, mas tão-somente fruto da falência dos Estados Unidos. O sistema internacional está desmoronando não porque novas potências estejam ampliando seus domínios, mas porque os Estados Unidos estão encolhendo a sua dominação. Isso tende a transformar a hegemonia decrescente dos Estados Unidos em uma dominação exploradora, o que por si só descaracteriza o processo de dominação hegemônica. Arrighi e Silver acham difícil imaginar uma liderança global nos centros financeiros do Leste da Ásia disposta a enfrentar a tarefa de fornecer soluções sistêmicas para os problemas sistêmicos deixados pela hegemonia norte-americana, especialmente porque a região enfrenta também contradições sociais que de certa maneira se somam às contradições alimentadas pelos Estados Unidos. Apesar de afirmar que o Leste da Ásia ainda não esboça nenhuma via nova de desenvolvimento que aponte uma alternativa ao beco sem saída em que vivemos hoje, Arrighi parece convencido de que a alternativa sairá de lá. A lacuna final do livro é esta: apesar da nova estrutura econômica que se desenha na região, não há sinais de que o Leste da Ásia tenha um projeto de governança global que surja como alternativa ao caos sistêmico existente. Isto significa dizer que o mundo terá que conviver com uma situação de caos sistêmico por bastante tempo com risco gigantesco da eclosão de guerras locais, regionais e até mesmo mundial. *Fernando Alcoforado, 77, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015) e As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016). Possui blog na Internet (http://fernando.alcoforado.zip.net). E-mail: falcoforado@uol.com.br.