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BULLYING: O QUE É ISSO? Conceitos e dados extraídos do livro  Pedagogia da Amizade , de Gabriel Chalita
Conceito Bullying é um termo de língua inglesa ( bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder.
Bullying: panorama Mundial O bullying é tão antigo quanto a escola. É um fenômeno de grupo, em desequilíbrio, é claro. As primeiras pesquisas surgiram a partir de 1972, na Escandinávia.
Bullying: retrato brasileiro Uma das primeiras investigações registradas sobre o bullying no Brasil data de 1997, por Marta Canfield, professora da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Um estudo que merece destaque, foi realizado por Cleo Fante, em 2002 e 2003.
Pesquisa brasileira A pesquisa envolveu 2 mil alunos em oito escolas das redes públicas e particular, em São José do Rio Preto, São Paulo. Revelou que 49% dos alunos estavam envolvidos com bullying: 22% como vítima, 15% agressores e 12% vítima-agressores.
Índices sobre o bullying Uma pesquisa divulgada em fevereiro de 2009 pelo  Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná  (UFPR) mostrou que 66% dos alunos do ensino fundamental e médio sofreram ou cometeram agressões contra seus colegas de escola nos seis meses anteriores ao levantamento. É o chamado bullying. "Nessa forma de brincadeira inadequada, só quem brinca tem prazer", explica Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).
O que caracteriza o bullying? Para que uma ação seja considerada bullying, ela precisa ter certas características: ● Ser repetida contra uma mesma pessoa; ● Apresentar um desequilíbrio de poder que dificulte a defesa da vítima; ● Não possuir razão aparente; ● E contar com atitudes deliberadas e que tragam prejuízo: material, físico, emocional ou de aprendizado.  Há estudos sobre bullying entre alunos e professores, porém, o mais conhecido é entre alunos, apenas.
Categorias do bullying O bullying se divide em duas categorias: ●  Bullying direto : é a forma mais comum entre os agressores masculinos; ●  Bullying indireto : é a forma mais comum entre mulheres e crianças, tendo como característica o isolamento social da vítima.
Que tipo de trauma o bullying pode gerar às vítimas? A curto e longo prazo, o bullying interfere na auto-estima, na concentração, na motivação para os estudos, no rendimento escolar e nos males psicossomáticos (diarréia, febre, vômito, dor de estômago e de cabeça) da vítima. A longo prazo, a vítima pode desenvolver transtornos de ansiedade e de alimentação (bulimia, anorexia, bruxismo, alergias, depressão e ideias suicidas). Se não houver intervenção, pode haver efeitos para o resto da vida. A vítima pode ser sempre insegura. Alguns têm resiliência, o poder de resistir e superar situações difíceis, mas outros penam.
E aos agressores? O agressor sofre, de imediato, um  distanciamento dos objetivos escolares. Ele passa a ficar o tempo todo planejando o que fazer e se esforçando para manter o jogo de poder com a vítima. Aliás, ele pode ter várias vítimas, isso é o mais comum. O agressor, então, pode sofrer queda no rendimento escolar e até evasão – como ele deixa de aprender, pode ser reprovado e perder a motivação para estudar. A longo prazo, ele pode cair na delinquência e no uso ou tráfico de drogas. Além disso, pode praticar o bullying em outros ambientes, como o trabalho e a família, tendo problemas nas relações profissionais e sociais e até nos relacionamentos afetivos e amorosos – prejudicados pela questão do poder, que tenderá a acompanhar o agressor.
O que leva uma criança ou adolescente a praticar o bullying? Nos estudos com que me envolvi, identificou-se que 80% dos agressores eram vítimas de violência em casa ou na própria escola. Eles reproduziam essa violência. Outras fontes apontadas pelas pesquisas são a permissividade e a falta de imposição de limites para crianças e adolescentes, a ausência de afeto e a influência da mídia, videogames e jogos virtuais. É um equívoco dizerem que bullying é coisa da idade, que com o tempo passa, que é brincadeira ou que os alunos superam sozinhos. Estamos falando de uma forma de violência que é deliberada, intencional, que é tramada, planejada. O bullying não pode ser explicado pela insegurança da adolescência.
COMO É A VÍTIMA "Desde que a Cris** entrou no colégio, minha vida virou um inferno. Ela é a típica menina que faz sucesso só por causa da beleza e não liga nem um pouco para os sentimentos dos outros. Mesmo achando que seria impossível existir uma amizade entre a gente, tentei me aproximar, mas claro que o esforço foi em vão. A zoação começou por causa do meu cabelo, muito curto e armado. De início, eu não ligava, pensava que aquilo era apenas uma brincadeira, mas a coisa foi tomando um rumo totalmente insuportável. Primeiro, ela levou uma vassoura para a escola e apelidou o objeto com meu nome. Depois, ela fez um vodu meu e ficava mostrando para o menino do qual eu era a fim. Chegou uma hora em que não dava mais para suportar a situação. A coisa que eu mais queria na vida é sair da escola e nunca mais ter que olhar para cara da Cris. Confesso que, às vezes, tenho dó dela. Acho que daqui uns anos ela estará sozinha. Acredito que ela toma essas atitudes porque acha que se garante por ser bonita. O problema é que beleza não dura pra sempre. Humildade, sim!", Priscila**, 15 anos
Identificação da vítima 1-Desinteresse pela escola; 2-Abandono dos estudos; 3-Medo da escola; 4-Marcas da intimidação; 5-Sinais de isolamento; 6- Mudança de comportamento.
COMO É A AGRESSORA "A Priscila precisa crescer. Isso que ela tem é puro complexo! Nós brincamos com todo mundo e só ela pede para parar. Duvido que exista no mundo uma turma em que ninguém zoa ninguém. Sem contar que ela exagera. Nunca fiz com que ela passasse vergonha na frente dos outros. Tenho certeza absoluta disso. Tudo o que eu falo é sem maldade nenhuma. É verdade que, às vezes, pego um pouco pesado, como quando levei a vassoura pra aula ou fiquei falando pra todo mundo do menino superfeio que ela tinha beijado. Mas vai dizer que não é engraçado? Todo mundo sempre ri e a Priscila devia fazer o mesmo em vez de ficar triste e brava. No outro colégio em que eu estudava, era exatamente a mesma coisa. Só que ninguém ficava estressando, então o pessoal pegava bem menos no pé. Na verdade, acho que a Pri devia era me agradecer! Falar sempre dela é um jeito de deixá-la mais popular. Uma vez ela pediu para que eu me colocasse no lugar dela. Eu juro que não teria problema. Sou do tipo que prefere que falem mal, mas falem de mim.", Cris**, 15 anos      
Identificação do agressor 1- Ar de superioridade; 2-Sinais suspeitos; 3-Agressividade; 4-Habilidade; 5-Dominação.
COMO É A PLATÉIA "Eu nunca achei certo o que a Cris faz com a Priscila. Não entendo por que alguém sente prazer em humilhar os outros. Na maioria das vezes, a situação é tão chata, mas tão chata que chego a ter pena da menina. Já tive que consolá-la no meio da sala quando, após uma das brincadeiras, ela começou a chorar. Até pensei em falar com a Cris, dizer que aquilo é de muito mau gosto e não tem graça nenhuma, mas é óbvio que não farei isso. Eu sei que, se eu falar alguma coisa, a zoação vai se voltar contra mim. Então, não faço bullying, mas também não colaboro para ele acabar. Acredito que seja por isso que as pessoas dão risada: para que estejam dentro do grupo que zoa os outros. Já vi várias vezes as colegas que andam com a Priscila serem zoadas só por estarem ao lado dela. Assim, ela acaba ficando sozinha. Sinceramente, acho que a Cris faz isso por inveja. Tenho certeza de que ela gostaria de ser tão inteligente e interessante quanto a Pri. O problema é que, como ela é uma pessoa bonita por fora e feia por dentro, precisa apelar para chamar a atenção.", Sandra**, 16 anos
O QUE FAZER PARA DEIXAR DE SOFRER Assim como a Pri, a vítima é zoada por causa do seu comportamento ou por algo em sua aparência. Costuma ser uma pessoa com baixa autoestima. Mesmo que disfarce, parece ter escrito na testa: "Tirem sarro de mim. Não vou revidar!" A solução do problema começa na própria pessoa. Ela é zoada por que não é descolada? Está fora do padrão? É importante se questionar se tal "problema" a incomoda. Se perceber que não, a insegurança vai diminuir. Agora, se o motivo de ser zoada a irrita, deve encará-lo com a ajuda dos pais e até de psicólogos. Mudanças físicas - como operar orelhas de abano - são até mais simples de serem resolvidas. Mas, com empenho, rola vencer problemas como timidez e complexo de inferioridade. Na escola, a vítima deve ser orientada a procurar a direção da escola e contar como se sente. Se quiser, pode chamar outra vítima de bullying para ir junto. Trata-se de um problema da escola e a solução jamais é expor a vítima.
O QUE FAZER PARA NÃO AGREDIR MAIS Lembra? A Cris começou o bullying de um jeito simples: uma piadinha, uma brincadeira com a menina da turma que tinha cabelo armado. Ela queria chamar a atenção, nem que, para isso, tivesse que ridicularizar outra pessoa. Vale a pena: a galera sempre acha engraçado! Segundo especialistas, os autores de bullying normalmente são pessoas sem noção de limites. Por isso, acham que não há nada de errado em tirar sarro dos outros. Ao fazer isso, a agressora prejudica a si mesma. Além de correr o risco de ficar sem amigos (quem se arriscaria a ficar perto dela?), está tão preocupada em praticar o bullying que não presta atenção em suas notas (e pode acabar repetindo de ano). Se não entender a gravidade do que anda fazendo, vai ter problemas quando adulta. Afinal, é fácil controlar e mandar na galera da escola, mas não será sempre assim. O agressor deve receber orientação no sentido de usar sua capacidade de liderança para fazer algo legal para seus colegas e pela escola.
O QUE FAZER PARA IMPEDIR QUE ROLE Quem está na platéia sabe de toda a história. Conhece a garota que sofre de bullying, a que apavora a outra e os motivos disso. Pode até dar risada da tiração de sarro. Mas, no fundo, tem dó da vítima porque se coloca no lugar dela. Só que morre de medo de ser a próxima a ter um alvo nas costas e, por isso, prefere não fazer nada. A atitude parece esperta! Só que as testemunhas têm um papel decisivo para que a zoação maldosa não aconteça mais na escola. Justamente por ser a pessoa menos envolvida, é ela que deveria ter mais coragem de dizer a uma pessoa que comete bullying o quanto ela é mala e dar um chega pra lá para que ela pare. Acredite: ao atirar a primeira pedra, quem faz parte da platéia vai ganhar a simpatia de um monte de gente, que estará ao lado dela caso passe a ser a vítima de bullying. Anonimamente, também vale denunciar o que rola para um coordenador/orientador ou professor (e cobrar que uma atitude seja tomada!).  
O LADO RUIM DA REDE   A variante de bullying que tem dado mais trabalho para escolas, pais e estudantes é o virtual, também chamado de cyberbullying. “Na faixa dos 13, 14 anos, a mais crítica de todas, é freqüente o desrespeito pela internet. Os alunos criam comunidades no Orkut, entram de forma anônima ou não e falam mal de outros”, diz Fábio Aidar, vice-diretor-geral do colégio do Santa Cruz, em São Paulo. “Para prevenir, fazemos um trabalho verbal, orientando os alunos para o bom uso da internet e lembrando a importância do respeito ao próximo.”
De modo geral, os colégios particulares vetam o uso de celular em sala de aula - o que evita que se filme alguma cena constrangedora para depois jogá-la na web, um tipo possível de cyberbulling. Em algumas instituições, ele é liberado no recreio e nos intervalos, ou quando há uma ligação importante a ser feita pelo aluno (desde que ele avise antes a direção da escola). Em algumas redes estaduais, como na do Paraná, há orientação para as escolas proibirem o celular, mas cabe a cada uma vetar concretamente ou não.
Fica sempre um pouco de perfume,  nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem  ser generosas. Judith Junqueira Vilella

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Bullying na escola

  • 1. BULLYING: O QUE É ISSO? Conceitos e dados extraídos do livro Pedagogia da Amizade , de Gabriel Chalita
  • 2. Conceito Bullying é um termo de língua inglesa ( bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder.
  • 3. Bullying: panorama Mundial O bullying é tão antigo quanto a escola. É um fenômeno de grupo, em desequilíbrio, é claro. As primeiras pesquisas surgiram a partir de 1972, na Escandinávia.
  • 4. Bullying: retrato brasileiro Uma das primeiras investigações registradas sobre o bullying no Brasil data de 1997, por Marta Canfield, professora da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Um estudo que merece destaque, foi realizado por Cleo Fante, em 2002 e 2003.
  • 5. Pesquisa brasileira A pesquisa envolveu 2 mil alunos em oito escolas das redes públicas e particular, em São José do Rio Preto, São Paulo. Revelou que 49% dos alunos estavam envolvidos com bullying: 22% como vítima, 15% agressores e 12% vítima-agressores.
  • 6. Índices sobre o bullying Uma pesquisa divulgada em fevereiro de 2009 pelo Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostrou que 66% dos alunos do ensino fundamental e médio sofreram ou cometeram agressões contra seus colegas de escola nos seis meses anteriores ao levantamento. É o chamado bullying. "Nessa forma de brincadeira inadequada, só quem brinca tem prazer", explica Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).
  • 7. O que caracteriza o bullying? Para que uma ação seja considerada bullying, ela precisa ter certas características: ● Ser repetida contra uma mesma pessoa; ● Apresentar um desequilíbrio de poder que dificulte a defesa da vítima; ● Não possuir razão aparente; ● E contar com atitudes deliberadas e que tragam prejuízo: material, físico, emocional ou de aprendizado. Há estudos sobre bullying entre alunos e professores, porém, o mais conhecido é entre alunos, apenas.
  • 8. Categorias do bullying O bullying se divide em duas categorias: ● Bullying direto : é a forma mais comum entre os agressores masculinos; ● Bullying indireto : é a forma mais comum entre mulheres e crianças, tendo como característica o isolamento social da vítima.
  • 9. Que tipo de trauma o bullying pode gerar às vítimas? A curto e longo prazo, o bullying interfere na auto-estima, na concentração, na motivação para os estudos, no rendimento escolar e nos males psicossomáticos (diarréia, febre, vômito, dor de estômago e de cabeça) da vítima. A longo prazo, a vítima pode desenvolver transtornos de ansiedade e de alimentação (bulimia, anorexia, bruxismo, alergias, depressão e ideias suicidas). Se não houver intervenção, pode haver efeitos para o resto da vida. A vítima pode ser sempre insegura. Alguns têm resiliência, o poder de resistir e superar situações difíceis, mas outros penam.
  • 10. E aos agressores? O agressor sofre, de imediato, um distanciamento dos objetivos escolares. Ele passa a ficar o tempo todo planejando o que fazer e se esforçando para manter o jogo de poder com a vítima. Aliás, ele pode ter várias vítimas, isso é o mais comum. O agressor, então, pode sofrer queda no rendimento escolar e até evasão – como ele deixa de aprender, pode ser reprovado e perder a motivação para estudar. A longo prazo, ele pode cair na delinquência e no uso ou tráfico de drogas. Além disso, pode praticar o bullying em outros ambientes, como o trabalho e a família, tendo problemas nas relações profissionais e sociais e até nos relacionamentos afetivos e amorosos – prejudicados pela questão do poder, que tenderá a acompanhar o agressor.
  • 11. O que leva uma criança ou adolescente a praticar o bullying? Nos estudos com que me envolvi, identificou-se que 80% dos agressores eram vítimas de violência em casa ou na própria escola. Eles reproduziam essa violência. Outras fontes apontadas pelas pesquisas são a permissividade e a falta de imposição de limites para crianças e adolescentes, a ausência de afeto e a influência da mídia, videogames e jogos virtuais. É um equívoco dizerem que bullying é coisa da idade, que com o tempo passa, que é brincadeira ou que os alunos superam sozinhos. Estamos falando de uma forma de violência que é deliberada, intencional, que é tramada, planejada. O bullying não pode ser explicado pela insegurança da adolescência.
  • 12. COMO É A VÍTIMA "Desde que a Cris** entrou no colégio, minha vida virou um inferno. Ela é a típica menina que faz sucesso só por causa da beleza e não liga nem um pouco para os sentimentos dos outros. Mesmo achando que seria impossível existir uma amizade entre a gente, tentei me aproximar, mas claro que o esforço foi em vão. A zoação começou por causa do meu cabelo, muito curto e armado. De início, eu não ligava, pensava que aquilo era apenas uma brincadeira, mas a coisa foi tomando um rumo totalmente insuportável. Primeiro, ela levou uma vassoura para a escola e apelidou o objeto com meu nome. Depois, ela fez um vodu meu e ficava mostrando para o menino do qual eu era a fim. Chegou uma hora em que não dava mais para suportar a situação. A coisa que eu mais queria na vida é sair da escola e nunca mais ter que olhar para cara da Cris. Confesso que, às vezes, tenho dó dela. Acho que daqui uns anos ela estará sozinha. Acredito que ela toma essas atitudes porque acha que se garante por ser bonita. O problema é que beleza não dura pra sempre. Humildade, sim!", Priscila**, 15 anos
  • 13. Identificação da vítima 1-Desinteresse pela escola; 2-Abandono dos estudos; 3-Medo da escola; 4-Marcas da intimidação; 5-Sinais de isolamento; 6- Mudança de comportamento.
  • 14. COMO É A AGRESSORA "A Priscila precisa crescer. Isso que ela tem é puro complexo! Nós brincamos com todo mundo e só ela pede para parar. Duvido que exista no mundo uma turma em que ninguém zoa ninguém. Sem contar que ela exagera. Nunca fiz com que ela passasse vergonha na frente dos outros. Tenho certeza absoluta disso. Tudo o que eu falo é sem maldade nenhuma. É verdade que, às vezes, pego um pouco pesado, como quando levei a vassoura pra aula ou fiquei falando pra todo mundo do menino superfeio que ela tinha beijado. Mas vai dizer que não é engraçado? Todo mundo sempre ri e a Priscila devia fazer o mesmo em vez de ficar triste e brava. No outro colégio em que eu estudava, era exatamente a mesma coisa. Só que ninguém ficava estressando, então o pessoal pegava bem menos no pé. Na verdade, acho que a Pri devia era me agradecer! Falar sempre dela é um jeito de deixá-la mais popular. Uma vez ela pediu para que eu me colocasse no lugar dela. Eu juro que não teria problema. Sou do tipo que prefere que falem mal, mas falem de mim.", Cris**, 15 anos      
  • 15. Identificação do agressor 1- Ar de superioridade; 2-Sinais suspeitos; 3-Agressividade; 4-Habilidade; 5-Dominação.
  • 16. COMO É A PLATÉIA "Eu nunca achei certo o que a Cris faz com a Priscila. Não entendo por que alguém sente prazer em humilhar os outros. Na maioria das vezes, a situação é tão chata, mas tão chata que chego a ter pena da menina. Já tive que consolá-la no meio da sala quando, após uma das brincadeiras, ela começou a chorar. Até pensei em falar com a Cris, dizer que aquilo é de muito mau gosto e não tem graça nenhuma, mas é óbvio que não farei isso. Eu sei que, se eu falar alguma coisa, a zoação vai se voltar contra mim. Então, não faço bullying, mas também não colaboro para ele acabar. Acredito que seja por isso que as pessoas dão risada: para que estejam dentro do grupo que zoa os outros. Já vi várias vezes as colegas que andam com a Priscila serem zoadas só por estarem ao lado dela. Assim, ela acaba ficando sozinha. Sinceramente, acho que a Cris faz isso por inveja. Tenho certeza de que ela gostaria de ser tão inteligente e interessante quanto a Pri. O problema é que, como ela é uma pessoa bonita por fora e feia por dentro, precisa apelar para chamar a atenção.", Sandra**, 16 anos
  • 17. O QUE FAZER PARA DEIXAR DE SOFRER Assim como a Pri, a vítima é zoada por causa do seu comportamento ou por algo em sua aparência. Costuma ser uma pessoa com baixa autoestima. Mesmo que disfarce, parece ter escrito na testa: "Tirem sarro de mim. Não vou revidar!" A solução do problema começa na própria pessoa. Ela é zoada por que não é descolada? Está fora do padrão? É importante se questionar se tal "problema" a incomoda. Se perceber que não, a insegurança vai diminuir. Agora, se o motivo de ser zoada a irrita, deve encará-lo com a ajuda dos pais e até de psicólogos. Mudanças físicas - como operar orelhas de abano - são até mais simples de serem resolvidas. Mas, com empenho, rola vencer problemas como timidez e complexo de inferioridade. Na escola, a vítima deve ser orientada a procurar a direção da escola e contar como se sente. Se quiser, pode chamar outra vítima de bullying para ir junto. Trata-se de um problema da escola e a solução jamais é expor a vítima.
  • 18. O QUE FAZER PARA NÃO AGREDIR MAIS Lembra? A Cris começou o bullying de um jeito simples: uma piadinha, uma brincadeira com a menina da turma que tinha cabelo armado. Ela queria chamar a atenção, nem que, para isso, tivesse que ridicularizar outra pessoa. Vale a pena: a galera sempre acha engraçado! Segundo especialistas, os autores de bullying normalmente são pessoas sem noção de limites. Por isso, acham que não há nada de errado em tirar sarro dos outros. Ao fazer isso, a agressora prejudica a si mesma. Além de correr o risco de ficar sem amigos (quem se arriscaria a ficar perto dela?), está tão preocupada em praticar o bullying que não presta atenção em suas notas (e pode acabar repetindo de ano). Se não entender a gravidade do que anda fazendo, vai ter problemas quando adulta. Afinal, é fácil controlar e mandar na galera da escola, mas não será sempre assim. O agressor deve receber orientação no sentido de usar sua capacidade de liderança para fazer algo legal para seus colegas e pela escola.
  • 19. O QUE FAZER PARA IMPEDIR QUE ROLE Quem está na platéia sabe de toda a história. Conhece a garota que sofre de bullying, a que apavora a outra e os motivos disso. Pode até dar risada da tiração de sarro. Mas, no fundo, tem dó da vítima porque se coloca no lugar dela. Só que morre de medo de ser a próxima a ter um alvo nas costas e, por isso, prefere não fazer nada. A atitude parece esperta! Só que as testemunhas têm um papel decisivo para que a zoação maldosa não aconteça mais na escola. Justamente por ser a pessoa menos envolvida, é ela que deveria ter mais coragem de dizer a uma pessoa que comete bullying o quanto ela é mala e dar um chega pra lá para que ela pare. Acredite: ao atirar a primeira pedra, quem faz parte da platéia vai ganhar a simpatia de um monte de gente, que estará ao lado dela caso passe a ser a vítima de bullying. Anonimamente, também vale denunciar o que rola para um coordenador/orientador ou professor (e cobrar que uma atitude seja tomada!).  
  • 20. O LADO RUIM DA REDE   A variante de bullying que tem dado mais trabalho para escolas, pais e estudantes é o virtual, também chamado de cyberbullying. “Na faixa dos 13, 14 anos, a mais crítica de todas, é freqüente o desrespeito pela internet. Os alunos criam comunidades no Orkut, entram de forma anônima ou não e falam mal de outros”, diz Fábio Aidar, vice-diretor-geral do colégio do Santa Cruz, em São Paulo. “Para prevenir, fazemos um trabalho verbal, orientando os alunos para o bom uso da internet e lembrando a importância do respeito ao próximo.”
  • 21. De modo geral, os colégios particulares vetam o uso de celular em sala de aula - o que evita que se filme alguma cena constrangedora para depois jogá-la na web, um tipo possível de cyberbulling. Em algumas instituições, ele é liberado no recreio e nos intervalos, ou quando há uma ligação importante a ser feita pelo aluno (desde que ele avise antes a direção da escola). Em algumas redes estaduais, como na do Paraná, há orientação para as escolas proibirem o celular, mas cabe a cada uma vetar concretamente ou não.
  • 22. Fica sempre um pouco de perfume, nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas. Judith Junqueira Vilella