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Breve História das Doenças Exantemáticas
                                                                        SAVASSI,                 WR 1;       SAVASSI,                LCM.1;           SAVASSI,                FM.2
                                                                        1Docente   da Universidade Federal de Ouro Preto; 2Discente da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais

             Trabalho realizado na Universidade Federal de Ouro Preto                                                                         Contato: wrsavassi@gmail.com
                                                                                                      >> A “variolação” envolvia a coleta de amostras (vesículas, pústulas de pus, crostas ou terra)
    Introdução: As doenças exantemáticas (DEx) são descritas desde o início da
                                                                                                      de pacientes nos quais a doença foi benigna e introduzindo-as em outras pessoas pelo nariz
humanidade. Substâncias herbais, animais, químicas na forma de                                        ou pele. Na China usava-se crostas em pó nas narinas ou pílulas a partir das pulgas de
mistura, cataplasma ou banho foram utilizados como tratamentos.                                       vacas, primeiro esboço de uma vacina oral. Na Índia, fazia-se com a aplicação de crostas ou
     Metodologia: Revisão histórica integrativa.                                                      pus de uma pessoa com varíola na pele intacta ou escarificada de uma pessoa saudável.
    Resultados e Discussão:                                                                              Edward Jenner (1749-1823) pesquisou a proteção da varíola bovina (cowpox)
    1. A antiguidade: “exantemática” deriva do substantivo grego exanthemata e                        contra a doença humana. Em 1796, Sarah Nelmes desenvolveu varíola bovina
verbo antigo exantho, que significa “florescer”. O papiro Ebers (1600 aC) revela                      por contato com uma vaca e Jenner extraiu o líquido pustular e inoculou um
tratamentos dermatológicos egípcios para picadas, úlceras, tumores de pele, sarna e                   menino saudável. Seis semanas depois, Jenner “variolou” a criança, e não
alopecia areata. Os agentes utilizados pelos egípcios foram babosa                                    produziu nenhuma doença, realizando novamente o procedimento alguns meses
(aloe), zimbro, hortelã e outras ervas medicinais. O enxofre desde esta época era                     depois com o mesmo resultado. Surgia a imunização de seres humanos.3,5
usado,       provavelmente      para      tratar    "coceira"   (sarna).     O     sal                   A vacinação disseminou-se: em 1800 cerca de 100.000 pessoas foram
marinho, mel, refrigerantes, e vários óleos e ceras foram aplicados sobre a                           vacinadas no mundo. Em 1805, Napoleão vacinou suas tropas com a "vacina
pele, enquanto outras de origem animal e vegetal de modo bizarro para os nossos                       jenneriana" e em 1806 os civis francês. A primeira lei de vacinação foi aprovada
padrões.1                                                                                             e a vacina tornou-se obrigatória na Baviera (1807) e Dinamarca (1810). 3,5
    Algumas das Dex fizeram parte da história de maneira dramática. A varíola afetou                   >> A varíola foi o primeiro exemplo de guerra biológica: em 1763, Sir Jeffrey
a humanidade como nenhuma outra doença, e derrubou pelo menos três impérios.2                          Amherst, comandante chefe das forças britânicas na América do Norte, sugeriu moer
    O primeiro registro de uma epidemia de DEx foi a varíola em 1350 aC na guerra                      crostas de pústulas de varíola em cobertores para distribuir entre as tribos de índios
                                                                                                       descontentes.3
egípcio-hitita, transmitida por prisioneiros egípciosa população hitita levando a seu                    4. As demais DEx: O termo "catapora" (chicken-pox) foi usado pela primeira
declínio. Numa epidemia em Atenas (430 aC), Tucídides observou que sobreviventes                      vez por Richard Morton, que em Pyretologia (1694), descrevendo uma “forma de
à Varíola se tornaram imunes. Fato reiterado pelo Rhazes na primeira descrição                        varíola chamada no vernáculo de Chick-pox” e Fuller em Exanztheniatologia
 >> Rhazes (910     De observou a transmissão morbillis e dC).3
médica da varíoladC) variolis Commentarius etda varíola,(910sua explicação sobre os                   (1730): "eu me aventurei a pensar que isto é que entre nossas mulheres anda
remanescentes não desenvolverem nova doença é a primeira teoria de imunidade adquirida.               com o nome de Catapora", e sob o nome de "cristalização", que Guido
                                                                                                      Guidi, médico de François I, chamou-o ravaglionie. A ligação entre zoster e
                                                                                                      catapora era conhecida em Yorkshire mesmo antes de demonstrada por Bokay
    A Varíola afetou também a civilização ocidental: o Império Romano (180
                                                                                                      (1892). A varicela era tratada pelos tchecos com ameixas secas na erupção e
dC), declinou com uma epidemia que matou entre 3,5 e 7 milhões de pessoas.
                                                                                                      invocação de Santa Bárbara e na Bélgica era polvilhada com farinha e fécula de
Celsus (25-30 aC a 45-50 dC) descreveu 40 doenças de pele com descrição bem
                                                                                                      batata.4
similar às doenças reconhecidas de hoje. Galeno (133-200 dC) classificou as
doenças de pele, couro cabeludo e corpo, que persistiu por 1600 anos. As doenças                         No       século     XVII,     a     escarlatina    era    conhecida     como
resultavam de desequilíbrios entre os "quatro humores” (sangue, bílis negra, bílis                    rossalia, rossaliae, sofersa, sturola, scutrutla e rosagia. Acreditava-se que
amarela e fleuma), teoria que formou o pensamento médico até o Renascimento. 2                        "escarlatina" era uma forma leve de doença, e que um caso de escarlatina
                                                                                                      transmitiria um “ligeiro ataque” a outra pessoa. Bolsas de cânfora no pescoço e
    As DEx descritas no período bizantino foram: psoríase, eczemas (exanthemata)
                                                                                                      amuletos de enxofre eram consideradas particularmente eficazes na prevenção
em partes do corpo, erupções cutâneas ulcerosas, bolhas (phlyktenae), úlceras de
                                                                                                      tanto da febre escarlatina e sarampo.4
absorção, herpes, hemorragias e úlceras reumáticas. Médicos bizantinos, falando
sobre a infância e suas doenças, descreviam os diferentes tipos de erupções                              O sarampo está relacionado a muitas crenças: desde a cura por transferência
cutâneas (exanthemata) como largas, fortes, ulceradas, os chamados vouvastika e                       da doença para animais, a remédios vegetais, animais e minerais, incluindo o
psydrakia. Havia no senso comum a prática de evitar o nome das                                        efeito curativo mágico das pedras. Também alguns Santos padroeiros na França
doenças, especialmente varíola, para não “atraí-las”.1,4                                              e Bélgica eram invocados, como S. Adelardo, S. Maginus, S. Maxime, S. Foy e
                                                                                                      S. Laurent. Outros remédios para o sarampo eram bizarros: lavar o paciente no
    No século IV dC, as erupções na pele das crianças eram atribuídas à má
                                                                                                      túmulo de um homem assassinado e voltar por um caminho diferente, a
qualidade do leite da criança. Se a doença espalhasse pelo corpo, o tratamento era
                                                                                                      abstenção de água por dez dias, flagelação com urtigas e rato assado.4
por banhos com misturas de plantas, além de uma dieta balanceada em
quantidade.6 No século VI dC já havia bastante experiência com o tratamento das                          ROLLESTON (1943)4, descrevendo exanthemata, apontava sua divisão em
DEx. A má alimentação era a causa da maioria das doenças e, também para                               quatro entidades nosológicas: varicela, varíola, sarampo e escarlatina, sem
erupções. As lesões descritas eram bolhas e úlceras, chamados vouvastika, tendo                       referência a Rubéola. Por ser uma doença leve ou sub-clínica em 50% das
ardor no corpo e urina ácida como sintomas. Os tratamentos eram vários ungüentos                      crianças, não era diferenciada do Sarampo até o fim do Século XIX.6
vegerais ou químicos, de pétalas, sementes e gesso de amido até Chumbo e                                 No início do século 20, dividiu-se didaticamente sarampo - primeira
Cádmio. No Século seguinte, usava-se até esterco de jacaré.1                                          moléstia, escarlatina - segunda, rubéola (até então “sarampo alemão”) a
    Palladios (século IX dC) mencionou que erupções generalizadas não causavam                        terceira, enquanto o eritema infeccioso e roséola infantum (atualmente exantema
desconforto ou coceira. E a "cura pela contrários", método hipocrático (século 4                      súbito), eram chamados quinta e sexta doenças.7 Deve-se atentar para a
aC), pelo uso de remédios de plantas medicinais para contrabalançar doenças do                        tradução para o português, pois a terminologia é por vezes confusa, e alguns
paciente, ou seja, um remédio “frio” curaria uma doença quente e erupções cutâneas                    autores anglicanos denominam o sarampo como Rubeola e a Rubéola como
causadas pelo frio durante o inverno, poderiam ser curadas pelo calor. 1                              Rubella.
    2. A Idade Média: Poucos avanços ocorreram na Idade Média, e os                                      Os avanços na ciência ampliaram as imunizações para outras DEx como
conhecimentos médicos grego e romano quase sumiram, sendo preservados em                              Sarampo, Rubéola e Varicela, e as campanhas de vacinação em massa da
Bizâncio e árabe. Os mestres da medicina árabe, persa e, incluindo médicos judeus                     Organização Mundial da Saúde culminaram na erradicação da Varíola no
descreveram a varíola e o sarampo. Os árabes desenvolveram tratamentos                                mundo, último caso na Somália (1977).5 No Brasil, além da erradicação da
diversificados (nem sempre eficazes) graças ao avanço da química em sua cultura.2                     Varíola, em 2000 erradicou-se o Sarampo e em 2008, a campanha “Brasil livre
                                                                                                      da Rubéola” atingiu 90% de cobertura vacinal.8
    No fim da Idade Média, médicos europeus diferenciavam doenças venéreas da
lepra e a inovação mais importante foi a instituição da enfermagem e o
desenvolvimento dos hospitais. Em Veneza (1572) Mercurialis de Pádua escreveu o
primeiro livro de dermatologia, que segue a classificação de Galeno, e
incompreensível hoje pela preocupação com os quatro humores.2
    3. Varíola no velho e novo mundo: A expansão árabe, Cruzadas e descoberta
das Índias Ocidentais, contribuíram para propagar a varíola. Colonizadores
infectados levaram a queda dos impérios asteca e inca, bem como da população da
costa oriental dos Estados Unidos. O comércio escravagista contribuiu para a
introdução nas Américas, vindos de regiões endêmicas da África.3
    No século 18, a varíola era o “monstro manchado” na Inglaterra2, e a observação                   Figura 01. Algumas Doenças exantemáticas: Varicela, Sarampo e Rubéola                (Fonte: arquivo pessoal)
de que sobreviventes da varíola tornaram-se imunes levava pessoas saudáveis a
intencionalmente se infectarem ​com material contaminado de pessoas com casos                            Conclusão: A história das DEx nos permite conhecer a origem da
brandos da doença, sendo administradas várias formas. Esse método de imunização                       vacinação, da teoria da imunidade adquirida e da guerra biológica.
foi nomeado “variolação”. A técnica chegou à Europa pelos caravaners                                     Bibliografia: 1) RAMOUTSAKI IA, DIMITRIOU, H KALMANTI, M. Exanthematic diseases of childhood in
(comerciantes que viajam em caravana). Lady Mary Montague foi responsável pela                        Byzantium. Ped Intl. (2002): v 44, p 338–340 ; 2) VALENTINE, MC. The Beginnings Of Dermatology: A Brief Review.
                                                                                                      [online] [acesso em 27/04/2011]; 3) BARQUET, N; DOMINGO, P. Smallpox: The Triumph over the Most Terrible of the
sua introdução na Inglaterra, após a desfiguração de seu rosto e morte de seu irmão.                  Ministers of Death. Ann Int Med. (1997) v 127 (81): p 635 4) ROLLESTON, JD. The Folk-Lore of the Acute
    No Novo Mundo, em 1721, Zabdiel Boylston usou a técnica de variolação na                          Exanthemata. Proc Royal Soc Med. (1942): v XXXV, p 535- 538. 5) STERN, AM; MARKEL, H. The History Of Vaccines
epidemia de Boston. Seis dos 244 habitantes inoculados (2,5%) versus 844 de 5.980                     And Immunization: Familiar Patterns, New Challenges. Health Affairs. (2005): 24(3), p 611-621; 6) VALERO, N;
                                                                                                      MALDONADO, M. Importancia del diagnóstico confirmatorio en enfermedades exantemáticas de etiología viral en
(14%) que desenvolveram a doença naturalmente morreram.3                                              el estado Zulia, Venezuela: una revisión del problema. Invest. Clin. (2006) v 47(3), p 301-310; 7) CARNEIRO

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  • 1. Breve História das Doenças Exantemáticas SAVASSI, WR 1; SAVASSI, LCM.1; SAVASSI, FM.2 1Docente da Universidade Federal de Ouro Preto; 2Discente da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais Trabalho realizado na Universidade Federal de Ouro Preto Contato: wrsavassi@gmail.com >> A “variolação” envolvia a coleta de amostras (vesículas, pústulas de pus, crostas ou terra) Introdução: As doenças exantemáticas (DEx) são descritas desde o início da de pacientes nos quais a doença foi benigna e introduzindo-as em outras pessoas pelo nariz humanidade. Substâncias herbais, animais, químicas na forma de ou pele. Na China usava-se crostas em pó nas narinas ou pílulas a partir das pulgas de mistura, cataplasma ou banho foram utilizados como tratamentos. vacas, primeiro esboço de uma vacina oral. Na Índia, fazia-se com a aplicação de crostas ou Metodologia: Revisão histórica integrativa. pus de uma pessoa com varíola na pele intacta ou escarificada de uma pessoa saudável. Resultados e Discussão: Edward Jenner (1749-1823) pesquisou a proteção da varíola bovina (cowpox) 1. A antiguidade: “exantemática” deriva do substantivo grego exanthemata e contra a doença humana. Em 1796, Sarah Nelmes desenvolveu varíola bovina verbo antigo exantho, que significa “florescer”. O papiro Ebers (1600 aC) revela por contato com uma vaca e Jenner extraiu o líquido pustular e inoculou um tratamentos dermatológicos egípcios para picadas, úlceras, tumores de pele, sarna e menino saudável. Seis semanas depois, Jenner “variolou” a criança, e não alopecia areata. Os agentes utilizados pelos egípcios foram babosa produziu nenhuma doença, realizando novamente o procedimento alguns meses (aloe), zimbro, hortelã e outras ervas medicinais. O enxofre desde esta época era depois com o mesmo resultado. Surgia a imunização de seres humanos.3,5 usado, provavelmente para tratar "coceira" (sarna). O sal A vacinação disseminou-se: em 1800 cerca de 100.000 pessoas foram marinho, mel, refrigerantes, e vários óleos e ceras foram aplicados sobre a vacinadas no mundo. Em 1805, Napoleão vacinou suas tropas com a "vacina pele, enquanto outras de origem animal e vegetal de modo bizarro para os nossos jenneriana" e em 1806 os civis francês. A primeira lei de vacinação foi aprovada padrões.1 e a vacina tornou-se obrigatória na Baviera (1807) e Dinamarca (1810). 3,5 Algumas das Dex fizeram parte da história de maneira dramática. A varíola afetou >> A varíola foi o primeiro exemplo de guerra biológica: em 1763, Sir Jeffrey a humanidade como nenhuma outra doença, e derrubou pelo menos três impérios.2 Amherst, comandante chefe das forças britânicas na América do Norte, sugeriu moer O primeiro registro de uma epidemia de DEx foi a varíola em 1350 aC na guerra crostas de pústulas de varíola em cobertores para distribuir entre as tribos de índios descontentes.3 egípcio-hitita, transmitida por prisioneiros egípciosa população hitita levando a seu 4. As demais DEx: O termo "catapora" (chicken-pox) foi usado pela primeira declínio. Numa epidemia em Atenas (430 aC), Tucídides observou que sobreviventes vez por Richard Morton, que em Pyretologia (1694), descrevendo uma “forma de à Varíola se tornaram imunes. Fato reiterado pelo Rhazes na primeira descrição varíola chamada no vernáculo de Chick-pox” e Fuller em Exanztheniatologia >> Rhazes (910 De observou a transmissão morbillis e dC).3 médica da varíoladC) variolis Commentarius etda varíola,(910sua explicação sobre os (1730): "eu me aventurei a pensar que isto é que entre nossas mulheres anda remanescentes não desenvolverem nova doença é a primeira teoria de imunidade adquirida. com o nome de Catapora", e sob o nome de "cristalização", que Guido Guidi, médico de François I, chamou-o ravaglionie. A ligação entre zoster e catapora era conhecida em Yorkshire mesmo antes de demonstrada por Bokay A Varíola afetou também a civilização ocidental: o Império Romano (180 (1892). A varicela era tratada pelos tchecos com ameixas secas na erupção e dC), declinou com uma epidemia que matou entre 3,5 e 7 milhões de pessoas. invocação de Santa Bárbara e na Bélgica era polvilhada com farinha e fécula de Celsus (25-30 aC a 45-50 dC) descreveu 40 doenças de pele com descrição bem batata.4 similar às doenças reconhecidas de hoje. Galeno (133-200 dC) classificou as doenças de pele, couro cabeludo e corpo, que persistiu por 1600 anos. As doenças No século XVII, a escarlatina era conhecida como resultavam de desequilíbrios entre os "quatro humores” (sangue, bílis negra, bílis rossalia, rossaliae, sofersa, sturola, scutrutla e rosagia. Acreditava-se que amarela e fleuma), teoria que formou o pensamento médico até o Renascimento. 2 "escarlatina" era uma forma leve de doença, e que um caso de escarlatina transmitiria um “ligeiro ataque” a outra pessoa. Bolsas de cânfora no pescoço e As DEx descritas no período bizantino foram: psoríase, eczemas (exanthemata) amuletos de enxofre eram consideradas particularmente eficazes na prevenção em partes do corpo, erupções cutâneas ulcerosas, bolhas (phlyktenae), úlceras de tanto da febre escarlatina e sarampo.4 absorção, herpes, hemorragias e úlceras reumáticas. Médicos bizantinos, falando sobre a infância e suas doenças, descreviam os diferentes tipos de erupções O sarampo está relacionado a muitas crenças: desde a cura por transferência cutâneas (exanthemata) como largas, fortes, ulceradas, os chamados vouvastika e da doença para animais, a remédios vegetais, animais e minerais, incluindo o psydrakia. Havia no senso comum a prática de evitar o nome das efeito curativo mágico das pedras. Também alguns Santos padroeiros na França doenças, especialmente varíola, para não “atraí-las”.1,4 e Bélgica eram invocados, como S. Adelardo, S. Maginus, S. Maxime, S. Foy e S. Laurent. Outros remédios para o sarampo eram bizarros: lavar o paciente no No século IV dC, as erupções na pele das crianças eram atribuídas à má túmulo de um homem assassinado e voltar por um caminho diferente, a qualidade do leite da criança. Se a doença espalhasse pelo corpo, o tratamento era abstenção de água por dez dias, flagelação com urtigas e rato assado.4 por banhos com misturas de plantas, além de uma dieta balanceada em quantidade.6 No século VI dC já havia bastante experiência com o tratamento das ROLLESTON (1943)4, descrevendo exanthemata, apontava sua divisão em DEx. A má alimentação era a causa da maioria das doenças e, também para quatro entidades nosológicas: varicela, varíola, sarampo e escarlatina, sem erupções. As lesões descritas eram bolhas e úlceras, chamados vouvastika, tendo referência a Rubéola. Por ser uma doença leve ou sub-clínica em 50% das ardor no corpo e urina ácida como sintomas. Os tratamentos eram vários ungüentos crianças, não era diferenciada do Sarampo até o fim do Século XIX.6 vegerais ou químicos, de pétalas, sementes e gesso de amido até Chumbo e No início do século 20, dividiu-se didaticamente sarampo - primeira Cádmio. No Século seguinte, usava-se até esterco de jacaré.1 moléstia, escarlatina - segunda, rubéola (até então “sarampo alemão”) a Palladios (século IX dC) mencionou que erupções generalizadas não causavam terceira, enquanto o eritema infeccioso e roséola infantum (atualmente exantema desconforto ou coceira. E a "cura pela contrários", método hipocrático (século 4 súbito), eram chamados quinta e sexta doenças.7 Deve-se atentar para a aC), pelo uso de remédios de plantas medicinais para contrabalançar doenças do tradução para o português, pois a terminologia é por vezes confusa, e alguns paciente, ou seja, um remédio “frio” curaria uma doença quente e erupções cutâneas autores anglicanos denominam o sarampo como Rubeola e a Rubéola como causadas pelo frio durante o inverno, poderiam ser curadas pelo calor. 1 Rubella. 2. A Idade Média: Poucos avanços ocorreram na Idade Média, e os Os avanços na ciência ampliaram as imunizações para outras DEx como conhecimentos médicos grego e romano quase sumiram, sendo preservados em Sarampo, Rubéola e Varicela, e as campanhas de vacinação em massa da Bizâncio e árabe. Os mestres da medicina árabe, persa e, incluindo médicos judeus Organização Mundial da Saúde culminaram na erradicação da Varíola no descreveram a varíola e o sarampo. Os árabes desenvolveram tratamentos mundo, último caso na Somália (1977).5 No Brasil, além da erradicação da diversificados (nem sempre eficazes) graças ao avanço da química em sua cultura.2 Varíola, em 2000 erradicou-se o Sarampo e em 2008, a campanha “Brasil livre da Rubéola” atingiu 90% de cobertura vacinal.8 No fim da Idade Média, médicos europeus diferenciavam doenças venéreas da lepra e a inovação mais importante foi a instituição da enfermagem e o desenvolvimento dos hospitais. Em Veneza (1572) Mercurialis de Pádua escreveu o primeiro livro de dermatologia, que segue a classificação de Galeno, e incompreensível hoje pela preocupação com os quatro humores.2 3. Varíola no velho e novo mundo: A expansão árabe, Cruzadas e descoberta das Índias Ocidentais, contribuíram para propagar a varíola. Colonizadores infectados levaram a queda dos impérios asteca e inca, bem como da população da costa oriental dos Estados Unidos. O comércio escravagista contribuiu para a introdução nas Américas, vindos de regiões endêmicas da África.3 No século 18, a varíola era o “monstro manchado” na Inglaterra2, e a observação Figura 01. Algumas Doenças exantemáticas: Varicela, Sarampo e Rubéola (Fonte: arquivo pessoal) de que sobreviventes da varíola tornaram-se imunes levava pessoas saudáveis a intencionalmente se infectarem ​com material contaminado de pessoas com casos Conclusão: A história das DEx nos permite conhecer a origem da brandos da doença, sendo administradas várias formas. Esse método de imunização vacinação, da teoria da imunidade adquirida e da guerra biológica. foi nomeado “variolação”. A técnica chegou à Europa pelos caravaners Bibliografia: 1) RAMOUTSAKI IA, DIMITRIOU, H KALMANTI, M. Exanthematic diseases of childhood in (comerciantes que viajam em caravana). Lady Mary Montague foi responsável pela Byzantium. Ped Intl. (2002): v 44, p 338–340 ; 2) VALENTINE, MC. The Beginnings Of Dermatology: A Brief Review. [online] [acesso em 27/04/2011]; 3) BARQUET, N; DOMINGO, P. Smallpox: The Triumph over the Most Terrible of the sua introdução na Inglaterra, após a desfiguração de seu rosto e morte de seu irmão. Ministers of Death. Ann Int Med. (1997) v 127 (81): p 635 4) ROLLESTON, JD. The Folk-Lore of the Acute No Novo Mundo, em 1721, Zabdiel Boylston usou a técnica de variolação na Exanthemata. Proc Royal Soc Med. (1942): v XXXV, p 535- 538. 5) STERN, AM; MARKEL, H. The History Of Vaccines epidemia de Boston. Seis dos 244 habitantes inoculados (2,5%) versus 844 de 5.980 And Immunization: Familiar Patterns, New Challenges. Health Affairs. (2005): 24(3), p 611-621; 6) VALERO, N; MALDONADO, M. Importancia del diagnóstico confirmatorio en enfermedades exantemáticas de etiología viral en (14%) que desenvolveram a doença naturalmente morreram.3 el estado Zulia, Venezuela: una revisión del problema. Invest. Clin. (2006) v 47(3), p 301-310; 7) CARNEIRO