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EDIÇÃO ESPECIAL - JANEIRO DE 2018
MÍDIA GOLPISTA
Globo comanda
julgamento de Lula
»» Emissoraéumadasprincipaisarticuladorasdo
golpe e manipula a opinião pública para pressio-
narpelacondenaçãodoex-presidente.PÁG. 10
ENTENDA
Tira dúvidas sobre o
caso Lula
»» Conheça as ilegalidades do processo, o
que será julgado no TRF4 e como a decisão
pode afetar as eleições. PÁG. 4
O Brasil se vê diante de mais uma etapa do golpe contra a democracia. O plano, conduzido pela Globo, é usar
setores do sistema judicial para condenar Lula, sem crime e sem provas, e impedir que ele seja candidato e seja
eleito presidente pelo povo brasileiro
Eleição sem
Lula é fraude
ENTREVISTA COM REQUIÃO
“O que está em jogo
é a democracia”
»» Senador comenta julgamento de Lula em
Porto Alegre e alerta que desvios da Lava Jato
dão cobertura para entrega do país. PÁG. 3
Foto:RicardoStuckert
Lula em 2018
Em agosto de 2007, no início do
julgamento da Ação Penal (AP)
470 — o “mensalão do PT” —, o
ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Ricardo Lewan-
dowski denunciou que o órgão
estava julgando com uma faca no
pescoço. Foi ainda mais enfático:
“a imprensa acuou o Supremo”.
Como, ao final do julgamento,
nenhum juiz teve a jugular corta-
da, resta-nos a conclusão óbvia
que o resultado atendeu os inte-
resses da mão criminosa que se-
gurava a faca.
O STF, para condenar sem pro-
vas, não hesitou em se expor ao
ridículo ao dar credibilidade às
bizarras afirmações, tais como:
“NãotenhoprovascontraDirceu,
mas vou condená-lo porque a li-
teratura assim me permite” (mi-
nistra Rosa Weber).
Nesse julgamento, foram cho-
cados os ovos da serpente, o aca-
EDITORIAL
salamento da grande mídia com
setores do Judiciário e do Ministé-
rio Público. A maioria dos minis-
tros do STF, em conluio com a Rede
Globo, fez desse julgamento um es-
petáculo político e midiático.
Exitosas com a AP 470, as forças
reacionárias e inimigas da demo-
cracia se sentiram aptas a dar o se-
gundo passo: promover um golpe
de Estado. Saiu de cena a AP 470 e
entrou a Operação Lava Jato, lide-
rada pelo juiz Sérgio Moro.
Afastaram do Poder Executivo a
presidenta legitimamente eleita,
Dilma Rousseff, para colocar em
seu lugar uma quadrilha de la-
drões; acabar com os direitos so-
ciais e trabalhistas; entregar as re-
servas do pré-sal e as empresas na-
cionais e estatais ao capital interna-
cional; e subordinar nossa política
externa aos interesses do governo
dos Estados Unidos.
Toda essa política de terra arrasa-
da exige uma terceira agressão ao
Estado de Direito e à Constituição
Federal: condenar, mesmo sem
provas, Lula e impedir que ele ven-
ça as eleições de 2018.
Para o golpe ter êxito, era neces-
sário o apoio da população, tarefa
que coube à Globo e à mídia a ela
subordinada.
Nenhum tucano sentou no ban-
co dos réus no tribunal do juiz
Moro. Nenhuma acusação contra a
Globo foi feita, mesmo envolvida
em casos de corrupção e de sone-
gação de impostos.
Moro não conhece limites para
perseguir petistas e, principalmen-
te, na sua cruzada para condenar
Lula. Depois de anos de investiga-
ções, não conseguiu apresentar
uma única prova da culpabilidade
do réu. Ainda mais, desconsiderou,
sistematicamente, todas as provas
que atestam a inocência de Lula.
Engana-se o Judiciário se imagi-
na que o povo não irá reagir ao
sequestro da política e ao ataque
à democracia que ele vem pro-
movendo.
Haverá a reação popular ea pri-
meira vitória será assegurar o di-
reito de Lula ser candidato à Pre-
sidência da República em 2018.
Depois, teremos a batalha de
promover um plebiscito para o
povo decidir sobre todas as me-
didas adotadas pela quadrilha
que hoje está na Presidência.
Por fim, haverá a necessidade
de reconstruir esse país sob os
alicerces de uma nova Constitui-
ção Federal, democratização da
mídia, da distribuição da riqueza
e da renda produzida, e de uma
política externa soberana, solidá-
ria e integrada à luta dos povos
do hemisfério sul.
Apequenou-se
o STF!
Esta é uma edição especial, produzida em parceria com a Frente Brasil Popular e a Frente Brasil de Juristas pela Democracia, com circulação nacional e gratuita, em janeiro de 2018 |
Jornalismo: Cristiane Sampaio, Júlia Dolce e Rafael Tatemoto | Edição: Beatriz Pasqualino e Vivian Fernandes | Jornalista responsável: Vivian Fernandes (MTB 14.245/MG)|
Artes e diagramação: José Bruno Lima e Wilcker Morais
02
#NasRedes
Moro não conhece
limites para a
perseguição
Lula ganha em todos os cenários de intenção
de votos
1º Turno
38%
Fonte: Vox Populi/Dezembro
#NasUrnas
“Não é uma questão de proteger Lula e a candidatura dele, e sim
de proteger a democracia.”#FraseDestaque
Eugênio Aragão, ex-ministro de Justiça
na menção espontânea
2º Turno
50%contra
Marina Silva
50%contra
Geraldo Alckmin
49%contra
Jair Bolsonaro
45%Na disputa com
Bolsonaro, Marina,
Alckmin e Ciro
EDIÇÃO ESPECIAL
JANEIRO DE 2018
Beto Barata /Agência Senado
Julgamento de Lula: “O que está em
jogo é a democracia”, diz Requião
O senhor lançou uma campa-
nha internacional por eleições li-
vres e justas em 2018, o que toca
diretamente o debate em torno
da possível candidatura de Lula.
Por que internacionalizar essa
luta?
Porque o que está em jogo no
Brasil é a democracia. A precariza-
ção da democracia brasileira preju-
dica a democracia no mundo. Nós
não estamos tratando apenas da
candidatura do Lula e do direito do
povo brasileiro de escolher o seu
destino econômico, social, político,
administrativo e o presidente da
República. Estamos tratando da
precarização do processo demo-
crático por conta dos interesses e
do domínio do capital financeiro
no mundo.
Falando sobre a Lava Jato, no
início dos trabalhos, o senhor foi
um dos parlamentares que fize-
ram a defesa da operação e hoje é
um dos grandes críticos dela. Em
que momento ela passou a lhe
causar desconfiança e caiu em
descrédito?
Vou mudar uma ordem na sua
pergunta: eu não sou crítico da
Lava Jato, sou crítico dos desvios da
Lava Jato e da sistemática direção
em determinado foco. Eu não diria
a você que a Lava Jato não revelou
crimes financeiros que precisavam
ser revelados, mas ela passou a se
dirigir para setores da política bra-
sileira e do empresariado que de-
fendiam interesses nacionais, e
CRISTIANE SAMPAIO
DE BRASÍLIA (DF)
A Lava Jato
está dando
cobertura para a
entrega do país
acaba servindo de biombo para
todo um processo de desnacionali-
zação do país.
A Lava Jato despende homens,
horas, milhões de reais para saber
como é que a Marisa [Marisa Letí-
cia, última esposa de Lula] com-
prou dois pedalinhos, que devem
ter custado uma ninharia. Depois
ela faz a mesma coisa, com despe-
sas ainda maiores, para saber se os
empreiteiros quiseram doar um
apartamento, que acabaram não
doando, por uma série de razões –
uma delas é que o Lula não aceitou
Em entrevista, o senador Roberto Requião (MDB-PR) ataca o que chama de
“desvios da Lava Jato” e defende Lula como a única figura política capaz de
estancar o “processo entreguista” vivido pelo país. Confira os principais trechos.
–, mas não toma nenhuma iniciati-
va quando o governo, numa medi-
da provisória, doa o pré-sal para
empresas estrangeiras.
Essa investigação da Lava Jato
está dando cobertura para a entre-
ga do país.
Sobre a mobilização em tor-
no do julgamento em 24 de ja-
neiro, o senhor tem convocado
a população a comparecer em
Porto Alegre...
É uma mobilização em torno da
democracia brasileira. É o reconhe-
cimentotambémdeque,nestemo-
mento, a figura do Lula é que viabi-
liza, pelo seu prestígio, pelas suas
políticas sociais, um corte neste
processo entreguista que o Brasil
está sofrendo. Então, a participação
dele no processo eleitoral é muito
importante.
03
TRF4 passa
caso de Lula
à frente de
sete ações
O Tribunal Regional Federal da
4ª Região (TRF4) passou o julga-
mento em segunda instância do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, no dia 24 de janeiro, à fren-
te de sete outras ações da opera-
ção Lava Jato, cujos recursos ha-
viam chegado ao tribunal antes.
O juiz revisor do tribunal em
Porto Alegre, Leandro Paulsen,
responsável por marcar as datas
do julgamento, já tem seis desses
processos em mãos. Não há uma
regra para definir a ordem cro-
nológica nesses casos, mas os ju-
ízes do TRF4 defendem que os
processos andem de acordo com
a complexidade e o ineditismo
de cada um.
A velocidade desproporcional
da tramitação para acusações
tão complexas levantou ques-
tionamentos da defesa de Lula,
que pediu a divulgação da lista
de ações do tribunal, por data.
Os advogados do ex-presidente
alegam que há interesses políti-
cos nessa velocidade, uma vez
que Lula pretende ser candida-
to à Presidência nas eleições
deste ano.
REDAÇÃO
DE SÃO PAULO (SP)
EDIÇÃO ESPECIAL
JANEIRO DE 2018
perguntas e
respostas sobre
o caso Lula
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) terá que julgar dentro da legalidade, com respeito à Constituição e aos Códigos
de legislação civil e penal e, também, terá que respeitar aquilo que já foi julgado antes. Sendo assim, a única decisão possível,
dentro da lei, é a reforma da sentença de 1° grau, revisando os excessos que levaram à condenação do ex-presidente e declarando-o
inocente. Caso a decisão do TRF4 seja também condenatória, muitos caminhos poderão ser percorridos para que a justiça seja
restabelecida e para que seja garantido o direito de Lula ser candidato à Presidência.
2.Sem crime, sem provas, como deve agir o
TRF4?
Independentemente de qual seja o resultado do julgamento, Lula continuará a ser candidato à Presidência
da República. É importante diferenciar o julgamento em 2° grau e a impugnação da candidatura. Do
julgamento, a depender do placar, cabem recursos, embargos infringentes e recursos a tribunais superiores.
Somente no dia 15 de agosto, prazo final para que partidos registrem oficialmente as candidaturas, é que
começará a decorrer o prazo para a impugnação. Em resumo: a condenação não o impede de ser candidato,
de continuar a campanha como pré-candidato e nem de registrar a candidatura. Somente após decorridos
cinco dias do registro da candidatura é que os adversários poderão pedir a impugnação e o rito poderá ou
não alcançar o calendário eleitoral.
3. O que acontecerá se o TRF4
condenar Lula?
Durante todo o processo, os membros do Ministério Público e o juiz tentam demonstrar que o ex-presidente Lula seria dono do
tríplex, mas não apresentam provas. Nenhuma testemunha ouvida afirmou qualquer fato que ligue a propriedade do imóvel
a Lula, o que ficou confirmado é que ele visitou o apartamento apenas uma vez, nada mais que isso. Mas é preciso entender
que o crime não é ter um apartamento, mas receber esse apartamento como vantagem indevida por ter praticado, enquanto
funcionário público, um ato de corrupção passiva. O juiz teria que identificar o ato específico do ex-presidente Lula a partir
do qual ele receberia uma vantagem, um tríplex, mas ele não consegue identificar que ato foi esse e não tem documentos que
comprovem que o apartamento é do ex-presidente.
1. Qual é o crime do qual Lula é acusado no
caso do tríplex?
7
04
Por Frente Brasil de Juristas pela Democracia
EDIÇÃO ESPECIAL
JANEIRO DE 2018
O processo contra Lula ganha relevância indiscutível não apenas porque ele foi o presidente mais popular
da história do país como porque segue sendo o candidato com maior intenção de votos. Uma eventual
condenação do ex-presidente em segunda instância poderia permitir um processo de impugnação da
candidatura com base na Lei da Ficha Limpa, algo que poderia retirá-lo das eleições e que deflagraria
uma revolta popular diante da injusta acusação num processo corrompido por ilegalidades e nulidades.
Mas seja qual for o resultado do julgamento do TRF4, se dentro ou fora da legalidade, fato é que há razão
ao afirmar que Lula continuará a ser candidato, pois além dos recursos cabíveis perante o TRF4 e os
tribunais superiores, ainda há o rito previsto no Superior Tribunal Eleitoral (TSE) para que a candidatura
seja impugnada. Em resumo: o povo tem o direito de eleger Lula como chefe máximo da Nação.
5. Lula tem direito de ser candidato?
Os advogados de defesa do ex-presidente Lula denunciaram ao Comitê de Direitos Humanos da ONU abusos
ao devido processo legal, garantias também previstas no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos,
do qual o Brasil é parte. A decisão deverá sair em março de 2018. Independente da decisão, a comunidade
internacional vem se manifestando a respeito dos abusos em diversos manifestos nacionais e internacionais.
6. Estão sendo tomadas medidas internacionais para
denunciar a injustiça do processo contra Lula?
O juiz Sérgio Moro condenou Lula sem nenhuma prova, pelo contrário, a defesa apresentou provas de que Lula é inocente das
acusações. Assim, os advogados de Lula apresentaram um recurso ao TRF4 para anular a decisão. Isso porque a sentença de
Moro ignora os depoimentos de 73 testemunhas de defesa e de acusação que inocentaram Lula e só leva em conta a palavra
de dois réus que já estavam condenados e mudaram seus depoimentos originais. Após isso, esses dois réus foram premiados
por Moro com redução de penas. Moro também impediu que a defesa de Lula tivesse acesso a partes importantes do
processo, grampeou os telefones do escritório dos advogados do petista e distorceu fatos e depoimentos. Além disso, divulgou
– contra a lei – conversas telefônicas de Lula, dona Marisa Letícia e seus filhos; divulgou até telefonema com a presidenta
Dilma Rousseff. E, ainda, quando a defesa de Lula questionou as contradições da sentença, pela primeira vez, Moro
simplesmente respondeu que não era preciso provar que Lula era o proprietário do tríplex nem que a construção e reforma
do imóvel tenham sido feitas com recursos desviados da Petrobras. Ou seja, admitiu que Lula foi condenado num processo
em que não existe crime. (por Ricardo Amaral)
7. Por que a condenação de Lula tem
de ser anulada?
05
Após decorridos cinco dias do registro da candidatura, os adversários poderão solicitar a impugnação com base na Lei da Ficha
Limpa e, então, o TSE deverá realizar um rito próprio, que inclui intimação, respeito à ampla defesa, realização de audiências e
análise de provas para decidir se há razões para a impugnação. Especialistas em cálculo eleitoral entendem que, mesmo havendo
coesão nos órgãos julgadores quanto à pressa para definir o cenário eleitoral de 2018, os prazos são enxutos entre a decisão (que
o tornaria inelegível) e os recursos cabíveis e dificilmente o caso seria julgado antes de outubro. Durante todo esse tempo, Lula
deverá permanecer em campanha eleitoral.
4. E diante do Tribunal Superior Eleitoral,
como o caso segue?
EDIÇÃO ESPECIAL
JANEIRO DE 2018
Condução coercitiva: em março de 2016, Lula foi forçado
a prestar depoimento. Policiais tentaram encaminhá-lo à força
a Curitiba, mas diante da reação popular, o ex-presidente falou
em uma delegacia no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Mais de 200 conduções do tipo foram realizadas pela Lava Jato.
Confira como o processo
contra Lula foi marcado
por arbitrariedades e
incongruências
1
Vazamento de áudios: também em março
de 2016, Moro divulgou ilegalmente áudios de
grampos envolvendo Lula, seus familiares e a
então presidenta Dilma Rousseff.
2
Grampodeescritóriodeadvocacia:Moro concedeu
autorização para que as conversas telefônicas do local de
trabalho dos defensores de Lula fossem interceptadas.
3
Competência: Lula foi julgado em Curitiba
- berço das investigações sobre a Petrobras - pois
as acusações contra ele, feitas por procuradores
da República, supostamente envolveriam um
esquema de favorecimento na petroleira.
Delações: o ex-presidente foi condenado
fundamentalmente pelo conteúdo de delações de
empreiteiros acusados e condenados pela Lava Jato. Suas
versões mudaram ao longo do tempo, passando a citar Lula.
Apartamento no Guarujá: o ponto
central da acusação e da sentença é de que
Lula teria recebido um tríplex no litoral
paulista em troca de beneficiar empresas
de construção civil em contratos com a
Petrobras. O imóvel seria fruto do dinheiro
desviado.
4
5
6
O que ocorreu O que deveria ter ocorrido
O Código de Processo Penal é explícito em determinar que
conduções forçadas só podem ser realizadas após intimação
prévia que tenha sido desrespeitada. Mas Lula não havia
sido intimado ainda.
Foto: Lula Marques
A conversa entre Lula e Dilma foi gravada
após o prazo estabelecido pelo próprio Moro.
Ou seja, foi feita sem autorização. Além disso,
por ter envolvido Dilma, à época presidenta
da República, deveria ter sido submetida ao
Supremo Tribunal Federal.
As conversas entre advogados e clientes são invioláveis,
segundo a lei. Moro jamais explicou porque autorizou a
gravação. O único caso conhecido no mundo em que algo
semelhante ocorreu foi na Espanha, onde o juiz responsável
foi afastado de sua função por mais de uma década.
Nenhuma relação entre Lula e casos de
corrupção na Petrobras foi comprovada pelo
Ministério Público Federal. O caso, portanto,
sequer deveria ter sido julgado por Moro.
Pela lei, os relatos oriundos de colaborações premiadas só
podem ser usados como fundamento para sentenças se forem
acompanhados e validados por outros elementos de prova,
como documentos.
Não se apontou como o dinheiro teria sido
desviado, nem qualquer relação de Lula com
a Petrobras nesse sentido. O mais importante
é que a defesa apresentou documentos claros
no sentido de que os direitos sobre o imóvel
pertencem à Caixa Econômica Federal.
1
2
5
6
3
4
Foto: Agência Brasil
Ilegalidades
06
RAFAEL TATEMOTO
DE BRASÍLIA (DF)
da Lava Jato
EDIÇÃO ESPECIAL
JANEIRO DE 2018
07
ANÁLISE
Entenda os erros da acusação
e da sentença de Moro
A ACUSAÇÃO
A falsa acusação dos procuradores da Lava Jato dizia que Lula teria recebido, da empresa OAS Empreendimentos, um
apartamento tríplex reformado de 200 metros quadrados, na cidade de Guarujá, supostamente em troca de benefícios concedidos
à Construtora OAS (do mesmo grupo) em três contratos com a Petrobras no tempo em que ele foi presidente da República.
Por isso, Lula teria cometido crime de corrupção passiva, que ocorre quando um servidor público recebe favores em troca de
decisões (atos de ofício) e lavagem de dinheiro.
A VERDADE
1) Lula nunca foi dono do tríplex
O que diz a lei: No Direito brasileiro, a propriedade de um imóvel é reconhecida apenas por meio de uma escritura pública
registrada no cartório do Registro de Imóveis. Como esse documento não existe, o ex-presidente não é proprietário desse
imóvel. É por isso que ele não pode vender, alugar, emprestar ou se mudar para esse apartamento tríplex. Como a denúncia dos
procuradores era falsa, o juiz Sérgio Moro decidiu que Lula não é proprietário “de direito”, mas sim “proprietário de fato”. Mas,
na lei brasileira, a propriedade “de fato” só é reconhecida em casos de posse “mansa e pacífica” por muitos anos, como é o caso
dos posseiros rurais e do usucapião. No entanto, Lula nunca passou uma noite sequer no apartamento do Guarujá, só esteve lá de
visita uma vez. Assim, ele não pode ser condenado como “posseiro” do que nunca usou.
Os fatos: Em 2005, dona Marisa Letícia adquiriu, a prestações, uma cota da cooperativa habitacional Bancoop que lhe daria
direito a adquirir, no futuro, um apartamento comum em um edifício no Guarujá. Em 2009, a Bancoop transferiu este e outros
projetos para a empresa OAS Empreendimentos, num acordo aprovado pelo Ministério Público. Em 2014, quando o prédio
ficou pronto, o então presidente da OAS, Léo Pinheiro, levou Lula e dona Marisa para conhecer um tríplex no edifício, mas não
fecharam negócio, nem mesmo depois que foram feitas reformas no apartamento. Em 2015, dona Marisa pediu ressarcimento
das parcelas que havia pago na Bancoop, encerrando qualquer negociação. O imóvel sempre esteve registrado em nome da OAS
Empreendimentos e foi até dado como garantia de uma operação financeira entre a OAS e a Caixa Econômica Federal.
2) Lula nunca participou de desvios na Petrobras
O que diz a lei: O crime de corrupção do qual o ex-Presidente Lula é acusado só poderia ser cometido, segundo nossas leis,
se o ex-Presidente ocupasse um cargo na Petrobras. Em outras palavras, para que alguém seja acusado de corrupção passiva,
é preciso que seja servidor público e fique provado que ele recebeu benefícios indevidos em razão da função que ocupava,
praticando o chamado “ato de ofício”.
Os fatos: O ex-presidente Lula nunca teve função na Petrobras, e a indicação ou substituição de diretores era atribuição exclusiva
do Conselho de Administração da empresa. A lei brasileira é explícita quando diz que a corrupção passiva só é caracterizada
quando o funcionário pratica algum ato nitidamente voltado para beneficiar de forma indevida alguém, em troca de dinheiro
ou bens. Se Lula não era funcionário da Petrobras e se não assinou nenhum contrato com a empreiteira OAS, como pode ser
condenado por corrupção?
Texto baseado em artigo da Frente Brasil de Juristas pela Democracia
EDIÇÃO ESPECIAL
JANEIRO DE 2018
Juízes esbanjam salários milionários
RAFAEL TATEMOTO
DE BRASÍLIA (DF)
A questão salarial de
magistrados no Brasil é
alarmante. Boa parte
da categoria recebe aci-
ma do teto estabelecido
na Constituição, de R$
33.763,00. Isso ocorre
pois além do salário,
eles recebem verbas
complementares, como
auxílio moradia. O ce-
nário foi constatado
por um levantamento
do EstadãoDados, que
apresenta um quadro
de disseminação desses
supersalários no Judi-
ciário. O instituto indi-
ca que 98% dos magis-
trados mineiros, por
exemplo, ganham aci-
ma do teto constitucio-
nal. Já em São Paulo,
são 56%.
Segundo dados do
Conselho Nacional de
Justiça, a despesa mé-
dia com juízes no Brasil
é de R$ 47 milhões por
mês. Em âmbito nacio-
nal, três a cada quatro
juízes estaduais rece-
bem o auxílio para ha-
bitação, independente-
mente do município
onde morem.
Com altos salários, as
categorias do sistema
de Justiça são de difícil
acesso e reproduzem
desigualdades históri-
cas. De acordo com da-
dos do Conselho Nacio-
nal de Justiça (CNJ),
apenas 15% dos magis-
trados brasileiros são
negros. No rol histórico
dos chefes do TJ e do
Ministério Público de
São Paulo, não há qual-
quer negro ou mulher.
O número destas, se-
gundo Zaffalon, só pas-
sou a aumentar no Ju-
diciário paulista após
as provas de concurso
público para entrar na
carreira deixarem de
ser identificadas.
Para Armando Boito,
professor de Ciência
Política da Unicamp,
além de defenderem os
próprios interesses, no
recente cenário políti-
co promotores e juízes
passaram a ser repre-
sentantes políticos da
alta classe média. Ele
defende que a concep-
ção formulada por es-
tes setores em torno do
“combate à corrupção”
é uma necessidade ide-
ológica, cujo objetivo é
justificar sua existência
enquanto categoria, e
de seus privilégios.
“Ela [atuação] é uma
novidade da conjuntu-
ra. O Ministério Públi-
co não agia como re-
presentante [político]
da classe média antes
de 2013. Foram as cir-
cunstâncias políticas
que criaram esse fenô-
meno”, diz Boito.
O cientista político
explica esse mecanis-
mo ideológico. Para
ele, ao apontarem polí-
ticos e empresários
como corruptos - ou
seja, apropriadores de
recursos públicos -, ve-
lam o fato de que com-
põe uma categoria que
realiza o mesmo, mas
de forma legal e respal-
dada pelas instituições.
Quem é funcionário
público no Brasil só pode
ganhar até R$ 33 mil de
salário, por lei. Mas o
valor não inclui benefícios
e indenizações, o que gera
supersalários, como no
caso do Judiciário
R$ 47,7 mil
Gasto médio com
juiz no Brasil:
O valor é 20 vezes
superior ao piso dos
professores públicos:
R$ 2.455
O valor equivale a
50 salários mínimos:
R$ 954
Fontes: CNJ, Governo Federal e Lei do Piso Salarial dos Professores
Empresas financiam
eventos luxuosos de
juízes
Em tese, o Judiciário
é imparcial. No en-
tanto, diante dos po-
sicionamentos deste
poder nos últimos
tempos, o debate em
torno do tema vem
crescendo. Um aspec-
to que impacta essa
suposta neutralidade
é a influência do po-
der econômico, prin-
cipalmente por meio
de patrocínio de even-
tos.
O fenômeno é criti-
cado por juristas, que
o classificam como
uma forma de “captu-
ra corporativa”. “Pen-
sando no Judiciário
dentro de parâmetros
republicanos, não
deve haver patrocí-
nio, porque ainda que
o processo de capta-
ção ideológica não
seja simples, ele pode
acontecer paulatina-
mente”, avalia Laura
Rodrigues Benda, pre-
sidenta da Associação
de Juízes para a De-
mocracia (AJD) e juíza
do trabalho.
Em 2013, o Conselho
Nacional de Justiça
(CNJ) aprovou uma re-
solução limitando a
30% a doação de em-
presas a eventos reali-
zados por instituições
ligadas ao Judiciário.
O órgão recuou depois
de juízes pedirem a
suspensão da medida
no Supremo Tribunal
Federal (STF).
De acordo com Ma-
ria Eugênia Trombini,
assessora jurídica na
organização Terra de
Direitos, os possíveis
efeitos práticos desta
influência são eviden-
tes: “Na maioria dos
casos, os interesses
privados [de empre-
sas] são favorecidos”.
JÚLIA DOLCE
DE SÃO PAULO (SP)
08
98% dos
magistrados
de MG
ganham
acima do teto
constitucional
EDIÇÃO ESPECIAL
JANEIRO DE 2018
Lava Jato está destruindo a Petrobras
A Lava Jato anunciou ter devolvi-
do R$ 645 milhões – recuperados
por meio de investigações – à Petro-
bras. Desde o início da operação, o
total de dinheiro retornado seria de
R$ 1,5 bilhão. As cifras chamam a
atenção, mas equivalem a apenas
1% do que a estatal deixou de ga-
nhar por conta da operação.
“Em relação ao que a companhia
está reavendo, cabe dizer que, perto
do rastro de destruição da indústria
brasileira, do emprego e da nossa
soberania, esse valor que a Lava
Jato está devolvendo é basicamente
nada”, destaca o coordenador da Fe-
deração Única dos Petroleiros
(FUP), José Maria Rangel. “É preci-
so, sim, combater a corrupção, mas
sem destruir empregos, nem in-
viabilizar a indústria nacional”.
Ao ter bloqueado contratos e
impedido a continuidade de cer-
tas atividades, a Lava Jato tirou
cerca de R$ 140 bilhões da econo-
mia brasileira, apenas em 2015. A
estimativa foi feita por uma con-
sultoria que avaliou os impactos
da operação sobre a cadeia pro-
dutiva do petróleo e da constru-
ção civil. Em ambos os setores, o
investimento caiu cerca de 30%.
Em meados do ano passado, o
presidente da Confederação Na-
cional dos Metalúrgicos, Paulo
Cayres, contabilizou o impacto da
seguinteforma:“Aoperaçãopren-
deu, com provas ou sem provas,
muita gente. E o cálculo é sim-
ples: cada prisão da Lava Jato sig-
nificou 22 mil postos de trabalho
a menos”.
R$ 1 trilhão
Até 2017, a Petrobras deixou de
investir R$ 49 bilhões por conta
dos efeitos da Lava Jato. E as con-
sequências se prolongam: com o
fim da operação exclusiva no pré-
-sal e a isenção de impostos a pe-
trolíferas estrangeiras – consequ-
ências indiretas da Lava Jato –, o
Brasil deixará de arrecadar R$ 40
bilhões por ano, o equivalente a
R$ 1 trilhão em 25 anos.
A retirada da Petrobras do pré-
-sal também significa a entrega de
patrimônio nacional a estrangei-
ros. Um exemplo ocorreu em
2016, quando o campo de Carcará
– na bacia de Santos – teve a sua
participação da companhia (65%)
vendida a noruegueses por 2,5 bi-
lhões de dólares. A estimativa é de
que o local teria reservas equiva-
lentes a 26 bilhões de dólares.
Com as dificuldades impostas à
estatal petrolífera, a política de
conteúdo nacional – que estipula-
va que parte do maquinário utiliza-
do na cadeia exploratória deveria
ser fabricado no Brasil, garantindo
empregos – foi revista e, na prática,
inviabilizada.
O impacto, fruto de todo este
contexto, é visível: a indústria na-
val, que vinha se recuperando na
última década e chegou a empre-
gar 83 mil pessoas em 2014, demi-
tiu 50 mil trabalhadores nos últi-
mos três anos, deixando vazios al-
guns estaleiros antes produtivos.
RAFAEL TATEMOTO
DE BRASÍLIA (DF)
Lava Jato x Petrobras:
Promessa de recuperação:
R$ 38 bi
Recuperado até o momento:
R$ 1,5 bi
Impacto econômico negativo estimado:
R$ 140 bi
Desempregados:
4 milhões
Fonte: FUP e Consultoria GO
Efeitos da operação na estatal retiraram R$ 100 bilhões da economia brasileira
Estatal quer pagar
R$ 10 bi a investidores
estadunidenses
O ato mais recente relacionado
à Petrobras foi realizado logo no
início de 2018. A companhia, sob
nova direção desde o golpe contra
Dilma Rousseff, anunciou a pro-
posta de entregar R$ 10 bilhões
(ou US$ 2,95 bilhões) a acionistas
dos EUA em troca de encerrar os
casos judiciais que lá enfrenta. A
FUP questiona o valor e as moti-
vações do atual presidente da es-
tatal, Pedro Parente, responsável
por desenhar um novo modelo de
negócios que inclui a venda de di-
versos setores, como a Liquigás.
“Por que a Petrobras está pa-
gando um valor maior do que
aquele que ela mesma reconhe-
ceu como desviado pela corrup-
ção? O que aconteceu reforça e
fornece mais elementos que au-
mentam a percepção e geram
desconfianças sobre a possibili-
dade de existência de conflitos
de interesse e tráficos de influ-
ência na companhia e no seu
plano de privatizações”, diz nota
da federação.
A proposta de entrega de R$
10 bilhões a acionistas, cujo va-
lor é um dos maiores no históri-
co de processos nos EUA, ainda
será avaliada pela Justiça esta-
dunidense.
Novo desenho de negócios, realizado pela
presidência tucana da Petrobras, inclui a
venda de diversos setores
09
O saldo da operação
EDIÇÃO ESPECIAL
JANEIRO DE 2018
Maior empresa de comu-
nicação do Brasil, a Rede
Globo já teve sua influên-
cia questionada em diver-
sos momentos da história.
Atualmente, devido à com-
plexa conjuntura, as de-
núncias sobre o papel polí-
tico que a Globo exerce
cresceram, principalmente
sobre a perseguição ao ex-
-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
“A Globo patrocinou o
golpe e quer consolidá-lo
impedindo a candidatura
do Lula”, critica João Pedro
Stedile, da Direção Nacio-
nal do Movimento dos Tra-
balhadores Rurais Sem
Terra (MST). “Só teremos
democracia no Brasil
quando houver a democra-
tização dos meios de co-
Globo quer consolidar
o golpe impedindo
candidatura de Lula
LevantePopulardaJuventude
municação”, complementa.
A Rede Globo tem mais
da metade da audiência
entre as quatro maiores re-
des da televisão brasileira,
e nove veículos entre os 50
maiores meios de comuni-
cação do país, de acordo
com o Monitoramento de
Propriedade de Mídia, lan-
çado pelo Coletivo Intervo-
zes de Comunicação So-
cial, divulgado em outubro
de 2017.
Com o julgamento em
segunda instância de Lula
no âmbito da Operação
Lava Jato, no dia 24 de ja-
neiro, e o foco na candida-
tura do ex-presidente nas
eleições deste ano, as in-
vestidas da Globo podem
aumentar ainda mais.
Para o jornalista Paulo
Henrique Amorim, a Rede
Globo tem influenciado os
principais eventos políti-
cosdosúltimosanos,como
o impeachment de Dilma
Rousseff. No entanto, ele
acredita que o poder da
emissora não será suficien-
te para decidir as eleições
presidenciais. “Sem a Glo-
bo, não haveria golpe. Mas
com ou sem a Globo, Lula
será o presidente em 2018,
ou elegerá quem indicar”,
afirma.
Gleisi Hoffmann, sena-
dora e presidenta do Parti-
do dos Trabalhadores (PT),
avalia que a emissora ca-
rioca atua com o intuito de
criminalizar o ex-presiden-
te perante a população. “É
a Globo, todos os dias, en-
trando nas casas das pes-
soas falando que Lula é la-
drão, corrupto, chefe de
quadrilha. Isso ajudou a
formar a opinião pública e
também a pressionar o Ju-
diciário”, avalia.
DA REDAÇÃO
DE SÃO PAULO (SP)
Levante Popular da Juventude escracha a Rede Globo, no Rio de Janeiro, em 1° de abril de 2017
Cobertura na Rede Globo sobre o Lula
12h e 52min
notícias
negativas
00h
notícias
positivas
04h
notícias
consideradas
neutras
Jornal Nacional em oito meses
Fonte: UFRJ. Pesquisa referente ao período
dezembro de 2015 e agosto de 2016
Para Stedile, do MST, a democracia depende de
acabar com o oligopólio da emissora
Perguntas sobre a Globo
que o Judiciário e Ministério
Público precisam responder
- Qual o tamanho de dívida da emissora com
a Receita Federal? Onde foi parar o processo
judicial contra o grupo Globo sumido em
2017?
- Por que empresas ligadas à emissora
abriram contas bancárias em paraísos fiscais
como Bahamas e Panamá?
- Essas contas serviram para alimentar
o esquema milionário de corrupção que,
segundo denúncias, envolve a CBF e a Fifa,
e pagou propina a cartolas do futebol para
assegurar à Globo os direitos de transmissão
de campeonatos nacionais e internacionais ?
10 EDIÇÃO ESPECIAL
JANEIRO DE 2018
Milhares assinam o
manifesto “Eleição
sem Lula é fraude”
Leia na íntegra o manifesto:
A tentativa de marcar em
tempo recorde para o dia
24 de janeiro a data do jul-
gamento em segunda ins-
tância do processo de Lula
nada tem de legalidade.
Trata-se de um puro ato de
perseguição da liderança
política mais popular do
país. O recurso de recorrer
ao expediente espúrio de
intervir no processo eleito-
ral sucede porque o golpe
do Impeachment de Dilma
não gerou um regime polí-
tico de estabilidade conser-
vadora por longos anos.
O plano estratégico em
curso, depois de afastar
Dilma da Presidência da
República, retira os direi-
tos dos trabalhadores,
ameaça a previdência pú-
blica, privatiza a Petro-
bras, a Eletrobras e os ban-
cos públicos, além de
abandonar a política ex-
terna ativa e altiva.
A reforma trabalhista e o
teto de gastos não atraíram
os investimentos externos
prometidos, que poderiam
sustentar a campanha em
2018 de um governo ali-
nhado ao neoliberalismo.
Diante da impopularida-
de, esses setores não conse-
guiram construir, até o mo-
mento, uma candidatura
viável à presidência.
Lula cresce nas pesquisas
em todos os cenários de
primeiro e segundo turno e
até pode ganhar em pri-
meiro turno. O cenário de
vitória consagradora de
Lula significaria o fracasso
do golpe, possibilitaria a
abertura de um novo ciclo
político.
Por isso, a trama de im-
pedir a candidatura do
Lula vale tudo: condena-
ção no tribunal de Porto
Alegre, instituição do semi-
parlamentarismo e até
adiar as eleições. Nenhu-
ma das ações elencadas
está fora de cogitação.
Compõem o arsenal de
maldades de forças políti-
cas que não prezam a de-
mocracia.
Uma perseguição total-
mente política, que só será
derrotada no terreno da
política. Mais que um pro-
blema tático ou eleitoral,
vitória ou derrota nessa
luta terá consequências es-
tratégicas e de longo prazo.
O Brasil vive um momen-
to de encruzilhada: ou res-
tauramos os direitos so-
ciais e o Estado Democráti-
co de Direito ou seremos
derrotados e assistiremos a
definitiva implantação de
uma sociedade de capita-
lismo sem regulações, base-
ada na superexploração
dos trabalhadores. Este
tipo de sociedade requer
um Estado dotado de ins-
trumentos de Exceção para
reprimir as universidades,
os intelectuais, os trabalha-
dores, as mulheres, a ju-
ventude, os pobres, os ne-
gros. Enfim, todos os explo-
rados e oprimidos que se
levantarem contra o novo
sistema.
Assim, a questão da per-
seguição a Lula não diz
respeito somente ao PT e à
esquerda, mas a todos os
cidadãos brasileiros. Como
nunca antes em nossa ge-
ração de lutadores, o que se
encontra em jogo é o futuro
da democracia.
Eles e elas assinaram:
11
REDAÇÃO
DE SÃO PAULO (SP)
Mais de 150 mil pesso-
as, entre artistas, intelec-
tuais, lideranças de movi-
mentos populares e polí-
ticos brasileiros e interna-
cionais assinaram o ma-
nifesto “Eleição sem Lula
é fraude”.
O documento denun-
cia a perseguição política
sofrida pelo ex-presiden-
te nos processos da Ope-
ração Lava Jato.
Lançado em 19 de de-
zembro, o texto foi for-
mulado pelo Projeto Bra-
sil Nação e teve a adesão
de personalidades brasi-
leiras e estrangeiras.
O manifesto surgiu após
a decisão do Tribunal Re-
gional Federal da 4.ª Re-
gião (TRF4) de marcar para
o dia 24 de janeiro o julga-
mento de Lula na Opera-
ção Lava Jato.
Qualquer pessoa pode
assinar o documento, que
também está disponível no
site brasildefato.com.br.
EDIÇÃO ESPECIAL
JANEIRO DE 2018
Raduan Nassar
escritor
Foto:JanineMoraes/MinC
Marilena Chaui
filosofa
Foto:BobSousa
Beth Carvalho
cantora
Foto:IvonePerez
Noam Chomsky
linguista e cientista político
dos EUA
Foto:JeanBaptisteParis
Ana Cañas
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Gregório Duvivier
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José Trajano
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Lula, Mano Brown e Chico Buarque após partida de futebol em 23/12/17 durante inauguração do campo Dr. Sócrates Brasileiro, na Escola Nacional
Florestan Fernandes (ENFF), centro de formação do MST em Guararema (SP).
#FotoDestaque
Foto: Ricardo Stuckert
AGENDA DE LUTAS
DIVERSAS CIDADES PELO PAÍS
21 a 23 de janeiro
Atos em defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato
PORTO ALEGRE
22 de janeiro
9h - Conferência internacional de partidos políticos em apoio a Lula
18h - Ato de juristas em defesa da democracia
Local: Auditório da FETRAFI - Rua Cel Fernando Machado, 820, Centro Histórico
23 de janeiro
9h - Plenária de Mulheres
Local: Auditório da FETRAFI
16h - Ato com concentração na Esquina Democrática e marcha até
região do TRF4
23 e 24 de janeiro
Vigília nas proximidades do TRF4
TODAS AS CAPITAIS
24 de janeiro
Mobilizações convocadas pela Frente Brasil Popular
Uma canção para
24 de janeiro
Onde eles dizem paz,
eu digo Justiça.
Onde eles dizem Justiça,
eu digo caça.
Onde exibem convicções,
exijo provas.
Onde impõem o silêncio,
entoo canções.
Enquanto lustram
algemas,
invento caravanas.
Onde defendem mercado,
afirmo pátria.
Onde dizem casta,
respondo classe.
Onde erguem o Tribunal,
convoco a Praça.
Onde dizem ordem,
eu digo Liberdade!
Não me venham com
crepúsculos,
que chego armado de
auroras
para reacender as cinzas
do nosso vasto coração...
Brasília, estação das
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Brasil de Fato Especial

  • 1. EDIÇÃO ESPECIAL - JANEIRO DE 2018 MÍDIA GOLPISTA Globo comanda julgamento de Lula »» Emissoraéumadasprincipaisarticuladorasdo golpe e manipula a opinião pública para pressio- narpelacondenaçãodoex-presidente.PÁG. 10 ENTENDA Tira dúvidas sobre o caso Lula »» Conheça as ilegalidades do processo, o que será julgado no TRF4 e como a decisão pode afetar as eleições. PÁG. 4 O Brasil se vê diante de mais uma etapa do golpe contra a democracia. O plano, conduzido pela Globo, é usar setores do sistema judicial para condenar Lula, sem crime e sem provas, e impedir que ele seja candidato e seja eleito presidente pelo povo brasileiro Eleição sem Lula é fraude ENTREVISTA COM REQUIÃO “O que está em jogo é a democracia” »» Senador comenta julgamento de Lula em Porto Alegre e alerta que desvios da Lava Jato dão cobertura para entrega do país. PÁG. 3 Foto:RicardoStuckert
  • 2. Lula em 2018 Em agosto de 2007, no início do julgamento da Ação Penal (AP) 470 — o “mensalão do PT” —, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewan- dowski denunciou que o órgão estava julgando com uma faca no pescoço. Foi ainda mais enfático: “a imprensa acuou o Supremo”. Como, ao final do julgamento, nenhum juiz teve a jugular corta- da, resta-nos a conclusão óbvia que o resultado atendeu os inte- resses da mão criminosa que se- gurava a faca. O STF, para condenar sem pro- vas, não hesitou em se expor ao ridículo ao dar credibilidade às bizarras afirmações, tais como: “NãotenhoprovascontraDirceu, mas vou condená-lo porque a li- teratura assim me permite” (mi- nistra Rosa Weber). Nesse julgamento, foram cho- cados os ovos da serpente, o aca- EDITORIAL salamento da grande mídia com setores do Judiciário e do Ministé- rio Público. A maioria dos minis- tros do STF, em conluio com a Rede Globo, fez desse julgamento um es- petáculo político e midiático. Exitosas com a AP 470, as forças reacionárias e inimigas da demo- cracia se sentiram aptas a dar o se- gundo passo: promover um golpe de Estado. Saiu de cena a AP 470 e entrou a Operação Lava Jato, lide- rada pelo juiz Sérgio Moro. Afastaram do Poder Executivo a presidenta legitimamente eleita, Dilma Rousseff, para colocar em seu lugar uma quadrilha de la- drões; acabar com os direitos so- ciais e trabalhistas; entregar as re- servas do pré-sal e as empresas na- cionais e estatais ao capital interna- cional; e subordinar nossa política externa aos interesses do governo dos Estados Unidos. Toda essa política de terra arrasa- da exige uma terceira agressão ao Estado de Direito e à Constituição Federal: condenar, mesmo sem provas, Lula e impedir que ele ven- ça as eleições de 2018. Para o golpe ter êxito, era neces- sário o apoio da população, tarefa que coube à Globo e à mídia a ela subordinada. Nenhum tucano sentou no ban- co dos réus no tribunal do juiz Moro. Nenhuma acusação contra a Globo foi feita, mesmo envolvida em casos de corrupção e de sone- gação de impostos. Moro não conhece limites para perseguir petistas e, principalmen- te, na sua cruzada para condenar Lula. Depois de anos de investiga- ções, não conseguiu apresentar uma única prova da culpabilidade do réu. Ainda mais, desconsiderou, sistematicamente, todas as provas que atestam a inocência de Lula. Engana-se o Judiciário se imagi- na que o povo não irá reagir ao sequestro da política e ao ataque à democracia que ele vem pro- movendo. Haverá a reação popular ea pri- meira vitória será assegurar o di- reito de Lula ser candidato à Pre- sidência da República em 2018. Depois, teremos a batalha de promover um plebiscito para o povo decidir sobre todas as me- didas adotadas pela quadrilha que hoje está na Presidência. Por fim, haverá a necessidade de reconstruir esse país sob os alicerces de uma nova Constitui- ção Federal, democratização da mídia, da distribuição da riqueza e da renda produzida, e de uma política externa soberana, solidá- ria e integrada à luta dos povos do hemisfério sul. Apequenou-se o STF! Esta é uma edição especial, produzida em parceria com a Frente Brasil Popular e a Frente Brasil de Juristas pela Democracia, com circulação nacional e gratuita, em janeiro de 2018 | Jornalismo: Cristiane Sampaio, Júlia Dolce e Rafael Tatemoto | Edição: Beatriz Pasqualino e Vivian Fernandes | Jornalista responsável: Vivian Fernandes (MTB 14.245/MG)| Artes e diagramação: José Bruno Lima e Wilcker Morais 02 #NasRedes Moro não conhece limites para a perseguição Lula ganha em todos os cenários de intenção de votos 1º Turno 38% Fonte: Vox Populi/Dezembro #NasUrnas “Não é uma questão de proteger Lula e a candidatura dele, e sim de proteger a democracia.”#FraseDestaque Eugênio Aragão, ex-ministro de Justiça na menção espontânea 2º Turno 50%contra Marina Silva 50%contra Geraldo Alckmin 49%contra Jair Bolsonaro 45%Na disputa com Bolsonaro, Marina, Alckmin e Ciro EDIÇÃO ESPECIAL JANEIRO DE 2018
  • 3. Beto Barata /Agência Senado Julgamento de Lula: “O que está em jogo é a democracia”, diz Requião O senhor lançou uma campa- nha internacional por eleições li- vres e justas em 2018, o que toca diretamente o debate em torno da possível candidatura de Lula. Por que internacionalizar essa luta? Porque o que está em jogo no Brasil é a democracia. A precariza- ção da democracia brasileira preju- dica a democracia no mundo. Nós não estamos tratando apenas da candidatura do Lula e do direito do povo brasileiro de escolher o seu destino econômico, social, político, administrativo e o presidente da República. Estamos tratando da precarização do processo demo- crático por conta dos interesses e do domínio do capital financeiro no mundo. Falando sobre a Lava Jato, no início dos trabalhos, o senhor foi um dos parlamentares que fize- ram a defesa da operação e hoje é um dos grandes críticos dela. Em que momento ela passou a lhe causar desconfiança e caiu em descrédito? Vou mudar uma ordem na sua pergunta: eu não sou crítico da Lava Jato, sou crítico dos desvios da Lava Jato e da sistemática direção em determinado foco. Eu não diria a você que a Lava Jato não revelou crimes financeiros que precisavam ser revelados, mas ela passou a se dirigir para setores da política bra- sileira e do empresariado que de- fendiam interesses nacionais, e CRISTIANE SAMPAIO DE BRASÍLIA (DF) A Lava Jato está dando cobertura para a entrega do país acaba servindo de biombo para todo um processo de desnacionali- zação do país. A Lava Jato despende homens, horas, milhões de reais para saber como é que a Marisa [Marisa Letí- cia, última esposa de Lula] com- prou dois pedalinhos, que devem ter custado uma ninharia. Depois ela faz a mesma coisa, com despe- sas ainda maiores, para saber se os empreiteiros quiseram doar um apartamento, que acabaram não doando, por uma série de razões – uma delas é que o Lula não aceitou Em entrevista, o senador Roberto Requião (MDB-PR) ataca o que chama de “desvios da Lava Jato” e defende Lula como a única figura política capaz de estancar o “processo entreguista” vivido pelo país. Confira os principais trechos. –, mas não toma nenhuma iniciati- va quando o governo, numa medi- da provisória, doa o pré-sal para empresas estrangeiras. Essa investigação da Lava Jato está dando cobertura para a entre- ga do país. Sobre a mobilização em tor- no do julgamento em 24 de ja- neiro, o senhor tem convocado a população a comparecer em Porto Alegre... É uma mobilização em torno da democracia brasileira. É o reconhe- cimentotambémdeque,nestemo- mento, a figura do Lula é que viabi- liza, pelo seu prestígio, pelas suas políticas sociais, um corte neste processo entreguista que o Brasil está sofrendo. Então, a participação dele no processo eleitoral é muito importante. 03 TRF4 passa caso de Lula à frente de sete ações O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) passou o julga- mento em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 24 de janeiro, à fren- te de sete outras ações da opera- ção Lava Jato, cujos recursos ha- viam chegado ao tribunal antes. O juiz revisor do tribunal em Porto Alegre, Leandro Paulsen, responsável por marcar as datas do julgamento, já tem seis desses processos em mãos. Não há uma regra para definir a ordem cro- nológica nesses casos, mas os ju- ízes do TRF4 defendem que os processos andem de acordo com a complexidade e o ineditismo de cada um. A velocidade desproporcional da tramitação para acusações tão complexas levantou ques- tionamentos da defesa de Lula, que pediu a divulgação da lista de ações do tribunal, por data. Os advogados do ex-presidente alegam que há interesses políti- cos nessa velocidade, uma vez que Lula pretende ser candida- to à Presidência nas eleições deste ano. REDAÇÃO DE SÃO PAULO (SP) EDIÇÃO ESPECIAL JANEIRO DE 2018
  • 4. perguntas e respostas sobre o caso Lula O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) terá que julgar dentro da legalidade, com respeito à Constituição e aos Códigos de legislação civil e penal e, também, terá que respeitar aquilo que já foi julgado antes. Sendo assim, a única decisão possível, dentro da lei, é a reforma da sentença de 1° grau, revisando os excessos que levaram à condenação do ex-presidente e declarando-o inocente. Caso a decisão do TRF4 seja também condenatória, muitos caminhos poderão ser percorridos para que a justiça seja restabelecida e para que seja garantido o direito de Lula ser candidato à Presidência. 2.Sem crime, sem provas, como deve agir o TRF4? Independentemente de qual seja o resultado do julgamento, Lula continuará a ser candidato à Presidência da República. É importante diferenciar o julgamento em 2° grau e a impugnação da candidatura. Do julgamento, a depender do placar, cabem recursos, embargos infringentes e recursos a tribunais superiores. Somente no dia 15 de agosto, prazo final para que partidos registrem oficialmente as candidaturas, é que começará a decorrer o prazo para a impugnação. Em resumo: a condenação não o impede de ser candidato, de continuar a campanha como pré-candidato e nem de registrar a candidatura. Somente após decorridos cinco dias do registro da candidatura é que os adversários poderão pedir a impugnação e o rito poderá ou não alcançar o calendário eleitoral. 3. O que acontecerá se o TRF4 condenar Lula? Durante todo o processo, os membros do Ministério Público e o juiz tentam demonstrar que o ex-presidente Lula seria dono do tríplex, mas não apresentam provas. Nenhuma testemunha ouvida afirmou qualquer fato que ligue a propriedade do imóvel a Lula, o que ficou confirmado é que ele visitou o apartamento apenas uma vez, nada mais que isso. Mas é preciso entender que o crime não é ter um apartamento, mas receber esse apartamento como vantagem indevida por ter praticado, enquanto funcionário público, um ato de corrupção passiva. O juiz teria que identificar o ato específico do ex-presidente Lula a partir do qual ele receberia uma vantagem, um tríplex, mas ele não consegue identificar que ato foi esse e não tem documentos que comprovem que o apartamento é do ex-presidente. 1. Qual é o crime do qual Lula é acusado no caso do tríplex? 7 04 Por Frente Brasil de Juristas pela Democracia EDIÇÃO ESPECIAL JANEIRO DE 2018
  • 5. O processo contra Lula ganha relevância indiscutível não apenas porque ele foi o presidente mais popular da história do país como porque segue sendo o candidato com maior intenção de votos. Uma eventual condenação do ex-presidente em segunda instância poderia permitir um processo de impugnação da candidatura com base na Lei da Ficha Limpa, algo que poderia retirá-lo das eleições e que deflagraria uma revolta popular diante da injusta acusação num processo corrompido por ilegalidades e nulidades. Mas seja qual for o resultado do julgamento do TRF4, se dentro ou fora da legalidade, fato é que há razão ao afirmar que Lula continuará a ser candidato, pois além dos recursos cabíveis perante o TRF4 e os tribunais superiores, ainda há o rito previsto no Superior Tribunal Eleitoral (TSE) para que a candidatura seja impugnada. Em resumo: o povo tem o direito de eleger Lula como chefe máximo da Nação. 5. Lula tem direito de ser candidato? Os advogados de defesa do ex-presidente Lula denunciaram ao Comitê de Direitos Humanos da ONU abusos ao devido processo legal, garantias também previstas no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, do qual o Brasil é parte. A decisão deverá sair em março de 2018. Independente da decisão, a comunidade internacional vem se manifestando a respeito dos abusos em diversos manifestos nacionais e internacionais. 6. Estão sendo tomadas medidas internacionais para denunciar a injustiça do processo contra Lula? O juiz Sérgio Moro condenou Lula sem nenhuma prova, pelo contrário, a defesa apresentou provas de que Lula é inocente das acusações. Assim, os advogados de Lula apresentaram um recurso ao TRF4 para anular a decisão. Isso porque a sentença de Moro ignora os depoimentos de 73 testemunhas de defesa e de acusação que inocentaram Lula e só leva em conta a palavra de dois réus que já estavam condenados e mudaram seus depoimentos originais. Após isso, esses dois réus foram premiados por Moro com redução de penas. Moro também impediu que a defesa de Lula tivesse acesso a partes importantes do processo, grampeou os telefones do escritório dos advogados do petista e distorceu fatos e depoimentos. Além disso, divulgou – contra a lei – conversas telefônicas de Lula, dona Marisa Letícia e seus filhos; divulgou até telefonema com a presidenta Dilma Rousseff. E, ainda, quando a defesa de Lula questionou as contradições da sentença, pela primeira vez, Moro simplesmente respondeu que não era preciso provar que Lula era o proprietário do tríplex nem que a construção e reforma do imóvel tenham sido feitas com recursos desviados da Petrobras. Ou seja, admitiu que Lula foi condenado num processo em que não existe crime. (por Ricardo Amaral) 7. Por que a condenação de Lula tem de ser anulada? 05 Após decorridos cinco dias do registro da candidatura, os adversários poderão solicitar a impugnação com base na Lei da Ficha Limpa e, então, o TSE deverá realizar um rito próprio, que inclui intimação, respeito à ampla defesa, realização de audiências e análise de provas para decidir se há razões para a impugnação. Especialistas em cálculo eleitoral entendem que, mesmo havendo coesão nos órgãos julgadores quanto à pressa para definir o cenário eleitoral de 2018, os prazos são enxutos entre a decisão (que o tornaria inelegível) e os recursos cabíveis e dificilmente o caso seria julgado antes de outubro. Durante todo esse tempo, Lula deverá permanecer em campanha eleitoral. 4. E diante do Tribunal Superior Eleitoral, como o caso segue? EDIÇÃO ESPECIAL JANEIRO DE 2018
  • 6. Condução coercitiva: em março de 2016, Lula foi forçado a prestar depoimento. Policiais tentaram encaminhá-lo à força a Curitiba, mas diante da reação popular, o ex-presidente falou em uma delegacia no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Mais de 200 conduções do tipo foram realizadas pela Lava Jato. Confira como o processo contra Lula foi marcado por arbitrariedades e incongruências 1 Vazamento de áudios: também em março de 2016, Moro divulgou ilegalmente áudios de grampos envolvendo Lula, seus familiares e a então presidenta Dilma Rousseff. 2 Grampodeescritóriodeadvocacia:Moro concedeu autorização para que as conversas telefônicas do local de trabalho dos defensores de Lula fossem interceptadas. 3 Competência: Lula foi julgado em Curitiba - berço das investigações sobre a Petrobras - pois as acusações contra ele, feitas por procuradores da República, supostamente envolveriam um esquema de favorecimento na petroleira. Delações: o ex-presidente foi condenado fundamentalmente pelo conteúdo de delações de empreiteiros acusados e condenados pela Lava Jato. Suas versões mudaram ao longo do tempo, passando a citar Lula. Apartamento no Guarujá: o ponto central da acusação e da sentença é de que Lula teria recebido um tríplex no litoral paulista em troca de beneficiar empresas de construção civil em contratos com a Petrobras. O imóvel seria fruto do dinheiro desviado. 4 5 6 O que ocorreu O que deveria ter ocorrido O Código de Processo Penal é explícito em determinar que conduções forçadas só podem ser realizadas após intimação prévia que tenha sido desrespeitada. Mas Lula não havia sido intimado ainda. Foto: Lula Marques A conversa entre Lula e Dilma foi gravada após o prazo estabelecido pelo próprio Moro. Ou seja, foi feita sem autorização. Além disso, por ter envolvido Dilma, à época presidenta da República, deveria ter sido submetida ao Supremo Tribunal Federal. As conversas entre advogados e clientes são invioláveis, segundo a lei. Moro jamais explicou porque autorizou a gravação. O único caso conhecido no mundo em que algo semelhante ocorreu foi na Espanha, onde o juiz responsável foi afastado de sua função por mais de uma década. Nenhuma relação entre Lula e casos de corrupção na Petrobras foi comprovada pelo Ministério Público Federal. O caso, portanto, sequer deveria ter sido julgado por Moro. Pela lei, os relatos oriundos de colaborações premiadas só podem ser usados como fundamento para sentenças se forem acompanhados e validados por outros elementos de prova, como documentos. Não se apontou como o dinheiro teria sido desviado, nem qualquer relação de Lula com a Petrobras nesse sentido. O mais importante é que a defesa apresentou documentos claros no sentido de que os direitos sobre o imóvel pertencem à Caixa Econômica Federal. 1 2 5 6 3 4 Foto: Agência Brasil Ilegalidades 06 RAFAEL TATEMOTO DE BRASÍLIA (DF) da Lava Jato EDIÇÃO ESPECIAL JANEIRO DE 2018
  • 7. 07 ANÁLISE Entenda os erros da acusação e da sentença de Moro A ACUSAÇÃO A falsa acusação dos procuradores da Lava Jato dizia que Lula teria recebido, da empresa OAS Empreendimentos, um apartamento tríplex reformado de 200 metros quadrados, na cidade de Guarujá, supostamente em troca de benefícios concedidos à Construtora OAS (do mesmo grupo) em três contratos com a Petrobras no tempo em que ele foi presidente da República. Por isso, Lula teria cometido crime de corrupção passiva, que ocorre quando um servidor público recebe favores em troca de decisões (atos de ofício) e lavagem de dinheiro. A VERDADE 1) Lula nunca foi dono do tríplex O que diz a lei: No Direito brasileiro, a propriedade de um imóvel é reconhecida apenas por meio de uma escritura pública registrada no cartório do Registro de Imóveis. Como esse documento não existe, o ex-presidente não é proprietário desse imóvel. É por isso que ele não pode vender, alugar, emprestar ou se mudar para esse apartamento tríplex. Como a denúncia dos procuradores era falsa, o juiz Sérgio Moro decidiu que Lula não é proprietário “de direito”, mas sim “proprietário de fato”. Mas, na lei brasileira, a propriedade “de fato” só é reconhecida em casos de posse “mansa e pacífica” por muitos anos, como é o caso dos posseiros rurais e do usucapião. No entanto, Lula nunca passou uma noite sequer no apartamento do Guarujá, só esteve lá de visita uma vez. Assim, ele não pode ser condenado como “posseiro” do que nunca usou. Os fatos: Em 2005, dona Marisa Letícia adquiriu, a prestações, uma cota da cooperativa habitacional Bancoop que lhe daria direito a adquirir, no futuro, um apartamento comum em um edifício no Guarujá. Em 2009, a Bancoop transferiu este e outros projetos para a empresa OAS Empreendimentos, num acordo aprovado pelo Ministério Público. Em 2014, quando o prédio ficou pronto, o então presidente da OAS, Léo Pinheiro, levou Lula e dona Marisa para conhecer um tríplex no edifício, mas não fecharam negócio, nem mesmo depois que foram feitas reformas no apartamento. Em 2015, dona Marisa pediu ressarcimento das parcelas que havia pago na Bancoop, encerrando qualquer negociação. O imóvel sempre esteve registrado em nome da OAS Empreendimentos e foi até dado como garantia de uma operação financeira entre a OAS e a Caixa Econômica Federal. 2) Lula nunca participou de desvios na Petrobras O que diz a lei: O crime de corrupção do qual o ex-Presidente Lula é acusado só poderia ser cometido, segundo nossas leis, se o ex-Presidente ocupasse um cargo na Petrobras. Em outras palavras, para que alguém seja acusado de corrupção passiva, é preciso que seja servidor público e fique provado que ele recebeu benefícios indevidos em razão da função que ocupava, praticando o chamado “ato de ofício”. Os fatos: O ex-presidente Lula nunca teve função na Petrobras, e a indicação ou substituição de diretores era atribuição exclusiva do Conselho de Administração da empresa. A lei brasileira é explícita quando diz que a corrupção passiva só é caracterizada quando o funcionário pratica algum ato nitidamente voltado para beneficiar de forma indevida alguém, em troca de dinheiro ou bens. Se Lula não era funcionário da Petrobras e se não assinou nenhum contrato com a empreiteira OAS, como pode ser condenado por corrupção? Texto baseado em artigo da Frente Brasil de Juristas pela Democracia EDIÇÃO ESPECIAL JANEIRO DE 2018
  • 8. Juízes esbanjam salários milionários RAFAEL TATEMOTO DE BRASÍLIA (DF) A questão salarial de magistrados no Brasil é alarmante. Boa parte da categoria recebe aci- ma do teto estabelecido na Constituição, de R$ 33.763,00. Isso ocorre pois além do salário, eles recebem verbas complementares, como auxílio moradia. O ce- nário foi constatado por um levantamento do EstadãoDados, que apresenta um quadro de disseminação desses supersalários no Judi- ciário. O instituto indi- ca que 98% dos magis- trados mineiros, por exemplo, ganham aci- ma do teto constitucio- nal. Já em São Paulo, são 56%. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, a despesa mé- dia com juízes no Brasil é de R$ 47 milhões por mês. Em âmbito nacio- nal, três a cada quatro juízes estaduais rece- bem o auxílio para ha- bitação, independente- mente do município onde morem. Com altos salários, as categorias do sistema de Justiça são de difícil acesso e reproduzem desigualdades históri- cas. De acordo com da- dos do Conselho Nacio- nal de Justiça (CNJ), apenas 15% dos magis- trados brasileiros são negros. No rol histórico dos chefes do TJ e do Ministério Público de São Paulo, não há qual- quer negro ou mulher. O número destas, se- gundo Zaffalon, só pas- sou a aumentar no Ju- diciário paulista após as provas de concurso público para entrar na carreira deixarem de ser identificadas. Para Armando Boito, professor de Ciência Política da Unicamp, além de defenderem os próprios interesses, no recente cenário políti- co promotores e juízes passaram a ser repre- sentantes políticos da alta classe média. Ele defende que a concep- ção formulada por es- tes setores em torno do “combate à corrupção” é uma necessidade ide- ológica, cujo objetivo é justificar sua existência enquanto categoria, e de seus privilégios. “Ela [atuação] é uma novidade da conjuntu- ra. O Ministério Públi- co não agia como re- presentante [político] da classe média antes de 2013. Foram as cir- cunstâncias políticas que criaram esse fenô- meno”, diz Boito. O cientista político explica esse mecanis- mo ideológico. Para ele, ao apontarem polí- ticos e empresários como corruptos - ou seja, apropriadores de recursos públicos -, ve- lam o fato de que com- põe uma categoria que realiza o mesmo, mas de forma legal e respal- dada pelas instituições. Quem é funcionário público no Brasil só pode ganhar até R$ 33 mil de salário, por lei. Mas o valor não inclui benefícios e indenizações, o que gera supersalários, como no caso do Judiciário R$ 47,7 mil Gasto médio com juiz no Brasil: O valor é 20 vezes superior ao piso dos professores públicos: R$ 2.455 O valor equivale a 50 salários mínimos: R$ 954 Fontes: CNJ, Governo Federal e Lei do Piso Salarial dos Professores Empresas financiam eventos luxuosos de juízes Em tese, o Judiciário é imparcial. No en- tanto, diante dos po- sicionamentos deste poder nos últimos tempos, o debate em torno do tema vem crescendo. Um aspec- to que impacta essa suposta neutralidade é a influência do po- der econômico, prin- cipalmente por meio de patrocínio de even- tos. O fenômeno é criti- cado por juristas, que o classificam como uma forma de “captu- ra corporativa”. “Pen- sando no Judiciário dentro de parâmetros republicanos, não deve haver patrocí- nio, porque ainda que o processo de capta- ção ideológica não seja simples, ele pode acontecer paulatina- mente”, avalia Laura Rodrigues Benda, pre- sidenta da Associação de Juízes para a De- mocracia (AJD) e juíza do trabalho. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma re- solução limitando a 30% a doação de em- presas a eventos reali- zados por instituições ligadas ao Judiciário. O órgão recuou depois de juízes pedirem a suspensão da medida no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com Ma- ria Eugênia Trombini, assessora jurídica na organização Terra de Direitos, os possíveis efeitos práticos desta influência são eviden- tes: “Na maioria dos casos, os interesses privados [de empre- sas] são favorecidos”. JÚLIA DOLCE DE SÃO PAULO (SP) 08 98% dos magistrados de MG ganham acima do teto constitucional EDIÇÃO ESPECIAL JANEIRO DE 2018
  • 9. Lava Jato está destruindo a Petrobras A Lava Jato anunciou ter devolvi- do R$ 645 milhões – recuperados por meio de investigações – à Petro- bras. Desde o início da operação, o total de dinheiro retornado seria de R$ 1,5 bilhão. As cifras chamam a atenção, mas equivalem a apenas 1% do que a estatal deixou de ga- nhar por conta da operação. “Em relação ao que a companhia está reavendo, cabe dizer que, perto do rastro de destruição da indústria brasileira, do emprego e da nossa soberania, esse valor que a Lava Jato está devolvendo é basicamente nada”, destaca o coordenador da Fe- deração Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel. “É preci- so, sim, combater a corrupção, mas sem destruir empregos, nem in- viabilizar a indústria nacional”. Ao ter bloqueado contratos e impedido a continuidade de cer- tas atividades, a Lava Jato tirou cerca de R$ 140 bilhões da econo- mia brasileira, apenas em 2015. A estimativa foi feita por uma con- sultoria que avaliou os impactos da operação sobre a cadeia pro- dutiva do petróleo e da constru- ção civil. Em ambos os setores, o investimento caiu cerca de 30%. Em meados do ano passado, o presidente da Confederação Na- cional dos Metalúrgicos, Paulo Cayres, contabilizou o impacto da seguinteforma:“Aoperaçãopren- deu, com provas ou sem provas, muita gente. E o cálculo é sim- ples: cada prisão da Lava Jato sig- nificou 22 mil postos de trabalho a menos”. R$ 1 trilhão Até 2017, a Petrobras deixou de investir R$ 49 bilhões por conta dos efeitos da Lava Jato. E as con- sequências se prolongam: com o fim da operação exclusiva no pré- -sal e a isenção de impostos a pe- trolíferas estrangeiras – consequ- ências indiretas da Lava Jato –, o Brasil deixará de arrecadar R$ 40 bilhões por ano, o equivalente a R$ 1 trilhão em 25 anos. A retirada da Petrobras do pré- -sal também significa a entrega de patrimônio nacional a estrangei- ros. Um exemplo ocorreu em 2016, quando o campo de Carcará – na bacia de Santos – teve a sua participação da companhia (65%) vendida a noruegueses por 2,5 bi- lhões de dólares. A estimativa é de que o local teria reservas equiva- lentes a 26 bilhões de dólares. Com as dificuldades impostas à estatal petrolífera, a política de conteúdo nacional – que estipula- va que parte do maquinário utiliza- do na cadeia exploratória deveria ser fabricado no Brasil, garantindo empregos – foi revista e, na prática, inviabilizada. O impacto, fruto de todo este contexto, é visível: a indústria na- val, que vinha se recuperando na última década e chegou a empre- gar 83 mil pessoas em 2014, demi- tiu 50 mil trabalhadores nos últi- mos três anos, deixando vazios al- guns estaleiros antes produtivos. RAFAEL TATEMOTO DE BRASÍLIA (DF) Lava Jato x Petrobras: Promessa de recuperação: R$ 38 bi Recuperado até o momento: R$ 1,5 bi Impacto econômico negativo estimado: R$ 140 bi Desempregados: 4 milhões Fonte: FUP e Consultoria GO Efeitos da operação na estatal retiraram R$ 100 bilhões da economia brasileira Estatal quer pagar R$ 10 bi a investidores estadunidenses O ato mais recente relacionado à Petrobras foi realizado logo no início de 2018. A companhia, sob nova direção desde o golpe contra Dilma Rousseff, anunciou a pro- posta de entregar R$ 10 bilhões (ou US$ 2,95 bilhões) a acionistas dos EUA em troca de encerrar os casos judiciais que lá enfrenta. A FUP questiona o valor e as moti- vações do atual presidente da es- tatal, Pedro Parente, responsável por desenhar um novo modelo de negócios que inclui a venda de di- versos setores, como a Liquigás. “Por que a Petrobras está pa- gando um valor maior do que aquele que ela mesma reconhe- ceu como desviado pela corrup- ção? O que aconteceu reforça e fornece mais elementos que au- mentam a percepção e geram desconfianças sobre a possibili- dade de existência de conflitos de interesse e tráficos de influ- ência na companhia e no seu plano de privatizações”, diz nota da federação. A proposta de entrega de R$ 10 bilhões a acionistas, cujo va- lor é um dos maiores no históri- co de processos nos EUA, ainda será avaliada pela Justiça esta- dunidense. Novo desenho de negócios, realizado pela presidência tucana da Petrobras, inclui a venda de diversos setores 09 O saldo da operação EDIÇÃO ESPECIAL JANEIRO DE 2018
  • 10. Maior empresa de comu- nicação do Brasil, a Rede Globo já teve sua influên- cia questionada em diver- sos momentos da história. Atualmente, devido à com- plexa conjuntura, as de- núncias sobre o papel polí- tico que a Globo exerce cresceram, principalmente sobre a perseguição ao ex- -presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A Globo patrocinou o golpe e quer consolidá-lo impedindo a candidatura do Lula”, critica João Pedro Stedile, da Direção Nacio- nal do Movimento dos Tra- balhadores Rurais Sem Terra (MST). “Só teremos democracia no Brasil quando houver a democra- tização dos meios de co- Globo quer consolidar o golpe impedindo candidatura de Lula LevantePopulardaJuventude municação”, complementa. A Rede Globo tem mais da metade da audiência entre as quatro maiores re- des da televisão brasileira, e nove veículos entre os 50 maiores meios de comuni- cação do país, de acordo com o Monitoramento de Propriedade de Mídia, lan- çado pelo Coletivo Intervo- zes de Comunicação So- cial, divulgado em outubro de 2017. Com o julgamento em segunda instância de Lula no âmbito da Operação Lava Jato, no dia 24 de ja- neiro, e o foco na candida- tura do ex-presidente nas eleições deste ano, as in- vestidas da Globo podem aumentar ainda mais. Para o jornalista Paulo Henrique Amorim, a Rede Globo tem influenciado os principais eventos políti- cosdosúltimosanos,como o impeachment de Dilma Rousseff. No entanto, ele acredita que o poder da emissora não será suficien- te para decidir as eleições presidenciais. “Sem a Glo- bo, não haveria golpe. Mas com ou sem a Globo, Lula será o presidente em 2018, ou elegerá quem indicar”, afirma. Gleisi Hoffmann, sena- dora e presidenta do Parti- do dos Trabalhadores (PT), avalia que a emissora ca- rioca atua com o intuito de criminalizar o ex-presiden- te perante a população. “É a Globo, todos os dias, en- trando nas casas das pes- soas falando que Lula é la- drão, corrupto, chefe de quadrilha. Isso ajudou a formar a opinião pública e também a pressionar o Ju- diciário”, avalia. DA REDAÇÃO DE SÃO PAULO (SP) Levante Popular da Juventude escracha a Rede Globo, no Rio de Janeiro, em 1° de abril de 2017 Cobertura na Rede Globo sobre o Lula 12h e 52min notícias negativas 00h notícias positivas 04h notícias consideradas neutras Jornal Nacional em oito meses Fonte: UFRJ. Pesquisa referente ao período dezembro de 2015 e agosto de 2016 Para Stedile, do MST, a democracia depende de acabar com o oligopólio da emissora Perguntas sobre a Globo que o Judiciário e Ministério Público precisam responder - Qual o tamanho de dívida da emissora com a Receita Federal? Onde foi parar o processo judicial contra o grupo Globo sumido em 2017? - Por que empresas ligadas à emissora abriram contas bancárias em paraísos fiscais como Bahamas e Panamá? - Essas contas serviram para alimentar o esquema milionário de corrupção que, segundo denúncias, envolve a CBF e a Fifa, e pagou propina a cartolas do futebol para assegurar à Globo os direitos de transmissão de campeonatos nacionais e internacionais ? 10 EDIÇÃO ESPECIAL JANEIRO DE 2018
  • 11. Milhares assinam o manifesto “Eleição sem Lula é fraude” Leia na íntegra o manifesto: A tentativa de marcar em tempo recorde para o dia 24 de janeiro a data do jul- gamento em segunda ins- tância do processo de Lula nada tem de legalidade. Trata-se de um puro ato de perseguição da liderança política mais popular do país. O recurso de recorrer ao expediente espúrio de intervir no processo eleito- ral sucede porque o golpe do Impeachment de Dilma não gerou um regime polí- tico de estabilidade conser- vadora por longos anos. O plano estratégico em curso, depois de afastar Dilma da Presidência da República, retira os direi- tos dos trabalhadores, ameaça a previdência pú- blica, privatiza a Petro- bras, a Eletrobras e os ban- cos públicos, além de abandonar a política ex- terna ativa e altiva. A reforma trabalhista e o teto de gastos não atraíram os investimentos externos prometidos, que poderiam sustentar a campanha em 2018 de um governo ali- nhado ao neoliberalismo. Diante da impopularida- de, esses setores não conse- guiram construir, até o mo- mento, uma candidatura viável à presidência. Lula cresce nas pesquisas em todos os cenários de primeiro e segundo turno e até pode ganhar em pri- meiro turno. O cenário de vitória consagradora de Lula significaria o fracasso do golpe, possibilitaria a abertura de um novo ciclo político. Por isso, a trama de im- pedir a candidatura do Lula vale tudo: condena- ção no tribunal de Porto Alegre, instituição do semi- parlamentarismo e até adiar as eleições. Nenhu- ma das ações elencadas está fora de cogitação. Compõem o arsenal de maldades de forças políti- cas que não prezam a de- mocracia. Uma perseguição total- mente política, que só será derrotada no terreno da política. Mais que um pro- blema tático ou eleitoral, vitória ou derrota nessa luta terá consequências es- tratégicas e de longo prazo. O Brasil vive um momen- to de encruzilhada: ou res- tauramos os direitos so- ciais e o Estado Democráti- co de Direito ou seremos derrotados e assistiremos a definitiva implantação de uma sociedade de capita- lismo sem regulações, base- ada na superexploração dos trabalhadores. Este tipo de sociedade requer um Estado dotado de ins- trumentos de Exceção para reprimir as universidades, os intelectuais, os trabalha- dores, as mulheres, a ju- ventude, os pobres, os ne- gros. Enfim, todos os explo- rados e oprimidos que se levantarem contra o novo sistema. Assim, a questão da per- seguição a Lula não diz respeito somente ao PT e à esquerda, mas a todos os cidadãos brasileiros. Como nunca antes em nossa ge- ração de lutadores, o que se encontra em jogo é o futuro da democracia. Eles e elas assinaram: 11 REDAÇÃO DE SÃO PAULO (SP) Mais de 150 mil pesso- as, entre artistas, intelec- tuais, lideranças de movi- mentos populares e polí- ticos brasileiros e interna- cionais assinaram o ma- nifesto “Eleição sem Lula é fraude”. O documento denun- cia a perseguição política sofrida pelo ex-presiden- te nos processos da Ope- ração Lava Jato. Lançado em 19 de de- zembro, o texto foi for- mulado pelo Projeto Bra- sil Nação e teve a adesão de personalidades brasi- leiras e estrangeiras. O manifesto surgiu após a decisão do Tribunal Re- gional Federal da 4.ª Re- gião (TRF4) de marcar para o dia 24 de janeiro o julga- mento de Lula na Opera- ção Lava Jato. Qualquer pessoa pode assinar o documento, que também está disponível no site brasildefato.com.br. EDIÇÃO ESPECIAL JANEIRO DE 2018 Raduan Nassar escritor Foto:JanineMoraes/MinC Marilena Chaui filosofa Foto:BobSousa Beth Carvalho cantora Foto:IvonePerez Noam Chomsky linguista e cientista político dos EUA Foto:JeanBaptisteParis Ana Cañas cantora Foto:Divulgação Bete Mendes atriz Foto:MídiaNinja Gregório Duvivier ator e escritor Foto:MídiaNinja José Trajano jornalista Foto:DivulgaçãoESPN Cristina Kirchner ex-presidenta da Argentina Foto:PresidênciadaArgentina Foto:GageSkidmore Oliver Stone cineasta estadunidense
  • 12. Lula, Mano Brown e Chico Buarque após partida de futebol em 23/12/17 durante inauguração do campo Dr. Sócrates Brasileiro, na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), centro de formação do MST em Guararema (SP). #FotoDestaque Foto: Ricardo Stuckert AGENDA DE LUTAS DIVERSAS CIDADES PELO PAÍS 21 a 23 de janeiro Atos em defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato PORTO ALEGRE 22 de janeiro 9h - Conferência internacional de partidos políticos em apoio a Lula 18h - Ato de juristas em defesa da democracia Local: Auditório da FETRAFI - Rua Cel Fernando Machado, 820, Centro Histórico 23 de janeiro 9h - Plenária de Mulheres Local: Auditório da FETRAFI 16h - Ato com concentração na Esquina Democrática e marcha até região do TRF4 23 e 24 de janeiro Vigília nas proximidades do TRF4 TODAS AS CAPITAIS 24 de janeiro Mobilizações convocadas pela Frente Brasil Popular Uma canção para 24 de janeiro Onde eles dizem paz, eu digo Justiça. Onde eles dizem Justiça, eu digo caça. Onde exibem convicções, exijo provas. Onde impõem o silêncio, entoo canções. Enquanto lustram algemas, invento caravanas. Onde defendem mercado, afirmo pátria. Onde dizem casta, respondo classe. Onde erguem o Tribunal, convoco a Praça. Onde dizem ordem, eu digo Liberdade! Não me venham com crepúsculos, que chego armado de auroras para reacender as cinzas do nosso vasto coração... Brasília, estação das chuvas e do plantio, 2017. Por Pedro Tierra poesia