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Bioquímica Aplicada à Saúde
Prof. MSc. André B. da Silveira
 Unidade de Ensino 2: Carboidratos
● Seção 2.1: Conceitos e importância biológica dos
carboidratos. Monossacarídeos e dissacarídeos.
Oligossacarídeos e polissacarídeos. Glicoconjugados:
proteoglicanos, glicoproteínas e glicoesfingolipídeos.
GLICÍDIOS
 Glicobiologia - estudo dos carboidratos.
 Glicoma - conjunto de todos os carboidratos do
organismo.
 Há muitas doenças associadas ao metabolismo dos
carboidratos, como diabetes mellitus, intolerâncias
à lactose e à sacarose, doenças de armazenamento
de glicogênio e mucopolissacaridoses.
•CARBOIDRATOS (Açúcares ou glicídeos ou hidratos de
carbono) - são as biomoléculas mais abundantes no nosso planeta.
• Grande importância biológica devido suas propriedades físicas,
químicas e fisiológicas.
• Fórmula Geral: Cn(H2O)n
Classificam-se em:
MONOSSACARÍDEOS:
são os açúcares simples,
não hidrolisáveis.
DISSACARÍDEOS: são
açúcares que contém duas
moléculas de monossacarídeos.
POLISSACARÍDEOS: são
polímeros (macromoléculas)
constituídos de longas
cadeias de glicose.
CLASSIFICAÇÃO DOS CARBOIDRATOS
1- MONOSSACARÍDEOS
• Nomenclatura: sufixo “ose”.
• Contêm de 3 a 7 átomos de carbono (trioses etc.).
• Exemplos: pentoses dos ácidos nucleicos (ribose e
desoxirribose)
• Glicose é o mais importante dos três e é utilizada
pelas células como fonte imediata de energia em
forma de ATP (trifosfato de adenosina), utilizada nas
reações metabólicas.
n=5: PENTOSES
Glicose presente nas frutas
doces e sangue.
 Os monossacarídeos são compostos de função orgânica
mista do tipo polialcoolaldeído ou polialcoolcetona.
 Por isso, a depender da função orgânica presente, o
monossacarídeo pode ser classificado como aldoses e
cetoses.
 Nas aldoses, além do esqueleto carbônico, temos a
presença de dois ou mais grupos hidroxila e do grupo
aldoxila na extremidade da cadeia carbônica;
 Já nas cetoses, também encontramos dois ou mais
grupos hidroxila, além do grupo carbonila no meio
da cadeiacarbônica.
 Entre as aldoses, podemos destacar: gliceraldeído
(triose), eritrose (tetrose), ribose (pentose), arabinose
(pentose), glicose (hexose), manose (hexose) e galactose
(hexose).
 Quanto às cetoses, podem-se citar alguns exemplos,
tais como: dihidroxiacetona (triose), eritrulose (tetrose),
ribulose (pentose) e frutose (hexose).
A isomeria é um fenômeno que ocorre quando duas ou
mais substâncias diferentes possuem a mesma fórmula
molecular, mas diferentes propriedades e fórmulas
estruturais.
Essas substâncias são isômeras entre si. A palavra
“isômero” foi criada pelo cientista Jöns Jacob Berzelius
(1779–1848) e vem do grego isos, que significa “igual” ou
“mesmo” e meros, que é “parte”; significando, portanto,
“partes iguais”
Os monossacarídeos apresentam muitos carbonos
assimétricos, o que permite a formação de muitos
isômeros.
Apesar da possibilidade de vários isômeros, dois
deles têm grande importância: os enantiômeros D
e L.
 Existem dois tipos principais de isomeria:
└ a isomeria plana e a isomeria espacial.
 A isomeria espacial tem maior importância biológica,
considerando-se tanto a isomeria cis-trans (geométrica),
importante para o estudo da estrutura de ácidos graxos,
quanto a isomeria óptica, essencial para o estudo das
estruturas de aminoácidos e monossacarídeos.
 A isomeria óptica está relacionada com a capacidade
de compostos orgânicos em desviar a luz polarizada
para direita, chamados de dextrógiros (D), ou para a
esquerda, chamados de levógiros (L).
 Essa atividade óptica é resultado da assimetria das
moléculas, ou seja, dependente da presença de carbonos
assimétricos ou quirais.
 Para ser assimétrico, o carbono precisa estar
ligado a quatro grupos diferentes entre si.
 Os dois isômeros ópticos, dextrógiro (D) e levógiro (L),
também chamados de enantiômeros, são moléculas
orgânicas que são imagens no espelho uma da outra e
não são superponíveis.
 Esses enantiômeros são diferenciados pelas enzimas e
pelos ribossomos na catálise das reações químicas,
por isso, apenas as formas L-aminoácidos estão
presentes nas cadeias proteicas, bem como a forma D
dos monossacarídeos possuem importância nas vias
metabólicas que envolvem os carboidratos.
2- DISSACARÍDEOS
• São açúcares duplos, contendo duas moléculas de
monossacarídeos.
• Na grande maioria são compostos cristalinos, solúveis
em água e de sabor doce.
• Exemplos: sacarose; lactose e maltose.
Açúcar Composição Fonte
Sacarose Glicose + frutose Cana-de-açúcar
Lactose Glicose + galactose Leite
Maltose Glicose + glicose Malte
Sacarose
Lactose Maltose
Sacarose
Maltose
LIGAÇÃO GLICOSÍDICA
 A lactulose é um dissacarídeo não-absorvível formado
pela ligação química entre o carbono 1 da alfa-D-
galactose e o carbono 4 da beta-D- frutose resistente à
atividade das glicosidases do trato gastrintestinal.
 A lactulose não é um laxante, mas sim um agente
fisiológico administrado por via oral, o qual é utilizado
para tratamento de constipação e ou no reto para
encefalopatia hepática.
└ A lactulose age tornando as fezes mais moles e facilitando sua
saída; isso é feito através da retenção de água que a lactulose faz no
intestino grosso, reestabelecendo o funcionamento regular do
intestino com o acúmulo de água no bolo fecal.
 A lactulose é um dissacarídeo sintético formado por galactose
e frutose sendo que, ela não sofre ação das glicosidases
duodenais e, portanto, não é digerido, nem os seus
aminoácidos constituintes são absorvidos.
 Dessa maneira, a lactulose segue o caminho para o intestino
grosso, onde sofre a ação das bactérias da microbiota
intestinal - o metabolismo bacteriano transforma a lactulose
em ácidos graxos de cadeia curta, o que aumenta a
concentração de solutos no lúmen do intestino grosso.
 Com esse aumento da osmolaridade, a água é atraída, por
osmose, para o lúmen do intestino grosso, contribuindo para o
aumento do volume da massa fecal; com isso, ocorre uma
resposta reflexa entérica que leva a um aumento do
peristaltismo, estimulando a motilidade propulsora da massa
fecal em direção ao reto.
└ por isso a lactulose é usada como laxante em casos de constipação.
A encefalopatia hepática é a deterioração da função cerebral que ocorre em
pessoas com doença hepática grave, porque substâncias tóxicas
normalmente eliminadas pelo fígado se acumulam no sangue e chegam ao
cérebro. A encefalopatia hepática ocorre em pessoas com
doença hepática prolongada (crônica).
 A lactulose também é empregada no tratamento dos
casos de encefalopatia hepática.
 Dificuldade de transformer amônia em ureia.
 A amônia é extremamente neurotóxica e atravessa facilmente a
barreira hematoencefálica.
 Os danos neurológicos provocados por ela caracterizam o quadro de
encefalopatia.
 Entre os vários tratamentos para encefalopatia hepática,
temos o uso da lactulose.
 Nessa situação, o metabolismo bacteriano da lactulose
resulta em ácidos graxos e outros ácidos orgânicos, o que
leva à liberação de prótons para o lúmen do intestino
grosso.
 Esses prótons reagem com a amônia (NH3) produzida
pela microbiota intestinal, formando o íon amônio
(NH4
+), que possui carga positiva.
 Devido à essa carga elétrica, o íon amônio não é
lipossolúvel e não consegue atravessar a barreira
intestinal e alcançar a corrente sanguínea, dessa
maneira, a lactulose reduz a sobrecarga de amônia para
o fígado por meio da redução da absorção intestinal da
amônia produzida pela microbiota intestinal.
3- POLISSACARÍDEOS = GLICANOS
• São formadas por três ou mais moléculas (unidades)
de monossacarídeos.
AMIDO
É a substância de reserva energética dos vegetais.
É encontrado no batata, milho, sementes etc.
GLICOGÊNIO
É a substância de reserva energética dos animais e
dos fungos.
No ser humano é armazenado principalmente nas
células dos músculos e do fígado.
CELULOSE
Carboidrato de origem vegetal - é o glicídio mais
abundante da Terra.
Somente alguns fungos, bactérias e protozoários
produzem celulase - a enzima que degrada a celulose.
• Para ocorrer a digestão dos carboidratos é necessária
a ação de enzimas, isso acontece desde o instante que o
alimento entra na saliva, com a amilase salivar.
• Inicialmente há a quebra das 1ª ligações que há entre
moléculas de glicose do amido.
└ esta ação da enzima continua até o estômago.
• No intestino delgado, recomeça a ação enzimática com
a ação da amilase pancreática, a qual completa a digestão
formando: glicose, frutose e galactose (são monossa-
carídeos), os quais são absorvidos pelos enterócitos
(células do intestino delgado que têm função de quebrar
moléculas e transportá-las para os tecidos).
• Após a absorção, o fígado libera uma parte da glicose
para a corrente sanguínea e, o restante, será armaze-
nado sob a forma de glicogênio.
3- POLISSACARÍDEOS = GLICANOS
• São formadas por três ou mais moléculas (unidades)
de monossacarídeos.
QUITINA
Carboidrato de origem animal - forma a carapaça
(ou seja, o exoesqueleto) de animais artrópodes.
Ex.: aracnídeos, insetos etc.
ÁCIDO
HIALURÔNICO
Carboidrato de origem animal - presente nos
tecidos, atuando como uma “cola” que liga as células.
└ é um glicídio utilizado no tratamento de rugas, uma
vez que este preenche a derme, amenizando essas
alterações inestéticas.
*Ele também é utilizado para a viscossuplementação,
que é a aplicação intra-articular de ácido hialurônico para
o tratamento de osteoartrose, com o objetivo de melhorar
a lubrificação das articulações afetadas.
QUITINA
 O ácido hialurônico é um glicosaminoglicano encontrado
no meio extracelular e formado por repetições de
unidades formadas por N-acetil-D-glicosamina e ácido D-
glicurônico.
 Devido às cargas negativas presentes na cadeia, ele atrai
muitas moléculas de água chamada água de solvatação,
e isso confere turgidez da pele e viscosidade nas
articulações.
 Por isso, o ácido hialurônico é aplicado como preenchedor
na Saúde Estética e na viscossuplementação na
Ortopedia.
►É um polissacarídeo polianiônico sulfatado, o qual pertence à
família dos glicosaminoglicanos e à classe dos anticoagulantes.
└ é um fármaco que atua impedindo a formação de coágulos
sanguíneos (trombos).
Descoberta em 1916, a heparina é o anticoagulante mais antigo
utilizado na prática clínica.
Quando foi introduzido no mercado na década de 1930, ela foi
considerada um avanço médico monumental, dada a escassez de
alternativas que tivessem o mesmo efeito.
- ela é um glicosaminoglicano
 A heparina é um glicosaminoglicano, mas
diferentemente dos outros glicosaminoglicanos que são
extracelulares, a heparina se encontra nos grânulos de
mastócitos.
 A estrutura geral de um glicosaminoglicano é um
heteropolissacarídeo formado por repetições de
unidades dissacarídicas compostas por um
açúcar ácido e um açúcar aminado.
 No caso da heparina, o açúcar ácido é o ácido D-
glicurônico e o açúcar aminado é o N-acetil-D-
galactosamina.
 A heparina interage com a proteína antitrombina III,
aumentando a sua eficácia em inibir a trombina e
outros fatores da coagulação, por isso, a heparina é um
anticoagulante endógeno e tem aplicação na clínica.
HOMOPOLÍMEROS E HETEROPOLÍMEROS
 Os carboidratos formam o glicocálix:
O glicocálice ou glicocálix é a estrutura formada pelas porções
glicídicas de glicoproteínas e de glicoesfingolipídeos, que está
presente na parte externa da membrana plasmática.
CARBOIDRATOS GLICOCONJUGADOS E GLICOLIPÍDIOS
 GLICOCONJUGADOS: são moléculas formadas por
carboidratos e proteínas:
└ as glicoproteínas e os proteoglicanos;
a) Glicoproteínas: moléculas formadas pela associação de
um ou alguns oligossacarídeos com proteínas.
b) Proteoglicanos: moléculas formadas pela associação dos
glicosaminoglicanos com as pequenas cadeias proteicas.
 GLICOLIPÍDIOS: são moléculas formadas por
carboidratos e lipídios.
ESTRUTURA E CONSTITUIÇÃO DA
MEMBRANA PLASMÁTICA
 Os glicoesfingolipídeos presentes na membrana
plasmática das hemácias ou eritrócitos são os
determinantes dos tipos sanguíneos do sistema ABO.
 As porções oligossacarídicas desses glicoconjugados
formam os antígenos A, B e H.
 O antígeno H, presente no tipo sanguíneo O, é o
precursor dos antígenos A e B.
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