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» Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da
justiça, porque deles é o Reino dos céus (Mt 5:10).
• ”Justiça” significa a atitude justa e reta do homem para com Deus.
• O homem ”justo”, nos livros sacros, é o homem santo, o homem
crístico, o homem que realizou em alto grau o seu Eu divino pela
experiência mística manifestada na ética.
• O homem ”justo” é o homem que se guia, invariavelmente, pelos dois
grandes mandamentos, o amor de Deus e a caridade do próximo.
• Mas, será possível que alguém sofra perseguição por causa dessa
justiça, por causa da sua santidade?
• O Evangelho de Jesus está repleto de afirmações dessa natureza, e a
experiência multissecular o confirma.
• ”Por causa do meu nome sereis odiados de todos.”
• ”Arrastar-vos-ão perante reis, governadores e sinagogas; mas não vos
perturbeis! Porque o servo não está acima de seu senhor; se a mim
me perseguiram também vos hão de perseguir a vós. RODHEN
• Quando o homem pouco espiritual encontra outro
ainda menos espiritual, sente-se ele relativamente
seguro do seu plano, e tem mesmo a tendência
instintiva de fechar os olhos para as virtudes do outro, a
fim de poder brilhar mais intensamente, ele só, como
aquele fariseu, no templo em face do publicano. É que
o homem profano mede o seu valor pelo relativo
desvalor dos outros.
• Mas ai desse homem complacentemente satisfeito
consigo mesmo, se lhe aparecer alguém de maior
espiritualidade! Logo começa ele a sentir-se inseguro e
inquieto.
Em face dessa inquietação, duas atitudes seriam possíveis:
a) o vivo desejo de ser tão espiritual como o outro e o esforço
correspondente a esse desejo;
b) uma atitude de despeito e agressividade.
A primeira atitude é a dos homens humildes e sinceros;
A segunda é a dos homens orgulhosos;
Os primeiros se tornam discípulos do homem espiritual,
Os últimos se tornam seus adversários.
É doloroso para um pigmeu ver-se eclipsado por um gigante.
É desagradável para um impuro ter a seu lado um homem puro.
Se o pigmeu não sente em si a capacidade de crescer;
Se o impuro não dispõe da força de se tornar puro, declara guerra
ao gigante e ao puro.
O homem justo é perseguido por causa da sua
espiritualidade, tanto pelos indivíduos menos espirituais,
como também pelas sociedades organizadas que
necessitam de massa e tradição para sua sobrevivência;
mas, apesar de tudo, ele vive num ambiente de paz e
felicidade, porque está na ”comunhão dos santos”.
”Bem-aventurado... dele é o reino dos céus”.
O reino dos céus, porém, ”está dentro de vos”...
Trechos do Livro "O Sermão da Montanha" do Dr. Huberto Rodhen,
Em nosso mundo,
raramente acatamos o
código de justiça trazido
por Jesus, ilustrado com
os próprios exemplos.
O discípulo fiel, porém,
deve insistir na vivência
do Evangelho, ainda que
sob o peso de sacrifícios.
EADE
• Bem-aventurados os que
sofrem a perseguição
(incompreensão)
• Por amor à solidariedade, à
ordem, ao progresso e à paz;
• Reconhecendo, acima da
epiderme sensível, os sagrados
interesses da Humanidade,
servindo sem cessar ao
engrandecimento do espírito
comum, porque, assim, se
habilitam à transferência justa
para as atividades do Plano
Superior.
• EADE
• Esta bem-aventurança trata da justiça divina, não da humana.
• Haroldo Dutra Dias destaca a reencarnação como principal
instrumento dessa justiça universal.
• Em vez de punição, como no processo humano, sua base é a educação.
• Em vez de penas, a reparação.
• Voltar à vida é oportunidade de refazer o malfeito.
• Haroldo afirma ser impossível separar a justiça do amor do Pai. São a
mesma face.
• A tarefa do discípulo cristão é estar no mundo sem ser do mundo.
• Seguir as diretrizes pedagógicas do Mestre é cumprir à risca as leis de
Deus.
• No dia a dia, sofrer perseguições, acusações e incompreensões faz
parte do roteiro do discipulado.
Como Jesus reagia diante das perseguições?
• “Eu vos digo: amem os seus inimigos e orem por
seus perseguidores, para que vocês venham a ser
filhos do Pai que está nos céus, pois ele faz raiar o
sol sobre os maus e bons e derrama chuva sobre os
justos e injustos” (Mt 5,44-45).
• “Muitos são os meus adversários e os
meus perseguidores, mas eu não me
desvio da tua Lei”
• (Sl 119,157).
Paulo de Tarso, perseguido por causa dos
ensinamentos de Cristo, tinha certeza de que
a opção pelo amor causaria perseguições,
prisão e martírio, por isso escreveu à
comunidade de Coríntios (2Cor 4,8-9):
“aflitos, mas nunca derrotados; perplexos,
mas nunca desesperados; perseguidos, mas
nunca desamparados; feridos, mas nunca
destruídos”.
Na Carta aos Romanos o apóstolo aconselha
a oração pelos perseguidores:
“abençoem aqueles que os perseguem;
abençoem-nos, não os amaldiçoem” (Rm
12,14).
• Num mundo de injustiças, ser neutro
ou indiferente é concordar com o
caos estabelecido.
• Os cristãos são chamados a escolher
por outro mundo possível; a lutar pela
igualdade e partilha que são formas de
manifestação do amor.
• Como ser alegre na perseguição?
• O mesmo Espírito que consolara
Paulo, hoje consola os cristãos e
aqueles que almejam uma sociedade
mais justa:
• “Por amor de Cristo, me alegro nas
fraquezas, nos insultos, nas
necessidades, nas perseguições, nas
angústias. Pois quando sou fraco, é
“- Ilustríssimo senador, sou André, filho de Gioras, operário modesto e paupérrimo, nãoobstante
numerosos membros de minha famíliaterem atribuições importantes no Templo e no exercício da Lei.
Ouso vir até vós, reclamando o meu filho Saul, preso, há três dias, por vossa ordem e remetido diretamente
para ocativeiro Perpétuo das galeras... Peç o-vos clemência e caridade na reparaçãodessa sentença de
terríveis efeitos para a estabilidade da minhacasapobre... Saul é o meu primogênito e nele deponho toda a
minha esperanç a paternal... Reconhecendo-lhe a inexperiência da vida, não venho inocentá-loda culpa,
mas apelar para a vossa clemência e magnanimidade, em face da sua ignorânciade rapaz, jurando-vos, pela
Lei, encaminhá-lodoravante pela estrada do dever austeramente cumprido...”
Publio permanece intransigente e nega o pedido de André. Há uma frase
de André de Gioras que merece a nossa atenção:
“- Mas, senhor, eu sou pai...
- Se o és, porque fizeste deteu filhoum vagabundo e um inútil?
- Não posso compreender os motivos que levaram meupobre Saul a comprometer- se dessa
maneira,mas, juro-vos que eleé obraç o-forte dos meustrabalhos de cada dia.”
A lei divina nos aconselha perdoar, a usarmos de benevolência, e quando
não o fazemos, iremos necessitar de um aprendizado, atraindo para a
nossa vida situações semelhantes, porém, em situações inversas, a fim de
que nosso espírito aprenda a conduzir-se de acordo com a vontade do Pai
Maior. Não se trata de um mero ajuste de contas, mas de um aprendizado
para que aquela ação no mal jamais se repita.
• Assim, quando Públio negou um pedido
justo de um pai sofredor, atrai para a sua vida
futura situações que lhe possibilitariam um
aprendizado sobre este fato.
• Não se trata da lei de talião (olho por olho,
dente por dente), mas de situações que
acontecerão em nossa vida em razão de
ações que praticamos e que visam nosso
aprendizado, bem como a reparação dos
males partiram de nosso querer ou de nosso
agir.
• Assim, Publio semeou...e será Nestório, sua encarnação seguinte, que
• avessará pelo momento da colheita.
• No livro 50 anos depois, conta-nos que Públio reencarna como Nestório,
agora escravo cristão. Nestório era pai de Ciro e ambos foram presos e
condenados a morte, martirizados juntamente com os cristãos de outrora.
• Não havia crime ou má conduta, a condenação era por serem cristãos.
• A noticia de que Nestório e Ciro estavam presos faz com que Helvídio vá até
a prisão falar com Nestório.
• Frisa-se que Helvidio tinha grande consideração por Nestório, fora ele quem
o libertara, acolhendo como fiel e dedicado servidor.
• Não obstante sua afeição por Nestório, odiava Ciro.
• Há um diálogo entre Helvídio e Nestório que abaixo transcrevemos:
• “- Entretanto, senhor, sou pai e, como pai, sou ainda muito humano! Não vos interesseis por mim, imprestável
e doente, para quem a condenação à morte pela causa de Jesus deve representar uma bênção divina!
• ... Mas, se vos for possível, salvai meu filho, de modo que ele viva para vos servir!.
• ... Agora, senhor, sei de todo o pretérito amargurado e doloroso e lamento o proceder de meu filho na vossa
casa de Antipátris! . . Mas peço-vos perdão para as inquietudes da sua mocidade !
• …Meu pobre Ciro obedeceu à impulsividade do coração, sem dar ouvidos ao raciocínio, com que se deveria
aconselhar, mas, na amargura destas masmorras sombrias, deu-me a sua palavra de que, se volver à liberdade,
nunca mais erguerá os olhos para a criança adorável, que é um arcanjo do céu no âmbito do vosso lar
• ... Se assim o exigirdes, senhor, Ciro podera sair de Roma para sempre, de maneira a nunca mais vos perturbar
a felicidade doméstica! .”
O mesmo pedido que outrora, em outra vida,
André de Gioras havia feito para Publio, agora,
como Nestório, era quem o fazia. Sou pai, sou
ainda muito humano... Mas o fim não precisava ser
o mesmo, Helvídio poderia ter sido clemente,
poderia ter-lhes auxiliado. Mas o orgulho falou
mais alto e o ciclo de dor prosseguiu.
Se hoje nos é possível ver este e outros retratos de
como a lei de causa e efeito age em nosso
caminhar, consequência lógica é que aceitemos o
convite de um melhor viver. Primeiramente
semeando o bem, o amor, o perdão, a todos os que
cruzem nosso caminho. De igual forma,
percebendo que determinadas situações nos
acontecem e a nós é feito o convite de resignação e
aprendizado, eis que é a lei que atraímos para as
nossas vidas que nos chama a refletir e a melhorar.
Assim, a todo mal que nos aconteça, que possamos
refletir agradecidos por não sermos mais a mão
que açoita, nem a palavra que fere.
• Emmanuel foi de grande bondade nos trazendo exemplos tão ricos de suas vidas, cabe a cada um
de nós identificarmos as situações correlatas em nossas vidas a fim de que possamos encerrar os
ciclos de dor e sofrimento através de condutas reiteradas no bem. Estamos prontos?
• Certamente, nesta hora todos pensamos que a teoria é mais fácil que a prática, e certamente o é.
Eis o motivo de nossas diversas vidas, com suas experiências reiteradas.
• O próximo passo, então, seria avançarmos um pouco e de forma corajosa verificarmos o que
ainda nos impede de seguirmos este caminho proposto pelo Cristo. Quais são os fatores que nos
impedem de termos atitudes caridosas, benevolentes para com o próximo?
• Recordemos que Públio precisava afirmar sua posição de senador, não queria sua autoridade
questionada. Eis a grande chaga, o egoísmo, o pensar em si mesmo em seu bem estar em
detrimento dos que nos cercam e cruzam nosso caminho. Qual a importância de uma afirmação de
autoridade ante a dor de um pai que clama por seu filho? Quais os valores de nossa sociedade ante
a situações semelhantes? Se pensarmos bem, não mudamos tanto assim.
• Urge que possamos refletir! Não o outro, não meu irmão, mas a mim é feito o
convite: onde o egoísmo ainda impera e ordena ações em desacordo com o
evangelho?
• Temos por hábito encerrar nossos estudos com uma reflexão de Emmanuel, e hoje
não será diferente, apenas a fonte, o local de onde retiramos o estudo será diferente,
eis que não será de uma das valorosas obras do Chico. Eis nosso benfeitor, partícipe da
codificação, a nos ensinar sobre o egoísmo. E não são letras teóricas, são palavras de
quem viveu e venceu. Para minha, para nossa reflexão, Evangelho Segundo o
Espiritismo, Cap. XI, item 11:
•O próprio Emmanuel é quem nos ensina em trecho do
livro Fonte Viva:
•“Todo dia é tempo de semear.
•Todo dia é tempo de colher.
•Não é preciso atravessar a sombra do túmulo para
encontrar a justiça, face a face.
•Nos princípios de causa e efeito, achamo-nos
incessantemente sob a orientação dela, em todos os
instantes de nossa vida.”