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Prof. Celso Napoleon
Gestão de Materiais e Logística I
Aula 04 - O papel estratégico de
Procurement e a matriz de Kraljic
Da compra operacional à gestão de portfólio e
parcerias na cadeia de suprimentos
Gestão de Materiais e Logística I · Prof. Celso Napoleon Aula 04 - O papel estratégico de Procurement e a matriz de Kraljic
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
O que você será capaz de decidir
01
Distinguir
Purchasing
transacional de
Procurement
estratégico e sua
relação com o
resultado.
02
Avaliar
Decisões de Make-
or-Buy com
competência, risco,
capacidade e TCO.
03
Classificar
Categorias pelos
eixos impacto
financeiro e risco
de suprimento.
04
Definir
Táticas, contratos e
SRM coerentes
com cada
quadrante.
ROTEIROAlavanca→Make-or-Buy→Spend Analysis→Kraljic + SRM→Caso aplicado
Uma aula orientada à decisão.
Gestão de Materiais e Logística I · Prof. Celso Napoleon Aula 04 - O papel estratégico de Procurement e a matriz de Kraljic
BLOCO I · MUDANÇA DE PARADIGMA
Procurement amplia o horizonte da compra
Dimensão Purchasing transacional Procurement estratégico
Foco Preço unitário e pedido TCO, valor e resiliência
Horizonte Curto prazo e reação Médio/longo prazo e planejamento
Fornecedor Cotação pontual Segmentação, colaboração e inovação
Desempenho Saving nominal Margem, risco, inovação e serviço
Mensagem central: Procurement integra disciplina de preço, estratégia, risco e desempenho da cadeia.
Fonte conceitual: Kraljic (1983); Bowersox et al. (2021).
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BLOCO I · EFEITO ALAVANCA
Pequenas economias podem gerar grande impacto
O Procurement conecta eficiência de compras ao resultado operacional.
GANHO ADICIONAL DEMONSTRADO
R$ 100 mil
Empresa Alfa · Receita de R$ 10,0 mi · Compras de R$ 5,0 mi · Margem operacional de 10%
Cenário A · compras
2% de saving
Redução de 2% sobre R$ 5,0 milhões em
compras = R$ 100 mil de ganho, antes de
efeitos de qualidade, serviço e resiliência.
Cenário B · vendas
R$ 1,0 mi em vendas
Com margem operacional de 10%, seriam
necessárias R$ 1,0 milhão em vendas adicionais
para gerar os mesmos R$ 100 mil.
Fórmula: vendas incrementais equivalentes = economia em compras ÷ margem operacional.
Leitura gerencial: a economia tende a melhorar diretamente o resultado operacional — e, em muitos contextos,
o EBITDA — quando o custo reduzido é reconhecido acima dessa linha e não há compensações negativas.
Saving de compras pode equivaler a vendas.
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BLOCO I · DECISÃO DE SOURCING
Make-or-Buy exige mais do que comparar preços
A escolha combina competência central, risco, capacidade e custo total.
MAKE produzir internamente
• Protege competência central e propriedade
intelectual.
• Preserva coordenação tecnológica,
qualidade e diferenciação.
• Faz sentido quando controle e
conhecimento proprietário superam o
ganho financeiro do outsourcing.
DECISÃO
Valor
Controle
Flexibilidade
BUY terceirizar
• Aproveita escala, especialização e inovação
externa.
• Converte parte da estrutura fixa em
capacidade variável.
• Faz sentido quando o fornecedor entrega
melhor TCO, capacidade e resiliência.
01 · ESTRATÉGIA
O processo sustenta vantagem competitiva
ou conhecimento proprietário?
02 · ECONOMIA
Quais custos são evitáveis, relevantes e
comparáveis no TCO?
03 · RISCO
O que acontece com qualidade,
dependência, IP e continuidade?
Nota metodológica: custo unitário isolado é insuficiente; considere custos de transação, migração, supervisão,
capacidade e custo de mudança. [1]
A melhor decisão equilibra valor, controle e flexibilidade.
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BLOCO I · MODELAGEM DE DECISÃO
O ponto de indiferença traduz o trade-off em volume
CUSTOS TOTAIS
TC
make
= FC
make
+ (VC
make
× Q)
Custo fixo interno + custo variável por unidade.
TC
buy
= FC
buy
+ [(P
buy
+ C
transação
) × Q]
Custo externo, aquisição e transação.
QUANTIDADE CRÍTICA
Q* = (FC
make
− FC
buy
) ÷ [(P
buy
+ C
transação
) −
VC
make
]
Volume no qual os custos totais se igualam.
Custo total
Volume (Q)
FC
make
FC
buy
TC
make
TC
buy
Q*
Diagrama conceitual: o cruzamento indica o volume de indiferença.
Q < Q*
Comprar tende a ser favorável.
Q > Q*
Fazer tende a ser favorável.
A conclusão depende das premissas e deve ser testada
contra qualidade, propriedade intelectual, capacidade,
risco de fornecimento e custo de mudança.
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BLOCO II · PREPARAÇÃO QUANTITATIVA
Antes de Kraljic, organize o gasto
Spend Analysis transforma dados dispersos de compras em uma base confiável para priorização, consolidação e
gestão de risco.
SEQUÊNCIA RECOMENDADA
Fornecedores, SKUs, centros
de custo e contratos.
01 Consolidar 02 Padronizar
Descrições, unidades, moedas
e períodos.
03 Calcular
Spend anual por SKU e
concentração por categoria.
04 Cruzar
Gasto, criticidade, mercado
fornecedor e desempenho.
Spendᵢ = Volume anual × Preço unitário
ᵢ ᵢ
PARETO / ABC DE COMPRAS
Concentração de gasto por classe
Visualização didática — calcular os cortes com dados reais.
gasto acumulado
A A B B C itens / SKUs
Cuidado metodológico: 80/15/5 é uma referência didática, não uma regra universal. A
classificação ABC deve ser recalculada para o portfólio e o período analisados.
Legenda: “Primeiro: saber onde e como o dinheiro é gasto.”
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BLOCO II · MATRIZ DE PORTFÓLIO
Kraljic transforma dados em estratégia
A matriz posiciona categorias pelo impacto no resultado e pelo risco do mercado de suprimentos. [2]
IMPA
CTO
NO
RESU
LTAD
O
FINA
NCEI
RO
ALTO
BAIXO
ITENS
ALAVANCADOS
alto impacto
· baixo risco
ITENS
ESTRATÉGICOS
alto impacto
· alto risco
ITENS NÃO-
CRÍTICOS
baixo
impacto ·
baixo risco
ITENS
GARGALO
baixo impacto
· alto risco
RISCO DO MERCADO DE SUPRIMENTOS
BAIXO ALTO
Construção por score ponderado
I
f
= w
1
·gasto + w
2
·margem + w
3
·diferenciação
Impacto financeiro: contribuição para
resultado e diferenciação.
R
s
= w
1
·escassez + w
2
·nº fornecedores +
w
3
·complexidade logística
Risco de suprimento: dificuldade de
sourcing e vulnerabilidade à interrupção.
Boa prática: defina pesos e escala antes de pontuar;
registre evidências; revise a classificação quando
mudarem mercado, tecnologia, demanda ou estratégia.
Mensagem metodológica: Kraljic é uma lente de priorização. Os pesos não são universais: devem refletir o
contexto, os dados disponíveis e o risco que a organização está disposta a assumir.
Legenda: “A matriz é uma lente de
priorização, não um rótulo permanente.”
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BLOCO II · SEGMENTAÇÃO DE PORTFÓLIO
Quatro quadrantes, quatro lógicas de gestão
A posição de cada categoria orienta onde concentrar tempo, poder de negociação e proteção
de abastecimento.
ALAVANCADOS
alto impacto · baixo risco
Alto volume financeiro, mercado
competitivo e alternativas disponíveis.
Exemplo: aço padronizado.
ESTRATÉGICOS
alto impacto · alto risco
Alta dependência, especificação crítica e
forte efeito sobre valor ou operação.
Exemplo: chip customizado.
NÃO-CRÍTICOS
baixo impacto · baixo risco
Baixo valor relativo, oferta ampla e alto
esforço administrativo.
Exemplo: material de escritório.
GARGALO
baixo impacto · alto risco
Baixo valor financeiro, mas a falta pode
interromper a operação.
Exemplo: componente exclusivo de
fornecedor único.
IMPACTO
NO
RESULTADO
RISCO DO MERCADO DE SUPRIMENTOS
ALTO
BAIXO
BAIXO ALTO
Prioridade de gestão
ESTRATÉGICOS
Colaborar, inovar e construir
resiliência.
ALAVANCADOS
Consolidar volume e capturar
eficiência.
GARGALO
Proteger continuidade e criar
alternativas.
NÃO-CRÍTICOS
Simplificar, padronizar e automatizar.
Princípio: use poder de compra onde há alternativas; use colaboração e mitigação onde a dependência é maior. A
classificação é contextual e pode mudar com mercado, tecnologia e estratégia. [2] [3]
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BLOCO III · DIRETRIZES POR QUADRANTE
A estratégia deve mudar conforme o quadrante
Alinhe foco, tática, contrato e KPI ao perfil econômico e ao risco de cada categoria.
COLABORAR
Itens estratégicos: construir
valor conjunto e resiliência.
PROTEGER
Itens gargalo: assegurar
continuidade e alternativas.
NEGOCIAR
Itens alavancados: usar
concorrência e escala.
SIMPLIFICAR
Itens não-críticos:
automatizar e padronizar.
QUADRANTE
FOCO
ESTRATÉGICO
TÁTICA DE COMPRAS CONTRATO / SRM
KPIS DE
REFERÊNCIA
Estratégicos
alto impacto · alto risco
Parceria e co-
desenvolvimento.
Planejamento conjunto e alianças de
longo prazo.
Longo prazo, partilha de riscos e
ganhos.
Inovação, Resiliência,
Target costing
Gargalo
baixo impacto · alto risco
Garantia de
abastecimento.
Estoque de segurança, reserva de
capacidade e alternativas.
Garantia de fornecimento; indexação
seletiva.
OTIF, Ruptura, Lead
time
Alavancados
alto impacto · baixo risco
Maximização da margem. Concorrência, consolidação de volume
e e-auction.
Curto/médio prazo, preço fixo ou
fórmula transparente.
Saving validado, TCO,
Preço
Não-críticos
baixo impacto · baixo risco
Eficiência de processo. Padronização, catálogo e e-
procurement.
Contrato guarda-chuva, catálogo e
regras simples.
Custo por pedido,
Ciclo, Compliance
Princípio: use poder de compra onde há alternativas; use colaboração e mitigação onde a dependência é maior.
Legenda: “Não existe uma única política de compras.”
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BLOCO III · SUPPLIER RELATIONSHIP MANAGEMENT
SRM equilibra poder e atratividade
A Kraljic orienta a categoria; a visão do fornecedor ajuda a definir como a nossa conta será priorizada.
TAMANHO
DA
NOSSA
CONTA
PARA
O
FORNECEDOR
ALTO
BAIXO
EXPLORAÇÃO
conta grande · atratividade baixa
O fornecedor percebe margem ou
poder favorável a ele, mas pouco
valor estratégico na relação.
CORE
conta grande · atratividade alta
A empresa é uma conta prioritária:
há potencial de parceria, inovação e
dependência mútua.
NULO
conta pequena · atratividade baixa
Baixa prioridade para ambos; a
resposta tende a ser eficiência
transacional.
DESENVOLVIMENTO
conta pequena · atratividade alta
Há potencial de crescimento; tornar
a conta mais relevante pode ampliar
o compromisso do fornecedor.
ATRATIVIDADE DA NOSSA CONTA PARA O FORNECEDOR
BAIXA ALTA
Diretrizes de poder
DOMINÂNCIA DO COMPRADOR
Itens alavancados: usar concorrência e escala para
capturar eficiência sem destruir a competição.
DOMINÂNCIA DO FORNECEDOR
Itens gargalo: aumentar a atratividade da conta,
desenvolver alternativas e proteger a continuidade.
INTERDEPENDÊNCIA MÚTUA
Itens estratégicos: compartilhar planos, riscos e
inovação por meio de SRM de alto nível.
Pergunta de SRM: por que um fornecedor crítico escolheria priorizar nossa
empresa?
Matriz de poder e dependência como lente complementar
à Kraljic. Referência: Cox / Bowersox, cap. 6.
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BLOCO IV · APLICAÇÃO PRÁTICA
Caso aplicado: FACCAT Tech
Classifique, justifique e transforme quatro categorias de compra em decisões de suprimento.
PORTFÓLIO INICIAL · HIPÓTESES PARA DISCUSSÃO
A Microprocessador dedicado
Firmware exclusivo
Hipótese: estratégico
alto impacto e risco
tecnológico/fornecedor.
B Chapa de aço carbono
Laminado a frio
Hipótese: alavancado
alto gasto, padronização e
alternativas.
C Anel de vedação sintético
Fornecedor local único
Hipótese: gargalo
baixo impacto relativo, alta
dependência.
D Etiquetas e manuais
Itens genéricos
Hipótese: não-crítico
baixo impacto e oferta ampla.
Desafio em grupos · 30 min
As hipóteses não são respostas. Valide-as com
dados, critérios e argumentos.
01 Calcule o spend anual de cada SKU.
02 Pontue impacto financeiro e risco de 1 a 5.
03 Plote os itens e justifique os pesos.
04 Defina tática, contrato e KPI por item.
Entregável
Uma matriz de Kraljic comentada, com
decisões defendidas por evidências.
Síntese da aula
Procurement transforma gasto em decisão;
Kraljic transforma decisão em prioridade.
Legenda: “Aplicar, justificar e revisar.”
Gestão de Materiais e Logística I · Prof. Celso Napoleon Aula 04 - O papel estratégico de Procurement e a matriz de Kraljic
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Chopra, S. Supply Chain Management: Strategy, Planning, and Operation. 7th ed.
Pearson, 2019.
Bowersox, D. J. et al. Supply Chain Logistics Management. 5th ed. McGraw-Hill,
2020.
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