Atualização Geral sobre Infecção pelo HIV/Aids em 2026: Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento
Apresentação abrangente sobre HIV/Aids em 2026, abordando panorama global e brasileiro, virologia, imunologia, diagnóstico, tratamento antirretroviral, prevenção combinada, e desafios atuais na epidemia.
Atualização Geral sobre Infecção pelo HIV/Aids em 2026: Epidemiologia, Diagnóstico e Tratamento
1.
Infecção pelo HIV/Aids
AtualizaçãoGeral 2026
Alexandre Naime Barbosa MD, PhD
Professor Doutor - Infectologia
Preceptoria LIB
19/Ago/2026 - Botucatu/SP
2.
Vínculos e Conflitosde Interesse (CFM e ANVISA)
Vínculos:
- UNESP/Medicina: Professor Doutor MD PhD, Chefe do Departamento de Infectologia
- HC FMB Botucatu: Infectologista Serviços Público e Privado
- SAE Infectologia Botucatu: Diretor Clínico (HIV, VHB, VHC e HTLV)
- Ministério da Saúde - Médico de Referência em Genotipagem do HIV
- SBI: Membro do Comitê Científico HIV/Aids
- SBCM: Membro da Diretoria
- Membro Associado: IAS, EACS, SBI, SBMT e SBIm
Potenciais Conflitos de Interesse (Incentivos Diretos/Indiretos 36 meses)
Públicos: CAPES, CNPq, FAPESP.
Privados (Farmacêuticas): AbbVie, Amgen Bergamo, AstraZeneca, Boehringer Ingelheim, Blanver, Celltrion, Dr. Reddy’s Laboratories,
Eurofarma, Gilead Sciences, GSK-ViiV Healthcare, Hypera, Janssen, Knight Therapeutics, Moderna, MSD (Merck Sharp & Dohme), Pfizer,
Procter & Gamble, Roche, Sanofi Pasteur, SC Johnson (Johnson & Johnson), Takeda e Wyeth.
Privados (Outras): Atheneu, GEN Educação, Guanabara Koogan, Manole Educação, Medictalks, Med IQ, Tribe.MD, Uber e Unimed.
3.
Histórico de impactodas maiores Pandemias
> 20.000.000
43,200,000
Slide do autor
4.
UNAIDS report, 2026.
HIV/Aids:Panorama Global 2026
• 40,9 milhões de PVHIV em 2025.
• 1,2 milhão de novos infectados pelo HIV em 2026 (redução de 40% desde
2010).
• 570.000 morreram de doenças relacionadas à aids em 2025 (redução de
74% desde 2005).
• 32,1 milhões de pessoas com acesso à terapia antirretroviral em 2025
(contra 7,7 milhões em 2010).
• 83,5 milhões de infecções pelo HIV desde o início da epidemia.
• 43,2 milhões morreram de doenças relacionadas à aids desde 1981
• 2025: a cada minuto, 1 morte relacionada ao HIV no mundo
5.
MS - BoletimEpidemiológico HIV/Aids 2025
HIV/Aids: Panorama Brasileiro 2026
• Pessoas vivendo com HIV (2025): ~1,1 mi (Unaids)
• Novos casos (2024): 39.216 casos,
⬆️15% na taxa de detecção 2014-2024
• Óbitos por aids (2024): 9.157 mortes,
≈ ⬇️37% mortes 2014 vs 2024
• Em uso de TARV (2025): 851 mil pessoas,
≈ 82% PVHIV
• Supressão viral (2025): 94% < 200 cps/mL,
86%< 50 cps/mL.
6.
MS - BoletimEpidemiológico HIV/Aids 2025
HIV/Aids: Características demográficas - Brasil
• Concentração etária da infecção: a epidemia permanece majoritariamente concentrada em adultos jovens entre 20 e 49
anos, faixas etárias social e economicamente ativas.
• Maior impacto entre homens jovens: os homens de 20 a 29 anos concentram as maiores taxas de detecção,
representando parcela expressiva dos novos casos masculinos.
• Envelhecimento progressivo da epidemia: observa-se aumento proporcional de casos em pessoas com 50 anos ou mais,
refletindo maior sobrevida com tratamento eficaz e também novas infecções nessa faixa etária.
• Via sexual como principal forma de transmissão: a transmissão sexual permanece absolutamente predominante em
todas as faixas etárias e sexos.
• Padrões distintos por sexo: entre os homens, predomina a exposição entre homens que fazem sexo com homens
(HSH), especialmente até os 39 anos; entre as mulheres, a exposição heterossexual é predominante em todas as idades.
• Baixa participação de outras vias: o uso de drogas injetáveis mantém participação residual (<2%), com estabilidade ao
longo dos últimos anos.
• Desigualdades sociais e raciais: pessoas negras (pretas e pardas) concentram cerca de 60% dos novos casos, e a
mortalidade por aids é maior em homens, pessoas negras e indivíduos com menor escolaridade, refletindo desigualdades
estruturais de acesso ao cuidado.
A epidemia de HIV no Brasil é marcada por perfil demográfico definido, com forte influência de idade,
sexo, orientação sexual, raça/cor e condições sociais, reforçando a necessidade de estratégias de
prevenção e cuidado direcionadas e equitativas.
7.
HIV/Aids: Diagnóstico Tardiono Brasil
Ministério da Saúde – Departamento de HIV/aids, Hepatites Virais e IST (Dathi). Monitoramento Integrado do Cuidado do HIV e da Aids – Sumário Executivo 2025; Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025; Protocolo
Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos – PCDT HIV; UNAIDS – Global HIV & AIDS Statistics 2024/2025.
HIV/Aids: Infecção Inicial
<72h, chance de
impedir a formação
de pró-vírus, ARVs
impedem a perpetuação
da infecção
Infecção crônica
pelo HIV, ARVs controlam
replicação, mas não
esterilizam as células
Adaptado de Haase AT.Nature. 2010;464(7286):217–23
HIV/Aids: Definição deCaso CDC
1. (CDC). Revised surveillance case definition for HIV infection—United States, 2014. MMWR Recomm Rep. 2014;63(RR-03):1–10
20.
HIV/Aids: História Natural
CD4:500 - 350
Mild symptoms
Less frequency
CD4: 350 - 200
Moderate symptoms
More frequency
1. HIV-associated diseases according to CD4 count. In: Pilbeam Medical Physiology, 2020
21.
HIV/Aids: História Natural
CD4:500 - 350
Mild symptoms
Less frequency
CD4: 350 - 200
Moderate symptoms
More frequency
CD4 Imunodeficiência
> 500 Ausente
500 - 350 Leve
350 - 200 Moderada
< 200 Grave
1. HIV-associated diseases according to CD4 count. In: Pilbeam Medical Physiology, 2020
22.
HIV/Aids: Infecções Oportunistasnos Dias de Hoje
Apesar da disponibilidade de TARV, as IOs continuam a causar considerável morbidade e
mortalidade
Razões principais:
1. Pessoas infectadas pelo HIV que desconhecem sua infecção. Muitos apresentam a IO como
indicadora inicial de sua doença: testagem precoce e universal
2. Pessoas que sabem que são infectadas por HIV, mas não tomam TARV devido a problemas
psicossociais ou econômicos;
3. Pessoas que estão em TARV, mas não atingem um nível virológico e resposta imunológica,
• baixa adesão
• farmacocinética desfavorável
• fatores biológicos inexplicáveis.
TARV HIV: Linhado Tempo dos Objetivos
2009 - 2026
1987 - 1994 1994 - 2004 2004 - 2009
Aumentar
Sobrevida
Sustentabilidade da
CV Indetectável à
longo prazo, ↓ EAs
CV Indetectável,
mesmo com ↑ EAs
Resgate dos Falhados
1ª e 2ª Era
Adaptado de Cells 2021, 10, 909
TARV HIV: ArsenalTerapêutico 2026
Barbosa. AN. Terapia das Infecções Virais. 2026. Elaborado pelo autor por IA (OpenAI).
27.
TARV HIV: Fatorese Variáveis para a Escolha
Medicações
1. Eficácia
2. Segurança
3. Barreira Genética
4. Resistência Transmitida
5. Frequência de Dose
6. Número de Comprimidos
7. Tamanho dos Comprimidos
Paciente
1. Idade
2. CD4 e CV Basais
3. Resistência HIV Pré-Tratamento
4. HLA-B*5701
5. Comorbidades
6. Comedicações
7. Preferência do Paciente
Slide do Autor
28.
1. PCDT HIVDATHI/SVSA/MS - 2024
2. Painel de Monitoramento Clínico HIV - 2025
PCDT TARV HIV Brasil 2025: Primeira Linha
TARV HIV: Benefíciosda CV Indetectável
TARV HIV: CV Indetectável (virgens ou não)
CV Indetectável = ↓ Mortalidade: ↑ Expectativa Vida
CV Indetectável = ↓ Morbidades: ↓ Custo a Longo Prazo
CV Indetectável = Intransmissível: ↓ Número Casos Novos
CV Indetectável = ↓ Inflamação Crônica HIV: ↓ Morbidade e Mortalidade
CV Indetectável = ↓ Reservatório Pró-Viral: ↑ Chance de “Cura” no futuro
Outros...
Slide do Autor
32.
TARV HIV: CVIndetectável (virgens ou não)
CV Indetectável = ↓ Mortalidade: ↑ Expectativa Vida
CV Indetectável = ↓ Morbidades: ↓ Custo a Longo Prazo
CV Indetectável = Intransmissível: ↓ Número Casos Novos
CV Indetectável = ↓ Inflamação Crônica HIV: ↓ Morbidade e Mortalidade
CV Indetectável = ↓ Reservatório Pró-Viral: ↑ Chance de “Cura” no futuro
Outros...
TARV HIV: Benefícios da CV Indetectável
Slide do Autor
33.
• Combina métodosbiomédicos e comportamentais¹
• Integra preservativo, PrEP, PEP, TARV e vacinas²
• Inclui testagem e redução de danos³
• Estratégias estruturais e educacionais⁴
• Personalizada para populações vulneráveis⁵
• Baseada em evidências e direitos humanos⁶
• É o novo padrão em saúde sexual⁷
Fontes consultadas: WHO Consolidated Guidelines on HIV Prevention; UNAIDS Global AIDS Strategy 2026–2031; MS/SVS PCDT HIV 2025.
A redução do risco é progressiva e cumulativa, resultado da combinação de
estratégias preventivas.
A prevenção combinada mudou o paradigma
HIV/Aids: Não Usodo Preservativo
Brasil, Ministério da Saúde - Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP), 2014
36.
Evolução da prevençãobiomédica do HIV
Imagem gerada por IA generativa (OpenAI), 2026. Fontes consultadas: Van de Perre P, Tylleskär T. Lancet. 2024;403:471-492.
37.
Vivemos um paradoxona prevenção do HIV no mundo
Imagem gerada por IA generativa (OpenAI), 2026. Fontes consultadas: UNAIDS Global AIDS Strategy 2026–2031.
38.
E também vivemosesse paradoxo no Brasil...
Imagem gerada por IA generativa (OpenAI), 2026. Fontes consultadas: Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2025.
39.
Mas de ondesurgiu o conceito de PEP e PrEP?
Imagem gerada por IA generativa (OpenAI), 2026
40.
HIV/Aids: Profilaxia Pós-Exposição
PEPHIV: O que é?
- Proteção Pós Exposição de Risco
- Funciona até 72 horas
- Exposição Sexual Consentida
- Violência Sexual
- Exposição Ocupacional
- 2 cps, 1 x/dia, por 28 dias
- Altíssima Eficácia, Urgência Médica
- 451 Locais no Estado de São Paulo:
www3.crt.saude.sp.gov.br/profilaxia/hotsite
HIV/Aids: Profilaxia Pós-Exposição
1.HauserC et al. Infect Dis (Lond). 2017;49(10):708–16; 2. CDC. MMWR Recomm Rep. 2023;72(RR-1):1–42; 3. Ford N et al. Clin Infect Dis. 2015;60 Suppl 3:S161–4; 4. Scielo Brasil. Rev Epidemiol Serv Saúde.
2022;31(2):e2021115.
43.
Profilaxia Pré-Exposição (PrEPOral HIV)
PrEP HIV: O que é?
- Proteção Pré Exposição de Risco
- Populações ↑ Vulnerabilidade
- 1 cp, 1 x/dia: TDF/FTC (Truvada)
- Alta eficácia e efetividade
- Aprovado pela Anvisa
- Disponível pelo SUS (2018)
- Centros em Expansão no Brasil
- Consultórios Particulares/Privado
- Locais: aids.gov.br
44.
PreP HIV: Construçãoprogressiva do conhecimento
Imagem gerada por IA generativa (OpenAI), 2026. Fontes consultadas: Grant et al. NEJM 2010; Baeten et al. NEJM 2012; Thigpen et al. NEJM 2012; Molina et al. NEJM 2015; McCormack et al. Lancet 2016; WHO; PCDT
PrEP HIV.
Imagem gerada porIA generativa (OpenAI), 2026. Fontes consultadas: Grant et al. NEJM 2010; Baeten et al. NEJM 2012; Thigpen et al. NEJM 2012; Molina et al. NEJM 2015; USPSTF Evidence Review 2023.
PrEP Oral HIV: Eficácia depende da Adesão
47.
Imagem gerada porIA generativa (OpenAI), 2026. Fontes consultadas: Landovitz et al. NEJM 2021 (HPTN 083); Delany-Moretlwe et al. NEJM 2022 (HPTN 084); Bekker et al. NEJM 2024 (PURPOSE 1); Molina et al. NEJM
2025 (PURPOSE 2); Grant et al. NEJM 2010; Baeten et al. NEJM 2012; Thigpen et al. NEJM 2012.
PrEP Oral HIV: Eficácia depende da Adesão
A superioridade observada dos injetáveis decorre principalmente de maior potência
farmacológica ou da capacidade de reduzir as perdas relacionadas à adesão diária?
48.
A PrEP podefalhar quando utilizada corretamente?
Imagem gerada por IA generativa (OpenAI), 2026. Fontes consultadas: To & Lee. HIV Med 2021; Ambrosioni et al. Lancet HIV 2021; Hoornenborg et al. Lancet HIV 2017; Buskin et al.
PLoS One 2022; Girometti et al. AIDS 2022.
A PrEP oral possui um dos mais elevados níveis de evidência entre as estratégias médicas de prevenção.
O desafio é garantir acesso e adesão para gerar proteção contínua.
49.
PrEP HIV: IndicaçãoPCDT Brasil 2025
Auto-Percepção de Risco
Fontes consultadas: Ministério da Saúde. PCDT PrEP HIV 2025.
50.
PrEP HIV: ExposiçãoHIV e Probabilidade de Infecção
Fontes consultadas: Ministério da Saúde. PCDT PrEP HIV 2025.
51.
Quando a PrEPHIV oral começa a proteger?
Fontes consultadas: Ministério da Saúde. PCDT PrEP HIV 2025.
52.
PrEP Oral HIV:Consulta Inicial PCDT Brasil 2025
Fontes consultadas: Ministério da Saúde. PCDT PrEP HIV 2025.
PreP Oral HIV:Eventos Adversos e Seguimento
Imagem gerada por IA generativa (OpenAI), 2026. Fontes consultadas: Ministério da Saúde. PCDT PrEP HIV 2025.
57.
HIV/Aids: Discussão Final
HIV/Aids: um dos mais graves problemas de saúde global
Brasil: desperdício oportunidades, mais infecções e mortes
Importante otimizar ferramentas disponíveis, sem banalizar
Referenciar sempre que tiver dúvidas
Divulgar em grupos mais vulneráveis
Promover sempre o uso do preservativo
Oferecer sempre a possibilidade de PEP
PrEP: janela de oportunidades
Testar e Tratar Sempre