SlideShare uma empresa Scribd logo
. 67
Para termos uma idéia de como as desigualdades de gênero puderam ser ques-
tionadas, discutidas e transformadas na sociedade, precisamos conhecer a
contribuição dada pelos movimentos sociais, em especial o movimento fe-
minista.
Um marco da luta pela conquista de direitos
iguais foi a Revolução Francesa (1789). Seus
princípios revolucionários de justiça social,
liberdade, igualdade e fraternidade passaram
a inspirar gradualmente, ao longo dos sécu-
los seguintes, reivindicações de diferentes
segmentos sociais em condição de desigual-
dade de acesso a direitos então negados. Mas
foi só a partir do século XIX que começaram
a surgir manifestações públicas pela igual-
dade de direitos entre homens e mulheres,
traduzidos no igual acesso de ambos à edu-
cação, ao mercado de trabalho e ao voto. No
decorrer do século XX, a partir da reflexão
sobre a situação das mulheres nas sociedades
ocidentais modernas, foi possível explicitar
as desigualdades sociais e étnico-raciais que
marcavam suas vidas.
-
-
O Movimento sufragista, surgido
na Inglaterra e nos Estados Unidos
no início do século XX, reuniu mu-
lheres que reivindicavam o direito
de voto em assembléias políticas.
No Brasil, somente em 1932, com a
promulgação de um novo Código
Eleitoral, é que a mulher passaria a
ter direito de voto e de representação
política.Antes disso,é conhecido um
único caso de participação política
feminina: em 1928, no Rio Grande
do Norte, Alzira Soriano foi eleita a
primeira prefeita da América do Sul.
Muitas mulheres se candidataram à
Constituinte de 1934, como Bertha
Lutz, mas apenas Carlota Pereira de
Queirós conseguiu se eleger. No an-
tigo Distrito Federal (RJ), Almerin-
da Farias Gama foi a única mulher a
votar como delegada na eleição dos
representantes classistas para a As-
sembléia Nacional Constituinte.
As relações entre os movimentos feministas e outros movimentos sociais
. 68
O movimento feminista é considerado por importantes analistas sociais como o responsável
pelas grandes mudanças ocorridas na segunda metade do século XX. Este movimento foi
capaz de demonstrar à sociedade que as discriminações incidiam sobre as mulheres desde a
sujeição feminina aos desígnios da autoridade masculina no ambiente doméstico até as situ-
ações de guerra, nas quais as mulheres são vulneráveis a mutilações, a estupros e a abusos de
toda ordem. O movimento feminista também possibilitou questionar a divisão sexual do tra-
balho, tratada na unidade anterior, caracterizada pela desigual repartição de tarefas e de poder
entre homens e mulheres, presente nas diversas sociedades.
O movimento feminista aumentou as oportunidades sociais e as chances de superar os tra-
dicionais obstáculos que impedem as mulheres de conquistar autonomia. No final do século
XIX e início do século XX, ocorreu a primeira onda desse movimento de conquista de direitos
sociais e políticos para as mulheres. Destacou-se, então, a bióloga Bertha Lutz que fundou a
Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (1922) na luta pelo direito de voto, de escolha
de domicílio e de trabalho, independente da autorização do marido. Novos desdobramentos
do movimento iriam ocorrer nas décadas de 1960 e 1970, quando passou a reunir grupos
organizados de mulheres (ONGs, grupos de pesquisas em universidades, lideranças políticas
etc.) na defesa dos direitos das mulheres como seres humanos iguais aos homens.
Ao colocar em discussão as posições inferiores e menos valorizadas que as mulheres ocupa-
vam, o movimento feminista expôs as desigualdades de gênero:
No mercado de trabalho;
Na organização da vida política;
No ordenamento jurídico da sociedade;
Na produção de conhecimentos científicos;
Em escolas, serviços de saúde, sindicatos e igrejas (nas diferentes religiões, com algumas
exceções, como é o caso das religiões de matriz africana, as posições de liderança são majorita-
riamente ocupadas por homens, embora as mulheres representem boa parte dos fiéis).
Considerando a questão de gênero e representação política, será justa a proporcionalidade
entre o número de deputadas e senadoras e o número total de mulheres no Brasil? Se as mu-
lheres são maioria na população, porque não o são na representação política? A tendência da
baixa representatividade e da desproporção na representação parlamentar das mulheres não é
exclusiva do Brasil. Repete-se em todos os países, conforme dados da pesquisa feita pela União
Interparlamentar (UIP), organização de fomento à cooperação entre as câmaras nacionais de
mais de 140 países, e divulgada nos jornais brasileiros em 2 de março de 2006.
1. Fonte: Jornal O Globo, editoria O País, 02 de março de 2006.
. 69
Segundo relatório publicado em 20061
, o Brasil foi parar na 107ª colocação no ranking sobre a
participaçãodemulheresnascâmarasdedeputadoselaboradoem2007.Aavaliaçãoincluiu187
paísesefoifeitaapartirdosdadosdasúltimaseleiçõesemcadanação(noBrasil,asde2002),pela
UniãoInterparlamentar(UIP).Ruanda,naÁfrica,apareceemprimeirolugar,com48%.Amédia
brasileira,8,8%,époucosuperioràdepaísesárabes,quetêm6,8%demulheresnosparlamentos.
As mulheres representam mais da metade da população do planeta. Os países nórdicos, re-
conhecidos pela igualdade entre os sexos, ocupam posições no topo da lista: em segundo, a
Suécia (45,3%); em terceiro, a Noruega (37,9%); em quarto, a Finlândia (37,5%); e em quinto,
a Dinamarca (36,9%). Holanda (36,7%), Cuba (36%), Espanha (36%), Costa Rica (35,1%),
Argentina (35%) e Moçambique (34,8%) completam a relação dos dez países com maior nú-
mero de legisladoras. Os Estados Unidos também ficaram abaixo da média mundial de 16,6%
de mulheres na composição da câmara dos representantes, com apenas 15,2%.
O Brasil é o país sul-americano que ocupa a pior colocação na lista, atrás de Argentina (9),
Guiana (17), Suriname (26), Peru (55),Venezuela (59), Bolívia (63), Equador (66), Chile (70),
Colômbia (86), Uruguai (92) e Paraguai (99). A UIP nota a melhora no desempenho de al-
guns países sul-americanos depois da introdução de políticas de cotas mínimas para candi-
datas, como aconteceu na Argentina, na Bolívia e na Venezuela. A proporção de mulheres
no Senado brasileiro é um pouco mais alta, de 12,3%, mas como vários países não têm uma
estrutura semelhante, não foi elaborado um ranking específico.
A tendência é de crescimento da participação de mulheres. A UIP aponta uma tendência
mundial de crescimento na participação das mulheres, já que a média global de 16,4% de
legisladoras é um recorde. Em 20 câmaras de deputados do mundo, as mulheres já ocupam
mais de 30% das cadeiras, segundo a organização. No entanto, a UIP destacou que o objetivo
de ter um mínimo de 30% de legisladoras em todo o mundo, estabelecido na Conferência das
Mulheres da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995, ainda está distante.A organiza-
ção também elogiou o progresso feito por países que enfrentaram conflitos nos últimos anos,
como o Afeganistão, o Burundi, o Iraque e a Libéria. No Kuwait, mulheres foram autorizadas
a se candidatar pela primeira vez em 2005, de acordo com a UIP.
Considerando o fator gênero em outros âmbitos sociais, a subordinação da mulher aos dita-
mes religiosos e científicos é antiga. Conforme análise da estudiosa Londa Schiebinger, que
ajuda a entender as repercussões do movimento feminista e dos estudos de gênero na produ-
ção de conhecimentos científicos, desde o Iluminismo, a ciência prometeu uma perspectiva
“neutra” e privilegiada, acima dos interesses políticos e religiosos. Buscava-se produzir um
conhecimento objetivo e universal que transcendesse às restrições culturais. Entretanto, a ci-
ência não se mostrou neutra em questões de gênero e de raça. As desigualdades efetivamente
(...) a
subordinação
da mulher
aos ditames
religiosos e
científicos é
antiga.
. 70
vividas nessas relações influenciaram o conhecimento produzido nas instituições científicas.
Na biologia e na medicina,o conhecimento sobre a saúde e o corpo da mulher pautou-se no seu
aspecto físico,moral e de diferenciação entre os sexos,na tentativa de enfatizar a posição subor-
dinada das mulheres na sociedade.DesdeAristóteles até Darwin,a mulher foi considerada uma
versão incompleta ou menor do homem,“um desvio de tipo”, uma “monstruosidade”, ou um
“erro” da natureza. Tais noções serviram como fundamento das perspectivas ocidentais sobre
diferença sexual: a força física e a intelectual enalteciam o homem, e a maternidade, a mulher.
Estadicotomiaconduziaconseqüentementeàdesvalorizaçãoeànegaçãodopoderfemininode
gerar,ao mesmo tempo que demonstrava a preocupação masculina de controlar a reprodução2
.
Um tema complementar à relação gênero e ciência é a entrada de mulheres nas profissões
ditas masculinas. Na Inglaterra da segunda metade do século XIX, as feministas, que se orga-
nizavam em torno da luta pelo direito ao voto, viam a entrada da mulher na medicina como
uma necessidade por duas razões: A primeira diz respeito ao fato de que as médicas poderiam
trazer mais conforto e segurança para as pacientes, livrando-as dos abusos cometidos pelos
médicos homens. A segunda e mais importante razão era que as médicas poderiam ajudar a
reconstruir as noções de feminilidade e masculinidade com base no estudo da biologia e da
fisiologia. Elas teriam a possibilidade de dar uma legitimidade científica à redefinição da iden-
tidade da mulher e justificar sua inclusão política (Kent, 1990 apud Rohden, 2001).
Foi somente no século XX, a partir da década de 1960, que o movimento feminista pela saúde
da mulher, contando com a participação de cientistas sociais, historiadoras, juristas, profissio-
nais de saúde e outras militantes, passou a contestar a noção do destino biológico reprodutor
das mulheres e a analisar o contexto histórico da construção do lugar da mulher na sociedade.
Traduzida no lema “nosso corpo nos pertence”, a luta do movimento feminista tem buscado
romper com a subordinação do corpo (e da vida) da mulher aos imperativos da reprodução.
Daí a luta pela defesa do direito de livre acesso à contracepção e ao aborto ser crucial para
o movimento, pois consolida a autonomia das mulheres para vivenciarem a sexualidade e a
afetividade como direitos, sem os riscos permanentes de engravidarem.
Glossário
Movimento Feminista: Movimento social e político de defesa de direitos iguais para mulheres e homens, tanto no âmbito da
legislação (plano normativo e jurídico), quanto no da formulação de políticas públicas que ofereçam serviços e programas
sociais de apoio a mulheres.
Somente (...) a
partir da década
de 1960 que
o movimento
feminista pela
saúde da mulher
(...) passou
a contestar
a noção do
destino biológico
reprodutor
das mulheres
e a analisar
o contexto
histórico da
construção do
lugar da mulher
na sociedade
2. ROHDEN, F.“A construção da diferença sexual na medicina”. Review, Cad.Saúde Pública, Rio de Janeiro, 19 [Sup.2]: S201-S212, 2003

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Louro, guacira lopes. gênero e sexualidade pedagogias contemporâneas
Louro, guacira lopes. gênero e sexualidade   pedagogias contemporâneasLouro, guacira lopes. gênero e sexualidade   pedagogias contemporâneas
Louro, guacira lopes. gênero e sexualidade pedagogias contemporâneas
Bruno Martins Soares
 
Reflexões sobre Diversidade e Gênero
Reflexões sobre Diversidade e GêneroReflexões sobre Diversidade e Gênero
Reflexões sobre Diversidade e Gênero
sinteimp
 
Louro, guacira lopes. o corpo educado
Louro, guacira lopes. o corpo educadoLouro, guacira lopes. o corpo educado
Louro, guacira lopes. o corpo educado
natielemesquita
 
GÊNERO NA TEORIA SOCIAL Papéis, interações e instituições.
GÊNERO NA TEORIA SOCIAL Papéis, interações e instituições.GÊNERO NA TEORIA SOCIAL Papéis, interações e instituições.
GÊNERO NA TEORIA SOCIAL Papéis, interações e instituições.
Juliana Anacleto
 
Conceitos da Cultura e Sexualidade na Antropologia
Conceitos da Cultura e Sexualidade na AntropologiaConceitos da Cultura e Sexualidade na Antropologia
Conceitos da Cultura e Sexualidade na Antropologia
Tradicao Viva
 
RELAÇÕES DE GÊNERO: FONTES, METODOLOGIAS E POTENCIALIDADES DE PESQUISA EM HIS...
RELAÇÕES DE GÊNERO: FONTES, METODOLOGIAS E POTENCIALIDADES DE PESQUISA EM HIS...RELAÇÕES DE GÊNERO: FONTES, METODOLOGIAS E POTENCIALIDADES DE PESQUISA EM HIS...
RELAÇÕES DE GÊNERO: FONTES, METODOLOGIAS E POTENCIALIDADES DE PESQUISA EM HIS...
Fábio Fernandes
 
"Mulher Negra e Interseccionalidades"
"Mulher Negra e Interseccionalidades""Mulher Negra e Interseccionalidades"
"Mulher Negra e Interseccionalidades"
Observatório Negro
 
Movimento de mulheres negras: trajetória política, práticas mobilizatórias e ...
Movimento de mulheres negras: trajetória política, práticas mobilizatórias e ...Movimento de mulheres negras: trajetória política, práticas mobilizatórias e ...
Movimento de mulheres negras: trajetória política, práticas mobilizatórias e ...
Geraa Ufms
 
Negações e silenciamentos no discurso acerca da juventude
Negações e silenciamentos no discurso acerca da juventudeNegações e silenciamentos no discurso acerca da juventude
Negações e silenciamentos no discurso acerca da juventude
Observatório Juvenil do Vale UNISINOS
 
Diversidade de Gênero na Gestão Escolar
Diversidade de Gênero na Gestão EscolarDiversidade de Gênero na Gestão Escolar
Diversidade de Gênero na Gestão Escolar
LIMA, Alan Lucas de
 
A Mulher na Teledramaturgia Mexicana: Representações no Visível e Invisível
A Mulher na Teledramaturgia Mexicana: Representações no Visível e InvisívelA Mulher na Teledramaturgia Mexicana: Representações no Visível e Invisível
A Mulher na Teledramaturgia Mexicana: Representações no Visível e Invisível
Phillipe Xavier
 
Um olhar sobre gênero e identidade
Um olhar sobre gênero e identidadeUm olhar sobre gênero e identidade
Um olhar sobre gênero e identidade
pibiduergsmontenegro
 
Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre a diversidade cultural na ...
Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre a diversidade cultural na ...Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre a diversidade cultural na ...
Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre a diversidade cultural na ...
culturaafro
 
Gênero, sexualidade e meios de
Gênero, sexualidade e meios deGênero, sexualidade e meios de
Gênero, sexualidade e meios de
Cassia Barbosa
 
Racismo adm
Racismo   admRacismo   adm
Racismo adm
Marcelo Dores
 
Feminismo Socialista e Pedagogia das Mulheres Oprimidas: Um Caminho Libertado...
Feminismo Socialista e Pedagogia das Mulheres Oprimidas: Um Caminho Libertado...Feminismo Socialista e Pedagogia das Mulheres Oprimidas: Um Caminho Libertado...
Feminismo Socialista e Pedagogia das Mulheres Oprimidas: Um Caminho Libertado...
revistas - UEPG
 
Artigo ser quilombola hoje
Artigo ser quilombola hojeArtigo ser quilombola hoje
Artigo ser quilombola hoje
Silvana Maciel
 
Gênero
GêneroGênero
TÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismo
TÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismoTÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismo
TÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismo
Israel serique
 
Quesito cor no sistema de informação
Quesito cor no sistema de informaçãoQuesito cor no sistema de informação
Quesito cor no sistema de informação
População Negra e Saúde
 

Mais procurados (20)

Louro, guacira lopes. gênero e sexualidade pedagogias contemporâneas
Louro, guacira lopes. gênero e sexualidade   pedagogias contemporâneasLouro, guacira lopes. gênero e sexualidade   pedagogias contemporâneas
Louro, guacira lopes. gênero e sexualidade pedagogias contemporâneas
 
Reflexões sobre Diversidade e Gênero
Reflexões sobre Diversidade e GêneroReflexões sobre Diversidade e Gênero
Reflexões sobre Diversidade e Gênero
 
Louro, guacira lopes. o corpo educado
Louro, guacira lopes. o corpo educadoLouro, guacira lopes. o corpo educado
Louro, guacira lopes. o corpo educado
 
GÊNERO NA TEORIA SOCIAL Papéis, interações e instituições.
GÊNERO NA TEORIA SOCIAL Papéis, interações e instituições.GÊNERO NA TEORIA SOCIAL Papéis, interações e instituições.
GÊNERO NA TEORIA SOCIAL Papéis, interações e instituições.
 
Conceitos da Cultura e Sexualidade na Antropologia
Conceitos da Cultura e Sexualidade na AntropologiaConceitos da Cultura e Sexualidade na Antropologia
Conceitos da Cultura e Sexualidade na Antropologia
 
RELAÇÕES DE GÊNERO: FONTES, METODOLOGIAS E POTENCIALIDADES DE PESQUISA EM HIS...
RELAÇÕES DE GÊNERO: FONTES, METODOLOGIAS E POTENCIALIDADES DE PESQUISA EM HIS...RELAÇÕES DE GÊNERO: FONTES, METODOLOGIAS E POTENCIALIDADES DE PESQUISA EM HIS...
RELAÇÕES DE GÊNERO: FONTES, METODOLOGIAS E POTENCIALIDADES DE PESQUISA EM HIS...
 
"Mulher Negra e Interseccionalidades"
"Mulher Negra e Interseccionalidades""Mulher Negra e Interseccionalidades"
"Mulher Negra e Interseccionalidades"
 
Movimento de mulheres negras: trajetória política, práticas mobilizatórias e ...
Movimento de mulheres negras: trajetória política, práticas mobilizatórias e ...Movimento de mulheres negras: trajetória política, práticas mobilizatórias e ...
Movimento de mulheres negras: trajetória política, práticas mobilizatórias e ...
 
Negações e silenciamentos no discurso acerca da juventude
Negações e silenciamentos no discurso acerca da juventudeNegações e silenciamentos no discurso acerca da juventude
Negações e silenciamentos no discurso acerca da juventude
 
Diversidade de Gênero na Gestão Escolar
Diversidade de Gênero na Gestão EscolarDiversidade de Gênero na Gestão Escolar
Diversidade de Gênero na Gestão Escolar
 
A Mulher na Teledramaturgia Mexicana: Representações no Visível e Invisível
A Mulher na Teledramaturgia Mexicana: Representações no Visível e InvisívelA Mulher na Teledramaturgia Mexicana: Representações no Visível e Invisível
A Mulher na Teledramaturgia Mexicana: Representações no Visível e Invisível
 
Um olhar sobre gênero e identidade
Um olhar sobre gênero e identidadeUm olhar sobre gênero e identidade
Um olhar sobre gênero e identidade
 
Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre a diversidade cultural na ...
Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre a diversidade cultural na ...Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre a diversidade cultural na ...
Conceitos de gênero, etnia e raça: reflexões sobre a diversidade cultural na ...
 
Gênero, sexualidade e meios de
Gênero, sexualidade e meios deGênero, sexualidade e meios de
Gênero, sexualidade e meios de
 
Racismo adm
Racismo   admRacismo   adm
Racismo adm
 
Feminismo Socialista e Pedagogia das Mulheres Oprimidas: Um Caminho Libertado...
Feminismo Socialista e Pedagogia das Mulheres Oprimidas: Um Caminho Libertado...Feminismo Socialista e Pedagogia das Mulheres Oprimidas: Um Caminho Libertado...
Feminismo Socialista e Pedagogia das Mulheres Oprimidas: Um Caminho Libertado...
 
Artigo ser quilombola hoje
Artigo ser quilombola hojeArtigo ser quilombola hoje
Artigo ser quilombola hoje
 
Gênero
GêneroGênero
Gênero
 
TÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismo
TÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismoTÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismo
TÓPICOS EM EDUCAÇÃO II: Resumo do 2º bimestre multicuralismo
 
Quesito cor no sistema de informação
Quesito cor no sistema de informaçãoQuesito cor no sistema de informação
Quesito cor no sistema de informação
 

Destaque

Violência de gênero.
Violência de gênero.Violência de gênero.
Violência de gênero.
Fábio Fernandes
 
MODOS DE EDUCAÇÃO GÊNERO E RELAÇÃO FAMÍLIA ESCOLA
MODOS DE EDUCAÇÃO GÊNERO E RELAÇÃO FAMÍLIA ESCOLAMODOS DE EDUCAÇÃO GÊNERO E RELAÇÃO FAMÍLIA ESCOLA
MODOS DE EDUCAÇÃO GÊNERO E RELAÇÃO FAMÍLIA ESCOLA
Fábio Fernandes
 
Lei Maria da Penha.
Lei Maria da Penha.Lei Maria da Penha.
Lei Maria da Penha.
Fábio Fernandes
 
Livro de Conteúdo - GDE - Vol1_Versão Final_08_2009
Livro de Conteúdo - GDE - Vol1_Versão Final_08_2009Livro de Conteúdo - GDE - Vol1_Versão Final_08_2009
Livro de Conteúdo - GDE - Vol1_Versão Final_08_2009
Fábio Fernandes
 
O aprendizado de gênero: socialização na família e na escola.
O aprendizado de gênero: socialização na família e na escola.O aprendizado de gênero: socialização na família e na escola.
O aprendizado de gênero: socialização na família e na escola.
Fábio Fernandes
 
Os jogos e as brincadeiras no pátio.
Os jogos e as brincadeiras no pátio.Os jogos e as brincadeiras no pátio.
Os jogos e as brincadeiras no pátio.
Fábio Fernandes
 
MULHERES NEGRAS EM MOVIMENTO: INTELECTUAIS, ORGANIZAÇÕES E PROJETOS POLÍTICOS.
MULHERES NEGRAS EM MOVIMENTO: INTELECTUAIS, ORGANIZAÇÕES E PROJETOS POLÍTICOS.MULHERES NEGRAS EM MOVIMENTO: INTELECTUAIS, ORGANIZAÇÕES E PROJETOS POLÍTICOS.
MULHERES NEGRAS EM MOVIMENTO: INTELECTUAIS, ORGANIZAÇÕES E PROJETOS POLÍTICOS.
Fábio Fernandes
 
Caderno Escola sem Homofobia
Caderno Escola sem HomofobiaCaderno Escola sem Homofobia
Caderno Escola sem Homofobia
Fábio Fernandes
 
O uso da fala e as interações com a professora e com o professor.
O uso da fala e as interações com a professora e com o professor.O uso da fala e as interações com a professora e com o professor.
O uso da fala e as interações com a professora e com o professor.
Fábio Fernandes
 
Desigualdades de gênero na iniciação sexual.
Desigualdades de gênero na iniciação sexual.Desigualdades de gênero na iniciação sexual.
Desigualdades de gênero na iniciação sexual.
Fábio Fernandes
 
Organizações de mulheres negras: suas demandas, seus projetos.
Organizações de mulheres negras: suas demandas, seus projetos.Organizações de mulheres negras: suas demandas, seus projetos.
Organizações de mulheres negras: suas demandas, seus projetos.
Fábio Fernandes
 
Educação Sexual: Precisamos falar sobre Romeo - Nova Escola - Fev. 2015
Educação Sexual: Precisamos falar sobre Romeo - Nova Escola - Fev. 2015Educação Sexual: Precisamos falar sobre Romeo - Nova Escola - Fev. 2015
Educação Sexual: Precisamos falar sobre Romeo - Nova Escola - Fev. 2015
Fábio Fernandes
 
O contexto relacional e social da gravidez na adolescência.
O contexto relacional e social da gravidez na adolescência.O contexto relacional e social da gravidez na adolescência.
O contexto relacional e social da gravidez na adolescência.
Fábio Fernandes
 
A disciplina e o rendimento na sala de aula.
A disciplina e o rendimento na sala de aula.A disciplina e o rendimento na sala de aula.
A disciplina e o rendimento na sala de aula.
Fábio Fernandes
 
HISTÓRIA, POVOS INDÍGENAS E EDUCAÇÃO: (RE) CONHECENDO E DISCUTINDO A DIVERSID...
HISTÓRIA, POVOS INDÍGENAS E EDUCAÇÃO: (RE) CONHECENDO E DISCUTINDO A DIVERSID...HISTÓRIA, POVOS INDÍGENAS E EDUCAÇÃO: (RE) CONHECENDO E DISCUTINDO A DIVERSID...
HISTÓRIA, POVOS INDÍGENAS E EDUCAÇÃO: (RE) CONHECENDO E DISCUTINDO A DIVERSID...
Fábio Fernandes
 
Construção social da identidade adolescente/juvenil.
Construção social da identidade adolescente/juvenil.Construção social da identidade adolescente/juvenil.
Construção social da identidade adolescente/juvenil.
Fábio Fernandes
 
MAU ALUNO - BOA ALUNA
MAU ALUNO - BOA ALUNAMAU ALUNO - BOA ALUNA
MAU ALUNO - BOA ALUNA
Fábio Fernandes
 
Etnocentrismo, racismo e preconceito.
Etnocentrismo, racismo e preconceito.Etnocentrismo, racismo e preconceito.
Etnocentrismo, racismo e preconceito.
Fábio Fernandes
 
Livro de Conteúdo - GDE - Vol2.
Livro de Conteúdo - GDE - Vol2.Livro de Conteúdo - GDE - Vol2.
Livro de Conteúdo - GDE - Vol2.
Fábio Fernandes
 
O debate em torno do aborto.
O debate em torno do aborto.O debate em torno do aborto.
O debate em torno do aborto.
Fábio Fernandes
 

Destaque (20)

Violência de gênero.
Violência de gênero.Violência de gênero.
Violência de gênero.
 
MODOS DE EDUCAÇÃO GÊNERO E RELAÇÃO FAMÍLIA ESCOLA
MODOS DE EDUCAÇÃO GÊNERO E RELAÇÃO FAMÍLIA ESCOLAMODOS DE EDUCAÇÃO GÊNERO E RELAÇÃO FAMÍLIA ESCOLA
MODOS DE EDUCAÇÃO GÊNERO E RELAÇÃO FAMÍLIA ESCOLA
 
Lei Maria da Penha.
Lei Maria da Penha.Lei Maria da Penha.
Lei Maria da Penha.
 
Livro de Conteúdo - GDE - Vol1_Versão Final_08_2009
Livro de Conteúdo - GDE - Vol1_Versão Final_08_2009Livro de Conteúdo - GDE - Vol1_Versão Final_08_2009
Livro de Conteúdo - GDE - Vol1_Versão Final_08_2009
 
O aprendizado de gênero: socialização na família e na escola.
O aprendizado de gênero: socialização na família e na escola.O aprendizado de gênero: socialização na família e na escola.
O aprendizado de gênero: socialização na família e na escola.
 
Os jogos e as brincadeiras no pátio.
Os jogos e as brincadeiras no pátio.Os jogos e as brincadeiras no pátio.
Os jogos e as brincadeiras no pátio.
 
MULHERES NEGRAS EM MOVIMENTO: INTELECTUAIS, ORGANIZAÇÕES E PROJETOS POLÍTICOS.
MULHERES NEGRAS EM MOVIMENTO: INTELECTUAIS, ORGANIZAÇÕES E PROJETOS POLÍTICOS.MULHERES NEGRAS EM MOVIMENTO: INTELECTUAIS, ORGANIZAÇÕES E PROJETOS POLÍTICOS.
MULHERES NEGRAS EM MOVIMENTO: INTELECTUAIS, ORGANIZAÇÕES E PROJETOS POLÍTICOS.
 
Caderno Escola sem Homofobia
Caderno Escola sem HomofobiaCaderno Escola sem Homofobia
Caderno Escola sem Homofobia
 
O uso da fala e as interações com a professora e com o professor.
O uso da fala e as interações com a professora e com o professor.O uso da fala e as interações com a professora e com o professor.
O uso da fala e as interações com a professora e com o professor.
 
Desigualdades de gênero na iniciação sexual.
Desigualdades de gênero na iniciação sexual.Desigualdades de gênero na iniciação sexual.
Desigualdades de gênero na iniciação sexual.
 
Organizações de mulheres negras: suas demandas, seus projetos.
Organizações de mulheres negras: suas demandas, seus projetos.Organizações de mulheres negras: suas demandas, seus projetos.
Organizações de mulheres negras: suas demandas, seus projetos.
 
Educação Sexual: Precisamos falar sobre Romeo - Nova Escola - Fev. 2015
Educação Sexual: Precisamos falar sobre Romeo - Nova Escola - Fev. 2015Educação Sexual: Precisamos falar sobre Romeo - Nova Escola - Fev. 2015
Educação Sexual: Precisamos falar sobre Romeo - Nova Escola - Fev. 2015
 
O contexto relacional e social da gravidez na adolescência.
O contexto relacional e social da gravidez na adolescência.O contexto relacional e social da gravidez na adolescência.
O contexto relacional e social da gravidez na adolescência.
 
A disciplina e o rendimento na sala de aula.
A disciplina e o rendimento na sala de aula.A disciplina e o rendimento na sala de aula.
A disciplina e o rendimento na sala de aula.
 
HISTÓRIA, POVOS INDÍGENAS E EDUCAÇÃO: (RE) CONHECENDO E DISCUTINDO A DIVERSID...
HISTÓRIA, POVOS INDÍGENAS E EDUCAÇÃO: (RE) CONHECENDO E DISCUTINDO A DIVERSID...HISTÓRIA, POVOS INDÍGENAS E EDUCAÇÃO: (RE) CONHECENDO E DISCUTINDO A DIVERSID...
HISTÓRIA, POVOS INDÍGENAS E EDUCAÇÃO: (RE) CONHECENDO E DISCUTINDO A DIVERSID...
 
Construção social da identidade adolescente/juvenil.
Construção social da identidade adolescente/juvenil.Construção social da identidade adolescente/juvenil.
Construção social da identidade adolescente/juvenil.
 
MAU ALUNO - BOA ALUNA
MAU ALUNO - BOA ALUNAMAU ALUNO - BOA ALUNA
MAU ALUNO - BOA ALUNA
 
Etnocentrismo, racismo e preconceito.
Etnocentrismo, racismo e preconceito.Etnocentrismo, racismo e preconceito.
Etnocentrismo, racismo e preconceito.
 
Livro de Conteúdo - GDE - Vol2.
Livro de Conteúdo - GDE - Vol2.Livro de Conteúdo - GDE - Vol2.
Livro de Conteúdo - GDE - Vol2.
 
O debate em torno do aborto.
O debate em torno do aborto.O debate em torno do aborto.
O debate em torno do aborto.
 

Semelhante a As relações entre os movimentos feministas e outros movimentos sociais.

Movimento feminista
Movimento feminista Movimento feminista
Movimento feminista
Andressa Silveira
 
Movimento feminista no brasil
Movimento feminista no brasilMovimento feminista no brasil
Movimento feminista no brasil
Vinícius Trindade
 
A evolução da mulher no cenário político
A evolução da mulher no cenário políticoA evolução da mulher no cenário político
A evolução da mulher no cenário político
Danillo Rodrigues
 
Movimento de Mulheres (Feminismo) Brasil/Piauí
Movimento de Mulheres (Feminismo) Brasil/PiauíMovimento de Mulheres (Feminismo) Brasil/Piauí
Movimento de Mulheres (Feminismo) Brasil/Piauí
Carol Alves
 
A EVOLUÇÃO DA MULHER NO CENÁRIO POLÍTICO
A EVOLUÇÃO DA MULHER NO CENÁRIO POLÍTICOA EVOLUÇÃO DA MULHER NO CENÁRIO POLÍTICO
A EVOLUÇÃO DA MULHER NO CENÁRIO POLÍTICO
Danillo Rodrigues
 
Feminismo
FeminismoFeminismo
Feminismo
Turmacef201617
 
Movimento feminista
Movimento feministaMovimento feminista
Movimento feminista
Milena Marçal
 
Feminismo slides I
Feminismo slides IFeminismo slides I
Feminismo slides I
LilianeTesch
 
Feminismo brasil1
Feminismo brasil1Feminismo brasil1
Feminismo brasil1
Rômulo Fernando
 
O Feminismo
O FeminismoO Feminismo
O Feminismo
DaviLucasOliveira
 
POLÍTICAS FEMINISTAS DO ABORTO
POLÍTICAS FEMINISTAS DO ABORTOPOLÍTICAS FEMINISTAS DO ABORTO
POLÍTICAS FEMINISTAS DO ABORTO
mesaredondaaborto
 
Cidadania feminina e empoderamento
Cidadania feminina e empoderamentoCidadania feminina e empoderamento
Cidadania feminina e empoderamento
Maira Conde
 
Cidadania feminina e empoderamento
Cidadania feminina e empoderamentoCidadania feminina e empoderamento
Cidadania feminina e empoderamento
Maira Conde
 
Feminismo
FeminismoFeminismo
Feminismo
Helena Caboclo
 
Feminismo criação
Feminismo   criaçãoFeminismo   criação
Feminismo criação
Denilson França
 
Trab soc feminismo
Trab soc  feminismoTrab soc  feminismo
Trab soc feminismo
Turmacef201617
 
Cidadaniafemininaeempoderamento cpia-160227235114
Cidadaniafemininaeempoderamento cpia-160227235114Cidadaniafemininaeempoderamento cpia-160227235114
Cidadaniafemininaeempoderamento cpia-160227235114
Maira Conde
 
Feminismo (2)
Feminismo (2)Feminismo (2)
Feminismo (2)
Turmacef201617
 
Feminismo (2)
Feminismo (2)Feminismo (2)
Feminismo (2)
Turmacef201617
 
Sociologia feminismo
Sociologia  feminismoSociologia  feminismo
Sociologia feminismo
Edwin Juan
 

Semelhante a As relações entre os movimentos feministas e outros movimentos sociais. (20)

Movimento feminista
Movimento feminista Movimento feminista
Movimento feminista
 
Movimento feminista no brasil
Movimento feminista no brasilMovimento feminista no brasil
Movimento feminista no brasil
 
A evolução da mulher no cenário político
A evolução da mulher no cenário políticoA evolução da mulher no cenário político
A evolução da mulher no cenário político
 
Movimento de Mulheres (Feminismo) Brasil/Piauí
Movimento de Mulheres (Feminismo) Brasil/PiauíMovimento de Mulheres (Feminismo) Brasil/Piauí
Movimento de Mulheres (Feminismo) Brasil/Piauí
 
A EVOLUÇÃO DA MULHER NO CENÁRIO POLÍTICO
A EVOLUÇÃO DA MULHER NO CENÁRIO POLÍTICOA EVOLUÇÃO DA MULHER NO CENÁRIO POLÍTICO
A EVOLUÇÃO DA MULHER NO CENÁRIO POLÍTICO
 
Feminismo
FeminismoFeminismo
Feminismo
 
Movimento feminista
Movimento feministaMovimento feminista
Movimento feminista
 
Feminismo slides I
Feminismo slides IFeminismo slides I
Feminismo slides I
 
Feminismo brasil1
Feminismo brasil1Feminismo brasil1
Feminismo brasil1
 
O Feminismo
O FeminismoO Feminismo
O Feminismo
 
POLÍTICAS FEMINISTAS DO ABORTO
POLÍTICAS FEMINISTAS DO ABORTOPOLÍTICAS FEMINISTAS DO ABORTO
POLÍTICAS FEMINISTAS DO ABORTO
 
Cidadania feminina e empoderamento
Cidadania feminina e empoderamentoCidadania feminina e empoderamento
Cidadania feminina e empoderamento
 
Cidadania feminina e empoderamento
Cidadania feminina e empoderamentoCidadania feminina e empoderamento
Cidadania feminina e empoderamento
 
Feminismo
FeminismoFeminismo
Feminismo
 
Feminismo criação
Feminismo   criaçãoFeminismo   criação
Feminismo criação
 
Trab soc feminismo
Trab soc  feminismoTrab soc  feminismo
Trab soc feminismo
 
Cidadaniafemininaeempoderamento cpia-160227235114
Cidadaniafemininaeempoderamento cpia-160227235114Cidadaniafemininaeempoderamento cpia-160227235114
Cidadaniafemininaeempoderamento cpia-160227235114
 
Feminismo (2)
Feminismo (2)Feminismo (2)
Feminismo (2)
 
Feminismo (2)
Feminismo (2)Feminismo (2)
Feminismo (2)
 
Sociologia feminismo
Sociologia  feminismoSociologia  feminismo
Sociologia feminismo
 

Mais de Fábio Fernandes

Regulamento da Primeira Divisão 2018
Regulamento da Primeira Divisão 2018Regulamento da Primeira Divisão 2018
Regulamento da Primeira Divisão 2018
Fábio Fernandes
 
Tabela do Campeonato Paraibano da Primeira Divisão 2018
Tabela do Campeonato Paraibano da Primeira Divisão 2018Tabela do Campeonato Paraibano da Primeira Divisão 2018
Tabela do Campeonato Paraibano da Primeira Divisão 2018
Fábio Fernandes
 
Contabilidade jan a jun 2017
Contabilidade jan a jun 2017Contabilidade jan a jun 2017
Contabilidade jan a jun 2017
Fábio Fernandes
 
CONVOCAÇÃO à Categoria da Saúde Privada da Paraíba
CONVOCAÇÃO à Categoria da Saúde Privada da ParaíbaCONVOCAÇÃO à Categoria da Saúde Privada da Paraíba
CONVOCAÇÃO à Categoria da Saúde Privada da Paraíba
Fábio Fernandes
 
Ofício encaminhado ao Vereador Helton Renê
Ofício encaminhado ao Vereador Helton RenêOfício encaminhado ao Vereador Helton Renê
Ofício encaminhado ao Vereador Helton Renê
Fábio Fernandes
 
CBF - Regulamento Geral das Competições 2017
CBF - Regulamento Geral das Competições 2017CBF - Regulamento Geral das Competições 2017
CBF - Regulamento Geral das Competições 2017
Fábio Fernandes
 
Tabela Copa do Nordeste 2017
Tabela Copa do Nordeste 2017Tabela Copa do Nordeste 2017
Tabela Copa do Nordeste 2017
Fábio Fernandes
 
Tabela do Paraibano 2017
Tabela do Paraibano 2017Tabela do Paraibano 2017
Tabela do Paraibano 2017
Fábio Fernandes
 
Regulamento Paraibano 2017
Regulamento Paraibano 2017Regulamento Paraibano 2017
Regulamento Paraibano 2017
Fábio Fernandes
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB x Fortaleza-CE
Súmula do Jogo Botafogo-PB x Fortaleza-CESúmula do Jogo Botafogo-PB x Fortaleza-CE
Súmula do Jogo Botafogo-PB x Fortaleza-CE
Fábio Fernandes
 
Súmula do Jogo ASA-AL x Botafogo-PB
Súmula do Jogo ASA-AL x Botafogo-PBSúmula do Jogo ASA-AL x Botafogo-PB
Súmula do Jogo ASA-AL x Botafogo-PB
Fábio Fernandes
 
Súmula do Jogo Palmeiras-SP x Botafogo-PB
Súmula do Jogo Palmeiras-SP x Botafogo-PBSúmula do Jogo Palmeiras-SP x Botafogo-PB
Súmula do Jogo Palmeiras-SP x Botafogo-PB
Fábio Fernandes
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x1 Confiança-SE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x1 Confiança-SESúmula do Jogo Botafogo-PB 2x1 Confiança-SE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x1 Confiança-SE
Fábio Fernandes
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 1x2 América-RN
Súmula do Jogo Botafogo-PB 1x2 América-RNSúmula do Jogo Botafogo-PB 1x2 América-RN
Súmula do Jogo Botafogo-PB 1x2 América-RN
Fábio Fernandes
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 América-RN
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 América-RNSúmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 América-RN
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 América-RN
Fábio Fernandes
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Remo-PA
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Remo-PASúmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Remo-PA
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Remo-PA
Fábio Fernandes
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Salgueiro-PE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Salgueiro-PESúmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Salgueiro-PE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Salgueiro-PE
Fábio Fernandes
 
Súmula do Jogo Ceará-CE 0x0 Botafogo-PB
Súmula do Jogo Ceará-CE 0x0 Botafogo-PBSúmula do Jogo Ceará-CE 0x0 Botafogo-PB
Súmula do Jogo Ceará-CE 0x0 Botafogo-PB
Fábio Fernandes
 
Súmula do Jogo Fortaleza-CE 1x0 Botafogo-PB
Súmula do Jogo Fortaleza-CE 1x0 Botafogo-PBSúmula do Jogo Fortaleza-CE 1x0 Botafogo-PB
Súmula do Jogo Fortaleza-CE 1x0 Botafogo-PB
Fábio Fernandes
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 3x0 Ceará-CE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 3x0 Ceará-CESúmula do Jogo Botafogo-PB 3x0 Ceará-CE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 3x0 Ceará-CE
Fábio Fernandes
 

Mais de Fábio Fernandes (20)

Regulamento da Primeira Divisão 2018
Regulamento da Primeira Divisão 2018Regulamento da Primeira Divisão 2018
Regulamento da Primeira Divisão 2018
 
Tabela do Campeonato Paraibano da Primeira Divisão 2018
Tabela do Campeonato Paraibano da Primeira Divisão 2018Tabela do Campeonato Paraibano da Primeira Divisão 2018
Tabela do Campeonato Paraibano da Primeira Divisão 2018
 
Contabilidade jan a jun 2017
Contabilidade jan a jun 2017Contabilidade jan a jun 2017
Contabilidade jan a jun 2017
 
CONVOCAÇÃO à Categoria da Saúde Privada da Paraíba
CONVOCAÇÃO à Categoria da Saúde Privada da ParaíbaCONVOCAÇÃO à Categoria da Saúde Privada da Paraíba
CONVOCAÇÃO à Categoria da Saúde Privada da Paraíba
 
Ofício encaminhado ao Vereador Helton Renê
Ofício encaminhado ao Vereador Helton RenêOfício encaminhado ao Vereador Helton Renê
Ofício encaminhado ao Vereador Helton Renê
 
CBF - Regulamento Geral das Competições 2017
CBF - Regulamento Geral das Competições 2017CBF - Regulamento Geral das Competições 2017
CBF - Regulamento Geral das Competições 2017
 
Tabela Copa do Nordeste 2017
Tabela Copa do Nordeste 2017Tabela Copa do Nordeste 2017
Tabela Copa do Nordeste 2017
 
Tabela do Paraibano 2017
Tabela do Paraibano 2017Tabela do Paraibano 2017
Tabela do Paraibano 2017
 
Regulamento Paraibano 2017
Regulamento Paraibano 2017Regulamento Paraibano 2017
Regulamento Paraibano 2017
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB x Fortaleza-CE
Súmula do Jogo Botafogo-PB x Fortaleza-CESúmula do Jogo Botafogo-PB x Fortaleza-CE
Súmula do Jogo Botafogo-PB x Fortaleza-CE
 
Súmula do Jogo ASA-AL x Botafogo-PB
Súmula do Jogo ASA-AL x Botafogo-PBSúmula do Jogo ASA-AL x Botafogo-PB
Súmula do Jogo ASA-AL x Botafogo-PB
 
Súmula do Jogo Palmeiras-SP x Botafogo-PB
Súmula do Jogo Palmeiras-SP x Botafogo-PBSúmula do Jogo Palmeiras-SP x Botafogo-PB
Súmula do Jogo Palmeiras-SP x Botafogo-PB
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x1 Confiança-SE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x1 Confiança-SESúmula do Jogo Botafogo-PB 2x1 Confiança-SE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x1 Confiança-SE
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 1x2 América-RN
Súmula do Jogo Botafogo-PB 1x2 América-RNSúmula do Jogo Botafogo-PB 1x2 América-RN
Súmula do Jogo Botafogo-PB 1x2 América-RN
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 América-RN
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 América-RNSúmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 América-RN
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 América-RN
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Remo-PA
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Remo-PASúmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Remo-PA
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Remo-PA
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Salgueiro-PE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Salgueiro-PESúmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Salgueiro-PE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 2x0 Salgueiro-PE
 
Súmula do Jogo Ceará-CE 0x0 Botafogo-PB
Súmula do Jogo Ceará-CE 0x0 Botafogo-PBSúmula do Jogo Ceará-CE 0x0 Botafogo-PB
Súmula do Jogo Ceará-CE 0x0 Botafogo-PB
 
Súmula do Jogo Fortaleza-CE 1x0 Botafogo-PB
Súmula do Jogo Fortaleza-CE 1x0 Botafogo-PBSúmula do Jogo Fortaleza-CE 1x0 Botafogo-PB
Súmula do Jogo Fortaleza-CE 1x0 Botafogo-PB
 
Súmula do Jogo Botafogo-PB 3x0 Ceará-CE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 3x0 Ceará-CESúmula do Jogo Botafogo-PB 3x0 Ceará-CE
Súmula do Jogo Botafogo-PB 3x0 Ceará-CE
 

As relações entre os movimentos feministas e outros movimentos sociais.

  • 1. . 67 Para termos uma idéia de como as desigualdades de gênero puderam ser ques- tionadas, discutidas e transformadas na sociedade, precisamos conhecer a contribuição dada pelos movimentos sociais, em especial o movimento fe- minista. Um marco da luta pela conquista de direitos iguais foi a Revolução Francesa (1789). Seus princípios revolucionários de justiça social, liberdade, igualdade e fraternidade passaram a inspirar gradualmente, ao longo dos sécu- los seguintes, reivindicações de diferentes segmentos sociais em condição de desigual- dade de acesso a direitos então negados. Mas foi só a partir do século XIX que começaram a surgir manifestações públicas pela igual- dade de direitos entre homens e mulheres, traduzidos no igual acesso de ambos à edu- cação, ao mercado de trabalho e ao voto. No decorrer do século XX, a partir da reflexão sobre a situação das mulheres nas sociedades ocidentais modernas, foi possível explicitar as desigualdades sociais e étnico-raciais que marcavam suas vidas. - - O Movimento sufragista, surgido na Inglaterra e nos Estados Unidos no início do século XX, reuniu mu- lheres que reivindicavam o direito de voto em assembléias políticas. No Brasil, somente em 1932, com a promulgação de um novo Código Eleitoral, é que a mulher passaria a ter direito de voto e de representação política.Antes disso,é conhecido um único caso de participação política feminina: em 1928, no Rio Grande do Norte, Alzira Soriano foi eleita a primeira prefeita da América do Sul. Muitas mulheres se candidataram à Constituinte de 1934, como Bertha Lutz, mas apenas Carlota Pereira de Queirós conseguiu se eleger. No an- tigo Distrito Federal (RJ), Almerin- da Farias Gama foi a única mulher a votar como delegada na eleição dos representantes classistas para a As- sembléia Nacional Constituinte. As relações entre os movimentos feministas e outros movimentos sociais
  • 2. . 68 O movimento feminista é considerado por importantes analistas sociais como o responsável pelas grandes mudanças ocorridas na segunda metade do século XX. Este movimento foi capaz de demonstrar à sociedade que as discriminações incidiam sobre as mulheres desde a sujeição feminina aos desígnios da autoridade masculina no ambiente doméstico até as situ- ações de guerra, nas quais as mulheres são vulneráveis a mutilações, a estupros e a abusos de toda ordem. O movimento feminista também possibilitou questionar a divisão sexual do tra- balho, tratada na unidade anterior, caracterizada pela desigual repartição de tarefas e de poder entre homens e mulheres, presente nas diversas sociedades. O movimento feminista aumentou as oportunidades sociais e as chances de superar os tra- dicionais obstáculos que impedem as mulheres de conquistar autonomia. No final do século XIX e início do século XX, ocorreu a primeira onda desse movimento de conquista de direitos sociais e políticos para as mulheres. Destacou-se, então, a bióloga Bertha Lutz que fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (1922) na luta pelo direito de voto, de escolha de domicílio e de trabalho, independente da autorização do marido. Novos desdobramentos do movimento iriam ocorrer nas décadas de 1960 e 1970, quando passou a reunir grupos organizados de mulheres (ONGs, grupos de pesquisas em universidades, lideranças políticas etc.) na defesa dos direitos das mulheres como seres humanos iguais aos homens. Ao colocar em discussão as posições inferiores e menos valorizadas que as mulheres ocupa- vam, o movimento feminista expôs as desigualdades de gênero: No mercado de trabalho; Na organização da vida política; No ordenamento jurídico da sociedade; Na produção de conhecimentos científicos; Em escolas, serviços de saúde, sindicatos e igrejas (nas diferentes religiões, com algumas exceções, como é o caso das religiões de matriz africana, as posições de liderança são majorita- riamente ocupadas por homens, embora as mulheres representem boa parte dos fiéis). Considerando a questão de gênero e representação política, será justa a proporcionalidade entre o número de deputadas e senadoras e o número total de mulheres no Brasil? Se as mu- lheres são maioria na população, porque não o são na representação política? A tendência da baixa representatividade e da desproporção na representação parlamentar das mulheres não é exclusiva do Brasil. Repete-se em todos os países, conforme dados da pesquisa feita pela União Interparlamentar (UIP), organização de fomento à cooperação entre as câmaras nacionais de mais de 140 países, e divulgada nos jornais brasileiros em 2 de março de 2006. 1. Fonte: Jornal O Globo, editoria O País, 02 de março de 2006.
  • 3. . 69 Segundo relatório publicado em 20061 , o Brasil foi parar na 107ª colocação no ranking sobre a participaçãodemulheresnascâmarasdedeputadoselaboradoem2007.Aavaliaçãoincluiu187 paísesefoifeitaapartirdosdadosdasúltimaseleiçõesemcadanação(noBrasil,asde2002),pela UniãoInterparlamentar(UIP).Ruanda,naÁfrica,apareceemprimeirolugar,com48%.Amédia brasileira,8,8%,époucosuperioràdepaísesárabes,quetêm6,8%demulheresnosparlamentos. As mulheres representam mais da metade da população do planeta. Os países nórdicos, re- conhecidos pela igualdade entre os sexos, ocupam posições no topo da lista: em segundo, a Suécia (45,3%); em terceiro, a Noruega (37,9%); em quarto, a Finlândia (37,5%); e em quinto, a Dinamarca (36,9%). Holanda (36,7%), Cuba (36%), Espanha (36%), Costa Rica (35,1%), Argentina (35%) e Moçambique (34,8%) completam a relação dos dez países com maior nú- mero de legisladoras. Os Estados Unidos também ficaram abaixo da média mundial de 16,6% de mulheres na composição da câmara dos representantes, com apenas 15,2%. O Brasil é o país sul-americano que ocupa a pior colocação na lista, atrás de Argentina (9), Guiana (17), Suriname (26), Peru (55),Venezuela (59), Bolívia (63), Equador (66), Chile (70), Colômbia (86), Uruguai (92) e Paraguai (99). A UIP nota a melhora no desempenho de al- guns países sul-americanos depois da introdução de políticas de cotas mínimas para candi- datas, como aconteceu na Argentina, na Bolívia e na Venezuela. A proporção de mulheres no Senado brasileiro é um pouco mais alta, de 12,3%, mas como vários países não têm uma estrutura semelhante, não foi elaborado um ranking específico. A tendência é de crescimento da participação de mulheres. A UIP aponta uma tendência mundial de crescimento na participação das mulheres, já que a média global de 16,4% de legisladoras é um recorde. Em 20 câmaras de deputados do mundo, as mulheres já ocupam mais de 30% das cadeiras, segundo a organização. No entanto, a UIP destacou que o objetivo de ter um mínimo de 30% de legisladoras em todo o mundo, estabelecido na Conferência das Mulheres da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995, ainda está distante.A organiza- ção também elogiou o progresso feito por países que enfrentaram conflitos nos últimos anos, como o Afeganistão, o Burundi, o Iraque e a Libéria. No Kuwait, mulheres foram autorizadas a se candidatar pela primeira vez em 2005, de acordo com a UIP. Considerando o fator gênero em outros âmbitos sociais, a subordinação da mulher aos dita- mes religiosos e científicos é antiga. Conforme análise da estudiosa Londa Schiebinger, que ajuda a entender as repercussões do movimento feminista e dos estudos de gênero na produ- ção de conhecimentos científicos, desde o Iluminismo, a ciência prometeu uma perspectiva “neutra” e privilegiada, acima dos interesses políticos e religiosos. Buscava-se produzir um conhecimento objetivo e universal que transcendesse às restrições culturais. Entretanto, a ci- ência não se mostrou neutra em questões de gênero e de raça. As desigualdades efetivamente (...) a subordinação da mulher aos ditames religiosos e científicos é antiga.
  • 4. . 70 vividas nessas relações influenciaram o conhecimento produzido nas instituições científicas. Na biologia e na medicina,o conhecimento sobre a saúde e o corpo da mulher pautou-se no seu aspecto físico,moral e de diferenciação entre os sexos,na tentativa de enfatizar a posição subor- dinada das mulheres na sociedade.DesdeAristóteles até Darwin,a mulher foi considerada uma versão incompleta ou menor do homem,“um desvio de tipo”, uma “monstruosidade”, ou um “erro” da natureza. Tais noções serviram como fundamento das perspectivas ocidentais sobre diferença sexual: a força física e a intelectual enalteciam o homem, e a maternidade, a mulher. Estadicotomiaconduziaconseqüentementeàdesvalorizaçãoeànegaçãodopoderfemininode gerar,ao mesmo tempo que demonstrava a preocupação masculina de controlar a reprodução2 . Um tema complementar à relação gênero e ciência é a entrada de mulheres nas profissões ditas masculinas. Na Inglaterra da segunda metade do século XIX, as feministas, que se orga- nizavam em torno da luta pelo direito ao voto, viam a entrada da mulher na medicina como uma necessidade por duas razões: A primeira diz respeito ao fato de que as médicas poderiam trazer mais conforto e segurança para as pacientes, livrando-as dos abusos cometidos pelos médicos homens. A segunda e mais importante razão era que as médicas poderiam ajudar a reconstruir as noções de feminilidade e masculinidade com base no estudo da biologia e da fisiologia. Elas teriam a possibilidade de dar uma legitimidade científica à redefinição da iden- tidade da mulher e justificar sua inclusão política (Kent, 1990 apud Rohden, 2001). Foi somente no século XX, a partir da década de 1960, que o movimento feminista pela saúde da mulher, contando com a participação de cientistas sociais, historiadoras, juristas, profissio- nais de saúde e outras militantes, passou a contestar a noção do destino biológico reprodutor das mulheres e a analisar o contexto histórico da construção do lugar da mulher na sociedade. Traduzida no lema “nosso corpo nos pertence”, a luta do movimento feminista tem buscado romper com a subordinação do corpo (e da vida) da mulher aos imperativos da reprodução. Daí a luta pela defesa do direito de livre acesso à contracepção e ao aborto ser crucial para o movimento, pois consolida a autonomia das mulheres para vivenciarem a sexualidade e a afetividade como direitos, sem os riscos permanentes de engravidarem. Glossário Movimento Feminista: Movimento social e político de defesa de direitos iguais para mulheres e homens, tanto no âmbito da legislação (plano normativo e jurídico), quanto no da formulação de políticas públicas que ofereçam serviços e programas sociais de apoio a mulheres. Somente (...) a partir da década de 1960 que o movimento feminista pela saúde da mulher (...) passou a contestar a noção do destino biológico reprodutor das mulheres e a analisar o contexto histórico da construção do lugar da mulher na sociedade 2. ROHDEN, F.“A construção da diferença sexual na medicina”. Review, Cad.Saúde Pública, Rio de Janeiro, 19 [Sup.2]: S201-S212, 2003