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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ – UESC
NÍVIA SANTOS BARBOSA FRANÇA
DISSEMINAÇÃO DO HÁBITO DE LEITURA NAS
CLASSES MENOS FAVORECIDAS, ATRAVÉS DO
CORDEL
ILHÉUS - BAHIA
2013
NÍVIA SANTOS BARBOSA FRANÇA
DISSEMINAÇÃO DO HÁBITO DE LEITURA NAS
CLASSES MENOS FAVORECIDAS, ATRAVÉS DO
CORDEL
Trabalho apresentado à professora Formadora Rita
Lírio de Oliveira, como parte de requisitos avaliativos
da disciplina TCC III.
ILHÉUS - BAHIA
2013
* Graduandaem LetrasVernáculasEad,pelaUESC (vinhalubi@hotmail.com)
* Orientadora.Professorade Línguae LiteraturaPortuguesa. ( claudialanisead@gmail.com )
* Coorientador.Professorde Línguae LiteraturaPortuguesa.Mestre emLetras:Linguagense
Representações. (caetano.uab.uesc@gmail.com )
DISSEMINAÇÃO DO HÁBITO DE LEITURA NAS CLASSES MENOS
FAVORECIDAS, ATRAVÉS DO CORDEL
Nívia Santos Barbosa França*
Cláudia Paulino de Lanis Patrício*
Luiz Antonio Caetano da Silva Júnior*
RESUMO
O cordel é uma grande demonstração da competência humana de transformar
tudo em poesia, de desenvolver a visão crítica e irônica, de expor o
pensamento sob forma figurada; partindo sempre de acontecimentos do
cotidiano e de questões sociais que envolvem a sociedade como um todo, e
principalmente as classes menos favorecidas. Destarte, este trabalho tem
como objetivo discutir sobre a importância da literatura regional em forma de
cordel e de que forma sua preservação e divulgação pode influenciar e
contribuir para a formação de leitores. O estudo será feito através de uma
pesquisa bibliográfica com base nos trabalhos de Galvão (2001), Viana (2006),
Lopes (1983), e outro artigos que discutem a relevância do cordel no ensino de
língua e literatura.
Palavras-Chaves: Literatura de Cordel. Leitura. Escola. Povo. Cultura.
INTRODUÇÃO
Através da leitura o sujeito resgata lembranças, realiza viagens, sorri,
chora, critica, defende, opina, concorda, discorda, abre a mente para o
misterioso, compreende e transforma a sua realidade. De fato, a leitura,
também tem o poder de induzir o sujeito à interação e atuação social; e de
2
mantê-lo sempre em contato com grande parte da cultura e compreensão do
mundo.
Mas,para que a leitura exerça realmente seu papel, é necessário utilizar
variadas estratégias e com elas acolher atentamente os anseios dos alunos,
despertando o interesse pela leitura de forma prazerosa. E, por ser a
publicação de textos na forma de cordel simples e de baixo custo, interessa-
nos investigar como essa forma de publicação pode contribuir para
disseminação do hábito de leitura entre as classes menos favorecidas, através
da preservação e divulgação das tradições literárias regionais do cordel.
O presente trabalho inicia com um resumo histórico sobre a literatura de
cordel, abordando suas origens, sua importância, também suas principais
características formais e estéticas; aborda-se também a importância da
preservação dessa tradição por meio do seu uso em sala de aula. No
desenvolvimento será enfatizada sua importância enquanto ferramenta de
incentivo à leitura, sua contribuição na formação do leitor crítico, na leitura de
imagens, na construção de sentido e no desenvolvimento da oralidade. Além
disso, este trabalho abordará a estrutura dos versos de cordel, e a técnica da
xilogravura.
Dessa forma, por meio deste trabalho, pretendemos mostrar essa rica
literatura popular, a literatura de cordel, e sua grande contribuição e
importância tanto na disseminação da cultura, quanto na formação de novos
leitores, sejam eles alfabetizados ou analfabetos, abastados ou menos
favorecidos.
1 ORIGEM DA LITERATURA DE CORDEL
Não se sabe ao certo quando se iniciou a literatura de cordel. Numa
reportagem ao jornal Mundo Lusíadas, Costa Filho assegura ter a literatura de
cordel surgida já por volta do século XII (século 12), em Portugal, se
propagando com mais intensidade no início do século XVII (século 17), e se
difundindo no Brasil através das grandes viagens colonizadoras:
3
A “literatura de cordel”, vem de Portugal, começou aí por volta do
início do século XVII (século 17), mesmo porque, a poesia é eterna,
vem da alma dos poetas, dos declamadores, dos cancioneiros e
temos notícias já do século XII (século 12), quando ainda falavam-se
o português arcaico, de poesias que ficavam gravadas para a
posterioridade [...] (COSTA FILHO, 2007).
Para Diegues Júnior, a literatura de cordel surgiu por volta do século XVI
na Europa, quando os trovadores contavam suas histórias em poesias
cantadas e acompanhadas de instrumentos musicais como o pandeiro e a
viola. Eles iam de feudo em feudo divertindo desde o povo até mesmo aos
nobres. Sua evolução se deu na União Ibérica, principalmente nas terras em
que hoje se referem ao território português. Em Portugal, as “folhas volantes” já
contavam narrativas de épocas antigas, de guerras, de amor, histórias de
cavaleiros; em suma, tratavam de temas ligados à memória popular.
Eram as “folhas volantes” também chamadas de “folhas soltas”. O
povo português antes que difundisse a imprensa, usava o registro de
poesia popular em “cadernos manuscritos”. Estas “folhas volante” ou
“folhas soltas”, decerto em impressão muito rudimentar ou precária,
eram vendidos nas feiras, nas romarias, nas praças ou nas ruas;
nelas registravam-se fatos históricos ou transcreviam-se igualmente
poesias eruditas. ( DIEGUES JUNIOR, 1986, p.35).
A criatividade do povo era refletida nesses folhetos e difundida através da
expressão oral. Os que dominavam a escrita deixavam seus registros em
papéis com o propósito de evidenciar seus sentimentos. Mas, a maioria das
pessoas dessa época, não sabia escrever, por isso, lhes era oportuno utilizar a
cultura da oralidade e seus saberes passados de geração para geração.
Segundo Gonçalo Ferreira, Presidente da Academia Brasileira de
Literatura de Cordel (ABLC), radicada no Brasil, a literatura de cordel teve sua
origem na Europa, logo depois da invenção da imprensa pelo alemão Johannes
Gutemberg:
A imprensa começou com livros muito caros como era a Bíblia de
Gutemberg, mas logo com a expansão das populações urbanas, etc.,
na Inglaterra, na França, em Portugal, na Itália, começaram a se
publicar livrinhos fininhos num papel barato e ilustrado por
xilogravuras. (SILVA, Gonçalo Ferreira da, 2010)
4
Ainda sobre a disparidade cronológica do início da literatura de cordel,
Linhares aponta os séculos XVI ao XVIII como o período áureo dessa literatura,
aproveitando também para desmistificar a ideia de vulgaridade atribuída ao
cordel:
A literatura de cordel teve sucesso, em Portugal, entre os séculos XVI
e XVIII. Os textos podiam ser em verso ou prosa, não sendo invulgar
trata-se de peças de teatro, e versavam sobre os mais variados
temas. Encontram-sefarsas, historietas, contos fantásticos, escritos
de fundo histórico moralizantes, etc., não só de autores anônimos,
mas também daqueles que assim, viram a sua obra vendida à preço
[...] ( LINHARES, 2006, apud, Santana, 2009).
Após alcançar o sucesso na Europa o Cordel chegou ao Brasil através
dos portugueses, se popularizando principalmente no Nordeste do país.
Aventa-se que isso ocorreu porque nessa região o desenvolvimento foi mais
tardio; portanto, “não havia outros meios de comunicação senão os versos de
cordel, que desempenhavam o papel de jornal, narrando os ocorridos da
região, como o cangaço, a seca, brigas familiares, casamentos, batizados”
(DIÉGUES JÚNIOR apud GALVÃO, 2001, p.31). A grande variedade de temas
nos folhetos de cordel encontrou no Nordeste brasileiro seu mais indicado
espaço, desenvolvendo e propagando assim, as sagas e a sabedoria do povo
nordestino.
Segundo historiadores, o primeiro folheto de cordel do Brasil foi publicado
no Nordeste, por Leandro Gomes de Barros, em 1893, dando início à
popularização dessa literatura no século XIX. Saraiva (2004, p.127-131), por
exemplo, afirma que a literatura de cordel por muito tempo foi menosprezada
por críticos literários e pesquisadores universitários, sendo a investigação
sobre sua origem, considerada como algo sem importância. Por isso, no Brasil
sua origem é controversa. O que se sabe ao certo é que a literatura de cordel
brasileira origina-se da literatura de cordel portuguesa, esta proveniente da
Espanha, França e Itália.
A informação mais concreta sobre o cordel no Brasil é sobre a impressão
de seu primeiro folheto através da imprensa régia, datada de 1815, intitulado A
História da Donzela Teodora, recontada de forma abrasileirada, pelo poeta
Leandro Gomes de Barros. E o registro do cordel mais antigo escrito por um
poeta brasileiro, segundo Francisco das Chagas Batista, é atribuído também a
5
Leandro Gomes de Barros. Porém, como a origem da literatura de cordel no
Brasil é incerta, há também divergências quanto a autoria do primeiro folheto
de cordel. Luís da Câmara Cascudo, escritor e folclorista, considerado um dos
mais conhecidos estudiosos da cultura popular, por exemplo, afirma ter sido de
Silvino Piruá de Lima a autoria do primeiro folheto de cordel brasileiro, o
Zezinho e Mariquinha. Com isso, várias opiniões existem sobre a verdadeira
origem do cordel brasileiro, persistindo assim uma dúvida quanto à autoria,
mas também uma concordância sobre o local de origem ser o Nordeste do
Brasil.
O cordel se desenvolveu com maior facilidade no Nordeste brasileiro,
devido às inúmeras situações sociais e culturais peculiares: a seca, a pobreza,
o cangaço, as brigas familiares e os crimes; situações estas que motivavam e
ainda motivam a composição de versos e cantigas de cordel para divulgá-las.
Era o meio de comunicação mais acessível ao povo nordestino até que um
período de declínio assolou o cordel; isso ocorreu porque o rádio e o cinema se
popularizaram após o desenvolvimento urbano e industrial que induziu os
nordestinos a migrarem para outras regiões em busca de emprego e melhores
condições de vida.
A construção de Brasília também contribuiu para a decadência do cordel
no Nordeste, pois muitos nordestinos foram trabalhar na construção da capital
do país, mudando por vezes, sua mentalidade nordestina, devido a convivência
em outra região. Mas, esse período foi superado e hoje a literatura de cordel
uniu-se aos grandes meios de comunicação, e tornou-se tema de grandes
pesquisas, podendo ser encontrada nos mais variados locais do país,
incentivada pela comunidade do Nordeste. E, como marco na história e
divulgação da literatura de cordel, foi fundada a Academia Brasileira de
Literatura de Cordel, no ano de 1988, no Rio de Janeiro.
Com o surgimento e o progresso dos meios de comunicação como a
revista, o jornal, a televisão, e ultimamente a internet, o cordel expandiu sua
divulgação, alcançando os mais remotos leitores, impondo assim seu valor, e
recebendo a devida importância e respeito enquanto cultura popular. Mas
algumas controvérsias também existem sobre os benefícios desse progresso
do cordel via internet. Para alguns cordelistas a internet permite além da
6
divulgação, a permanência da literatura de cordel enquanto arte e tradição.
Enquanto outros se preocupam com as interferências do interlocutor,
provocando a desestruturação da essência do cordel.
Como personalidade notável do cordel no Nordeste, é preciso mencionar
o grande cordelista Antonio Gonçalves da Silva, pernambucano de Assaré.
Conhecido como “Patativa do Assaré”. Este autor, embora fosse semi-
analfabeto, “sem saber as letras onde mora”, como versa em um de seus
poemas, era dotado de uma capacidade literária extraordinária. Seus versos
podem retratar sua realidade e as questões sociais de sua gente de maneira
atrativa e significativa.
2 CARACTERÍSTICAS DO CORDEL
O cordel é um folheto com poemas rimados que trata de temas populares
variados, desde o humor, histórias de valentia, romances, oração, até
problemas sociais. Dos contos das “mil e uma noites” às aventuras de reis e
rainhas; de ídolos populares aos heróis do sertão. Além disso, muitos são os
dramas, fatos jornalísticos e histórias engraçadas que atravessam o trajeto
dessa poesia popular que desperta um grande interesse por parte de
pesquisadores e folcloristas. Na literatura de cordel há o que escreve o cordel
em versos, o cordelista, e os que a partir de um tema, se enfrentam cantando
os versos, o cantador e o repentista. “Inicialmente, a literatura de cordel era
feita somente oralmente, sendo a sua leitura interrompida intencionalmente em
determinadas partes para estimular a curiosidade dos ouvintes e compradores,
nos sítios e feiras” (LINHARES, 2006). No entanto, após alguns anos, ela
passou a ser realizada de forma escrita e impressa em folhetos de papel
simples e de baixo custo. Os folhetos eram impressos em tipografias
artesanais, através de papel jornal, alguns com capas ilustradas com
xilogravuras ou fotos de artistas da época; depois eram expostos pendurados
em cordões para serem vendidos em feiras livres, grandes mercadões
populares e estações, tendo como público alvo pessoas de classes sociais
7
menos favorecidas e até mesmo analfabetas. Como era pendurado em
cordões recebeu o nome de “cordel” e ficou conhecido como Literatura de
Cordel, a partir da década de 70.
Os temas preferidos pelos cordelistas são acontecimentos e os
personagens históricos famosos, caracterizados ora de forma humorística,
satírica, jocosa; ora dramática. Outro grande tema sempre presente é o mítico
religioso, “expressado através de ações sobrenaturais (os processos de
encantamento e desencantamento, a magia), da presença da morte, da força
inevitável do destino (da sina, do acaso), da religiosidade cristã” (GALVÃO,
2001, p.81).
2.1 A xilogravura
A xilogravura, segundo o Dicionário Online de Português, é a “técnica de
gravura em madeira”. Sua provável origem é chinesa, divulgada desde o século
VI, sendo valorizada artisticamente anos mais tarde. As capas dos folhetos de
cordel apresentam xilogravuras, uma reprodução de imagens onde se utiliza a
técnica da prensa do papel na madeira, como um carimbo.
Hoje, sua composição já compreende nuances e cores variadas. No
domínio das artes plásticas brasileiras, a xilogravura dos cordéis contribui para
o destaque tanto do cordel, quanto dos poetas cordelistas.
3 CORDEL: como incentivo à leitura
A literatura de cordel no Brasil tem algumas particularidades. São
escritos em poesia, sendo que quase todos compostos em verso; em geral,
tem uma só ilustração na capa, e todo o resto é só texto. Utilizam a ficção com
histórias fantásticas, histórias de amor e aventuras; mas costumam também
aborda temas de caráter social. Entre estes, se destacam fatos e crimes
políticos, morte de famosos, fome, violência, desemprego, e todos os
problemas sociais que afligem as classes menos favorecidas. Utilizando uma
linguagem alternativa com humor e sátira, a literatura de cordel torna-se um
8
importante recurso de comunicação popular, sendo até mesmo considerada
“jornal do povo”, já que o acesso aos veículos de comunicação como o jornal e
o rádio, muitas vezes, eram restritos a determinadas classes.
Os folhetos de cordel podem ser lidos por qualquer pessoa e a
qualquer hora, com vizinhos, com parentes, ou com amigos. Segundo
a escritora Ana Galvão, é justamente essa forma coletiva da leitura
dos versos de cordel, que aproxima e desperta o gosto e a intimidade
dos menos favorecidos e até analfabetos com o mundo da leitura e
da escrita. ( GALVÃO, 2002, p.123).
Nos folhetos de cordel, as notícias são apresentadas por um poeta que
transmite confiança ao público por partilhar da mesma realidade e conviver na
mesma classe. Um vocabulário simples e direto, produzido de acordo a
urgência da informação, porém com humor e poesia, um “Jornalismo Popular”,
características que permitem a aproximação da classe menos favorecida à
leitura e valorização da literatura de cordel. (LUYTEN, 2007).
É importante mencionar, que o contato das classes menos favorecidas
com o cordel se dá de maneira organizada, atrativa e competente. Inicialmente,
o folheto é declamado ou cantado em voz alta pelo vendedor chamando a
atenção das pessoas que vão à feira, mercadões ou estações, locais onde os
folhetos são comercializados com mais frequência. Criando um suspense,a
leitura declamada ou cantada é interrompida justamente no momento do
desfecho do enredo, despertando assim , ainda mais o interesse do ouvinte em
adquirir o folheto para descobrir o final da história. (GALVÃO, 2002).
A literatura de cordel é um dos setores de estudos literários mais
produtivos e encantadores, graças ao vigor de sua produção baseada em fatos
da vida cotidiana da sociedade brasileira. O cordelista, poeta popular, por meio
dos folhetos de cordel, questiona temas relacionados ao contexto histórico
social do Brasil e do mundo, expondo sua concepção enquanto ser humano. A
partir da realidade que vivencia, ele discute características socioculturais,
econômica, política, religiosas e educacionais do povo. A ludicidade, os temas
abordados e sua enorme riqueza no que se refere à variedade de linguagens –
oral, escrita, musical e visual – fazem com que o cordel seja considerado um
valioso elemento motivador de aprendizagem.
9
É necessário enfatizar também que, a literatura de cordel, com suas
características particulares, como a rima, e a forma de escrita de seus versos,
com musicalidade, torna a leitura muito mais interessante para o leitor,
acentuando assim seu gosto pela leitura. O leitor de cordel, independente de
sua instrução, consegue desenvolver cada vez mais seu apreço pela leitura,
por permitir o cordel, para uma leitura agradável e contagiante, por tratar de
temas do cotidiano e atuais, de maneira bem acessível em sua linguagem, ao
leitor.
Sabendo-se que a Língua Portuguesa para despertar o interesse do aluno
pela leitura deve atuar de forma ordenada e agradável, a literatura de cordel
apresenta-se como facilitadora desse processo, por possuir características que
estimulam no leitor o desejo de ler cada vez mais. Apresentando textos
pequenos, de fácil compreensão, de fácil memorização, de linguagem clara,
objetiva e popular, de tom humorístico, de baixo custo, avantajado em versos
com rimas que podem ser cantados com auxílio de instrumentos musicais ou
falado, e assistido por expectadores. Facilitando a interação com a
memorização e a oralidade, abordando os mais diversos assuntos, desde os
mais conservadores até os mais polêmicos, como afirma Ariano Suassuna: “a
literatura popular em versos do Nordeste brasileiro pode ser classificada nos
seguintes ciclos: o heróico, o maravilhoso, o satírico e o
histórico”.(SUASSUNA, 2008).
Para se despertar nos alunos o apreço pela leitura, é importante que
inicialmente eles tenham contato com textos que representem suas vivências, e
a partir daí, desenvolvam a vontade pela busca e animação por outras
literaturas, como afirma GALVÃO(2002): “Muitos estudos realizados sobre
literatura de cordel no Brasil apontam o papel dos folhetos na alfabetização de
um significativo número de pessoas...”
Com isso, fica provado que o fato do cordel apresentar textos de fácil
compreensão e que retratam o cotidiano propicia ao leitor principiante a
capacidade de ler e compreender a leitura. E,principalmente de concluir e de
manifestar julgamentos e opiniões de forma consciente a respeito dos mais
variados temas, auxiliando o professor na etapa de transformar o aluno em
sujeito atuante do conhecimento.
10
Almeida (1963), também atribui aos folhetos de cordel a propiciação e
mediação de incentivo à leitura, devido a forma como os seus versos são
escritos, possibilitando a leitura coletiva:
A literatura de folhetos produzida no Nordeste brasileiro desde o final
do século XIX coloca homens e mulheres pobres na posição de
autores, leitores, editores e críticos de composições poéticas. Em
geral, associam-se esses papéis a pessoas da elite — se não
financeira, ao menos intelectual —, mas, no caso dos folhetos, gente
com pouca ou nenhuma instrução formal envolve-se intensamente
com o mundo das letras, seja produzindo e vendendo folhetos, seja
compondo e analisando versos, seja lendo e ouvindo narrativas.
O sucesso dos folhetos deve-se a um conjunto de fatores, entre os
quais se destaca a forte relação com a oralidade mantida por essas
composições. (ABREU, MÁRCIA, 2004)
A variedade da literatura de cordel é tão vasta que de uma simples roda
de amigos ao final do dia para ouvir histórias cantadas, recitadas, rimadas ou
declamadas, pode emergir novos interessados no mundo das letras. Leitores,
críticos, autores, sendo assim, uma forte influência positiva, no incentivo à
leitura.
3.1. Cordel na sala de aula
A escola é um condutor que possibilita o contato entre alunos e uma
grande variedade de gêneros textuais, transformando-os em ferramentas de
comunicação e, principalmente, objeto de ensino-aprendizagem que correta ou
incorretamente, sempre reserva um lugar para a literatura. Sendo assim, a
literatura de cordel pode ser usada como um recurso de diálogo entre o aluno e
a sociedade da qual o mesmo faz parte, e de discussão tanto das questões
gramaticais e literárias, como também contextuais, o que envolve os problemas
sociais, históricos, políticos e econômicos do Brasil, relatados no nos folhetos
de cordel. E, é através da leitura que a escola facilita ao aluno perceber a
pluralidade cultural, a exercer sua cidadania e acrescer sua variedade de
leituras, promovendo uma relação com os diversos gêneros textuais e artísticos
brasileiros. E, como nos dias atuais se exige muita agilidade, criatividade,
rapidez de pensamento, adaptação de estilo, discurso convincente, isto
determina à escola atualização: “levar o aluno a apropriar-se dos escritos para
11
agir na vida” (ROJO, 2006). Nesse âmbito, a variedade dos gêneros textuais se
fortalece em sala de aula, pois oferta ao aluno uma série de alternativas
textuais que, por conseguinte, lhe proverão diversas compreensões de mundo.
3.2. Espaço didático da literatura de cordel
Se os textos utilizados em sala de aula são sempre de cunho clássico,
qual espaço didático a literatura de cordel poderá ocupar?
A literatura de cordel tem desmistificado o modelo padrão de ensino de
leitura somente a partir de textos clássicos. E, vem promovendo o
desenvolvimento e apreço pela leitura com maior abrangência e maior
significação, induzindo a uma rica compreensão utilizando artifícios e
estratégias à altura, num mundo até mesmo tecnológico. Por ser uma literatura
que trata os mais variados temas da realidade, a literatura de cordel ajuda no
desenvolvimento das competências da leitura possibilitando um trabalho
transversal, contribuindo para um contato e valorização maior da cultura do
cordel enquanto ferramenta didática, expondo variados costumes, personagens
(reais ou imaginários), crenças, histórias, que aguçam a curiosidade dos
ouvintes e compradores. Ela exprime a particularidade da língua, as variedades
linguísticas, e concede diversos materiais para estudo dos diversos gêneros
textuais em sala de aula.
O professor que lida com textos e depende dos textos para ensinar os
conteúdos das respectivas disciplinas precisa conscientizar-se de
que, também ele, ensina o aluno a ler e a escrever. Compete-lhe,
portanto, independentemente da área de conhecimento em que atue,
alertar e orientar seus alunos para a adequação e a justeza da
expressão verbal, pelo menos no que se refere à consistência do
raciocínio e à propriedade de sua formulação no texto. Esta
propriedade envolve os recursos de incorporação /apropriação da fala
alheia (citações, referencias, retextualizações), o vocabulário, a
pontuação, os meios de conexão e de encadeamento das orações,
períodos e parágrafos, entre outras coisas. (AZEREDO, 2005, p.41)
Compreende-se, assim, qual a real importância da literatura em sala de
aula, que é informar de maneira encantadora, e principalmente, incentivar o
hábito de leitura, uma das principais características da literatura de cordel.
Viana (2010), enaltece essa importância da literatura de cordel afirmando que:
12
“O cordel é literatura popular da melhor cepa! Ela pode ser
compreendida, estudada e utilizada como ferramenta paradidática em
qualquer região do Brasil”. ( VIANA, 2010)
Sendo assim, é mister que a linguagem seja encarada como ferramenta
de construção de significados, de conhecimentos e de identidade do aluno em
todo e qualquer espaço.
3.3. Cordel: na formação do leitor crítico
A literatura de cordel em sala de aula aguça o senso crítico do aluno, e
sua habilidade de observação da realidade social, histórica, política e
econômica, na sociedade em que vive. Ela exprime a particularidade da língua,
as variedades linguísticas e concede diversos materiais para estudo. Contribui
para uma educação direcionada para a realidade, apresentando ao aluno uma
visão de mundo, motivando nele diversas questões a respeito de sua posição
na sociedade. Por isso, segundo Lima (1995), para fazer florescer o leitor
crítico, é preciso alçar a leitura à condição de instrumento de conscientização
capaz de aguçar a criticidade do aprendiz, habilitando-o a compreender as
contradições existentes na sociedade. E, é a partir dessa perspectiva, que a
literatura de cordel é vista como recurso significativo para se desenvolver a
leitura crítica, pois parte da realidade do leitor ao retratar fatos do cotidiano,
habilitando-o a compreender, interferir e provocar mudanças nessa realidade.
“ Ler, compreender, interpretar, criticar sua literatura é um exercício de
cidadania, através do qual, estética – histórica – socialmente, ele pode interferir
na sociedade como sujeito crítico e criador. (LIMA, 1995).
Isto quer dizer, que a leitura deve ter sentido para quem lê, deve ser
envolvida na realidade, possibilitando a formação do leitor e seu
posicionamento crítico diante da leitura feita, e não simplesmente uma
decodificação de signos e símbolos.
NÓBREGA ( 2003), através da literatura de cordel, contribuiu para o
processo ensino/aprendizagem, ao reproduzir em versos de cordel,
13
metrificados e rimados, com musicalidade, todo o trajeto da “carta do
achamento” do Brasil, relatada pelo escrivão da época, Pero Vaz de Caminha.
A “Carta do Achamento”
É um bom documentário,
Que registra a circunstância
Como se fosse um diário,
Mesmo sendo um documento
Possui valor literário.”
( NÓBREGA, 2003, p.9)
Com isso, uma nova leitura foi proporcionada, dessa feita, de forma mais
atrativa e envolvente, inserindo assim a literatura de cordel, e também
alcançando de uma maneira mais agradável, o objetivo da aula.
3.4. Cordel: leitura de imagens e construção de sentido
Diante da nova concepção de texto, que envolve não só o âmbito das
palavras mas também da imagem, num contexto de textos que apresentam
diversidades de linguagens (verbal e não verbal), a literatura de cordel
apresenta-se como importante recurso didático para se trabalhar a leitura de
imagens.
As imagens da literatura de cordel, as xilogravuras, em sua maioria
apresentam linguagem não-verbal, enunciam informações que abrangem fatos
sociais, tornando-se um texto crítico. E, a partir destas imagens, o leitor poderá
construir sentidos, perceber ideias subentendidas e refletir sobre o tema em
foco, emitindo críticas e opiniões sobre as questões sociais representadas.
3.5. Cordel no desenvolvimento da oralidade
O sucesso dos folhetos e cordel deve-se a um conjunto de fatores, entre
os quais se destaca a forte relação com a oralidade mantida por essas
composições. (ABREU, 2004).Muitos são os desdobramentos de opções da
Literatura de cordel ao ponto de uma singela roda de amigos parar para ouvir,
14
rimar, cantar, declarar ou recitar histórias, desencadeando a probabilidade do
surgimento e formação de novos artistas literários. Assim, vale ressaltar, é
tamanha a ascendência da literatura de cordel à estratégia de incentivo à
leitura, uma literatura considerada simples, mas de valor imensurável.
Sendo assim, a inclusão da oralidade na sala de aula, contribui e muito na
formação de um falante competente, um falante que adapta a fala à conjuntura,
que se posiciona diante de situações reais como as retratadas nos versos dos
folhetos de cordel, de forma crítica e concisa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O uso da literatura de cordel como base didática tem auxiliado na
alfabetização das pessoas desde seu surgimento de forma manuscrita, até os
dias de hoje, e também como estimulador na formação do leitor e no hábito de
leitura.
Segundo ABREU, GALVÃO e outros autores mencionados neste trabalho,
o cordel através da sua inserção no processo de ensino–aprendizagem,
propicia a reflexão e a disseminação do hábito de leitura nas classes menos
favorecidas, através da preservação e da divulgação das tradições literárias
regionais.
Comprovando assim, a necessidade e a importância da inclusão da
literatura de cordel nas leituras escolares, pois esta possibilita o
desenvolvimento e o apreço pela leitura a partir da representação do cotidiano,
com uma linguagem clara, objetiva e essencial. Fica confirmado também que
ainda que a literatura de cordel seja uma literatura modesta, com um
vocabulário pouco rebuscado, produzido de forma simples e barata, ela foca o
ser humano em suas variadas fases históricas, enfatizando a realidade em que
ele foi concebido.
Porém, além da falta de acessibilidade das classes menos favorecidas a
outros gêneros textuais de comunicação e de leitura, como jornais, revistas e
literatura clássica, devido ao seu alto custo, percebe-se também, a resistência
15
e falta de interesse dessa mesma classe em manter contato com esse tipo de
leitura. Isto se dá, na maioria das vezes, porque os textos são alheios à sua
realidade. Sendo assim, deve-se lançar mão da literatura de cordel, pois esta,
com sua linguagem popular e bem humorada, trata de assuntos diversos,
cativando a atenção e interesse de pessoas de todas as idades pela leitura, ao
mesmo tempo em que divulga e preserva a literatura regional, organizando e
construindo projetos nas escolas, nas ruas, nos bairros, nas feiras, em todos os
possíveis locais, visando disseminar o hábito da leitura, e por prazer.
REFERÊNCIAS
ABREU, Márcia. História de cordéis e folhetos. Campinas, SP: Mercado das
Letras, ALB, 1999.
ASSARÉ, P. Inspiração Nordestina. São Paulo: Hedra, 2003.
BRASIL. Orientações Curriculares Para o Ensino Médio. Conhecimentos
de Literatura. Secretaria de Educação Básica. Ministério da Educação.
Brasília: 2006.
CRISTÓVÃO, V. L. L.; NASCIMENTO, E. L. Gêneros Textuais e ensino:
contribuições do interacionismosócio-discursivo. In KARWOSKI, A. M.;
GAYDECZKA, B.; BRITO, K. S. Gêneros Textuais: reflexões e ensino. 2ª ed.
Lucerna: Rio de Janeiro, 2006.
DIÉGUES JÚNIOR, M. et al. Literatura popular em verso: estudos. Belo
Horizonte: Ed. Itatiaia: São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Rio
de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986.
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Autêntica, 2001.
LIMA, Aldo de: Literatura em crise na vida e na escola. In: Investigações.
Linguística e teoria Literária. Programa de Pós-Graduação em Letras e
Linguística, UFP, v.5, p.101 – 109, 1995.
LINHARES, Thelma R. S. A história da Literatura de Cordel. Disponível em :
http: www.camarabrasileira.com/cordel101. htm>. Acesso em 11 de julho de
2013.
LIRA, Janaína da Conceição Jerônimo. Cordel na comunidade: formando
leitores entre o riso, o silencio e o encantamento. Paraíba: UFCG, Linguagem e
Ensino.
16
LOPES, Ribamar. Literatura de cordel: antologia. Fortaleza: BNB, 1983.
LUYTEN, J. M. O que é literatura de cordel. São Paulo: Brasiliense, 2007.
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João Pessoa: Ideia, 2003.
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linguagem: estudos linguísticos e literários. Uberlândia: EDUFU, 2006.
SANTANA, Bruna B. S. Interdisciplinaridade em sala de aula. Disponível em:
http: camarabasileira.com/cordel201.htm>. Acesso em: 30 de junho de 2013.
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Maria de Fátima Barbosa de Mesquita et al. Estudos em Literatura Popular.
João Pessoa: Editora Universitária – UFPB, 2004.
SUASSUNA, A. A arte Popular no Brasil. Almanaque Armorial. Rio de
Janeiro: José Olympio, 2008
VIANA, Arievaldo. Acorda Cordel na Sala de Aula. Disponível em:
http:fotolog.terra.com.br/acorda_cordel:17>Acesso em 30 de junho de 2013.
_________Acorda Cordel na Sala de Aula. 2. ed. Fortaleza: Gráfica Encaixe,
2010.
17
CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DO ARTIGO: As notas em vermelho representam o
percentual atingido pelo orientando em cada item.
a) Estrutura e organização do artigo (resumo, introdução, desenvolvimento,
considerações finais, referências, numeração) - valor 1,0 / 0,8
b) Coerência e coesão textuais – valor 3,0 / 2,5
c) Autoria e expressividade – valor 3,0 / 2,0
d) Observação das correções e sugestões do professor-orientador e coorientador –
valor 3,0/ 2,5
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  • 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ – UESC NÍVIA SANTOS BARBOSA FRANÇA DISSEMINAÇÃO DO HÁBITO DE LEITURA NAS CLASSES MENOS FAVORECIDAS, ATRAVÉS DO CORDEL ILHÉUS - BAHIA 2013
  • 2. NÍVIA SANTOS BARBOSA FRANÇA DISSEMINAÇÃO DO HÁBITO DE LEITURA NAS CLASSES MENOS FAVORECIDAS, ATRAVÉS DO CORDEL Trabalho apresentado à professora Formadora Rita Lírio de Oliveira, como parte de requisitos avaliativos da disciplina TCC III. ILHÉUS - BAHIA 2013
  • 3. * Graduandaem LetrasVernáculasEad,pelaUESC (vinhalubi@hotmail.com) * Orientadora.Professorade Línguae LiteraturaPortuguesa. ( claudialanisead@gmail.com ) * Coorientador.Professorde Línguae LiteraturaPortuguesa.Mestre emLetras:Linguagense Representações. (caetano.uab.uesc@gmail.com ) DISSEMINAÇÃO DO HÁBITO DE LEITURA NAS CLASSES MENOS FAVORECIDAS, ATRAVÉS DO CORDEL Nívia Santos Barbosa França* Cláudia Paulino de Lanis Patrício* Luiz Antonio Caetano da Silva Júnior* RESUMO O cordel é uma grande demonstração da competência humana de transformar tudo em poesia, de desenvolver a visão crítica e irônica, de expor o pensamento sob forma figurada; partindo sempre de acontecimentos do cotidiano e de questões sociais que envolvem a sociedade como um todo, e principalmente as classes menos favorecidas. Destarte, este trabalho tem como objetivo discutir sobre a importância da literatura regional em forma de cordel e de que forma sua preservação e divulgação pode influenciar e contribuir para a formação de leitores. O estudo será feito através de uma pesquisa bibliográfica com base nos trabalhos de Galvão (2001), Viana (2006), Lopes (1983), e outro artigos que discutem a relevância do cordel no ensino de língua e literatura. Palavras-Chaves: Literatura de Cordel. Leitura. Escola. Povo. Cultura. INTRODUÇÃO Através da leitura o sujeito resgata lembranças, realiza viagens, sorri, chora, critica, defende, opina, concorda, discorda, abre a mente para o misterioso, compreende e transforma a sua realidade. De fato, a leitura, também tem o poder de induzir o sujeito à interação e atuação social; e de
  • 4. 2 mantê-lo sempre em contato com grande parte da cultura e compreensão do mundo. Mas,para que a leitura exerça realmente seu papel, é necessário utilizar variadas estratégias e com elas acolher atentamente os anseios dos alunos, despertando o interesse pela leitura de forma prazerosa. E, por ser a publicação de textos na forma de cordel simples e de baixo custo, interessa- nos investigar como essa forma de publicação pode contribuir para disseminação do hábito de leitura entre as classes menos favorecidas, através da preservação e divulgação das tradições literárias regionais do cordel. O presente trabalho inicia com um resumo histórico sobre a literatura de cordel, abordando suas origens, sua importância, também suas principais características formais e estéticas; aborda-se também a importância da preservação dessa tradição por meio do seu uso em sala de aula. No desenvolvimento será enfatizada sua importância enquanto ferramenta de incentivo à leitura, sua contribuição na formação do leitor crítico, na leitura de imagens, na construção de sentido e no desenvolvimento da oralidade. Além disso, este trabalho abordará a estrutura dos versos de cordel, e a técnica da xilogravura. Dessa forma, por meio deste trabalho, pretendemos mostrar essa rica literatura popular, a literatura de cordel, e sua grande contribuição e importância tanto na disseminação da cultura, quanto na formação de novos leitores, sejam eles alfabetizados ou analfabetos, abastados ou menos favorecidos. 1 ORIGEM DA LITERATURA DE CORDEL Não se sabe ao certo quando se iniciou a literatura de cordel. Numa reportagem ao jornal Mundo Lusíadas, Costa Filho assegura ter a literatura de cordel surgida já por volta do século XII (século 12), em Portugal, se propagando com mais intensidade no início do século XVII (século 17), e se difundindo no Brasil através das grandes viagens colonizadoras:
  • 5. 3 A “literatura de cordel”, vem de Portugal, começou aí por volta do início do século XVII (século 17), mesmo porque, a poesia é eterna, vem da alma dos poetas, dos declamadores, dos cancioneiros e temos notícias já do século XII (século 12), quando ainda falavam-se o português arcaico, de poesias que ficavam gravadas para a posterioridade [...] (COSTA FILHO, 2007). Para Diegues Júnior, a literatura de cordel surgiu por volta do século XVI na Europa, quando os trovadores contavam suas histórias em poesias cantadas e acompanhadas de instrumentos musicais como o pandeiro e a viola. Eles iam de feudo em feudo divertindo desde o povo até mesmo aos nobres. Sua evolução se deu na União Ibérica, principalmente nas terras em que hoje se referem ao território português. Em Portugal, as “folhas volantes” já contavam narrativas de épocas antigas, de guerras, de amor, histórias de cavaleiros; em suma, tratavam de temas ligados à memória popular. Eram as “folhas volantes” também chamadas de “folhas soltas”. O povo português antes que difundisse a imprensa, usava o registro de poesia popular em “cadernos manuscritos”. Estas “folhas volante” ou “folhas soltas”, decerto em impressão muito rudimentar ou precária, eram vendidos nas feiras, nas romarias, nas praças ou nas ruas; nelas registravam-se fatos históricos ou transcreviam-se igualmente poesias eruditas. ( DIEGUES JUNIOR, 1986, p.35). A criatividade do povo era refletida nesses folhetos e difundida através da expressão oral. Os que dominavam a escrita deixavam seus registros em papéis com o propósito de evidenciar seus sentimentos. Mas, a maioria das pessoas dessa época, não sabia escrever, por isso, lhes era oportuno utilizar a cultura da oralidade e seus saberes passados de geração para geração. Segundo Gonçalo Ferreira, Presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), radicada no Brasil, a literatura de cordel teve sua origem na Europa, logo depois da invenção da imprensa pelo alemão Johannes Gutemberg: A imprensa começou com livros muito caros como era a Bíblia de Gutemberg, mas logo com a expansão das populações urbanas, etc., na Inglaterra, na França, em Portugal, na Itália, começaram a se publicar livrinhos fininhos num papel barato e ilustrado por xilogravuras. (SILVA, Gonçalo Ferreira da, 2010)
  • 6. 4 Ainda sobre a disparidade cronológica do início da literatura de cordel, Linhares aponta os séculos XVI ao XVIII como o período áureo dessa literatura, aproveitando também para desmistificar a ideia de vulgaridade atribuída ao cordel: A literatura de cordel teve sucesso, em Portugal, entre os séculos XVI e XVIII. Os textos podiam ser em verso ou prosa, não sendo invulgar trata-se de peças de teatro, e versavam sobre os mais variados temas. Encontram-sefarsas, historietas, contos fantásticos, escritos de fundo histórico moralizantes, etc., não só de autores anônimos, mas também daqueles que assim, viram a sua obra vendida à preço [...] ( LINHARES, 2006, apud, Santana, 2009). Após alcançar o sucesso na Europa o Cordel chegou ao Brasil através dos portugueses, se popularizando principalmente no Nordeste do país. Aventa-se que isso ocorreu porque nessa região o desenvolvimento foi mais tardio; portanto, “não havia outros meios de comunicação senão os versos de cordel, que desempenhavam o papel de jornal, narrando os ocorridos da região, como o cangaço, a seca, brigas familiares, casamentos, batizados” (DIÉGUES JÚNIOR apud GALVÃO, 2001, p.31). A grande variedade de temas nos folhetos de cordel encontrou no Nordeste brasileiro seu mais indicado espaço, desenvolvendo e propagando assim, as sagas e a sabedoria do povo nordestino. Segundo historiadores, o primeiro folheto de cordel do Brasil foi publicado no Nordeste, por Leandro Gomes de Barros, em 1893, dando início à popularização dessa literatura no século XIX. Saraiva (2004, p.127-131), por exemplo, afirma que a literatura de cordel por muito tempo foi menosprezada por críticos literários e pesquisadores universitários, sendo a investigação sobre sua origem, considerada como algo sem importância. Por isso, no Brasil sua origem é controversa. O que se sabe ao certo é que a literatura de cordel brasileira origina-se da literatura de cordel portuguesa, esta proveniente da Espanha, França e Itália. A informação mais concreta sobre o cordel no Brasil é sobre a impressão de seu primeiro folheto através da imprensa régia, datada de 1815, intitulado A História da Donzela Teodora, recontada de forma abrasileirada, pelo poeta Leandro Gomes de Barros. E o registro do cordel mais antigo escrito por um poeta brasileiro, segundo Francisco das Chagas Batista, é atribuído também a
  • 7. 5 Leandro Gomes de Barros. Porém, como a origem da literatura de cordel no Brasil é incerta, há também divergências quanto a autoria do primeiro folheto de cordel. Luís da Câmara Cascudo, escritor e folclorista, considerado um dos mais conhecidos estudiosos da cultura popular, por exemplo, afirma ter sido de Silvino Piruá de Lima a autoria do primeiro folheto de cordel brasileiro, o Zezinho e Mariquinha. Com isso, várias opiniões existem sobre a verdadeira origem do cordel brasileiro, persistindo assim uma dúvida quanto à autoria, mas também uma concordância sobre o local de origem ser o Nordeste do Brasil. O cordel se desenvolveu com maior facilidade no Nordeste brasileiro, devido às inúmeras situações sociais e culturais peculiares: a seca, a pobreza, o cangaço, as brigas familiares e os crimes; situações estas que motivavam e ainda motivam a composição de versos e cantigas de cordel para divulgá-las. Era o meio de comunicação mais acessível ao povo nordestino até que um período de declínio assolou o cordel; isso ocorreu porque o rádio e o cinema se popularizaram após o desenvolvimento urbano e industrial que induziu os nordestinos a migrarem para outras regiões em busca de emprego e melhores condições de vida. A construção de Brasília também contribuiu para a decadência do cordel no Nordeste, pois muitos nordestinos foram trabalhar na construção da capital do país, mudando por vezes, sua mentalidade nordestina, devido a convivência em outra região. Mas, esse período foi superado e hoje a literatura de cordel uniu-se aos grandes meios de comunicação, e tornou-se tema de grandes pesquisas, podendo ser encontrada nos mais variados locais do país, incentivada pela comunidade do Nordeste. E, como marco na história e divulgação da literatura de cordel, foi fundada a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, no ano de 1988, no Rio de Janeiro. Com o surgimento e o progresso dos meios de comunicação como a revista, o jornal, a televisão, e ultimamente a internet, o cordel expandiu sua divulgação, alcançando os mais remotos leitores, impondo assim seu valor, e recebendo a devida importância e respeito enquanto cultura popular. Mas algumas controvérsias também existem sobre os benefícios desse progresso do cordel via internet. Para alguns cordelistas a internet permite além da
  • 8. 6 divulgação, a permanência da literatura de cordel enquanto arte e tradição. Enquanto outros se preocupam com as interferências do interlocutor, provocando a desestruturação da essência do cordel. Como personalidade notável do cordel no Nordeste, é preciso mencionar o grande cordelista Antonio Gonçalves da Silva, pernambucano de Assaré. Conhecido como “Patativa do Assaré”. Este autor, embora fosse semi- analfabeto, “sem saber as letras onde mora”, como versa em um de seus poemas, era dotado de uma capacidade literária extraordinária. Seus versos podem retratar sua realidade e as questões sociais de sua gente de maneira atrativa e significativa. 2 CARACTERÍSTICAS DO CORDEL O cordel é um folheto com poemas rimados que trata de temas populares variados, desde o humor, histórias de valentia, romances, oração, até problemas sociais. Dos contos das “mil e uma noites” às aventuras de reis e rainhas; de ídolos populares aos heróis do sertão. Além disso, muitos são os dramas, fatos jornalísticos e histórias engraçadas que atravessam o trajeto dessa poesia popular que desperta um grande interesse por parte de pesquisadores e folcloristas. Na literatura de cordel há o que escreve o cordel em versos, o cordelista, e os que a partir de um tema, se enfrentam cantando os versos, o cantador e o repentista. “Inicialmente, a literatura de cordel era feita somente oralmente, sendo a sua leitura interrompida intencionalmente em determinadas partes para estimular a curiosidade dos ouvintes e compradores, nos sítios e feiras” (LINHARES, 2006). No entanto, após alguns anos, ela passou a ser realizada de forma escrita e impressa em folhetos de papel simples e de baixo custo. Os folhetos eram impressos em tipografias artesanais, através de papel jornal, alguns com capas ilustradas com xilogravuras ou fotos de artistas da época; depois eram expostos pendurados em cordões para serem vendidos em feiras livres, grandes mercadões populares e estações, tendo como público alvo pessoas de classes sociais
  • 9. 7 menos favorecidas e até mesmo analfabetas. Como era pendurado em cordões recebeu o nome de “cordel” e ficou conhecido como Literatura de Cordel, a partir da década de 70. Os temas preferidos pelos cordelistas são acontecimentos e os personagens históricos famosos, caracterizados ora de forma humorística, satírica, jocosa; ora dramática. Outro grande tema sempre presente é o mítico religioso, “expressado através de ações sobrenaturais (os processos de encantamento e desencantamento, a magia), da presença da morte, da força inevitável do destino (da sina, do acaso), da religiosidade cristã” (GALVÃO, 2001, p.81). 2.1 A xilogravura A xilogravura, segundo o Dicionário Online de Português, é a “técnica de gravura em madeira”. Sua provável origem é chinesa, divulgada desde o século VI, sendo valorizada artisticamente anos mais tarde. As capas dos folhetos de cordel apresentam xilogravuras, uma reprodução de imagens onde se utiliza a técnica da prensa do papel na madeira, como um carimbo. Hoje, sua composição já compreende nuances e cores variadas. No domínio das artes plásticas brasileiras, a xilogravura dos cordéis contribui para o destaque tanto do cordel, quanto dos poetas cordelistas. 3 CORDEL: como incentivo à leitura A literatura de cordel no Brasil tem algumas particularidades. São escritos em poesia, sendo que quase todos compostos em verso; em geral, tem uma só ilustração na capa, e todo o resto é só texto. Utilizam a ficção com histórias fantásticas, histórias de amor e aventuras; mas costumam também aborda temas de caráter social. Entre estes, se destacam fatos e crimes políticos, morte de famosos, fome, violência, desemprego, e todos os problemas sociais que afligem as classes menos favorecidas. Utilizando uma linguagem alternativa com humor e sátira, a literatura de cordel torna-se um
  • 10. 8 importante recurso de comunicação popular, sendo até mesmo considerada “jornal do povo”, já que o acesso aos veículos de comunicação como o jornal e o rádio, muitas vezes, eram restritos a determinadas classes. Os folhetos de cordel podem ser lidos por qualquer pessoa e a qualquer hora, com vizinhos, com parentes, ou com amigos. Segundo a escritora Ana Galvão, é justamente essa forma coletiva da leitura dos versos de cordel, que aproxima e desperta o gosto e a intimidade dos menos favorecidos e até analfabetos com o mundo da leitura e da escrita. ( GALVÃO, 2002, p.123). Nos folhetos de cordel, as notícias são apresentadas por um poeta que transmite confiança ao público por partilhar da mesma realidade e conviver na mesma classe. Um vocabulário simples e direto, produzido de acordo a urgência da informação, porém com humor e poesia, um “Jornalismo Popular”, características que permitem a aproximação da classe menos favorecida à leitura e valorização da literatura de cordel. (LUYTEN, 2007). É importante mencionar, que o contato das classes menos favorecidas com o cordel se dá de maneira organizada, atrativa e competente. Inicialmente, o folheto é declamado ou cantado em voz alta pelo vendedor chamando a atenção das pessoas que vão à feira, mercadões ou estações, locais onde os folhetos são comercializados com mais frequência. Criando um suspense,a leitura declamada ou cantada é interrompida justamente no momento do desfecho do enredo, despertando assim , ainda mais o interesse do ouvinte em adquirir o folheto para descobrir o final da história. (GALVÃO, 2002). A literatura de cordel é um dos setores de estudos literários mais produtivos e encantadores, graças ao vigor de sua produção baseada em fatos da vida cotidiana da sociedade brasileira. O cordelista, poeta popular, por meio dos folhetos de cordel, questiona temas relacionados ao contexto histórico social do Brasil e do mundo, expondo sua concepção enquanto ser humano. A partir da realidade que vivencia, ele discute características socioculturais, econômica, política, religiosas e educacionais do povo. A ludicidade, os temas abordados e sua enorme riqueza no que se refere à variedade de linguagens – oral, escrita, musical e visual – fazem com que o cordel seja considerado um valioso elemento motivador de aprendizagem.
  • 11. 9 É necessário enfatizar também que, a literatura de cordel, com suas características particulares, como a rima, e a forma de escrita de seus versos, com musicalidade, torna a leitura muito mais interessante para o leitor, acentuando assim seu gosto pela leitura. O leitor de cordel, independente de sua instrução, consegue desenvolver cada vez mais seu apreço pela leitura, por permitir o cordel, para uma leitura agradável e contagiante, por tratar de temas do cotidiano e atuais, de maneira bem acessível em sua linguagem, ao leitor. Sabendo-se que a Língua Portuguesa para despertar o interesse do aluno pela leitura deve atuar de forma ordenada e agradável, a literatura de cordel apresenta-se como facilitadora desse processo, por possuir características que estimulam no leitor o desejo de ler cada vez mais. Apresentando textos pequenos, de fácil compreensão, de fácil memorização, de linguagem clara, objetiva e popular, de tom humorístico, de baixo custo, avantajado em versos com rimas que podem ser cantados com auxílio de instrumentos musicais ou falado, e assistido por expectadores. Facilitando a interação com a memorização e a oralidade, abordando os mais diversos assuntos, desde os mais conservadores até os mais polêmicos, como afirma Ariano Suassuna: “a literatura popular em versos do Nordeste brasileiro pode ser classificada nos seguintes ciclos: o heróico, o maravilhoso, o satírico e o histórico”.(SUASSUNA, 2008). Para se despertar nos alunos o apreço pela leitura, é importante que inicialmente eles tenham contato com textos que representem suas vivências, e a partir daí, desenvolvam a vontade pela busca e animação por outras literaturas, como afirma GALVÃO(2002): “Muitos estudos realizados sobre literatura de cordel no Brasil apontam o papel dos folhetos na alfabetização de um significativo número de pessoas...” Com isso, fica provado que o fato do cordel apresentar textos de fácil compreensão e que retratam o cotidiano propicia ao leitor principiante a capacidade de ler e compreender a leitura. E,principalmente de concluir e de manifestar julgamentos e opiniões de forma consciente a respeito dos mais variados temas, auxiliando o professor na etapa de transformar o aluno em sujeito atuante do conhecimento.
  • 12. 10 Almeida (1963), também atribui aos folhetos de cordel a propiciação e mediação de incentivo à leitura, devido a forma como os seus versos são escritos, possibilitando a leitura coletiva: A literatura de folhetos produzida no Nordeste brasileiro desde o final do século XIX coloca homens e mulheres pobres na posição de autores, leitores, editores e críticos de composições poéticas. Em geral, associam-se esses papéis a pessoas da elite — se não financeira, ao menos intelectual —, mas, no caso dos folhetos, gente com pouca ou nenhuma instrução formal envolve-se intensamente com o mundo das letras, seja produzindo e vendendo folhetos, seja compondo e analisando versos, seja lendo e ouvindo narrativas. O sucesso dos folhetos deve-se a um conjunto de fatores, entre os quais se destaca a forte relação com a oralidade mantida por essas composições. (ABREU, MÁRCIA, 2004) A variedade da literatura de cordel é tão vasta que de uma simples roda de amigos ao final do dia para ouvir histórias cantadas, recitadas, rimadas ou declamadas, pode emergir novos interessados no mundo das letras. Leitores, críticos, autores, sendo assim, uma forte influência positiva, no incentivo à leitura. 3.1. Cordel na sala de aula A escola é um condutor que possibilita o contato entre alunos e uma grande variedade de gêneros textuais, transformando-os em ferramentas de comunicação e, principalmente, objeto de ensino-aprendizagem que correta ou incorretamente, sempre reserva um lugar para a literatura. Sendo assim, a literatura de cordel pode ser usada como um recurso de diálogo entre o aluno e a sociedade da qual o mesmo faz parte, e de discussão tanto das questões gramaticais e literárias, como também contextuais, o que envolve os problemas sociais, históricos, políticos e econômicos do Brasil, relatados no nos folhetos de cordel. E, é através da leitura que a escola facilita ao aluno perceber a pluralidade cultural, a exercer sua cidadania e acrescer sua variedade de leituras, promovendo uma relação com os diversos gêneros textuais e artísticos brasileiros. E, como nos dias atuais se exige muita agilidade, criatividade, rapidez de pensamento, adaptação de estilo, discurso convincente, isto determina à escola atualização: “levar o aluno a apropriar-se dos escritos para
  • 13. 11 agir na vida” (ROJO, 2006). Nesse âmbito, a variedade dos gêneros textuais se fortalece em sala de aula, pois oferta ao aluno uma série de alternativas textuais que, por conseguinte, lhe proverão diversas compreensões de mundo. 3.2. Espaço didático da literatura de cordel Se os textos utilizados em sala de aula são sempre de cunho clássico, qual espaço didático a literatura de cordel poderá ocupar? A literatura de cordel tem desmistificado o modelo padrão de ensino de leitura somente a partir de textos clássicos. E, vem promovendo o desenvolvimento e apreço pela leitura com maior abrangência e maior significação, induzindo a uma rica compreensão utilizando artifícios e estratégias à altura, num mundo até mesmo tecnológico. Por ser uma literatura que trata os mais variados temas da realidade, a literatura de cordel ajuda no desenvolvimento das competências da leitura possibilitando um trabalho transversal, contribuindo para um contato e valorização maior da cultura do cordel enquanto ferramenta didática, expondo variados costumes, personagens (reais ou imaginários), crenças, histórias, que aguçam a curiosidade dos ouvintes e compradores. Ela exprime a particularidade da língua, as variedades linguísticas, e concede diversos materiais para estudo dos diversos gêneros textuais em sala de aula. O professor que lida com textos e depende dos textos para ensinar os conteúdos das respectivas disciplinas precisa conscientizar-se de que, também ele, ensina o aluno a ler e a escrever. Compete-lhe, portanto, independentemente da área de conhecimento em que atue, alertar e orientar seus alunos para a adequação e a justeza da expressão verbal, pelo menos no que se refere à consistência do raciocínio e à propriedade de sua formulação no texto. Esta propriedade envolve os recursos de incorporação /apropriação da fala alheia (citações, referencias, retextualizações), o vocabulário, a pontuação, os meios de conexão e de encadeamento das orações, períodos e parágrafos, entre outras coisas. (AZEREDO, 2005, p.41) Compreende-se, assim, qual a real importância da literatura em sala de aula, que é informar de maneira encantadora, e principalmente, incentivar o hábito de leitura, uma das principais características da literatura de cordel. Viana (2010), enaltece essa importância da literatura de cordel afirmando que:
  • 14. 12 “O cordel é literatura popular da melhor cepa! Ela pode ser compreendida, estudada e utilizada como ferramenta paradidática em qualquer região do Brasil”. ( VIANA, 2010) Sendo assim, é mister que a linguagem seja encarada como ferramenta de construção de significados, de conhecimentos e de identidade do aluno em todo e qualquer espaço. 3.3. Cordel: na formação do leitor crítico A literatura de cordel em sala de aula aguça o senso crítico do aluno, e sua habilidade de observação da realidade social, histórica, política e econômica, na sociedade em que vive. Ela exprime a particularidade da língua, as variedades linguísticas e concede diversos materiais para estudo. Contribui para uma educação direcionada para a realidade, apresentando ao aluno uma visão de mundo, motivando nele diversas questões a respeito de sua posição na sociedade. Por isso, segundo Lima (1995), para fazer florescer o leitor crítico, é preciso alçar a leitura à condição de instrumento de conscientização capaz de aguçar a criticidade do aprendiz, habilitando-o a compreender as contradições existentes na sociedade. E, é a partir dessa perspectiva, que a literatura de cordel é vista como recurso significativo para se desenvolver a leitura crítica, pois parte da realidade do leitor ao retratar fatos do cotidiano, habilitando-o a compreender, interferir e provocar mudanças nessa realidade. “ Ler, compreender, interpretar, criticar sua literatura é um exercício de cidadania, através do qual, estética – histórica – socialmente, ele pode interferir na sociedade como sujeito crítico e criador. (LIMA, 1995). Isto quer dizer, que a leitura deve ter sentido para quem lê, deve ser envolvida na realidade, possibilitando a formação do leitor e seu posicionamento crítico diante da leitura feita, e não simplesmente uma decodificação de signos e símbolos. NÓBREGA ( 2003), através da literatura de cordel, contribuiu para o processo ensino/aprendizagem, ao reproduzir em versos de cordel,
  • 15. 13 metrificados e rimados, com musicalidade, todo o trajeto da “carta do achamento” do Brasil, relatada pelo escrivão da época, Pero Vaz de Caminha. A “Carta do Achamento” É um bom documentário, Que registra a circunstância Como se fosse um diário, Mesmo sendo um documento Possui valor literário.” ( NÓBREGA, 2003, p.9) Com isso, uma nova leitura foi proporcionada, dessa feita, de forma mais atrativa e envolvente, inserindo assim a literatura de cordel, e também alcançando de uma maneira mais agradável, o objetivo da aula. 3.4. Cordel: leitura de imagens e construção de sentido Diante da nova concepção de texto, que envolve não só o âmbito das palavras mas também da imagem, num contexto de textos que apresentam diversidades de linguagens (verbal e não verbal), a literatura de cordel apresenta-se como importante recurso didático para se trabalhar a leitura de imagens. As imagens da literatura de cordel, as xilogravuras, em sua maioria apresentam linguagem não-verbal, enunciam informações que abrangem fatos sociais, tornando-se um texto crítico. E, a partir destas imagens, o leitor poderá construir sentidos, perceber ideias subentendidas e refletir sobre o tema em foco, emitindo críticas e opiniões sobre as questões sociais representadas. 3.5. Cordel no desenvolvimento da oralidade O sucesso dos folhetos e cordel deve-se a um conjunto de fatores, entre os quais se destaca a forte relação com a oralidade mantida por essas composições. (ABREU, 2004).Muitos são os desdobramentos de opções da Literatura de cordel ao ponto de uma singela roda de amigos parar para ouvir,
  • 16. 14 rimar, cantar, declarar ou recitar histórias, desencadeando a probabilidade do surgimento e formação de novos artistas literários. Assim, vale ressaltar, é tamanha a ascendência da literatura de cordel à estratégia de incentivo à leitura, uma literatura considerada simples, mas de valor imensurável. Sendo assim, a inclusão da oralidade na sala de aula, contribui e muito na formação de um falante competente, um falante que adapta a fala à conjuntura, que se posiciona diante de situações reais como as retratadas nos versos dos folhetos de cordel, de forma crítica e concisa. CONSIDERAÇÕES FINAIS O uso da literatura de cordel como base didática tem auxiliado na alfabetização das pessoas desde seu surgimento de forma manuscrita, até os dias de hoje, e também como estimulador na formação do leitor e no hábito de leitura. Segundo ABREU, GALVÃO e outros autores mencionados neste trabalho, o cordel através da sua inserção no processo de ensino–aprendizagem, propicia a reflexão e a disseminação do hábito de leitura nas classes menos favorecidas, através da preservação e da divulgação das tradições literárias regionais. Comprovando assim, a necessidade e a importância da inclusão da literatura de cordel nas leituras escolares, pois esta possibilita o desenvolvimento e o apreço pela leitura a partir da representação do cotidiano, com uma linguagem clara, objetiva e essencial. Fica confirmado também que ainda que a literatura de cordel seja uma literatura modesta, com um vocabulário pouco rebuscado, produzido de forma simples e barata, ela foca o ser humano em suas variadas fases históricas, enfatizando a realidade em que ele foi concebido. Porém, além da falta de acessibilidade das classes menos favorecidas a outros gêneros textuais de comunicação e de leitura, como jornais, revistas e literatura clássica, devido ao seu alto custo, percebe-se também, a resistência
  • 17. 15 e falta de interesse dessa mesma classe em manter contato com esse tipo de leitura. Isto se dá, na maioria das vezes, porque os textos são alheios à sua realidade. Sendo assim, deve-se lançar mão da literatura de cordel, pois esta, com sua linguagem popular e bem humorada, trata de assuntos diversos, cativando a atenção e interesse de pessoas de todas as idades pela leitura, ao mesmo tempo em que divulga e preserva a literatura regional, organizando e construindo projetos nas escolas, nas ruas, nos bairros, nas feiras, em todos os possíveis locais, visando disseminar o hábito da leitura, e por prazer. REFERÊNCIAS ABREU, Márcia. História de cordéis e folhetos. Campinas, SP: Mercado das Letras, ALB, 1999. ASSARÉ, P. Inspiração Nordestina. São Paulo: Hedra, 2003. BRASIL. Orientações Curriculares Para o Ensino Médio. Conhecimentos de Literatura. Secretaria de Educação Básica. Ministério da Educação. Brasília: 2006. CRISTÓVÃO, V. L. L.; NASCIMENTO, E. L. Gêneros Textuais e ensino: contribuições do interacionismosócio-discursivo. In KARWOSKI, A. M.; GAYDECZKA, B.; BRITO, K. S. Gêneros Textuais: reflexões e ensino. 2ª ed. Lucerna: Rio de Janeiro, 2006. DIÉGUES JÚNIOR, M. et al. Literatura popular em verso: estudos. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia: São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 1986. GALVÃO, Ana Maria Oliveira. Cordel: leitores e ouvintes. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. LIMA, Aldo de: Literatura em crise na vida e na escola. In: Investigações. Linguística e teoria Literária. Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística, UFP, v.5, p.101 – 109, 1995. LINHARES, Thelma R. S. A história da Literatura de Cordel. Disponível em : http: www.camarabrasileira.com/cordel101. htm>. Acesso em 11 de julho de 2013. LIRA, Janaína da Conceição Jerônimo. Cordel na comunidade: formando leitores entre o riso, o silencio e o encantamento. Paraíba: UFCG, Linguagem e Ensino.
  • 18. 16 LOPES, Ribamar. Literatura de cordel: antologia. Fortaleza: BNB, 1983. LUYTEN, J. M. O que é literatura de cordel. São Paulo: Brasiliense, 2007. NÓBREGA, Ivaldo. A História da Literatura Brasileira em Versos. 3ª ed. João Pessoa: Ideia, 2003. ROJO, Rosane. O texto como unidade de ensino e o gênero como objeto de ensino da Língua Portuguesa. In: TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Encontro na linguagem: estudos linguísticos e literários. Uberlândia: EDUFU, 2006. SANTANA, Bruna B. S. Interdisciplinaridade em sala de aula. Disponível em: http: camarabasileira.com/cordel201.htm>. Acesso em: 30 de junho de 2013. SARAIVA, Arnaldo. O início da Literatura de Cordel Brasileira. In: BATISTA, Maria de Fátima Barbosa de Mesquita et al. Estudos em Literatura Popular. João Pessoa: Editora Universitária – UFPB, 2004. SUASSUNA, A. A arte Popular no Brasil. Almanaque Armorial. Rio de Janeiro: José Olympio, 2008 VIANA, Arievaldo. Acorda Cordel na Sala de Aula. Disponível em: http:fotolog.terra.com.br/acorda_cordel:17>Acesso em 30 de junho de 2013. _________Acorda Cordel na Sala de Aula. 2. ed. Fortaleza: Gráfica Encaixe, 2010.
  • 19. 17 CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DO ARTIGO: As notas em vermelho representam o percentual atingido pelo orientando em cada item. a) Estrutura e organização do artigo (resumo, introdução, desenvolvimento, considerações finais, referências, numeração) - valor 1,0 / 0,8 b) Coerência e coesão textuais – valor 3,0 / 2,5 c) Autoria e expressividade – valor 3,0 / 2,0 d) Observação das correções e sugestões do professor-orientador e coorientador – valor 3,0/ 2,5 Total: 7,8