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Trabalho Apresentado no "4° Congresso Internacional GOVERNO, GESTÃO E
PROFISSIONALIZAÇÃO EM ÂMBITO LOCAL FRENTE AOS GRANDES
DESAFIOS DE NOSSO TEMPO", no eixo temático Modernização dos governos e
inovação administrativa, promovido pela Escola de Governo Professor Paulo
Neves de Carvalho da Fundação João Pinheiro e outros entre 21 e 23 de outubro
de 2013.
CLOUD COMPUTING: POTENCIAL DE MOTIVAÇÃO PARA
INICIATIVAS DE GOVERNO ELETRÔNICO
Marcelo de Alencar Veloso
2
RESUMO
O papel desempenhado hoje pelo e-governo ou governo eletrônico para promover
suas políticas de inclusão e participação social tem assumido, em todas as regiões
do mundo, o status de política pública prioritária. Cientes do poder que o governo
eletrônico possui para responder às demandas da sociedade, sejam elas a buscca
por serviços públicos, transparência de ações ou participação política, os governos
têm investido cada vez mais no desenvolvimento de programas de governo
eletrônico.
Hoje, novas e poderosas tecnologias podem ser utilizadas para promover tais
iniciativas, com serviços públicos projetados para serem agéis, focados no
cidadão e de inclusão social. Nesse contexto, o uso de serviços móveis, crowd
sourcing, computação em nuvem, quiosques de e-serviços e outras inovações tem
que ser promovido e incentivado.
Sendo assim, o objetivo desse estudo é apresentar quais os possíveis benefícios
a serem alcançados e quais os principais desafios a serem enfrentados em
iniciativas de governo eletrônico com a adoção da computação em nuvem.
Palavras-chaves: Governo Eletrônico. E-Government. Computação em Nuvem.
Cloud Computing. Políticas Públicas.
3
1 INTRODUÇÃO
O desenvolvimento de programas de governo eletrônico tem estado cada vez mais
presente na pauta de diferentes governos, através da utilização das modernas
tecnologias de informação e comunicação (TICs) com o objetivo de democratizar o
acesso à informação, ampliar discussões, e dinamizar a prestação de serviços
públicos com foco na eficiência e efetividade das funções governamentais. A sua
adoção proporciona uma transformação das relações entre o governo e a
sociedade, sejam os cidadãos, sejam empresas privadas, e também entre os
próprios órgãos do governo. Nessas relações transformadas, destaca-se o
ambiente propício para o fortalecimento da participação cidadã, através da
otimização dos serviços prestados à população, estímulo à interação e discussão
dos problemas enfrentados pelo cidadão.
De acordo com a pesquisa “E-Government Survey 2012” realizada pelas Nações
Unidas sobre governo eletrônico, o progresso na prestação de serviços on-line
continua na maioria dos países ao redor do mundo. Entre os líderes de governo
eletrônico, soluções tecnológicas inovadoras ganharam reconhecimento especial
como meio de revitalizar setores econômicos e sociais pouco desenvolvidos
(United Nations, 2012)
Nesse contexto, a cloud computing, ou computação em nuvem, apresenta-se
como um novo modelo de uso de tecnologias da informação e comunicação que
possui um grande potencial de motivar, auxiliar e aprimorar o desenvolvimento e
adoção de novas iniciativas de governo eletrônico. Suas características, modelos
de serviço e modelos de implantação possibilitam o desenvolvimento e
implementação de novos serviços primando pela agilidade, eficiência, inovação e
principalmente redução de custos. Sem dúvida, são motivadores que fazem com
que a utilização da computação em nuvem para desenvolver programas de
governo eletrônico não deva ser ignorada pelos governos, ao contrário, que seja
considerada como estratégica e como um fator crítico de sucesso, a fim de
4
promover e alavancar a integração entre governo e sociedade, incrementando
ainda o desenvolvimento econômico e social.
2 GOVERNO ELETRÔNICO
De acordo com o Portal governoeletrônico.com.br, o E-GOV ou governo eletrônico
pode ser entendido “como uma das principais formas de modernização do estado
e está fortemente apoiado no uso das novas tecnologias para a prestação de
serviços públicos, mudando a maneira com que o governo interage com os
cidadãos, empresas e outros governos” (http://governoeletronico.com.br/).
Uma abordagem que oferece maior abrangência ao tema é feita por Nogueira
(2001), ao dizer que a expressão “governo eletrônico”,
deve ser vista com alguma cautela, pois reduz o governar ao
campo estrito da prestação de serviços, deixando de lado sua
dimensão mais propriamente política, referente ao dirigir e ao
articular, com vistas a fixar diretrizes de ação para a
coletividade, reforçar seus laços internos e sua convivência.
Essa visão expande as possibilidades a serem alcançadas com iniciativas de
governo eletrônico, permitindo imaginar que as relações desenvolvidas pelos
governos com os diferentes atores do processo irão extrapolar a simples
prestação de serviços, possibilitando um relacionamento muito mais próximo entre
todos os envolvidos.
Essas relações, segundo Fernandes (2001, p.2), “envolvem três tipos de
transações: G2G, quando se trata de uma relação intra ou intergovernos; G2B,
caracterizado por transações entre governos e fornecedores; e G2C, envolvendo
relações entre governos e cidadãos”. De acordo com a autora, “estas transações
ocorrem não apenas por meio da Internet, mas também por meio de telefonia
móvel, televisão digital, call centers e outros tipos de aplicações ligadas aos
computadores pessoais” (Fernandes, 2001, p.2).
5
Autores como Zweers e Planqué (2001 como citado em Garcia, 2006, p.80) dizem
que governo eletrônico é um conceito emergente e que objetiva fornecer ou
disponibilizar informações, serviços e produtos, através de meio eletrônico/digital,
a partir ou através de órgãos públicos, a qualquer momento, local e cidadão, de
modo a agregar valor a todos os envolvidos com a esfera pública.
Apesar das diferentes definições, algumas das funções características que podem
ser identificadas em um chamado governo eletrônico são apresentadas por
Fernandes (2001, p.3), sendo elas:
a) prestação eletrônica de informações e serviços;
b) regulamentação das redes de informação, envolvendo principalmente
governança, certificação e tributação;
c) prestação de contas públicas, transparência e monitoramento da execução
orçamentária;
d) ensino à distância, alfabetização digital e manutenção de bibliotecas
virtuais;
e) difusão cultural com ênfase nas identidades locais, fomento e preservação
das culturas locais;
f) e-procurement, isto é, aquisição de bens e serviços por meio da Internet,
como licitações públicas eletrônicas, pregões eletrônicos, cartões de
compras governamentais, bolsas de compras públicas virtuais e outros
tipos de mercados digitais para os bens adquiridos pelo governo;
g) estímulo aos e-negócios, através da criação de ambientes de transações
seguras, especialmente para pequenas e médias empresas.
Ainda de acordo com Fernandes (2001, p.3), o desenvolvimento do e-governo
passa, geralmente, por quatro estágios:
O primeiro consiste na criação de sites para a difusão de informações sobre os
mais diversos órgãos e departamentos dos diversos níveis de governo.
Eventualmente, esses sites são reunidos em um portal que, neste estágio,
6
consiste apenas em uma espécie de catálogo de endereços dos vários órgãos do
governo.
No segundo estágio, estes sites passam também a receber informações e dados
por parte dos cidadãos, empresas ou outros órgãos. A comunicação neste caso
torna-se uma via de mão dupla. O contribuinte pode enviar sua declaração de
imposto de renda ou informar uma mudança de endereço; são criados endereços
eletrônicos para receber reclamações ou sugestões nas diversas repartições;
firmas se cadastram eletronicamente para o fornecimento de certos serviços;
dados são transferidos, usando a Internet, de um departamento ou de uma
prefeitura ou de uma unidade hospitalar, por exemplo, para um órgão central, e
assim por diante.
Na terceira etapa de implantação do e-governo, as transações se tornam ainda
mais complexas. Neste estágio, são possíveis trocas de valores que podem ser
quantificáveis. São realizadas operações como pagamentos de contas e impostos,
educação à distância, matrículas na rede pública, marcação de consultas médicas,
compras de materiais, etc. Em outras palavras, além de informações, valores são
trocados e serviços anteriormente prestados por um conjunto de funcionários atrás
do balcão são agora realizados usando uma plataforma de rede e uma interface
direta e imediata com o cidadão ou empresa. Isto implica adaptações nos
processos de trabalho.
Estas modificações tornam-se ainda mais complexas e radicais no quarto estágio
de implantação do e-governo. Nele, é desenvolvido um tipo de portal que não é
mais um simples índice de sites do governo com centenas de endereços, mas um
lugar de convergência de todos os serviços prestados pelo governo. Neste
estágio, o serviço é disponibilizado por funções ou temas, e não segundo a divisão
real do governo em ministérios, departamentos, etc.
Levando em conta esses estágios, pode-se considerar que a implementação de
um governo eletrônico tem como um de seus principais objetivos a universalização
dos serviços prestados à sociedade, utilizando-se principalmente das
7
características da Internet, ao oferecer e possibilitar acesso a qualquer hora e de
qualquer lugar aos seus usuários, através de uma interação de fácil utilização, e
que certamente também exigirá transformações da sociedade.
3 CLOUD COMPUTING
Apesar do termo cloud computing, ou computação em nuvem ser relativamente
novo, tem-se feito grande alarido em torno do mesmo, sendo considerado como
uma das expressões “em moda” mais amplamente utilizada no mundo da
Tecnologia da Informação.
Tal fato leva ao surgimento de inúmeras e diferentes definições acerca do tema,
feitas por fornecedores, acadêmicos, analistas e usuários. Dentre toda essa
diversidade, o National Institute of Standards and Technology [NIST] (2011)
apresenta aquela que tem sido considerada como a melhor definição para o tema,
uma vez que é relativamente simples e reflete bem o mercado de Tecnologia da
Informação, ao considerar que:
computação em nuvem é um modelo para habilitar acesso
conveniente, sob demanda, para um conjunto compartilhado de
recursos computacionais configuráveis (por exemplo: redes,
servidores, armazenamento, aplicações e serviços) que pode
ser provisionado e liberado rapidamente com mínimo esforço de
gerenciamento ou interação do provedor de serviço.
O modelo do NIST (2011) para a computação em nuvem define ainda cinco
características essenciais, três modelos de serviço e quatro modelos de
implementação, conforme exibido na Figura 1.
8
Figura 1: Modelo Visual da Definição de Computação em Nuvem do NIST (2011)
As características essenciais, de acordo com o NIST (2011) são as seguintes:
1. Auto-atendimento sob demanda:
Um consumidor pode unilateralmente provisionar capacidades de
computação, tais como tempo de servidor e armazenamento de rede,
conforme suas necessidades de forma automática, sem necessidade de
interação humana com o provedor de serviços.
2. Amplo acesso à rede:
Recursos estão disponíveis através da rede e são acessados por meio de
mecanismos padrões que promovam uso através de plataformas
heterogêneas (por exemplo, telefones celulares, tablets, notebooks e
estações de trabalho).
3. Pool de recursos:
Recursos de computação do provedor são agrupados para atender
múltiplos consumidores através de um modelo multilocatário, com
diferentes recursos físicos e virtuais atribuídos e retribuídos dinamicamente
de acordo com a demanda do consumidor. Há um senso de independência
de localização em que o cliente geralmente não tem controle ou
9
conhecimento sobre a localização exata dos recursos disponibilizados, mas
pode ser capaz de especificar o local em um nível maior de abstração (por
exemplo, país, estado ou datacenter). Exemplos de recursos incluem o
armazenamento, processamento, memória e largura de banda de rede.
4. Elasticidade rápida:
Capacidades podem ser elasticamente provisionadas e liberadas, em
alguns casos, automaticamente, para escalar rapidamente para fora e para
dentro, de acordo com a demanda. Para o consumidor, as capacidades
disponíveis para provisionamento frequentemente parecem ser ilimitadas e
podem ser contratadas em qualquer quantidade a qualquer momento.
5. Serviço medido:
Sistemas em nuvem automaticamente controlam e otimizam o uso dos
recursos, alavancando a capacidade de medição em algum nível de
abstração apropriado para o tipo de serviço (por exemplo, processamento,
armazenamento, largura de banda e contas de usuários ativos). O uso dos
recursos pode ser monitorado, controlado e reportado, oferecendo
transparência tanto para o provedor quanto para o consumidor do serviço
utilizado.
Conforme a definição do NIST (2011) há três opções de modelos de entrega de
serviços de computação em nuvem, compondo o seu padrão arquitetural:
1. SaaS – Software as a Service (Software como Serviço):
Nesse modelo, a capacidade fornecida ao consumidor é a utilização de
aplicativos do provedor rodando em uma infraestrutura de nuvem. As
aplicações são acessíveis a partir de vários dispositivos clientes, tais como
um navegador web, ou uma interface de programa. O consumidor não
gerencia ou controla a infraestrutura de nuvem subjacente, incluindo rede,
servidores, sistemas operacionais, armazenamento, ou mesmo
capacidades individuais dos aplicativos, com a possível exceção de
configurações limitadas do aplicativo, específicas para o usuário.
2. PaaS – Platform as a Service (Plataforma como Serviço):
10
É fornecida ao consumidor a capacidade para implantar sobre a
infraestrutura de nuvem aplicações criadas ou adquiridas usando
linguagens de programação, bibliotecas, serviços e ferramentas suportadas
pelo provedor. O consumidor não gerencia ou controla a infraestrutura de
nuvem subjacente, incluindo rede, servidores, sistemas operacionais ou
armazenamento, mas tem controle sobre os aplicativos implementados e
possivelmente definições de configuração para o ambiente de hospedagem
dos aplicativos.
3. IaaS – Infrastructure as a Service (Infraestrutura como Serviço):
O consumidor recebe a capacidade de provisionar processamento,
armazenamento, redes e outros recursos de computação fundamentais,
onde ele será capaz de implantar e executar software arbitrário, que podem
incluir sistemas operacionais e aplicativos. O consumidor não gerencia ou
controla a infraestrutura de nuvem subjacente, mas tem controle sobre
sistemas operacionais, armazenamento, aplicativos implementados e
possivelmente controle limitado de componentes de rede específicos.
Cada um desses modelos, ainda de acordo com o NIST (2011), pode ser
implementado em quatro diferentes modelos de implementação da infraestrutura
de nuvem, que são:
1. Nuvem pública:
Provisionada para uso aberto ao público em geral.
2. Nuvem privada:
Provisionada para uso exclusivo por uma única organização que
compreende vários consumidores – por exemplo, unidades de negócio.
3. Nuvem comunitária:
Provisionada para uso exclusivo por uma comunidade específica de
organizações que compartilham interesses comuns – por exemplo, a
missão, requisitos de segurança e política.
4. Nuvem híbrida:
Combinação de dois os mais dos modelos anteriores.
11
A combinação dos diferentes modelos de serviço e de implementação levam a
uma grande diversidade de opções de contratação às organizações interessadas
na computação em nuvem, exigindo, por consequência, um nível mínimo de
conhecimento de cada um desses modelos para que sua escolha esteja alinhada
corretamente às suas necessidades, avaliando não somente as expectativas dos
benefícios, mas também os desafios a serem superados.
4 POTENCIAL DA NUVEM PARA O GOVERNO ELETRÔNICO
O uso de Tecnologias da Informação e Comunicação é apontado como um meio
que viabiliza o desenvolvimento de programas de governo eletrônico, sendo
considerado fundamental para o sucesso desses programas.
De acordo com Fernandes (2001), uma avançada infraestrutura de redes e de
computação são alguns dos pré-requisitos básicos do desenvolvimento do e-
governo. Certamente, não há como imaginar qualquer política de governo
eletrônico que não faça uso intensivo de tecnologias.
Nessa perspectiva, a United Nations (2012) afirma que as evidências mostram que
é possível utilizar com sucesso as TIC com base em estruturas de governança
que sustentam a eficácia das instituições do setor público.
Avaliando-se a computação em nuvem a partir de suas características essenciais,
seus modelos de entrega de serviços e seus modelos de implantação, é possível
identificar nesse modelo um grande potencial para contribuir para novas
estratégias de governo eletrônico, ao mesmo tempo em que possibilita o
aperfeiçoamento daquelas já existentes.
Algumas questões que demonstram esse potencial são apresentadas a seguir.
12
4.1 Eficiência
O cenário atual do uso de tecnologias da informação e comunicação pela
administração pública mostra um ambiente pouco eficiente, caracterizado
principalmente por:
 baixa utilização de ativos;
 demanda fragmentada de recursos;
 sistemas duplicados;
 ambientes de difícil gestão;
 prazos longos de aquisição.
Essas ineficiências impactam negativamente a capacidade dos governos de
prestar seus serviços aos cidadãos, e consequentemente dificultam políticas de
governo eletrônico.
Através do uso da computação em nuvem, é possível reduzir ou até mesmo
eliminar muitas dessas ineficiências. Muitos benefícios podem ser esperados a
partir de sua utilização, destacando-se sobremaneira a liberação de recursos
humanos para atividades de maior valor, ou seja, atividades mais estratégicas.
A computação em nuvem é capaz de permitir ainda a utilização mais eficiente dos
recursos computacionais, evitando-se compras superdimensionadas de recursos
de infraestrutura. A responsabilidade pela gestão dos ambientes onde esses
recursos estarão alocados é transferida ao prestador de serviços, sem que isso
incorra em aumento de custos. A utilização de sistemas através do modelo de
Software como Serviço pode evitar a duplicação de sistemas e dados, eliminando
um dos grandes problemas enfrentados pela TIC pública.
Além disso, a definição de políticas para uso da computação em nuvem será
capaz de propiciar aos órgãos e entidades da administração pública a segurança
necessária para realizar suas aquisições na nuvem, e uma vez que estejam
13
estabelecidas diretrizes e regras, os prazos para aquisição e contratação tendem
a ser consideravelmente reduzidos.
4.2 Inovação
Muitos dos benefícios oferecidos pela TIC ainda não são explorados pelos
governos, em razão de políticas adotadas ou restrições impostas, resultando em
serviços pouco eficientes e eficazes. Mesmo considerando apenas o uso do
modelo tradicional de contratação de tecnologias, observa-se, com exceção de
nichos específicos, contratações que muitas vezes fazem uso de tecnologias
superadas.
A computação em nuvem pode servir como um catalisador para a inovação, ao
permitir à administração pública usar seus investimentos em TIC de forma mais
inovadora, adotando mais facilmente inovações do setor privado.
O uso de tecnologias de ponta tem transformado a forma como o setor privado
opera e se relaciona com seu público, oferecendo eficiência, conveniência e
eficácia no atendimento a seus clientes. Dispositivos como tablets e smartphones
estão cada vez mais presentes na dia a dia das pessoas, e através destes, são
realizadas as mais diversas atividades, a qualquer hora e em qualquer lugar.
Os governos devem se conscientizar dessa realidade e buscar desenvolver
iniciativas de governo eletrônico que explorem e possibilitem o acesso a seus
serviços da forma mais ampla possível pelos cidadãos, empresas e outros
governos.
A computação em nuvem, a partir de suas características essenciais, pode
beneficiar tais iniciativas. O amplo acesso à rede e a rápida elasticidade são duas
características que possibilitam fortemente a inovação. Além disso, o modelo de
Software como Serviço, oferece às organizações contratantes o acesso
14
automático a atualizações dos softwares contratados, e todas as inovações
decorrentes.
4.3 Redução de Custos
No Brasil, o governo federal estabelece em sua política de governo eletrônico um
conjunto de diretrizes gerais como referência para estruturação de estratégias de
intervenção, a serem adotadas como orientações para todas as ações de governo
eletrônico.
Uma dessas diretrizes gerais, apresentadas no Portal de Governo Eletrônico do
Brasil (http://www.governoeletronico.gov.br/o-gov.br/principios) refere-se ao uso
racional de recursos, ao definir que o governo eletrônico
não deve significar aumento dos dispêndios do governo federal
na prestação de serviços e em tecnologia da informação. Ainda
que seus benefícios não possam ficar restritos a este aspecto, é
inegável que deve produzir redução de custos unitários e
racionalização do uso de recursos.
Uma das possibilidades que o Portal de Governo Eletrônico do Brasil
(http://www.governoeletronico.gov.br/o-gov.br/principios) apresenta para se
alcançar esses objetivos é
o compartilhamento de recursos entre órgãos públicos. Este
compartilhamento pode se dar tanto no desenvolvimento quanto
na operação de soluções, inclusive através do
compartilhamento de equipamentos e recursos humanos. Deve
merecer destaque especial o desenvolvimento compartilhado
em ambiente colaborativo, envolvendo múltiplas organizações.
15
Certamente essa abordagem pode se beneficiar grandemente da computação em
nuvem, principalmente se considerado o modelo de implantação de nuvem
comunitária, onde os recursos são provisionados para uso exclusivo de uma
comunidade específica. Nesse caso, temos órgãos e entidades de governo,
mesmo que de diferentes esferas e poderes, que compartilham de interesses
comuns, todos com o objetivo final da prestação de serviços à sociedade.
Assim, a administração pública, ao fazer uso da computação em nuvem pode
diminuir drasticamente seus investimentos em tecnologia, uma vez que a redução
de custos já foi amplamente demonstrada e comprovada, sendo um dos principais
motivadores para o uso da computação em nuvem, principalmente pela iniciativa
privada.
Não somente através do modelo de nuvem comunitária é possível essa redução,
mas também através dos outros modelos, seja a nuvem pública, privada ou
híbrida. Isso devido ao fato de que a nuvem proporciona o uso racional da TIC,
evitando-se a aquisição e contratação de recursos que não serão plenamente
utilizados desde o início do seu uso. O superdimensionamento de recursos é uma
prática comum na administração pública, considerando as dificuldades de
contratação.
Há que se lembrar de que uma das características essências da computação em
nuvem são a rápida elasticidade e os serviços mensuráveis, resultando em
contratações para prover somente os recursos necessários, quando necessários,
e o pagamento somente por esses recursos.
Assim, a partir da redução dos custos para disponibilizar a tecnologia necessária,
a administração pública poderá incrementar seus programas de governo
eletrônico, numa estratégia totalmente alinhada à política do governo federal.
5 DESAFIOS A SEREM ENFRENTADOS
16
Apesar de todos os benefícios esperados com a adoção da computação em
nuvem, muitos são os desafios a serem enfrentados, em particular pela
administração pública.
Conforme apontado por Veloso (2013, p.13):
atualmente, já existem diversas iniciativas noticiadas de
contratações por órgãos públicos de serviços na nuvem, muitas
das quais se mostram pouco consistentes quanto à
especificação dos requisitos mínimos exigidos, principalmente
daqueles relacionados à segurança da informação. Isso pode
representar contratos com relações de desigualdade, onde o
poder público figure numa posição de fragilidade.
Assim, questões críticas como a segurança das informações, aspectos legais,
portabilidade e interoperabilidade, resposta a incidentes, criptografia e
gerenciamento de chaves, dentre outras, devem ser cuidadosamente avaliadas
pela administração pública ao considerar a utilização da computação em nuvem.
Uma vez que o nível de maturidade nesse tipo de contratação é incipiente, e na
maioria dos casos inexistente, a implementação de uma política que regulamente
o uso da computação em nuvem mostra-se impreterível e improrrogável, de
acordo com Veloso (2013).
Esses desafios a serem enfrentados na adoção da computação em nuvem
apresentam-se para qualquer iniciativa a ser implementada, incluindo aquelas
voltadas para o governo eletrônico.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste artigo, buscou-se apontar como a computação em nuvem é capaz, a partir
de suas características, modelos de serviço e implementação, motivar iniciativas
17
de governo eletrônico a serem desenvolvidas pelos governos, com a apresentação
de possíveis benefícios a serem alcançados, além de alguns dos desafios a serem
enfrentados.
Sem dúvida, a partir da exploração desse novo modelo de contratação de
tecnologias da informação e comunicação, os entes públicos da administração
pública brasileira poderão alavancar seus programas de governo eletrônico,
propiciando o pleno alcance dos objetivos, quer sejam a qualidade, continuidade e
melhoria contínua dos serviços prestados à sociedade, e indo além, ao promover
o exercício da plena cidadania através da participação popular nas decisões de
governo.
Dessa forma, é fundamental que as autoridades responsáveis pelos programas de
governo eletrônico busquem considerar seu uso como a primeira alternativa
possível, avaliando cuidadosamente sua viabilidade e realizando todos os
esforços necessários para sua adoção, colocando a computação em nuvem como
parte integrante de suas estratégias.
18
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Fernandes, A. (2001). E-governo no Brasil: estudo da secretaria para assuntos
fiscais do banco nacional de desenvolvimento econômico e social (SF/BNDES).
In: Seminário Regional de Política Fiscal, 13. Seção 3, E-governo e
governabilidade: perspectivas e experiências nacionais de tipo G2G, G2P e
G2C, Santiago do Chile. Recuperado em 26 junho, 2013, de
http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arqu
ivos/bf_bancos/e0001364.pdf
Garcia, R. M. (2006). Governo eletrônico, informação e competência em
informação. Recuperado em 26 junho, 2013, de
.o ara.u p . r o s index.p p ies article do nload 2 1
National Institute of Standards and Technology. (2011). The NIST Definition of
Cloud Computing. Recuperado em 26 junho, 2013, de
http://csrc.nist.gov/publications/nistpubs/800-145/SP800-145.pdf
Nogueira, M. A. (2001). Governos eletrônicos. Recuperado em 26 junho, 2013, de
http://www.acessa.com/gramsci/?id=192&page=visualizar
United Nations. (2012). E-government survey 2012: e-government for the people.
Recuperado em 26 junho, 2013, de
http://unpan1.un.org/intradoc/groups/public/documents/un/unpan048065.pdf
Veloso, M. (2013). Cloud computing: necessidade e benefícios esperados com a
adoção de uma política de regulação e incentivo ao seu uso. In: Congresso
Consad de Gestão Pública, 6. Painel 28/105. Inovações tecnológicas, Brasília.
Recuperado em 26 junho, 2013, de http://www.slideshare.net/mvsecurity/artigo-
marcelo-velosoconsad2013
19
AUTORIA
Marcelo de Alencar Veloso – MBA em Gestão de Segurança da Informação pela
Universidade FUMEC, Bacharel em Sistemas de Informação pela Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas). Possui as certificações
Cloud Computing Foundation, Certified Integrator Secure Cloud Services, ISO
27002 Information Security Foundation, ISO 20000 IT Service Management
Foundation, ITIL Foundation, MCSA, MCITP, MCTS, MCDST e MCP. Atualmente
é assessor da Superintendência Central de Governança Eletrônica da Secretaria
de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (SEPLAG/MG).
Endereço eletrônico: marcelo.veloso@outlook.com

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Artigo CONGRESSO INTERNACIONAL GOVERNO 2013 - Cloud Computing: Potencial de Motivação Para Iniciativas de Governo Eletrônico

  • 1. 1 Trabalho Apresentado no "4° Congresso Internacional GOVERNO, GESTÃO E PROFISSIONALIZAÇÃO EM ÂMBITO LOCAL FRENTE AOS GRANDES DESAFIOS DE NOSSO TEMPO", no eixo temático Modernização dos governos e inovação administrativa, promovido pela Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho da Fundação João Pinheiro e outros entre 21 e 23 de outubro de 2013. CLOUD COMPUTING: POTENCIAL DE MOTIVAÇÃO PARA INICIATIVAS DE GOVERNO ELETRÔNICO Marcelo de Alencar Veloso
  • 2. 2 RESUMO O papel desempenhado hoje pelo e-governo ou governo eletrônico para promover suas políticas de inclusão e participação social tem assumido, em todas as regiões do mundo, o status de política pública prioritária. Cientes do poder que o governo eletrônico possui para responder às demandas da sociedade, sejam elas a buscca por serviços públicos, transparência de ações ou participação política, os governos têm investido cada vez mais no desenvolvimento de programas de governo eletrônico. Hoje, novas e poderosas tecnologias podem ser utilizadas para promover tais iniciativas, com serviços públicos projetados para serem agéis, focados no cidadão e de inclusão social. Nesse contexto, o uso de serviços móveis, crowd sourcing, computação em nuvem, quiosques de e-serviços e outras inovações tem que ser promovido e incentivado. Sendo assim, o objetivo desse estudo é apresentar quais os possíveis benefícios a serem alcançados e quais os principais desafios a serem enfrentados em iniciativas de governo eletrônico com a adoção da computação em nuvem. Palavras-chaves: Governo Eletrônico. E-Government. Computação em Nuvem. Cloud Computing. Políticas Públicas.
  • 3. 3 1 INTRODUÇÃO O desenvolvimento de programas de governo eletrônico tem estado cada vez mais presente na pauta de diferentes governos, através da utilização das modernas tecnologias de informação e comunicação (TICs) com o objetivo de democratizar o acesso à informação, ampliar discussões, e dinamizar a prestação de serviços públicos com foco na eficiência e efetividade das funções governamentais. A sua adoção proporciona uma transformação das relações entre o governo e a sociedade, sejam os cidadãos, sejam empresas privadas, e também entre os próprios órgãos do governo. Nessas relações transformadas, destaca-se o ambiente propício para o fortalecimento da participação cidadã, através da otimização dos serviços prestados à população, estímulo à interação e discussão dos problemas enfrentados pelo cidadão. De acordo com a pesquisa “E-Government Survey 2012” realizada pelas Nações Unidas sobre governo eletrônico, o progresso na prestação de serviços on-line continua na maioria dos países ao redor do mundo. Entre os líderes de governo eletrônico, soluções tecnológicas inovadoras ganharam reconhecimento especial como meio de revitalizar setores econômicos e sociais pouco desenvolvidos (United Nations, 2012) Nesse contexto, a cloud computing, ou computação em nuvem, apresenta-se como um novo modelo de uso de tecnologias da informação e comunicação que possui um grande potencial de motivar, auxiliar e aprimorar o desenvolvimento e adoção de novas iniciativas de governo eletrônico. Suas características, modelos de serviço e modelos de implantação possibilitam o desenvolvimento e implementação de novos serviços primando pela agilidade, eficiência, inovação e principalmente redução de custos. Sem dúvida, são motivadores que fazem com que a utilização da computação em nuvem para desenvolver programas de governo eletrônico não deva ser ignorada pelos governos, ao contrário, que seja considerada como estratégica e como um fator crítico de sucesso, a fim de
  • 4. 4 promover e alavancar a integração entre governo e sociedade, incrementando ainda o desenvolvimento econômico e social. 2 GOVERNO ELETRÔNICO De acordo com o Portal governoeletrônico.com.br, o E-GOV ou governo eletrônico pode ser entendido “como uma das principais formas de modernização do estado e está fortemente apoiado no uso das novas tecnologias para a prestação de serviços públicos, mudando a maneira com que o governo interage com os cidadãos, empresas e outros governos” (http://governoeletronico.com.br/). Uma abordagem que oferece maior abrangência ao tema é feita por Nogueira (2001), ao dizer que a expressão “governo eletrônico”, deve ser vista com alguma cautela, pois reduz o governar ao campo estrito da prestação de serviços, deixando de lado sua dimensão mais propriamente política, referente ao dirigir e ao articular, com vistas a fixar diretrizes de ação para a coletividade, reforçar seus laços internos e sua convivência. Essa visão expande as possibilidades a serem alcançadas com iniciativas de governo eletrônico, permitindo imaginar que as relações desenvolvidas pelos governos com os diferentes atores do processo irão extrapolar a simples prestação de serviços, possibilitando um relacionamento muito mais próximo entre todos os envolvidos. Essas relações, segundo Fernandes (2001, p.2), “envolvem três tipos de transações: G2G, quando se trata de uma relação intra ou intergovernos; G2B, caracterizado por transações entre governos e fornecedores; e G2C, envolvendo relações entre governos e cidadãos”. De acordo com a autora, “estas transações ocorrem não apenas por meio da Internet, mas também por meio de telefonia móvel, televisão digital, call centers e outros tipos de aplicações ligadas aos computadores pessoais” (Fernandes, 2001, p.2).
  • 5. 5 Autores como Zweers e Planqué (2001 como citado em Garcia, 2006, p.80) dizem que governo eletrônico é um conceito emergente e que objetiva fornecer ou disponibilizar informações, serviços e produtos, através de meio eletrônico/digital, a partir ou através de órgãos públicos, a qualquer momento, local e cidadão, de modo a agregar valor a todos os envolvidos com a esfera pública. Apesar das diferentes definições, algumas das funções características que podem ser identificadas em um chamado governo eletrônico são apresentadas por Fernandes (2001, p.3), sendo elas: a) prestação eletrônica de informações e serviços; b) regulamentação das redes de informação, envolvendo principalmente governança, certificação e tributação; c) prestação de contas públicas, transparência e monitoramento da execução orçamentária; d) ensino à distância, alfabetização digital e manutenção de bibliotecas virtuais; e) difusão cultural com ênfase nas identidades locais, fomento e preservação das culturas locais; f) e-procurement, isto é, aquisição de bens e serviços por meio da Internet, como licitações públicas eletrônicas, pregões eletrônicos, cartões de compras governamentais, bolsas de compras públicas virtuais e outros tipos de mercados digitais para os bens adquiridos pelo governo; g) estímulo aos e-negócios, através da criação de ambientes de transações seguras, especialmente para pequenas e médias empresas. Ainda de acordo com Fernandes (2001, p.3), o desenvolvimento do e-governo passa, geralmente, por quatro estágios: O primeiro consiste na criação de sites para a difusão de informações sobre os mais diversos órgãos e departamentos dos diversos níveis de governo. Eventualmente, esses sites são reunidos em um portal que, neste estágio,
  • 6. 6 consiste apenas em uma espécie de catálogo de endereços dos vários órgãos do governo. No segundo estágio, estes sites passam também a receber informações e dados por parte dos cidadãos, empresas ou outros órgãos. A comunicação neste caso torna-se uma via de mão dupla. O contribuinte pode enviar sua declaração de imposto de renda ou informar uma mudança de endereço; são criados endereços eletrônicos para receber reclamações ou sugestões nas diversas repartições; firmas se cadastram eletronicamente para o fornecimento de certos serviços; dados são transferidos, usando a Internet, de um departamento ou de uma prefeitura ou de uma unidade hospitalar, por exemplo, para um órgão central, e assim por diante. Na terceira etapa de implantação do e-governo, as transações se tornam ainda mais complexas. Neste estágio, são possíveis trocas de valores que podem ser quantificáveis. São realizadas operações como pagamentos de contas e impostos, educação à distância, matrículas na rede pública, marcação de consultas médicas, compras de materiais, etc. Em outras palavras, além de informações, valores são trocados e serviços anteriormente prestados por um conjunto de funcionários atrás do balcão são agora realizados usando uma plataforma de rede e uma interface direta e imediata com o cidadão ou empresa. Isto implica adaptações nos processos de trabalho. Estas modificações tornam-se ainda mais complexas e radicais no quarto estágio de implantação do e-governo. Nele, é desenvolvido um tipo de portal que não é mais um simples índice de sites do governo com centenas de endereços, mas um lugar de convergência de todos os serviços prestados pelo governo. Neste estágio, o serviço é disponibilizado por funções ou temas, e não segundo a divisão real do governo em ministérios, departamentos, etc. Levando em conta esses estágios, pode-se considerar que a implementação de um governo eletrônico tem como um de seus principais objetivos a universalização dos serviços prestados à sociedade, utilizando-se principalmente das
  • 7. 7 características da Internet, ao oferecer e possibilitar acesso a qualquer hora e de qualquer lugar aos seus usuários, através de uma interação de fácil utilização, e que certamente também exigirá transformações da sociedade. 3 CLOUD COMPUTING Apesar do termo cloud computing, ou computação em nuvem ser relativamente novo, tem-se feito grande alarido em torno do mesmo, sendo considerado como uma das expressões “em moda” mais amplamente utilizada no mundo da Tecnologia da Informação. Tal fato leva ao surgimento de inúmeras e diferentes definições acerca do tema, feitas por fornecedores, acadêmicos, analistas e usuários. Dentre toda essa diversidade, o National Institute of Standards and Technology [NIST] (2011) apresenta aquela que tem sido considerada como a melhor definição para o tema, uma vez que é relativamente simples e reflete bem o mercado de Tecnologia da Informação, ao considerar que: computação em nuvem é um modelo para habilitar acesso conveniente, sob demanda, para um conjunto compartilhado de recursos computacionais configuráveis (por exemplo: redes, servidores, armazenamento, aplicações e serviços) que pode ser provisionado e liberado rapidamente com mínimo esforço de gerenciamento ou interação do provedor de serviço. O modelo do NIST (2011) para a computação em nuvem define ainda cinco características essenciais, três modelos de serviço e quatro modelos de implementação, conforme exibido na Figura 1.
  • 8. 8 Figura 1: Modelo Visual da Definição de Computação em Nuvem do NIST (2011) As características essenciais, de acordo com o NIST (2011) são as seguintes: 1. Auto-atendimento sob demanda: Um consumidor pode unilateralmente provisionar capacidades de computação, tais como tempo de servidor e armazenamento de rede, conforme suas necessidades de forma automática, sem necessidade de interação humana com o provedor de serviços. 2. Amplo acesso à rede: Recursos estão disponíveis através da rede e são acessados por meio de mecanismos padrões que promovam uso através de plataformas heterogêneas (por exemplo, telefones celulares, tablets, notebooks e estações de trabalho). 3. Pool de recursos: Recursos de computação do provedor são agrupados para atender múltiplos consumidores através de um modelo multilocatário, com diferentes recursos físicos e virtuais atribuídos e retribuídos dinamicamente de acordo com a demanda do consumidor. Há um senso de independência de localização em que o cliente geralmente não tem controle ou
  • 9. 9 conhecimento sobre a localização exata dos recursos disponibilizados, mas pode ser capaz de especificar o local em um nível maior de abstração (por exemplo, país, estado ou datacenter). Exemplos de recursos incluem o armazenamento, processamento, memória e largura de banda de rede. 4. Elasticidade rápida: Capacidades podem ser elasticamente provisionadas e liberadas, em alguns casos, automaticamente, para escalar rapidamente para fora e para dentro, de acordo com a demanda. Para o consumidor, as capacidades disponíveis para provisionamento frequentemente parecem ser ilimitadas e podem ser contratadas em qualquer quantidade a qualquer momento. 5. Serviço medido: Sistemas em nuvem automaticamente controlam e otimizam o uso dos recursos, alavancando a capacidade de medição em algum nível de abstração apropriado para o tipo de serviço (por exemplo, processamento, armazenamento, largura de banda e contas de usuários ativos). O uso dos recursos pode ser monitorado, controlado e reportado, oferecendo transparência tanto para o provedor quanto para o consumidor do serviço utilizado. Conforme a definição do NIST (2011) há três opções de modelos de entrega de serviços de computação em nuvem, compondo o seu padrão arquitetural: 1. SaaS – Software as a Service (Software como Serviço): Nesse modelo, a capacidade fornecida ao consumidor é a utilização de aplicativos do provedor rodando em uma infraestrutura de nuvem. As aplicações são acessíveis a partir de vários dispositivos clientes, tais como um navegador web, ou uma interface de programa. O consumidor não gerencia ou controla a infraestrutura de nuvem subjacente, incluindo rede, servidores, sistemas operacionais, armazenamento, ou mesmo capacidades individuais dos aplicativos, com a possível exceção de configurações limitadas do aplicativo, específicas para o usuário. 2. PaaS – Platform as a Service (Plataforma como Serviço):
  • 10. 10 É fornecida ao consumidor a capacidade para implantar sobre a infraestrutura de nuvem aplicações criadas ou adquiridas usando linguagens de programação, bibliotecas, serviços e ferramentas suportadas pelo provedor. O consumidor não gerencia ou controla a infraestrutura de nuvem subjacente, incluindo rede, servidores, sistemas operacionais ou armazenamento, mas tem controle sobre os aplicativos implementados e possivelmente definições de configuração para o ambiente de hospedagem dos aplicativos. 3. IaaS – Infrastructure as a Service (Infraestrutura como Serviço): O consumidor recebe a capacidade de provisionar processamento, armazenamento, redes e outros recursos de computação fundamentais, onde ele será capaz de implantar e executar software arbitrário, que podem incluir sistemas operacionais e aplicativos. O consumidor não gerencia ou controla a infraestrutura de nuvem subjacente, mas tem controle sobre sistemas operacionais, armazenamento, aplicativos implementados e possivelmente controle limitado de componentes de rede específicos. Cada um desses modelos, ainda de acordo com o NIST (2011), pode ser implementado em quatro diferentes modelos de implementação da infraestrutura de nuvem, que são: 1. Nuvem pública: Provisionada para uso aberto ao público em geral. 2. Nuvem privada: Provisionada para uso exclusivo por uma única organização que compreende vários consumidores – por exemplo, unidades de negócio. 3. Nuvem comunitária: Provisionada para uso exclusivo por uma comunidade específica de organizações que compartilham interesses comuns – por exemplo, a missão, requisitos de segurança e política. 4. Nuvem híbrida: Combinação de dois os mais dos modelos anteriores.
  • 11. 11 A combinação dos diferentes modelos de serviço e de implementação levam a uma grande diversidade de opções de contratação às organizações interessadas na computação em nuvem, exigindo, por consequência, um nível mínimo de conhecimento de cada um desses modelos para que sua escolha esteja alinhada corretamente às suas necessidades, avaliando não somente as expectativas dos benefícios, mas também os desafios a serem superados. 4 POTENCIAL DA NUVEM PARA O GOVERNO ELETRÔNICO O uso de Tecnologias da Informação e Comunicação é apontado como um meio que viabiliza o desenvolvimento de programas de governo eletrônico, sendo considerado fundamental para o sucesso desses programas. De acordo com Fernandes (2001), uma avançada infraestrutura de redes e de computação são alguns dos pré-requisitos básicos do desenvolvimento do e- governo. Certamente, não há como imaginar qualquer política de governo eletrônico que não faça uso intensivo de tecnologias. Nessa perspectiva, a United Nations (2012) afirma que as evidências mostram que é possível utilizar com sucesso as TIC com base em estruturas de governança que sustentam a eficácia das instituições do setor público. Avaliando-se a computação em nuvem a partir de suas características essenciais, seus modelos de entrega de serviços e seus modelos de implantação, é possível identificar nesse modelo um grande potencial para contribuir para novas estratégias de governo eletrônico, ao mesmo tempo em que possibilita o aperfeiçoamento daquelas já existentes. Algumas questões que demonstram esse potencial são apresentadas a seguir.
  • 12. 12 4.1 Eficiência O cenário atual do uso de tecnologias da informação e comunicação pela administração pública mostra um ambiente pouco eficiente, caracterizado principalmente por:  baixa utilização de ativos;  demanda fragmentada de recursos;  sistemas duplicados;  ambientes de difícil gestão;  prazos longos de aquisição. Essas ineficiências impactam negativamente a capacidade dos governos de prestar seus serviços aos cidadãos, e consequentemente dificultam políticas de governo eletrônico. Através do uso da computação em nuvem, é possível reduzir ou até mesmo eliminar muitas dessas ineficiências. Muitos benefícios podem ser esperados a partir de sua utilização, destacando-se sobremaneira a liberação de recursos humanos para atividades de maior valor, ou seja, atividades mais estratégicas. A computação em nuvem é capaz de permitir ainda a utilização mais eficiente dos recursos computacionais, evitando-se compras superdimensionadas de recursos de infraestrutura. A responsabilidade pela gestão dos ambientes onde esses recursos estarão alocados é transferida ao prestador de serviços, sem que isso incorra em aumento de custos. A utilização de sistemas através do modelo de Software como Serviço pode evitar a duplicação de sistemas e dados, eliminando um dos grandes problemas enfrentados pela TIC pública. Além disso, a definição de políticas para uso da computação em nuvem será capaz de propiciar aos órgãos e entidades da administração pública a segurança necessária para realizar suas aquisições na nuvem, e uma vez que estejam
  • 13. 13 estabelecidas diretrizes e regras, os prazos para aquisição e contratação tendem a ser consideravelmente reduzidos. 4.2 Inovação Muitos dos benefícios oferecidos pela TIC ainda não são explorados pelos governos, em razão de políticas adotadas ou restrições impostas, resultando em serviços pouco eficientes e eficazes. Mesmo considerando apenas o uso do modelo tradicional de contratação de tecnologias, observa-se, com exceção de nichos específicos, contratações que muitas vezes fazem uso de tecnologias superadas. A computação em nuvem pode servir como um catalisador para a inovação, ao permitir à administração pública usar seus investimentos em TIC de forma mais inovadora, adotando mais facilmente inovações do setor privado. O uso de tecnologias de ponta tem transformado a forma como o setor privado opera e se relaciona com seu público, oferecendo eficiência, conveniência e eficácia no atendimento a seus clientes. Dispositivos como tablets e smartphones estão cada vez mais presentes na dia a dia das pessoas, e através destes, são realizadas as mais diversas atividades, a qualquer hora e em qualquer lugar. Os governos devem se conscientizar dessa realidade e buscar desenvolver iniciativas de governo eletrônico que explorem e possibilitem o acesso a seus serviços da forma mais ampla possível pelos cidadãos, empresas e outros governos. A computação em nuvem, a partir de suas características essenciais, pode beneficiar tais iniciativas. O amplo acesso à rede e a rápida elasticidade são duas características que possibilitam fortemente a inovação. Além disso, o modelo de Software como Serviço, oferece às organizações contratantes o acesso
  • 14. 14 automático a atualizações dos softwares contratados, e todas as inovações decorrentes. 4.3 Redução de Custos No Brasil, o governo federal estabelece em sua política de governo eletrônico um conjunto de diretrizes gerais como referência para estruturação de estratégias de intervenção, a serem adotadas como orientações para todas as ações de governo eletrônico. Uma dessas diretrizes gerais, apresentadas no Portal de Governo Eletrônico do Brasil (http://www.governoeletronico.gov.br/o-gov.br/principios) refere-se ao uso racional de recursos, ao definir que o governo eletrônico não deve significar aumento dos dispêndios do governo federal na prestação de serviços e em tecnologia da informação. Ainda que seus benefícios não possam ficar restritos a este aspecto, é inegável que deve produzir redução de custos unitários e racionalização do uso de recursos. Uma das possibilidades que o Portal de Governo Eletrônico do Brasil (http://www.governoeletronico.gov.br/o-gov.br/principios) apresenta para se alcançar esses objetivos é o compartilhamento de recursos entre órgãos públicos. Este compartilhamento pode se dar tanto no desenvolvimento quanto na operação de soluções, inclusive através do compartilhamento de equipamentos e recursos humanos. Deve merecer destaque especial o desenvolvimento compartilhado em ambiente colaborativo, envolvendo múltiplas organizações.
  • 15. 15 Certamente essa abordagem pode se beneficiar grandemente da computação em nuvem, principalmente se considerado o modelo de implantação de nuvem comunitária, onde os recursos são provisionados para uso exclusivo de uma comunidade específica. Nesse caso, temos órgãos e entidades de governo, mesmo que de diferentes esferas e poderes, que compartilham de interesses comuns, todos com o objetivo final da prestação de serviços à sociedade. Assim, a administração pública, ao fazer uso da computação em nuvem pode diminuir drasticamente seus investimentos em tecnologia, uma vez que a redução de custos já foi amplamente demonstrada e comprovada, sendo um dos principais motivadores para o uso da computação em nuvem, principalmente pela iniciativa privada. Não somente através do modelo de nuvem comunitária é possível essa redução, mas também através dos outros modelos, seja a nuvem pública, privada ou híbrida. Isso devido ao fato de que a nuvem proporciona o uso racional da TIC, evitando-se a aquisição e contratação de recursos que não serão plenamente utilizados desde o início do seu uso. O superdimensionamento de recursos é uma prática comum na administração pública, considerando as dificuldades de contratação. Há que se lembrar de que uma das características essências da computação em nuvem são a rápida elasticidade e os serviços mensuráveis, resultando em contratações para prover somente os recursos necessários, quando necessários, e o pagamento somente por esses recursos. Assim, a partir da redução dos custos para disponibilizar a tecnologia necessária, a administração pública poderá incrementar seus programas de governo eletrônico, numa estratégia totalmente alinhada à política do governo federal. 5 DESAFIOS A SEREM ENFRENTADOS
  • 16. 16 Apesar de todos os benefícios esperados com a adoção da computação em nuvem, muitos são os desafios a serem enfrentados, em particular pela administração pública. Conforme apontado por Veloso (2013, p.13): atualmente, já existem diversas iniciativas noticiadas de contratações por órgãos públicos de serviços na nuvem, muitas das quais se mostram pouco consistentes quanto à especificação dos requisitos mínimos exigidos, principalmente daqueles relacionados à segurança da informação. Isso pode representar contratos com relações de desigualdade, onde o poder público figure numa posição de fragilidade. Assim, questões críticas como a segurança das informações, aspectos legais, portabilidade e interoperabilidade, resposta a incidentes, criptografia e gerenciamento de chaves, dentre outras, devem ser cuidadosamente avaliadas pela administração pública ao considerar a utilização da computação em nuvem. Uma vez que o nível de maturidade nesse tipo de contratação é incipiente, e na maioria dos casos inexistente, a implementação de uma política que regulamente o uso da computação em nuvem mostra-se impreterível e improrrogável, de acordo com Veloso (2013). Esses desafios a serem enfrentados na adoção da computação em nuvem apresentam-se para qualquer iniciativa a ser implementada, incluindo aquelas voltadas para o governo eletrônico. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste artigo, buscou-se apontar como a computação em nuvem é capaz, a partir de suas características, modelos de serviço e implementação, motivar iniciativas
  • 17. 17 de governo eletrônico a serem desenvolvidas pelos governos, com a apresentação de possíveis benefícios a serem alcançados, além de alguns dos desafios a serem enfrentados. Sem dúvida, a partir da exploração desse novo modelo de contratação de tecnologias da informação e comunicação, os entes públicos da administração pública brasileira poderão alavancar seus programas de governo eletrônico, propiciando o pleno alcance dos objetivos, quer sejam a qualidade, continuidade e melhoria contínua dos serviços prestados à sociedade, e indo além, ao promover o exercício da plena cidadania através da participação popular nas decisões de governo. Dessa forma, é fundamental que as autoridades responsáveis pelos programas de governo eletrônico busquem considerar seu uso como a primeira alternativa possível, avaliando cuidadosamente sua viabilidade e realizando todos os esforços necessários para sua adoção, colocando a computação em nuvem como parte integrante de suas estratégias.
  • 18. 18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Fernandes, A. (2001). E-governo no Brasil: estudo da secretaria para assuntos fiscais do banco nacional de desenvolvimento econômico e social (SF/BNDES). In: Seminário Regional de Política Fiscal, 13. Seção 3, E-governo e governabilidade: perspectivas e experiências nacionais de tipo G2G, G2P e G2C, Santiago do Chile. Recuperado em 26 junho, 2013, de http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arqu ivos/bf_bancos/e0001364.pdf Garcia, R. M. (2006). Governo eletrônico, informação e competência em informação. Recuperado em 26 junho, 2013, de .o ara.u p . r o s index.p p ies article do nload 2 1 National Institute of Standards and Technology. (2011). The NIST Definition of Cloud Computing. Recuperado em 26 junho, 2013, de http://csrc.nist.gov/publications/nistpubs/800-145/SP800-145.pdf Nogueira, M. A. (2001). Governos eletrônicos. Recuperado em 26 junho, 2013, de http://www.acessa.com/gramsci/?id=192&page=visualizar United Nations. (2012). E-government survey 2012: e-government for the people. Recuperado em 26 junho, 2013, de http://unpan1.un.org/intradoc/groups/public/documents/un/unpan048065.pdf Veloso, M. (2013). Cloud computing: necessidade e benefícios esperados com a adoção de uma política de regulação e incentivo ao seu uso. In: Congresso Consad de Gestão Pública, 6. Painel 28/105. Inovações tecnológicas, Brasília. Recuperado em 26 junho, 2013, de http://www.slideshare.net/mvsecurity/artigo- marcelo-velosoconsad2013
  • 19. 19 AUTORIA Marcelo de Alencar Veloso – MBA em Gestão de Segurança da Informação pela Universidade FUMEC, Bacharel em Sistemas de Informação pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas). Possui as certificações Cloud Computing Foundation, Certified Integrator Secure Cloud Services, ISO 27002 Information Security Foundation, ISO 20000 IT Service Management Foundation, ITIL Foundation, MCSA, MCITP, MCTS, MCDST e MCP. Atualmente é assessor da Superintendência Central de Governança Eletrônica da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (SEPLAG/MG). Endereço eletrônico: marcelo.veloso@outlook.com