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A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL


                                      Genessi de Fátima Pasquali
                              (E-mail – geneoasquali@hotmail.com)
                                    Claucimera Curmelatto Lovison
                                  (E.mail.mera_lovison@hotmail.com)
                                  Rosemeri Lazaretti Bastos Machado
                               (E.mail- rose_lazareti@hotmail.com)
                                                   )




                                           RESUMO

O artigo apresenta uma abordagem sobre a importância dos jogos e brincadeiras na educação
infantil, cuja pesquisa tem objetivo de compreender a importância dos jogos e brincadeiras
enquanto opção metodológica no processo de aquisição do conhecimento na Educação Infantil,
como também, fazer uma análise reflexiva para entender se realmente os jogos e brincadeiras
podem contribuir no processo ensino/aprendizagem, identificar a história dos jogos para que
pudéssemos compreender melhor como chegamos aos conhecimentos atuais. A questão que
norteia o presente trabalho constui-se assim: Será que podemos afirmar que os jogos e
brincadeiras contribuem para que ocorra uma efetiva aprendizagem na educação infantil? A
finalidade deste estudo é enfatizar a importância dos educadores de terem em mente os objetivos
e os fins dos jogos desenvolvidos, e mais, precisam saber observar as condutas dos educandos
para então diagnosticar, avaliar e elaborar estratégias de trabalho; identificando desta forma, as
dificuldades e os avanços dos educandos. Este estudo está fundamentado nas pesquisas
bibliográficas com autores que abordam a importância dos jogos e brincadeiras em sala de aula e
a interação entre os sujeitos envolvidos nesse processo. Como metodologia, primeiramente
buscamos suporte teórico para em seguida trabalharmos os jogos e brincadeiras em sala de aula
para que pudessemos analisar o desempenho dos educandos. Os resultados, depois das análises
feitas mostram que os educadores estão cientes que os jogos e brincadeiras contribuem para o
processo de ensino/aprendizagem, que auxilia a evolução da criança, utiliza a análise, a
observação, a atenção, a imaginação, o vocabulário, a linguagem e outras capacidades próprias do
ser humano. Podemos, então, definir os jogos como experiências e liberdade de criação nas quais
as crianças expressam suas emoções, sensações e pensamentos sobre o mundo e também um
espaço de interação consigo e com os outros.


PALAVRAS–CHAVE: jogos, brincadeiras, aprendizagem e desenvolvimento.
INTRODUÇÃO

       Neste artigo temos por objetivos compreender o uso dos jogos e brincadeiras na educação
infantil e fazer uma análise reflexiva para entender se realmente os jogos e brincadeiras lúdicas
na educação infantil são subsídios eficazes para a construção do conhecimento, como também,
desenvolver estudos sobre situações de jogos e brincadeiras que proporcionem às crianças as
estimulações necessárias para sua aprendizagem.
       Este texto inicia-se com a história dos jogos e brincadeiras que passou a ser considerada
uma atividade que favorece o desenvolvimento da inteligência e a facilidade para o estudo.
       Os jogos e brincadeiras na educação infantil são de suma importância para o
desenvolvimento da criança no ensino/aprendizagem, uma vez que as crianças desenvolvem o
raciocínio e constroem o seu conhecimento de forma descontraída.
       Ao trabalhar com jogos e brincadeiras, é necessário que haja uma infinidade de meios a
serem oferecidos para que a criança possa desenvolver sua capacidade de criar e aprender. É
importante também que o professor conheça os objetivos do jogo, domine as técnicas, o vivência,
discuta de forma crítica a possibilidade de utilizá-lo em suas aulas.
       Além de se apresentar como espaço para contemplar o raciocínio e a construção do
conhecimento pelos alunos, os jogos e as brincadeiras podem ser para o professor, um espaço
privilegiado de observação de seus alunos.
       A presente pesquisa foi desenvolvida através de revisão bibliográfica, onde a mesma foi
realizada através de leitura sistemática, com fichamento de cada obra, ressaltando os pontos
abordados pelos autores pertinentes ao assunto em questão. A pesquisa de campo foi
desenvolvida com 25 alunos da Pré-Escola da Escola Municipal de Educação Infantil “Pequeno
Príncipe”, com a faixa etária de 4 (quatro) anos, onde trabalhamos diversas brincadeiras com os
alunos envolvidos.


1 VISÃO HISTÓRICA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS
       Para que possamos compreender o uso de jogos e brincadeiras, precisamos fazer uma
retrospectiva histórica, tendo por base estudos bibliográficos, para entendermos a importância dos
jogos e brincadeiras desde os séculos passados.
Desde tempos remotos, o jogo fazia parte da cultura de um povo. A cultura era educação e
a educação representava sobrevivência. O jogo reflete aspectos da sociedade na qual ele surgiu.
Entre os gregos, por exemplo, os jogos estão relacionados ao caráter físico, às artes e à lógica,
que são elementos marcantes em sua sociedade. Segundo Platão (séc. III), que já dava ao esporte
o seu devido valor na formação do caráter e da personalidade, os primeiros anos da criança
deveriam ser ocupados com jogos educativos. Já entre os egípcios, romanos e maias, os jogos e
brincadeiras serviam de meio para a geração jovem aprender com os mais velhos valores e
conhecimentos, como também normas e padrões da vida social.
       De acordo com Kishimoto (1992), que faz um apanhado histórico do uso de jogos no
contexto social, o jogo veio ganhar um valor crescente na década de 60, com o aparecimento de
museus, com concepções mais dinâmicas, onde nesses espaços as crianças podiam tocar e
manipular brinquedos. Este processo de valorização do jogo chegou ao Brasil no início da década
de 80, com o aumento da produção científica a respeito dos jogos e o aparecimento das
“brinquedotecas”.


2 OS JOGOS E BRINCADEIRAS NO PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM
       A prática dos jogos e brincadeiras favorece a intencionalidade do trabalho pedagógico e o
enriquecimento dos conteúdos a serem desenvolvidos, nessa situação é importante que o adulto
esteja sempre incentivado as atitudes das crianças à medida que lhe é solicitado.
       Para Kishimoto, o uso do brinquedo/jogo educativo com fins pedagógicos é importante
instrumento para situações de ensino-aprendizagem e de desenvolvimento infantil. A autora
limita as funções educativas apenas aos brinquedos educativos, principalmente quando os
classifica de acordo com as habilidades que desenvolve nas crianças, citando como relevante
apenas o uso dos mesmos nas tarefas de ensino-aprendizagem e quando considera que a
dimensão educativa surge apenas no instante em que as situações lúdicas são intencionalmente
criadas pelo adulto com vistas a estimular certos tipos de aprendizagem.

       Segundo Aranão,
                        A criança, portanto, tem de explorar o mundo que a cerca e tirar dele informações que
                        lhe são necessárias. Nesse processo, o professor deve agir como interventor e
                        proporcionar-lhe o maior número possível de atividades, materiais e oportunidades de
                        situações para que suas experiências sejam enriquecedoras, contribuindo para a
                        construção de seu conhecimento. Sua interação com o meio se faz por intermédio de
brincadeiras e jogos, da manipulação de diferentes materiais, utilizando os próprios
                          sentidos na descoberta gradual do mundo (ARANÃO, 2004, p. 16).


     Os jogos e as brincadeiras permitem ao professor explorar estes momentos de prazer e
imaginação junto às crianças, seja atividades diárias desenvolvendo as capacidades de raciocínio,
bem como o desenvolvimento físico, afetivo e cognitivo das mesmas.
     O professor precisa estar atento quando oportunizar um jogo, para direcionar a atividade,
respeitando o tempo de cada criança na construção dos conceitos e os objetivos que deseja atingir
durante esta atividade.
       Uma das formas que podem ser utilizadas pelo professor é usar o cotidiano das crianças, a
realidade na qual vivem, associando-os com as diferentes culturas, pois elas precisam de
conteúdos que lhe sejam significativos. É fundamental que haja motivação por parte do educador
para que o mesmo possa despertar, na criança à vontade em participar, criar, desenvolver e
construir, buscando, assim a construção do conhecimento.


     Segundo o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (BRASIL,1998, p.21):
                          Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da
                          autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de
                          gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela
                          desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras, as crianças podem desenvolver algumas
                          capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação,
                          Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação e da
                          utilização e experimentação de regras e papéis sociais.


     Faz-se necessário envolver os jogos e as brincadeiras nas práticas pedagógicas de sala da
aula, não apenas com vistas ao desenvolvimento da ludicidade, mas sim, como meio de
desenvolver e aprimorar o raciocínio lógico, social e cognitivo de maneira prazerosa para a
criança.

       Segundo SILVA,
                          Ensinar por meio de jogos é um caminho para o educador desenvolver aulas mais
                          interessantes, descontraídas e dinâmicas, podendo competir em igualdade de condições
                          com os inúmeros recursos a que o aluno tem acesso fora da escola, despertando ou
                          estimulando sua vontade de freqüentar com assiduidade a sala de aula e incentivando
                          seu envolvimento no processo ensino e aprendizagem, já que aprende e se diverte,
                          simultaneamente. (SILVA 2004, p. 26),
O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física, emocional e intelectual e
sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempos. Através deles, as
crianças desenvolvem a linguagem, o pensamento, a socialização, a iniciativa e a autoestima,
preparando–se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um
mundo melhor.

     Para KISHIMOTO (2004, p. 43),

                        A utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento, por
                        conta com a motivação interna, típica do lúdico, mas o trabalho pedagógico requer a
                        oferta de estímulos externos e a influencia de parceiros bem como a sistematização de
                        conceitos em outras situações que não jogos. Ao utilizar, de modo, metafórico, a forma
                        lúdica (objeto suporte de brincadeira) para estimular a construção do conhecimento, o
                        brinquedo educativo conquistou um espaço definitivo na educação infantil.


       O brincar é mais do que uma distração, é uma linguagem na qual a criança revela uma
forma de pensamento. Através da brincadeira a criança situa-se no espaço em que vive, constrói a
idéia de si e do outro, experimenta, fala, age, interpreta, interage, enfim, desenvolve habilidades
essenciais para uma melhor compreensão do mundo.
       O trabalho lúdico contribui na formação de cidadãos conscientes e éticos, preparados para
enfrentar os desafios da vida, cientes de sua responsabilidade, priorizando o bom senso e
respeitando seus limites, o que reflete na boa convivência e no bom relacionamento.


        PULAR CORDA

       A brincadeira de pular corda, tão popular no Brasil, propõe às crianças uma pesquisa
corporal intensa, tanto em relação às diferentes qualidades de movimento que sugere (rápidos ou
lentos; pesados ou leves) como também em relação à percepção espaço-temporal, já que para
“entrar” na corda, as crianças devem sentir o ritmo de suas batidas no chão para perceber o
momento certo. A corda também pode ser utilizada em outras brincadeiras desafiadoras.(Figura 1)


       DANÇA DAS CADEIRAS


       A dança das cadeiras contém regras tradicionais, colocando sempre um participante a
mais que uma cadeira, ao começar a música todos andam em volta das cadeiras, ao parar a
música os mais espertos sentam, eliminando sempre aquele que ficar em pé, até sobrar somente o
vencedor, esta brincadeira ajuda na coordenação auditiva, na competição, desenvolvendo a
atenção e a noção espacial e matemática. (Figura 2)


       PULAR DE UM PÉ SÓ

       A corrida com um só pé é uma brincadeira onde as crianças realizam movimentos de ida e
volta enfrentado desafios diversos no percurso, estimulando a concentração e a situação do ponto
de vista do outro, desenvolvendo a coordenação, enriquecendo o ritmo, a atenção e a
compreensão de regras.(Figura 3)


       CORRE LENÇO

       Esta brincadeira é ótima não tem número limitado, todos podem participar, ajuda
desenvolver a criatividade, malícia... Na área cognitiva desenvolve organização do grupo,
integração entre os mesmos. Na área afetiva desenvolve atenção, rapidez, controle emocional,
cooperação e espírito competitivo.Figura 4


3 ANÁLISE DA PESQUISA DE CAMPO
       Para confrontar o embasamento teórico adquirido através da pesquisa bibliográfica, foi
realizada uma pesquisa de campo com jogos e brincadeiras envolvendo 25 alunos da Escola
Municipal de Educação Infantil “Pequeno Príncipe”, no município de Nova Guarita-MT, com a
faixa etária de 4 (quatro) anos, A pesquisa de campo contribuiu muito no desenvolvimento do
conhecimento dos alunos no seu cotidiano, as brincadeiras e jogos possibilitaram a transferência
de ideias contribuindo no processo cognitivo, político e social motivando-os no aspecto
emocional, despertando então a iniciativa de agilidade e confiança, tornando-os grandes
desafiadores e vencedores de dificuldades.

       Segundo Porto,
                        A brincadeira pode ser um espaço de experiências bem original, onde o comportamento
                        encontra-se dissociado e protegido de censuras correntemente encontradas na sociedade.
                        Nesse sentido, a brincadeira é uma situação de frivolidade e flexibilidade. A criança
                        pode tentar sem medo a confirmação do real. Algumas condutas de comportamento que,
sob pressões funcionais, não seriam tentadas podem ser experimentadas na brincadeira.
                        Nesse universo, a criança pode, sem riscos, inventar, criar, tentar (2003, p.182).


       Por meio do ato de brincar, à criança percebe o mundo, faz-de-conta, inverte papeis, cria e
recria situações diversas.
       Brincar junto reforça os laços afetivos. Visto que, todas as crianças gostam de brincar com
os pais, com a professora, com os avós e com os irmãos.
       A participação do adulto na brincadeira da criança eleva o nível de interesse, enriquece e
contribui para o esclarecimento de dúvidas durante as brincadeiras. Ao mesmo tempo, a criança
sente-se prestigiada e desafiada, descobrindo e vivendo experiências que tornam o brinquedo o
recurso mais estimulante e mais rico em aprendizado.


                                   CONSIDERAÇÕES FINAIS
       Ao final de nosso trabalho acreditamos ter conseguido alcançar os objetivos propostos,
pois tivemos a oportunidade de aprofundar nossos conhecimentos sobre a importância dos jogos e
brincadeiras na educação infantil.
        Verificou-se que os jogos e brincadeiras proporcionam à criança a oportunidade de
realizar as mais diversas experiências e preparar-se para atingir novas etapas em seu
desenvolvimento.
       Cabe à escola estar atenta ao desenvolvimento e aprendizado do aluno cumprindo a
função integradora, dando oportunidade para a criança desenvolver seu papel na sociedade,
contribuindo para um bom desenvolvimento de uma socialização adequada, através de atividades
em grupos, brincadeiras recreativas e jogos de forma que capacite o relacionamento e a
participação ativa da mesma caracterizando em cada uma o sentimento de sentir-se um ser social.
       Resgatar e utilizar jogos e brincadeiras como um meio educacional é um avanço para a
educação: temos que tomar consciência, e ao mesmo tempo utilizar como instrumento curricular,
descobrindo nele fonte de desenvolvimento e novos caminhos para a aprendizagem.
       Ao longo deste artigo foi possível destacar, portanto, a importância em propiciar as
crianças situações de jogos e brincadeiras para que se apropriem de forma lúdica de
conhecimentos diversos. A educação infantil é o espaço onde a criança recebe estímulos e se
desenvolve nos diferentes aspectos, afetivo, motor, cognitivo, entre outros. Nesta perspectiva
podemos destacar a importância do ensino infantil, como uma das etapas mais importante para o
desenvolvimento integral da criança.


                                       REFERÊNCIAS


ARANÃO, Ivana. D. A Matemática Através de Brincadeiras e Jogos. 5. ed. Campinas:
Papirus, 2004.

BRASIL,MEC. Referencial Curricular para a Educação Infantil. Volume 2. 1998,
BRASILIA

KISHIMOTO, citado por LUCENA, Ferreira De. Jogos e Brincadeiras na Educação Infanti.
Campinas: Papirus, 2004.

__________, Tizuko Morchida, Jogo, Brinquedo, brincadeira e a educação/ Tizuko M. Kishimoto
(Org.); -9. ed.- São Paulo: Cortez, 2006.

PORTO, C.L. Brinquedo e brincadeira na brinquedoteca. In KRAMER, S. Infância e
produção cultural. Campinas: Papirus, 2003

____________, Tizuco M. O Brinquedo na Educação: Considerações Históricas. Revista Ideias,
n (7), pp. 39-45. São Paulo. 1992.

SILVA, Mônica. Jogos Educativos. Campinas: Papirus, 2004.
ANEXOS

Figura 1




Figura 2




    Figura 3
Figura 4

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A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

  • 1. A IMPORTÂNCIA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL Genessi de Fátima Pasquali (E-mail – geneoasquali@hotmail.com) Claucimera Curmelatto Lovison (E.mail.mera_lovison@hotmail.com) Rosemeri Lazaretti Bastos Machado (E.mail- rose_lazareti@hotmail.com) ) RESUMO O artigo apresenta uma abordagem sobre a importância dos jogos e brincadeiras na educação infantil, cuja pesquisa tem objetivo de compreender a importância dos jogos e brincadeiras enquanto opção metodológica no processo de aquisição do conhecimento na Educação Infantil, como também, fazer uma análise reflexiva para entender se realmente os jogos e brincadeiras podem contribuir no processo ensino/aprendizagem, identificar a história dos jogos para que pudéssemos compreender melhor como chegamos aos conhecimentos atuais. A questão que norteia o presente trabalho constui-se assim: Será que podemos afirmar que os jogos e brincadeiras contribuem para que ocorra uma efetiva aprendizagem na educação infantil? A finalidade deste estudo é enfatizar a importância dos educadores de terem em mente os objetivos e os fins dos jogos desenvolvidos, e mais, precisam saber observar as condutas dos educandos para então diagnosticar, avaliar e elaborar estratégias de trabalho; identificando desta forma, as dificuldades e os avanços dos educandos. Este estudo está fundamentado nas pesquisas bibliográficas com autores que abordam a importância dos jogos e brincadeiras em sala de aula e a interação entre os sujeitos envolvidos nesse processo. Como metodologia, primeiramente buscamos suporte teórico para em seguida trabalharmos os jogos e brincadeiras em sala de aula para que pudessemos analisar o desempenho dos educandos. Os resultados, depois das análises feitas mostram que os educadores estão cientes que os jogos e brincadeiras contribuem para o processo de ensino/aprendizagem, que auxilia a evolução da criança, utiliza a análise, a observação, a atenção, a imaginação, o vocabulário, a linguagem e outras capacidades próprias do ser humano. Podemos, então, definir os jogos como experiências e liberdade de criação nas quais as crianças expressam suas emoções, sensações e pensamentos sobre o mundo e também um espaço de interação consigo e com os outros. PALAVRAS–CHAVE: jogos, brincadeiras, aprendizagem e desenvolvimento.
  • 2. INTRODUÇÃO Neste artigo temos por objetivos compreender o uso dos jogos e brincadeiras na educação infantil e fazer uma análise reflexiva para entender se realmente os jogos e brincadeiras lúdicas na educação infantil são subsídios eficazes para a construção do conhecimento, como também, desenvolver estudos sobre situações de jogos e brincadeiras que proporcionem às crianças as estimulações necessárias para sua aprendizagem. Este texto inicia-se com a história dos jogos e brincadeiras que passou a ser considerada uma atividade que favorece o desenvolvimento da inteligência e a facilidade para o estudo. Os jogos e brincadeiras na educação infantil são de suma importância para o desenvolvimento da criança no ensino/aprendizagem, uma vez que as crianças desenvolvem o raciocínio e constroem o seu conhecimento de forma descontraída. Ao trabalhar com jogos e brincadeiras, é necessário que haja uma infinidade de meios a serem oferecidos para que a criança possa desenvolver sua capacidade de criar e aprender. É importante também que o professor conheça os objetivos do jogo, domine as técnicas, o vivência, discuta de forma crítica a possibilidade de utilizá-lo em suas aulas. Além de se apresentar como espaço para contemplar o raciocínio e a construção do conhecimento pelos alunos, os jogos e as brincadeiras podem ser para o professor, um espaço privilegiado de observação de seus alunos. A presente pesquisa foi desenvolvida através de revisão bibliográfica, onde a mesma foi realizada através de leitura sistemática, com fichamento de cada obra, ressaltando os pontos abordados pelos autores pertinentes ao assunto em questão. A pesquisa de campo foi desenvolvida com 25 alunos da Pré-Escola da Escola Municipal de Educação Infantil “Pequeno Príncipe”, com a faixa etária de 4 (quatro) anos, onde trabalhamos diversas brincadeiras com os alunos envolvidos. 1 VISÃO HISTÓRICA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS Para que possamos compreender o uso de jogos e brincadeiras, precisamos fazer uma retrospectiva histórica, tendo por base estudos bibliográficos, para entendermos a importância dos jogos e brincadeiras desde os séculos passados.
  • 3. Desde tempos remotos, o jogo fazia parte da cultura de um povo. A cultura era educação e a educação representava sobrevivência. O jogo reflete aspectos da sociedade na qual ele surgiu. Entre os gregos, por exemplo, os jogos estão relacionados ao caráter físico, às artes e à lógica, que são elementos marcantes em sua sociedade. Segundo Platão (séc. III), que já dava ao esporte o seu devido valor na formação do caráter e da personalidade, os primeiros anos da criança deveriam ser ocupados com jogos educativos. Já entre os egípcios, romanos e maias, os jogos e brincadeiras serviam de meio para a geração jovem aprender com os mais velhos valores e conhecimentos, como também normas e padrões da vida social. De acordo com Kishimoto (1992), que faz um apanhado histórico do uso de jogos no contexto social, o jogo veio ganhar um valor crescente na década de 60, com o aparecimento de museus, com concepções mais dinâmicas, onde nesses espaços as crianças podiam tocar e manipular brinquedos. Este processo de valorização do jogo chegou ao Brasil no início da década de 80, com o aumento da produção científica a respeito dos jogos e o aparecimento das “brinquedotecas”. 2 OS JOGOS E BRINCADEIRAS NO PROCESSO DE ENSINO/APRENDIZAGEM A prática dos jogos e brincadeiras favorece a intencionalidade do trabalho pedagógico e o enriquecimento dos conteúdos a serem desenvolvidos, nessa situação é importante que o adulto esteja sempre incentivado as atitudes das crianças à medida que lhe é solicitado. Para Kishimoto, o uso do brinquedo/jogo educativo com fins pedagógicos é importante instrumento para situações de ensino-aprendizagem e de desenvolvimento infantil. A autora limita as funções educativas apenas aos brinquedos educativos, principalmente quando os classifica de acordo com as habilidades que desenvolve nas crianças, citando como relevante apenas o uso dos mesmos nas tarefas de ensino-aprendizagem e quando considera que a dimensão educativa surge apenas no instante em que as situações lúdicas são intencionalmente criadas pelo adulto com vistas a estimular certos tipos de aprendizagem. Segundo Aranão, A criança, portanto, tem de explorar o mundo que a cerca e tirar dele informações que lhe são necessárias. Nesse processo, o professor deve agir como interventor e proporcionar-lhe o maior número possível de atividades, materiais e oportunidades de situações para que suas experiências sejam enriquecedoras, contribuindo para a construção de seu conhecimento. Sua interação com o meio se faz por intermédio de
  • 4. brincadeiras e jogos, da manipulação de diferentes materiais, utilizando os próprios sentidos na descoberta gradual do mundo (ARANÃO, 2004, p. 16). Os jogos e as brincadeiras permitem ao professor explorar estes momentos de prazer e imaginação junto às crianças, seja atividades diárias desenvolvendo as capacidades de raciocínio, bem como o desenvolvimento físico, afetivo e cognitivo das mesmas. O professor precisa estar atento quando oportunizar um jogo, para direcionar a atividade, respeitando o tempo de cada criança na construção dos conceitos e os objetivos que deseja atingir durante esta atividade. Uma das formas que podem ser utilizadas pelo professor é usar o cotidiano das crianças, a realidade na qual vivem, associando-os com as diferentes culturas, pois elas precisam de conteúdos que lhe sejam significativos. É fundamental que haja motivação por parte do educador para que o mesmo possa despertar, na criança à vontade em participar, criar, desenvolver e construir, buscando, assim a construção do conhecimento. Segundo o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (BRASIL,1998, p.21): Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras, as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação, Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais. Faz-se necessário envolver os jogos e as brincadeiras nas práticas pedagógicas de sala da aula, não apenas com vistas ao desenvolvimento da ludicidade, mas sim, como meio de desenvolver e aprimorar o raciocínio lógico, social e cognitivo de maneira prazerosa para a criança. Segundo SILVA, Ensinar por meio de jogos é um caminho para o educador desenvolver aulas mais interessantes, descontraídas e dinâmicas, podendo competir em igualdade de condições com os inúmeros recursos a que o aluno tem acesso fora da escola, despertando ou estimulando sua vontade de freqüentar com assiduidade a sala de aula e incentivando seu envolvimento no processo ensino e aprendizagem, já que aprende e se diverte, simultaneamente. (SILVA 2004, p. 26),
  • 5. O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física, emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempos. Através deles, as crianças desenvolvem a linguagem, o pensamento, a socialização, a iniciativa e a autoestima, preparando–se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. Para KISHIMOTO (2004, p. 43), A utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento, por conta com a motivação interna, típica do lúdico, mas o trabalho pedagógico requer a oferta de estímulos externos e a influencia de parceiros bem como a sistematização de conceitos em outras situações que não jogos. Ao utilizar, de modo, metafórico, a forma lúdica (objeto suporte de brincadeira) para estimular a construção do conhecimento, o brinquedo educativo conquistou um espaço definitivo na educação infantil. O brincar é mais do que uma distração, é uma linguagem na qual a criança revela uma forma de pensamento. Através da brincadeira a criança situa-se no espaço em que vive, constrói a idéia de si e do outro, experimenta, fala, age, interpreta, interage, enfim, desenvolve habilidades essenciais para uma melhor compreensão do mundo. O trabalho lúdico contribui na formação de cidadãos conscientes e éticos, preparados para enfrentar os desafios da vida, cientes de sua responsabilidade, priorizando o bom senso e respeitando seus limites, o que reflete na boa convivência e no bom relacionamento. PULAR CORDA A brincadeira de pular corda, tão popular no Brasil, propõe às crianças uma pesquisa corporal intensa, tanto em relação às diferentes qualidades de movimento que sugere (rápidos ou lentos; pesados ou leves) como também em relação à percepção espaço-temporal, já que para “entrar” na corda, as crianças devem sentir o ritmo de suas batidas no chão para perceber o momento certo. A corda também pode ser utilizada em outras brincadeiras desafiadoras.(Figura 1) DANÇA DAS CADEIRAS A dança das cadeiras contém regras tradicionais, colocando sempre um participante a mais que uma cadeira, ao começar a música todos andam em volta das cadeiras, ao parar a
  • 6. música os mais espertos sentam, eliminando sempre aquele que ficar em pé, até sobrar somente o vencedor, esta brincadeira ajuda na coordenação auditiva, na competição, desenvolvendo a atenção e a noção espacial e matemática. (Figura 2) PULAR DE UM PÉ SÓ A corrida com um só pé é uma brincadeira onde as crianças realizam movimentos de ida e volta enfrentado desafios diversos no percurso, estimulando a concentração e a situação do ponto de vista do outro, desenvolvendo a coordenação, enriquecendo o ritmo, a atenção e a compreensão de regras.(Figura 3) CORRE LENÇO Esta brincadeira é ótima não tem número limitado, todos podem participar, ajuda desenvolver a criatividade, malícia... Na área cognitiva desenvolve organização do grupo, integração entre os mesmos. Na área afetiva desenvolve atenção, rapidez, controle emocional, cooperação e espírito competitivo.Figura 4 3 ANÁLISE DA PESQUISA DE CAMPO Para confrontar o embasamento teórico adquirido através da pesquisa bibliográfica, foi realizada uma pesquisa de campo com jogos e brincadeiras envolvendo 25 alunos da Escola Municipal de Educação Infantil “Pequeno Príncipe”, no município de Nova Guarita-MT, com a faixa etária de 4 (quatro) anos, A pesquisa de campo contribuiu muito no desenvolvimento do conhecimento dos alunos no seu cotidiano, as brincadeiras e jogos possibilitaram a transferência de ideias contribuindo no processo cognitivo, político e social motivando-os no aspecto emocional, despertando então a iniciativa de agilidade e confiança, tornando-os grandes desafiadores e vencedores de dificuldades. Segundo Porto, A brincadeira pode ser um espaço de experiências bem original, onde o comportamento encontra-se dissociado e protegido de censuras correntemente encontradas na sociedade. Nesse sentido, a brincadeira é uma situação de frivolidade e flexibilidade. A criança pode tentar sem medo a confirmação do real. Algumas condutas de comportamento que,
  • 7. sob pressões funcionais, não seriam tentadas podem ser experimentadas na brincadeira. Nesse universo, a criança pode, sem riscos, inventar, criar, tentar (2003, p.182). Por meio do ato de brincar, à criança percebe o mundo, faz-de-conta, inverte papeis, cria e recria situações diversas. Brincar junto reforça os laços afetivos. Visto que, todas as crianças gostam de brincar com os pais, com a professora, com os avós e com os irmãos. A participação do adulto na brincadeira da criança eleva o nível de interesse, enriquece e contribui para o esclarecimento de dúvidas durante as brincadeiras. Ao mesmo tempo, a criança sente-se prestigiada e desafiada, descobrindo e vivendo experiências que tornam o brinquedo o recurso mais estimulante e mais rico em aprendizado. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao final de nosso trabalho acreditamos ter conseguido alcançar os objetivos propostos, pois tivemos a oportunidade de aprofundar nossos conhecimentos sobre a importância dos jogos e brincadeiras na educação infantil. Verificou-se que os jogos e brincadeiras proporcionam à criança a oportunidade de realizar as mais diversas experiências e preparar-se para atingir novas etapas em seu desenvolvimento. Cabe à escola estar atenta ao desenvolvimento e aprendizado do aluno cumprindo a função integradora, dando oportunidade para a criança desenvolver seu papel na sociedade, contribuindo para um bom desenvolvimento de uma socialização adequada, através de atividades em grupos, brincadeiras recreativas e jogos de forma que capacite o relacionamento e a participação ativa da mesma caracterizando em cada uma o sentimento de sentir-se um ser social. Resgatar e utilizar jogos e brincadeiras como um meio educacional é um avanço para a educação: temos que tomar consciência, e ao mesmo tempo utilizar como instrumento curricular, descobrindo nele fonte de desenvolvimento e novos caminhos para a aprendizagem. Ao longo deste artigo foi possível destacar, portanto, a importância em propiciar as crianças situações de jogos e brincadeiras para que se apropriem de forma lúdica de conhecimentos diversos. A educação infantil é o espaço onde a criança recebe estímulos e se desenvolve nos diferentes aspectos, afetivo, motor, cognitivo, entre outros. Nesta perspectiva
  • 8. podemos destacar a importância do ensino infantil, como uma das etapas mais importante para o desenvolvimento integral da criança. REFERÊNCIAS ARANÃO, Ivana. D. A Matemática Através de Brincadeiras e Jogos. 5. ed. Campinas: Papirus, 2004. BRASIL,MEC. Referencial Curricular para a Educação Infantil. Volume 2. 1998, BRASILIA KISHIMOTO, citado por LUCENA, Ferreira De. Jogos e Brincadeiras na Educação Infanti. Campinas: Papirus, 2004. __________, Tizuko Morchida, Jogo, Brinquedo, brincadeira e a educação/ Tizuko M. Kishimoto (Org.); -9. ed.- São Paulo: Cortez, 2006. PORTO, C.L. Brinquedo e brincadeira na brinquedoteca. In KRAMER, S. Infância e produção cultural. Campinas: Papirus, 2003 ____________, Tizuco M. O Brinquedo na Educação: Considerações Históricas. Revista Ideias, n (7), pp. 39-45. São Paulo. 1992. SILVA, Mônica. Jogos Educativos. Campinas: Papirus, 2004.