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Design ministra curso de desenvolvimento de móveis e objetos de decoração com talos
de buriti para artesãos acreanos
Em 31/10/2002


        Local: Rio Branco - AC
        Fonte: Página 20
        Link: http://www.pagina20.com.br/




Palmeira Nobre
Rose Farias
Com base no conceito de sustentabilidade, o mercado de econegócio vem se estruturando cada
vez mais no Brasil e ganhando o mundo. Mas antes mesmo de entrar na pauta de discussão dos
negócios sustentáveis, - sintonizados com o senso de preservação do meio ambiente aliado ao
desenvolvimento e à pesquisa de produtos de qualidade com pinceladas de arte -, ousados e
pioneiros artesãos já apostavam no potencial desse mercado de produtos desenvolvidos a partir
de matéria-prima extraída da floresta.
Uma das experiências mais inovadoras, que une arte ao conceito de preservação do meio
ambiente vem sendo desenvolvido pelo design de móveis Abrahão Honório Cavalcante, 49 anos,
o Abra. O artista é o precursor na arte de desenvolvimento de móveis e objetos de decoração
com talos de buriti. São mesas, cadeiras, abajur, mesas de centro, criado-mudo, entre outros,
"tudo o que o ambiente de uma casa precisa para criar um espaço aconchegante com arte",
entoa o design.
Sua arte criativa, sem rebuscamentos, vem ganhando as principais revistas de decoração. Suas
peças vem invadindo interiores de casas e galerias do país.
Uma de suas últimas experiências foi ter os desenhos, texturas e tramas de suas peças de buriti
figurando num catálogo de moda juntamente com artistas plásticos de renome.
Natural do Ceará, mas residindo em Teresina, onde desenvolve seu rico trabalho, o design se
encontra em Rio Branco à convite do Sebrae e Secretaria de Indústria e Comércio para ministrar
durante vinte dias um curso sobre o desenvolvimento de móveis utilizando os talos de buriti.
Abra conta que sua escolha pelo buriti foi algo natural. Apesar de ser engajado nas questões
ambientais, sua formação acadêmica jurídica o afastava da questão.
"Sou autodidata. O encontro com o buriti aconteceu quando fui morar no Piauí, me deparei com
os buritizais, achei muito interessante. Não trabalhava com arte, mas sempre fui um admirador
da literatura, cinema, artes plásticas entre outros. Botar a mão na massa foi só a partir do
encontro com o buriti", conta Abra, acrescentando que foi a partir da compra de uma área pelo
sogro, cheia de buritizais, que ele se apaixonou pela palmeira de estipe elegante e ereto, de
folhas enormes e brilhantes, onde suas folhagens, abertas e estrelas, formam uma copa
arredondada.
"Falei para eles: 'Olha, quando fizerem a casa deixa que o mobiliário e a decoração vai ser por
minha conta'. E a partir daí aconteceu. Isso foi de 88 para 99. De lá para cá fui desenvolvendo
os produtos que culminou com minha primeira exposição, em 89, no Rio Poti Hotel. Levei
sessenta peças e vendi todas no primeiro dia. Falei: 'Poxa, que negócio incrível, não é que
funciona mesmo?'. A partir daí mudei de profissão. Acho que já fui até cassado da Ordem dos
Advogados", conta, esboçando um ar de contentamento por ter escolhido o ofício de design de
móveis e objetos de decoração utilizando o buriti.
Com quinze anos no mercado, uma outra linha que o artista vem desenvolvendo são as
esculturas a partir do talo da palmeira. Abra adianta que seu trabalho tem penetração no Brasil
todo, Japão, Estados Unidos e países da Europa. O artista no momento está com uma mostra de
seu trabalho, que vai durar um ano, no shopping D & D, em São Paulo.
Arte e ecologia: dois lados da mesma moeda
Agregando o valor de desenvolvimento sustentável ao seu trabalho, Abra relata que a questão
ecológica sempre foi um traço marcante em sua arte.
"Quando vi o buriti, onde você não precisa matá-lo para tirar o talo, pois está maduro no pé,
onde a poda até ajuda no desenvolvimento da palmeira. Então, vi que estava bem dentro
daquilo que o mercado busca. Pois, hoje na Europa, eles procuram saber se realmente aquele
produto é feito a partir de materiais alternativas que agridam o meio ambiente", relata o design.
As peças seguem um padrão cuidadoso com a questão da preservação que os materiais
utilizados para montar as estruturas das peças passa por uma pesquisa.
"Nós não usamos ferro, como pregos e outros, utilizamos em alguns momentos apenas para
sustentar a peça, pois existe uma pesquisa. Por exemplo, a resina que utilizamos foi pesquisada
por mim, com a preocupação da aderência e resistência. Você vai para o mercado competir com
pessoas competentes, então você têm que entrar seguro. Tudo é feito por encaixe e resina",
explica Abra, adiantando as peças dentro de ambientes fechados e cobertos têm uma alta
durabilidade.
"O buriti só não é resistente quando é exposto à chuva onde a durasbilidade cai para dois anos,
e as fibras com a presença da água se instalam fungos. Clientes meus costumam dizer:
"Abrahão, aqueles teus móveis que comprei não tem jeito de acabar. Quero comprar outros,
você vai quebrar assim. Realmente, é um móvel aprovado e largamente consumido hoje. O
mercado é rentável e aceito pelo mercado que é muito grande. Dá para se ganhar um bom
dinheiro, a partir de um produto criativo que agregue valor de sustentabilidade", afirma. Hoje,
segundo Abra, os arquitetos, decoradores e a mídia, como as revistas de decoração são os
grandes incentivadores desse mercado.
Noções de gestão ambiental e desenvolvimento de produto
Com uma turma de treze alunos, todos artesãos, Abra, ministra o curso no Colégio Agrícola,
onde enfoca além da prática com a criação das peças, a parte teórica que envolve noções
básicas de organização e gestão de meio ambiente. Os alunos são levados ao campo para
tomarem contato com a matéria em seu sentido ecológico, da necessidade de utilização do buriti
,como deve ser tirado, qual o buriti adequado.
"Depois vamos para a parte prática na oficina. Onde eles vão aprender a selecionar o buriti,
onde existe toda uma técnica para que você não faça besteira diante de seu consumidor",
explica.
O design diz que se sente muito gratificado em ter vindo ao Acre, um Estado que para ele é uma
referência em termos de recursos da floresta.
"Foi uma iniciativa muito louvável do Sebrae e Secretária de Indústria e Comércio minha vinda
para o Acre para passar o que sei, meu conhecimento para esses talentosos artesãos. Espero
que eles soltem a sua criatividade, que dêem um passo à frente, pois o mercado não gosta da
cópia", discorre o design acrescentando que a troca de experiências têm sido um aprendizado
muito grande entre ele e os alunos.
"Isso é que é maravilhoso. A gente traz um pouco e aprende muito mais. Existem coisas que
não conhecia, técnicas que nunca tinha visto. Então, existe uma verdadeira troca. Acredito que
nas minhas futuras produções terá traços do Acre inserido no meu trabalho, com certeza. E aqui
a gente deixa todo esse pequeno know-how para que as pessoas daqui associem a seu trabalho,
o buriti, que é uma coisa da casa. E breve escute na mídia: o Acre faz sucesso com o buriti'",
finaliza o talentoso design.



http://negocios.amazonia.org.br/index.cfm?fuseaction=noticia&id=42228
acesssado em 03/10/05

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  • 2. Com quinze anos no mercado, uma outra linha que o artista vem desenvolvendo são as esculturas a partir do talo da palmeira. Abra adianta que seu trabalho tem penetração no Brasil todo, Japão, Estados Unidos e países da Europa. O artista no momento está com uma mostra de seu trabalho, que vai durar um ano, no shopping D & D, em São Paulo. Arte e ecologia: dois lados da mesma moeda Agregando o valor de desenvolvimento sustentável ao seu trabalho, Abra relata que a questão ecológica sempre foi um traço marcante em sua arte. "Quando vi o buriti, onde você não precisa matá-lo para tirar o talo, pois está maduro no pé, onde a poda até ajuda no desenvolvimento da palmeira. Então, vi que estava bem dentro daquilo que o mercado busca. Pois, hoje na Europa, eles procuram saber se realmente aquele produto é feito a partir de materiais alternativas que agridam o meio ambiente", relata o design. As peças seguem um padrão cuidadoso com a questão da preservação que os materiais utilizados para montar as estruturas das peças passa por uma pesquisa. "Nós não usamos ferro, como pregos e outros, utilizamos em alguns momentos apenas para sustentar a peça, pois existe uma pesquisa. Por exemplo, a resina que utilizamos foi pesquisada por mim, com a preocupação da aderência e resistência. Você vai para o mercado competir com pessoas competentes, então você têm que entrar seguro. Tudo é feito por encaixe e resina", explica Abra, adiantando as peças dentro de ambientes fechados e cobertos têm uma alta durabilidade. "O buriti só não é resistente quando é exposto à chuva onde a durasbilidade cai para dois anos, e as fibras com a presença da água se instalam fungos. Clientes meus costumam dizer: "Abrahão, aqueles teus móveis que comprei não tem jeito de acabar. Quero comprar outros, você vai quebrar assim. Realmente, é um móvel aprovado e largamente consumido hoje. O mercado é rentável e aceito pelo mercado que é muito grande. Dá para se ganhar um bom dinheiro, a partir de um produto criativo que agregue valor de sustentabilidade", afirma. Hoje, segundo Abra, os arquitetos, decoradores e a mídia, como as revistas de decoração são os grandes incentivadores desse mercado. Noções de gestão ambiental e desenvolvimento de produto Com uma turma de treze alunos, todos artesãos, Abra, ministra o curso no Colégio Agrícola, onde enfoca além da prática com a criação das peças, a parte teórica que envolve noções básicas de organização e gestão de meio ambiente. Os alunos são levados ao campo para tomarem contato com a matéria em seu sentido ecológico, da necessidade de utilização do buriti ,como deve ser tirado, qual o buriti adequado. "Depois vamos para a parte prática na oficina. Onde eles vão aprender a selecionar o buriti, onde existe toda uma técnica para que você não faça besteira diante de seu consumidor", explica. O design diz que se sente muito gratificado em ter vindo ao Acre, um Estado que para ele é uma referência em termos de recursos da floresta. "Foi uma iniciativa muito louvável do Sebrae e Secretária de Indústria e Comércio minha vinda para o Acre para passar o que sei, meu conhecimento para esses talentosos artesãos. Espero que eles soltem a sua criatividade, que dêem um passo à frente, pois o mercado não gosta da cópia", discorre o design acrescentando que a troca de experiências têm sido um aprendizado muito grande entre ele e os alunos. "Isso é que é maravilhoso. A gente traz um pouco e aprende muito mais. Existem coisas que não conhecia, técnicas que nunca tinha visto. Então, existe uma verdadeira troca. Acredito que nas minhas futuras produções terá traços do Acre inserido no meu trabalho, com certeza. E aqui
  • 3. a gente deixa todo esse pequeno know-how para que as pessoas daqui associem a seu trabalho, o buriti, que é uma coisa da casa. E breve escute na mídia: o Acre faz sucesso com o buriti'", finaliza o talentoso design. http://negocios.amazonia.org.br/index.cfm?fuseaction=noticia&id=42228 acesssado em 03/10/05