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Indisciplina e Mediação de Conflitos na Escola
Cada participante recebe um balão e o enche. Em seguida o formador solicita que amarrem os balões e o segurem com a mão esquerda, e que coloquem a mão direita aberta para trás, onde foi colocado um palito de dente.  A regra é: proteger o seu balão e mantê-lo cheio até acabar o tempo de cinco minutos.  Dinâmica
Dado o sinal de início, alguns balões começam a ser estourados pelos colegas com o palito de dentes. Ao final do tempo dado, geralmente poucos permanecem com os balões cheios.   Executando a dinâmica
Todos poderiam ter permanecido com os balões cheios se não usassem os palitos, pois a regra não era estourar os balões. Foi o espírito competitivo que os levou a furar os balões. Nesse espírito todos querem ganhar. Embora a consigna fosse ter o seu balão cheio, apenas alguns se preocupam em proteger o seu balão. O palito de dentes simboliza o conflito. Neste modelo, em situações de conflito o nosso objetivo é ganhar, não basta proteger, é preciso vencer e para vencer é preciso destruir o outro nas dimensões objetiva e subjetiva.  Este é um paradigma cultural que precisa ser desconstruído. Todos tinham palitos e o outro esperava que o ataque ocorresse.  Reflexão
A forma de proteger foi atacando, porque o outro esperava isso.  A filosofia que predomina é: o importante é que a outra pessoa perca e que eu ganhe!  A fórmula era: para eu ganhar o outro tem que perder, mas esse é um paradigma que precisa ser desconstruído na mediação.  Em lugar dele é preciso pensar no que podemos fazer juntos para solucionar o problema que nos envolve. Essa é a mudança de paradigma que deve ser feita.   Todos devem ganhar na mediação escolar. Tal mediação não trabalha a questão (conflitos), mas as pessoas que estão envolvidas na questão.  Nesse novo paradigma, o conceito de quem ganha e de quem perde deve ser superado. Nossa cultura está formatada para ganhar e perder.
O que poderia produzir uma escola com outro modelo?   A pergunta é:
A proposta educacional da UNESCO está norteada por quatro eixos que são  pertinentes ao tema:  Aprender a ser;  2. Aprender a fazer; 3. Aprender a conviver;  4. Aprender a aprender.  Nesse contexto as teorias educacionais devem ser aliadas da mediação escolar enquanto prática.
A violência tem estado presente na nossa sociedade ao longo dos tempos, seja de forma direta, nos conflitos interpessoais, seja através da violência estrutural e cultural que dão origem a situações de humilhação, discriminação, exclusão e mesmo de vitimização. Assistimos a uma cultura de violência que sobressai nos modos de interagir dos indivíduos: adultos, jovens ou crianças esta é uma realidade a  qual as Escolas em geral não o escapam e que tem vindo a afetar o seu funcionamento harmonioso.   RESOLUÇÃO DE CONFLITOS
Grandes exemplos de conflito nos conhecidos movimentos de rompimento de paradigmas: autor tipo de conflito processo resultante síntese Freud Darwin Marx Piaget Conflito entre desejo e proibição Conflito entre o sujeito e o meio Conflito entre classes sociais Conflito nas decisões e experiências Repressão e defesa Diferenciação e adaptação Estratificação social/hierarquia Aprendizagem/ resolução de problemas Luta pelo dever Luta por existir Luta pela igualdade Luta por ser
O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro – Sinepe Rio–, solicitou ao IBOPE uma pesquisa intitulada: (RIO DE JANEIRO, 2006), que recolheu opiniões de jovens entre 14 e 18 anos. Pesquisa "O jovem, a sociedade e a ética"
Dentre estes, quais são os dois mais graves problemas do Brasil? Rio de Janeiro, divulgação: jan./mar. 2007. Pergunta
Pergunta Quem você considera mais responsável pela garantia de um bom futuro para pessoas como você?
Grau de confiança nas pessoas e instituições INSTITUIÇÕES CONFIA  % NÃO CONFIA  % NÃO TEM OPINIÃO Professores 84% 13% 3% E. particular 77% 18% 5% E. Pública Médicos Religião Católica I. Evangélica Televisão Rádio Jornal 76% 75 71 66 61 60 62 59 19% 21 23 26 30 36 35 37 5% 4 6 8 8 4 4 4
Para cada frase citada, gostaria de saber  se você concorda ou discorda Pergunta: Proposições Concorda Discorda 1. A educação dos jovens deve ter limites bem definidos .............................................................. 2. No Brasil é possível melhorar a condição social através do voto ......................................... 3. Um cidadão não tem só direitos, tem deveres com a sociedade ................................................. 4. O voto pode mudar a situação de um país ..... 5. O importante para os jovens é viver o presente, sem pensar no futuro .......................... 6.Os jovens são desmotivados, nada lhes interessa .............................................................. 7. Experiência profissional é mais importante que a educação ................................................... 8. No Brasil só se protege os direitos de quem não respeita os direitos dos outros ..................... 82% 73% 70% 64% 57% 50% 49% 49% 14% 21% 24% 30% 40% 46% 46% 44%
Dentre estes, para qual ponto você julga que uma boa escola deveria estar voltada?  Pergunta
O resultado mostra o quanto a escola e a educação povoam o imaginário dos jovens, o quanto estes ainda vêem na escola e na educação instrumentos  importantes para suas vidas e o quanto a violência na escola os afasta de seus sonhos ou os amedronta.
Situação que revela o posição , confronto de opiniões ,   entre pessoas ou grupos, geradora de violência verbal ou física ; 2.Oposição vivida no íntimo de cada pessoa quer entre o seu saber e as informações novas, quer entre os seus desejos e os imperativos exteriores.  Dicionário Verbo Definição de conflito
 
O conflito, em si, não é violento. A forma de resolver ou de exprimir o conflito é, ela sim, muitas vezes, violenta.  A violência, sutil ou expressa, é uma consequência da rivalidade, da tensão, do desacordo entre os indivíduos. Conflito e violência
O Conflito: nosso velho conhecido ... Conflitos próprios da infância Conflitos pessoais da adolescência Conflitos intrapessoais Ir/não ir Comprar/não comprar Fazer/não fazer Falar/não falar Casar/não casar
Entre duas pessoas, entre pessoas e grupos, entre grupos, entre pessoas e organizações, entre grupos e organizações. O conflito faz parte do processo comum de interação de uma sociedade aberta. Por conta do conflito as diferenças se apresentam e podem ser resolvidas; Mediante o Conflito antagonismos se manifestam e podem ser superados. Conflitos interpessoais
Fatores presentes no Conflito Objetivos  Aumento  de salário Controle de terra Custódia de filho Chefia do grupo Subjetivos  Prestígio Honra Hierarquia Reconhecimento Realistas  Não-realistas
Concordância Discordância TRANSFORMAÇÃO SOCIAL Conflito Aliança Conflito
O Conflito não é inimigo da “ordem” social. O Conflito é o resultado dos “diferentes e das diferenças” que hoje já podem conviver na sociedade. Logo...
Devemos aprender a lidar com essa situação irreversível, antecipando decisões a fim de que, quando o problema surgir mais fortemente, estejamos aptos a lidar com ele. E mais...
A visão positiva do conflito permite que este seja visto com naturalidade, o que facilita a sua administração. Eles não devem ser vistos como obstáculos; ao contrário, devem ser encarados como normais, não sendo necessariamente nem bons ou ruins, positivos ou negativos. É a resposta que se dá aos conflitos que os torna positivos ou negativos, construtivo ou destrutivos. A questão é como resolvê-los, se por meios violentos ou não violentos.
Conflitos no contexto escolar São os provenientes das ações próprias dos sistemas escolares ou oriundos das relações que envolvem os atores da  comunidade  educacional.
Entre docentes     comunicação, interesses, disputa de poder, valores, competição, divergência de posições políticas e ideológicas. Entre alunos e docentes     não entender o que explicam, notas arbitrárias, falta de material, desinteresse, não serem ouvidos... Entre pais, docentes e gestores     agressão entre alunos e professores, perda de material, cantina, critérios de avaliação, uso de uniforme escolar, não atendimento a requisitos ‘burocráticos’ e administrativos da gestão.
É perante a constatação da existência de conflito e da necessidade da sua resolução positiva na escola que os professores poderão ver, neste momento, uma oportunidade de mudar, de crescer e de poder aumentar o seu grau de envolvimento e motivação.
Mediação de conflitos
A  mediação de conflitos  é um método que visa  a resolução de controvérsias entre duas ou mais pessoas . Em busca da  conciliação entre os envolvidos no conflito , um mediador (conciliador) imparcial deve desempenhar o papel de interlocutor. No entanto, o  mediador deve estar preparado para facilitar a conversação e a pacificação . Para isso, é necessário o conhecimento de técnicas específicas que são aplicáveis durante o processo de conciliação.
Instituto Mediare do Rio de Janeiro, (1998) “ Um processo não adversarial, confidencial e voluntário, no qual um terceiro imparcial facilita a negociação entre duas ou mais partes, porém sem prescrever solução, onde um acordo mutuamente aceitável poderá ser um dos desenlaces possíveis”.
Mediação de conflito “  Se presenta como una herramienta que puede aportar a la resolución constructiva de conflictos, en especial en una organización donde sus integrantes se encuentran frente al desafío de convivir todos los días espetando sus diferencias”.  (OLIVERA, Mirta Gómez, 2004) Ela se revela importante porque:
Panorama Mundial A idéia de mediação de conflitos como método formal para resolver ou solucionar controvérsias, difundiu-se a partir da década de 70, nos Estados Unidos.
Os programas de resolução de conflitos tiveram origem fora do contexto escolar.  Nessa década, impulsionou-se a criação de centros de Mediação Comunitária, cujo objetivo era oferecer uma alternativa aos tribunais, permitindo aos cidadãos reunirem-se e procurarem uma solução para a questão que ali os levava.
Em 1982, em San Francisco inicia-se uma colaboração entre os centros de mediação comunitária e os sistemas escolares, criando o programa “Recursos de resolução de conflitos para a escola e jovens”.
No ano de 1984 surge, nos Estados Unidos, a NAME, Associação Nacional de Mediação Escolar, que serviria para o estudo e implementação da mediação e, em 1985, a NAME funde-se com o NIDRF, Instituto Nacional de Resolução de Litígios, nascendo a CRENET, Rede de Resolução de Conflitos na Educação.
Neste último ano(2009), em Nova Iorque,  surge o  “Programa de resolução criativa de conflitos”, com os seguintes objetivos:  Mostrar aos jovens alternativas não violentas aos conflitos reais da sua vida;  Aprender a compreender e a valorizar a  própria cultura e a cultura dos restantes;  - Transmitir às crianças e jovens o seu  papel protagonista na construção de um mundo mais pacífico.
Progressivamente estendem-se por todo o mundo e, atualmente, existem  experiências maduras na Argentina, Nova Zelândia, Austrália ou Canadá;  Na Europa, podemos encontrar  experiências desta natureza em países como a França,  Grã-Bretanha, Suíça, Portugal, Bélgica, Polônia, Alemanha, Espanha, entre outros.  Os programas de resolução de conflitos
A Província del Chaco, na Argentina, destaca-se pelas boas experiências na área de mediação escolar. Os resultados foram tão positivos nas escolas onde esse meio consensual foi implementado, que instigaram a criação de uma lei regulando a mediação no âmbito escolar.
As finalidades dos programas de mediação de conflitos são:  1. Criação de ambientes de aprendizagem seguros; 2. Promoção de ambientes de aprendizagem construtivos; 3. Desenvolvimento pessoal e social dos alunos, incluindo a aprendizagem de competências de resolução de problemas;  4. Desenvolvimento de uma perspectiva construtiva do conflito .
Preocupada com a onda de violência que se espalhou pelo mundo e atingiu também as crianças e os jovens, a Assembléia Nacional das Nações Unidas proclamou em novembro de 1997 o ano de 2000 como o ano internacional da cultura de paz, e em novembro de 2000, declarou o decênio 2001 – 2010 como o decênio internacional de uma cultura de paz e não violência para as crianças do mundo, designando a UNESCO como a entidade responsável pelas ações nesse período. Em 2000, a UNESCO publicou o  Manifesto 2000 por uma cultura de paz e não violência.
Panorama brasileiro No Brasil, ainda não existe uma legislação que regule a prática da mediação, mas mesmo que indiretamente, A Constituição Federal brasileira prevê o procedimento da mediação de conflitos, quando dispõe em seu preâmbulo: “  É instituído um Estado Democrático, destinado a assegurar o  exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica de controvérsias”.
Em abril de 2004, o Observatório da Violência nas Escolas, em parceria com a UNESCO e a Universidade Católica de Brasília, realizou na capital brasileira o Congresso Ibero-Americano sobre a violência nas Escolas, do qual resultou a  Carta de Brasília- Por uma escola sem violências .
A Carta de Brasília recomendou algumas propostas e linhas de ação, das quais podem ser ressaltadas:  Assegurar que a violência nas escolas seja alvo prioritário das políticas públicas em todos os níveis governamentais, em regime de colaboração; Fomentar parcerias entre instâncias governamentais e não-governamentais visando a implementação de ações, projetos e programas para a melhoria do ambiente escolar, bem como a prevenção e superação da violência; Incentivar a criação de espaços institucionalizados de diálogo em estabelecimentos e redes escolares, envolvendo todos os atores da escola; Propor o desenvolvimento de pedagogias cooperativas que facilitem projetos de mediação.
Experiências Projeto Escola de Mediadores Trata-se de projeto desenvolvido em 2000, em parceria pelo Instituto NOOS, Viva Rio – Balcão de Direitos, Mediare e Secretaria Municipal de Educação, em duas escolas públicas do Município  do Rio de Janeiro. A iniciativa teve o apoio do Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, responsável pelo Programa “Escolas de Paz”.
Dessa experiência, foi elaborada a Cartilha Escola de Mediadores, que fornece informações sobre mediação de conflitos e o papel do mediador, bem como orienta a implementação da mediação escolar nas instituições de ensino e a criação da equipe que será responsável pelo desenvolvimento do projeto.
A escola apresenta-se como local privilegiado de socialização e, portanto, propício ao desenvolvimento de sentimentos, afetos e emoções que podem em determinado momento gerar conflitos em que o diálogo cotidiano não seja capaz de solucionar. Quando isso ocorre percebe-se a necessidade de que sejam tomadas providências para que essa situação conflituosa não se deteriorize vindo a tornar-se um ato de violência.  Mediação de conflitos no contexto escolar
Estamos aptos a mediar o conflito no universo escolar? Como lidamos com os conflitos entre  alunos e alunos ,  alunos e professores ,  professores e  professores ,  professores e direção ,  direção e alunos ,  escola e comunidade ?
Texto: À beira do caos
Dinâmica de trabalho com o texto Dividir a turma em 05 grupos. Cada grupo fica com um dos casos apresentados no texto.  O grupo irá dramatizar a cena apresentada e logo após comenta  sobre: ●  O que aconteceu; ●  O que fazer e  ●  Como evitar.
1. "Vou ficar sem chocolate" Um caso de contágio emocional OS FATOS "Perdi o controle da classe em uma situação bastante inusitada. Uma garota foi viajar com a família no período de aulas e prometeu aos colegas que traria chocolates para todos na volta. A turma aguardou ansiosamente o retorno. No dia em que a viajante chegou, estávamos sentados no chão, terminando uma roda de conversa. Ela apareceu na porta, com uma enorme caixa enfeitada.  As crianças ficaram hipnotizadas. Peguei o pacote e comecei a distribuição, mas a garotada avançou. 'Também quero!' 'Tem pra mim?' 'Eu vou ficar sem!' Coloquei a caixa em uma prateleira e avisei que comeríamos chocolate apenas na hora do lanche. Tentei organizar a classe, sugerindo que a menina contasse sobre a viagem. Foi tudo em vão. A euforia não acabou, as crianças continuaram nervosas e não consegui fazer mais nada."  Marta Rosa , Escola Miguilim, São Paulo, SP .
O QUE ACONTECEU?   Essa é uma manifestação característica de contágio emocional. Ela ocorre quando um determinado fato desencadeia fortes emoções em um grupo. O filósofo e médico Henri Wallon (1879-1962) atribui significativa importância à reação coletiva no âmbito da Educação. Ele afirma que a emoção cria uma relação imediata entre os indivíduos, apontando para a união e para a cooperação (nos casos positivos) e para o conflito (nos negativos). Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), destaca que, no caso de Marta, houve dissonância entre o critério da professora e o dos pequenos. A primeira, como adulto que é, julgou o fato com racionalidade, levando em conta que existe hora certa para comer chocolate, conversar e brincar. Já as crianças queriam atender a seus desejos e fazer o que é mais agradável no momento.  O QUE FAZER?   Como é difícil para os pequenos controlar emoções e reações, a melhor atitude é tentar conciliar os interesses do grupo. "A professora poderia ter distribuído a guloseima ao mesmo tempo em que a garota contava sobre os lugares visitados", sugere Macedo.  COMO EVITAR?   Em casos de emoções descontroladas, a melhor solução é deixá-las fluir, em vez de tentar abafá-las com regras que ainda não foram discutidas pelos pequenos (portanto, desconhecidas), e propor uma alternativa para que os desejos sejam atendidos.
2. "Ops... Caiu..." Típico teste de limites OS FATOS   "Eu já era professora há oito anos e, apesar disso, passei um sufoco danado quando precisei lidar com um menino que me testava o tempo todo. Havia na sala uma bancada repleta de brinquedos. No meio das atividades, ele se levantava, colocava a mão sobre o móvel e me lançava um olhar desafiador, ameaçando derrubar tudo no chão. Não dava outra: era só eu falar que não podia para ele colocar tudo abaixo. Eu ou a assistente reorganizávamos o espaço. Uma vez, fiquei a seu lado até que ele mesmo arrumasse a bagunça. Mas, quando estava quase terminando, o garoto derrubava tudo novamente. Nesse dia, não demorou muito para as outras crianças se agitarem, falando alto, puxando e empurrando uns aos outros. Percebi que elas também queriam a minha atenção. Pedi, então, para a coordenadora levá-las ao parque até a hora da saída. Já o menino permaneceu meia hora a mais na sala, mas colocou todos os brinquedos no lugar."  Thais Silva , Escola Baby Mel, Salvador, BA.
O QUE ACONTECEU?   A criança estava claramente testando limites. A percepção do que pode e do que não pode só é incorporada pelas crianças aos poucos. Experimentar para saber até onde chegar com suas atitudes é uma ferramenta natural de aprendizado. Um caso como o descrito também pode ser interpretado como uma maneira de disputar poder com o adulto. Mas existe outro aspecto a ser ressaltado: o valor "ordem" está construído apenas na cabeça dos adultos. Na perspectiva da criança, a bagunça significa uma possibilidade de exercer a criatividade. Quando ela desarruma a prateleira, tem a possibilidade de descobrir diferentes formas e caminhos para organizar os brinquedos.  O QUE FAZER?   Quando os limites são colocados à prova, a criança não pode ganhar. Do contrário, terá a certeza de que está comandando a situação. A sanção por reciprocidade (termo usado por Jean Piaget [1896-1980] para caracterizar punições que têm por finalidade reparar o dano causado) aplicada pela professora foi correta: desarrumou, tem de arrumar. É também uma forma de a criança se redimir pelo que fez.  COMO EVITAR?   Sempre haverá crianças que necessitam de atenção mais individualizada em alguns momentos. "Aliás, este conflito diário acontece em todas as escolas: como atender o todo e cada um ao mesmo tempo?", reflete Lino de Macedo.
3. "Eu também quero..." O caso da classe (des)organizada OS FATOS   "Durante a Semana do Livro na escola, uma das atividades programadas para a minha turma era montar uma maquete do Sítio do Picapau Amarelo. Como nem todas as crianças se interessaram, realizei o trabalho com apenas algumas. Às outras, sugeri que lessem ou brincassem. Assim que abri o primeiro pote de tinta para pintar a base da estrutura, quem havia ficado de fora foi se aproximando. O burburinho aumentou quando os personagens começaram a surgir dos recortes no papel-cartão. Todos queriam participar, mas não havia material. Parei tudo, coloquei a maquete no meio da sala e fui relembrando as histórias de Monteiro Lobato. Só assim conseguimos terminar o projeto."  Rosiane Perovano , EMEI Teresita Borrini Farina, João Neiva, ES.
O QUE ACONTECEU?   A classe foi dividida em dois grupos, porém os objetivos de um não estavam relacionados à atividade principal, para a qual havia mais dedicação da professora.  O QUE FAZER?   Para Zilma de Oliveira, professora de pós-graduação da Faculdade de Educação da USP, uma vez estabelecida a situação, impedir que parte da turma entre na atividade significaria adotar uma postura autoritária e, novamente, excludente. "Nessas horas, é preciso ter flexibilidade para acolher os que ficaram de fora e rapidamente reorganizar a classe, como fez a professora."  COMO EVITAR?   A situação relatada poderia não ter ocorrido se tivessem sido adotados critérios didáticos durante a organização da classe. A divisão das crianças em grupos para a realização de diferentes tarefas não é um problema em si. Porém todas precisam estar relacionadas ao mesmo objetivo. O psicólogo espanhol César Coll, professor da Universidade de Barcelona, aponta que em atividades em grupos o professor precisa ficar atento às condições de trabalho. Isso inclui cuidar da composição das equipes e da distribuição de tarefas, dar as instruções iniciais, explicar o que será feito, construir possibilidades de interações entre os grupos e, principalmente, fazer com que todos participem do resultado final coletivo.
4. "Foi ele quem começou!" Briga entre os pequenos OS FATOS  "Quando eu trabalhava em uma sala, costumava ter como primeira atividade do dia uma roda de conversa. Às segundas-feiras, falávamos sobre o fim de semana. Naquele dia, todos chegaram muito agitados e, nem bem iniciamos o bate-papo, duas crianças começaram a se provocar. Achei que não ia dar em nada e continuei a ouvir os outros. Mas a briga iniciou rapidamente e a turma se dividiu em duas torcidas. Eu segureis os 'brigões' e, quando tudo se acalmou, sugeri que fôssemos ao parque extravasar."  Maricélia Rocha , CEI Grão da Vida, São Paulo, SP. O QUE ACONTECEU?  As brigas estão ligadas a padrões de sociabilidade. As crianças observam que muitos adultos resolvem os conflitos usando a força física e acabam adotando esse comportamento por observação.
O QUE FAZER?   Depois de separar os envolvidos na briga do resto do grupo, é importante esperar que eles se acalmem para depois conversar individualmente,  incentivando-os  a  expor  os  próprios  sentimentos e a refletir sobre os dos outros. Na maioria dos casos, agressões físicas ou verbais são algumas das maneiras que os pequenos têm para se expressar. Uma conversa com os dois juntos é essencial, assim como a discussão posterior com a turma toda reunida, mostrando que os conflitos acontecem (dentro ou fora da sala) e não devem ser encarados como algo anormal. Existem, porém outra maneira de resolvê-los.  COMO EVITAR?   É preciso ficar atento a esse tipo de situação e isolar as crianças antes que o conflito se espalhe para o resto da classe. Além disso, o episódio rende assunto para uma próxima roda de conversa sobre, por exemplo, atitudes amistosas entre os colegas e dificuldades no convívio. "Manter um bom relacionamento é difícil para todo mundo”. diz Zilma de Oliveira.
5. "O que eu faço agora?" Quando o planejamento dá errado OS FATOS   "Sou professora de uma turma e certo dia, em um período depois da hora do recreio, quando os alunos voltam bem agitados, organizei uma atividade que, na minha opinião, seria bem tranqüila: finalizar um trabalho de arte iniciado na semana anterior. Quando as crianças já estavam de volta à sala, fui procurar os desenhos e não os encontrei. Enquanto buscava desesperadamente o material, pedi que a turma pegasse os gibis e livros que tínhamos espalhados pelos cantos, o que não estava programado. Os alunos ficaram muito confusos e em pouco tempo estavam em polvorosa. Bateu aquele desespero! Coloquei-os em roda e sugeri cantar uma música. Foi a salvação!"  Mariana Cardoso , Escola Espaço Nossa Casa, São Paulo, SP.
O QUE ACONTECEU?   A falta de organização antecipada dos materiais e de um plano B foram os motivos do tumulto. As crianças se sentiram desorientadas porque provavelmente não tinham o hábito de usar livros e gibis em sala - a atividade que foi sugerida. A professora ainda teve de lidar com o próprio emocional, que estava abalado: a inquietação dela certamente foi percebida pela garotada, e um nervosismo alimentou o outro. Junte-se a isso os elementos de frustração da professora, e está instalado o caos.  O QUE FAZER? Apesar de não estar preparada para um contratempo, uma vez que o tumulto foi instaurado, a professora conseguiu refletir e agir corretamente. Ao propor uma atividade envolvendo música e canto, ela começou a mudar a atmosfera emocional não apenas das crianças, mas principalmente a dela, o que também ajudou a estabelecer novamente a calma e a reorganizar tudo.  COMO EVITAR   Heloísa Dantas, professora da Faculdade de Educação da USP, alerta: estar preparada para a sala de aula significa não só ter o planejamento em mãos, antecipando possíveis contratempos, mas também ter o ambiente arrumado com antecedência. E nem tudo precisa ser resolvido pelo professor. Uma possibilidade é familiarizar as crianças com um espaço planejado para que elas tenham autonomia e atuem de maneira exploratória em qualquer situação, mesmo as não previstas ou combinadas.
A mediação escolar se caracteriza por  possibilitar, dentro da escola, a educação em valores, a educação para a paz e uma nova visão acerca dos conflitos.
As pessoas não nascem sendo tolerantes, solidárias e respeitosas, elas necessitam ser educadas para agirem assim.
No processo da mediação como resolução de conflitos dentro da unidade escolar não há culpados, mas responsáveis. Todos têm que ter estes conceitos para que o diálogo seja estabelecido na mesma base. Desta maneira, todos irão proteger o seu “balão” e não usarão o seu “palito” para “furar” o de ninguém.
Solução dos problemas (pela visão positiva do conflito e da participação ativa das partes via diálogo, configurando a responsabilidade pela solução); Prevenção de conflitos; Inclusão social (conscientização de direitos); 4.  Acesso à justiça e paz social. O processo de mediação apresenta quatro objetivos principais:
O processo de mediação deverá:  1. Favorecer e estimular a comunicação entre as partes em conflito, o que traz consigo o controle das interações destrutivas;  2. Levar a que ambas as partes compreendam o conflito de uma forma global e não apenas a partir da sua própria perspectiva;  3. Ajudar na análise das causas do conflito, fazendo com que as partes separem os interesses dos sentimentos;  4. Favorecer a conversão das diferenças em formas criativas de resolução do conflito;  - 5. Reparar, sempre que viável, as feridas emocionais  que possam existir entre as partes.
Independentemente do tipo de mediação ou do papel do mediador em que nos situemos, qualquer processo de mediação deve desenrolar-se de acordo estes princípios de atuação: 1. Voluntariedade 2. Confidencialidade 3. Imparcialidade/ Neutralidade
Fantástico, Globo, 19/09/2010
Diferentes programas, como o “ Programa Nacional de Mediación Escolar ”, da Argentina, apontam as seguintes fases necessárias para a implementação de um projeto de mediação de conflitos: A)  Diagnóstico de necessidades B) Ações de  sensibilização
Com as seguintes competências: 1. Acompanhamento do projeto;  2. Monitorização e apoio nas diversas fases do projeto;  3. Participação na capacitação dos alunos e na sensibilização de todos os setores envolvidos;  4. Apoio aos mediadores, reunir com eles para rever dificuldades e propor soluções;  5.Proposta de ajustes que considere necessários para o desenvolvimento do projeto.  C)  Criação de uma equipe de apoio
D)  Formação e capacitação  E)  Seleção e formação de alunos mediadores  :  m ultidisciplinar, genêro e idade. F)  Implementação e monitoramento do projeto . R eunir-se-ão regularmente para:  1. coordenar em conjunto a Equipa de Alunos Mediadores;  2. monitorizar as reuniões periódicas entre a Equipa de Apoio e o grupo de Alunos Mediadores;  3. analisar os problemas e as dificuldades encontrados na prática da mediação.  G)  Avaliação do projeto
O Mediador -  É  fundamental que o mediador seja capaz de separar os fatos da fantasia; Ser completamente imparcial; A questão (problema ou conflito) tem duas dimensões: o que é manifesto e o que é subjacente ou as motivações ; Ser hábil em eliminar a oposição entre as partes envolvidas no conflito;
-  Questionar para que as pessoas envolvidas eliminem certezas  ; As motivações conscientes e inconscientes devem ser trabalhadas; A mediação propõe um estado de questionamento permanente.
Acolher sem pré-julgamentos ou pré-conceitos; 2.  Ganhar a confiança por meio da imparcialidade; 3.  Introduzir o respeito, mais pelo exemplo pessoal do que pela hierarquia; 4.  Conseguir cooperação eliminando disputas; 5.  Promover a criatividade na resolução do conflito e solução do mesmo; 6.  Capacitar em administração de conflitos; 7.  Promover a co-responsabilidade entre as partes envolvidas e não a culpabilidade. Vale lembrar que cada mediação é única e personalizada, pois está inserida em seu contexto peculiar. Nesse processo é importante ressaltar as funções do mediador:
  Dicas para uma melhor resolução de conflitos: Pergunte, e não mande Ataque o assunto, não as pessoas Escute antes de falar Não aja emocionalmente Dê seguimento às soluções
DA PUNIÇÃO À RESPONSABILIZAÇÃO A punição não provoca necessariamente a reflexão sobre as causas que estão na raiz do conflito. O importante é comprometer a todos os envolvidos, e chegar a um plano de ação que respeite os indivíduos e suas necessidades.
Faz-se necessário ressaltar que a mediação não deve ser realizada quando já existe um ato violento, pois seria forçar a duas pessoas, em situação completamente opostas, vítima e agressor, a manterem relação respeitosa quando ainda há o medo, a angústia e ameaças.
A mediação escolar é uma construção cultural   e t odos, sem exceção, na escola, devem no decorrer desta construção, estar capacitados em mediação.
Os benefícios da gestão de conflitos se  manifestarão na construção de um ambiente participativo, interativo e de diálogo permanente, extremamente propício para a “educação para a paz”, pois não será um ambiente produzido por qualquer intervenção disciplinar, mas será o resultado de uma prática efetiva dos elementos que a compõe. E se falamos de uma escola para a paz, podemos extrapolar e falar também de uma “ sociedade para a paz”.
A educação para a paz aprende-se.  A paz cultiva-se.  A paz ensina-se para se tornar num hábito, num costume, numa cultura, numa necessidade absoluta... Francisleide Rodrigues dos Santos Orientadora Educacional/DRE Colinas
Bibliografia CHRISPINO,Álvaro. CHRISPINO,Raquel S. P.  Políticas Educacionais de Redução da Violência:Mediação do Conflito Escolar.Ed:Biruta.Sãp Paulo, 2002. ISA-ADRS e MEDIARE.Curso de mediação e resolução pacífica de conflitos em segurança pública.Brasília:Ministérios da Justiça,2007. SEIDEL, Daniel (Org.).Mediação de conflitos: a solução de muitos problemas pode estar em suas mãos.Brasília:Vida e Juventude,2007. Apostila do curso básico de capacitação em mediação. Instituto Mediare: Rio de Janeiro, 1988.
OLIVERA, Mirta Gómez.  Técnicas de resolución de conflictos:  por qué implementar programas de mediación escolar en las instituciones educativas? Disponível em: < http://www.mediacioneducativa. com.ar/experien14.htm>.  GUIMARÃES, Marcelo Rezende.  Por uma cultura de paz . Disponível em: < http://www.educapaz.org.br/texto3.htm>. Instituto NOOS. Projeto Escola de Mediadores.Disponível em: <http://www.noos.org.br/projetos/projeto-ger-escmediadores.html>.  Blog  http://comunicacaonaoviolenta.blogspot.com www.conima.org.br/regulamentos_2/mediacao/preparacao.html Sitologia
Projeto Escola de Mediadores , organizado pelos Institutos Viva Rio, Mediare e NOOS. Disponível em:  < http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas/Cartilha %20de%20Mediadores. doc

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Apresentação em slide para Oficina de (In)discplina e Mediação de Conflitos na Escola

  • 1. Indisciplina e Mediação de Conflitos na Escola
  • 2. Cada participante recebe um balão e o enche. Em seguida o formador solicita que amarrem os balões e o segurem com a mão esquerda, e que coloquem a mão direita aberta para trás, onde foi colocado um palito de dente. A regra é: proteger o seu balão e mantê-lo cheio até acabar o tempo de cinco minutos. Dinâmica
  • 3. Dado o sinal de início, alguns balões começam a ser estourados pelos colegas com o palito de dentes. Ao final do tempo dado, geralmente poucos permanecem com os balões cheios. Executando a dinâmica
  • 4. Todos poderiam ter permanecido com os balões cheios se não usassem os palitos, pois a regra não era estourar os balões. Foi o espírito competitivo que os levou a furar os balões. Nesse espírito todos querem ganhar. Embora a consigna fosse ter o seu balão cheio, apenas alguns se preocupam em proteger o seu balão. O palito de dentes simboliza o conflito. Neste modelo, em situações de conflito o nosso objetivo é ganhar, não basta proteger, é preciso vencer e para vencer é preciso destruir o outro nas dimensões objetiva e subjetiva. Este é um paradigma cultural que precisa ser desconstruído. Todos tinham palitos e o outro esperava que o ataque ocorresse. Reflexão
  • 5. A forma de proteger foi atacando, porque o outro esperava isso. A filosofia que predomina é: o importante é que a outra pessoa perca e que eu ganhe! A fórmula era: para eu ganhar o outro tem que perder, mas esse é um paradigma que precisa ser desconstruído na mediação. Em lugar dele é preciso pensar no que podemos fazer juntos para solucionar o problema que nos envolve. Essa é a mudança de paradigma que deve ser feita. Todos devem ganhar na mediação escolar. Tal mediação não trabalha a questão (conflitos), mas as pessoas que estão envolvidas na questão. Nesse novo paradigma, o conceito de quem ganha e de quem perde deve ser superado. Nossa cultura está formatada para ganhar e perder.
  • 6. O que poderia produzir uma escola com outro modelo? A pergunta é:
  • 7. A proposta educacional da UNESCO está norteada por quatro eixos que são pertinentes ao tema: Aprender a ser; 2. Aprender a fazer; 3. Aprender a conviver; 4. Aprender a aprender. Nesse contexto as teorias educacionais devem ser aliadas da mediação escolar enquanto prática.
  • 8. A violência tem estado presente na nossa sociedade ao longo dos tempos, seja de forma direta, nos conflitos interpessoais, seja através da violência estrutural e cultural que dão origem a situações de humilhação, discriminação, exclusão e mesmo de vitimização. Assistimos a uma cultura de violência que sobressai nos modos de interagir dos indivíduos: adultos, jovens ou crianças esta é uma realidade a  qual as Escolas em geral não o escapam e que tem vindo a afetar o seu funcionamento harmonioso.   RESOLUÇÃO DE CONFLITOS
  • 9. Grandes exemplos de conflito nos conhecidos movimentos de rompimento de paradigmas: autor tipo de conflito processo resultante síntese Freud Darwin Marx Piaget Conflito entre desejo e proibição Conflito entre o sujeito e o meio Conflito entre classes sociais Conflito nas decisões e experiências Repressão e defesa Diferenciação e adaptação Estratificação social/hierarquia Aprendizagem/ resolução de problemas Luta pelo dever Luta por existir Luta pela igualdade Luta por ser
  • 10. O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro – Sinepe Rio–, solicitou ao IBOPE uma pesquisa intitulada: (RIO DE JANEIRO, 2006), que recolheu opiniões de jovens entre 14 e 18 anos. Pesquisa &quot;O jovem, a sociedade e a ética&quot;
  • 11. Dentre estes, quais são os dois mais graves problemas do Brasil? Rio de Janeiro, divulgação: jan./mar. 2007. Pergunta
  • 12. Pergunta Quem você considera mais responsável pela garantia de um bom futuro para pessoas como você?
  • 13. Grau de confiança nas pessoas e instituições INSTITUIÇÕES CONFIA % NÃO CONFIA % NÃO TEM OPINIÃO Professores 84% 13% 3% E. particular 77% 18% 5% E. Pública Médicos Religião Católica I. Evangélica Televisão Rádio Jornal 76% 75 71 66 61 60 62 59 19% 21 23 26 30 36 35 37 5% 4 6 8 8 4 4 4
  • 14. Para cada frase citada, gostaria de saber se você concorda ou discorda Pergunta: Proposições Concorda Discorda 1. A educação dos jovens deve ter limites bem definidos .............................................................. 2. No Brasil é possível melhorar a condição social através do voto ......................................... 3. Um cidadão não tem só direitos, tem deveres com a sociedade ................................................. 4. O voto pode mudar a situação de um país ..... 5. O importante para os jovens é viver o presente, sem pensar no futuro .......................... 6.Os jovens são desmotivados, nada lhes interessa .............................................................. 7. Experiência profissional é mais importante que a educação ................................................... 8. No Brasil só se protege os direitos de quem não respeita os direitos dos outros ..................... 82% 73% 70% 64% 57% 50% 49% 49% 14% 21% 24% 30% 40% 46% 46% 44%
  • 15. Dentre estes, para qual ponto você julga que uma boa escola deveria estar voltada? Pergunta
  • 16. O resultado mostra o quanto a escola e a educação povoam o imaginário dos jovens, o quanto estes ainda vêem na escola e na educação instrumentos importantes para suas vidas e o quanto a violência na escola os afasta de seus sonhos ou os amedronta.
  • 17. Situação que revela o posição , confronto de opiniões , entre pessoas ou grupos, geradora de violência verbal ou física ; 2.Oposição vivida no íntimo de cada pessoa quer entre o seu saber e as informações novas, quer entre os seus desejos e os imperativos exteriores. Dicionário Verbo Definição de conflito
  • 18.  
  • 19. O conflito, em si, não é violento. A forma de resolver ou de exprimir o conflito é, ela sim, muitas vezes, violenta. A violência, sutil ou expressa, é uma consequência da rivalidade, da tensão, do desacordo entre os indivíduos. Conflito e violência
  • 20. O Conflito: nosso velho conhecido ... Conflitos próprios da infância Conflitos pessoais da adolescência Conflitos intrapessoais Ir/não ir Comprar/não comprar Fazer/não fazer Falar/não falar Casar/não casar
  • 21. Entre duas pessoas, entre pessoas e grupos, entre grupos, entre pessoas e organizações, entre grupos e organizações. O conflito faz parte do processo comum de interação de uma sociedade aberta. Por conta do conflito as diferenças se apresentam e podem ser resolvidas; Mediante o Conflito antagonismos se manifestam e podem ser superados. Conflitos interpessoais
  • 22. Fatores presentes no Conflito Objetivos Aumento de salário Controle de terra Custódia de filho Chefia do grupo Subjetivos Prestígio Honra Hierarquia Reconhecimento Realistas Não-realistas
  • 23. Concordância Discordância TRANSFORMAÇÃO SOCIAL Conflito Aliança Conflito
  • 24. O Conflito não é inimigo da “ordem” social. O Conflito é o resultado dos “diferentes e das diferenças” que hoje já podem conviver na sociedade. Logo...
  • 25. Devemos aprender a lidar com essa situação irreversível, antecipando decisões a fim de que, quando o problema surgir mais fortemente, estejamos aptos a lidar com ele. E mais...
  • 26. A visão positiva do conflito permite que este seja visto com naturalidade, o que facilita a sua administração. Eles não devem ser vistos como obstáculos; ao contrário, devem ser encarados como normais, não sendo necessariamente nem bons ou ruins, positivos ou negativos. É a resposta que se dá aos conflitos que os torna positivos ou negativos, construtivo ou destrutivos. A questão é como resolvê-los, se por meios violentos ou não violentos.
  • 27. Conflitos no contexto escolar São os provenientes das ações próprias dos sistemas escolares ou oriundos das relações que envolvem os atores da comunidade educacional.
  • 28. Entre docentes  comunicação, interesses, disputa de poder, valores, competição, divergência de posições políticas e ideológicas. Entre alunos e docentes  não entender o que explicam, notas arbitrárias, falta de material, desinteresse, não serem ouvidos... Entre pais, docentes e gestores  agressão entre alunos e professores, perda de material, cantina, critérios de avaliação, uso de uniforme escolar, não atendimento a requisitos ‘burocráticos’ e administrativos da gestão.
  • 29. É perante a constatação da existência de conflito e da necessidade da sua resolução positiva na escola que os professores poderão ver, neste momento, uma oportunidade de mudar, de crescer e de poder aumentar o seu grau de envolvimento e motivação.
  • 31. A mediação de conflitos é um método que visa a resolução de controvérsias entre duas ou mais pessoas . Em busca da conciliação entre os envolvidos no conflito , um mediador (conciliador) imparcial deve desempenhar o papel de interlocutor. No entanto, o mediador deve estar preparado para facilitar a conversação e a pacificação . Para isso, é necessário o conhecimento de técnicas específicas que são aplicáveis durante o processo de conciliação.
  • 32. Instituto Mediare do Rio de Janeiro, (1998) “ Um processo não adversarial, confidencial e voluntário, no qual um terceiro imparcial facilita a negociação entre duas ou mais partes, porém sem prescrever solução, onde um acordo mutuamente aceitável poderá ser um dos desenlaces possíveis”.
  • 33. Mediação de conflito “ Se presenta como una herramienta que puede aportar a la resolución constructiva de conflictos, en especial en una organización donde sus integrantes se encuentran frente al desafío de convivir todos los días espetando sus diferencias”. (OLIVERA, Mirta Gómez, 2004) Ela se revela importante porque:
  • 34. Panorama Mundial A idéia de mediação de conflitos como método formal para resolver ou solucionar controvérsias, difundiu-se a partir da década de 70, nos Estados Unidos.
  • 35. Os programas de resolução de conflitos tiveram origem fora do contexto escolar. Nessa década, impulsionou-se a criação de centros de Mediação Comunitária, cujo objetivo era oferecer uma alternativa aos tribunais, permitindo aos cidadãos reunirem-se e procurarem uma solução para a questão que ali os levava.
  • 36. Em 1982, em San Francisco inicia-se uma colaboração entre os centros de mediação comunitária e os sistemas escolares, criando o programa “Recursos de resolução de conflitos para a escola e jovens”.
  • 37. No ano de 1984 surge, nos Estados Unidos, a NAME, Associação Nacional de Mediação Escolar, que serviria para o estudo e implementação da mediação e, em 1985, a NAME funde-se com o NIDRF, Instituto Nacional de Resolução de Litígios, nascendo a CRENET, Rede de Resolução de Conflitos na Educação.
  • 38. Neste último ano(2009), em Nova Iorque, surge o “Programa de resolução criativa de conflitos”, com os seguintes objetivos: Mostrar aos jovens alternativas não violentas aos conflitos reais da sua vida; Aprender a compreender e a valorizar a própria cultura e a cultura dos restantes; - Transmitir às crianças e jovens o seu papel protagonista na construção de um mundo mais pacífico.
  • 39. Progressivamente estendem-se por todo o mundo e, atualmente, existem experiências maduras na Argentina, Nova Zelândia, Austrália ou Canadá; Na Europa, podemos encontrar experiências desta natureza em países como a França, Grã-Bretanha, Suíça, Portugal, Bélgica, Polônia, Alemanha, Espanha, entre outros. Os programas de resolução de conflitos
  • 40. A Província del Chaco, na Argentina, destaca-se pelas boas experiências na área de mediação escolar. Os resultados foram tão positivos nas escolas onde esse meio consensual foi implementado, que instigaram a criação de uma lei regulando a mediação no âmbito escolar.
  • 41. As finalidades dos programas de mediação de conflitos são: 1. Criação de ambientes de aprendizagem seguros; 2. Promoção de ambientes de aprendizagem construtivos; 3. Desenvolvimento pessoal e social dos alunos, incluindo a aprendizagem de competências de resolução de problemas; 4. Desenvolvimento de uma perspectiva construtiva do conflito .
  • 42. Preocupada com a onda de violência que se espalhou pelo mundo e atingiu também as crianças e os jovens, a Assembléia Nacional das Nações Unidas proclamou em novembro de 1997 o ano de 2000 como o ano internacional da cultura de paz, e em novembro de 2000, declarou o decênio 2001 – 2010 como o decênio internacional de uma cultura de paz e não violência para as crianças do mundo, designando a UNESCO como a entidade responsável pelas ações nesse período. Em 2000, a UNESCO publicou o Manifesto 2000 por uma cultura de paz e não violência.
  • 43. Panorama brasileiro No Brasil, ainda não existe uma legislação que regule a prática da mediação, mas mesmo que indiretamente, A Constituição Federal brasileira prevê o procedimento da mediação de conflitos, quando dispõe em seu preâmbulo: “ É instituído um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica de controvérsias”.
  • 44. Em abril de 2004, o Observatório da Violência nas Escolas, em parceria com a UNESCO e a Universidade Católica de Brasília, realizou na capital brasileira o Congresso Ibero-Americano sobre a violência nas Escolas, do qual resultou a Carta de Brasília- Por uma escola sem violências .
  • 45. A Carta de Brasília recomendou algumas propostas e linhas de ação, das quais podem ser ressaltadas: Assegurar que a violência nas escolas seja alvo prioritário das políticas públicas em todos os níveis governamentais, em regime de colaboração; Fomentar parcerias entre instâncias governamentais e não-governamentais visando a implementação de ações, projetos e programas para a melhoria do ambiente escolar, bem como a prevenção e superação da violência; Incentivar a criação de espaços institucionalizados de diálogo em estabelecimentos e redes escolares, envolvendo todos os atores da escola; Propor o desenvolvimento de pedagogias cooperativas que facilitem projetos de mediação.
  • 46. Experiências Projeto Escola de Mediadores Trata-se de projeto desenvolvido em 2000, em parceria pelo Instituto NOOS, Viva Rio – Balcão de Direitos, Mediare e Secretaria Municipal de Educação, em duas escolas públicas do Município do Rio de Janeiro. A iniciativa teve o apoio do Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, responsável pelo Programa “Escolas de Paz”.
  • 47. Dessa experiência, foi elaborada a Cartilha Escola de Mediadores, que fornece informações sobre mediação de conflitos e o papel do mediador, bem como orienta a implementação da mediação escolar nas instituições de ensino e a criação da equipe que será responsável pelo desenvolvimento do projeto.
  • 48. A escola apresenta-se como local privilegiado de socialização e, portanto, propício ao desenvolvimento de sentimentos, afetos e emoções que podem em determinado momento gerar conflitos em que o diálogo cotidiano não seja capaz de solucionar. Quando isso ocorre percebe-se a necessidade de que sejam tomadas providências para que essa situação conflituosa não se deteriorize vindo a tornar-se um ato de violência. Mediação de conflitos no contexto escolar
  • 49. Estamos aptos a mediar o conflito no universo escolar? Como lidamos com os conflitos entre alunos e alunos , alunos e professores , professores e professores , professores e direção , direção e alunos , escola e comunidade ?
  • 50. Texto: À beira do caos
  • 51. Dinâmica de trabalho com o texto Dividir a turma em 05 grupos. Cada grupo fica com um dos casos apresentados no texto. O grupo irá dramatizar a cena apresentada e logo após comenta sobre: ● O que aconteceu; ● O que fazer e ● Como evitar.
  • 52. 1. &quot;Vou ficar sem chocolate&quot; Um caso de contágio emocional OS FATOS &quot;Perdi o controle da classe em uma situação bastante inusitada. Uma garota foi viajar com a família no período de aulas e prometeu aos colegas que traria chocolates para todos na volta. A turma aguardou ansiosamente o retorno. No dia em que a viajante chegou, estávamos sentados no chão, terminando uma roda de conversa. Ela apareceu na porta, com uma enorme caixa enfeitada. As crianças ficaram hipnotizadas. Peguei o pacote e comecei a distribuição, mas a garotada avançou. 'Também quero!' 'Tem pra mim?' 'Eu vou ficar sem!' Coloquei a caixa em uma prateleira e avisei que comeríamos chocolate apenas na hora do lanche. Tentei organizar a classe, sugerindo que a menina contasse sobre a viagem. Foi tudo em vão. A euforia não acabou, as crianças continuaram nervosas e não consegui fazer mais nada.&quot; Marta Rosa , Escola Miguilim, São Paulo, SP .
  • 53. O QUE ACONTECEU? Essa é uma manifestação característica de contágio emocional. Ela ocorre quando um determinado fato desencadeia fortes emoções em um grupo. O filósofo e médico Henri Wallon (1879-1962) atribui significativa importância à reação coletiva no âmbito da Educação. Ele afirma que a emoção cria uma relação imediata entre os indivíduos, apontando para a união e para a cooperação (nos casos positivos) e para o conflito (nos negativos). Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), destaca que, no caso de Marta, houve dissonância entre o critério da professora e o dos pequenos. A primeira, como adulto que é, julgou o fato com racionalidade, levando em conta que existe hora certa para comer chocolate, conversar e brincar. Já as crianças queriam atender a seus desejos e fazer o que é mais agradável no momento. O QUE FAZER? Como é difícil para os pequenos controlar emoções e reações, a melhor atitude é tentar conciliar os interesses do grupo. &quot;A professora poderia ter distribuído a guloseima ao mesmo tempo em que a garota contava sobre os lugares visitados&quot;, sugere Macedo. COMO EVITAR? Em casos de emoções descontroladas, a melhor solução é deixá-las fluir, em vez de tentar abafá-las com regras que ainda não foram discutidas pelos pequenos (portanto, desconhecidas), e propor uma alternativa para que os desejos sejam atendidos.
  • 54. 2. &quot;Ops... Caiu...&quot; Típico teste de limites OS FATOS &quot;Eu já era professora há oito anos e, apesar disso, passei um sufoco danado quando precisei lidar com um menino que me testava o tempo todo. Havia na sala uma bancada repleta de brinquedos. No meio das atividades, ele se levantava, colocava a mão sobre o móvel e me lançava um olhar desafiador, ameaçando derrubar tudo no chão. Não dava outra: era só eu falar que não podia para ele colocar tudo abaixo. Eu ou a assistente reorganizávamos o espaço. Uma vez, fiquei a seu lado até que ele mesmo arrumasse a bagunça. Mas, quando estava quase terminando, o garoto derrubava tudo novamente. Nesse dia, não demorou muito para as outras crianças se agitarem, falando alto, puxando e empurrando uns aos outros. Percebi que elas também queriam a minha atenção. Pedi, então, para a coordenadora levá-las ao parque até a hora da saída. Já o menino permaneceu meia hora a mais na sala, mas colocou todos os brinquedos no lugar.&quot; Thais Silva , Escola Baby Mel, Salvador, BA.
  • 55. O QUE ACONTECEU? A criança estava claramente testando limites. A percepção do que pode e do que não pode só é incorporada pelas crianças aos poucos. Experimentar para saber até onde chegar com suas atitudes é uma ferramenta natural de aprendizado. Um caso como o descrito também pode ser interpretado como uma maneira de disputar poder com o adulto. Mas existe outro aspecto a ser ressaltado: o valor &quot;ordem&quot; está construído apenas na cabeça dos adultos. Na perspectiva da criança, a bagunça significa uma possibilidade de exercer a criatividade. Quando ela desarruma a prateleira, tem a possibilidade de descobrir diferentes formas e caminhos para organizar os brinquedos. O QUE FAZER? Quando os limites são colocados à prova, a criança não pode ganhar. Do contrário, terá a certeza de que está comandando a situação. A sanção por reciprocidade (termo usado por Jean Piaget [1896-1980] para caracterizar punições que têm por finalidade reparar o dano causado) aplicada pela professora foi correta: desarrumou, tem de arrumar. É também uma forma de a criança se redimir pelo que fez. COMO EVITAR? Sempre haverá crianças que necessitam de atenção mais individualizada em alguns momentos. &quot;Aliás, este conflito diário acontece em todas as escolas: como atender o todo e cada um ao mesmo tempo?&quot;, reflete Lino de Macedo.
  • 56. 3. &quot;Eu também quero...&quot; O caso da classe (des)organizada OS FATOS &quot;Durante a Semana do Livro na escola, uma das atividades programadas para a minha turma era montar uma maquete do Sítio do Picapau Amarelo. Como nem todas as crianças se interessaram, realizei o trabalho com apenas algumas. Às outras, sugeri que lessem ou brincassem. Assim que abri o primeiro pote de tinta para pintar a base da estrutura, quem havia ficado de fora foi se aproximando. O burburinho aumentou quando os personagens começaram a surgir dos recortes no papel-cartão. Todos queriam participar, mas não havia material. Parei tudo, coloquei a maquete no meio da sala e fui relembrando as histórias de Monteiro Lobato. Só assim conseguimos terminar o projeto.&quot; Rosiane Perovano , EMEI Teresita Borrini Farina, João Neiva, ES.
  • 57. O QUE ACONTECEU? A classe foi dividida em dois grupos, porém os objetivos de um não estavam relacionados à atividade principal, para a qual havia mais dedicação da professora. O QUE FAZER? Para Zilma de Oliveira, professora de pós-graduação da Faculdade de Educação da USP, uma vez estabelecida a situação, impedir que parte da turma entre na atividade significaria adotar uma postura autoritária e, novamente, excludente. &quot;Nessas horas, é preciso ter flexibilidade para acolher os que ficaram de fora e rapidamente reorganizar a classe, como fez a professora.&quot; COMO EVITAR? A situação relatada poderia não ter ocorrido se tivessem sido adotados critérios didáticos durante a organização da classe. A divisão das crianças em grupos para a realização de diferentes tarefas não é um problema em si. Porém todas precisam estar relacionadas ao mesmo objetivo. O psicólogo espanhol César Coll, professor da Universidade de Barcelona, aponta que em atividades em grupos o professor precisa ficar atento às condições de trabalho. Isso inclui cuidar da composição das equipes e da distribuição de tarefas, dar as instruções iniciais, explicar o que será feito, construir possibilidades de interações entre os grupos e, principalmente, fazer com que todos participem do resultado final coletivo.
  • 58. 4. &quot;Foi ele quem começou!&quot; Briga entre os pequenos OS FATOS &quot;Quando eu trabalhava em uma sala, costumava ter como primeira atividade do dia uma roda de conversa. Às segundas-feiras, falávamos sobre o fim de semana. Naquele dia, todos chegaram muito agitados e, nem bem iniciamos o bate-papo, duas crianças começaram a se provocar. Achei que não ia dar em nada e continuei a ouvir os outros. Mas a briga iniciou rapidamente e a turma se dividiu em duas torcidas. Eu segureis os 'brigões' e, quando tudo se acalmou, sugeri que fôssemos ao parque extravasar.&quot; Maricélia Rocha , CEI Grão da Vida, São Paulo, SP. O QUE ACONTECEU? As brigas estão ligadas a padrões de sociabilidade. As crianças observam que muitos adultos resolvem os conflitos usando a força física e acabam adotando esse comportamento por observação.
  • 59. O QUE FAZER? Depois de separar os envolvidos na briga do resto do grupo, é importante esperar que eles se acalmem para depois conversar individualmente, incentivando-os a expor os próprios sentimentos e a refletir sobre os dos outros. Na maioria dos casos, agressões físicas ou verbais são algumas das maneiras que os pequenos têm para se expressar. Uma conversa com os dois juntos é essencial, assim como a discussão posterior com a turma toda reunida, mostrando que os conflitos acontecem (dentro ou fora da sala) e não devem ser encarados como algo anormal. Existem, porém outra maneira de resolvê-los. COMO EVITAR? É preciso ficar atento a esse tipo de situação e isolar as crianças antes que o conflito se espalhe para o resto da classe. Além disso, o episódio rende assunto para uma próxima roda de conversa sobre, por exemplo, atitudes amistosas entre os colegas e dificuldades no convívio. &quot;Manter um bom relacionamento é difícil para todo mundo”. diz Zilma de Oliveira.
  • 60. 5. &quot;O que eu faço agora?&quot; Quando o planejamento dá errado OS FATOS &quot;Sou professora de uma turma e certo dia, em um período depois da hora do recreio, quando os alunos voltam bem agitados, organizei uma atividade que, na minha opinião, seria bem tranqüila: finalizar um trabalho de arte iniciado na semana anterior. Quando as crianças já estavam de volta à sala, fui procurar os desenhos e não os encontrei. Enquanto buscava desesperadamente o material, pedi que a turma pegasse os gibis e livros que tínhamos espalhados pelos cantos, o que não estava programado. Os alunos ficaram muito confusos e em pouco tempo estavam em polvorosa. Bateu aquele desespero! Coloquei-os em roda e sugeri cantar uma música. Foi a salvação!&quot; Mariana Cardoso , Escola Espaço Nossa Casa, São Paulo, SP.
  • 61. O QUE ACONTECEU? A falta de organização antecipada dos materiais e de um plano B foram os motivos do tumulto. As crianças se sentiram desorientadas porque provavelmente não tinham o hábito de usar livros e gibis em sala - a atividade que foi sugerida. A professora ainda teve de lidar com o próprio emocional, que estava abalado: a inquietação dela certamente foi percebida pela garotada, e um nervosismo alimentou o outro. Junte-se a isso os elementos de frustração da professora, e está instalado o caos. O QUE FAZER? Apesar de não estar preparada para um contratempo, uma vez que o tumulto foi instaurado, a professora conseguiu refletir e agir corretamente. Ao propor uma atividade envolvendo música e canto, ela começou a mudar a atmosfera emocional não apenas das crianças, mas principalmente a dela, o que também ajudou a estabelecer novamente a calma e a reorganizar tudo. COMO EVITAR Heloísa Dantas, professora da Faculdade de Educação da USP, alerta: estar preparada para a sala de aula significa não só ter o planejamento em mãos, antecipando possíveis contratempos, mas também ter o ambiente arrumado com antecedência. E nem tudo precisa ser resolvido pelo professor. Uma possibilidade é familiarizar as crianças com um espaço planejado para que elas tenham autonomia e atuem de maneira exploratória em qualquer situação, mesmo as não previstas ou combinadas.
  • 62. A mediação escolar se caracteriza por possibilitar, dentro da escola, a educação em valores, a educação para a paz e uma nova visão acerca dos conflitos.
  • 63. As pessoas não nascem sendo tolerantes, solidárias e respeitosas, elas necessitam ser educadas para agirem assim.
  • 64. No processo da mediação como resolução de conflitos dentro da unidade escolar não há culpados, mas responsáveis. Todos têm que ter estes conceitos para que o diálogo seja estabelecido na mesma base. Desta maneira, todos irão proteger o seu “balão” e não usarão o seu “palito” para “furar” o de ninguém.
  • 65. Solução dos problemas (pela visão positiva do conflito e da participação ativa das partes via diálogo, configurando a responsabilidade pela solução); Prevenção de conflitos; Inclusão social (conscientização de direitos); 4. Acesso à justiça e paz social. O processo de mediação apresenta quatro objetivos principais:
  • 66. O processo de mediação deverá: 1. Favorecer e estimular a comunicação entre as partes em conflito, o que traz consigo o controle das interações destrutivas; 2. Levar a que ambas as partes compreendam o conflito de uma forma global e não apenas a partir da sua própria perspectiva; 3. Ajudar na análise das causas do conflito, fazendo com que as partes separem os interesses dos sentimentos; 4. Favorecer a conversão das diferenças em formas criativas de resolução do conflito; - 5. Reparar, sempre que viável, as feridas emocionais que possam existir entre as partes.
  • 67. Independentemente do tipo de mediação ou do papel do mediador em que nos situemos, qualquer processo de mediação deve desenrolar-se de acordo estes princípios de atuação: 1. Voluntariedade 2. Confidencialidade 3. Imparcialidade/ Neutralidade
  • 69. Diferentes programas, como o “ Programa Nacional de Mediación Escolar ”, da Argentina, apontam as seguintes fases necessárias para a implementação de um projeto de mediação de conflitos: A) Diagnóstico de necessidades B) Ações de sensibilização
  • 70. Com as seguintes competências: 1. Acompanhamento do projeto; 2. Monitorização e apoio nas diversas fases do projeto; 3. Participação na capacitação dos alunos e na sensibilização de todos os setores envolvidos; 4. Apoio aos mediadores, reunir com eles para rever dificuldades e propor soluções; 5.Proposta de ajustes que considere necessários para o desenvolvimento do projeto. C) Criação de uma equipe de apoio
  • 71. D) Formação e capacitação E) Seleção e formação de alunos mediadores : m ultidisciplinar, genêro e idade. F) Implementação e monitoramento do projeto . R eunir-se-ão regularmente para: 1. coordenar em conjunto a Equipa de Alunos Mediadores; 2. monitorizar as reuniões periódicas entre a Equipa de Apoio e o grupo de Alunos Mediadores; 3. analisar os problemas e as dificuldades encontrados na prática da mediação. G) Avaliação do projeto
  • 72. O Mediador - É fundamental que o mediador seja capaz de separar os fatos da fantasia; Ser completamente imparcial; A questão (problema ou conflito) tem duas dimensões: o que é manifesto e o que é subjacente ou as motivações ; Ser hábil em eliminar a oposição entre as partes envolvidas no conflito;
  • 73. - Questionar para que as pessoas envolvidas eliminem certezas ; As motivações conscientes e inconscientes devem ser trabalhadas; A mediação propõe um estado de questionamento permanente.
  • 74. Acolher sem pré-julgamentos ou pré-conceitos; 2. Ganhar a confiança por meio da imparcialidade; 3. Introduzir o respeito, mais pelo exemplo pessoal do que pela hierarquia; 4. Conseguir cooperação eliminando disputas; 5. Promover a criatividade na resolução do conflito e solução do mesmo; 6. Capacitar em administração de conflitos; 7. Promover a co-responsabilidade entre as partes envolvidas e não a culpabilidade. Vale lembrar que cada mediação é única e personalizada, pois está inserida em seu contexto peculiar. Nesse processo é importante ressaltar as funções do mediador:
  • 75. Dicas para uma melhor resolução de conflitos: Pergunte, e não mande Ataque o assunto, não as pessoas Escute antes de falar Não aja emocionalmente Dê seguimento às soluções
  • 76. DA PUNIÇÃO À RESPONSABILIZAÇÃO A punição não provoca necessariamente a reflexão sobre as causas que estão na raiz do conflito. O importante é comprometer a todos os envolvidos, e chegar a um plano de ação que respeite os indivíduos e suas necessidades.
  • 77. Faz-se necessário ressaltar que a mediação não deve ser realizada quando já existe um ato violento, pois seria forçar a duas pessoas, em situação completamente opostas, vítima e agressor, a manterem relação respeitosa quando ainda há o medo, a angústia e ameaças.
  • 78. A mediação escolar é uma construção cultural e t odos, sem exceção, na escola, devem no decorrer desta construção, estar capacitados em mediação.
  • 79. Os benefícios da gestão de conflitos se manifestarão na construção de um ambiente participativo, interativo e de diálogo permanente, extremamente propício para a “educação para a paz”, pois não será um ambiente produzido por qualquer intervenção disciplinar, mas será o resultado de uma prática efetiva dos elementos que a compõe. E se falamos de uma escola para a paz, podemos extrapolar e falar também de uma “ sociedade para a paz”.
  • 80. A educação para a paz aprende-se. A paz cultiva-se. A paz ensina-se para se tornar num hábito, num costume, numa cultura, numa necessidade absoluta... Francisleide Rodrigues dos Santos Orientadora Educacional/DRE Colinas
  • 81. Bibliografia CHRISPINO,Álvaro. CHRISPINO,Raquel S. P. Políticas Educacionais de Redução da Violência:Mediação do Conflito Escolar.Ed:Biruta.Sãp Paulo, 2002. ISA-ADRS e MEDIARE.Curso de mediação e resolução pacífica de conflitos em segurança pública.Brasília:Ministérios da Justiça,2007. SEIDEL, Daniel (Org.).Mediação de conflitos: a solução de muitos problemas pode estar em suas mãos.Brasília:Vida e Juventude,2007. Apostila do curso básico de capacitação em mediação. Instituto Mediare: Rio de Janeiro, 1988.
  • 82. OLIVERA, Mirta Gómez. Técnicas de resolución de conflictos: por qué implementar programas de mediación escolar en las instituciones educativas? Disponível em: < http://www.mediacioneducativa. com.ar/experien14.htm>. GUIMARÃES, Marcelo Rezende. Por uma cultura de paz . Disponível em: < http://www.educapaz.org.br/texto3.htm>. Instituto NOOS. Projeto Escola de Mediadores.Disponível em: <http://www.noos.org.br/projetos/projeto-ger-escmediadores.html>. Blog http://comunicacaonaoviolenta.blogspot.com www.conima.org.br/regulamentos_2/mediacao/preparacao.html Sitologia
  • 83. Projeto Escola de Mediadores , organizado pelos Institutos Viva Rio, Mediare e NOOS. Disponível em: < http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas/Cartilha %20de%20Mediadores. doc

Notas do Editor

  1. Desenvolver em gestores/ professores /alunos / pais na competência de mediar conflitos Já vem sendo feito com êxito em escolas dos EUA, França, Espanha, Bélgica, Chile, Argentina