A soja é uma das principais culturas do agronegócio brasileiro, e a qualidade dos grãos depende não apenas da produção no campo, mas também do manejo adequado durante a colheita e a pós-colheita.
A colheita deve ser realizada quando os grãos atingem a maturidade fisiológica e apresentam teor de umidade entre 13% e 15%. A dessecação pré-colheita pode ser utilizada para uniformizar a maturação das plantas, facilitar a operação das colhedoras e auxiliar no controle de plantas daninhas.
A umidade dos grãos é um fator fundamental para a conservação da qualidade. Grãos muito úmidos favorecem o desenvolvimento de fungos e exigem secagem, enquanto grãos excessivamente secos ficam mais suscetíveis a danos mecânicos.
A trilha é o processo responsável pela separação dos grãos das vagens. Os sistemas mais utilizados nas colhedoras são o radial e o axial, sendo este último geralmente mais eficiente e menos agressivo aos grãos. Para garantir uma colheita eficiente, é necessário realizar regulagens adequadas da máquina, como ajuste do molinete, altura de corte, rotor ou cilindro, côncavo, peneiras e ventilação.
Diversos fatores podem comprometer a qualidade dos grãos de soja, entre eles grãos ardidos, mofados, fermentados, germinados, quebrados, danos mecânicos, ataque de percevejos, excesso de umidade e aquecimento da massa armazenada.
Após a colheita, a secagem é essencial para reduzir a umidade dos grãos a níveis seguros, diminuindo a atividade biológica e evitando deterioração. Quando realizada inadequadamente, pode favorecer o desenvolvimento de fungos, reduzir a qualidade dos grãos e prejudicar a germinação das sementes.
Os principais sistemas de armazenamento utilizados para soja são os silos verticais, armazéns graneleiros, silos bolsa e câmaras frias para sementes. Essas estruturas têm a função de preservar as características físicas, fisiológicas e sanitárias dos grãos até sua utilização ou comercialização.
Durante o armazenamento, a soja pode ser atacada por pragas como o besourinho-do-fumo (Lasioderma serricorne), o besouro-serrilhado-dos-grãos (Oryzaephilus surinamensis), o besouro-da-farinha-enferrujado (Cryptolestes ferrugineus) e a traça-dos-cereais (Ephestia kuehniella). Entre os fungos mais importantes destacam-se Aspergillus flavus, produtor de aflatoxinas, e Penicillium spp., associado à deterioração dos grãos.
O controle desses problemas baseia-se em medidas preventivas como limpeza das instalações, controle da umidade, monitoramento da temperatura, aeração adequada, vedação das estruturas e expurgo com fosfina quando necessário.