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Análise Econômico-
Financeira dos
Clubes de Futebol
Brasileiros | 2017
Dados Financeiros de 2016
2
Introdução
3 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
2016 | A Insustentável Leveza do Ser
Vamos relembrar de 2015: encerramos o ano acreditando que a gestão financeira dos Clubes Brasileiros nos trazia Uma Nova
Esperança, uma vez que havia sinais de que estavam trabalhando para organizar as casas, reduzir dívidas, controlar Custos e se
tornarem sustentáveis.
Corta para 2016. E vamos filosofar sobre o Futebol, e trazer Milan Kundera:
“Aquilo que não é conseqüência de uma escolha não pode ser considerado mérito ou fracasso.”
Como parte da vida, o Futebol também depende de decisões, e não falamos apenas das que ocorrem dentro de campo. Toma-se risco
ao contratar, ao dispensar, ao aumentar salários, ao atrasar pagamentos. São escolhas, e a partir delas se mede mérito ou fracasso. Não
há nada por acaso na gestão do Futebol.
Um dos grandes problemas do Futebol é, no dilema entre Leveza e Peso trazido por Kundera em sua obra clássica, o descompromisso
dos Dirigentes com o longo prazo. É um problema existencial que contrapõe a Leveza (o descompromisso com o longo prazo) e o Peso
(cuidar da sustentabilidade do Clube), onde ao final, e naturalmente, opta-se pela Leveza. Afinal, a Liberdade é sempre melhor.
Nos deparamos com a dificuldade dos Dirigentes em superar o desafio de se importar com o longo prazo, com o futuro. Organizar as
Finanças, controlar os gastos hoje, não trará resultados esportivos e glórias agora, mas sim no futuro. E outro Dirigente será o
beneficiário das conquistas. E desta forma, assume-se então o comportamento do "convite à vida", de viver cada momento - ou cada
campeonato - como se fosse o último. Afinal, o que importa é o hoje.
E assim, o Futebol Brasileiro segue sua sina. Mesmo depois de receber um montante de dinheiro extraordinário de Luvas pelo novo
acordo de direitos de jogos para TV Fechada para o período 2019-2022, e contar com aumento significativo das Cotas de TV, além de
continuar vendendo atletas, tudo se volta para a conquista hoje. E assim como em outros anos onde ocorreram situações similares, o
ajuste é uma mera teoria. E temos novamente Milan Kundera:
“Não existe meio de verificar qual é a decisão acertada, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem
preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado.”
É assim que os Dirigentes agem. Como se presos a um Feitiço do Tempo*, em que se repete infinitamente o Dia da Marmota.
4 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
2016 | A Insustentável Leveza do Ser
A realidade, entretanto, é menos filosófica e mais grave do que imaginamos.
O cenário da Indústria do Futebol poderia ser completamente diferente se, ao se deparar com o aumento de Receitas e a entrada das
Luvas pela renovação do contrato de TV Fechada, os Clubes tivessem optado por reduzir Dívidas, cortar Custos, segurar Investimentos,
focando mais em Estrutura e Base que em Profissional.
O que nós veremos nas próximas páginas é uma sucessão de decisões que objetivam resultado de curto prazo, e não pensando que em
breve as Dívidas do Profut começam a vencer, que há Dívidas Bancárias, que as Receitas num País como o nosso são erráticas, que
nem sempre será possível vender Atletas para fechar as contas. Mas que os Custos permanecerão ali, consumindo caixa, por algum
tempo.
Esta é uma distorção do nosso modelo de controle dos Clubes. Ao serem entidades políticas, que dependem de eleição e mudam sua
gestão de tempos em tempos, não há incentivo a pensar em longo prazo, se as conquistas estão a um passo de distância. O problema, é
que todos os anos todos os clubes começam do zero, e estão a um passo de distância da glória. Só um será Campeão. E poucos se
sustentam nessa condição por muito tempo, justamente porque só pensam na próxima conquista.
Acreditamos que gestões que coloquem ordem na casa e tornem os Clubes sustentáveis, terão a chance de se perpetuarem na ponta
dos campeonatos. Mas isto ainda é um desejo, apenas, pois são raros os clubes que buscaram este caminho, sacrificando o Hoje e
mirando no Sempre.
Bola para frente, que o jogo está só começando.
* "Feitiço do Tempo" ("Groundhog Day") é um filme de 1993 da Columbia Pictures, estrelado por Bill Murray e Andie McDowell, que
mostra um jornalista que tem sua vida presa a um único dia, que se repetia incessantemente.
5 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Sempre importante lembrar
Disclaimer
Este é um trabalho feito pelos profissionais da Área de Crédito do Itaú BBA, baseado exclusivamente em informações públicas e
sem que tivéssemos qualquer contato com os clubes para explorar eventuais dúvidas e aprofundar algumas questões.
O objetivo é meramente informativo e tentamos apresentar aos Torcedores a visão de uma equipe técnica e multiclubística
sobre a condição financeira do Futebol Brasileiro e seus Clubes.
Vale ressaltar que apesar de alguns clubes apresentarem balanços bastante detalhados e esclarecedores, há uma enorme
dificuldade em ter a mesma qualidade em todos os balanços, o que torna limitada nossa ação. E mesmo para clubes que
disponibilizam informações estruturadas, ainda restam dúvidas relevantes.
Por conta disso, podemos afirmar que o material reflete a realidade “pública” de cada clube, e nossas avaliações são feitas com
base em hipóteses técnicas, apenas. Por isso, quando falamos em “atrasos”, isto reflete uma avaliação técnica das
movimentações contábeis, baseado nos dados disponíveis. Trata-se de hipótese técnica e são suposições, apenas, e justificam o
fechamento do fluxo de caixa do período.
Não temos também qualquer contato com Patrocinadores, Federações, Parceiros, de forma que nossas avaliações consideram
informações publicadas pela Imprensa como única fonte externa aos Balanços, inclusive entrevistas e matérias feitas com
Dirigentes.
Não conseguimos fazer a análise do Atlético Goianiense, por conta da pouca qualidade das informações.
6 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 6
2. Clubes | Análise Individual 36
2.1 | Alguns Conceitos Básicos
2.2 | América MG
2.3 | Atlético MG
2.4 | Atlético PR
2.5 | Avaí
2.6 | Bahia
2.7 | Botafogo
2.8 | Chapecoense
2.9 | Corinthians
2.10 | Coritiba
2.11 | Criciúma
2.12 | Cruzeiro
2.13 | Figueirense
2.15 | Flamengo
2.16 | Fluminense
2.17 | Goiás
2.18 | Grêmio
2.19 | Internacional
2.20 | Joinville
2.21 | Náutico
2.22 | Palmeiras
2.23| Ponte Preta
2.24 | Santa Cruz
2.25 | Santos
2.26 | São Paulo
2.27 | Sport
2.28 | Vasco da Gama
2.29 | Vitória
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38
43
48
53
58
63
68
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78
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143
148
153
158
163
168
Sumário
1. Introdução 2
1.1 | 2016 | A Insustentável Leveza do Ser
1.2 | Disclaimer
1.3 | Recapitulando
1.4 | Receitas
1.5 | Receitas | Tratamento a Valor Presente
1.6 | Receitas | TV, sempre ela
1.7 | Receitas | Crescimento
1.8 | Receitas| Direitos de TV
1.9 | Receitas | Direitos Federativos
1.10 | Receitas | Direitos Federativos
1.11 | Receitas | Publicidade
1.12 | Publicidade | Detalhe por Clube
1.12 | Receitas | Bilheteria e Sócio Torcedor
1.13 | Receita da Bilheteria | Por Clube
1.14 | Sócio Torcedor | Relevância
1.15 | Receitas | Concentração
1.16 | Custos, Despesas e EBITDA
1.17 | EBITDA | Efeito Palmeiras e Flamengo
1.18 | Comportamento do EBITDA Recorrente
1.19 | Investimentos
1.20 | Investimentos | Categorias de Base
1.21 | Investimentos | Origem do Dinheiro
1.22 | Dívidas
1.23 | Dívidas | So far. so good
1.24 | Dívidas | Alavancagem
1,25 | Profut | É possível pagá-lo?
1.26 | Dívidas Operacionais
1.27 | Fluxo de Caixa Livre
1.28 | Gastos Totais
1.29 | Geração de Caixa Livre
1.30 | Geração de Caixa Livre por Clube
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3. Hora da Verdade | Nossas Projeções 173
4. Avaliação de Desempenho | Gráfico 179
5. Futebol no Brasil x Europa 190
6. Conclusões 195
7. Escalação 197
8. Referência 199
7 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Recapitulando
Importante citar alguns critérios que utilizamos para ajustar os balanços e torná-los comparáveis. lembrando sempre que
os critérios de Contabilização e os Critérios de Análise Econômico-Financeira não são e nem precisam ser os mesmos.
Análise é justamente a maneira de interpretar os conceitos contábeis.
RECEITAS | As Receitas Totais consideram tudo que é Operacional, ou seja, tudo que foi gerado no dia-a-dia do Clube e
que tem recorrência direta. Entretanto, fazemos uma segunda derivada, que é utilizar o conceito de Receita Recorrente,
onde excluímos a Venda de Atletas, pois apesar de ser Operacional, é muito errática, e para fins de Gestão deveria ser
desconsiderada nos Orçamentos.
LUVAS DE TV | São comuns, de certa forma Operacional, pois estão atreladas ao principal contrato dos clubes, mas não
é recorrente. Portanto, para fins de análise, consideramos como Não Operacional, o que as exclui do EBITDA.
DÍVIDAS | Conceitualmente, restringimos a análise das Dívidas aos 3 grupos que mais afetam o fluxo de caixa de um
clube. Na prática,. são as Dívidas que podem levar o Clube a dificuldades. São elas: BANCÁRIAS: Dívidas com Bancos
e Pessoas Físicas que cobram taxas similares; OPERACIONAIS: São os Fornecedores, cujo maior parte vem de valores
a pagar a Clubes pela aquisição de Atletas e Despesas Provisionadas, que são as parcelas de salários e Encargos a
serem pagas no mês; IMPOSTOS: são os valores devidos de Impostos de longo prazo, equacionados ou não no Profut,
e as Provisões para Contingência, visto que são potenciais problemas no futuro. Na conta de DÍVIDA TOTAL, excluímos
apenas a parcela de Disponibilidades (Caixa), pois os demais Ativos, por mais líquidos que possam ser, conceitualmente
ainda podem deixar de ser pagos, enquanto a Dívida necessariamente deve ser paga.
INVESTIMENTOS | No balanço está junto do valor dos Atletas o Direito de Imagem. Quando está informado, excluímos
do Permanente e lançamos no Realizável a Longo Prazo.
8 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Evolução das Receitas Brutas Totais* | R$ milhões Evolução das Receitas Brutas Recorrentes** | R$ milhões
Receitas
* Refere-se aos 27 clubes da análise ** Exclui as Receitas oriundas da venda de Direitos Econômicos de Atletas
O Ano de 2016 apresentou crescimento de Receitas relevante, tanto na avaliação Total quanto sob a ótica de
Receitas Recorrentes. Foram 20% em termos Totais – e esta avaliação exclui as Luvas pagas pelas emissoras de TV
pelos Direitos de Transmissão de TV Fechada de 2019 a 2022 – e 28% quando tratamos os dados e excluímos a
Venda de Atletas, considerando apenas o que é Recorrente.
Os números são expressivos, especialmente se analisados no contexto macroeconômico Brasileiro, que vem de dois
anos de recessão, com queda de PIB consecutiva em 2015 e 2016.
Ou seja, está claro que a Indústria do Futebol tem um nível de resiliência que é visto em poucas indústrias, dado sua
dinâmica associado a dois drivers estáveis: contrato de longo prazo com as TVs e a Paixão dos Torcedores, que
garantem boas receitas de Bilheteria, contratos de Publicidade e mesmo o impacto nos contratos de TV Fechada.
9 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Evolução das Receitas Brutas Totais* | R$ milhões Evolução das Receitas Brutas Recorrentes** | R$ milhões
Receitas | Tratamento a Valor Presente
* Refere-se aos 27 clubes da análise ** Exclui as Receitas oriundas da venda de Direitos Econômicos de Atletas
Mas, num País onde a inflação acumulada entre 2010 e 2016 foi de 49%, qualquer análise de longo prazo precisa considerar este efeito, pois
a mudança de valor do dinheiro no tempo é bastante significativa.
Na análise das Receitas comparamos a nominal com a real, trazendo a Valor Presente pelo IPCA as Receitas desde 2010. O que é positivo
na análise é verificar que exceto por dois anos – 2014 nas Receitas Totais e 2013 nas Receitas Recorrentes – todos os demais anos as
Receitas Consolidadas do Futebol Brasileiro* apresentaram crescimento acima da inflação. Isto confirma duas teses: i) as Receitas do Futebol
estão descoladas do desempenho da Economia; ii) há uma volatilidade razoável nas Receitas.
Ampliando um pouco esta análise, o crescimento médio anual (CAGR) entre 2010 e 2016 foi de 17% nas Receitas Totais a Valor Presente, e
10% nas Receitas Recorrentes a Valor Presente. Mas precisamos lembrar que em 2012 houve um reajuste significativo no valor das Cotas de
Transmissão de TV do Campeonato Brasileiro, de maneira que esta análise precisa de uma segunda avaliação. Desta forma, se tomarmos o
crescimento médio anual (CAGR) a partir de 2012, ano em que as Cotas aumentaram, temos que na Receita Total a Valor Presente o
crescimento foi de 7%, enquanto que nas Recorrentes foi de apenas 2%. Ou seja, naquelas receitas em que os clubes são capazes de atuar
mais diretamente (Recorrentes), a capacidade de crescimento no período, mesmo após um segundo reajuste nas Cotas em 2016, foi
pequena, ainda que positiva, acima da inflação e considerando o cenário de recessão do País. Numa visão “copo meio cheio”, foi positiva;
numa visão “copo meio vazio”, fizeram pouco. Na prática, nem tanto, nem tão pouco, pois a TV em 2016 teve impacto muito forte e puxou a
média para cima. Dá para fazer mais que esperar a TV.
10 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Breakdown das Receitas Totais por Origem
Comportamento das Receitas por Origem
Receitas | TV, sempre ela.R$milhões
R$milhões
O crescimento de 20% de 2016 nas Receitas Totais foi
impulsionado pelas Receitas com TV. Estas cresceram 38% em
relação a 2015. Nesta conta tentamos excluir todas as Luvas pela
renovação dos contratos com TV Fechada entre 2019 e 2022, mas
infelizmente não conseguimos fazer este ajuste para todos os
clubes, uma vez que esta não foi uma informação claramente
disponível nos demonstrativos financeiros. Por isso, é claro supor
que o crescimento efetivo de 2016 foi menor que 20%
Importante dizer que além das cotas propriamente ditas, tanto a
Globo como a Turner (Esporte Interativo), ainda despejaram R$
545 milhões em Luvas, apenas nos valores informados, ressaltando
que Atlético Mineiro, Cruzeiro e Vasco da Gama não informaram o
valor de Luvas, que pode levar este número certamente a perto de
R$ 700 milhões, considerando os valores dos demais. Além deles,
o Palmeiras não recebeu Luvas em 2016., fez apenas um registro
contábil, sem efeito caixa]
Se a TV foi fundamental para o crescimento das Receitas, também
teve relevância, como de costume, a Venda de Direitos de Atletas,
que cresceu 20% em 2016. Mas esta não é Recorrente, então
tende a ter uma dinâmica mais errática, ao mesmo tempo que os
Clubes não deveriam considerá-la em seus Orçamentos, o que
infelizmente não ocorre,
As Receitas chamadas de “Outras” que incluem as partes Sociais
dos Clubes, premiações por conquistas, entre uma diversidade
grande de fontes, também cresceu de forma importante: 23%.
Negativamente, a Bilheteria/Sócio Torcedor caiu 4% e Publicidade
cresceu nominalmente apenas 1%, o que mostra o reflexo da
situação econômica do País, mas também certa incapacidade dos
Clubes de incrementar estas importantes fontes de Receita.
11 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Breakdown das Receitas Totais por Origem
Comportamento das Receitas por Origem
Receitas | Crescimento em diversas frentesR$milhões
R$milhões
Considerando isto, a TV aumentou sua presença no
breakdown de Receitas, atingindo 49% do total,
percentual acima do observado em 2012, quando do
primeiro grande contrato de TV.
Um item que merece destaque é a Venda de Direitos de
Atletas, que de forma consolidada gira em torno de 12%
das Receitas todos os anos, exceto em 2013, que teve
uma presença mais relevante, ao mesmo tempo em que
a Receita de TV sofreu queda. Acreditamos que nos
números de TV de 2012 havia Luvas que não foram
expurgadas por falta de informação, distorcendo de
certa forma esta análise.
Em geral, é uma composição com certa estabilidade,
mas que ainda precisa desenvolver de forma mais
consistente o segmento de Publicidade, ainda pouco
representativo no bolo.
Nunca é demais lembrar que tanto a receita com
Publicidade como a de Bilheteria/Sócio Torcedor
acabaram impactadas em 2015 e 2016 pela recessão
econômica do período.
12 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Receita Total com TV Share e Concentração | 12 Clubes = 72,5% (73,7% em 2015)
Receitas | Direitos de TV
As Receitas com TV tiveram reajuste em suas cotas em 2016, já acordado quando da contratação. Ou seja, os clubes já sabiam desde
2012 que em 2016 haveria um reajuste da magnitude que houve. Logo, não se trata de gestão ativa dos Dirigentes de Clubes, mas alguns
foram positivamente impactados por isto. O crescimento nominal foi de 38%, e mesmo o crescimento desconsiderando o efeito
inflacionário, a variação entre 2015 e 2016 foi de 30%.
Importante dizer que estas Receitas apresentaram crescimento médio anual real – acima da inflação – de 1,2%, ou seja, trata-se de uma
Receita não só importante quanto ao montante, mas também quanto ao comportamento, que é estável e de baixíssimo risco.
Diferente do que se costuma dizer, as Receitas de TV não geram concentração de renda, fenômeno que é usualmente chamado de
“Espanholização”, referência ao fato de que Real Madrid e Barcelona concentram quase 60% das Receitas de TV no Futebol Espanhol,
gerando uma enorme distorção de forças entre os clubes. No Brasil, os 12 clubes de maior receita de TV concentraram 72,5% destas
receitas, sendo que o maior deles, o Flamengo, tem 10% do total, e a distância dele para o bloco seguinte é de 4 pontos percentuais. Vale
destacar que há distorções impossíveis de serem corrigidas, como os dados de Cruzeiro, Vasco e Atlético Mineiro, que contabilizaram
Luvas em 2015 e 2016 dentro das Receitas, sem destacá-las.
R$milhões
13 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Evolução da Receita Anual | Reais x Dólares Comparativo | 2016 x Mediana do Clube
Receitas | Venda de Direitos Federativos
A Venda de Direitos Econômicos continua sendo relevante para os Clubes,
mas mantém certa estabilidade ao longo dos últimos 3 anos, quando
pensamos em valores em Dólares. É importante fazer esta consideração,
porque o maior mercado consumidor é o Exterior, então é com base nessa
referência que as negociações são feitas.
Mesmo assim, em Dólares as Receitas cresceram 10% em 2016, e
convertendo para Reais o aumento foi de 20%.
São Paulo, Corinthians, Santos e Atlético Mineiro foram os maiores
vendedores de atletas em 2016, com valores bem acima das medianas de
venda no período 2010-2016. Ou seja, tiveram comportamento bem fora da
curva, o que é um risco. Por que? Porque uma empresa vende “ativos” para
solucionar problemas estruturais, enquanto os Clubes de Futebol vendem
ativos para fechar seus fluxos de caixa. Quando não ocorre, o clube
desmorona. Veja o exemplo do Internacional, que em 2016 vendeu valor 63%
abaixo de sua mediana, e o resultado foi um ano fraco financeiramente, com
reflexos esportivos desastrosos. É claro que não seremos "engenheiros de
obra feita", questionando após o resultado. Difícil saber se haveria sucesso
esportivo vendendo mais atletas antes, ou mesmo se existia atletas para
serem vendidos. Aqui é uma questão de "política de gestão", que trabalha
sempre com a venda, e quando não ocorre, as Finanças sofrem demais.
R$milhões
Comparativo | 2015 x Mediana do Clube
14 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Receitas | Venda de Direitos Federativos
Temos aqui o acumulado em dois períodos: de 2010 a 2015 e depois de 2010 a 2016, e que mostra não apenas quem são os
grandes vendedores de atletas, como também como eles se comportaram em 2016.
O São Paulo continua sendo o maior vendedor de atletas do Brasil, e em 2016 ampliou a vantagem em relação ao Corinthians, que
permanece na segunda posição. Na sequência, Internacional, Cruzeiro e Santos mantém suas posições entre os 5 primeiros, para
depois haver um grande equilíbrio.
Infelizmente, os clubes comemoram mas é um ranking ruim para o Futebol Brasileiro. Ao mesmo tempo que temos que admitir que
a venda de atletas é componente fundamental na gestão dos clubes – somos formadores, ponto – deveríamos avaliar estas
receitas à luz da realidade dos clubes. O movimento ideal é utilizar essas receitas, que a despeito de se repetirem não são líquidas
e certas, apenas para serem utilizadas como fonte de recursos para renovação de elenco. Vende-se ativo para comprar ativo.
Entretanto, note que nenhum dos 5 maiores vendedores possui uma saúde financeira tão confortável que possa sobreviver sem
estas vendas, o que é ruim em termos de gestão. Vende-se um atleta que desempenha bem – caso contrário não seria vendido – e
utiliza-se o dinheiro para pagar salários e fechar buracos de caixa, eventualmente reforçando elenco com atletas de desempenho
incerto.
Participação no Total de Venda de Direito Federativo
15 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Receitas estabilizaram em termos nominais
...mas perdeu da inflação em 2015
Receitas | PublicidadeR$milhões
Com dois anos de profunda recessão, nada mais natural que o
Futebol sentisse este efeito nas pontas que se juntam ao consumo,
que são Publicidade e Bilheteria. Ou seja, Receitas que vem dos
Torcedores.
Desta forma, devemos analisar estas Receitas sob algumas óticas.
Quando acompanhamos o comportamento descontado a inflação,
vemos que com exceção de 2011 e 2013, o desempenho é bastante
modesto, para não dizer medíocre.
Numa outra esfera, quando comparamos ao total movimentando no
Setor Publicitário Brasileiro, o Futebol continua sendo um meio de
pouco apelo, mantendo inexpressivos 0,42% do bolo publicitário.
Ou seja, as alternativas são claras: ou o Futebol não vende, ou o
Futebol se vende mal.
Agora, acompanhando o cenário econômico dos dois últimos anos, é
natural vermos queda nos valores reais de Receita com Publicidade.
O mercado ficou mais difícil e os valores sofreram retração. E ainda
há um detalhe que torna esta conta ainda mais dura: a Crefisa
respondeu em 2015 por 12% de todas as Receitas com Publicidade
nos Clubes e aumentou participação para 17¨,6% em 2016. Ou seja,
se desconsiderarmos ela da conta, as Receitas teriam caído,
nominalmente, 4%.
Ou seja, temos uma composição explosiva e os Clubes precisam
fazer algo diferente para sair dessa espiral negativa.
16 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Flamengo e Corinthians recorrentes; Palmeiras crescendo de forma desproporcional
Receita de Publicidade x Torcedor (Base Ibope 2014) | R$/Torcedor/Ano
Publicidade | Detalhe por Clube
R$ milhões
Aqui nenhuma novidade em relação a 2015:
Palmeiras, Flamengo e Corinthians abocanham
a maior parte das Receitas de Publicidade do
Futebol Brasileiro, em termos de clubes.
Juntos, representaram 41% do total em 2015 e
aumentaram a presença para 43% em 2016. E
dado os novos acordos do Flamengo, devem
superar esta marca em 2017.
Alguns clubes até melhoraram suas posições,
como Atlético Mineiro e São Paulo, ao mesmo
tempo que o Vasco sofreu bastante jogando a
Série B. Mas especialmente São Paulo e Vasco,
clubes de Torcida e força semelhantes aos 3
primeiros, deveriam apresentar resultados
melhores.
No gráfico de baixo vemos a relação entre
Receita com Publicidade e Torcida,
comparando-os de forma a definir qual o valor
supostamente recebido por torcedor.
Obviamente que esta não é uma relação direta,
especialmente porque no Brasil ainda se analisa
retorno Publicitário pela exposição da marca –
tempo e audiência de TV– e não através do
apelo à fidelidade e lealdade do torcedor à
marca, ações capazes de entregar mais tanto ao
clube quanto ao Patrocinador.
Mas na conta mais simples, veja que há uma
enorme discrepância entre o que se paga “por
torcedor Palmeirense” em relação ao que se
paga aos demais clubes. Deveria servir de
referência para que os demais clubes
buscassem elevar suas receitas. Afinal, ainda há
quem acredita no Futebol. Falta aos clubes
saber encontrar os parceiros que tenham a
mesma visão.
* Milhões de torcedores apurados na pesquisa Ibope de 2014
17 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Evolução das Receitas...
Receitas | Bilheteria e Sócio Torcedor
...e sua composição, em valores nominais.
R$ milhões
Mais uma receita que sofreu com a crise econômica, as “receitas de jogo”
– em inglês é o chamado “matchday”, mas que inclui além dos ingressos
o consumo dentro dos estádios – sofreram queda de 4% nominal e 10%
real. Em termos reais é uma receita que já sofre desde 2014.
Pela abertura disponível, que é inferior à desejável, pois alguns clubes
não apresentam detalhamento entre Bilheteria e Programa de Sócio
Torcedor, percebemos que em 2016 houve queda nas receitas de
Bilheteria (ingressos avulsos) e no Sócio Torcedor. Ainda assim,
manteve-se praticamente inalterada a distribuição entre ambos, com
ligeira predominância de Sócio Torcedores.
Fato é que, num momento de recessão, há encolhimento na demanda e
consequentemente no ticket médio, conforme a tabela ao lado, em que
observamos queda de Público e de Ticket Médio no Brasileiro de 2016.
Dados corrigidos pelo IPCA para moeda corrente de 2016.
18 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Receita de Bilheteria | Comparativo por Clube
Não observamos grandes alterações na divisão de receita entre Bilheteria e Sócio Torcedor no clubes em 2016 frente a 2015. Há oscilações
em praticamente todos os clubes, mas nada que mude a estrutura.
Nos parece que o modelo de Sócio Torcedor merece uma reflexão, independente do resultado apresentado em 2016, cuja influência do
cenário macroeconômico é inegável. O programa nasceu para ser uma versão Brasileira do Season Ticket Europeia, onde os torcedores
compram as entradas da temporada toda, e cuja dinâmica consagrada permite ações como revenda, onde torcedor e clube se beneficiam.
Até hoje funcionou bem, e é melhor sempre que há a conjunção de dois fatores: i) bom desempenho da equipe; ii) estádio com capacidade
reduzida. Mas jamais se desenvolveu de forma consistente além de um modelo de venda antecipada de ingressos.
Na medida em que os torcedores se tornam mais exigentes e que o clube não desempenha bem, ou tem um estádio de maior capacidade
que o ideal – desequilíbrio entre oferta e demanda – o simples acesso ao ingresso é um incentivo insuficiente para manutenção no
programa. Ou seja, é preciso trazer mais benefícios. Para isto, os clubes precisam se apoiar em soluções estratégicas, pesquisas junto aos
torcedores que tragam as demandas e necessidades, de forma a ampliar estas ações e tornar o programa mais efetivo.
R$milhões
19 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Sócio Torcedor | Relevância
Este gráfico complementa o anterior, e destaca os clubes que se aproveitam melhor do programa de Sócio Torcedor.
Claramente os aspectos levantados na página anterior se refletem aqui.
Vale lembrar que na análise “Earnings Preview & Outras Análises” apresentamos dado semelhante, porém baseado nos
borderôs dos jogos. É possível que haja diferença entre aquela e esta informação, pois os borderôs não deixam claro a
diferença entre os ingressos Avulsos e os de Sócios Torcedores, ao mesmo tempo em que nos balanços não é possível
abrir todas as informações.
20 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Concentração Estável… …mas nominalmente, diferença aumentou.
Receitas | Concentração
Acompanhando o movimento visto em 2015, observamos
aumento na concentração de renda nos 5 maiores
faturamentos do Futebol Brasileiro, mas nada significativo.
O aumento observado foi de 1 ponto percentual, de 42%
para 43%. O que chama mais a atenção, entretanto, é a
queda de participação do segundo bloco, que vai do sexto ao
décimo do ranking, que saiu de 29% para 26%. Além de ver
a distância para o pelotão principal aumentar, viram também
os grupos 3 e 4 crescerem.
Isto significa que a distância do Grupo 1 para o Grupo 2
aumentou cerca de R$ 250 milhões, quanto do Grupo 2 para
o Grupo 3 caiu cerca de R$ 110 milhões. Isto, na prática,
torna a distância do pelotão principal para os demais
consideravelmente maior, em valores absolutos.
Naturalmente, o crescimento substancial das Receitas do
palmeiras em 2016 contribuiu para este maior
distanciamento.
Ainda não há motivo de preocupação, mas os clubes abaixo
do Grupo 1 precisam ficar atentos e buscar novas fontes de
Receitas.
R$milhões
Deflacionada a Receita, os Menores cresceam mais.
21 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Custos, Despesas e o EBITDA | Recorrentes em QuedaEBITDAMargemEBITDACustosXReceitas
Até aqui vimos o que levou as Receita a crescerem 19% em 2016. Vamos
para o que nos preocupa: os Custos. Estes apresentaram crescimento de 21%
(gráfico "Custos X Receitas") no ano passado, ou seja, acima da variação das
Receitas – lembrando, nas Receitas não consideramos as Luvas de TV para
quem foi possível excluí-las.
Ou seja, se conseguíssemos excluir todas as Luvas, significa que a Receita
teria sido menor, e consequentemente a Relação Custo/Receita teria sido
maior, e o EBITDA menor.
Veja no segundo gráfico, onde apresentamos as Margens. Caíram de 21%
para 19% em termos Totais, e de 9% para 8% em termos Recorrentes.
Falando em Recorrência, o EBITDA Recorrente em 2016 foi 18% menor que o
de 2015, mais um aspecto que mostra que as Receitas foram consumidas
com aumento de Custos. E se as receitas estivessem corretamente descritas,
certamente este número seria menor.
O que nos faz crer que, sob o ponto-de-vista Operacional, os Clubes
realmente gastaram os recursos adicionais de TV – a receita que efetivamente
aumentou – e da venda de Atletas em aumento de Custos. Lembrem-se que o
EBITDA é a referência de sobra de recursos para fazer Investimentos, pagar
Juros e Dívidas Bancárias e Tributárias.
O grande problema, como sempre ressaltamos, é que as receitas podem
deixar de vir, especialmente as de Venda de Atletas, Bilheteria e Publicidade.
Por isso a análise do EBITDA Recorrente é tão importante, e na sequência
aprofundaremos mais sobre este tema.
22 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
EBITDA Total
EBITDA| O Efeito de Flamengo e Palmeiras
Aprofundando ainda mais a análise, buscando outras óticas, vemos que a dupla que comanda o Futebol Brasileiro sob o
ponto-de-vista Financeiro vem, há dois anos, sendo responsável por mais de 1/3 da Geração de Caixa Total dos Clubes
Brasileiros. Esta sim uma concentração importante, porque mostra quem tem efetivamente sobra de caixa para pagar
suas Dívidas e, especialmente, fazer Investimentos.
Note que em termos de Receitas os clubes representam perto de 20%, o que confirma os dados anteriormente
apresentados em termos de Concentração. Mas a boa gestão de Custos e Despesas possibilitou aos dois clubes uma
sobra de caixa que os torna mais poderosos na disputa por atletas.
Palmeiras e Flamengo estão, definitivamente, em outro patamar em relação aos demais Clubes.
R$milhões
Palmeiras e Flamengo nas Receitas e EBITDA
R$Milhões
23 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Comportamento do EBITDA Recorrente | 2014 / 2015 / 2016
O gráfico acima apresenta o EBITDA Recorrente dos clubes em
2014, 2015 e 2016. Claramente vemos que Palmeiras e Flamengo
destoam dos demais Clubes. Numericamente falando, em 2015 se
excluíssemos esses dois clubes da conta, o EBITDA Recorrente
teria sido de R$ 24 milhões. Já em 2016 esta conta é de R$ 29
milhões.
Ou seja, além de maiores, são mais robustos, pois a grande parte
de sua Geração de Caixa é recorrente. Em 2015 representou 91%
do Total e em 2016 foi de 86%.
EBITDA Recorrente sem Palmeiras e Flamengo
24 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Mais dinheiro, mais Investimentos… ...e as categorias de base crescem, timidamente.
Investimentos
R$milhões
Os Investimentos Totais cresceram 42%, e consumiram toda a Geração de Caixa e mais um pouco. Diferente do que vimos em 2015, quando
apenas 84% do EBITDA foi usado para Investimentos, em 2016 foram utilizados 106% do EBITDA, em termos Totais. Mas como não dá para
usar mais do que se tem, isto significa que os Clubes tiveram que utilizar recursos extraordinários para completar o caixa e fazer Investimentos.
Na prática, utilizaram as Luvas de TV e, opcionalmente, se financiaram com Clubes vendedores de Direitos ou mesmo com Bancos, uma vez que
a porteira do atraso de Impostos foi fechada com o Profut.
Se em 2015 direcionaram cerca de 57% dos Investimentos para o Elenco Profissional, em 2016 subiu para 63%, mostrando que efetivamente a
sobra de recursos é destinada a reforçar elenco, à medida em que reforçar significa comprar direitos de atletas. O aumento foi de 58%!
As categorias de Base caíram de 18% para 15% na proporção de Investimentos, ainda que tenha visto o montante de recursos destinados a ela
aumentar em 15´%. Na próxima página veremos que este número é maior, mas fica “escondido” entre outros dados. A notícia é boa.
As estruturas continuaram melhorando, mas de 25% passaram a 22% do Total.
25 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Investimento por Clube | R$ milhões Últimos Anos na Base | 84% do Total
Investimentos |Categoria de Base
Reavaliamos nossa maneira de apresentar os Investimentos em Categoria de Base, adicionando à conta a parte dos
Custos que não é transferida para o Ativo Intangível. Ou seja, custos correntes que não são ativados. Infelizmente,
esta é mais uma informação difícil de ser apurada em todos os clubes, por que muitos não apresentam em detalhe o
que foi gasto corrente de base, lançando junto com os gastos correntes dos profissionais, Desta forma, vemos que o
que foi aportado na Base é maior que os dados “oficiais”, que estão demonstrados no fluxo de caixa dos clubes. Há
uma parte de “investimentos” que consome EBITDA.
Assim, o número de 2016 salta de R$ 127,8 milhões para R$ 211,9 milhões, e certamente é maior que este, pois,
como dissemos há pouco, alguns clubes não detalham estes custos.
É um alento, pois vemos mais recursos direcionados ao tema, fundamental para a sustentabilidade do futuro dos
clubes.
26 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Investimentos / EBITDA De onde vem o dinheiro
Investimentos | De onde vem o dinheiro
Já vimos que o EBITDA é o montante utilizado como referência para Investimentos, pagamentos de Juros e Dívidas. E que, exceto em
2015, nos demais anos da primeiro gráfico os Clubes investiram mais que o EBITDA; Logo, para fechar a conta tiveram que se endividar
de alguma forma.
No segundo gráfico tentamos encontrar a origem destes recursos.
Note que quando retiramos o valor de Investimentos do EBITDA o resultado da conta é negativo em R$ 134 milhões. Ao compararmos
com as fontes mais usuais, vemos que a Dívida Bancária também caiu R$ 111 milhões. Ou seja, não foi desta fonte que veio o dinheiro.
Então, vemos que as Dívidas Operacionais, onde parte relevante delas é a conta de Valores e Pagar a Clubes, aumentou R$ 88,7
milhões. Ainda assim, insuficiente para fechar a conta.
Logo, o que sobra são as Luvas de TV! Foi daí que veio o complemento para Investir e pagar Dívidas Bancárias. Avaliando
pragmaticamente, se deduzirmos o crescimento de Dívida Operacional do valor que é negativo de Investimentos, foi necessário usar R$
45 milhões das Luvas (R$ 88,7 (-) R$ 134 = R$ 45). Mas isto virou uma Dívida para 2017, quando não haverá Luvas para salvar ninguém.
27 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Dívidas x EBITDA
Dívidas
Evolução
Temos em 2016 um momento em que as Dívidas
permaneceram praticamente estáveis. O destaque foi
a queda nas Dívidas Bancárias, em boa parte por uso
das Luvas de TV.
Quanto aos Impostos, o crescimento na prática é mera
correção das Dívidas renegociadas no Profut, que
ainda não iniciaram seu pagamento mais efetivo. E as
Dívidas operacionais cresceram por conta do
Financiamento à aquisição de Direitos Esportivos e
porque os Custos cresceram. Nesta conta, lembrem-
se, há salários correntes.
Uma relação que se faz comumente é entre as Dívidas
e o EBITDA, que em tese – muito em tese – mostra a
capacidade de pagamento dessas dívidas. Quanto
menor for a relação, mais facilmente o clube – ou a
empresa – podem liquidar suas obrigações.
A manutenção das dívidas e do EBITDA apontam
relação estável, mas ainda elevada. E o grande
problema é que neste quesito, ainda mais que em
outros, a avaliação da indústria esconde fragilidades
que mostraremos mais a frente.
R$milhõesR$milhões
28 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Dívidas Tributárias
Dívidas Bancárias
Dívidas | So far, so goodR$milhões
R$milhões
Por aqui, boas notícias.
As Dívidas Tributárias, cuja maior
parte foi renegociada no âmbito do
Profut, cresceram pouco, basicamente
a correção da parcela que foi
incorporada ao principal da Dívida.
Tudo dentro da normalidade, E
esperamos que assim permaneça.
No lado das Dívidas Bancárias, o
resultado geral foi bom, em função da
redução. Mas, convenhamos, num
ano em que entraram cerca de R$ 700
milhões de forma extraordinária
através das Luvas da TV, a redução
global de pouco mais de R$ 100
milhões foi quase imaterial. Era
possível fazer mais e dar mais fôlego
aos Clubes.
29 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Dívida Bancária / EBITDA Recorrente
Dívidas | Alavancagem
Relação com o EBITDA
No gráfico em que mostramos o cenário consolidado, vemos que as
Dívidas Bancárias não são as maiores ofensoras da Alavancagem. Com
1,9x o EBITDA, é uma relação administrável, ainda que seja
consolidada. O fato é que a Indústria não deve exageradamente, mas
também temos que lembrar que o EBITDA é bastante volátil, e esta
relação pode se deteriorar rapidamente. O que pesa mais é a Dívida
com Impostos, mas esta está alongada por 20 anos, ou seja, deveria
estar equacionada ao fluxo de caixa.
No caso a caso, os casos em “verde” tem a melhor relação entre Dívida
e EBITDA Recorrente e podem se sentir confortáveis. “Amarelos”
precisam de um esforço e “vermelhos” ou sem índice – tem EBITDA
Recorrente negativo – precisam urgentemente se organizar. Mas por
que perder a oportunidade de 2016?
30 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Hipótese Dá. Para Poucos.
PROFUT | É possível pagá-lo?
Aqui trouxemos um exercício comparando a parcela a pagar
do Profut, que inclui principal e juros, ao EBITDA
Recorrente dos Clubes em 2016.
Esta conta leva em consideração o saldo de Dezembro/16,
parcelado em 19 anos, com correção pelo CDI estimado de
10% ao ano, e considerando juros sobre parcela. E para
tentar evitar movimentos pontuais, utilizamos a média de
EBITDA dos últimos 3 anos.
Assim sendo, alguns poucos clubes serão capazes de
pagar as parcelas do Profut se a situação se mantiver como
a apresentada. Apenas os marcados em “verde”* podem
dizer que possuem situação confortável. Os que não estão
marcados dependem de venda de Atleta para fechar a
conta, o que não é exatamente uma política saudável de
gestão. E os negativos precisam correr para se ajustar.
E dá tempo, pois até 2019 as parcelas são menores que
esta do exercício, pois parte foi transferida para o final,
justamente para dar tempo aos clubes de se ajustarem.
Farão o ajuste ou seguirão contratando?
*Usamos como referência consumo de até 50% do EBITDA
como sendo aceitável.
31 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Dívidas | Operacionais
R$milhões
Nas Dívidas Operacionais o que vemos é o
crescimento de Fornecedores, em função de
aquisições de atletas comprados de forma parcelada.
Nas Despesas Provisionadas o aumento vem do
aumento dos Custos, uma vez que estão associadas
ao salários e encargos dos atletas.
Em Resumo
As Dívidas não chegam a ser um problema incontornável, mas precisam ser tratadas com mais atenção. Os clubes
perderam uma oportunidade de ouro de se organizarem, reduzirem passivos e pensarem no fluxo de caixa futuro, ao
não utilizarem a geração de caixa e as Luvas. As Dívidas Bancárias são aceitáveis para alguns, mas elevadas para
a maioria. Os Impostos estão alongados, mas como o volume é grande, é preciso preservar o fluxo de caixa para
pagá-los. E as Operacionais, especialmente Fornecedores, representam obrigação de hoje jogada para ser paga
amanhã. A conta chega. E os Clubes não entenderam, ou não querem entender.
32 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 32
Exercício de
Fluxo de Caixa
Livre | Porque
não Sobra
Dinheiro
33 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
O que é?
Valores
GASTOS TOTAIS e FLUXO DE CAIXA LIVRE
Proporção
As análises econômico-financeiras são instrumentos flexíveis de avaliação, baseados em estruturas rígidas, os demonstrativos financeiros. E são flexíveis porque
devemos adotar variações e novas possibilidades dependendo da indústria que estamos acompanhando. No caso da Indústria do Futebol, temos buscado aplicar
conceitos simplificados, utilizados para outras Indústrias, especialmente as do Setor de Serviços.
Ocorre que nesses anos de relatório percebemos que algumas avaliações apresentadas não abarcaram todas as variáveis de um Clube de Futebol no que diz
respeito à análise do Fluxo de Caixa. Buscando o aprimoramento da avaliação passaremos a trabalhar com o conceito de Fluxo de Caixa Livre, adaptado à
realidade do Futebol.
O Fluxo de Caixa Livre inclui em sua composição algumas despesas que são tratadas usualmente como Investimentos, bem como outras que são mandatórias
mas costumam ficar fora do radar, como as Despesas Financeiras e o Pagamento de Impostos Parcelados. Nesse caso, é fundamental passarmos a inclui-lo na
conta, uma vez que a maioria dos clubes terá obrigações oriundas do Profut.
Num Clube de Futebol, os Investimentos em Categorias de Base e na Formação de Elenco (contratação de atletas) é praticamente mandatório, e contribui de
forma significativa no aperto de caixa apresentado por eles ao longo do ano. Muitos clubes gastam a folga de caixa no início do ano e isto causará problemas de
liquidez, que por sua vez geram atrasos de salários e impostos.
Resumidamente, o Fluxo de Caixa Livre será o resultado da soma entre Receitas Líquidas, Custos e Despesas, Investimentos em Base, Aquisição de Atletas e
Despesas Financeiras. A partir de 2019, quando o Profut entrará em pagamento integral, incluiremos o pagamento dessa dívida na conta.
Crescimento em 2016: 23%!
34 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Receita Total X Gastos Totais Comportamento das Contas – Variações Anuais
Gastando por conta
Geração de Caixa Livre
Esta conta deixa claro que 2016 foi o ano em que as Luvas de TV salvaram os Clubes. Quer dizer, foi o ano em que os
Clubes gastaram por conta, em função das Luvas.
O fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 355 milhões. Se considerarmos que os foram pagos cerca de R$ 111 milhões
em Dívidas Bancárias, então este número vai para R$ 466 milhões. Ou seja, tiveram que buscar em algum lugar e este
lugar foram as Luvas das TVs.
Nesta conta deixamos de fora os Investimentos em Estrutura, tentando observar apenas o que é operacional. Mas se
estes foram somados - montaram R$ 191 milhões no ano passado - a gera R$ 546 milhões. Isto é praticamente o valor
de Luvas, como vimos no capítulos dos Direitos de TV.
Ora, ao se ver com dinheiro nas mãos, os Dirigentes optaram por gastá-lo na atividade, ao invés de utilizá-lo para
organizar as gestões. Mais uma vez, a máxima que usamos há alguns anos se repete: dinheiro na mão é vendaval.
35 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Fluxo de Caixa Livre por Clube
São poucos os Clubes que conseguiram apresentar Fluxo de Caixa Livre positivo em 2016, e o destaque, como tem sido o costume,
foi o Flamengo.
Neste momento não entramos no uso do recurso e como se converte em qualidade esportiva, mas dá a dimensão de que o ajuste se
converterá em possibilidades substancialmente melhores, desde que haja cuidado com as finanças e desapego ao cargo.
Destaque merecido ao Atlético Mineiro, mas com uma ressalva: o Clube não informou o valor das Luvas, de forma que ele está
impactando positivamente esta conta. É possível que este número fosse negativo caso as Luvas tivessem sido informadas. Portanto,
ressalvas relevantes.
E clubes regionais, e bem geridos, como Atlético Paranaense, Bahia, Goiás e Vitória merecem destaque, assim como o Botafogo, que
precisa se ajustar face os desafios que terá pela frente, quando o Profut começar a vencer.
36 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 36
Clubes | Análises
Individuais
37 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Alguns Conceitos Básicos
Ao avaliar os Balanços e Demonstrativos de Resultados dos Clubes nos deparamos com algumas repetições de ações e comportamentos que entendemos
merecer uma breve introdução, pois facilitará o entendimento.
O primeiro aspecto que merece destaque é o que chamamos “Clube Regional”. Não há demérito nisso. Fazemos esta identificação pois notamos que há
características econômico-financeiras que permeiam alguns clubes. Quando separamos estes clubes percebemos que tratam-se de times com menor
alcance de torcida, normalmente de Estados menores em termos econômicos e que por isso mesmo se notabilizam por ter Receitas menores e erráticas, ao
mesmo tempo em que possuem condição econômico-financeira mais equilibrada, atuando dentro de suas possibilidades, sem dívidas, mas com poucos
investimentos.
Um movimento que percebemos nos fluxos de caixa dos clubes está associado aos Recursos oriundos das Cotas de TV. Em geral, quando um clube não faz
adiantamentos, as receitas com Cotas de TV são a única entrada de caixa deste assunto. Entretanto, repete-se com frequência o uso dos Adiantamentos
dessas Cotas para fechar o caixa, de forma que na variação de NCG (Necessidade de Capital de Giro) vemos entradas de recursos por conta desses
adiantamentos. Neste ano observamos que esta conta apresenta saída de caixa. Acreditamos que esta movimentação seja o reflexo dos Adiantamentos
recebidos no passado. Ou seja, seria uma espécie de redutor da Receita de TV. Veremos isto em vários clubes.
Há também o que chamamos de Fontes Operacionais de Financiamento. Será muito comum vermos entradas de caixa na NCG fruto do aumento da conta
Fornecedores, que em geral é pagamento parcelado da aquisição de atletas. A contrapartida dessa conta é o Investimento em Formação de Elenco, pois o
clube fez a aquisição mas ainda não pagou. Ou seja, em algum momento terá que pagar e a efetiva saída de caixa se consumará. Problema empurrado para
o futuro.
Outro aspecto que precisa ser avaliado é o da Geração de Caixa (EBITDA) e dos Investimentos. Entendemos que há um equívoco na forma como os Clubes,
amparados pelo código contábil, classificam os custos com Categorias de Base e Investimentos em Atleta. Ao serem considerados como Investimentos, não
transitam por Resultado. Desta forma, não compõem o EBITDA, o que muitas vezes da a sensação de que o clube está gerando muito caixa, quando na
verdade parte relevante desse caixa já foi utilizado na manutenção de atividades das Categorias de Base ou mesmo na contratação de Atletas. Assim, a
análise fria leva ao erro de acreditar numa eventual Geração de Caixa, que na prática não houve, pois parte desses gastos são recorrentes e necessários
para a performance do clube.
E para finalizar precisamos relembrar que estes balanços apresentam algumas contabilizações que entendemos precisarem de ajustes, e por isso fazemos
reclassificações de contas. Esta é a base de nossa análise: reclassificar as contas para que haja coerência e possibilidade de comparação. Isto significa fazer
exclusões, mudanças de linhas e muito das nossas conclusões está baseado nas movimentações contábeis e avaliação dessas.
Então, vamos aos números.
38 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
América Futebol Clube
39 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosValorPresenteCustos&Despesas
Receita dobrou em 2016 por conta do aumento da Cota de TV, uma vez
que subiu da Série B para a Série A.
Demais linhas se mantiveram estáveis, exceto Venda de Atletas, que caiu
substancialmente, mostrando seu caráter não-recorrente.
Valores em R$ milhões
Há uma distorção clara em função do clube retornar à Série A em 2016, e
por conta do pouco histórico.
O aumento de Receitas não significou gastar mais do que arrecadou, ao
menos em termos operacionais. Depois de dois anos com EBITDA
negativo, em 2016 a conta foi positiva e relevante.
CAGR Receita Recorrente a VP: 87%
40 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
Aparenta haver algum ajuste de
Adiantamento de TV, mas não há
detalhes a respeito no balanço.
Ao mesmo tempo, o clube
vendeu terreno e está recebendo
valores parceladamente.
Aplicou R$ 6 milhões na
Formação de Elenco para a
temporada 2016. Para as outras
linhas de investimento não há
informação.
O clube aproveitou a sobra de
recursos e reduziu a Dívida
Bancária, numa atitude bastante
correta.
Impostos cresceu por correção do
Profut e no total a Dívida
apresentou redução.
Valores em R$ milhões
41 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
América Futebol Clube
Índice de Eficiência
A vida como ela é
Clube regional, de pouca torcida, depende muito da gestão
esportiva e de controle financeiro para poder atuar na Série A.
Mas sua dinâmica, a despeito da história, é a que vimos
recentemente: um vai-e-vem entre as Séries.
O Índice de Eficiência apresentou deterioração por conta do
rebaixamento.
Mas dentro das possibilidades, o América Mineiro fez o que
era possível, focando na redução de Dívida e trabalhando
dentro de suas possibilidades. Para vôos mais altos, precisa
necessariamente de um política mais robusta em termos
esportivos e tentar alavancar outras Receitas, o que é difícil
estando num mercado limitado dividido por dois gigantes.
42 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
América Futebol Clube
Balanço auditado por Mário Tércio Giori Guimarães
43 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Clube Atlético Mineiro
44 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosValorPresenteCustos&Despesas
Um disclaimer importante é dizer que as Luvas de TV estão contidas nas
Receitas de Direitos de TV, pois o Clube não informou em seu Balanço.
Ainda assim, cresceram 29%, om crescimento de TV (13%) e
especialmente Publicidade (94%) e Bilheteria (24%). E o crescimento de
159% em venda de Atletas faz uma diferença importante na conta.
Não é possível avaliar o que será de 2017, mas o fato é que sem Luvas e
com Venda de Atletas dentro do histórico, o clube vai precisar se desdobrar
para buscar novas fontes de Receitas.
O crescimento real das Receitas Recorrentes tem sido sempre acima da
inflação, desde 2012. Para isso é fundamental lembrarmos que as Luvas de
TV estão contidas nestes valores, mas que o clube apresentou bom
desempenho de Bilheteria e em alguns anos de Publicidade.
É bastante boa a performance do clube nesse sentido.
Em contrapartida, como nem tudo é sempre bom, os Custos e Despesas
cresceram mais que as Receitas Totais e Recorrentes. Isto se reflete no
menor EBITDA de 2016, tanto Total como Recorrente, que foi praticamente
zero. Isto mostra que o bom desempenho de receitas acaba vertido
necessariamente para mais gastos com salários, advindos de contratações
e renovações.
O fato do clube ser dono de parte de um Shopping Center ajuda nessa
gestão desenfreada dos Custos e Aquisições. Mas até quando?
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 12%
45 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
Comportamento sem grandes
destaques nas contas de giro.
Houve uma entrada de R$ 9
milhões que são financiamentos
das aquisições e aumento das
Despesas Provisionadas, mas
dentro da normalidade.
O clube voltou a abrir o caixa e
investiu cerca de R$ 39 milhões
em aquisições de atletas.
Continua investindo pouco na
Base e quase nada em estrutura.
A Dívida Total cresceu, mas os
comportamentos foram diferentes
nos diversos tipos.
As Bancárias foram reduzidas, o
que é positivo, e as com Impostos
cresceram, mas por correção do
Profut.
Destaque negativo mesmo foi o
aumento das Operacionais, cujo
parte é financiamento de
aquisições e parte relativa ao
aumento de Custos com salários.
Valores em R$ milhões
46 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Decifra-me
Clube Atlético Mineiro
O Atlético Mineiro é uma incógnita. Até quando se sustentará
numa política agressiva de contratações de Gastos elevados?
Num ano com boas entradas de caixa por Luvas e Venda
relevante de Atletas, manteve as Dívidas e investiu
consideravelmente.
Isto tem mantido o clube nas primeiras posições dos
campeonatos, mas não há reversão sustentável em aumento
de Receitas, que exceção à de TV, são erráticas.
Ser dono de um Shopping Center certamente ajuda com receitas adicionais, mas também na captação de Dívidas
Bancárias. Nenhum clube sustenta um situação com Dívidas Bancárias da ordem de R$ 180 milhões sem o suporte
de um ativo de qualidade como o Shopping Diamond Mall.
O Índice de Eficiência do Clube se deteriorou em 2016, porque houve mais gastos e as conquistas não vieram na
mesma proporção do aumento. É uma política perigosa mas que tem sido sustentada.
Para 2017 não vemos a mesma robustez, exceto se continuar vendendo atletas e se apoiando no Shopping Center.
Não há novos saltos de receitas e a realidade de custos continuará certamente pressionando.
Mas até quando vamos afirmar que o Clube terá problemas, e ele sempre escapando como o antigo personagem
Leão da Montanha, saindo estrategicamente pelos lados do campo?
47 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Clube Atlético Mineiro
Balanço auditado por Soltz, Mattoso e Mendes
48 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Clube Atlético Paranaense
49 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
Receitas cresceram 14%, fortemente suportadas pela TV, que cresceram
79%. Das demais Receitas, Publicidade sofreu bastante, caindo 40%,
assim como venda de Atletas (-44%), mostrando seu perfil não-
recorrente.
As demais são menos relevantes, de forma que o impacto geral foram
este crescimento de 14%.
O que chama a tenção no clube é a constante evolução do EBITDA
Recorrente. Veio melhorando em 2014 e 2015 e finalmente em 2016
operou no positivo, ainda que num valor modesto. Mostra claramente a
menor dependência de venda de atletas, que de fato ocorreu em 2016.
Os Custos cresceram acima das receitas, mas não descolaram muito.
Muito positiva a gestão do clube, que precisa se organizar para pagar o
estádio e o Profut.
Depois de um ano bastante ruim, as Receitas Recorrentes se
recuperaram bem em 2016. Mas, de fato, 2015 foi um ano atípico, uma
vez que as Receitas Recorrentes crescem substancialmente acima da
inflação com alguma tranquilidade.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 11%
50 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
As contas de giro se comportaram
dentro da normalidade, sem
destaques.
O clube finalizou investimentos
em Estrutura, no total de R$ 55
milhões. Por conta disso sua
dívida bancária aumentou.
Demais investimentos foram
módicos.
A Dívida relevante do clube é com
a Arena da Baixada. As demais
dívidas são comportadas ou
realmente baixas, mostrando que
a gestão é consistente.
Mas terá um trabalho quando esta
dívida começar a vencer, e
certamente isto tende a apertar o
fluxo
Valores em R$ milhões
51 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Preparando o terreno para dias difíceis
Clube Atlético Paranaense
A Atlético Paranaense continua sendo uma equipe bem
organizada sob o ponto-de-vista financeiro. O que não significa
que seja exemplar ou não tenha ajustes a serem feitos para
enfrentar momentos mais duros nos próximos anos.
Nos parece que o clube tem uma visão clara de seus
movimentos. Afinal, depois de anos passou a gerar caixa em
termos recorrentes, e isto tende a mudar o patamar da equipe,
uma vez que vendas podem ser usadas de forma independente
do fluxo de caixa cotidiano.
Mas ainda há desafios, pois a geração de caixa pura e simples é insuficiente para honrar as demandas do
financiamento da Arena da Baixada. O clube precisará necessariamente ampliar as rendas geradas pelo estádio ou
usar de forma mais clara as vendas de atletas para fazer frente a estes passivos. O problema, como sempre, é a
dificuldade em prever estas receitas. E se não ocorrerem? Sem contar que em 2016 houve Luvas que ajudaram a
compor as demandas de caixa.
Para isso é preciso um plano pragmático e claro, com fontes bem definidas e controle de custos ordinários. O Índice
de Eficiência do clube já mostra uma boa evolução, ao conseguir conquistas com pouco recurso.
Para 2017 a realidade tende a ser parecida com a de 2016: receitas estáveis, a depender de quão longe forem na
Libertadores, e custos precisam se manter controlados. As contas mais salgadas estão chegando e é preciso cuidar
delas.
52 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Clube Atlético Paranaense
Balanço auditado por BDO
53 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Avaí Futebol Clube
54 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
A realidade do Avaí em 2016 foi bem diferente de 2015. Ao jogar a Série B o
clube viu cair em 35% as Receitas, fortemente impactadas pela redução na
cota de TV (-59%). O interesse do público e mesmo o tícket médio são
menores, e isto explica a queda na receita com Bilheteria (-32%).
As demais receitas são pouco expressivas e alterações tem pouco impacto.
O fato é que o clube não conseguiu ajustar os custos à realidade da Série
B, seja por efetivamente não conseguir reduzir contratos, seja porque
optou por manter estrutura mais cara para tentar retornar à Série A, que de
fato ocorreu. Mas o clube manteve desempenho operacional muito ruim,
com EBITDA negativo em todas as medidas.
O clube vinha bem, com aumentos constantes de Receitas, mas a queda
para a Série B interrompeu esta trajetória, que deve retomar em 2017.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: -4%
55 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
O clube apresentou algumas
entradas de giro que ajudaram a
compensar a geração de caixa
negativa. Nada de muito
significativo, mas que no
acumulado foram positivas.
Os Investimentos foram modestos
e condizentes com a realidade
financeira do clube. Na prática,
não parece fazer contratos de
longo prazo, de forma que o
investimento no elenco se encerra
ao final de cada temporada e
entra basicamente como Custo.
As Dívidas se mantiveram
praticamente estáveis.
Valores em R$ milhões
56 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Dançando conforme a música
Avaí Futebol Clube
O Avaí segue fazendo um trabalho bastante justo,
considerando seu porte. Não há sobras, e quando houve, como
em 2015, gastou mais do que pode.
Em 2016 não foi diferente, e foi buscar em fontes operacionais
formas de se financiar. É um comportamento arriscado. O ideal
seria o clube buscar fontes mais estáveis de receitas, investir
mais na base e controlar seus custos de forma mais firme.
O Índice de Eficiência foi melhor em 2016, justamente porque retornou à Série A. É um bom índice, mas dado o
modelo de gestão, tende a oscilar demais.
É um típico azarão, que busca encaixar um bom elenco para se manter na Série A, o que faz com que dependa
demais da gestão esportiva na montagem da equipe.
57 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Avaí Futebol Clube
Balanço auditado por AudiBanco
58 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Esporte Clube Bahia
59 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasBrutasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaCustos&Despesas
O Bahia apresentou crescimento de cerca de 17% nas Receitas, com
oscilações em algumas linhas.
O que se observa é a manutenção da dependência de Receitas com TV
(58%) e um pequeno aumento da participação de Publicidade, saindo de
2% para 7%. Além disso, a venda de Direitos Econômicos (Transação
de Atletas), cresceu quase 50% e passou a representar 15% das
Receitas do clube.
Positivamente, em termos de geração de caixa, o Bahia se comportou
muito bem em 2015. Com incremento de Receitas e forte redução de
Custos e Despesas, o clube conseguiu gerar caixa tanto recorrente
como não recorrentemente.
Nota-se claramente a redução nas Despesas com Folha de Pagamento,
que inclusive sofreram forte queda na relação com as Receitas, de 77%
para 50%, enquadrando-se assim nas métricas do Profut.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: -2%
60 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
Com a boa geração de caixa o clube
não precisou de Adiantamentos.
Pelo contrário, em termos de TV
foram consumidos R$ 6 milhões de
adiantamentos passados.
Em termos de contas de Giro, houve
forte ajuste nas Despesas
Provisionadas, possivelmente
impactados pela adesão ao Profut –
estimamos que encargos
trabalhistas foram colocados em dia
e/ou alongados – e restou um valor
a receber por venda de atletas.
O clube investiu bom montante
em Categorias de Base (R$ 7
milhões) e foi mais comedido na
formação de elenco profissional.
Atitude correta para quem
participou da Série B.
Valores em R$ milhões
Todas essas movimentações
teriam gerado impacto negativo
(aumento) na Dívida, mas houve
entrada de R$ 12 milhões
referentes à venda de um terreno
e isso contribuiu para que as
Dívidas fossem reduzidas.
Desta forma, todas apresentaram
queda, fato bastante positivo.
61 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Colocando a casa em ordem
Esporte Clube Bahia
O Bahia apresentou um comportamento bastante bom em 2015.
Operacionalmente conseguiu aumentar suas Receitas, reduziu
Custos e Despesas e assim gerou mais caixa e de forma
consistente. Fez investimentos corretos, liquidou dívidas, aderiu
ao Profut.
O desafio agora é manter esta política de austeridade sem ter
sucesso esportivo, uma vez que segue no 2º ano jogando a
Série B. Mas persistência e paciência andam junto com
processos de ajuste, pois o resultado aparece apenas no longo
prazo. Um clube saudável, equilibrado, tem mais chances de
permanecer por mais tempo disputando a Série A.
62 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Esporte Clube Bahia
Balanço auditado por Performance
63 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Botafogo de Futebol e Regatas
64 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasBrutasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaCustos&Despesas
Depois de desempenho muito ruim em 2015, o Botafogo se recuperou e
retornou aos níveis nominais de 2014. O maior impacto veio das Receitas
de TV, que cresceram 88%. Aliás, foi o único impacto positivo, uma vez
que todas as outras Receitas caíram: Publicidade (-7%), Bilheteria (-38%),
e mesmo a Venda de Atletas foi menor em 10%.
TV representou 63% do total das Receitas em 2016.
Não localizamos as Luvas, que podem estar dentro destas Receitas.
As Receitas cresceram e os Custos vieram junto. De toda forma, o
resultado final foi parecido, com manutenção do EBITDA. Ou seja, cresceu
de forma sustentável. Mas ainda assim é insuficiente para honrar as
demandas que virão através do Profut. O corte tem que ser maior.
Com exceção de 2015, todos os anos as Receitas Recorrentes se
comportaram muito bem, acima da a inflação. Mas em termos reais, 2016
ficou 17% abaixo do que o clube apurou em 2014,. Ou seja, não houve
evolução..
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 5%
65 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
A boa geração ainda foi
compensada com recebimentos
das contas de giro,
especialmente do contas a
receber.
Em relação à TV, nada que
justifique comentários adicionais.
Fez um bom volume de
investimentos em Formação de
Elenco: foram R$ 13 milhões
contra R$ 6 milhões de 2015.
A Dívida Total continua
apresentando redução,
especialmente pelos pagamentos
de acordos trabalhistas. Dívidas
Bancárias e Operacionais em
queda.
Valores em R$ milhões
66 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Choque de Realidade
Botafogo de Futebol e Regatas
O Botafogo vai sendo gerido um dia de cada vez. O clube tem
dificuldades em aumentar receitas e alta dependência da TV.
Mas é preciso mais que isso para escapar da encruzilhada que
se aproxima, com o início do pagamento das parcelas do
Profut. A dívida é muito elevada, e ajustes nos Custos serão
necessários.
Em 2016 ainda não vimos isto ocorrendo, então quanto mais
tempo demora, mais difícil e dolorosa é a saída.
Com a conquista da vaga para a Libertadores o Índice de Eficiência apresentou melhora, mas pode se deteriorar sem
o controle efetivo dos Gastos.
O Botafogo precisa se preparar para mais que conquistas; precisa pensar na sobrevivência. Não basta que hoje
esteja em ordem, porque a conta vai chegar.
67 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Botafogo de Futebol e Regatas
Balanço auditado por UHY Moreira Auditores
68 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Associação Chapecoense de Futebol
69 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
Desempenho bastante bom da Chape em 2016, a despeito de todos os
problemas enfrentados.
Receitas cresceram 40%, puxadas por dois itens: TV (+22%) e
Premiações, que saíram de R$ 100 mil em 2015 para R$ 14 milhões em
2016, por conta da Sulamericana.
O clube continuou trabalhando de forma equilibrada, controlando os
Custos de acordo com suas Receitas. E os Custos só foram mais
elevados que 2015 por conta das demandas em função do acidente,
pois parte da premiação foi revertida em custos e pagamentos às
Famílias dos Atletas e Comissão Técnica.
O histórico é curto, mas positivo. Receitas crescendo bem acima da
inflação.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 7%
70 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
Valores em R$ milhões
Por conta do acidente, as contas
de giro da Chapecoense
apresentaram comportamento
bastante diferente do usual.
Como havia valores a receber de
premiações, isto impactou o
Contas a Receber, como
“redutor” de Receitas. Ao mesmo
tempo, o clube aparente ter
adiantado parte das Receitas de
TV de 2017, possivelmente para
ajudar na reconstrução do clube.
Investimentos módicos como de
costume.
A Dívida se comportou bem,
como de costume. Não há
Dívidas Bancárias, as
Operacionais estão dentro da
normalidade, e o clube não deve
Impostos.
71 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Reconstrução Possível
Associação Chapecoense de Futebol
A tragédia que acometeu a Chapecoense em 2016 é uma
marca triste na história do Futebol Mundial. E o clube,
organizado e correto como sempre foi, sairá desta graças
justamente à sua qualidade de gestão.
Time sem dívidas, que investe na qualidade e não no preço,
que se organiza sabendo suas possibilidades. Foi longe em
2016 ao chegar à Final da Sulamericana, sempre baseado em
solidez.
No que diz respeito puramente à parte técnica, o acidente não deixou problemas financeiros. Recursos entraram
como Premiação, saíram e sairão como pagamentos aos atletas e comissão, e a reconstrução virá com ajuda de
todos. O importante é manter a crença na boa gestão. Índice de Eficiência melhorou em função da conquista da
Sulamericana, e o desafio agora é reconstruir mantendo a serenidade. É possível sim.
72 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Associação Chapecoense de Futebol
Balanço auditado por RL Solutions
73 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Sport Club Corinthians Paulista
74 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaCustos&Despesas
Receitas cresceram 13% em 2016, impulsionadas pela TV, que
aumentou 23%, Publicidade (+7%) e especialmente Venda de Atletas,
que cresceu 44%.
O Clube ainda se vê impedido de usar as Receitas de Bilheteria, e o que
lhe sobra são as Receitas de Sócio Torcedor sem troca por ingressos.
Desempenho apenas regular, considerando o volume desproporcional
de Venda de Atletas.
Operacionalmente o clube foi bem, fazendo o trabalho correto, que é
reduzir Custos mesmo vendo o crescimento nas Receitas. Tanto que
depois de 2 anos voltou a ter EBITDA Recorrente positivo, ainda que em
apenas R$ 1 milhão. Mas vai depender de mais ajustes para voltar a ter
capacidade financeira relevante.
Importante: o Corinthians recebeu R$ 80 milhões de Luvas da TV e
ainda aportou R$ 22 milhões no Estádio, e estes números não estão no
operacional, e não impactam EBITDA.
O desempenho médio das Receitas Recorrentes tem sido muito ruim
nos últimos anos, o que mostra que o clube depende fortemente da
Venda de Atletas. No ano de 2016 essas Receitas apenas
recompuseram as perdas inflacionárias. Ou seja, o Clube ainda precisa
trabalhar e buscar novas fontes, especialmente porque a perda da
Bilheteria ataca frontalmente o caixa do clube.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 0%
75 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
O Corinthians apresentou uma
gestão bastante intensa de suas
contas de giro.
Por um lado, entre
adiantamentos, recebimentos e
ajustes operacionais, conseguiu
liberar R$ 36 milhões para seu
caixa, que ajudou a compensar a
saída de R$ 56 milhões, que nos
parecem Cotas de TV adiantadas
em períodos anteriores.
O clube manteve os
investimentos na Base mas
aumentou substancialmente a
contratação de atletas, saindo de
R$ 14 milhões em 2015 para R$
46 milhões em 2016.
As Dívidas se comportaram bem.
As Bancárias caíram bastante,
com manutenção das Dívidas
Operacionais. Com Impostos, o
crescimento é basicamente
correção do Profut.
Valores em R$ milhões
76 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Muita Ginástica para fechar as contas
Sport Club Corinthians Paulista
A realidade do Corinthians tem sido muito difícil.
Além de perder as Receitas com Bilheteria, tem visto
demais receitas operacionais em queda, e se apoiado muito
na TV e na Venda de Atletas. Isto tira demais a margem de
manobra e a capacidade de Investimento.
O ano de 2016 não foi pior porque o clube recebeu R$ 80 milhões de Luvas da TV, mas parte – R$ 22 milhões –
foram aportados no Estádio, para fechar suas contas. Veja que o cenário está longe de ser confortável, pois num
ano com aumento na Cota de TV, Luvas e Venda de Atletas relevantes, o clube ainda investiu muito na formação do
elenco e colocou dinheiro no Estádio. Positivamente, reduziu parte importante da Dívida Bancária, que já começava
a incomodar.
Mas sem alguns desses recursos que não voltam mais, como as Luvas e os Atletas, o que fazer em 2017? Veja
que o Índice de Eficiência piorou em 2016, e se não houver uma gestão rígida no controle de Gastos, a situação
geral pode piorar.
77 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Sport Club Corinthians Paulista
Balanço auditado por Parker Randall Brasil
78 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Coritiba Foot Ball Club
79 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
Crescimento de Receitas de 27%, com destaque para as Receitas de
TV, que subiram 51% e passaram a representar 53% do total.
A segunda receita mais relevante do clube é a de Bilheteria/Sócio
Torcedor, que representa 27%, mas cujo desempenho foi ruim em
2016, caindo 2% em relação a 2015.
O Coritiba apresentou equilíbrio novamente m 2016, com EBITDA
positivo tanto total quanto Recorrente. Trabalhou crescendo os Custos
na mesma proporção das Receitas, uma vez que o EBITDA nominal foi
praticamente o mesmo do ano anterior.
O desempenho das Receitas Recorrentes vinham deixando a desejar.
Entre 2013 e 2015 nunca venceu a inflação, o que se reflete num
quadro bastante desafiador. Em 2016 recuperou esta condição, graças
à nova cota de TV.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 15%
80 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
As contas de giro do clube
pressionaram o fluxo de caixa,
com saídas relevantes de
passivos que financiavam a
operação.
Em TV o destaque foram as
Luvas de R$ 31 milhões.
Manteve o perfil de
Investimentos, focando na Base
(R$ 6 milhões) e menos no
elenco Profissional (R$ 3
milhões).
As Dívidas se comportaram bem,
com, com redução na Dívida
Total, a partir da forte redução na
Bancária e na Operacional. Os
Impostos cresceram pela
correção do Profut.
Valores em R$ milhões
81 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Andando no Trilho
Coritiba Foot Ball Club
O Coritiba continua dentro de suas limitações, contando com as
Receitas de TV e a participação representativa de seu torcedor,
que formam os pilares das Receitas do Clube.
Trabalha dentro das possibilidades, sem grandes saltos de
Custos e Gastos que coloquem em risco a saúde financeira do
clube.
Destaque para o fato de investir mais na Base que no elenco
Profissional.
Isto se reflete no Índice de Eficiência, que foi zero nos dois anos, ou seja, não apresentou conquistas. É o risco de
andar na linha: conquistas rarearem e viver na corda banda da Zona de Rebaixamento na Série A. Precisa encaixar
um bom trabalho esportivo para ajudar a mudar o patamar da equipe.
82 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Coritiba Foot Ball Club
Balanço auditado por Mazars
83 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Criciúma Esporte Clube
84 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
Receitas subiram 37%, impulsionado pela Venda de Atletas, que saíram
de R$ 300 mil para R$ 11,9 milhões.
Demais receitas são pequenas, pois a equipe joga a Série B e tem perfil
regional.
Apesar da forte recuperação no EBITDA Total, o Recorrente continuou
negativo, o que mostra a dependência de Venda de Atletas. Natural
para uma equipe de menor porte.
É muito complicada a vida de uma equipe regional que atua na Série B.
Desde que retornou à Série B, viu suas receitas recorrentes caírem ano
após ano.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 3%
85 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
Tem que trabalhar bem as contas
de giro, o que tem feito. Nas cotas
de TV as variações são mínimas,
sem destaques.
Investe dentro do possível e,
positivamente, focado nas
Categorias de Base.
Como deve ser, deve pouco, sem
destaques.
Valores em R$ milhões
86 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Vida Difícil
Criciúma Esporte Clube
Há pouco a dizer sobre o Criciúma, que é regional e depende
muito de acertar uma boa gestão esportiva para retornar à
Série A. Sem ela, fica girando em círculos e dependendo da
venda de atletas para reforçar as Receitas.
Em 2016 foi assim, e não foi suficiente para conquistas, como
mostra o Índice de Eficiência. Ainda mais num Estado com
forte concorrência pelo título regional.
Muito esforço e dedicação em busca do elenco perfeito.
87 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Criciúma Esporte Clube
Balanço auditado por OMV Auditores Independentes
88 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Cruzeiro Esporte Clube
89 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
O Cruzeiro apresentou queda de 2% nas Receitas Totais e foi o único que
mostrou redução nas Receitas de TV, o que mostra que em 2015 havia Luvas
neste valor, que não foi destacada à época.
A única receita que teve bom desempenho foi a de Publicidade, que cresceu
26%. As demais sofreram redução importante: Venda de Atletas (-78%),
Bilheteria/Sócio Torcedor (-27%) e Sociais (-15%).
Ano bastante complicado para a Raposa.
Em contrapartida, os Custos foram ajustados à realidade, sendo
reduzidos em 14%. Isto possibilitou gerar EBITDA positivo tanto em base
Total como no Recorrente. Aliás, Recorrente que nunca havia sido
positivo em nossa amostra.
Em termos reais as Receitas Recorrentes vem sofrendo nos dois últimos
anos. Em 2015 cresceu praticamente a inflação, enquanto em 2016 foi
negativa. Há um trabalho a ser feito aqui.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 9%
90 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
O Cruzeiro conseguiu gerir bem
suas contas de giro, de forma que
obteve cerca de R$ 21 milhões
em liberações e financiamentos
de contas operacionais.
Na TV teve que reembolsar cerca
de R$ 9 milhões de
adiantamentos recebidos no
passado.
O Clube viu suas Dívidas
aumentarem substancialmente,
em todas as esferas. Afinal, com
a geração de caixa módica, fica
impossível investir os montantes
apresentados. Sinal ruim.
Valores em R$ milhões
O montante de Investimentos foi
bastante elevado, atingindo
quase R$ 18 milhões na Base e
mais R$ 48 milhões no elenco
profissional.
Se o Profissional manteve o
aporte de 2015, o destaque
positivo foi a valor destinado à
Base.
91 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Descompassado
Cruzeiro Esporte Clube
O Cruzeiro mostra certo descompasso em suas ações. Se
por um lado foi capaz de ajustar os Custos à realidade de
Receitas menores, conseguindo até gerar EBITDA
Recorrente, de outro soltou a mão e fez investimentos
vultosos, mesmo sem caixa. O resultado foi aumento das
Dívidas para bancar este movimento.
Nem assim os resultados vieram, e o Índice de Eficiência
mostra isto.
O clube repete as mesmas estratégias conhecidas há anos: se ajusta de um lado mas se enrosca de outro. Nada
garante que as Receitas cresceram só por investir mais. Nem sempre investimento traz retorno financeiro. Há que se
trabalhar de forma mais organizada e comprometida com a saúde financeira de longo prazo.
92 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Cruzeiro Esporte Clube
Balanço auditado por Dênio Lima e Mário
Guimarães
93 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Figueirense Futebol Clube
94 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
O Figuera apresentou crescimento de 39% nas Receitas, puxado pelas
Cotas de TV, que aumentaram 74%. Contribuiu também para o
crescimento o aumento na Venda de Atletas em 60%.
Em compensação, Publicidade com -6% e Bilheteria/Sócio Torcedor com
-16% foram destaques negativos.
O Clube foi capaz de manter a estrutura de Custos equilibrada, o que
permitiu manter os níveis de geração de caixa de 2015.
Positivamente, permanecendo na Série A o clube apresentou Receitas
Recorrentes crescendo acima da inflação em 2015 e 2016.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 19%
95 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Composição da Dívida
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Sem destaques nas contas de
giro.
Investimentos módicos em 2016,
sem destaques.
Reduziu fortemente as Dívidas
Bancárias, mas operou com alta
nas Operacionais.
No total, manteve inalterada a
dívida, o que é positivo.
Valores em R$ milhões
96 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Não deu desta vez
Figueirense Futebol Clube
O Figueirense operou corretamente m 2016, cuidando da
saúde financeira do clube. Infelizmente o resultado foi a
queda para a Série B. É o risco.
Clubes regionais dependem muito de uma boa gestão
financeira, que os permita montar um elenco competitivo
gastando pouco. O Figueirense adotou a estratégia correta,
mas faltou o acerto no elenco.
É trabalhar para reverter este quadro.
97 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Figueirense Futebol Clube
Balanço auditado por Mazars
98 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Clube de Regatas do Flamengo
99 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
Crescimento de 21% nas Receitas do Flamengo, fortemente impactado
pelas Cotas de TV, que aumentaram 69%. Em compensação, e
negativamente, as outras receitas sofreram redução importante, como
Publicidade (-22%) e Bilheteria/Sócio Torcedor (-10%).
Importante ressaltar que nos número difere do número do clube porque
fazemos ajustes que tratam as penas as receitas operacionais e com
efeito caixa, excluindo movimentações consideradas não-operacionais.
Apesar do robusto crescimento de Receitas, os Custos mantiveram-se
controlados, de maneira que o EBITDA foi novamente relevante, tanto
em termos Totais como Recorrentes.
Em 2015 as Receitas Recorrentes perderam da inflação, mostrando que
nem tudo são flores, mas voltaram a crescer substancialmente em 2016.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 14%
100 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
Nas contas de giro vemos que o
clube foi pressionado pela saída
de R$ 36 milhões.
Já nas cotas de TV não houve
movimentação.
O Flamengo aumentou suas
apostas na Formação de Elenco,
atingindo R$ 38 milhões em
investimentos. Destaque também
para o Capex, que são
investimentos em estrutura, que
tiveram bom aumento.
Dívidas em queda, em linha com
a estratégia da gestão.
Operacionais comportadas e
estáveis, bancárias em forte
quedam, assim como as com
Impostos.
Lição de casa mais que bem
feita.
Valores em R$ milhões
101 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Navegar é preciso; gerir Futebol não é preciso
Clube de Regatas do Flamengo
Novamente o Flamengo dá aula de gestão, fora de campo.
Contas em dia, redução de Dívidas, controle de Custos. O que
mais esperar além de passar a conquistar títulos?
Bem, em 2016 o clube apresentou evolução no quesito técnico,
se classificando para a Libertadores e melhorando seu Índice de
Eficiência. Ainda é pouco, mas o caminho está correto.
Agora precisa mudar de patamar esportivo, mas continuar com olhos bem abertos para as Finanças. O movimento
mais natural seria o de voltar a gastar desenfreadamente, mas isto seria retroceder 10 anos. O que é preciso é
passar a gerir de forma mais eficiente os recursos e a estratégia de curto prazo, que servirão para alavancar a
estratégia de longo prazo. Muitas vezes é preciso algum arrojo para se obter grandes conquistas. Mas com
moderação.
Qual o Flamengo que veremos em 2017?
102 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Clube de Regatas do Flamengo
Balanço auditado por Mazars
103 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Fluminense Football Club
104 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
Receitas do Fluminense cresceram 14% em 2016, com comportamentos
diferentes dependendo da origem delas.
Enquanto a TV apresentou crescimento de 45% e Venda de Atletas
21%, houve queda em Publicidade (-35%) e Bilheteria/Sócio Torcedor (-
22%).
A TV aumentou a relevância e agora representa 49% do total.
Desempenho muito ruim quando falamos em Custos. O crescimento foi
de 30%, e isto fez com que estes custos fossem maiores que as
Receitas. Se considerarmos apena as Recorrentes, o desempenho foi
ainda pior, pois a Venda de Atletas foi uma das receitas mais
significativas de 2016.
Em 2014 as Receitas Recorrentes perderam da inflação, mas 2015 e
2016 foram bons anos. O problema do Fluminense não são as Receitas;
são os Custos.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 9%
105 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
As contas de giro impactaram o
fluxo de caixa do clube, pois parte
importante da venda de atletas só
foi paga em 2017, gerando
pressão ao caixa.
Nas Cotas de TV vimos uma
entrada via Adiantamento de R$
16 milhões,
A despeito do descontrole de
Custos, o Fluminense teve um
ano de investimentos vultosos.
Foram R$ 9 milhões na Base, R$
37 milhões em elenco Profissional
e mais R$ 26 milhões em
estrutura.
Descontrole total do clube das
Laranjeiras,
As Dívidas saíram de controle. O
aumento de mais de R$ 40
milhões nas Dívidas Bancárias
preocupa. Operacionais e com
Impostos até que se mantiveram
bem. Não fosse as Luvas de TV
de R$ 80 milhões e a situação
teria sido catastrófica.
Valores em R$ milhões
106 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
À beira de um ataque de nervos
Fluminense Football Club
O Fluminense teve um ano de 2016 complicadíssimo. Custos
descontrolados, Investimentos relevantes, Dívida aumentando.
E tudo isso depois de ver suas receitas aumentarem e receber
R$ 80 milhões de Luvas da TV.
O que acontece com o clube das Laranjeiras?
Gestão complicada.
Será uma enorme dificuldade recuperar o clube. A pressão de Custos tende a se manter e já não haverá receitas
adicionais como as Luvas da TV. Isto faz com que haja ainda mais necessidade na venda de atletas para fechar as
contas.
O Índice de Eficiência mostra que estes gastos todos não surtiram efeito, mas deixam um rastro de preocupação.
O trabalho será árduo.
107 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Fluminense Football Club
Balanço auditado por UHY Moreira
108 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Goiás Esporte Clube
109 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
Mesmo jogando a Série B o Goiás conseguiu aumentar suas Receitas
em 16%, alavancado pelo aumento de 54% nas Receitas de TV e 22%
na Publicidade.
Em contrapartida o clube esmeraldino apresentou queda de 51% na
Bilheteria/Sócio Torcedor.
Receitas cresceram e trouxeram os Custos para cima, mas de forma
comportada, tanto que o nível de geração de caixa foi semelhante ao
observado em 2015.
Se em 2015 as Receitas Recorrentes em termos reais caíram 14%, com
a maior cota de TV houve reversão dessa situação e as Receitas
cresceram 11% acima da inflação.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 6%
110 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
O clube recebeu cerca de R$ 14
milhões em contas a receber de
vendas realizadas em 2015.
Em cotas de TV não houve
movimentação relevante, exceto
que o clube recebeu R$ 12
milhões em Luvas por renovação
de contrato de TV Fechada.
Investimentos dentro do
histórico, sem destaques.
Dívidas continuaram processo de
redução, em todas as linhas.
destaque paras as Bancárias,
que foram praticamente zeradas.
Nas Dívidas com Impostos houve
acréscimo em Provisões para
Contingência, sem detalhamento
no Balanço.
Valores em R$ milhões
111 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
No caminho certo
Goiás Esporte Clube
O Goiás continua sendo uma referência em termos de gestão.
mesmo na Série B conseguiu crescer receitas e manter
inalterada a condição econômico-financeira.
O clube se mostra pronto para recuperar a boa fase esportiva, e
precisa agora se organizar dentro de campo para retornar à
série A
O Índice de eficiência mostra a recuperação que já teve início
em 2016 E agora é colher os frutos.
112 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Goiás Esporte Clube
Balanço auditado por Floresta Auditores
Independentes
113 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense
114 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
Receitas do Grêmio cresceram 22%, muito em função do aumento das
Cotas de TV, que saltaram 33% em 2016. Venda de Atletas cresceu 35%,
mas o valor é relativamente baixo, representando apenas 6% do total.
Também foi importante o crescimento de 15% na Bilheteria/Sócio Torcedor.
Importante citar que o clube recebeu R$ 100 milhões de Luvas da TV,
lançadas por nós como Não Operacionais.
Apesar do crescimento das Receitas, Custos cresceram também, mas o
clube soube se ajustar e mantê-los relativamente comportados, a ponto
de conseguir geração de caixa sob todas as óticas.
A análise das receitas Recorrentes reais mostra que um dos problemas
do Grêmio é a oscilação, visto que ano-sim-ano-não a Receita tem
queda real.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 9%
115 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
A gestão das contas de giro foi
difícil, tanto que foram
consumidos R$ 16 milhões da
geração de caixa. Além disso,
foram ajustados valores de receita
de TV adiantados em anos
anteriores.
O Clube se manteve investindo
bastante. Foram R$ 50 milhões
em reforço de elenco Profissional
e R$ 13 milhões na Base.
Dois comentários em relação à
Dívida: i) positivamente, se
manteve estável; ii)
negativamente, depois de receber
R$ 100 milhões de Luvas, as
Dívidas se mantiveram estáveis.
Valores em R$ milhões
116 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Índice de Eficiência
Risco real e imediato
Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense
Poderia ter sido um ano melhor para o Grêmio. Se dentro de
campo o resultado foi positivo com a conquista da Copa do
Brasil, fora dele há pouco a comemorar.
Entrou muito dinheiro em 2016 mas este foi todo gasto no
Futebol, enquanto as Dívidas permaneceram estáveis. Com
isto, as Despesas Financeiras atingiram R$ 46 milhões e
continuam contribuindo para drenar caixa.
Tanto é que, apesar do título, o Índice de Eficiência não se
alterou. Será que um título vale à pena? pensando em Futebol,
sim. pensando em longo prazo e quanto uma situação
estabilizada pode render no futuro, não.
O Grêmio precisará de um ajuste e não parece que 2017 o veremos. Há um risco, que esperamos estar sendo bem
dimensionado. Não é o que nos parece.
117 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense
Balanço auditado por Rokembach + Lahm,
Villanova, Gais e Cia Auditores
118 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
Sport Club Internacional
119 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente
As receitas caíram 5% em 2016, mesmo com as de TV crescendo 24%. O
problema é que todas as demais receitas sofreram quedas importantes,
com destaque para a redução na Venda de Atletas, que foram 63%, o
equivalente a R$ 25 milhões menor que em 2015. Para um clube que
sempre dependeu dessas vendas, esta perda foi crucial para explicar a
derrocada financeira.
As demais Receitas ficaram pouco abaixo do apresentado em 2015. E o
clube ainda recebeu R$ 61 milhões de Luvas da TV.
O histórico mostra que em termos Recorrentes a geração de caixa do
Internacional sempre foi negativa, o que comprova a tese de que trata-se
de um clube formador e vendedor de atletas. esta dinâmica, quando não
funciona, torna a geração de caixa total negativa também, e o resultado é
ruim.
São dois anos praticamente recompondo a inflação em termos de Receitas
Recorrentes. Era natural que encontra-se o muro.
Valores em R$ milhões
CAGR Receita Recorrente a VP: 3%
120 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017
a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida
Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas
a
b
c
Composição da Dívida
O Internacional recebeu R$ 30
milhões referentes a vendas de
2015, e ainda assim o
desempenho financeiro foi frágil
Da TV foram R$ 61 milhões em
Luvas.
O Clube fez uma grande aposta e
investiu R$ 50 milhões em
formação de elenco profissional.
Além disso, foram mais R$ 5
milhões na Base.
O dinheiro das Luvas foi
canalizado para o esportivo.
das se mantiveram relativamente
estáveis, o que se torna a única
notícia positiva de 2016, Em todas
as linhas houve manutenção do
status.
Valores em R$ milhões
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  • 1. 1 Análise Econômico- Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros | 2017 Dados Financeiros de 2016
  • 3. 3 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 2016 | A Insustentável Leveza do Ser Vamos relembrar de 2015: encerramos o ano acreditando que a gestão financeira dos Clubes Brasileiros nos trazia Uma Nova Esperança, uma vez que havia sinais de que estavam trabalhando para organizar as casas, reduzir dívidas, controlar Custos e se tornarem sustentáveis. Corta para 2016. E vamos filosofar sobre o Futebol, e trazer Milan Kundera: “Aquilo que não é conseqüência de uma escolha não pode ser considerado mérito ou fracasso.” Como parte da vida, o Futebol também depende de decisões, e não falamos apenas das que ocorrem dentro de campo. Toma-se risco ao contratar, ao dispensar, ao aumentar salários, ao atrasar pagamentos. São escolhas, e a partir delas se mede mérito ou fracasso. Não há nada por acaso na gestão do Futebol. Um dos grandes problemas do Futebol é, no dilema entre Leveza e Peso trazido por Kundera em sua obra clássica, o descompromisso dos Dirigentes com o longo prazo. É um problema existencial que contrapõe a Leveza (o descompromisso com o longo prazo) e o Peso (cuidar da sustentabilidade do Clube), onde ao final, e naturalmente, opta-se pela Leveza. Afinal, a Liberdade é sempre melhor. Nos deparamos com a dificuldade dos Dirigentes em superar o desafio de se importar com o longo prazo, com o futuro. Organizar as Finanças, controlar os gastos hoje, não trará resultados esportivos e glórias agora, mas sim no futuro. E outro Dirigente será o beneficiário das conquistas. E desta forma, assume-se então o comportamento do "convite à vida", de viver cada momento - ou cada campeonato - como se fosse o último. Afinal, o que importa é o hoje. E assim, o Futebol Brasileiro segue sua sina. Mesmo depois de receber um montante de dinheiro extraordinário de Luvas pelo novo acordo de direitos de jogos para TV Fechada para o período 2019-2022, e contar com aumento significativo das Cotas de TV, além de continuar vendendo atletas, tudo se volta para a conquista hoje. E assim como em outros anos onde ocorreram situações similares, o ajuste é uma mera teoria. E temos novamente Milan Kundera: “Não existe meio de verificar qual é a decisão acertada, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado.” É assim que os Dirigentes agem. Como se presos a um Feitiço do Tempo*, em que se repete infinitamente o Dia da Marmota.
  • 4. 4 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 2016 | A Insustentável Leveza do Ser A realidade, entretanto, é menos filosófica e mais grave do que imaginamos. O cenário da Indústria do Futebol poderia ser completamente diferente se, ao se deparar com o aumento de Receitas e a entrada das Luvas pela renovação do contrato de TV Fechada, os Clubes tivessem optado por reduzir Dívidas, cortar Custos, segurar Investimentos, focando mais em Estrutura e Base que em Profissional. O que nós veremos nas próximas páginas é uma sucessão de decisões que objetivam resultado de curto prazo, e não pensando que em breve as Dívidas do Profut começam a vencer, que há Dívidas Bancárias, que as Receitas num País como o nosso são erráticas, que nem sempre será possível vender Atletas para fechar as contas. Mas que os Custos permanecerão ali, consumindo caixa, por algum tempo. Esta é uma distorção do nosso modelo de controle dos Clubes. Ao serem entidades políticas, que dependem de eleição e mudam sua gestão de tempos em tempos, não há incentivo a pensar em longo prazo, se as conquistas estão a um passo de distância. O problema, é que todos os anos todos os clubes começam do zero, e estão a um passo de distância da glória. Só um será Campeão. E poucos se sustentam nessa condição por muito tempo, justamente porque só pensam na próxima conquista. Acreditamos que gestões que coloquem ordem na casa e tornem os Clubes sustentáveis, terão a chance de se perpetuarem na ponta dos campeonatos. Mas isto ainda é um desejo, apenas, pois são raros os clubes que buscaram este caminho, sacrificando o Hoje e mirando no Sempre. Bola para frente, que o jogo está só começando. * "Feitiço do Tempo" ("Groundhog Day") é um filme de 1993 da Columbia Pictures, estrelado por Bill Murray e Andie McDowell, que mostra um jornalista que tem sua vida presa a um único dia, que se repetia incessantemente.
  • 5. 5 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Sempre importante lembrar Disclaimer Este é um trabalho feito pelos profissionais da Área de Crédito do Itaú BBA, baseado exclusivamente em informações públicas e sem que tivéssemos qualquer contato com os clubes para explorar eventuais dúvidas e aprofundar algumas questões. O objetivo é meramente informativo e tentamos apresentar aos Torcedores a visão de uma equipe técnica e multiclubística sobre a condição financeira do Futebol Brasileiro e seus Clubes. Vale ressaltar que apesar de alguns clubes apresentarem balanços bastante detalhados e esclarecedores, há uma enorme dificuldade em ter a mesma qualidade em todos os balanços, o que torna limitada nossa ação. E mesmo para clubes que disponibilizam informações estruturadas, ainda restam dúvidas relevantes. Por conta disso, podemos afirmar que o material reflete a realidade “pública” de cada clube, e nossas avaliações são feitas com base em hipóteses técnicas, apenas. Por isso, quando falamos em “atrasos”, isto reflete uma avaliação técnica das movimentações contábeis, baseado nos dados disponíveis. Trata-se de hipótese técnica e são suposições, apenas, e justificam o fechamento do fluxo de caixa do período. Não temos também qualquer contato com Patrocinadores, Federações, Parceiros, de forma que nossas avaliações consideram informações publicadas pela Imprensa como única fonte externa aos Balanços, inclusive entrevistas e matérias feitas com Dirigentes. Não conseguimos fazer a análise do Atlético Goianiense, por conta da pouca qualidade das informações.
  • 6. 6 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 6 2. Clubes | Análise Individual 36 2.1 | Alguns Conceitos Básicos 2.2 | América MG 2.3 | Atlético MG 2.4 | Atlético PR 2.5 | Avaí 2.6 | Bahia 2.7 | Botafogo 2.8 | Chapecoense 2.9 | Corinthians 2.10 | Coritiba 2.11 | Criciúma 2.12 | Cruzeiro 2.13 | Figueirense 2.15 | Flamengo 2.16 | Fluminense 2.17 | Goiás 2.18 | Grêmio 2.19 | Internacional 2.20 | Joinville 2.21 | Náutico 2.22 | Palmeiras 2.23| Ponte Preta 2.24 | Santa Cruz 2.25 | Santos 2.26 | São Paulo 2.27 | Sport 2.28 | Vasco da Gama 2.29 | Vitória 37 38 43 48 53 58 63 68 73 78 83 88 93 98 103 108 113 118 123 128 133 138 143 148 153 158 163 168 Sumário 1. Introdução 2 1.1 | 2016 | A Insustentável Leveza do Ser 1.2 | Disclaimer 1.3 | Recapitulando 1.4 | Receitas 1.5 | Receitas | Tratamento a Valor Presente 1.6 | Receitas | TV, sempre ela 1.7 | Receitas | Crescimento 1.8 | Receitas| Direitos de TV 1.9 | Receitas | Direitos Federativos 1.10 | Receitas | Direitos Federativos 1.11 | Receitas | Publicidade 1.12 | Publicidade | Detalhe por Clube 1.12 | Receitas | Bilheteria e Sócio Torcedor 1.13 | Receita da Bilheteria | Por Clube 1.14 | Sócio Torcedor | Relevância 1.15 | Receitas | Concentração 1.16 | Custos, Despesas e EBITDA 1.17 | EBITDA | Efeito Palmeiras e Flamengo 1.18 | Comportamento do EBITDA Recorrente 1.19 | Investimentos 1.20 | Investimentos | Categorias de Base 1.21 | Investimentos | Origem do Dinheiro 1.22 | Dívidas 1.23 | Dívidas | So far. so good 1.24 | Dívidas | Alavancagem 1,25 | Profut | É possível pagá-lo? 1.26 | Dívidas Operacionais 1.27 | Fluxo de Caixa Livre 1.28 | Gastos Totais 1.29 | Geração de Caixa Livre 1.30 | Geração de Caixa Livre por Clube 3 5 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 3. Hora da Verdade | Nossas Projeções 173 4. Avaliação de Desempenho | Gráfico 179 5. Futebol no Brasil x Europa 190 6. Conclusões 195 7. Escalação 197 8. Referência 199
  • 7. 7 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Recapitulando Importante citar alguns critérios que utilizamos para ajustar os balanços e torná-los comparáveis. lembrando sempre que os critérios de Contabilização e os Critérios de Análise Econômico-Financeira não são e nem precisam ser os mesmos. Análise é justamente a maneira de interpretar os conceitos contábeis. RECEITAS | As Receitas Totais consideram tudo que é Operacional, ou seja, tudo que foi gerado no dia-a-dia do Clube e que tem recorrência direta. Entretanto, fazemos uma segunda derivada, que é utilizar o conceito de Receita Recorrente, onde excluímos a Venda de Atletas, pois apesar de ser Operacional, é muito errática, e para fins de Gestão deveria ser desconsiderada nos Orçamentos. LUVAS DE TV | São comuns, de certa forma Operacional, pois estão atreladas ao principal contrato dos clubes, mas não é recorrente. Portanto, para fins de análise, consideramos como Não Operacional, o que as exclui do EBITDA. DÍVIDAS | Conceitualmente, restringimos a análise das Dívidas aos 3 grupos que mais afetam o fluxo de caixa de um clube. Na prática,. são as Dívidas que podem levar o Clube a dificuldades. São elas: BANCÁRIAS: Dívidas com Bancos e Pessoas Físicas que cobram taxas similares; OPERACIONAIS: São os Fornecedores, cujo maior parte vem de valores a pagar a Clubes pela aquisição de Atletas e Despesas Provisionadas, que são as parcelas de salários e Encargos a serem pagas no mês; IMPOSTOS: são os valores devidos de Impostos de longo prazo, equacionados ou não no Profut, e as Provisões para Contingência, visto que são potenciais problemas no futuro. Na conta de DÍVIDA TOTAL, excluímos apenas a parcela de Disponibilidades (Caixa), pois os demais Ativos, por mais líquidos que possam ser, conceitualmente ainda podem deixar de ser pagos, enquanto a Dívida necessariamente deve ser paga. INVESTIMENTOS | No balanço está junto do valor dos Atletas o Direito de Imagem. Quando está informado, excluímos do Permanente e lançamos no Realizável a Longo Prazo.
  • 8. 8 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Evolução das Receitas Brutas Totais* | R$ milhões Evolução das Receitas Brutas Recorrentes** | R$ milhões Receitas * Refere-se aos 27 clubes da análise ** Exclui as Receitas oriundas da venda de Direitos Econômicos de Atletas O Ano de 2016 apresentou crescimento de Receitas relevante, tanto na avaliação Total quanto sob a ótica de Receitas Recorrentes. Foram 20% em termos Totais – e esta avaliação exclui as Luvas pagas pelas emissoras de TV pelos Direitos de Transmissão de TV Fechada de 2019 a 2022 – e 28% quando tratamos os dados e excluímos a Venda de Atletas, considerando apenas o que é Recorrente. Os números são expressivos, especialmente se analisados no contexto macroeconômico Brasileiro, que vem de dois anos de recessão, com queda de PIB consecutiva em 2015 e 2016. Ou seja, está claro que a Indústria do Futebol tem um nível de resiliência que é visto em poucas indústrias, dado sua dinâmica associado a dois drivers estáveis: contrato de longo prazo com as TVs e a Paixão dos Torcedores, que garantem boas receitas de Bilheteria, contratos de Publicidade e mesmo o impacto nos contratos de TV Fechada.
  • 9. 9 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Evolução das Receitas Brutas Totais* | R$ milhões Evolução das Receitas Brutas Recorrentes** | R$ milhões Receitas | Tratamento a Valor Presente * Refere-se aos 27 clubes da análise ** Exclui as Receitas oriundas da venda de Direitos Econômicos de Atletas Mas, num País onde a inflação acumulada entre 2010 e 2016 foi de 49%, qualquer análise de longo prazo precisa considerar este efeito, pois a mudança de valor do dinheiro no tempo é bastante significativa. Na análise das Receitas comparamos a nominal com a real, trazendo a Valor Presente pelo IPCA as Receitas desde 2010. O que é positivo na análise é verificar que exceto por dois anos – 2014 nas Receitas Totais e 2013 nas Receitas Recorrentes – todos os demais anos as Receitas Consolidadas do Futebol Brasileiro* apresentaram crescimento acima da inflação. Isto confirma duas teses: i) as Receitas do Futebol estão descoladas do desempenho da Economia; ii) há uma volatilidade razoável nas Receitas. Ampliando um pouco esta análise, o crescimento médio anual (CAGR) entre 2010 e 2016 foi de 17% nas Receitas Totais a Valor Presente, e 10% nas Receitas Recorrentes a Valor Presente. Mas precisamos lembrar que em 2012 houve um reajuste significativo no valor das Cotas de Transmissão de TV do Campeonato Brasileiro, de maneira que esta análise precisa de uma segunda avaliação. Desta forma, se tomarmos o crescimento médio anual (CAGR) a partir de 2012, ano em que as Cotas aumentaram, temos que na Receita Total a Valor Presente o crescimento foi de 7%, enquanto que nas Recorrentes foi de apenas 2%. Ou seja, naquelas receitas em que os clubes são capazes de atuar mais diretamente (Recorrentes), a capacidade de crescimento no período, mesmo após um segundo reajuste nas Cotas em 2016, foi pequena, ainda que positiva, acima da inflação e considerando o cenário de recessão do País. Numa visão “copo meio cheio”, foi positiva; numa visão “copo meio vazio”, fizeram pouco. Na prática, nem tanto, nem tão pouco, pois a TV em 2016 teve impacto muito forte e puxou a média para cima. Dá para fazer mais que esperar a TV.
  • 10. 10 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Breakdown das Receitas Totais por Origem Comportamento das Receitas por Origem Receitas | TV, sempre ela.R$milhões R$milhões O crescimento de 20% de 2016 nas Receitas Totais foi impulsionado pelas Receitas com TV. Estas cresceram 38% em relação a 2015. Nesta conta tentamos excluir todas as Luvas pela renovação dos contratos com TV Fechada entre 2019 e 2022, mas infelizmente não conseguimos fazer este ajuste para todos os clubes, uma vez que esta não foi uma informação claramente disponível nos demonstrativos financeiros. Por isso, é claro supor que o crescimento efetivo de 2016 foi menor que 20% Importante dizer que além das cotas propriamente ditas, tanto a Globo como a Turner (Esporte Interativo), ainda despejaram R$ 545 milhões em Luvas, apenas nos valores informados, ressaltando que Atlético Mineiro, Cruzeiro e Vasco da Gama não informaram o valor de Luvas, que pode levar este número certamente a perto de R$ 700 milhões, considerando os valores dos demais. Além deles, o Palmeiras não recebeu Luvas em 2016., fez apenas um registro contábil, sem efeito caixa] Se a TV foi fundamental para o crescimento das Receitas, também teve relevância, como de costume, a Venda de Direitos de Atletas, que cresceu 20% em 2016. Mas esta não é Recorrente, então tende a ter uma dinâmica mais errática, ao mesmo tempo que os Clubes não deveriam considerá-la em seus Orçamentos, o que infelizmente não ocorre, As Receitas chamadas de “Outras” que incluem as partes Sociais dos Clubes, premiações por conquistas, entre uma diversidade grande de fontes, também cresceu de forma importante: 23%. Negativamente, a Bilheteria/Sócio Torcedor caiu 4% e Publicidade cresceu nominalmente apenas 1%, o que mostra o reflexo da situação econômica do País, mas também certa incapacidade dos Clubes de incrementar estas importantes fontes de Receita.
  • 11. 11 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Breakdown das Receitas Totais por Origem Comportamento das Receitas por Origem Receitas | Crescimento em diversas frentesR$milhões R$milhões Considerando isto, a TV aumentou sua presença no breakdown de Receitas, atingindo 49% do total, percentual acima do observado em 2012, quando do primeiro grande contrato de TV. Um item que merece destaque é a Venda de Direitos de Atletas, que de forma consolidada gira em torno de 12% das Receitas todos os anos, exceto em 2013, que teve uma presença mais relevante, ao mesmo tempo em que a Receita de TV sofreu queda. Acreditamos que nos números de TV de 2012 havia Luvas que não foram expurgadas por falta de informação, distorcendo de certa forma esta análise. Em geral, é uma composição com certa estabilidade, mas que ainda precisa desenvolver de forma mais consistente o segmento de Publicidade, ainda pouco representativo no bolo. Nunca é demais lembrar que tanto a receita com Publicidade como a de Bilheteria/Sócio Torcedor acabaram impactadas em 2015 e 2016 pela recessão econômica do período.
  • 12. 12 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Receita Total com TV Share e Concentração | 12 Clubes = 72,5% (73,7% em 2015) Receitas | Direitos de TV As Receitas com TV tiveram reajuste em suas cotas em 2016, já acordado quando da contratação. Ou seja, os clubes já sabiam desde 2012 que em 2016 haveria um reajuste da magnitude que houve. Logo, não se trata de gestão ativa dos Dirigentes de Clubes, mas alguns foram positivamente impactados por isto. O crescimento nominal foi de 38%, e mesmo o crescimento desconsiderando o efeito inflacionário, a variação entre 2015 e 2016 foi de 30%. Importante dizer que estas Receitas apresentaram crescimento médio anual real – acima da inflação – de 1,2%, ou seja, trata-se de uma Receita não só importante quanto ao montante, mas também quanto ao comportamento, que é estável e de baixíssimo risco. Diferente do que se costuma dizer, as Receitas de TV não geram concentração de renda, fenômeno que é usualmente chamado de “Espanholização”, referência ao fato de que Real Madrid e Barcelona concentram quase 60% das Receitas de TV no Futebol Espanhol, gerando uma enorme distorção de forças entre os clubes. No Brasil, os 12 clubes de maior receita de TV concentraram 72,5% destas receitas, sendo que o maior deles, o Flamengo, tem 10% do total, e a distância dele para o bloco seguinte é de 4 pontos percentuais. Vale destacar que há distorções impossíveis de serem corrigidas, como os dados de Cruzeiro, Vasco e Atlético Mineiro, que contabilizaram Luvas em 2015 e 2016 dentro das Receitas, sem destacá-las. R$milhões
  • 13. 13 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Evolução da Receita Anual | Reais x Dólares Comparativo | 2016 x Mediana do Clube Receitas | Venda de Direitos Federativos A Venda de Direitos Econômicos continua sendo relevante para os Clubes, mas mantém certa estabilidade ao longo dos últimos 3 anos, quando pensamos em valores em Dólares. É importante fazer esta consideração, porque o maior mercado consumidor é o Exterior, então é com base nessa referência que as negociações são feitas. Mesmo assim, em Dólares as Receitas cresceram 10% em 2016, e convertendo para Reais o aumento foi de 20%. São Paulo, Corinthians, Santos e Atlético Mineiro foram os maiores vendedores de atletas em 2016, com valores bem acima das medianas de venda no período 2010-2016. Ou seja, tiveram comportamento bem fora da curva, o que é um risco. Por que? Porque uma empresa vende “ativos” para solucionar problemas estruturais, enquanto os Clubes de Futebol vendem ativos para fechar seus fluxos de caixa. Quando não ocorre, o clube desmorona. Veja o exemplo do Internacional, que em 2016 vendeu valor 63% abaixo de sua mediana, e o resultado foi um ano fraco financeiramente, com reflexos esportivos desastrosos. É claro que não seremos "engenheiros de obra feita", questionando após o resultado. Difícil saber se haveria sucesso esportivo vendendo mais atletas antes, ou mesmo se existia atletas para serem vendidos. Aqui é uma questão de "política de gestão", que trabalha sempre com a venda, e quando não ocorre, as Finanças sofrem demais. R$milhões Comparativo | 2015 x Mediana do Clube
  • 14. 14 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Receitas | Venda de Direitos Federativos Temos aqui o acumulado em dois períodos: de 2010 a 2015 e depois de 2010 a 2016, e que mostra não apenas quem são os grandes vendedores de atletas, como também como eles se comportaram em 2016. O São Paulo continua sendo o maior vendedor de atletas do Brasil, e em 2016 ampliou a vantagem em relação ao Corinthians, que permanece na segunda posição. Na sequência, Internacional, Cruzeiro e Santos mantém suas posições entre os 5 primeiros, para depois haver um grande equilíbrio. Infelizmente, os clubes comemoram mas é um ranking ruim para o Futebol Brasileiro. Ao mesmo tempo que temos que admitir que a venda de atletas é componente fundamental na gestão dos clubes – somos formadores, ponto – deveríamos avaliar estas receitas à luz da realidade dos clubes. O movimento ideal é utilizar essas receitas, que a despeito de se repetirem não são líquidas e certas, apenas para serem utilizadas como fonte de recursos para renovação de elenco. Vende-se ativo para comprar ativo. Entretanto, note que nenhum dos 5 maiores vendedores possui uma saúde financeira tão confortável que possa sobreviver sem estas vendas, o que é ruim em termos de gestão. Vende-se um atleta que desempenha bem – caso contrário não seria vendido – e utiliza-se o dinheiro para pagar salários e fechar buracos de caixa, eventualmente reforçando elenco com atletas de desempenho incerto. Participação no Total de Venda de Direito Federativo
  • 15. 15 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Receitas estabilizaram em termos nominais ...mas perdeu da inflação em 2015 Receitas | PublicidadeR$milhões Com dois anos de profunda recessão, nada mais natural que o Futebol sentisse este efeito nas pontas que se juntam ao consumo, que são Publicidade e Bilheteria. Ou seja, Receitas que vem dos Torcedores. Desta forma, devemos analisar estas Receitas sob algumas óticas. Quando acompanhamos o comportamento descontado a inflação, vemos que com exceção de 2011 e 2013, o desempenho é bastante modesto, para não dizer medíocre. Numa outra esfera, quando comparamos ao total movimentando no Setor Publicitário Brasileiro, o Futebol continua sendo um meio de pouco apelo, mantendo inexpressivos 0,42% do bolo publicitário. Ou seja, as alternativas são claras: ou o Futebol não vende, ou o Futebol se vende mal. Agora, acompanhando o cenário econômico dos dois últimos anos, é natural vermos queda nos valores reais de Receita com Publicidade. O mercado ficou mais difícil e os valores sofreram retração. E ainda há um detalhe que torna esta conta ainda mais dura: a Crefisa respondeu em 2015 por 12% de todas as Receitas com Publicidade nos Clubes e aumentou participação para 17¨,6% em 2016. Ou seja, se desconsiderarmos ela da conta, as Receitas teriam caído, nominalmente, 4%. Ou seja, temos uma composição explosiva e os Clubes precisam fazer algo diferente para sair dessa espiral negativa.
  • 16. 16 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Flamengo e Corinthians recorrentes; Palmeiras crescendo de forma desproporcional Receita de Publicidade x Torcedor (Base Ibope 2014) | R$/Torcedor/Ano Publicidade | Detalhe por Clube R$ milhões Aqui nenhuma novidade em relação a 2015: Palmeiras, Flamengo e Corinthians abocanham a maior parte das Receitas de Publicidade do Futebol Brasileiro, em termos de clubes. Juntos, representaram 41% do total em 2015 e aumentaram a presença para 43% em 2016. E dado os novos acordos do Flamengo, devem superar esta marca em 2017. Alguns clubes até melhoraram suas posições, como Atlético Mineiro e São Paulo, ao mesmo tempo que o Vasco sofreu bastante jogando a Série B. Mas especialmente São Paulo e Vasco, clubes de Torcida e força semelhantes aos 3 primeiros, deveriam apresentar resultados melhores. No gráfico de baixo vemos a relação entre Receita com Publicidade e Torcida, comparando-os de forma a definir qual o valor supostamente recebido por torcedor. Obviamente que esta não é uma relação direta, especialmente porque no Brasil ainda se analisa retorno Publicitário pela exposição da marca – tempo e audiência de TV– e não através do apelo à fidelidade e lealdade do torcedor à marca, ações capazes de entregar mais tanto ao clube quanto ao Patrocinador. Mas na conta mais simples, veja que há uma enorme discrepância entre o que se paga “por torcedor Palmeirense” em relação ao que se paga aos demais clubes. Deveria servir de referência para que os demais clubes buscassem elevar suas receitas. Afinal, ainda há quem acredita no Futebol. Falta aos clubes saber encontrar os parceiros que tenham a mesma visão. * Milhões de torcedores apurados na pesquisa Ibope de 2014
  • 17. 17 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Evolução das Receitas... Receitas | Bilheteria e Sócio Torcedor ...e sua composição, em valores nominais. R$ milhões Mais uma receita que sofreu com a crise econômica, as “receitas de jogo” – em inglês é o chamado “matchday”, mas que inclui além dos ingressos o consumo dentro dos estádios – sofreram queda de 4% nominal e 10% real. Em termos reais é uma receita que já sofre desde 2014. Pela abertura disponível, que é inferior à desejável, pois alguns clubes não apresentam detalhamento entre Bilheteria e Programa de Sócio Torcedor, percebemos que em 2016 houve queda nas receitas de Bilheteria (ingressos avulsos) e no Sócio Torcedor. Ainda assim, manteve-se praticamente inalterada a distribuição entre ambos, com ligeira predominância de Sócio Torcedores. Fato é que, num momento de recessão, há encolhimento na demanda e consequentemente no ticket médio, conforme a tabela ao lado, em que observamos queda de Público e de Ticket Médio no Brasileiro de 2016. Dados corrigidos pelo IPCA para moeda corrente de 2016.
  • 18. 18 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Receita de Bilheteria | Comparativo por Clube Não observamos grandes alterações na divisão de receita entre Bilheteria e Sócio Torcedor no clubes em 2016 frente a 2015. Há oscilações em praticamente todos os clubes, mas nada que mude a estrutura. Nos parece que o modelo de Sócio Torcedor merece uma reflexão, independente do resultado apresentado em 2016, cuja influência do cenário macroeconômico é inegável. O programa nasceu para ser uma versão Brasileira do Season Ticket Europeia, onde os torcedores compram as entradas da temporada toda, e cuja dinâmica consagrada permite ações como revenda, onde torcedor e clube se beneficiam. Até hoje funcionou bem, e é melhor sempre que há a conjunção de dois fatores: i) bom desempenho da equipe; ii) estádio com capacidade reduzida. Mas jamais se desenvolveu de forma consistente além de um modelo de venda antecipada de ingressos. Na medida em que os torcedores se tornam mais exigentes e que o clube não desempenha bem, ou tem um estádio de maior capacidade que o ideal – desequilíbrio entre oferta e demanda – o simples acesso ao ingresso é um incentivo insuficiente para manutenção no programa. Ou seja, é preciso trazer mais benefícios. Para isto, os clubes precisam se apoiar em soluções estratégicas, pesquisas junto aos torcedores que tragam as demandas e necessidades, de forma a ampliar estas ações e tornar o programa mais efetivo. R$milhões
  • 19. 19 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Sócio Torcedor | Relevância Este gráfico complementa o anterior, e destaca os clubes que se aproveitam melhor do programa de Sócio Torcedor. Claramente os aspectos levantados na página anterior se refletem aqui. Vale lembrar que na análise “Earnings Preview & Outras Análises” apresentamos dado semelhante, porém baseado nos borderôs dos jogos. É possível que haja diferença entre aquela e esta informação, pois os borderôs não deixam claro a diferença entre os ingressos Avulsos e os de Sócios Torcedores, ao mesmo tempo em que nos balanços não é possível abrir todas as informações.
  • 20. 20 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Concentração Estável… …mas nominalmente, diferença aumentou. Receitas | Concentração Acompanhando o movimento visto em 2015, observamos aumento na concentração de renda nos 5 maiores faturamentos do Futebol Brasileiro, mas nada significativo. O aumento observado foi de 1 ponto percentual, de 42% para 43%. O que chama mais a atenção, entretanto, é a queda de participação do segundo bloco, que vai do sexto ao décimo do ranking, que saiu de 29% para 26%. Além de ver a distância para o pelotão principal aumentar, viram também os grupos 3 e 4 crescerem. Isto significa que a distância do Grupo 1 para o Grupo 2 aumentou cerca de R$ 250 milhões, quanto do Grupo 2 para o Grupo 3 caiu cerca de R$ 110 milhões. Isto, na prática, torna a distância do pelotão principal para os demais consideravelmente maior, em valores absolutos. Naturalmente, o crescimento substancial das Receitas do palmeiras em 2016 contribuiu para este maior distanciamento. Ainda não há motivo de preocupação, mas os clubes abaixo do Grupo 1 precisam ficar atentos e buscar novas fontes de Receitas. R$milhões Deflacionada a Receita, os Menores cresceam mais.
  • 21. 21 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Custos, Despesas e o EBITDA | Recorrentes em QuedaEBITDAMargemEBITDACustosXReceitas Até aqui vimos o que levou as Receita a crescerem 19% em 2016. Vamos para o que nos preocupa: os Custos. Estes apresentaram crescimento de 21% (gráfico "Custos X Receitas") no ano passado, ou seja, acima da variação das Receitas – lembrando, nas Receitas não consideramos as Luvas de TV para quem foi possível excluí-las. Ou seja, se conseguíssemos excluir todas as Luvas, significa que a Receita teria sido menor, e consequentemente a Relação Custo/Receita teria sido maior, e o EBITDA menor. Veja no segundo gráfico, onde apresentamos as Margens. Caíram de 21% para 19% em termos Totais, e de 9% para 8% em termos Recorrentes. Falando em Recorrência, o EBITDA Recorrente em 2016 foi 18% menor que o de 2015, mais um aspecto que mostra que as Receitas foram consumidas com aumento de Custos. E se as receitas estivessem corretamente descritas, certamente este número seria menor. O que nos faz crer que, sob o ponto-de-vista Operacional, os Clubes realmente gastaram os recursos adicionais de TV – a receita que efetivamente aumentou – e da venda de Atletas em aumento de Custos. Lembrem-se que o EBITDA é a referência de sobra de recursos para fazer Investimentos, pagar Juros e Dívidas Bancárias e Tributárias. O grande problema, como sempre ressaltamos, é que as receitas podem deixar de vir, especialmente as de Venda de Atletas, Bilheteria e Publicidade. Por isso a análise do EBITDA Recorrente é tão importante, e na sequência aprofundaremos mais sobre este tema.
  • 22. 22 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 EBITDA Total EBITDA| O Efeito de Flamengo e Palmeiras Aprofundando ainda mais a análise, buscando outras óticas, vemos que a dupla que comanda o Futebol Brasileiro sob o ponto-de-vista Financeiro vem, há dois anos, sendo responsável por mais de 1/3 da Geração de Caixa Total dos Clubes Brasileiros. Esta sim uma concentração importante, porque mostra quem tem efetivamente sobra de caixa para pagar suas Dívidas e, especialmente, fazer Investimentos. Note que em termos de Receitas os clubes representam perto de 20%, o que confirma os dados anteriormente apresentados em termos de Concentração. Mas a boa gestão de Custos e Despesas possibilitou aos dois clubes uma sobra de caixa que os torna mais poderosos na disputa por atletas. Palmeiras e Flamengo estão, definitivamente, em outro patamar em relação aos demais Clubes. R$milhões Palmeiras e Flamengo nas Receitas e EBITDA R$Milhões
  • 23. 23 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Comportamento do EBITDA Recorrente | 2014 / 2015 / 2016 O gráfico acima apresenta o EBITDA Recorrente dos clubes em 2014, 2015 e 2016. Claramente vemos que Palmeiras e Flamengo destoam dos demais Clubes. Numericamente falando, em 2015 se excluíssemos esses dois clubes da conta, o EBITDA Recorrente teria sido de R$ 24 milhões. Já em 2016 esta conta é de R$ 29 milhões. Ou seja, além de maiores, são mais robustos, pois a grande parte de sua Geração de Caixa é recorrente. Em 2015 representou 91% do Total e em 2016 foi de 86%. EBITDA Recorrente sem Palmeiras e Flamengo
  • 24. 24 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Mais dinheiro, mais Investimentos… ...e as categorias de base crescem, timidamente. Investimentos R$milhões Os Investimentos Totais cresceram 42%, e consumiram toda a Geração de Caixa e mais um pouco. Diferente do que vimos em 2015, quando apenas 84% do EBITDA foi usado para Investimentos, em 2016 foram utilizados 106% do EBITDA, em termos Totais. Mas como não dá para usar mais do que se tem, isto significa que os Clubes tiveram que utilizar recursos extraordinários para completar o caixa e fazer Investimentos. Na prática, utilizaram as Luvas de TV e, opcionalmente, se financiaram com Clubes vendedores de Direitos ou mesmo com Bancos, uma vez que a porteira do atraso de Impostos foi fechada com o Profut. Se em 2015 direcionaram cerca de 57% dos Investimentos para o Elenco Profissional, em 2016 subiu para 63%, mostrando que efetivamente a sobra de recursos é destinada a reforçar elenco, à medida em que reforçar significa comprar direitos de atletas. O aumento foi de 58%! As categorias de Base caíram de 18% para 15% na proporção de Investimentos, ainda que tenha visto o montante de recursos destinados a ela aumentar em 15´%. Na próxima página veremos que este número é maior, mas fica “escondido” entre outros dados. A notícia é boa. As estruturas continuaram melhorando, mas de 25% passaram a 22% do Total.
  • 25. 25 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Investimento por Clube | R$ milhões Últimos Anos na Base | 84% do Total Investimentos |Categoria de Base Reavaliamos nossa maneira de apresentar os Investimentos em Categoria de Base, adicionando à conta a parte dos Custos que não é transferida para o Ativo Intangível. Ou seja, custos correntes que não são ativados. Infelizmente, esta é mais uma informação difícil de ser apurada em todos os clubes, por que muitos não apresentam em detalhe o que foi gasto corrente de base, lançando junto com os gastos correntes dos profissionais, Desta forma, vemos que o que foi aportado na Base é maior que os dados “oficiais”, que estão demonstrados no fluxo de caixa dos clubes. Há uma parte de “investimentos” que consome EBITDA. Assim, o número de 2016 salta de R$ 127,8 milhões para R$ 211,9 milhões, e certamente é maior que este, pois, como dissemos há pouco, alguns clubes não detalham estes custos. É um alento, pois vemos mais recursos direcionados ao tema, fundamental para a sustentabilidade do futuro dos clubes.
  • 26. 26 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Investimentos / EBITDA De onde vem o dinheiro Investimentos | De onde vem o dinheiro Já vimos que o EBITDA é o montante utilizado como referência para Investimentos, pagamentos de Juros e Dívidas. E que, exceto em 2015, nos demais anos da primeiro gráfico os Clubes investiram mais que o EBITDA; Logo, para fechar a conta tiveram que se endividar de alguma forma. No segundo gráfico tentamos encontrar a origem destes recursos. Note que quando retiramos o valor de Investimentos do EBITDA o resultado da conta é negativo em R$ 134 milhões. Ao compararmos com as fontes mais usuais, vemos que a Dívida Bancária também caiu R$ 111 milhões. Ou seja, não foi desta fonte que veio o dinheiro. Então, vemos que as Dívidas Operacionais, onde parte relevante delas é a conta de Valores e Pagar a Clubes, aumentou R$ 88,7 milhões. Ainda assim, insuficiente para fechar a conta. Logo, o que sobra são as Luvas de TV! Foi daí que veio o complemento para Investir e pagar Dívidas Bancárias. Avaliando pragmaticamente, se deduzirmos o crescimento de Dívida Operacional do valor que é negativo de Investimentos, foi necessário usar R$ 45 milhões das Luvas (R$ 88,7 (-) R$ 134 = R$ 45). Mas isto virou uma Dívida para 2017, quando não haverá Luvas para salvar ninguém.
  • 27. 27 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Dívidas x EBITDA Dívidas Evolução Temos em 2016 um momento em que as Dívidas permaneceram praticamente estáveis. O destaque foi a queda nas Dívidas Bancárias, em boa parte por uso das Luvas de TV. Quanto aos Impostos, o crescimento na prática é mera correção das Dívidas renegociadas no Profut, que ainda não iniciaram seu pagamento mais efetivo. E as Dívidas operacionais cresceram por conta do Financiamento à aquisição de Direitos Esportivos e porque os Custos cresceram. Nesta conta, lembrem- se, há salários correntes. Uma relação que se faz comumente é entre as Dívidas e o EBITDA, que em tese – muito em tese – mostra a capacidade de pagamento dessas dívidas. Quanto menor for a relação, mais facilmente o clube – ou a empresa – podem liquidar suas obrigações. A manutenção das dívidas e do EBITDA apontam relação estável, mas ainda elevada. E o grande problema é que neste quesito, ainda mais que em outros, a avaliação da indústria esconde fragilidades que mostraremos mais a frente. R$milhõesR$milhões
  • 28. 28 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Dívidas Tributárias Dívidas Bancárias Dívidas | So far, so goodR$milhões R$milhões Por aqui, boas notícias. As Dívidas Tributárias, cuja maior parte foi renegociada no âmbito do Profut, cresceram pouco, basicamente a correção da parcela que foi incorporada ao principal da Dívida. Tudo dentro da normalidade, E esperamos que assim permaneça. No lado das Dívidas Bancárias, o resultado geral foi bom, em função da redução. Mas, convenhamos, num ano em que entraram cerca de R$ 700 milhões de forma extraordinária através das Luvas da TV, a redução global de pouco mais de R$ 100 milhões foi quase imaterial. Era possível fazer mais e dar mais fôlego aos Clubes.
  • 29. 29 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Dívida Bancária / EBITDA Recorrente Dívidas | Alavancagem Relação com o EBITDA No gráfico em que mostramos o cenário consolidado, vemos que as Dívidas Bancárias não são as maiores ofensoras da Alavancagem. Com 1,9x o EBITDA, é uma relação administrável, ainda que seja consolidada. O fato é que a Indústria não deve exageradamente, mas também temos que lembrar que o EBITDA é bastante volátil, e esta relação pode se deteriorar rapidamente. O que pesa mais é a Dívida com Impostos, mas esta está alongada por 20 anos, ou seja, deveria estar equacionada ao fluxo de caixa. No caso a caso, os casos em “verde” tem a melhor relação entre Dívida e EBITDA Recorrente e podem se sentir confortáveis. “Amarelos” precisam de um esforço e “vermelhos” ou sem índice – tem EBITDA Recorrente negativo – precisam urgentemente se organizar. Mas por que perder a oportunidade de 2016?
  • 30. 30 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Hipótese Dá. Para Poucos. PROFUT | É possível pagá-lo? Aqui trouxemos um exercício comparando a parcela a pagar do Profut, que inclui principal e juros, ao EBITDA Recorrente dos Clubes em 2016. Esta conta leva em consideração o saldo de Dezembro/16, parcelado em 19 anos, com correção pelo CDI estimado de 10% ao ano, e considerando juros sobre parcela. E para tentar evitar movimentos pontuais, utilizamos a média de EBITDA dos últimos 3 anos. Assim sendo, alguns poucos clubes serão capazes de pagar as parcelas do Profut se a situação se mantiver como a apresentada. Apenas os marcados em “verde”* podem dizer que possuem situação confortável. Os que não estão marcados dependem de venda de Atleta para fechar a conta, o que não é exatamente uma política saudável de gestão. E os negativos precisam correr para se ajustar. E dá tempo, pois até 2019 as parcelas são menores que esta do exercício, pois parte foi transferida para o final, justamente para dar tempo aos clubes de se ajustarem. Farão o ajuste ou seguirão contratando? *Usamos como referência consumo de até 50% do EBITDA como sendo aceitável.
  • 31. 31 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Dívidas | Operacionais R$milhões Nas Dívidas Operacionais o que vemos é o crescimento de Fornecedores, em função de aquisições de atletas comprados de forma parcelada. Nas Despesas Provisionadas o aumento vem do aumento dos Custos, uma vez que estão associadas ao salários e encargos dos atletas. Em Resumo As Dívidas não chegam a ser um problema incontornável, mas precisam ser tratadas com mais atenção. Os clubes perderam uma oportunidade de ouro de se organizarem, reduzirem passivos e pensarem no fluxo de caixa futuro, ao não utilizarem a geração de caixa e as Luvas. As Dívidas Bancárias são aceitáveis para alguns, mas elevadas para a maioria. Os Impostos estão alongados, mas como o volume é grande, é preciso preservar o fluxo de caixa para pagá-los. E as Operacionais, especialmente Fornecedores, representam obrigação de hoje jogada para ser paga amanhã. A conta chega. E os Clubes não entenderam, ou não querem entender.
  • 32. 32 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 32 Exercício de Fluxo de Caixa Livre | Porque não Sobra Dinheiro
  • 33. 33 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 O que é? Valores GASTOS TOTAIS e FLUXO DE CAIXA LIVRE Proporção As análises econômico-financeiras são instrumentos flexíveis de avaliação, baseados em estruturas rígidas, os demonstrativos financeiros. E são flexíveis porque devemos adotar variações e novas possibilidades dependendo da indústria que estamos acompanhando. No caso da Indústria do Futebol, temos buscado aplicar conceitos simplificados, utilizados para outras Indústrias, especialmente as do Setor de Serviços. Ocorre que nesses anos de relatório percebemos que algumas avaliações apresentadas não abarcaram todas as variáveis de um Clube de Futebol no que diz respeito à análise do Fluxo de Caixa. Buscando o aprimoramento da avaliação passaremos a trabalhar com o conceito de Fluxo de Caixa Livre, adaptado à realidade do Futebol. O Fluxo de Caixa Livre inclui em sua composição algumas despesas que são tratadas usualmente como Investimentos, bem como outras que são mandatórias mas costumam ficar fora do radar, como as Despesas Financeiras e o Pagamento de Impostos Parcelados. Nesse caso, é fundamental passarmos a inclui-lo na conta, uma vez que a maioria dos clubes terá obrigações oriundas do Profut. Num Clube de Futebol, os Investimentos em Categorias de Base e na Formação de Elenco (contratação de atletas) é praticamente mandatório, e contribui de forma significativa no aperto de caixa apresentado por eles ao longo do ano. Muitos clubes gastam a folga de caixa no início do ano e isto causará problemas de liquidez, que por sua vez geram atrasos de salários e impostos. Resumidamente, o Fluxo de Caixa Livre será o resultado da soma entre Receitas Líquidas, Custos e Despesas, Investimentos em Base, Aquisição de Atletas e Despesas Financeiras. A partir de 2019, quando o Profut entrará em pagamento integral, incluiremos o pagamento dessa dívida na conta. Crescimento em 2016: 23%!
  • 34. 34 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Receita Total X Gastos Totais Comportamento das Contas – Variações Anuais Gastando por conta Geração de Caixa Livre Esta conta deixa claro que 2016 foi o ano em que as Luvas de TV salvaram os Clubes. Quer dizer, foi o ano em que os Clubes gastaram por conta, em função das Luvas. O fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 355 milhões. Se considerarmos que os foram pagos cerca de R$ 111 milhões em Dívidas Bancárias, então este número vai para R$ 466 milhões. Ou seja, tiveram que buscar em algum lugar e este lugar foram as Luvas das TVs. Nesta conta deixamos de fora os Investimentos em Estrutura, tentando observar apenas o que é operacional. Mas se estes foram somados - montaram R$ 191 milhões no ano passado - a gera R$ 546 milhões. Isto é praticamente o valor de Luvas, como vimos no capítulos dos Direitos de TV. Ora, ao se ver com dinheiro nas mãos, os Dirigentes optaram por gastá-lo na atividade, ao invés de utilizá-lo para organizar as gestões. Mais uma vez, a máxima que usamos há alguns anos se repete: dinheiro na mão é vendaval.
  • 35. 35 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Fluxo de Caixa Livre por Clube São poucos os Clubes que conseguiram apresentar Fluxo de Caixa Livre positivo em 2016, e o destaque, como tem sido o costume, foi o Flamengo. Neste momento não entramos no uso do recurso e como se converte em qualidade esportiva, mas dá a dimensão de que o ajuste se converterá em possibilidades substancialmente melhores, desde que haja cuidado com as finanças e desapego ao cargo. Destaque merecido ao Atlético Mineiro, mas com uma ressalva: o Clube não informou o valor das Luvas, de forma que ele está impactando positivamente esta conta. É possível que este número fosse negativo caso as Luvas tivessem sido informadas. Portanto, ressalvas relevantes. E clubes regionais, e bem geridos, como Atlético Paranaense, Bahia, Goiás e Vitória merecem destaque, assim como o Botafogo, que precisa se ajustar face os desafios que terá pela frente, quando o Profut começar a vencer.
  • 36. 36 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 36 Clubes | Análises Individuais
  • 37. 37 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Alguns Conceitos Básicos Ao avaliar os Balanços e Demonstrativos de Resultados dos Clubes nos deparamos com algumas repetições de ações e comportamentos que entendemos merecer uma breve introdução, pois facilitará o entendimento. O primeiro aspecto que merece destaque é o que chamamos “Clube Regional”. Não há demérito nisso. Fazemos esta identificação pois notamos que há características econômico-financeiras que permeiam alguns clubes. Quando separamos estes clubes percebemos que tratam-se de times com menor alcance de torcida, normalmente de Estados menores em termos econômicos e que por isso mesmo se notabilizam por ter Receitas menores e erráticas, ao mesmo tempo em que possuem condição econômico-financeira mais equilibrada, atuando dentro de suas possibilidades, sem dívidas, mas com poucos investimentos. Um movimento que percebemos nos fluxos de caixa dos clubes está associado aos Recursos oriundos das Cotas de TV. Em geral, quando um clube não faz adiantamentos, as receitas com Cotas de TV são a única entrada de caixa deste assunto. Entretanto, repete-se com frequência o uso dos Adiantamentos dessas Cotas para fechar o caixa, de forma que na variação de NCG (Necessidade de Capital de Giro) vemos entradas de recursos por conta desses adiantamentos. Neste ano observamos que esta conta apresenta saída de caixa. Acreditamos que esta movimentação seja o reflexo dos Adiantamentos recebidos no passado. Ou seja, seria uma espécie de redutor da Receita de TV. Veremos isto em vários clubes. Há também o que chamamos de Fontes Operacionais de Financiamento. Será muito comum vermos entradas de caixa na NCG fruto do aumento da conta Fornecedores, que em geral é pagamento parcelado da aquisição de atletas. A contrapartida dessa conta é o Investimento em Formação de Elenco, pois o clube fez a aquisição mas ainda não pagou. Ou seja, em algum momento terá que pagar e a efetiva saída de caixa se consumará. Problema empurrado para o futuro. Outro aspecto que precisa ser avaliado é o da Geração de Caixa (EBITDA) e dos Investimentos. Entendemos que há um equívoco na forma como os Clubes, amparados pelo código contábil, classificam os custos com Categorias de Base e Investimentos em Atleta. Ao serem considerados como Investimentos, não transitam por Resultado. Desta forma, não compõem o EBITDA, o que muitas vezes da a sensação de que o clube está gerando muito caixa, quando na verdade parte relevante desse caixa já foi utilizado na manutenção de atividades das Categorias de Base ou mesmo na contratação de Atletas. Assim, a análise fria leva ao erro de acreditar numa eventual Geração de Caixa, que na prática não houve, pois parte desses gastos são recorrentes e necessários para a performance do clube. E para finalizar precisamos relembrar que estes balanços apresentam algumas contabilizações que entendemos precisarem de ajustes, e por isso fazemos reclassificações de contas. Esta é a base de nossa análise: reclassificar as contas para que haja coerência e possibilidade de comparação. Isto significa fazer exclusões, mudanças de linhas e muito das nossas conclusões está baseado nas movimentações contábeis e avaliação dessas. Então, vamos aos números.
  • 38. 38 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 América Futebol Clube
  • 39. 39 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosValorPresenteCustos&Despesas Receita dobrou em 2016 por conta do aumento da Cota de TV, uma vez que subiu da Série B para a Série A. Demais linhas se mantiveram estáveis, exceto Venda de Atletas, que caiu substancialmente, mostrando seu caráter não-recorrente. Valores em R$ milhões Há uma distorção clara em função do clube retornar à Série A em 2016, e por conta do pouco histórico. O aumento de Receitas não significou gastar mais do que arrecadou, ao menos em termos operacionais. Depois de dois anos com EBITDA negativo, em 2016 a conta foi positiva e relevante. CAGR Receita Recorrente a VP: 87%
  • 40. 40 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida Aparenta haver algum ajuste de Adiantamento de TV, mas não há detalhes a respeito no balanço. Ao mesmo tempo, o clube vendeu terreno e está recebendo valores parceladamente. Aplicou R$ 6 milhões na Formação de Elenco para a temporada 2016. Para as outras linhas de investimento não há informação. O clube aproveitou a sobra de recursos e reduziu a Dívida Bancária, numa atitude bastante correta. Impostos cresceu por correção do Profut e no total a Dívida apresentou redução. Valores em R$ milhões
  • 41. 41 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência América Futebol Clube Índice de Eficiência A vida como ela é Clube regional, de pouca torcida, depende muito da gestão esportiva e de controle financeiro para poder atuar na Série A. Mas sua dinâmica, a despeito da história, é a que vimos recentemente: um vai-e-vem entre as Séries. O Índice de Eficiência apresentou deterioração por conta do rebaixamento. Mas dentro das possibilidades, o América Mineiro fez o que era possível, focando na redução de Dívida e trabalhando dentro de suas possibilidades. Para vôos mais altos, precisa necessariamente de um política mais robusta em termos esportivos e tentar alavancar outras Receitas, o que é difícil estando num mercado limitado dividido por dois gigantes.
  • 42. 42 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 América Futebol Clube Balanço auditado por Mário Tércio Giori Guimarães
  • 43. 43 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Clube Atlético Mineiro
  • 44. 44 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosValorPresenteCustos&Despesas Um disclaimer importante é dizer que as Luvas de TV estão contidas nas Receitas de Direitos de TV, pois o Clube não informou em seu Balanço. Ainda assim, cresceram 29%, om crescimento de TV (13%) e especialmente Publicidade (94%) e Bilheteria (24%). E o crescimento de 159% em venda de Atletas faz uma diferença importante na conta. Não é possível avaliar o que será de 2017, mas o fato é que sem Luvas e com Venda de Atletas dentro do histórico, o clube vai precisar se desdobrar para buscar novas fontes de Receitas. O crescimento real das Receitas Recorrentes tem sido sempre acima da inflação, desde 2012. Para isso é fundamental lembrarmos que as Luvas de TV estão contidas nestes valores, mas que o clube apresentou bom desempenho de Bilheteria e em alguns anos de Publicidade. É bastante boa a performance do clube nesse sentido. Em contrapartida, como nem tudo é sempre bom, os Custos e Despesas cresceram mais que as Receitas Totais e Recorrentes. Isto se reflete no menor EBITDA de 2016, tanto Total como Recorrente, que foi praticamente zero. Isto mostra que o bom desempenho de receitas acaba vertido necessariamente para mais gastos com salários, advindos de contratações e renovações. O fato do clube ser dono de parte de um Shopping Center ajuda nessa gestão desenfreada dos Custos e Aquisições. Mas até quando? Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 12%
  • 45. 45 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida Comportamento sem grandes destaques nas contas de giro. Houve uma entrada de R$ 9 milhões que são financiamentos das aquisições e aumento das Despesas Provisionadas, mas dentro da normalidade. O clube voltou a abrir o caixa e investiu cerca de R$ 39 milhões em aquisições de atletas. Continua investindo pouco na Base e quase nada em estrutura. A Dívida Total cresceu, mas os comportamentos foram diferentes nos diversos tipos. As Bancárias foram reduzidas, o que é positivo, e as com Impostos cresceram, mas por correção do Profut. Destaque negativo mesmo foi o aumento das Operacionais, cujo parte é financiamento de aquisições e parte relativa ao aumento de Custos com salários. Valores em R$ milhões
  • 46. 46 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Decifra-me Clube Atlético Mineiro O Atlético Mineiro é uma incógnita. Até quando se sustentará numa política agressiva de contratações de Gastos elevados? Num ano com boas entradas de caixa por Luvas e Venda relevante de Atletas, manteve as Dívidas e investiu consideravelmente. Isto tem mantido o clube nas primeiras posições dos campeonatos, mas não há reversão sustentável em aumento de Receitas, que exceção à de TV, são erráticas. Ser dono de um Shopping Center certamente ajuda com receitas adicionais, mas também na captação de Dívidas Bancárias. Nenhum clube sustenta um situação com Dívidas Bancárias da ordem de R$ 180 milhões sem o suporte de um ativo de qualidade como o Shopping Diamond Mall. O Índice de Eficiência do Clube se deteriorou em 2016, porque houve mais gastos e as conquistas não vieram na mesma proporção do aumento. É uma política perigosa mas que tem sido sustentada. Para 2017 não vemos a mesma robustez, exceto se continuar vendendo atletas e se apoiando no Shopping Center. Não há novos saltos de receitas e a realidade de custos continuará certamente pressionando. Mas até quando vamos afirmar que o Clube terá problemas, e ele sempre escapando como o antigo personagem Leão da Montanha, saindo estrategicamente pelos lados do campo?
  • 47. 47 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Clube Atlético Mineiro Balanço auditado por Soltz, Mattoso e Mendes
  • 48. 48 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Clube Atlético Paranaense
  • 49. 49 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente Receitas cresceram 14%, fortemente suportadas pela TV, que cresceram 79%. Das demais Receitas, Publicidade sofreu bastante, caindo 40%, assim como venda de Atletas (-44%), mostrando seu perfil não- recorrente. As demais são menos relevantes, de forma que o impacto geral foram este crescimento de 14%. O que chama a tenção no clube é a constante evolução do EBITDA Recorrente. Veio melhorando em 2014 e 2015 e finalmente em 2016 operou no positivo, ainda que num valor modesto. Mostra claramente a menor dependência de venda de atletas, que de fato ocorreu em 2016. Os Custos cresceram acima das receitas, mas não descolaram muito. Muito positiva a gestão do clube, que precisa se organizar para pagar o estádio e o Profut. Depois de um ano bastante ruim, as Receitas Recorrentes se recuperaram bem em 2016. Mas, de fato, 2015 foi um ano atípico, uma vez que as Receitas Recorrentes crescem substancialmente acima da inflação com alguma tranquilidade. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 11%
  • 50. 50 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida As contas de giro se comportaram dentro da normalidade, sem destaques. O clube finalizou investimentos em Estrutura, no total de R$ 55 milhões. Por conta disso sua dívida bancária aumentou. Demais investimentos foram módicos. A Dívida relevante do clube é com a Arena da Baixada. As demais dívidas são comportadas ou realmente baixas, mostrando que a gestão é consistente. Mas terá um trabalho quando esta dívida começar a vencer, e certamente isto tende a apertar o fluxo Valores em R$ milhões
  • 51. 51 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Preparando o terreno para dias difíceis Clube Atlético Paranaense A Atlético Paranaense continua sendo uma equipe bem organizada sob o ponto-de-vista financeiro. O que não significa que seja exemplar ou não tenha ajustes a serem feitos para enfrentar momentos mais duros nos próximos anos. Nos parece que o clube tem uma visão clara de seus movimentos. Afinal, depois de anos passou a gerar caixa em termos recorrentes, e isto tende a mudar o patamar da equipe, uma vez que vendas podem ser usadas de forma independente do fluxo de caixa cotidiano. Mas ainda há desafios, pois a geração de caixa pura e simples é insuficiente para honrar as demandas do financiamento da Arena da Baixada. O clube precisará necessariamente ampliar as rendas geradas pelo estádio ou usar de forma mais clara as vendas de atletas para fazer frente a estes passivos. O problema, como sempre, é a dificuldade em prever estas receitas. E se não ocorrerem? Sem contar que em 2016 houve Luvas que ajudaram a compor as demandas de caixa. Para isso é preciso um plano pragmático e claro, com fontes bem definidas e controle de custos ordinários. O Índice de Eficiência do clube já mostra uma boa evolução, ao conseguir conquistas com pouco recurso. Para 2017 a realidade tende a ser parecida com a de 2016: receitas estáveis, a depender de quão longe forem na Libertadores, e custos precisam se manter controlados. As contas mais salgadas estão chegando e é preciso cuidar delas.
  • 52. 52 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Clube Atlético Paranaense Balanço auditado por BDO
  • 53. 53 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Avaí Futebol Clube
  • 54. 54 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente A realidade do Avaí em 2016 foi bem diferente de 2015. Ao jogar a Série B o clube viu cair em 35% as Receitas, fortemente impactadas pela redução na cota de TV (-59%). O interesse do público e mesmo o tícket médio são menores, e isto explica a queda na receita com Bilheteria (-32%). As demais receitas são pouco expressivas e alterações tem pouco impacto. O fato é que o clube não conseguiu ajustar os custos à realidade da Série B, seja por efetivamente não conseguir reduzir contratos, seja porque optou por manter estrutura mais cara para tentar retornar à Série A, que de fato ocorreu. Mas o clube manteve desempenho operacional muito ruim, com EBITDA negativo em todas as medidas. O clube vinha bem, com aumentos constantes de Receitas, mas a queda para a Série B interrompeu esta trajetória, que deve retomar em 2017. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: -4%
  • 55. 55 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida O clube apresentou algumas entradas de giro que ajudaram a compensar a geração de caixa negativa. Nada de muito significativo, mas que no acumulado foram positivas. Os Investimentos foram modestos e condizentes com a realidade financeira do clube. Na prática, não parece fazer contratos de longo prazo, de forma que o investimento no elenco se encerra ao final de cada temporada e entra basicamente como Custo. As Dívidas se mantiveram praticamente estáveis. Valores em R$ milhões
  • 56. 56 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Dançando conforme a música Avaí Futebol Clube O Avaí segue fazendo um trabalho bastante justo, considerando seu porte. Não há sobras, e quando houve, como em 2015, gastou mais do que pode. Em 2016 não foi diferente, e foi buscar em fontes operacionais formas de se financiar. É um comportamento arriscado. O ideal seria o clube buscar fontes mais estáveis de receitas, investir mais na base e controlar seus custos de forma mais firme. O Índice de Eficiência foi melhor em 2016, justamente porque retornou à Série A. É um bom índice, mas dado o modelo de gestão, tende a oscilar demais. É um típico azarão, que busca encaixar um bom elenco para se manter na Série A, o que faz com que dependa demais da gestão esportiva na montagem da equipe.
  • 57. 57 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Avaí Futebol Clube Balanço auditado por AudiBanco
  • 58. 58 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Esporte Clube Bahia
  • 59. 59 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasBrutasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaCustos&Despesas O Bahia apresentou crescimento de cerca de 17% nas Receitas, com oscilações em algumas linhas. O que se observa é a manutenção da dependência de Receitas com TV (58%) e um pequeno aumento da participação de Publicidade, saindo de 2% para 7%. Além disso, a venda de Direitos Econômicos (Transação de Atletas), cresceu quase 50% e passou a representar 15% das Receitas do clube. Positivamente, em termos de geração de caixa, o Bahia se comportou muito bem em 2015. Com incremento de Receitas e forte redução de Custos e Despesas, o clube conseguiu gerar caixa tanto recorrente como não recorrentemente. Nota-se claramente a redução nas Despesas com Folha de Pagamento, que inclusive sofreram forte queda na relação com as Receitas, de 77% para 50%, enquadrando-se assim nas métricas do Profut. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: -2%
  • 60. 60 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida Com a boa geração de caixa o clube não precisou de Adiantamentos. Pelo contrário, em termos de TV foram consumidos R$ 6 milhões de adiantamentos passados. Em termos de contas de Giro, houve forte ajuste nas Despesas Provisionadas, possivelmente impactados pela adesão ao Profut – estimamos que encargos trabalhistas foram colocados em dia e/ou alongados – e restou um valor a receber por venda de atletas. O clube investiu bom montante em Categorias de Base (R$ 7 milhões) e foi mais comedido na formação de elenco profissional. Atitude correta para quem participou da Série B. Valores em R$ milhões Todas essas movimentações teriam gerado impacto negativo (aumento) na Dívida, mas houve entrada de R$ 12 milhões referentes à venda de um terreno e isso contribuiu para que as Dívidas fossem reduzidas. Desta forma, todas apresentaram queda, fato bastante positivo.
  • 61. 61 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Colocando a casa em ordem Esporte Clube Bahia O Bahia apresentou um comportamento bastante bom em 2015. Operacionalmente conseguiu aumentar suas Receitas, reduziu Custos e Despesas e assim gerou mais caixa e de forma consistente. Fez investimentos corretos, liquidou dívidas, aderiu ao Profut. O desafio agora é manter esta política de austeridade sem ter sucesso esportivo, uma vez que segue no 2º ano jogando a Série B. Mas persistência e paciência andam junto com processos de ajuste, pois o resultado aparece apenas no longo prazo. Um clube saudável, equilibrado, tem mais chances de permanecer por mais tempo disputando a Série A.
  • 62. 62 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Esporte Clube Bahia Balanço auditado por Performance
  • 63. 63 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Botafogo de Futebol e Regatas
  • 64. 64 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasBrutasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaCustos&Despesas Depois de desempenho muito ruim em 2015, o Botafogo se recuperou e retornou aos níveis nominais de 2014. O maior impacto veio das Receitas de TV, que cresceram 88%. Aliás, foi o único impacto positivo, uma vez que todas as outras Receitas caíram: Publicidade (-7%), Bilheteria (-38%), e mesmo a Venda de Atletas foi menor em 10%. TV representou 63% do total das Receitas em 2016. Não localizamos as Luvas, que podem estar dentro destas Receitas. As Receitas cresceram e os Custos vieram junto. De toda forma, o resultado final foi parecido, com manutenção do EBITDA. Ou seja, cresceu de forma sustentável. Mas ainda assim é insuficiente para honrar as demandas que virão através do Profut. O corte tem que ser maior. Com exceção de 2015, todos os anos as Receitas Recorrentes se comportaram muito bem, acima da a inflação. Mas em termos reais, 2016 ficou 17% abaixo do que o clube apurou em 2014,. Ou seja, não houve evolução.. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 5%
  • 65. 65 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida A boa geração ainda foi compensada com recebimentos das contas de giro, especialmente do contas a receber. Em relação à TV, nada que justifique comentários adicionais. Fez um bom volume de investimentos em Formação de Elenco: foram R$ 13 milhões contra R$ 6 milhões de 2015. A Dívida Total continua apresentando redução, especialmente pelos pagamentos de acordos trabalhistas. Dívidas Bancárias e Operacionais em queda. Valores em R$ milhões
  • 66. 66 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Choque de Realidade Botafogo de Futebol e Regatas O Botafogo vai sendo gerido um dia de cada vez. O clube tem dificuldades em aumentar receitas e alta dependência da TV. Mas é preciso mais que isso para escapar da encruzilhada que se aproxima, com o início do pagamento das parcelas do Profut. A dívida é muito elevada, e ajustes nos Custos serão necessários. Em 2016 ainda não vimos isto ocorrendo, então quanto mais tempo demora, mais difícil e dolorosa é a saída. Com a conquista da vaga para a Libertadores o Índice de Eficiência apresentou melhora, mas pode se deteriorar sem o controle efetivo dos Gastos. O Botafogo precisa se preparar para mais que conquistas; precisa pensar na sobrevivência. Não basta que hoje esteja em ordem, porque a conta vai chegar.
  • 67. 67 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Botafogo de Futebol e Regatas Balanço auditado por UHY Moreira Auditores
  • 68. 68 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Associação Chapecoense de Futebol
  • 69. 69 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente Desempenho bastante bom da Chape em 2016, a despeito de todos os problemas enfrentados. Receitas cresceram 40%, puxadas por dois itens: TV (+22%) e Premiações, que saíram de R$ 100 mil em 2015 para R$ 14 milhões em 2016, por conta da Sulamericana. O clube continuou trabalhando de forma equilibrada, controlando os Custos de acordo com suas Receitas. E os Custos só foram mais elevados que 2015 por conta das demandas em função do acidente, pois parte da premiação foi revertida em custos e pagamentos às Famílias dos Atletas e Comissão Técnica. O histórico é curto, mas positivo. Receitas crescendo bem acima da inflação. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 7%
  • 70. 70 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida Valores em R$ milhões Por conta do acidente, as contas de giro da Chapecoense apresentaram comportamento bastante diferente do usual. Como havia valores a receber de premiações, isto impactou o Contas a Receber, como “redutor” de Receitas. Ao mesmo tempo, o clube aparente ter adiantado parte das Receitas de TV de 2017, possivelmente para ajudar na reconstrução do clube. Investimentos módicos como de costume. A Dívida se comportou bem, como de costume. Não há Dívidas Bancárias, as Operacionais estão dentro da normalidade, e o clube não deve Impostos.
  • 71. 71 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Reconstrução Possível Associação Chapecoense de Futebol A tragédia que acometeu a Chapecoense em 2016 é uma marca triste na história do Futebol Mundial. E o clube, organizado e correto como sempre foi, sairá desta graças justamente à sua qualidade de gestão. Time sem dívidas, que investe na qualidade e não no preço, que se organiza sabendo suas possibilidades. Foi longe em 2016 ao chegar à Final da Sulamericana, sempre baseado em solidez. No que diz respeito puramente à parte técnica, o acidente não deixou problemas financeiros. Recursos entraram como Premiação, saíram e sairão como pagamentos aos atletas e comissão, e a reconstrução virá com ajuda de todos. O importante é manter a crença na boa gestão. Índice de Eficiência melhorou em função da conquista da Sulamericana, e o desafio agora é reconstruir mantendo a serenidade. É possível sim.
  • 72. 72 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Associação Chapecoense de Futebol Balanço auditado por RL Solutions
  • 73. 73 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Sport Club Corinthians Paulista
  • 74. 74 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaCustos&Despesas Receitas cresceram 13% em 2016, impulsionadas pela TV, que aumentou 23%, Publicidade (+7%) e especialmente Venda de Atletas, que cresceu 44%. O Clube ainda se vê impedido de usar as Receitas de Bilheteria, e o que lhe sobra são as Receitas de Sócio Torcedor sem troca por ingressos. Desempenho apenas regular, considerando o volume desproporcional de Venda de Atletas. Operacionalmente o clube foi bem, fazendo o trabalho correto, que é reduzir Custos mesmo vendo o crescimento nas Receitas. Tanto que depois de 2 anos voltou a ter EBITDA Recorrente positivo, ainda que em apenas R$ 1 milhão. Mas vai depender de mais ajustes para voltar a ter capacidade financeira relevante. Importante: o Corinthians recebeu R$ 80 milhões de Luvas da TV e ainda aportou R$ 22 milhões no Estádio, e estes números não estão no operacional, e não impactam EBITDA. O desempenho médio das Receitas Recorrentes tem sido muito ruim nos últimos anos, o que mostra que o clube depende fortemente da Venda de Atletas. No ano de 2016 essas Receitas apenas recompuseram as perdas inflacionárias. Ou seja, o Clube ainda precisa trabalhar e buscar novas fontes, especialmente porque a perda da Bilheteria ataca frontalmente o caixa do clube. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 0%
  • 75. 75 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida O Corinthians apresentou uma gestão bastante intensa de suas contas de giro. Por um lado, entre adiantamentos, recebimentos e ajustes operacionais, conseguiu liberar R$ 36 milhões para seu caixa, que ajudou a compensar a saída de R$ 56 milhões, que nos parecem Cotas de TV adiantadas em períodos anteriores. O clube manteve os investimentos na Base mas aumentou substancialmente a contratação de atletas, saindo de R$ 14 milhões em 2015 para R$ 46 milhões em 2016. As Dívidas se comportaram bem. As Bancárias caíram bastante, com manutenção das Dívidas Operacionais. Com Impostos, o crescimento é basicamente correção do Profut. Valores em R$ milhões
  • 76. 76 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Muita Ginástica para fechar as contas Sport Club Corinthians Paulista A realidade do Corinthians tem sido muito difícil. Além de perder as Receitas com Bilheteria, tem visto demais receitas operacionais em queda, e se apoiado muito na TV e na Venda de Atletas. Isto tira demais a margem de manobra e a capacidade de Investimento. O ano de 2016 não foi pior porque o clube recebeu R$ 80 milhões de Luvas da TV, mas parte – R$ 22 milhões – foram aportados no Estádio, para fechar suas contas. Veja que o cenário está longe de ser confortável, pois num ano com aumento na Cota de TV, Luvas e Venda de Atletas relevantes, o clube ainda investiu muito na formação do elenco e colocou dinheiro no Estádio. Positivamente, reduziu parte importante da Dívida Bancária, que já começava a incomodar. Mas sem alguns desses recursos que não voltam mais, como as Luvas e os Atletas, o que fazer em 2017? Veja que o Índice de Eficiência piorou em 2016, e se não houver uma gestão rígida no controle de Gastos, a situação geral pode piorar.
  • 77. 77 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Sport Club Corinthians Paulista Balanço auditado por Parker Randall Brasil
  • 78. 78 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Coritiba Foot Ball Club
  • 79. 79 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente Crescimento de Receitas de 27%, com destaque para as Receitas de TV, que subiram 51% e passaram a representar 53% do total. A segunda receita mais relevante do clube é a de Bilheteria/Sócio Torcedor, que representa 27%, mas cujo desempenho foi ruim em 2016, caindo 2% em relação a 2015. O Coritiba apresentou equilíbrio novamente m 2016, com EBITDA positivo tanto total quanto Recorrente. Trabalhou crescendo os Custos na mesma proporção das Receitas, uma vez que o EBITDA nominal foi praticamente o mesmo do ano anterior. O desempenho das Receitas Recorrentes vinham deixando a desejar. Entre 2013 e 2015 nunca venceu a inflação, o que se reflete num quadro bastante desafiador. Em 2016 recuperou esta condição, graças à nova cota de TV. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 15%
  • 80. 80 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida As contas de giro do clube pressionaram o fluxo de caixa, com saídas relevantes de passivos que financiavam a operação. Em TV o destaque foram as Luvas de R$ 31 milhões. Manteve o perfil de Investimentos, focando na Base (R$ 6 milhões) e menos no elenco Profissional (R$ 3 milhões). As Dívidas se comportaram bem, com, com redução na Dívida Total, a partir da forte redução na Bancária e na Operacional. Os Impostos cresceram pela correção do Profut. Valores em R$ milhões
  • 81. 81 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Andando no Trilho Coritiba Foot Ball Club O Coritiba continua dentro de suas limitações, contando com as Receitas de TV e a participação representativa de seu torcedor, que formam os pilares das Receitas do Clube. Trabalha dentro das possibilidades, sem grandes saltos de Custos e Gastos que coloquem em risco a saúde financeira do clube. Destaque para o fato de investir mais na Base que no elenco Profissional. Isto se reflete no Índice de Eficiência, que foi zero nos dois anos, ou seja, não apresentou conquistas. É o risco de andar na linha: conquistas rarearem e viver na corda banda da Zona de Rebaixamento na Série A. Precisa encaixar um bom trabalho esportivo para ajudar a mudar o patamar da equipe.
  • 82. 82 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Coritiba Foot Ball Club Balanço auditado por Mazars
  • 83. 83 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Criciúma Esporte Clube
  • 84. 84 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente Receitas subiram 37%, impulsionado pela Venda de Atletas, que saíram de R$ 300 mil para R$ 11,9 milhões. Demais receitas são pequenas, pois a equipe joga a Série B e tem perfil regional. Apesar da forte recuperação no EBITDA Total, o Recorrente continuou negativo, o que mostra a dependência de Venda de Atletas. Natural para uma equipe de menor porte. É muito complicada a vida de uma equipe regional que atua na Série B. Desde que retornou à Série B, viu suas receitas recorrentes caírem ano após ano. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 3%
  • 85. 85 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida Tem que trabalhar bem as contas de giro, o que tem feito. Nas cotas de TV as variações são mínimas, sem destaques. Investe dentro do possível e, positivamente, focado nas Categorias de Base. Como deve ser, deve pouco, sem destaques. Valores em R$ milhões
  • 86. 86 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Vida Difícil Criciúma Esporte Clube Há pouco a dizer sobre o Criciúma, que é regional e depende muito de acertar uma boa gestão esportiva para retornar à Série A. Sem ela, fica girando em círculos e dependendo da venda de atletas para reforçar as Receitas. Em 2016 foi assim, e não foi suficiente para conquistas, como mostra o Índice de Eficiência. Ainda mais num Estado com forte concorrência pelo título regional. Muito esforço e dedicação em busca do elenco perfeito.
  • 87. 87 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Criciúma Esporte Clube Balanço auditado por OMV Auditores Independentes
  • 88. 88 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Cruzeiro Esporte Clube
  • 89. 89 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente O Cruzeiro apresentou queda de 2% nas Receitas Totais e foi o único que mostrou redução nas Receitas de TV, o que mostra que em 2015 havia Luvas neste valor, que não foi destacada à época. A única receita que teve bom desempenho foi a de Publicidade, que cresceu 26%. As demais sofreram redução importante: Venda de Atletas (-78%), Bilheteria/Sócio Torcedor (-27%) e Sociais (-15%). Ano bastante complicado para a Raposa. Em contrapartida, os Custos foram ajustados à realidade, sendo reduzidos em 14%. Isto possibilitou gerar EBITDA positivo tanto em base Total como no Recorrente. Aliás, Recorrente que nunca havia sido positivo em nossa amostra. Em termos reais as Receitas Recorrentes vem sofrendo nos dois últimos anos. Em 2015 cresceu praticamente a inflação, enquanto em 2016 foi negativa. Há um trabalho a ser feito aqui. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 9%
  • 90. 90 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida O Cruzeiro conseguiu gerir bem suas contas de giro, de forma que obteve cerca de R$ 21 milhões em liberações e financiamentos de contas operacionais. Na TV teve que reembolsar cerca de R$ 9 milhões de adiantamentos recebidos no passado. O Clube viu suas Dívidas aumentarem substancialmente, em todas as esferas. Afinal, com a geração de caixa módica, fica impossível investir os montantes apresentados. Sinal ruim. Valores em R$ milhões O montante de Investimentos foi bastante elevado, atingindo quase R$ 18 milhões na Base e mais R$ 48 milhões no elenco profissional. Se o Profissional manteve o aporte de 2015, o destaque positivo foi a valor destinado à Base.
  • 91. 91 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Descompassado Cruzeiro Esporte Clube O Cruzeiro mostra certo descompasso em suas ações. Se por um lado foi capaz de ajustar os Custos à realidade de Receitas menores, conseguindo até gerar EBITDA Recorrente, de outro soltou a mão e fez investimentos vultosos, mesmo sem caixa. O resultado foi aumento das Dívidas para bancar este movimento. Nem assim os resultados vieram, e o Índice de Eficiência mostra isto. O clube repete as mesmas estratégias conhecidas há anos: se ajusta de um lado mas se enrosca de outro. Nada garante que as Receitas cresceram só por investir mais. Nem sempre investimento traz retorno financeiro. Há que se trabalhar de forma mais organizada e comprometida com a saúde financeira de longo prazo.
  • 92. 92 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Cruzeiro Esporte Clube Balanço auditado por Dênio Lima e Mário Guimarães
  • 93. 93 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Figueirense Futebol Clube
  • 94. 94 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente O Figuera apresentou crescimento de 39% nas Receitas, puxado pelas Cotas de TV, que aumentaram 74%. Contribuiu também para o crescimento o aumento na Venda de Atletas em 60%. Em compensação, Publicidade com -6% e Bilheteria/Sócio Torcedor com -16% foram destaques negativos. O Clube foi capaz de manter a estrutura de Custos equilibrada, o que permitiu manter os níveis de geração de caixa de 2015. Positivamente, permanecendo na Série A o clube apresentou Receitas Recorrentes crescendo acima da inflação em 2015 e 2016. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 19%
  • 95. 95 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Composição da Dívida a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Sem destaques nas contas de giro. Investimentos módicos em 2016, sem destaques. Reduziu fortemente as Dívidas Bancárias, mas operou com alta nas Operacionais. No total, manteve inalterada a dívida, o que é positivo. Valores em R$ milhões
  • 96. 96 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Não deu desta vez Figueirense Futebol Clube O Figueirense operou corretamente m 2016, cuidando da saúde financeira do clube. Infelizmente o resultado foi a queda para a Série B. É o risco. Clubes regionais dependem muito de uma boa gestão financeira, que os permita montar um elenco competitivo gastando pouco. O Figueirense adotou a estratégia correta, mas faltou o acerto no elenco. É trabalhar para reverter este quadro.
  • 97. 97 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Figueirense Futebol Clube Balanço auditado por Mazars
  • 98. 98 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Clube de Regatas do Flamengo
  • 99. 99 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente Crescimento de 21% nas Receitas do Flamengo, fortemente impactado pelas Cotas de TV, que aumentaram 69%. Em compensação, e negativamente, as outras receitas sofreram redução importante, como Publicidade (-22%) e Bilheteria/Sócio Torcedor (-10%). Importante ressaltar que nos número difere do número do clube porque fazemos ajustes que tratam as penas as receitas operacionais e com efeito caixa, excluindo movimentações consideradas não-operacionais. Apesar do robusto crescimento de Receitas, os Custos mantiveram-se controlados, de maneira que o EBITDA foi novamente relevante, tanto em termos Totais como Recorrentes. Em 2015 as Receitas Recorrentes perderam da inflação, mostrando que nem tudo são flores, mas voltaram a crescer substancialmente em 2016. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 14%
  • 100. 100 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida Nas contas de giro vemos que o clube foi pressionado pela saída de R$ 36 milhões. Já nas cotas de TV não houve movimentação. O Flamengo aumentou suas apostas na Formação de Elenco, atingindo R$ 38 milhões em investimentos. Destaque também para o Capex, que são investimentos em estrutura, que tiveram bom aumento. Dívidas em queda, em linha com a estratégia da gestão. Operacionais comportadas e estáveis, bancárias em forte quedam, assim como as com Impostos. Lição de casa mais que bem feita. Valores em R$ milhões
  • 101. 101 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Navegar é preciso; gerir Futebol não é preciso Clube de Regatas do Flamengo Novamente o Flamengo dá aula de gestão, fora de campo. Contas em dia, redução de Dívidas, controle de Custos. O que mais esperar além de passar a conquistar títulos? Bem, em 2016 o clube apresentou evolução no quesito técnico, se classificando para a Libertadores e melhorando seu Índice de Eficiência. Ainda é pouco, mas o caminho está correto. Agora precisa mudar de patamar esportivo, mas continuar com olhos bem abertos para as Finanças. O movimento mais natural seria o de voltar a gastar desenfreadamente, mas isto seria retroceder 10 anos. O que é preciso é passar a gerir de forma mais eficiente os recursos e a estratégia de curto prazo, que servirão para alavancar a estratégia de longo prazo. Muitas vezes é preciso algum arrojo para se obter grandes conquistas. Mas com moderação. Qual o Flamengo que veremos em 2017?
  • 102. 102 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Clube de Regatas do Flamengo Balanço auditado por Mazars
  • 103. 103 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Fluminense Football Club
  • 104. 104 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente Receitas do Fluminense cresceram 14% em 2016, com comportamentos diferentes dependendo da origem delas. Enquanto a TV apresentou crescimento de 45% e Venda de Atletas 21%, houve queda em Publicidade (-35%) e Bilheteria/Sócio Torcedor (- 22%). A TV aumentou a relevância e agora representa 49% do total. Desempenho muito ruim quando falamos em Custos. O crescimento foi de 30%, e isto fez com que estes custos fossem maiores que as Receitas. Se considerarmos apena as Recorrentes, o desempenho foi ainda pior, pois a Venda de Atletas foi uma das receitas mais significativas de 2016. Em 2014 as Receitas Recorrentes perderam da inflação, mas 2015 e 2016 foram bons anos. O problema do Fluminense não são as Receitas; são os Custos. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 9%
  • 105. 105 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida As contas de giro impactaram o fluxo de caixa do clube, pois parte importante da venda de atletas só foi paga em 2017, gerando pressão ao caixa. Nas Cotas de TV vimos uma entrada via Adiantamento de R$ 16 milhões, A despeito do descontrole de Custos, o Fluminense teve um ano de investimentos vultosos. Foram R$ 9 milhões na Base, R$ 37 milhões em elenco Profissional e mais R$ 26 milhões em estrutura. Descontrole total do clube das Laranjeiras, As Dívidas saíram de controle. O aumento de mais de R$ 40 milhões nas Dívidas Bancárias preocupa. Operacionais e com Impostos até que se mantiveram bem. Não fosse as Luvas de TV de R$ 80 milhões e a situação teria sido catastrófica. Valores em R$ milhões
  • 106. 106 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência À beira de um ataque de nervos Fluminense Football Club O Fluminense teve um ano de 2016 complicadíssimo. Custos descontrolados, Investimentos relevantes, Dívida aumentando. E tudo isso depois de ver suas receitas aumentarem e receber R$ 80 milhões de Luvas da TV. O que acontece com o clube das Laranjeiras? Gestão complicada. Será uma enorme dificuldade recuperar o clube. A pressão de Custos tende a se manter e já não haverá receitas adicionais como as Luvas da TV. Isto faz com que haja ainda mais necessidade na venda de atletas para fechar as contas. O Índice de Eficiência mostra que estes gastos todos não surtiram efeito, mas deixam um rastro de preocupação. O trabalho será árduo.
  • 107. 107 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Fluminense Football Club Balanço auditado por UHY Moreira
  • 108. 108 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Goiás Esporte Clube
  • 109. 109 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente Mesmo jogando a Série B o Goiás conseguiu aumentar suas Receitas em 16%, alavancado pelo aumento de 54% nas Receitas de TV e 22% na Publicidade. Em contrapartida o clube esmeraldino apresentou queda de 51% na Bilheteria/Sócio Torcedor. Receitas cresceram e trouxeram os Custos para cima, mas de forma comportada, tanto que o nível de geração de caixa foi semelhante ao observado em 2015. Se em 2015 as Receitas Recorrentes em termos reais caíram 14%, com a maior cota de TV houve reversão dessa situação e as Receitas cresceram 11% acima da inflação. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 6%
  • 110. 110 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida O clube recebeu cerca de R$ 14 milhões em contas a receber de vendas realizadas em 2015. Em cotas de TV não houve movimentação relevante, exceto que o clube recebeu R$ 12 milhões em Luvas por renovação de contrato de TV Fechada. Investimentos dentro do histórico, sem destaques. Dívidas continuaram processo de redução, em todas as linhas. destaque paras as Bancárias, que foram praticamente zeradas. Nas Dívidas com Impostos houve acréscimo em Provisões para Contingência, sem detalhamento no Balanço. Valores em R$ milhões
  • 111. 111 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência No caminho certo Goiás Esporte Clube O Goiás continua sendo uma referência em termos de gestão. mesmo na Série B conseguiu crescer receitas e manter inalterada a condição econômico-financeira. O clube se mostra pronto para recuperar a boa fase esportiva, e precisa agora se organizar dentro de campo para retornar à série A O Índice de eficiência mostra a recuperação que já teve início em 2016 E agora é colher os frutos.
  • 112. 112 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Goiás Esporte Clube Balanço auditado por Floresta Auditores Independentes
  • 113. 113 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense
  • 114. 114 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente Receitas do Grêmio cresceram 22%, muito em função do aumento das Cotas de TV, que saltaram 33% em 2016. Venda de Atletas cresceu 35%, mas o valor é relativamente baixo, representando apenas 6% do total. Também foi importante o crescimento de 15% na Bilheteria/Sócio Torcedor. Importante citar que o clube recebeu R$ 100 milhões de Luvas da TV, lançadas por nós como Não Operacionais. Apesar do crescimento das Receitas, Custos cresceram também, mas o clube soube se ajustar e mantê-los relativamente comportados, a ponto de conseguir geração de caixa sob todas as óticas. A análise das receitas Recorrentes reais mostra que um dos problemas do Grêmio é a oscilação, visto que ano-sim-ano-não a Receita tem queda real. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 9%
  • 115. 115 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida A gestão das contas de giro foi difícil, tanto que foram consumidos R$ 16 milhões da geração de caixa. Além disso, foram ajustados valores de receita de TV adiantados em anos anteriores. O Clube se manteve investindo bastante. Foram R$ 50 milhões em reforço de elenco Profissional e R$ 13 milhões na Base. Dois comentários em relação à Dívida: i) positivamente, se manteve estável; ii) negativamente, depois de receber R$ 100 milhões de Luvas, as Dívidas se mantiveram estáveis. Valores em R$ milhões
  • 116. 116 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Índice de Eficiência Risco real e imediato Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense Poderia ter sido um ano melhor para o Grêmio. Se dentro de campo o resultado foi positivo com a conquista da Copa do Brasil, fora dele há pouco a comemorar. Entrou muito dinheiro em 2016 mas este foi todo gasto no Futebol, enquanto as Dívidas permaneceram estáveis. Com isto, as Despesas Financeiras atingiram R$ 46 milhões e continuam contribuindo para drenar caixa. Tanto é que, apesar do título, o Índice de Eficiência não se alterou. Será que um título vale à pena? pensando em Futebol, sim. pensando em longo prazo e quanto uma situação estabilizada pode render no futuro, não. O Grêmio precisará de um ajuste e não parece que 2017 o veremos. Há um risco, que esperamos estar sendo bem dimensionado. Não é o que nos parece.
  • 117. 117 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense Balanço auditado por Rokembach + Lahm, Villanova, Gais e Cia Auditores
  • 118. 118 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 Sport Club Internacional
  • 119. 119 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 ReceitasReceitas & CustosGeraçãodeCaixaValorPresente As receitas caíram 5% em 2016, mesmo com as de TV crescendo 24%. O problema é que todas as demais receitas sofreram quedas importantes, com destaque para a redução na Venda de Atletas, que foram 63%, o equivalente a R$ 25 milhões menor que em 2015. Para um clube que sempre dependeu dessas vendas, esta perda foi crucial para explicar a derrocada financeira. As demais Receitas ficaram pouco abaixo do apresentado em 2015. E o clube ainda recebeu R$ 61 milhões de Luvas da TV. O histórico mostra que em termos Recorrentes a geração de caixa do Internacional sempre foi negativa, o que comprova a tese de que trata-se de um clube formador e vendedor de atletas. esta dinâmica, quando não funciona, torna a geração de caixa total negativa também, e o resultado é ruim. São dois anos praticamente recompondo a inflação em termos de Receitas Recorrentes. Era natural que encontra-se o muro. Valores em R$ milhões CAGR Receita Recorrente a VP: 3%
  • 120. 120 Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol | 2017 a) Adiantamentos b) Investimentos c) Impacto na Dívida Fluxo de Caixa | Investimentos | Dívidas a b c Composição da Dívida O Internacional recebeu R$ 30 milhões referentes a vendas de 2015, e ainda assim o desempenho financeiro foi frágil Da TV foram R$ 61 milhões em Luvas. O Clube fez uma grande aposta e investiu R$ 50 milhões em formação de elenco profissional. Além disso, foram mais R$ 5 milhões na Base. O dinheiro das Luvas foi canalizado para o esportivo. das se mantiveram relativamente estáveis, o que se torna a única notícia positiva de 2016, Em todas as linhas houve manutenção do status. Valores em R$ milhões