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Alfabeto grego classico - M. J. Cenatti
1
Márcio José Cenatti
O AO AO AO ALFABETOLFABETOLFABETOLFABETO
GREGO CLÁSSICOGREGO CLÁSSICOGREGO CLÁSSICOGREGO CLÁSSICO
Alguns estudos introdutórios
para iniciantes
“O grego vale a pena? Não tivessem os meios de comunicação
em massa convertido o homem de ser pensante em ser
‘comprante’, a resposta à nossa pergunta seria autoevidente.”
(Carl A. P. Ruck)
São Paulo – 2014
2
Copyright © Márcio José Cenatti
Projeto gráfico:
Editora Ixtlan
Diagramação:
Márcia Todeschini
Revisão:
Daniel Aço
Sílvia Helena Rodrigues Cenatti
Capa:
Editora Ixtlan
Cenatti, Márcio José
O alfabeto grego clássico: alguns estudos introdutórios
para iniciantes. Editora Ixtlan. - São Paulo - 2014
ISBN: 978-85-8197-169-8
1.Língua grega clássica 2.Título
CDD 480
Proibida a reprodução total ou parcial dos textos
para qualquer fim, sem autorização prévia e por
escrito do autor. Os infratores serão punidos na
forma da lei.
3
Dedico à Sílvia, minha esposa e
inspiração para todos os momentos...
4
SUMÁRIOSUMÁRIOSUMÁRIOSUMÁRIO
Introdução................................................................................................5
Um pouco da história do alfabeto e do idioma grego ...............................9
O alfabeto grego clássico e sua pronúncia ..............................................13
Por que familiarização ao alfabeto grego? .............................................20
Letras isográficas ....................................................................................23
Letras isofonéticas..................................................................................33
Letras alográficas....................................................................................44
Informações básicas sobre pontuação....................................................53
Exercícios gerais de familiarização..........................................................56
Exercícios de leitura e pronúncia com pequenas frases ..........................62
Conclusão...............................................................................................64
Resolução dos exercícios ........................................................................68
Glossário ................................................................................................73
Bibliografia .............................................................................................80
5
INTRODUÇÃOINTRODUÇÃOINTRODUÇÃOINTRODUÇÃO
finalidade deste livro não é ser um método de ensino
de grego clássico. Longe disso, trata-se apenas de
um estudo introdutório ao alfabeto grego com base
na pronúncia reconstituída.
Com certa frequência se observa que uma grande parte
dos métodos de ensino de grego disponíveis no mercado
acabam dando pouca atenção ao alfabeto grego. Passam muito
rapidamente pelo alfabeto grego e logo introduzem questões
gramaticais do tipo: casos, verbos, declinação de substantivos e
tempos verbais.
Considerando que o período inicial de aprendizagem do
grego é de extrema importância, faz-se necessário realizar uma
familiarização ao alfabeto a ser aprendido. Ela será
fundamental para sustentar a aprendizagem futura. Nesse
sentido, esta pequena obra tem por objetivo tentar suprir tal
deficiência inicial no aprendizado do grego clássico – ainda
mais para as pessoas que buscam aprendê-lo de forma
autodidata.
O método de familiarização que se propõe aqui parte da
ideia de que o estudante já sabe grego sem nunca ter estudado a
língua. Sim, como a língua portuguesa herdou uma grande
quantidade de radicais gregos, falamos grego sem sequer
termos a consciência disso.
A
6
No momento inicial é que as pessoas devem se encantar
pela aprendizagem. O ser humano sente-se estimulado a
aprender quando constata que já conhece um pouco daquilo
que está sendo ensinado.
Assim, procurando desenvolver a familiarização do
aprendente com o alfabeto grego, tentaremos entusiasmá-lo a
lançar fora os preconceitos e ideias do tipo: “grego é muito
difícil”, “parece que as letras estão de cabeça para baixo”, “não
sou bom para aprender idiomas”.
Este pequeno estudo introdutório dará destaque ao
alfabeto grego. Realizará análises comparativas com o alfabeto
português no intuito de estabelecer uma razoável aprendizagem
inicial para que os interessados em continuar a se aprofundar
no estudo do grego clássico consigam, pelo menos, decodificar
as letras gregas, lê-las e pronunciá-las. Portanto, não se trata de
saber interpretar o significado daquilo que se está lendo e sim
saber decodificar, ler e pronunciar aquilo que está sendo lido.
Como dissemos anteriormente, o estudo presente não é um
método de aprendizagem de grego clássico; é apenas uma
ferramenta inicial que poderá abrir caminho para o
aprofundamento do assunto com os bons métodos de grego
clássico existentes no mercado.
No primeiro capítulo procuramos descrever um pouco
sobre a origem do alfabeto grego e a evolução do idioma grego
no decorrer da História. Em seguida, apresentamos uma tabela
com as letras gregas e suas correspondentes no alfabeto
português, bem como uma tabela com os ditongos do grego
clássico. Nesse segundo capítulo começamos a esclarecer os
7
primeiros aspectos da pronúncia reconstituída de cada letra
grega. Já o terceiro capítulo ficou dedicado à exposição das
razões do método que utilizamos e ao significado do termo
familiarização ao alfabeto grego.
Para este estudo dividimos suas letras em três
categorias: Isográficas, Isofonéticas e Alográficas. São
respectivamente o quarto, o quinto e o sexto capítulos. Além
das análises comparativas entre as letras do alfabeto português
e o alfabeto grego, serão retomados os detalhes das pronúncias,
propostos exercícios de aquecimento e exercícios de fixação e
aprendizagem. Todos os exercícios contam com sua devida
resolução no final do livro.
O sétimo capítulo elenca alguns aspectos importantes
quanto à pontuação no idioma grego. No oitavo capítulo
apresentamos uma série de exercícios gerais de familiarização
que incluem a transliteração, a correspondência, a leitura e a
pronúncia de palavras gregas que possuem estreita relação com
palavras da língua portuguesa.
Exercícios de leitura e pronúncia com pequenas frases é
a proposta do nono capítulo. As pequenas frases vêm
acompanhadas de tradução e com pronúncias figuradas.
Por fim, logo em seguida, realizamos a conclusão deste
estudo introdutório ao alfabeto grego lançando um pequeno
glossário (Grego – Português) com todas as palavras gregas
utilizadas neste livro, bem como outras que entendemos
interessantes no contexto do estudo.
8
Assim, acreditamos ser bem provável que esta pequena
obra possa ajudar em muito aqueles que desejam ter um
primeiro contato com o grego clássico ou, até mesmo, o grego
comum (koinê). Após isso, quiçá poderão iniciar um estudo
mais sério e aprofundado usando os ótimos métodos
disponíveis no mercado.
9
1
Um pouco da hiUm pouco da hiUm pouco da hiUm pouco da história dostória dostória dostória do alfabetoalfabetoalfabetoalfabeto
e do idiomae do idiomae do idiomae do idioma gregogregogregogrego
Estudiosos modernos entendem que o alfabeto grego
deriva basicamente do alfabeto fenício – a Fenícia corresponde
à região do atual Líbano –, tendo sido introduzido na Grécia
provavelmente por mercadores. O alfabeto grego surgiu em
meados do século VIII a.E.C.1
, alguns séculos depois da queda
da civilização Micênica e do consequente abandono de sua
escrita Linear B, um dos primeiros sistemas de escrita gregos.
O alfabeto grego, composto por 24 letras, aparece então
após a denominada Idade das Trevas grega, ou seja, o período
entre o fim de Micenas (cerca de 1200 a.E.C.) e a ascensão da
Grécia Antiga – que começa com o surgimento dos épicos
poemas Ilíada e Odisseia, tradicionalmente atribuídos a
Homero, cerca de 800 a.E.C. Sua mudança mais notável, como
uma adaptação do alfabeto fenício, é a introdução das vogais.
Os idiomas são sabidamente dinâmicos, o que não
podia ser diferente com o idioma grego. Assim, é verificável no
decorrer da História a evolução do idioma grego desde a sua
origem até os dias atuais.
1
Antes da era Comum, ou seja, a.C. (antes de Cristo).
10
É historicamente possível classificar a evolução do
idioma grego por períodos assim denominados:
1) Clássico: compreendido entre 900 a.E.C. a 330
a.E.C. Nesse período, o dialeto ático (grego) falado na região
de Atenas acabou predominando e se tornando a forma padrão
do idioma. Os dramaturgos Ésquilo, Sófocles, Eurípides e
Aristófanes, bem como os filósofos Platão e Aristóteles, todos
utilizaram o grego ático em suas obras. Trata-se, portanto, do
mais estudado nos cursos de grego antigo.
2) Comum ou Koinê: compreendido entre 330 a.E.C.
até 330 da E.C. Tem início com a expansão do Império
Macedônico de Alexandre Magno, que acabou por difundir o
idioma e a cultura grega por todos os territórios por ele
conquistados – sobretudo no Oriente e até mesmo em parte da
Índia. Aos poucos, uma nova forma de civilização surgiu, a
chamada de helenística, com predominância do idioma grego.
Os grandes centros da cultura helenística eram as cidades de
Alexandria, Pérgamo e Antioquia. Mesmo com a posterior
dominação romana, o grego comum continuou a ser usado por
toda a parte oriental do Império Romano como uma espécie de
língua franca2
, sendo provavelmente mais importante em sua
época do que o inglês é hoje como língua universal. Cabe ainda
citar que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, todo o
Novo Testamento foi escrito em grego comum (koinê),
2
Língua franca é uma expressão latina para língua de contato ou língua de
relação resultante do contato e comunicação entre grupos ou membros de
grupos linguisticamente distintos para o comércio internacional e outras
interações.
11
havendo na atualidade uma boa demanda pela aprendizagem
dessa evolução do grego clássico para fins de exegese bíblica e
outros estudos relacionados aos Evangelhos.
3) Bizantino: Em 330 da Era Comum3
, o imperador
romano Constantino transferiu a capital romana para Bizâncio,
denominando-a de Constantinopla – hoje Istambul, na Turquia.
O grego usual naquela região já era o grego bizantino, uma
evolução do grego comum (koinê). O fim desse período está
associado à queda de Constantinopla em 1453 para o Império
Otomano. O grego bizantino foi utilizado nas cópias de muitos
escritos do Novo Testamento e é ainda utilizado na liturgia da
Igreja Católica Bizantina Grega.
4) Moderno ou Romaico: é o grego falado hoje na
Grécia e no Chipre. Difere um pouco do grego clássico,
principalmente no que se refere à pronúncia.
Considerando-se a linha evolutiva do idioma grego,
pode-se observar que o grego clássico se encontra num ponto
privilegiado, isto é, está situado dentro do período de
consolidação e auge da cultura grega antiga. Assim, conclui-se
que uma das relevâncias do estudo do grego é proporcionar
oportunidades de acesso à leitura e entendimento não só do
grego clássico propriamente, mas dar embasamento teórico
para o estudo do grego comum (koinê), bizantino e até mesmo
o grego moderno.
3
E.C., ou seja, d.C. (depois de Cristo).
12
Esta pequena obra não tem a pretensão de ser um
método de grego clássico, porém uma ferramenta inicial para
contato com o mais básico do grego que é o seu alfabeto,
pronúncia e transliteração (algo que fica a desejar na maioria
dos métodos modernos, que infelizmente dão uma atenção
mínima para o alfabeto). Cabe destacar que o conhecimento do
grego clássico é de grande importância aos estudiosos e
interessados na análise de documentos antigos, bem como na
paleografia, na melhoria da hermenêutica dos textos filosóficos
e na exegese dos textos bíblicos.
Por isso que dominar bem o alfabeto, sua pronúncia e
transliteração é fundamental ao iniciante, sobretudo se não
tiver uma facilidade peculiar na aprendizagem de outro idioma.
É provável que a obra presente possa ajudar muito
aqueles que desejam ter um primeiro contato com o grego
clássico e até mesmo com o grego comum (koinê), a fim de
posteriormente iniciar um estudo mais sério e aprofundado
usando os ótimos métodos disponíveis no mercado.
13
2
O alfabeto grego clássicoO alfabeto grego clássicoO alfabeto grego clássicoO alfabeto grego clássico e sue sue sue sua pronúnciaa pronúnciaa pronúnciaa pronúncia
Não se sabe com precisão como as letras gregas eram
pronunciadas na Antiguidade. Um erudito do século XVI
chamado Erasmo de Rotterdam propôs uma pronúncia para
facilitar o aprendizado do grego. Ela ficou conhecida por
pronúncia erasmiana e é utilizada até hoje.
Contudo, os estudiosos de fonética desenvolveram a
chamada pronúncia reconstituída do grego, sendo esta a mais
utilizada nos meios acadêmicos na atualidade. Com base em
evidências históricas e científicas ela procura se aproximar ao
máximo da pronúncia original. Com certeza, dentro de alguns
anos ela vai conseguir universalizar o aprendizado do grego
clássico e a pronúncia erasmiana cairá em desuso definitivo na
aprendizagem deste tipo de grego antigo.
Assim, utilizaremos aqui a pronúncia reconstituída para
nos alinharmos à atual tendência acadêmica do estudo do grego
clássico.
Para uma visão panorâmica do alfabeto grego,
disponibilizamos adiante uma tabela com as letras maiúsculas e
minúsculas4
, pronúncia e transliteração.5
4
Originalmente, o grego clássico possuía apenas letras maiúsculas. As
letras minúsculas foram introduzidas no século IX por escribas que faziam
14
cópias do Novo Testamento com a finalidade de diminuir o tamanho dos
volumes, agilizar e baratear a produção dos mesmos.
5
Transliterar é transcrever a escrita de um alfabeto para outro. No caso
presente, do grego clássico para a língua portuguesa e vice-versa.
Letras
maiúsculas,
minúsculas e o
nome
Pronúncia Trans.
Α α
Alfa ‘ a ’ como em ‘altar’ a
Β β
Beta
‘ b ’ como em ‘bela’ b
Γ γ
Gama
‘ g ’ como em ‘gato’ g
∆ δ
Delta
‘ d ’ como em ‘data’ D
15
Ε ε
épsilon
‘ e ’ como em ‘ema’ e
Ζ ζ
Zeta
‘ sd ’ como em ‘desde’ z
Η η
Eta
‘ e ’ como em ‘café’ e
Θ θ
Theta
‘ th ’ como to think, verbo pensar
em inglês
th
Ι ι
Iota
‘ i ’ como em ‘mina’ i
Κ κ
Kapa
‘ k ’ como em ‘Karina’ ou ‘capa’ c
Λ λ
lambda
‘ l ’ como em ‘luz’ L
16
6
Esta grafia do sigma minúsculo é utilizada somente no final de palavras
gregas e nunca no meio das palavras.
Μ µ
Mi
‘ m ’ como em ‘microfone’ m
Ν ν
Ni
‘ n ’ como em ‘nada’ n
Ξ ξ
Ksi
‘ x ’ como em ‘táxi’ x
Ο ο
ômicron
‘ o ’ como em ‘ovo’ o
Π π
PI
‘ p ’ como em ‘pilha’ p
Ρ ρ
Rô
‘ r ’ como em ‘caro’ r
Σ σ ς6
Sigma
‘ ss ’ como em ‘passagem’ s
17
Τ τ
Tau
‘ t ’ como ‘tatu’, mas nunca como
‘time’ ou ‘tia’
t
Υ υ
ípsilon
‘ ü ’ como em ‘Müller’, o ‘u’
pronunciado com os lábios
arredondados
u / y
Φ φ
Phi
‘ f ’ como em ‘filosofia’ ph
Χ χ
Qui
‘qui’ como em ‘máquina’ ch
Ψ ψ
psi
‘ psi ’ como em ‘psicólogo’ ps
Ω ω
ômega
‘ o ’ como em ‘sola’ o
18
A seguir, uma tabela com os ditongos7
e suas
respectivas pronúncias:
DITONGOS DO GREGO CLÁSSICO
DITONGOS
Letras maiúsculas
e minúsculas
PRONÚNCIA
ΑΙ αι ‘ai’ como em “pai”
ΑΥ αυ ‘au’ como em “mau”
ΟΙ οι ‘oi’ como em “jiboia”
ΕΥ ευ ‘eu’ como em “véu”
ΟΥ ου u como em “luva”
Até aqui adotamos o mesmo esquema apresentado na
maioria dos métodos de grego antigo. Porém, daqui em diante
7
De forma simplória, vamos definir o ditongo como sendo o encontro de
duas vogais na mesma sílaba. Por exemplo: paixão, saudade, jiboia, céu.
19
iniciaremos o processo de familiarização ao alfabeto grego8
voltado aos falantes de língua portuguesa.
Como dissemos anteriormente, não é o objetivo desta
pequena introdução ao alfabeto grego clássico ser exatamente
um método de ensino de grego antigo. Portanto, não iremos nos
aprofundar sobre questões mais complexas como as
declinações e tempos verbais. Deteremo-nos apenas às letras,
sua pronúncia, sua transliteração e leitura básica de palavras.
8
Doravante, sempre que nos referirmos à pronúncia do “alfabeto grego”
estaremos relacionando este termo ao “alfabeto grego clássico” no que diz
respeito apenas à pronúncia reconstituída e não às pronúncias erasmiana ou
moderna.
20
3
Por quePor quePor quePor que familiarizaçãofamiliarizaçãofamiliarizaçãofamiliarização aaaao alfabeto grego?o alfabeto grego?o alfabeto grego?o alfabeto grego?
Com dedicação e estudos diários, pelo menos meia hora
por dia e um bom método de grego clássico, é bem provável
que você irá conseguir aprendê-lo. Mas para o falante de língua
portuguesa, que no caso utiliza o alfabeto latino, é necessário
dedicar razoável atenção durante o período inicial de
aprendizagem. Observamos que mesmo os bons métodos
disponíveis no mercado introduzem muito rapidamente o
alfabeto grego e logo passam às questões gramaticais, tais
como casos, verbos, declinação de substantivos e tempos
verbais – o que acaba por desmotivar as pessoas que se
propõem a estudar o grego, principalmente de forma
autodidata.
Considerando que o período inicial de aprendizagem do
grego é de extrema importância, faz-se necessário realizar uma
familiarização ao alfabeto a ser aprendido. Ela será
fundamental para sustentar a aprendizagem futura. Nesse
sentido, esta pequena obra tem por objetivo tentar suprir tal
deficiência inicial do aprendizado do grego clássico.
O método de familiarização que se propõe aqui parte da
ideia de que o estudante já sabe grego sem nunca tê-lo
estudado. Sim, a língua portuguesa herdou uma grande
quantidade de radicais gregos de forma que falamos grego sem
mesmo ter consciência disso.
21
Nesse momento inicial é quando as pessoas devem se
encantar pela aprendizagem. O ser humano sente-se estimulado
a aprender quando constata que já conhece um pouco daquilo
que esta sendo ensinado.
Assim, ao procurar desenvolver a familiarização do
aprendente com o alfabeto grego, tentaremos entusiasmá-lo a
lançar fora os preconceitos e ideias do tipo: “grego é muito
difícil”, “parece que as letras estão de cabeça para baixo”, “não
sou bom para aprender idiomas”.
O ponto inicial de familiarização ao alfabeto grego
sempre será o alfabeto da língua portuguesa. Ou seja, segue de
forma geral em sentido contrário à maioria dos métodos de
aprendizagem da língua grega. Por isso, dividiremos o alfabeto
grego em três categorias de letras: isográficas, isofonéticas e
alográficas. Iniciaremos o estudo pelas isográficas, isto é,
aquelas que têm a escrita e a pronúncia muito semelhantes às
do alfabeto português.
A proposta de aprendizagem se dará, dessa maneira,
pelos seguintes motivos:
a) O aprendente não deve sentir que um idioma externo
está se impondo ao seu idioma materno. Quando se parte do
idioma materno para o idioma externo, a percepção é de
receptividade e não de imposição. Geralmente as pessoas têm
uma “natural” predisposição contra aquilo que é imposto, do
que vem de fora.
b) O aprendente precisa ser estimulado a acreditar que
já sabe parte daquilo que vai ser ensinado, pois isso pode ser
22
útil para prender sua atenção já que ele se sentirá apto a tentar
deduzir o que está sendo ensinado.
c) É fácil associar uma letra do alfabeto português que
se conhece a uma letra do alfabeto grego e vice-versa.
No próximo capítulo entraremos propriamente na
análise e familiarização ao alfabeto grego. Como dissemos,
durante o processo dividiremos as letras do alfabeto grego em
três grupos: letras isográficas, isofonéticas e alográficas.
Portanto, não seguiremos o alfabeto em sua ordem lógica, mas
iniciaremos a análise a partir destes grupos trabalhando as
semelhanças e as diferenças entre as letras utilizadas nos
alfabetos grego e da língua portuguesa.
23
4
Letras isográficasLetras isográficasLetras isográficasLetras isográficas
Um terço do alfabeto grego é composto por letras
isográficas. Classificaremos para fins deste estudo as letras
isográficas como sendo aquelas que apresentam a escrita e a
pronúncia muito semelhantes ao alfabeto da língua portuguesa.
São oito letras:
Α α (alfa) Β β (beta) Ε ε (épsilon) Ι ι (iota)
Κ κ (capa) Μ µ (Mi) Ο ο (ômicron) Τ τ (tau)
Analisando essas letras, podemos considerar que você
já está em vantagem no aprendizado, pois sabe pelo menos um
terço do alfabeto grego – uma vez que estas letras gregas são
muito semelhantes ao alfabeto português tanto na escrita
quanto na pronúncia. Agora vamos analisar cada uma delas
perpassando suas características e peculiaridades, marcantes ou
não, no que diz respeito à escrita e à pronúncia, bem como
outros aspectos que as envolvem. Traçaremos sempre uma
relação de proximidade entre a letra grega e a letra
correspondente ao alfabeto português. Vejamos então:
(Alfa)
Α α
A letra alfa (Α α) é a primeira letra do alfabeto grego e
corresponde à primeira letra do alfabeto português, ou seja,
24
letra ‘A a’. Observe como a grafia da letra alfa é semelhante à
da letra ‘a’, ainda mais se considerarmos sua escrita cursiva.
Observe: letra a (cursiva) = letra ‘α’ – alfa minúscula.
A letra alfa faz parte das sete vogais do grego clássico.
Existem situações em que será pronunciada de forma breve
como em ‘casa’ ou de forma longa como em ‘mar’9
. Por
enquanto é necessário saber que ela será longa quando receber
acento, o qual pode ser grafado como um til ou acento
circunflexo (ᾶ â).
Outro aspecto que precisa ser mencionado é a questão
do iota (ι). O iota é o correspondente à letra ‘i’ de nosso
idioma. Você observará muitas vezes que ele pode acompanhar
a letra alfa dos seguintes modos:
(ᾳ) = alfa minúsculo com iota subscrito, isto é, escrito
embaixo;
(Αι) = alfa maiúsculo com iota adscrito, isto é, escrito do lado
direito.
Nos dois casos o iota é levemente pronunciado.
Antes de continuarmos, é importante esclarecer a
respeito de sinais que acompanham as palavras gregas iniciadas
por vogais. Esses sinais são chamados de aspiração ou
espíritos. Todas as palavras gregas que iniciam por vogal ou
ditongo recebem o sinal de aspiração.
Por exemplo:
9
Não nos aprofundaremos nas questões de acentuação. Basta sabermos que
as palavras gregas recebem três tipos de acento, apenas para indicar a sílaba
tônica. São eles: acento agudo ´, acento grave `, e circunflexo, com as
seguintes grafias: ^ ~ .
25
A palavra ἀγάπη, que se pronuncia agápe e significa
amor, demonstra o sinal de aspiração na letra alfa inicial ἀ.
Existem dois tipos de aspirações:
A aspiração branda, que não afeta a pronúncia como
no exemplo da palavra ἀγάπη, e a aspiração rude10
, que
acrescenta à vogal um som equivalente ao ‘r’ da língua
portuguesa. Por exemplo:
ὁδός, que se pronuncia rodós e significa caminho.
Observe o sinal de aspiração rude na vogal inicial ὁ.
Quando a palavra iniciar por ditongo, o sinal de
aspiração é colocado sobre a segunda vogal.
Por exemplo:
οὐρανός lê-se uranos, e significa céu. Verifique que o
sinal de aspiração recaiu sobre a segunda vogal, o ípsilon οὐ.
No caso da palavra iniciar com letra maiúscula, o sinal
de aspiração será colocado antes da mesma. Por exemplo:
Ἰσραήλ lê-se Israel. Verifique, no começo da palavra, o
sinal de aspiração branda do lado esquerdo do iota maiúsculo
Ἰ.
Das sete vogais que o alfabeto grego possui, o ípsilon Υ
υ é a única que sempre receberá o sinal de aspiração rude, as
outras poderão receber tanto o sinal de aspiração branda
quanto de aspiração rude.
10
Alguns estudiosos denominam a aspiração rude também por aspiração
áspera ou forte. Outros utilizam a palavra espírito em lugar de aspiração,
ficando então a denominação espírito rude ou espírito áspero ou, ainda,
espírito forte.
26
Por fim, ainda quanto ao sinal de aspiração podemos
esclarecer que, quando uma palavra inicia com a letra Rô (Ρ ρ),
sempre recebe o sinal de aspiração rude. Por exemplo:
Ῥουβήν é o nome próprio Rubem e lê-se Rubén;
ῥαββί lê-se rabi e significa rabino, mestre. No primeiro
exemplo, observe o sinal de aspiração rude ao lado da letra Rô
maiúscula; no segundo, o sinal está sobre a letra Rô minúscula.
(Beta)
Β β
A letra beta (Β β) é a segunda do alfabeto grego e
corresponde à segunda letra do alfabeto português, isto é, ao ‘B
b’. Observe a semelhança entre a letra grega com a letra ‘B’ de
nosso idioma. Quando se olha a letra beta em grego é quase
que automático associar sua escrita e respectiva pronúncia à
letra ‘B’ de nosso alfabeto, seja ela escrita em maiúscula ou
minúscula. Portanto, ela é muito fácil de memorizar tanto na
grafia quanto na pronúncia. Seu som será sempre ‘b’ como em
“bela”.
(Épsilon)
Ε ε
A letra épsilon (Ε ε) é a quinta letra na sequência lógica
do alfabeto grego e corresponde à quinta letra do alfabeto
português, isto é, à letra ‘E e’. Sua semelhança com a letra ‘E
e’ de nosso alfabeto também não deixa dúvida na hora da
leitura em grego. Cabe relembrar que embora a sua pronúncia
seja igual à letra ‘e’ de nosso alfabeto, trata-se de um ‘e’
pronunciado de forma breve como em “ema”.
27
(Iota)
Ι ι
A letra iota (Ι ι) é a nona letra do alfabeto grego como o
é a letra ‘I i’ no alfabeto português. O iota é uma das letras em
que as semelhanças de escrita e pronúncia são muito evidentes
entre os dois alfabetos. A pronúncia do iota pode ser breve,
como em “vida”, ou ainda longo, como em “mina”. Como o
iota é uma vogal, ela recebe os sinais de aspiração. Veja os
exemplos de sinal de aspiração rude e branda:
Ἱερόν => pronuncia-se rierôn e significa templo ou
santuário.
Observe o sinal de aspiração rude na mesma palavra,
mas desta vez iniciando com minúscula:
ἱερόν .
Agora um exemplo com o sinal de aspiração branda,
iniciando a palavra com letras maiúsculas e minúsculas:
Ἰσχυρός / ἰσχυρός => pronuncia-se isquirôs e significa
forte, poderoso.
(Kapa)
Κ κ
A letra kapa (Κ κ) é a décima letra do alfabeto grego e
corresponde à letra ‘K k’, a décima primeira do alfabeto
português. O Acordo Ortográfico de 1990 entre os países de
língua portuguesa resgatou a letra ‘K k’ no alfabeto português,
sem contudo restaurar o seu uso prévio – que continuará
restrito às abreviaturas, às palavras com origem estrangeira e
seus derivados. Por exemplo: Km (quilômetro), karatê,
kantiano. Portanto, é mais interessante associar a letra kapa (Κ
28
κ) à pronúncia de ‘C’ + ‘A’ = ‘CA’ – como em “casa” e
“carro”.
(Mi)
Μ µ
A letra mi (Μ µ) é a décima segunda letra do alfabeto
grego e corresponde à décima terceira letra do alfabeto
português, ou seja, ‘M m’. Observando a letra mi (Μ µ), pode-
se verificar sua semelhança com a letra ‘M’ de forma clara.
Ainda escrita com a letra minúscula, também será fácil associar
o ‘µ’ com a letra ‘m’. O som da pronúncia de mi ‘Μ µ’ é
equivalente ao ‘M m’, como em “microfone” e “mito”.
(Ômicron)
Ο ο
O ômicron (Ο ο) é a décima quinta letra do alfabeto
grego e corresponde à décima quinta letra do alfabeto
português. Sua semelhança com a letra ‘O o’ é indiscutível.
Porém, o seu som do ponto de vista fonético sempre será breve
e fechado como, por exemplo, em “fogo”. O ômicron é uma
vogal, portanto recebe os sinais de aspiração. Nos exemplos
abaixo vamos acrescentar mais informações além daquelas já
vistas na vogal alfa. Veja os exemplos de sinal de aspiração
rude e branda:
Ὁδός => pronuncia-se rodôs e significa estrada,
caminho.
Observe o sinal de aspiração rude na mesma palavra,
mas desta vez iniciando com minúscula:
ὁδός .
29
Agora um exemplo com o sinal de aspiração branda
iniciando a palavra com letras maiúsculas e minúsculas:
Ὀλίγος / ὀλίγος => pronuncia-se olígos e significa
pouco, pequeno.
(Tau)
Τ τ
O tau (Τ τ) é a décima nona letra do alfabeto grego e
tem sua correspondência com a vigésima letra do alfabeto
português: o ‘T t’. Sua pronúncia sempre será como em “tatu”
ou “tábua”, mas nunca chiado como em “tio” ou “time”.
Com o tau fechamos o conjunto das letras isográficas,
isto é, as letras do alfabeto grego que têm uma aproximação de
semelhança muito perceptível em relação às letras utilizadas no
alfabeto da língua portuguesa. Dessa forma, sem muito esforço
o aprendente já é capaz de identificar tais letras em palavras
escritas em grego.
Contudo, para que haja uma fixação maior das letras
isográficas, sugerimos que alguns exercícios sejam feitos antes
de se passar para o capítulo das letras isofonéticas.
Nota sobre os exercícios
Antes de iniciarmos os exercícios, gostaríamos de
sugerir uma rotina de “aquecimento” que deverá ser feita antes
dos mesmos.
Você deve providenciar um caderno ou folhas pautadas
à parte onde possa praticar tanto os “aquecimentos” quanto os
exercícios propostos.
30
É importante lembrar que todo estudo deve ser
desenvolvido dentro de uma rotina e de um horário. Para o
estudo do alfabeto grego não é diferente. Assim, você deve
dedicar-se escolhendo o horário que mais lhe favorece ou lhe
agrada e sempre ter em mente que é mais proveitoso estudar
meia hora por dia do que quatro horas num dia da semana.
Se você optar por estudar regularmente, mesmo que
seja meia hora por dia, em pouco tempo você estará colhendo
os resultados, isto é, estará dominando o alfabeto grego com
segurança e isso lhe assegurará estar pronto para prosseguir nos
estudos do grego clássico – se tal for seu interesse. Mas
lembre-se: não há mágica! É necessário se empenhar em uma
rotina de estudos.
Exercício de aquecimento
Para o exercício de aquecimento propomos que se tome
uma folha pautada à parte ou um caderno e, antes de realizar os
exercícios, copie cinco vezes o alfabeto grego. Em uma linha
escreva as letras maiúsculas e, na linha debaixo, as minúsculas.
Veja o exemplo:
Α Β Γ ∆ Ε Ζ Η Θ Ι Κ Λ Μ Ν Ξ Ο Π Ρ Σ Τ Υ Φ Χ Ψ Ω
α β γ δ ε ζ η θ ι κ λ µ ν ξ ο π ρ σ/ς τ υ φ χ ψ ω
Conforme você for escrevendo cada letra, repita
mentalmente o nome da mesma. Consulte a tabela com o nome
da letra caso não consiga lembrá-la. Não tenha pressa, faça
tudo devagar e a seu devido tempo.
31
Exercício 1
a) Relembre os nomes e a pronúncia das letras
isográficas abaixo:
(Α α Β β Ε ε Ι ι Κ κ Μ µ Ο ο Τ τ)
Agora, sem olhar a tabela, veja o exemplo e responda:
b) Quais as letras do alfabeto grego (pertencentes ao
grupo das isográficas) podemos relacionar com as letras do
alfabeto português?
Ex.:
A a: Α α B b: Β β
T t : ____ O o: ____ M m: ____
K k:____ I i: ____ E e:_____
Exercício 2
Identifique somente as letras isográficas das palavras:
filosofia, hipopótamo, Sócrates, Selene, micro, bárbaro e
drama, conforme o exemplo ‘a’.
a) φιλοσοφια = (ι) iota; (ο) ômicron; (α) alfa
b) ἱπποποταµος = __________________________
c) Σωκράτης = _____________________________
32
d) Σελήνη = _______________________________
e) µικρο = ________________________________
f) βάρβαρος = _____________________________
g) δρᾶµα =________________________________
33
5
Letras isofonéticasLetras isofonéticasLetras isofonéticasLetras isofonéticas
Um terço do alfabeto grego é composto por letras
isofonéticas. Classificaremos aqui letras isofonéticas como
sendo as letras gregas cuja pronúncia é semelhante à do
alfabeto português, mas a escrita é diferente. São elas:
Γ γ (gama) ∆ δ (delta) Η η (eta) Λ λ (lambda)
Π π (pi) Ρ ρ (rô) Σ σ ς (sigma) Ω ω (ômega)
(Gama)
Γ γ
O gama (Γ γ) é a terceira letra do alfabeto grego. Ela
corresponde à sétima letra do alfabeto português, isto é, ao ‘G
g’. Sua pronúncia é semelhante ao ‘g’ como em “gato”. Porém,
antes de Κ κ (kapa), Ξ ξ (ksi), Χ χ (qui) e Γ γ (gama) a
pronúncia será ‘ng’ – como em manga e manguezal.
Por exemplo:
ἄγγελος = pronuncia-se ánguelos e não águelos, e
significa anjo. Obseve que o primeiro gama tem o som de “n”,
como em manga.
ἄγκυρα = pronuncia-se ánkira e significa âncora.
Verifique que a pronúncia do gama tem o som de “n”.
34
ἐγχρίω = pronuncia-se encrío (com o o final aberto
‘ó’), e significa ungir. Observe também que o gama fica com o
som de “n”, semelhante a incrível.
σάλπιγξ = pronuncia-se sálpincs e pode significar
corneta ou trombeta. Veja que o gama também assume valor de
“n”.
Como curiosidade, vale notar que a grafia da letra gama
minúscula lembra um pouco a grafia da letra ‘g’ cursiva do
alfabeto português. Compare: γ g .
Como informação adicional, destacamos que
consoantes duplas como ττ (tau-tau) e λλ (lambda-lambda)
devem ser pronunciadas como se fossem uma consoante
apenas.
(Delta)
∆ δ
O delta (∆ δ) é a quarta letra do alfabeto grego e
corresponde à letra ‘D d’, que é a quarta letra do alfabeto
português. Sua pronúncia é sempre como em “dado”, nunca
chiado como em “dia”. Quem se interessava pelas aulas de
matemática deve ter conhecido o ∆ da discriminante da
fórmula de Bháskara (∆ = b2
-4ac). O δ minúsculo possui uma
grafia semelhante ao ‘d’ do alfabeto português, portanto será
fácil associa-lo à escrita e à pronúncia.
(Eta)
Η η
35
A letra eta (Η η) é a sétima letra do alfabeto grego e
corresponde à quinta letra do alfabeto português. Porém, sua
pronúncia é como em “leve”, “café”, ou seja, um ‘e’ aberto e
longo diferente da letra épsilon (Ε ε) – cuja pronúncia é breve
como em “ema”. A letra eta (Η η) é uma das sete vogais do
alfabeto grego. Veja-as em letras maiúsculas e minúsculas: (Α
α, Ε ε, Ι ι, Ο ο, Υ υ, Η η, Ω ω).
A letra eta (Η η) merece atenção especial uma vez que,
embora sua pronúncia seja próxima à do alfabeto português,
sua grafia é diferente e é facilmente confundida com as letras
‘H’ e ‘n’.
É importante ter em mente que não existe letra ‘H’ no
alfabeto grego. Dessa forma, com um pouco de treino, ao se
deparar com eta (Η) em alguma palavra grega já será fácil
descartá-la como ‘H’ e atribuir-lhe a pronúncia equivalente a
‘é’, ou seja, um ‘e’ aberto e longo como em “boné”.
Considerando que toda vogal longa recebe o iota (ι) e
sendo a letra eta (Ηη) uma vogal longa, temos de lembrar
algumas regras que expomos em relação à letra alfa (Αα).
A primeira é em relação ao iota. Assim como pode
ocorrer com a vogal alfa, o iota pode aparecer subscrito ou
adscrito na vogal eta (Ηη).
Você observará muitas vezes que ele pode acompanhar
a letra eta dos seguintes modos:
(ῃ) = Eta minúsculo com iota subscrito, isto é, escrito
embaixo;
36
(Ηι) = Eta maiúsculo com iota adscrito, isto é, escrito
do lado direito.
Nos dois casos, o iota é levemente pronunciado.
A outra regra é em relação ao sinal de aspiração. Toda
palavra grega que inicia por vogal ou ditongo recebe aspiração.
Você poderá encontrar o eta com sinal de aspiração, conforme
os exemplos abaixo:
Aspiração branda, que não afeta a pronúncia. Observe
o exemplo:
ἠώς => Lê-se (éós) com o ‘o’ longo como “avó”. Esta
palavra significa aurora.
Caso se iniciasse com letra maiúscula, a grafia do sinal
de aspiração seria antes da letra. Observe a mesma palavra com
a letra inicial maiúscula: Ἠώς .
Agora veja exemplos com palavras que possuem
aspiração rude. Letra minúscula e letra maiúscula:
ἡµεῖς => Lê-se Remeís e significa “nós”.
Ἡρακλῆς => Reraklés e significa Héracles.
(Lambda)
Λ λ
A letra lambda (Λ λ) é a décima primeira letra do
alfabeto grego e sua pronúncia corresponde à décima segunda
letra do alfabeto português, isto é, à letra ‘L l’. É uma letra que
não permite grande confusão com o alfabeto português, uma
vez que a letra minúscula é grafada de forma diferente –
basicamente um ípsilon de cabeça para baixo, compare (y λ). Já
a maiúscula Λ pode eventualmente ser confundia com o alfa Α
37
grego ou com o A do alfabeto português, mas com um pouco
de atenção será fácil perceber a ausência de corte central na
letra lambda. Verifique: Λ lambda A alfa.
(Pi)
Π π
A letra pi (Π π) é a décima sexta letra do alfabeto grego
e sua pronúncia equivale à décima sexta letra do alfabeto
português, ou seja, ao ‘P p’. A minúscula π também é uma
velha conhecida das aulas de matemática. Quem se lembra do
valor de π? π = 3,14159. Esta letra grega possui uma grafia que
não gera confusão porque a minúscula já é um pouco
conhecida e a maiúscula não possui grafia semelhante no
alfabeto português.
(Rô)
Ρ ρ
A letra rô (Ρ ρ) é a décima sétima letra do alfabeto
grego e tem correspondência com a décima oitava letra do
alfabeto português, isto é, com a letra ‘R r’. Também é
necessário muita atenção a esta letra do alfabeto grego, pois ela
é facilmente confundida com a letra ‘P p’ do alfabeto
português. Contudo, já verificamos que a correspondente grega
para a letra ‘P p’ é a letra pi (Π π). Dessa forma, além de
atenção será necessário um pouco de exercício e prática de
38
leitura com o objetivo de fixar o valor de pronúncia da letra rô
(Ρ ρ).
Uma característica importante da letra rô (Ρ ρ) é que ela
sempre receberá a aspiração rude quando iniciar uma palavra
grega. Por exemplo:
Ῥῆµα (Iniciando com maiúscula)
ou
ῥῆµα (Iniciando com minúscula)
Pronuncia-se Réma e significa “palavra”.
(Sigma)
Σ σ ς
A letra sigma (Σ σ ς) é a décima oitava letra do alfabeto
grego e corresponde ao ‘S s’, que é a décima nona letra do
alfabeto português. Sua principal característica é que apresenta
duas formas de grafias quando minúscula.
O sigma minúsculo (σ) é usado no início e no meio das
palavras gregas e o sigma minúsculo (ς) é utilizado somente no
final das palavras. Veja o exemplo das palavras sabedoria, na
qual o sigma (σ) aparece no início da palavra, e sábio, em que
temos o sigma (σ) iniciando a palavra e o sigma (ς) no final da
palavra:
σοφιᾶ => Pronuncia-se sofiá
σοφóς => Pronuncia-se sofôs
39
Ainda no início dos estudos do alfabeto grego é
necessário prestar atenção para não confundir a pronúncia do
sigma (σ) com a pronúncia da letra ‘o’ manuscrita. Compare a
semelhança na grafia: (sigma σ / o letra ‘o’ manuscrita do
alfabeto português).
(Ômega)
Ω ω
A letra ômega (Ω ω) é a última letra do alfabeto grego,
portanto a vigésima quarta, e corresponde à décima quinta letra
do alfabeto português. Sua pronúncia é diferente da pronúncia
do ômicron (Ο ο). Enquanto o ômicron (Ο ο) se pronuncia
fechado como em ‘fogo’, o ômega (Ω ω) se pronuncia aberto
como em ‘avó’. É uma das sete vogais do alfabeto grego. Veja-
as novamente em letras maiúsculas e minúsculas: (Α α, Ε ε, Ι ι,
Ο ο, Υ υ, Η η, Ω ω).
A letra ômega (Ω ω) pode não ser facilmente
confundida na grafia com o ômicron (Ο ο), contudo deve-se
dar atenção na hora da leitura quanto à pronúncia.
Relembrando, mais uma vez, que toda vogal longa
recebe o iota (ι). Temos de recordar algumas regras que
apresentamos em relação às letras alfa (Αα) e eta (Ηη).
A primeira é em relação ao iota. Assim como pode
ocorrer com as vogais alfa e eta, o iota pode aparecer subscrito
ou adscrito na vogal ômega (Ω ω).
Você observará muitas vezes que ele pode acompanhar
a letra ômega dos seguintes modos:
40
(ῳ) = Ômega minúsculo com iota subscrito, isto é,
escrito embaixo;
(Ωι) = Ômega maiúsculo com iota adscrito, isto é,
escrito do lado direito.
Nos dois casos, o iota é levemente pronunciado.
Recordamos aqui novamente quanto ao sinal de
aspiração. Toda palavra grega que se inicia por vogal ou
ditongo recebe aspiração. Você poderá encontrar o ômega com
sinal de aspiração, conforme os exemplos abaixo.
Aspiração branda, que não afeta a pronúncia:
ὠθέω => Pronuncia-se othêo com o ‘o’ final longo
como em “avó”. Esta palavra significa “empurrar”.
Caso fosse iniciada com letra maiúscula, a grafia do
sinal de aspiração seria antes da letra. Observe a mesma
palavra com a letra inicial maiúscula: Ὠθέω .
Agora veja o exemplo de aspiração rude com letra
minúscula e letra maiúscula:
ὡς Ὡς => Pronuncia-se Rós e significa “como”.
Do conjunto das oito letras isofonéticas, metade delas,
por sua grafia, apresentam grande possibilidade de serem
confundidas na pronúncia com as letras do alfabeto português.
Em ordem de importância são elas as letras: Eta (Η η), Rô (Ρ
ρ), Lambda (Λ λ) e Sigma (Σ σ ς). Dessa forma, proporemos
adiante alguns exercícios de fixação para reduzir a
possibilidade de eventual confusão. Contudo, uma atenção
especial deve ser dada a essas letras no momento de se estudar
41
o alfabeto grego, de se realizar leituras de palavras e nos
próprios exercícios sugeridos.
Como as letras isofonéticas aparentam complicar o
entendimento no momento da leitura, dominá-las bem será um
passo fundamental na aprendizagem.
As letras isográficas, cuja grafia e pronúncia são
semelhantes ao alfabeto português, não apresentam grandes
dificuldades.
As letras alográficas, que possuem a escrita e/ou a
pronúncia diferente do alfabeto português, se apresentarão mais
fáceis e com pouca possibilidade de serem confundidas com a
grafia portuguesa e, consequentemente, levar ao erro o leitor na
hora da pronúncia.
Assim, aprender bem as quatro letras isofonéticas Eta
(Η η), Rô (Ρ ρ), Lambda (Λ λ) e Sigma (Σ σ ς) é fundamental
para o domínio do alfabeto grego e a fluidez na leitura de
palavras gregas. São elas que muitas vezes, num primeiro
contato com o alfabeto grego, confundem as pessoas fazendo-
as acreditar ser difícil aprender o alfabeto grego.
Exercício de aquecimento
Para o exercício de aquecimento propomos novamente
que se tome uma folha pautada à parte ou um caderno e, antes
de realizar os exercícios, copie quatro vezes o alfabeto grego.
Em uma linha escreva as letras maiúsculas e, na linha debaixo,
as minúsculas. Veja o exemplo:
42
Α Β Γ ∆ Ε Ζ Η Θ Ι Κ Λ Μ Ν Ξ Ο Π Ρ Σ Τ Υ Φ Χ Ψ Ω
α β γ δ ε ζ η θ ι κ λ µ ν ξ ο π ρ σ/ς τ υ φ χ ψ ω
Conforme você vai escrevendo cada letra, repita
mentalmente o nome da mesma. Depois leia cada uma em voz
alta pelo menos três vezes. Consulte a tabela com o nome da
letra caso não consiga lembrá-la. Não tenha pressa, faça tudo
devagar e a seu devido tempo.
Exercício 3
a) Relembre os nomes e a pronúncia das letras
isofonéticas abaixo:
( Γ γ ∆ δ Η η Λ λ Π π Ρ ρ Σ σ ς Ω ω ).
Agora, sem olhar a tabela, veja o exemplo e responda:
b) Quais letras do alfabeto grego (pertencentes ao grupo
das isofonéticas) podemos relacionar com a letras do alfabeto
português?
Ex.:
G g: Γ γ D d: ∆ δ
E e : ____ O o: ____ P p: ____
L l:____ R r: ____ S s:_____
43
Exercício 4
Identifique somente as letras isofonéticas das palavras:
filosofia, hipopótamo, Sócrates, Selene, micro, bárbaro, drama,
grafar (escrever), conforme o exemplo ‘a’.
a) φιλοσοφια = (λ) lambda; (σ) sigma
b) ἱπποποταµος = __________________________
c) Σωκράτης = _____________________________
d) Σελήνη = _______________________________
e) µικρο = ________________________________
f) βάρβαρος = _____________________________
g) δρᾶµα=_________________________________
h) γράφω = _______________________________
44
6
Letras alográficasLetras alográficasLetras alográficasLetras alográficas
As oito letras aqui denominadas alográficas, ou seja,
“escritas de outra forma”, é o conjunto das letras gregas cuja
grafia e a pronúncia são bem diferentes do alfabeto português.
São elas:
Ζ ζ (zeta) Θ θ (theta) Ν ν (ni) Ξ ξ (ksi)
Υ υ (ípsilon) Φ φ (phi) Χ χ (qui) Ψ ψ (psi)
Vamos analisar adiante cada uma delas e suas principais
características.
(Zeta)
Ζ ζ
A letra zeta (Ζ ζ) se pronuncia sdeta. É a sexta letra do
alfabeto grego e é transliterada geralmente como a vigésima
sexta letra do alfabeto português, isto é, a letra ‘Z z’. Porém,
não vamos nos iludir com sua pronúncia. Ela não tem o som da
letra ‘z’ do alfabeto português. Sua pronúncia é semelhante à
junção das letras ‘sd’ da palavra ‘desde’. Assim, a palavra
grega Ζεύς = Zeus se pronuncia sdeús. Merece destaque a
grafia em letra minúscula ( ζ ) uma vez que é diferente de
qualquer letra do alfabeto português; porém, pode ser
confundida por um leitor menos atento ou afoito com a letra
45
sigma ( ς ) do próprio alfabeto grego. Portanto, é necessária
uma dedicação extra ao se exercitar a escrita das letras
alográficas para a correta fixação da grafia e pronúncia.
(Theta)
Θ θ
A letra theta (Θ θ) é a oitava letra do alfabeto grego e
não tem exatamente uma correspondente no alfabeto português.
Convencionou-se transliterar theta (Θ θ) pelo ‘th’, sendo que
sua pronúncia seria semelhante ao ‘th’ da palavra inglesa think
(de to think = pensar).
(Ni)
Ν ν
A letra ni (Ν ν) é a décima terceira letra do alfabeto
grego e corresponde à décima quarta letra do alfabeto
português, ou seja, ao ‘N n’. Ainda que sua grafia maiúscula
seja semelhante ao ‘N’ maiúsculo do alfabeto português,
resolvemos incluí-la no conjunto das letras alográficas porque
sua grafia minúscula (ν) é diferente e assemelha-se muito à
letra ‘v’ do alfabeto português. Como se trabalha muito mais
com as letras minúsculas nos métodos de grego, é melhor
familiarizar-se bem à sua diferente grafia minúscula com o
intuito de se evitar que uma leitura desatenta leve a erro na
pronúncia.
(Ksi)
46
Ξ ξ
O ksi (Ξ ξ) é a décima quarta letra do alfabeto grego e
tem a grafia tanto maiúscula quanto minúscula, sendo muito
diferente de qualquer letra do alfabeto português – seja na
escrita em letra de forma ou manuscrita. Não tem uma
correspondente direta a uma letra específica do alfabeto
português. O som de sua pronúncia é equivalente à letra ‘x’ da
palavra “táxi”. Recomenda-se atenção na escrita da letra
minúscula. Observe os detalhes:
ξ
Ser bem diferente de qualquer letra do alfabeto
português pode ser uma vantagem positiva na hora de
memorizar o som da pronúncia desta letra grega.
(Ípsilon)
Υ υ
O ípsilon (Υ υ) é a vigésima letra do alfabeto grego e
sua correspondente no alfabeto português é o ‘Y y’, isto é, a
vigésima quinta letra do alfabeto português11
. O ípsilon (Υ υ)
11
Vale lembrar que o alfabeto português possui 26 letras, sendo 23
fundamentais e 3 especiais: ‘k, w, y’. O Acordo Ortográfico de 1990 não
restaurou o ‘y’. A doutrina sobre essas três letras continua a mesma, ou seja,
elas devem ser usadas apenas em casos especiais. Por exemplo: em algumas
palavras estrangeiras (show), símbolos e abreviaturas como em quilômetro e
quilowatt-hora (Km, Kwh), e em adjetivos e substantivos derivados de
nomes próprios e palavras estrangeiras (kantiano, wagneriano).
47
tem sua letra maiúscula escrita igualmente ao ‘Y’ da língua
portuguesa, porém sua pronúncia é bem diferente. Ela se
assemelha a um ‘ü’ como em ‘Müller’, isto é, o ‘u’
pronunciado com os lábios arredondados.
O ípsilon minúsculo (υ) apresenta escrita diversa do da
língua portuguesa. Compare: (υ y). O ípsilon minúsculo grego
tem a grafia parecida com o ‘u’ minúsculo do alfabeto
português.
Assim, o ípsilon (Υ υ) deve receber atenção redobrada
no momento da escrita e da pronúncia até que se tenha total
segurança na leitura.
Não se pode esquecer que o ípsilon (Υ υ) é uma das
sete vogais do alfabeto grego, que são as seguintes:
(Α α, Ε ε, Ι ι, Ο ο, Υ υ, Η η, Ω ω)
A regra dos sinais de aspiração branda ou rude
estabelece que toda palavra grega que se inicia por vogal ou
ditongo recebe aspiração. No caso do ípsilon (Υ υ) iniciar uma
palavra, ele vai sempre receber o sinal de aspiração rude.
Veja, no exemplo, a palavra ‘sob’ iniciando por minúscula e
maiúscula:
ὑπó => Pronuncia-se ripô
Ὑπó=> Pronuncia-se ripô
A palavra ὑπó pode significar ‘sob’, ‘debaixo de’.
(Phi)
48
Φ φ
A letra phi (Φ φ) é a vigésima primeira letra do alfabeto
grego e convencionou-se estabelecer correspondência entre ela
e a letra ‘ F f ’, que é a sexta letra do alfabeto português. A
pronúncia é semelhante ao ‘F’, mas bem labial com o ar
empurrando levemente os lábios. Esta letra é usada como
símbolo da Filosofia. Sua escrita incomum com o alfabeto
português torna favorável a memorização de sua grafia e a
associação do valor de pronúncia.
(Qui)
Χ χ
A letra qui ( Χ χ ) é a vigésima segunda letra do
alfabeto grego e não tem correspondência direta com alguma
letra do alfabeto português. Embora sua escrita seja semelhante
à letra ‘X x’, ela não tem nenhuma relação com o som do ‘x’
da língua portuguesa. Ela é comumente transliterada para a
língua portuguesa como ‘ch’ ou ‘kh’ e sua pronúncia equivale
ao “qu” de “química”, de “máquina”.
Veja, por exemplo, a palavra grega Χριστóς, que
transliterada fica Christôs e significa “ungido”. Você já deve
ter conhecido alguém que se chamava Christiano ou Christiane
com “Ch”, sendo isso uma “herança” da transliteração para o
latim e, posteriormente, para a língua portuguesa da letra qui
(Χ χ ).
49
A atenção à letra qui ( Χ χ ) deve estar mais voltada
para a pronúncia do que para a escrita, procurando não
confundir seu valor fonético com a letra ‘x’ do alfabeto
português.
(Psi)
Ψ ψ
A letra psi (Ψ ψ) é a vigésima terceira letra do alfabeto
grego e não tem correspondência direta com alguma letra do
alfabeto português. Sua pronúncia é como o ‘ps’ de
“psicologia”, “psiquiatra”. Esta letra é comumente utilizada
como símbolo da Psicologia e, como sua grafia é tão diferente
de qualquer letra do alfabeto português, fica até fácil
memorizar sua escrita e pronúncia.
Assim encerramos o conjunto das letras alográficas,
bem como perpassamos todas as letras do alfabeto grego.
Agora propomos alguns exercícios para a fixação da
escrita e da pronúncia das letras alográficas.
Exercício de aquecimento
Para o exercício de aquecimento propomos novamente
que se tome uma folha pautada à parte ou um caderno e, antes
de realizar os exercícios, copie três vezes o alfabeto grego. Em
uma linha escreva as letras maiúsculas e na linha debaixo as
minúsculas. Veja o exemplo:
50
Α Β Γ ∆ Ε Ζ Η Θ Ι Κ Λ Μ Ν Ξ Ο Π Ρ Σ Τ Υ Φ Χ Ψ Ω
α β γ δ ε ζ η θ ι κ λ µ ν ξ ο π ρ σ/ς τ υ φ χ ψ ω
Conforme você vai escrevendo cada letra, repita
mentalmente o nome da mesma. Depois leia cada uma em voz
alta pelo menos três vezes. Consulte a tabela com o nome da
letra caso não lembrá-la. Não tenha pressa, faça tudo devagar e
a seu devido tempo.
Exercício 5
a) Relembre os nomes e a pronúncia das letras
alográficas abaixo:
(Ζ ζ Θ θ Ν ν Ξ ξ Υ υ Φ φ Χ χ Ψ ψ )
Agora, sem olhar a tabela, veja o exemplo e responda:
b) Quais letras do alfabeto grego (pertencentes ao grupo
das alográficas) podemos relacionar com a letras do alfabeto
português?
Ex.:
Z z: Ζ ζ th: Θ θ
N n : ____ ks: ____ Y y: ____
F f:____ ch/kh: ____ ps:_____
Exercício 6
51
Identifique somente as letras alográficas das palavras:
filosofia, náutico, noite, tempo, grafar (escrever), Deus, Zeus,
ontem e falso, conforme os exemplos ‘a’ e ‘b’.
a) φιλοσοφια = (φ) phi
b) ναυτικóς = (ν) ni
c) νύξ = __________________________________
d) χρóνος = _______________________________
e) γράφω = _______________________________
f) Θεóς = _________________________________
g) Ζεύς =_________________________________
h) χθές = _________________________________
i) ψευδής = _______________________________
Se acaso você chegou até aqui, nesta pequena
introdução ao alfabeto grego, com certeza você sabe o que
quer. Realizando todos os exercícios propostos com uma
frequência diária de estudos de pelo menos meia hora,
certamente conseguirá ler a maioria das palavras gregas e
estará apto para partir em direção a uma etapa maior: entender
o grego clássico.
Como na língua portuguesa, não basta saber o valor
fonético das letras e ler as palavras. Não é suficiente saber
decodificar as letras, isto é, ler e escrever. O bom
conhecimento de um idioma requer saber ler, escrever e
52
interpretar. Se ao término dessa pequena introdução ao alfabeto
grego você já conseguir realizar as duas primeiras etapas, pode
ser a hora de partir para estudos mais aprofundados usando
bons métodos de grego clássico disponíveis no mercado.
No final deste livro vamos sugerir alguma bibliografia
interessante para a aprendizagem do grego clássico.
53
7
Informações básicas sobre pInformações básicas sobre pInformações básicas sobre pInformações básicas sobre pontuaçãoontuaçãoontuaçãoontuação
Antes de iniciarmos os exercícios gerais de
decodificação das letras e palavras gregas, vamos rever
rapidamente algumas regras já explicadas e acrescentar
informações sobre pontuação.
Boa parte das regras referentes à escrita e à leitura do
grego clássico já foi tratada nos conjuntos das letras
isográficas, isofonéticas ou alográficas. Citamos brevemente o
caso dos acentos esclarecendo de forma simplória que as
palavras gregas recebem três tipos de acento, apenas para
indicar a sílaba tônica. São eles: acento agudo ( ´ ), acento
grave ( ` ) e circunflexo com as seguintes grafias ( ^ ~ ).
Logo após a tabela inicial das letras gregas,
apresentamos uma tabela com as pronúncias dos ditongos e
suas características de escrita.
Também mencionamos a regra do iota (ι). Isto é: toda
vogal longa recebe o iota que pode ser subscrito, ou seja,
escrito embaixo, ou adscrito, quer dizer, escrito do lado direito
quando a vogal for maiúscula.
Sobre os sinais de aspiração fizemos referência à
aspiração branda que não afeta a pronúncia, como no
exemplo da palavra ἀγάπη, e à aspiração rude, que acrescenta
à vogal um som equivalente ao ‘r’ da língua portuguesa.
54
Enfim, acabamos diluindo dentro da explicação de cada
letra um conjunto mínimo de regras fundamentais para a leitura
e escrita de letras e palavras gregas.
Visando acrescentar um pouco mais a essas regras,
apresentamos a seguir algumas informações sobre pontuação
do texto grego e sua relação com a pontuação da língua
portuguesa.
Então vejamos a correspondência entre a pontuação do
texto grego e o texto português.
Em grego, o ponto final (.) e a vírgula (,) são iguais ao
ponto final e a vírgula da língua portuguesa.
Um ponto alto no texto grego ( ˙ ) pode significar os
sinais de dois pontos ( : ), ponto e vírgula ( ; ) e até mesmo o
ponto de exclamação ( ! ) utilizados na língua portuguesa.
O ponto e vírgula ( ; ) no grego equivale ao ponto de
interrogação (?) utilizado na língua portuguesa.
Como curiosidade, gostaríamos de inteirar que os sinais
de pontuação começaram a surgir no século IV da era Comum.
Até então, os textos eram todos escritos com letras maiúsculas
e com as palavras todas juntas. Assim, quem lia tinha que
interpretar o que estava escrito.
Verifique a dificuldade lendo a frase abaixo:
“IDESVOLTARASNAOMORRERASNAGUERRA”
Observe agora a mesma frase com a correta pontuação e
separação entre as palavras:
“IDES! VOLTARAS? NÃO, MORRERÁS NA
GUERRA!”.
Esta frase está escrita em grego no local do Oráculo de
Delfos (século VII a.E.C.), na Grécia. É um dos lugares da
Antiguidade em que se faziam profecias consideradas divinas.
55
Perceba que poderíamos, com dificuldade, interpretar a
primeira escrita em letras maiúsculas: “Ides, voltarás, não
morrerás na guerra”. Porém, os linguistas entendem que o
correto seria mesmo: “Ides! Voltarás? Não, morrerás na
guerra!”.
Agora já sabemos os sinais de pontuação e sua
importância, assim como possuímos os elementos mínimos
necessários para treinarmos a leitura de palavras e pequenas
frases gregas. Com esse intuito iremos, a seguir, realizar uma
série de exercícios envolvendo todas as letras do alfabeto
grego. Vamos treinar a leitura, a pronúncia e a transliteração.
Como afirmado anteriormente, este não é um método de
grego clássico – é apenas uma pequena introdução ao alfabeto
grego. Portanto, iremos trabalhar com a escrita, com a
decodificação das letras gregas, exercitar as correspondências
com o alfabeto português, a pronúncia e a fixação das letras do
alfabeto grego.
O objetivo principal é o domínio do alfabeto grego por
meio de exercícios de familiarização sempre utilizando
palavras que se assemelhem o máximo possível à língua
portuguesa, facilitando a assimilação dos valores de pronúncia
e também de semelhança visual da escrita.
56
8
Exercícios geraisExercícios geraisExercícios geraisExercícios gerais de familiarizade familiarizade familiarizade familiarizaçãoçãoçãoção
Exercício de aquecimento
Como sempre propomos, antes de se iniciar os
exercícios sugerimos a realização de um aquecimento. Tome
uma folha pautada à parte, ou um caderno, e copie três vezes o
alfabeto grego. Em uma linha escreva as letras maiúsculas e, na
linha debaixo, as minúsculas. Exemplo:
Α Β Γ ∆ Ε Ζ Η Θ Ι Κ Λ Μ Ν Ξ Ο Π Ρ Σ Τ Υ Φ Χ Ψ Ω
α β γ δ ε ζ η θ ι κ λ µ ν ξ ο π ρ σ/ς τ υ φ χ ψ ω
Conforme você for escrevendo cada letra, repita
mentalmente o nome da mesma. Depois, leia cada uma em voz
alta pelo menos três vezes.
Exercícios de transliteração
1) Transliterar é transcrever a escrita de um alfabeto
em outro. No caso, exercitaremos primeiro a transcrição de
palavras da língua portuguesa para o grego clássico. Veja o
exemplo e realize a transcrição das seguintes palavras:
a) drama: δραµα
b) filosofia: _________________________
57
c) átomos: __________________________
d) apóstolos: ________________________
e) pólis: ___________________________
f) Theós: __________________________
g) chrónos: _________________________
h) Ramá: ___________________________
i) hippopotamοs: ____________________
j) grafo12
: __________________________
k) psique: ___________________________
2) Agora iremos realizar o exercício de transliteração no
sentido inverso, isto é, do grego para o português. Assim,
conforme o exemplo abaixo, efetue a transliteração das
seguintes palavras:
a) ὥρα: hora
b) ἀπολογία: ________________________
c) δέρµα: ___________________________
d) ἔθος: ____________________________
e) Ζεύς: ____________________________
f) κόσµος: __________________________
g) µέγα: ____________________________
h) ὁδός: ____________________________
i) Πεπικλῆς: ________________________
j) πάθος: ___________________________
12
A palavra grafo (do verbo grafar, sinônimo de escrever) está com o ‘o’
final sublinhado para indicar que se trata de uma vogal longa.
58
Exercícios de correspondência
3) Relacione as palavras da língua portuguesa com as
palavras gregas que lhe deram origem. Para esta atividade
estude o vocabulário a seguir:
ἀρχή => arché/arque = começo, princípio
βιβλίον => biblíon = livro
πυρός => pyros = fogo
φόβος => phobos = medo
φῶς => phós = luz
χρόνος => chronos = tempo
ψυχή => psiqué = vida, alma
Verifique o exemplo e continue o exercício.
(a) fósforo ( ) ψυχή
(b) arqueologia ( ) βιβλίον
(c) bibliografia ( ) πυρός
(d) pirotécnico ( ) ἀρχή
(e) aracnofobia ( ) φόβος
(f) cronômetro (a) φῶς
(g) psicologia ( ) χρόνος
4) Boa parte das palavras da língua portuguesa vem de
elementos do idioma grego. Assim, vamos trabalhar neste
exercício com alguns radicais13
gregos que dão origem a
palavras comumente utilizadas em português.
13
É o elemento mórfico que funciona como base do significado de uma
palavra. Por exemplo, democracia é uma palavra que possui o radical grego
59
Faça a correspondência entre os radicais gregos e as
palavras que deles se originaram. Siga o exemplo:
a) ἂνθρωπος = ser humano
b) ἀγρóς = campo
c) βίος = vida
d) γυνή = mulher
e) φίλος = amigo
f) φωνή = voz
g) σῶµα = corpo
h) πρῶτος = primeiro
( ) biologia
( ) ginecologista
( ) agropecuária
( ) filósofo
( ) psicossomático
( ) protótipo
( ) fonética
(a) antropologia
Exercícios de leitura e pronúncia
Para os exercícios de leitura e pronúncia sugerimos o
seguinte exercício de aquecimento, que deve preceder a cada
um dos exercícios de leitura e pronúncia:
δῆµος => demos = povo + cracia = poder, então o significado é: governo do
povo.
60
Realize a leitura da tabela inicial do livro na qual estão
todas as letras gregas, pronunciando-as em voz alta. Também
faça isso, da mesma forma, em relação à tabela dos ditongos.
Repita essa ação por três vezes de forma lenta e procurando
ouvir a própria pronúncia, assim buscando perceber eventuais
erros. O ideal seria gravar a pronúncia e compará-la às tabelas
para visualizar os valores de pronúncia de cada letra ou
ditongo.
5) Tape a coluna da pronúncia figurada14
à direita.
Realize a leitura das palavras gregas abaixo, conferindo uma
por uma, na coluna da direita, a pronúncia correta. Se possível,
grave sua leitura e compare com a pronúncia figurada.
(pronúncia figurada)
ἂλφα ..................................................... alfa
βῆτα ...................................................... béta
γάµµα..................................................... gáma
δέλτα..................................................... delta
ἔψσιλóν................................................. epsilôn
ζῆτα....................................................... sdéta
ἦτα........................................................ éta
θῆτα...................................................... théta
ἰῶτα...................................................... ióta
κάππα .................................................. capa
λάµβδα................................................. lámbda
14
A pronúncia figurada aqui significa exatamente como seria a leitura em
português, ou seja, a pronúncia será da forma como está escrita na coluna da
direita.
61
µῦ......................................................... mi
νῦ......................................................... ni
ξῖ ........................................................ ksi
ὂµικρóν............................................... omicrón
πῖ ........................................................ pi
ῥῶ ...................................................... rho
σίγµα.................................................. sígma
ταῦ .................................................... tau
ὖψλóν................................................ üpsilon
φῖ ...................................................... phi
χῖ ....................................................... qui
ψῖ ...................................................... psi
ὦµέγα................................................ oméga
62
9
ExercícioExercícioExercícioExercíciossss de leitura e pronúnciade leitura e pronúnciade leitura e pronúnciade leitura e pronúncia
com pequenas frasescom pequenas frasescom pequenas frasescom pequenas frases
Para o exercício atual, propomos que se cubra a
pronúncia figurada que está logo abaixo da frase e se proceda à
leitura em voz alta. Logo em seguida, descubra a pronúncia
figurada e verifique se houve erro. Repita o procedimento até
que a leitura se torne fluente. Novamente sugerimos que, se
possível, seja gravada a leitura – a fim de que a comparação
com a pronúncia figurada fique mais precisa.
a) ἔχω τὰ ἱµάτια.
êcho15
tá rimátia.
Tenho as vestes.
b) οὐκ ἀκούεις τῶν ἀνθρώπων.
uk akúeis tón anthrópon.
Não ouves os homens.
c) ὁ ὀφθαλµóς σου οὐκ ἦν ἀγαθóς.
rô ofthalmós su uk én agathós
O olho teu não era bom.
15
Com o objetivo de facilitar o entendimento da leitura e pronúncia, as
sílabas tônicas das palavras da pronúncia figurada estarão grafadas em
negrito.
63
d) ἡ γυνὴ ἔχει τρίχας καλάς.
ré guiné êquei trícas kalás.
A mulher tem cabelos belos.
e) ὁί ἄνθρωποι ἔκραζον.
roí anthrópoi êkrasdon.
Os homens gritavam.
f) ἐδίδασκεν τούς Ἕλληνας.
edídasken tus rêlenas.
Ensinavam os gregos.
g) ὁ ἄγγελος λέγει πρὸς αὐτάς.
rô ánguelos lêguei prôs autás.
O anjo fala para elas.
h) ἔγειρε καὶ περιπάτει.
êgueire kaí peripátei
Levanta-te e caminha.
i) ὁ λύχνος τοῦ σώµατóς ἐστíν ὁ ὀφθαλµóς.
rô lücnos tu sómatôs êstin rô ôfthalmós
A luz do corpo é o olho.
64
ConclusãoConclusãoConclusãoConclusão
Esperamos que este singelo trabalho possa ter
apresentado um panorama geral sobre o alfabeto grego clássico
e sua estreita relação com o alfabeto português, abrindo dessa
forma um horizonte de possibilidades e de incentivos para os
interessados em aprofundar o estudo do grego antigo, seja o
clássico ou o comum (koinê).
Reiteramos que os estudos aqui realizados e os
exercícios feitos irão ajudar também aqueles que optaram por
aprofundar os estudos do grego comum (koinê). Há uma boa
demanda para a aprendizagem deste tipo de grego antigo com
vistas a uma melhor e fiel exegese dos textos bíblicos,
considerando que os Evangelhos foram escritos com tal tipo de
evolução do idioma grego.
Priorizamos ao máximo a utilização de palavras gregas
que tivessem uma relação muito próxima à língua portuguesa,
buscando realizar continuamente essa correspondência entre os
dois alfabetos com o objetivo de tornar a aprendizagem mais
confortável e suave.
A divisão do alfabeto grego em três categorias de letras
(isográficas, isofonéticas e alográficas) teve como propósito
facilitar a aprendizagem sem imposição do idioma externo
(grego) sobre o idioma materno (português), pois entendemos
que toda imposição recebe em contrapartida uma resistência.
65
Assim, pelo menos em tese, partimos do que o aprendente já
sabia ou se apresentava como sendo mais fácil de entender.
Explorando sempre semelhanças e aproximações entre
os dois alfabetos, tentamos de forma simples expor as
facilidades e dificuldades do alfabeto grego em relação ao
alfabeto português.
Os exercícios tanto de aquecimento quanto os de
fixação e aprendizagem foram importantes para a compressão e
entendimento da pronúncia, proporcionando ao final uma
melhor fluência na leitura.
Encerrando o livro presente, elencamos algumas obras
importantes para o estudo do grego antigo. Vamos destacar,
segundo nossa experiência particular de aprendizagem, quais se
apresentaram mais interessantes ao estudo do grego clássico e
do grego comum (koinê).
Para o aprendizado do grego clássico o método mais
utilizado nos meios acadêmicos (tanto nas universidades
americanas, inglesas e até brasileiras, existindo inclusive uma
versão em língua portuguesa) é o Aprendendo Grego, da Joint
Association of Classical Teachers. É o que há de melhor na
aprendizagem do grego clássico. O Ancient Greek: A New
Approach, de Carl Ruck, também é um bom método com uso
em universidades estrangeiras. O problema é que ainda não
contamos, até agora, com uma tradução para a língua
portuguesa.
66
Os livros Língua grega: visão semântica, lógica,
orgânica e funcional e Língua Grega – Volume II Prática, de
Henrique Murachco, são uma boa opção disponível em língua
portuguesa. A obra Gramática Grega, de Antonio Freire,
apresenta-se, do início ao fim, como um método bem
fundamentado, principalmente nos aspectos gramaticais.
Quanto aos métodos de aprendizagem do grego comum
(koinê), os quais utilizam a pronúncia erasmiana, destaco a
obra Noções do Grego Bíblico: Gramática Fundamental, de
Rega e Bergmann. Este método é muito detalhado e fruto de
trabalhos de ensino de grego realizados ao longo de mais de
vinte anos. Em língua portuguesa, certamente merece destaque
entre os melhores.
Destacamos igualmente a obra Gramática do Grego do
Novo Testamento, de Swetnam. É uma gramática utilizada há
mais de trinta anos por alunos do Pontifício Instituto Bíblico,
portanto é um método muito experimentado. Obra muito
minuciosa, é composta por dois volumes. O primeiro está
relacionado à morfologia e, o segundo, com as chaves para a
resolução dos exercícios e paradigmas.
Evidentemente, tais obras não são indicações de
compra. O interessado deverá pesquisar mais sobre cada uma
delas antes de adquiri-las e analisar se suas metodologias se
alinham ao seu perfil de estudante autodidata. Cada pessoa tem
uma afinidade específica com determinado método, além de
interesses diferentes. Por exemplo, se alguém quer aprofundar
o conhecimento do grego clássico deve escolher o método que
67
vai trabalhar com esse tipo de grego antigo. Por outro lado, se o
interesse é aprofundar estudos em relação aos textos bíblicos
deve-se buscar o método que desenvolva tal tipo de grego, ou
seja, o grego comum (koinê). Outrossim, nada impede que o
estudante bem capacitado no grego clássico não consiga ler e
entender o grego comum (koinê).
Assim, ao final deste pequeno estudo introdutório ao
alfabeto grego, desejamos que o mesmo possa ter sido de
grande valia para aqueles que se propuseram a lê-lo e a realizar
os exercícios sugeridos. Esperamos que o estudo deste pequeno
livro tenha intuído nos leitores novas possibilidades de
aprendizagem, entusiasmo em prosseguir estudos mais
aprofundados do grego, prazer em ser capaz de decodificar e
ler a palavra composta pelos caracteres gregos, admiração ao
entender a estreita relação entre a língua portuguesa e o idioma
grego, e auxílio na parte inicial de aprendizagem do grego
antigo.
Encerramos com o mesmo pensamento com o qual
iniciamos, o qual é de autoria do professor Carl A. P. Ruck: “O
grego vale a pena? Não tivessem os meios de comunicação em
massa convertido o homem de ser pensante em ser
‘comprante’, a resposta à nossa pergunta seria autoevidente”.
68
Resolução dResolução dResolução dResolução dos eos eos eos exercíciosxercíciosxercíciosxercícios
Resolução do exercício 1
a)
Α α (alfa) Β β (beta) Ε ε (épsilon) Ι ι (iota)
Κ κ (capa) Μ µ (Mi) Ο ο (ômicron) Τ τ (tau)
b)
T t : Τ τ O o: Ο ο M m: Μ µ
K k: Κ κ I i: Ι ι E e: Ε ε
Resolução do exercício 2
a) (ι) iota; (ο) ômicron; (α) alfa
b) (ι) iota; (ο) ômicron; (τ) tau; (α) alfa; (µ) mi
c) (κ) kapa; (α) alfa; (τ) tau
d) (ε) épsilon
e) (µ) mi; (ι) iota; (κ) kapa; (ο) ômicron
f) (β) beta; (α) alfa; (ο) ômicron
g) (α) alfa; (µ) mi
69
Resolução do exercício 3
a)
Γ γ (gama) ∆ δ (delta) Η η (eta) Λ λ (lambda)
Π π (pi) Ρ ρ (rô) Σ σ ς (sigma) Ω ω (ômega)
b)
E e : Η η O o: Ω ω P p: Π π
L l : Λ λ P p: Ρ ρ S s: Σ σ ς
Resolução do exercício 4
a) (λ) lambda; (σ) sigma
b) (π) pi; (ς) sigma
c) (Σ) sigma; (ω) ômega; (ρ) rô; (η) eta; (ς) sigma
d) (Σ) sigma; (λ) lambda; (η) eta
e) (ρ) rô
f) (ρ) rô; (ς) sigma
g) (δ) delta; (ρ) Rô
h) (γ) gama; (ρ) rô; (ω) ômega
70
Resolução do exercício 5
a)
Ζ ζ (zeta) Θ θ (theta) Ν ν (ni) Ξ ξ (ksi)
Υ υ (ípsilon) Φ φ (phi) Χ χ (qui) Ψ ψ (psi)
b)
N n : Ν ν ks: Ξ ξ Y y: Υ υ
F f: Φ φ ch/kh: Χ χ ps: Ψ ψ
Resolução do exercício 6
a) φιλοσοφια = (φ) phi
b) ναυτικóς = (ν) ni
c) νύξ = (ν) ni; (υ) ípsilon; (ξ) ksi
d) χρóνος = (χ) qui; (ν) ni
e) γράφω = (φ) phi
f) Θεóς = (Θ) theta
g) Ζεύς = (Ζ) zeta; (υ) ípsilon
h) χθές = (χ) qui; (θ) theta
i) ψευδής = (ψ) psi; (υ) ípsilon
71
Resolução dos exercícios gerais de familiarização
Exercícios de transliteração
1)
a) drama: δραµα
b) filosofia: φιλοσοφια
c) átomos16
: ἂτοµος
d) apóstolos: ἀπόστολος
e) pólis: πόλις
f) Theós17
: Θεός
g) chrónos: χρόνος
h) Ramá: Ῥαµά
i) hippopotamοs: ἱπποποταµος
j) grafo: γραφω
k) psiqué: ψυχή18
2)
16
A palavra “átomos” está no plural em português. Em grego, ἂτοµος está
no singular e significa, portanto, átomo. Quando uma palavra grega termina
em sigma (letra equivalente ao ‘s’ da língua portuguesa), não significa
necessariamente que ela está no plural. No caso específico, incluímos as
palavras “átomos” e ἂτοµος unicamente com a intenção de usar suas
semelhanças gráficas para fins didáticos. A mesma observação cabe às
palavras apóstolos e ἀπόστολος.
17
A palavra Theós significa Deus e está transcrita com os caracteres latinos
para fins didáticos, facilitando a transliteração para as letras gregas.
Igualmente se encontram nessa situação as palavras chrónos e
hippopotamοs, que significam, respectivamente, tempo e hipopótamo.
18
Palavra grega que pode significar vida ou alma.
72
a) ὥρα: hora
b) ἀπολογία: apologia
c) δέρµα: derma = pele
d) ἔθος: ethos = costume, hábito
e) Ζεύς: Zeus
f) κόσµος: cosmos = universo
g) µέγα: mega = grande
h) ὁδός19
: rodós = estrada, caminho
i) Πεπικλῆς: Péricles
j) πάθος20
: pathos = sofrimento, doença
Exercícios de correspondência
3)
(g) ψυχή ; (c) βιβλίον ; (d) πυρός ; (b) ἀρχή ;
(e) φόβος ; (a) φῶς ; (f) χρόνος
4)
(c) biologia; (d) ginecologista; (b) agropecuária;
(e) filósofo; (g) psicossomático; (h) protótipo;
(f) fonética; (a) antropologia ;
19
Rodós dá origem às seguintes palavras usadas na língua portuguesa:
rodovia, rodoviária e rodoviário.
20
Pathos dá origem à palavra patologia, que é o ramo da medicina que trata
da natureza, causas e sintomas das doenças.
73
GLOSSÁRIOGLOSSÁRIOGLOSSÁRIOGLOSSÁRIO
GREGO – PORTUGUÊS
ἂλφα – alfa
ἀγαθóς: bom.
ἀγάπη: amor.
ἄγκυρα: âncora.
ἄγγελος: anjo.
ἀγρóς: campo.
ἀκούεις: ouves.
ἀνδρóς: homem, referente ao gênero masculino.
ἂνθρωπος: ser humano, homem.
ἀνθρώπων: homens (plural, genitivo).
ἄνθρωποι: homens (plural, nominativo).
ἀπολογία: apologia, defesa.
ἀπόστολος: apóstolo, enviado, mensageiro.
ἀρχή: início, princípio, começo.
αὐτάς: elas.
ἂτοµος: átomo, não divisível.
βῆτα – beta
βάρβαρος: bárbaro.
βάλλω: lançar, atirar.
βιβλίον: livro.
βίος: vida.
74
γάµµα – gama
γάµος: casamento.
γένος: raça, espécie.
γέρον: ancião, velho.
γράφω: grafar, escrever.
γυνή: mulher.
δέλτα – delta
δέρµα: derma, pele.
διδάσκαλος: mestre, professor.
δóγµα: lei, decreto.
δρᾶµα: drama.
ἔψσιλóν – épsilon
ἔγειρε: levanta-te.
ἐγχρίω: ungir.
ἐδίδασκεν: ensinava.
ἔθος: costume, hábito.
ἔκραζον: gritavam.
Ἕλληνας: gregos.
ἐστιν: é.
ἔχει: tem.
ἔχω: tenho.
ζῆτα – zeta
Ζεύς: Zeus.
ζῆλος: zelo, cuidado.
75
ζóφος: escuridão, trevas.
ἦτα – eta
ἡ: a (artigo definido feminino).
ἦν: era.
ἡµεῖς: nós.
Ἡρακλῆς: nome próprio, Héracles.
ἠώς: aurora.
θῆτα – theta
Θεóς: Deus.
θάλασσα: mar.
θάνατος: morte.
ἰῶτα – iota
ἱερόν: templo, santuário.
ἱµάτια: vestes.
ἱπνος: sono.
ἱπποποταµος: hipopótamo.
Ἰσραήλ: nome próprio Israel.
ἰσχυρός: forte, poderoso.
κάππα – capa
καὶ: e (conjunção).
κακός: mau, ruim.
καλάς: belos.
76
καλῶς: bem.
κεφαλή: cabeça.
κόσµος: cosmo, Universo.
λάµβδα – lambda
λέγει: fala.
λέγω: falar, dizer.
λίθος: pedra.
λóγος: razão, fala, palavra.
λύχνος: luz.
µῦ – mi
µέγα: grande.
µικρο: pequeno.
µóνος: zozinho.
µóρφωσις: formar, dar forma.
µῶµος: vergonha.
µωρóς: estúpido, louco.
νῦ – ni
ναί: sim.
ναυτικóς: náutico, naval.
νεκρóς: cadáver.
77
νóµος: lei.
νύξ: noite.
ξῖ – ksi
ξένος: estrangeiro.
ξενίζω: acolher.
ξυράω: raspar, barbear.
ὂµικρóν – ômicron
ὁ: o (artigo definido masculino)
ὁδός: estrada, caminho.
ὁί: os (artigo definido masculino – plural)
ὀλίγος: pouco, pequeno.
οὐκ: não.
οὐρανός: céu.
ὀφθαλµóς: olho.
πῖ – pi
πάθος: pathos, sofrimento, doença.
Πεπικλῆς: nome próprio, Péricles.
περιπάτει: caminha.
πόλις: pólis, cidade.
πρὸς: para.
πρῶτος: primeiro.
πυρός: fogo.
78
ῥῶ – rho
ῥαββί: mestre, mas trata-se de uma palavra de origem hebraica
que foi helenizada. Mestre, no grego clássico, é διδάσκαλος e
pronuncia-se didáscalos.
Ῥαµά: cidade citada na Bíblia, que ficaria no norte de Israel.
ῥῆµα: palavra.
Ῥουβήν: nome próprio, Rubem.
σίγµα – sigma
σάλπιγξ: corneta, trombeta.
Σελήνη: nome próprio, Selene.
σου: teu.
σοφιᾶ: sabedoria.
σοφóς: sábio.
Σωκράτης: nome próprio, Sócrates.
σῶµα: corpo, pessoa.
σώµατóς: corpo.
ταῦ – tau
τὰ: as.
τρίχας: cabelos.
τοῦ: do.
τούς: os.
τῶν: os
79
ὖψλóν – ípsilon
ὑπó: sob, debaixo de.
ὑποκριτής: hipócrita, falso.
υἱóς: filho.
φῖ – phi
φιλοσοφια: filosofia.
φόβος: fobia, medo.
φωνή: voz.
φῶς: luz.
χῖ – qui
χθές: ontem.
χριστóς: ungido.
χρóνος: tempo.
ψῖ – psi
ψευδής: falso.
ψυχή: vida, alma.
ὦµέγα – ômega
ὠθέω: empurrar.
ὥρα: hora.
ὡς: como.
80
BIBLIOGRAFIABIBLIOGRAFIABIBLIOGRAFIABIBLIOGRAFIA
ALEXANDRE Júnior, M. Gramática de Grego Clássico e
Helenístico. Lisboa: Alcalá, 2003.
DOBSON, John H. Aprenda o Grego do Novo Testamento.
Trad. Lucian Benigno. 4. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
FREIRE, Antonio. Gramática Grega. São Paulo: Editora
Martins Fontes, 2005.
JOINT ASSOCIATION OF CLASSICAL TEACHERS.
Aprendendo grego. Tradução de Luiz Alberto Machado Cabral.
São Paulo: Odysseus, 2010.
LIDDELL, H. G., Abridged Greek Lexicon, Oxford: Oxford
University Press, 1977.
LUZ Waldyr Carvalho. Manual de Língua Grega. Vols. I-III.
Cambuci: Casa Editora Presbiteriana, 1991.
MALZONI, Cláudio Vianney. 25 Lições de Iniciação ao
Grego do Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2009.
MURACHCO, Henrique. Língua grega: visão semântica,
lógica, orgânica e funcional. São Paulo: Discurso Editorial /
Vozes, 2001.
81
______. Língua Grega – Volume II Prática. 3. ed. Petrópolis:
Vozes, 2007.
PEREIRA, Isidro. Dicionário Grego-Português e Português-
Grego. Braga: Livraria-Editora Apostolado da Imprensa, 1998.
REGA, L. S.; BERGMANN, J. Noções do Grego Bíblico:
Gramática Fundamental. São Paulo: Vida Nova, 2004.
RUCK, Carl A. P. Ancient Greek: A New Approach. 2. ed.
Cambridge: MIT press, 1996.
RUSCONI, C. Dicionário de Grego do Novo Testamento.
Traduzido do italiano por Irineu Rabuske. São Paulo: Paulus,
2003.
SWETNAM, J. Gramática do Grego do Novo Testamento I-II.
Traduzido do inglês por Henrique Murachco, Juvino A. Maria
Jr. e Paulo Bazaglia. São Paulo: Paulus, 2002.
TAYLOR, W. C. Introdução ao estudo do Novo Testamento
grego – Gramático. Rio de Janeiro: JUERP, 1983 / 1990.
Alfabeto grego classico - M. J. Cenatti

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Alfabeto grego classico - M. J. Cenatti

  • 2. 1 Márcio José Cenatti O AO AO AO ALFABETOLFABETOLFABETOLFABETO GREGO CLÁSSICOGREGO CLÁSSICOGREGO CLÁSSICOGREGO CLÁSSICO Alguns estudos introdutórios para iniciantes “O grego vale a pena? Não tivessem os meios de comunicação em massa convertido o homem de ser pensante em ser ‘comprante’, a resposta à nossa pergunta seria autoevidente.” (Carl A. P. Ruck) São Paulo – 2014
  • 3. 2 Copyright © Márcio José Cenatti Projeto gráfico: Editora Ixtlan Diagramação: Márcia Todeschini Revisão: Daniel Aço Sílvia Helena Rodrigues Cenatti Capa: Editora Ixtlan Cenatti, Márcio José O alfabeto grego clássico: alguns estudos introdutórios para iniciantes. Editora Ixtlan. - São Paulo - 2014 ISBN: 978-85-8197-169-8 1.Língua grega clássica 2.Título CDD 480 Proibida a reprodução total ou parcial dos textos para qualquer fim, sem autorização prévia e por escrito do autor. Os infratores serão punidos na forma da lei.
  • 4. 3 Dedico à Sílvia, minha esposa e inspiração para todos os momentos...
  • 5. 4 SUMÁRIOSUMÁRIOSUMÁRIOSUMÁRIO Introdução................................................................................................5 Um pouco da história do alfabeto e do idioma grego ...............................9 O alfabeto grego clássico e sua pronúncia ..............................................13 Por que familiarização ao alfabeto grego? .............................................20 Letras isográficas ....................................................................................23 Letras isofonéticas..................................................................................33 Letras alográficas....................................................................................44 Informações básicas sobre pontuação....................................................53 Exercícios gerais de familiarização..........................................................56 Exercícios de leitura e pronúncia com pequenas frases ..........................62 Conclusão...............................................................................................64 Resolução dos exercícios ........................................................................68 Glossário ................................................................................................73 Bibliografia .............................................................................................80
  • 6. 5 INTRODUÇÃOINTRODUÇÃOINTRODUÇÃOINTRODUÇÃO finalidade deste livro não é ser um método de ensino de grego clássico. Longe disso, trata-se apenas de um estudo introdutório ao alfabeto grego com base na pronúncia reconstituída. Com certa frequência se observa que uma grande parte dos métodos de ensino de grego disponíveis no mercado acabam dando pouca atenção ao alfabeto grego. Passam muito rapidamente pelo alfabeto grego e logo introduzem questões gramaticais do tipo: casos, verbos, declinação de substantivos e tempos verbais. Considerando que o período inicial de aprendizagem do grego é de extrema importância, faz-se necessário realizar uma familiarização ao alfabeto a ser aprendido. Ela será fundamental para sustentar a aprendizagem futura. Nesse sentido, esta pequena obra tem por objetivo tentar suprir tal deficiência inicial no aprendizado do grego clássico – ainda mais para as pessoas que buscam aprendê-lo de forma autodidata. O método de familiarização que se propõe aqui parte da ideia de que o estudante já sabe grego sem nunca ter estudado a língua. Sim, como a língua portuguesa herdou uma grande quantidade de radicais gregos, falamos grego sem sequer termos a consciência disso. A
  • 7. 6 No momento inicial é que as pessoas devem se encantar pela aprendizagem. O ser humano sente-se estimulado a aprender quando constata que já conhece um pouco daquilo que está sendo ensinado. Assim, procurando desenvolver a familiarização do aprendente com o alfabeto grego, tentaremos entusiasmá-lo a lançar fora os preconceitos e ideias do tipo: “grego é muito difícil”, “parece que as letras estão de cabeça para baixo”, “não sou bom para aprender idiomas”. Este pequeno estudo introdutório dará destaque ao alfabeto grego. Realizará análises comparativas com o alfabeto português no intuito de estabelecer uma razoável aprendizagem inicial para que os interessados em continuar a se aprofundar no estudo do grego clássico consigam, pelo menos, decodificar as letras gregas, lê-las e pronunciá-las. Portanto, não se trata de saber interpretar o significado daquilo que se está lendo e sim saber decodificar, ler e pronunciar aquilo que está sendo lido. Como dissemos anteriormente, o estudo presente não é um método de aprendizagem de grego clássico; é apenas uma ferramenta inicial que poderá abrir caminho para o aprofundamento do assunto com os bons métodos de grego clássico existentes no mercado. No primeiro capítulo procuramos descrever um pouco sobre a origem do alfabeto grego e a evolução do idioma grego no decorrer da História. Em seguida, apresentamos uma tabela com as letras gregas e suas correspondentes no alfabeto português, bem como uma tabela com os ditongos do grego clássico. Nesse segundo capítulo começamos a esclarecer os
  • 8. 7 primeiros aspectos da pronúncia reconstituída de cada letra grega. Já o terceiro capítulo ficou dedicado à exposição das razões do método que utilizamos e ao significado do termo familiarização ao alfabeto grego. Para este estudo dividimos suas letras em três categorias: Isográficas, Isofonéticas e Alográficas. São respectivamente o quarto, o quinto e o sexto capítulos. Além das análises comparativas entre as letras do alfabeto português e o alfabeto grego, serão retomados os detalhes das pronúncias, propostos exercícios de aquecimento e exercícios de fixação e aprendizagem. Todos os exercícios contam com sua devida resolução no final do livro. O sétimo capítulo elenca alguns aspectos importantes quanto à pontuação no idioma grego. No oitavo capítulo apresentamos uma série de exercícios gerais de familiarização que incluem a transliteração, a correspondência, a leitura e a pronúncia de palavras gregas que possuem estreita relação com palavras da língua portuguesa. Exercícios de leitura e pronúncia com pequenas frases é a proposta do nono capítulo. As pequenas frases vêm acompanhadas de tradução e com pronúncias figuradas. Por fim, logo em seguida, realizamos a conclusão deste estudo introdutório ao alfabeto grego lançando um pequeno glossário (Grego – Português) com todas as palavras gregas utilizadas neste livro, bem como outras que entendemos interessantes no contexto do estudo.
  • 9. 8 Assim, acreditamos ser bem provável que esta pequena obra possa ajudar em muito aqueles que desejam ter um primeiro contato com o grego clássico ou, até mesmo, o grego comum (koinê). Após isso, quiçá poderão iniciar um estudo mais sério e aprofundado usando os ótimos métodos disponíveis no mercado.
  • 10. 9 1 Um pouco da hiUm pouco da hiUm pouco da hiUm pouco da história dostória dostória dostória do alfabetoalfabetoalfabetoalfabeto e do idiomae do idiomae do idiomae do idioma gregogregogregogrego Estudiosos modernos entendem que o alfabeto grego deriva basicamente do alfabeto fenício – a Fenícia corresponde à região do atual Líbano –, tendo sido introduzido na Grécia provavelmente por mercadores. O alfabeto grego surgiu em meados do século VIII a.E.C.1 , alguns séculos depois da queda da civilização Micênica e do consequente abandono de sua escrita Linear B, um dos primeiros sistemas de escrita gregos. O alfabeto grego, composto por 24 letras, aparece então após a denominada Idade das Trevas grega, ou seja, o período entre o fim de Micenas (cerca de 1200 a.E.C.) e a ascensão da Grécia Antiga – que começa com o surgimento dos épicos poemas Ilíada e Odisseia, tradicionalmente atribuídos a Homero, cerca de 800 a.E.C. Sua mudança mais notável, como uma adaptação do alfabeto fenício, é a introdução das vogais. Os idiomas são sabidamente dinâmicos, o que não podia ser diferente com o idioma grego. Assim, é verificável no decorrer da História a evolução do idioma grego desde a sua origem até os dias atuais. 1 Antes da era Comum, ou seja, a.C. (antes de Cristo).
  • 11. 10 É historicamente possível classificar a evolução do idioma grego por períodos assim denominados: 1) Clássico: compreendido entre 900 a.E.C. a 330 a.E.C. Nesse período, o dialeto ático (grego) falado na região de Atenas acabou predominando e se tornando a forma padrão do idioma. Os dramaturgos Ésquilo, Sófocles, Eurípides e Aristófanes, bem como os filósofos Platão e Aristóteles, todos utilizaram o grego ático em suas obras. Trata-se, portanto, do mais estudado nos cursos de grego antigo. 2) Comum ou Koinê: compreendido entre 330 a.E.C. até 330 da E.C. Tem início com a expansão do Império Macedônico de Alexandre Magno, que acabou por difundir o idioma e a cultura grega por todos os territórios por ele conquistados – sobretudo no Oriente e até mesmo em parte da Índia. Aos poucos, uma nova forma de civilização surgiu, a chamada de helenística, com predominância do idioma grego. Os grandes centros da cultura helenística eram as cidades de Alexandria, Pérgamo e Antioquia. Mesmo com a posterior dominação romana, o grego comum continuou a ser usado por toda a parte oriental do Império Romano como uma espécie de língua franca2 , sendo provavelmente mais importante em sua época do que o inglês é hoje como língua universal. Cabe ainda citar que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, todo o Novo Testamento foi escrito em grego comum (koinê), 2 Língua franca é uma expressão latina para língua de contato ou língua de relação resultante do contato e comunicação entre grupos ou membros de grupos linguisticamente distintos para o comércio internacional e outras interações.
  • 12. 11 havendo na atualidade uma boa demanda pela aprendizagem dessa evolução do grego clássico para fins de exegese bíblica e outros estudos relacionados aos Evangelhos. 3) Bizantino: Em 330 da Era Comum3 , o imperador romano Constantino transferiu a capital romana para Bizâncio, denominando-a de Constantinopla – hoje Istambul, na Turquia. O grego usual naquela região já era o grego bizantino, uma evolução do grego comum (koinê). O fim desse período está associado à queda de Constantinopla em 1453 para o Império Otomano. O grego bizantino foi utilizado nas cópias de muitos escritos do Novo Testamento e é ainda utilizado na liturgia da Igreja Católica Bizantina Grega. 4) Moderno ou Romaico: é o grego falado hoje na Grécia e no Chipre. Difere um pouco do grego clássico, principalmente no que se refere à pronúncia. Considerando-se a linha evolutiva do idioma grego, pode-se observar que o grego clássico se encontra num ponto privilegiado, isto é, está situado dentro do período de consolidação e auge da cultura grega antiga. Assim, conclui-se que uma das relevâncias do estudo do grego é proporcionar oportunidades de acesso à leitura e entendimento não só do grego clássico propriamente, mas dar embasamento teórico para o estudo do grego comum (koinê), bizantino e até mesmo o grego moderno. 3 E.C., ou seja, d.C. (depois de Cristo).
  • 13. 12 Esta pequena obra não tem a pretensão de ser um método de grego clássico, porém uma ferramenta inicial para contato com o mais básico do grego que é o seu alfabeto, pronúncia e transliteração (algo que fica a desejar na maioria dos métodos modernos, que infelizmente dão uma atenção mínima para o alfabeto). Cabe destacar que o conhecimento do grego clássico é de grande importância aos estudiosos e interessados na análise de documentos antigos, bem como na paleografia, na melhoria da hermenêutica dos textos filosóficos e na exegese dos textos bíblicos. Por isso que dominar bem o alfabeto, sua pronúncia e transliteração é fundamental ao iniciante, sobretudo se não tiver uma facilidade peculiar na aprendizagem de outro idioma. É provável que a obra presente possa ajudar muito aqueles que desejam ter um primeiro contato com o grego clássico e até mesmo com o grego comum (koinê), a fim de posteriormente iniciar um estudo mais sério e aprofundado usando os ótimos métodos disponíveis no mercado.
  • 14. 13 2 O alfabeto grego clássicoO alfabeto grego clássicoO alfabeto grego clássicoO alfabeto grego clássico e sue sue sue sua pronúnciaa pronúnciaa pronúnciaa pronúncia Não se sabe com precisão como as letras gregas eram pronunciadas na Antiguidade. Um erudito do século XVI chamado Erasmo de Rotterdam propôs uma pronúncia para facilitar o aprendizado do grego. Ela ficou conhecida por pronúncia erasmiana e é utilizada até hoje. Contudo, os estudiosos de fonética desenvolveram a chamada pronúncia reconstituída do grego, sendo esta a mais utilizada nos meios acadêmicos na atualidade. Com base em evidências históricas e científicas ela procura se aproximar ao máximo da pronúncia original. Com certeza, dentro de alguns anos ela vai conseguir universalizar o aprendizado do grego clássico e a pronúncia erasmiana cairá em desuso definitivo na aprendizagem deste tipo de grego antigo. Assim, utilizaremos aqui a pronúncia reconstituída para nos alinharmos à atual tendência acadêmica do estudo do grego clássico. Para uma visão panorâmica do alfabeto grego, disponibilizamos adiante uma tabela com as letras maiúsculas e minúsculas4 , pronúncia e transliteração.5 4 Originalmente, o grego clássico possuía apenas letras maiúsculas. As letras minúsculas foram introduzidas no século IX por escribas que faziam
  • 15. 14 cópias do Novo Testamento com a finalidade de diminuir o tamanho dos volumes, agilizar e baratear a produção dos mesmos. 5 Transliterar é transcrever a escrita de um alfabeto para outro. No caso presente, do grego clássico para a língua portuguesa e vice-versa. Letras maiúsculas, minúsculas e o nome Pronúncia Trans. Α α Alfa ‘ a ’ como em ‘altar’ a Β β Beta ‘ b ’ como em ‘bela’ b Γ γ Gama ‘ g ’ como em ‘gato’ g ∆ δ Delta ‘ d ’ como em ‘data’ D
  • 16. 15 Ε ε épsilon ‘ e ’ como em ‘ema’ e Ζ ζ Zeta ‘ sd ’ como em ‘desde’ z Η η Eta ‘ e ’ como em ‘café’ e Θ θ Theta ‘ th ’ como to think, verbo pensar em inglês th Ι ι Iota ‘ i ’ como em ‘mina’ i Κ κ Kapa ‘ k ’ como em ‘Karina’ ou ‘capa’ c Λ λ lambda ‘ l ’ como em ‘luz’ L
  • 17. 16 6 Esta grafia do sigma minúsculo é utilizada somente no final de palavras gregas e nunca no meio das palavras. Μ µ Mi ‘ m ’ como em ‘microfone’ m Ν ν Ni ‘ n ’ como em ‘nada’ n Ξ ξ Ksi ‘ x ’ como em ‘táxi’ x Ο ο ômicron ‘ o ’ como em ‘ovo’ o Π π PI ‘ p ’ como em ‘pilha’ p Ρ ρ Rô ‘ r ’ como em ‘caro’ r Σ σ ς6 Sigma ‘ ss ’ como em ‘passagem’ s
  • 18. 17 Τ τ Tau ‘ t ’ como ‘tatu’, mas nunca como ‘time’ ou ‘tia’ t Υ υ ípsilon ‘ ü ’ como em ‘Müller’, o ‘u’ pronunciado com os lábios arredondados u / y Φ φ Phi ‘ f ’ como em ‘filosofia’ ph Χ χ Qui ‘qui’ como em ‘máquina’ ch Ψ ψ psi ‘ psi ’ como em ‘psicólogo’ ps Ω ω ômega ‘ o ’ como em ‘sola’ o
  • 19. 18 A seguir, uma tabela com os ditongos7 e suas respectivas pronúncias: DITONGOS DO GREGO CLÁSSICO DITONGOS Letras maiúsculas e minúsculas PRONÚNCIA ΑΙ αι ‘ai’ como em “pai” ΑΥ αυ ‘au’ como em “mau” ΟΙ οι ‘oi’ como em “jiboia” ΕΥ ευ ‘eu’ como em “véu” ΟΥ ου u como em “luva” Até aqui adotamos o mesmo esquema apresentado na maioria dos métodos de grego antigo. Porém, daqui em diante 7 De forma simplória, vamos definir o ditongo como sendo o encontro de duas vogais na mesma sílaba. Por exemplo: paixão, saudade, jiboia, céu.
  • 20. 19 iniciaremos o processo de familiarização ao alfabeto grego8 voltado aos falantes de língua portuguesa. Como dissemos anteriormente, não é o objetivo desta pequena introdução ao alfabeto grego clássico ser exatamente um método de ensino de grego antigo. Portanto, não iremos nos aprofundar sobre questões mais complexas como as declinações e tempos verbais. Deteremo-nos apenas às letras, sua pronúncia, sua transliteração e leitura básica de palavras. 8 Doravante, sempre que nos referirmos à pronúncia do “alfabeto grego” estaremos relacionando este termo ao “alfabeto grego clássico” no que diz respeito apenas à pronúncia reconstituída e não às pronúncias erasmiana ou moderna.
  • 21. 20 3 Por quePor quePor quePor que familiarizaçãofamiliarizaçãofamiliarizaçãofamiliarização aaaao alfabeto grego?o alfabeto grego?o alfabeto grego?o alfabeto grego? Com dedicação e estudos diários, pelo menos meia hora por dia e um bom método de grego clássico, é bem provável que você irá conseguir aprendê-lo. Mas para o falante de língua portuguesa, que no caso utiliza o alfabeto latino, é necessário dedicar razoável atenção durante o período inicial de aprendizagem. Observamos que mesmo os bons métodos disponíveis no mercado introduzem muito rapidamente o alfabeto grego e logo passam às questões gramaticais, tais como casos, verbos, declinação de substantivos e tempos verbais – o que acaba por desmotivar as pessoas que se propõem a estudar o grego, principalmente de forma autodidata. Considerando que o período inicial de aprendizagem do grego é de extrema importância, faz-se necessário realizar uma familiarização ao alfabeto a ser aprendido. Ela será fundamental para sustentar a aprendizagem futura. Nesse sentido, esta pequena obra tem por objetivo tentar suprir tal deficiência inicial do aprendizado do grego clássico. O método de familiarização que se propõe aqui parte da ideia de que o estudante já sabe grego sem nunca tê-lo estudado. Sim, a língua portuguesa herdou uma grande quantidade de radicais gregos de forma que falamos grego sem mesmo ter consciência disso.
  • 22. 21 Nesse momento inicial é quando as pessoas devem se encantar pela aprendizagem. O ser humano sente-se estimulado a aprender quando constata que já conhece um pouco daquilo que esta sendo ensinado. Assim, ao procurar desenvolver a familiarização do aprendente com o alfabeto grego, tentaremos entusiasmá-lo a lançar fora os preconceitos e ideias do tipo: “grego é muito difícil”, “parece que as letras estão de cabeça para baixo”, “não sou bom para aprender idiomas”. O ponto inicial de familiarização ao alfabeto grego sempre será o alfabeto da língua portuguesa. Ou seja, segue de forma geral em sentido contrário à maioria dos métodos de aprendizagem da língua grega. Por isso, dividiremos o alfabeto grego em três categorias de letras: isográficas, isofonéticas e alográficas. Iniciaremos o estudo pelas isográficas, isto é, aquelas que têm a escrita e a pronúncia muito semelhantes às do alfabeto português. A proposta de aprendizagem se dará, dessa maneira, pelos seguintes motivos: a) O aprendente não deve sentir que um idioma externo está se impondo ao seu idioma materno. Quando se parte do idioma materno para o idioma externo, a percepção é de receptividade e não de imposição. Geralmente as pessoas têm uma “natural” predisposição contra aquilo que é imposto, do que vem de fora. b) O aprendente precisa ser estimulado a acreditar que já sabe parte daquilo que vai ser ensinado, pois isso pode ser
  • 23. 22 útil para prender sua atenção já que ele se sentirá apto a tentar deduzir o que está sendo ensinado. c) É fácil associar uma letra do alfabeto português que se conhece a uma letra do alfabeto grego e vice-versa. No próximo capítulo entraremos propriamente na análise e familiarização ao alfabeto grego. Como dissemos, durante o processo dividiremos as letras do alfabeto grego em três grupos: letras isográficas, isofonéticas e alográficas. Portanto, não seguiremos o alfabeto em sua ordem lógica, mas iniciaremos a análise a partir destes grupos trabalhando as semelhanças e as diferenças entre as letras utilizadas nos alfabetos grego e da língua portuguesa.
  • 24. 23 4 Letras isográficasLetras isográficasLetras isográficasLetras isográficas Um terço do alfabeto grego é composto por letras isográficas. Classificaremos para fins deste estudo as letras isográficas como sendo aquelas que apresentam a escrita e a pronúncia muito semelhantes ao alfabeto da língua portuguesa. São oito letras: Α α (alfa) Β β (beta) Ε ε (épsilon) Ι ι (iota) Κ κ (capa) Μ µ (Mi) Ο ο (ômicron) Τ τ (tau) Analisando essas letras, podemos considerar que você já está em vantagem no aprendizado, pois sabe pelo menos um terço do alfabeto grego – uma vez que estas letras gregas são muito semelhantes ao alfabeto português tanto na escrita quanto na pronúncia. Agora vamos analisar cada uma delas perpassando suas características e peculiaridades, marcantes ou não, no que diz respeito à escrita e à pronúncia, bem como outros aspectos que as envolvem. Traçaremos sempre uma relação de proximidade entre a letra grega e a letra correspondente ao alfabeto português. Vejamos então: (Alfa) Α α A letra alfa (Α α) é a primeira letra do alfabeto grego e corresponde à primeira letra do alfabeto português, ou seja,
  • 25. 24 letra ‘A a’. Observe como a grafia da letra alfa é semelhante à da letra ‘a’, ainda mais se considerarmos sua escrita cursiva. Observe: letra a (cursiva) = letra ‘α’ – alfa minúscula. A letra alfa faz parte das sete vogais do grego clássico. Existem situações em que será pronunciada de forma breve como em ‘casa’ ou de forma longa como em ‘mar’9 . Por enquanto é necessário saber que ela será longa quando receber acento, o qual pode ser grafado como um til ou acento circunflexo (ᾶ â). Outro aspecto que precisa ser mencionado é a questão do iota (ι). O iota é o correspondente à letra ‘i’ de nosso idioma. Você observará muitas vezes que ele pode acompanhar a letra alfa dos seguintes modos: (ᾳ) = alfa minúsculo com iota subscrito, isto é, escrito embaixo; (Αι) = alfa maiúsculo com iota adscrito, isto é, escrito do lado direito. Nos dois casos o iota é levemente pronunciado. Antes de continuarmos, é importante esclarecer a respeito de sinais que acompanham as palavras gregas iniciadas por vogais. Esses sinais são chamados de aspiração ou espíritos. Todas as palavras gregas que iniciam por vogal ou ditongo recebem o sinal de aspiração. Por exemplo: 9 Não nos aprofundaremos nas questões de acentuação. Basta sabermos que as palavras gregas recebem três tipos de acento, apenas para indicar a sílaba tônica. São eles: acento agudo ´, acento grave `, e circunflexo, com as seguintes grafias: ^ ~ .
  • 26. 25 A palavra ἀγάπη, que se pronuncia agápe e significa amor, demonstra o sinal de aspiração na letra alfa inicial ἀ. Existem dois tipos de aspirações: A aspiração branda, que não afeta a pronúncia como no exemplo da palavra ἀγάπη, e a aspiração rude10 , que acrescenta à vogal um som equivalente ao ‘r’ da língua portuguesa. Por exemplo: ὁδός, que se pronuncia rodós e significa caminho. Observe o sinal de aspiração rude na vogal inicial ὁ. Quando a palavra iniciar por ditongo, o sinal de aspiração é colocado sobre a segunda vogal. Por exemplo: οὐρανός lê-se uranos, e significa céu. Verifique que o sinal de aspiração recaiu sobre a segunda vogal, o ípsilon οὐ. No caso da palavra iniciar com letra maiúscula, o sinal de aspiração será colocado antes da mesma. Por exemplo: Ἰσραήλ lê-se Israel. Verifique, no começo da palavra, o sinal de aspiração branda do lado esquerdo do iota maiúsculo Ἰ. Das sete vogais que o alfabeto grego possui, o ípsilon Υ υ é a única que sempre receberá o sinal de aspiração rude, as outras poderão receber tanto o sinal de aspiração branda quanto de aspiração rude. 10 Alguns estudiosos denominam a aspiração rude também por aspiração áspera ou forte. Outros utilizam a palavra espírito em lugar de aspiração, ficando então a denominação espírito rude ou espírito áspero ou, ainda, espírito forte.
  • 27. 26 Por fim, ainda quanto ao sinal de aspiração podemos esclarecer que, quando uma palavra inicia com a letra Rô (Ρ ρ), sempre recebe o sinal de aspiração rude. Por exemplo: Ῥουβήν é o nome próprio Rubem e lê-se Rubén; ῥαββί lê-se rabi e significa rabino, mestre. No primeiro exemplo, observe o sinal de aspiração rude ao lado da letra Rô maiúscula; no segundo, o sinal está sobre a letra Rô minúscula. (Beta) Β β A letra beta (Β β) é a segunda do alfabeto grego e corresponde à segunda letra do alfabeto português, isto é, ao ‘B b’. Observe a semelhança entre a letra grega com a letra ‘B’ de nosso idioma. Quando se olha a letra beta em grego é quase que automático associar sua escrita e respectiva pronúncia à letra ‘B’ de nosso alfabeto, seja ela escrita em maiúscula ou minúscula. Portanto, ela é muito fácil de memorizar tanto na grafia quanto na pronúncia. Seu som será sempre ‘b’ como em “bela”. (Épsilon) Ε ε A letra épsilon (Ε ε) é a quinta letra na sequência lógica do alfabeto grego e corresponde à quinta letra do alfabeto português, isto é, à letra ‘E e’. Sua semelhança com a letra ‘E e’ de nosso alfabeto também não deixa dúvida na hora da leitura em grego. Cabe relembrar que embora a sua pronúncia seja igual à letra ‘e’ de nosso alfabeto, trata-se de um ‘e’ pronunciado de forma breve como em “ema”.
  • 28. 27 (Iota) Ι ι A letra iota (Ι ι) é a nona letra do alfabeto grego como o é a letra ‘I i’ no alfabeto português. O iota é uma das letras em que as semelhanças de escrita e pronúncia são muito evidentes entre os dois alfabetos. A pronúncia do iota pode ser breve, como em “vida”, ou ainda longo, como em “mina”. Como o iota é uma vogal, ela recebe os sinais de aspiração. Veja os exemplos de sinal de aspiração rude e branda: Ἱερόν => pronuncia-se rierôn e significa templo ou santuário. Observe o sinal de aspiração rude na mesma palavra, mas desta vez iniciando com minúscula: ἱερόν . Agora um exemplo com o sinal de aspiração branda, iniciando a palavra com letras maiúsculas e minúsculas: Ἰσχυρός / ἰσχυρός => pronuncia-se isquirôs e significa forte, poderoso. (Kapa) Κ κ A letra kapa (Κ κ) é a décima letra do alfabeto grego e corresponde à letra ‘K k’, a décima primeira do alfabeto português. O Acordo Ortográfico de 1990 entre os países de língua portuguesa resgatou a letra ‘K k’ no alfabeto português, sem contudo restaurar o seu uso prévio – que continuará restrito às abreviaturas, às palavras com origem estrangeira e seus derivados. Por exemplo: Km (quilômetro), karatê, kantiano. Portanto, é mais interessante associar a letra kapa (Κ
  • 29. 28 κ) à pronúncia de ‘C’ + ‘A’ = ‘CA’ – como em “casa” e “carro”. (Mi) Μ µ A letra mi (Μ µ) é a décima segunda letra do alfabeto grego e corresponde à décima terceira letra do alfabeto português, ou seja, ‘M m’. Observando a letra mi (Μ µ), pode- se verificar sua semelhança com a letra ‘M’ de forma clara. Ainda escrita com a letra minúscula, também será fácil associar o ‘µ’ com a letra ‘m’. O som da pronúncia de mi ‘Μ µ’ é equivalente ao ‘M m’, como em “microfone” e “mito”. (Ômicron) Ο ο O ômicron (Ο ο) é a décima quinta letra do alfabeto grego e corresponde à décima quinta letra do alfabeto português. Sua semelhança com a letra ‘O o’ é indiscutível. Porém, o seu som do ponto de vista fonético sempre será breve e fechado como, por exemplo, em “fogo”. O ômicron é uma vogal, portanto recebe os sinais de aspiração. Nos exemplos abaixo vamos acrescentar mais informações além daquelas já vistas na vogal alfa. Veja os exemplos de sinal de aspiração rude e branda: Ὁδός => pronuncia-se rodôs e significa estrada, caminho. Observe o sinal de aspiração rude na mesma palavra, mas desta vez iniciando com minúscula: ὁδός .
  • 30. 29 Agora um exemplo com o sinal de aspiração branda iniciando a palavra com letras maiúsculas e minúsculas: Ὀλίγος / ὀλίγος => pronuncia-se olígos e significa pouco, pequeno. (Tau) Τ τ O tau (Τ τ) é a décima nona letra do alfabeto grego e tem sua correspondência com a vigésima letra do alfabeto português: o ‘T t’. Sua pronúncia sempre será como em “tatu” ou “tábua”, mas nunca chiado como em “tio” ou “time”. Com o tau fechamos o conjunto das letras isográficas, isto é, as letras do alfabeto grego que têm uma aproximação de semelhança muito perceptível em relação às letras utilizadas no alfabeto da língua portuguesa. Dessa forma, sem muito esforço o aprendente já é capaz de identificar tais letras em palavras escritas em grego. Contudo, para que haja uma fixação maior das letras isográficas, sugerimos que alguns exercícios sejam feitos antes de se passar para o capítulo das letras isofonéticas. Nota sobre os exercícios Antes de iniciarmos os exercícios, gostaríamos de sugerir uma rotina de “aquecimento” que deverá ser feita antes dos mesmos. Você deve providenciar um caderno ou folhas pautadas à parte onde possa praticar tanto os “aquecimentos” quanto os exercícios propostos.
  • 31. 30 É importante lembrar que todo estudo deve ser desenvolvido dentro de uma rotina e de um horário. Para o estudo do alfabeto grego não é diferente. Assim, você deve dedicar-se escolhendo o horário que mais lhe favorece ou lhe agrada e sempre ter em mente que é mais proveitoso estudar meia hora por dia do que quatro horas num dia da semana. Se você optar por estudar regularmente, mesmo que seja meia hora por dia, em pouco tempo você estará colhendo os resultados, isto é, estará dominando o alfabeto grego com segurança e isso lhe assegurará estar pronto para prosseguir nos estudos do grego clássico – se tal for seu interesse. Mas lembre-se: não há mágica! É necessário se empenhar em uma rotina de estudos. Exercício de aquecimento Para o exercício de aquecimento propomos que se tome uma folha pautada à parte ou um caderno e, antes de realizar os exercícios, copie cinco vezes o alfabeto grego. Em uma linha escreva as letras maiúsculas e, na linha debaixo, as minúsculas. Veja o exemplo: Α Β Γ ∆ Ε Ζ Η Θ Ι Κ Λ Μ Ν Ξ Ο Π Ρ Σ Τ Υ Φ Χ Ψ Ω α β γ δ ε ζ η θ ι κ λ µ ν ξ ο π ρ σ/ς τ υ φ χ ψ ω Conforme você for escrevendo cada letra, repita mentalmente o nome da mesma. Consulte a tabela com o nome da letra caso não consiga lembrá-la. Não tenha pressa, faça tudo devagar e a seu devido tempo.
  • 32. 31 Exercício 1 a) Relembre os nomes e a pronúncia das letras isográficas abaixo: (Α α Β β Ε ε Ι ι Κ κ Μ µ Ο ο Τ τ) Agora, sem olhar a tabela, veja o exemplo e responda: b) Quais as letras do alfabeto grego (pertencentes ao grupo das isográficas) podemos relacionar com as letras do alfabeto português? Ex.: A a: Α α B b: Β β T t : ____ O o: ____ M m: ____ K k:____ I i: ____ E e:_____ Exercício 2 Identifique somente as letras isográficas das palavras: filosofia, hipopótamo, Sócrates, Selene, micro, bárbaro e drama, conforme o exemplo ‘a’. a) φιλοσοφια = (ι) iota; (ο) ômicron; (α) alfa b) ἱπποποταµος = __________________________ c) Σωκράτης = _____________________________
  • 33. 32 d) Σελήνη = _______________________________ e) µικρο = ________________________________ f) βάρβαρος = _____________________________ g) δρᾶµα =________________________________
  • 34. 33 5 Letras isofonéticasLetras isofonéticasLetras isofonéticasLetras isofonéticas Um terço do alfabeto grego é composto por letras isofonéticas. Classificaremos aqui letras isofonéticas como sendo as letras gregas cuja pronúncia é semelhante à do alfabeto português, mas a escrita é diferente. São elas: Γ γ (gama) ∆ δ (delta) Η η (eta) Λ λ (lambda) Π π (pi) Ρ ρ (rô) Σ σ ς (sigma) Ω ω (ômega) (Gama) Γ γ O gama (Γ γ) é a terceira letra do alfabeto grego. Ela corresponde à sétima letra do alfabeto português, isto é, ao ‘G g’. Sua pronúncia é semelhante ao ‘g’ como em “gato”. Porém, antes de Κ κ (kapa), Ξ ξ (ksi), Χ χ (qui) e Γ γ (gama) a pronúncia será ‘ng’ – como em manga e manguezal. Por exemplo: ἄγγελος = pronuncia-se ánguelos e não águelos, e significa anjo. Obseve que o primeiro gama tem o som de “n”, como em manga. ἄγκυρα = pronuncia-se ánkira e significa âncora. Verifique que a pronúncia do gama tem o som de “n”.
  • 35. 34 ἐγχρίω = pronuncia-se encrío (com o o final aberto ‘ó’), e significa ungir. Observe também que o gama fica com o som de “n”, semelhante a incrível. σάλπιγξ = pronuncia-se sálpincs e pode significar corneta ou trombeta. Veja que o gama também assume valor de “n”. Como curiosidade, vale notar que a grafia da letra gama minúscula lembra um pouco a grafia da letra ‘g’ cursiva do alfabeto português. Compare: γ g . Como informação adicional, destacamos que consoantes duplas como ττ (tau-tau) e λλ (lambda-lambda) devem ser pronunciadas como se fossem uma consoante apenas. (Delta) ∆ δ O delta (∆ δ) é a quarta letra do alfabeto grego e corresponde à letra ‘D d’, que é a quarta letra do alfabeto português. Sua pronúncia é sempre como em “dado”, nunca chiado como em “dia”. Quem se interessava pelas aulas de matemática deve ter conhecido o ∆ da discriminante da fórmula de Bháskara (∆ = b2 -4ac). O δ minúsculo possui uma grafia semelhante ao ‘d’ do alfabeto português, portanto será fácil associa-lo à escrita e à pronúncia. (Eta) Η η
  • 36. 35 A letra eta (Η η) é a sétima letra do alfabeto grego e corresponde à quinta letra do alfabeto português. Porém, sua pronúncia é como em “leve”, “café”, ou seja, um ‘e’ aberto e longo diferente da letra épsilon (Ε ε) – cuja pronúncia é breve como em “ema”. A letra eta (Η η) é uma das sete vogais do alfabeto grego. Veja-as em letras maiúsculas e minúsculas: (Α α, Ε ε, Ι ι, Ο ο, Υ υ, Η η, Ω ω). A letra eta (Η η) merece atenção especial uma vez que, embora sua pronúncia seja próxima à do alfabeto português, sua grafia é diferente e é facilmente confundida com as letras ‘H’ e ‘n’. É importante ter em mente que não existe letra ‘H’ no alfabeto grego. Dessa forma, com um pouco de treino, ao se deparar com eta (Η) em alguma palavra grega já será fácil descartá-la como ‘H’ e atribuir-lhe a pronúncia equivalente a ‘é’, ou seja, um ‘e’ aberto e longo como em “boné”. Considerando que toda vogal longa recebe o iota (ι) e sendo a letra eta (Ηη) uma vogal longa, temos de lembrar algumas regras que expomos em relação à letra alfa (Αα). A primeira é em relação ao iota. Assim como pode ocorrer com a vogal alfa, o iota pode aparecer subscrito ou adscrito na vogal eta (Ηη). Você observará muitas vezes que ele pode acompanhar a letra eta dos seguintes modos: (ῃ) = Eta minúsculo com iota subscrito, isto é, escrito embaixo;
  • 37. 36 (Ηι) = Eta maiúsculo com iota adscrito, isto é, escrito do lado direito. Nos dois casos, o iota é levemente pronunciado. A outra regra é em relação ao sinal de aspiração. Toda palavra grega que inicia por vogal ou ditongo recebe aspiração. Você poderá encontrar o eta com sinal de aspiração, conforme os exemplos abaixo: Aspiração branda, que não afeta a pronúncia. Observe o exemplo: ἠώς => Lê-se (éós) com o ‘o’ longo como “avó”. Esta palavra significa aurora. Caso se iniciasse com letra maiúscula, a grafia do sinal de aspiração seria antes da letra. Observe a mesma palavra com a letra inicial maiúscula: Ἠώς . Agora veja exemplos com palavras que possuem aspiração rude. Letra minúscula e letra maiúscula: ἡµεῖς => Lê-se Remeís e significa “nós”. Ἡρακλῆς => Reraklés e significa Héracles. (Lambda) Λ λ A letra lambda (Λ λ) é a décima primeira letra do alfabeto grego e sua pronúncia corresponde à décima segunda letra do alfabeto português, isto é, à letra ‘L l’. É uma letra que não permite grande confusão com o alfabeto português, uma vez que a letra minúscula é grafada de forma diferente – basicamente um ípsilon de cabeça para baixo, compare (y λ). Já a maiúscula Λ pode eventualmente ser confundia com o alfa Α
  • 38. 37 grego ou com o A do alfabeto português, mas com um pouco de atenção será fácil perceber a ausência de corte central na letra lambda. Verifique: Λ lambda A alfa. (Pi) Π π A letra pi (Π π) é a décima sexta letra do alfabeto grego e sua pronúncia equivale à décima sexta letra do alfabeto português, ou seja, ao ‘P p’. A minúscula π também é uma velha conhecida das aulas de matemática. Quem se lembra do valor de π? π = 3,14159. Esta letra grega possui uma grafia que não gera confusão porque a minúscula já é um pouco conhecida e a maiúscula não possui grafia semelhante no alfabeto português. (Rô) Ρ ρ A letra rô (Ρ ρ) é a décima sétima letra do alfabeto grego e tem correspondência com a décima oitava letra do alfabeto português, isto é, com a letra ‘R r’. Também é necessário muita atenção a esta letra do alfabeto grego, pois ela é facilmente confundida com a letra ‘P p’ do alfabeto português. Contudo, já verificamos que a correspondente grega para a letra ‘P p’ é a letra pi (Π π). Dessa forma, além de atenção será necessário um pouco de exercício e prática de
  • 39. 38 leitura com o objetivo de fixar o valor de pronúncia da letra rô (Ρ ρ). Uma característica importante da letra rô (Ρ ρ) é que ela sempre receberá a aspiração rude quando iniciar uma palavra grega. Por exemplo: Ῥῆµα (Iniciando com maiúscula) ou ῥῆµα (Iniciando com minúscula) Pronuncia-se Réma e significa “palavra”. (Sigma) Σ σ ς A letra sigma (Σ σ ς) é a décima oitava letra do alfabeto grego e corresponde ao ‘S s’, que é a décima nona letra do alfabeto português. Sua principal característica é que apresenta duas formas de grafias quando minúscula. O sigma minúsculo (σ) é usado no início e no meio das palavras gregas e o sigma minúsculo (ς) é utilizado somente no final das palavras. Veja o exemplo das palavras sabedoria, na qual o sigma (σ) aparece no início da palavra, e sábio, em que temos o sigma (σ) iniciando a palavra e o sigma (ς) no final da palavra: σοφιᾶ => Pronuncia-se sofiá σοφóς => Pronuncia-se sofôs
  • 40. 39 Ainda no início dos estudos do alfabeto grego é necessário prestar atenção para não confundir a pronúncia do sigma (σ) com a pronúncia da letra ‘o’ manuscrita. Compare a semelhança na grafia: (sigma σ / o letra ‘o’ manuscrita do alfabeto português). (Ômega) Ω ω A letra ômega (Ω ω) é a última letra do alfabeto grego, portanto a vigésima quarta, e corresponde à décima quinta letra do alfabeto português. Sua pronúncia é diferente da pronúncia do ômicron (Ο ο). Enquanto o ômicron (Ο ο) se pronuncia fechado como em ‘fogo’, o ômega (Ω ω) se pronuncia aberto como em ‘avó’. É uma das sete vogais do alfabeto grego. Veja- as novamente em letras maiúsculas e minúsculas: (Α α, Ε ε, Ι ι, Ο ο, Υ υ, Η η, Ω ω). A letra ômega (Ω ω) pode não ser facilmente confundida na grafia com o ômicron (Ο ο), contudo deve-se dar atenção na hora da leitura quanto à pronúncia. Relembrando, mais uma vez, que toda vogal longa recebe o iota (ι). Temos de recordar algumas regras que apresentamos em relação às letras alfa (Αα) e eta (Ηη). A primeira é em relação ao iota. Assim como pode ocorrer com as vogais alfa e eta, o iota pode aparecer subscrito ou adscrito na vogal ômega (Ω ω). Você observará muitas vezes que ele pode acompanhar a letra ômega dos seguintes modos:
  • 41. 40 (ῳ) = Ômega minúsculo com iota subscrito, isto é, escrito embaixo; (Ωι) = Ômega maiúsculo com iota adscrito, isto é, escrito do lado direito. Nos dois casos, o iota é levemente pronunciado. Recordamos aqui novamente quanto ao sinal de aspiração. Toda palavra grega que se inicia por vogal ou ditongo recebe aspiração. Você poderá encontrar o ômega com sinal de aspiração, conforme os exemplos abaixo. Aspiração branda, que não afeta a pronúncia: ὠθέω => Pronuncia-se othêo com o ‘o’ final longo como em “avó”. Esta palavra significa “empurrar”. Caso fosse iniciada com letra maiúscula, a grafia do sinal de aspiração seria antes da letra. Observe a mesma palavra com a letra inicial maiúscula: Ὠθέω . Agora veja o exemplo de aspiração rude com letra minúscula e letra maiúscula: ὡς Ὡς => Pronuncia-se Rós e significa “como”. Do conjunto das oito letras isofonéticas, metade delas, por sua grafia, apresentam grande possibilidade de serem confundidas na pronúncia com as letras do alfabeto português. Em ordem de importância são elas as letras: Eta (Η η), Rô (Ρ ρ), Lambda (Λ λ) e Sigma (Σ σ ς). Dessa forma, proporemos adiante alguns exercícios de fixação para reduzir a possibilidade de eventual confusão. Contudo, uma atenção especial deve ser dada a essas letras no momento de se estudar
  • 42. 41 o alfabeto grego, de se realizar leituras de palavras e nos próprios exercícios sugeridos. Como as letras isofonéticas aparentam complicar o entendimento no momento da leitura, dominá-las bem será um passo fundamental na aprendizagem. As letras isográficas, cuja grafia e pronúncia são semelhantes ao alfabeto português, não apresentam grandes dificuldades. As letras alográficas, que possuem a escrita e/ou a pronúncia diferente do alfabeto português, se apresentarão mais fáceis e com pouca possibilidade de serem confundidas com a grafia portuguesa e, consequentemente, levar ao erro o leitor na hora da pronúncia. Assim, aprender bem as quatro letras isofonéticas Eta (Η η), Rô (Ρ ρ), Lambda (Λ λ) e Sigma (Σ σ ς) é fundamental para o domínio do alfabeto grego e a fluidez na leitura de palavras gregas. São elas que muitas vezes, num primeiro contato com o alfabeto grego, confundem as pessoas fazendo- as acreditar ser difícil aprender o alfabeto grego. Exercício de aquecimento Para o exercício de aquecimento propomos novamente que se tome uma folha pautada à parte ou um caderno e, antes de realizar os exercícios, copie quatro vezes o alfabeto grego. Em uma linha escreva as letras maiúsculas e, na linha debaixo, as minúsculas. Veja o exemplo:
  • 43. 42 Α Β Γ ∆ Ε Ζ Η Θ Ι Κ Λ Μ Ν Ξ Ο Π Ρ Σ Τ Υ Φ Χ Ψ Ω α β γ δ ε ζ η θ ι κ λ µ ν ξ ο π ρ σ/ς τ υ φ χ ψ ω Conforme você vai escrevendo cada letra, repita mentalmente o nome da mesma. Depois leia cada uma em voz alta pelo menos três vezes. Consulte a tabela com o nome da letra caso não consiga lembrá-la. Não tenha pressa, faça tudo devagar e a seu devido tempo. Exercício 3 a) Relembre os nomes e a pronúncia das letras isofonéticas abaixo: ( Γ γ ∆ δ Η η Λ λ Π π Ρ ρ Σ σ ς Ω ω ). Agora, sem olhar a tabela, veja o exemplo e responda: b) Quais letras do alfabeto grego (pertencentes ao grupo das isofonéticas) podemos relacionar com a letras do alfabeto português? Ex.: G g: Γ γ D d: ∆ δ E e : ____ O o: ____ P p: ____ L l:____ R r: ____ S s:_____
  • 44. 43 Exercício 4 Identifique somente as letras isofonéticas das palavras: filosofia, hipopótamo, Sócrates, Selene, micro, bárbaro, drama, grafar (escrever), conforme o exemplo ‘a’. a) φιλοσοφια = (λ) lambda; (σ) sigma b) ἱπποποταµος = __________________________ c) Σωκράτης = _____________________________ d) Σελήνη = _______________________________ e) µικρο = ________________________________ f) βάρβαρος = _____________________________ g) δρᾶµα=_________________________________ h) γράφω = _______________________________
  • 45. 44 6 Letras alográficasLetras alográficasLetras alográficasLetras alográficas As oito letras aqui denominadas alográficas, ou seja, “escritas de outra forma”, é o conjunto das letras gregas cuja grafia e a pronúncia são bem diferentes do alfabeto português. São elas: Ζ ζ (zeta) Θ θ (theta) Ν ν (ni) Ξ ξ (ksi) Υ υ (ípsilon) Φ φ (phi) Χ χ (qui) Ψ ψ (psi) Vamos analisar adiante cada uma delas e suas principais características. (Zeta) Ζ ζ A letra zeta (Ζ ζ) se pronuncia sdeta. É a sexta letra do alfabeto grego e é transliterada geralmente como a vigésima sexta letra do alfabeto português, isto é, a letra ‘Z z’. Porém, não vamos nos iludir com sua pronúncia. Ela não tem o som da letra ‘z’ do alfabeto português. Sua pronúncia é semelhante à junção das letras ‘sd’ da palavra ‘desde’. Assim, a palavra grega Ζεύς = Zeus se pronuncia sdeús. Merece destaque a grafia em letra minúscula ( ζ ) uma vez que é diferente de qualquer letra do alfabeto português; porém, pode ser confundida por um leitor menos atento ou afoito com a letra
  • 46. 45 sigma ( ς ) do próprio alfabeto grego. Portanto, é necessária uma dedicação extra ao se exercitar a escrita das letras alográficas para a correta fixação da grafia e pronúncia. (Theta) Θ θ A letra theta (Θ θ) é a oitava letra do alfabeto grego e não tem exatamente uma correspondente no alfabeto português. Convencionou-se transliterar theta (Θ θ) pelo ‘th’, sendo que sua pronúncia seria semelhante ao ‘th’ da palavra inglesa think (de to think = pensar). (Ni) Ν ν A letra ni (Ν ν) é a décima terceira letra do alfabeto grego e corresponde à décima quarta letra do alfabeto português, ou seja, ao ‘N n’. Ainda que sua grafia maiúscula seja semelhante ao ‘N’ maiúsculo do alfabeto português, resolvemos incluí-la no conjunto das letras alográficas porque sua grafia minúscula (ν) é diferente e assemelha-se muito à letra ‘v’ do alfabeto português. Como se trabalha muito mais com as letras minúsculas nos métodos de grego, é melhor familiarizar-se bem à sua diferente grafia minúscula com o intuito de se evitar que uma leitura desatenta leve a erro na pronúncia. (Ksi)
  • 47. 46 Ξ ξ O ksi (Ξ ξ) é a décima quarta letra do alfabeto grego e tem a grafia tanto maiúscula quanto minúscula, sendo muito diferente de qualquer letra do alfabeto português – seja na escrita em letra de forma ou manuscrita. Não tem uma correspondente direta a uma letra específica do alfabeto português. O som de sua pronúncia é equivalente à letra ‘x’ da palavra “táxi”. Recomenda-se atenção na escrita da letra minúscula. Observe os detalhes: ξ Ser bem diferente de qualquer letra do alfabeto português pode ser uma vantagem positiva na hora de memorizar o som da pronúncia desta letra grega. (Ípsilon) Υ υ O ípsilon (Υ υ) é a vigésima letra do alfabeto grego e sua correspondente no alfabeto português é o ‘Y y’, isto é, a vigésima quinta letra do alfabeto português11 . O ípsilon (Υ υ) 11 Vale lembrar que o alfabeto português possui 26 letras, sendo 23 fundamentais e 3 especiais: ‘k, w, y’. O Acordo Ortográfico de 1990 não restaurou o ‘y’. A doutrina sobre essas três letras continua a mesma, ou seja, elas devem ser usadas apenas em casos especiais. Por exemplo: em algumas palavras estrangeiras (show), símbolos e abreviaturas como em quilômetro e quilowatt-hora (Km, Kwh), e em adjetivos e substantivos derivados de nomes próprios e palavras estrangeiras (kantiano, wagneriano).
  • 48. 47 tem sua letra maiúscula escrita igualmente ao ‘Y’ da língua portuguesa, porém sua pronúncia é bem diferente. Ela se assemelha a um ‘ü’ como em ‘Müller’, isto é, o ‘u’ pronunciado com os lábios arredondados. O ípsilon minúsculo (υ) apresenta escrita diversa do da língua portuguesa. Compare: (υ y). O ípsilon minúsculo grego tem a grafia parecida com o ‘u’ minúsculo do alfabeto português. Assim, o ípsilon (Υ υ) deve receber atenção redobrada no momento da escrita e da pronúncia até que se tenha total segurança na leitura. Não se pode esquecer que o ípsilon (Υ υ) é uma das sete vogais do alfabeto grego, que são as seguintes: (Α α, Ε ε, Ι ι, Ο ο, Υ υ, Η η, Ω ω) A regra dos sinais de aspiração branda ou rude estabelece que toda palavra grega que se inicia por vogal ou ditongo recebe aspiração. No caso do ípsilon (Υ υ) iniciar uma palavra, ele vai sempre receber o sinal de aspiração rude. Veja, no exemplo, a palavra ‘sob’ iniciando por minúscula e maiúscula: ὑπó => Pronuncia-se ripô Ὑπó=> Pronuncia-se ripô A palavra ὑπó pode significar ‘sob’, ‘debaixo de’. (Phi)
  • 49. 48 Φ φ A letra phi (Φ φ) é a vigésima primeira letra do alfabeto grego e convencionou-se estabelecer correspondência entre ela e a letra ‘ F f ’, que é a sexta letra do alfabeto português. A pronúncia é semelhante ao ‘F’, mas bem labial com o ar empurrando levemente os lábios. Esta letra é usada como símbolo da Filosofia. Sua escrita incomum com o alfabeto português torna favorável a memorização de sua grafia e a associação do valor de pronúncia. (Qui) Χ χ A letra qui ( Χ χ ) é a vigésima segunda letra do alfabeto grego e não tem correspondência direta com alguma letra do alfabeto português. Embora sua escrita seja semelhante à letra ‘X x’, ela não tem nenhuma relação com o som do ‘x’ da língua portuguesa. Ela é comumente transliterada para a língua portuguesa como ‘ch’ ou ‘kh’ e sua pronúncia equivale ao “qu” de “química”, de “máquina”. Veja, por exemplo, a palavra grega Χριστóς, que transliterada fica Christôs e significa “ungido”. Você já deve ter conhecido alguém que se chamava Christiano ou Christiane com “Ch”, sendo isso uma “herança” da transliteração para o latim e, posteriormente, para a língua portuguesa da letra qui (Χ χ ).
  • 50. 49 A atenção à letra qui ( Χ χ ) deve estar mais voltada para a pronúncia do que para a escrita, procurando não confundir seu valor fonético com a letra ‘x’ do alfabeto português. (Psi) Ψ ψ A letra psi (Ψ ψ) é a vigésima terceira letra do alfabeto grego e não tem correspondência direta com alguma letra do alfabeto português. Sua pronúncia é como o ‘ps’ de “psicologia”, “psiquiatra”. Esta letra é comumente utilizada como símbolo da Psicologia e, como sua grafia é tão diferente de qualquer letra do alfabeto português, fica até fácil memorizar sua escrita e pronúncia. Assim encerramos o conjunto das letras alográficas, bem como perpassamos todas as letras do alfabeto grego. Agora propomos alguns exercícios para a fixação da escrita e da pronúncia das letras alográficas. Exercício de aquecimento Para o exercício de aquecimento propomos novamente que se tome uma folha pautada à parte ou um caderno e, antes de realizar os exercícios, copie três vezes o alfabeto grego. Em uma linha escreva as letras maiúsculas e na linha debaixo as minúsculas. Veja o exemplo:
  • 51. 50 Α Β Γ ∆ Ε Ζ Η Θ Ι Κ Λ Μ Ν Ξ Ο Π Ρ Σ Τ Υ Φ Χ Ψ Ω α β γ δ ε ζ η θ ι κ λ µ ν ξ ο π ρ σ/ς τ υ φ χ ψ ω Conforme você vai escrevendo cada letra, repita mentalmente o nome da mesma. Depois leia cada uma em voz alta pelo menos três vezes. Consulte a tabela com o nome da letra caso não lembrá-la. Não tenha pressa, faça tudo devagar e a seu devido tempo. Exercício 5 a) Relembre os nomes e a pronúncia das letras alográficas abaixo: (Ζ ζ Θ θ Ν ν Ξ ξ Υ υ Φ φ Χ χ Ψ ψ ) Agora, sem olhar a tabela, veja o exemplo e responda: b) Quais letras do alfabeto grego (pertencentes ao grupo das alográficas) podemos relacionar com a letras do alfabeto português? Ex.: Z z: Ζ ζ th: Θ θ N n : ____ ks: ____ Y y: ____ F f:____ ch/kh: ____ ps:_____ Exercício 6
  • 52. 51 Identifique somente as letras alográficas das palavras: filosofia, náutico, noite, tempo, grafar (escrever), Deus, Zeus, ontem e falso, conforme os exemplos ‘a’ e ‘b’. a) φιλοσοφια = (φ) phi b) ναυτικóς = (ν) ni c) νύξ = __________________________________ d) χρóνος = _______________________________ e) γράφω = _______________________________ f) Θεóς = _________________________________ g) Ζεύς =_________________________________ h) χθές = _________________________________ i) ψευδής = _______________________________ Se acaso você chegou até aqui, nesta pequena introdução ao alfabeto grego, com certeza você sabe o que quer. Realizando todos os exercícios propostos com uma frequência diária de estudos de pelo menos meia hora, certamente conseguirá ler a maioria das palavras gregas e estará apto para partir em direção a uma etapa maior: entender o grego clássico. Como na língua portuguesa, não basta saber o valor fonético das letras e ler as palavras. Não é suficiente saber decodificar as letras, isto é, ler e escrever. O bom conhecimento de um idioma requer saber ler, escrever e
  • 53. 52 interpretar. Se ao término dessa pequena introdução ao alfabeto grego você já conseguir realizar as duas primeiras etapas, pode ser a hora de partir para estudos mais aprofundados usando bons métodos de grego clássico disponíveis no mercado. No final deste livro vamos sugerir alguma bibliografia interessante para a aprendizagem do grego clássico.
  • 54. 53 7 Informações básicas sobre pInformações básicas sobre pInformações básicas sobre pInformações básicas sobre pontuaçãoontuaçãoontuaçãoontuação Antes de iniciarmos os exercícios gerais de decodificação das letras e palavras gregas, vamos rever rapidamente algumas regras já explicadas e acrescentar informações sobre pontuação. Boa parte das regras referentes à escrita e à leitura do grego clássico já foi tratada nos conjuntos das letras isográficas, isofonéticas ou alográficas. Citamos brevemente o caso dos acentos esclarecendo de forma simplória que as palavras gregas recebem três tipos de acento, apenas para indicar a sílaba tônica. São eles: acento agudo ( ´ ), acento grave ( ` ) e circunflexo com as seguintes grafias ( ^ ~ ). Logo após a tabela inicial das letras gregas, apresentamos uma tabela com as pronúncias dos ditongos e suas características de escrita. Também mencionamos a regra do iota (ι). Isto é: toda vogal longa recebe o iota que pode ser subscrito, ou seja, escrito embaixo, ou adscrito, quer dizer, escrito do lado direito quando a vogal for maiúscula. Sobre os sinais de aspiração fizemos referência à aspiração branda que não afeta a pronúncia, como no exemplo da palavra ἀγάπη, e à aspiração rude, que acrescenta à vogal um som equivalente ao ‘r’ da língua portuguesa.
  • 55. 54 Enfim, acabamos diluindo dentro da explicação de cada letra um conjunto mínimo de regras fundamentais para a leitura e escrita de letras e palavras gregas. Visando acrescentar um pouco mais a essas regras, apresentamos a seguir algumas informações sobre pontuação do texto grego e sua relação com a pontuação da língua portuguesa. Então vejamos a correspondência entre a pontuação do texto grego e o texto português. Em grego, o ponto final (.) e a vírgula (,) são iguais ao ponto final e a vírgula da língua portuguesa. Um ponto alto no texto grego ( ˙ ) pode significar os sinais de dois pontos ( : ), ponto e vírgula ( ; ) e até mesmo o ponto de exclamação ( ! ) utilizados na língua portuguesa. O ponto e vírgula ( ; ) no grego equivale ao ponto de interrogação (?) utilizado na língua portuguesa. Como curiosidade, gostaríamos de inteirar que os sinais de pontuação começaram a surgir no século IV da era Comum. Até então, os textos eram todos escritos com letras maiúsculas e com as palavras todas juntas. Assim, quem lia tinha que interpretar o que estava escrito. Verifique a dificuldade lendo a frase abaixo: “IDESVOLTARASNAOMORRERASNAGUERRA” Observe agora a mesma frase com a correta pontuação e separação entre as palavras: “IDES! VOLTARAS? NÃO, MORRERÁS NA GUERRA!”. Esta frase está escrita em grego no local do Oráculo de Delfos (século VII a.E.C.), na Grécia. É um dos lugares da Antiguidade em que se faziam profecias consideradas divinas.
  • 56. 55 Perceba que poderíamos, com dificuldade, interpretar a primeira escrita em letras maiúsculas: “Ides, voltarás, não morrerás na guerra”. Porém, os linguistas entendem que o correto seria mesmo: “Ides! Voltarás? Não, morrerás na guerra!”. Agora já sabemos os sinais de pontuação e sua importância, assim como possuímos os elementos mínimos necessários para treinarmos a leitura de palavras e pequenas frases gregas. Com esse intuito iremos, a seguir, realizar uma série de exercícios envolvendo todas as letras do alfabeto grego. Vamos treinar a leitura, a pronúncia e a transliteração. Como afirmado anteriormente, este não é um método de grego clássico – é apenas uma pequena introdução ao alfabeto grego. Portanto, iremos trabalhar com a escrita, com a decodificação das letras gregas, exercitar as correspondências com o alfabeto português, a pronúncia e a fixação das letras do alfabeto grego. O objetivo principal é o domínio do alfabeto grego por meio de exercícios de familiarização sempre utilizando palavras que se assemelhem o máximo possível à língua portuguesa, facilitando a assimilação dos valores de pronúncia e também de semelhança visual da escrita.
  • 57. 56 8 Exercícios geraisExercícios geraisExercícios geraisExercícios gerais de familiarizade familiarizade familiarizade familiarizaçãoçãoçãoção Exercício de aquecimento Como sempre propomos, antes de se iniciar os exercícios sugerimos a realização de um aquecimento. Tome uma folha pautada à parte, ou um caderno, e copie três vezes o alfabeto grego. Em uma linha escreva as letras maiúsculas e, na linha debaixo, as minúsculas. Exemplo: Α Β Γ ∆ Ε Ζ Η Θ Ι Κ Λ Μ Ν Ξ Ο Π Ρ Σ Τ Υ Φ Χ Ψ Ω α β γ δ ε ζ η θ ι κ λ µ ν ξ ο π ρ σ/ς τ υ φ χ ψ ω Conforme você for escrevendo cada letra, repita mentalmente o nome da mesma. Depois, leia cada uma em voz alta pelo menos três vezes. Exercícios de transliteração 1) Transliterar é transcrever a escrita de um alfabeto em outro. No caso, exercitaremos primeiro a transcrição de palavras da língua portuguesa para o grego clássico. Veja o exemplo e realize a transcrição das seguintes palavras: a) drama: δραµα b) filosofia: _________________________
  • 58. 57 c) átomos: __________________________ d) apóstolos: ________________________ e) pólis: ___________________________ f) Theós: __________________________ g) chrónos: _________________________ h) Ramá: ___________________________ i) hippopotamοs: ____________________ j) grafo12 : __________________________ k) psique: ___________________________ 2) Agora iremos realizar o exercício de transliteração no sentido inverso, isto é, do grego para o português. Assim, conforme o exemplo abaixo, efetue a transliteração das seguintes palavras: a) ὥρα: hora b) ἀπολογία: ________________________ c) δέρµα: ___________________________ d) ἔθος: ____________________________ e) Ζεύς: ____________________________ f) κόσµος: __________________________ g) µέγα: ____________________________ h) ὁδός: ____________________________ i) Πεπικλῆς: ________________________ j) πάθος: ___________________________ 12 A palavra grafo (do verbo grafar, sinônimo de escrever) está com o ‘o’ final sublinhado para indicar que se trata de uma vogal longa.
  • 59. 58 Exercícios de correspondência 3) Relacione as palavras da língua portuguesa com as palavras gregas que lhe deram origem. Para esta atividade estude o vocabulário a seguir: ἀρχή => arché/arque = começo, princípio βιβλίον => biblíon = livro πυρός => pyros = fogo φόβος => phobos = medo φῶς => phós = luz χρόνος => chronos = tempo ψυχή => psiqué = vida, alma Verifique o exemplo e continue o exercício. (a) fósforo ( ) ψυχή (b) arqueologia ( ) βιβλίον (c) bibliografia ( ) πυρός (d) pirotécnico ( ) ἀρχή (e) aracnofobia ( ) φόβος (f) cronômetro (a) φῶς (g) psicologia ( ) χρόνος 4) Boa parte das palavras da língua portuguesa vem de elementos do idioma grego. Assim, vamos trabalhar neste exercício com alguns radicais13 gregos que dão origem a palavras comumente utilizadas em português. 13 É o elemento mórfico que funciona como base do significado de uma palavra. Por exemplo, democracia é uma palavra que possui o radical grego
  • 60. 59 Faça a correspondência entre os radicais gregos e as palavras que deles se originaram. Siga o exemplo: a) ἂνθρωπος = ser humano b) ἀγρóς = campo c) βίος = vida d) γυνή = mulher e) φίλος = amigo f) φωνή = voz g) σῶµα = corpo h) πρῶτος = primeiro ( ) biologia ( ) ginecologista ( ) agropecuária ( ) filósofo ( ) psicossomático ( ) protótipo ( ) fonética (a) antropologia Exercícios de leitura e pronúncia Para os exercícios de leitura e pronúncia sugerimos o seguinte exercício de aquecimento, que deve preceder a cada um dos exercícios de leitura e pronúncia: δῆµος => demos = povo + cracia = poder, então o significado é: governo do povo.
  • 61. 60 Realize a leitura da tabela inicial do livro na qual estão todas as letras gregas, pronunciando-as em voz alta. Também faça isso, da mesma forma, em relação à tabela dos ditongos. Repita essa ação por três vezes de forma lenta e procurando ouvir a própria pronúncia, assim buscando perceber eventuais erros. O ideal seria gravar a pronúncia e compará-la às tabelas para visualizar os valores de pronúncia de cada letra ou ditongo. 5) Tape a coluna da pronúncia figurada14 à direita. Realize a leitura das palavras gregas abaixo, conferindo uma por uma, na coluna da direita, a pronúncia correta. Se possível, grave sua leitura e compare com a pronúncia figurada. (pronúncia figurada) ἂλφα ..................................................... alfa βῆτα ...................................................... béta γάµµα..................................................... gáma δέλτα..................................................... delta ἔψσιλóν................................................. epsilôn ζῆτα....................................................... sdéta ἦτα........................................................ éta θῆτα...................................................... théta ἰῶτα...................................................... ióta κάππα .................................................. capa λάµβδα................................................. lámbda 14 A pronúncia figurada aqui significa exatamente como seria a leitura em português, ou seja, a pronúncia será da forma como está escrita na coluna da direita.
  • 62. 61 µῦ......................................................... mi νῦ......................................................... ni ξῖ ........................................................ ksi ὂµικρóν............................................... omicrón πῖ ........................................................ pi ῥῶ ...................................................... rho σίγµα.................................................. sígma ταῦ .................................................... tau ὖψλóν................................................ üpsilon φῖ ...................................................... phi χῖ ....................................................... qui ψῖ ...................................................... psi ὦµέγα................................................ oméga
  • 63. 62 9 ExercícioExercícioExercícioExercíciossss de leitura e pronúnciade leitura e pronúnciade leitura e pronúnciade leitura e pronúncia com pequenas frasescom pequenas frasescom pequenas frasescom pequenas frases Para o exercício atual, propomos que se cubra a pronúncia figurada que está logo abaixo da frase e se proceda à leitura em voz alta. Logo em seguida, descubra a pronúncia figurada e verifique se houve erro. Repita o procedimento até que a leitura se torne fluente. Novamente sugerimos que, se possível, seja gravada a leitura – a fim de que a comparação com a pronúncia figurada fique mais precisa. a) ἔχω τὰ ἱµάτια. êcho15 tá rimátia. Tenho as vestes. b) οὐκ ἀκούεις τῶν ἀνθρώπων. uk akúeis tón anthrópon. Não ouves os homens. c) ὁ ὀφθαλµóς σου οὐκ ἦν ἀγαθóς. rô ofthalmós su uk én agathós O olho teu não era bom. 15 Com o objetivo de facilitar o entendimento da leitura e pronúncia, as sílabas tônicas das palavras da pronúncia figurada estarão grafadas em negrito.
  • 64. 63 d) ἡ γυνὴ ἔχει τρίχας καλάς. ré guiné êquei trícas kalás. A mulher tem cabelos belos. e) ὁί ἄνθρωποι ἔκραζον. roí anthrópoi êkrasdon. Os homens gritavam. f) ἐδίδασκεν τούς Ἕλληνας. edídasken tus rêlenas. Ensinavam os gregos. g) ὁ ἄγγελος λέγει πρὸς αὐτάς. rô ánguelos lêguei prôs autás. O anjo fala para elas. h) ἔγειρε καὶ περιπάτει. êgueire kaí peripátei Levanta-te e caminha. i) ὁ λύχνος τοῦ σώµατóς ἐστíν ὁ ὀφθαλµóς. rô lücnos tu sómatôs êstin rô ôfthalmós A luz do corpo é o olho.
  • 65. 64 ConclusãoConclusãoConclusãoConclusão Esperamos que este singelo trabalho possa ter apresentado um panorama geral sobre o alfabeto grego clássico e sua estreita relação com o alfabeto português, abrindo dessa forma um horizonte de possibilidades e de incentivos para os interessados em aprofundar o estudo do grego antigo, seja o clássico ou o comum (koinê). Reiteramos que os estudos aqui realizados e os exercícios feitos irão ajudar também aqueles que optaram por aprofundar os estudos do grego comum (koinê). Há uma boa demanda para a aprendizagem deste tipo de grego antigo com vistas a uma melhor e fiel exegese dos textos bíblicos, considerando que os Evangelhos foram escritos com tal tipo de evolução do idioma grego. Priorizamos ao máximo a utilização de palavras gregas que tivessem uma relação muito próxima à língua portuguesa, buscando realizar continuamente essa correspondência entre os dois alfabetos com o objetivo de tornar a aprendizagem mais confortável e suave. A divisão do alfabeto grego em três categorias de letras (isográficas, isofonéticas e alográficas) teve como propósito facilitar a aprendizagem sem imposição do idioma externo (grego) sobre o idioma materno (português), pois entendemos que toda imposição recebe em contrapartida uma resistência.
  • 66. 65 Assim, pelo menos em tese, partimos do que o aprendente já sabia ou se apresentava como sendo mais fácil de entender. Explorando sempre semelhanças e aproximações entre os dois alfabetos, tentamos de forma simples expor as facilidades e dificuldades do alfabeto grego em relação ao alfabeto português. Os exercícios tanto de aquecimento quanto os de fixação e aprendizagem foram importantes para a compressão e entendimento da pronúncia, proporcionando ao final uma melhor fluência na leitura. Encerrando o livro presente, elencamos algumas obras importantes para o estudo do grego antigo. Vamos destacar, segundo nossa experiência particular de aprendizagem, quais se apresentaram mais interessantes ao estudo do grego clássico e do grego comum (koinê). Para o aprendizado do grego clássico o método mais utilizado nos meios acadêmicos (tanto nas universidades americanas, inglesas e até brasileiras, existindo inclusive uma versão em língua portuguesa) é o Aprendendo Grego, da Joint Association of Classical Teachers. É o que há de melhor na aprendizagem do grego clássico. O Ancient Greek: A New Approach, de Carl Ruck, também é um bom método com uso em universidades estrangeiras. O problema é que ainda não contamos, até agora, com uma tradução para a língua portuguesa.
  • 67. 66 Os livros Língua grega: visão semântica, lógica, orgânica e funcional e Língua Grega – Volume II Prática, de Henrique Murachco, são uma boa opção disponível em língua portuguesa. A obra Gramática Grega, de Antonio Freire, apresenta-se, do início ao fim, como um método bem fundamentado, principalmente nos aspectos gramaticais. Quanto aos métodos de aprendizagem do grego comum (koinê), os quais utilizam a pronúncia erasmiana, destaco a obra Noções do Grego Bíblico: Gramática Fundamental, de Rega e Bergmann. Este método é muito detalhado e fruto de trabalhos de ensino de grego realizados ao longo de mais de vinte anos. Em língua portuguesa, certamente merece destaque entre os melhores. Destacamos igualmente a obra Gramática do Grego do Novo Testamento, de Swetnam. É uma gramática utilizada há mais de trinta anos por alunos do Pontifício Instituto Bíblico, portanto é um método muito experimentado. Obra muito minuciosa, é composta por dois volumes. O primeiro está relacionado à morfologia e, o segundo, com as chaves para a resolução dos exercícios e paradigmas. Evidentemente, tais obras não são indicações de compra. O interessado deverá pesquisar mais sobre cada uma delas antes de adquiri-las e analisar se suas metodologias se alinham ao seu perfil de estudante autodidata. Cada pessoa tem uma afinidade específica com determinado método, além de interesses diferentes. Por exemplo, se alguém quer aprofundar o conhecimento do grego clássico deve escolher o método que
  • 68. 67 vai trabalhar com esse tipo de grego antigo. Por outro lado, se o interesse é aprofundar estudos em relação aos textos bíblicos deve-se buscar o método que desenvolva tal tipo de grego, ou seja, o grego comum (koinê). Outrossim, nada impede que o estudante bem capacitado no grego clássico não consiga ler e entender o grego comum (koinê). Assim, ao final deste pequeno estudo introdutório ao alfabeto grego, desejamos que o mesmo possa ter sido de grande valia para aqueles que se propuseram a lê-lo e a realizar os exercícios sugeridos. Esperamos que o estudo deste pequeno livro tenha intuído nos leitores novas possibilidades de aprendizagem, entusiasmo em prosseguir estudos mais aprofundados do grego, prazer em ser capaz de decodificar e ler a palavra composta pelos caracteres gregos, admiração ao entender a estreita relação entre a língua portuguesa e o idioma grego, e auxílio na parte inicial de aprendizagem do grego antigo. Encerramos com o mesmo pensamento com o qual iniciamos, o qual é de autoria do professor Carl A. P. Ruck: “O grego vale a pena? Não tivessem os meios de comunicação em massa convertido o homem de ser pensante em ser ‘comprante’, a resposta à nossa pergunta seria autoevidente”.
  • 69. 68 Resolução dResolução dResolução dResolução dos eos eos eos exercíciosxercíciosxercíciosxercícios Resolução do exercício 1 a) Α α (alfa) Β β (beta) Ε ε (épsilon) Ι ι (iota) Κ κ (capa) Μ µ (Mi) Ο ο (ômicron) Τ τ (tau) b) T t : Τ τ O o: Ο ο M m: Μ µ K k: Κ κ I i: Ι ι E e: Ε ε Resolução do exercício 2 a) (ι) iota; (ο) ômicron; (α) alfa b) (ι) iota; (ο) ômicron; (τ) tau; (α) alfa; (µ) mi c) (κ) kapa; (α) alfa; (τ) tau d) (ε) épsilon e) (µ) mi; (ι) iota; (κ) kapa; (ο) ômicron f) (β) beta; (α) alfa; (ο) ômicron g) (α) alfa; (µ) mi
  • 70. 69 Resolução do exercício 3 a) Γ γ (gama) ∆ δ (delta) Η η (eta) Λ λ (lambda) Π π (pi) Ρ ρ (rô) Σ σ ς (sigma) Ω ω (ômega) b) E e : Η η O o: Ω ω P p: Π π L l : Λ λ P p: Ρ ρ S s: Σ σ ς Resolução do exercício 4 a) (λ) lambda; (σ) sigma b) (π) pi; (ς) sigma c) (Σ) sigma; (ω) ômega; (ρ) rô; (η) eta; (ς) sigma d) (Σ) sigma; (λ) lambda; (η) eta e) (ρ) rô f) (ρ) rô; (ς) sigma g) (δ) delta; (ρ) Rô h) (γ) gama; (ρ) rô; (ω) ômega
  • 71. 70 Resolução do exercício 5 a) Ζ ζ (zeta) Θ θ (theta) Ν ν (ni) Ξ ξ (ksi) Υ υ (ípsilon) Φ φ (phi) Χ χ (qui) Ψ ψ (psi) b) N n : Ν ν ks: Ξ ξ Y y: Υ υ F f: Φ φ ch/kh: Χ χ ps: Ψ ψ Resolução do exercício 6 a) φιλοσοφια = (φ) phi b) ναυτικóς = (ν) ni c) νύξ = (ν) ni; (υ) ípsilon; (ξ) ksi d) χρóνος = (χ) qui; (ν) ni e) γράφω = (φ) phi f) Θεóς = (Θ) theta g) Ζεύς = (Ζ) zeta; (υ) ípsilon h) χθές = (χ) qui; (θ) theta i) ψευδής = (ψ) psi; (υ) ípsilon
  • 72. 71 Resolução dos exercícios gerais de familiarização Exercícios de transliteração 1) a) drama: δραµα b) filosofia: φιλοσοφια c) átomos16 : ἂτοµος d) apóstolos: ἀπόστολος e) pólis: πόλις f) Theós17 : Θεός g) chrónos: χρόνος h) Ramá: Ῥαµά i) hippopotamοs: ἱπποποταµος j) grafo: γραφω k) psiqué: ψυχή18 2) 16 A palavra “átomos” está no plural em português. Em grego, ἂτοµος está no singular e significa, portanto, átomo. Quando uma palavra grega termina em sigma (letra equivalente ao ‘s’ da língua portuguesa), não significa necessariamente que ela está no plural. No caso específico, incluímos as palavras “átomos” e ἂτοµος unicamente com a intenção de usar suas semelhanças gráficas para fins didáticos. A mesma observação cabe às palavras apóstolos e ἀπόστολος. 17 A palavra Theós significa Deus e está transcrita com os caracteres latinos para fins didáticos, facilitando a transliteração para as letras gregas. Igualmente se encontram nessa situação as palavras chrónos e hippopotamοs, que significam, respectivamente, tempo e hipopótamo. 18 Palavra grega que pode significar vida ou alma.
  • 73. 72 a) ὥρα: hora b) ἀπολογία: apologia c) δέρµα: derma = pele d) ἔθος: ethos = costume, hábito e) Ζεύς: Zeus f) κόσµος: cosmos = universo g) µέγα: mega = grande h) ὁδός19 : rodós = estrada, caminho i) Πεπικλῆς: Péricles j) πάθος20 : pathos = sofrimento, doença Exercícios de correspondência 3) (g) ψυχή ; (c) βιβλίον ; (d) πυρός ; (b) ἀρχή ; (e) φόβος ; (a) φῶς ; (f) χρόνος 4) (c) biologia; (d) ginecologista; (b) agropecuária; (e) filósofo; (g) psicossomático; (h) protótipo; (f) fonética; (a) antropologia ; 19 Rodós dá origem às seguintes palavras usadas na língua portuguesa: rodovia, rodoviária e rodoviário. 20 Pathos dá origem à palavra patologia, que é o ramo da medicina que trata da natureza, causas e sintomas das doenças.
  • 74. 73 GLOSSÁRIOGLOSSÁRIOGLOSSÁRIOGLOSSÁRIO GREGO – PORTUGUÊS ἂλφα – alfa ἀγαθóς: bom. ἀγάπη: amor. ἄγκυρα: âncora. ἄγγελος: anjo. ἀγρóς: campo. ἀκούεις: ouves. ἀνδρóς: homem, referente ao gênero masculino. ἂνθρωπος: ser humano, homem. ἀνθρώπων: homens (plural, genitivo). ἄνθρωποι: homens (plural, nominativo). ἀπολογία: apologia, defesa. ἀπόστολος: apóstolo, enviado, mensageiro. ἀρχή: início, princípio, começo. αὐτάς: elas. ἂτοµος: átomo, não divisível. βῆτα – beta βάρβαρος: bárbaro. βάλλω: lançar, atirar. βιβλίον: livro. βίος: vida.
  • 75. 74 γάµµα – gama γάµος: casamento. γένος: raça, espécie. γέρον: ancião, velho. γράφω: grafar, escrever. γυνή: mulher. δέλτα – delta δέρµα: derma, pele. διδάσκαλος: mestre, professor. δóγµα: lei, decreto. δρᾶµα: drama. ἔψσιλóν – épsilon ἔγειρε: levanta-te. ἐγχρίω: ungir. ἐδίδασκεν: ensinava. ἔθος: costume, hábito. ἔκραζον: gritavam. Ἕλληνας: gregos. ἐστιν: é. ἔχει: tem. ἔχω: tenho. ζῆτα – zeta Ζεύς: Zeus. ζῆλος: zelo, cuidado.
  • 76. 75 ζóφος: escuridão, trevas. ἦτα – eta ἡ: a (artigo definido feminino). ἦν: era. ἡµεῖς: nós. Ἡρακλῆς: nome próprio, Héracles. ἠώς: aurora. θῆτα – theta Θεóς: Deus. θάλασσα: mar. θάνατος: morte. ἰῶτα – iota ἱερόν: templo, santuário. ἱµάτια: vestes. ἱπνος: sono. ἱπποποταµος: hipopótamo. Ἰσραήλ: nome próprio Israel. ἰσχυρός: forte, poderoso. κάππα – capa καὶ: e (conjunção). κακός: mau, ruim. καλάς: belos.
  • 77. 76 καλῶς: bem. κεφαλή: cabeça. κόσµος: cosmo, Universo. λάµβδα – lambda λέγει: fala. λέγω: falar, dizer. λίθος: pedra. λóγος: razão, fala, palavra. λύχνος: luz. µῦ – mi µέγα: grande. µικρο: pequeno. µóνος: zozinho. µóρφωσις: formar, dar forma. µῶµος: vergonha. µωρóς: estúpido, louco. νῦ – ni ναί: sim. ναυτικóς: náutico, naval. νεκρóς: cadáver.
  • 78. 77 νóµος: lei. νύξ: noite. ξῖ – ksi ξένος: estrangeiro. ξενίζω: acolher. ξυράω: raspar, barbear. ὂµικρóν – ômicron ὁ: o (artigo definido masculino) ὁδός: estrada, caminho. ὁί: os (artigo definido masculino – plural) ὀλίγος: pouco, pequeno. οὐκ: não. οὐρανός: céu. ὀφθαλµóς: olho. πῖ – pi πάθος: pathos, sofrimento, doença. Πεπικλῆς: nome próprio, Péricles. περιπάτει: caminha. πόλις: pólis, cidade. πρὸς: para. πρῶτος: primeiro. πυρός: fogo.
  • 79. 78 ῥῶ – rho ῥαββί: mestre, mas trata-se de uma palavra de origem hebraica que foi helenizada. Mestre, no grego clássico, é διδάσκαλος e pronuncia-se didáscalos. Ῥαµά: cidade citada na Bíblia, que ficaria no norte de Israel. ῥῆµα: palavra. Ῥουβήν: nome próprio, Rubem. σίγµα – sigma σάλπιγξ: corneta, trombeta. Σελήνη: nome próprio, Selene. σου: teu. σοφιᾶ: sabedoria. σοφóς: sábio. Σωκράτης: nome próprio, Sócrates. σῶµα: corpo, pessoa. σώµατóς: corpo. ταῦ – tau τὰ: as. τρίχας: cabelos. τοῦ: do. τούς: os. τῶν: os
  • 80. 79 ὖψλóν – ípsilon ὑπó: sob, debaixo de. ὑποκριτής: hipócrita, falso. υἱóς: filho. φῖ – phi φιλοσοφια: filosofia. φόβος: fobia, medo. φωνή: voz. φῶς: luz. χῖ – qui χθές: ontem. χριστóς: ungido. χρóνος: tempo. ψῖ – psi ψευδής: falso. ψυχή: vida, alma. ὦµέγα – ômega ὠθέω: empurrar. ὥρα: hora. ὡς: como.
  • 81. 80 BIBLIOGRAFIABIBLIOGRAFIABIBLIOGRAFIABIBLIOGRAFIA ALEXANDRE Júnior, M. Gramática de Grego Clássico e Helenístico. Lisboa: Alcalá, 2003. DOBSON, John H. Aprenda o Grego do Novo Testamento. Trad. Lucian Benigno. 4. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. FREIRE, Antonio. Gramática Grega. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2005. JOINT ASSOCIATION OF CLASSICAL TEACHERS. Aprendendo grego. Tradução de Luiz Alberto Machado Cabral. São Paulo: Odysseus, 2010. LIDDELL, H. G., Abridged Greek Lexicon, Oxford: Oxford University Press, 1977. LUZ Waldyr Carvalho. Manual de Língua Grega. Vols. I-III. Cambuci: Casa Editora Presbiteriana, 1991. MALZONI, Cláudio Vianney. 25 Lições de Iniciação ao Grego do Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2009. MURACHCO, Henrique. Língua grega: visão semântica, lógica, orgânica e funcional. São Paulo: Discurso Editorial / Vozes, 2001.
  • 82. 81 ______. Língua Grega – Volume II Prática. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2007. PEREIRA, Isidro. Dicionário Grego-Português e Português- Grego. Braga: Livraria-Editora Apostolado da Imprensa, 1998. REGA, L. S.; BERGMANN, J. Noções do Grego Bíblico: Gramática Fundamental. São Paulo: Vida Nova, 2004. RUCK, Carl A. P. Ancient Greek: A New Approach. 2. ed. Cambridge: MIT press, 1996. RUSCONI, C. Dicionário de Grego do Novo Testamento. Traduzido do italiano por Irineu Rabuske. São Paulo: Paulus, 2003. SWETNAM, J. Gramática do Grego do Novo Testamento I-II. Traduzido do inglês por Henrique Murachco, Juvino A. Maria Jr. e Paulo Bazaglia. São Paulo: Paulus, 2002. TAYLOR, W. C. Introdução ao estudo do Novo Testamento grego – Gramático. Rio de Janeiro: JUERP, 1983 / 1990.