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AFIRMAÇÃO NO CENÁRIO DO SABER CIENTIFICO: A PESQUISA
EDUCACIONAL
João Paulo Cardoso dos Santos1
1. Introdução
Diante do universo chamado Educação há muito além ensinar e do aprender. O universo
educacional não se restringe aos professores e funcionários das creches, escolas e instituições
de ensino superior, mas também de um conjunto de teoria pensadas pelos diversos campos de
conhecimento cientifico como as ciências sociais, psicologia, biologia, matemática, por
exemplo. Entretanto, até um determinado momento não havia um campo especifico oriundo da
educação para pesquisar sobre a Educação.
Em outras palavras a Educação produzia seu saber cientifico por meio de outros campos
de conhecimento, e esses campos estuda o objeto em busca do problema na sua área como
exemplifica Charlot:
Quem é sociólogo de educação se define antes de tudo como sociólogo, se
interessa pela contribuição que a educação pode dar à estruturação do campo
social. O que lhe interessa é a construção do social e, se ele trabalha sobre a
educação, é para melhor compreender essa construção. No fundo, a questão
mesma da educação não o interessa de fato, o que chama a sua atenção são os
seus efeitos sociais (CHARLOT, p.09, 2006).
Embora não signifique dizer que foi algo ruim, revela a necessidade de se ter um
denominador especifico para a Educação. Por fim esse caminho apresenta-se por meio da irmã
mais nova a Pesquisa Educacional.
Será demonstrado os caminhos que a área da Pesquisa Educacional percorre2, bem como
ela é moldada durante esse caminho. No que se refere a construção de uma identidade3, a mesma
adquire uma faceta múltipla e que a coloca em uma situação de definir um objeto que se envolve
em todos os campos da vida social que é a Educação.
2. O caminho para reconhecimento
Para falar de pesquisa educacional é preciso localizar na história como se dá o surgimento
e qual caminho foi traçado para se desdobrar na situação atual. Como Marli André cita de “Joly
Gouveia (1971), a pesquisa educacional só toma corpo por iniciativa de um órgão
1 Estudante de Ciências Sociais, licenciatura, pela Universidade Federal de Alagoas.
2 Será a base para desenvolvimento o artigo “A JOVEM PESQUISA EDUCACINAL BRASILEIRA da Professora
do Programa de Pós-graduação emEducação da PUC/SP Marli André.
3 Será utilizado o artigo “A PESQUISA EDUCACIONAL ENTRE CONHECIMENTOS, POLÍTICAS E
PRÁTICAS: ESPECIFICIDADES E DESAFIOS DE UMA ÁREA DE SABER” de Bernad Charlot.
governamental4(p.12), que na época era o Ministério de Educação e Cultura com o Instituto
Nacional de Estudo Pedagógicos (INEP), e depois também por incentivos privados. O primeiro
passo dado não surge necessariamente de um movimento dentro das Universidades – que será
falado mais a frente – que seria o lugar onde o saber cientifico é “produzido”.
Em outros termos podemos aferir que em certa medida sua vida começa em uma relação
vertical a qual não havia autonomia no que seria pesquisado, pois haviam demandas a cumprir
“Temas como: a educação como investimento, os custos da educação, a escola e a demanda de
profissionais de diferentes níveis aparecem com freqüência nos documentos programáticos da
época” (p.13). Logo, temos o problema da autonomia, já que há relação vertical naquilo que se
era pesquisado dentro do campo.
O desenvolvimento da pesquisa educacional a priori apresenta caminhos diferentes para se
institucionalizar como área de conhecimento, isso no sentido que não começa por um
movimento advindo dos ambientes que produziam ciência, mas por iniciação governamental,
então pode-se dizer que sua natureza inicial é primeiramente política, uma vez que sua relação
está vinculada a conjuntura política da época; segundo a falta de autonomia impede a expansão
para explorar outros temas além do pré-definido pelo fiador da pesquisa, ou seja, durante um
período situações que hoje há pouca literatura poderiam ter sido conhecida anteriormente – não
falo que se as condições objetivas fossem outras teríamos resultado diferente, mas haveria essa
probabilidade.
É louvável perceber que o investimento governamental nesta área acaba a colocando
apenas para educação uma disciplina especifica, mesmo quando inicialmente não havia
autonomia. Ao tempo que reclassificando qual o papel das universidades perante a demanda
onde a Educação é objeto.
No cenário inicial as Universidades só em outro momento trata a pesquisa educacional no
meio acadêmico, pois “breve exame das origens da pesquisa na área de educação mostra que
ela não nasceu de um movimento das próprias universidades, mas foi induzida pelos órgãos
governamentais dentro de expectativas muito definidas: obter subsídios para as políticas
educacionais”(p.13). Sendo este momento quando as pesquisas deixam de ser atreladas aos
órgãos governamentais. No entanto isso surte efeitos com pesos e medidas diferentes como
descrito por Marli André (2006) a vantagem seria maior independência dos pesquisadores sobre
4 ANDRÉ, Marli. A jovem pesquisa educacionalbrasileira. Revista Diálogo Educacional v.6 n. 31, p.11-24,
2006. PPGE/PUCRJ.
a escolha dos temas e metodologias de estudo e a desvantagem seria um descolamento entre o
conhecimento produzido e a prática.
2.1 O caminho para reconhecimento: caminho para definição
Como supracitado a Pesquisa Educacional tem se desenvolve resumidamente em dois
momentos: o primeiro é marcado com a formação ligada a fonte governamental; o segundo é a
sua introdução nas Universidades.
Durante o processo de afirmação da pesquisa educacional é interessante perceber como este
campo é pensado inicialmente. Tanto Charlot como Marli André, relatam que ela esteve
atrelada a outras áreas de conhecimento, especialmente a psicologia e a sociologia, e embora as
pesquisas em educação fossem desenvolvidas por essas, não eram o fim para o que se buscava.
Outro ponto importante chama atenção, especialmente no tratado por Marli André, é que
no momento em que ganha-se mais independência para pesquisas autônomas, houve críticas no
que se refere a rigorosidade das abordagem teóricas-metodológicas que eram pobres. No
entanto, nos mostra o que Charlot5 descreve “é um campo de saber fundamentalmente mestiço,
em que se cruzam, se interpelam e, por vezes, se fecundam, de um lado, conhecimentos,
conceitos e métodos originários de campos disciplinares múltiplos, e, de outro lado, saberes,
práticas, fins éticos e políticos”(p.09), e como se apresenta como um campo múltiplo, pode essa
uma característica que potencialmente possa ter sido interpretada de maneira confusa – isso no
sentido que afeta a rigorosidade teórico-metodológica.
Isso revela que um dos dilemas é justamente ter clareza da dimensão e dos limites a área de
estudo para que fundamentalmente se esteja fazendo pesquisa em educação e não pesquisa em
educação na psicologia por exemplo. “Portanto, por definição, é uma disciplina
epistemologicamente fraca: mal definida, de fronteiras tênues, de conceitos fluidos”(p.09).
Cabe ressalta – mais especificamente em Charlot – a problemática das condições do fazer
educação e da definição do como ensina e do fracasso escolar. Talvez cabe a ausência de retorno
dos estudos feitos em forma de material didático para repensar a prática da realidade a partir da
realidade, não de modelos pré-definidos e copiados de outras situações educacionais, sociais,
econômicas e culturais.
5 CHARLOT, Bernad. A pesquisa educacionalentre conhecimentos, políticas e práticas: especificidades e
desafios de uma área de saber. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v.11, n.31. 2006.
3. Consideração final
Apesar das dificuldades para sua definição a pesquisa educacional levanta o debate que
envolve não somente os elementos que envolve a educação, mas a diversidade de relações
políticas, sociais, econômicas, culturais e não se caracteriza múltipla por acaso, pois é o
instrumento que fomenta a inserção dos outros saberes.
Os autores referenciados neste trabalho seguem se encontram em diversos momentos em
seus artigos, logo, podemos aferir que a pesquisa em educação necessita de espaço para e
promoção para efetivamente produzir mais e com qualidade, isso poderia levar outros
parâmetros na construção de uma base educacional mais solidas e possivelmente melhores, na
medida que se espera que a educação é um dos pilares do desenvolvimento.
Por fim é contundente relevar como as pesquisas na área da educação são apreciadas, não
só no universo acadêmico, mas nos outros extratos que compõe a sociedade que vive da
educação (escolas, professores, secretarias de educação, alunos), talvez não como mais um
estudo, mas como instrumento de constante avaliação e diagnostico do quadro educacional a
fim de repensar suas práticas.
Referências bibliográficas
ANDRÉ, Marli. A jovem pesquisa educacional brasileira. Revista Diálogo Educacional v.6
n. 31, p.11-24, 2006. PPGE/PUCRJ.
CHARLOT, Bernad. A pesquisa educacional entre conhecimentos, políticas e práticas:
especificidades e desafios de uma área de saber. Revista Brasileira de Educação, Rio de
Janeiro, v.11, n.31. 2006.