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ABORDAGENS DA PESQUISA_Unidade 2_PARTE 2.pdf
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A metodologia nao deve ser vista como
uma disciplina cuja enfase e 0 ensino de
metodos e tecnicas para planejar,
conduzir e apresentar uma pesquisa
cientffica, mas sim como uma disciplina
para elucidar 0 que SaGessastecnicas, a
quais metodos da ciencia atendem e em
que bases epistemol6gicas se
fundamentam.
No novo contexto que se vislumbra, 0
conhecimento e como uma moeda de
grande valor que viabiliza transa~6es e
negocia~6es essenciais. Saber manipular,
desvendar, apreender, expressar, construir
e transmitir conhecimentos e
imprescindfvel para nao perder inumeras
oportunidades. E sendo a pesquisa uma
oportunidade de compreensao dos
multiplos saberes, dos multiplos textos e
contextos, das multiplas realidades e dos
multiplos atores, nao da para abrir mao da
(lletoJologia!
EDITORA
VOlES
ISBN 978-85-326-3193-0
II II
9 788532 631930
ELIZABETH TEIXEIRA
"-
AS TRES
METODOLOGIAS
A
ACADEMICA,
DA CIENCIA E
DA PESQUISA
EDITORA
VOlES
© 2005, Editora Vozes Uda.
Rua Frei LUIs, 100
25689-900 Petr6polis, RJ
Internet: http://www.vozes.com.br
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta
obra podera ser reproduzida ou transmitida por
qualquer forma e / ou quaisquer meios (eletroni co ou
mecanico, incluindo fotoc6pia e gravac;21.o)ou
arquivada em qualquer sistema ou banco de dados
sem permiss21.o escrita da Editora.
Editora9iio: Ana Kronemberger
Projeto grafico: AG.SR Desenv. Grafico
Capa: Marta Braiman
1
••. ,;•• ~ iI ••..•.~ .•"".I"' .• " (''''of( .; ..... I.:"';";, ::~: ~ ••~() ~ ••- ~ '-~...;,o: """""''''',1''., •.,
Hoje, a nossa necessidade hist6-
rica e encontrar urn metodo ca-
paz de detectar, e n21.O
ocultar, as
liga<;6es, as articula<;,:6es, as soli-
dariedades, as implica<;,:6es,as im-
brica<;,:6es, as interdependencias
e as complexidades.
3.1. CAMINHOS DO PESQUISADOR:
MOMENTO 1: CONSTRUINDO 0 PRE-PROJETO
o processo para a partida e0 seguinte: a) encontrar
urn interesse em uma area temMica; b) restringir 0 inte-
resse para urn t6pico possivel; c) questionar esse t6pico
sob divers os pontos de vista; d) definir urn fund amen-
to l6gico para 0 projeto.
A) frase-exercicio mimero 1: 0 t6pico-problema (a
situa<;ao problema)
Do que temos lido 210 longo dos semestres, do que
estamos aprendendo nas disciplinas, do que temos tra-
balhado em nossa prMica estamos interessados(as} em
pesquisar sobre 0 problema da .
Tal problema nos preocupa porque .
B) frase-exercicio numero 2: as perguntas (as ques-
toes norteadoras)
Estamos interessados(as) nesse t6pico-problema por-
que queremos encontrar resposta as seguintes pergun-
tas: .
, ,
C) frase-exercicio numero 3: 0 fundamento l6gico
(os objetivos)
Estamos interessados(as) nesse t6pico-problema e
queremos encontrar resposta as perguntas formuladas
a fim de .
1. 5e as perguntas estao direcionadas aos autores, ou
seja, se °desejo e formular e encontrar respostas
em fontes bibliograficas do campo da educac;ao e
outros campos do saber, entao 0 pre-projeto sera
de uma Pesquisa Bibliografica (PB).Nesse caso, as
perguntas serao para os autores (da Educac;ao, da
Psicologia, da Sociologia, da Filosofia etc.).
2. Se as perguntas estao direcionadas aos textos dos
atores da educa<;:ao,ou seja, se 0 desejo e encon-
trar respostas em fontes documentais produzidas
nos multiplos contextos educacionais (Secreta-
rias de Educac;ao, Departamentos, Escolas etc.),
entao 0 pre-projeto sera de uma Pesquisa Docu-
mental (PD). Nesse caso, as perguntas serao para
os documentos (LegislaC;ao,Projetos Pedag6gicos,
Relat6rios, Atas, PIanos de Ensino, Livros Didati-
cos, Diarios etc.).
3. Se as perguntas estao direcionadas aos atores da
educa<;:ao,ou seja, se 0 desejo e encontrar respos-
tas em fontes orais nos multiplos contextos edu-
cacionais, entao 0 pre-projeto de pesquisa sera de
uma Pesquisa de Campo (PC). Nesse caso, as per-
guntas serao para os atores (alunos, professores,
diretores, conselheiros, pais, tecnicos, assess ores
pedag6gico's, chefes de <.leparh:li:i1ento,secrdar'lbij ,
de educaC;ao etc.).
o objetivo e levar os pesquisadores a enunciar 0
que estao interessados em pesquisar (0 t6pico-proble-
ma), 0 que nao sabem sobre 0 que estao interessados
em pesquisar (as perguntas) e por que querem saber so-
.bre 0 que estao interessados em pesquisar (0 fundamen-
to 16gico).
Entendemos que 0 t6pico-problema de interesse sera
a partir de agora 0 problema de pesquisa. 0 problema
de pesquisa e sempre definido por uma serie bastante
reduzida de conceitos. Segundo os autores, e sempre
uma versao de urn nao saber au nao compreender algo
que 0 pesquisador acha que ele e seus leitores deve-
riam saber ou entender melhor. 0 problema de pesqui-
sa parte, entao, do t6pico-problema de interesse desta-
cado na frase-exercicio nllmero 1do exercicio anterior
e e complementado com as perguntas elaboradas a par-
tir da frase-exercicio numero 2.
Com base nas discussoes, os pesquisadores pode-
rao elaborar uma primeira versao do pre-projeto de pes-
quisa. Apresentamos, a seguir, urn modelo utilizado
por pesquisadores que oriento. Para facilitar, 0 modelo
esta preenchido com urn t6pico-problema de meu in-
teresse.
TITULO e SUB TITULO OFIClO DE ESTUDANTE: competencias
entre alunos do segundo ana de urn curso
de graduayao
TEMA Metodologia Academica
SUBTEMA Oficio de Estudante
SITUA<;AO Atuando como docente de cursos de gra-
PROBLEMA ,d.~a9aodesde 198,9"comece( ajnt~~~~~~f
:JIl$.
., .. .- . .. f." .-., ......
sobre 0 problema das dificuldades metodo-
l6gicas entre os estudantes. Essas dificul-
dades refletiam diretamente nas atividades
de estudo, leitura e, principalmente, na pro-
duc;ao dos trabalhos academicos.Tal interes-
se emergiu quando passei a ministrar disci-
plinas de Metodos e Tecnicas de Pesquisa
bem como a orientac;ao de TCC entre alu-
nos concluintes. Estou interessada nesse pro-
blema porque quero saber:
,(
'"
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,t,
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I :~.
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I tv
J~: ,
i
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I
I
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/
'J..,.",
•
j "
QUESTOES 1,0 que e significativo, ao modo de ver dos
NORTEADORAS alunos, para conhecermos 0 mundo e as coi-
sas?
2, Como eles fazem para dar conta das com-
petencias de estudar, ler e escrever textos?
Como se manifestam sobre 0 estudar, ler e
escrever?
3, Como eles fazem para dar conta da nor-
malizayao tecnica exigida na apresentayao
dos trabalhos escritos?
4. 0 que e para e1es ser bom aluDo? Para
eles scr cstmhlllte e ter UI11
oficio?
5. 0 que ainda preeisam saber para apri-
morar esse ofieio e 0 que esperam da disei-
plina nesta perspectiva?
OBJETIVOS Ceral:
Contribuir com 0 debate sobre 0 ofieio de
estudante, competencias transversais e 0 pa-
pel da universidade como mobilizadora des-
sas competencias.
Especificos:
Analisar 0 que e significativo, ao modo de
ver dos alunos, para conheeermos 0 mun-
do e as eoisas;
Caraeterizar como eles fazem para dar con-
ta das competencias de estudar, ler e escre-
ver textos;
Apontar como eles fazem para dar conta
da n0l111alizayao tecnica exigida na apre-
sentayao dos trabalhos escritos;
... 1 .•1 ••••• ' q ••
Analisar e interpretar 0 que e para; eles s~r
> born ahillo epoi q~e s'er e'shIdante 6 ter'-iim
oficio;
Identificar 0 que ainda precisam saber para
aprimorar esse oficio e a que esperam da
disciplina nesta perspectiva.
MOMENTO 2: FAZENDO OP<::O£S METODOLO-
GICAS
Para direcionar os trabalhos, pal"timos para a dis-
cussao dos enfoques de pesquisa. Procuramos levar os
pesquisadores a encontrar urn enfoque adequado com
base no t6pico-problema e nas perguntas formuladas
no pre-projeto. As orienta<;6es san as seguintes:
1. Se as perguntas do pre-projeto indicam a neces-
sidade de uma PB, entao as egu.ipes deverao bus-
car subsidios conceituais desse tipo de pesquisa
em livros de lv1etodologia da Pesquisa para fun-
damentar a op<;aometodo16gica no projeto de pes-
quisa - parte 3 (0 conceito de PB, caracteristicas,
aspectos definidores, etapas etc} Tambem deve-
rao buscar subsidios conceituais do t6pico-pro-
blema escolhido para fundamentar a op<;aote6ri-
ca no projeto de pesquisa - parte 2.
2. Se as perguntas do pre-projeto indicam a neces-
sidade de uma I'D, entao as equipes dever~o bus-
~ar subsidios conceituais desse tipo de pesquisa
em livros de Metodologia da Pesquisa para fun-
damentar a op<;ao metodo16gica no projeto de
pesquisa - parte 3 (0 concei to de PD, caracteristi-
cas" af'pf.£'JQ.5 definidmAi', e±apas etc.). Tamhem
deverao buscar subsidios conceituais do t6pico-pro-
blema escolhido para fundamentar a op<;aote6ri-
ca no projeto de pesquisa - parte 2.
3. Se as perguntas do pre-projeto indicam a neces-
sidade de uma PC, entao as equipes deverao bus-
car subsidios conceituais desse tipo de pesquisa
em livros de Metodologia da Pesquisa para fun-
damentar a op<;aometodo16gica no projeto de pes-
'01:' ••

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quisa - parte 3 (0 conceito de PC, caracteristicas,
aspectos definidores, etapas etc.). Tambem deve-
rao buscar subsidios conceituais do t6pico-proble-
ma escolhido para fundamentar a op<;aote6rica
no projeto de pesquisa - parte 2.
Considerando que a PC envolve a escolha de urn en-
foque (QTou QL)bem como urn tipo de estudo (Explo-
rat6rio, Survey ou Estudo de Caso), apresentamos a se-
guir orienta<;;6esgerais nesse sentido para viabiliz<lr
a referida decisao.
1) Se as perguntas do pre-projeto de PC indicam §.
necessidade de investigar os fenomenos educa-
cionais em toda a sua cornplexidade e em contex-
to natural, entao a equipe devera encaminhar sua
opc;aopara 0 Enfoque Qualitativo. Adota-se nes-
te sentido a concepc;ao de investiga<;;aoqualitati-
va (IQL) de Bogdan & Biklen (1994),que e segui-
da no Brasil por Trivifios (1987)e Marli & Andre
(1996)dentre outros autores do campo educacio-
nal. Tal concepc;aofundarnenta-se em cinco carac-
teristicas que destacamos no quadro a seguir. Se-
gundo os autores, nem todos os estudos utilizam
as cinco caracteristicas com igual profundidade
mas todas, em menor ou maior grau, aplicarn as
_,,:'> .•. , '.' ..• J> ••••• ';~:.'~ •••••• , '.,' ~-:-:.-. _. "_'_';'_~'"~'"·.q_·':-"~C"
respectivas caractenshcas. :
I. Na IQL a fonte de dados e 0
ambientc natural, constituindo
o investigador 0 instrumento prin-
cipal.
3. as investigadores qualitativos
interessam-se mais pelo proces-
so do que simplesmente pelos re-
sultados ou produtos.
4. as investigadores qualitativos
tendem a analisar os seus dados de
forma indutiva.
as investigadores introduzem-se e des-
pendel11 grande quantidade de tempo
em contextos reais para buscar res-
posta as quest6es farmuladas.
"as investigadores qualitativos assu-
mem que 0 comportamento humano e
significativamente influenciado pelo
contexto em que ocorre, deslocando-
se, sempre que possivel, ao local do es-
ludo" (p.48).
as dados rccolhidos sempre serao em
forma de palavras e/ou imagens.
as resultados escritos contem unida-
des retiradas das falas dos atores, dos dia-
rios de observac;:ao,
de documentos etc.
"A abordagem qualitativa exige que
o mundo seja examinado com a ideia .
de que nada e trivial, que tudo tern po-
tencial para constituir uma pista que
nos permita estabelecer uma compre-
ensao mais esclarecedora do nosso ob-
jeto de estudo" (p.49).
As estrategias identificam como 0 fe-
nameno acontece, como se manifes-
ta, como e percebido, como erepresen-
tado pelos atores etc.
a antes, 0 durante e 0 depois sao con-
siderados, os passos, a trajet6ria, 0 per-
Cllrs.o etc. ",
Nao recolhem os dados para compro-
var ou confirmar hip6teses te6ricas ou
praticas formuladas previamente.
Procedem de baixo para cima, da pni-
tica para a teoria, e par conta disso
efetuam revis6es bibliograficas flu-
tuantes antes de ir ao campo e nao se
deixam influenciar por elas.
"""'" ':
!
I
:/
,." •••• ', I
CARACTERfSTlCAS ASPECTOS DEFINlDORES
5. 0 significado e de importiin- Os investigadores estao interessados
cia vital na IQL. no modo como os atores dao sentido as
suas vidas e atividades educacionais.
Desejam apreender as diferentes pers-
pectivas dos atores e registram da for-
ma mais rigorosa possivel 0 modo co-
mo os atores interpretam os signifi-
cados.
para outr9S mais especificos, como
em um funil, ou seja, de uma base
alar'gada vai afunilando para aspec-
tos mais pontuais. Pode comeyar
com observayoes e avanyar para en-
trevistas individuais, pOl'exemplo.
A presenya do pesquisador no cam-
po nao epontual mas continua, du-
rante um celio periodo de tempo.
As esco1has sao intencionais e a in-
telTupc;ao sc d;,quando se acredita
que mingiu 0 ponto de saturac;ao(nao
ba mais novas informac;oes scndo
reveladas).
Podem ser de varios tipos:
a) estudos de caso de organiza-
c;oes numa perspectiva hist6rica
b) estudos de caso de observac;ao
c) eshldos de caso de hist6rias de
vida
d) esmdos de caso comunitario
e) eshldos de caso simaciona1
f) estudos de caso etnognificos
g) eshldos de caso mll1tip1os
h) eshldos de caso comparativos
Ainvestiga<;ao qualitativa poden) ser operacionah-
zada conI base em Estudos Explorat6rios e Estudos de
Caso. Cabera a cada equipe escolher 0 que mais atende
suas expectativas. Apresentamos no quadro a seguir
algumas referencias sobre os dois tipos de estudo.
1. Esmdo Exp1orat6rio segundo
Trivinos (1987) aplicado a investi-
gac;ao qualitativa.
Permite ao pesquisador aumentar
sua experiencia em tomo de um cer-
to t6pico-prob1ema. Pode servir de
ponto de partida para fumros estu-
dos descritivos em que 0 pesquisa-
dol' Ira aprofundar 0 que estudou
neste primeiro momento sobre 0 t6-
pico-prob1ema.
Ao seguir os aspectos definidores
da pesquisa qualitativa, devera aca-
tar as caracteristicas apontadas, de
urn modo mais gera1, mas sem per-
.-- -, - c. -v' -,~-;,- ~- raado rigof'clerititic5.0'telat6fi6 sera
descritivo.
2) Se as perguntas do pre-projeto de PC indicam ~
necessidade de investigar fatos educacionais sob
uma determinada perspectiva para fornecer indi-
, ,~-'1g91:~S.
-~/Q;!-l)Jty~il'.L1~s...tqI_<i@J~tIP.iDE,9.?~
pjp-9t.e.c. -c.<
ses te6ricas ou prMicas, determinar causas e cor-
rela<;:6es
entre diferentes respostas, entao a equi-
pe devera encaminhar sua opc;aopara 0 Enfoque
Quantitativo.
A investiga<;aoquantitativa podera. ser operaciona-
lizada com base em Estudos Explorat6rios e Survey. Ca-
bera a cada equipe escolher 0 que mais atende suas
2. Esmdo de Caso segundo Bog-
dan & Bik1en (1994).
"0 esmdo de caso consiste na ob-
servac;ao deta1hada de urn contex-
to, ou individuo, de urna unica fon-
te de documentos ou de urn aconte-
cimento especifico" (p.89).
A area de traba1ho e de1imitada e a
reco1ha de dados se da progressi-
vamente, dos aspectos rnais gerais
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expectativas. Apresentamos no quadro a seguir algu-
mas referencias sobre os dois tipos de estudo.
Pesquisa de Survey se-
gundo Babbie (1999)
I. Estudo Explorat6rio
segundo Triviiios
(1987) aplicado a inves-
tigayao quantitativa
I. A pesqu isa de smvey e 16gica: atraves da
deduyao pennite testar com rigor proposiyoes
complexas envolvendo diversas variaveis em
interayao simultanea;
2. A pesquisa de survey e deterministica: per-
mite evidenciar com rigor causas·e cfeitos;
3. A pesquis3 de SUlvey e geral: os csludos
SaGIcalizados em amoslras representativas
para que os rcsultados possam ser ampliados
a populayao geral;
4. A pesquisa de smvey e parcimoniosa: os
pesquisadores podem construir varios mo-
delos explicativos e entao escolher 0 que me-
lhor servir a seus prop6sitos;
5. A pesquisa de survey e especifica: visa con-
ceituayoes e medidas sofisticadas e uteis e a
cada passo do caminho os metodos usados de-
vem ser especificados.
sera realizada em uma amostra estatistica de
urn universo escolhido; utilizara instrumen-
tos estruturados; aplicara analise estatistica
para obter os resultados.
Permite ao pesquisador aumentar sua expe-
riencia em t01110de urn certo t6pico-proble-
ma. Pode servir de ponto de partida para fu-
turos survey em que 0 pesquisador Ira apro-
Jlnd~ 0 que estudou r..est~priII)-~ir?,l130p.er:,~.
to sobre 0 t6pico-problema.
Ao seguir os aspectos definidores da pesqui-
sa quantitativa, devera acatar as caracteristi-
cas apontadas, de urn modo mais geral, mas
sem perda do rigor cientifico.
MOMENTO 3: INDICANDO 0 ENFOQUE DE PES-
QUISA
Ap6s 0 delineamento/delimita<;ao do problema de
pesquisa, 0 pesquisador precisara demarcar qual enfo-
que de pesquisa sera utilizado para responder aos ques-
tionamentos formulados. Cabe ao pesquisador, ao nos-
so ver, identificar 0 eixo epistemo16gico de sua pesqui-
sa para poder aplicar adeguadamente seus elementos
16gicos, gnosio16gicos e onto16gicos. 0 objetivo e des-
tacar tais elementos com base em Gamboa 46. Ap6s 0 de-
lineamento do eixo epistemol6gico, cabe ao pesqui-
sador aprofundar conhecimentos sobre ele bem como
dar conta dos respectivos elementos que Ihe saD defini-
dores e caracteristicos.
Se 0 problema de pesquisa aponta para 0 conceito
de causa (qual a causa do fracasso escolar na primeira
serie?) ou para uma rela<;ao causal (idade, sexo, escola-
ridade e experiencia no magisterio do professor tem re-
la<;ao com 0 fracas so escolar?), 0 pesquisador devera ado-
tar 0 enfoque empirico-analitico. A relafa.o causal se ex-
...RlLcjffl.P,Q.. e,x~erim.?r!-Jp.!va siste1J1-atiza,cpq,e cOrJh:'Qlf;qosjla-, r. ,
dos empfricos e atraves das ana1ises estatfsticas e te6ricas (p.97).
A causalidade e 0 eixo da explica<;ao cientifica.
Se 0 problema de pesquisa aponta para uma rela-
<;aoentre 0 fen6meno e a essencia, ou seja, a rela<;ao en-
46. GAMBOA, Silvio A Sanchez. A dialetica na pesquisa em educayao:
ele~entos de.contexto. In: FAZENDA, Ivani (arg.). Metodologia da pes-
qUisa educaclOnal. 6.ed. Sao Paulo: Cortez, 1999.
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tre 0 fen6meno vivido e aquele que vivencia a essencia
do fen6meno (qual 0 significado do fracasso escolar
para 0 aluno/ 0 professor e a familia do aluno?)/ 0 pes-
quisador devera adotar 0 enfoque fenomeno16gico-her-
meneutico. A interpreta<;ao como :hmdaJl1entoda com-
preensao dos fen6menos e 0 eixo da explicac;aocientilica.
Se 0 problema de pesquisa aponta para uma in-
ter-relac;ao do todo com as parles e vice-versa/ dos ele-
mentos micro com os macro/ os elementos hist6ricos
(quais elementos hist6ricos/ politicos e sociais estao im-
plicados no fracasso escolar? Como vem se dando 0 fra-
casso escolar na primeira serie?)/ 0 pesquisador deve-
ra adotar 0 enfoque critico-dialetico. Considera a a<;ao
como a categoria epistemo16gica fundamental para a ex-
plica<;aocientifica.
ELEMENTOS LOGICOS E PRESSUPOSTOS GNO-
SIOLOGICOS E ONTOLOCICOS
Os tres enfoques de pesquisa destacados contem urn
conjunto de elementos que precisarao ser acatados pelo
pesquisador ao longo de sua pesquisa/ do planejamento
a execuc;ao/ ou seja/ do projeto de pesquisa ao relat6rio.
QUADROl
ELEMENTOS E PRESSUPOSTOS DO ENFOQUE
EMPIRlCO- ANA UTICO
Nivel/Aspecto '.'
Nivel Tccnico
Nivel Te6rico
(com relayao aos auto-
res)
Nivel Te6rico
(com relayao ao tipo de
criticas e de propostas de
mudanya)
Nivel Epistemol6gico
(criterios de cientifici-
dade)
Nivel Epistemo16gico
(concepyao de ciencia)
.Caracteristicas definidoras"
Utilizayao de tecnicas de coleta, tra-
tamento e amilise de dados marca-
damente quantitativos com uso de me-
didas e procedimentos estatisticos.
Os dados serao coletados atraves de
tcstes padronizJdos c qLlestiomll'jos
fcchaclos, aprcsent3closem grMicos ou
tabelas.
Privilegia autores chissicos do posi-
tivismo e da ciencia analitica. A fun-
damentayao te6rica aparece na forma
de revis5es bibliograficas sobre 0 tema
tratado, de apresentayao sucinta dos
resultados de outras pesquisas.
Algumas pesquisas excluem qual-
quer discussao, confronto, debate ou
questionamento, amparadas na neu-
tralidade do metodo cientifico. Al-
gumas pesquisas apresentam criti-
cas tecnicas com interesse especi-
fico na recuperayao da harmonia e
equilibrio das organizay5es.
A validuyao se fundamenta no tes-
te dos instrumentos de coleta e tra-
t1mcn.to.d['ls .dao0s .com e'1,bs~ no ,
grau de significancia estatistica
(racionalidade tecnico-instrumen-
tal).
A ciencia tern como finalidade a
procura das causas dos fen6menos
e a explicayao dos fatos pelos con-
dicionantes e os antecedentes que
os geram. Tern que fazer a cornpro-
vayao (obrigat6ria) de hip6teses.
~.,"'"
'I~
/
l,
, '°1",
N° Nivel/ Aspecto Caracteristicas definidoras
6 Pressupostos Gnosiol6- Processo cognitivo centralizado no
gicos objeto: objetiviclacle.Supoe a existen-
(concepc;ao de objeto e cia do dado imediato despido de co-
de sujeito e sua relac;ao) notac;oes subjetivas.
7 Pressupostos Ontol6gi- ohomem e definiclo pelo scu perfil.
cos Etido como recurso humano (input)
(noc;ao de homem) ou produto do processo (output), como
agente, funciomirio. Educa-lo e trei-
ml-Jo por estimulos, reforc;os e de-
scnvolvimento c1eaptidoes, habili-
dades.
8 Pressupostos Ontol6gi- Preocupac;ao sincranica: visao geral
cos e instanHinea do objeto estudado. A
(noc;ao de hist6ria) foto do fato.
9 Concepc;ao de Realida- Visao fixista, funcional, predefinida
de e Visao de mundo e predeterminada.
QUADR02
ELEMENTOS E PRESSUPOSTOS DO ENFOQUE
FENOMENOL6GICO-HERMENEUTICO
Utilizac;ao de tecnicas nao-quan-
titativas como entrevistas, depoimen-
tos, vivencias, narrac;oes, tecnicas
bibliograficas, hist6rias de vida e
amilise do discurso.
Privilegia estudos te6ricos e a anali-
se de docu'mentos e texws.'
Nivel Te6rico
. (com rda~ao aos autores)
Nivel Te6rico
(com relac;ao ao tipo de
criticas e de propostas de
mudanc;a)
Explicitam criticas as abordagens
fundadas no experimentalismo, nos
metodos quantitativos e nas propos-
tas tecnicistas. Fazem denuncias, ex-
plicitam ideologias, desvendam e de-
cifimn pressupostos implicitos nos dis-
cursos, textos e comunicac;oes.As pro-
postas tem urn interesse conscienti-
zador e por prMicas altemativas e i110-
vadoras.
4 Nivel Epistemol6gico Confiam no processo 16gico da in-
(criterios de cientifici- terpretac;ao e na capacidade de re-
clade) flexao do pesquisador (racionalida-
de pnitico-comunicativa)
5 Nivel Epistemo16gico A ciencia consiste na compreensao
(collcepc;ao de cicncia) c10sfenamenos em suas diversas ma-
nifestac;oes. Os fenamenos objetos da
pesquisa (palavras, gestos, ac;oes, sim-
bolos,sinais,textos,artefatos,obras, dis-
cursos) precisam ser compreendidos.
I
Pesquisar e caplar 0 significado dos fe-
namenos.
6 Pressupostos Gnosiol6- Processo cenh'alizado no Slljcilo: sub-
gicos jetividade. Acata a presenc;a marcante
(concepc;ao de obj eto e do sujeito na interpretac;ao do objeto
de sujeito e suarelac;ao) estudado.
7 Pressupostos Onto16gi- o homem e tido como projeto, ser
cos inacabado, ser de relac;oescom 0 mun-
(noc;ao de homem) do e com os OlltrOS.
Educa-Io e desen-
volver 0 projeto humano numa rela-
c;ao dia16gica e conscientizadora.
8 Pressupostos Ontol6gi- Transic;ao de uma visao sincranica
cos (0 rx do fenomeno) para uma visao
(noc;ao de hist6ria) diacranica.
9 Concepc;ao de Real ida- Transic;ao de uma visao isolacionis-
de e Visao de mundo ta, homo gene a, nao-conflitiva para
uma visao diniimica.
QUADR03
ELEMENTOS E PRESSUPOSTOS DO ENFOQUE
CRlTICO-DIALETICO
~--_. ..
N° Nive11Aspeeto Caraeteristicas definidoras
1 Nivel Teenieo Utilizac;:ao de todas as teenicas do en-
foque fenomeno16gico-hermeneutieo e
tambem a pesquisa-ac;:ao e a pesquisa-
participante.
2 Nivel Te6rico Privilegia estudos sobre experiencias, pra-
(com rc1a<;aoaos au- ticas pcdag6gir,iL'),
processos hist61icos,c1is-
torcs) cussocs filos6ficasOll analis<;s
contcx tu?li-
zadas a partir de um previo referencial
te6rieo.
3 Nivel Te6rico Questionam fundamentalmente a visao
(com relac;:ao ao tipo estatica da realidade implicita nas abor-
de critic as e de pro- dagens anteriores. Emarcadamente cri-
postas de mudanc;:a) tica e tern a pretensao de desvendar 0
conflito dos interesses. Tern urn interes-
se transformador e por pniticas partici-
pativas de mudanc;:asocial e politica.
4 Nivel Epistemo16gi- Fudamentam-se na 16gicaintema do pro-
co (criterios de cien- cesso e nos metodos que explicitam a di-
tificidade) namica e as contradic;:oesintemas
(razao transformadora).
5 Nivel Epistemo16gi- A eiencia, como produto da ac;:aodo ho-
co (eoncepc;:ao
de cien- mem, e tida como uma categoria hist6-
cia) rica e a produc;:aocientifica uma constru-
c;:ao.
Retoma as concepc;:oesallteriores (ex-
pliea<;aoe compreensao), de forma criti-
, .. , ':I:ca~·'lldn.t supc:ni~,las·: •.; I .t.~" " '. "!'. ,'.' ~
.,'.
6 Pressupostos Gnosio- Processo centralizado na relac;:ao dina-
16gieos (concepc;:aode mica sujeito-objeto: concreticidade. Esta
objeto e de sujeito e sua se COllstr6ina sintese objeto-sujeito.
relac;:ao)
7 Pressupostos Onto16- o homem e tido tanto como ser social e
gicos (noc;:ao de ho- hist6rico, detemninadopelos multiplos con-
mem) textos como criador e transformador de
multiplos contextos. Educa-lo e forma-
10socialmente.
8 Pressupostos Ontol6- Preocupac;:ao diacr6nica: ve a dinamica
gIcos do objeto estudado, 0 movimento (0 fil-
(noc;:aode hist6ria) me do real).
9 Concepc;:ao de Reali- Visao dinamica, conf1itiva, heterogenea.
dade e Visao de mun- Uma percepc;:ao organizada da realida-
do de que se constr6i atraves da prMica co-
tidiana do pesquisador e das condic;:oes
concretas de sua existencia.
o interesse crescente dos pesquisadores pela corn-
preensao e explicac;:aodas multiplas praticas e ac;:6es
hu-
111anaS
e sociais tern exigido a procura de outras abor-
dagens ou enfoques que permitam esse conhecimento.
Os enfoques esUio ai para que os mesmos/ com base em
problemas de pesquisa/ aventurern-se no fazer pesqui-
sa e construir ciencia.
3.3. ASPECTOS GERAIS DA PESQUISA
QUANTITATIVA
A op<;aopelo metodo e tecnica de pesquisas
depende da natureza do problema que preo-
cupa 0 investigador, ou do objeto que se de-
seja conhecer ou estudar. A utiliza<;ao de tec-
nicas qualitativas e quantitativas depende, tam-
bern, do dominio que 0 pesquisador tern no
emprego destas tecnicas. Inexiste superio-
0','; . ridAde'entrEtainbas des'dequ;e' hara"co~re~ao
nas utiliza<;6es e adequa<;6es metodoI6gicas
(SANTOS; CLOS47
).
Os modernos metod os cientificos de pesquisa tern
suas raizes par volta do comec;:odo seculo XVIt princi-
47. SANTOS, Iraci; CLOS, Araci C. Pesquisa quantitativa e metodologia.
In: GAUTHIER, Jacques H. M. et al. Pesquisa em enfermagem. Rio de Ja-
neiro: Guanabara Koogan, 1998.
)
'j·!II""
) I ,',
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"""
palmente pelo pensamento de Descartes, Bacon e Gali-
leu. Em Descartes repousa a crens;:afundamental de
que 0.traves da razao e possivel chegar-se a certeza so-
bre urn fato. Descartes, seguindo em parte a 16gica de
Arist6teles, estabeleceu urn metodo dedutivo, baseado
nos prindpios da igualdade entre verdade e evidencia,
da divisao de urn problema em partes para sua analise
e do uso da 16gica para a obtens;:aode conclus6es. As-
sim, pela 16gica dedutiva, as conc1us6es SaG baseadas
em prindpios e leis e, com base no racioC£njo16gico,pro-
cura-se observar as consequencias espedficas de uma
teoria formulada.
Ja em Bacon, uma certa duvida paira sobre a 16gica
da razao pura. A enfase maior e dad a ao conhecimento
adquirido atraves dos sentidos, ou seja, atraves da ob-
servas;:ao da realidade, fato imprescindivel quando se
deseja conhecer algo novo. Para Bacon e necessario a
utilizas;:aodo raciodnio indutivo, atraves do qual, pela
observas;:ao dos fatos desprovida de preconceitos, pode-
se chegar a uma "lei geral". Pela indus;:aopode-se che-
gar a conclus6es gerais, a partir de observas;:6es empiri-
cas, em urn processo que vai de uma pressuposiC;ao ate
uma conclusao.
ometodo empirico, estabelecido por Galileu, con-
siStia, b'asica11'Lente/Ud' Jortnulac;(1G' de U.ma Lor,jc[hll'a"' -'
ou hip6tese expressa, preferencialmente, em termos ma-
tematicos. A execus;:aode urn experimento ou observa-
s;:ao
serviam para confirmar ou negar a hip6tese previa-
mente formulada. 0 metodo proposto por Galileu se-
gue a 16gica hipotetico-dedutiva (VARGAS48
).
A ciencia moderna tern usado uma combinas;:aodes-
ses metodos. De fato, a maioria dos cientistas entende
usar a dedus;:ao e a indus;:ao em suas pesquisas. Qual-
quer urn dos dois casos exige coleta sistematica de da-
dos, criatividade, perceps;:ao da relevancia dos dad os
coletados, atualizas;:6essistematicas e acrescimos de no-
vas ideias e teorias.
A essa conduta de pesquisa da-se a designas;:ao de
pesquisa quantitativa, pesquisa empirica ou metodo
cientifico tradicional. A partir desse ponto de vista, 0
ponto de partida de uma pesquisa e a teoria, que englo-
ba uma tentativa de formular explicas;:6esacerca de al-
gum aspecto da realidade. A partir del a, uma ou va-
rias hip6teses sao formuladas pelo uso da dedus;:ao. 0
pesquisador, ao utilizar esse metoda, deve ter algumas
preocupac;6es:
• A hip6tese deve conter conceitos que possam ser
medidos para sua verificas;:ao.0 processo de trans-
formar conceitos ern medidas e chamado de ope-
racionalizas;:ao.
• A hip6tese tambem deve demonstrar uma relas;:ao
de causa-efeito, seja de forma explicita ou impli-
cita.
'·.W .~.".,. A..p.esquisa dev.e,se preocupar com"QgC:leraliz3--'
s;:ao,isto e, deve-se buscar conclus6es que pos-
sam ser generalizadas alem dos limites restritos
da pesquisa.
• A pesquisa deve se preocupar com a replicas;:ao,
ou seja, deve ser possivel a urn outro pesquisa-
dor, utilizando os mesmos procedimentos, verifi-
car a validade dos resultados encontrados.
48. VARGAS, Miltom. Metodologia da pesquisa tecnol6gica. Rio de Ja-
neiro: Globo, 1985.
or
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II
It
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I
o que primeiro preocupou os cientistas humanos
foi 0 problema da unidade das ciencias. Quem defen-
deu tal unidade metodol6gica, a1inhou-se ao pensamen-
to de Comte, Mill e Durkheim, com base no empirismo
de Locke, Newton, Bacon e outros. Esses autores classi-
cos san os mais importantes para entendermos 0 pa-
radigma quantitativo. A unidade metodol6gica signi-
ficou para as ciencias humanas adotar 0 mesmo meto-
do das ciencias naturais.
Em sintese, aplicado a sociologia, a psi co-
logia e a educa<;:ao,0 metoda cientifico das
ci(~nciasnaturais apresenta tres caracteris-
ticas basicas: primeiro, defende 0 dualismo
epistemologico, ou seja, a separa<;:ao
radical
entre 0 sujeito e 0 objeto do conhecimento;
segundo, ve a ciencia social como neutra ou
livre de valores; e terceiro, considera que 0 ob-
jetivo da ciencia social e encontrar regulari-
dades e rela<;:6es
entre os fen6menos sociais
(GAMBOA49
).
A pesquisa quantitativa utiliza a descri<;ao mate-
matica como uma lingua gem, ou seja, a linguagem ma-
tematica e utilizada para descrever as causas de um fe-
nomeno, as rela<;5es entre variaveis etc. 0 papel da es-
tatistica e estabelecer a rela<;aoentre 0 modelo te6rico
"proposto e os dados o'bservad·os nomimd6 fEta:I:
Ueve '.
ser utilizada como metodo de pesquisa quando 0 pro-
blema formula do tiver inten<;ao de saber:
A) qual a rela<;aoentre variaveis (qual a rela<;aoentre
idade, sexo e escolaridade e dificuldades em leitura?);
B) qual a causa (0 que causa a evasao?);
C) qual 0 efeito ou consequencia (qual 0 efeito da
tecnica expositiva sobre 0 aprendizado entre crian<;as
de 4 e 6 anos?);
D) qual a incidencia (qual 0 n(lmero de casos novos
de evasao em Belem em 1999?);
E) qual a prevalencia (qual 0 numero de casos de re-
petencia na primeira serie em Belem entre janeiro a ju-
nho de 2000?).
3.4. ASPECTOS DA PESQUISA QUALITATIVA
A partir dos anos 70 houve urn consideravel cresci-
mento de interesse na chamada pesquisa qualitativa
ou interpretativa, baseada em metodos associados as
ciencias sociais. Apesar de a primeira impressao levar
a ideia de que a diferen<;a entre pesquisa quantitativa
e qualitativa seja a presen<;a au ausencia de quantifica-
<;aode dad os, isso e um engano.
Na pesquisa qualitativa 0 pesquisador procura re-
duzir a disHincia entre a teoria e os dad os, entre 0 con-
texto e a a<;ao,usando a 16gica da analise fenomenol6-
gica, isto e, da compreensao dos fenomenos pela sua
descri<;ao e interpreta<;ao. As experiencias pessoais do
'Pesquisador san elementos importantes na analise e com-
pr~en$a.()dos fpllomenos esttJdi'ldos ...
Ap.esqulsaq113li-
tativa tem as seguintes caracteristicas:
•0 pesquisador observa os fatos sob a 6ptica de al-
guem interno a organiza<;ao.
• A pesquisa busca uma profunda compreensao do
contexto da situa<;ao.
• A pesquisa enfatiza 0 processo dos acontecimentos,
isto e, a sequencia dos fatos ao longo do tempo.
)
) ".,",,
i
"
,I
....f'"",·,
','
• 0 enfoque da pesquisa e mais desestruturado, nao
ha hip6teses fortes no inicio da pesquisa. Isso con-
fere a pesquisa bastante flexibilidade.
• A pesquisa geralmente emprega mais de uma fon-
te de dados.
As dificuldades encontradas quando da opc;aopela
pesquisa qualitativa ficam por conta do trabalho exaus-
tiva necessario a coleta de dad os; da grande quanti-
dade de dados que podem ser coletados el principalmen-
tel pela faHa de metodos estabelecidos para a analise
dos dadas coletados. Apesar disso, 0 enfoque qualita-
tivo tern obtido crescente popularidade pelo seu cara-
ter rico, holistico e "rear/. A compara<;aoentre as duas
modalidades de pesquisa mostra:
Enfase na interpretac;ao do
entrevistado em relac;ao a
pesquisa
Importancia do contexto da
organizac;ao pesquisada
Proximidade do pesquisador
em relac;ao aos fen6menos
, estudados
I r..!.. ••'.-l._.'_. __ ~_._:l._ -".:.~ ~'i';_ ~ -__ ,.:
Alcance do estudo no tempo
Numero de fontes de dados
Ponto de vista do pesquisador
Vma
Extemo it
organizac;ao
Definidas
rigorosamente
Intemo it
organizac;ao
Menos
estruturadas
Os cientistas humanos que nao aderiram a ideia de
unidade metodo16gica das ciencias foram favoraveis a
tese da peculiaridade das ciencias humanas e defende-
ram urn metodo especifico para estas ciencias.
Os pensadores que subsidiaram essa tese foram Dil-
they, Rickert, Weberl Hussert Marx e os membros da
Escola de Frankfurt, da denominada Teoria Critica. Co-
mo os autores do paradigma quantitativo sao autores
classicos que fundamentam a compreensao do para dig-
ma qualitativo.
Dilthey fez uma seria critica as ideias absolutistas
do empirismo positivistal propos uma alternativa ao
dualismo sujeito-objeto do positivismo, criticou a ideia
de objetividade e a separa<;aoentre fatos e valores nas
ciencias sociais e enfatizou que 0 objetivo das ciencias
sociais deve ser a compreensao e nao a busca de leis para
explica<;aoe predi<;ao.
oprincipal problema que Rickert tratou foi 0 da de-
term~ac;ao dos criterios de escolha de urn evento para
pesqUlsa.Para 0 autor, 0 criterio deve ser 0 de valor-re-
levancia para 0 pesquisador.
Para Weber, 0 principal interesse da ciencia social e
o individuo, 0 comportamento significativo dos indivi-
duos engajados na a<;aosocial. Husserl enfatizou a im-
'portancia de se adotar uma perspectiva ampla e tentar
".( jr,~.s rai;;;fR..9r.l ";;1,tivj,d,pdl2 humana,.SuaabQrdagli?,x:r.l£€nC'~" ..>. '1".'"
men~16gico-hermeneutica prevalece ainda na Europa
Contmentat tendo sido menos difundida em outros con-
tinentes.
Os te6ricos criticos da Escola de Frankfurt tarnbern
fizeram serias criticas ao paradigma positivista e mes-
ma a abordagern dos fenornen6logos e hermeneutas.
Criticaram a razao instrumental do positivismo e defen-
deram uma razao crftica para as ciencias sociais.
Na pesquisa qualitativa, 0 social e visto como urn
mundo de significados passivel de investiga<;ao e a lin-
guagem dos atores sociais e suas praticas as mah~rias-pri-
mas dessa abordagem. E 0 nivel dos significados, mo-
tivos, aspira<;oes, atitudes, cren<;as e valores, que se ex-
pressa pela linguagem comum e na vida cotidiana, 0 ob-
jeto da abordagem qualitativa.
Segundo Rezende50
, os metodos qualitativos vem
sendo cada vez mais utilizados por pesquisadores nos
Estados Unidos e no Brasil. Mas pOl' que usa-los? Os
quantitativos nao bastam? Nao, pois, apesar de pode-
. rem dar respostas satisfat6rias para uma serie de ques-
toes, os metodos quantitativos nao esgotam nossa com-
preensao a respeito dos eventuais problemas sobre os
quais nos debru<;amos em nossa prMica cotidiana. Deve
ser utilizada como metodo de pesquisa quando 0 pro-
blema formulado tiver inten<;ao de saber:
A) qual a percep<;ao (qual a percep<;ao dos alunos
sobre 0 ensino recebido em uma escola?);
B) qual 0 significado (0 que significa para a mae ter
urn filho repetente?);
C) qual 0 processo, trajet6ria, percurso (quais aspec-
tos caracterizam a trajet6ria de bons alunos?);
o que a hist6ria nos tern mostrado, com enfase no
Brasit e que as uni versidades ainda sao timidas no que
tange a pesquisa. Ha inumeros problemas para efeti-
varmos urn cotidiano de pesquisa nas gradua<;oes e fa-
zer dos nossos alunos iniciantes na pesquisa. Inacio Fi-
Ih0
51
nos aponta tais problemas e destacamos dois que
consideramos muito pertinentes.
o primeiro trata da questao de se destacar os pro-
fessores mais titulados para trabalhar com os alunos
ingressantes. Entendemos que esse e urn tabu a supe-
rar, pois os titulados nao estao na gradua<;ao e muito
menos com os calouros. E 0 investimento alto nesses do-
centes foi para torna-los pesquisadores e construtores
do conhecimento.
o segundo trata da questao de se priorizar proje-
tos de pesquisa que vis em a interven<;ao na realidade.
A Pesquisa Participante e Pesquisa A<;aoainda saG de-
nominadas por muitos como metodologias alternati-
vas, mas nem assim saG desenvolvidas. Ainda estamos
constatando 0 real em vez de tambem construir 0 seu
desenvolvimento.
Ha outros aspectos para discutirmos sobre a re-
, D) q-~(1is6S sub~r?st' con}1C;firnentos(que ~ah(;l'es'
as· -"._.,..>1 . ,.. '-'" '-, lev'Micra (nrpesquis~C'mas'nessemomen'to soqueremos';' -.,,".. 1<-<
maes tern sobre avalia<;ao?); fl )
provocar re exoes e futuros debates. E para provocar
E) quais as prMicas (0 que fazem os professores para mais urn pouco, vejamos 0 que nos diz 0 autor cita- )
controlar a disciplina em sala de aula?). do sobre a disciplina Metodologia Cientifica. /IDe pou-
co ou de nada adianta ter uma disciplina denominada
metodologia cientifica ou metodos e tecnicas de pes-
50. REZENDE, Magda A. et al. Reflex6es sobre metodos qualitativos de
pesquisa em enfermagem. Texto mimeografado, 1994.
51. INAcro FILHO, Geraldo. A monografia na universidade. Sao Paulo:
Papirus, 1995,

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ABORDAGENS DA PESQUISA_Unidade 2_PARTE 2.pdf

  • 15. ) } ) ) ) . "" , ) A metodologia nao deve ser vista como uma disciplina cuja enfase e 0 ensino de metodos e tecnicas para planejar, conduzir e apresentar uma pesquisa cientffica, mas sim como uma disciplina para elucidar 0 que SaGessastecnicas, a quais metodos da ciencia atendem e em que bases epistemol6gicas se fundamentam. No novo contexto que se vislumbra, 0 conhecimento e como uma moeda de grande valor que viabiliza transa~6es e negocia~6es essenciais. Saber manipular, desvendar, apreender, expressar, construir e transmitir conhecimentos e imprescindfvel para nao perder inumeras oportunidades. E sendo a pesquisa uma oportunidade de compreensao dos multiplos saberes, dos multiplos textos e contextos, das multiplas realidades e dos multiplos atores, nao da para abrir mao da (lletoJologia! EDITORA VOlES ISBN 978-85-326-3193-0 II II 9 788532 631930 ELIZABETH TEIXEIRA "- AS TRES METODOLOGIAS A ACADEMICA, DA CIENCIA E DA PESQUISA EDITORA VOlES
  • 16. © 2005, Editora Vozes Uda. Rua Frei LUIs, 100 25689-900 Petr6polis, RJ Internet: http://www.vozes.com.br Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra podera ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e / ou quaisquer meios (eletroni co ou mecanico, incluindo fotoc6pia e gravac;21.o)ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permiss21.o escrita da Editora. Editora9iio: Ana Kronemberger Projeto grafico: AG.SR Desenv. Grafico Capa: Marta Braiman 1 ••. ,;•• ~ iI ••..•.~ .•"".I"' .• " (''''of( .; ..... I.:"';";, ::~: ~ ••~() ~ ••- ~ '-~...;,o: """""''''',1''., •., Hoje, a nossa necessidade hist6- rica e encontrar urn metodo ca- paz de detectar, e n21.O ocultar, as liga<;6es, as articula<;,:6es, as soli- dariedades, as implica<;,:6es,as im- brica<;,:6es, as interdependencias e as complexidades.
  • 17. 3.1. CAMINHOS DO PESQUISADOR: MOMENTO 1: CONSTRUINDO 0 PRE-PROJETO o processo para a partida e0 seguinte: a) encontrar urn interesse em uma area temMica; b) restringir 0 inte- resse para urn t6pico possivel; c) questionar esse t6pico sob divers os pontos de vista; d) definir urn fund amen- to l6gico para 0 projeto. A) frase-exercicio mimero 1: 0 t6pico-problema (a situa<;ao problema) Do que temos lido 210 longo dos semestres, do que estamos aprendendo nas disciplinas, do que temos tra- balhado em nossa prMica estamos interessados(as} em pesquisar sobre 0 problema da . Tal problema nos preocupa porque . B) frase-exercicio numero 2: as perguntas (as ques- toes norteadoras) Estamos interessados(as) nesse t6pico-problema por- que queremos encontrar resposta as seguintes pergun- tas: . , , C) frase-exercicio numero 3: 0 fundamento l6gico (os objetivos) Estamos interessados(as) nesse t6pico-problema e queremos encontrar resposta as perguntas formuladas a fim de .
  • 18. 1. 5e as perguntas estao direcionadas aos autores, ou seja, se °desejo e formular e encontrar respostas em fontes bibliograficas do campo da educac;ao e outros campos do saber, entao 0 pre-projeto sera de uma Pesquisa Bibliografica (PB).Nesse caso, as perguntas serao para os autores (da Educac;ao, da Psicologia, da Sociologia, da Filosofia etc.). 2. Se as perguntas estao direcionadas aos textos dos atores da educa<;:ao,ou seja, se 0 desejo e encon- trar respostas em fontes documentais produzidas nos multiplos contextos educacionais (Secreta- rias de Educac;ao, Departamentos, Escolas etc.), entao 0 pre-projeto sera de uma Pesquisa Docu- mental (PD). Nesse caso, as perguntas serao para os documentos (LegislaC;ao,Projetos Pedag6gicos, Relat6rios, Atas, PIanos de Ensino, Livros Didati- cos, Diarios etc.). 3. Se as perguntas estao direcionadas aos atores da educa<;:ao,ou seja, se 0 desejo e encontrar respos- tas em fontes orais nos multiplos contextos edu- cacionais, entao 0 pre-projeto de pesquisa sera de uma Pesquisa de Campo (PC). Nesse caso, as per- guntas serao para os atores (alunos, professores, diretores, conselheiros, pais, tecnicos, assess ores pedag6gico's, chefes de <.leparh:li:i1ento,secrdar'lbij , de educaC;ao etc.). o objetivo e levar os pesquisadores a enunciar 0 que estao interessados em pesquisar (0 t6pico-proble- ma), 0 que nao sabem sobre 0 que estao interessados em pesquisar (as perguntas) e por que querem saber so- .bre 0 que estao interessados em pesquisar (0 fundamen- to 16gico). Entendemos que 0 t6pico-problema de interesse sera a partir de agora 0 problema de pesquisa. 0 problema de pesquisa e sempre definido por uma serie bastante reduzida de conceitos. Segundo os autores, e sempre uma versao de urn nao saber au nao compreender algo que 0 pesquisador acha que ele e seus leitores deve- riam saber ou entender melhor. 0 problema de pesqui- sa parte, entao, do t6pico-problema de interesse desta- cado na frase-exercicio nllmero 1do exercicio anterior e e complementado com as perguntas elaboradas a par- tir da frase-exercicio numero 2. Com base nas discussoes, os pesquisadores pode- rao elaborar uma primeira versao do pre-projeto de pes- quisa. Apresentamos, a seguir, urn modelo utilizado por pesquisadores que oriento. Para facilitar, 0 modelo esta preenchido com urn t6pico-problema de meu in- teresse. TITULO e SUB TITULO OFIClO DE ESTUDANTE: competencias entre alunos do segundo ana de urn curso de graduayao TEMA Metodologia Academica SUBTEMA Oficio de Estudante SITUA<;AO Atuando como docente de cursos de gra- PROBLEMA ,d.~a9aodesde 198,9"comece( ajnt~~~~~~f :JIl$. ., .. .- . .. f." .-., ...... sobre 0 problema das dificuldades metodo- l6gicas entre os estudantes. Essas dificul- dades refletiam diretamente nas atividades de estudo, leitura e, principalmente, na pro- duc;ao dos trabalhos academicos.Tal interes- se emergiu quando passei a ministrar disci- plinas de Metodos e Tecnicas de Pesquisa bem como a orientac;ao de TCC entre alu- nos concluintes. Estou interessada nesse pro- blema porque quero saber:
  • 19. ,( '" I ,t, -'" ) I :~. .. I r I tv J~: , i : r' ;L~,; I I , ~ I.", / 'J..,.", • j " QUESTOES 1,0 que e significativo, ao modo de ver dos NORTEADORAS alunos, para conhecermos 0 mundo e as coi- sas? 2, Como eles fazem para dar conta das com- petencias de estudar, ler e escrever textos? Como se manifestam sobre 0 estudar, ler e escrever? 3, Como eles fazem para dar conta da nor- malizayao tecnica exigida na apresentayao dos trabalhos escritos? 4. 0 que e para e1es ser bom aluDo? Para eles scr cstmhlllte e ter UI11 oficio? 5. 0 que ainda preeisam saber para apri- morar esse ofieio e 0 que esperam da disei- plina nesta perspectiva? OBJETIVOS Ceral: Contribuir com 0 debate sobre 0 ofieio de estudante, competencias transversais e 0 pa- pel da universidade como mobilizadora des- sas competencias. Especificos: Analisar 0 que e significativo, ao modo de ver dos alunos, para conheeermos 0 mun- do e as eoisas; Caraeterizar como eles fazem para dar con- ta das competencias de estudar, ler e escre- ver textos; Apontar como eles fazem para dar conta da n0l111alizayao tecnica exigida na apre- sentayao dos trabalhos escritos; ... 1 .•1 ••••• ' q •• Analisar e interpretar 0 que e para; eles s~r > born ahillo epoi q~e s'er e'shIdante 6 ter'-iim oficio; Identificar 0 que ainda precisam saber para aprimorar esse oficio e a que esperam da disciplina nesta perspectiva. MOMENTO 2: FAZENDO OP<::O£S METODOLO- GICAS Para direcionar os trabalhos, pal"timos para a dis- cussao dos enfoques de pesquisa. Procuramos levar os pesquisadores a encontrar urn enfoque adequado com base no t6pico-problema e nas perguntas formuladas no pre-projeto. As orienta<;6es san as seguintes: 1. Se as perguntas do pre-projeto indicam a neces- sidade de uma PB, entao as egu.ipes deverao bus- car subsidios conceituais desse tipo de pesquisa em livros de lv1etodologia da Pesquisa para fun- damentar a op<;aometodo16gica no projeto de pes- quisa - parte 3 (0 conceito de PB, caracteristicas, aspectos definidores, etapas etc} Tambem deve- rao buscar subsidios conceituais do t6pico-pro- blema escolhido para fundamentar a op<;aote6ri- ca no projeto de pesquisa - parte 2. 2. Se as perguntas do pre-projeto indicam a neces- sidade de uma I'D, entao as equipes dever~o bus- ~ar subsidios conceituais desse tipo de pesquisa em livros de Metodologia da Pesquisa para fun- damentar a op<;ao metodo16gica no projeto de pesquisa - parte 3 (0 concei to de PD, caracteristi- cas" af'pf.£'JQ.5 definidmAi', e±apas etc.). Tamhem deverao buscar subsidios conceituais do t6pico-pro- blema escolhido para fundamentar a op<;aote6ri- ca no projeto de pesquisa - parte 2. 3. Se as perguntas do pre-projeto indicam a neces- sidade de uma PC, entao as equipes deverao bus- car subsidios conceituais desse tipo de pesquisa em livros de Metodologia da Pesquisa para fun- damentar a op<;aometodo16gica no projeto de pes-
  • 20. '01:' •• / quisa - parte 3 (0 conceito de PC, caracteristicas, aspectos definidores, etapas etc.). Tambem deve- rao buscar subsidios conceituais do t6pico-proble- ma escolhido para fundamentar a op<;aote6rica no projeto de pesquisa - parte 2. Considerando que a PC envolve a escolha de urn en- foque (QTou QL)bem como urn tipo de estudo (Explo- rat6rio, Survey ou Estudo de Caso), apresentamos a se- guir orienta<;;6esgerais nesse sentido para viabiliz<lr a referida decisao. 1) Se as perguntas do pre-projeto de PC indicam §. necessidade de investigar os fenomenos educa- cionais em toda a sua cornplexidade e em contex- to natural, entao a equipe devera encaminhar sua opc;aopara 0 Enfoque Qualitativo. Adota-se nes- te sentido a concepc;ao de investiga<;;aoqualitati- va (IQL) de Bogdan & Biklen (1994),que e segui- da no Brasil por Trivifios (1987)e Marli & Andre (1996)dentre outros autores do campo educacio- nal. Tal concepc;aofundarnenta-se em cinco carac- teristicas que destacamos no quadro a seguir. Se- gundo os autores, nem todos os estudos utilizam as cinco caracteristicas com igual profundidade mas todas, em menor ou maior grau, aplicarn as _,,:'> .•. , '.' ..• J> ••••• ';~:.'~ •••••• , '.,' ~-:-:.-. _. "_'_';'_~'"~'"·.q_·':-"~C" respectivas caractenshcas. : I. Na IQL a fonte de dados e 0 ambientc natural, constituindo o investigador 0 instrumento prin- cipal. 3. as investigadores qualitativos interessam-se mais pelo proces- so do que simplesmente pelos re- sultados ou produtos. 4. as investigadores qualitativos tendem a analisar os seus dados de forma indutiva. as investigadores introduzem-se e des- pendel11 grande quantidade de tempo em contextos reais para buscar res- posta as quest6es farmuladas. "as investigadores qualitativos assu- mem que 0 comportamento humano e significativamente influenciado pelo contexto em que ocorre, deslocando- se, sempre que possivel, ao local do es- ludo" (p.48). as dados rccolhidos sempre serao em forma de palavras e/ou imagens. as resultados escritos contem unida- des retiradas das falas dos atores, dos dia- rios de observac;:ao, de documentos etc. "A abordagem qualitativa exige que o mundo seja examinado com a ideia . de que nada e trivial, que tudo tern po- tencial para constituir uma pista que nos permita estabelecer uma compre- ensao mais esclarecedora do nosso ob- jeto de estudo" (p.49). As estrategias identificam como 0 fe- nameno acontece, como se manifes- ta, como e percebido, como erepresen- tado pelos atores etc. a antes, 0 durante e 0 depois sao con- siderados, os passos, a trajet6ria, 0 per- Cllrs.o etc. ", Nao recolhem os dados para compro- var ou confirmar hip6teses te6ricas ou praticas formuladas previamente. Procedem de baixo para cima, da pni- tica para a teoria, e par conta disso efetuam revis6es bibliograficas flu- tuantes antes de ir ao campo e nao se deixam influenciar por elas.
  • 21. """'" ': ! I :/ ,." •••• ', I CARACTERfSTlCAS ASPECTOS DEFINlDORES 5. 0 significado e de importiin- Os investigadores estao interessados cia vital na IQL. no modo como os atores dao sentido as suas vidas e atividades educacionais. Desejam apreender as diferentes pers- pectivas dos atores e registram da for- ma mais rigorosa possivel 0 modo co- mo os atores interpretam os signifi- cados. para outr9S mais especificos, como em um funil, ou seja, de uma base alar'gada vai afunilando para aspec- tos mais pontuais. Pode comeyar com observayoes e avanyar para en- trevistas individuais, pOl'exemplo. A presenya do pesquisador no cam- po nao epontual mas continua, du- rante um celio periodo de tempo. As esco1has sao intencionais e a in- telTupc;ao sc d;,quando se acredita que mingiu 0 ponto de saturac;ao(nao ba mais novas informac;oes scndo reveladas). Podem ser de varios tipos: a) estudos de caso de organiza- c;oes numa perspectiva hist6rica b) estudos de caso de observac;ao c) eshldos de caso de hist6rias de vida d) esmdos de caso comunitario e) eshldos de caso simaciona1 f) estudos de caso etnognificos g) eshldos de caso mll1tip1os h) eshldos de caso comparativos Ainvestiga<;ao qualitativa poden) ser operacionah- zada conI base em Estudos Explorat6rios e Estudos de Caso. Cabera a cada equipe escolher 0 que mais atende suas expectativas. Apresentamos no quadro a seguir algumas referencias sobre os dois tipos de estudo. 1. Esmdo Exp1orat6rio segundo Trivinos (1987) aplicado a investi- gac;ao qualitativa. Permite ao pesquisador aumentar sua experiencia em tomo de um cer- to t6pico-prob1ema. Pode servir de ponto de partida para fumros estu- dos descritivos em que 0 pesquisa- dol' Ira aprofundar 0 que estudou neste primeiro momento sobre 0 t6- pico-prob1ema. Ao seguir os aspectos definidores da pesquisa qualitativa, devera aca- tar as caracteristicas apontadas, de urn modo mais gera1, mas sem per- .-- -, - c. -v' -,~-;,- ~- raado rigof'clerititic5.0'telat6fi6 sera descritivo. 2) Se as perguntas do pre-projeto de PC indicam ~ necessidade de investigar fatos educacionais sob uma determinada perspectiva para fornecer indi- , ,~-'1g91:~S. -~/Q;!-l)Jty~il'.L1~s...tqI_<i@J~tIP.iDE,9.?~ pjp-9t.e.c. -c.< ses te6ricas ou prMicas, determinar causas e cor- rela<;:6es entre diferentes respostas, entao a equi- pe devera encaminhar sua opc;aopara 0 Enfoque Quantitativo. A investiga<;aoquantitativa podera. ser operaciona- lizada com base em Estudos Explorat6rios e Survey. Ca- bera a cada equipe escolher 0 que mais atende suas 2. Esmdo de Caso segundo Bog- dan & Bik1en (1994). "0 esmdo de caso consiste na ob- servac;ao deta1hada de urn contex- to, ou individuo, de urna unica fon- te de documentos ou de urn aconte- cimento especifico" (p.89). A area de traba1ho e de1imitada e a reco1ha de dados se da progressi- vamente, dos aspectos rnais gerais
  • 22. ,. :,.', '" /' / :" " / I", ':-; '''1 ) ,,, ~, ,'" r' 'I "';111; I.."", " .i; I I ~', ", expectativas. Apresentamos no quadro a seguir algu- mas referencias sobre os dois tipos de estudo. Pesquisa de Survey se- gundo Babbie (1999) I. Estudo Explorat6rio segundo Triviiios (1987) aplicado a inves- tigayao quantitativa I. A pesqu isa de smvey e 16gica: atraves da deduyao pennite testar com rigor proposiyoes complexas envolvendo diversas variaveis em interayao simultanea; 2. A pesquisa de survey e deterministica: per- mite evidenciar com rigor causas·e cfeitos; 3. A pesquis3 de SUlvey e geral: os csludos SaGIcalizados em amoslras representativas para que os rcsultados possam ser ampliados a populayao geral; 4. A pesquisa de smvey e parcimoniosa: os pesquisadores podem construir varios mo- delos explicativos e entao escolher 0 que me- lhor servir a seus prop6sitos; 5. A pesquisa de survey e especifica: visa con- ceituayoes e medidas sofisticadas e uteis e a cada passo do caminho os metodos usados de- vem ser especificados. sera realizada em uma amostra estatistica de urn universo escolhido; utilizara instrumen- tos estruturados; aplicara analise estatistica para obter os resultados. Permite ao pesquisador aumentar sua expe- riencia em t01110de urn certo t6pico-proble- ma. Pode servir de ponto de partida para fu- turos survey em que 0 pesquisador Ira apro- Jlnd~ 0 que estudou r..est~priII)-~ir?,l130p.er:,~. to sobre 0 t6pico-problema. Ao seguir os aspectos definidores da pesqui- sa quantitativa, devera acatar as caracteristi- cas apontadas, de urn modo mais geral, mas sem perda do rigor cientifico. MOMENTO 3: INDICANDO 0 ENFOQUE DE PES- QUISA Ap6s 0 delineamento/delimita<;ao do problema de pesquisa, 0 pesquisador precisara demarcar qual enfo- que de pesquisa sera utilizado para responder aos ques- tionamentos formulados. Cabe ao pesquisador, ao nos- so ver, identificar 0 eixo epistemo16gico de sua pesqui- sa para poder aplicar adeguadamente seus elementos 16gicos, gnosio16gicos e onto16gicos. 0 objetivo e des- tacar tais elementos com base em Gamboa 46. Ap6s 0 de- lineamento do eixo epistemol6gico, cabe ao pesqui- sador aprofundar conhecimentos sobre ele bem como dar conta dos respectivos elementos que Ihe saD defini- dores e caracteristicos. Se 0 problema de pesquisa aponta para 0 conceito de causa (qual a causa do fracasso escolar na primeira serie?) ou para uma rela<;ao causal (idade, sexo, escola- ridade e experiencia no magisterio do professor tem re- la<;ao com 0 fracas so escolar?), 0 pesquisador devera ado- tar 0 enfoque empirico-analitico. A relafa.o causal se ex- ...RlLcjffl.P,Q.. e,x~erim.?r!-Jp.!va siste1J1-atiza,cpq,e cOrJh:'Qlf;qosjla-, r. , dos empfricos e atraves das ana1ises estatfsticas e te6ricas (p.97). A causalidade e 0 eixo da explica<;ao cientifica. Se 0 problema de pesquisa aponta para uma rela- <;aoentre 0 fen6meno e a essencia, ou seja, a rela<;ao en- 46. GAMBOA, Silvio A Sanchez. A dialetica na pesquisa em educayao: ele~entos de.contexto. In: FAZENDA, Ivani (arg.). Metodologia da pes- qUisa educaclOnal. 6.ed. Sao Paulo: Cortez, 1999.
  • 23. ~~:: "" I L (,'I 1 li,,1 !. "I,,;; :~ j"""'" r :(' ',"" "'" tre 0 fen6meno vivido e aquele que vivencia a essencia do fen6meno (qual 0 significado do fracasso escolar para 0 aluno/ 0 professor e a familia do aluno?)/ 0 pes- quisador devera adotar 0 enfoque fenomeno16gico-her- meneutico. A interpreta<;ao como :hmdaJl1entoda com- preensao dos fen6menos e 0 eixo da explicac;aocientilica. Se 0 problema de pesquisa aponta para uma in- ter-relac;ao do todo com as parles e vice-versa/ dos ele- mentos micro com os macro/ os elementos hist6ricos (quais elementos hist6ricos/ politicos e sociais estao im- plicados no fracasso escolar? Como vem se dando 0 fra- casso escolar na primeira serie?)/ 0 pesquisador deve- ra adotar 0 enfoque critico-dialetico. Considera a a<;ao como a categoria epistemo16gica fundamental para a ex- plica<;aocientifica. ELEMENTOS LOGICOS E PRESSUPOSTOS GNO- SIOLOGICOS E ONTOLOCICOS Os tres enfoques de pesquisa destacados contem urn conjunto de elementos que precisarao ser acatados pelo pesquisador ao longo de sua pesquisa/ do planejamento a execuc;ao/ ou seja/ do projeto de pesquisa ao relat6rio. QUADROl ELEMENTOS E PRESSUPOSTOS DO ENFOQUE EMPIRlCO- ANA UTICO Nivel/Aspecto '.' Nivel Tccnico Nivel Te6rico (com relayao aos auto- res) Nivel Te6rico (com relayao ao tipo de criticas e de propostas de mudanya) Nivel Epistemol6gico (criterios de cientifici- dade) Nivel Epistemo16gico (concepyao de ciencia) .Caracteristicas definidoras" Utilizayao de tecnicas de coleta, tra- tamento e amilise de dados marca- damente quantitativos com uso de me- didas e procedimentos estatisticos. Os dados serao coletados atraves de tcstes padronizJdos c qLlestiomll'jos fcchaclos, aprcsent3closem grMicos ou tabelas. Privilegia autores chissicos do posi- tivismo e da ciencia analitica. A fun- damentayao te6rica aparece na forma de revis5es bibliograficas sobre 0 tema tratado, de apresentayao sucinta dos resultados de outras pesquisas. Algumas pesquisas excluem qual- quer discussao, confronto, debate ou questionamento, amparadas na neu- tralidade do metodo cientifico. Al- gumas pesquisas apresentam criti- cas tecnicas com interesse especi- fico na recuperayao da harmonia e equilibrio das organizay5es. A validuyao se fundamenta no tes- te dos instrumentos de coleta e tra- t1mcn.to.d['ls .dao0s .com e'1,bs~ no , grau de significancia estatistica (racionalidade tecnico-instrumen- tal). A ciencia tern como finalidade a procura das causas dos fen6menos e a explicayao dos fatos pelos con- dicionantes e os antecedentes que os geram. Tern que fazer a cornpro- vayao (obrigat6ria) de hip6teses.
  • 24. ~.,"'" 'I~ / l, , '°1", N° Nivel/ Aspecto Caracteristicas definidoras 6 Pressupostos Gnosiol6- Processo cognitivo centralizado no gicos objeto: objetiviclacle.Supoe a existen- (concepc;ao de objeto e cia do dado imediato despido de co- de sujeito e sua relac;ao) notac;oes subjetivas. 7 Pressupostos Ontol6gi- ohomem e definiclo pelo scu perfil. cos Etido como recurso humano (input) (noc;ao de homem) ou produto do processo (output), como agente, funciomirio. Educa-lo e trei- ml-Jo por estimulos, reforc;os e de- scnvolvimento c1eaptidoes, habili- dades. 8 Pressupostos Ontol6gi- Preocupac;ao sincranica: visao geral cos e instanHinea do objeto estudado. A (noc;ao de hist6ria) foto do fato. 9 Concepc;ao de Realida- Visao fixista, funcional, predefinida de e Visao de mundo e predeterminada. QUADR02 ELEMENTOS E PRESSUPOSTOS DO ENFOQUE FENOMENOL6GICO-HERMENEUTICO Utilizac;ao de tecnicas nao-quan- titativas como entrevistas, depoimen- tos, vivencias, narrac;oes, tecnicas bibliograficas, hist6rias de vida e amilise do discurso. Privilegia estudos te6ricos e a anali- se de docu'mentos e texws.' Nivel Te6rico . (com rda~ao aos autores) Nivel Te6rico (com relac;ao ao tipo de criticas e de propostas de mudanc;a) Explicitam criticas as abordagens fundadas no experimentalismo, nos metodos quantitativos e nas propos- tas tecnicistas. Fazem denuncias, ex- plicitam ideologias, desvendam e de- cifimn pressupostos implicitos nos dis- cursos, textos e comunicac;oes.As pro- postas tem urn interesse conscienti- zador e por prMicas altemativas e i110- vadoras. 4 Nivel Epistemol6gico Confiam no processo 16gico da in- (criterios de cientifici- terpretac;ao e na capacidade de re- clade) flexao do pesquisador (racionalida- de pnitico-comunicativa) 5 Nivel Epistemo16gico A ciencia consiste na compreensao (collcepc;ao de cicncia) c10sfenamenos em suas diversas ma- nifestac;oes. Os fenamenos objetos da pesquisa (palavras, gestos, ac;oes, sim- bolos,sinais,textos,artefatos,obras, dis- cursos) precisam ser compreendidos. I Pesquisar e caplar 0 significado dos fe- namenos. 6 Pressupostos Gnosiol6- Processo cenh'alizado no Slljcilo: sub- gicos jetividade. Acata a presenc;a marcante (concepc;ao de obj eto e do sujeito na interpretac;ao do objeto de sujeito e suarelac;ao) estudado. 7 Pressupostos Onto16gi- o homem e tido como projeto, ser cos inacabado, ser de relac;oescom 0 mun- (noc;ao de homem) do e com os OlltrOS. Educa-Io e desen- volver 0 projeto humano numa rela- c;ao dia16gica e conscientizadora. 8 Pressupostos Ontol6gi- Transic;ao de uma visao sincranica cos (0 rx do fenomeno) para uma visao (noc;ao de hist6ria) diacranica. 9 Concepc;ao de Real ida- Transic;ao de uma visao isolacionis- de e Visao de mundo ta, homo gene a, nao-conflitiva para uma visao diniimica.
  • 25. QUADR03 ELEMENTOS E PRESSUPOSTOS DO ENFOQUE CRlTICO-DIALETICO ~--_. .. N° Nive11Aspeeto Caraeteristicas definidoras 1 Nivel Teenieo Utilizac;:ao de todas as teenicas do en- foque fenomeno16gico-hermeneutieo e tambem a pesquisa-ac;:ao e a pesquisa- participante. 2 Nivel Te6rico Privilegia estudos sobre experiencias, pra- (com rc1a<;aoaos au- ticas pcdag6gir,iL'), processos hist61icos,c1is- torcs) cussocs filos6ficasOll analis<;s contcx tu?li- zadas a partir de um previo referencial te6rieo. 3 Nivel Te6rico Questionam fundamentalmente a visao (com relac;:ao ao tipo estatica da realidade implicita nas abor- de critic as e de pro- dagens anteriores. Emarcadamente cri- postas de mudanc;:a) tica e tern a pretensao de desvendar 0 conflito dos interesses. Tern urn interes- se transformador e por pniticas partici- pativas de mudanc;:asocial e politica. 4 Nivel Epistemo16gi- Fudamentam-se na 16gicaintema do pro- co (criterios de cien- cesso e nos metodos que explicitam a di- tificidade) namica e as contradic;:oesintemas (razao transformadora). 5 Nivel Epistemo16gi- A eiencia, como produto da ac;:aodo ho- co (eoncepc;:ao de cien- mem, e tida como uma categoria hist6- cia) rica e a produc;:aocientifica uma constru- c;:ao. Retoma as concepc;:oesallteriores (ex- pliea<;aoe compreensao), de forma criti- , .. , ':I:ca~·'lldn.t supc:ni~,las·: •.; I .t.~" " '. "!'. ,'.' ~ .,'. 6 Pressupostos Gnosio- Processo centralizado na relac;:ao dina- 16gieos (concepc;:aode mica sujeito-objeto: concreticidade. Esta objeto e de sujeito e sua se COllstr6ina sintese objeto-sujeito. relac;:ao) 7 Pressupostos Onto16- o homem e tido tanto como ser social e gicos (noc;:ao de ho- hist6rico, detemninadopelos multiplos con- mem) textos como criador e transformador de multiplos contextos. Educa-lo e forma- 10socialmente. 8 Pressupostos Ontol6- Preocupac;:ao diacr6nica: ve a dinamica gIcos do objeto estudado, 0 movimento (0 fil- (noc;:aode hist6ria) me do real). 9 Concepc;:ao de Reali- Visao dinamica, conf1itiva, heterogenea. dade e Visao de mun- Uma percepc;:ao organizada da realida- do de que se constr6i atraves da prMica co- tidiana do pesquisador e das condic;:oes concretas de sua existencia. o interesse crescente dos pesquisadores pela corn- preensao e explicac;:aodas multiplas praticas e ac;:6es hu- 111anaS e sociais tern exigido a procura de outras abor- dagens ou enfoques que permitam esse conhecimento. Os enfoques esUio ai para que os mesmos/ com base em problemas de pesquisa/ aventurern-se no fazer pesqui- sa e construir ciencia. 3.3. ASPECTOS GERAIS DA PESQUISA QUANTITATIVA A op<;aopelo metodo e tecnica de pesquisas depende da natureza do problema que preo- cupa 0 investigador, ou do objeto que se de- seja conhecer ou estudar. A utiliza<;ao de tec- nicas qualitativas e quantitativas depende, tam- bern, do dominio que 0 pesquisador tern no emprego destas tecnicas. Inexiste superio- 0','; . ridAde'entrEtainbas des'dequ;e' hara"co~re~ao nas utiliza<;6es e adequa<;6es metodoI6gicas (SANTOS; CLOS47 ). Os modernos metod os cientificos de pesquisa tern suas raizes par volta do comec;:odo seculo XVIt princi- 47. SANTOS, Iraci; CLOS, Araci C. Pesquisa quantitativa e metodologia. In: GAUTHIER, Jacques H. M. et al. Pesquisa em enfermagem. Rio de Ja- neiro: Guanabara Koogan, 1998.
  • 26. ) 'j·!II"" ) I ,', -' """ palmente pelo pensamento de Descartes, Bacon e Gali- leu. Em Descartes repousa a crens;:afundamental de que 0.traves da razao e possivel chegar-se a certeza so- bre urn fato. Descartes, seguindo em parte a 16gica de Arist6teles, estabeleceu urn metodo dedutivo, baseado nos prindpios da igualdade entre verdade e evidencia, da divisao de urn problema em partes para sua analise e do uso da 16gica para a obtens;:aode conclus6es. As- sim, pela 16gica dedutiva, as conc1us6es SaG baseadas em prindpios e leis e, com base no racioC£njo16gico,pro- cura-se observar as consequencias espedficas de uma teoria formulada. Ja em Bacon, uma certa duvida paira sobre a 16gica da razao pura. A enfase maior e dad a ao conhecimento adquirido atraves dos sentidos, ou seja, atraves da ob- servas;:ao da realidade, fato imprescindivel quando se deseja conhecer algo novo. Para Bacon e necessario a utilizas;:aodo raciodnio indutivo, atraves do qual, pela observas;:ao dos fatos desprovida de preconceitos, pode- se chegar a uma "lei geral". Pela indus;:aopode-se che- gar a conclus6es gerais, a partir de observas;:6es empiri- cas, em urn processo que vai de uma pressuposiC;ao ate uma conclusao. ometodo empirico, estabelecido por Galileu, con- siStia, b'asica11'Lente/Ud' Jortnulac;(1G' de U.ma Lor,jc[hll'a"' -' ou hip6tese expressa, preferencialmente, em termos ma- tematicos. A execus;:aode urn experimento ou observa- s;:ao serviam para confirmar ou negar a hip6tese previa- mente formulada. 0 metodo proposto por Galileu se- gue a 16gica hipotetico-dedutiva (VARGAS48 ). A ciencia moderna tern usado uma combinas;:aodes- ses metodos. De fato, a maioria dos cientistas entende usar a dedus;:ao e a indus;:ao em suas pesquisas. Qual- quer urn dos dois casos exige coleta sistematica de da- dos, criatividade, perceps;:ao da relevancia dos dad os coletados, atualizas;:6essistematicas e acrescimos de no- vas ideias e teorias. A essa conduta de pesquisa da-se a designas;:ao de pesquisa quantitativa, pesquisa empirica ou metodo cientifico tradicional. A partir desse ponto de vista, 0 ponto de partida de uma pesquisa e a teoria, que englo- ba uma tentativa de formular explicas;:6esacerca de al- gum aspecto da realidade. A partir del a, uma ou va- rias hip6teses sao formuladas pelo uso da dedus;:ao. 0 pesquisador, ao utilizar esse metoda, deve ter algumas preocupac;6es: • A hip6tese deve conter conceitos que possam ser medidos para sua verificas;:ao.0 processo de trans- formar conceitos ern medidas e chamado de ope- racionalizas;:ao. • A hip6tese tambem deve demonstrar uma relas;:ao de causa-efeito, seja de forma explicita ou impli- cita. '·.W .~.".,. A..p.esquisa dev.e,se preocupar com"QgC:leraliz3--' s;:ao,isto e, deve-se buscar conclus6es que pos- sam ser generalizadas alem dos limites restritos da pesquisa. • A pesquisa deve se preocupar com a replicas;:ao, ou seja, deve ser possivel a urn outro pesquisa- dor, utilizando os mesmos procedimentos, verifi- car a validade dos resultados encontrados. 48. VARGAS, Miltom. Metodologia da pesquisa tecnol6gica. Rio de Ja- neiro: Globo, 1985. or '~ 1; i I ,% !, I' I . I 'I I- I ., "-',' I . ,- ..~ ..., I ij , , I: I I j i* ~ III :i II It I' ; I
  • 27. lI I o que primeiro preocupou os cientistas humanos foi 0 problema da unidade das ciencias. Quem defen- deu tal unidade metodol6gica, a1inhou-se ao pensamen- to de Comte, Mill e Durkheim, com base no empirismo de Locke, Newton, Bacon e outros. Esses autores classi- cos san os mais importantes para entendermos 0 pa- radigma quantitativo. A unidade metodol6gica signi- ficou para as ciencias humanas adotar 0 mesmo meto- do das ciencias naturais. Em sintese, aplicado a sociologia, a psi co- logia e a educa<;:ao,0 metoda cientifico das ci(~nciasnaturais apresenta tres caracteris- ticas basicas: primeiro, defende 0 dualismo epistemologico, ou seja, a separa<;:ao radical entre 0 sujeito e 0 objeto do conhecimento; segundo, ve a ciencia social como neutra ou livre de valores; e terceiro, considera que 0 ob- jetivo da ciencia social e encontrar regulari- dades e rela<;:6es entre os fen6menos sociais (GAMBOA49 ). A pesquisa quantitativa utiliza a descri<;ao mate- matica como uma lingua gem, ou seja, a linguagem ma- tematica e utilizada para descrever as causas de um fe- nomeno, as rela<;5es entre variaveis etc. 0 papel da es- tatistica e estabelecer a rela<;aoentre 0 modelo te6rico "proposto e os dados o'bservad·os nomimd6 fEta:I: Ueve '. ser utilizada como metodo de pesquisa quando 0 pro- blema formula do tiver inten<;ao de saber: A) qual a rela<;aoentre variaveis (qual a rela<;aoentre idade, sexo e escolaridade e dificuldades em leitura?); B) qual a causa (0 que causa a evasao?); C) qual 0 efeito ou consequencia (qual 0 efeito da tecnica expositiva sobre 0 aprendizado entre crian<;as de 4 e 6 anos?); D) qual a incidencia (qual 0 n(lmero de casos novos de evasao em Belem em 1999?); E) qual a prevalencia (qual 0 numero de casos de re- petencia na primeira serie em Belem entre janeiro a ju- nho de 2000?). 3.4. ASPECTOS DA PESQUISA QUALITATIVA A partir dos anos 70 houve urn consideravel cresci- mento de interesse na chamada pesquisa qualitativa ou interpretativa, baseada em metodos associados as ciencias sociais. Apesar de a primeira impressao levar a ideia de que a diferen<;a entre pesquisa quantitativa e qualitativa seja a presen<;a au ausencia de quantifica- <;aode dad os, isso e um engano. Na pesquisa qualitativa 0 pesquisador procura re- duzir a disHincia entre a teoria e os dad os, entre 0 con- texto e a a<;ao,usando a 16gica da analise fenomenol6- gica, isto e, da compreensao dos fenomenos pela sua descri<;ao e interpreta<;ao. As experiencias pessoais do 'Pesquisador san elementos importantes na analise e com- pr~en$a.()dos fpllomenos esttJdi'ldos ... Ap.esqulsaq113li- tativa tem as seguintes caracteristicas: •0 pesquisador observa os fatos sob a 6ptica de al- guem interno a organiza<;ao. • A pesquisa busca uma profunda compreensao do contexto da situa<;ao. • A pesquisa enfatiza 0 processo dos acontecimentos, isto e, a sequencia dos fatos ao longo do tempo.
  • 28. ) ) ".,",, i " ,I ....f'"",·, ',' • 0 enfoque da pesquisa e mais desestruturado, nao ha hip6teses fortes no inicio da pesquisa. Isso con- fere a pesquisa bastante flexibilidade. • A pesquisa geralmente emprega mais de uma fon- te de dados. As dificuldades encontradas quando da opc;aopela pesquisa qualitativa ficam por conta do trabalho exaus- tiva necessario a coleta de dad os; da grande quanti- dade de dados que podem ser coletados el principalmen- tel pela faHa de metodos estabelecidos para a analise dos dadas coletados. Apesar disso, 0 enfoque qualita- tivo tern obtido crescente popularidade pelo seu cara- ter rico, holistico e "rear/. A compara<;aoentre as duas modalidades de pesquisa mostra: Enfase na interpretac;ao do entrevistado em relac;ao a pesquisa Importancia do contexto da organizac;ao pesquisada Proximidade do pesquisador em relac;ao aos fen6menos , estudados I r..!.. ••'.-l._.'_. __ ~_._:l._ -".:.~ ~'i';_ ~ -__ ,.: Alcance do estudo no tempo Numero de fontes de dados Ponto de vista do pesquisador Vma Extemo it organizac;ao Definidas rigorosamente Intemo it organizac;ao Menos estruturadas Os cientistas humanos que nao aderiram a ideia de unidade metodo16gica das ciencias foram favoraveis a tese da peculiaridade das ciencias humanas e defende- ram urn metodo especifico para estas ciencias. Os pensadores que subsidiaram essa tese foram Dil- they, Rickert, Weberl Hussert Marx e os membros da Escola de Frankfurt, da denominada Teoria Critica. Co- mo os autores do paradigma quantitativo sao autores classicos que fundamentam a compreensao do para dig- ma qualitativo. Dilthey fez uma seria critica as ideias absolutistas do empirismo positivistal propos uma alternativa ao dualismo sujeito-objeto do positivismo, criticou a ideia de objetividade e a separa<;aoentre fatos e valores nas ciencias sociais e enfatizou que 0 objetivo das ciencias sociais deve ser a compreensao e nao a busca de leis para explica<;aoe predi<;ao. oprincipal problema que Rickert tratou foi 0 da de- term~ac;ao dos criterios de escolha de urn evento para pesqUlsa.Para 0 autor, 0 criterio deve ser 0 de valor-re- levancia para 0 pesquisador. Para Weber, 0 principal interesse da ciencia social e o individuo, 0 comportamento significativo dos indivi- duos engajados na a<;aosocial. Husserl enfatizou a im- 'portancia de se adotar uma perspectiva ampla e tentar ".( jr,~.s rai;;;fR..9r.l ";;1,tivj,d,pdl2 humana,.SuaabQrdagli?,x:r.l£€nC'~" ..>. '1".'" men~16gico-hermeneutica prevalece ainda na Europa Contmentat tendo sido menos difundida em outros con- tinentes. Os te6ricos criticos da Escola de Frankfurt tarnbern fizeram serias criticas ao paradigma positivista e mes- ma a abordagern dos fenornen6logos e hermeneutas. Criticaram a razao instrumental do positivismo e defen- deram uma razao crftica para as ciencias sociais.
  • 29. Na pesquisa qualitativa, 0 social e visto como urn mundo de significados passivel de investiga<;ao e a lin- guagem dos atores sociais e suas praticas as mah~rias-pri- mas dessa abordagem. E 0 nivel dos significados, mo- tivos, aspira<;oes, atitudes, cren<;as e valores, que se ex- pressa pela linguagem comum e na vida cotidiana, 0 ob- jeto da abordagem qualitativa. Segundo Rezende50 , os metodos qualitativos vem sendo cada vez mais utilizados por pesquisadores nos Estados Unidos e no Brasil. Mas pOl' que usa-los? Os quantitativos nao bastam? Nao, pois, apesar de pode- . rem dar respostas satisfat6rias para uma serie de ques- toes, os metodos quantitativos nao esgotam nossa com- preensao a respeito dos eventuais problemas sobre os quais nos debru<;amos em nossa prMica cotidiana. Deve ser utilizada como metodo de pesquisa quando 0 pro- blema formulado tiver inten<;ao de saber: A) qual a percep<;ao (qual a percep<;ao dos alunos sobre 0 ensino recebido em uma escola?); B) qual 0 significado (0 que significa para a mae ter urn filho repetente?); C) qual 0 processo, trajet6ria, percurso (quais aspec- tos caracterizam a trajet6ria de bons alunos?); o que a hist6ria nos tern mostrado, com enfase no Brasit e que as uni versidades ainda sao timidas no que tange a pesquisa. Ha inumeros problemas para efeti- varmos urn cotidiano de pesquisa nas gradua<;oes e fa- zer dos nossos alunos iniciantes na pesquisa. Inacio Fi- Ih0 51 nos aponta tais problemas e destacamos dois que consideramos muito pertinentes. o primeiro trata da questao de se destacar os pro- fessores mais titulados para trabalhar com os alunos ingressantes. Entendemos que esse e urn tabu a supe- rar, pois os titulados nao estao na gradua<;ao e muito menos com os calouros. E 0 investimento alto nesses do- centes foi para torna-los pesquisadores e construtores do conhecimento. o segundo trata da questao de se priorizar proje- tos de pesquisa que vis em a interven<;ao na realidade. A Pesquisa Participante e Pesquisa A<;aoainda saG de- nominadas por muitos como metodologias alternati- vas, mas nem assim saG desenvolvidas. Ainda estamos constatando 0 real em vez de tambem construir 0 seu desenvolvimento. Ha outros aspectos para discutirmos sobre a re- , D) q-~(1is6S sub~r?st' con}1C;firnentos(que ~ah(;l'es' as· -"._.,..>1 . ,.. '-'" '-, lev'Micra (nrpesquis~C'mas'nessemomen'to soqueremos';' -.,,".. 1<-< maes tern sobre avalia<;ao?); fl ) provocar re exoes e futuros debates. E para provocar E) quais as prMicas (0 que fazem os professores para mais urn pouco, vejamos 0 que nos diz 0 autor cita- ) controlar a disciplina em sala de aula?). do sobre a disciplina Metodologia Cientifica. /IDe pou- co ou de nada adianta ter uma disciplina denominada metodologia cientifica ou metodos e tecnicas de pes- 50. REZENDE, Magda A. et al. Reflex6es sobre metodos qualitativos de pesquisa em enfermagem. Texto mimeografado, 1994. 51. INAcro FILHO, Geraldo. A monografia na universidade. Sao Paulo: Papirus, 1995,