O que éa Asma?
Doença inflamatória crônica
associada à infiltração de células,
tais como linfócitos, mastócitos e
eosinófilos, além da presença de
hiperresponsividade das vias
aéreas inferiores e de limitação
variável ao fluxo aéreo, sendo
reversível espontaneamente ou com
tratamento.
Interação complexa entre fatores
genéticos, exposição ambiental e
fatores específicos que levam ao
desenvolvimento e à manutenção
dos sintomas.
4.
Epidemiologia
- A asmaé um problema mundial de
saúde e acomete cerca de 300.000.000
de indivíduos, sendo assim uma das
doenças crônicas mais prevalentes.
- A incidência na população pediátrica é
maior, sobretudo, por volta dos 13 anos,
porém a doença acomete indivíduos de
qualquer idade.
- Aumento gradativo do número de casos
de asma pelo mundo.
5.
Fatores Desencadeantes
❖ Alérgenosambientais ou ocupacionais:
➢ Pólens, fungos, ácaros, pelos de animais, fibras de tecidos;
❖ Exposição a irritantes:
➢ Fumo, poluição do ar, aerossóis;
❖ Alterações climáticas, exposição ao ar frio, alterações emocionais e exercícios;
❖ Drogas:
➢ Aspirina, anti-inflamatórios não hormonais, betabloqueadores;
6.
Fisiopatologia
❖ A asmaenvolve:
➢ Broncoconstrição
➢ Edema e inflamação das vias respiratórias
➢ Hiper-reatividade das vias respiratórias (aumento da produção de muco)
➢ Remodelamento das vias respiratórias
Inflamação brônquica (resulta em alterações estruturais das vias aéreas) =
Complexo espectro de interações celulares + Mediadores inflamatórios
7.
Fisiopatologia
❖ Apresentação doalérgeno ao TH2
❖ Produz citocinas: IL-4→ aumento de IgE
❖ Liberação de mediadores inflamatórios
➢ Lesão endotelial
➢ Hipersecreção de muco
➢ Alteração da permeabilidade vascular
➢ Alteração do tônus da via aérea.
Fisiopatologia
❖ RESPOSTA DAASMA:
➢ Estreitamento reversível das vias respiratórias e ventilação desigual
ocorrem na presença de deflagradores.
➢ Perfusão sanguínea excede ventilação (SHUNT) em áreas pulmonares
após o estreitamento, reduzindo O2 e aumentando CO2 nos alvéolos =
HIPERCARBIA.
➢ Tentativa de vasoconstrição na tentativa de equilibrar a hipoventilação =
Durante crises de asma, falhas na vasoconstrição pulmonar ocorrem
devido aos efeitos das prostaglandinas.
10.
Fisiopatologia
❖ RESPOSTA DAASMA:
➢ Hiperventilação é comum, mas em
casos graves, aprisionamento de gás e
maior esforço respiratório ocorrem
devido à broncoconstrição difusa.
➢ Agravamento da hipoxemia e PaCO2
podem levar a acidose respiratória e
metabólica.
➢ Condições não tratadas podem resultar
em parada cardiorrespiratória.
11.
Classificação de Asma
❖Intermitente
➢ Sintomas que ocorrem até 2 dias por semana e não interferem na vida diária.
❖ Leve persistente
➢ Sintomas ocorrem mais que 2x por semana, limitando levemente a vida diária.
❖ Moderada persistente
➢ Sintomas que ocorrem diariamente e limitam algumas atividades da vida diária.
❖ Grave persistente
➢ Sintomas que ocorrem o dia inteiro e interferem muito na vida diária
Importância do Diagnósticoda Asma
● A asma é uma doença
respiratória crônica com impacto
global significativo.
● Diagnóstico precoce e preciso
evita complicações e melhora o
controle da doença.
● Combinação de métodos clínicos
e exames complementares é
essencial.
14.
Diagnóstico da Asma:Resumo dos
Principais Pontos
● Diagnóstico envolve avaliação
clínica detalhada e testes
objetivos.
● A espirometria é o padrão-ouro,
mas testes complementares
ajudam na confirmação.
● Uso de algoritmos melhora a
precisão diagnóstica.
● Diagnóstico correto permite
tratamento adequado e melhora
da qualidade de vida.
15.
Principais Sintomas ePadrões Clínicos
● Sintomas comuns:
○ Sibilância
○ Dispneia
○ Tosse (frequentemente
noturna)
○ Aperto no peito
● Padrões característicos:
○ Sintomas intermitentes e
variáveis
○ Piora à noite ou de
madrugada
○ Desencadeados por
infecções, alérgenos, clima
frio ou exercício
16.
Avaliação Clínica eIdentificação de
Fatores Desencadeantes
● Histórico detalhado do paciente é
fundamental.
● Identificação de fatores de risco e
desencadeantes:
○ Alérgenos (poeira, ácaros,
mofo, pólens)
○ Infecções respiratórias
○ Exercício físico e mudanças
climáticas
○ Fatores ocupacionais e
exposição a poluentes
17.
Espirometria e Testede
Broncodilatação
● Objetivo: Avaliar a função pulmonar e
detectar obstrução das vias aéreas.
● Parâmetros analisados:
○ VEF1 (Volume Expiratório
Forçado no Primeiro Segundo)
○ FVC (Capacidade Vital Forçada)
○ VEF1/FVC: Relação
fundamental para diagnóstico de
obstrução.
● Critério diagnóstico: Reversibilidade
com aumento ≥12% no VEF1 após
broncodilatador.
18.
Outros Métodos Diagnósticos
Importantes
●Fraçāo Exalada de Óxido Nítrico
(FeNO)
○ Indica inflamação eosinofílica
das vias aéreas.
○ Alta sensibilidade e
especificidade para asma.
● Teste de provocação brônquica
○ Metacolina ou exercício físico
para detectar hiper-reatividade
brônquica.
● Testes alérgicos (IgE específica,
testes cutâneos)
○ Auxiliam na identificação de
asma alérgica.
19.
Diretrizes para Diagnóstico
●A Global Initiative for Asthma (GINA) e o NICE propõem fluxogramas diagnósticos.
● Combinação de sintomas, espirometria e testes complementares aumenta a
precisão.
● Importância do diagnóstico diferencial (DPOC, bronquite crônica, IC).
Tratamento medicamentoso
Beta-2 Agonistasde Curta Duração
● Exemplo: Albuterol
● Uso: Alívio da broncoconstrição aguda
● Efeitos: Ação rápida (dentro de minutos),
duração de 6 a 8 horas
● Efeitos adversos: Taquicardia, tremor,
hipopotassemia leve
Beta-2 Agonistas de Longa Duração
● Exemplo: Salmeterol
● Uso: Asma moderada e grave (sempre
combinado com corticoides)
● Duração: Até 12 horas
● Benefícios: Permite menor dose de
corticoides
23.
Tratamento medicamentoso
Beta-2 Agonistasde Ultra Longa Duração
● Exemplo: Indacaterol
● Duração: Até 24 horas
● Uso: Casos moderados a graves, sempre com corticoides
Anticolinérgicos
● Exemplo: Ipratrópio e Tiotrópio
● Mecanismo: Inibem receptores muscarínicos (M3)
● Uso: Associado a beta-2 agonistas
● Efeitos adversos: Boca seca, visão turva
24.
Tratamento medicamentoso
Corticoides
● Função:Inibem a inflamação das vias respiratórias
● Vias de administração: Oral, intravenosa e inalatória
● Efeitos adversos: Candidíase oral, osteoporose, catarata
Estabilizadores de Mastócitos
● Exemplo: Cromoglicato de sódio
● Uso: Prevenção de asma induzida por alergia/esforço
● Segurança: Poucos efeitos adversos
● Limitação: Baixa eficácia
25.
Tratamento medicamentoso
Modificadores deLeucotrienos
● Exemplo: Montelucaste, Zileutona
● Uso: Controle a longo prazo da asma persistente
● Efeitos adversos: Elevação de enzimas hepáticas (Zileutona)
Metilxantinas
● Exemplo: Teofilina
● Mecanismo: Relaxamento da musculatura brônquica
● Uso: Controle a longo prazo, especialmente para asma noturna
● Desvantagem: Muitos efeitos adversos e interações medicamentosas
26.
Tratamento medicamentoso
Imunomoduladores
● Exemplo:Omalizumabe (anti-IgE), Benralizumabe, Mepolizumabe, Reslizumabe
● Uso: Asma grave refratária
● Critérios: Níveis elevados de IgE ou eosinófilos
● Administração: Subcutânea ou intravenosa
Outros Fármacos
● Magnésio: Uso emergencial
● Imunoterapia: Eficaz para asma alérgica, mais comum em crianças
● Metotrexato, ciclosporina, ouro: Reduzem dependência de corticoides, mas com
toxicidade elevada
27.
Tratamento não medicamentoso
1.Exercícios respiratórios – Técnicas como Buteyko, Papworth e respiração
diafragmática podem melhorar a qualidade de vida e reduzir sintomas de
hiperventilação na asma, mas a evidência é limitada.
2. Controle ambiental – Reduzir alérgenos domésticos (ácaros, baratas, roedores)
com medidas como capas impermeáveis e controle de pragas pode beneficiar
pacientes sensibilizados.
3. Intervenções nutricionais – Dietas ricas em frutas, vegetais e antioxidantes
podem ajudar na asma, mas os resultados ainda são inconclusivos.
28.
Tratamento não medicamentoso
4.Intervenções psicológicas – Terapias de relaxamento e terapia
cognitivo-comportamental (TCC) melhoram a qualidade de vida e ajudam na
adesão ao tratamento e no controle do estresse.
5. Atividade física – Exercícios aeróbicos regulares e reabilitação pulmonar
podem melhorar a função pulmonar, reduzir a inflamação e aumentar a capacidade
respiratória.
Abordagem clínica dopaciente
asmático no dia a dia
● Anamnese detalhada;
● Exame físico;
● Avaliação diagnóstica;
● Classificação da gravidade;
● Tratamento e manejo;
● Educação e acompanhamento.
31.
● Avaliação dagravidade da exacerbação da asma:
Protocolos de manejo de
exacerbações
32.
● Avaliar oambiente, sujeitos e segurança;
● Avaliação primária com ênfase;
● Realizar avaliação secundária com ênfase;
● Instalar acesso venoso periférico;
● Intervenção medicamentosa.
Protocolos de manejo de
exacerbações
33.
● Avaliação primáriacom ênfase:
○ Manter o paciente sentado e/ou em posição confortável;
○ Avaliar a saturação de oxigênio;
○ Oferecer O2 suplementar para manter uma SatO2 > 94%.
Protocolos de manejo de
exacerbações
34.
● Avaliação secundáriacom ênfase:
○ Sinais vitais;
○ Coletar história SAMPLA (Sinais vitais, alergias, medicamentos em uso,
passado médico, líquidos e alimentos, ambiente), exame clínico;
○ Monitorização cardíaca e da oximetria de pulso;
○ Caracterizar exacerbações prévias e a atual: Fatores desencadeantes,
intensidade, duração e progressão dos sintomas.
Protocolos de manejo de
exacerbações
35.
● Em exacerbaçõesmoderadas a graves, administrar 4 jatos (400 mcg - aerossol
dosimétrico com aerocâmara) de salbutamol (ou equivalente) a cada 10 minutos, ou
8 jatos a cada 20 minutos, por até 4 horas; após, a cada 1-4 horas conforme
necessário:
○ Nebulização (usar soro fisiológico - 5 mL): 2,5 mg a 5 mg de salbutamol (10-20
gotas - solução inalante) a cada 20 minutos por 3 doses, então 2,5 a 10 mg a
cada 1- 4 horas, conforme evolução;
○ Em crianças (> 6 anos), 22,5-30 mcg/kg (até 9 jatos por dose, aerossol com
aerocâmara) a cada 20 minutos, depois conforme reavaliação clínica.
Protocolos de manejo de
exacerbações
36.
● Administrar brometode ipratrópio, nebulização (usar soro fisiológico-5 mL): 40
gotas, apenas para exacerbações moderadas/graves;
● Administrar corticoide sistêmico:
○ Na exacerbação moderada ou grave administrar via oral preferencialmente;
○ Prednisolona 50 mg/dia em adultos e 1-2 mg/kg/dia em crianças (dose máxima
de 40 mg/dia);
○ A via endovenosa deve ser utilizada apenas em pacientes sem condições de via
oral (Hidrocortisona EV 100 mg 2 vezes ao dia, em adultos e metil-prednisolona
(1 a 2 mg/kg/dia e máximo 60 mg em crianças).
Protocolos de manejo de
exacerbações
37.
Protocolos de manejode
exacerbações
● Considerar sulfato de magnésio intravenoso (2 g diluída em 50 mL de soro
fisiológico, sob infusão em 20 minutos) para pacientes com exacerbações
graves que não respondem ao tratamento inicial.
Complicações da asmanão
controlada
1. Complicações físicas:
● Exacerbações Agudas e Hospitalizações:
A asma não controlada está associada a episódios frequentes de
exacerbações que podem levar a internações e, em casos graves, a risco
aumentado de mortalidade.
● Declínio Acelerado da Função Pulmonar:
A inflamação crônica pode resultar em uma redução progressiva do volume
expiratório forçado, contribuindo para uma obstrução das vias aéreas e
prejuízo na qualidade de vida.
40.
Complicações da asmanão
controlada
1. Complicações físicas:
● Remodelação das Vias Aéreas:
A inflamação persistente pode levar a alterações estruturais (remodelação),
que tornam a obstrução das vias aéreas parcialmente irreversível ao longo do
tempo.
● Efeitos Adversos Relacionados ao Uso Prolongado de Corticosteroides:
Em pacientes com asma grave, o uso crônico de corticosteroides pode
aumentar o risco de comorbidades, como osteoporose, diabetes, catarata e
hipertensão.
41.
Complicações da asmanão
controlada
2. Complicações sociais e emocionais:
● Impacto Emocional:
A dificuldade em manter o controle dos sintomas pode levar a sentimentos de
ansiedade, depressão e isolamento, afetando significativamente o bem-estar
psicológico do paciente.
● Impacto na Qualidade de Vida e Produtividade:
A limitação nas atividades diárias, as ausências frequentes (seja no trabalho ou
na escola) e a necessidade de cuidados constantes podem reduzir a qualidade
de vida e impactar negativamente a vida social e profissional.
42.
Comorbidades associadas
● InfecçõesRespiratórias:
Pacientes com asma não controlada têm maior risco de desenvolver
pneumonia e outras infecções respiratórias, devido à inflamação crônica e
alterações na imunidade pulmonar.
● Doenças Oftalmológicas:
O uso prolongado de corticosteroides, comum em casos de asma grave, pode
predispor ao desenvolvimento de catarata.
43.
Comorbidades associadas
● Obesidade:
Aobesidade pode tanto ser uma consequência quanto um fator que dificulta o
controle da asma, criando um ciclo de piora dos sintomas e agravamento da
função pulmonar.
● Doenças Cardiovasculares:
Pacientes com asma não controlada podem apresentar um risco aumentado
para insuficiência cardíaca e arritmias, como a fibrilação atrial, em parte devido
ao estresse crônico e à resposta inflamatória sistêmica.
44.
Conclusão
1. Avaliação Contínuae Diagnóstico Preciso
● Diagnóstico correto e estratificação da gravidade.
● Monitorização regular dos sintomas e da função pulmonar.
2. Manejo Farmacológico e Não Farmacológico
● Uso adequado de corticosteroides e broncodilatadores.
● Identificação e evitação de gatilhos ambientais
3. Educação e Empoderamento do Paciente
● Instrução sobre o uso correto dos dispositivos inaladores.
● Importância da adesão ao tratamento e reconhecimento precoce de
exacerbações.
45.
Conclusão
4. Atenção àsComorbidades e Complicações
● Monitoramento e manejo de doenças associadas, como:
● Infecções respiratórias.
● Osteoporose.
● Obesidade.
● Doenças cardiovasculares.
5. Abordagem Multidisciplinar
● Integração entre médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais de
saúde.
● Suporte abrangente para controle da doença e melhora da qualidade de vida.
46.
Referências
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