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                                 UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009


     A informática educativa no aprendizado digital infantil e na prática cidadã

                                 Fernanda dos Santos ROCHA
                                    Gláucia Almeida REIS1
                              Universidade Federal de Juiz de Fora



ISSN-2175-6554

Referência:
ROCHA, Fernanda dos Santos; REIS, Gláucia
Almeida.     A informática educativa no
aprendizado digital infantil e na prática cidadã
In: Mídia Cidadã 2009 – V Conferência
Brasileira de Mídia Cidadã, 2009. Guarapuava.
Anais. Guarapuava, 2009. p. 70-83.




RESUMO

A informática na educação é uma realidade que precisa ser melhor trabalhada nas salas
de aula. Os professores muitas vezes se encontram despreparados para agir como
educomunicadores na prática de ensino e aprendizagem junto aos alunos. Questionar a
metodologia comumente adotada e pensar no ensino de informática de uma maneira
construtivista é o melhor caminho para se garantir a educação para a mídia. Da mesma
forma, buscamos mostrar como a informática aliada à educação pode ser positiva para
dar voz à comunidade e às crianças (futuras formadoras de opinião) na construção da
cidadania.

Palavras-chave:        Educomunicação; redes sociotécnicas; novas tecnologias da
comunicação e da informação; informática educativa; tecnocultura;




Introdução


                                                                “Ninguém educa ninguém, ninguém
                                                        se educa a si mesmo, os homens se educam
                                           entre si, mediatizados pelo mundo” (Paulo Freire, 1987)



1
  Fernanda dos Santos Rocha e Gláucia Almeida Reis são graduandas em Comunicação Social com habilitação em
Jornalismo na Universidade Federal de Juiz de Fora.            E-mails: fenanda_rocha@yahoo.com.br /
galirj@gmail.com


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Este artigo tem a finalidade discutir a informática aliada à educação, bem como o papel
do professor de informática na escola pública. Nesse contexto, procuramos questionar
os métodos de ensino e aprendizagem entre professores e alunos: a importância do
professor agir como um educomunicador e seu papel de articulador; a necessidade de se
educar para a mídia considerando a vivência, o local onde está inserido e as influências
que o aluno recebe dia a dia das novas tecnologias; a internet, em especial o blog, como
espaço virtual onde o aluno pode se relacionar, receber e emitir informações e dar voz à
comunidade em que está inserido. Além disso, procuramos mostrar que a informática
educativa ensina para a criança noções de cidadania que serão base para a vida adulta,
como responsabilidade e solidariedade, por exemplo.


Desde março de 2009, acompanhamos pelo menos uma vez na semana as aulas de
informática da Escola Municipal Álvaro Braga de Araújo, localizada no bairro Dom
Bosco, em Juiz de Fora. A responsável é uma ex-professora de ensino fundamental2 que
se ausentou das atividades de sala de aula para ministrar aulas de informática para
alunos do 2º ao 5ºano do ensino fundamental a partir de um projeto de sua autoria que
foi aprovado pela Secretaria Municipal de Educação. As aulas acontecem em
contraturno, atendendo a aproximadamente 150 alunos; no entanto, nem todos os alunos
da escola participam, pois a aula é extracurricular (optativa) e precisa de autorização dos
pais. Este trabalho está inserido em dois projetos de extensão coordenados pelo
professor Bruno Fuser, da Faculdade de Comunicação Social da UFJF (Universidade
Federal de Juiz de Fora): “O professor de informática como educomunicador –
Interação Social em rede” e “ Comunicação, Memória e Ação Cultural” (apoiado pela
FAPEMIG).


A informática aplicada à Educação enfatiza o fato de o professor da disciplina curricular
ter conhecimento sobre os potenciais educacionais do computador e ser capaz de
alternar adequad.amente atividades tradicionais de ensino-aprendizagem e aquelas que
utilizam o computador. No entanto, a atividade de uso do computador pode ser feita
tanto para continuar transmitindo a informação para o aluno e, portanto, para reforçar o
processo de ensino tradicional, quanto para criar condições para o aluno construir seu
2
    Optamos por não indicar o nome da docente, para evitar exposição desnecessária.


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próprio conhecimento.


A professora responsável não possui conhecimentos vastos sobre computação e realiza
as atividades de informática sem planejamento detalhado ou maior empenho, conforme
se verificou na pesquisa de campo, que ainda está em andamento. Seria desejável que el
atuasse como educomunicadora, como veremos à frente; no entanto, seu método de
ensino, apesar de fugir da prática tecnicista, ainda é pouco construcionista.


Para que se implemente uma política eficiente de ensino especializado em informática
educativa é importante que o professor planeje as aulas que serão aplicadas no ambiente
computacional levando em consideração a interseção entre os meios e os
questionamentos que podem surgir a qualquer momento. No entanto, esse planejamento
muitas vezes se mostra superficial, ficando as atividades reduzidas a buscas de jogos
educativos em sites desenvolvidos para crianças, como Turma da Mônica, O Menino
Maluquinho, Iguinho, entre outros. E, em outros casos, as atividades contemplam
digitação em processador de texto e desenho.


Segundo o projeto inicial encaminhado pela professora responsável, as aulas de
informática da Escola Municipal Álvaro Braga de Araújo incluiriam a utilização de
ferramentas de informática que dessem respaldo aos trabalhos desenvolvidos por
professores de outras disciplinas, como matemática, português e ciências. Para tanto,
foram consultados os professores e eles indicaram o que caberia às aulas de informática
como complemento às suas aulas teóricas. Essa atividade, entretanto, acontece
raramente e sem um planejamento prévio para buscar atividades mais interativas que
complementem o aprendizado em sala de aula, sem muita eficiência.


Em questionário aplicado no início das aulas buscamos avaliar o grau de acesso ao
computador que os alunos do ensino fundamental do bairro Dom Bosco possuem.
Foram considerados 75 questionários respondidos, sendo esse universo de alunos menor
do que o estimado, pois o número de crianças que participam das aulas de informática
gira em torno de 150. Esse número (75), deve-se sobretudo à ausência de algumas
crianças nos dias em que o questionário foi aplicado, pois não houve possibilidade de

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realizar novamente essa atividade em outros dias na mesma turma com as crianças
ausentes.


A faixa etária das crianças que participam das aulas varia de 6 a 12 anos de idade, sendo
que a maioria dos alunos possui 8 anos (31%). A maioria tem acesso a computador
somente no período das aulas de informática (41%), outros utilizam o computador
também em casa (25%), em lan houses (25%) ou usa em casa e também em lan houses
(9%). A grande maioria dessas crianças tem acesso à internet nos lugares onde utilizam
o computador (85%), outras afirmam que não costumam utilizar internet nesses lugares
(12%) e algumas usam a internet às vezes (3%).


Quando foram questionadas sobre o que mais gostam de utilizar no computador, a
maioria preferiu jogos diversos (60%), outros ainda apontaram internet (17%), orkut
(14%), messenger (7%) e editor de texto (2%) como opções preferidas.


A freqüência com que usam o computador ficou definida da seguinte forma: a maioria
dos alunos (62%) utiliza o computador uma vez por semana, ou seja, apenas nas aulas
de informática; 25% utilizam mais de uma vez por semana; portanto, além das aulas de
informática, utilizam o computador em casa, em lan houses ou no bairro, em dias
alternados; e 13% utilizam o computador todos os dias.


Diante de tal fato, nota-se que as aulas de informática são uma grande fonte de ensino
do uso do computador e das novas tecnologias - 41% das crianças utiliza o computador
somente nas aulas de informática da escola municipal -, sendo assim um espaço
fundamental para que eles possam se sentir incluídas no universo digital.


O Papel do Educomunicador na Construção da Cidadania
O mundo já está mergulhado na era da informação. Dos países mais ricos aos mais
pobres, todos já estão cientes da importância da comunicação no futuro da humanidade.
Dessa forma, estar inserido digitalmente passa a ser um direito fundamental para todos
os cidadãos, seja ele de qualquer cultura, sexo ou idade.



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Resguardar o direito ao acesso aos meios de comunicação é o primeiro passo para
garantir a democratização da informação e do conhecimento. Entretanto, o acesso às
novas tecnologias, simplesmente, não permite a inclusão na perspectiva cidadã, pois não
há garantia de enriquecimento cultural, social e intelectual do usuário. É o que tem
acontecido nas aulas de informática da escola de ensino fundamental analisada: as
crianças se adaptam ao uso dos equipamentos e de forma mecânica aprendem a guiar o
mouse, apertar teclas e seguir funções como manda o professor. Então, explicar o que é
esse meio, sua dimensão e origem é importante para que as crianças possam refletir e
interagir com o computador, mais ainda quando se trata do uso da Internet.


Beatriz Jucá (2007, p.5) admite a internet como um instrumento relativamente
democrático, porém salienta:


                       A democratização ocorre no âmbito da comunicação e não do acesso.
                       Por isso, é necessário promover a inclusão digital nas escolas públicas,
                       a fim de permitir que a internet atue no processo de construção de
                       cidadãos mais participativos e críticos através de uma
                       educomunicação dialógica e interativa.


Sendo assim, essa visão de informática educativa não prevê o uso do computador para
ensinar conteúdos de "alfabetização em informática". O objetivo deve ser ensinar sobre
computação sem se basear em princípios técnicos, mas utilizar o computador de
maneira prática. Dessa forma, os temas ou atividades sugeridos em sala de aula devem
ser desenvolvidos no computador por intermédio do educomunicador, onde os recursos
tecnológicos podem ampliar o conhecimento e melhorar o aprendizado dos alunos.


É o que defende o professor e pesquisador da Escola de Comunicação da USP, Ismar de
Oliveira Soares (2004, p.266):


                       Vivemos um processo de globalização cultural intenso e rico, em que
                       as filosofias da educação apontam para as múltiplas formas de
                       produção e divulgação do conhecimento e para as atividades didáticas
                       interdisciplinares. Neste contexto, o único modelo plausível para a
                       educação moderna é o que permite uma aproximação efetiva entre as
                       práticas de ensino, de um lado, e os processos, tecnologias e
                       linguagens de comunicação, de outro.


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O educomunicador é este profissional responsável por articular o saber midiático com o
saber escolar. Ele aparece como um novo agente, preocupado com a comunicação, com
as influências que incidem sobre o receptor, e usa disso para formar conhecimento. O
“professor” não deve ser responsável hoje só por transmitir conhecimento, mas também
por mediar as informações que estão na sociedade, inclusive nos meios de comunicação.
É a esse papel que o professor de hoje deve se prestar, mas normalmente não o faz. Na
escola Municipal Álvaro Braga de Araújo, a professora de informática reluta em
cumprir o papel de articuladora e atua somente como uma instrutora de informática. Nas
aulas semanais os alunos recebem instrução para realizar atividades em sua maioria
lúdicas, como jogos e historinhas online em sites infantis. Assim cria-se um vácuo na
educação pela ausência de interação entre professor e aluno.

O educador deve ser um coordenador e um agente cultural, precisa facilitar o uso das
novas tecnologias para que os próprios alunos possam elaborar conteúdos a partir de
suas necessidades e interesses, tornando-se produtores de conhecimento. Além disso, o
educador deve estimular a formação de valores solidários e democráticos, para a
transformação do ambiente em que aquela comunidade está inserida.

Paulo Freire (1979) entende que faz parte do processo educativo a construção do
conhecimento através da apresentação da realidade e da leitura do mundo feita de modo
a dialogar com todos os envolvidos no trabalho pedagógico. Portanto, a escola que se
propõe a fazer uso da tecnologia para democratizar a aprendizagem deve tornar o
processo pedagógico um espaço participativo e interativo, onde não haja lugar para
atitudes autoritárias e excludentes. A tarefa do professor no processo de educação por
meio da internet é bem diferente da convencional. Neste caso, como dissemos
anteriormente, o professor não é o detentor da informação, ele apenas conduz o
processo e coordena as atividades, incentivando, estimulando os alunos e fazendo-os
refletir.


Além disso, não é só o professor que tem direito à palavra, os alunos junto com suas
experiências devem trazer para a sala de aula seus conhecimentos. Eles devem ser



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estimulados a expor suas ideias na colaboração com seu bairro e sua família e a
entender a importância da própria comunidade produzir também informações que são
relevantes não só localmente, como também para toda a “aldeia global”.


A relação entre comunicação e educação tem produzido uma mudança nas relações
sociais e no modo como as pessoas interagem, pois assim formam-se pessoas
interessadas em sua comunidade, preocupadas com a construção da cidadania. O
desenvolvimento da informática e das redes de comunicação pode se prestar a isso, por
isso a importância de o professor de informática se tornar um educomunicador social.


O Desafio de Ensinar Usando as Novas Tecnologias e a Interdisciplinaridade               como
Ferramenta na Educação Digital
Trabalhar com as novas tecnologias exige planejamento como em qualquer processo
educativo, mas nele deve ser levada em conta a participação dos alunos, com sugestões
e questionamentos que poderão surgir a qualquer momento. Os professores devem
trabalhar em conjunto, sugerindo pautas de outras disciplinas, usando os computadores
para buscar exercícios online e passatempos para que possam trabalhar o conhecimento
de uma forma mais lúdica.


As aulas de informática da escola analisada inicialmente se propunham a utilizar uma
postura mais dialógica com as demais disciplinas, porém se restringiram a pesquisas em
sites de busca e textos online, o que não atraiu os alunos para um aprendizado
complementar à sala de aula. Essas atividades deveriam constituir-se em mais uma
possibilidade que o professor poderia contar para a realização do seu trabalho e não
único recurso de educação. A professora responsável chegou a recolher as sugestões de
atividades demandadas pelos demais professores da escola para utilizar nas aulas de
informática educativa, mas esses conteúdos apareceram raramente, de maneira
superficial e pouco atrativa.


Ensinar utilizando a internet exige certa dose de atenção do professor. Diante de tantas
possibilidades a própria navegação pode se tornar mais sedutora do que a necessária
interpretação. Os alunos tendem a dispersar-se diante de tantas conexões possíveis, de

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endereços dentro de outros endereços, de imagens e textos que se sucedem
ininterruptamente. Eles ficam deslumbrados e se sentem muito mais atraídos por
navegar e descobrir coisas novas do que analisá-las e compará-las. E isso não quer dizer
que eles estejam de fato aprendendo. Muitos alunos ainda, por estarem em processo de
alfabetização, têm preguiça de ler as instruções expostas na tela do computador e
querem navegar sem nenhuma acompanhamento.


A avidez pelo “consumo digital”3 vai se configurando nas salas de aula, os alunos
querem utilizar o computador e suas inúmeras possibilidades. A vontade de consumir as
novas tecnologias faz com que queiram deixar de lado a parte do aprendizado, isso se
manifesta na preguiça de ler, buscar instruções ou perguntar ao professor. É nesse
quadro cultural que se encaixa o pensamento de Nestor Garcia Canclini (2006, p.30):
“Vamos afastando-nos da época em que as identidades se definiam por essências
históricas: atualmente configuram-se no consumo, dependem daquilo que se possui, ou
daquilo que se pode chegar a consumir.”


As informações são tantas que o aluno costuma consumir os recursos que o computador
oferece sem qualquer reflexão crítica. Na perspectiva da educomunicação, é importante
que aprendam não somente como ter acesso às informações, mas também a selecionar
os conteúdos relevantes.


Devemos considerar ainda o papel fundamental do professor-educomunicador na
explicação das atividades a serem feitas no computador e qual o objetivo a que se
pretende chegar. Dessa forma os alunos podem encontrar outros meios para chegarem
àquele objetivo. O risco de uma abordagem não-reflexiva das novas tecnologias em
salas de aula é que educadores tendem a recorrer aos velhos modelos de pensamentos de
educação tradicional e tecnicista, tornando-se indiferentes às novas possibilidades.


Importância da educação para a mídia
No futuro, as crianças vão usar muito mais os meios de comunicação do que usamos

3
 Termo cunhado a partir das ideias de Muniz Sodré a respeito do ethos do consumo, elemento essencial
constituinte da tecnocultura.


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hoje. Nas suas experiências cotidianas futuras o relacionamento com a mídia será muito
mais dependente e intenso, portanto é importante formar cidadãos alfabetizados e
críticos digitalmente, preparados não só para receber como também para produzir
conteúdos midiáticos.


“A mídia pode ser vista como um recurso simbólico que muitos adultos usarão - mas
especialmente os jovens - ao dar sentido a suas experiências, ao se relacionar com os
outros e ao organizar as práticas da vida diária.”, é o que afirmam Neil, Duncan e
Pungente (2002, p.165).


Os mesmos autores ainda ressaltam que as crianças pensam de forma concreta e, para
elas, a educação para a mídia deve ser diferenciada:


                        elas precisam entender que a mídia não é real, que os personagens de
                        desenhos animados são fantasia, que a mágica resulta de efeitos
                        especiais, e que quase sempre há uma diferença entre as mensagens
                        comerciais e os programas destinados à elas. (2002, p.169)


O saber midiático deve ser complementar ao saber escolar. Ou seja, deve-se trazer os
assuntos vistos na tv, no rádio, na internet e vivenciados no dia-a-dia para a escola,
como também incentivar os alunos a assistir ou acessar conteúdos educativos nos meios
de comunicação. A partir disso, as crianças conseguem compreender que os conteúdos
publicados nos meios de comunicação estão lá porque foram produzidos por alguém. E,
diante de um veículo aberto como a internet, elas também podem ser produtoras de
informação em blogs, websites, em suas páginas de relacionamento pessoal ou até
mesmo sugerir pautas para a grande mídia.


Incitar a produção de informação para os meios de comunicação é também criar na
criança uma sensibilidade para responder ao que é veiculado por eles. Essa consciência
pode despertar nas crianças o senso de responsabilidade, fundamental na construção de
sua identidade.


As informações veiculadas na grande mídia nem sempre contemplam as demandas das


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pessoas comuns. Ensinar desde a infância a importância de mostrar essas realidades
individuais pode formar líderes de opinião capazes de pautar assuntos de interesse da
sua comunidade e dos que se identificam com ela. Esses eventuais líderes serão no
futuro cidadãos capazes de mobilizar a consciência da população para produzir suas
próprias informações.


Blog como ferramenta de estímulo à produção de conteúdo e de interação entre
escola e comunidade

Uma das formas mais simples e práticas para compartilhar conteúdo são os blogs.
Através deles é possível publicar textos, vídeos e fotos sem restrições e, dessa maneira,
ganhar visibilidade na rede e trocar informações a nível local, nacional e global. O blog
é também uma importante ferramenta para o ensino e aprendizagem entre alunos e
professores, auxiliando a prática pedagógica. Através dele os alunos veem que o
resultado de seu trabalho não fica guardado ou perdido em pastas, é possível interagir
com o conteúdo exposto na tela. É uma ótima forma de aproximar professores e alunos,
fazendo com que a orientação se dê também fora do horário de aula e de maneira
construtivista, pois ali não é simplesmente depositado o conteúdo no aluno, ele interage
e troca informações com o professor e sua comunidade.



Diante dessa possibilidade criamos o blog da Escola Municipal Álvaro Braga de Araújo,
disponível através do endereço www.emabadigital.blogspot.com. O objetivo do blog é
socializar as atividades realizadas na escola e permitir que outras pessoas,
principalmente a família e a comunidade, possam acompanham as atividades das
crianças e dialogar com a escola. E já que para manter o blog não é necessário um
técnico especializado, professora e alunos são responsáveis por atualizar as postagens,
assim passam por um processo de aprendizado para dominar downloads e outros
recursos para navegar com facilidade.



Os alunos da EMABA utilizam o blog para postar fotos e divulgar novidades relativas à
escola, trocar conhecimentos, se comunicar com outros amigos, deixar sugestões e



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partilhar dúvidas. O blog pretende estimular a visão crítica e permitir a melhora na
expressão escrita e verbal, vencendo inclusive a timidez dos alunos que pouco
interagem pessoalmente. Na escola tradicional, com lousa, giz, mesa e carteira, o
professor costuma ser o único detentor do conhecimento; já com o blog, esse modelo
muda, pois os alunos se tornam colaboradores, ou seja, aprendem com o professor, sem
o professor e apesar do professor.


Embora seja uma ferramenta eficaz, os blogs ainda estão distantes da maioria dos
alunos, seja porque eles não possuem acesso ao computador em outros locais além da
escola ou por não terem a cultura de navegar nesse tipo de site. Costumam utilizar o
computador e a internet para contato com amigos ou jogos, principalmente. Torna-se
necessário portanto estimular esse uso, o que se pretende fazer nas próximas etapas da
atividade desenvolvida na escola, não apenas com a professora de informática, mas em
contatos com outros docentes, a direção e as famílias dos alunos.


No começo das atividades foi feita uma pesquisa na escola com os alunos das aulas de
informática, dos 75 alunos que responderam ao questionário foi verificado que 41%
utilizam o computador apenas nas aulas de informática, e apenas 25% dos alunos têm
acesso ao computador em casa ou em lan houses, também 25%. A maioria dos alunos
que usa o computador fora da sala de aula tem acesso à internet, porém a utilizam para
jogos (60%), contato com amigos (23%) e pesquisas (17%).


Assim, é importante cultivar nessas crianças o interesse por navegar em blogs, como
tem feito a professora responsável, que estimula os alunos a acessarem o blog fora da
escola, entregando o endereço impresso para levarem para casa e mostrarem aos pais,
perguntando se viram as atualizações do blog em outros locais e mesmo deixando um
espaço nas aulas de informática para que os alunos comentem ou sugiram novas
postagens. Dessa forma, é esperada sempre uma postura ativa desses alunos, para que
postem novas informações quando julgarem necessário e estimulem o intercâmbio de
conhecimentos entre os colegas de escola, a família e a comunidade.


Apesar de recente, essa prática vem sendo adotada em muitas escolas em todo o país,

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pois, além de estimular a produção de conteúdos diversos, o blog permite que o
professor se mantenha atualizado e esteja mais próximo dos alunos à medida que
acompanha o ritmo deles. Além disso, o intercâmbio de experiências partilhadss com
outros professores pode otimizar a qualidade do processo pedagógico na informática
educativa.




                                                                            Foto:Fernanda Rocha
    Alunos no laboratório de informática da Escola Municipal Álvaro Braga de
                                         Araújo .



Conclusão

O computador implantado nas atividades educacionais é imprescindível para uma
geração que nasceu e cresceu numa sociedade permeada por tecnologias digitais, como
games, celulares, tocadores digitais de música, câmeras de vídeo, internet, entre outras.
Devido à inserção dessas tecnologias no cotidiano da vida moderna, os jovens de hoje
aprendem, comunicam-se e sociabilizam-se de forma diferente de seus antecessores.
Compreender essas mudanças é o primeiro passo para desfazer preconceitos e criar
experiências mais apropriadas ao novo perfil cognitivo desses cidadãos emergentes da
cultura digital, seja no trabalho, na escola ou em qualquer outro contexto social.

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V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã
                            UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009




No entanto, barreiras de acesso ao pleno uso desses meios são impostas a crianças de
bairros periféricos, seja pelas dificuldades financeiras que permeiam essas camadas
sociais, pela falta de espaço público que atenda às demandas de novas tecnologias ou
mesmo pelas condições adversas do ensino nas escolas públicas. O uso do blog para
estimular à produção de conteúdo, como foi feito na Escola Municipal Álvaro Braga de
Araújo é apenas um pequeno exemplo de como a internet e as novas tecnologias podem
ser usadas para modificar o ambiente de aprendizado dos alunos quando estes têm
acesso a elas.


Na maioria dos casos, porém, mesmo quando a instituição de ensino possui um
laboratório, a informática educativa é reduzida a aulas de jogos online ou buscas na
internet e os professores estão despreparados para utilizar o computador como uma
ferramenta capaz de atrair os alunos e promover a interdisciplinaridade.


Por outro lado as políticas governamentais não se mostram interessadas em resolver as
dificuldades que a inserção do computador nas escolas acarreta para o professor, que na
maioria das vezes costuma ter uma jornada tripla e recebe baixos salários. É necessário
que eles tenham conhecimentos de informática básicos, consciência para o ensino
individual que entenda e atenda as dificuldades de cada aluno e seja realizada uma
readaptação do velho modelo de planejamento de aulas. Falta investir na formação dos
professores para que eles consigam dar a essa nova geração a dimensão do benefício
que as novas tecnologias podem trazer à vida dessas crianças como estudantes,
profissionais e principalmente como cidadãos.


REFERÊNCIAS
CANCLINI, Néstor García. Consumidores e Cidadãos: conflitos multiculturais da
globalização / tradução Maurício Santana Dias. 6. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ,
2006.


FREIRE, Paulo; CABRAL, Álvaro. Educação como prática da liberdade              . 11.ed. Rio
de Janeiro: Paz e Terra, 1980.

                                                                                          1
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                          UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009




JUCÁ, Beatriz. A Internet como Intrumento de Educomunicação para o Terceiro
Setor: uma questão ética. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2007. Disponível
em:<http://www.fa7.edu.br/recursos/imagens/File/publicidade/midiademocracia/ARTIG
O06.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2009


NEIL, Andersen; BARRY, Duncan; PUNGENTE, John J. Educação para a mídia no
Canadá - a Segunda Primavera. A Criança e a Mídia: Imagem, Educação,
Participação. Unesco - Brasil,1999. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.
br/download/texto/ue000131.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2009


SOARES, Ismar de Oliveira. Alfabetização e Educomunicação: O papel dos meios
de comunicação e informação na educação de jovens e adultos ao longo da vida       .
2004. Disponível em: <http://www.usp.br/nce/wcp/arq/textos/89.pdf>. Acesso em: 17
ago. 2009.




                                                                                       1

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A informática educativa no aprendizado digital infantil e na prática cidadã

  • 1. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 A informática educativa no aprendizado digital infantil e na prática cidadã Fernanda dos Santos ROCHA Gláucia Almeida REIS1 Universidade Federal de Juiz de Fora ISSN-2175-6554 Referência: ROCHA, Fernanda dos Santos; REIS, Gláucia Almeida. A informática educativa no aprendizado digital infantil e na prática cidadã In: Mídia Cidadã 2009 – V Conferência Brasileira de Mídia Cidadã, 2009. Guarapuava. Anais. Guarapuava, 2009. p. 70-83. RESUMO A informática na educação é uma realidade que precisa ser melhor trabalhada nas salas de aula. Os professores muitas vezes se encontram despreparados para agir como educomunicadores na prática de ensino e aprendizagem junto aos alunos. Questionar a metodologia comumente adotada e pensar no ensino de informática de uma maneira construtivista é o melhor caminho para se garantir a educação para a mídia. Da mesma forma, buscamos mostrar como a informática aliada à educação pode ser positiva para dar voz à comunidade e às crianças (futuras formadoras de opinião) na construção da cidadania. Palavras-chave: Educomunicação; redes sociotécnicas; novas tecnologias da comunicação e da informação; informática educativa; tecnocultura; Introdução “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo” (Paulo Freire, 1987) 1 Fernanda dos Santos Rocha e Gláucia Almeida Reis são graduandas em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal de Juiz de Fora. E-mails: fenanda_rocha@yahoo.com.br / galirj@gmail.com 1
  • 2. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 Este artigo tem a finalidade discutir a informática aliada à educação, bem como o papel do professor de informática na escola pública. Nesse contexto, procuramos questionar os métodos de ensino e aprendizagem entre professores e alunos: a importância do professor agir como um educomunicador e seu papel de articulador; a necessidade de se educar para a mídia considerando a vivência, o local onde está inserido e as influências que o aluno recebe dia a dia das novas tecnologias; a internet, em especial o blog, como espaço virtual onde o aluno pode se relacionar, receber e emitir informações e dar voz à comunidade em que está inserido. Além disso, procuramos mostrar que a informática educativa ensina para a criança noções de cidadania que serão base para a vida adulta, como responsabilidade e solidariedade, por exemplo. Desde março de 2009, acompanhamos pelo menos uma vez na semana as aulas de informática da Escola Municipal Álvaro Braga de Araújo, localizada no bairro Dom Bosco, em Juiz de Fora. A responsável é uma ex-professora de ensino fundamental2 que se ausentou das atividades de sala de aula para ministrar aulas de informática para alunos do 2º ao 5ºano do ensino fundamental a partir de um projeto de sua autoria que foi aprovado pela Secretaria Municipal de Educação. As aulas acontecem em contraturno, atendendo a aproximadamente 150 alunos; no entanto, nem todos os alunos da escola participam, pois a aula é extracurricular (optativa) e precisa de autorização dos pais. Este trabalho está inserido em dois projetos de extensão coordenados pelo professor Bruno Fuser, da Faculdade de Comunicação Social da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora): “O professor de informática como educomunicador – Interação Social em rede” e “ Comunicação, Memória e Ação Cultural” (apoiado pela FAPEMIG). A informática aplicada à Educação enfatiza o fato de o professor da disciplina curricular ter conhecimento sobre os potenciais educacionais do computador e ser capaz de alternar adequad.amente atividades tradicionais de ensino-aprendizagem e aquelas que utilizam o computador. No entanto, a atividade de uso do computador pode ser feita tanto para continuar transmitindo a informação para o aluno e, portanto, para reforçar o processo de ensino tradicional, quanto para criar condições para o aluno construir seu 2 Optamos por não indicar o nome da docente, para evitar exposição desnecessária. 2
  • 3. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 próprio conhecimento. A professora responsável não possui conhecimentos vastos sobre computação e realiza as atividades de informática sem planejamento detalhado ou maior empenho, conforme se verificou na pesquisa de campo, que ainda está em andamento. Seria desejável que el atuasse como educomunicadora, como veremos à frente; no entanto, seu método de ensino, apesar de fugir da prática tecnicista, ainda é pouco construcionista. Para que se implemente uma política eficiente de ensino especializado em informática educativa é importante que o professor planeje as aulas que serão aplicadas no ambiente computacional levando em consideração a interseção entre os meios e os questionamentos que podem surgir a qualquer momento. No entanto, esse planejamento muitas vezes se mostra superficial, ficando as atividades reduzidas a buscas de jogos educativos em sites desenvolvidos para crianças, como Turma da Mônica, O Menino Maluquinho, Iguinho, entre outros. E, em outros casos, as atividades contemplam digitação em processador de texto e desenho. Segundo o projeto inicial encaminhado pela professora responsável, as aulas de informática da Escola Municipal Álvaro Braga de Araújo incluiriam a utilização de ferramentas de informática que dessem respaldo aos trabalhos desenvolvidos por professores de outras disciplinas, como matemática, português e ciências. Para tanto, foram consultados os professores e eles indicaram o que caberia às aulas de informática como complemento às suas aulas teóricas. Essa atividade, entretanto, acontece raramente e sem um planejamento prévio para buscar atividades mais interativas que complementem o aprendizado em sala de aula, sem muita eficiência. Em questionário aplicado no início das aulas buscamos avaliar o grau de acesso ao computador que os alunos do ensino fundamental do bairro Dom Bosco possuem. Foram considerados 75 questionários respondidos, sendo esse universo de alunos menor do que o estimado, pois o número de crianças que participam das aulas de informática gira em torno de 150. Esse número (75), deve-se sobretudo à ausência de algumas crianças nos dias em que o questionário foi aplicado, pois não houve possibilidade de 3
  • 4. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 realizar novamente essa atividade em outros dias na mesma turma com as crianças ausentes. A faixa etária das crianças que participam das aulas varia de 6 a 12 anos de idade, sendo que a maioria dos alunos possui 8 anos (31%). A maioria tem acesso a computador somente no período das aulas de informática (41%), outros utilizam o computador também em casa (25%), em lan houses (25%) ou usa em casa e também em lan houses (9%). A grande maioria dessas crianças tem acesso à internet nos lugares onde utilizam o computador (85%), outras afirmam que não costumam utilizar internet nesses lugares (12%) e algumas usam a internet às vezes (3%). Quando foram questionadas sobre o que mais gostam de utilizar no computador, a maioria preferiu jogos diversos (60%), outros ainda apontaram internet (17%), orkut (14%), messenger (7%) e editor de texto (2%) como opções preferidas. A freqüência com que usam o computador ficou definida da seguinte forma: a maioria dos alunos (62%) utiliza o computador uma vez por semana, ou seja, apenas nas aulas de informática; 25% utilizam mais de uma vez por semana; portanto, além das aulas de informática, utilizam o computador em casa, em lan houses ou no bairro, em dias alternados; e 13% utilizam o computador todos os dias. Diante de tal fato, nota-se que as aulas de informática são uma grande fonte de ensino do uso do computador e das novas tecnologias - 41% das crianças utiliza o computador somente nas aulas de informática da escola municipal -, sendo assim um espaço fundamental para que eles possam se sentir incluídas no universo digital. O Papel do Educomunicador na Construção da Cidadania O mundo já está mergulhado na era da informação. Dos países mais ricos aos mais pobres, todos já estão cientes da importância da comunicação no futuro da humanidade. Dessa forma, estar inserido digitalmente passa a ser um direito fundamental para todos os cidadãos, seja ele de qualquer cultura, sexo ou idade. 4
  • 5. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 Resguardar o direito ao acesso aos meios de comunicação é o primeiro passo para garantir a democratização da informação e do conhecimento. Entretanto, o acesso às novas tecnologias, simplesmente, não permite a inclusão na perspectiva cidadã, pois não há garantia de enriquecimento cultural, social e intelectual do usuário. É o que tem acontecido nas aulas de informática da escola de ensino fundamental analisada: as crianças se adaptam ao uso dos equipamentos e de forma mecânica aprendem a guiar o mouse, apertar teclas e seguir funções como manda o professor. Então, explicar o que é esse meio, sua dimensão e origem é importante para que as crianças possam refletir e interagir com o computador, mais ainda quando se trata do uso da Internet. Beatriz Jucá (2007, p.5) admite a internet como um instrumento relativamente democrático, porém salienta: A democratização ocorre no âmbito da comunicação e não do acesso. Por isso, é necessário promover a inclusão digital nas escolas públicas, a fim de permitir que a internet atue no processo de construção de cidadãos mais participativos e críticos através de uma educomunicação dialógica e interativa. Sendo assim, essa visão de informática educativa não prevê o uso do computador para ensinar conteúdos de "alfabetização em informática". O objetivo deve ser ensinar sobre computação sem se basear em princípios técnicos, mas utilizar o computador de maneira prática. Dessa forma, os temas ou atividades sugeridos em sala de aula devem ser desenvolvidos no computador por intermédio do educomunicador, onde os recursos tecnológicos podem ampliar o conhecimento e melhorar o aprendizado dos alunos. É o que defende o professor e pesquisador da Escola de Comunicação da USP, Ismar de Oliveira Soares (2004, p.266): Vivemos um processo de globalização cultural intenso e rico, em que as filosofias da educação apontam para as múltiplas formas de produção e divulgação do conhecimento e para as atividades didáticas interdisciplinares. Neste contexto, o único modelo plausível para a educação moderna é o que permite uma aproximação efetiva entre as práticas de ensino, de um lado, e os processos, tecnologias e linguagens de comunicação, de outro. 5
  • 6. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 O educomunicador é este profissional responsável por articular o saber midiático com o saber escolar. Ele aparece como um novo agente, preocupado com a comunicação, com as influências que incidem sobre o receptor, e usa disso para formar conhecimento. O “professor” não deve ser responsável hoje só por transmitir conhecimento, mas também por mediar as informações que estão na sociedade, inclusive nos meios de comunicação. É a esse papel que o professor de hoje deve se prestar, mas normalmente não o faz. Na escola Municipal Álvaro Braga de Araújo, a professora de informática reluta em cumprir o papel de articuladora e atua somente como uma instrutora de informática. Nas aulas semanais os alunos recebem instrução para realizar atividades em sua maioria lúdicas, como jogos e historinhas online em sites infantis. Assim cria-se um vácuo na educação pela ausência de interação entre professor e aluno. O educador deve ser um coordenador e um agente cultural, precisa facilitar o uso das novas tecnologias para que os próprios alunos possam elaborar conteúdos a partir de suas necessidades e interesses, tornando-se produtores de conhecimento. Além disso, o educador deve estimular a formação de valores solidários e democráticos, para a transformação do ambiente em que aquela comunidade está inserida. Paulo Freire (1979) entende que faz parte do processo educativo a construção do conhecimento através da apresentação da realidade e da leitura do mundo feita de modo a dialogar com todos os envolvidos no trabalho pedagógico. Portanto, a escola que se propõe a fazer uso da tecnologia para democratizar a aprendizagem deve tornar o processo pedagógico um espaço participativo e interativo, onde não haja lugar para atitudes autoritárias e excludentes. A tarefa do professor no processo de educação por meio da internet é bem diferente da convencional. Neste caso, como dissemos anteriormente, o professor não é o detentor da informação, ele apenas conduz o processo e coordena as atividades, incentivando, estimulando os alunos e fazendo-os refletir. Além disso, não é só o professor que tem direito à palavra, os alunos junto com suas experiências devem trazer para a sala de aula seus conhecimentos. Eles devem ser 6
  • 7. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 estimulados a expor suas ideias na colaboração com seu bairro e sua família e a entender a importância da própria comunidade produzir também informações que são relevantes não só localmente, como também para toda a “aldeia global”. A relação entre comunicação e educação tem produzido uma mudança nas relações sociais e no modo como as pessoas interagem, pois assim formam-se pessoas interessadas em sua comunidade, preocupadas com a construção da cidadania. O desenvolvimento da informática e das redes de comunicação pode se prestar a isso, por isso a importância de o professor de informática se tornar um educomunicador social. O Desafio de Ensinar Usando as Novas Tecnologias e a Interdisciplinaridade como Ferramenta na Educação Digital Trabalhar com as novas tecnologias exige planejamento como em qualquer processo educativo, mas nele deve ser levada em conta a participação dos alunos, com sugestões e questionamentos que poderão surgir a qualquer momento. Os professores devem trabalhar em conjunto, sugerindo pautas de outras disciplinas, usando os computadores para buscar exercícios online e passatempos para que possam trabalhar o conhecimento de uma forma mais lúdica. As aulas de informática da escola analisada inicialmente se propunham a utilizar uma postura mais dialógica com as demais disciplinas, porém se restringiram a pesquisas em sites de busca e textos online, o que não atraiu os alunos para um aprendizado complementar à sala de aula. Essas atividades deveriam constituir-se em mais uma possibilidade que o professor poderia contar para a realização do seu trabalho e não único recurso de educação. A professora responsável chegou a recolher as sugestões de atividades demandadas pelos demais professores da escola para utilizar nas aulas de informática educativa, mas esses conteúdos apareceram raramente, de maneira superficial e pouco atrativa. Ensinar utilizando a internet exige certa dose de atenção do professor. Diante de tantas possibilidades a própria navegação pode se tornar mais sedutora do que a necessária interpretação. Os alunos tendem a dispersar-se diante de tantas conexões possíveis, de 7
  • 8. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 endereços dentro de outros endereços, de imagens e textos que se sucedem ininterruptamente. Eles ficam deslumbrados e se sentem muito mais atraídos por navegar e descobrir coisas novas do que analisá-las e compará-las. E isso não quer dizer que eles estejam de fato aprendendo. Muitos alunos ainda, por estarem em processo de alfabetização, têm preguiça de ler as instruções expostas na tela do computador e querem navegar sem nenhuma acompanhamento. A avidez pelo “consumo digital”3 vai se configurando nas salas de aula, os alunos querem utilizar o computador e suas inúmeras possibilidades. A vontade de consumir as novas tecnologias faz com que queiram deixar de lado a parte do aprendizado, isso se manifesta na preguiça de ler, buscar instruções ou perguntar ao professor. É nesse quadro cultural que se encaixa o pensamento de Nestor Garcia Canclini (2006, p.30): “Vamos afastando-nos da época em que as identidades se definiam por essências históricas: atualmente configuram-se no consumo, dependem daquilo que se possui, ou daquilo que se pode chegar a consumir.” As informações são tantas que o aluno costuma consumir os recursos que o computador oferece sem qualquer reflexão crítica. Na perspectiva da educomunicação, é importante que aprendam não somente como ter acesso às informações, mas também a selecionar os conteúdos relevantes. Devemos considerar ainda o papel fundamental do professor-educomunicador na explicação das atividades a serem feitas no computador e qual o objetivo a que se pretende chegar. Dessa forma os alunos podem encontrar outros meios para chegarem àquele objetivo. O risco de uma abordagem não-reflexiva das novas tecnologias em salas de aula é que educadores tendem a recorrer aos velhos modelos de pensamentos de educação tradicional e tecnicista, tornando-se indiferentes às novas possibilidades. Importância da educação para a mídia No futuro, as crianças vão usar muito mais os meios de comunicação do que usamos 3 Termo cunhado a partir das ideias de Muniz Sodré a respeito do ethos do consumo, elemento essencial constituinte da tecnocultura. 8
  • 9. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 hoje. Nas suas experiências cotidianas futuras o relacionamento com a mídia será muito mais dependente e intenso, portanto é importante formar cidadãos alfabetizados e críticos digitalmente, preparados não só para receber como também para produzir conteúdos midiáticos. “A mídia pode ser vista como um recurso simbólico que muitos adultos usarão - mas especialmente os jovens - ao dar sentido a suas experiências, ao se relacionar com os outros e ao organizar as práticas da vida diária.”, é o que afirmam Neil, Duncan e Pungente (2002, p.165). Os mesmos autores ainda ressaltam que as crianças pensam de forma concreta e, para elas, a educação para a mídia deve ser diferenciada: elas precisam entender que a mídia não é real, que os personagens de desenhos animados são fantasia, que a mágica resulta de efeitos especiais, e que quase sempre há uma diferença entre as mensagens comerciais e os programas destinados à elas. (2002, p.169) O saber midiático deve ser complementar ao saber escolar. Ou seja, deve-se trazer os assuntos vistos na tv, no rádio, na internet e vivenciados no dia-a-dia para a escola, como também incentivar os alunos a assistir ou acessar conteúdos educativos nos meios de comunicação. A partir disso, as crianças conseguem compreender que os conteúdos publicados nos meios de comunicação estão lá porque foram produzidos por alguém. E, diante de um veículo aberto como a internet, elas também podem ser produtoras de informação em blogs, websites, em suas páginas de relacionamento pessoal ou até mesmo sugerir pautas para a grande mídia. Incitar a produção de informação para os meios de comunicação é também criar na criança uma sensibilidade para responder ao que é veiculado por eles. Essa consciência pode despertar nas crianças o senso de responsabilidade, fundamental na construção de sua identidade. As informações veiculadas na grande mídia nem sempre contemplam as demandas das 9
  • 10. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 pessoas comuns. Ensinar desde a infância a importância de mostrar essas realidades individuais pode formar líderes de opinião capazes de pautar assuntos de interesse da sua comunidade e dos que se identificam com ela. Esses eventuais líderes serão no futuro cidadãos capazes de mobilizar a consciência da população para produzir suas próprias informações. Blog como ferramenta de estímulo à produção de conteúdo e de interação entre escola e comunidade Uma das formas mais simples e práticas para compartilhar conteúdo são os blogs. Através deles é possível publicar textos, vídeos e fotos sem restrições e, dessa maneira, ganhar visibilidade na rede e trocar informações a nível local, nacional e global. O blog é também uma importante ferramenta para o ensino e aprendizagem entre alunos e professores, auxiliando a prática pedagógica. Através dele os alunos veem que o resultado de seu trabalho não fica guardado ou perdido em pastas, é possível interagir com o conteúdo exposto na tela. É uma ótima forma de aproximar professores e alunos, fazendo com que a orientação se dê também fora do horário de aula e de maneira construtivista, pois ali não é simplesmente depositado o conteúdo no aluno, ele interage e troca informações com o professor e sua comunidade. Diante dessa possibilidade criamos o blog da Escola Municipal Álvaro Braga de Araújo, disponível através do endereço www.emabadigital.blogspot.com. O objetivo do blog é socializar as atividades realizadas na escola e permitir que outras pessoas, principalmente a família e a comunidade, possam acompanham as atividades das crianças e dialogar com a escola. E já que para manter o blog não é necessário um técnico especializado, professora e alunos são responsáveis por atualizar as postagens, assim passam por um processo de aprendizado para dominar downloads e outros recursos para navegar com facilidade. Os alunos da EMABA utilizam o blog para postar fotos e divulgar novidades relativas à escola, trocar conhecimentos, se comunicar com outros amigos, deixar sugestões e 1
  • 11. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 partilhar dúvidas. O blog pretende estimular a visão crítica e permitir a melhora na expressão escrita e verbal, vencendo inclusive a timidez dos alunos que pouco interagem pessoalmente. Na escola tradicional, com lousa, giz, mesa e carteira, o professor costuma ser o único detentor do conhecimento; já com o blog, esse modelo muda, pois os alunos se tornam colaboradores, ou seja, aprendem com o professor, sem o professor e apesar do professor. Embora seja uma ferramenta eficaz, os blogs ainda estão distantes da maioria dos alunos, seja porque eles não possuem acesso ao computador em outros locais além da escola ou por não terem a cultura de navegar nesse tipo de site. Costumam utilizar o computador e a internet para contato com amigos ou jogos, principalmente. Torna-se necessário portanto estimular esse uso, o que se pretende fazer nas próximas etapas da atividade desenvolvida na escola, não apenas com a professora de informática, mas em contatos com outros docentes, a direção e as famílias dos alunos. No começo das atividades foi feita uma pesquisa na escola com os alunos das aulas de informática, dos 75 alunos que responderam ao questionário foi verificado que 41% utilizam o computador apenas nas aulas de informática, e apenas 25% dos alunos têm acesso ao computador em casa ou em lan houses, também 25%. A maioria dos alunos que usa o computador fora da sala de aula tem acesso à internet, porém a utilizam para jogos (60%), contato com amigos (23%) e pesquisas (17%). Assim, é importante cultivar nessas crianças o interesse por navegar em blogs, como tem feito a professora responsável, que estimula os alunos a acessarem o blog fora da escola, entregando o endereço impresso para levarem para casa e mostrarem aos pais, perguntando se viram as atualizações do blog em outros locais e mesmo deixando um espaço nas aulas de informática para que os alunos comentem ou sugiram novas postagens. Dessa forma, é esperada sempre uma postura ativa desses alunos, para que postem novas informações quando julgarem necessário e estimulem o intercâmbio de conhecimentos entre os colegas de escola, a família e a comunidade. Apesar de recente, essa prática vem sendo adotada em muitas escolas em todo o país, 11
  • 12. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 pois, além de estimular a produção de conteúdos diversos, o blog permite que o professor se mantenha atualizado e esteja mais próximo dos alunos à medida que acompanha o ritmo deles. Além disso, o intercâmbio de experiências partilhadss com outros professores pode otimizar a qualidade do processo pedagógico na informática educativa. Foto:Fernanda Rocha Alunos no laboratório de informática da Escola Municipal Álvaro Braga de Araújo . Conclusão O computador implantado nas atividades educacionais é imprescindível para uma geração que nasceu e cresceu numa sociedade permeada por tecnologias digitais, como games, celulares, tocadores digitais de música, câmeras de vídeo, internet, entre outras. Devido à inserção dessas tecnologias no cotidiano da vida moderna, os jovens de hoje aprendem, comunicam-se e sociabilizam-se de forma diferente de seus antecessores. Compreender essas mudanças é o primeiro passo para desfazer preconceitos e criar experiências mais apropriadas ao novo perfil cognitivo desses cidadãos emergentes da cultura digital, seja no trabalho, na escola ou em qualquer outro contexto social. 1
  • 13. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 No entanto, barreiras de acesso ao pleno uso desses meios são impostas a crianças de bairros periféricos, seja pelas dificuldades financeiras que permeiam essas camadas sociais, pela falta de espaço público que atenda às demandas de novas tecnologias ou mesmo pelas condições adversas do ensino nas escolas públicas. O uso do blog para estimular à produção de conteúdo, como foi feito na Escola Municipal Álvaro Braga de Araújo é apenas um pequeno exemplo de como a internet e as novas tecnologias podem ser usadas para modificar o ambiente de aprendizado dos alunos quando estes têm acesso a elas. Na maioria dos casos, porém, mesmo quando a instituição de ensino possui um laboratório, a informática educativa é reduzida a aulas de jogos online ou buscas na internet e os professores estão despreparados para utilizar o computador como uma ferramenta capaz de atrair os alunos e promover a interdisciplinaridade. Por outro lado as políticas governamentais não se mostram interessadas em resolver as dificuldades que a inserção do computador nas escolas acarreta para o professor, que na maioria das vezes costuma ter uma jornada tripla e recebe baixos salários. É necessário que eles tenham conhecimentos de informática básicos, consciência para o ensino individual que entenda e atenda as dificuldades de cada aluno e seja realizada uma readaptação do velho modelo de planejamento de aulas. Falta investir na formação dos professores para que eles consigam dar a essa nova geração a dimensão do benefício que as novas tecnologias podem trazer à vida dessas crianças como estudantes, profissionais e principalmente como cidadãos. REFERÊNCIAS CANCLINI, Néstor García. Consumidores e Cidadãos: conflitos multiculturais da globalização / tradução Maurício Santana Dias. 6. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2006. FREIRE, Paulo; CABRAL, Álvaro. Educação como prática da liberdade . 11.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980. 1
  • 14. V Con ferência Brasileira de Mídia Cidadã UNICENTRO, Guarapuava /PR – 8 a 10 de ou tubro de 2009 JUCÁ, Beatriz. A Internet como Intrumento de Educomunicação para o Terceiro Setor: uma questão ética. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2007. Disponível em:<http://www.fa7.edu.br/recursos/imagens/File/publicidade/midiademocracia/ARTIG O06.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2009 NEIL, Andersen; BARRY, Duncan; PUNGENTE, John J. Educação para a mídia no Canadá - a Segunda Primavera. A Criança e a Mídia: Imagem, Educação, Participação. Unesco - Brasil,1999. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov. br/download/texto/ue000131.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2009 SOARES, Ismar de Oliveira. Alfabetização e Educomunicação: O papel dos meios de comunicação e informação na educação de jovens e adultos ao longo da vida . 2004. Disponível em: <http://www.usp.br/nce/wcp/arq/textos/89.pdf>. Acesso em: 17 ago. 2009. 1