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A evolução do Ramalhete
“Os Maias” – Eça de Queirós
O Ramalhete é a “casa”, o palacete. “que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de
1875”, e é um espaço físico com grande importância e simbologia ao longo da obra, visto que
evolui como acompanhamento do percurso da família.
A descrição do Ramalhete assenta nalguns elementos principais, entre os quais o cipreste e o
cedro,a estátuade VénusCitereiae a“cascatazinha”,cujascaracterísticasse vão alterando,em
sintonia com a evolução da família.
Na primeira fase, antes de os Maias o habitarem, o Ramalhete é caracterizado como um
“sombriocasarão de paredesseveras”,istoé,como uma casa austera e abandonada,a cobrir-
se de “tons de ruína”, que, à semelhança das “teias de aranha”, reiteram o seu aspeto
abandonado e degradado.
Neste momento,temum“aspetotristonho”,oque se deve aolutoqueorodeiae aosofrimento
de Afonso pela morte do seu filho Pedro, que se suicidara por não resistir à depressão e ao
abandono por parte da sua mulher Maria Monforte, que o traiu e fugiu com a filha de ambos,
Maria Eduarda.
TudonoRamalhete estavacomoqueadormecido,semvida.Nointerior,as“rosasdasgrinaldas”
estavam “desmaiadas”, sem cor, pálidas.
No quintal,caracterizadonestafase como“pobre”,“inculto,abandonadoàservasbravas”,isto
é, abandonado,descuidado,nãotratado,a cascatazinhaestava“seca”, tambémsem vida,pois
o tempo de ação dos Maias ainda não tinha começado.
No exterior existia, ainda, um cipreste e um cedro, que são arvores que devido à sua grande
longevidade, simbolizam a vida e a morte, também porque o cipreste é a árvore que,
normalmente,se encontra nos cemitérios. Foram testemunhas das várias geraçõesda família,
tendoassistidoatodasastragédias,e simbolizam, ainda,aamizade inseparável deCarlose João
da Ega.
“A um canto”, “enegrecendo”, está a estátua de Vénus Citereia, símbolo de amor e sedução,
que representaas mulheresfataisdaobra. Nestafase,a sua degradaçãoestá associadaà fuga
de Maria Monforte, que desolou Pedro e o levou ao suicídio.
Vilaça, o procurador da família, tinha também um ponto de vista muito pessoal e simbólico
acerca doRamalhete,caracterizando-o,nestafase,comoum“inútilpardieiro”,remetendopara
a ruínadoedifício, e alude,também,auma“lenda,segundoaqual eramsempre fataisaos Maias
as paredesdoRamalhete”,oque constitui umindíciotrágico, de fatalidade paraa família,uma
vez que foi em Benfica que Pedro se suicidou e é, efetivamente,no Ramalhete que Afonsovai
morrer, após descobrir o incesto dos netos.
Apósestesanosemque permaneceudesabitado,oRamalhete sofreuobrasde restauro,tendo
sido decorado por um inglês, sugerido e supervisionado por Carlos, com o objetivo de dar ao
edifício um “interior confortável, de luxo inteligente e sóbrio”, contrastante com todas as
características a ele associadas na primeira fase.
É neste momentoque oRamalheteé habitado,oque marcaoseurenascimento,dando-se início
à sua segunda fase, símbolo de esperança e vida, em que se verifica o apogeu do Ramalhete,
vistoque este é remodelado,e tambémdafamília,vistoqueé nestaalturaqueCarlosse licencia
em Medicina.
O seu pátio, “outrora tão lôbrego e nu”, ou seja, triste e escuro (1ª fase) tornou-se
“resplandecente”,cheio de requinte e cor, como é visível através dos “mármores brancos e
vermelhos”.Nestafase,está,também, fortemente ornamentado,com“mármores”,“plantas”,
“vasos”, quadros vindos de várias partes do mundo, veludos, tapeçarias, que demonstram o
culto das aparências, o luxo e a riqueza da família Maia, e também alguma exuberância e
exagero, que em tudo contrastam com a ausência de vida que se verificava no Ramalhete na
fase anterior.
O próprioquintal,inicialmenteabandonado,ganhouvida, adquirindo um“arsimpático”,muito
mais acolhedor que na primeira fase.
É neste momento que surgem os “girassóis”, que dão nome ao Ramalhete, visto que neste
existia um quadro de azulejos com um grande ramo, isto é, um ramalhete de girassóis
representado.Estesaparecem,agora,comavindadafamília,comose esteacontecimentofosse
o sol, a alegria, que os faz desabrochar.
A estátua de Vénus Citereia também evolui, tendo adquirido um “tom claro de estátua de
parque”, parecendo “ter chegado de Versalhes”, o que vai ao encontro da resplandecência do
Ramalhete nesta fase.
A cascatazinha, anteriormente “seca”, é, agora, “deliciosa”, dando um toque agradável,
ternurento e alegre ao jardim. No entanto, este elemento apresenta um segundo significado,
pois, em simultâneo,a abundância de água está associada à melancolia,ao “pranto”, como se
fizesse antever a tristeza e a tragédia que ocorrerá no final da obra, com a morte de Afonso,
constituindo, também, um indício trágico.
O cipreste e o cedro também conferem um certo caráter negativo ao quintal, visto que são
associadosa“doisamigostristes”,que“envelhecemjuntos”,testemunhandoopassardotempo
e o que se vai passando na família Maia.
Apesar de estes elementos contrastarem com os restantes, no geral, a segunda fase do
Ramalhete é marcada pelo facto de este adquirir um aspeto novo, requintado e limpo,
representando o seu ponto mais alto e o da família, voltando a existir esperança em ambos.
Outro marco importante na evolução do Ramalhete é a morte de Afonso, “esmagado” pela
tragédia e pelo desgosto de ter descoberto o incesto dos netos, Carlos e Maria Eduarda.
É neste momento que se inicia a terceira fase do Ramalhete, que assume um caráter lúgubre,
de destruição, tristeza, morte, simbolizando o fim do sonho e da esperança, o que se verifica
através da morte do “resto de sol”, do desvanecimento da luz.
Afonso morreu no quintal do Ramalhete, junto à cascatazinha, cujo “fio de água punha o seu
choro lento”, transmitindo a ideia de que ela própria chora a sua morte.
O cedro testemunhou, novamente, esta desgraça, pois Afonso morreu “sob os seus ramos”.
A tristezaassociadaao Ramalhete nestafase não se deve,exclusivamente,àmorte de Afonso,
mas à morte/ruínada famíliaMaia,que estasimboliza.Peloconhecimentogeral daobra,sabe-
se que Carlos, devido,particularmente,ao contacto com o meio que o rodeava, se tornou um
homemocioso,diletante e fútil,incapazde concretizaros seusprojetos,o que justificao facto
de a morte de Afonso, o “pilar” da família Maia, simbolizar a destruição da sua família.
No último capítulo, após Carlos e Ega regressarem da sua viagem de dez anos pelo mundo, o
Ramalhete tem, de novo, um aspeto abandonado e tristonho, visível através da sua “fachada
severa”, ainda como marca de fatalidade, da tragédia que lá ocorrera, a morte de Afonso.
No interior,tudopassarade um “luxointeligente e sóbrio”àdesorganizaçãoe descuido,como
se tudoestivesseamorrer,comose verificaatravésdas“tapeçariasorientais,quependemcomo
numa tenda”.
A escuridão,escassezde luz,transmite aideiade fatalidade e melancolia,assimcomoocaráter
triste da “antecâmara”, que “entristecia, toda despida”, o que vai ao encontro da ausência de
decoração e do desaparecimentodobrilhoe resplandecênciaque caracterizavamoRamalhete
na segunda fase.
Tambémo vocabulárioutilizadonacaracterizaçãodo Ramalhete,naterceirafase,remete para
o seu caráter lúgubre e melancólico, o que se entende, por exemplo, através dos termos
“caveira”, “múmia”, “amortalhados” e “caixões”.
O jardimtambémevoluíra.Agora,temumaspeto“bemareado,limpoe frio”,melancólico,sem
vida, abandonado e “esquecido”.
O cipreste e o cedro, à semelhança das outras fases, “envelhecem juntos”, marcando,
novamente, a passagem do tempo e o testemunho das várias gerações da família.
A estátua de Vénus Citereia adquire,neste momento,“grossos membros” e está coberta de
“ferrugem”.A suadegradação,nestafase,nãovai aoencontroda fugade Maria Monforte,mas
da fugade outramulherfatal da obra,MariaEduarda,apósadescobertadoincesto.Os“grossos
membros”, que conferem um aspeto monstruoso à estátua, remetem para a monstruosidade
do incesto.
Na cascatazinha,corria agora um “prantozinho”,mais“lento”,como se a própria passagemdo
tempose tornasse ainda maismelancólicae triste.O choro simboliza,maisumavez,a tristeza
pela morte de Afonso e a saudade dos tempos gloriosos dos Maias, em que existia sonho,
esperança e vida.
A paisagem adquire um “tom mais pensativo e triste”, assim como o Ramalhete, o que vai,
novamente, ao encontro da tristeza e melancolia do edifício e da família.
Em suma, ao longodaobra,o Ramalhete evoluiude acordocoma progressãodaspersonagens.
Na primeira fase, em que se encontra desabitado, tem um aspeto abandonado, degradado e
arruinado.
Na segunda fase, em que é habitado por Afonso e Carlos da Maia, o Ramalhete renasce,
passandoasimbolizaresperança,alegria,vida,resplandecênciae requinte,verificando-se,nesta
altura, o seu apogeu e o da família.
Por fim, na terceira fase, a tragédia abate-se sobre a família, com a descoberta do incesto de
Carlos e Maria Eduarda e a morte de Afonso,avô de ambos, o que se reflete nacaracterização
do edifício,emque tudopassaaterum caráter lúgubre,melancólico e triste,remetendoparaa
morte, ruína, degradação e destruição da família Maia.

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A Evolução do Ramalhete - Os Maias

  • 1. A evolução do Ramalhete “Os Maias” – Eça de Queirós O Ramalhete é a “casa”, o palacete. “que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875”, e é um espaço físico com grande importância e simbologia ao longo da obra, visto que evolui como acompanhamento do percurso da família. A descrição do Ramalhete assenta nalguns elementos principais, entre os quais o cipreste e o cedro,a estátuade VénusCitereiae a“cascatazinha”,cujascaracterísticasse vão alterando,em sintonia com a evolução da família. Na primeira fase, antes de os Maias o habitarem, o Ramalhete é caracterizado como um “sombriocasarão de paredesseveras”,istoé,como uma casa austera e abandonada,a cobrir- se de “tons de ruína”, que, à semelhança das “teias de aranha”, reiteram o seu aspeto abandonado e degradado. Neste momento,temum“aspetotristonho”,oque se deve aolutoqueorodeiae aosofrimento de Afonso pela morte do seu filho Pedro, que se suicidara por não resistir à depressão e ao abandono por parte da sua mulher Maria Monforte, que o traiu e fugiu com a filha de ambos, Maria Eduarda. TudonoRamalhete estavacomoqueadormecido,semvida.Nointerior,as“rosasdasgrinaldas” estavam “desmaiadas”, sem cor, pálidas. No quintal,caracterizadonestafase como“pobre”,“inculto,abandonadoàservasbravas”,isto é, abandonado,descuidado,nãotratado,a cascatazinhaestava“seca”, tambémsem vida,pois o tempo de ação dos Maias ainda não tinha começado. No exterior existia, ainda, um cipreste e um cedro, que são arvores que devido à sua grande longevidade, simbolizam a vida e a morte, também porque o cipreste é a árvore que, normalmente,se encontra nos cemitérios. Foram testemunhas das várias geraçõesda família, tendoassistidoatodasastragédias,e simbolizam, ainda,aamizade inseparável deCarlose João da Ega. “A um canto”, “enegrecendo”, está a estátua de Vénus Citereia, símbolo de amor e sedução, que representaas mulheresfataisdaobra. Nestafase,a sua degradaçãoestá associadaà fuga de Maria Monforte, que desolou Pedro e o levou ao suicídio. Vilaça, o procurador da família, tinha também um ponto de vista muito pessoal e simbólico acerca doRamalhete,caracterizando-o,nestafase,comoum“inútilpardieiro”,remetendopara a ruínadoedifício, e alude,também,auma“lenda,segundoaqual eramsempre fataisaos Maias as paredesdoRamalhete”,oque constitui umindíciotrágico, de fatalidade paraa família,uma vez que foi em Benfica que Pedro se suicidou e é, efetivamente,no Ramalhete que Afonsovai morrer, após descobrir o incesto dos netos. Apósestesanosemque permaneceudesabitado,oRamalhete sofreuobrasde restauro,tendo sido decorado por um inglês, sugerido e supervisionado por Carlos, com o objetivo de dar ao edifício um “interior confortável, de luxo inteligente e sóbrio”, contrastante com todas as características a ele associadas na primeira fase.
  • 2. É neste momentoque oRamalheteé habitado,oque marcaoseurenascimento,dando-se início à sua segunda fase, símbolo de esperança e vida, em que se verifica o apogeu do Ramalhete, vistoque este é remodelado,e tambémdafamília,vistoqueé nestaalturaqueCarlosse licencia em Medicina. O seu pátio, “outrora tão lôbrego e nu”, ou seja, triste e escuro (1ª fase) tornou-se “resplandecente”,cheio de requinte e cor, como é visível através dos “mármores brancos e vermelhos”.Nestafase,está,também, fortemente ornamentado,com“mármores”,“plantas”, “vasos”, quadros vindos de várias partes do mundo, veludos, tapeçarias, que demonstram o culto das aparências, o luxo e a riqueza da família Maia, e também alguma exuberância e exagero, que em tudo contrastam com a ausência de vida que se verificava no Ramalhete na fase anterior. O próprioquintal,inicialmenteabandonado,ganhouvida, adquirindo um“arsimpático”,muito mais acolhedor que na primeira fase. É neste momento que surgem os “girassóis”, que dão nome ao Ramalhete, visto que neste existia um quadro de azulejos com um grande ramo, isto é, um ramalhete de girassóis representado.Estesaparecem,agora,comavindadafamília,comose esteacontecimentofosse o sol, a alegria, que os faz desabrochar. A estátua de Vénus Citereia também evolui, tendo adquirido um “tom claro de estátua de parque”, parecendo “ter chegado de Versalhes”, o que vai ao encontro da resplandecência do Ramalhete nesta fase. A cascatazinha, anteriormente “seca”, é, agora, “deliciosa”, dando um toque agradável, ternurento e alegre ao jardim. No entanto, este elemento apresenta um segundo significado, pois, em simultâneo,a abundância de água está associada à melancolia,ao “pranto”, como se fizesse antever a tristeza e a tragédia que ocorrerá no final da obra, com a morte de Afonso, constituindo, também, um indício trágico. O cipreste e o cedro também conferem um certo caráter negativo ao quintal, visto que são associadosa“doisamigostristes”,que“envelhecemjuntos”,testemunhandoopassardotempo e o que se vai passando na família Maia. Apesar de estes elementos contrastarem com os restantes, no geral, a segunda fase do Ramalhete é marcada pelo facto de este adquirir um aspeto novo, requintado e limpo, representando o seu ponto mais alto e o da família, voltando a existir esperança em ambos. Outro marco importante na evolução do Ramalhete é a morte de Afonso, “esmagado” pela tragédia e pelo desgosto de ter descoberto o incesto dos netos, Carlos e Maria Eduarda. É neste momento que se inicia a terceira fase do Ramalhete, que assume um caráter lúgubre, de destruição, tristeza, morte, simbolizando o fim do sonho e da esperança, o que se verifica através da morte do “resto de sol”, do desvanecimento da luz. Afonso morreu no quintal do Ramalhete, junto à cascatazinha, cujo “fio de água punha o seu choro lento”, transmitindo a ideia de que ela própria chora a sua morte. O cedro testemunhou, novamente, esta desgraça, pois Afonso morreu “sob os seus ramos”. A tristezaassociadaao Ramalhete nestafase não se deve,exclusivamente,àmorte de Afonso, mas à morte/ruínada famíliaMaia,que estasimboliza.Peloconhecimentogeral daobra,sabe-
  • 3. se que Carlos, devido,particularmente,ao contacto com o meio que o rodeava, se tornou um homemocioso,diletante e fútil,incapazde concretizaros seusprojetos,o que justificao facto de a morte de Afonso, o “pilar” da família Maia, simbolizar a destruição da sua família. No último capítulo, após Carlos e Ega regressarem da sua viagem de dez anos pelo mundo, o Ramalhete tem, de novo, um aspeto abandonado e tristonho, visível através da sua “fachada severa”, ainda como marca de fatalidade, da tragédia que lá ocorrera, a morte de Afonso. No interior,tudopassarade um “luxointeligente e sóbrio”àdesorganizaçãoe descuido,como se tudoestivesseamorrer,comose verificaatravésdas“tapeçariasorientais,quependemcomo numa tenda”. A escuridão,escassezde luz,transmite aideiade fatalidade e melancolia,assimcomoocaráter triste da “antecâmara”, que “entristecia, toda despida”, o que vai ao encontro da ausência de decoração e do desaparecimentodobrilhoe resplandecênciaque caracterizavamoRamalhete na segunda fase. Tambémo vocabulárioutilizadonacaracterizaçãodo Ramalhete,naterceirafase,remete para o seu caráter lúgubre e melancólico, o que se entende, por exemplo, através dos termos “caveira”, “múmia”, “amortalhados” e “caixões”. O jardimtambémevoluíra.Agora,temumaspeto“bemareado,limpoe frio”,melancólico,sem vida, abandonado e “esquecido”. O cipreste e o cedro, à semelhança das outras fases, “envelhecem juntos”, marcando, novamente, a passagem do tempo e o testemunho das várias gerações da família. A estátua de Vénus Citereia adquire,neste momento,“grossos membros” e está coberta de “ferrugem”.A suadegradação,nestafase,nãovai aoencontroda fugade Maria Monforte,mas da fugade outramulherfatal da obra,MariaEduarda,apósadescobertadoincesto.Os“grossos membros”, que conferem um aspeto monstruoso à estátua, remetem para a monstruosidade do incesto. Na cascatazinha,corria agora um “prantozinho”,mais“lento”,como se a própria passagemdo tempose tornasse ainda maismelancólicae triste.O choro simboliza,maisumavez,a tristeza pela morte de Afonso e a saudade dos tempos gloriosos dos Maias, em que existia sonho, esperança e vida. A paisagem adquire um “tom mais pensativo e triste”, assim como o Ramalhete, o que vai, novamente, ao encontro da tristeza e melancolia do edifício e da família. Em suma, ao longodaobra,o Ramalhete evoluiude acordocoma progressãodaspersonagens. Na primeira fase, em que se encontra desabitado, tem um aspeto abandonado, degradado e arruinado. Na segunda fase, em que é habitado por Afonso e Carlos da Maia, o Ramalhete renasce, passandoasimbolizaresperança,alegria,vida,resplandecênciae requinte,verificando-se,nesta altura, o seu apogeu e o da família. Por fim, na terceira fase, a tragédia abate-se sobre a família, com a descoberta do incesto de Carlos e Maria Eduarda e a morte de Afonso,avô de ambos, o que se reflete nacaracterização do edifício,emque tudopassaaterum caráter lúgubre,melancólico e triste,remetendoparaa morte, ruína, degradação e destruição da família Maia.