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A criança
                                 que viverá
                             100 anos
                             Informativo Johnson’s® baby para profissionais de saúde




                                                            1


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Lactentes
                                                                           amamentados
                                                                           poderão viver
                                                                               100 anos
                                                                                                                                                 Marcus Renato de Carvalho
                                                                                                                                                            CRM-RJ 52 39677-0
                                                                                    Pediatra, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
                                                                                           especialista em Amamentação pelo IBLCE – International Board of Lactation Consultant
                                                                                                                                    Examiners, editor do www.aleitamento.com




            No início dos anos 1980, as                                 Não é mais novidade que a amamentação exclusiva tem enorme efeito
                                                                        protetor contra doenças infecciosas prevenindo a morbimortalidade
          campanhas de promoção do                                      infantil. Estudos científicos mais recentes apontam também para o im-
           aleitamento materno eram                                     pacto na redução das alergias e das doenças crônicas não transmissí-
                                                                        veis (DCNT), até mesmo na vida adulta.
            dirigidas às populações de                                      Vivemos uma mudança na ênfase da monitorização do crescimento
        baixa renda para interromper                                    infantil, que até poucos anos atrás se baseava principalmente no ganho
                                                                        de peso. Hoje, além da preocupação em alcançar requerimentos nutri-
       o ciclo de infecções frequentes,                                 cionais e prevenir deficiências específicas, pensamos nos efeitos biológi-
           desnutrição e mortalidade.                                   cos potenciais da nutrição na saúde desse futuro adulto1.
                                                                            No início dos anos 1980, as campanhas de promoção do aleitamento
                Atualmente afirmamos                                    materno eram dirigidas às populações de baixa renda para interromper
               que a amamentação é a                                    o ciclo de infecções frequentes, desnutrição e mortalidade. Atualmente
                                                                        afirmamos que a amamentação é a melhor opção para garantir maior lon-
           melhor opção para garantir                                   gevidade humana com qualidade de vida em todas as classes sociais.
           maior longevidade humana                                         Profissionais de saúde devem sempre se manter atualizados* para pro-
                                                                        mover (incentivar), proteger (defender) e apoiar (dar suporte) a amamen-
            com qualidade de vida em                                    tação não apenas no atendimento clínico à nova família, mas também em
                todas as classes sociais                                maternidades, na rede básica, na formação universitária e na sociedade.


         *
           Em razão da natureza desta publicação, apresentaremos apenas uma ou duas referências, entre centenas, sobre cada tópico abordado. O intuito das citações bibliográficas
         é demonstrar que há evidências científicas em nossa argumentação. Para informações mais detalhadas, recomendamos o livro: Carvalho MR, Tamez RN. Amamentação: Bases
         Científicas. 2. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2001.




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Tabela 1. Amamentação diminui risco de desordens alérgicas - estudo de coorte prospectivo desde o nascimento


             Tipo de alimenTação                                                                               asma                                dermaTiTe aTópica                             riniTe alérgica


             Crianças com amamentação
                                                                                                               7,7%                                24%                                           6,5%
             exclusiva por quatro meses ou mais


             Crianças amamentadas por um
                                                                                                               12%                                 27%                                           9%
             período mais curto


         Adaptada de Kull I, Wickman M, Lilja G, Nordvall SL, Pershagen G. Breast feeding and allergic diseases in infants - a prospective birth cohort study. Arch Dis Child. 2002;87:478-81.




         O aleitamento materno:                                                                                                                 Em lactentes não amamentados nos primeiros três
                                                                                                                                                meses de vida, a chance de hospitalização foi 61 ve-
         vantagens para toda a vida                                                                                                             zes maior do que para aqueles que foram amamenta-
         Por que amamentação exclusiva?                                                                                                         dos exclusivamente. Esse risco foi 2,9 vezes maior em
                                                                                                                                                lactentes amamentados em regime não exclusivo5.
         Até há pouco tempo não tínhamos consciência do im-
         pacto que a amamentação exclusiva (sem qualquer
         complemento) possui na proteção contra infecções.                                                                                      benefícios do leite materno
                Investigações científicas internacionais compro-                                              2,3
                                                                                                                                                O leite materno é um alimento perfeito para os lac-
         varam que a prevalência de diarreia dobrava quando                                                                                     tentes, espécie-específico, evitando várias afecções
         até “inocentes” água ou chás eram oferecidos a lacten-                                                                                 atópicas (Tabela 1).
         tes, quando comparados com aqueles que só recebiam                                                                                           A amamentação exclusiva (sem complementos,
         leite materno.                                                                                                                         vitaminas ou ferro) permite crescimento e desenvol-
                Nosso colega brasileiro, Cesar Victora, de um grupo                                                                             vimento ótimo até os 6 meses de vida e sua continui-
         de Pelotas, mostrou que o risco de morte causada por                                                                                   dade com alimentação complementar até 2 anos de
         diarreia no primeiro ano de vida foi 14 vezes maior em                                                                                 idade ou mais.
         crianças não amamentadas e 3,6 vezes maior em crian-                                                                                         Já temos claro que o leite humano é um alimento
         ças com aleitamento misto, quando comparadas com                                                                                       funcional porque promove a saúde, é um pré-biótico
         aquelas que não recebiam outro tipo de leite .                                                          4
                                                                                                                                                por possibilitar fatores de crescimento de flora benig-
                Outro estudo, também realizado por esse grupo,                                                                                  na e um probiótico por conter bífido bacilos e lacto-
         mostrou surpreendente repercussão do aleitamento                                                                                       bacilos, além de leucócitos produtores de anticorpos
         exclusivo nas taxas de internação por pneumonia.                                                                                       e interferon, e outros que realizam fagocitose.

                                                                                                                                            3


11165- Bebe100 anos.indd 3                                                                                                                                                                                         22.07.10 15:43:42
A amamentação também
         reduz a probabilidade de
         obesidade no adulto: um                                                                                 Aréola

         estudo com pessoas de idade                                                                  Ampolas lactíferas

         avançada, na Finlândia,
         mostrou que os que foram
         amamentados durante 5 a 7
         meses apresentavam o índice
         de massa corporal (IMC) mais
         baixo aos 60 anos de idade8




         Vantagens da amamentação                                       Doenças da modernidade são evitáveis ao
         O lactente também se beneficia do ato de sugar o               longo da vida pela amamentação
         seio, corrigindo o retrognatismo fisiológico com               Estudos científicos indicam que a amamentação ex-
         o desenvolvimento de todo o sistema estomagnático              clusiva protege contra o aparecimento do diabetes
         e possibilitando o correto padrão de respiração nasal
                                                                        melito tipo I: a exposição precoce ao leite de vaca (an-
         (Figura 1).
                                                                        tes dos 4 meses de vida) é importante determinante
              Por estar na fase psicossexual oral o lactente sen-
                                                                        dessa enfermidade e pode aumentar o risco de apare-
         te muito prazer na sucção, até mesmo realizando a
                                                                        cimento em 50% dos casos7.
         sucção não nutritiva nas mamas maternas, o que tem
                                                                           A amamentação também reduz a probabilidade de
         efeito tranquilizante e analgésico. Por isso, o lactente
                                                                        obesidade no adulto: um estudo com pessoas de idade
         amamentado de forma exclusiva e em livre demanda
                                                                        avançada, na Finlândia, mostrou que os que foram ama-
         rejeita a chupeta porque está bem atendido em sua
         necessidade vital e instintiva de sucção.                      mentados durante 5 a 7 meses apresentavam o índice de
              Amamentados possuem menor risco para a síndro-            massa corporal (IMC) mais baixo aos 60 anos de idade8.
         me da morte súbita do lactente (SIDS – sudden infant              Uma recente metanálise mostrou que crianças ama-
         death syndrome). Um estudo alemão com 333 lactentes            mentadas tendem a apresentar menor prevalência de
         que morreram de SIDS e 998 controles ajustados por             obesidade na infância e, possivelmente, na adolescência9.
         idade encontrou que o aleitamento reduzia o risco de              Menor pressão arterial: em um estudo europeu, os
         SIDS em 50% em todas as idades ao longo da infância . 6
                                                                        lactentes que foram amamentados tiveram, em média,

                                                                    4


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Núcleos dentários




                                                                                                                                          Adaptada de Sergio Glenes para o www.aleitamento.com
                             Estruturas ósseas




            Língua



   Mandíbula

                                                                        Figura 1. Além dos benefícios do leite materno, há as vantagens
                                                                                  fono-odontológicas da amamentação para o lactente.


         pressão arterial mais baixa do que aqueles que não o           que as crianças amamentadas tiveram apenas 40% de
         foram. Quanto maior o tempo de amamentação, maior              risco de desenvolver artrite reumatoide juvenil15.
         foi a discrepância10.                                             A amamentação protege a criança de contrair a
              Menor risco de osteoporose: uma investigação              doença de Hodgkins16.
         australiana demonstrou relação entre a amamenta-
         ção no início da vida e a massa óssea nas crianças de
                                                                        Alimentação artificial –
         8 anos de idade nascidas a termo, particularmente na-
         quelas amamentadas por três meses ou mais11.                   prejuízos a curto e longo prazos
              Melhoria da função pulmonar: ser amamentado               A alimentação com leite em pó aumenta o risco em
         por, pelo menos, quatro meses, melhora o volume pul-           meninas de desenvolver câncer de mama na idade
         monar em crianças. Essa mudança de volume parece               madura. Entre mulheres alimentadas com leite em pó
         mediar o efeito do fluxo de ar durante anos .
                                                    12                  quando crianças há um índice mais elevado de câncer
              Proteção contra a doença de Crohn: o tipo de              de mama na idade adulta. Tanto para o câncer pré-
         alimentação na infância é determinante para o desen-           -menopausa quanto pós-menopausa, as amamentadas
         volvimento da colite ulcerativa, sendo a amamentação           quando crianças, mesmo que por pouco tempo, correm
         uma prevenção              .
                                13,14                                   risco 25% menor de desenvolver câncer de mama do
              A amamentação diminui as chances de surgimento            que as alimentadas na mamadeira17.
         da artrite reumatoide juvenil: pesquisadores das univer-          A alimentação com fórmulas infantis está associada
         sidades da Carolina do Norte e Duke University indicam         a QI mais baixo. Um estudo longitudinal com duração

                                                                    5


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de dezoito anos, feito com mais de mil crianças, consta-         Conclusão
         tou que aquelas que foram amamentadas tinham inte-
                                                                          Mais pesquisas são necessárias, contudo, já há muitas
         ligência mais elevada e melhor rendimento acadêmico
                                                                          evidências do potencial efeito da amamentação exclu-
         do que aquelas alimentadas com leite em pó18-21.
                                                                          siva na prevenção das doenças cronicodegenerativas
              Crianças alimentadas com leite em pó têm maior ris-
                                                                          do adulto25.
         co de desenvolver linfoma e leucemia da infância22,23.
                                                                             Como Hipócrates, pai da Medicina, já afirmava: “faça
              Lactentes amamentados apresentam cinética de cres-
                                                                          do alimento o seu medicamento”.
         cimento diferente das crianças que recebem fórmula.
         A literatura propõe que o recém-nascido (RN) em uso do              Com base em investigações científicas em anda-
         leite materno receba uma quantidade calórica suficien-           mento, muito em breve, afirmaremos com todas as
         te para crescer, mas não superior à necessária, além de          letras que a criança amamentada poderá viver até os
         ganhar peso de forma mais lenta que um RN alimentado             100 anos de idade com qualidade de vida – este é o
         com fórmula artificial. Como estudos experimentais de-           paradigma da nova puericultura.
         monstram que o excesso alimentar no período neonatal                Com base nos resultados de estudos já realizados,
         associa-se a maior risco para obesidade e síndrome me-           tanto em países em desenvolvimento quanto nos de-
         tabólica na vida adulta, é possível que este seja um dos         senvolvidos, afirmamos que a alimentação saudável é
         mecanismos pelos quais o aleitamento materno possa               imprescindível para a saúde humana, e esta começa
         proteger contra doenças ao longo da vida. Sabe-se tam-           com o aleitamento materno exclusivamente ofereci-
         bém que as diferenças constitucionais entre o leite mater-       do até os 6 meses de idade e complementado até os 2
         no e as fórmulas infantis, como a quantidade de calorias e       anos ou mais, como recomenda a Organização Mundial
         proteínas, é uma variável importante nesse contexto24.           da Saúde e o Ministério da Saúde26.




                                “O lactente não amamentado de uma
                              milionária é menos saudável que o bebê
                             exclusivamente amamentado de uma mãe
                             que pertence ao grupo social mais pobre.”
                                        Professor J. Stewart Forsyth, Ninewells Hospital and Medical
                                               School, Dundee, Escócia, Reino Unido, 2006.




                                                                      6


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                                                                                                                                              ulcerative colitis in childhood. Ann Epidemiol. 1993;3387-92.
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                                                                                                                                              em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-
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                                                                                                                                              75572007000800004&lng=en.
         11. Jones G, Riley M, Dwyer T. Breastfeeding in early life and bone nass in
                                                                                                                                      25. Balaban G, Silva GAP. Efeito protetor do aleitamento materno contra a
               prepubertal children. Osteoporosis Internat. 2000;11:146-52.
                                                                                                                                              obesidade infantil. J. Pediatr. Rio de Janeiro. [Internet]. 2004 Fev [aces-
         12. Ogbuanu IU, Karmaus W, Arshad SH, Kurukulaaratchy RJ, Ewart S.                                                                   sado 2010 Julho 11]; 80(1): 7-16. Disponível em: http://www.scielo.br/
               Effect of breastfeeding duration on lung function at age 10 years:                                                             scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572004000100004&lng=en.
               a prospective birth cohort study. Thorax. 2009;64:62-6.
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         13. Koletzko S, Sherman P, Corey M, Griffiths A, Smith C. Role of infant feed-                                                       Schimdt MI, et al. Análise da estratégia global para alimentação, ativi-
               ing practices in development of Crohn’s disease in childhood. BMJ.                                                             dade física e saúde da Organização Mundial da Saúde. Epidemiol Serv
               1989;298:1617-8.                                                                                                               Saúde. 2005;14:41-68.




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A criança que viverá 100 anos

  • 1. A criança que viverá 100 anos Informativo Johnson’s® baby para profissionais de saúde 1 11165- Bebe100 anos.indd 1 22.07.10 15:43:42
  • 2. Lactentes amamentados poderão viver 100 anos Marcus Renato de Carvalho CRM-RJ 52 39677-0 Pediatra, docente da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista em Amamentação pelo IBLCE – International Board of Lactation Consultant Examiners, editor do www.aleitamento.com No início dos anos 1980, as Não é mais novidade que a amamentação exclusiva tem enorme efeito protetor contra doenças infecciosas prevenindo a morbimortalidade campanhas de promoção do infantil. Estudos científicos mais recentes apontam também para o im- aleitamento materno eram pacto na redução das alergias e das doenças crônicas não transmissí- veis (DCNT), até mesmo na vida adulta. dirigidas às populações de Vivemos uma mudança na ênfase da monitorização do crescimento baixa renda para interromper infantil, que até poucos anos atrás se baseava principalmente no ganho de peso. Hoje, além da preocupação em alcançar requerimentos nutri- o ciclo de infecções frequentes, cionais e prevenir deficiências específicas, pensamos nos efeitos biológi- desnutrição e mortalidade. cos potenciais da nutrição na saúde desse futuro adulto1. No início dos anos 1980, as campanhas de promoção do aleitamento Atualmente afirmamos materno eram dirigidas às populações de baixa renda para interromper que a amamentação é a o ciclo de infecções frequentes, desnutrição e mortalidade. Atualmente afirmamos que a amamentação é a melhor opção para garantir maior lon- melhor opção para garantir gevidade humana com qualidade de vida em todas as classes sociais. maior longevidade humana Profissionais de saúde devem sempre se manter atualizados* para pro- mover (incentivar), proteger (defender) e apoiar (dar suporte) a amamen- com qualidade de vida em tação não apenas no atendimento clínico à nova família, mas também em todas as classes sociais maternidades, na rede básica, na formação universitária e na sociedade. * Em razão da natureza desta publicação, apresentaremos apenas uma ou duas referências, entre centenas, sobre cada tópico abordado. O intuito das citações bibliográficas é demonstrar que há evidências científicas em nossa argumentação. Para informações mais detalhadas, recomendamos o livro: Carvalho MR, Tamez RN. Amamentação: Bases Científicas. 2. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2001. 11165- Bebe100 anos.indd 2 22.07.10 15:43:42
  • 3. Tabela 1. Amamentação diminui risco de desordens alérgicas - estudo de coorte prospectivo desde o nascimento Tipo de alimenTação asma dermaTiTe aTópica riniTe alérgica Crianças com amamentação 7,7% 24% 6,5% exclusiva por quatro meses ou mais Crianças amamentadas por um 12% 27% 9% período mais curto Adaptada de Kull I, Wickman M, Lilja G, Nordvall SL, Pershagen G. Breast feeding and allergic diseases in infants - a prospective birth cohort study. Arch Dis Child. 2002;87:478-81. O aleitamento materno: Em lactentes não amamentados nos primeiros três meses de vida, a chance de hospitalização foi 61 ve- vantagens para toda a vida zes maior do que para aqueles que foram amamenta- Por que amamentação exclusiva? dos exclusivamente. Esse risco foi 2,9 vezes maior em lactentes amamentados em regime não exclusivo5. Até há pouco tempo não tínhamos consciência do im- pacto que a amamentação exclusiva (sem qualquer complemento) possui na proteção contra infecções. benefícios do leite materno Investigações científicas internacionais compro- 2,3 O leite materno é um alimento perfeito para os lac- varam que a prevalência de diarreia dobrava quando tentes, espécie-específico, evitando várias afecções até “inocentes” água ou chás eram oferecidos a lacten- atópicas (Tabela 1). tes, quando comparados com aqueles que só recebiam A amamentação exclusiva (sem complementos, leite materno. vitaminas ou ferro) permite crescimento e desenvol- Nosso colega brasileiro, Cesar Victora, de um grupo vimento ótimo até os 6 meses de vida e sua continui- de Pelotas, mostrou que o risco de morte causada por dade com alimentação complementar até 2 anos de diarreia no primeiro ano de vida foi 14 vezes maior em idade ou mais. crianças não amamentadas e 3,6 vezes maior em crian- Já temos claro que o leite humano é um alimento ças com aleitamento misto, quando comparadas com funcional porque promove a saúde, é um pré-biótico aquelas que não recebiam outro tipo de leite . 4 por possibilitar fatores de crescimento de flora benig- Outro estudo, também realizado por esse grupo, na e um probiótico por conter bífido bacilos e lacto- mostrou surpreendente repercussão do aleitamento bacilos, além de leucócitos produtores de anticorpos exclusivo nas taxas de internação por pneumonia. e interferon, e outros que realizam fagocitose. 3 11165- Bebe100 anos.indd 3 22.07.10 15:43:42
  • 4. A amamentação também reduz a probabilidade de obesidade no adulto: um Aréola estudo com pessoas de idade Ampolas lactíferas avançada, na Finlândia, mostrou que os que foram amamentados durante 5 a 7 meses apresentavam o índice de massa corporal (IMC) mais baixo aos 60 anos de idade8 Vantagens da amamentação Doenças da modernidade são evitáveis ao O lactente também se beneficia do ato de sugar o longo da vida pela amamentação seio, corrigindo o retrognatismo fisiológico com Estudos científicos indicam que a amamentação ex- o desenvolvimento de todo o sistema estomagnático clusiva protege contra o aparecimento do diabetes e possibilitando o correto padrão de respiração nasal melito tipo I: a exposição precoce ao leite de vaca (an- (Figura 1). tes dos 4 meses de vida) é importante determinante Por estar na fase psicossexual oral o lactente sen- dessa enfermidade e pode aumentar o risco de apare- te muito prazer na sucção, até mesmo realizando a cimento em 50% dos casos7. sucção não nutritiva nas mamas maternas, o que tem A amamentação também reduz a probabilidade de efeito tranquilizante e analgésico. Por isso, o lactente obesidade no adulto: um estudo com pessoas de idade amamentado de forma exclusiva e em livre demanda avançada, na Finlândia, mostrou que os que foram ama- rejeita a chupeta porque está bem atendido em sua necessidade vital e instintiva de sucção. mentados durante 5 a 7 meses apresentavam o índice de Amamentados possuem menor risco para a síndro- massa corporal (IMC) mais baixo aos 60 anos de idade8. me da morte súbita do lactente (SIDS – sudden infant Uma recente metanálise mostrou que crianças ama- death syndrome). Um estudo alemão com 333 lactentes mentadas tendem a apresentar menor prevalência de que morreram de SIDS e 998 controles ajustados por obesidade na infância e, possivelmente, na adolescência9. idade encontrou que o aleitamento reduzia o risco de Menor pressão arterial: em um estudo europeu, os SIDS em 50% em todas as idades ao longo da infância . 6 lactentes que foram amamentados tiveram, em média, 4 11165- Bebe100 anos.indd 4 22.07.10 15:43:43
  • 5. Núcleos dentários Adaptada de Sergio Glenes para o www.aleitamento.com Estruturas ósseas Língua Mandíbula Figura 1. Além dos benefícios do leite materno, há as vantagens fono-odontológicas da amamentação para o lactente. pressão arterial mais baixa do que aqueles que não o que as crianças amamentadas tiveram apenas 40% de foram. Quanto maior o tempo de amamentação, maior risco de desenvolver artrite reumatoide juvenil15. foi a discrepância10. A amamentação protege a criança de contrair a Menor risco de osteoporose: uma investigação doença de Hodgkins16. australiana demonstrou relação entre a amamenta- ção no início da vida e a massa óssea nas crianças de Alimentação artificial – 8 anos de idade nascidas a termo, particularmente na- quelas amamentadas por três meses ou mais11. prejuízos a curto e longo prazos Melhoria da função pulmonar: ser amamentado A alimentação com leite em pó aumenta o risco em por, pelo menos, quatro meses, melhora o volume pul- meninas de desenvolver câncer de mama na idade monar em crianças. Essa mudança de volume parece madura. Entre mulheres alimentadas com leite em pó mediar o efeito do fluxo de ar durante anos . 12 quando crianças há um índice mais elevado de câncer Proteção contra a doença de Crohn: o tipo de de mama na idade adulta. Tanto para o câncer pré- alimentação na infância é determinante para o desen- -menopausa quanto pós-menopausa, as amamentadas volvimento da colite ulcerativa, sendo a amamentação quando crianças, mesmo que por pouco tempo, correm uma prevenção . 13,14 risco 25% menor de desenvolver câncer de mama do A amamentação diminui as chances de surgimento que as alimentadas na mamadeira17. da artrite reumatoide juvenil: pesquisadores das univer- A alimentação com fórmulas infantis está associada sidades da Carolina do Norte e Duke University indicam a QI mais baixo. Um estudo longitudinal com duração 5 11165- Bebe100 anos.indd 5 22.07.10 15:43:43
  • 6. de dezoito anos, feito com mais de mil crianças, consta- Conclusão tou que aquelas que foram amamentadas tinham inte- Mais pesquisas são necessárias, contudo, já há muitas ligência mais elevada e melhor rendimento acadêmico evidências do potencial efeito da amamentação exclu- do que aquelas alimentadas com leite em pó18-21. siva na prevenção das doenças cronicodegenerativas Crianças alimentadas com leite em pó têm maior ris- do adulto25. co de desenvolver linfoma e leucemia da infância22,23. Como Hipócrates, pai da Medicina, já afirmava: “faça Lactentes amamentados apresentam cinética de cres- do alimento o seu medicamento”. cimento diferente das crianças que recebem fórmula. A literatura propõe que o recém-nascido (RN) em uso do Com base em investigações científicas em anda- leite materno receba uma quantidade calórica suficien- mento, muito em breve, afirmaremos com todas as te para crescer, mas não superior à necessária, além de letras que a criança amamentada poderá viver até os ganhar peso de forma mais lenta que um RN alimentado 100 anos de idade com qualidade de vida – este é o com fórmula artificial. Como estudos experimentais de- paradigma da nova puericultura. monstram que o excesso alimentar no período neonatal Com base nos resultados de estudos já realizados, associa-se a maior risco para obesidade e síndrome me- tanto em países em desenvolvimento quanto nos de- tabólica na vida adulta, é possível que este seja um dos senvolvidos, afirmamos que a alimentação saudável é mecanismos pelos quais o aleitamento materno possa imprescindível para a saúde humana, e esta começa proteger contra doenças ao longo da vida. Sabe-se tam- com o aleitamento materno exclusivamente ofereci- bém que as diferenças constitucionais entre o leite mater- do até os 6 meses de idade e complementado até os 2 no e as fórmulas infantis, como a quantidade de calorias e anos ou mais, como recomenda a Organização Mundial proteínas, é uma variável importante nesse contexto24. da Saúde e o Ministério da Saúde26. “O lactente não amamentado de uma milionária é menos saudável que o bebê exclusivamente amamentado de uma mãe que pertence ao grupo social mais pobre.” Professor J. Stewart Forsyth, Ninewells Hospital and Medical School, Dundee, Escócia, Reino Unido, 2006. 6 11165- Bebe100 anos.indd 6 22.07.10 15:43:43
  • 7. Referências 1. Fewtrell MS. The long-term benefits of having been breast-fed. Current 14. Rigas A, Rigas B, Glassman M, Yen YY, Lan SJ, Petridou E, et al. Breast- Paediatrics. 2004;14:97-103. feeding and maternal smoking in the etiology of Crohn’s disease and ulcerative colitis in childhood. Ann Epidemiol. 1993;3387-92. 2. Brown KH, Black RE, Romaña GL, Kanashiro HC. Infant feeding practic- es and their relationship with diarrhea and other diseases in Huascar 15. Mother’s Milk: An Ounce of Prevention? Arthritis Today.1994;May-June. (Lima), Peru. Pediatrics. 1989;83:31-40. 16. Schwartzbaum JA, George SL, Pratt CB, Davis B. An exploratory study 3. Popkin BM, Adair L, Akin JS, Black R, Briscoe J, Flieger W. Breastfeeding of environmental and medical factors potentially related to childhood and diarrheal morbidity. Pediatrics. 1990;86:874-82. cancer. Med Pediatr Oncol. 1991;19(2):115-21. 4. Victora CG, Smith PG, Vaughan JP, Nobre LC, Lombardi C, Teixeira AM, et 17. Freudenheim JL, Marshall JR, Graham S, Laughlin R, Vena JE, Bandera al. Evidence for protection by breast-feeding against infant deaths from E, et al. Exposure to breastmilk in infancy and the risk of breast cancer. infectious diseases in Brazil. Lancet, 2:317-22,1987. Epidemiology. 1994;5:324-31. 5. Cesar JA, Victora CG, Barros FC, Santos IS, Flores JA. Impact of breast 18. Horwood LJ, Fergusson DM. Breastfeeding and later cognitive and feeding on admission for pneumonia during postneonatal period in academic outcomes. Pediatrics. 1998;101(1):E9. Brazil: nested cases-control study. Br Med J. 1999;318:1316-20. 19. Morrow-Tlucak M , Haude RH, Ernhart CB. Breastfeeding and cognitive 6. Venemann MM, Bajanowski T, Brinkmann B, Jorch G, Yücesan K, Sauer- development in the first 2 years of life. Soc Sci Med. 1998;26;635-639. land C, et al. Does breastfeeding reduce the risk of sudden infant death 20. Lucas A. Breast milk and subsequent intelligence quotient in children syndrome? 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Lawlor DA, Riddoch CJ, Page AS, Andersen LB, Wedderkopp N, Harro mentistas da saúde e da doença (DOHaD). J. Pediatr. Rio de Janeiro. [In- M, et al. Infant feeding and components of the metabolic syndrome: ternet]. 2007 Dez [acessado 2010 Julho 11]; 83(6): 494-504. Disponível findings from the European Youth Heart Study. Arch Dis Child. em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021- 2005;90:582-8. 75572007000800004&lng=en. 11. Jones G, Riley M, Dwyer T. Breastfeeding in early life and bone nass in 25. Balaban G, Silva GAP. Efeito protetor do aleitamento materno contra a prepubertal children. Osteoporosis Internat. 2000;11:146-52. obesidade infantil. J. Pediatr. Rio de Janeiro. [Internet]. 2004 Fev [aces- 12. Ogbuanu IU, Karmaus W, Arshad SH, Kurukulaaratchy RJ, Ewart S. sado 2010 Julho 11]; 80(1): 7-16. Disponível em: http://www.scielo.br/ Effect of breastfeeding duration on lung function at age 10 years: scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572004000100004&lng=en. a prospective birth cohort study. Thorax. 2009;64:62-6. 26. Barreto SM, Pinheiro ARO, Sichieri R, Monteiro CA, Batista Filho M, 13. Koletzko S, Sherman P, Corey M, Griffiths A, Smith C. Role of infant feed- Schimdt MI, et al. Análise da estratégia global para alimentação, ativi- ing practices in development of Crohn’s disease in childhood. BMJ. dade física e saúde da Organização Mundial da Saúde. Epidemiol Serv 1989;298:1617-8. Saúde. 2005;14:41-68. O conteúdo desta obra é de inteira responsabilidade de seu(s) autor(es). Produzido por Segmento Farma Editores Ltda., sob encomenda de Johnson & Johnson, em julho de 2010. Material de distribuição para profissionais de saúde. Rua Anseriz, 27, Campo Belo – 04618-050 – São Paulo, SP. 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  • 8. IMPRESSO EM JULHO DE 2010. 11165- Bebe100 anos.indd 8 22.07.10 15:43:43