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Tárik de Souza
A bossa
dançante
do
sambalanço
Tárik de Souza
é jornalista,crítico
musical e autor de,
entre outros,
Tem Mais Samba
(Editora 34).
A Bossa Dançante do Sambalanço - Tárik de Souza
resumo
Por ter sido um movimento musical (bem) organizado de forma estética e
programática,a bossa nova engolfou toda a passagem dos anos 50 para os 60,
marcada pelas transformações políticas do após-guerra no país e no mundo.
Sem tais pretensões,espremido entre a bossa e o chamado“samba de morro”,
o gênero sambalanço injetou aditivos dançantes na MPB da época, tanto na
instrumentação quanto no canto (geralmente mais sincopado) e nas letras,
quase sempre extrovertidas e bem-humoradas.
Se for puxado o fio da meada desse estilo – que pegou uma camada bastante
ampla de criadores e intérpretes – é possível chegar ao samba exaltação e às
orquestrações coreográficas do teatro de revista.É uma trilha que vale a pena
seguirparaquesetenhaumaideiaaindamaisnítidadadiversificaçãodenossa
música popular.
Palavras-chave: sambalanço,bossa nova,humor.
ABSTRACT
Because bossa nova was a (well) organized music movement both in terms of
aesthetics and agenda, it pervaded the passage from the 1950s to the 1960s,
marked by post-war political changes in Brazil and all over the world.Without
that aspiration and conceptually squeezed between bossa nova and the so-
called samba de morro,the sambalanço genre pumped dancing elements into
the Brazilian popular music of that time, both in instrumentation and also in
singing (usually more syncopated) and lyrics, almost always high spirited and
well humored.
If we follow the path of that style – which caught on among many creators and
interpreters – it might lead us to the samba exaltação and the choreographic
orchestrationsoftherevues.Itisapathworthfollowingsowecanhaveaclearer
idea of how diversified our popular music is.
Keywords:sambalanço,bossa nova,humor.
em todas as mu-
danças ocorridas
no samba, na pas-
sagemdosanos50
paraos60dosécu-
lopassado,podem
ser classificadas
de Bossa Nova.
Sem constituir um movimento de estofo
ideológicooumesmoprogramático,vários
compositores, músicos e intérpretes trans-
formaram o principal gênero brasileiro
nesse período dando-lhe maior impacto
rítmico e nova estruturação instrumental
num procedimento estético que ficou
conhecido como “sambalanço”. Assim
como a própria tendência, o rótulo difuso
carece de nitidez. Como traço comum, a
pontuação de piano, órgão e precursores
teclados elétricos (como se verá, através
de alguns de seus principais difusores),
sopros de inclinação percussiva e mar-
cação rítmica acentuada (às vezes com
sotaque afro-caribenho) para possibilitar
a evolução dos pares dançarinos. E letras
extrovertidas, de exaltação ou lirismo,
quase sempre bem-humoradas.
Mas a expressão foi também utilizada
peloinequívocobossa-novistaCarlosLyra,
no subtítulo de seu terceiro disco, Depois
do Carnaval. A contracapa anunciava “o
sambalanço de Carlos Lyra”, já que ele se
considerava um dissidente da jazzificação
da bossa, como criticou em “Influência do
Jazz”(“Pobresambameu/Foisemisturan-
do/ Se modernizando e se perdeu”). Um
dos principais grupos da ala paulista da
“Um samba gostoso/ Que tenha balanço/
Eu quero assim/ Balanço pra frente/
Balanço pro lado/ Eu quero assim” (“Um
Samba Gostoso”, Ed Lincoln, 1963).
“Toque balanço, moço/ Senão eu não
danço/ Que o balanço faz ficar/ Com a
cabeça fora do lugar” (“Toque Balanço,
Moço”, Roberto e Erasmo Carlos, 1965).
“Nada de twist e de chá chá chá/ Só vou
de balanço/ Vamos balançar” (“Só Vou de
Balanço”, João Roberto Kelly, 1963).
“Na passarela/ O samba desfilou/ E
balançou/ E abafou” (“Miss Balanço”,
Helton Menezes, 1963).
“Olha o que o balanço traz/ Olha o que
o balanço faz/ Cada vez balança mais/ O
samba” (“Samba do Balanço”, Haroldo
Barbosa e Luis Reis, 1962).
“O segredo do meu samba/ Tá no
balanço/ Quem quiser dançar meu samba/
Tem que balançar” (“Tem que Balançar”,
Carlos Imperial, 1961).
“Fico no samba e não canso/ Quem não
sente o balanço/ Não sabe o que diz”
(“Balançafro”, Luiz Bandeira, 1965).
“Eu vou de samba/ Todo mundo vai/ O
samba é bom, balança, balança/ Mas não
cai” (“Na Roda do Samba”, Orlandivo e
Helton Menezes, 1964).
REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 201032
bossa,formadoporCesarCamargoMariano
(piano), Humberto Clayber (baixo) e Airto
Moreira(bateria),intitulava-seSambalanço
Trio.Aideia do balanço associado ao ritmo,
por sinal, já frequentava vários quadrantes
da MPB. Como no sagaz baião da dupla
Luiz Gonzaga e Zé Dantas, “Imbalança”,
de 1952: “É preciso saber ‘requebrá’ / Ter
molejo nos ‘pé’ e nas ‘mão’/ Ter no corpo
o balanço do ‘má’/ ‘Sê’‘qui’nem carrapeta
no chão/ E ‘virá’ ‘foia’ seca no ‘á’/ Para
quando ‘escutá’ meu baião/ ‘Imbalança’,
‘imbalança’, ‘imbalançá’”.
Na própria bossa nova, o “balanço”
aparececomoimperativoemváriosenredos.
Comoodainoxidável“GarotadeIpanema”
(TomJobimeViniciusdeMoraes),“Emseu
docebalanço/Acaminhodomar”.Também
no reiterativo “Balanço Zona Sul”, de Tito
Madi(“Vaicaminhando‘balan’/Balançan-
do sem parar/ Balance mesmo que é bom/
Do Leme até o Leblon”) e no didático “Ba-
lançamba”,deRobertoMenescaleRonaldo
Bôscoli (“Se você não sabe balançar/ Pede
pro Garrincha lhe ensinar”). Pery Ribeiro
ameaçou em “Evolução”, parceria com
Geraldo Cunha: “Tem que balançar/ Pra
justificar/ Que a situação/ É de confusão/
Quem não balançar vai ficar pra trás/ De
uma vez”. A flutuação de etiquetas coladas
na transformação acelerada do samba, em
meados do século passado, foi resumida
pelo violonista e compositor baiano Walter
Santos (conterrâneo de João Gilberto, que
começou a carreira com ele, em Juazeiro)
e sua mulher letrista, Teresa Souza, em
“Samba Só”: “Bossa nova ou samba jazz,
sambalanço ou samba só/ O que importa
é que o balanço é bom/ O que interessa é
balançar/ Bossa nova ou samba jazz/ Nosso
samba agora está demais”.
Bossa nova e sambalanço, de fato,
tiveram os respectivos partos no mesmo
processo de urbanização do país, após a Se-
gundaGuerraMundial,quemudouoeixoda
produção, do consumo, e a própria temática
da música popular. Uma parcela das duas
escolasnasceu,aliás,namesmamaternidade,
a boate do hotel Plaza, em Copacabana, no
Rio. A cidade era então a capital federal e
o bairro centralizava o poder emergente da
boemiacultural,queemigraradoCentroeda
Lapa, em início de decadência. Em 1955, no
Plaza, o pianista Luis Eça formaria um trio
inspiradonodojazzistaamericanoNatKing
Cole, sem bateria, com Eduardo Lincoln
no contrabaixo e Paulo Ney na guitarra. O
local era frequentado por músicos inquietos,
interessados em romper o padrão dos regio-
nais instrumentais e dos cantores de dós de
peito, descendentes do bel canto operístico,
estabelecidos pela era do rádio. Johnny Alf,
o primeiro a encontrar o caminho das pedras
da associação samba-jazz-impressionismo
erudito, era acolitado por discípulos como
osJoõesDonatoeGilberto,TomJobim,Luis
Eça, Roberto Menescal e vários outros, até
mesmo um aspirante a cantor chamado Ro-
berto Carlos. O cisma teria ocorrido quando
o proprietário do local resolveu remanejar o
espaço para a música dançante. O cearense
Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia trocou
o baixo pelo piano (e depois o órgão) e se
tornou Ed. O futuro papa do sambalanço, Ed
Lincoln. Por sua usina dançante passariam
crooners e/ou compositores como Orlandi-
vo, Silvio Cesar, Pedrinho Rodrigues, Toni
Tornado, Emilio Santiago e músicos como
Durval Ferreira, Márcio Montarroyos, Luis
Carlos Lyra,
Depois do
Carnaval,O
Sambalanço de
Carlos Lyra,
Philips,1963
REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 2010 33
Alves,WilsondasNeves,PaulinhoTrumpe-
te.Jáseuex-parceiroLuisEçaaprofundou-se
no piano, arranjos, composições e criou o
mais importante dos trios da bossa nova, o
Tamba Trio.
PRATICANTES E CULTORES
Pelas casas noturnas dos arredores, em
Copacabana, como o Arpège e o Drink, o
sambalanço espalhou-se de forma viral. Na
primeira, que nomearia um selo de discos,
o mineiro de Rio Novo, Waldir Calmon
(1919-82), tripulava um solovox – teclado
elétrico acoplado ao piano, antecessor
dos sintetizadores – que o habilitou a
estrondosos sucessos em discos de fai-
xas emendadas, de intermináveis séries
como “Feito para Dançar”, editada pelo
selo Rádio, de Petrópolis, que emplacou
nada menos de doze títulos, entre 1954 e
1959. Waldir ainda continuou a investir
no título e suas variações, já na gravadora
Copacabana. No Drink, seu rival, o carioca
DjalmaFerreira(1913-2004),fariaomesmo
a bordo de seu conjunto Milionários do
Ritmo, com o qual foi um dos fundadores
do estilo sambalanço em “Samba que Eu
Quero Ver”, de 1951. Abriu o próprio selo
com o nome de sua boate Drink, que vivia
superlotada, para a qual compôs o “Samba
do Drink”, e se transformou em escola de
talentos instrumentais e cantores, como a
de Calmon. Além de Ed Lincoln, que foi
seu pianista, do violonista Waltel Branco,
do trompetista Araken (irmão de Cauby)
Peixoto e do baterista Hélcio Milito (fu-
turo Tamba Trio) atuaram como crooners
de Djalma, Helena de Lima, o (também)
compositor pernambucano Luis Bandeira
(seu parceiro nos sambalanços “Voltei” e
“Confissão”), Jair Rodrigues (que ele lan-
çou em sua boate Djalma, em São Paulo)
e principalmente Miltinho. Egresso da era
mítica dos conjuntos vocais (Cancioneiros
do Luar, Namorados da Lua, Anjos do In-
ferno, Quatro Ases e um Coringa) com sua
característicaemissãoanasaladaeadivisão
de síncopas que assimilou como pandeiris-
ta, o carioca Milton Santos de Almeida se
tornaria um astro do sambalanço, embora
também gravasse outros tipos de sambas e
canções mais lentas.
Um de seus principais fornecedores de
sucessos foi o militar carioca Luis Antonio
(Antonio de Pádua Vieira da Costa, 1921-
96),pioneirodacançãodeprotestocomsuas
marchinhascarnavalescas“Latad’Águana
Cabeça”,“SapatodePobre”,“ZéMarmita”,
“Patinete no Morro”, e parceiro de Djalma
Ferreira em sambalanços de letras românti-
cascomcondimentorítmico,como“Cheiro
de Saudade”, “Murmúrio”, “Lamento”,
“Fala, Amor”, “Destinos”, “Cansei”,
“Recado”. Luis Antonio confeccionaria
sozinho ainda mais dardos de alta volta-
gem balançante como “Mulher de Trinta”,
“Chorou, Chorou”, “Ri”, “Menina Moça”.
Outro fornecedor de sucessos de Miltinho,
especialmente em sua fase sambalanço, foi
o carioca João Roberto Kelly, que ficou
mais famoso pela produção de marchinhas
carnavalescas picarescas como “Cabeleira
do Zezé”, “Colombina Iê iê iê”, “Joga a
Chave Meu Amor” e “Maria Sapatão”.
Kelly foi gravado por Miltinho, em “Zé da
Pery Ribeiro,
Pery é Todo
Bossa,
EMI-Odeon,
1963
REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 201034
Conceição”, “Pirata da Calçada”, “Só Vou
de Balanço”, “Samba de Branco” (“Tem
conta no banco/ Tem Cadillac, mordomo e
chofer”) e por Elza Soares – outro ícone do
movimento, que teve adesões esporádicas
de Elizeth Cardoso e Dóris Monteiro – em
“Gamação”enoclássico“Boato”(“Vocêfoi
o boato/ Só agora eu sei/ Porque acreditei/
Andou de boca em boca no meu coração”).
Aliás, Miltinho formou duos vocais com
Elza Soares e Dóris Monteiro, que flexio-
naram o ritmo do samba pela década de
60 adentro.
Todos, em algum momento, foram
abastecidos também pela dupla de cultores
do sambalanço, formada pelo humoris-
ta, letrista e versionista carioca Haroldo
Barbosa (Ary Vidal, 1915-79) e o pianista
maranhense Luís (Abdenago dos) Reis
(1926-80). São eles os autores dos sam-
balançados “Cara de Palhaço” (“Pinta de
palhaço/ Roupa de palhaço/ Foi este o
meu amargo fim”), “Cara de Pau”, “Fiz o
Bobão”, “Devagar com a Louça”, “Moeda
Quebrada”, “Samba do Trouxa”, “Só vou
de Mulher”, “Desfolhando a Margarida”,
“Lamento Bebop”, “Faço um Lé Lé Lé”,
“SambadoBalanço”.OspianistasLuísReis
e João Roberto Kelly, por sinal, aliaram-se
numdiscodenominadoSambaa4Mãos,em
1964, em que o sambalanço come solto.
RAÍZES DO ESTILO
Mas o afluente do ritmo primal que de-
ságua no sambalanço vem de mais longe.
As alterações de forma do estilo (refletidas
em seu conteúdo aliciante) incluem uma
conjugação com a dança, tanto nos shows
coreográficos das casas noturnas quanto
na febre dos bailes e boates ou night clubs
que tomavam conta da cena na época.
Pode-se escavar raízes precursoras dessa
iniciativa no samba-espetáculo da era da
exaltação patriótica do Estado Novo, em
que autores como os rivais mineiros Ary
Barroso (“Aquarela do Brasil”, “Isso Aqui
o Que É?”, “Rio de Janeiro”, “Na Baixa do
Sapateiro”)eAlcyrPiresVermelho(“Canta
Brasil”, “Onde o CéuAzul É MaisAzul”) e
o paulista Vicente Paiva (“Bahia de Todos
osSantos”,“OlhosVerdes”)remodelaramo
estilonadireçãodosgestoslargosdadança,
abrindo espaço para repiques e interseções
de percussão e metais em brasa, emulando
o ritmo. Boa parte desses autores, especial-
mente Ary e Vicente, vinha de uma longa
experiência no teatro de revista, onde era
necessário associar os compassos rítmicos
à coreografia. E maestros como Radamés
Gnattali, Lyrio Panicali, Luis Arruda Paes,
Osvaldo Borba, Aldo Taranto passaram a
vestirosambacomornamentosnuncaantes
imaginados pelos geniais fundadores do
protótipo inaugural, no Estácio de violão
& pandeiro, dos anos 20.
Na sequência desse período político
ufanista, viria uma fase de louvação ao
próprio samba, assumido como ideologia
e identidade. Valia a abordagem alegórica
(sempre com alta densidade rítmica) de
personagens míticos do entrecho, como
a “Morena Boca de Ouro” (Ary Barroso)
ou a “Mulata Assanhada” (Ataulfo Alves).
Das fetichistas “A Sandália Dela” (Luiz
Claudio), “Nega Sem Sandália (Porquoi?)”
(do baterista Jadir de Castro e o inovador
sambista gaúcho Caco Velho) e “Sandália
de Prata” (Alcyr PiresVermelho).Até desa-
guar nos pictóricos “Samba Maravilhoso”
(José Toledo, “Zezinho” e Jean Manzon,
o fotógrafo, cineasta dos cartões-postais
do país) e “Samba Fantástico” (também
de Zezinho, com Leonidas Autuori). “O
Samba Brasileiro” (de Claribalte Passos,
que ainda faria “O Samba Brasileiro 2”)
enfatizava sua especificidade: “Ritmo bem
quente/ Sem sotaque estrangeiro/ Foi por
isso mesmo que tirou sua patente/ Por ser
diferente/ E tão bom de se dançar”.
Sóotítulo“NaCadênciadoSamba”mo-
tivou duas obras-primas homônimas. Uma
do mineiro Ataulfo Alves (“Quero morrer
numa batucada de bamba/ Na cadência
bonita do samba”) e outra do ex-crooner
de Djalma Ferreira, o pernambucano Luis
Bandeira (1923-98). “Que bonito é/ A mu-
lata requebrando/ Os tambores repicando/
Uma escola a desfilar”, concita a letra.
Em gravação orquestral, tripulada pelos
REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 2010 35
teclados eletrificados de Waldir Calmon,
de 1957 (inserida num disco de sambas
exaltações, intitulado Samba, Alegria do
Brasil), a música se tornaria cult, ao pre-
faciar o cinejornal esportivo Canal 100, de
Carlos Niemeyer. Bandeira, também autor
de “Balansamba No
1”, “Balançafro”, “Ne-
ném” (comAnselmo Mazzoni), ainda faria,
nos mesmos moldes, e com igual êxito, em
parceria com o supracitado Luis Antonio,
“O Apito no Samba”: “Que bonito é/ Um
corpo de mulher sambar/ Suas saias vão,
correndo pelo chão/ Seus pés que dão/ O
ritmo que nasce, cresce, vibra”. Em outra
parte da letra, ele concitaria: “Venha ver/
Skindô, skindô no terreiro”.
Onomatopeias como “skindô”, “teleco-
teco”, “ziriguidum”, aliás, povoariam as
transformaçõesdosambanoperíodo,numa
tentativa de adaptação fonética do ritmo
fervilhante cevado nos temas. “Chega de
lero-lero (é teleco-teco o que eu quero)”
afirmaria numa das faixas do disco em que
o autor se assinava João Roberto Kelly e Os
Garotos da Bossa, em 1961. No mesmo dis-
co, ele mandaria o “Samba deTeleco-teco”.
A expressão, que já havia sido utilizada
num samba sincopado de Murilo (irmão
do cantor Silvio) Caldas e Marino Pinto,
“Teleco-teco”, sucesso de Isaura Garcia
no longínquo 1942, infestaria a produção
sessentista. Do poeta Vinicius de Moraes,
que compôs (letra e música) uma espécie
de rascunho da “Garota de Ipanema” em
“Teleco-teco” (“Sempre que ela passa num
passinholigeiro/Teleco-teco/Lávaielanum
passinho ligeiro/ Todo mundo diz teleco-
teco, meu Deus, quanta graça!”), para o
cantor Cyro Monteiro, em 1961, a Gilberto
Gil e sua discrepante “Serenata em Teleco-
teco”(“Aluaailuminarogrupobarulhento/
Um guarda a reclamar/ Silêncio pra quem
dorme […]/ Seresta de samba também tem
suavidade”), gravada por Jair Rodrigues no
disco Dois na Bossa Vol. 3, de 1967, pouco
antes da eclosão do tropicalismo.
OmaestroeruditoHenriqueGandelman
assinou outro inesperado “Paganini no
Teleco-teco”, registrado pelos Saxsam-
bistas Brasileiros. E além de um “Tema
em Teleco-teco”, do trompetista Formiga
(com Jean Pierre), como os “opus” eruditos
brotariam sucessivos “Teleco-teco no
1”
(Waldir Calmon e Paulo Nunes), gravado
por Waldir em seu Feito para Dançar no
11,
em1959,“Teleco-tecono
2”,dotrombonista
Nelsinho (com Oldemar Magalhães) – o de
maior sucesso, cantado por Elza Soares –
“Teleco-tecono
3”(CilocaMadeiraeRegina
Guerreiro), por “Morgana, a Fada Loura”
(1961), e até mesmo um “Teleco-teco no
6”
(Jorge Smera e Paulo Gesta), inaugurado
em É Samba, pela cantora Dalva Barbosa.
No mesmo disco, Dalva também arriscaria
um “Skindô”, parceria do mestre do sinco-
pado Wilson Batista e Luiz Wanderley. Já
o “Ziriguidum” ficaria mais associado ao
samba tradicional, a partir da composição
deMonsuetoMenezes,quelevouessenome
e foi gravada por Elza Soares, em 1961.
Djalma
Ferreira e Seus
Milionários do
Ritmo,Drink,
Discos Drink,
1958
Ed Lincoln,
Seu Piano e
Seu Órgão
Espetacular,
Musidisc,1961
REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 201036
Mesmo assim, o baterista Jadir de Castro
castigou seu “Samba do Ziriguidum” (com
Luiz Bittencourt) registrado por outro rei
do ritmo, Jackson do Pandeiro, em 1962.
E a dupla de músicos Otaviano Pitanga
(clarinete) e Ormindo Fontes, o “Toco
Preto”(cavaquinho),fechariaocírculocom
“Ziriguidum no Balanço”, de 1966.
O VÍRUS DO BALANÇO
O uso tautológico do termo “balanço”
para anabolizar um gênero requebrante a
partir da origem contaminou a produção
do samba nos 60. Como não se tratou de
movimentonormatizado–sequerdiscutido
na imprensa no período – o sambalanço
espalhou-se livremente (e até de forma
aleatória) pela obra de vários autores e na
atitude vocal-performática de intérpretes
diversos. Uma Elis Regina ainda iniciante,
driblando o fantasma de clone de Celly
Campelo, entre boleros, rocks e chá-chá-
chás, arriscaria alguns sambalanços de
João Roberto Kelly (“Poró-po-pó”, “Dor
de Cotovelo”), endossaria a advertência do
compositor gaúcho Tulio Piva, “Silêncio”
(“Atenção/Osambajátemoutramarcação”)
eembarcarianacontabilidadedeAlcyrPires
Vermelho e Nazareno de Brito, “1, 2, 3,
Balançou”(“Aondadobalançomeenrolou/
Eu não posso parar”). Formatadores do pop
nativo e hitmakers aplicados, Roberto e
Erasmo Carlos assinaram “Toque Balanço,
Moço”, gravado tanto pela sambista Elza
Soares quanto pelos jovens-guardiões
Golden Boys. Descobridor e mentor da
dupla, Carlos Imperial também surfou na
onda em “Tem que Balançar”, gravado por
Pedrinho Rodrigues e “Vamos Balançar”
(“É a ordem do rei/ Que acabou de chegar”)
por Ed Lincoln.
Miltinho,
Bossa & Balanço,
RGE,1963
REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 2010 37
Os Golden Boys ainda gravariam “E…
na Onda, Balanço” (Roberto Faissal e Paulo
Tito) e Elza Soares, “Tudo é Balanço” (Ni-
quinho e Nilton Pereira), que generalizava:
“Tudo agora é balanço/ Eu também vou
balançar”. Coautor da ufanista “O Samba
Está com Tudo” (“Não me interessa se a
festa é de Grã-fino/ Se tem solo de violino
virtuoso pra tocar/ Eu quero samba pra
alegrar o ambiente”), o campineiro Denis
Brean sambalança na voz de Miltinho em
“Louco de Saudade”. Até mesmo o castiço
compositor de samba paulista Geraldo (de
Souza)Filme(1928-95),oGeraldãodaBarra
Funda, nascido em São João da Boa Vista,
deixou-se contagiar em “Vamos Balançar”:
“Quem é que não vem/ É nova bossa/ O
balanço é gostoso/ Não falte ninguém”.
Mas nenhum núcleo criador fixou de
tal forma o movimento sambalanço como
o reunido na gravadora Musidisc carioca,
do músico e empresário Nilo Sérgio, nos
anos 60.Ali reinou o organista Ed Lincoln,
autordetemassacudidoscomo“UmSamba
Gostoso”, “Do Jeito que a Gente Quer”,
“AiqueSaudadeDessaNega”,“Bossanova
Jazz Samba” e que transformou até a jaz­
zística “The Blues Walk”, do trompetista
americanoCliffordBrown,em hitdançante
e mesmo carnavalesco. Curiosamente, seu
clássico vinil A Volta, de 1964, é o disco
de cabeceira de Matt Groening, criador do
cáustico desenho animado da TV ameri-
cana Os Simpsons. “Meus pais foram ao
Brasil quando eu era criança e trouxeram
esse disco que é o meu favorito”, declarou
ele à Folha de S. Paulo, em 7/3/2004. Pela
central do requebrado de Ed, que animou
bailes das zonas Norte e Sul do Rio nos
anos 60 e 70, passaram crooners como
Pedrinho Rodrigues (do clássico disco
Tem que Balançar, de 1962), Humberto
Garin (sucesso com “A Sua Boca É um
Perigo”, de João Roberto Kelly), Toni
Tornado (que depois se tornaria astro
do “soul Brasil”), Emilio Santiago (que
lançou, em 2010, o CD Só Danço Samba,
em homenagem ao sambalanço e a Ed
Lincoln) mais Orlandivo e Silvio Cesar,
também compositores que construíram
carreiras individuais peculiares.
Mineiro de Raul Soares, Silvio Cesar
(Rodrigues Silva) escreveu vários samba-
lanços de sucesso com o próprio Lincoln
(“Olhou pra Mim”, “Nunca Mais”, “Amor
Demais”, “Parti”, “É o Cid”) e sozinho (“O
que Eu Gosto de Você”, “Preciso Dar um
Jeito”, “Sem Carinho, Não”, “Você não
Sabe Nada, Nada”) e começou a carreira
em dois vinis fulminantes pela Musidisc,
ambos contracapeados por Sérgio Porto,
o Stanislaw Ponte Preta, cronista e crítico
musical ortodoxo. Ele fez questão de dife-
renciar, no texto, seu apadrinhado: “[Ele é]
adepto do samba moderno, mas afastado
dos excessos da bossa nova”. Catarinense
de Itajaí, Orlandivo (Honório de Souza)
marcou pela utilização de um molho de
chaves como instrumento de percussão e na
ênfase num estilo descompromissado, que
ele professou em “Brincando de Samba”:
“Se alguém me perguntar/ Só pra me pro-
vocar/ Eu faço samba pra brincar”.
Autor solitário de “Vem pro Samba”,
o “sambista da chave” compôs vários
sambalanços com o principal parceiro,
Roberto Jorge, como “Samba Toff”, “Pa-
ralelo”, “Sambadinho”, “Chavinha”, “Vai
Devagarinho”,“AmorQuadradinho”.Com
Adilson Azevedo, ele dividiu um clássico
do ramo, “Bolinha de Sabão”, sucesso da
rainha da brotolândia Sonia Delfino, que,
no começo dos 60, revezava-se em seu
programa Alô, Brotos, entre a bossa nova e
o rock brasuca, pré-jovem guarda. Para se
ter uma ideia da confluência de estilos da
época, o então Jorge Ben (ainda sem o Jor),
pai do samba-rock, gravou “Onde Anda o
Meu Amor” (Orlandivo e Roberto Jorge)
em seu disco Ben é Samba Bom, de 1964.
E Wilson Simonal, em sua fase samba-jazz
dentro da bossa nova, registrou “Ela Diz
que Estou por Fora” e “Mestiço”, ambas de
Orlandivo, a última com Ypyranga.
Orlandivo seria ainda parceiro de outro
expoente um tanto oculto da era Musidisc
do sambalanço, Helton Menezes, que
aparece com foto e assina a contracapa do
disco Lição de Balanço, de 1962, em que
compôs sete das doze faixas. Ele é o autor
de“VouRirdeVocê”,“SambacomMolho”,
“Jambete”, “Bonequinha que Balança” e
REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 201038
“Lição de Balanço” (com Heráclito Silva).
A dupla Orlandivo e Helton imprimiu “Na
Roda do Samba”, que intitulou um disco de
Elza Soares de 1964, e o clássico “Taman-
co no Samba”, gravado até (com sucesso)
pelo romântico hardcore Cauby Peixoto.
Orlandivo seria homenageado, em 2010,
pela cantora Clara (filha de Joyce) Moreno
no disco Miss Balanço. A faixa-título (“Só
você faz um balanço/ Bom assim, samba
pra mim”) é mais uma composição de
Helton Menezes, que na gravação original
de Ed Lincoln conta com a voz destacada
de Orlandivo no refrão.
Parceiro do mentor Ed Lincoln nas
sacudidas “Paladium”, “Eu Vou Também
(Menininha)” e na debochada “O Ganso”,
Orlandivo ainda fez uma ponte autoral com
a bossa nova ao lado do carioca de Pilares,
Durval (Inácio) Ferreira (1935-2007), au-
tor do sambalanço “São Salvador” (com
Aglaê). Numa prova dos laços estreitos
dos dois movimentos, Durval, com seu
violão certeiro (não mencionado na ficha
técnica dos discos), tanto foi o elíptico
“quarto mosqueteiro” do Tamba Trio,
de Luiz Eça – lembrem-se, o parceiro de
Ed Lincoln, no supracitado trio da boate
Plaza –, quanto atuou no próprio grupo
de Lincoln. A parceria Orlandivo-Durval
rendeu entre outras “Zum, Zum, Zum”,
“Gueri, Gueri”, “Tudo Joia” e o híbrido
com o samba-rock benjoriano “Beleza Não
Vai Embora”. Orlandivo ainda lançaria um
disco em que conjugou inéditas (como a
faixatítulo)eantigosêxitos,“SambaFlex”,
em 2005. A produção foi do cavaquinista
Henrique Cazes, também responsável pela
série de espetáculos “Sambalanço” no
Centro Cultural Banco do Brasil do Rio,
João Roberto
Kelly e Luiz Reis,
Samba a Quatro
Mãos,RCA
Victor,1964
REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 2010 39
PEQUENA DISCOGRAFIA DO SAMBALANÇO
Parada de Dança No
1 – Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo – com Helena de Lima
	 (Musidisc,1953).
Samba,Alegria do Brasil – Waldir Calmon e sua Orquestra – Regência Aldo Taranto (Rádio,1957).
Drink – Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo (Drink Discos,1958).
Drink no Rio de Janeiro – Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo (Drink Discos,1959).
Convite ao Drink – Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo (Drink,1960).
Um Novo Astro – Miltinho (Sideral,1960).
Se AcasoVocê Chegasse – Elza Soares (Odeon,1960).
A Bossa Negra – Elza Soares (1960).
Samba emTu – Miltinho (RCA,1961).
Ed Lincoln,Seu Piano,Seu Órgão Espetacular (Musidisc,1961).
O Samba É Samba comWalterWanderley (Odeon,1961).
João Roberto Kelly e os Garotos da Bossa (Mocambo,1961).
Os Grandes Sucessos de Miltinho (RGE,1961).
Novo Feito para Dançar“D”– Waldir Calmon e seu Conjunto (Copacabana,1962).
Tem que Balançar – Pedrinho Rodrigues (Musidisc,1962).
Jadir no Samba – Jadir de Castro (Pawal,1962).
Samba de Balanço – Luis Reis e seu Ritmo Contagiante (Philips,1962).
A Chave do Sucesso – Orlann Divo (Musidisc,1962).
Ed Lincoln,Seu Piano,Seu Órgão Espetacular (Musidisc,1963).
Orlann Divo (Musidisc,1963).
Eu… Miltinho (RGE,1963).
Bossa & Balanço – Miltinho (RGE,1963).
Gostoso é Sambar – Dóris Monteiro (Philips,1963).
Na Roda do Samba – Elza Soares (Odeon,1963).
Amor Demais – Silvio Cesar (Musidisc,1963).
Sem Carinho,Não – Silvio Cesar (Musidisc,1964).
AVolta – Ed Lincoln (Musidisc,1964).
Samba a 4 Mãos – João Roberto Kelly e Luiz Reis (RCA,1964).
Lição de Balanço – Cipó,Zé Bodega,Tenório Jr.,Maciel,Copinha,Dom Um,Rubens Bassini,
	 Humberto Garin,Jorginho e outros (RGE,1964).
Samba em Paralelo – Orlandivo (Musidisc,1965).
Ed Lincoln (Musidisc,1966).
Ed Lincoln (Savoya Discos,1968).
Orlandivo (Copacabana,1977).
Samba Flex – Orlandivo (Deckdisc,2005).
em 2003, que reuniu, entre outros, Or-
landivo, Durval Ferreira, Miltinho, Dóris
Monteiro, Claudette Soares e, numa rara
aparição, Ed Lincoln. Redescoberto pela
cena dance inglesa dos 90, ou disputado a
peso de ouro pelos colecionadores de vinis,
o sambalanço, sem dúvida, contribuiu para
abrir novas alternativas e possibilidades ao
gêneroprimal,emparalelocomarevolução
intelectualizada da bossa nova.

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A Bossa Dançante do Sambalanço - Tárik de Souza

  • 1. Tárik de Souza A bossa dançante do sambalanço Tárik de Souza é jornalista,crítico musical e autor de, entre outros, Tem Mais Samba (Editora 34).
  • 3. resumo Por ter sido um movimento musical (bem) organizado de forma estética e programática,a bossa nova engolfou toda a passagem dos anos 50 para os 60, marcada pelas transformações políticas do após-guerra no país e no mundo. Sem tais pretensões,espremido entre a bossa e o chamado“samba de morro”, o gênero sambalanço injetou aditivos dançantes na MPB da época, tanto na instrumentação quanto no canto (geralmente mais sincopado) e nas letras, quase sempre extrovertidas e bem-humoradas. Se for puxado o fio da meada desse estilo – que pegou uma camada bastante ampla de criadores e intérpretes – é possível chegar ao samba exaltação e às orquestrações coreográficas do teatro de revista.É uma trilha que vale a pena seguirparaquesetenhaumaideiaaindamaisnítidadadiversificaçãodenossa música popular. Palavras-chave: sambalanço,bossa nova,humor. ABSTRACT Because bossa nova was a (well) organized music movement both in terms of aesthetics and agenda, it pervaded the passage from the 1950s to the 1960s, marked by post-war political changes in Brazil and all over the world.Without that aspiration and conceptually squeezed between bossa nova and the so- called samba de morro,the sambalanço genre pumped dancing elements into the Brazilian popular music of that time, both in instrumentation and also in singing (usually more syncopated) and lyrics, almost always high spirited and well humored. If we follow the path of that style – which caught on among many creators and interpreters – it might lead us to the samba exaltação and the choreographic orchestrationsoftherevues.Itisapathworthfollowingsowecanhaveaclearer idea of how diversified our popular music is. Keywords:sambalanço,bossa nova,humor.
  • 4. em todas as mu- danças ocorridas no samba, na pas- sagemdosanos50 paraos60dosécu- lopassado,podem ser classificadas de Bossa Nova. Sem constituir um movimento de estofo ideológicooumesmoprogramático,vários compositores, músicos e intérpretes trans- formaram o principal gênero brasileiro nesse período dando-lhe maior impacto rítmico e nova estruturação instrumental num procedimento estético que ficou conhecido como “sambalanço”. Assim como a própria tendência, o rótulo difuso carece de nitidez. Como traço comum, a pontuação de piano, órgão e precursores teclados elétricos (como se verá, através de alguns de seus principais difusores), sopros de inclinação percussiva e mar- cação rítmica acentuada (às vezes com sotaque afro-caribenho) para possibilitar a evolução dos pares dançarinos. E letras extrovertidas, de exaltação ou lirismo, quase sempre bem-humoradas. Mas a expressão foi também utilizada peloinequívocobossa-novistaCarlosLyra, no subtítulo de seu terceiro disco, Depois do Carnaval. A contracapa anunciava “o sambalanço de Carlos Lyra”, já que ele se considerava um dissidente da jazzificação da bossa, como criticou em “Influência do Jazz”(“Pobresambameu/Foisemisturan- do/ Se modernizando e se perdeu”). Um dos principais grupos da ala paulista da “Um samba gostoso/ Que tenha balanço/ Eu quero assim/ Balanço pra frente/ Balanço pro lado/ Eu quero assim” (“Um Samba Gostoso”, Ed Lincoln, 1963). “Toque balanço, moço/ Senão eu não danço/ Que o balanço faz ficar/ Com a cabeça fora do lugar” (“Toque Balanço, Moço”, Roberto e Erasmo Carlos, 1965). “Nada de twist e de chá chá chá/ Só vou de balanço/ Vamos balançar” (“Só Vou de Balanço”, João Roberto Kelly, 1963). “Na passarela/ O samba desfilou/ E balançou/ E abafou” (“Miss Balanço”, Helton Menezes, 1963). “Olha o que o balanço traz/ Olha o que o balanço faz/ Cada vez balança mais/ O samba” (“Samba do Balanço”, Haroldo Barbosa e Luis Reis, 1962). “O segredo do meu samba/ Tá no balanço/ Quem quiser dançar meu samba/ Tem que balançar” (“Tem que Balançar”, Carlos Imperial, 1961). “Fico no samba e não canso/ Quem não sente o balanço/ Não sabe o que diz” (“Balançafro”, Luiz Bandeira, 1965). “Eu vou de samba/ Todo mundo vai/ O samba é bom, balança, balança/ Mas não cai” (“Na Roda do Samba”, Orlandivo e Helton Menezes, 1964).
  • 5. REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 201032 bossa,formadoporCesarCamargoMariano (piano), Humberto Clayber (baixo) e Airto Moreira(bateria),intitulava-seSambalanço Trio.Aideia do balanço associado ao ritmo, por sinal, já frequentava vários quadrantes da MPB. Como no sagaz baião da dupla Luiz Gonzaga e Zé Dantas, “Imbalança”, de 1952: “É preciso saber ‘requebrá’ / Ter molejo nos ‘pé’ e nas ‘mão’/ Ter no corpo o balanço do ‘má’/ ‘Sê’‘qui’nem carrapeta no chão/ E ‘virá’ ‘foia’ seca no ‘á’/ Para quando ‘escutá’ meu baião/ ‘Imbalança’, ‘imbalança’, ‘imbalançá’”. Na própria bossa nova, o “balanço” aparececomoimperativoemváriosenredos. Comoodainoxidável“GarotadeIpanema” (TomJobimeViniciusdeMoraes),“Emseu docebalanço/Acaminhodomar”.Também no reiterativo “Balanço Zona Sul”, de Tito Madi(“Vaicaminhando‘balan’/Balançan- do sem parar/ Balance mesmo que é bom/ Do Leme até o Leblon”) e no didático “Ba- lançamba”,deRobertoMenescaleRonaldo Bôscoli (“Se você não sabe balançar/ Pede pro Garrincha lhe ensinar”). Pery Ribeiro ameaçou em “Evolução”, parceria com Geraldo Cunha: “Tem que balançar/ Pra justificar/ Que a situação/ É de confusão/ Quem não balançar vai ficar pra trás/ De uma vez”. A flutuação de etiquetas coladas na transformação acelerada do samba, em meados do século passado, foi resumida pelo violonista e compositor baiano Walter Santos (conterrâneo de João Gilberto, que começou a carreira com ele, em Juazeiro) e sua mulher letrista, Teresa Souza, em “Samba Só”: “Bossa nova ou samba jazz, sambalanço ou samba só/ O que importa é que o balanço é bom/ O que interessa é balançar/ Bossa nova ou samba jazz/ Nosso samba agora está demais”. Bossa nova e sambalanço, de fato, tiveram os respectivos partos no mesmo processo de urbanização do país, após a Se- gundaGuerraMundial,quemudouoeixoda produção, do consumo, e a própria temática da música popular. Uma parcela das duas escolasnasceu,aliás,namesmamaternidade, a boate do hotel Plaza, em Copacabana, no Rio. A cidade era então a capital federal e o bairro centralizava o poder emergente da boemiacultural,queemigraradoCentroeda Lapa, em início de decadência. Em 1955, no Plaza, o pianista Luis Eça formaria um trio inspiradonodojazzistaamericanoNatKing Cole, sem bateria, com Eduardo Lincoln no contrabaixo e Paulo Ney na guitarra. O local era frequentado por músicos inquietos, interessados em romper o padrão dos regio- nais instrumentais e dos cantores de dós de peito, descendentes do bel canto operístico, estabelecidos pela era do rádio. Johnny Alf, o primeiro a encontrar o caminho das pedras da associação samba-jazz-impressionismo erudito, era acolitado por discípulos como osJoõesDonatoeGilberto,TomJobim,Luis Eça, Roberto Menescal e vários outros, até mesmo um aspirante a cantor chamado Ro- berto Carlos. O cisma teria ocorrido quando o proprietário do local resolveu remanejar o espaço para a música dançante. O cearense Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia trocou o baixo pelo piano (e depois o órgão) e se tornou Ed. O futuro papa do sambalanço, Ed Lincoln. Por sua usina dançante passariam crooners e/ou compositores como Orlandi- vo, Silvio Cesar, Pedrinho Rodrigues, Toni Tornado, Emilio Santiago e músicos como Durval Ferreira, Márcio Montarroyos, Luis Carlos Lyra, Depois do Carnaval,O Sambalanço de Carlos Lyra, Philips,1963
  • 6. REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 2010 33 Alves,WilsondasNeves,PaulinhoTrumpe- te.Jáseuex-parceiroLuisEçaaprofundou-se no piano, arranjos, composições e criou o mais importante dos trios da bossa nova, o Tamba Trio. PRATICANTES E CULTORES Pelas casas noturnas dos arredores, em Copacabana, como o Arpège e o Drink, o sambalanço espalhou-se de forma viral. Na primeira, que nomearia um selo de discos, o mineiro de Rio Novo, Waldir Calmon (1919-82), tripulava um solovox – teclado elétrico acoplado ao piano, antecessor dos sintetizadores – que o habilitou a estrondosos sucessos em discos de fai- xas emendadas, de intermináveis séries como “Feito para Dançar”, editada pelo selo Rádio, de Petrópolis, que emplacou nada menos de doze títulos, entre 1954 e 1959. Waldir ainda continuou a investir no título e suas variações, já na gravadora Copacabana. No Drink, seu rival, o carioca DjalmaFerreira(1913-2004),fariaomesmo a bordo de seu conjunto Milionários do Ritmo, com o qual foi um dos fundadores do estilo sambalanço em “Samba que Eu Quero Ver”, de 1951. Abriu o próprio selo com o nome de sua boate Drink, que vivia superlotada, para a qual compôs o “Samba do Drink”, e se transformou em escola de talentos instrumentais e cantores, como a de Calmon. Além de Ed Lincoln, que foi seu pianista, do violonista Waltel Branco, do trompetista Araken (irmão de Cauby) Peixoto e do baterista Hélcio Milito (fu- turo Tamba Trio) atuaram como crooners de Djalma, Helena de Lima, o (também) compositor pernambucano Luis Bandeira (seu parceiro nos sambalanços “Voltei” e “Confissão”), Jair Rodrigues (que ele lan- çou em sua boate Djalma, em São Paulo) e principalmente Miltinho. Egresso da era mítica dos conjuntos vocais (Cancioneiros do Luar, Namorados da Lua, Anjos do In- ferno, Quatro Ases e um Coringa) com sua característicaemissãoanasaladaeadivisão de síncopas que assimilou como pandeiris- ta, o carioca Milton Santos de Almeida se tornaria um astro do sambalanço, embora também gravasse outros tipos de sambas e canções mais lentas. Um de seus principais fornecedores de sucessos foi o militar carioca Luis Antonio (Antonio de Pádua Vieira da Costa, 1921- 96),pioneirodacançãodeprotestocomsuas marchinhascarnavalescas“Latad’Águana Cabeça”,“SapatodePobre”,“ZéMarmita”, “Patinete no Morro”, e parceiro de Djalma Ferreira em sambalanços de letras românti- cascomcondimentorítmico,como“Cheiro de Saudade”, “Murmúrio”, “Lamento”, “Fala, Amor”, “Destinos”, “Cansei”, “Recado”. Luis Antonio confeccionaria sozinho ainda mais dardos de alta volta- gem balançante como “Mulher de Trinta”, “Chorou, Chorou”, “Ri”, “Menina Moça”. Outro fornecedor de sucessos de Miltinho, especialmente em sua fase sambalanço, foi o carioca João Roberto Kelly, que ficou mais famoso pela produção de marchinhas carnavalescas picarescas como “Cabeleira do Zezé”, “Colombina Iê iê iê”, “Joga a Chave Meu Amor” e “Maria Sapatão”. Kelly foi gravado por Miltinho, em “Zé da Pery Ribeiro, Pery é Todo Bossa, EMI-Odeon, 1963
  • 7. REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 201034 Conceição”, “Pirata da Calçada”, “Só Vou de Balanço”, “Samba de Branco” (“Tem conta no banco/ Tem Cadillac, mordomo e chofer”) e por Elza Soares – outro ícone do movimento, que teve adesões esporádicas de Elizeth Cardoso e Dóris Monteiro – em “Gamação”enoclássico“Boato”(“Vocêfoi o boato/ Só agora eu sei/ Porque acreditei/ Andou de boca em boca no meu coração”). Aliás, Miltinho formou duos vocais com Elza Soares e Dóris Monteiro, que flexio- naram o ritmo do samba pela década de 60 adentro. Todos, em algum momento, foram abastecidos também pela dupla de cultores do sambalanço, formada pelo humoris- ta, letrista e versionista carioca Haroldo Barbosa (Ary Vidal, 1915-79) e o pianista maranhense Luís (Abdenago dos) Reis (1926-80). São eles os autores dos sam- balançados “Cara de Palhaço” (“Pinta de palhaço/ Roupa de palhaço/ Foi este o meu amargo fim”), “Cara de Pau”, “Fiz o Bobão”, “Devagar com a Louça”, “Moeda Quebrada”, “Samba do Trouxa”, “Só vou de Mulher”, “Desfolhando a Margarida”, “Lamento Bebop”, “Faço um Lé Lé Lé”, “SambadoBalanço”.OspianistasLuísReis e João Roberto Kelly, por sinal, aliaram-se numdiscodenominadoSambaa4Mãos,em 1964, em que o sambalanço come solto. RAÍZES DO ESTILO Mas o afluente do ritmo primal que de- ságua no sambalanço vem de mais longe. As alterações de forma do estilo (refletidas em seu conteúdo aliciante) incluem uma conjugação com a dança, tanto nos shows coreográficos das casas noturnas quanto na febre dos bailes e boates ou night clubs que tomavam conta da cena na época. Pode-se escavar raízes precursoras dessa iniciativa no samba-espetáculo da era da exaltação patriótica do Estado Novo, em que autores como os rivais mineiros Ary Barroso (“Aquarela do Brasil”, “Isso Aqui o Que É?”, “Rio de Janeiro”, “Na Baixa do Sapateiro”)eAlcyrPiresVermelho(“Canta Brasil”, “Onde o CéuAzul É MaisAzul”) e o paulista Vicente Paiva (“Bahia de Todos osSantos”,“OlhosVerdes”)remodelaramo estilonadireçãodosgestoslargosdadança, abrindo espaço para repiques e interseções de percussão e metais em brasa, emulando o ritmo. Boa parte desses autores, especial- mente Ary e Vicente, vinha de uma longa experiência no teatro de revista, onde era necessário associar os compassos rítmicos à coreografia. E maestros como Radamés Gnattali, Lyrio Panicali, Luis Arruda Paes, Osvaldo Borba, Aldo Taranto passaram a vestirosambacomornamentosnuncaantes imaginados pelos geniais fundadores do protótipo inaugural, no Estácio de violão & pandeiro, dos anos 20. Na sequência desse período político ufanista, viria uma fase de louvação ao próprio samba, assumido como ideologia e identidade. Valia a abordagem alegórica (sempre com alta densidade rítmica) de personagens míticos do entrecho, como a “Morena Boca de Ouro” (Ary Barroso) ou a “Mulata Assanhada” (Ataulfo Alves). Das fetichistas “A Sandália Dela” (Luiz Claudio), “Nega Sem Sandália (Porquoi?)” (do baterista Jadir de Castro e o inovador sambista gaúcho Caco Velho) e “Sandália de Prata” (Alcyr PiresVermelho).Até desa- guar nos pictóricos “Samba Maravilhoso” (José Toledo, “Zezinho” e Jean Manzon, o fotógrafo, cineasta dos cartões-postais do país) e “Samba Fantástico” (também de Zezinho, com Leonidas Autuori). “O Samba Brasileiro” (de Claribalte Passos, que ainda faria “O Samba Brasileiro 2”) enfatizava sua especificidade: “Ritmo bem quente/ Sem sotaque estrangeiro/ Foi por isso mesmo que tirou sua patente/ Por ser diferente/ E tão bom de se dançar”. Sóotítulo“NaCadênciadoSamba”mo- tivou duas obras-primas homônimas. Uma do mineiro Ataulfo Alves (“Quero morrer numa batucada de bamba/ Na cadência bonita do samba”) e outra do ex-crooner de Djalma Ferreira, o pernambucano Luis Bandeira (1923-98). “Que bonito é/ A mu- lata requebrando/ Os tambores repicando/ Uma escola a desfilar”, concita a letra. Em gravação orquestral, tripulada pelos
  • 8. REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 2010 35 teclados eletrificados de Waldir Calmon, de 1957 (inserida num disco de sambas exaltações, intitulado Samba, Alegria do Brasil), a música se tornaria cult, ao pre- faciar o cinejornal esportivo Canal 100, de Carlos Niemeyer. Bandeira, também autor de “Balansamba No 1”, “Balançafro”, “Ne- ném” (comAnselmo Mazzoni), ainda faria, nos mesmos moldes, e com igual êxito, em parceria com o supracitado Luis Antonio, “O Apito no Samba”: “Que bonito é/ Um corpo de mulher sambar/ Suas saias vão, correndo pelo chão/ Seus pés que dão/ O ritmo que nasce, cresce, vibra”. Em outra parte da letra, ele concitaria: “Venha ver/ Skindô, skindô no terreiro”. Onomatopeias como “skindô”, “teleco- teco”, “ziriguidum”, aliás, povoariam as transformaçõesdosambanoperíodo,numa tentativa de adaptação fonética do ritmo fervilhante cevado nos temas. “Chega de lero-lero (é teleco-teco o que eu quero)” afirmaria numa das faixas do disco em que o autor se assinava João Roberto Kelly e Os Garotos da Bossa, em 1961. No mesmo dis- co, ele mandaria o “Samba deTeleco-teco”. A expressão, que já havia sido utilizada num samba sincopado de Murilo (irmão do cantor Silvio) Caldas e Marino Pinto, “Teleco-teco”, sucesso de Isaura Garcia no longínquo 1942, infestaria a produção sessentista. Do poeta Vinicius de Moraes, que compôs (letra e música) uma espécie de rascunho da “Garota de Ipanema” em “Teleco-teco” (“Sempre que ela passa num passinholigeiro/Teleco-teco/Lávaielanum passinho ligeiro/ Todo mundo diz teleco- teco, meu Deus, quanta graça!”), para o cantor Cyro Monteiro, em 1961, a Gilberto Gil e sua discrepante “Serenata em Teleco- teco”(“Aluaailuminarogrupobarulhento/ Um guarda a reclamar/ Silêncio pra quem dorme […]/ Seresta de samba também tem suavidade”), gravada por Jair Rodrigues no disco Dois na Bossa Vol. 3, de 1967, pouco antes da eclosão do tropicalismo. OmaestroeruditoHenriqueGandelman assinou outro inesperado “Paganini no Teleco-teco”, registrado pelos Saxsam- bistas Brasileiros. E além de um “Tema em Teleco-teco”, do trompetista Formiga (com Jean Pierre), como os “opus” eruditos brotariam sucessivos “Teleco-teco no 1” (Waldir Calmon e Paulo Nunes), gravado por Waldir em seu Feito para Dançar no 11, em1959,“Teleco-tecono 2”,dotrombonista Nelsinho (com Oldemar Magalhães) – o de maior sucesso, cantado por Elza Soares – “Teleco-tecono 3”(CilocaMadeiraeRegina Guerreiro), por “Morgana, a Fada Loura” (1961), e até mesmo um “Teleco-teco no 6” (Jorge Smera e Paulo Gesta), inaugurado em É Samba, pela cantora Dalva Barbosa. No mesmo disco, Dalva também arriscaria um “Skindô”, parceria do mestre do sinco- pado Wilson Batista e Luiz Wanderley. Já o “Ziriguidum” ficaria mais associado ao samba tradicional, a partir da composição deMonsuetoMenezes,quelevouessenome e foi gravada por Elza Soares, em 1961. Djalma Ferreira e Seus Milionários do Ritmo,Drink, Discos Drink, 1958 Ed Lincoln, Seu Piano e Seu Órgão Espetacular, Musidisc,1961
  • 9. REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 201036 Mesmo assim, o baterista Jadir de Castro castigou seu “Samba do Ziriguidum” (com Luiz Bittencourt) registrado por outro rei do ritmo, Jackson do Pandeiro, em 1962. E a dupla de músicos Otaviano Pitanga (clarinete) e Ormindo Fontes, o “Toco Preto”(cavaquinho),fechariaocírculocom “Ziriguidum no Balanço”, de 1966. O VÍRUS DO BALANÇO O uso tautológico do termo “balanço” para anabolizar um gênero requebrante a partir da origem contaminou a produção do samba nos 60. Como não se tratou de movimentonormatizado–sequerdiscutido na imprensa no período – o sambalanço espalhou-se livremente (e até de forma aleatória) pela obra de vários autores e na atitude vocal-performática de intérpretes diversos. Uma Elis Regina ainda iniciante, driblando o fantasma de clone de Celly Campelo, entre boleros, rocks e chá-chá- chás, arriscaria alguns sambalanços de João Roberto Kelly (“Poró-po-pó”, “Dor de Cotovelo”), endossaria a advertência do compositor gaúcho Tulio Piva, “Silêncio” (“Atenção/Osambajátemoutramarcação”) eembarcarianacontabilidadedeAlcyrPires Vermelho e Nazareno de Brito, “1, 2, 3, Balançou”(“Aondadobalançomeenrolou/ Eu não posso parar”). Formatadores do pop nativo e hitmakers aplicados, Roberto e Erasmo Carlos assinaram “Toque Balanço, Moço”, gravado tanto pela sambista Elza Soares quanto pelos jovens-guardiões Golden Boys. Descobridor e mentor da dupla, Carlos Imperial também surfou na onda em “Tem que Balançar”, gravado por Pedrinho Rodrigues e “Vamos Balançar” (“É a ordem do rei/ Que acabou de chegar”) por Ed Lincoln. Miltinho, Bossa & Balanço, RGE,1963
  • 10. REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 2010 37 Os Golden Boys ainda gravariam “E… na Onda, Balanço” (Roberto Faissal e Paulo Tito) e Elza Soares, “Tudo é Balanço” (Ni- quinho e Nilton Pereira), que generalizava: “Tudo agora é balanço/ Eu também vou balançar”. Coautor da ufanista “O Samba Está com Tudo” (“Não me interessa se a festa é de Grã-fino/ Se tem solo de violino virtuoso pra tocar/ Eu quero samba pra alegrar o ambiente”), o campineiro Denis Brean sambalança na voz de Miltinho em “Louco de Saudade”. Até mesmo o castiço compositor de samba paulista Geraldo (de Souza)Filme(1928-95),oGeraldãodaBarra Funda, nascido em São João da Boa Vista, deixou-se contagiar em “Vamos Balançar”: “Quem é que não vem/ É nova bossa/ O balanço é gostoso/ Não falte ninguém”. Mas nenhum núcleo criador fixou de tal forma o movimento sambalanço como o reunido na gravadora Musidisc carioca, do músico e empresário Nilo Sérgio, nos anos 60.Ali reinou o organista Ed Lincoln, autordetemassacudidoscomo“UmSamba Gostoso”, “Do Jeito que a Gente Quer”, “AiqueSaudadeDessaNega”,“Bossanova Jazz Samba” e que transformou até a jaz­ zística “The Blues Walk”, do trompetista americanoCliffordBrown,em hitdançante e mesmo carnavalesco. Curiosamente, seu clássico vinil A Volta, de 1964, é o disco de cabeceira de Matt Groening, criador do cáustico desenho animado da TV ameri- cana Os Simpsons. “Meus pais foram ao Brasil quando eu era criança e trouxeram esse disco que é o meu favorito”, declarou ele à Folha de S. Paulo, em 7/3/2004. Pela central do requebrado de Ed, que animou bailes das zonas Norte e Sul do Rio nos anos 60 e 70, passaram crooners como Pedrinho Rodrigues (do clássico disco Tem que Balançar, de 1962), Humberto Garin (sucesso com “A Sua Boca É um Perigo”, de João Roberto Kelly), Toni Tornado (que depois se tornaria astro do “soul Brasil”), Emilio Santiago (que lançou, em 2010, o CD Só Danço Samba, em homenagem ao sambalanço e a Ed Lincoln) mais Orlandivo e Silvio Cesar, também compositores que construíram carreiras individuais peculiares. Mineiro de Raul Soares, Silvio Cesar (Rodrigues Silva) escreveu vários samba- lanços de sucesso com o próprio Lincoln (“Olhou pra Mim”, “Nunca Mais”, “Amor Demais”, “Parti”, “É o Cid”) e sozinho (“O que Eu Gosto de Você”, “Preciso Dar um Jeito”, “Sem Carinho, Não”, “Você não Sabe Nada, Nada”) e começou a carreira em dois vinis fulminantes pela Musidisc, ambos contracapeados por Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, cronista e crítico musical ortodoxo. Ele fez questão de dife- renciar, no texto, seu apadrinhado: “[Ele é] adepto do samba moderno, mas afastado dos excessos da bossa nova”. Catarinense de Itajaí, Orlandivo (Honório de Souza) marcou pela utilização de um molho de chaves como instrumento de percussão e na ênfase num estilo descompromissado, que ele professou em “Brincando de Samba”: “Se alguém me perguntar/ Só pra me pro- vocar/ Eu faço samba pra brincar”. Autor solitário de “Vem pro Samba”, o “sambista da chave” compôs vários sambalanços com o principal parceiro, Roberto Jorge, como “Samba Toff”, “Pa- ralelo”, “Sambadinho”, “Chavinha”, “Vai Devagarinho”,“AmorQuadradinho”.Com Adilson Azevedo, ele dividiu um clássico do ramo, “Bolinha de Sabão”, sucesso da rainha da brotolândia Sonia Delfino, que, no começo dos 60, revezava-se em seu programa Alô, Brotos, entre a bossa nova e o rock brasuca, pré-jovem guarda. Para se ter uma ideia da confluência de estilos da época, o então Jorge Ben (ainda sem o Jor), pai do samba-rock, gravou “Onde Anda o Meu Amor” (Orlandivo e Roberto Jorge) em seu disco Ben é Samba Bom, de 1964. E Wilson Simonal, em sua fase samba-jazz dentro da bossa nova, registrou “Ela Diz que Estou por Fora” e “Mestiço”, ambas de Orlandivo, a última com Ypyranga. Orlandivo seria ainda parceiro de outro expoente um tanto oculto da era Musidisc do sambalanço, Helton Menezes, que aparece com foto e assina a contracapa do disco Lição de Balanço, de 1962, em que compôs sete das doze faixas. Ele é o autor de“VouRirdeVocê”,“SambacomMolho”, “Jambete”, “Bonequinha que Balança” e
  • 11. REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 201038 “Lição de Balanço” (com Heráclito Silva). A dupla Orlandivo e Helton imprimiu “Na Roda do Samba”, que intitulou um disco de Elza Soares de 1964, e o clássico “Taman- co no Samba”, gravado até (com sucesso) pelo romântico hardcore Cauby Peixoto. Orlandivo seria homenageado, em 2010, pela cantora Clara (filha de Joyce) Moreno no disco Miss Balanço. A faixa-título (“Só você faz um balanço/ Bom assim, samba pra mim”) é mais uma composição de Helton Menezes, que na gravação original de Ed Lincoln conta com a voz destacada de Orlandivo no refrão. Parceiro do mentor Ed Lincoln nas sacudidas “Paladium”, “Eu Vou Também (Menininha)” e na debochada “O Ganso”, Orlandivo ainda fez uma ponte autoral com a bossa nova ao lado do carioca de Pilares, Durval (Inácio) Ferreira (1935-2007), au- tor do sambalanço “São Salvador” (com Aglaê). Numa prova dos laços estreitos dos dois movimentos, Durval, com seu violão certeiro (não mencionado na ficha técnica dos discos), tanto foi o elíptico “quarto mosqueteiro” do Tamba Trio, de Luiz Eça – lembrem-se, o parceiro de Ed Lincoln, no supracitado trio da boate Plaza –, quanto atuou no próprio grupo de Lincoln. A parceria Orlandivo-Durval rendeu entre outras “Zum, Zum, Zum”, “Gueri, Gueri”, “Tudo Joia” e o híbrido com o samba-rock benjoriano “Beleza Não Vai Embora”. Orlandivo ainda lançaria um disco em que conjugou inéditas (como a faixatítulo)eantigosêxitos,“SambaFlex”, em 2005. A produção foi do cavaquinista Henrique Cazes, também responsável pela série de espetáculos “Sambalanço” no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, João Roberto Kelly e Luiz Reis, Samba a Quatro Mãos,RCA Victor,1964
  • 12. REVISTA USP, São Paulo, n.87, p. 28-39, setembro/novembro 2010 39 PEQUENA DISCOGRAFIA DO SAMBALANÇO Parada de Dança No 1 – Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo – com Helena de Lima (Musidisc,1953). Samba,Alegria do Brasil – Waldir Calmon e sua Orquestra – Regência Aldo Taranto (Rádio,1957). Drink – Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo (Drink Discos,1958). Drink no Rio de Janeiro – Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo (Drink Discos,1959). Convite ao Drink – Djalma Ferreira e seus Milionários do Ritmo (Drink,1960). Um Novo Astro – Miltinho (Sideral,1960). Se AcasoVocê Chegasse – Elza Soares (Odeon,1960). A Bossa Negra – Elza Soares (1960). Samba emTu – Miltinho (RCA,1961). Ed Lincoln,Seu Piano,Seu Órgão Espetacular (Musidisc,1961). O Samba É Samba comWalterWanderley (Odeon,1961). João Roberto Kelly e os Garotos da Bossa (Mocambo,1961). Os Grandes Sucessos de Miltinho (RGE,1961). Novo Feito para Dançar“D”– Waldir Calmon e seu Conjunto (Copacabana,1962). Tem que Balançar – Pedrinho Rodrigues (Musidisc,1962). Jadir no Samba – Jadir de Castro (Pawal,1962). Samba de Balanço – Luis Reis e seu Ritmo Contagiante (Philips,1962). A Chave do Sucesso – Orlann Divo (Musidisc,1962). Ed Lincoln,Seu Piano,Seu Órgão Espetacular (Musidisc,1963). Orlann Divo (Musidisc,1963). Eu… Miltinho (RGE,1963). Bossa & Balanço – Miltinho (RGE,1963). Gostoso é Sambar – Dóris Monteiro (Philips,1963). Na Roda do Samba – Elza Soares (Odeon,1963). Amor Demais – Silvio Cesar (Musidisc,1963). Sem Carinho,Não – Silvio Cesar (Musidisc,1964). AVolta – Ed Lincoln (Musidisc,1964). Samba a 4 Mãos – João Roberto Kelly e Luiz Reis (RCA,1964). Lição de Balanço – Cipó,Zé Bodega,Tenório Jr.,Maciel,Copinha,Dom Um,Rubens Bassini, Humberto Garin,Jorginho e outros (RGE,1964). Samba em Paralelo – Orlandivo (Musidisc,1965). Ed Lincoln (Musidisc,1966). Ed Lincoln (Savoya Discos,1968). Orlandivo (Copacabana,1977). Samba Flex – Orlandivo (Deckdisc,2005). em 2003, que reuniu, entre outros, Or- landivo, Durval Ferreira, Miltinho, Dóris Monteiro, Claudette Soares e, numa rara aparição, Ed Lincoln. Redescoberto pela cena dance inglesa dos 90, ou disputado a peso de ouro pelos colecionadores de vinis, o sambalanço, sem dúvida, contribuiu para abrir novas alternativas e possibilidades ao gêneroprimal,emparalelocomarevolução intelectualizada da bossa nova.