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PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE
                   SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
      SUPERINTENDÊNCIA DE GESTÃO DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS
                   DIVISÃO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL


Atividade:. A avaliação da aprendizagem como principio da autoria

Mediador Pedagógico: Cristiane Delboni

Cursista: Claudia Karina Rocha de Lara


    A concepção de avaliação da aprendizagem e a influência do
                       princípio da autoria

      As propostas curriculares atuais, bem como a legislação vigente , primam por
conceder uma grande importância à avaliação, reiterando que ela deve ser:
contínua, formativa e personalizada, concebendo-a como mais um elemento do
processo de ensino aprendizagem, o qual nos permite conhecer o resultado de
nossas ações didáticas e, por conseguinte, melhorá-las e nesse processo de ensino
a autoria tem importância fundamental no desenvolvimento avaliativo.
      De acordo com Luckesi, (2011), avaliar é investigar e intervir no processo de
aprendizagem para garantir a construção do conhecimento. Investigando o professor
pode detectar as problemáticas acerca do processo de aprendizagem de seu aluno
e intervir de maneira eficaz por meio de sua prática pedagógica. Investigando o
professor estabelece uma compreensão da realidade e atua significativamente
nesse processo, possibilitando sustentar uma ação adequada e satisfatória.
      A avaliação é compreendida como elemento integrador entre aprendizagem e
ensino sendo um conjunto de ações com o objetivo de ajustar e orientar as
intervenções pedagógicas para que o aluno aprenda da melhor forma considerando
tanto o processo que o aluno desenvolve ao aprender como o produto alcançado,
pressupondo que a avaliação se aplique não apenas ao aluno considerando as
expectativas de aprendizagem, ou seja, avalia o ensino oferecido.
      Sendo assim, Cipriano Luckesi nos diz que:
                     “o ato de avaliar a aprendizagem, ainda que tenha muitos componentes
                     metodológicos comprometidos, é simples. Ele é o ato por meio do qual
                     perguntamos ao nosso educando se aprendeu o que ensinamos. Se o
                     educando aprendeu, ótimo; se não vamos ensinar de novo, até que
                     aprenda, pois o importante é aprender. Todavia esse ato simples envolve-
                     se, num conjunto de fatores históricos, sociais e psicológicos que o torna
                     quase inviável. Para aprender – e efetivamente praticar – a avaliação da
                     aprendizagem, necessitaremos fazer uma “desconstrução” de nossas
                     crenças mais arraigadas e de nossos hábitos de ação; necessitaremos de
                     transitar do senso comum para o senso crítico nesse âmbito de
                     conhecimento.” ( Luckesi, 2011).

       A avaliação é um processo dialógico, interativo, que visa fazer do indivíduo
um ser crítico, criativo, autônomo e participativa sendo assim uma tarefa permanente
do professor que precisa acompanhar a trajetória do aluno. Por meio dela, ser
possível conhecer o que os alunos sabem fazer, como pensam, quais são suas
dificuldades e seus interesses.

      De acordo com Hoffmann, (1993) a avaliação como um processo conta com
três fases distinta, inicial, reguladora e integradora. Na avaliação inicial também
conhecida como diagnóstica, avalia-se o conhecimento de cada criança, ou seja,
leva em consideração o que o aluno já sabe e a capacidade de estabelecer relação
aos objetivos e conteúdos de aprendizagem previstos. Na avaliação formativa não
se tem como objetivo classificar ou selecionar. Fundamenta-se nos processos de
aprendizagem, em seus aspectos cognitivos, afetivos e relacionais; fundamenta-se
em aprendizagens significativas e funcionais que se aplicam em diversos contextos
e se atualizam os quantos forem preciso para que se continue a aprender. Este
enfoque tem um princípio fundamental: deve-se avaliar o que se ensina,
encadeando a avaliação no mesmo processo de ensino-aprendizagem. Somente
neste contexto é possível falar em avaliação inicial (avaliar para conhecer melhor o
aluno e ensinar melhor) e avaliação final (avaliar ao finalizar um determinado
processo didático). Na avaliação somativa, considera a soma de um ou mais
resultados que podem ser baseados em testes ou outros instrumentos e resultados
de avaliação formativos, têm por objetivo responder que o aluno aprendeu em
termos de resultados e processos, visa o resultado final de todo o processo.
      Diante disto, podemos dizer que a construção do conhecimento envolve uma
visão epistemológica muito diferente da visão bancária, de memorização de
conteúdos e de treinamento que ainda perdura em muitas escolas. Tal concepção é
pano de fundo para os preceitos aqui defendidos, tal como a visão que se tem sobre
a construtividade do erro e das concepções prévias dos educandos. Sem tais
fundamentos, não se concebe, de fato, um processo de avaliação contínua nas
escolas.
      Muitos professores nem mesmo são conscientes da reprodução de um
modelo, agindo sem questionamento, sem reflexão, a respeito do significado da
avaliação na escola.
      A avaliação visa desenvolver a capacidade de construir um olhar reflexivo e
dinamizado nos processos da aprendizagem fundamentalmente marcada pela
intencionalidade da ação educativa que exercemos no cotidiano escolar.
      Neste sentido a avaliação reflete uma concepção de homem, de educação e
de sociedade. Concepções de avaliação estão diretamente relacionadas com as
concepções de ensino e de aprendizagem e com concepções de relações sociais.
       Hoffmann afirma que:
                       Se a avaliação contribuir para o desenvolvimento das capacidades dos
                       alunos, pode-se dizer que ela se converte em uma ferramenta pedagógica,
                       em um elemento que melhora a aprendizagem do aluno e a qualidade do
                       ensino. Este,é para mim, o sentido definitivo de um processo de avaliação
                       formativa.(HOFFMANN,1993)

      O aluno que produz seu próprio conhecimento é aquele que foi avaliado de
acordo com o desenvolvimento de suas capacidades e intermediado no seu
processo de ensino por um educador.
      De acordo ainda com Hoffmann, (2005) podemos afirmar que a avaliação
deve acontecer por meio de propostas educativas articuladas em termos de
gradação e complexidade. É preciso desafiar os alunos a prender sendo que esses
desafios devem ser superáveis instigando o educador a questionar sempre mais e
assim explorar por meio de estratégias de pensamentos possibilitando a interação
entre os alunos e promovendo a autoria e o conhecimento e as transformações da
avaliação são multidimensionais. Uma grande questão é que avaliar envolve valor, e
valor envolve pessoa. Nós somos o que sabemos em múltiplas dimensões. Quando
avaliamos uma pessoa, nos envolvemos por inteiro - o que sabemos o que sentimos
o que conhecemos desta pessoa, a relação que nós temos com ela. E é esta relação
que o professor acaba criando com seu aluno. Então, para que ele transforme essa
sua prática, algumas concepções são extremamente necessárias. Em primeiro lugar,
o sentimento de compromisso em relação àquela pessoa com quem está se
relacionando. Avaliar é muito mais que conhecer o aluno, é reconhecê-lo como uma
pessoa digna de respeito e de interesse. Em segundo lugar, o professor precisa
estar preocupado com a aprendizagem desse aluno.
       Concebe-se a aprendizagem do ponto de vista comportamentalista, o
professor define como uma modificação de comportamento produzida por alguém
que ensina em alguém que aprende. O conhecimento do aluno vem dos objetos e
cabe ao professor organizar os estímulos com os quais o aluno entrará em contato
para aprender. A prática pedagógica consistirá, então, na transmissão clara e
explícita dos conteúdos pelo professor, apresentando exemplos preferentemente
concretos (organização de estímulos). Essa situação, por si só, promoverá a
aprendizagem, desde que o aluno entre em contato com tais estímulos, esteja atento
às situações. Assim, se o professor oferecer explicações claras, textos explicativos
consistentes e organizar o ambiente pedagógico, o aluno aprenderá, exceto se não
estiver presente, ou não estiver atento às explicações, não memorizar os dados
transmitidos pelo professor, ou não cumprir as tarefas de leitura solicitadas.
       O professor se torna um aprendiz do processo, pois se aprofunda nas
estratégias de pensamento do aluno, nas formas como ele age, pensa e realiza
essas atividades educativas. Só assim é que o professor pode intervir, ajudar e
orientar esse aluno. É um comprometimento do professor com a sua aprendizagem -
tornar-se um permanente aprendiz. Aprendiz da sua disciplina e dos próprios
processos de aprendizagem. Por isso a avaliação é um terreno bastante arenoso,
complexo e difícil. Mudamos como pessoa quando passamos a perceber o enorme
comprometimento que temos como educadores ao avaliar um aluno. De acordo com
Luckesi (1995), a avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida
em que se articula com um projeto pedagógico e com seu conseqüente projeto de
ensino. A avaliação, tanto no geral quanto no caso específico da aprendizagem, não
possui uma finalidade em si; ela subsidia um curso de ação que visa construir um
resultado previamente definido.
       No caso que nos interessa, a avaliação subsidia decisões a respeito da
aprendizagem dos educandos, tendo em vista garantir a qualidade do resultado que
estamos construindo. Por isso, não pode ser estudada, definida e delineada sem um
projeto que a articule.
A avaliação da aprendizagem destina-se a servir de base para tomadas de
decisões no sentido de construir com e nos educandos conhecimentos, habilidades
e hábitos que possibilitem o seu efetivo desenvolvimento, através da assimilação
ativa do legado cultural da sociedade.
       Luckesi (1995), afirma que a avaliação, diferentemente da verificação,
envolve um ato que ultrapassa a obtenção de configuração do objeto, exigindo
decisão do que fazer ante ou com ele. A verificação é uma ação que "congela" o
objeto; a avaliação, por sua vez, direciona o objeto numa trilha dinâmica de ação. A
avaliação não é um fim, mas um meio de melhorar o processo de aprendizagem
através da possibilidade de detectar erros construtivos e êxitos do aluno, do
professor e da própria Escola.
       Cada aluno tem o direito de seguir o seu próprio ritmo de aprendizagem,
sendo valorizado o processo de construção e elaboração do conhecimento, mais do
que o resultado em si. A avaliação vista na concepção de parte integrante do
processo de aprender, acompanha cada etapa e tem como mostrar ao professor e
aos alunos o que já foi aprendido e se há desvios na aprendizagem, que precisam
ser revistos.
       Confirma-se, assim, que a avaliação é um aspecto importante do processo
ensino-aprendizagem, pois oportuniza ao professor verificar se os objetivos
educacionais foram alcançados, se atitudes e habilidades foram desenvolvidas, se
conhecimentos foram construídos, se comportamentos foram modificados. Busca
proporcionar ao aluno uma visão clara e objetiva de seu desempenho nos aspectos
que estão sendo trabalhados, a fim de ajudá-lo a crescer nas áreas cognitiva,
psicomotora e afetiva.
       Baseado nos estudos realizados dos teóricos citados, no geral, a escola
brasileira opera com a verificação e não com a avaliação da aprendizagem.
       Este fato fica evidente ao observarmos que os resultados da aprendizagem
usualmente têm a função de estabelecer uma classificação do educando, expressa
em sua aprovação ou reprovação. O uso dos resultados encerra-se na obtenção e
registro da configuração da aprendizagem do educando, nada decorrendo daí.
       Segundo Luckesi (1995), raramente, só em situações reduzidas e específicas,
encontramos professores que fogem a esse padrão usual, fazendo da aferição da
aprendizagem um efetivo ato de avaliação. Para estes raros professores, a aferição
da aprendizagem manifesta-se como um processo de compreensão dos avanços,
limites e dificuldades que os educandos estão encontrando para atingir os objetivos
do curso, disciplina ou atividade da qual estão participando. A avaliação é, neste
contexto, um excelente mecanismo subsidiário da condução da ação.Enquanto o
planejamento é o ato pelo qual decidimos o que construir, a avaliação é o ato crítico
que nos subsidia na verificação de como estamos construindo os nossos projetos.
      A avaliação atravessa o ato de planejar e de executar; por isso contribui em
todo o percurso da ação planificada. A avaliação se faz presente não só na
identificação da perspectiva político-social, como também na seleção de meios
alternativos e na execução do projeto, tendo em vista a sua construção. Ou seja, a
avaliação, como crítica de percurso, é uma ferramenta necessária ao ser humano no
processo de construção dos resultados que planificou produzir, assim como o é no
redimensionamento da direção da ação. A avaliação é uma ferramenta da qual o ser
humano não se livra. Ela faz parte de seu modo de agir e, por isso, é necessário que
seja usada da melhor forma possível.
      O professor deve determinar o que vai ser avaliado e ter a certeza de que os
critérios de avaliação que irá usar serão para diagnosticar o rendimento da
aprendizagem de uma forma justa, pois a avaliação não deve ser um instrumento
punitivo, nem destruir a auto-estima do aluno. Ela deve, sim, ser um instrumento
orientador para corrigir as deficiências pedagógicas.
      Diante disso tudo podemos perceber que muitos educadores, vêm
desenvolvendo sua prática docente através de métodos conservadores e
autoritários, que em nada se voltavam para a autonomia e o crescimento pelo
conhecimento do aluno, e vem a provocar reflexões, discussões e estudos acerca da
avaliação como processo de construção pessoal, social e cultural, muitas
abordagens ficaram sem fundamento por não apontarem novos caminhos para a
prática avaliativa e, mesmo que muitos autores apresentem um enfoque mais
atualizado e necessário saber como avaliar o aluno nos dias de hoje, o modelo
classificatório que caracterizou a avaliação ainda prevalece nas instituições de
ensino.
      Nesse sentido Silva (2003), afirma que desenvolver uma nova postura
avaliativa requer desconstruir e reconstruir a concepção e também a prática da
avaliação para que se possa romper a cultura arraigada na classificação,
memorização,seleção e exclusão tão marcantes no nosso sistema de ensino. Acerca
disso pressupõem então que a autoria na aprendizagem avaliativa requer muita
reflexão do no que se refere avaliar com novas concepções.
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A avaliação da aprendizagem como principio da autoria

  • 1. PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO SUPERINTENDÊNCIA DE GESTÃO DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS DIVISÃO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL Atividade:. A avaliação da aprendizagem como principio da autoria Mediador Pedagógico: Cristiane Delboni Cursista: Claudia Karina Rocha de Lara A concepção de avaliação da aprendizagem e a influência do princípio da autoria As propostas curriculares atuais, bem como a legislação vigente , primam por conceder uma grande importância à avaliação, reiterando que ela deve ser: contínua, formativa e personalizada, concebendo-a como mais um elemento do processo de ensino aprendizagem, o qual nos permite conhecer o resultado de nossas ações didáticas e, por conseguinte, melhorá-las e nesse processo de ensino a autoria tem importância fundamental no desenvolvimento avaliativo. De acordo com Luckesi, (2011), avaliar é investigar e intervir no processo de aprendizagem para garantir a construção do conhecimento. Investigando o professor pode detectar as problemáticas acerca do processo de aprendizagem de seu aluno e intervir de maneira eficaz por meio de sua prática pedagógica. Investigando o professor estabelece uma compreensão da realidade e atua significativamente nesse processo, possibilitando sustentar uma ação adequada e satisfatória. A avaliação é compreendida como elemento integrador entre aprendizagem e ensino sendo um conjunto de ações com o objetivo de ajustar e orientar as intervenções pedagógicas para que o aluno aprenda da melhor forma considerando tanto o processo que o aluno desenvolve ao aprender como o produto alcançado,
  • 2. pressupondo que a avaliação se aplique não apenas ao aluno considerando as expectativas de aprendizagem, ou seja, avalia o ensino oferecido. Sendo assim, Cipriano Luckesi nos diz que: “o ato de avaliar a aprendizagem, ainda que tenha muitos componentes metodológicos comprometidos, é simples. Ele é o ato por meio do qual perguntamos ao nosso educando se aprendeu o que ensinamos. Se o educando aprendeu, ótimo; se não vamos ensinar de novo, até que aprenda, pois o importante é aprender. Todavia esse ato simples envolve- se, num conjunto de fatores históricos, sociais e psicológicos que o torna quase inviável. Para aprender – e efetivamente praticar – a avaliação da aprendizagem, necessitaremos fazer uma “desconstrução” de nossas crenças mais arraigadas e de nossos hábitos de ação; necessitaremos de transitar do senso comum para o senso crítico nesse âmbito de conhecimento.” ( Luckesi, 2011). A avaliação é um processo dialógico, interativo, que visa fazer do indivíduo um ser crítico, criativo, autônomo e participativa sendo assim uma tarefa permanente do professor que precisa acompanhar a trajetória do aluno. Por meio dela, ser possível conhecer o que os alunos sabem fazer, como pensam, quais são suas dificuldades e seus interesses. De acordo com Hoffmann, (1993) a avaliação como um processo conta com três fases distinta, inicial, reguladora e integradora. Na avaliação inicial também conhecida como diagnóstica, avalia-se o conhecimento de cada criança, ou seja, leva em consideração o que o aluno já sabe e a capacidade de estabelecer relação aos objetivos e conteúdos de aprendizagem previstos. Na avaliação formativa não se tem como objetivo classificar ou selecionar. Fundamenta-se nos processos de aprendizagem, em seus aspectos cognitivos, afetivos e relacionais; fundamenta-se em aprendizagens significativas e funcionais que se aplicam em diversos contextos e se atualizam os quantos forem preciso para que se continue a aprender. Este enfoque tem um princípio fundamental: deve-se avaliar o que se ensina, encadeando a avaliação no mesmo processo de ensino-aprendizagem. Somente neste contexto é possível falar em avaliação inicial (avaliar para conhecer melhor o aluno e ensinar melhor) e avaliação final (avaliar ao finalizar um determinado processo didático). Na avaliação somativa, considera a soma de um ou mais resultados que podem ser baseados em testes ou outros instrumentos e resultados de avaliação formativos, têm por objetivo responder que o aluno aprendeu em termos de resultados e processos, visa o resultado final de todo o processo. Diante disto, podemos dizer que a construção do conhecimento envolve uma visão epistemológica muito diferente da visão bancária, de memorização de
  • 3. conteúdos e de treinamento que ainda perdura em muitas escolas. Tal concepção é pano de fundo para os preceitos aqui defendidos, tal como a visão que se tem sobre a construtividade do erro e das concepções prévias dos educandos. Sem tais fundamentos, não se concebe, de fato, um processo de avaliação contínua nas escolas. Muitos professores nem mesmo são conscientes da reprodução de um modelo, agindo sem questionamento, sem reflexão, a respeito do significado da avaliação na escola. A avaliação visa desenvolver a capacidade de construir um olhar reflexivo e dinamizado nos processos da aprendizagem fundamentalmente marcada pela intencionalidade da ação educativa que exercemos no cotidiano escolar. Neste sentido a avaliação reflete uma concepção de homem, de educação e de sociedade. Concepções de avaliação estão diretamente relacionadas com as concepções de ensino e de aprendizagem e com concepções de relações sociais. Hoffmann afirma que: Se a avaliação contribuir para o desenvolvimento das capacidades dos alunos, pode-se dizer que ela se converte em uma ferramenta pedagógica, em um elemento que melhora a aprendizagem do aluno e a qualidade do ensino. Este,é para mim, o sentido definitivo de um processo de avaliação formativa.(HOFFMANN,1993) O aluno que produz seu próprio conhecimento é aquele que foi avaliado de acordo com o desenvolvimento de suas capacidades e intermediado no seu processo de ensino por um educador. De acordo ainda com Hoffmann, (2005) podemos afirmar que a avaliação deve acontecer por meio de propostas educativas articuladas em termos de gradação e complexidade. É preciso desafiar os alunos a prender sendo que esses desafios devem ser superáveis instigando o educador a questionar sempre mais e assim explorar por meio de estratégias de pensamentos possibilitando a interação entre os alunos e promovendo a autoria e o conhecimento e as transformações da avaliação são multidimensionais. Uma grande questão é que avaliar envolve valor, e valor envolve pessoa. Nós somos o que sabemos em múltiplas dimensões. Quando avaliamos uma pessoa, nos envolvemos por inteiro - o que sabemos o que sentimos o que conhecemos desta pessoa, a relação que nós temos com ela. E é esta relação que o professor acaba criando com seu aluno. Então, para que ele transforme essa sua prática, algumas concepções são extremamente necessárias. Em primeiro lugar,
  • 4. o sentimento de compromisso em relação àquela pessoa com quem está se relacionando. Avaliar é muito mais que conhecer o aluno, é reconhecê-lo como uma pessoa digna de respeito e de interesse. Em segundo lugar, o professor precisa estar preocupado com a aprendizagem desse aluno. Concebe-se a aprendizagem do ponto de vista comportamentalista, o professor define como uma modificação de comportamento produzida por alguém que ensina em alguém que aprende. O conhecimento do aluno vem dos objetos e cabe ao professor organizar os estímulos com os quais o aluno entrará em contato para aprender. A prática pedagógica consistirá, então, na transmissão clara e explícita dos conteúdos pelo professor, apresentando exemplos preferentemente concretos (organização de estímulos). Essa situação, por si só, promoverá a aprendizagem, desde que o aluno entre em contato com tais estímulos, esteja atento às situações. Assim, se o professor oferecer explicações claras, textos explicativos consistentes e organizar o ambiente pedagógico, o aluno aprenderá, exceto se não estiver presente, ou não estiver atento às explicações, não memorizar os dados transmitidos pelo professor, ou não cumprir as tarefas de leitura solicitadas. O professor se torna um aprendiz do processo, pois se aprofunda nas estratégias de pensamento do aluno, nas formas como ele age, pensa e realiza essas atividades educativas. Só assim é que o professor pode intervir, ajudar e orientar esse aluno. É um comprometimento do professor com a sua aprendizagem - tornar-se um permanente aprendiz. Aprendiz da sua disciplina e dos próprios processos de aprendizagem. Por isso a avaliação é um terreno bastante arenoso, complexo e difícil. Mudamos como pessoa quando passamos a perceber o enorme comprometimento que temos como educadores ao avaliar um aluno. De acordo com Luckesi (1995), a avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida em que se articula com um projeto pedagógico e com seu conseqüente projeto de ensino. A avaliação, tanto no geral quanto no caso específico da aprendizagem, não possui uma finalidade em si; ela subsidia um curso de ação que visa construir um resultado previamente definido. No caso que nos interessa, a avaliação subsidia decisões a respeito da aprendizagem dos educandos, tendo em vista garantir a qualidade do resultado que estamos construindo. Por isso, não pode ser estudada, definida e delineada sem um projeto que a articule.
  • 5. A avaliação da aprendizagem destina-se a servir de base para tomadas de decisões no sentido de construir com e nos educandos conhecimentos, habilidades e hábitos que possibilitem o seu efetivo desenvolvimento, através da assimilação ativa do legado cultural da sociedade. Luckesi (1995), afirma que a avaliação, diferentemente da verificação, envolve um ato que ultrapassa a obtenção de configuração do objeto, exigindo decisão do que fazer ante ou com ele. A verificação é uma ação que "congela" o objeto; a avaliação, por sua vez, direciona o objeto numa trilha dinâmica de ação. A avaliação não é um fim, mas um meio de melhorar o processo de aprendizagem através da possibilidade de detectar erros construtivos e êxitos do aluno, do professor e da própria Escola. Cada aluno tem o direito de seguir o seu próprio ritmo de aprendizagem, sendo valorizado o processo de construção e elaboração do conhecimento, mais do que o resultado em si. A avaliação vista na concepção de parte integrante do processo de aprender, acompanha cada etapa e tem como mostrar ao professor e aos alunos o que já foi aprendido e se há desvios na aprendizagem, que precisam ser revistos. Confirma-se, assim, que a avaliação é um aspecto importante do processo ensino-aprendizagem, pois oportuniza ao professor verificar se os objetivos educacionais foram alcançados, se atitudes e habilidades foram desenvolvidas, se conhecimentos foram construídos, se comportamentos foram modificados. Busca proporcionar ao aluno uma visão clara e objetiva de seu desempenho nos aspectos que estão sendo trabalhados, a fim de ajudá-lo a crescer nas áreas cognitiva, psicomotora e afetiva. Baseado nos estudos realizados dos teóricos citados, no geral, a escola brasileira opera com a verificação e não com a avaliação da aprendizagem. Este fato fica evidente ao observarmos que os resultados da aprendizagem usualmente têm a função de estabelecer uma classificação do educando, expressa em sua aprovação ou reprovação. O uso dos resultados encerra-se na obtenção e registro da configuração da aprendizagem do educando, nada decorrendo daí. Segundo Luckesi (1995), raramente, só em situações reduzidas e específicas, encontramos professores que fogem a esse padrão usual, fazendo da aferição da aprendizagem um efetivo ato de avaliação. Para estes raros professores, a aferição da aprendizagem manifesta-se como um processo de compreensão dos avanços,
  • 6. limites e dificuldades que os educandos estão encontrando para atingir os objetivos do curso, disciplina ou atividade da qual estão participando. A avaliação é, neste contexto, um excelente mecanismo subsidiário da condução da ação.Enquanto o planejamento é o ato pelo qual decidimos o que construir, a avaliação é o ato crítico que nos subsidia na verificação de como estamos construindo os nossos projetos. A avaliação atravessa o ato de planejar e de executar; por isso contribui em todo o percurso da ação planificada. A avaliação se faz presente não só na identificação da perspectiva político-social, como também na seleção de meios alternativos e na execução do projeto, tendo em vista a sua construção. Ou seja, a avaliação, como crítica de percurso, é uma ferramenta necessária ao ser humano no processo de construção dos resultados que planificou produzir, assim como o é no redimensionamento da direção da ação. A avaliação é uma ferramenta da qual o ser humano não se livra. Ela faz parte de seu modo de agir e, por isso, é necessário que seja usada da melhor forma possível. O professor deve determinar o que vai ser avaliado e ter a certeza de que os critérios de avaliação que irá usar serão para diagnosticar o rendimento da aprendizagem de uma forma justa, pois a avaliação não deve ser um instrumento punitivo, nem destruir a auto-estima do aluno. Ela deve, sim, ser um instrumento orientador para corrigir as deficiências pedagógicas. Diante disso tudo podemos perceber que muitos educadores, vêm desenvolvendo sua prática docente através de métodos conservadores e autoritários, que em nada se voltavam para a autonomia e o crescimento pelo conhecimento do aluno, e vem a provocar reflexões, discussões e estudos acerca da avaliação como processo de construção pessoal, social e cultural, muitas abordagens ficaram sem fundamento por não apontarem novos caminhos para a prática avaliativa e, mesmo que muitos autores apresentem um enfoque mais atualizado e necessário saber como avaliar o aluno nos dias de hoje, o modelo classificatório que caracterizou a avaliação ainda prevalece nas instituições de ensino. Nesse sentido Silva (2003), afirma que desenvolver uma nova postura avaliativa requer desconstruir e reconstruir a concepção e também a prática da avaliação para que se possa romper a cultura arraigada na classificação, memorização,seleção e exclusão tão marcantes no nosso sistema de ensino. Acerca
  • 7. disso pressupõem então que a autoria na aprendizagem avaliativa requer muita reflexão do no que se refere avaliar com novas concepções.