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A entrevista motivacional no Brasil:
uma revisão sistemática
Ilana Andretta*
Elisabeth Meyer**
Renata Peretti Kuhn***
Maisa Rigon****
Resumo
A entrevista motivacional (EM) é uma técnica que visa aumentar a motivação das pessoas nos processos de mudança
e que vem sendo descrita pela literatura mundial de forma consistente. O presente estudo objetivou identificar os
estudos que vêm sendo realizados no Brasil, bem como identificar suas principais características. Foi realizada uma
busca sistemática de estudos clínicos em amostras brasileiras nos últimos dez anos e foram analisados 13 estudos. A
EM no Brasil vem sendo aplicada em contextos clínicos, na maioria dos estudos em comportamentos relacionados ao
uso de drogas, no formato individual e associado a outras técnicas. Alguns resultados demonstram que ela aumentou
a motivação no processo de mudança, mas ainda se fazem necessários mais estudos para verificação da efetividade
desta técnica no Brasil.
Palavras-chave: entrevista motivacional; Brasil; estudos clínicos.
Motivational Interviewing in Brazil: a Sistematic Review
Abstract
Motivational Interviewing (MI) is a technique that aims at increasing the motivation of people in change processes
and that has been consistently described by literature. This study aimed at identifying studies that have been conducted
in Brazil and identify its main features. A systematic search of clinical studies was conducted in Brazilian samples
over the past decade and 13 studies were analyzed. In most studies on behaviors related to drug use, IM in Brazil
has been applied in clinical settings, in the individual format, and associated with other techniques. Some results
show that it increased motivation in change processes, but still more studies are needed to check the effectiveness
of this technique in Brazil.
Keywords: motivational interviewing; Brazil; clinical studies.
*	 Unisinos – email: ilana.andretta@gmail.com
**	Unisinos
***	Unisinos
**** Unisinos
Copyright 2014 pelo Instituto Metodista de
Ensino Superior CGC 44.351.146/0001-57
Mudanças – Psicologia da Saúde,
22 (2), Jul.-Dez. 2014, 15-21p
Ilana Andretta et al.16
Advances in Health Psychology, 22 (2) 15-21, Jul.-Dez., 2014
Introdução
A entrevista motivacional (EM) foi descrita inicial-
mente por William Miller, em 1983, como uma técnica
específica para aumentar a motivação das pessoas nos
processos de mudança, e os princípios fundamentais e
procedimentos práticos foram descritos com detalhes por
Miller e Rollnick (Miller & Rollnick, 2001). Mais do que
isso, a EM lança mão de um conjunto de métodos empre-
gados para ajudar os indivíduos a aumentar a motivação
intrínseca ao explorar e resolver a ambivalência sobre a
mudança de um comportamento específico.
O objetivo principal é auxiliar nos processos de
mudanças comportamentais, trabalhando a resolução
dessa ambivalência. Também conhecida como intervenção
motivacional (IM) ou como MET (motivational enhancement
therapy), foi planejada para uma intervenção focada no
problema e breve, podendo ser realizada em uma única
entrevista ou como um processo terapêutico comumente
desenvolvido em breves sessões, sendo essencialmente
útil nos serviços de atenção primária por estar baseada
em dois conceitos: o de prontidão para a mudança e o
de ambivalência (Andretta & Oliveira, 2008).
Esta abordagem foi utilizada originalmente com a
finalidade de auxiliar alcoolistas e, posteriormente, adaptada
para uso em diferentes contextos da área da saúde (Rollni-
ck, Miller & Butler, 2009). Atualmente existem mais de 160
ensaios clínicos randomizados sobre a EM, em diferentes
áreas da saúde, como hipertensão (Broers et al., 2005),
diabetes (Channon, Smith & Gregory, 2003), doenças
cardíacas (Beckie, 2006), uso do protetor solar (Rollnick et
al., 2009), violência doméstica (Musser & Murphy, 2009),
comorbidades ao uso de drogas e uso de drogas (Babor,
2004; Lundahl, Kunz, Brownell, Tollefson & Burke, 2010),
transtornos alimentares (Kreman et al., 2006), relações
familiares (Kelly, Halford & Young, 2000), jogo patológico
(Hodgins, Ching & McEwen, 2009), HIV/AIDS (Thrasher
et al., 2006), adesão medicamentosa (Aliotta, Vlasnik &
Delor, 2004), infração e aderência ao processo terapêutico
(Andretta & Oliveira, 2011; Rollnick et al., 2009).
Tendo em vista o crescente número de estudos
clínicos realizados com a EM, este artigo tem como
objetivo descrever seu panorama no Brasil, avaliando se
os pesquisadores brasileiros têm utilizado a intervenção,
em quais circunstâncias e os resultados encontrados, por
meio de uma revisão sistemática.
Método
Este estudo é de uma revisão sistemática realizada
para verificar os artigos publicados utilizando a entrevista
motivacional no Brasil. Os estudos foram identificados
por meio de busca nas seguintes bases de dados: PsycIn-
fo, PePSIC, Scielo, Lilacs e Medline, utilizando os des-
critores motivational interviewing e entrevista motivacional,
publicados no período entre 2003 e 2013, que foram
realizados no Brasil. Foram excluídos da busca estudos
realizados em outros países, estudos teóricos, revisões
sistemáticas e meta-análises.
Resultados
Inicialmente foram encontrados no PsycInfo 123
artigos. Após análise, nenhum se encaixou nas categorias
da proposta; na Scielo foram encontrados dez, sendo
cinco coerentes com a pesquisa; no Lilacs, 24, sendo
oito selecionados e; na Medline, 1593, e após a seleção
de estudos brasileiros apenas quatro foram levados em
conta. Alguns estudos foram repetidos nas bases e, ao
final do processo de análise, ficaram 13 artigos. Estes
serão apresentados abaixo, de forma sintetizada, a fim
de evidenciar os participantes, o formato da técnica, se
houve comparação com outro tratamento, além dos efei-
tos de seu uso nos resultados dos tratamentos.
Jaeger e Oliveira (2003) examinaram a intervenção
que utilizou a EM em uma amostra com dependência
grave de álcool. A intervenção em grupo foi realizada em
ambiente ambulatorial, constituída de quatro sessões, e
os resultados foram comparados com os do tratamento
convencional. Neste estudo, os achados não foram esta-
tisticamente favoráveis à EM.
No estudo de Jungerman et al. (2006) foram avalia-
dos 160 usuários de maconha alocados randomicamente
em três grupos: um recebeu quatro sessões de EM asso-
ciada a técnica de prevenção de recaída (PR) em um mês,
o outro grupo recebeu as mesmas sessões de EM e PR,
mas em três meses, e um grupo ficou em lista de espera
para ser alocado em um dos grupos de tratamento, após
a reavaliação. Os três grupos foram reavaliados quatro
meses após a avaliação inicial. O primeiro grupo perdeu
oito sujeitos após o tratamento e foram reavaliados 37
dos 56 ingressantes iniciais. O segundo grupo perdeu 17
sujeitos após a intervenção e foram reavaliados 27 dos
52 iniciantes. No terceiro grupo foram reavaliados 35
sujeitos após a avaliação inicial. Os resultados encontra-
dos mostram que os sujeitos dos grupos que receberam
intervenção diminuíram a porcentagem do número de
dias fumando maconha e do número de cigarros por dia.
Entretanto, nestas duas medidas, não houve diferença
entre os dois grupos que receberam intervenção. Houve
diferença entre os grupos que receberam intervenção
Mudanças – Psicologia da Saúde, 22 (2) 15-21, Jul.-Dez., 2014
A entrevista motivacional no Bbrasil: uma revisão sistemática 17
Quadro 1 – Estudos selecionados para a revisão
Estudo Resultados
Jaeger & Oliveira (2003) Não houve eficácia significativamente maior a favor da intervenção ao
final do tratamento.
Jungerman, Andreoni e Laranjeira (2006) Redução no uso de maconha nos dois grupos de intervenção, mas sem
diferença entre eles.
Jaeger, Oliveira, Freire (2008) 60% dos participantes não tiveram consumo de álcool.
Oliveira, Andretta, Rigoni e
Szupszynski (2008)
Grupo da EM ficou abstinente por mais tempo e compareceu em maior
número ao segundo follow-up.
Andretta e Oliveira (2008) Diminuição do consumo de maconha, álcool e tabaco e diminuição do
estágio de pré-contemplação.
Fernandes et al. (2010) A proporção dos que se abstiveram no grupo da EM foi significativa-
mente maior do que no grupo controle
Azevedo et al. (2010) O grupo da EM diminuiu o número de cigarros diários em comparação
com os outros dois grupos.
Meyer et al. (2010c) Ambos os grupos reduziram os sintomas obsessivo-compulsivos. A redução
e remissão foram significativamente maiores no grupo da EM/MC
Meyer et al. (2010a) O grupo da EM/MC, em comparação com grupo controle, apresentou di-
ferença significativa na média do escore total da DYBOCS1
e no escore da
dimensão de contaminação e agressão. Colecionismo apresentou melhora
com tendência
estatística.
Meyer et al. (2010b)
Andretta e Oliveira (2011)
Aumento no uso de mecanismos de defesa maduros e diminuição do uso
de defesas neuróticas no grupo da EM. Grupo controle não alterou a uti-
lização de qualquer mecanismo de defesa.
Os dois grupos diminuíram o consumo de drogas e diminuíram o estágio
da pré-conteplação. Não houve diferença estatisticamente significativa
entre os grupos.
Moraes e Oliveira (2011) A maioria das participantes estavam no estágio de ação e houve diminuição
na compulsão alimentar, nos sintomas de ansiedade e depressão depois da
intervenção.
Segatto, Andreoni, Silva,
Diehl e Pinsky (2011)
Não houve diferença significativa entre os grupos. Os dois grupos reduzi-
ram uso de álcool e problemas relacionados.
em relação aos problemas relacionados aos sintomas de
dependência, como problemas médicos, desemprego e
envolvimento com atos ilícitos. O grupo que recebeu
intervenção durante três meses apresentou melhores
resultados que os outros dois. Entretanto, o grupo que
recebeu intervenção durante um mês apresentou menos
desistências entre as avaliações.
A amostra no estudo de Jaeger et al. (2008) foi com-
posta de 36 homens com idades entre 35 a 62 anos que
estavam em fase de desintoxicação do álcool no início
do estudo. A EM foi utilizada no formato grupal, e os
participantes foram avaliados antes de iniciar o tratamento
e no seguimento de três meses. Após noventa dias, foi
possível observar que o consumo médio de álcool dimi-
nuiu significativamente e mais de 60% dos indivíduos não
consumiram álcool.
Oliveira et al. (2008) avaliaram dependentes de ál-
cool que estavam internados para desintoxicação, em três
momentos: antes, depois da intervenção e, novamente,
após quatro anos da avaliação inicial. Os grupos, inicial-
1
	 Escala Dimensional de Sintomas Obsessivo-Compulsivos de Yale-Brown.
Ilana Andretta et al.18
Advances in Health Psychology, 22 (2) 15-21, Jul.-Dez., 2014
mente, foram alocados randomicamente em um grupo
experimental que recebeu cinco sessões de EM associado
ao tratamento padrão do local de internação baseado no
modelo de prevenção à recaída, e o grupo controle, que
recebeu apenas o tratamento padrão. Após a última ava-
liação, que foi realizada com uma entrevista estruturada
para investigação de variáveis sociodemográficas e uso,
padrão e consequências do uso de álcool, o grupo expe-
rimental retornou em maior número, além de apresentar
maiores índices de abstinência.
Em um estudo de Andretta e Oliveira (2008), re-
alizado em cinquenta adolescentes usuários de drogas
que cometeram ato infracional, foi avaliado o consumo
de drogas, o estágio motivacional e as crenças cognitivas
associadas ao uso de drogas em grupo único, antes e
depois da avaliação. A intervenção consistiu em cinco
sessões de EM individuais associadas à terapia cognitivo-
-comportamental (TCC). Os resultados evidenciaram que
neste grupo houve diminuição no consumo de maconha,
álcool e tabaco, nas crenças associadas ao uso de drogas
e houve diminuição na pré-contemplacão, ou seja, os
adolescentes passaram a ter uma consciência maior so-
bre o problema. Uma limitação deste estudo é que não
houve comparação com grupo controle, tratando-se de
um estudo quase experimental.
Em um estudo que envolveu 524 indivíduos, Fer-
nandes et al. (2010) avaliaram a eficácia de uma inter-
venção por telefone que utilizou a abordagem da EM
na cessação do consumo de maconha. Os participantes
foram aleatoriamente designados para a intervenção
experimental ou para a intervenção mínima e os pesqui-
sadores verificaram o consumo de maconha e o nível de
motivação para a mudança de comportamento durante
seis meses. Os resultados demonstraram que 73% dos
indivíduos no grupo da intervenção cessaram o consu-
mo de maconha, comparado a 59% no grupo controle.
Não houve diferença significativa na motivação para a
mudança de comportamento nos dois grupos.
No estudo efetivado por Azevedo et al. (2010), 353
participantes foram alocados em três grupos: um grupo
recebeu trinta minutos de EM, outro grupo, quinze minu-
tos de tratamento informativo (aconselhamento), e outro,
ainda, recebeu apenas tratamento padrão do hospital de
internação para dependentes de tabaco. Após seis meses
da avaliação, os participantes foram reavaliados por tele-
fone. Os resultados mostraram que os índices de cessação
do comportamento de fumar foram maiores no grupo da
EM e os motivos relacionados ao fracasso da abstinência
estavam relacionados aos sintomas de abstinência, baixa
idade e baixa motivação na primeira avaliação.
Em um estudo que envolveu 93 pacientes com
transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), Meyer et al.
(2010) avaliaram os efeitos de se acrescentar duas sessões
individuais de EM mais mapeamento cognitivo (MC)
a 12 semanas de TCC na resposta ao tratamento dos
pacientes, quando comparados apenas à TCC. Quando
os dois grupos foram comparados, ambos apresentaram
redução dos sintomas do TOC. No entanto, a redução e
remissão dos sintomas foram significativamente maiores
no grupo da EM+MC seguido da TCC. Além disso, os
resultados positivos foram mantidos após três meses de
seguimento, com redução adicional de sintomas.
O ensaio clínico randomizado de Meyer et al. (2010)
permitiu observar quais dimensões dos sintomas obses-
sivo-compulsivos poderiam ser modificadas, adicionando
duas sessões individuais de EM e MC à terapia cognitivo-
-comportamental grupal (TCCG). Uma amostra de qua-
renta pacientes ambulatoriais com diagnóstico primário
de TOC foi alocada aleatoriamente para receber TCC
apenas, ou EM/MC+TCC. Ao final do tratamento, houve
diferença estatisticamente significativa entre os grupos na
média do escore total da escala dimensional para sinto-
mas obsessivo-compulsivos de Yale-Brown e no escore
da dimensão de contaminação e agressão. Colecionismo
apresentou melhora com tendência estatística.
Por último, Meyer et al. (2010) examinaram a efi-
cácia de adicionar duas sessões individuais de EM/MC
ao tratamento de TCC para pacientes com TOC, em
comparação com o tratamento padrão nos possíveis
reajustamentos dos mecanismos de defesa medidos por
meio do questionário de mecanismos de defesa (DSQ-
40) (Blaya et al., 2004). O DSQ-40 avalia os derivativos
conscientes dos mecanismos de defesa com a intenção
de evidenciar manifestações de um estilo característico
do sujeito de lidar com o conflito, consciente ou incons-
ciente, baseado na suposição de que as pessoas podem
comentar acuradamente sobre seu comportamento “a
distância”. Por meio do DSQ-40 é possível obter-se uma
aproximação das medidas dos diferentes mecanismos de
defesa, identificados como estilos defensivos: 1) imaturo;
2) neurótico; e 3) maduro. Ao final do estudo, foi pos-
sível observar diferenças significativas na diminuição do
uso de mecanismos de defesa neurótico e aumento no
uso de defesas maduras no grupo da intervenção. Além
disso, os pacientes que tiveram remissão completa dos
sintomas do TOC diferiram no uso de mecanismos de
Mudanças – Psicologia da Saúde, 22 (2) 15-21, Jul.-Dez., 2014
A entrevista motivacional no Bbrasil: uma revisão sistemática 19
defesa imaturos. Não foram observadas mudanças na
utilização dos mecanismos de defesa no grupo controle.
Andretta e Oliveira (2011) realizaram um estudo
clínico com 135 adolescentes usuários de drogas que
cometeram algum tipo de ato infracional, utilizando a EM
para aumentar a motivação para seu tratamento. Utiliza-
ram a EM no grupo experimental e, no grupo controle,
a psicoeducação. Finalizaram o estudo 48 adolescentes:
27 no grupo da EM e 21 no grupo da psicoeducação. O
grupo da EM diminuiu o consumo de maconha e tabaco
e o grupo da psicoeducação diminuiu o consumo de ma-
conha e álcool. Com relação aos estágios motivacionais,
independentemente do grupo, observou-se redução na
média da pré-contemplação. As técnicas apresentaram
resultados positivos em relação à diminuição do consumo
de drogas e da média de pré-contemplação, entretanto,
não houve diferença significativa entre as duas.
Em um estudo pré-experimental, Moraes e Oliveira
(2011) realizaram seis sessões estruturadas baseadas na
EM em grupo com pacientes do sexo feminino para
tratamento da obesidade. As pacientes foram avaliadas
antes e depois da intervenção por meio da régua de
prontidão para mudanças, que avalia o estágio motivacio-
nal, os inventários Beck para intensidade de depressão e
ansiedade, e um instrumento que avalia a frequência de
episódios de compulsão. Neste estudo foram encontra-
dos resultados que evidenciaram redução dos sintomas
de depressão e ansiedade, bem como diminuição dos
episódios de compulsão após a intervenção. Além disso,
a maioria das participantes estava no estágio de ação
para mudança.
Segatto et al. (2011) aplicaram a EM em um grupo
de adolescentes que fizeram uso de álcool nas últimas
seis horas e deram entrada em emergência de hospital,
comparando com outro grupo que apenas recebeu trata-
mento informativo manualizado. A sessão tinha duração
de 45 minutos e ambos os grupos foram reavaliados três
meses depois, pessoalmente ou por telefone. A reavaliação
mostrou que não houve diferença entre os grupos em
relação ao uso de álcool e entre os estágios de mudança
em relação ao uso, entretanto ambos aumentaram sua
conscientização sobre as consequências negativas em
relação ao uso de álcool.
Discussão
Os resultados desta revisão mostraram que a EM
tem sido oferecida como abordagem isolada ou asso-
ciada a outras formas de tratamento para pacientes na
área da psiquiatria, principalmente no que diz respeito
ao consumo de drogas. As principais drogas citadas nes-
tes estudos foram maconha, tabaco e álcool (Stephens,
Roffman & Curtin, 2000), álcool (Vasiliak, Hosier &
Cox, 2006) e tabaco (Supplee, 2005), conforme descrito
pela literatura. Nos estudos brasileiros, a EM vem sendo
utilizada para comportamentos do espectro compulsivo,
como uso de drogas, sintomas obsessivos e compulsivos
e compulsão alimentar.
Esta revisão permitiu-nos observar que a EM é
usualmente associada a outras abordagens, e apenas dois
estudos não utilizaram comparação com grupo-controle,
contrário a outros estudos descritos com a técnica feitos
anteriormente (Marijuana Treatment Project Research,
2004; Project MATCH Research Group, 1997). Um es-
tudo comparou a EM com psicoeducação (Segatto et al.,
2010), e os outros estudos a acrescentaram ao tratamento
com TCC e sessões extras de EM. Quanto ao tempo de
intervenção, observamos que foi de vinte minutos a duas
horas. Em geral, a EM é realizada individualmente, e ape-
nas dois estudos utilizaram a técnica em grupos (Jaeger
& Oliveira, 2003; Jaeger et al., 2008). Os atendimentos
em grupo contaram com 5 a 8 participantes.
Alguns estudos foram realizados com amostras hos-
pitalizadas. Os estudos de Jaeger et al. (2008) e Oliveira
et al. (2008) foram realizados com pacientes que estavam
inicialmente internados para desintoxicação em uma uni-
dade especializada no tratamento de dependência química.
O estudo de Azevedo et al. (2010) foi realizado com pa-
cientes tabagistas em hospital geral, e o de Segatto et al.
(2010) foi realizado em pronto-socorro com adolescentes
e adultos jovens com problemas com álcool. No estudo
realizado por Fernandes et al. (2010) houve a aplicação
da EM por contato telefônico. Nas demais pesquisas, os
participantes responderam a chamados pela mídia ou por
meio de palestras para comparecer a serviços de atendi-
mento ambulatorial.
Os instrumentos de avaliação utilizados nos es-
tudos objetivaram identificar consumo, gravidade,
percepção de risco, problemas associados ao uso, de-
pendência em relação às drogas. Também se evidenciou
a preocupação com a caracterização da população em
relação à presença de diagnóstico ateórico e intensida-
de de sintomas de depressão, ansiedade, e compulsões
(Westra & Phoenix, 2003). Os estágios motivacionais
foram avaliados em dois estudos. Um estudo também
avaliou os mecanismos de defesa por meio de instru-
mento específico.
Dois estudos apresentaram resultados semelhantes
entre as técnicas testadas no que tange à diminuição do
Ilana Andretta et al.20
Advances in Health Psychology, 22 (2) 15-21, Jul.-Dez., 2014
uso de drogas (Jungerman et al; 2006; Segatto et al.,
2010). Entretanto, um estudo de seguimento realizado
quatro anos após a avaliação inicial demonstrou que o
grupo da EM manteve-se por um período maior em
abstinência (Oliveira et al., 2008). Em um dos estudos,
o grupo que recebeu EM teve uma redução maior em
relação ao consumo de tabaco (Azevedo et al., 2010)
e, ainda, três pesquisas desta revisão evidenciaram que,
quando o tratamento padrão é associado à EM, a efi-
cácia é maior do que quando oferecido isoladamente.
Em relação aos profissionais diretamente responsá-
veis pela intervenção, é importante assinalar que nem to-
dos os artigos revisados deixaram claro qual a formação,
o tipo e tempo despendido ao treinamento dos princípios
e espírito da EM. Desta forma, pode-se pensar que alguns
resultados possam ter ficado abaixo do esperado.
Sabe-se que a EM é uma estratégia potencialmente
efetiva para aumentar a prontidão para a mudança de um
comportamento-alvo do paciente. Considera-se relevante
examinar, com rigor científico, se a adição de estratégias
motivacionais pode favorecer o aumento da resposta a
terapias já bem estabelecidas. Além disso, é imprescindí-
vel verificar quais componentes da EM são responsáveis
pelos resultados obtidos ao final da intervenção, bem
como pela manutenção dos efeitos positivos no segui-
mento. Desta forma, sugerem-se novas pesquisas que
envolvam a discussão, e aprimoramento de estudos que
utilizem esta estratégia no Brasil, bem como em outros
países do mundo, para um melhor panorama sobre esta
área de investigação.
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Submetido em: 8-1-2014
Aceito em: 1-6-2015

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  • 1. A entrevista motivacional no Brasil: uma revisão sistemática Ilana Andretta* Elisabeth Meyer** Renata Peretti Kuhn*** Maisa Rigon**** Resumo A entrevista motivacional (EM) é uma técnica que visa aumentar a motivação das pessoas nos processos de mudança e que vem sendo descrita pela literatura mundial de forma consistente. O presente estudo objetivou identificar os estudos que vêm sendo realizados no Brasil, bem como identificar suas principais características. Foi realizada uma busca sistemática de estudos clínicos em amostras brasileiras nos últimos dez anos e foram analisados 13 estudos. A EM no Brasil vem sendo aplicada em contextos clínicos, na maioria dos estudos em comportamentos relacionados ao uso de drogas, no formato individual e associado a outras técnicas. Alguns resultados demonstram que ela aumentou a motivação no processo de mudança, mas ainda se fazem necessários mais estudos para verificação da efetividade desta técnica no Brasil. Palavras-chave: entrevista motivacional; Brasil; estudos clínicos. Motivational Interviewing in Brazil: a Sistematic Review Abstract Motivational Interviewing (MI) is a technique that aims at increasing the motivation of people in change processes and that has been consistently described by literature. This study aimed at identifying studies that have been conducted in Brazil and identify its main features. A systematic search of clinical studies was conducted in Brazilian samples over the past decade and 13 studies were analyzed. In most studies on behaviors related to drug use, IM in Brazil has been applied in clinical settings, in the individual format, and associated with other techniques. Some results show that it increased motivation in change processes, but still more studies are needed to check the effectiveness of this technique in Brazil. Keywords: motivational interviewing; Brazil; clinical studies. * Unisinos – email: ilana.andretta@gmail.com ** Unisinos *** Unisinos **** Unisinos Copyright 2014 pelo Instituto Metodista de Ensino Superior CGC 44.351.146/0001-57 Mudanças – Psicologia da Saúde, 22 (2), Jul.-Dez. 2014, 15-21p
  • 2. Ilana Andretta et al.16 Advances in Health Psychology, 22 (2) 15-21, Jul.-Dez., 2014 Introdução A entrevista motivacional (EM) foi descrita inicial- mente por William Miller, em 1983, como uma técnica específica para aumentar a motivação das pessoas nos processos de mudança, e os princípios fundamentais e procedimentos práticos foram descritos com detalhes por Miller e Rollnick (Miller & Rollnick, 2001). Mais do que isso, a EM lança mão de um conjunto de métodos empre- gados para ajudar os indivíduos a aumentar a motivação intrínseca ao explorar e resolver a ambivalência sobre a mudança de um comportamento específico. O objetivo principal é auxiliar nos processos de mudanças comportamentais, trabalhando a resolução dessa ambivalência. Também conhecida como intervenção motivacional (IM) ou como MET (motivational enhancement therapy), foi planejada para uma intervenção focada no problema e breve, podendo ser realizada em uma única entrevista ou como um processo terapêutico comumente desenvolvido em breves sessões, sendo essencialmente útil nos serviços de atenção primária por estar baseada em dois conceitos: o de prontidão para a mudança e o de ambivalência (Andretta & Oliveira, 2008). Esta abordagem foi utilizada originalmente com a finalidade de auxiliar alcoolistas e, posteriormente, adaptada para uso em diferentes contextos da área da saúde (Rollni- ck, Miller & Butler, 2009). Atualmente existem mais de 160 ensaios clínicos randomizados sobre a EM, em diferentes áreas da saúde, como hipertensão (Broers et al., 2005), diabetes (Channon, Smith & Gregory, 2003), doenças cardíacas (Beckie, 2006), uso do protetor solar (Rollnick et al., 2009), violência doméstica (Musser & Murphy, 2009), comorbidades ao uso de drogas e uso de drogas (Babor, 2004; Lundahl, Kunz, Brownell, Tollefson & Burke, 2010), transtornos alimentares (Kreman et al., 2006), relações familiares (Kelly, Halford & Young, 2000), jogo patológico (Hodgins, Ching & McEwen, 2009), HIV/AIDS (Thrasher et al., 2006), adesão medicamentosa (Aliotta, Vlasnik & Delor, 2004), infração e aderência ao processo terapêutico (Andretta & Oliveira, 2011; Rollnick et al., 2009). Tendo em vista o crescente número de estudos clínicos realizados com a EM, este artigo tem como objetivo descrever seu panorama no Brasil, avaliando se os pesquisadores brasileiros têm utilizado a intervenção, em quais circunstâncias e os resultados encontrados, por meio de uma revisão sistemática. Método Este estudo é de uma revisão sistemática realizada para verificar os artigos publicados utilizando a entrevista motivacional no Brasil. Os estudos foram identificados por meio de busca nas seguintes bases de dados: PsycIn- fo, PePSIC, Scielo, Lilacs e Medline, utilizando os des- critores motivational interviewing e entrevista motivacional, publicados no período entre 2003 e 2013, que foram realizados no Brasil. Foram excluídos da busca estudos realizados em outros países, estudos teóricos, revisões sistemáticas e meta-análises. Resultados Inicialmente foram encontrados no PsycInfo 123 artigos. Após análise, nenhum se encaixou nas categorias da proposta; na Scielo foram encontrados dez, sendo cinco coerentes com a pesquisa; no Lilacs, 24, sendo oito selecionados e; na Medline, 1593, e após a seleção de estudos brasileiros apenas quatro foram levados em conta. Alguns estudos foram repetidos nas bases e, ao final do processo de análise, ficaram 13 artigos. Estes serão apresentados abaixo, de forma sintetizada, a fim de evidenciar os participantes, o formato da técnica, se houve comparação com outro tratamento, além dos efei- tos de seu uso nos resultados dos tratamentos. Jaeger e Oliveira (2003) examinaram a intervenção que utilizou a EM em uma amostra com dependência grave de álcool. A intervenção em grupo foi realizada em ambiente ambulatorial, constituída de quatro sessões, e os resultados foram comparados com os do tratamento convencional. Neste estudo, os achados não foram esta- tisticamente favoráveis à EM. No estudo de Jungerman et al. (2006) foram avalia- dos 160 usuários de maconha alocados randomicamente em três grupos: um recebeu quatro sessões de EM asso- ciada a técnica de prevenção de recaída (PR) em um mês, o outro grupo recebeu as mesmas sessões de EM e PR, mas em três meses, e um grupo ficou em lista de espera para ser alocado em um dos grupos de tratamento, após a reavaliação. Os três grupos foram reavaliados quatro meses após a avaliação inicial. O primeiro grupo perdeu oito sujeitos após o tratamento e foram reavaliados 37 dos 56 ingressantes iniciais. O segundo grupo perdeu 17 sujeitos após a intervenção e foram reavaliados 27 dos 52 iniciantes. No terceiro grupo foram reavaliados 35 sujeitos após a avaliação inicial. Os resultados encontra- dos mostram que os sujeitos dos grupos que receberam intervenção diminuíram a porcentagem do número de dias fumando maconha e do número de cigarros por dia. Entretanto, nestas duas medidas, não houve diferença entre os dois grupos que receberam intervenção. Houve diferença entre os grupos que receberam intervenção
  • 3. Mudanças – Psicologia da Saúde, 22 (2) 15-21, Jul.-Dez., 2014 A entrevista motivacional no Bbrasil: uma revisão sistemática 17 Quadro 1 – Estudos selecionados para a revisão Estudo Resultados Jaeger & Oliveira (2003) Não houve eficácia significativamente maior a favor da intervenção ao final do tratamento. Jungerman, Andreoni e Laranjeira (2006) Redução no uso de maconha nos dois grupos de intervenção, mas sem diferença entre eles. Jaeger, Oliveira, Freire (2008) 60% dos participantes não tiveram consumo de álcool. Oliveira, Andretta, Rigoni e Szupszynski (2008) Grupo da EM ficou abstinente por mais tempo e compareceu em maior número ao segundo follow-up. Andretta e Oliveira (2008) Diminuição do consumo de maconha, álcool e tabaco e diminuição do estágio de pré-contemplação. Fernandes et al. (2010) A proporção dos que se abstiveram no grupo da EM foi significativa- mente maior do que no grupo controle Azevedo et al. (2010) O grupo da EM diminuiu o número de cigarros diários em comparação com os outros dois grupos. Meyer et al. (2010c) Ambos os grupos reduziram os sintomas obsessivo-compulsivos. A redução e remissão foram significativamente maiores no grupo da EM/MC Meyer et al. (2010a) O grupo da EM/MC, em comparação com grupo controle, apresentou di- ferença significativa na média do escore total da DYBOCS1 e no escore da dimensão de contaminação e agressão. Colecionismo apresentou melhora com tendência estatística. Meyer et al. (2010b) Andretta e Oliveira (2011) Aumento no uso de mecanismos de defesa maduros e diminuição do uso de defesas neuróticas no grupo da EM. Grupo controle não alterou a uti- lização de qualquer mecanismo de defesa. Os dois grupos diminuíram o consumo de drogas e diminuíram o estágio da pré-conteplação. Não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos. Moraes e Oliveira (2011) A maioria das participantes estavam no estágio de ação e houve diminuição na compulsão alimentar, nos sintomas de ansiedade e depressão depois da intervenção. Segatto, Andreoni, Silva, Diehl e Pinsky (2011) Não houve diferença significativa entre os grupos. Os dois grupos reduzi- ram uso de álcool e problemas relacionados. em relação aos problemas relacionados aos sintomas de dependência, como problemas médicos, desemprego e envolvimento com atos ilícitos. O grupo que recebeu intervenção durante três meses apresentou melhores resultados que os outros dois. Entretanto, o grupo que recebeu intervenção durante um mês apresentou menos desistências entre as avaliações. A amostra no estudo de Jaeger et al. (2008) foi com- posta de 36 homens com idades entre 35 a 62 anos que estavam em fase de desintoxicação do álcool no início do estudo. A EM foi utilizada no formato grupal, e os participantes foram avaliados antes de iniciar o tratamento e no seguimento de três meses. Após noventa dias, foi possível observar que o consumo médio de álcool dimi- nuiu significativamente e mais de 60% dos indivíduos não consumiram álcool. Oliveira et al. (2008) avaliaram dependentes de ál- cool que estavam internados para desintoxicação, em três momentos: antes, depois da intervenção e, novamente, após quatro anos da avaliação inicial. Os grupos, inicial- 1 Escala Dimensional de Sintomas Obsessivo-Compulsivos de Yale-Brown.
  • 4. Ilana Andretta et al.18 Advances in Health Psychology, 22 (2) 15-21, Jul.-Dez., 2014 mente, foram alocados randomicamente em um grupo experimental que recebeu cinco sessões de EM associado ao tratamento padrão do local de internação baseado no modelo de prevenção à recaída, e o grupo controle, que recebeu apenas o tratamento padrão. Após a última ava- liação, que foi realizada com uma entrevista estruturada para investigação de variáveis sociodemográficas e uso, padrão e consequências do uso de álcool, o grupo expe- rimental retornou em maior número, além de apresentar maiores índices de abstinência. Em um estudo de Andretta e Oliveira (2008), re- alizado em cinquenta adolescentes usuários de drogas que cometeram ato infracional, foi avaliado o consumo de drogas, o estágio motivacional e as crenças cognitivas associadas ao uso de drogas em grupo único, antes e depois da avaliação. A intervenção consistiu em cinco sessões de EM individuais associadas à terapia cognitivo- -comportamental (TCC). Os resultados evidenciaram que neste grupo houve diminuição no consumo de maconha, álcool e tabaco, nas crenças associadas ao uso de drogas e houve diminuição na pré-contemplacão, ou seja, os adolescentes passaram a ter uma consciência maior so- bre o problema. Uma limitação deste estudo é que não houve comparação com grupo controle, tratando-se de um estudo quase experimental. Em um estudo que envolveu 524 indivíduos, Fer- nandes et al. (2010) avaliaram a eficácia de uma inter- venção por telefone que utilizou a abordagem da EM na cessação do consumo de maconha. Os participantes foram aleatoriamente designados para a intervenção experimental ou para a intervenção mínima e os pesqui- sadores verificaram o consumo de maconha e o nível de motivação para a mudança de comportamento durante seis meses. Os resultados demonstraram que 73% dos indivíduos no grupo da intervenção cessaram o consu- mo de maconha, comparado a 59% no grupo controle. Não houve diferença significativa na motivação para a mudança de comportamento nos dois grupos. No estudo efetivado por Azevedo et al. (2010), 353 participantes foram alocados em três grupos: um grupo recebeu trinta minutos de EM, outro grupo, quinze minu- tos de tratamento informativo (aconselhamento), e outro, ainda, recebeu apenas tratamento padrão do hospital de internação para dependentes de tabaco. Após seis meses da avaliação, os participantes foram reavaliados por tele- fone. Os resultados mostraram que os índices de cessação do comportamento de fumar foram maiores no grupo da EM e os motivos relacionados ao fracasso da abstinência estavam relacionados aos sintomas de abstinência, baixa idade e baixa motivação na primeira avaliação. Em um estudo que envolveu 93 pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), Meyer et al. (2010) avaliaram os efeitos de se acrescentar duas sessões individuais de EM mais mapeamento cognitivo (MC) a 12 semanas de TCC na resposta ao tratamento dos pacientes, quando comparados apenas à TCC. Quando os dois grupos foram comparados, ambos apresentaram redução dos sintomas do TOC. No entanto, a redução e remissão dos sintomas foram significativamente maiores no grupo da EM+MC seguido da TCC. Além disso, os resultados positivos foram mantidos após três meses de seguimento, com redução adicional de sintomas. O ensaio clínico randomizado de Meyer et al. (2010) permitiu observar quais dimensões dos sintomas obses- sivo-compulsivos poderiam ser modificadas, adicionando duas sessões individuais de EM e MC à terapia cognitivo- -comportamental grupal (TCCG). Uma amostra de qua- renta pacientes ambulatoriais com diagnóstico primário de TOC foi alocada aleatoriamente para receber TCC apenas, ou EM/MC+TCC. Ao final do tratamento, houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos na média do escore total da escala dimensional para sinto- mas obsessivo-compulsivos de Yale-Brown e no escore da dimensão de contaminação e agressão. Colecionismo apresentou melhora com tendência estatística. Por último, Meyer et al. (2010) examinaram a efi- cácia de adicionar duas sessões individuais de EM/MC ao tratamento de TCC para pacientes com TOC, em comparação com o tratamento padrão nos possíveis reajustamentos dos mecanismos de defesa medidos por meio do questionário de mecanismos de defesa (DSQ- 40) (Blaya et al., 2004). O DSQ-40 avalia os derivativos conscientes dos mecanismos de defesa com a intenção de evidenciar manifestações de um estilo característico do sujeito de lidar com o conflito, consciente ou incons- ciente, baseado na suposição de que as pessoas podem comentar acuradamente sobre seu comportamento “a distância”. Por meio do DSQ-40 é possível obter-se uma aproximação das medidas dos diferentes mecanismos de defesa, identificados como estilos defensivos: 1) imaturo; 2) neurótico; e 3) maduro. Ao final do estudo, foi pos- sível observar diferenças significativas na diminuição do uso de mecanismos de defesa neurótico e aumento no uso de defesas maduras no grupo da intervenção. Além disso, os pacientes que tiveram remissão completa dos sintomas do TOC diferiram no uso de mecanismos de
  • 5. Mudanças – Psicologia da Saúde, 22 (2) 15-21, Jul.-Dez., 2014 A entrevista motivacional no Bbrasil: uma revisão sistemática 19 defesa imaturos. Não foram observadas mudanças na utilização dos mecanismos de defesa no grupo controle. Andretta e Oliveira (2011) realizaram um estudo clínico com 135 adolescentes usuários de drogas que cometeram algum tipo de ato infracional, utilizando a EM para aumentar a motivação para seu tratamento. Utiliza- ram a EM no grupo experimental e, no grupo controle, a psicoeducação. Finalizaram o estudo 48 adolescentes: 27 no grupo da EM e 21 no grupo da psicoeducação. O grupo da EM diminuiu o consumo de maconha e tabaco e o grupo da psicoeducação diminuiu o consumo de ma- conha e álcool. Com relação aos estágios motivacionais, independentemente do grupo, observou-se redução na média da pré-contemplação. As técnicas apresentaram resultados positivos em relação à diminuição do consumo de drogas e da média de pré-contemplação, entretanto, não houve diferença significativa entre as duas. Em um estudo pré-experimental, Moraes e Oliveira (2011) realizaram seis sessões estruturadas baseadas na EM em grupo com pacientes do sexo feminino para tratamento da obesidade. As pacientes foram avaliadas antes e depois da intervenção por meio da régua de prontidão para mudanças, que avalia o estágio motivacio- nal, os inventários Beck para intensidade de depressão e ansiedade, e um instrumento que avalia a frequência de episódios de compulsão. Neste estudo foram encontra- dos resultados que evidenciaram redução dos sintomas de depressão e ansiedade, bem como diminuição dos episódios de compulsão após a intervenção. Além disso, a maioria das participantes estava no estágio de ação para mudança. Segatto et al. (2011) aplicaram a EM em um grupo de adolescentes que fizeram uso de álcool nas últimas seis horas e deram entrada em emergência de hospital, comparando com outro grupo que apenas recebeu trata- mento informativo manualizado. A sessão tinha duração de 45 minutos e ambos os grupos foram reavaliados três meses depois, pessoalmente ou por telefone. A reavaliação mostrou que não houve diferença entre os grupos em relação ao uso de álcool e entre os estágios de mudança em relação ao uso, entretanto ambos aumentaram sua conscientização sobre as consequências negativas em relação ao uso de álcool. Discussão Os resultados desta revisão mostraram que a EM tem sido oferecida como abordagem isolada ou asso- ciada a outras formas de tratamento para pacientes na área da psiquiatria, principalmente no que diz respeito ao consumo de drogas. As principais drogas citadas nes- tes estudos foram maconha, tabaco e álcool (Stephens, Roffman & Curtin, 2000), álcool (Vasiliak, Hosier & Cox, 2006) e tabaco (Supplee, 2005), conforme descrito pela literatura. Nos estudos brasileiros, a EM vem sendo utilizada para comportamentos do espectro compulsivo, como uso de drogas, sintomas obsessivos e compulsivos e compulsão alimentar. Esta revisão permitiu-nos observar que a EM é usualmente associada a outras abordagens, e apenas dois estudos não utilizaram comparação com grupo-controle, contrário a outros estudos descritos com a técnica feitos anteriormente (Marijuana Treatment Project Research, 2004; Project MATCH Research Group, 1997). Um es- tudo comparou a EM com psicoeducação (Segatto et al., 2010), e os outros estudos a acrescentaram ao tratamento com TCC e sessões extras de EM. Quanto ao tempo de intervenção, observamos que foi de vinte minutos a duas horas. Em geral, a EM é realizada individualmente, e ape- nas dois estudos utilizaram a técnica em grupos (Jaeger & Oliveira, 2003; Jaeger et al., 2008). Os atendimentos em grupo contaram com 5 a 8 participantes. Alguns estudos foram realizados com amostras hos- pitalizadas. Os estudos de Jaeger et al. (2008) e Oliveira et al. (2008) foram realizados com pacientes que estavam inicialmente internados para desintoxicação em uma uni- dade especializada no tratamento de dependência química. O estudo de Azevedo et al. (2010) foi realizado com pa- cientes tabagistas em hospital geral, e o de Segatto et al. (2010) foi realizado em pronto-socorro com adolescentes e adultos jovens com problemas com álcool. No estudo realizado por Fernandes et al. (2010) houve a aplicação da EM por contato telefônico. Nas demais pesquisas, os participantes responderam a chamados pela mídia ou por meio de palestras para comparecer a serviços de atendi- mento ambulatorial. Os instrumentos de avaliação utilizados nos es- tudos objetivaram identificar consumo, gravidade, percepção de risco, problemas associados ao uso, de- pendência em relação às drogas. Também se evidenciou a preocupação com a caracterização da população em relação à presença de diagnóstico ateórico e intensida- de de sintomas de depressão, ansiedade, e compulsões (Westra & Phoenix, 2003). Os estágios motivacionais foram avaliados em dois estudos. Um estudo também avaliou os mecanismos de defesa por meio de instru- mento específico. Dois estudos apresentaram resultados semelhantes entre as técnicas testadas no que tange à diminuição do
  • 6. Ilana Andretta et al.20 Advances in Health Psychology, 22 (2) 15-21, Jul.-Dez., 2014 uso de drogas (Jungerman et al; 2006; Segatto et al., 2010). Entretanto, um estudo de seguimento realizado quatro anos após a avaliação inicial demonstrou que o grupo da EM manteve-se por um período maior em abstinência (Oliveira et al., 2008). Em um dos estudos, o grupo que recebeu EM teve uma redução maior em relação ao consumo de tabaco (Azevedo et al., 2010) e, ainda, três pesquisas desta revisão evidenciaram que, quando o tratamento padrão é associado à EM, a efi- cácia é maior do que quando oferecido isoladamente. Em relação aos profissionais diretamente responsá- veis pela intervenção, é importante assinalar que nem to- dos os artigos revisados deixaram claro qual a formação, o tipo e tempo despendido ao treinamento dos princípios e espírito da EM. Desta forma, pode-se pensar que alguns resultados possam ter ficado abaixo do esperado. Sabe-se que a EM é uma estratégia potencialmente efetiva para aumentar a prontidão para a mudança de um comportamento-alvo do paciente. Considera-se relevante examinar, com rigor científico, se a adição de estratégias motivacionais pode favorecer o aumento da resposta a terapias já bem estabelecidas. Além disso, é imprescindí- vel verificar quais componentes da EM são responsáveis pelos resultados obtidos ao final da intervenção, bem como pela manutenção dos efeitos positivos no segui- mento. Desta forma, sugerem-se novas pesquisas que envolvam a discussão, e aprimoramento de estudos que utilizem esta estratégia no Brasil, bem como em outros países do mundo, para um melhor panorama sobre esta área de investigação. Referências Aliotta, S., Vlasnik, J. & Delor, B. (2004). Enhancing adhrence to long-term medical therapy: A new approach to assessing and treating patients. Advances in Therapy, 21, 214-231. Andretta, I. & Oliveira, M. S. (2008). 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  • 7. Mudanças – Psicologia da Saúde, 22 (2) 15-21, Jul.-Dez., 2014 A entrevista motivacional no Bbrasil: uma revisão sistemática 21 tings for adolescents and young adults with alcohol related problems: A randomized single blind clinical trial. Revista Brasileira de Psiquiatria, 33(3). Supple, P. D. (2005). The importance of providing smoking relapse counseling during the postpartum hospitalization. Journal of Obstretric, Ginecology and Neonatal Nursing, 34, 703-712. Thrasher, A., Golin, C., Earp, J., Tien, H., Porter,C. & Howie, L. (2006). Motivational interviewing to support antiretroviral therapy adherence: The role of quality counseling. Patient Education and Counseling, 62, 64-71. Vasilaki, E. I., Hoster, S. G. & Cox, W. M. (2006). The efficacy of motivational interviewing as a brief intervention for excessive drinking: A meta-analytic review. Alcohol and Alcoholism, 41(3), 328-335. Westra, H. A. & Phoenix, E. (2003). Motivational enhancement therapy in two cases of anxiety disorder: New responses to treatment refractoriness. Clinical Case Studies, 2, 306-322. Submetido em: 8-1-2014 Aceito em: 1-6-2015