Ir para o conteúdo principal
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
Apresentação das personagens – Inês Pereira e a mãe
Perspetivas sobre o casamento/Crítica ao clero
Exposição – Texto p. 128 - 130
Em quantas cenas poderíamos dividir a exposição?
3 cenas - 1- Monólogo de Inês; 2- confronto com a mãe; 3-
Chegada de Lianor Vaz – Narrativa – crítica ao clero
Identifica o estado de espírito de Inês.
No início da peça, Inês Pereira mostra-se descontente, irritada,
revoltada e amargurada com a vida que é obrigada a levar.
“Renego deste lavrar” (v.1), “que enfadamento” (v. 7), “Que raiva,
que tormento, que cegueira, que canseira” (vv.8-9), “dias
amargurados” (v.17), “esta vida é mais que morta” (v. 30)…
Leitura vv. 1-38
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
1- Motivos da sua amargura, do seu descontentamento?
Motivos de descontentamento Versos que o comprovam
1- Sente-se prisioneira.
2- cansada de tanto trabalhar.
3- sente que a sua vida está vazia.
4- Queixa-se de que nunca se
diverte.
b) «Renego deste lavrar / e do primeiro que o
usou» (vv. 3 -4); “Oh Jesu que enfadamento … e
que canseira” (v. 7)
c) «Esta vida é mais que morta» (v. 30);
d) «Todas folgam e eu não / todas vem e todas
vão / onde querem senam eu.» (vv. 25 -27).
a) «Coitada assi hei d’estar / encerrada nesta casa.»
(vv. 12 -13);
“e assi hei d’estar cativa” (v. 19) e “sam eu coruja ou
corujo … que não sai senão á porta?” (vv. 31-33)
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
2.Indica a solução que Inês crê que mudaria a sua vida e cita versos
que o atestem.
Inês crê que a solução é casar para alcançar a liberdade, a
emancipação que não tem e livrar-se das tarefas domésticas.
Pretende ascender socialmente.
“coitada, encerrada nesta casa como panela sem asa” (ll. 10-12)
vv. 10, 11 – “Eu hei de buscar maneira / dalgum outro aviamento”
mostra a sua intenção de alterar a sua situação.
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
“Praza a Deos que algum quebranto/me tire do cativeiro”
(vv.46-47)
«Mãe: Olhade lá o mau pesar / como queres tu casar / com
fama de preguiçosa? / Inês: Mas eu mãe sam aguçosa […]». (vv.
52 -55).
Texto v. 39-70 (quadro 2)
Inês continua a mostrar a vontade de mudar de situação através
do casamento. Comprova, com expressões textuais, a solução
que apresenta para
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
3- Caracteriza Inês a partir do diálogo com a mãe.
Inês revela-se uma jovem insatisfeita, sonhadora e precipitada:
tem pressa em casar. A Mãe acha-a preguiçosa, teimosa e
imprudente e acha que ela deve esperar por um bom partido.
4- Explica o conselho que a mãe dá a Inês nos versos 59 a 65.
A Mãe aconselha a filha a não ser impulsiva na decisão de se
casar apenas para ter a sua independência: «Nam te apresses tu
Inês». Na sua opinião, a jovem terá muito tempo na vida para
ser esposa e mãe: «Virão maridos a pares / e filhos de três em
três.». Fica nas entrelinhas a ideia de que Inês deve ser
prudente na escolha do marido.
Inês é preguiçosa, leviana, fantasiosa, inconsciente, idealista.
No final da peça, torna-se materialista, calculista, vingativa.
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
Por outro lado, é uma mulher materialista que quer a filha bem
casada e despreza ideais de amor.
Entre a mãe e Inês há um misto de cumplicidade e de conflitualidade.
Há cumplicidade entre elas pois a mãe compreende o desejo da
filha querer casar, revela-se uma figura protetora e amiga mas sabe
que esta está a exagerar na revolta contra a sua vida de solteira.
A relação mãe / filha era um tema já abordado nas cantigas de
amigo (época medieval) onde a mãe funcionava como confidente
em conflitualidades da vida quotidiana..
5- Descreve a relação entre Inês e a mãe.
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
vv.71-169
6- No verso 73, entra em cena Lianor, que está agitada e indignada.
6.1- Explica o motivo de a personagem se encontrar neste estado.
Lianor Vaz entra em cena agitada e indignada porque, segundo
relata, foi assediada por um «clérigo», que a quis seduzir.
“diz que havia de saber/se era fêmea se macho (vv. 89-90)
“quando o vi pegar comigo /que me achei naquele perigo” (vv. 96-97)
“foi e esfarrapou-me toda / o cabeção da camisa. (vv.107-108)
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
7- Prova que não podemos acreditar plenamente na indignação de Lianor.
Lianor diz -se revoltada por um clérigo a ter atacado e narra
como lhe resistiu. Contudo, o diálogo com a Mãe deixa
entender que se sentiu lisonjeada por o religioso a ter
seduzido e que ela não resistiu convincentemente ao ataque:
afirma que não gritou por estar rouca (v.96, 121-122) e
desculpa -se por não exibir sinais de revolta e de indignação
(vv. 123-127) e (vv. 139 -162).
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
8- Refere a crítica social presente no relato que Lianor faz entre os versos 73 a 131.
O excerto denuncia o comportamento dos clérigos que não
cumpriam o voto do celibato (castidade) e se insinuavam às
mulheres e as namoravam.
Cenário:
ENCENAÇÃO
Sóbrio, simples – o interior da divisão de uma casa, uma
porta e uma janela.
Adereços: Uma cadeira, apetrechos de costura e bordados e o
travesseiro a que a mãe se refere.
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
INÊS - Personagem modelada ou Personagem – tipo?
Como podemos caracterizar a linguagem?
Linguagem simples, popular, pertencendo ao povo (utilização de
provérbios ou ditos populares).
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
As personagens
Personagens-tipo
Personagem modelada
Inês Pereira
já que sofre uma evolução
psicológica, decorrente da
experiência, embora o seu
caráter inicial de leviandade
se mantenha.
Inês Pereira – personagem principal
Moça do povo, casadoira que pretende
ascender socialmente através do
casamento.
Mãe – personagem secundária
Pragmática e materialista.
Despreza ideais de amor.
Lianor Vaz – também é secundária
- a alcoviteira que mostra poder de
persuasão.
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
Personagens-tipo
Escudeiro
Brás da Mata –
Judeus –
Ermitão –
Moço –
Pero Marques – homem do campo, pouco instruído, o asno, o
inadaptado da sociedade.
A baixa nobreza em degradação, faminta e pelintra.
O mundo da mentira e dos interesses monetários.
O clero leviano que esquece os seus deveres e a sua moral.
A classe servente (povo)
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
GRAMÁTICA
1-
a) Anáfora por substituição (pronome) (antecedente: «lavrar»);
(coesão gramatical referencial)
b) Anáfora por elipse (antecedente: «eu»); (coesão frásica)
c) Anáfora por substituição (sinónimo) (antecedente: «mochacho»);
(coesão lexical)
d) Anáfora por repetição (antecedente: «assolverei»).
(coesão lexical)
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
GRAMÁTICA Valor Modal (p. 132 e 133)
a) 5
b) 3
c) 5
d) 2
e) 1
f) 1
a) Nomes que apontam para apreciação de sentimentos (raiva,
tormenta, cegueira, canseira)
Verbo no imperativo “acaba”
Uso de interjeição “Jesu, jesu” para exprimir manifestações de
indignação.
Verbo ser no condicional “seria”
Presente do indicativo “não estás”
Presente do indicativo “vos trago”
GIL VICENTE|Farsa de Inês Pereira
2 a) O Miguel deve ter lido a Farsa de Inês Pereira.
b) O Pedro foi capaz de ler a peça.
c) É provável que eu também a consiga ler.
d) Tenho a certeza de que é uma obra interessante.
Probabilidade
Certeza
Probabilidade
certeza
3 a) Autorizo-te a sair para requisitar a obra.
b) Devemos ler a farsa de Inês Pereira até amanhã.
c) O meu grupo tem de apresentar o trabalho na próxima semana.
d) A partir de agora, podemos dramatizar a cena a apresentar.
Permissão
Obrigatoriedade
Obrigatoriedade
permissão