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Aprendizagem coletiva por meio dos objetos de aprendizagem do
                          InterRed
                Elizama das Chagas Lemos1, Thiago Tavares das Neves2
1
    Departamento de Tecnologias Educacionais e Educação a Distância – Instituto Federal
            de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN)
             Av. Sen. Salgado Filho, 1559, Tirol, Natal-RN, CEP 59015-000.
 2
     Departamento de Pós-Graduação em Ciências Sociais – Universidade Federal do Rio
                                Grande do Norte (UFRN)
                  Caixa Postal 1524 - Campus Universitário Lagoa Nova
                          CEP 59072-970 Natal - RN - Brasil.
                   elizama@cefetrn.br, nevesthiago1@hotmail.com

       Abstract. The present article intends to elucidate conceptions of accessibility
       and opening in the Learning Objects in a different perspective. Are made
       explanations about of the modes of insertion of interactivity, flexibility,
       collaboration and mutual cooperation and how these aspects are being shown
       clearly in the objects developed by the IFRN in the project InterRed. Beyond
       this, are put the OAs (Learning Objects) like pieces that constitute in works
       which “open a range” of possibilities for those who produce and consume,
       forming this way a open work and such as opening needs to be all-embracing
       for the more different situations and the more various individuals.

       Resumo. O presente artigo pretende elucidar conceitos de acessibilidade e
       abertura nos Objetos de Aprendizagem numa diferente perspectiva. São
       realizadas explanações acerca das modalidades de inserção de interatividade,
       flexibilização, colaboração e cooperação mútua e como esses aspectos estão
       sendo mostrados claramente nos objetos desenvolvidos pelo IFRN no projeto
       InterRed. Além disso, são colocados os OAs como peças que constituem em
       obras que “abrem um leque” de possibilidades para os que produzem e os que
       consomem, formando assim uma obra aberta e como tal abertura precisa ser
       abrangente para as mais diferentes situações e os mais diversificados
       indivíduos.


Apresentação


O presente trabalho faz uma abordagem dos objetos de aprendizagem numa perspectiva
pluridimensional, enveredando em diversos campos do conhecimento como a educação,
comunicação, sistemas computacionais e arte. É exposto o conceito de OAs – Objetos
de Aprendizagem – explicitando suas características e peculiaridades.
       São discutidos alguns pontos pertinentes a uma reflexão mais detalhada sobre a
abertura na obra de arte, defendida por Umberto Eco, aplicada na educação digital. Logo
após são colocados conceitos referentes à acessibilidade e como elas são refletidas nos
OAs, permitindo que todos, sem exceção alguma, possam ter acesso e sejam capazes de
contribuir para a formação de uma inteligência coletiva.
        Por fim, é feita uma aplicação dos conceitos nos objetos de aprendizagem do
IFRN desenvolvidos para o projeto InterRed, mostrando como os conceitos de abertura
e de acessibilidade têm sua contribuição na educação digital, resultando numa atividade
interativa, comunicativa, de colaboração e cooperação conjunta.

Objetos de Aprendizagem: conceitos

Um dos recursos tecnológicos que se apresentam como ferramenta de auxílio no
processo de construção de conhecimento é o uso de Objetos de Aprendizagem – OAs.
Consistem num tipo de tecnologia muito recente que utiliza os recursos digitais para
promover o ensino. Segundo Bettio e Martins (apud Beck, 2001), OA é definido como
qualquer entidade, digital ou não, que pode ser utilizada, reutilizada ou referenciada
durante o aprendizado, apoiado sobre a tecnologia.
        Os OAs possuem características que procuram solucionar diversos problemas
existentes em relação ao armazenamento e distribuição de informação por meios
digitais, como por exemplo: flexibilidade, facilidade para atualização, customização,
interoperabilidade – cooperação e colaboração –, aumento de valor do conhecimento,
indexação e procura.
        A customização é uma característica chave dos OAs. Como os objetos são
utilizados em vários momentos, sua atualização se torna relativamente simples desde
que todas as informações relativas ao objeto estejam concentradas num mesmo banco de
informações. Dessa forma, é possibilitado que o conhecimento contido em um OA tenha
suporte a correções e aperfeiçoamentos. E, a partir do momento em que o objeto é
reutilizado, remodelado, melhorado diversas vezes, em diferentes contextos e
especializações, sua consolidação é capaz de crescer de modo espontâneo fazendo com
que, conseqüentemente, haja uma melhora significativa na qualidade do ensino que é
passado no OA.
        A interoperabilidade, uma das características dos OAs, permite uma
aprendizagem mútua por parte dos dois pólos do saber, professor e aluno. Afinal, esse
fluxo contínuo de troca de conhecimento percorre as duas interfaces comunicacionais,
fomentando o crescimento intelectual de ambas as partes. Nesse contexto, é evidenciado
o artifício da cooperação e da colaboração, no sentido de que, na cooperação, é
estimulado o trabalho em conjunto objetivando alcançar um propósito em comum,
diferindo da colaboração, que não apresenta necessariamente um único propósito
coletivo.
        Na busca desse propósito coletivo é importante que haja facilidade na procura
por um objeto, como também são necessários mecanismos de padronização do OA. Por
exemplo, quando um professor precisar de um objeto para que seja acrescentado às suas
aulas, a padronização dos objetos e a utilização de assinaturas digitais facilitam para o
educador encontrar recursos digitais com as mesmas características em um banco de
objetos disponíveis para consultas. (BETTIO e MARTINS, 2008).
Objetos de Aprendizagem como uma obra aberta


Os objetos de aprendizagem, por meio da troca de informações, permitem ao indivíduo,
que deles usufruem, uma ampliação no campo do saber, contribuindo de certa forma
para uma evolução autônoma do aluno e um melhoramento nas práticas de ensino a
distância. Tais objetos podem ser considerados obras abertas, conceito muito valoroso
na reflexão intelectual de Umberto Eco.
        De acordo com Eco, as obras de arte em qualquer tempo têm sua abertura,
entendidas como uma pluralidade de significados, dotadas de ambigüidade, abrindo
margem e possibilidades para o fruidor participar de sua construção. Por mais que o
autor tenha a intenção de criar uma obra “fechada”, “acabada”, “finita”, ela possibilita
inúmeras interpretações, uma infinidade de “leituras” possíveis, sem que isso altere ou
absolutize sua singularidade. Constitui um fato comunicativo em sua raiz. O fruidor, que
irá interpretar ou interagir com a obra, possui “atos de liberdade consciente”, de forma
que ele pode atribuir à criação um significado próprio. Ou seja, mesmo que a obra de
arte seja feita em conformidade com uma poética da necessidade, seja ela implícita ou
explícita, é, em sua essência, aberta a infinitas interpretações, cada uma das quais
conduzindo a obra a reviver um gosto, uma execução pessoal (ECO, 1991).
         O fruidor neste contexto de aprendizagem computacional é o próprio
aluno/professor, que têm a autonomia para fazer o que quiserem com o recurso digital,
podendo interpretá-lo, interagir com ele, permitindo uma colaboração mútua, para assim
edificar um círculo de aprendizagem coletiva, onde o objeto de aprendizagem é a obra
aberta em stricto sensu e o indivíduo, um fruidor em constante processo de
amadurecimento intelectual. A fruição ocorre quando o indivíduo reage aos estímulos
dos objetos de aprendizagem, responde as suas perguntas, constrói seu conhecimento,
porém não isola, nem esgota as possibilidades de interpretação dos objetos.
        A interpretação dos conteúdos dos objetos de aprendizagem é um exercício de
produção de conhecimento, tendo em vista que, no ato de interpretação há uma
formulação do objeto em si, o indivíduo acaba construindo o objeto e a si mesmo num
processo de reformulação variável. O próprio ato de execução do objeto não deixa de ser
uma ação de reflexão, aprendizagem e interpretação, graças à abertura que o recurso
digital propicia, resultando em um constante “ensaiar” interminável. O “ensaiar” é feito
por quem produz o objeto e por quem o utiliza como forma de aprendizado. O produtor
elabora sua obra num exercício constante de tentativas que o guia para o resultado final
do material, orientando o processo produtivo, fazendo com que o fabricante do objeto
tente adivinhar a forma “acabada” que será colocada, para, dessa maneira, o aluno
interagir com ela e complementar seu processo de construção.
        A interatividade, que é uma das características inerentes do objeto de
aprendizagem, pode ser justificada no fato de o produtor não ser o único autor de suas
obras, pois ela abre possibilidades de participação de pessoas externas, fruidores, numa
mesma obra, por meio de interfaces e ferramentas de construção. Esses novos
participantes podem estar em qualquer parte do mundo, para a obra aberta não existem
fronteiras, nem limites, uma vez que eles agem por meio das novas tecnologias da
comunicação. Como afirma Ana Cláudia de Oliveira, “nesta nova interface de criação
de sentidos, também outra negociação tem lugar, na qual o receptor não é só chamado
para receber o que está pronto, mas para produzir junto” (OLIVEIRA, 1997:223).
Tendo em vista que a própria educação à distância é um ato de comunicação,
poderíamos dizer que o objeto de aprendizagem, por ser uma obra aberta, precisa de um
elo, de alguém que o manipule e exercite a arte da fruição. Ele necessita de um receptor
que interaja com ele e o reconstrua, permitindo ao indivíduo um estágio de criação
interminável, onde o próprio fruidor forma a obra, dá prosseguimento a sua abertura. Tal
atividade comunicativa não deixa de ser também colaborativa e cooperativa, onde
receptor (aluno) e emissor (produtor/professor) se ajudam, contribuindo para uma
aprendizagem coletiva.
        A abertura nos objetos de aprendizagem pode ser constatada na não-lineariadade
dos recursos materiais, na disposição destes objetos no ciberespaço, contribuindo numa
constante e contínua mutação do material oferecido, permitindo a infinitude do próprio
objeto a partir de intervenções, que irão alimentar cada vez mais o universo da educação
à distância. Fazendo do produtor de tais objetos um editor de informações que
disponibiliza e faz circular seu recurso digital, acabando com a fronteira entre os que
expõem, constroem e consomem esse tipo de objeto. Nesta nova era onde as fronteiras
são constantemente quebradas, o produtor vira aprendiz, fruidor, criador, formando
assim uma inversão de papéis onde qualquer um, com um pouco mais de curiosidade,
tem a capacidade de se tornar o mais novo produtor digital.

Acessibilidade em Objetos de Apredizagem


Com o desenvolvimento continuado das novas tecnologias de comunicação e
informação, os novos “produtores digitais” devem ter a preocupação de desenvolver
objetos que satisfaçam as necessidades de todos. O cuidado em desenvolver OAs não-
excludentes deve ser uma premissa. O que suscita algumas discussões relacionadas à
acessibilidade dos conteúdos que são gerados a fim de melhor contribuir para uma não-
restrita inteligência coletiva.
         Pierre Lévy (1996) fala da inteligência coletiva como uma inteligência
distribuída em toda parte, sucessivamente apreciada e sinergizada em tempo real. Ou
seja, um novo tipo de pensamento que é sustentado por conexões sociais tornadas
viáveis pelas redes abertas de computação que configuram a Internet. Portanto, se o
conhecimento é algo que deve estar disponível a todos na Rede, a forma como ele é
exposto deve dar acesso às diferentes necessidades das pessoas. Pois, qualquer tipo de
dificuldade imposta a grupos de atores sociais, por limitações físicas, sensoriais ou
cognitivas, afetará de forma expressiva o processo de construção de uma sociedade que
deve ser, desde a sua essência, verdadeiramente democrática.
         A acessibilidade pode ser definida, de forma simples, como a garantia de que o
trabalho produzido, seja ele para qualquer tipo de mídia, esteja disponível e acessível
em qualquer momento, local, contexto, dispositivo de acesso e por qualquer tipo de
visitante/usuário, independente de sua capacidade motora, visual, auditiva, mental,
computacional, cultural ou social.
         O número de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência é bastante
significativo (ver tabela 01). As redes digitais planetárias e os artefatos por ela
produzidos – em especial aos OAs – abrem um campo de possibilidades para o ensino-
aprendizagem, interação, cognição. Tal campo potencializa a inclusão e valorização da
diversidade humana e esses indivíduos, obviamente, não podem ficar a margem dessas
vias de conhecimento.

                Grupos de idade               Censos Demográficos
                                              1980      1991               2000
                0-14 anos                     38,24%    34,73%             29,60%
                15-64 anos                    57,74%    60,45%             64,55%
                65 anos ou mais               4,01%     4,83%              5,85%

                    Tabela 01. População residente por tipo de residência.

              Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000 - Resultados do Universo.


        Para poder lidar com essa diversidade de especificidades, Conforto e Santarosa
(apud Neto e Zúnica, 1999) abordam o direcionamento das ações para áreas-chave, a
fim de garantir e estabelecer o acesso irrestrito evidenciando: características de
acessibilidade incorporadas nas tecnologias assistivas1 para pessoas com alguma
deficiência específica; utilitários que alteram o sistema para que o torne mais utilizável a
um maior número de usuários; aplicações especiais para usuários com habilidades de
leitura e escrita limitadas e características de usabilidade que facilitem ao indivíduo
navegar em um conteúdo de forma espontânea, sem que haja necessidade de rebuscados
raciocínios.
        A busca em desenvolver OAs seguindo tais premissas acionadoras é o alicerce
para se desenvolver materiais operantes acessíveis, ainda mais na conjuntura atual a qual
estamos inseridos, contexto esse em que os conteúdos dos mais variados formatos são
disponibilizados na Rede. Torná-los de fácil leitura a todos é um desafio que precisa ser
enfrentado e superado por quem deseja levar educação de qualidade para todos, sem que
haja preocupação alguma por parte do receptor em ter acesso a esse fluxo de
conhecimento.

Acessibilidade e abertura do material produzido do IFRN no projeto
InterRed

O InterRed é um projeto do MEC que tem por objetivo implantar um sistema de
disponibilização, compartilhamento, busca e recuperação de conteúdos digitais
educativos, profissionais e tecnológicos, tanto para o ensino presencial como a distância.
Ao todo, estão cadastradas 19 instituições de todo o país que desenvolvem objetos em
vários formatos como pode ser observado na tabela 02. O IFRN tem atualmente 49
objetos cadastrados em variados formatos.





 
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Tipo de mídia                Quantidade de OAs
                SWF                          114
                PDF                          97
                ZIP                          80
                PPT                          46
                RAR                          36
                DOC                          18
                WMV                          2

                           Tabela 02. OAs por tipo de mídia.

        Fonte: http://interred.cefetce.br/interred/paginas/estatisticas/index.php


       Como pode ser observado nos dados acima, a maior parte dos objetos
desenvolvidos, inclusive os desenvolvidos pelo Cefet-RN, está no formato SWF,
extensão gerada pelo Adobe Flash, o que suscita uma preocupação em relação à
acessibilidade contida nesses objetos. Pois, considerável parte dos objetos não foi
desenvolvida seguindo as premissas da acessibilidade. Porém, muitos se encontram em
um formato que permite a interação, interpretação do usuário, possibilitando um fluxo
duplo de comunicação entre o objeto e o fruidor.




                   Figura 01. OA desenvolvido no Projeto InterRed.


      Como pode ser constatado, o OA acima possibilita uma construção não-linear do
conhecimento do fruidor. Pois, a partir de dados que o emissor fornece para a
ferramenta, o objeto se adequará, se abrirá e emitirá respostas de acordo com as
informações setadas durante o seu uso.
        Tais informações contribuirão no amadurecimento intelectual do indivíduo,
abrindo seu próprio saber às alternativas que o ciberespaço lhe oferece. A oferta do
material digital traz consigo a abertura inerente aos OAs, já que o “Procefet 2008 – 2ª
avaliação” permite uma colaboração, cooperação do fruidor, instigando-o a dar
prosseguimento a sua atividade, tendo em vista seu potencial interativo e interpretativo.
        No feedback, processo-chave para que ocorra uma comunicação, o ser fruidor
obtém respostas da sua interação particular, onde é fornecido o score de acertos e erros
de toda avaliação e dando opções de revisar as escolhas feitas no questionário,
oferecendo subsídios para o indivíduo perceber como está o seu desempenho nas
disciplinas abordadas no OA em questão.




                             Figura 02. Tela de pontuação.


Considerações finais

Os OAs, recursos digitais de aprendizagem do mundo contemporâneo, oferecem ao
usuário uma troca constante de informação graças a sua interatividade,
interoperabilidade, flexibilidade, customização, entre outros aspectos. Sua abertura é
reflexo de tais propriedades, formando um processo comunicacional, onde a
acessibilidade é um mandamento indispensável na fomentação de um saber
verdadeiramente coletivo.
       O material produzido pelo IFRN abre um leque de possibilidades para os que
deles usufruem, pois estão sendo disponibilizados em diversos formatos. Neste
momento, alternativas estão sendo estudadas para tornar os objetos cada vez mais
acessíveis a diversidade humana e cognitiva.

Referências

BETTIO, R.W; MARTINS, Alejandro (2002) “Objetos de Aprendizado: Um novo
   modelo         direcionado        ao         Ensino         a       Distância”,
   http://www.abed.org.br/congresso2002/trabalhos/texto42.htm, Agosto.

CONFORTO, Débora; SANTAROSA, Lucila M. C. (2002) “Acessibilidade à Web:
   Internet para Todos”, Em: Revista de Informática na Educação: Teoria, Prática –
   PGIE/UFRGS. V.5 N° 2 p.87-102.

DOMINGUES, Diana (Org.) (1997) “A Arte no Século XXI: a humanização das
  tecnologias”, São Paulo, Editora UNESP.

ECO, Umberto (1991) “Obra aberta – forma e indeterminação nas poéticas
   contemporâneas”, São Paulo, Editora Perspectiva.

____________ (2006) “A definição da arte”, Lisboa, Edições 70.

LEMOS, E.C; NEVES, T.T. (2007) “Batidas sem fim – análise sobre o conceito de obra
    aberta                  na                   música                  eletrônica”,
    http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/404nOtF0und/404_64.htm, Agosto.

LÉVY, Pierre (1996) “O que é o virtual?”, São Paulo, Ed. 34.

TAROUCO, L.M.R; FABRE, M.J.M; TAMUSIANAS, F.R. “Reusabilidade de Objetos
   Educacionais,
   http://www.cinted.ufrgs.br/renote/fev2003/artigos/marie_reusabilidade.pdf, Agosto.

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Aprendizagem coletiva por meios dos objetos de aprendizagem do InterRed

  • 1. Aprendizagem coletiva por meio dos objetos de aprendizagem do InterRed Elizama das Chagas Lemos1, Thiago Tavares das Neves2 1 Departamento de Tecnologias Educacionais e Educação a Distância – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) Av. Sen. Salgado Filho, 1559, Tirol, Natal-RN, CEP 59015-000. 2 Departamento de Pós-Graduação em Ciências Sociais – Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Caixa Postal 1524 - Campus Universitário Lagoa Nova CEP 59072-970 Natal - RN - Brasil. elizama@cefetrn.br, nevesthiago1@hotmail.com Abstract. The present article intends to elucidate conceptions of accessibility and opening in the Learning Objects in a different perspective. Are made explanations about of the modes of insertion of interactivity, flexibility, collaboration and mutual cooperation and how these aspects are being shown clearly in the objects developed by the IFRN in the project InterRed. Beyond this, are put the OAs (Learning Objects) like pieces that constitute in works which “open a range” of possibilities for those who produce and consume, forming this way a open work and such as opening needs to be all-embracing for the more different situations and the more various individuals. Resumo. O presente artigo pretende elucidar conceitos de acessibilidade e abertura nos Objetos de Aprendizagem numa diferente perspectiva. São realizadas explanações acerca das modalidades de inserção de interatividade, flexibilização, colaboração e cooperação mútua e como esses aspectos estão sendo mostrados claramente nos objetos desenvolvidos pelo IFRN no projeto InterRed. Além disso, são colocados os OAs como peças que constituem em obras que “abrem um leque” de possibilidades para os que produzem e os que consomem, formando assim uma obra aberta e como tal abertura precisa ser abrangente para as mais diferentes situações e os mais diversificados indivíduos. Apresentação O presente trabalho faz uma abordagem dos objetos de aprendizagem numa perspectiva pluridimensional, enveredando em diversos campos do conhecimento como a educação, comunicação, sistemas computacionais e arte. É exposto o conceito de OAs – Objetos de Aprendizagem – explicitando suas características e peculiaridades. São discutidos alguns pontos pertinentes a uma reflexão mais detalhada sobre a abertura na obra de arte, defendida por Umberto Eco, aplicada na educação digital. Logo
  • 2. após são colocados conceitos referentes à acessibilidade e como elas são refletidas nos OAs, permitindo que todos, sem exceção alguma, possam ter acesso e sejam capazes de contribuir para a formação de uma inteligência coletiva. Por fim, é feita uma aplicação dos conceitos nos objetos de aprendizagem do IFRN desenvolvidos para o projeto InterRed, mostrando como os conceitos de abertura e de acessibilidade têm sua contribuição na educação digital, resultando numa atividade interativa, comunicativa, de colaboração e cooperação conjunta. Objetos de Aprendizagem: conceitos Um dos recursos tecnológicos que se apresentam como ferramenta de auxílio no processo de construção de conhecimento é o uso de Objetos de Aprendizagem – OAs. Consistem num tipo de tecnologia muito recente que utiliza os recursos digitais para promover o ensino. Segundo Bettio e Martins (apud Beck, 2001), OA é definido como qualquer entidade, digital ou não, que pode ser utilizada, reutilizada ou referenciada durante o aprendizado, apoiado sobre a tecnologia. Os OAs possuem características que procuram solucionar diversos problemas existentes em relação ao armazenamento e distribuição de informação por meios digitais, como por exemplo: flexibilidade, facilidade para atualização, customização, interoperabilidade – cooperação e colaboração –, aumento de valor do conhecimento, indexação e procura. A customização é uma característica chave dos OAs. Como os objetos são utilizados em vários momentos, sua atualização se torna relativamente simples desde que todas as informações relativas ao objeto estejam concentradas num mesmo banco de informações. Dessa forma, é possibilitado que o conhecimento contido em um OA tenha suporte a correções e aperfeiçoamentos. E, a partir do momento em que o objeto é reutilizado, remodelado, melhorado diversas vezes, em diferentes contextos e especializações, sua consolidação é capaz de crescer de modo espontâneo fazendo com que, conseqüentemente, haja uma melhora significativa na qualidade do ensino que é passado no OA. A interoperabilidade, uma das características dos OAs, permite uma aprendizagem mútua por parte dos dois pólos do saber, professor e aluno. Afinal, esse fluxo contínuo de troca de conhecimento percorre as duas interfaces comunicacionais, fomentando o crescimento intelectual de ambas as partes. Nesse contexto, é evidenciado o artifício da cooperação e da colaboração, no sentido de que, na cooperação, é estimulado o trabalho em conjunto objetivando alcançar um propósito em comum, diferindo da colaboração, que não apresenta necessariamente um único propósito coletivo. Na busca desse propósito coletivo é importante que haja facilidade na procura por um objeto, como também são necessários mecanismos de padronização do OA. Por exemplo, quando um professor precisar de um objeto para que seja acrescentado às suas aulas, a padronização dos objetos e a utilização de assinaturas digitais facilitam para o educador encontrar recursos digitais com as mesmas características em um banco de objetos disponíveis para consultas. (BETTIO e MARTINS, 2008).
  • 3. Objetos de Aprendizagem como uma obra aberta Os objetos de aprendizagem, por meio da troca de informações, permitem ao indivíduo, que deles usufruem, uma ampliação no campo do saber, contribuindo de certa forma para uma evolução autônoma do aluno e um melhoramento nas práticas de ensino a distância. Tais objetos podem ser considerados obras abertas, conceito muito valoroso na reflexão intelectual de Umberto Eco. De acordo com Eco, as obras de arte em qualquer tempo têm sua abertura, entendidas como uma pluralidade de significados, dotadas de ambigüidade, abrindo margem e possibilidades para o fruidor participar de sua construção. Por mais que o autor tenha a intenção de criar uma obra “fechada”, “acabada”, “finita”, ela possibilita inúmeras interpretações, uma infinidade de “leituras” possíveis, sem que isso altere ou absolutize sua singularidade. Constitui um fato comunicativo em sua raiz. O fruidor, que irá interpretar ou interagir com a obra, possui “atos de liberdade consciente”, de forma que ele pode atribuir à criação um significado próprio. Ou seja, mesmo que a obra de arte seja feita em conformidade com uma poética da necessidade, seja ela implícita ou explícita, é, em sua essência, aberta a infinitas interpretações, cada uma das quais conduzindo a obra a reviver um gosto, uma execução pessoal (ECO, 1991). O fruidor neste contexto de aprendizagem computacional é o próprio aluno/professor, que têm a autonomia para fazer o que quiserem com o recurso digital, podendo interpretá-lo, interagir com ele, permitindo uma colaboração mútua, para assim edificar um círculo de aprendizagem coletiva, onde o objeto de aprendizagem é a obra aberta em stricto sensu e o indivíduo, um fruidor em constante processo de amadurecimento intelectual. A fruição ocorre quando o indivíduo reage aos estímulos dos objetos de aprendizagem, responde as suas perguntas, constrói seu conhecimento, porém não isola, nem esgota as possibilidades de interpretação dos objetos. A interpretação dos conteúdos dos objetos de aprendizagem é um exercício de produção de conhecimento, tendo em vista que, no ato de interpretação há uma formulação do objeto em si, o indivíduo acaba construindo o objeto e a si mesmo num processo de reformulação variável. O próprio ato de execução do objeto não deixa de ser uma ação de reflexão, aprendizagem e interpretação, graças à abertura que o recurso digital propicia, resultando em um constante “ensaiar” interminável. O “ensaiar” é feito por quem produz o objeto e por quem o utiliza como forma de aprendizado. O produtor elabora sua obra num exercício constante de tentativas que o guia para o resultado final do material, orientando o processo produtivo, fazendo com que o fabricante do objeto tente adivinhar a forma “acabada” que será colocada, para, dessa maneira, o aluno interagir com ela e complementar seu processo de construção. A interatividade, que é uma das características inerentes do objeto de aprendizagem, pode ser justificada no fato de o produtor não ser o único autor de suas obras, pois ela abre possibilidades de participação de pessoas externas, fruidores, numa mesma obra, por meio de interfaces e ferramentas de construção. Esses novos participantes podem estar em qualquer parte do mundo, para a obra aberta não existem fronteiras, nem limites, uma vez que eles agem por meio das novas tecnologias da comunicação. Como afirma Ana Cláudia de Oliveira, “nesta nova interface de criação de sentidos, também outra negociação tem lugar, na qual o receptor não é só chamado para receber o que está pronto, mas para produzir junto” (OLIVEIRA, 1997:223).
  • 4. Tendo em vista que a própria educação à distância é um ato de comunicação, poderíamos dizer que o objeto de aprendizagem, por ser uma obra aberta, precisa de um elo, de alguém que o manipule e exercite a arte da fruição. Ele necessita de um receptor que interaja com ele e o reconstrua, permitindo ao indivíduo um estágio de criação interminável, onde o próprio fruidor forma a obra, dá prosseguimento a sua abertura. Tal atividade comunicativa não deixa de ser também colaborativa e cooperativa, onde receptor (aluno) e emissor (produtor/professor) se ajudam, contribuindo para uma aprendizagem coletiva. A abertura nos objetos de aprendizagem pode ser constatada na não-lineariadade dos recursos materiais, na disposição destes objetos no ciberespaço, contribuindo numa constante e contínua mutação do material oferecido, permitindo a infinitude do próprio objeto a partir de intervenções, que irão alimentar cada vez mais o universo da educação à distância. Fazendo do produtor de tais objetos um editor de informações que disponibiliza e faz circular seu recurso digital, acabando com a fronteira entre os que expõem, constroem e consomem esse tipo de objeto. Nesta nova era onde as fronteiras são constantemente quebradas, o produtor vira aprendiz, fruidor, criador, formando assim uma inversão de papéis onde qualquer um, com um pouco mais de curiosidade, tem a capacidade de se tornar o mais novo produtor digital. Acessibilidade em Objetos de Apredizagem Com o desenvolvimento continuado das novas tecnologias de comunicação e informação, os novos “produtores digitais” devem ter a preocupação de desenvolver objetos que satisfaçam as necessidades de todos. O cuidado em desenvolver OAs não- excludentes deve ser uma premissa. O que suscita algumas discussões relacionadas à acessibilidade dos conteúdos que são gerados a fim de melhor contribuir para uma não- restrita inteligência coletiva. Pierre Lévy (1996) fala da inteligência coletiva como uma inteligência distribuída em toda parte, sucessivamente apreciada e sinergizada em tempo real. Ou seja, um novo tipo de pensamento que é sustentado por conexões sociais tornadas viáveis pelas redes abertas de computação que configuram a Internet. Portanto, se o conhecimento é algo que deve estar disponível a todos na Rede, a forma como ele é exposto deve dar acesso às diferentes necessidades das pessoas. Pois, qualquer tipo de dificuldade imposta a grupos de atores sociais, por limitações físicas, sensoriais ou cognitivas, afetará de forma expressiva o processo de construção de uma sociedade que deve ser, desde a sua essência, verdadeiramente democrática. A acessibilidade pode ser definida, de forma simples, como a garantia de que o trabalho produzido, seja ele para qualquer tipo de mídia, esteja disponível e acessível em qualquer momento, local, contexto, dispositivo de acesso e por qualquer tipo de visitante/usuário, independente de sua capacidade motora, visual, auditiva, mental, computacional, cultural ou social. O número de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência é bastante significativo (ver tabela 01). As redes digitais planetárias e os artefatos por ela produzidos – em especial aos OAs – abrem um campo de possibilidades para o ensino- aprendizagem, interação, cognição. Tal campo potencializa a inclusão e valorização da
  • 5. diversidade humana e esses indivíduos, obviamente, não podem ficar a margem dessas vias de conhecimento. Grupos de idade Censos Demográficos 1980 1991 2000 0-14 anos 38,24% 34,73% 29,60% 15-64 anos 57,74% 60,45% 64,55% 65 anos ou mais 4,01% 4,83% 5,85% Tabela 01. População residente por tipo de residência. Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000 - Resultados do Universo. Para poder lidar com essa diversidade de especificidades, Conforto e Santarosa (apud Neto e Zúnica, 1999) abordam o direcionamento das ações para áreas-chave, a fim de garantir e estabelecer o acesso irrestrito evidenciando: características de acessibilidade incorporadas nas tecnologias assistivas1 para pessoas com alguma deficiência específica; utilitários que alteram o sistema para que o torne mais utilizável a um maior número de usuários; aplicações especiais para usuários com habilidades de leitura e escrita limitadas e características de usabilidade que facilitem ao indivíduo navegar em um conteúdo de forma espontânea, sem que haja necessidade de rebuscados raciocínios. A busca em desenvolver OAs seguindo tais premissas acionadoras é o alicerce para se desenvolver materiais operantes acessíveis, ainda mais na conjuntura atual a qual estamos inseridos, contexto esse em que os conteúdos dos mais variados formatos são disponibilizados na Rede. Torná-los de fácil leitura a todos é um desafio que precisa ser enfrentado e superado por quem deseja levar educação de qualidade para todos, sem que haja preocupação alguma por parte do receptor em ter acesso a esse fluxo de conhecimento. Acessibilidade e abertura do material produzido do IFRN no projeto InterRed O InterRed é um projeto do MEC que tem por objetivo implantar um sistema de disponibilização, compartilhamento, busca e recuperação de conteúdos digitais educativos, profissionais e tecnológicos, tanto para o ensino presencial como a distância. Ao todo, estão cadastradas 19 instituições de todo o país que desenvolvem objetos em vários formatos como pode ser observado na tabela 02. O IFRN tem atualmente 49 objetos cadastrados em variados formatos.   
  • 6. Tipo de mídia Quantidade de OAs SWF 114 PDF 97 ZIP 80 PPT 46 RAR 36 DOC 18 WMV 2 Tabela 02. OAs por tipo de mídia. Fonte: http://interred.cefetce.br/interred/paginas/estatisticas/index.php Como pode ser observado nos dados acima, a maior parte dos objetos desenvolvidos, inclusive os desenvolvidos pelo Cefet-RN, está no formato SWF, extensão gerada pelo Adobe Flash, o que suscita uma preocupação em relação à acessibilidade contida nesses objetos. Pois, considerável parte dos objetos não foi desenvolvida seguindo as premissas da acessibilidade. Porém, muitos se encontram em um formato que permite a interação, interpretação do usuário, possibilitando um fluxo duplo de comunicação entre o objeto e o fruidor. Figura 01. OA desenvolvido no Projeto InterRed. Como pode ser constatado, o OA acima possibilita uma construção não-linear do conhecimento do fruidor. Pois, a partir de dados que o emissor fornece para a
  • 7. ferramenta, o objeto se adequará, se abrirá e emitirá respostas de acordo com as informações setadas durante o seu uso. Tais informações contribuirão no amadurecimento intelectual do indivíduo, abrindo seu próprio saber às alternativas que o ciberespaço lhe oferece. A oferta do material digital traz consigo a abertura inerente aos OAs, já que o “Procefet 2008 – 2ª avaliação” permite uma colaboração, cooperação do fruidor, instigando-o a dar prosseguimento a sua atividade, tendo em vista seu potencial interativo e interpretativo. No feedback, processo-chave para que ocorra uma comunicação, o ser fruidor obtém respostas da sua interação particular, onde é fornecido o score de acertos e erros de toda avaliação e dando opções de revisar as escolhas feitas no questionário, oferecendo subsídios para o indivíduo perceber como está o seu desempenho nas disciplinas abordadas no OA em questão. Figura 02. Tela de pontuação. Considerações finais Os OAs, recursos digitais de aprendizagem do mundo contemporâneo, oferecem ao usuário uma troca constante de informação graças a sua interatividade, interoperabilidade, flexibilidade, customização, entre outros aspectos. Sua abertura é reflexo de tais propriedades, formando um processo comunicacional, onde a acessibilidade é um mandamento indispensável na fomentação de um saber verdadeiramente coletivo. O material produzido pelo IFRN abre um leque de possibilidades para os que deles usufruem, pois estão sendo disponibilizados em diversos formatos. Neste
  • 8. momento, alternativas estão sendo estudadas para tornar os objetos cada vez mais acessíveis a diversidade humana e cognitiva. Referências BETTIO, R.W; MARTINS, Alejandro (2002) “Objetos de Aprendizado: Um novo modelo direcionado ao Ensino a Distância”, http://www.abed.org.br/congresso2002/trabalhos/texto42.htm, Agosto. CONFORTO, Débora; SANTAROSA, Lucila M. C. (2002) “Acessibilidade à Web: Internet para Todos”, Em: Revista de Informática na Educação: Teoria, Prática – PGIE/UFRGS. V.5 N° 2 p.87-102. DOMINGUES, Diana (Org.) (1997) “A Arte no Século XXI: a humanização das tecnologias”, São Paulo, Editora UNESP. ECO, Umberto (1991) “Obra aberta – forma e indeterminação nas poéticas contemporâneas”, São Paulo, Editora Perspectiva. ____________ (2006) “A definição da arte”, Lisboa, Edições 70. LEMOS, E.C; NEVES, T.T. (2007) “Batidas sem fim – análise sobre o conceito de obra aberta na música eletrônica”, http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/404nOtF0und/404_64.htm, Agosto. LÉVY, Pierre (1996) “O que é o virtual?”, São Paulo, Ed. 34. TAROUCO, L.M.R; FABRE, M.J.M; TAMUSIANAS, F.R. “Reusabilidade de Objetos Educacionais, http://www.cinted.ufrgs.br/renote/fev2003/artigos/marie_reusabilidade.pdf, Agosto.