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ENCONTRAR A VIDA ACOLHENDO
BORTOLINE e Paulo BAZAGLIA – Revista Vida Pastoral, Paulus, São Paulo – maio / junho de 2002
* LIÇÃO DA SÉRIE: LECIONÁRIO DOMINICAL *
ANO: A – TEMPO LITÚRGICO: 13° DOMINGO TEMPO COMUM – COR: VERDE
I. INTRODUÇÃO GERAL
1. Ao se reunir para celebrar a fé, a comunidade cristã
é acolhida pelo Deus que gera vida para todos. O batis-
mo nos torna uma coisa só e, por meio dele, fomos in-
corporados ao Cristo que vive para sempre. Com o ba-
tismo nos comprometemos com um novo modo de ser e
de agir, e isso nos dá ânimo para celebrar nossa fé e
expressá-la em sinais concretos de vida nova (2ª leitura,
Rm 6,3-4.8-11).
2. Acolhidos por Deus, somos hoje questionados sobre
o modo como acolhemos aqueles que manifestam sua
indignação profética e externam seu desejo de que a
justiça do Reino seja implantada. Como poderemos pe-
dir a Deus que acolha nossas preces e oferendas se não o
acolhemos nos profetas, justos e pequenos? (1ª leitura,
2Rs 4,8-11.14-16a e evangelho, Mt 10,37-42).
II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS
1ª leitura (2Rs 4,8-11.14-16a): Acolher os que defen-
dem o direito dos pequenos
3. Eliseu foi um profeta itinerante do Reino do Norte.
O segundo livro dos Reis conservou sua memória e o
caracteriza como “homem de Deus” e continuador da
missão de Elias, seu antecessor. De fato, a missão desses
dois profetas tinha muitos aspectos comuns: denunciar a
infiltração de uma religião estranha (baalismo), restabe-
lecer a religião do Deus Javé no Reino do Norte e de-
nunciar o fim de um poder político corrupto e opressor
(a monarquia). É sob esse ângulo que o episódio de hoje
será lido.
4. Uma mulher rica perdeu a esperança de ter filhos: é
estéril e seu marido é idoso (v. 14). Essa informação
esconde a questão das religiões alienantes, como o baa-
lismo: prometem vida, mas o que geram são somente
frustrações e morte. Baal era a suprema divindade cana-
néia, responsável pela fertilidade do solo. Acreditava-se
que era capaz de dar vida ao seio estéril. Para os agricul-
tores fiéis a Baal, ele era a esperança de vida. Poucos
anos antes, nos dias de Elias, Jezabel, esposa do rei A-
cab, havia fortalecido essa religião no Reino do Norte,
tornando-a uma espécie de “religião oficial”.
5. A mulher do episódio de hoje representa o povo que
permaneceu fiel à religião de Javé, o Deus verdadeiro,
único capaz de dar vida e fecundidade. Contudo, como
ter vida fecunda? Acolhendo na própria casa, do melhor
modo possível, o profeta (cf. vv. 9-10), que é “um santo
homem de Deus”. Eliseu é profeta de Javé e defensor do
direito dos pobres. Acolhendo e hospedando o defensor
dos pobres, essa mulher acolhe, à semelhança de Abraão
e Sara (cf. Gn 18,10), o dom da vida que somente o
Deus verdadeiro pode conceder: “Daqui a um ano, nesta
época, você estará com um filho nos braços” (v. 16a).
6. O episódio de hoje mostra onde está o sentido de
uma vida fecunda. A mulher, apesar de rica (v. 8), não
tem filhos. E o fato era irreversível, pois, além de estéril,
seu marido era idoso (v. 14). Abrindo sua casa para aco-
lher e hospedar o profeta que defende o direito dos po-
bres, ela descobre que a partilha confere um rumo novo
à vida das pessoas; mais ainda: percebe que, assim fa-
zendo, a esperança e a vida retornam de modo inespera-
do (o filho que vai nascer).
Evangelho (Mt 10,37-42): Encontrar a vida acolhen-
do
7. O capítulo 10 de Mateus tem como tema central a
missão dos discípulos numa sociedade conflitiva que
defende o acúmulo da riqueza, o prestígio e o poder. São
justamente as tentações que Jesus venceu para inaugurar
o Reino da Justiça (cf. 4,1-11). Cabe, agora, aos segui-
dores do Mestre da Justiça enfrentar e vencer esses “de-
mônios”.
a. A opção pelo Reino da Justiça provoca cortes profun-
dos (vv. 37-39)
8. Os vv. 37-39 são conseqüência do que Jesus afirmou
anteriormente, ou seja: a opção pelo Reino da Justiça é
como uma espada que provoca cortes profundos na vida
de quem escolhe a proposta de Jesus. Nesse sentido, os
laços familiares não podem se sobrepor à opção de lutar
pelo Reino da Justiça inaugurado por Jesus. Este garante
que “quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim,
não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha
mais do que a mim, não é digno de mim” (v. 37). Em
outras palavras, numa sociedade que privilegia a riqueza,
o prestígio e o poder, ninguém consegue ser discípulo de
Jesus sem cortes profundos inclusive nas relações huma-
nas mais estreitas, como as da família. O sentido do re-
frão “não é digno de mim” (que aparece três vezes nos
vv. 37-39), parece ser justamente este: jamais consegui-
remos ser discípulos de Jesus se não rompermos com um
tipo de sociedade que considera “justo” o acúmulo da
vida nas mãos de poucos em prejuízo da maioria sofre-
dora que enfrenta situações de morte a cada dia.
9. O v. 38 esclarece um pouco mais. Jesus afirma:
“Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno
de mim”. Ele desafiou os princípios da sociedade que
defendia o acúmulo da riqueza, o prestígio e o poder. E o
resultado disso será a cruz, a punição reservada aos cri-
minosos. Os que afirmam ser cristãos não podem esque-
cer que são seguidores de um crucificado, alguém que
foi considerado subversivo e punido com a pena de mor-
te! Sejamos, pois, realistas e lúcidos: desafiar a socieda-
de que defende a concentração da riqueza, do prestígio e
do poder é muito perigoso e pode ser fatal, como o foi
para Jesus.
10. Mas, se não agirmos assim, que sentido teria nossa
vida? O v. 39 ajuda a iluminar essa questão. Jesus afir-
ma: “Quem procura conservar a sua vida, vai perdê-la”
(v. 39a), ou seja, se os seguidores de Jesus se adaptam à
sociedade estabelecida, sua vida será um grande vazio e,
no fim, deixará em nós uma profunda sensação de frus-
tração. Jesus continua: “E quem perde a sua vida por
causa de mim, vai encontrá-la” (v. 39b). Isso porque ele,
punido por ter desafiado a sociedade injusta, foi morto,
mas voltou à vida. Em outras palavras, o Mestre da Jus-
tiça nos mostra que o sentido da vida não está em reser-
vá-la, mas na doação pela justiça do Reino.
b. Encontrar a vida acolhendo (vv. 40-42)
11. Os vv. 40-42 são marcados pela palavra receber. Ela
aparece com muita freqüência e é o principal fio condu-
tor. Esses versículos pretendem esclarecer o que vimos
anteriormente. São a atualização do que significa “per-
der a vida por causa de Jesus a fim de encontrá-la”.
12. Os primeiros discípulos de Jesus eram pregadores
itinerantes. Iam de casa em casa, de aldeia em aldeia, de
cidade em cidade, anunciando o Reino da Justiça com
palavras e ações, desalienando as pessoas dos “demô-
nios” e “enfermidades” (acúmulo, prestígio e poder).
Não tinham morada fixa, não carregavam bens, não e-
ram bem-vistos pela sociedade estabelecida. Eram profe-
tas, justos, pequenos, e era assim que anunciavam a che-
gada da justiça do Reino que gera uma nova sociedade.
Jesus também foi profeta, justo e se fez pequeno; contu-
do, a sociedade estabelecida o rejeitou porque não quis
abrir mão do acúmulo, do prestígio e do poder. Será que
seguidores de Jesus vão ser acolhidos?
13. Esta pergunta permanece em aberto até hoje. O nú-
mero de empobrecidos e pequenos cresce a cada dia. E
temos a desagradável sensação de que os profetas, justos
e pequenos são cada vez mais deixados de lado a cada
dia que passa. Temos, inclusive, a pretensão idiota de,
apesar disso, estarmos acolhendo Jesus. No evangelho
de Mateus, essa pergunta só será esclarecida, com gran-
de surpresa, no capítulo 25 (vv. 31-46): “Senhor, quando
foi que te vimos com fome, ou com sede, como estran-
geiro… e não te servimos?”
14. Acolher é a palavra-chave. Solidarizar-se com os
que proclamam sua indignação profética, lutam pela
justiça e se fazem pequenos. Como fazer isso? Jesus não
dá receitas, pois acredita que seus seguidores são sufici-
entemente lúcidos, sensíveis e solidários nas mais diver-
sas situações. Mas ele garante: o gesto mais banal —
como o de dar um copo de água fria a quem foi castiga-
do pelo sol e poeira da estrada — não ficará sem recom-
pensa (v. 42).
2ª leitura (Rm 6,3-4.8-11): “Mortos para o pecado,
mas vivos para Deus”
15. Paulo acabara de expor um dos grandes temas da
carta aos Romanos: “Onde foi grande o pecado, foi bem
maior a graça” (5,20b). Com isso não quis dizer que a
graça de Deus seja algo automático que dispense a cola-
boração das pessoas. No capítulo 6 — do qual foram
extraídos os versículos desta leitura — pretende mostrar
as conseqüências de nossa adesão ao projeto de Deus.
Essa adesão é provocada pelo anúncio de Jesus e selada
com o batismo.
16. Os primeiros cristãos recebiam o batismo depois de
terem dado seu sim publicamente, como pessoas adultas
e amadurecidas na fé. A cerimônia do batismo consistia
na imersão numa piscina. A pessoa que ia ser batizada
mergulhava na água. Esse gesto representava a morte
para um tipo de sociedade que gerava discriminação,
injustiça, pecado. Ao mergulhar na água, a pessoa se
associava a Jesus que desceu ao túmulo (morte, cf. vv. 3-
4). A saída da água era como o ressuscitar para uma vida
nova. Com esse gesto, a pessoa começava a fazer parte
da vida nova do Cristo ressuscitado: “vivamos uma vida
nova” (cf. v. 4b).
17. O batismo, portanto, era sinal da vida nova que vem
do Cristo ressuscitado. “Com efeito, Cristo, uma vez
ressuscitado dentre os mortos, não morre mais; a morte
já não tem poder sobre ele! Porque, morrendo, ele mor-
reu para o pecado, de uma vez para sempre; mas viven-
do, ele vive para Deus. Assim também vocês, conside-
rem-se mortos para o pecado mas vivos para Deus, em
Cristo Jesus” (vv. 9-11).
18. Fé e batismo são, para Paulo, os modos pelos quais
participamos da morte de Jesus. Sua morte significa
rompimento; a ressurreição mostra a realidade, o novo
modo de ser. Daí decorrem muitas conseqüências, tradu-
zidas na expressão “vida nova”: um modo novo de nos
relacionarmos com as pessoas e com Deus, semente de
uma sociedade justa e fraterna. Não se trata, para os
seguidores de Jesus, da fidelidade a um “dever”, e sim
de coerência com o novo modo de ser que gera relações
novas com Deus e com as pessoas.
III. PISTAS PARA REFLEXÃO
19. A 1ª leitura e o evangelho têm um tema comum: Encontrar a vida acolhendo. Dialogar
com a comunidade para ver se estamos acolhendo os que defendem o direito dos pobres, co-
mo a mulher que hospedou Eliseu em sua casa (1ª leitura: 2Rs 4,8-11.14-16a). Ver se, numa
sociedade como a nossa, a opção pelo Reino da Justiça provoca cortes profundos nas relações
(primeira parte do evangelho, Mt 10,37-39). Mostrar que não é fácil se solidarizar com os
profetas, justos e pequenos. Mas é a única forma para encontrar a vida (segunda parte do e-
vangelho, Mt 10,40-42).
20. A 2ª leitura (Rm 6,3-4.8-11) é excelente oportunidade para refletir sobre novo modo de
ser que o batismo inaugura em nós. É possível fazer uma encenação: em primeiro lugar, mos-
trar como a nossa sociedade está marcada pela “morte”; em seguida, apresentar o batismo
como “vida nova” que gera uma sociedade justa e fraterna.

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Comentário: 13° Domingo Tempo Comum - Ano A

  • 1. ENCONTRAR A VIDA ACOLHENDO BORTOLINE e Paulo BAZAGLIA – Revista Vida Pastoral, Paulus, São Paulo – maio / junho de 2002 * LIÇÃO DA SÉRIE: LECIONÁRIO DOMINICAL * ANO: A – TEMPO LITÚRGICO: 13° DOMINGO TEMPO COMUM – COR: VERDE I. INTRODUÇÃO GERAL 1. Ao se reunir para celebrar a fé, a comunidade cristã é acolhida pelo Deus que gera vida para todos. O batis- mo nos torna uma coisa só e, por meio dele, fomos in- corporados ao Cristo que vive para sempre. Com o ba- tismo nos comprometemos com um novo modo de ser e de agir, e isso nos dá ânimo para celebrar nossa fé e expressá-la em sinais concretos de vida nova (2ª leitura, Rm 6,3-4.8-11). 2. Acolhidos por Deus, somos hoje questionados sobre o modo como acolhemos aqueles que manifestam sua indignação profética e externam seu desejo de que a justiça do Reino seja implantada. Como poderemos pe- dir a Deus que acolha nossas preces e oferendas se não o acolhemos nos profetas, justos e pequenos? (1ª leitura, 2Rs 4,8-11.14-16a e evangelho, Mt 10,37-42). II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS 1ª leitura (2Rs 4,8-11.14-16a): Acolher os que defen- dem o direito dos pequenos 3. Eliseu foi um profeta itinerante do Reino do Norte. O segundo livro dos Reis conservou sua memória e o caracteriza como “homem de Deus” e continuador da missão de Elias, seu antecessor. De fato, a missão desses dois profetas tinha muitos aspectos comuns: denunciar a infiltração de uma religião estranha (baalismo), restabe- lecer a religião do Deus Javé no Reino do Norte e de- nunciar o fim de um poder político corrupto e opressor (a monarquia). É sob esse ângulo que o episódio de hoje será lido. 4. Uma mulher rica perdeu a esperança de ter filhos: é estéril e seu marido é idoso (v. 14). Essa informação esconde a questão das religiões alienantes, como o baa- lismo: prometem vida, mas o que geram são somente frustrações e morte. Baal era a suprema divindade cana- néia, responsável pela fertilidade do solo. Acreditava-se que era capaz de dar vida ao seio estéril. Para os agricul- tores fiéis a Baal, ele era a esperança de vida. Poucos anos antes, nos dias de Elias, Jezabel, esposa do rei A- cab, havia fortalecido essa religião no Reino do Norte, tornando-a uma espécie de “religião oficial”. 5. A mulher do episódio de hoje representa o povo que permaneceu fiel à religião de Javé, o Deus verdadeiro, único capaz de dar vida e fecundidade. Contudo, como ter vida fecunda? Acolhendo na própria casa, do melhor modo possível, o profeta (cf. vv. 9-10), que é “um santo homem de Deus”. Eliseu é profeta de Javé e defensor do direito dos pobres. Acolhendo e hospedando o defensor dos pobres, essa mulher acolhe, à semelhança de Abraão e Sara (cf. Gn 18,10), o dom da vida que somente o Deus verdadeiro pode conceder: “Daqui a um ano, nesta época, você estará com um filho nos braços” (v. 16a). 6. O episódio de hoje mostra onde está o sentido de uma vida fecunda. A mulher, apesar de rica (v. 8), não tem filhos. E o fato era irreversível, pois, além de estéril, seu marido era idoso (v. 14). Abrindo sua casa para aco- lher e hospedar o profeta que defende o direito dos po- bres, ela descobre que a partilha confere um rumo novo à vida das pessoas; mais ainda: percebe que, assim fa- zendo, a esperança e a vida retornam de modo inespera- do (o filho que vai nascer). Evangelho (Mt 10,37-42): Encontrar a vida acolhen- do 7. O capítulo 10 de Mateus tem como tema central a missão dos discípulos numa sociedade conflitiva que defende o acúmulo da riqueza, o prestígio e o poder. São justamente as tentações que Jesus venceu para inaugurar o Reino da Justiça (cf. 4,1-11). Cabe, agora, aos segui- dores do Mestre da Justiça enfrentar e vencer esses “de- mônios”. a. A opção pelo Reino da Justiça provoca cortes profun- dos (vv. 37-39) 8. Os vv. 37-39 são conseqüência do que Jesus afirmou anteriormente, ou seja: a opção pelo Reino da Justiça é como uma espada que provoca cortes profundos na vida de quem escolhe a proposta de Jesus. Nesse sentido, os laços familiares não podem se sobrepor à opção de lutar pelo Reino da Justiça inaugurado por Jesus. Este garante que “quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim” (v. 37). Em outras palavras, numa sociedade que privilegia a riqueza, o prestígio e o poder, ninguém consegue ser discípulo de Jesus sem cortes profundos inclusive nas relações huma- nas mais estreitas, como as da família. O sentido do re- frão “não é digno de mim” (que aparece três vezes nos vv. 37-39), parece ser justamente este: jamais consegui- remos ser discípulos de Jesus se não rompermos com um tipo de sociedade que considera “justo” o acúmulo da vida nas mãos de poucos em prejuízo da maioria sofre- dora que enfrenta situações de morte a cada dia. 9. O v. 38 esclarece um pouco mais. Jesus afirma: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim”. Ele desafiou os princípios da sociedade que defendia o acúmulo da riqueza, o prestígio e o poder. E o resultado disso será a cruz, a punição reservada aos cri- minosos. Os que afirmam ser cristãos não podem esque- cer que são seguidores de um crucificado, alguém que foi considerado subversivo e punido com a pena de mor- te! Sejamos, pois, realistas e lúcidos: desafiar a socieda- de que defende a concentração da riqueza, do prestígio e do poder é muito perigoso e pode ser fatal, como o foi para Jesus. 10. Mas, se não agirmos assim, que sentido teria nossa vida? O v. 39 ajuda a iluminar essa questão. Jesus afir- ma: “Quem procura conservar a sua vida, vai perdê-la” (v. 39a), ou seja, se os seguidores de Jesus se adaptam à sociedade estabelecida, sua vida será um grande vazio e,
  • 2. no fim, deixará em nós uma profunda sensação de frus- tração. Jesus continua: “E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (v. 39b). Isso porque ele, punido por ter desafiado a sociedade injusta, foi morto, mas voltou à vida. Em outras palavras, o Mestre da Jus- tiça nos mostra que o sentido da vida não está em reser- vá-la, mas na doação pela justiça do Reino. b. Encontrar a vida acolhendo (vv. 40-42) 11. Os vv. 40-42 são marcados pela palavra receber. Ela aparece com muita freqüência e é o principal fio condu- tor. Esses versículos pretendem esclarecer o que vimos anteriormente. São a atualização do que significa “per- der a vida por causa de Jesus a fim de encontrá-la”. 12. Os primeiros discípulos de Jesus eram pregadores itinerantes. Iam de casa em casa, de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, anunciando o Reino da Justiça com palavras e ações, desalienando as pessoas dos “demô- nios” e “enfermidades” (acúmulo, prestígio e poder). Não tinham morada fixa, não carregavam bens, não e- ram bem-vistos pela sociedade estabelecida. Eram profe- tas, justos, pequenos, e era assim que anunciavam a che- gada da justiça do Reino que gera uma nova sociedade. Jesus também foi profeta, justo e se fez pequeno; contu- do, a sociedade estabelecida o rejeitou porque não quis abrir mão do acúmulo, do prestígio e do poder. Será que seguidores de Jesus vão ser acolhidos? 13. Esta pergunta permanece em aberto até hoje. O nú- mero de empobrecidos e pequenos cresce a cada dia. E temos a desagradável sensação de que os profetas, justos e pequenos são cada vez mais deixados de lado a cada dia que passa. Temos, inclusive, a pretensão idiota de, apesar disso, estarmos acolhendo Jesus. No evangelho de Mateus, essa pergunta só será esclarecida, com gran- de surpresa, no capítulo 25 (vv. 31-46): “Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estran- geiro… e não te servimos?” 14. Acolher é a palavra-chave. Solidarizar-se com os que proclamam sua indignação profética, lutam pela justiça e se fazem pequenos. Como fazer isso? Jesus não dá receitas, pois acredita que seus seguidores são sufici- entemente lúcidos, sensíveis e solidários nas mais diver- sas situações. Mas ele garante: o gesto mais banal — como o de dar um copo de água fria a quem foi castiga- do pelo sol e poeira da estrada — não ficará sem recom- pensa (v. 42). 2ª leitura (Rm 6,3-4.8-11): “Mortos para o pecado, mas vivos para Deus” 15. Paulo acabara de expor um dos grandes temas da carta aos Romanos: “Onde foi grande o pecado, foi bem maior a graça” (5,20b). Com isso não quis dizer que a graça de Deus seja algo automático que dispense a cola- boração das pessoas. No capítulo 6 — do qual foram extraídos os versículos desta leitura — pretende mostrar as conseqüências de nossa adesão ao projeto de Deus. Essa adesão é provocada pelo anúncio de Jesus e selada com o batismo. 16. Os primeiros cristãos recebiam o batismo depois de terem dado seu sim publicamente, como pessoas adultas e amadurecidas na fé. A cerimônia do batismo consistia na imersão numa piscina. A pessoa que ia ser batizada mergulhava na água. Esse gesto representava a morte para um tipo de sociedade que gerava discriminação, injustiça, pecado. Ao mergulhar na água, a pessoa se associava a Jesus que desceu ao túmulo (morte, cf. vv. 3- 4). A saída da água era como o ressuscitar para uma vida nova. Com esse gesto, a pessoa começava a fazer parte da vida nova do Cristo ressuscitado: “vivamos uma vida nova” (cf. v. 4b). 17. O batismo, portanto, era sinal da vida nova que vem do Cristo ressuscitado. “Com efeito, Cristo, uma vez ressuscitado dentre os mortos, não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele! Porque, morrendo, ele mor- reu para o pecado, de uma vez para sempre; mas viven- do, ele vive para Deus. Assim também vocês, conside- rem-se mortos para o pecado mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” (vv. 9-11). 18. Fé e batismo são, para Paulo, os modos pelos quais participamos da morte de Jesus. Sua morte significa rompimento; a ressurreição mostra a realidade, o novo modo de ser. Daí decorrem muitas conseqüências, tradu- zidas na expressão “vida nova”: um modo novo de nos relacionarmos com as pessoas e com Deus, semente de uma sociedade justa e fraterna. Não se trata, para os seguidores de Jesus, da fidelidade a um “dever”, e sim de coerência com o novo modo de ser que gera relações novas com Deus e com as pessoas. III. PISTAS PARA REFLEXÃO 19. A 1ª leitura e o evangelho têm um tema comum: Encontrar a vida acolhendo. Dialogar com a comunidade para ver se estamos acolhendo os que defendem o direito dos pobres, co- mo a mulher que hospedou Eliseu em sua casa (1ª leitura: 2Rs 4,8-11.14-16a). Ver se, numa sociedade como a nossa, a opção pelo Reino da Justiça provoca cortes profundos nas relações (primeira parte do evangelho, Mt 10,37-39). Mostrar que não é fácil se solidarizar com os profetas, justos e pequenos. Mas é a única forma para encontrar a vida (segunda parte do e- vangelho, Mt 10,40-42). 20. A 2ª leitura (Rm 6,3-4.8-11) é excelente oportunidade para refletir sobre novo modo de ser que o batismo inaugura em nós. É possível fazer uma encenação: em primeiro lugar, mos- trar como a nossa sociedade está marcada pela “morte”; em seguida, apresentar o batismo como “vida nova” que gera uma sociedade justa e fraterna.