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INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 1
INTERNATIONAL PLANT NUTRITION INSTITUTE - BRASIL
Rua Alfredo Guedes, 1949 - Edifício Rácz Center, sala 701 - Fone/Fax: (19) 3433-3254 - Website: www.ipni.net - E-mail: ipni@ipni.com.br
13416-901 Piracicaba-SP, Brasil
INFORMAÇÕES
AGRONÔMICAS
N0
119 SETEMBRO/2007
1
Engenheiro Agrônomo, M.S., Doutor, diretor do IPNI; e-mail: yamada@ipni.com.br; a partir de 01/12/2007, yamada@agrinatura.com.br
2
Engenheira Agrônoma, M.S., IPNI; e-mail: silvia@ipni.com.br
Tsuioshi Yamada2
Silvia Regina Stipp e Abdalla(2)
Veja também neste número:
Problemas de nutrição e de doenças de
plantas na agricultura moderna.......................... 1
A rota do ácido chiquímico e sua importância
na defesa da planta ............................................. 3
Dinâmica do glifosato na rizosfera das
plantas-alvo e não alvo ....................................... 3
Efeitos do glifosato na nutrição de
micronutrientes de plantas .................................. 5
O níquel na nutrição mineral e na defesa
das plantas contra doenças ................................. 8
Problemas relacionados ao glifosato e
doenças de plantas no Canadá..........................11
Mudanças induzidas pelo glifosato na
resistência de plantas às doenças .................... 12
Efeitos do glifosato em doenças de plantas..... 13
Interações enter glifosato e microrganismos
na rizosfera de plantas resistentes ao glifosato ... 15
Alternativas de manejo sustentável .................. 16
Divulgando a pesquisa....................................... 18
Dr. Luís I. Prochnow é o novo diretor do IPNI ... 22
Ponto de vista ..................................................... 24
ENCARTE - Efeitos do glifosato nas plantas:
implicações fisiológicas e agronômicas ...... 32 p.
O
Simpósio sobre “Problemas de Nutrição e de Doen-
ças de Plantas na Agricultura Moderna: ameaças à
sustentabilidade?”, promovido pelo IPNI-Brasil,
com o apoio daAGRISUS, foi realizado em Piracicaba, SP, nos dias
20 e 21 de Setembro último. O Simpósio buscou discutir os proble-
mas, levantar possíveis causas e apresentar sugestões de manejo
mais sustentáveis. O foco central do Simpósio foi os efeitos
colaterais do glifosato, herbicida de uso generalizado na agricultu-
ra moderna.
Este artigo propõe registrar as principais mensagens deixa-
das pelos palestrantes. Slides das apresentações do Simpósio en-
contram-se disponíveis no site: www.ipni.org.br
Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: PROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇAS
DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:
AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?
TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,IPNIBrasil,Piracicaba,SP,e-mail:yamada@ipni.net
Dr. Yamada explicou as razões para a realização desse Sim-
pósio e adiantou algumas informações importantes das palestras
que seriam apresentadas dentro do programa proposto (Tabela 1),
com o primeiro dia dedicado aos problemas de nutrição e o segun-
do dia aos problemas relacionados às doenças de plantas.
Após a apresentação do programa, Dr. Yamada comentou
que embora o mecanismo de passagem do glifosato via rizosfera da
planta-alvo para a planta-não alvo já seja conhecido desde 1982,
através do trabalho do pesquisador brasileiro Joaquim Rodrigues
(RODRIGUES et al., 1982), ele é ainda pouco conhecido dos usuá-
rios deste herbicida. E que este tema seria coberto na palestra do
Dr.VolkerRömheld.
SIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOS
PROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTAS
NA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNA
2 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007
Tabela 1. Programa do Simpósio sobre “Problemas de Nutrição e Doenças de Plantas na Agricultura Moderna: ameaças à sustentabilidade?
20/SETEMBRO/2007 (5a
feira)
08:00-10:00 Inscrição
10:00-11:00 Problemas de nutrição e de doenças de plantas na agricultura moderna: ameaças à sustentabilidade? – Tsuioshi Yamada,
IPNI Brasil, email: yamada@ipni.net
11:00-12:00 A rota do ácido chiquímico e sua importância na defesa da planta – Paulo Roberto de Camargo e Castro, ESALQ/USP,
email: prcastro@esalq.usp.br
12:00-14:00 Intervalo para almoço
14:00-15:15 Dinâmica do glifosato nas rizosferas das plantas-alvo e não alvo – Volker Römheld, Hohenheim University, Alemanha,
email: roemheld@uni-hohenheim.de
15:15-16:30 Efeitos do glifosato na nutrição de micronutrientes de plantas – Ismail Cakmak, Sabanci University, Turquia,
email: cakmak@sabanciuniv.edu
16:30-17:00 Intervalo para café
17:00-18:15 Oníquelnanutriçãomineralenadefesadasplantascontradoenças– BruceWood,USDA,Byron-GA,email: Bruce.Wood@ars.usda.gov
18:15-19:00 Debate – T. Yamada, moderador
Debatedores: Heitor Cantarella, IAC e Ricardo Victoria Filho, ESALQ-USP
21/SETEMBRO/ 2007 (6a
feira)
08:30-10:00 Problemas relacionados ao glifosato e doenças de plantas no Canadá – Myriam Fernandez, Agriculture and Agri-Food, Canadá,
email:fernandezm@agr.gc.ca
10:00-10:30 Intervalo para café
10:30-12:00 Mudanças induzidas pelo glifosato na resistência de plantas às doenças – Guri Johal, Purdue University, Estados Unidos,
email: gjohal@purdue.edu
12:00-14:00 Intervalo para almoço
14:00-15:30 Efeitos do glifosato em doenças de plantas – Don Huber, Purdue University, Estados Unidos, email: huberd@purdue.edu
15:30-16:00 Intervalo para café
16:00-17:30 Interações entre glifosato e microrganismos na rizosfera de plantas resistentes ao glifosato – Robert Kremer, University of
Missouri, Estados Unidos, email: kremerr@missouri.edu
17:30-18:30 Debate – Paulo Roberto de Camargo e Castro, moderador
Debatedores: Marcus Matallo, Instituto Biológico, e Elza Alves, UNESP, Registro, SP
18:30-19:00 Sugestões para pesquisas futuras
19:00-19:10 Encerramento
Mencionou que, felizmente, os efeitos negativos desta trans-
ferência para a planta-não alvo podem ser parcialmente neutraliza-
dos mantendo-se um intervalo de 2 a 3 semanas entre a dessecação
da planta de cobertura e a semeadura da próxima cultura.
Com esta prática simples, Professor Jamil Constantin e sua
equipe da Universidade Estadual de Maringá obtiveram, na média de
seus muitos ensaios, 11 sacos ha-1
de soja e 18 sacos ha-1
de milho a
mais que com o tradicional sistema aplique-e-plante. Resultados simi-
lares foram observados na pesquisa de Aroldo Marochi, ou seja, me-
lhor produtividade também para a soja transgênica RR com intervalo
de 3 semanas entre a dessecação com glifosato e a semeadura da soja.
Dr. Yamada expressou sua preocupação com o efeito resi-
dual do glifosato nas sementes de soja convencional provenientes
de lavoura dessecada em pré-colheita com este herbicida. Testes de
laboratório mostraram queda no vigor, assim como malformação do
sistema radicular das plântulas (Figura 1).
Mencionou também o que tem observado em campo: a ge-
neralizada perda da raiz pivotante na cultura da soja – tanto na
convencional como na RR – e a constatação de que o fenômeno é
mais comum quando o intervalo de tempo entre a dessecação e a
semeadura da soja é breve, ou seja, menos que 1 semana (Figura 2).
Dr. Yamada alertou ainda a respeito do grande problema
agroecológico causado pela aplicação aérea de maturadores de cana
(tema discutido no Encarte Técnico, anexo a este jornal), entre eles, o
glifosato. Como se sabe, eles são promotores do aumento do nível de
etileno, que provoca a maturação antecipada da cultura da cana-de-
açúcar. Porém, nas outras culturas adjacentes, o aumento do etileno
aumenta a abscisão foliar e a senescência foliar, além do amadureci-
mento dos frutos e aumento da incidência de doenças. Como se
observa em muitos pomares cítricos. Seria apenas coincidência?
Questionou a legislação ambiental brasileira sobre a aplica-
ção destes maturadores por via aérea e complementou que, de acor-
do com Dr. James Rahe, cientista canadense que muito estudou a
interação do glifosato com as doenças de plantas, no Canadá é
proibido fazer aplicação de glifosato por avião.
Figura 1. Plântulas de soja originadas de sementes de lavoura dessecadas
em pré-colheita com glifosato: efeito na germinação e no desen-
volvimento das mudas.
INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 3
Dr.Yamada finalizou apresentando sugestões de manejo das
plantas de cobertura – tanto para culturas anuais como para pere-
nes – com reduzido uso de herbicidas.
Para culturas perenes, como citros e cafeeiro, o manejo me-
cânico (roçadeira lateral) complementado no início com manejo quí-
mico, tem dado bons resultados, com grande adoção pelos agricul-
tores. Empresas produtoras destas roçadeira laterais (também co-
nhecidas com ecológicas) estimam que 70 a 80% das propriedades
citrícolas já contam com este equipamento.
Para culturas anuais em sistema plantio direto (SPD), Dr.Ya-
mada sugeriu a eleição prioritária de dicotiledôneas como planta de
cobertura, ao invés de gramíneas. Explicou as razões para essa pre-
ferência: (1) as gramíneas precisam de adubação nitrogenada para
alta produção de matéria seca, além de exigir glifosato na dessecação;
(2) as dicotiledôneas podem ser controladas mecanicamente e, além
disso, entre elas, as leguminosas fixam nitrogênio, que tudo indica
será (se já não for) o mais caro dos nutrientes; e outras, como o
nabo forrageiro, têm grande alelopatia e podem funcionar como
herbicida natural no controle de invasoras.
Dr. Yamada acredita que a tarefa de aumentar a quantidade
de matéria orgânica no solo deve ser atribuída aos cereais de alta
produtividade, como milho, com mais de 10 t ha-1
, e trigo, com mais
de 5 t ha-1
.
Encerrou sua apresentação conclamando a atenção da co-
munidade científica para mais estudos relacionados a:
• Nutrição mineral de plantas transgênicas, em especial das
plantas RR;
• Relação do glifosato com as doenças de plantas;
• Transferência do glifosato para os animais (humanos
inclusos) através da cadeia alimentar e seus efeitos na saúde
animal;
• Efeitos da aplicação aérea do glifosato.
Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: A ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUA
IMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTA
Paulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro, ESALQ/USP, Piracicaba,
SP, e-mail: prcastro@esalq.usp.br
Professor Castro mostrou como o glifosato bloqueia a rota
do ácido chiquímico e as conseqüências deste bloqueio na síntese
de metabólitos secundários de importância vital para as plantas.
Como sua palestra está reproduzida praticamente na ínte-
gra no Encarte Técnico anexo a este jornal, apresentamos aqui
apenas a Figura 3, mostrando o efeito do fosfito na diminuição
dos sintomas de intoxicação do feijoeiro pelo glifosato. Mencio-
nou, ainda, que os fosfitos são de uso bastante comum entre os
citricultores.
Figura 3. Efeito de doses de fosfito na redução de sintomas de toxicidade
de glifosato em plantas de feijoeiro.
Crédito: Paulo Roberto de Camargo e Castro.
Figura 2. Perda da raiz pivotante em soja convencional variedade Conquista.
Área de primeiro ano com soja após erradicação de Pinus. O
plantio direto de soja sobre cobertura de milheto dessecada com
0,75 L ha-1
de glifosato foi realizado uma semana após a
dessecação.
Crédito: T. Yamada, 13/03/2007, Fazenda Pinusplan, Uberlândia, MG.
Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: DINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERA
DAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVO
Volker Römheld,Volker Römheld,Volker Römheld,Volker Römheld,Volker Römheld, Hohenheim University, Alemanha, e-mail:
roemheld@uni-hohenheim.de
Professor Römheld mostrou que a rizosfera é importante lo-
cal onde ocorre a transferência do glifosato aplicado na planta-alvo
(invasoras) para a planta-não alvo (cultura) (Figura 4), de acordo
com as seguintes etapas:
(1) Absorção foliar do glifosato pela planta-alvo;
(2) Translocação do glifosato, via floema, para a região apical
do sistema radicular;
(3) Liberação do glifosato e possíveis metabólitos (AMPA)
na rizosfera da planta-alvo;
(4) Equilíbrio dinâmico do glifosato liberado com os adsor-
ventes e a solução da rizosfera;
(5) Absorção do glifosato pela planta-não alvo;
(6) Translocação do glifosato/AMPA para a parte aérea da
planta-não alvo e indução de desordens.
Na dinâmica do glifosato na rizosfera deve-se considerar:
(1) Extensão das interações ou dos entrelaçamentos entre
os sistemas radiculares das plantas-alvo e não alvo;
Plantio convencional Plantio direto
4 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007
Figura 4. Transferência do glifosato da planta-alvo para a planta-não alvo através da rizosfera compartilhada.
Aplicação foliar de glifosato nas
plantas-alvo (invasoras) ou cultivares
resistentes ao glifosato (RR); a
absorção pelas folhas é potencialmente
influenciada pela composição da
solução pulverizada (por exemplo,
adição de Ca, Fe, Mn)
Rápida translocação do glifosato da parte
aérea para as raízes
Armazenamento intermediário de
glifosato nas raízes
Liberação de glifosato
na rizosfera
Acúmulo de glifosato nos tecidos
meristemáticos apicais
Degradação do glifosato em
AMPA na parte aérea em baixas
doses (depende da espécie de
planta)
Translocação de AMPA da parte
aérea para as raízes e/ou
formação de AMPA nas raízes
em baixas doses
Liberação de AMPA na
rizosfera ou formação na
rizosfera
Dúvida: Qual é o mecanismo dessa liberação na rizosfera e quão
rápida é essa liberação? Depende de quais fatores?
O que nós devemos saber?
Que após a acumulação de glifosato
nas raízes das plantas-alvo (invasoras)
ele é liberado na rizosfera com
possíveis conseqüências para a
planta-não alvo (cultura)
(2) Imobilização do glifosato na rizosfera por cátions como
Al3+
, Ca2+
e outros;
(3) Remobilização do glifosato adsorvido induzida por alte-
rações na rizosfera da planta-não alvo (por exemplo, competição do
glifosato por sítios de adsorção com o ânion fosfato, favorecendo
a dessorção do mesmo);
(4) Interação do glifosato com os microrganismos da rizosfera
responsáveis pela redução/oxidação do Mn;
(5) Efeito do glifosato nos rizóbios, nas micorrizas e na di-
versidade microbiológica.
Explicou que os vários processos químicos e biológicos afe-
tados pelo glifosato são interdependentes e podem variar com:
(1) As propriedades físicas e químicas do solo (textura, es-
trutura, pH, potencial redox, teor de P e de Ca, etc.);
(2) População microbiana;
(3) Freqüência de aplicação do glifosato;
(4) Época de aplicação;
(5) Espécies vegetais;
(6) Período de tempo.
Sua apresentação foi longa e extremamen-
te rica de informações, mas para o bem da didáti-
ca e do papel, tentaremos resumí-la nas poucas
figuras a seguir.
Prof.Römheldmostrouumexperimentoem
que cultivou girassol em dois tipos de solo –
Arenosol, muito arenoso, e Luvisol, de textura
média – nos quais a planta de cobertura tinha
sido dessecada com glifosato com diferentes dias
de antecedência (0, 7, 14 e 21 dias) em relação à
data de semeadura (Figura 5). Observou que o
efeito do intervalo de espera entre a dessecação
da planta de cobertura e a semeadura da próxima
cultura era mais importante no solo arenoso onde, mesmo esperan-
do 21 dias, houve ainda efeitos residuais do glifosato sobre as
nascediças.
Em outro experimento, semeou simultaneamente, num mes-
mo rizobox, soja RR e girassol. Protegendo com saco plástico as
plantas de girassol, aplicou glifosato na soja RR e 7 dias depois
mediu os teores de chiquimato nas raízes de girassol. Encontrou,
conforme esperado, maior teor de chiquimato na raiz de girassol
cultivado noArenosol que no Luvisol (Figura 6), e questionou se a
rápida imobilização do glifosato no Luvisol não seria pela sua com-
plexação pelo cálcio.
Porém, novo experimento trouxe resultado surpreendente.
Simulando o sistema plantio direto (SPD), semeou azevém (Lolium
perenne) em vasos contendo os dois solos diferentes – Arenosol e
Luvisol – e quando o azevém estava com volume adequado de
massa verde, ele foi dessecado com glifosato. Após 8 semanas
(56 dias) da dessecação semeou-se a soja. Medindo o acúmulo de
glifosato nas raízes ele observou, desta vez, maior acúmulo de
chiquimato no Luvisol que no Arenosol, porém, ambos em níveis
muitos menores que os do experimento anterior. E especulou se
Figura 5. Efeito do intervalo de tempo entre a dessecação e a semeadura de girassol em solos
com diferentes texturas.
0 7 14 21 DAA -Gly 0 7 14 21 DAA -Gly
LUVISOL ARENOSOL
Acúmulo de glifosato nos
tecidos meristemáticos
das raízes
INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 5
Figura 6. Acúmulo de chiquimato na raiz de girassol (planta-não alvo) 7 dias após a aplicação de glifosato na soja RR (planta-alvo).
este efeito não seria da remobilização do glifosato adsorvido ao
solo. Que justificaria o maior efeito num solo mais tamponado, como
o Luvisol, que no Arenosol (Figura 7).
Concluiu que o tempo de espera entre o controle das invaso-
ras com o glifosato e a semeadura da próxima cultura deveria ser de:
• 0-3 semanas para solos úmidos e de textura leve, com rápi-
da decomposição de raízes das invasoras;
Figura 7.Acúmulo de chiquimato em raízes de plantas de soja cultivadas em vasos onde a planta de cobertura (Lolium perenne) tinha sido dessecada com
glifosato 8 semanas (56 dias) antes da semeadura. O maior acúmulo na soja cultivada em Luvisol indica possibilidade de remobilização do
glifosato adsorvido.
Lolium perenne
(planta-alvo)
Soja
(planta-não alvo)
Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: EFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NA
NUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTAS
Ismail Cakmak,Ismail Cakmak,Ismail Cakmak,Ismail Cakmak,Ismail Cakmak, Sabanci University, Turquia, e-mail:
cakmak@sabanciuniv.edu
Dr. Cakmak iniciou sua palestra mencionando que nas
regiões com uso extensivo de glifosato aumentam os relatos
sobre:
Soja
(alvo)
Girassol
(indicador)
• 4-8 semanas para solos úmidos, de textura pesada e
calcários, com lenta decomposição de raízes das invasoras;
• 1 ano para solos secos e arenosos, comuns em Israel, onde
esta norma é recomendada; e
• 1,5 a 3 anos para solos de regiões frias, com reduzida de-
composição de raízes das invasoras, como em certas partes do Ca-
nadá.
• Reduções no crescimento e na produtividade das culturas;
• Aumento nos problemas de doenças;
• Aumento no uso de inseticidas e fungicidas;
• Inibição da fixação biológica de nitrogênio;
• Aumento no uso de fertilizantes foliares com micronu-
trientes;
• Sintomas de deficiências de micronutrientes.
6 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007
À guisa de lembrete, explicou que, como o glifosato é alta-
mente móvel no floema, o produto aplicado nas plantas-alvo – como
invasoras, plantas de cobertura e ainda as plantas RR – é rapida-
mente translocado da parte aérea para as raízes, sendo então libera-
do na rizosfera (Figura 8).
Além da alteração no balanço entre as populações de orga-
nismos redutores e oxidantes de manganês na rizosfera das plantas
afetadas pelo glifosato, tornando este nutriente menos disponível
às plantas (assunto a ser tratado pelo Professor Huber, mais adian-
te), Professor Cakmak apresentou dados obtidos pelo Prof. Neu-
mann, da equipe do Professor Römheld, nos quais o glifosato, além
da diminuição da disponibilidade de Mn, reduzia também sua ab-
sorção pelas plantas (Figura 10).
Figura 9. Duas deficiências induzidas pelo glifosato: a de ferro e a de
manganês.
Figura 8.Atranslocação do glifosato aplicado na parte aérea da planta para
sua rizosfera é extremamente rápida.
Tabela 2. Efeito do tratamento da semente de soja com ferro e uso do
glifosato nos sintomas de clorose foliar e produtividade da soja
em Minnesota, Estados Unidos.
Clorose visual (nota) Grãos
(1 = verde a 5 = severa) (t ha-1
)
- Fe + Fe - Fe + Fe1
Controle 3,1 2,8 1,01 1,70
Glifosato 3,7 3,3 0,27 0,61
1
50 g ha-1
de Fe como FeEDDHA aplicado nas sementes.
Fonte: Jolley et al. (Soil Science and Plant Nutrition, v. 50, p. 793-981,
2004).
Tratamento
Figura 10. Inibição da aquisição de manganês pela planta-não alvo (girassol)
cultivada em solução nutritiva junto com a planta-alvo (soja)
tratada com glifosato por 2, 4 e 6 dias.
Fonte: NEUMANN et al. (Journal of Plant Diseases and Protection, 2005).
Deficiência de ferro
Deficiência de manganês
Aplicação de glifosato nas
plantas-alvo (invasoras) ou
em cultivares resistentes
ao glifosato.
A absorção é muito rápida
pelas folhas
Rápida translocação do
glifosato da parte aérea
para as raízes
Liberação do glifosato
na rizosfera
Mencionou que duas deficiências nutricionais são particu-
larmente importantes sob a ação do glifosato: a de manganês (que
será discutida mais adiante pelo Dr. Huber) e a de ferro (Figura 9).
Mostrou que a deficiência de ferro induzida pelo glifosato
foi parcialmente atenuada tratando-se a semente da soja com
FeEDDHAna dose de 50 g ha-1
de Fe (Tabela 2), conforme trabalho
de Jolley et al. (2004).
Professor Cakmak trouxe informações inéditas, ainda não
publicadas, sobre o efeito de doses equivalentes a 0,3%, 0,6% e
0,9% da dose recomendada de glifosato pulverizadas na parte aérea
da soja convencional, três vezes antes do florescimento. Observou
que o glifosato, principalmente na concentração de 0,9% da dose
recomendada, causou:
• Redução nos teores de Ca e Mn nos grãos;
• Redução nos teores foliares de Mg, Ca e Mn;
• Redução no peso seco de grãos, da palha e da planta inteira.
Mostrou também que a planta de milho cultivada em solu-
ção nutritiva deficiente em Mg era mais sensível ao glifosato que
quando com nível adequado de Mg. Contudo, não explicou qual
seria o mecanismo que causaria esta maior sensibilidade.
Em trabalho realizado por sua equipe na Universidade
Sabanci, Istambul, Turquia, observou que o glifosato aplicado so-
bre girassol, com concentração de 6% da dose recomendada (simu-
lando contaminação por deriva) diminuiu a absorção assim como a
translocação de Fe, Mn e Zn (Figura 11). Observou, ainda, que a
translocação foi mais afetada que a absorção.
INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 7
Figura 11. Efeito da pulverização foliar de 184 mM de glifosato (equivalente
a 6% da dose recomendada de 1,44 kg ha-1
em 200 L ha-1
) na
absorção e translocação de ferro, manganês e zinco.
Fonte: EKER et al. (Journal Agr. Food Chem., v. 54, p. 10019-10025, 2006).
Figura 14. Teores foliares de ferro na cultivar de soja RR Valiosa cultivada
em dois tipos de solos –Arenosol (arenoso, pouco tamponado)
e Calcário (melhor tamponado) – 20 dias após a aplicação foliar
de glifosato, comparados aos das sojas não tratadas Valiosa e
Conquista (isolínea não transgênica da Valiosa).
Fonte: TESFAMARIAM et al. (Symposium Trace Elements, Helsinki, 2007).
Solo Arenosol
Solo Calcário
Figura 13. Efeito de doses crescentes de glifosato, pulverizadas via foliar, na
atividade da enzima redutase férrica.
Fonte: OZTURK et al. (2007), no prelo.
+ Fe - Glifosato 0,32 mM 0,95 mM 1,89 mM
Provou que em condições de deficiência de Fe2+
, quando
torna-se importante a ação da enzima reductase férrica, há neutra-
lização desta enzima pela ação do glifosato, como pode ser obser-
vadonasFiguras12(quantitativamente)enaFigura13(escaladecor).
Figura 12. Inibição da atividade da enzima redutase férrica por doses
crescentes de glifosato aplicadas via foliar.
Fonte: OZTURK et al. (2007), no prelo.
Observou que o efeito do glifosato sobre o teor foliar de Fe
na soja transgênica Valiosa é maior em solo arenoso (Arenosol) que
em solo calcário, mais tamponado (Figura 14), onde o glifosato não
causou efeito algum. Ou seja, no solo arenoso o glifosato causou
menor absorção (e/ou translocação) de Fe na cultivar transgênica
Valiosa, que no solo mais argiloso, o que poderia ser explicado pela
sua maior adsorção pelos colóides do solo, ou ainda pela sua
complexação com o cálcio da solução do solo.
Professor Cakmak concluiu sua apresentação dizendo que:
• O uso rotineiro de glifosato em sistemas agrícolas causa
consideráveis efeitos colaterais que afetam o desenvolvimento e a
nutrição mineral das plantas;
• O glifosato é antagonista na absorção, transporte e acúmulo
de Ca, Mg, Mn e Fe, possivelmente pela formação de complexos
pouco solúveis com estes cátions;
• O glifosato afeta os mecanismos genéticos de adaptação
das plantas aos sítios deficientes em Fe;
• Plantas crescendo em condições de deficiência de Mg são
muito sensíveis ao glifosato;
• É urgente novo protocolo para definir os riscos implicados
no uso do glifosato.
8 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007
Implicação não agronômica ficou na mensagem final de que
a interferência do glifosato na absorção e transporte dos micro-
nutrientes dentro da planta pode causar deficiências e representar
uma ameaça potencial para a nutrição e saúde humana.
Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: O NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NA
DEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇAS
Bruce Wood,Bruce Wood,Bruce Wood,Bruce Wood,Bruce Wood, USDA, Byron-GA, e-mail: Bruce.Wood@ars.usda.gov
A vinda do Dr. Wood ao Brasil para visitas a pomares cítri-
cos e cafezais foi fruto de muitas coincidências felizes e com resul-
tados altamente positivos para a agricultura brasileira e americana.
Meu primeiro contato com a pesquisa do Dr. Wood foi quan-
do fiz a revisão do artigo sobre níquel, escrito pelo Professor
Malavolta e seu aluno de pós-graduação Milton Moraes, entitulado
“Nickel – from toxic to essential nutrient”, que foi publicado na
Revista Better Crops (v. 91, n. 3, p. 26-27, 2007). Para ilustrar a maté-
ria, meu bom amigo DonArmstrong, editor do Better Crops, pediu
emprestado para Dr. Bruce Wood, hoje o maior nome para proble-
mas relacionados ao níquel na agricultura, algumas fotos ilustran-
do a deficiência de níquel, entre elas, a da Figura 15.Assim que vi a
foto selecionada por Don, liguei para ele pedindo o endereço do
Dr. Wood. Tinha certeza (quase absoluta) que o que a foto mostra-
va era, de fato, intoxicação da planta por glifosato! Poderíamos
estar falando a mesma coisa, mas de forma diferente: que a intoxi-
cação por glifosato pode causar deficiência de níquel. E que esta
deficiência poderia ser corrigida com aplicações foliares de Ni.
o vôo de Springfield para Chicago tinha sido cancelado!Após mui-
tos telefonemas paraAtlanta e para Piracicaba consegui outro vôo.
Mas, na conexão em Chicago paraAtlanta, a atendente do check-in
não conseguia localizar meu nome na lista de passageiros. Foi lon-
ga espera, até que finalmente apareceu meu nome na tela do compu-
tador. Foi alívio geral na fila do check-in, principalmente da preocu-
pada senhora logo atrás de mim. Chegando em Atlanta, encontrei-
me logo com Terry. Mas não com a bagagem, que ficou extraviada
em Chicago! E dentro dela muitos equipamentos de pesca, hobby
que pretendo curtir após aposentar-me, em 30/11/2007. Fizemos a
notificação do extravio e saímos “a toda” para Byron. Felizmente,
Dr. Charles Reilly, assistente do Dr. Wood havia sido informado e
ficou nos esperando. Quando lá chegamos estava só ele, pois era
o fim do dia de uma 6a
feira. Apesar das dificuldades, foi uma
visita fantástica. Confirmei minha suspeita. Tive a certeza que
não só os pés de pecã (Figura 16), mas os de outras perenes,
principalmente os pessegueiros, estavam com os inequívocos
sintomas de intoxicação por glifosato. Antes que me esqueça,
localizei minha mala em Chicago e consegui ainda viajar na manhã
do dia seguinte de volta ao Brasil com os meus preciosos equipa-
mentos de pesca.
Figura 15. Foto que ilustrou o artigo de Malavolta e Moraes com a seguinte
legenda: Este pé de pecã estava deficiente em Ni. O ramo da
direita foi tratado no início da primavera com aplicação foiliar
única de sulfato de níquel, enquanto o ramo da esquerda não foi
tratado. Efeitos no crescimento foram visíveis 14 dias após o
tratamento.
Como tinha uma visita programada para os Estados Unidos
para Julho, decidi visitar Dr. Wood na Estação Experimental do
USDA, em Byron, GA. Era uma sexta-feira, 13 de Julho!Voaria cedo
de Springfield, IL, via Chicago, paraAtlanta, GA, de onde Dr. Terry
Roberts, presidente do IPNI, gentilmente se dispôs a levar-me para
Byron. Foi uma viagem atribulada, própria para uma sexta-feira 13:
Daqui, liguei para Dr. Wood contando sobre a minha suspei-
ta de que o que ele estava observando poderia ser, de fato, toxidez
por glifosato, e o convidei para vir ao Brasil. Cientista com grande
conhecimento de fisiologia vegetal e de nutrição de plantas teve a
curiosidade aguçada e atendeu prontamente ao meu convite. Foi
assim que tivemos o privilégio de contar com ele em nosso Simpósio.
Como regra, antes de um Simpósio, costumo levar os pales-
trantes para visitas ao campo.Assim, eles ficam familiarizados com
os problemas que queremos discutir no Simpósio.
Na primeira parada da nossa excursão, em um cafezal na re-
gião de São José do Rio Pardo, mostrei ao grupo, mas principalmente
ao Dr. Wood, um cafeeiro com os sintomas típicos de intoxicação
por glifosato. Suas palavras: “Estou 99% convencido que estes
sintomas são de deficiência de níquel”(Figura 17) foram a recom-
pensa de uma longa busca! Tinha, agora, o níquel como uma nova
ferramenta para mitigar os sintomas de intoxicação por glifosato.
Figura 16. Visita do Dr. Yamada à Estação Experimental do USDA em
Byron, GA, Estados Unidos, onde observou que os sintomas
de deficiência de níquel em pecã eram semelhantes aos de
toxidez por glifosato observados no Brasil.
T.YamadacomDr.CharlesReilly–USDAStation,
Byron,GA,13/07/2007
Deficiência de Ni ou toxidez por glifosato?
INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 9
Figura 17. Dr. Bruce Wood confirmando a semelhança dos sintomas de
toxidez de glifosato em cafeeiro com os de deficiência de níquel.
Após esta longa introdução, vamos agora aos pontos prin-
cipais de sua apresentação.
Dr.Wood explicou que a essencialidade do Ni como nutrien-
te de planta foi descoberta pelo Dr. Patrick Brown, da Universidade
da California, Davis, e validada em pecã pela sua equipe. Ou seja, a
planta de pecã não completou o ciclo de vida sem o Ni.
Explicou que o Ni é importante catalisador de muitas enzimas,
como: urease, superóxido dismutase, NiFe hidrogenases, metil-
coenzima M reductase, monóxido de carbono dehidrogenase, acetil
coenzimaAsintase, hidrogenases, RNase-Ae, provavelmente, mui-
tas outras. Enfatizou que é preciso entender que o Ni afeta a ativi-
dade de 3-4 ou mais enzimas críticas em rotas bioquímicas funda-
mentais da planta, afetando a ciclagem de C e N e também dos
metabólitos secundários. Como conseqüência final há comprometi-
mento do mecanismo de defesa da planta contra doenças.
Explicou que as plantas defendem-se dos patógenos atra-
vés de: (1) barreiras físicas lipídicas, como ceras, cutina e suberina
e (2) compostos químicos nocivos ou armamento químico, que são
os metabólitos secundários (por exemplo, terpenos, compostos
fenólicos e compostos secundários contendo nitrogênio).
Mostrou que a síntese destes compostos pode ser compro-
metida pela deficiência de Ni, principalmente devido à sua influên-
cia na produção de acetil CoA, que é vital no processo (Figura 18).
Mencionou que os principais sintomas de deficiência de Ni
em pecã são:
• Folhas e folíolos com manchas escuras na ponta e formato
arredondado (orelha-de-rato), devido ao acúmulo de uréia e possi-
velmente de ácido lático e oxálico;
•Afilamento das folhas e folíolos e crestamento das margens;
• Necrose da ponta das folhas e folíolos com zona verde
adjacente à necrose;
• Tronco e galhos quebradiços, provavelmente devido à di-
minuição da lignificação;
• Diminuição do vigor, crescimento e florescimento;
• Enfezamento dos internódios;
• Gemas anormalmente pontudas;
• Perda da dominância apical, com efeito “roseta”;
• Morte de brotos e galhos;
• Morte da planta.
Para quem conhece o glifosato diria que ele estava descre-
vendo os sintomas de toxidez causados por este herbicida.
Figura 18.O carbono fotossintetizado termina em uma das quatro categorias
de produtos anti-patogênicos. Os produtos do metabolismo
primáriooriginamcompostosquefuncionamcomobarreirafísica.
Os produtos do metabolismo secundário podem se mover através
das três rotas bioquímicas para a síntese de compostos que
atuam como protetores contra patógenos. A disponibilidade de
acetil CoA é crítica para a produção das quatro classes de
protetores.Eadeficiênciadeníquelafetapotencialmenteasíntese
de acetil CoA via ação sobre sua sintase.
Fonte: Adaptada por Bruce Wood de Taiz e Zeiger, Plant Physiology, 3.ed.
Mostrou que estes sintomas podem ser corrigidos com apli-
cação de Ni, como já ilustrados na Figura 15, e com detalhes na
Figura 19.
Figura 19. Efeito da pulverização foliar de níquel no sintoma de orelha-de-
rato em brotação de planta de pecã deficiente no elemento. À
direita, ramo deficiente em níquel; à esquerda, ramo deficiente
após tratamento com níquel via foliar.
Comentou que a faixa de suficiência para Ni na folha varia de
partes por bilhão (ppb) até partes por milhão (ppm), dependendo da
espécie da planta. Assim, para gramíneas e para culturas anuais e
perenes, com N transportado na forma amídica, o teor de Ni foliar
varia de 1 a 200 ppb. Para pecã e outras árvores perenes, com N
transportado como ureídas, estima-se em 3-30 ppm, e para as legu-
minosas tropicais, em 1-30 ppm.
À guisa de informação, o laboratório ICASA (Rua Reine
Germana Cazes, no
20, Jardim Miranda, CEP 13032-220, Campinas,
SP, fone 19-3032-0066) analisa Ni em solo e planta, quando solici-
tado.
Deficiência de Ni ou
toxidez por glifosato?
10 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007
Entre os problemas patogênicos induzidos por deficiência
de Ni, citou: nematóide de galhas em pecã (Meloidogyne partityla),
ferrugens em diversas culturas, mancha parda (Helminthosporium
oryzae) e brusone (Pyricularia oryzae) no arroz. Para a ferrugem da
soja, disse que em algumas situações o Ni tem potencial para redu-
zir a incidência da doença em variedades resistentes, mas que não
acredita neste efeito em variedades altamente suscetíveis.
Observou ainda que o tratamento com duas pulverizações
de Ni com 50 ppm Ni como Ni-lignosulfonato aumentou a produtivi-
dade em 11% nos ensaios de 2005 e em 15% nos ensaios de 2006,
apesar de não significativas estatisticamente.
Citou que a maioria dos solos agrícolas nos Estados Unidos
tem Ni em quantidade suficiente para as plantas, mas que pode ter
a biodisponibilidade reduzida pelos seguintes fatores:
• Solo frio ou seco no início da primavera;
•Teores demasiadamente altos de Ca e Mg na solução do solo;
• Altos teores de Fe, Mn, Co, Cu e Zn;
•Alto pH, alto P e baixa CTC; e
• Glifosato (após sua visita ao Brasil).
Apresentou o manejo do Ni que ele recomenda no programa
de adubação de pecã, experiência esta que acreditamos ser transfe-
rível para perenes de outras regiões do mundo.
Assim, para plantas com sintomas evidentes de deficiência
de Ni, recomenda:
• Deficiências leves a moderadas: 1 a 2 aplicações foliares de
solução com 50-100 ppm de Ni, a primeira no início da brotação e a
segunda duas semanas depois;
• Deficiências severas: pulverizar também, no final do outo-
no, com solução de 100 ppm de Ni, para promover sua remobilização.
• No caso de “fome oculta”, ou aplicação de “seguro”, reco-
menda 1 a 2 aplicações de 25-100 ppm de Ni, cerca de 10 e 24 dias
após o início das brotações.
Concluiu dizendo que:
• O Ni , este esquecido nutriente de plantas, tem papel fun-
damental no aumento da resistência contra doenças, especialmente
nas plantas em que o transporte de N é feito na forma de ureídeos,
como é o caso da pecã, da soja e, talvez, do cafeeiro;
• O maior conhecimento das interações do Ni com a nutrição
mineral favorecerá a redução de doenças.
Notas do editor: Ainda a respeito do níquel na agricultura
1.ApósoSimpósio,recebiem26/09/2007e-maildoDr.Bruce
Wood que dizia:
Caro Yamada, envio anexo duas cartas sobre minha recente
viagem ao Brasil. Uma é um relatório paraWashington, DC, sobre o
que foi observado, e a outra para você sobre minhas idéias a respei-
to do níquel e de greening em citros no Brasil.
De novo, o Simpósio foi de 1a
classe, e gostei muito da
oportunidade de participar, de conhecer você e os outros cientis-
tas do grupo, de entender os problemas agrícolas no Brasil, de
observar os problemas de micronutrientes/níquel/glifosato e de
visitar o novo enfoque de manejo de pomares. Sua hospitalidade
foi excepcional (sic). Que os melhores desejos se realizem no novo
capítulo de sua vida.
Cordiais saudações,
Bruce Wood, PhD
USDA-ARS-SEFTNRL
21 Dunbar Road
Byron,Geórgia31008
Fones:4789566420/6421-4782621279
E-mail: Bruce.Wood@ars.usda.gov
2. Alerto que esta carta é de caráter pessoal e não um traba-
lho científico. Como ela tem muitas informações relacionadas com o
níquel, ela foi traduzida e está sendo reproduzida na íntegra para
que os leitores possam testar algumas das suas interessantes su-
gestões para o controle do greening dos citros.
3. Fiquei muito impressionado com o eficiente trabalho do
Dr. Bruce Wood junto ao USDA. Como ele mencionou, a mensa-
gem sobre problemas potenciais do glifosato na agricultura foi
captada rapidamente e já chegou em Washington, DC.Aqui, lutei
durante anos mas não consegui passar a mensagem para Brasília.
4. Segue abaixo a carta traduzida.
Byron, GA, 25 de Setembro de 2007
Prezado Dr.Yamada:
Quero sinceramente agradecer a você, seus colegas e o IPNI
por organizarem um oportuno Simpósio, criticamente importante e
que foi de grande sucesso. Seu grupo fez um trabalho excelente –
verdadeiramente de 1a
classe – e sua hospitalidade inigualável.
Sou grato por ter participado deste desafio científico, que serve à
agricultura do mundo ao “despertar” para os potenciais efeitos
colaterais negativos das culturas transgênicas, com genes de bac-
térias, e do uso do glifosato. Embora estas tecnologias tragam gran-
des benefícios positivos para a agricultura, é também igualmente
importante que os usuários estejam cientes das conseqüências ne-
gativas na produtividade e qualidade da cultura e ramificações rela-
cionadas à saúde das criações e dos homens. Obrigado por sua
liderança neste importante assunto.
Falei ontem com nossa especialista na cultura do pêssego,
na Universidade de Geórgia, a respeito do programa de mulch com
gramíneas de cobertura que você desenvolveu. Ela está curiosa a
respeito do seu enfoque, pois a nossa indústria de pêssego está
convencida que precisa colocar de lado as atuais estratégias de
manejo com solo quase nu devido ao uso de herbicidas. (Contudo)
vemos dois problemas potenciais com a adoção do enfoque de
manejo (com mulch) de vocês, na cultura de pêssego nos Estados
Unidos. Eles são: a) aumento do dano dos troncos das árvores
pelas brocas, que multiplicam em mulch orgânico, e b) aumento de
danos nos troncos pelas ratazanas e camundongos. Pensamos (po-
rém) que poderemos controlar estes problemas nas condições de
mulch. (Para tal) estamos incluindo um nematologista e um ento-
mologista no nosso time, e assim juntar expertise suficiente para
responder simultaneamente às muitas questões (desta mudança).
Obrigado pela sua assistência em nos ajudar a reconhecer os efei-
tos adversos do uso do glifosato e por nos lembrar o enfoque “de
volta à natureza” no manejo dos pomares. Eu penso verdadeira-
mente que este enfoque provará ser vantajoso e aceitável. Planeja-
mos tentativamente estabelecer um talhão para pesquisa de cam-
po, e com sua permissão gostaríamos de creditar sua contribuição,
incluindo você como um dos autores, nas publicações subseqüentes.
Das discussões coletivas com você e outros cientistas, eu
estou convencido que estamos vendo, pelo menos em pecã, um
aumento na suscetibilidade de doenças como conseqüência do
uso do glifosato nos pomares. Eu espero ser capaz de delinear
alguns estudos para provar esta hipótese.
INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 11
Estou convencido de que o glifosato está induzindo defi-
ciências de micronutrientes em várias culturas. Níquel (Ni) é um
destes nutrientes. Como você sabe, a deficiência de Ni nos solos
dos pomares é muitíssimo rara. Assim, o aparecimento dos sinto-
mas de deficiência sugerem fortemente que existe algo seriamente
errado com a fisiologia da cultura, ou com a química do solo/am-
biente, ou com ambos.
Acredito que os sintomas aparentes de deficiência de Ni
observados nos cafeeiros (visitados no Brasil) são consistentes
com os que se esperaria da ligação de cátions divalentes, como o
Ni, com o glifosato. Excetuando as hiperacumuladoras de Ni, todas
as plantas absorvem apenas quantidade pequena de Ni e como (só)
os transportadores de ureídas necessitam de concentrações relati-
vamente altas de Ni endógeno, é razoável esperar que plantas com
este tipo de transporte de N serão as primeiras a apresentar danos
fisiológicos como conseqüência da quelação dos micronutrientes
pelo glifosato.
Em outras palavras, as inter-relações entre Ni, transporte de
ureídas e glifosato são como as entre canário, mina de carvão e o
homem (no passado, o canário era usado como indicador do nível
tóxico de gás; assim, se o pássaro morria, era sinal de que havia
nível tóxico de gás e que os mineiros deveriam evacuar as minas),
em que (a deficiência) o Ni seria o “alarme precoce indicador” (early
warning indicator, no original) do problema (do glifosato).
A deficiência de Ni em cafeeiro, seja (ela causada) por falta
(de Ni) no solo ou por indução pelo glifosato poderá ser corrigida
com uma a duas pulverizações foliares de sais de Ni na concentra-
ção de 100 ppm de Ni (+ 1 a 2 kg de uréia em 378 litros de água + um
surfactante não iônico) feitas (a primeira) alguns dias após o início
das brotações e mais uma (a segunda) após duas semanas. Funcionará
oucomocorreçãodadeficiênciadeNioucomoantídotoparcialcontra
danos induzidos pelo glifosato. Espero que os administradores de
fazendas testem o Ni, mas que deixem um controle para que possa-
mos melhor entender o que está acontecendo com o cafeeiro. Eu
suspeito que a faixa foliar (de Ni) para o cafeeiro está entre 3 e 5 ppm.
Também vi (no Brasil) algumas laranjeiras com folhas exibin-
do três sintomas diferentes associados com a deficiência de Ni.
Nos citros, aparentemente o N é transportado como amida, pos-
suindo, assim, necessidade muito baixa de Ni (pode ser cerca de
200-500 ppb). Por conseguinte, suspeito que o uso do glifosato tem
o potencial de causar problemas de “fome oculta” mesmo em cultu-
ras relativamente insensíveis ao Ni, como os citros. Suspeito que
existam também problemas (de deficiência) de Ni na cana-de-açúcar
e na soja.
Em relação ao greening de citros e o uso de fosfito, acredi-
to que é razoável concluir que ambos podem ter papéis (na doen-
ça); contudo, é provável que seja um tiro de longa distância (long-
shot ou “chutão”). Apesar disto, ainda é, na minha opinião, (uma
hipótese) válida de ser estudada. O fosfito pode provar sua eficá-
cia, pois possui ação contra certas classes de bactérias. Assim,
parece razoável esperar que o uso combinado de Ni e fosfito po-
deria suprimir ou prevenir o crescimento ou a reprodução bacte-
riana e assim constituir numa maneira eficaz para controlar o
greening. Existe ainda o trabalho vietnamita mostrando que o
greening é controlável através do plantio intercalar de goiabeira
com laranjeira, na base de 1:1, ou seja, cada pé de citros circunda-
da por 4 pés de goiabeira (e vice-versa). A goiabeira produz
terpenos, que repelem os Psilídeos, que são os vetores das bacté-
rias causadoras da doença. Outro enfoque é controlar os Psilídeos
com pesticidas, mas este controle será muito caro.
A combinação Ni2+
-fosfito foliar, ou o encharcamento do
solo com ambos, Ni2+
e fosfito, parece-me um enfoque viável com
razoável probabilidade na redução dos impactos adversos do
greening. Eu falei recentemente num encontro no México sobre o
grande sucesso obtido com o encharcamento do solo circundando
o tronco com fosfito na cura de certas doenças afetando o carva-
lho na Califórnia. Daquelas discussões concluí que os enchar-
camentos de solos com soluções constituem meios altamente efi-
cazes de colocar compostos orgânicos e inorgânicos dentro da
planta. Como regra geral, os volumes aplicados devem ser cerca
de 1,5 L por cm de diâmetro do tronco. Asolução necessita de um
surfactante apropriado para facilitar o movimento dentro da plan-
ta. Uma “baixa” concentração de um surfactante organo-silicone
na dose de 0,26 ml L-1
da solução parece melhorar a absorção
radicular das árvores.
Vejo, portanto, que o enfoque potencialmente viável para
controlar o greening de citros que envolveria a cessação do uso do
glifosato incluiria as opções:
1. Pulverizações foliares ou injeções com Ni, em tempo opor-
tuno;
2. Pulverizações foliares ou injeções com fosfito, em tempo
oportuno;
3. Pulverizações de ambos, Ni e fosfito, em tempo oportuno;
4. Encharcamento do solo com Ni;
5. Encharcamento do solo com fosfito;
6. Encharcamento do solo com ambos, Ni e fosfito.
Adicionalmente, é possível que a inclusão de salicilato, ou
análogo, poderia ter eficácia contra bactéria afetando o floema; as-
sim, o tratamento foliar com salicilato poderia estimular as defesas
da planta de modo a suprimir ou matar a bactéria.
Mais uma vez, obrigado pela oportunidade de participar. Foi
uma viagem muito benéfica para mim.
Saudações cordiais,
Bruce W. Wood
Research Leader
Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: PROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AO
GLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁ
Myriam Fernandez,Myriam Fernandez,Myriam Fernandez,Myriam Fernandez,Myriam Fernandez, Agriculture and Agri-Food, Canadá, e-mail:
fernandezm@agr.gc.ca
Segundo a Dra. Fernandez, desde meados da década de 90,
na parte oeste da região dos Prairies do Canadá, onde o clima é mais
chuvoso e os solos são mais pesados, a fusariose do trigo (FHB)
tornou-se um problema sério.
Esta doença reduz a produtividade e a qualidade dos grãos
(Figura 18), acumula micotoxinas e diminui a germinação e vigor das
plântulas, sendo a fonte mais importante do inóculo da fusariose os
restos culturais dos cultivos anteriores.
De 1999 a 2002 ela buscou identificar práticas de manejo que
reduzissem os danos da doença nas áreas de cultivo do trigo bem
como sua disseminação para outras áreas do Canadá. Nos 851 cam-
posdetrigoecevadaanalisados(resíduoseraízes),foramencontradas
várias espécies de Fusarium, como: F. graminearum, F. avenaceum,
F. culmorum, F. poae e F. sporotrichioides.
Resultados do estudo demonstraram que quatro fatores agro-
nômicos foram significativos no aumento da severidade da doença:
12 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007
suscetibilidade do cultivar, rotação de culturas, sistema de cultivo e
uso de glifosato, sendo que os três primeiros fatores foram signifi-
cativos em 2 dos 4 anos estudados, os mais chuvosos, enquanto a
influência do glifosato foi significativo em todos os 4 anos.
Durante os estudos dos fatores de risco e de produção asso-
ciados à fusariose da espiga de trigo observou-se que:
• O ambiente (chuva e temperatura) foi o fator mais impor-
tante no desenvolvimento da doença;
• A aplicação de formulações de glifosato nos 18 meses an-
teriores à semeadura foi o fator agronômico mais importante asso-
ciado com os maiores índices de fusariose no trigo de primavera;
• Houve maior incidência do patógeno quando o herbicida
foi empregado nas culturas em geral (75%) ou sob cultivo mínimo
(122%), quando comparado às culturas sem glifosato, e a associa-
ção positiva do glifosato com a doença não foi afetada pelas condi-
ções ambientais.
ATabela 3 mostra o efeito cumulativo do glifosato aplicado
nos três anos anteriores ao cultivo do trigo.
mínimo e com uso de glifosato. Observou-se também mudança na
comunidade de fungos radiculares associada com o uso do
glifosato, com nível mais baixo de C.sativus emaisaltodeFusarium.
Dra. Fernandez mencionou que, devido à natureza dos estu-
dos de campo, não foi possível separar completamente os efeitos
do glifosato dos da intensidade de cultivo e da rotação de culturas.
E que os resultados inconclusivos ou as discrepâncias entre os
estudos publicados sobre o glifosato devem-se a diferentes causas:
• Estudos conduzidos em condições ambientais diferentes
(tipo de solo, clima, etc.);
• Emprego de diferentes manejos (por exemplo, manejo con-
vencional sem glifosato x plantio direto com glifosato);
• Espécies diferentes de culturas;
• Aplicação direta sobre a cultura RR versus aplicações em
pré-semeadura na cultura convencional;
• Efeito das aplicações de glifosato no campo ou em labora-
tório na ausência de invasoras ou ainda com densidade desconhe-
cida de invasoras.
Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: MUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATO
NA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇAS
Guri Johal,Guri Johal,Guri Johal,Guri Johal,Guri Johal, Purdue University, Estados Unidos, e-mail:
gjohal@purdue.edu
Dr. Johal dividiu sua apresentação em três partes:
(1) Como o glifosato torna as plantas suscetíveis às doenças?
(2) Por que o glifosato torna as plantas mais suscetíveis às
doenças?
(3) Estão as plantas RR livres deste problema?
As duas primeiras perguntas foram temas das suas teses de
Mestrado e Doutorado, respectivamente, feitas sob a supervisão
do Dr. James Rahe, Simon Fraser University, Burnaby, BC, Canadá.
Na sua tese de Mestrado observou que a eficiência do
glifosato como excelente herbicida advém, em grande parte, da sua
capacidade em comprometer a habilidade das plantas na sua auto-
defesa contra os patógenos. Identificou que, destes, os mais im-
portantes são Pythium e Fusarium, de distribuição generalizada
nos solos agricultáveis. No seu experimento, Dr. Johal observou
que as plantas tratadas com glifosato (15% da dose recomendada)
e cultivadas em solo esterilizado e também em vermiculita (meio
inerte) mostraram-se pouco afetadas pela atividade do herbicida,
recuperando o crescimento após algumas semanas do tratamento.
Porém, as plantas cultivadas em solo natural morreram e houve
rápida colonização das raízes por Pythium e Fusarium (dois a três
dias após o tratamento). Além disso, notou que a adição destes
patógenos aos meios esterilizado e inerte (vermiculita) restabele-
ceu a atividade herbicida do glifosato nas plântulas (Figura 20).
Concluiu que a eficácia herbicida do glifosato ocorreu em
grande parte devido à sua interação sinergística com patógenos,
como Pythium e Fusarium, que estão presentes na maioria dos solos.
Um outro aluno do Prof. Rahe, chamado Andre Levesque,
domonstrou que a textura e a umidade do solo influenciavam na
predominância do patógeno na raiz da planta sob a influência de
doses subletais de glifosato: Pythium, quando o solo era argiloso e
úmido, ou Fusarium, no caso de solo mais arenoso e seco.
Na sua tese de Doutorado, Dr. Johal buscou identificar a
causa da menor resistência às doenças com estas doses subletais
de glifosato.
Tabela 3. Índice de fusariose da espiga do trigo (FHB) em função do
número de aplicações de glifosato. Trigo de primavera, 2001.
No
de aplicações de glifosato
nos três anos anteriores
Nenhuma 4,2
1 a 2 6,4
3 a 6 12,4
Índice de FHB (%)
Figura 18. Efeito do ataque de Fusarium nas sementes e espigas de trigo.
Estudo da correlação entre o número de aplicações de
glifosato e o índice de fusariose em duas cultivares de cevada com
diferentes resistências ao glifosato – suscetíveis e com resistência
intermediária – , sob cultivo mínimo, mostraram que o índice de fu-
sariose não foi significativo para F. avenaceum e F. graminearum,
mas foi significativo para as cultivares com resistência intermediá-
ria. Estas apresentaram níveis de fusariose tão altos quanto as cul-
tivares suscetíveis, mostrando que o glifosato anulou a resistência
das cultivares com resistência média, pois estas se mostraram sus-
cetíveis na presença do herbicida.
De acordo com Dra. Fernandez, a podridão radicular da ce-
vada e do trigo é causada, na maioria dos casos, por Cochliobolus
sativus e Fusarium spp. Estudos com cevada, em três sistemas de
cultivo e com aplicação ou não de glifosato, mostraram que os mais
altos níveis da doença foram encontrados nos campos em cultivo
INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 13
mercial padrão, com 360 g L-1
de glifosato, esta dose equivaleria a
pouco menos de 10 mL ha-1
, que já seria suficiente para tornar a
cultura do feijoeiro suscetível ao Colletotrichum lindemuthianum.
Dr. Johal observou ainda que aplicações exógenas de
fenilalanina ajudaram a conter a expansão das lesões em plantas
suscetíveis tratadas com glifosato. Como se sabe, a fenilalanina é
um dos três aminoácidos cuja síntese é inibida pela ação do gli-
fosato.
Finalizou sua palestra dizendo que as plantas RR não são
completamente resistentes às mudanças induzidas pelo glifosato.
Isto porque as mudanças fisiológicas nas plantas transgênicas que
promovem resistência aos patógenos biotróficos (como, por exem-
plo, a ferrugem da soja) geralmente aumentam a suscetibilidade da
planta aos patógenos necrotróficos, como Pythium e Fusarium.
Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: EFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DE
PLANTASPLANTASPLANTASPLANTASPLANTAS
Don Huber,Don Huber,Don Huber,Don Huber,Don Huber, Purdue University, Estados Unidos, e-mail:
huberd@purdue.edu
Segundo Professor Huber, quatro fatores interagem para de-
terminar a severidade de uma doença: planta (vigor, suscetibilidade,
resistência, estádio de desenvolvimento, exsudatos de raiz), meio
Tabela 4. Efeito de doses de glifosato na expressão de sintomas e acumu-
lação de fitoalexinas na interação compatível entre feijoeiro e
Colletotricum lindemuthianum.
Glifosato Lesões mostrando Tamanho da Fitoalexinas totais
(μμμμμg planta-1
) expansão (%) lesão (mm) (μμμμμg lesão-1
)
Controle 0 5,0 21,35
0,5 30 8,5 16,50
1,0 60 12,0 10,85
10,0 100 > 15,0 4,60
Estudando os mecanismos que levam o feijoeiro a perder a
resistência à antracnose causada pelo fungo Colletotrichum
lindemuthianum, Dr. Johal observou que as fitoalexinas estavam
associadas à proteção das plantas contra a contaminação por fungos.
As fitoalexinas são substâncias antimicrobianas sintetiza-
das e acumuladas pelas plantas quando expostas aos patógenos,
derivadas da rota do fenilpropanóide e com características fenó-
licas. No caso do feijoeiro, há produção de quatro diferentes
fitoalexinas durante sua interação com o fungo da antracnose:
faseolina, faseolidina, kievitona e faseolinisoflavona.
Dr. Johal observou que no feijoeiro as fitoalexinas estavam
envolvidas nos dois tipos de interação patógeno-hospedeiro, ou
seja, interação compatível e interação incompatível. Na interação
compatível as plantas ficam suscetíveis ao patógeno e apresentam
lesões no hipocótilo, como as apresentadas na Figura 21.
Figura 21. Efeito do ataque de antracnose em hipocótilo de feijoeiro. À
esquerda, interação patógeno-planta incompatível; à direita,
interação patógeno-planta compatível.
Inoculação
com esporos
do fungo
Lesões de
antracnose
Aplicação
tópica dos
esporos do
fungo
Vermiculita Solo natural Testemunha
Figura 20. Plantas de feijão que cresceram em solo natural morreram após
tratamento com glifosato enquanto plantas que cresceram em
vermiculita sobreviveram.
Figura 22. Habilidade do glifosato em suprimir a produção de fitoalexinas
em feijoeiro infectado por fusariose.
Com o objetivo de determinar se as fitoalexinas estavam en-
volvidas na proteção direta contra a doença, Dr. Johal utilizou dois
inibidores químicos –AOPPe glifosato – visando bloquear a rota do
ácido chiquímico, responsável pela produção de fitoalexinas.
Dr. Johal observou que uma dose da ordem de 0,5 μg de
glifosato por planta já era suficiente para aumentar o tamanho da
lesão e diminuir a produção de fitoalexinas, e a de 10 μg por planta
causou expansão da lesão em 100% das plantas estudadas (Tabe-
la 4 e Figura 22). Supondo que tivessemos 300.000 plantas por
hectare, a dose de 10 μg por planta equivaleria a apenas 3 g do
ingrediente ativo de glifosato por hectare! Numa formulação co-
14 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007
Dr. Huber chamou a atenção para o fato do glifosato ter forte
natureza metal-quelante, com alta especificidade para os micronu-
trientes Mn, Fe, Zn e Cu. Comentou que a qualidade dos alimentos
vem declinando nos últimos 15 anos, podendo este fenômeno estar
relacionado ao uso de produtos quelantes de metais.
Em relação ao Mn – elemento essencial para a produção de
compostos de defesa da planta (cumarinas, ligninas, flavonóides)
–, fatores como alto pH, calcário, fertilizantes nitrogenados na for-
ma de nitrato, matéria orgânica e baixa umidade do solo podem
diminuir sua disponibilidade no solo e, em conseqüência, aumentar
a predisposição da planta às doenças.
Dr. Huber explicou que o glifosato provoca mudanças no
equilíbrio microbiológico do solo e afeta a população de organis-
mos benéficos para as plantas.Assim, se o produto for utilizado por
vários anos, a nodulação das raízes das leguminosas é comprome-
tida, e conseqüentemente a fixação biológica de N, e serão necessá-
rios muitos anos para restabelecer o equilíbrio da microflora e da
população normal de Rhizobium.
abiótico (nutrientes, umidade, temperatura, pH, densidade, gases),
meio biótico (antagonismo, sinergismo, oxidantes, redutores, com-
petidores, mineralizadores) e patógeno (população, virulência, ati-
vidade) (Figura 23).
Tabela 5. Patógenos de planta afetados pelo glifosato.
Aumentados pelo glifosato
Botryospheara dothidea Gaeumannomyces graminis
Corynespora cassicola Magnaporthe grisea
Fusarium avenaceum Marasmius spp.
F. graminearum Monosporascus cannonbalus
F. oxysporum f. sp. cubense Myrothecium verucaria
F. oxysporum f.sp (canola) Phaeomoniella chlamydospora
F. oxysporum f.sp. glycines Phytophthora spp.
F. oxysporum f.sp. vasinfectum Pythium spp.
F. solani f.sp. glycines Rhizoctonia solani
F. solani f.sp. phaseoli Septoria nodorum
F. solani f.sp. Pisi Thielaviopsis bassicola
Xylella fastidiosa
Diminuídos pelo glifosato
(patógenos obrigatórios)
Phakopsora pachyrhizi
Puccinia graminis
Figura 24. Algumas interações microbiológicas que ocorrem no solo com o
uso de glifosato.
Figura 25. Efeitos do glifosato na fisiologia das plantas.
Figura 23. Interação entre fatores que determinam a severidade das
doenças.
Qualquer interferência no sistema agrícola pode provocar
uma mudança na interação entre esses fatores, e o seu entendimen-
to torna mais fácil o manejo e o controle das doenças de solo. Sabe-
se, por exemplo, que a rotação de culturas reduz a incidência de
doenças, e um dos primeiros efeitos dessa prática ocorre sobre a
atividade biológica do solo, a qual influencia as formas de nitrogê-
nio disponíveis para as plantas ao longo do tempo bem como a
quantidade residual do nutriente para a cultura subseqüente.
Mencionou que a introdução do glifosato há 30 anos pro-
moveu grande mudança na agricultura, com consideráveis efeitos
na nutrição e na incidência de doenças de plantas.As interações do
glifosato com a microbiota do solo estão resumidas na Figura 24,
com as plantas na Figura 25 e com os patógenos na Tabela 5.
INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 15
O glifosato também interfere na população de micorrizas,
comprometendo a nutrição das culturas em solos com baixa dispo-
nibilidade de Zn e P.
Por outro lado, o glifosato estimula o aumento de organis-
mos patógenos e oxidantes de Mn, os quais indisponibilizam este
nutriente para a planta e a predispõe ao ataque de doenças.
A Figura 27 mostra o efeito do glifosato no aumento da
predisposição da soja à podridão de raiz por Corynespora
cassiicola, doença que no passado era de pouca importância eco-
nômica, mas que atualmente tornou-se severa.
microbiologia do ambiente da rizosfera. Estas alterações na rizos-
fera afetam:
(1) Ciclagem de nutrientes e, por conseqüência, sua dispo-
nibilidade para as plantas;
(2) Potencial fitopatogênico e o balanço antagonístico;
(3) Composição e atividade dos microrganismos benéficos
(por exemplo, micorrizas e rizobactérias promotoras do crescimento
das plantas).
Assim, o seu grupo de pesquisa no início tinha os objetivos:
(1) Entender os impactos das culturas transgênicas nas
interações com a biologia do solo e seus mecanismos; e
(2) Determinar processos para corrigir os fatores limitantes
derivados das interações detrimentais entre as culturas transgênicas
e a biologia do solo.
Na primeira fase, seus estudos buscaram saber os efeitos
dos fungos patogênicos e do nematóide de cisto (Heterodera
glycines) na soja RR. Os resultados mostraram um consistente au-
mento na população de Fusarium spp. colonizando as raízes da
soja RR com a aplicação de glifosato nas doses recomendadas pelo
fabricante. Também observou que a colonização por Fusarium foi
geralmente de duas a cinco vezes superior no tratamento com glifo-
sato, quando comparado ao controle, sem glifosato (Figura 28).
Professor Huber terminou sua palestra com as recomenda-
ções para os principais problemas relacionados ao uso do glifosato
ou ao uso das plantas RR:
(1) Menor absorção de Mn pelas plantas RR: selecionar cul-
tivares com maior eficiência para Mn.
(2) Menor translocação de Mn com a aplicação de glifosato:
aplicar Mn e outros micronutrientes 8 dias após a pulverização da
planta RR com glifosato.
(3) Mudanças acumulativas na biologia da rizosfera: usar
práticas culturais que minimizem o impacto do glifosato; usar
herbicida não sistêmico.
(4) Redução no desenvolvimento do sistema radicular: usar
o gesso, ou superfosato simples, no sulco de semeadura.
(5) Aumento da severidade de doenças com o uso de glifo-
sato: usar métodos alternativos de controle de invasoras; minimizar
o uso de glifosato.
Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: INTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO E
MICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTAS
RESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATO
Robert Kremer,Robert Kremer,Robert Kremer,Robert Kremer,Robert Kremer, USDA-ARS & University of Missouri, Estados
Unidos, e-mail: kremerr@missouri.edu
Dr. Kremer iniciou sua palestra mencionando que o desen-
volvimento de plantas geneticamente modificadas buscou apenas
a melhoria da produtividade agrícola. E que foram negligenciados
importantes processos fisiológicos das plantas e da microbiologia
do solo que podem ser afetados pelo uso desta tecnologia.
Assim, o “Sistema de Produção Roundup-Ready” constitui
um avanço no manejo efetivo das invasoras. No entanto, lembrou
ele que esta tecnologia apresenta alguns pontos fracos como: apa-
recimento de invasoras com resistência ao glifosato e alterações na
O Fusarium mostrou ser bom indicador dos impactos cau-
sados pelo glifosato na rizosfera das plantas transgênicas. Contu-
do, como a rizosfera é um sistema complexo, tornou-se claro a ne-
cessidade de estudos mais completos sobre a estrutura e as fun-
ções das comunidades microbianas lá instaladas, que é o atual
enfoque da pesquisa do seu grupo.
Especificamente, as novas pesquisas estudam:
(1) O Fusarium dentro da comunidade fúngica na rizosfera;
(2) Os organismos transformadores do Mn (oxidantes e re-
dutores);
(3)Afixação biológica do nitrogênio pelos rizóbios;
(4) As comunidades Pseudomonad; e
(5) Os fungos micorrízicos arbusculares.
Trabalhos recentes mostram que a massa de nódulos na
soja RR é menor que na soja convencional, mesmo sem o tratamen-
to com glifosato. Com o uso deste, o peso dos nódulos é ainda
Figura 28. Incidência de Fusarium na rizosfera de soja RR em função do
tempo de aplicação.
Figura 27. Podridão da raiz da soja causada por Corynespora cassiicola,
induzida pela aplicação de glifosato.
Controle Inoculada Inoculada +
glifosato via foliar
16 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007
Apesar deste tema não ter sido discutido no Simpósio, apre-
sento algumas idéias para serem testadas pelos colegas que bus-
cam alternativas mais sustentáveis de manejo das invasoras na
agricultura.
Não há dúvidas que nada supera o plantio direto como sis-
tema de conservação do solo na agricultura. E não há dúvidas tam-
bém que o sistema de plantio direto (SPD) só foi possível graças
aos herbicidas, principalmente o glifosato.
No entanto, conhecendo hoje os efeitos colaterais nega-
tivos do glifosato, compete a nós utilizá-lo com os devidos cui-
dados para obter o máximo de benefícios com o mínimo de ma-
lefícios.
Para a produção de grãos a pesquisa já respondeu: deve-se
esperar de duas a mais semanas após a dessecação para iniciar a
semeadura, principalmente se o volume de plantas invasoras ou de
cobertura for muito grande. Tanto para variedades transgênicas
como para as convencionais.
Na cultura da cana, em que o glifosato é utilizado como
maturador, a pesquisa indica efeitos quase sempre nulos no aumen-
to da produtividade de açúcar. E pior, com potencial dano ambiental
quando aplicado via aérea.
menor (Figura 29). E indagou se o glifosato não estaria interferindo
na sinalização dos flavonóides necessária para o ancoramento dos
rizóbios junto às raízes, assim como se não estaria afetando a pro-
dução de substâncias promotoras de crescimento.
Figura 30. Efeito do glifosato na população de pseudomonad fluorescen-
tes na rizosfera de soja RR, variedade Pioneer 93M92.
Figura 29. Efeitos da variedade e de herbicidas sobre a massa de nódulos
de soja no estádio R1 de desenvolvimento.
Fonte: MARIA et al. (App. Environ. Microbiol., v. 73, p. 5075, 2007).
Nota: TankMix com herbicidas convencionais.
Mostrou também redução nas populações de pseudomonad
fluorescentes, muitas delas associadas ao antagonismo de fungos
patogênicos e nas transformações do Mn (Figura 30). Questionou
se era efeito direto do glifosato ou efeito da variedade.
Concluiu dizendo que o conhecimento dos fatores de solo e
da rizosfera que interagem com os microrganismos sob a ação do
glifosato, como acontece no manejo das invasoras usando as plan-
tas transgênicas, é de fundamental importância na redução ou na
eliminação de seus efeitos adversos.
ENCERRAMENTOENCERRAMENTOENCERRAMENTOENCERRAMENTOENCERRAMENTO
Como síntese geral de todas as palestras, o Simpósio deixou
uma mensagem bem clara: o glifosato causa efeitos colaterais negati-
vos tanto para a planta cultivada como para o rizóbio, a micorriza e os
demais microrganismos do solo, com reflexos na nutrição mineral e
na resistência contra doenças. Assim, a resposta à pergunta do
título do Simpósio é bastante óbvia – sim, a sustentabilidade da
agricultura moderna está ameaçada com o uso indiscriminado do
glifosato.
Conhecendo-se as interações entre o glifosato, a planta e os
microrganismos será possível desenvolver sistemas de manejo nos
quais o uso deste herbicida será acompanhado de práticas que
reduzirão ou eliminarão seus efeitos perniciosos, a curto prazo, prin-
cipalmente nas culturas anuais. Mas não a longo prazo.
Torna-se, pois, urgente o desenvolvimento de novos sis-
temas de manejo das invasoras para que a longo prazo não tenha-
mos acúmulos desse produto em quantidades letais, tanto na plan-
ta como no solo. As sugestões a seguir, sobre alternativas de
manejo, não foram discutidas no Simpósio. Servem, no entanto,
como ponto de partida aos interessados em buscar novas formas
de manejo. Muitas informações neste sentido já foram dadas pe-
las pesquisas de Ademir Calegari, Rolf Derspch e Ingo Kliever,
entre outros.
ALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVEL
A cultura de citros pode estar sofrendo os efeitos colaterais de
seu próprio manejo com o glifosato, assim como da deriva de
maturadores de cana, que provocam o aumento do nível de etileno.
Comosesabe,oaumentodoníveldeetilenonaplantapromovealtera-
ções plasmáticas, favorecendo todo o tipo de doenças. Talvez seja a
explicaçãoparaasucessãodenovasdoençasobservadasnacitricultura.
O manejo alternativo das invasoras em culturas perenes tem
sido feito com sucesso utilizando-se métodos mecânicos variados,
com os quais busca-se instalar um sistema próximo ao SPD que se faz
para grãos mas com eliminação ou uso muito reduzido de glifosato.
Consideramos equivocado no atual SPD a eleição das
gramíneas como plantas de cobertura. Se no lugar dessas fossem
utilizadas leguminosas, o manejo poderia ser mecânico, através de
rolo-faca. Assim, não seria necessário esperar duas a três semanas
para a semeadura e, até então, estas plantas continuariam reciclando
nutrientes e sintetizando nitrogênio para a cultura de verão.
Podemos ter nas regiões tropical e subtropical uma agricul-
tura muito mais eficiente que a do hemisfério Norte. Temos que
utilizar melhor nossa vantagem competitiva de poder manter em
funcionamento a usina fotossintética praticamento o ano todo. A
monocultura da soja deve ser substituída pela rotação de culturas,
INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 17
Figura 30. Bio-nitrogênio via ervilhaca peluda: a nova revolução dentro do sistema plantio direto. Fazenda de Jorge Romagnoli, Argentina.
Crédito das fotos: Fernando Garcia.
e a responsabilidade de produzir matéria orgânica para o solo deve
ser dada ao milho de alta produtividade.
Por que não sonhar com uma safra de 80 sacas ha-1
de soja em
um ano e 200 sacas ha-1
de milho no outro? E entre uma cultura e outra
usar planta produtora de bio-nitrogênio num ano e bio-herbicida no
outro? Como, por exemplo, utilizar, após a soja, uma cobertura com
crotalária juncea, ervilhaca peluda ou tremoço, que manejada com
rolo-faca, além de controlar as invasoras, forneceria a quase totalida-
de do nitrogênio para a cultura de milho subseqüente? Este, por sua
vez, seria seguido pelo nabo forrageiro que, pela sua alelopatia, seria
o herbicida natural do sistema. E ambas as culturas, soja e milho,
seriam transgênicas, para usar o glifosato, quando necessário.
Meschede et al. (2007), avaliando diferentes coberturas na
supressão de plantas daninhas em Cáceres, MT, no período de Julho
a Setembro, obtiveram 11,8 t ha-1
de matéria seca de sorgo forrageiro
e 7,5 t ha-1
de crotalária. Considerando o teor de 3% de N na matéria
seca, a produtividade da crotalária seria equivalente a 225 kg ha-1
de
N ou 500 kg ha-1
de uréia. É uma ótima informação provando a
factibilidade desta planta mesmo na região Centro-Oeste do País.
Em2006 testamos o nabo forrageiro como planta de cobertu-
ra precedendo o milho.Além de produzir 1.200 kg de sementes por
hectare ele proporcionou bom controle das invasoras na cultura do
milho, apenas com a aplicação de atrazina (Figura 28). Foi um bom
início para o programa que pretendemos continuar no futuro.
Recentemente conhecemos um sistema bastante semelhante
aplicado em área de 3.000 hectares de milho na propriedade de Jorge
Romagnoli, em Montebuey, Província de Cordoba, naArgentina (Fi-
guras 29 e 30).Além de engenheiro agrônomo, ele é também o presi-
dente daAAPRESID –AssociaçãoArgentina de Produtores em Plan-
tio Direto. Devido ao solo extremamente fértil (ainda), aduba apenas
otrigoecolhe3safrasemdoisanos,sendo4-5tha-1
detrigo,4tha-1
de
soja de 2a
(após o trigo) e 10,8 t ha-1
de milho, este após ervilhaca
peluda com 7 t ha-1
de matéria seca, fixando 210 kg ha-1
de N.
Figura 28. Campo de nabo forrageiro, fazenda do Engenheiro Agrônomo
Seiji Kimoto, Campo Mourão, PR (19/08/2006).
Figura 29. Rolo-faca: equipamento fundamental para manejo visando agri-
cultura sustentável.
Acreditamos que sistemas de manejo de invasoras mais sus-
tentáveis que os atuais, como o feito por Jorge Romagnoli, poderão
também ser desenvolvidos no Brasil. Mas para que isso ocorra é
preciso determinação!
Ervilhaca peluda: Maio-Outubro,
7 t MS, 210 kg ha-1
de N
Trigo: Maio-Novembro Cobertura com ervilhaca
Milho: Outubro-Maio

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  • 1. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 1 INTERNATIONAL PLANT NUTRITION INSTITUTE - BRASIL Rua Alfredo Guedes, 1949 - Edifício Rácz Center, sala 701 - Fone/Fax: (19) 3433-3254 - Website: www.ipni.net - E-mail: ipni@ipni.com.br 13416-901 Piracicaba-SP, Brasil INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS N0 119 SETEMBRO/2007 1 Engenheiro Agrônomo, M.S., Doutor, diretor do IPNI; e-mail: yamada@ipni.com.br; a partir de 01/12/2007, yamada@agrinatura.com.br 2 Engenheira Agrônoma, M.S., IPNI; e-mail: silvia@ipni.com.br Tsuioshi Yamada2 Silvia Regina Stipp e Abdalla(2) Veja também neste número: Problemas de nutrição e de doenças de plantas na agricultura moderna.......................... 1 A rota do ácido chiquímico e sua importância na defesa da planta ............................................. 3 Dinâmica do glifosato na rizosfera das plantas-alvo e não alvo ....................................... 3 Efeitos do glifosato na nutrição de micronutrientes de plantas .................................. 5 O níquel na nutrição mineral e na defesa das plantas contra doenças ................................. 8 Problemas relacionados ao glifosato e doenças de plantas no Canadá..........................11 Mudanças induzidas pelo glifosato na resistência de plantas às doenças .................... 12 Efeitos do glifosato em doenças de plantas..... 13 Interações enter glifosato e microrganismos na rizosfera de plantas resistentes ao glifosato ... 15 Alternativas de manejo sustentável .................. 16 Divulgando a pesquisa....................................... 18 Dr. Luís I. Prochnow é o novo diretor do IPNI ... 22 Ponto de vista ..................................................... 24 ENCARTE - Efeitos do glifosato nas plantas: implicações fisiológicas e agronômicas ...... 32 p. O Simpósio sobre “Problemas de Nutrição e de Doen- ças de Plantas na Agricultura Moderna: ameaças à sustentabilidade?”, promovido pelo IPNI-Brasil, com o apoio daAGRISUS, foi realizado em Piracicaba, SP, nos dias 20 e 21 de Setembro último. O Simpósio buscou discutir os proble- mas, levantar possíveis causas e apresentar sugestões de manejo mais sustentáveis. O foco central do Simpósio foi os efeitos colaterais do glifosato, herbicida de uso generalizado na agricultu- ra moderna. Este artigo propõe registrar as principais mensagens deixa- das pelos palestrantes. Slides das apresentações do Simpósio en- contram-se disponíveis no site: www.ipni.org.br Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: PROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DE DOENÇAS DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA:DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNA: AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE?AMEAÇAS À SUSTENTABILIDADE? TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,TsuioshiYamada,IPNIBrasil,Piracicaba,SP,e-mail:yamada@ipni.net Dr. Yamada explicou as razões para a realização desse Sim- pósio e adiantou algumas informações importantes das palestras que seriam apresentadas dentro do programa proposto (Tabela 1), com o primeiro dia dedicado aos problemas de nutrição e o segun- do dia aos problemas relacionados às doenças de plantas. Após a apresentação do programa, Dr. Yamada comentou que embora o mecanismo de passagem do glifosato via rizosfera da planta-alvo para a planta-não alvo já seja conhecido desde 1982, através do trabalho do pesquisador brasileiro Joaquim Rodrigues (RODRIGUES et al., 1982), ele é ainda pouco conhecido dos usuá- rios deste herbicida. E que este tema seria coberto na palestra do Dr.VolkerRömheld. SIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOSSIMPÓSIO QUESTIONA AS CAUSAS DOS PROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTASPROBLEMAS DE NUTRIÇÃO E DOENÇAS DE PLANTAS NA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNANA AGRICULTURA MODERNA
  • 2. 2 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 Tabela 1. Programa do Simpósio sobre “Problemas de Nutrição e Doenças de Plantas na Agricultura Moderna: ameaças à sustentabilidade? 20/SETEMBRO/2007 (5a feira) 08:00-10:00 Inscrição 10:00-11:00 Problemas de nutrição e de doenças de plantas na agricultura moderna: ameaças à sustentabilidade? – Tsuioshi Yamada, IPNI Brasil, email: yamada@ipni.net 11:00-12:00 A rota do ácido chiquímico e sua importância na defesa da planta – Paulo Roberto de Camargo e Castro, ESALQ/USP, email: prcastro@esalq.usp.br 12:00-14:00 Intervalo para almoço 14:00-15:15 Dinâmica do glifosato nas rizosferas das plantas-alvo e não alvo – Volker Römheld, Hohenheim University, Alemanha, email: roemheld@uni-hohenheim.de 15:15-16:30 Efeitos do glifosato na nutrição de micronutrientes de plantas – Ismail Cakmak, Sabanci University, Turquia, email: cakmak@sabanciuniv.edu 16:30-17:00 Intervalo para café 17:00-18:15 Oníquelnanutriçãomineralenadefesadasplantascontradoenças– BruceWood,USDA,Byron-GA,email: Bruce.Wood@ars.usda.gov 18:15-19:00 Debate – T. Yamada, moderador Debatedores: Heitor Cantarella, IAC e Ricardo Victoria Filho, ESALQ-USP 21/SETEMBRO/ 2007 (6a feira) 08:30-10:00 Problemas relacionados ao glifosato e doenças de plantas no Canadá – Myriam Fernandez, Agriculture and Agri-Food, Canadá, email:fernandezm@agr.gc.ca 10:00-10:30 Intervalo para café 10:30-12:00 Mudanças induzidas pelo glifosato na resistência de plantas às doenças – Guri Johal, Purdue University, Estados Unidos, email: gjohal@purdue.edu 12:00-14:00 Intervalo para almoço 14:00-15:30 Efeitos do glifosato em doenças de plantas – Don Huber, Purdue University, Estados Unidos, email: huberd@purdue.edu 15:30-16:00 Intervalo para café 16:00-17:30 Interações entre glifosato e microrganismos na rizosfera de plantas resistentes ao glifosato – Robert Kremer, University of Missouri, Estados Unidos, email: kremerr@missouri.edu 17:30-18:30 Debate – Paulo Roberto de Camargo e Castro, moderador Debatedores: Marcus Matallo, Instituto Biológico, e Elza Alves, UNESP, Registro, SP 18:30-19:00 Sugestões para pesquisas futuras 19:00-19:10 Encerramento Mencionou que, felizmente, os efeitos negativos desta trans- ferência para a planta-não alvo podem ser parcialmente neutraliza- dos mantendo-se um intervalo de 2 a 3 semanas entre a dessecação da planta de cobertura e a semeadura da próxima cultura. Com esta prática simples, Professor Jamil Constantin e sua equipe da Universidade Estadual de Maringá obtiveram, na média de seus muitos ensaios, 11 sacos ha-1 de soja e 18 sacos ha-1 de milho a mais que com o tradicional sistema aplique-e-plante. Resultados simi- lares foram observados na pesquisa de Aroldo Marochi, ou seja, me- lhor produtividade também para a soja transgênica RR com intervalo de 3 semanas entre a dessecação com glifosato e a semeadura da soja. Dr. Yamada expressou sua preocupação com o efeito resi- dual do glifosato nas sementes de soja convencional provenientes de lavoura dessecada em pré-colheita com este herbicida. Testes de laboratório mostraram queda no vigor, assim como malformação do sistema radicular das plântulas (Figura 1). Mencionou também o que tem observado em campo: a ge- neralizada perda da raiz pivotante na cultura da soja – tanto na convencional como na RR – e a constatação de que o fenômeno é mais comum quando o intervalo de tempo entre a dessecação e a semeadura da soja é breve, ou seja, menos que 1 semana (Figura 2). Dr. Yamada alertou ainda a respeito do grande problema agroecológico causado pela aplicação aérea de maturadores de cana (tema discutido no Encarte Técnico, anexo a este jornal), entre eles, o glifosato. Como se sabe, eles são promotores do aumento do nível de etileno, que provoca a maturação antecipada da cultura da cana-de- açúcar. Porém, nas outras culturas adjacentes, o aumento do etileno aumenta a abscisão foliar e a senescência foliar, além do amadureci- mento dos frutos e aumento da incidência de doenças. Como se observa em muitos pomares cítricos. Seria apenas coincidência? Questionou a legislação ambiental brasileira sobre a aplica- ção destes maturadores por via aérea e complementou que, de acor- do com Dr. James Rahe, cientista canadense que muito estudou a interação do glifosato com as doenças de plantas, no Canadá é proibido fazer aplicação de glifosato por avião. Figura 1. Plântulas de soja originadas de sementes de lavoura dessecadas em pré-colheita com glifosato: efeito na germinação e no desen- volvimento das mudas.
  • 3. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 3 Dr.Yamada finalizou apresentando sugestões de manejo das plantas de cobertura – tanto para culturas anuais como para pere- nes – com reduzido uso de herbicidas. Para culturas perenes, como citros e cafeeiro, o manejo me- cânico (roçadeira lateral) complementado no início com manejo quí- mico, tem dado bons resultados, com grande adoção pelos agricul- tores. Empresas produtoras destas roçadeira laterais (também co- nhecidas com ecológicas) estimam que 70 a 80% das propriedades citrícolas já contam com este equipamento. Para culturas anuais em sistema plantio direto (SPD), Dr.Ya- mada sugeriu a eleição prioritária de dicotiledôneas como planta de cobertura, ao invés de gramíneas. Explicou as razões para essa pre- ferência: (1) as gramíneas precisam de adubação nitrogenada para alta produção de matéria seca, além de exigir glifosato na dessecação; (2) as dicotiledôneas podem ser controladas mecanicamente e, além disso, entre elas, as leguminosas fixam nitrogênio, que tudo indica será (se já não for) o mais caro dos nutrientes; e outras, como o nabo forrageiro, têm grande alelopatia e podem funcionar como herbicida natural no controle de invasoras. Dr. Yamada acredita que a tarefa de aumentar a quantidade de matéria orgânica no solo deve ser atribuída aos cereais de alta produtividade, como milho, com mais de 10 t ha-1 , e trigo, com mais de 5 t ha-1 . Encerrou sua apresentação conclamando a atenção da co- munidade científica para mais estudos relacionados a: • Nutrição mineral de plantas transgênicas, em especial das plantas RR; • Relação do glifosato com as doenças de plantas; • Transferência do glifosato para os animais (humanos inclusos) através da cadeia alimentar e seus efeitos na saúde animal; • Efeitos da aplicação aérea do glifosato. Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: A ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUAA ROTA DO ÁCIDO CHIQUÍMICO E SUA IMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTAIMPORTÂNCIA NA DEFESA DA PLANTA Paulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro,Paulo Roberto de Camargo e Castro, ESALQ/USP, Piracicaba, SP, e-mail: prcastro@esalq.usp.br Professor Castro mostrou como o glifosato bloqueia a rota do ácido chiquímico e as conseqüências deste bloqueio na síntese de metabólitos secundários de importância vital para as plantas. Como sua palestra está reproduzida praticamente na ínte- gra no Encarte Técnico anexo a este jornal, apresentamos aqui apenas a Figura 3, mostrando o efeito do fosfito na diminuição dos sintomas de intoxicação do feijoeiro pelo glifosato. Mencio- nou, ainda, que os fosfitos são de uso bastante comum entre os citricultores. Figura 3. Efeito de doses de fosfito na redução de sintomas de toxicidade de glifosato em plantas de feijoeiro. Crédito: Paulo Roberto de Camargo e Castro. Figura 2. Perda da raiz pivotante em soja convencional variedade Conquista. Área de primeiro ano com soja após erradicação de Pinus. O plantio direto de soja sobre cobertura de milheto dessecada com 0,75 L ha-1 de glifosato foi realizado uma semana após a dessecação. Crédito: T. Yamada, 13/03/2007, Fazenda Pinusplan, Uberlândia, MG. Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: DINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERADINÂMICA DO GLIFOSATO NA RIZOSFERA DAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVODAS PLANTAS-ALVO E NÃO ALVO Volker Römheld,Volker Römheld,Volker Römheld,Volker Römheld,Volker Römheld, Hohenheim University, Alemanha, e-mail: roemheld@uni-hohenheim.de Professor Römheld mostrou que a rizosfera é importante lo- cal onde ocorre a transferência do glifosato aplicado na planta-alvo (invasoras) para a planta-não alvo (cultura) (Figura 4), de acordo com as seguintes etapas: (1) Absorção foliar do glifosato pela planta-alvo; (2) Translocação do glifosato, via floema, para a região apical do sistema radicular; (3) Liberação do glifosato e possíveis metabólitos (AMPA) na rizosfera da planta-alvo; (4) Equilíbrio dinâmico do glifosato liberado com os adsor- ventes e a solução da rizosfera; (5) Absorção do glifosato pela planta-não alvo; (6) Translocação do glifosato/AMPA para a parte aérea da planta-não alvo e indução de desordens. Na dinâmica do glifosato na rizosfera deve-se considerar: (1) Extensão das interações ou dos entrelaçamentos entre os sistemas radiculares das plantas-alvo e não alvo; Plantio convencional Plantio direto
  • 4. 4 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 Figura 4. Transferência do glifosato da planta-alvo para a planta-não alvo através da rizosfera compartilhada. Aplicação foliar de glifosato nas plantas-alvo (invasoras) ou cultivares resistentes ao glifosato (RR); a absorção pelas folhas é potencialmente influenciada pela composição da solução pulverizada (por exemplo, adição de Ca, Fe, Mn) Rápida translocação do glifosato da parte aérea para as raízes Armazenamento intermediário de glifosato nas raízes Liberação de glifosato na rizosfera Acúmulo de glifosato nos tecidos meristemáticos apicais Degradação do glifosato em AMPA na parte aérea em baixas doses (depende da espécie de planta) Translocação de AMPA da parte aérea para as raízes e/ou formação de AMPA nas raízes em baixas doses Liberação de AMPA na rizosfera ou formação na rizosfera Dúvida: Qual é o mecanismo dessa liberação na rizosfera e quão rápida é essa liberação? Depende de quais fatores? O que nós devemos saber? Que após a acumulação de glifosato nas raízes das plantas-alvo (invasoras) ele é liberado na rizosfera com possíveis conseqüências para a planta-não alvo (cultura) (2) Imobilização do glifosato na rizosfera por cátions como Al3+ , Ca2+ e outros; (3) Remobilização do glifosato adsorvido induzida por alte- rações na rizosfera da planta-não alvo (por exemplo, competição do glifosato por sítios de adsorção com o ânion fosfato, favorecendo a dessorção do mesmo); (4) Interação do glifosato com os microrganismos da rizosfera responsáveis pela redução/oxidação do Mn; (5) Efeito do glifosato nos rizóbios, nas micorrizas e na di- versidade microbiológica. Explicou que os vários processos químicos e biológicos afe- tados pelo glifosato são interdependentes e podem variar com: (1) As propriedades físicas e químicas do solo (textura, es- trutura, pH, potencial redox, teor de P e de Ca, etc.); (2) População microbiana; (3) Freqüência de aplicação do glifosato; (4) Época de aplicação; (5) Espécies vegetais; (6) Período de tempo. Sua apresentação foi longa e extremamen- te rica de informações, mas para o bem da didáti- ca e do papel, tentaremos resumí-la nas poucas figuras a seguir. Prof.Römheldmostrouumexperimentoem que cultivou girassol em dois tipos de solo – Arenosol, muito arenoso, e Luvisol, de textura média – nos quais a planta de cobertura tinha sido dessecada com glifosato com diferentes dias de antecedência (0, 7, 14 e 21 dias) em relação à data de semeadura (Figura 5). Observou que o efeito do intervalo de espera entre a dessecação da planta de cobertura e a semeadura da próxima cultura era mais importante no solo arenoso onde, mesmo esperan- do 21 dias, houve ainda efeitos residuais do glifosato sobre as nascediças. Em outro experimento, semeou simultaneamente, num mes- mo rizobox, soja RR e girassol. Protegendo com saco plástico as plantas de girassol, aplicou glifosato na soja RR e 7 dias depois mediu os teores de chiquimato nas raízes de girassol. Encontrou, conforme esperado, maior teor de chiquimato na raiz de girassol cultivado noArenosol que no Luvisol (Figura 6), e questionou se a rápida imobilização do glifosato no Luvisol não seria pela sua com- plexação pelo cálcio. Porém, novo experimento trouxe resultado surpreendente. Simulando o sistema plantio direto (SPD), semeou azevém (Lolium perenne) em vasos contendo os dois solos diferentes – Arenosol e Luvisol – e quando o azevém estava com volume adequado de massa verde, ele foi dessecado com glifosato. Após 8 semanas (56 dias) da dessecação semeou-se a soja. Medindo o acúmulo de glifosato nas raízes ele observou, desta vez, maior acúmulo de chiquimato no Luvisol que no Arenosol, porém, ambos em níveis muitos menores que os do experimento anterior. E especulou se Figura 5. Efeito do intervalo de tempo entre a dessecação e a semeadura de girassol em solos com diferentes texturas. 0 7 14 21 DAA -Gly 0 7 14 21 DAA -Gly LUVISOL ARENOSOL Acúmulo de glifosato nos tecidos meristemáticos das raízes
  • 5. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 5 Figura 6. Acúmulo de chiquimato na raiz de girassol (planta-não alvo) 7 dias após a aplicação de glifosato na soja RR (planta-alvo). este efeito não seria da remobilização do glifosato adsorvido ao solo. Que justificaria o maior efeito num solo mais tamponado, como o Luvisol, que no Arenosol (Figura 7). Concluiu que o tempo de espera entre o controle das invaso- ras com o glifosato e a semeadura da próxima cultura deveria ser de: • 0-3 semanas para solos úmidos e de textura leve, com rápi- da decomposição de raízes das invasoras; Figura 7.Acúmulo de chiquimato em raízes de plantas de soja cultivadas em vasos onde a planta de cobertura (Lolium perenne) tinha sido dessecada com glifosato 8 semanas (56 dias) antes da semeadura. O maior acúmulo na soja cultivada em Luvisol indica possibilidade de remobilização do glifosato adsorvido. Lolium perenne (planta-alvo) Soja (planta-não alvo) Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: EFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NAEFEITOS DO GLIFOSATO NA NUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTASNUTRIÇÃO DE MICRONUTRIENTES DE PLANTAS Ismail Cakmak,Ismail Cakmak,Ismail Cakmak,Ismail Cakmak,Ismail Cakmak, Sabanci University, Turquia, e-mail: cakmak@sabanciuniv.edu Dr. Cakmak iniciou sua palestra mencionando que nas regiões com uso extensivo de glifosato aumentam os relatos sobre: Soja (alvo) Girassol (indicador) • 4-8 semanas para solos úmidos, de textura pesada e calcários, com lenta decomposição de raízes das invasoras; • 1 ano para solos secos e arenosos, comuns em Israel, onde esta norma é recomendada; e • 1,5 a 3 anos para solos de regiões frias, com reduzida de- composição de raízes das invasoras, como em certas partes do Ca- nadá. • Reduções no crescimento e na produtividade das culturas; • Aumento nos problemas de doenças; • Aumento no uso de inseticidas e fungicidas; • Inibição da fixação biológica de nitrogênio; • Aumento no uso de fertilizantes foliares com micronu- trientes; • Sintomas de deficiências de micronutrientes.
  • 6. 6 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 À guisa de lembrete, explicou que, como o glifosato é alta- mente móvel no floema, o produto aplicado nas plantas-alvo – como invasoras, plantas de cobertura e ainda as plantas RR – é rapida- mente translocado da parte aérea para as raízes, sendo então libera- do na rizosfera (Figura 8). Além da alteração no balanço entre as populações de orga- nismos redutores e oxidantes de manganês na rizosfera das plantas afetadas pelo glifosato, tornando este nutriente menos disponível às plantas (assunto a ser tratado pelo Professor Huber, mais adian- te), Professor Cakmak apresentou dados obtidos pelo Prof. Neu- mann, da equipe do Professor Römheld, nos quais o glifosato, além da diminuição da disponibilidade de Mn, reduzia também sua ab- sorção pelas plantas (Figura 10). Figura 9. Duas deficiências induzidas pelo glifosato: a de ferro e a de manganês. Figura 8.Atranslocação do glifosato aplicado na parte aérea da planta para sua rizosfera é extremamente rápida. Tabela 2. Efeito do tratamento da semente de soja com ferro e uso do glifosato nos sintomas de clorose foliar e produtividade da soja em Minnesota, Estados Unidos. Clorose visual (nota) Grãos (1 = verde a 5 = severa) (t ha-1 ) - Fe + Fe - Fe + Fe1 Controle 3,1 2,8 1,01 1,70 Glifosato 3,7 3,3 0,27 0,61 1 50 g ha-1 de Fe como FeEDDHA aplicado nas sementes. Fonte: Jolley et al. (Soil Science and Plant Nutrition, v. 50, p. 793-981, 2004). Tratamento Figura 10. Inibição da aquisição de manganês pela planta-não alvo (girassol) cultivada em solução nutritiva junto com a planta-alvo (soja) tratada com glifosato por 2, 4 e 6 dias. Fonte: NEUMANN et al. (Journal of Plant Diseases and Protection, 2005). Deficiência de ferro Deficiência de manganês Aplicação de glifosato nas plantas-alvo (invasoras) ou em cultivares resistentes ao glifosato. A absorção é muito rápida pelas folhas Rápida translocação do glifosato da parte aérea para as raízes Liberação do glifosato na rizosfera Mencionou que duas deficiências nutricionais são particu- larmente importantes sob a ação do glifosato: a de manganês (que será discutida mais adiante pelo Dr. Huber) e a de ferro (Figura 9). Mostrou que a deficiência de ferro induzida pelo glifosato foi parcialmente atenuada tratando-se a semente da soja com FeEDDHAna dose de 50 g ha-1 de Fe (Tabela 2), conforme trabalho de Jolley et al. (2004). Professor Cakmak trouxe informações inéditas, ainda não publicadas, sobre o efeito de doses equivalentes a 0,3%, 0,6% e 0,9% da dose recomendada de glifosato pulverizadas na parte aérea da soja convencional, três vezes antes do florescimento. Observou que o glifosato, principalmente na concentração de 0,9% da dose recomendada, causou: • Redução nos teores de Ca e Mn nos grãos; • Redução nos teores foliares de Mg, Ca e Mn; • Redução no peso seco de grãos, da palha e da planta inteira. Mostrou também que a planta de milho cultivada em solu- ção nutritiva deficiente em Mg era mais sensível ao glifosato que quando com nível adequado de Mg. Contudo, não explicou qual seria o mecanismo que causaria esta maior sensibilidade. Em trabalho realizado por sua equipe na Universidade Sabanci, Istambul, Turquia, observou que o glifosato aplicado so- bre girassol, com concentração de 6% da dose recomendada (simu- lando contaminação por deriva) diminuiu a absorção assim como a translocação de Fe, Mn e Zn (Figura 11). Observou, ainda, que a translocação foi mais afetada que a absorção.
  • 7. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 7 Figura 11. Efeito da pulverização foliar de 184 mM de glifosato (equivalente a 6% da dose recomendada de 1,44 kg ha-1 em 200 L ha-1 ) na absorção e translocação de ferro, manganês e zinco. Fonte: EKER et al. (Journal Agr. Food Chem., v. 54, p. 10019-10025, 2006). Figura 14. Teores foliares de ferro na cultivar de soja RR Valiosa cultivada em dois tipos de solos –Arenosol (arenoso, pouco tamponado) e Calcário (melhor tamponado) – 20 dias após a aplicação foliar de glifosato, comparados aos das sojas não tratadas Valiosa e Conquista (isolínea não transgênica da Valiosa). Fonte: TESFAMARIAM et al. (Symposium Trace Elements, Helsinki, 2007). Solo Arenosol Solo Calcário Figura 13. Efeito de doses crescentes de glifosato, pulverizadas via foliar, na atividade da enzima redutase férrica. Fonte: OZTURK et al. (2007), no prelo. + Fe - Glifosato 0,32 mM 0,95 mM 1,89 mM Provou que em condições de deficiência de Fe2+ , quando torna-se importante a ação da enzima reductase férrica, há neutra- lização desta enzima pela ação do glifosato, como pode ser obser- vadonasFiguras12(quantitativamente)enaFigura13(escaladecor). Figura 12. Inibição da atividade da enzima redutase férrica por doses crescentes de glifosato aplicadas via foliar. Fonte: OZTURK et al. (2007), no prelo. Observou que o efeito do glifosato sobre o teor foliar de Fe na soja transgênica Valiosa é maior em solo arenoso (Arenosol) que em solo calcário, mais tamponado (Figura 14), onde o glifosato não causou efeito algum. Ou seja, no solo arenoso o glifosato causou menor absorção (e/ou translocação) de Fe na cultivar transgênica Valiosa, que no solo mais argiloso, o que poderia ser explicado pela sua maior adsorção pelos colóides do solo, ou ainda pela sua complexação com o cálcio da solução do solo. Professor Cakmak concluiu sua apresentação dizendo que: • O uso rotineiro de glifosato em sistemas agrícolas causa consideráveis efeitos colaterais que afetam o desenvolvimento e a nutrição mineral das plantas; • O glifosato é antagonista na absorção, transporte e acúmulo de Ca, Mg, Mn e Fe, possivelmente pela formação de complexos pouco solúveis com estes cátions; • O glifosato afeta os mecanismos genéticos de adaptação das plantas aos sítios deficientes em Fe; • Plantas crescendo em condições de deficiência de Mg são muito sensíveis ao glifosato; • É urgente novo protocolo para definir os riscos implicados no uso do glifosato.
  • 8. 8 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 Implicação não agronômica ficou na mensagem final de que a interferência do glifosato na absorção e transporte dos micro- nutrientes dentro da planta pode causar deficiências e representar uma ameaça potencial para a nutrição e saúde humana. Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: O NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NAO NÍQUEL NA NUTRIÇÃO MINERAL E NA DEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇASDEFESA DAS PLANTAS CONTRA DOENÇAS Bruce Wood,Bruce Wood,Bruce Wood,Bruce Wood,Bruce Wood, USDA, Byron-GA, e-mail: Bruce.Wood@ars.usda.gov A vinda do Dr. Wood ao Brasil para visitas a pomares cítri- cos e cafezais foi fruto de muitas coincidências felizes e com resul- tados altamente positivos para a agricultura brasileira e americana. Meu primeiro contato com a pesquisa do Dr. Wood foi quan- do fiz a revisão do artigo sobre níquel, escrito pelo Professor Malavolta e seu aluno de pós-graduação Milton Moraes, entitulado “Nickel – from toxic to essential nutrient”, que foi publicado na Revista Better Crops (v. 91, n. 3, p. 26-27, 2007). Para ilustrar a maté- ria, meu bom amigo DonArmstrong, editor do Better Crops, pediu emprestado para Dr. Bruce Wood, hoje o maior nome para proble- mas relacionados ao níquel na agricultura, algumas fotos ilustran- do a deficiência de níquel, entre elas, a da Figura 15.Assim que vi a foto selecionada por Don, liguei para ele pedindo o endereço do Dr. Wood. Tinha certeza (quase absoluta) que o que a foto mostra- va era, de fato, intoxicação da planta por glifosato! Poderíamos estar falando a mesma coisa, mas de forma diferente: que a intoxi- cação por glifosato pode causar deficiência de níquel. E que esta deficiência poderia ser corrigida com aplicações foliares de Ni. o vôo de Springfield para Chicago tinha sido cancelado!Após mui- tos telefonemas paraAtlanta e para Piracicaba consegui outro vôo. Mas, na conexão em Chicago paraAtlanta, a atendente do check-in não conseguia localizar meu nome na lista de passageiros. Foi lon- ga espera, até que finalmente apareceu meu nome na tela do compu- tador. Foi alívio geral na fila do check-in, principalmente da preocu- pada senhora logo atrás de mim. Chegando em Atlanta, encontrei- me logo com Terry. Mas não com a bagagem, que ficou extraviada em Chicago! E dentro dela muitos equipamentos de pesca, hobby que pretendo curtir após aposentar-me, em 30/11/2007. Fizemos a notificação do extravio e saímos “a toda” para Byron. Felizmente, Dr. Charles Reilly, assistente do Dr. Wood havia sido informado e ficou nos esperando. Quando lá chegamos estava só ele, pois era o fim do dia de uma 6a feira. Apesar das dificuldades, foi uma visita fantástica. Confirmei minha suspeita. Tive a certeza que não só os pés de pecã (Figura 16), mas os de outras perenes, principalmente os pessegueiros, estavam com os inequívocos sintomas de intoxicação por glifosato. Antes que me esqueça, localizei minha mala em Chicago e consegui ainda viajar na manhã do dia seguinte de volta ao Brasil com os meus preciosos equipa- mentos de pesca. Figura 15. Foto que ilustrou o artigo de Malavolta e Moraes com a seguinte legenda: Este pé de pecã estava deficiente em Ni. O ramo da direita foi tratado no início da primavera com aplicação foiliar única de sulfato de níquel, enquanto o ramo da esquerda não foi tratado. Efeitos no crescimento foram visíveis 14 dias após o tratamento. Como tinha uma visita programada para os Estados Unidos para Julho, decidi visitar Dr. Wood na Estação Experimental do USDA, em Byron, GA. Era uma sexta-feira, 13 de Julho!Voaria cedo de Springfield, IL, via Chicago, paraAtlanta, GA, de onde Dr. Terry Roberts, presidente do IPNI, gentilmente se dispôs a levar-me para Byron. Foi uma viagem atribulada, própria para uma sexta-feira 13: Daqui, liguei para Dr. Wood contando sobre a minha suspei- ta de que o que ele estava observando poderia ser, de fato, toxidez por glifosato, e o convidei para vir ao Brasil. Cientista com grande conhecimento de fisiologia vegetal e de nutrição de plantas teve a curiosidade aguçada e atendeu prontamente ao meu convite. Foi assim que tivemos o privilégio de contar com ele em nosso Simpósio. Como regra, antes de um Simpósio, costumo levar os pales- trantes para visitas ao campo.Assim, eles ficam familiarizados com os problemas que queremos discutir no Simpósio. Na primeira parada da nossa excursão, em um cafezal na re- gião de São José do Rio Pardo, mostrei ao grupo, mas principalmente ao Dr. Wood, um cafeeiro com os sintomas típicos de intoxicação por glifosato. Suas palavras: “Estou 99% convencido que estes sintomas são de deficiência de níquel”(Figura 17) foram a recom- pensa de uma longa busca! Tinha, agora, o níquel como uma nova ferramenta para mitigar os sintomas de intoxicação por glifosato. Figura 16. Visita do Dr. Yamada à Estação Experimental do USDA em Byron, GA, Estados Unidos, onde observou que os sintomas de deficiência de níquel em pecã eram semelhantes aos de toxidez por glifosato observados no Brasil. T.YamadacomDr.CharlesReilly–USDAStation, Byron,GA,13/07/2007 Deficiência de Ni ou toxidez por glifosato?
  • 9. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 9 Figura 17. Dr. Bruce Wood confirmando a semelhança dos sintomas de toxidez de glifosato em cafeeiro com os de deficiência de níquel. Após esta longa introdução, vamos agora aos pontos prin- cipais de sua apresentação. Dr.Wood explicou que a essencialidade do Ni como nutrien- te de planta foi descoberta pelo Dr. Patrick Brown, da Universidade da California, Davis, e validada em pecã pela sua equipe. Ou seja, a planta de pecã não completou o ciclo de vida sem o Ni. Explicou que o Ni é importante catalisador de muitas enzimas, como: urease, superóxido dismutase, NiFe hidrogenases, metil- coenzima M reductase, monóxido de carbono dehidrogenase, acetil coenzimaAsintase, hidrogenases, RNase-Ae, provavelmente, mui- tas outras. Enfatizou que é preciso entender que o Ni afeta a ativi- dade de 3-4 ou mais enzimas críticas em rotas bioquímicas funda- mentais da planta, afetando a ciclagem de C e N e também dos metabólitos secundários. Como conseqüência final há comprometi- mento do mecanismo de defesa da planta contra doenças. Explicou que as plantas defendem-se dos patógenos atra- vés de: (1) barreiras físicas lipídicas, como ceras, cutina e suberina e (2) compostos químicos nocivos ou armamento químico, que são os metabólitos secundários (por exemplo, terpenos, compostos fenólicos e compostos secundários contendo nitrogênio). Mostrou que a síntese destes compostos pode ser compro- metida pela deficiência de Ni, principalmente devido à sua influên- cia na produção de acetil CoA, que é vital no processo (Figura 18). Mencionou que os principais sintomas de deficiência de Ni em pecã são: • Folhas e folíolos com manchas escuras na ponta e formato arredondado (orelha-de-rato), devido ao acúmulo de uréia e possi- velmente de ácido lático e oxálico; •Afilamento das folhas e folíolos e crestamento das margens; • Necrose da ponta das folhas e folíolos com zona verde adjacente à necrose; • Tronco e galhos quebradiços, provavelmente devido à di- minuição da lignificação; • Diminuição do vigor, crescimento e florescimento; • Enfezamento dos internódios; • Gemas anormalmente pontudas; • Perda da dominância apical, com efeito “roseta”; • Morte de brotos e galhos; • Morte da planta. Para quem conhece o glifosato diria que ele estava descre- vendo os sintomas de toxidez causados por este herbicida. Figura 18.O carbono fotossintetizado termina em uma das quatro categorias de produtos anti-patogênicos. Os produtos do metabolismo primáriooriginamcompostosquefuncionamcomobarreirafísica. Os produtos do metabolismo secundário podem se mover através das três rotas bioquímicas para a síntese de compostos que atuam como protetores contra patógenos. A disponibilidade de acetil CoA é crítica para a produção das quatro classes de protetores.Eadeficiênciadeníquelafetapotencialmenteasíntese de acetil CoA via ação sobre sua sintase. Fonte: Adaptada por Bruce Wood de Taiz e Zeiger, Plant Physiology, 3.ed. Mostrou que estes sintomas podem ser corrigidos com apli- cação de Ni, como já ilustrados na Figura 15, e com detalhes na Figura 19. Figura 19. Efeito da pulverização foliar de níquel no sintoma de orelha-de- rato em brotação de planta de pecã deficiente no elemento. À direita, ramo deficiente em níquel; à esquerda, ramo deficiente após tratamento com níquel via foliar. Comentou que a faixa de suficiência para Ni na folha varia de partes por bilhão (ppb) até partes por milhão (ppm), dependendo da espécie da planta. Assim, para gramíneas e para culturas anuais e perenes, com N transportado na forma amídica, o teor de Ni foliar varia de 1 a 200 ppb. Para pecã e outras árvores perenes, com N transportado como ureídas, estima-se em 3-30 ppm, e para as legu- minosas tropicais, em 1-30 ppm. À guisa de informação, o laboratório ICASA (Rua Reine Germana Cazes, no 20, Jardim Miranda, CEP 13032-220, Campinas, SP, fone 19-3032-0066) analisa Ni em solo e planta, quando solici- tado. Deficiência de Ni ou toxidez por glifosato?
  • 10. 10 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 Entre os problemas patogênicos induzidos por deficiência de Ni, citou: nematóide de galhas em pecã (Meloidogyne partityla), ferrugens em diversas culturas, mancha parda (Helminthosporium oryzae) e brusone (Pyricularia oryzae) no arroz. Para a ferrugem da soja, disse que em algumas situações o Ni tem potencial para redu- zir a incidência da doença em variedades resistentes, mas que não acredita neste efeito em variedades altamente suscetíveis. Observou ainda que o tratamento com duas pulverizações de Ni com 50 ppm Ni como Ni-lignosulfonato aumentou a produtivi- dade em 11% nos ensaios de 2005 e em 15% nos ensaios de 2006, apesar de não significativas estatisticamente. Citou que a maioria dos solos agrícolas nos Estados Unidos tem Ni em quantidade suficiente para as plantas, mas que pode ter a biodisponibilidade reduzida pelos seguintes fatores: • Solo frio ou seco no início da primavera; •Teores demasiadamente altos de Ca e Mg na solução do solo; • Altos teores de Fe, Mn, Co, Cu e Zn; •Alto pH, alto P e baixa CTC; e • Glifosato (após sua visita ao Brasil). Apresentou o manejo do Ni que ele recomenda no programa de adubação de pecã, experiência esta que acreditamos ser transfe- rível para perenes de outras regiões do mundo. Assim, para plantas com sintomas evidentes de deficiência de Ni, recomenda: • Deficiências leves a moderadas: 1 a 2 aplicações foliares de solução com 50-100 ppm de Ni, a primeira no início da brotação e a segunda duas semanas depois; • Deficiências severas: pulverizar também, no final do outo- no, com solução de 100 ppm de Ni, para promover sua remobilização. • No caso de “fome oculta”, ou aplicação de “seguro”, reco- menda 1 a 2 aplicações de 25-100 ppm de Ni, cerca de 10 e 24 dias após o início das brotações. Concluiu dizendo que: • O Ni , este esquecido nutriente de plantas, tem papel fun- damental no aumento da resistência contra doenças, especialmente nas plantas em que o transporte de N é feito na forma de ureídeos, como é o caso da pecã, da soja e, talvez, do cafeeiro; • O maior conhecimento das interações do Ni com a nutrição mineral favorecerá a redução de doenças. Notas do editor: Ainda a respeito do níquel na agricultura 1.ApósoSimpósio,recebiem26/09/2007e-maildoDr.Bruce Wood que dizia: Caro Yamada, envio anexo duas cartas sobre minha recente viagem ao Brasil. Uma é um relatório paraWashington, DC, sobre o que foi observado, e a outra para você sobre minhas idéias a respei- to do níquel e de greening em citros no Brasil. De novo, o Simpósio foi de 1a classe, e gostei muito da oportunidade de participar, de conhecer você e os outros cientis- tas do grupo, de entender os problemas agrícolas no Brasil, de observar os problemas de micronutrientes/níquel/glifosato e de visitar o novo enfoque de manejo de pomares. Sua hospitalidade foi excepcional (sic). Que os melhores desejos se realizem no novo capítulo de sua vida. Cordiais saudações, Bruce Wood, PhD USDA-ARS-SEFTNRL 21 Dunbar Road Byron,Geórgia31008 Fones:4789566420/6421-4782621279 E-mail: Bruce.Wood@ars.usda.gov 2. Alerto que esta carta é de caráter pessoal e não um traba- lho científico. Como ela tem muitas informações relacionadas com o níquel, ela foi traduzida e está sendo reproduzida na íntegra para que os leitores possam testar algumas das suas interessantes su- gestões para o controle do greening dos citros. 3. Fiquei muito impressionado com o eficiente trabalho do Dr. Bruce Wood junto ao USDA. Como ele mencionou, a mensa- gem sobre problemas potenciais do glifosato na agricultura foi captada rapidamente e já chegou em Washington, DC.Aqui, lutei durante anos mas não consegui passar a mensagem para Brasília. 4. Segue abaixo a carta traduzida. Byron, GA, 25 de Setembro de 2007 Prezado Dr.Yamada: Quero sinceramente agradecer a você, seus colegas e o IPNI por organizarem um oportuno Simpósio, criticamente importante e que foi de grande sucesso. Seu grupo fez um trabalho excelente – verdadeiramente de 1a classe – e sua hospitalidade inigualável. Sou grato por ter participado deste desafio científico, que serve à agricultura do mundo ao “despertar” para os potenciais efeitos colaterais negativos das culturas transgênicas, com genes de bac- térias, e do uso do glifosato. Embora estas tecnologias tragam gran- des benefícios positivos para a agricultura, é também igualmente importante que os usuários estejam cientes das conseqüências ne- gativas na produtividade e qualidade da cultura e ramificações rela- cionadas à saúde das criações e dos homens. Obrigado por sua liderança neste importante assunto. Falei ontem com nossa especialista na cultura do pêssego, na Universidade de Geórgia, a respeito do programa de mulch com gramíneas de cobertura que você desenvolveu. Ela está curiosa a respeito do seu enfoque, pois a nossa indústria de pêssego está convencida que precisa colocar de lado as atuais estratégias de manejo com solo quase nu devido ao uso de herbicidas. (Contudo) vemos dois problemas potenciais com a adoção do enfoque de manejo (com mulch) de vocês, na cultura de pêssego nos Estados Unidos. Eles são: a) aumento do dano dos troncos das árvores pelas brocas, que multiplicam em mulch orgânico, e b) aumento de danos nos troncos pelas ratazanas e camundongos. Pensamos (po- rém) que poderemos controlar estes problemas nas condições de mulch. (Para tal) estamos incluindo um nematologista e um ento- mologista no nosso time, e assim juntar expertise suficiente para responder simultaneamente às muitas questões (desta mudança). Obrigado pela sua assistência em nos ajudar a reconhecer os efei- tos adversos do uso do glifosato e por nos lembrar o enfoque “de volta à natureza” no manejo dos pomares. Eu penso verdadeira- mente que este enfoque provará ser vantajoso e aceitável. Planeja- mos tentativamente estabelecer um talhão para pesquisa de cam- po, e com sua permissão gostaríamos de creditar sua contribuição, incluindo você como um dos autores, nas publicações subseqüentes. Das discussões coletivas com você e outros cientistas, eu estou convencido que estamos vendo, pelo menos em pecã, um aumento na suscetibilidade de doenças como conseqüência do uso do glifosato nos pomares. Eu espero ser capaz de delinear alguns estudos para provar esta hipótese.
  • 11. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 11 Estou convencido de que o glifosato está induzindo defi- ciências de micronutrientes em várias culturas. Níquel (Ni) é um destes nutrientes. Como você sabe, a deficiência de Ni nos solos dos pomares é muitíssimo rara. Assim, o aparecimento dos sinto- mas de deficiência sugerem fortemente que existe algo seriamente errado com a fisiologia da cultura, ou com a química do solo/am- biente, ou com ambos. Acredito que os sintomas aparentes de deficiência de Ni observados nos cafeeiros (visitados no Brasil) são consistentes com os que se esperaria da ligação de cátions divalentes, como o Ni, com o glifosato. Excetuando as hiperacumuladoras de Ni, todas as plantas absorvem apenas quantidade pequena de Ni e como (só) os transportadores de ureídas necessitam de concentrações relati- vamente altas de Ni endógeno, é razoável esperar que plantas com este tipo de transporte de N serão as primeiras a apresentar danos fisiológicos como conseqüência da quelação dos micronutrientes pelo glifosato. Em outras palavras, as inter-relações entre Ni, transporte de ureídas e glifosato são como as entre canário, mina de carvão e o homem (no passado, o canário era usado como indicador do nível tóxico de gás; assim, se o pássaro morria, era sinal de que havia nível tóxico de gás e que os mineiros deveriam evacuar as minas), em que (a deficiência) o Ni seria o “alarme precoce indicador” (early warning indicator, no original) do problema (do glifosato). A deficiência de Ni em cafeeiro, seja (ela causada) por falta (de Ni) no solo ou por indução pelo glifosato poderá ser corrigida com uma a duas pulverizações foliares de sais de Ni na concentra- ção de 100 ppm de Ni (+ 1 a 2 kg de uréia em 378 litros de água + um surfactante não iônico) feitas (a primeira) alguns dias após o início das brotações e mais uma (a segunda) após duas semanas. Funcionará oucomocorreçãodadeficiênciadeNioucomoantídotoparcialcontra danos induzidos pelo glifosato. Espero que os administradores de fazendas testem o Ni, mas que deixem um controle para que possa- mos melhor entender o que está acontecendo com o cafeeiro. Eu suspeito que a faixa foliar (de Ni) para o cafeeiro está entre 3 e 5 ppm. Também vi (no Brasil) algumas laranjeiras com folhas exibin- do três sintomas diferentes associados com a deficiência de Ni. Nos citros, aparentemente o N é transportado como amida, pos- suindo, assim, necessidade muito baixa de Ni (pode ser cerca de 200-500 ppb). Por conseguinte, suspeito que o uso do glifosato tem o potencial de causar problemas de “fome oculta” mesmo em cultu- ras relativamente insensíveis ao Ni, como os citros. Suspeito que existam também problemas (de deficiência) de Ni na cana-de-açúcar e na soja. Em relação ao greening de citros e o uso de fosfito, acredi- to que é razoável concluir que ambos podem ter papéis (na doen- ça); contudo, é provável que seja um tiro de longa distância (long- shot ou “chutão”). Apesar disto, ainda é, na minha opinião, (uma hipótese) válida de ser estudada. O fosfito pode provar sua eficá- cia, pois possui ação contra certas classes de bactérias. Assim, parece razoável esperar que o uso combinado de Ni e fosfito po- deria suprimir ou prevenir o crescimento ou a reprodução bacte- riana e assim constituir numa maneira eficaz para controlar o greening. Existe ainda o trabalho vietnamita mostrando que o greening é controlável através do plantio intercalar de goiabeira com laranjeira, na base de 1:1, ou seja, cada pé de citros circunda- da por 4 pés de goiabeira (e vice-versa). A goiabeira produz terpenos, que repelem os Psilídeos, que são os vetores das bacté- rias causadoras da doença. Outro enfoque é controlar os Psilídeos com pesticidas, mas este controle será muito caro. A combinação Ni2+ -fosfito foliar, ou o encharcamento do solo com ambos, Ni2+ e fosfito, parece-me um enfoque viável com razoável probabilidade na redução dos impactos adversos do greening. Eu falei recentemente num encontro no México sobre o grande sucesso obtido com o encharcamento do solo circundando o tronco com fosfito na cura de certas doenças afetando o carva- lho na Califórnia. Daquelas discussões concluí que os enchar- camentos de solos com soluções constituem meios altamente efi- cazes de colocar compostos orgânicos e inorgânicos dentro da planta. Como regra geral, os volumes aplicados devem ser cerca de 1,5 L por cm de diâmetro do tronco. Asolução necessita de um surfactante apropriado para facilitar o movimento dentro da plan- ta. Uma “baixa” concentração de um surfactante organo-silicone na dose de 0,26 ml L-1 da solução parece melhorar a absorção radicular das árvores. Vejo, portanto, que o enfoque potencialmente viável para controlar o greening de citros que envolveria a cessação do uso do glifosato incluiria as opções: 1. Pulverizações foliares ou injeções com Ni, em tempo opor- tuno; 2. Pulverizações foliares ou injeções com fosfito, em tempo oportuno; 3. Pulverizações de ambos, Ni e fosfito, em tempo oportuno; 4. Encharcamento do solo com Ni; 5. Encharcamento do solo com fosfito; 6. Encharcamento do solo com ambos, Ni e fosfito. Adicionalmente, é possível que a inclusão de salicilato, ou análogo, poderia ter eficácia contra bactéria afetando o floema; as- sim, o tratamento foliar com salicilato poderia estimular as defesas da planta de modo a suprimir ou matar a bactéria. Mais uma vez, obrigado pela oportunidade de participar. Foi uma viagem muito benéfica para mim. Saudações cordiais, Bruce W. Wood Research Leader Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: PROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AOPROBLEMAS RELACIONADOS AO GLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁGLIFOSATO E DOENÇAS DE PLANTAS NO CANADÁ Myriam Fernandez,Myriam Fernandez,Myriam Fernandez,Myriam Fernandez,Myriam Fernandez, Agriculture and Agri-Food, Canadá, e-mail: fernandezm@agr.gc.ca Segundo a Dra. Fernandez, desde meados da década de 90, na parte oeste da região dos Prairies do Canadá, onde o clima é mais chuvoso e os solos são mais pesados, a fusariose do trigo (FHB) tornou-se um problema sério. Esta doença reduz a produtividade e a qualidade dos grãos (Figura 18), acumula micotoxinas e diminui a germinação e vigor das plântulas, sendo a fonte mais importante do inóculo da fusariose os restos culturais dos cultivos anteriores. De 1999 a 2002 ela buscou identificar práticas de manejo que reduzissem os danos da doença nas áreas de cultivo do trigo bem como sua disseminação para outras áreas do Canadá. Nos 851 cam- posdetrigoecevadaanalisados(resíduoseraízes),foramencontradas várias espécies de Fusarium, como: F. graminearum, F. avenaceum, F. culmorum, F. poae e F. sporotrichioides. Resultados do estudo demonstraram que quatro fatores agro- nômicos foram significativos no aumento da severidade da doença:
  • 12. 12 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 suscetibilidade do cultivar, rotação de culturas, sistema de cultivo e uso de glifosato, sendo que os três primeiros fatores foram signifi- cativos em 2 dos 4 anos estudados, os mais chuvosos, enquanto a influência do glifosato foi significativo em todos os 4 anos. Durante os estudos dos fatores de risco e de produção asso- ciados à fusariose da espiga de trigo observou-se que: • O ambiente (chuva e temperatura) foi o fator mais impor- tante no desenvolvimento da doença; • A aplicação de formulações de glifosato nos 18 meses an- teriores à semeadura foi o fator agronômico mais importante asso- ciado com os maiores índices de fusariose no trigo de primavera; • Houve maior incidência do patógeno quando o herbicida foi empregado nas culturas em geral (75%) ou sob cultivo mínimo (122%), quando comparado às culturas sem glifosato, e a associa- ção positiva do glifosato com a doença não foi afetada pelas condi- ções ambientais. ATabela 3 mostra o efeito cumulativo do glifosato aplicado nos três anos anteriores ao cultivo do trigo. mínimo e com uso de glifosato. Observou-se também mudança na comunidade de fungos radiculares associada com o uso do glifosato, com nível mais baixo de C.sativus emaisaltodeFusarium. Dra. Fernandez mencionou que, devido à natureza dos estu- dos de campo, não foi possível separar completamente os efeitos do glifosato dos da intensidade de cultivo e da rotação de culturas. E que os resultados inconclusivos ou as discrepâncias entre os estudos publicados sobre o glifosato devem-se a diferentes causas: • Estudos conduzidos em condições ambientais diferentes (tipo de solo, clima, etc.); • Emprego de diferentes manejos (por exemplo, manejo con- vencional sem glifosato x plantio direto com glifosato); • Espécies diferentes de culturas; • Aplicação direta sobre a cultura RR versus aplicações em pré-semeadura na cultura convencional; • Efeito das aplicações de glifosato no campo ou em labora- tório na ausência de invasoras ou ainda com densidade desconhe- cida de invasoras. Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: MUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATOMUDANÇAS INDUZIDAS PELO GLIFOSATO NA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇASNA RESISTÊNCIA DE PLANTAS ÀS DOENÇAS Guri Johal,Guri Johal,Guri Johal,Guri Johal,Guri Johal, Purdue University, Estados Unidos, e-mail: gjohal@purdue.edu Dr. Johal dividiu sua apresentação em três partes: (1) Como o glifosato torna as plantas suscetíveis às doenças? (2) Por que o glifosato torna as plantas mais suscetíveis às doenças? (3) Estão as plantas RR livres deste problema? As duas primeiras perguntas foram temas das suas teses de Mestrado e Doutorado, respectivamente, feitas sob a supervisão do Dr. James Rahe, Simon Fraser University, Burnaby, BC, Canadá. Na sua tese de Mestrado observou que a eficiência do glifosato como excelente herbicida advém, em grande parte, da sua capacidade em comprometer a habilidade das plantas na sua auto- defesa contra os patógenos. Identificou que, destes, os mais im- portantes são Pythium e Fusarium, de distribuição generalizada nos solos agricultáveis. No seu experimento, Dr. Johal observou que as plantas tratadas com glifosato (15% da dose recomendada) e cultivadas em solo esterilizado e também em vermiculita (meio inerte) mostraram-se pouco afetadas pela atividade do herbicida, recuperando o crescimento após algumas semanas do tratamento. Porém, as plantas cultivadas em solo natural morreram e houve rápida colonização das raízes por Pythium e Fusarium (dois a três dias após o tratamento). Além disso, notou que a adição destes patógenos aos meios esterilizado e inerte (vermiculita) restabele- ceu a atividade herbicida do glifosato nas plântulas (Figura 20). Concluiu que a eficácia herbicida do glifosato ocorreu em grande parte devido à sua interação sinergística com patógenos, como Pythium e Fusarium, que estão presentes na maioria dos solos. Um outro aluno do Prof. Rahe, chamado Andre Levesque, domonstrou que a textura e a umidade do solo influenciavam na predominância do patógeno na raiz da planta sob a influência de doses subletais de glifosato: Pythium, quando o solo era argiloso e úmido, ou Fusarium, no caso de solo mais arenoso e seco. Na sua tese de Doutorado, Dr. Johal buscou identificar a causa da menor resistência às doenças com estas doses subletais de glifosato. Tabela 3. Índice de fusariose da espiga do trigo (FHB) em função do número de aplicações de glifosato. Trigo de primavera, 2001. No de aplicações de glifosato nos três anos anteriores Nenhuma 4,2 1 a 2 6,4 3 a 6 12,4 Índice de FHB (%) Figura 18. Efeito do ataque de Fusarium nas sementes e espigas de trigo. Estudo da correlação entre o número de aplicações de glifosato e o índice de fusariose em duas cultivares de cevada com diferentes resistências ao glifosato – suscetíveis e com resistência intermediária – , sob cultivo mínimo, mostraram que o índice de fu- sariose não foi significativo para F. avenaceum e F. graminearum, mas foi significativo para as cultivares com resistência intermediá- ria. Estas apresentaram níveis de fusariose tão altos quanto as cul- tivares suscetíveis, mostrando que o glifosato anulou a resistência das cultivares com resistência média, pois estas se mostraram sus- cetíveis na presença do herbicida. De acordo com Dra. Fernandez, a podridão radicular da ce- vada e do trigo é causada, na maioria dos casos, por Cochliobolus sativus e Fusarium spp. Estudos com cevada, em três sistemas de cultivo e com aplicação ou não de glifosato, mostraram que os mais altos níveis da doença foram encontrados nos campos em cultivo
  • 13. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 13 mercial padrão, com 360 g L-1 de glifosato, esta dose equivaleria a pouco menos de 10 mL ha-1 , que já seria suficiente para tornar a cultura do feijoeiro suscetível ao Colletotrichum lindemuthianum. Dr. Johal observou ainda que aplicações exógenas de fenilalanina ajudaram a conter a expansão das lesões em plantas suscetíveis tratadas com glifosato. Como se sabe, a fenilalanina é um dos três aminoácidos cuja síntese é inibida pela ação do gli- fosato. Finalizou sua palestra dizendo que as plantas RR não são completamente resistentes às mudanças induzidas pelo glifosato. Isto porque as mudanças fisiológicas nas plantas transgênicas que promovem resistência aos patógenos biotróficos (como, por exem- plo, a ferrugem da soja) geralmente aumentam a suscetibilidade da planta aos patógenos necrotróficos, como Pythium e Fusarium. Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: EFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DEEFEITOS DO GLIFOSATO EM DOENÇAS DE PLANTASPLANTASPLANTASPLANTASPLANTAS Don Huber,Don Huber,Don Huber,Don Huber,Don Huber, Purdue University, Estados Unidos, e-mail: huberd@purdue.edu Segundo Professor Huber, quatro fatores interagem para de- terminar a severidade de uma doença: planta (vigor, suscetibilidade, resistência, estádio de desenvolvimento, exsudatos de raiz), meio Tabela 4. Efeito de doses de glifosato na expressão de sintomas e acumu- lação de fitoalexinas na interação compatível entre feijoeiro e Colletotricum lindemuthianum. Glifosato Lesões mostrando Tamanho da Fitoalexinas totais (μμμμμg planta-1 ) expansão (%) lesão (mm) (μμμμμg lesão-1 ) Controle 0 5,0 21,35 0,5 30 8,5 16,50 1,0 60 12,0 10,85 10,0 100 > 15,0 4,60 Estudando os mecanismos que levam o feijoeiro a perder a resistência à antracnose causada pelo fungo Colletotrichum lindemuthianum, Dr. Johal observou que as fitoalexinas estavam associadas à proteção das plantas contra a contaminação por fungos. As fitoalexinas são substâncias antimicrobianas sintetiza- das e acumuladas pelas plantas quando expostas aos patógenos, derivadas da rota do fenilpropanóide e com características fenó- licas. No caso do feijoeiro, há produção de quatro diferentes fitoalexinas durante sua interação com o fungo da antracnose: faseolina, faseolidina, kievitona e faseolinisoflavona. Dr. Johal observou que no feijoeiro as fitoalexinas estavam envolvidas nos dois tipos de interação patógeno-hospedeiro, ou seja, interação compatível e interação incompatível. Na interação compatível as plantas ficam suscetíveis ao patógeno e apresentam lesões no hipocótilo, como as apresentadas na Figura 21. Figura 21. Efeito do ataque de antracnose em hipocótilo de feijoeiro. À esquerda, interação patógeno-planta incompatível; à direita, interação patógeno-planta compatível. Inoculação com esporos do fungo Lesões de antracnose Aplicação tópica dos esporos do fungo Vermiculita Solo natural Testemunha Figura 20. Plantas de feijão que cresceram em solo natural morreram após tratamento com glifosato enquanto plantas que cresceram em vermiculita sobreviveram. Figura 22. Habilidade do glifosato em suprimir a produção de fitoalexinas em feijoeiro infectado por fusariose. Com o objetivo de determinar se as fitoalexinas estavam en- volvidas na proteção direta contra a doença, Dr. Johal utilizou dois inibidores químicos –AOPPe glifosato – visando bloquear a rota do ácido chiquímico, responsável pela produção de fitoalexinas. Dr. Johal observou que uma dose da ordem de 0,5 μg de glifosato por planta já era suficiente para aumentar o tamanho da lesão e diminuir a produção de fitoalexinas, e a de 10 μg por planta causou expansão da lesão em 100% das plantas estudadas (Tabe- la 4 e Figura 22). Supondo que tivessemos 300.000 plantas por hectare, a dose de 10 μg por planta equivaleria a apenas 3 g do ingrediente ativo de glifosato por hectare! Numa formulação co-
  • 14. 14 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 Dr. Huber chamou a atenção para o fato do glifosato ter forte natureza metal-quelante, com alta especificidade para os micronu- trientes Mn, Fe, Zn e Cu. Comentou que a qualidade dos alimentos vem declinando nos últimos 15 anos, podendo este fenômeno estar relacionado ao uso de produtos quelantes de metais. Em relação ao Mn – elemento essencial para a produção de compostos de defesa da planta (cumarinas, ligninas, flavonóides) –, fatores como alto pH, calcário, fertilizantes nitrogenados na for- ma de nitrato, matéria orgânica e baixa umidade do solo podem diminuir sua disponibilidade no solo e, em conseqüência, aumentar a predisposição da planta às doenças. Dr. Huber explicou que o glifosato provoca mudanças no equilíbrio microbiológico do solo e afeta a população de organis- mos benéficos para as plantas.Assim, se o produto for utilizado por vários anos, a nodulação das raízes das leguminosas é comprome- tida, e conseqüentemente a fixação biológica de N, e serão necessá- rios muitos anos para restabelecer o equilíbrio da microflora e da população normal de Rhizobium. abiótico (nutrientes, umidade, temperatura, pH, densidade, gases), meio biótico (antagonismo, sinergismo, oxidantes, redutores, com- petidores, mineralizadores) e patógeno (população, virulência, ati- vidade) (Figura 23). Tabela 5. Patógenos de planta afetados pelo glifosato. Aumentados pelo glifosato Botryospheara dothidea Gaeumannomyces graminis Corynespora cassicola Magnaporthe grisea Fusarium avenaceum Marasmius spp. F. graminearum Monosporascus cannonbalus F. oxysporum f. sp. cubense Myrothecium verucaria F. oxysporum f.sp (canola) Phaeomoniella chlamydospora F. oxysporum f.sp. glycines Phytophthora spp. F. oxysporum f.sp. vasinfectum Pythium spp. F. solani f.sp. glycines Rhizoctonia solani F. solani f.sp. phaseoli Septoria nodorum F. solani f.sp. Pisi Thielaviopsis bassicola Xylella fastidiosa Diminuídos pelo glifosato (patógenos obrigatórios) Phakopsora pachyrhizi Puccinia graminis Figura 24. Algumas interações microbiológicas que ocorrem no solo com o uso de glifosato. Figura 25. Efeitos do glifosato na fisiologia das plantas. Figura 23. Interação entre fatores que determinam a severidade das doenças. Qualquer interferência no sistema agrícola pode provocar uma mudança na interação entre esses fatores, e o seu entendimen- to torna mais fácil o manejo e o controle das doenças de solo. Sabe- se, por exemplo, que a rotação de culturas reduz a incidência de doenças, e um dos primeiros efeitos dessa prática ocorre sobre a atividade biológica do solo, a qual influencia as formas de nitrogê- nio disponíveis para as plantas ao longo do tempo bem como a quantidade residual do nutriente para a cultura subseqüente. Mencionou que a introdução do glifosato há 30 anos pro- moveu grande mudança na agricultura, com consideráveis efeitos na nutrição e na incidência de doenças de plantas.As interações do glifosato com a microbiota do solo estão resumidas na Figura 24, com as plantas na Figura 25 e com os patógenos na Tabela 5.
  • 15. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 15 O glifosato também interfere na população de micorrizas, comprometendo a nutrição das culturas em solos com baixa dispo- nibilidade de Zn e P. Por outro lado, o glifosato estimula o aumento de organis- mos patógenos e oxidantes de Mn, os quais indisponibilizam este nutriente para a planta e a predispõe ao ataque de doenças. A Figura 27 mostra o efeito do glifosato no aumento da predisposição da soja à podridão de raiz por Corynespora cassiicola, doença que no passado era de pouca importância eco- nômica, mas que atualmente tornou-se severa. microbiologia do ambiente da rizosfera. Estas alterações na rizos- fera afetam: (1) Ciclagem de nutrientes e, por conseqüência, sua dispo- nibilidade para as plantas; (2) Potencial fitopatogênico e o balanço antagonístico; (3) Composição e atividade dos microrganismos benéficos (por exemplo, micorrizas e rizobactérias promotoras do crescimento das plantas). Assim, o seu grupo de pesquisa no início tinha os objetivos: (1) Entender os impactos das culturas transgênicas nas interações com a biologia do solo e seus mecanismos; e (2) Determinar processos para corrigir os fatores limitantes derivados das interações detrimentais entre as culturas transgênicas e a biologia do solo. Na primeira fase, seus estudos buscaram saber os efeitos dos fungos patogênicos e do nematóide de cisto (Heterodera glycines) na soja RR. Os resultados mostraram um consistente au- mento na população de Fusarium spp. colonizando as raízes da soja RR com a aplicação de glifosato nas doses recomendadas pelo fabricante. Também observou que a colonização por Fusarium foi geralmente de duas a cinco vezes superior no tratamento com glifo- sato, quando comparado ao controle, sem glifosato (Figura 28). Professor Huber terminou sua palestra com as recomenda- ções para os principais problemas relacionados ao uso do glifosato ou ao uso das plantas RR: (1) Menor absorção de Mn pelas plantas RR: selecionar cul- tivares com maior eficiência para Mn. (2) Menor translocação de Mn com a aplicação de glifosato: aplicar Mn e outros micronutrientes 8 dias após a pulverização da planta RR com glifosato. (3) Mudanças acumulativas na biologia da rizosfera: usar práticas culturais que minimizem o impacto do glifosato; usar herbicida não sistêmico. (4) Redução no desenvolvimento do sistema radicular: usar o gesso, ou superfosato simples, no sulco de semeadura. (5) Aumento da severidade de doenças com o uso de glifo- sato: usar métodos alternativos de controle de invasoras; minimizar o uso de glifosato. Palestra:Palestra:Palestra:Palestra:Palestra: INTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO EINTERAÇÕES ENTRE GLIFOSATO E MICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTASMICRORGANISMOS NA RIZOSFERA DE PLANTAS RESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATORESISTENTES AO GLIFOSATO Robert Kremer,Robert Kremer,Robert Kremer,Robert Kremer,Robert Kremer, USDA-ARS & University of Missouri, Estados Unidos, e-mail: kremerr@missouri.edu Dr. Kremer iniciou sua palestra mencionando que o desen- volvimento de plantas geneticamente modificadas buscou apenas a melhoria da produtividade agrícola. E que foram negligenciados importantes processos fisiológicos das plantas e da microbiologia do solo que podem ser afetados pelo uso desta tecnologia. Assim, o “Sistema de Produção Roundup-Ready” constitui um avanço no manejo efetivo das invasoras. No entanto, lembrou ele que esta tecnologia apresenta alguns pontos fracos como: apa- recimento de invasoras com resistência ao glifosato e alterações na O Fusarium mostrou ser bom indicador dos impactos cau- sados pelo glifosato na rizosfera das plantas transgênicas. Contu- do, como a rizosfera é um sistema complexo, tornou-se claro a ne- cessidade de estudos mais completos sobre a estrutura e as fun- ções das comunidades microbianas lá instaladas, que é o atual enfoque da pesquisa do seu grupo. Especificamente, as novas pesquisas estudam: (1) O Fusarium dentro da comunidade fúngica na rizosfera; (2) Os organismos transformadores do Mn (oxidantes e re- dutores); (3)Afixação biológica do nitrogênio pelos rizóbios; (4) As comunidades Pseudomonad; e (5) Os fungos micorrízicos arbusculares. Trabalhos recentes mostram que a massa de nódulos na soja RR é menor que na soja convencional, mesmo sem o tratamen- to com glifosato. Com o uso deste, o peso dos nódulos é ainda Figura 28. Incidência de Fusarium na rizosfera de soja RR em função do tempo de aplicação. Figura 27. Podridão da raiz da soja causada por Corynespora cassiicola, induzida pela aplicação de glifosato. Controle Inoculada Inoculada + glifosato via foliar
  • 16. 16 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 Apesar deste tema não ter sido discutido no Simpósio, apre- sento algumas idéias para serem testadas pelos colegas que bus- cam alternativas mais sustentáveis de manejo das invasoras na agricultura. Não há dúvidas que nada supera o plantio direto como sis- tema de conservação do solo na agricultura. E não há dúvidas tam- bém que o sistema de plantio direto (SPD) só foi possível graças aos herbicidas, principalmente o glifosato. No entanto, conhecendo hoje os efeitos colaterais nega- tivos do glifosato, compete a nós utilizá-lo com os devidos cui- dados para obter o máximo de benefícios com o mínimo de ma- lefícios. Para a produção de grãos a pesquisa já respondeu: deve-se esperar de duas a mais semanas após a dessecação para iniciar a semeadura, principalmente se o volume de plantas invasoras ou de cobertura for muito grande. Tanto para variedades transgênicas como para as convencionais. Na cultura da cana, em que o glifosato é utilizado como maturador, a pesquisa indica efeitos quase sempre nulos no aumen- to da produtividade de açúcar. E pior, com potencial dano ambiental quando aplicado via aérea. menor (Figura 29). E indagou se o glifosato não estaria interferindo na sinalização dos flavonóides necessária para o ancoramento dos rizóbios junto às raízes, assim como se não estaria afetando a pro- dução de substâncias promotoras de crescimento. Figura 30. Efeito do glifosato na população de pseudomonad fluorescen- tes na rizosfera de soja RR, variedade Pioneer 93M92. Figura 29. Efeitos da variedade e de herbicidas sobre a massa de nódulos de soja no estádio R1 de desenvolvimento. Fonte: MARIA et al. (App. Environ. Microbiol., v. 73, p. 5075, 2007). Nota: TankMix com herbicidas convencionais. Mostrou também redução nas populações de pseudomonad fluorescentes, muitas delas associadas ao antagonismo de fungos patogênicos e nas transformações do Mn (Figura 30). Questionou se era efeito direto do glifosato ou efeito da variedade. Concluiu dizendo que o conhecimento dos fatores de solo e da rizosfera que interagem com os microrganismos sob a ação do glifosato, como acontece no manejo das invasoras usando as plan- tas transgênicas, é de fundamental importância na redução ou na eliminação de seus efeitos adversos. ENCERRAMENTOENCERRAMENTOENCERRAMENTOENCERRAMENTOENCERRAMENTO Como síntese geral de todas as palestras, o Simpósio deixou uma mensagem bem clara: o glifosato causa efeitos colaterais negati- vos tanto para a planta cultivada como para o rizóbio, a micorriza e os demais microrganismos do solo, com reflexos na nutrição mineral e na resistência contra doenças. Assim, a resposta à pergunta do título do Simpósio é bastante óbvia – sim, a sustentabilidade da agricultura moderna está ameaçada com o uso indiscriminado do glifosato. Conhecendo-se as interações entre o glifosato, a planta e os microrganismos será possível desenvolver sistemas de manejo nos quais o uso deste herbicida será acompanhado de práticas que reduzirão ou eliminarão seus efeitos perniciosos, a curto prazo, prin- cipalmente nas culturas anuais. Mas não a longo prazo. Torna-se, pois, urgente o desenvolvimento de novos sis- temas de manejo das invasoras para que a longo prazo não tenha- mos acúmulos desse produto em quantidades letais, tanto na plan- ta como no solo. As sugestões a seguir, sobre alternativas de manejo, não foram discutidas no Simpósio. Servem, no entanto, como ponto de partida aos interessados em buscar novas formas de manejo. Muitas informações neste sentido já foram dadas pe- las pesquisas de Ademir Calegari, Rolf Derspch e Ingo Kliever, entre outros. ALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVELALTERNATIVAS DE MANEJO SUSTENTÁVEL A cultura de citros pode estar sofrendo os efeitos colaterais de seu próprio manejo com o glifosato, assim como da deriva de maturadores de cana, que provocam o aumento do nível de etileno. Comosesabe,oaumentodoníveldeetilenonaplantapromovealtera- ções plasmáticas, favorecendo todo o tipo de doenças. Talvez seja a explicaçãoparaasucessãodenovasdoençasobservadasnacitricultura. O manejo alternativo das invasoras em culturas perenes tem sido feito com sucesso utilizando-se métodos mecânicos variados, com os quais busca-se instalar um sistema próximo ao SPD que se faz para grãos mas com eliminação ou uso muito reduzido de glifosato. Consideramos equivocado no atual SPD a eleição das gramíneas como plantas de cobertura. Se no lugar dessas fossem utilizadas leguminosas, o manejo poderia ser mecânico, através de rolo-faca. Assim, não seria necessário esperar duas a três semanas para a semeadura e, até então, estas plantas continuariam reciclando nutrientes e sintetizando nitrogênio para a cultura de verão. Podemos ter nas regiões tropical e subtropical uma agricul- tura muito mais eficiente que a do hemisfério Norte. Temos que utilizar melhor nossa vantagem competitiva de poder manter em funcionamento a usina fotossintética praticamento o ano todo. A monocultura da soja deve ser substituída pela rotação de culturas,
  • 17. INFORMAÇÕESAGRONÔMICAS Nº 119 – SETEMBRO/2007 17 Figura 30. Bio-nitrogênio via ervilhaca peluda: a nova revolução dentro do sistema plantio direto. Fazenda de Jorge Romagnoli, Argentina. Crédito das fotos: Fernando Garcia. e a responsabilidade de produzir matéria orgânica para o solo deve ser dada ao milho de alta produtividade. Por que não sonhar com uma safra de 80 sacas ha-1 de soja em um ano e 200 sacas ha-1 de milho no outro? E entre uma cultura e outra usar planta produtora de bio-nitrogênio num ano e bio-herbicida no outro? Como, por exemplo, utilizar, após a soja, uma cobertura com crotalária juncea, ervilhaca peluda ou tremoço, que manejada com rolo-faca, além de controlar as invasoras, forneceria a quase totalida- de do nitrogênio para a cultura de milho subseqüente? Este, por sua vez, seria seguido pelo nabo forrageiro que, pela sua alelopatia, seria o herbicida natural do sistema. E ambas as culturas, soja e milho, seriam transgênicas, para usar o glifosato, quando necessário. Meschede et al. (2007), avaliando diferentes coberturas na supressão de plantas daninhas em Cáceres, MT, no período de Julho a Setembro, obtiveram 11,8 t ha-1 de matéria seca de sorgo forrageiro e 7,5 t ha-1 de crotalária. Considerando o teor de 3% de N na matéria seca, a produtividade da crotalária seria equivalente a 225 kg ha-1 de N ou 500 kg ha-1 de uréia. É uma ótima informação provando a factibilidade desta planta mesmo na região Centro-Oeste do País. Em2006 testamos o nabo forrageiro como planta de cobertu- ra precedendo o milho.Além de produzir 1.200 kg de sementes por hectare ele proporcionou bom controle das invasoras na cultura do milho, apenas com a aplicação de atrazina (Figura 28). Foi um bom início para o programa que pretendemos continuar no futuro. Recentemente conhecemos um sistema bastante semelhante aplicado em área de 3.000 hectares de milho na propriedade de Jorge Romagnoli, em Montebuey, Província de Cordoba, naArgentina (Fi- guras 29 e 30).Além de engenheiro agrônomo, ele é também o presi- dente daAAPRESID –AssociaçãoArgentina de Produtores em Plan- tio Direto. Devido ao solo extremamente fértil (ainda), aduba apenas otrigoecolhe3safrasemdoisanos,sendo4-5tha-1 detrigo,4tha-1 de soja de 2a (após o trigo) e 10,8 t ha-1 de milho, este após ervilhaca peluda com 7 t ha-1 de matéria seca, fixando 210 kg ha-1 de N. Figura 28. Campo de nabo forrageiro, fazenda do Engenheiro Agrônomo Seiji Kimoto, Campo Mourão, PR (19/08/2006). Figura 29. Rolo-faca: equipamento fundamental para manejo visando agri- cultura sustentável. Acreditamos que sistemas de manejo de invasoras mais sus- tentáveis que os atuais, como o feito por Jorge Romagnoli, poderão também ser desenvolvidos no Brasil. Mas para que isso ocorra é preciso determinação! Ervilhaca peluda: Maio-Outubro, 7 t MS, 210 kg ha-1 de N Trigo: Maio-Novembro Cobertura com ervilhaca Milho: Outubro-Maio