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O ENDEREÇO DAS CELEBRIDADES/ ADDRESS OF CELEBRITIES

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Saiba como Isaac Azar, dono do bistrô Paris 6, com três casas em São Paulo e outra no Rio, conseguiu fazer do seu restaurante o endereço predileto dos famosos em geral. E agora, ele vai expandir ainda mais a rede, abrindo a primeira filial em Orlando, nos Estados Unidos.
By Simone Galib

Learn how Isaac Azar, owner of the bistro Paris 6, with three houses in São Paulo and one in Rio, managed to make his restaurant a favorite address of the famous general. And now, it will expand the network further by opening the first branch in Orlando, USA.
By Simone Galib

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O ENDEREÇO DAS CELEBRIDADES/ ADDRESS OF CELEBRITIES

  1. 1. 20 | Edição #30 | capa
  2. 2. 21| www.viagenssa.com | Isaac Azar, dono do Paris 6, o bistrô frequentado em São Paulo e no Rio de Janeiro por gente bonita, descolada, jogadores de futebol e muitos famosos, vai abrir a primeira filial em Orlando, na Flórida para, além da gastronomia, divulgar a cultura contemporânea brasileira • por Simone Galib fotos Érico Hiller CELEBRIDADES O ENDEREÇO DAS
  3. 3. 22 | Edição #30 | capa I saac Azar não nasceu em ber- ço gastronômico, mas abriu um bistrô, o Paris 6, nos Jardins, que faz o maior sucesso em São Paulo, a cidade mais gourmet do país - com 52 tipos diferentes de cozinha -, funciona 24 horas e é frequentado por gente bonita, famosa, descola- da, jogadores de futebol, como Ney- mar Jr, muitos artistas, boa parte deles amigos do dono da casa, que os homenageia com seus nomes no cardápio, além de turistas de outros estados do Brasil. A receita deu tão certo, que o Paris 6 já co- meça a ganhar ares de rede. Azar inaugurou, há um ano, uma filial, na Barra da Tijuca, no Rio de Janei- ro, que vive lotada e boa parte dos seus 250 lugares são ocupados pela classe artística carioca, o que trans- formou a casa em “uma espécie de sucursal do Projac, a cidade ceno- gráfica da Globo”, como ele mesmo define. Em junho último, foi ainda mais ousado: inaugurou o Paris 6 Vaudeville, na mesma rua Haddock Lobo, a apenas 70 metros da matriz paulista, também aberto dia e noi- te, para tentar aliviar as três horas de filas de espera. Porém, ele quer mais. E já se prepara para exportar o conceito mundo afora. Carismático, corintiano roxo, comunicativo, muito bem rela- cionado, cercado de amigos e de sócios famosos, amado por muitos e desprezado por outros, especial- mente por alguns críticos gastronô- micos, Isaac Azar aprendeu a lidar com a polêmica e com os dois lados da fama, apostando na fórmula que lhe garantiu sucesso em um dispu- tadíssimo mercado: a divulgação da cultura brasileira, seja no cine- ma, no teatro ou nas artes plásticas, o que acabou criando uma espécie de cumplicidade com atores, cine- astas e astros da MPB, que ali são mais que meros clientes. Seus no- mes e fotos estão estampados no menu, com 200 opções, entre entra- das, lanches, petiscos, pratos prin- cipais e sobremesas. Você pode, por exemplo, experimentar os Escargots Bourguignons a Milton Nascimento, os Tartines de Chévre ET Tomates Au Me- morable a Luciano do Valle, o Risotto de Morue a Fernando Meirelles ou o Carré de Bouef a Ivete Sangalo, entre muitos outros. Para o craque Neymar, hou- ve também uma criação especial. Isaac o brindou com uma porção de 100 gramas do mais nobre presun- to cru espanhol em homenagem ao Barcelona, time do jogador. O nome
  4. 4. 23| www.viagenssa.com | do prato? Pata Negra a L´Huile D´Olive a Neymar Jr. CARDÁPIOCULTURAL Sim, a escolha é feita sob medi- da para o freguês, famoso e habitué. Mas, a cultura brasileira também está sempre presente nesse cardá- pio. Nas paredes , com décor, inspi- ração, iluminação e parte do menu franceses, há quadros de pintores, cartazes de cinema, peças de teatro –tudo made in Brazil. “O Paris 6 não é simplesmente um restaurante, mais sim um passeio, um entrete- nimento. Mais de 20% dos clientes vêm de outros estados. Além da co- mida, as pessoas degustam cultura”, orgulha-se. Indagado se os artistas e amigos têm privilégios, é categórico: “Não atraio ninguém oferecendo co- mida de graça. Ele paga como qual- quer outro cliente, exceto quando faço parceria com alguma peça de teatro e tenho cerca de R$ 10 mil em ingressos para distribuir nas mídias sociais. É uma maneira de fomentar a cultura”, conclui. Mas, se a ênfase é a cultura bra- sileira, então por que o nome Paris 6? A inspiração vem do 6º arrondisse- ment, o distrito no centro de Paris, en- tre os bairros de Saint-Germain-des- -Prés e Notre-Dame-des-Champs, que tem uma das maiores con- centrações de cafés, de bistrôs e de brasseries. Aliás, esse centro cultural parisiense era frequentado, no início do século, por nomes, como o pintor Pablo Picasso, o escritor norte-ameri- cano Ernest Hermingway e o filósofo e crítico francês Jean-Paul Sartre, en- tre tantos outros. Um lugar cheio de história e de muita gente famosa! “Se Wood Allen fala dos artistas [no fil- me Meia-Noite em Paris], eu também exponho quadros, homenageio Emí- lio Santiago, José Wilker, o amigo Jair Rodrigues (morto em maio último e cujo grand menu deste ano foi dedi- cado a sua memória) e Luciano do Valle, que também era frequentador assíduo”, diz ele, relembrando cenas históricas entre os salões. “Gustavo Rosa pintou no próprio restaurante, entre taças de vinho, e Maurício de Souza desenhou um prato para Jair Rodrigues com o personagem Cebo- linha”. Apesar de tanta brasilidade, gente de fora também bateu pon- to por lá, como Liza Minelli que no aniversário de seis anos da casa, em 2012, foi jantar depois do show em São Paulo e acabou dando uma can- ja, para surpresa de todos. DEVOLTAÀSORIGENS Judeu sefaradim, filho de pai egípcio e mãe de origem polonesa, Isaac Azar, 43 anos, é o caçula dos Henri Castelli e Daniel Alves Isaac e Neymar Jr; A atriz Paloma Bernardi Murilo Rosa, Caio Castro e Isaac
  5. 5. 24 | Edição #30 | capa quatro irmãos homens, todos pra- ticamente com a mesma faixa etá- ria. Ele trabalhava com a família no ramo de concessionária de veículos e foi o primeiro a tentar voo solo, em 2003, optando por atuar no se- tor alimentício. Começou a impor- tar azeite de oliva, o que lhe exigiu um profundo mergulho nas raízes. “Eu adoro história e vi no azeite um produto, comum e sagrado, para o judaísmo, para o cristianismo e para o islamismo”, diz. Azar viajou boa parte do mundo, pesquisando o pro- duto que tanto o fascinava. Em 2004, tornou-se o primeiro brasileiro espe- cializado em azeite, graduado pela renomada Organizzazione Naziona- le Assggiatori Olio di Oliva, na Itália. No final desse mesmo ano, abriu o Azäit, também nos Jardins, onde fazia harmonização de pratos com azeite. Não deu muito certo e fechou a casa. O Paris 6, hoje com oito anos de história, estava ainda em início de jornada.“ Não conse- gui dar conta das propriedades pela diferença de conceitos”, afirma. Em 2007, ele assumiu o cargo de chef do menu da TAM, em que elabora- va pratos à base de azeite de oliva. Essa fase do azeite durou até 2008. Já a ideia de levar o Paris 6 para o Rio não foi exatamente sua, conta, mas estimulada pelos próprios artistas, como o ator Bruno Gagliasso, o pri- meiro, logo no início da casa, que ganhou um prato com seu nome no cardápio. Não demorou muito para que Isaac Azar formasse o seu time carioca: além do próprio Bruno, o diretor Jayme Monjardin, o atacan- te Emerson Sheik e o jogador Pauli- nho, da seleção brasileira, dividem a sociedade, com toda a gestão feita pelo próprio empresário. A casa já tem fila de espera todos os dias. Se, por um lado, Isaac Azar bus- cou nas raízes dos seus ancestrais o ponto de partida para se dedicar à gastronomia, a base cultural veio de uma outra fonte: a herança genética da mãe, segundo ele, a sua “gran- de inspiração desde a infância”. O empresário conta que ela é erudi- ta, adora música clássica, desenha, pinta, toca piano, ensinou-lhe vá- rios hobbies, como a pintura, e lhe emprestou muitos livros para que formatasse o conceito do Paris 6. A receita funcionou. Hoje, a sobreme- sa clássica da casa, o Grand Gateau au Popsicle a Paloma Bernardi – um gateau recheado de morangos, calda de Nu- tella e um picolé de chocolate italia- no - vende mais de 15 mil unidades por mês no eixo Rio-São Paulo. MUITOTRABALHOEDIVÃ Com os negócios se expandin- do, três restaurantes para admi- nistrar e um celular que não para nunca de tocar, como é a rotina de Isaac? “Trabalho 24 horas, além das quatro linhas”, diz ele, referindo-se ao futebol. Pai de três filhos - duas meninas, de 10 e 12 anos e um bebê de nove meses - ele atribui toda a sua base à mulher Caroline, direto- ra financeira do Paris 6, com quem está casado há 13 anos e é quem lhe dá a tranquilidade suficiente para administrar o salão, a cozinha, a fa- mília e as mídias sociais. Somente o Instagram da casa tem cerca de 194 mil seguidores, ganhando do Mc Donalds, com 174 mil, e ele o mo- nitora pessoalmente. Para manter o equilíbrio emocional, seu ponto de apoio é o renomado psiquiatra, psicoterapeuta e escritor Flávio Gi- kovate (o preferido dos poderosos), Não cozinho para apenas uma pessoa, o crítico gastronômico, mas para 40 mil, que frequentam o Paris 6 em São Paulo e no Rio. Gosto de ser julgado pelo meu público
  6. 6. 25| www.viagenssa.com | com quem faz duas sessões sema- nais “para ponderar meus exageros e me guiar em decisões importan- tes”. Isaac se define como um ho- mem muito ansioso, estourado e diz ter melhorado muito nos últi- mos nove anos. “Esse sucesso todo não seria possível sem Gikovate e Caroline. Ela é o ponto de equilíbrio de toda minha realização pessoal e profissional”, afirma. Já com a vida totalmente estru- turada, o dono do Paris 6 prepara novos voos e agora quer divulgar a cultura brasileira contemporânea no exterior. Ele vai inaugurar, em dezembro, outra filial, desta vez em Orlando, na Flórida, nos Esta- dos Unidos, tendo como sócio o ator Murilo Rosa. O conceito será exatamente o mesmo do Brasil, ou seja, base francesa e histórias, car- tazes de peças e fotos de artistas brasileiros estampados nas pare- des . Entre os seus planos, também está a abertura de restaurantes em Miami, Nova York, Londres e even- tualmente em Dubai, nos Emirados Árabes. “Quero mostrar ao mundo que o Brasil tem cinema, teatro e produções de altíssima qualidade.” Apesar de todo esse sucesso, o bistrô costuma receber farpas da mídia especializada e de alguns chefs, alegando que o lugar não é barato e o cardápio tem muito pou- co de gastronomia francesa. Para Isaac Azar, as críticas refletem opi- niões subjetivas. “Não cozinho para apenas uma pessoa, para o crítico gastronômico, mas sim para 40 mil, que frequentam o Paris 6 em São Paulo e no Rio. Gosto de ser julga- do pelo meu público”, rebate. Aliás, nesse quesito Isaac Azar vai muito bem, obrigado! Crevettes a Bruno Gagliasso: camarões rosa com arroz provençal Grand Gateau a Paloma Bernardi: sobremesa mais vendida
  7. 7. 26 | Edição #30 | ISRAEL É a origem dos meus ancestrais. Amo especialmente Jerusalém pelo encontro das três religiões mais importantes. Gosto desse pluralismo e sou contrário a qualquer forma de guerra. capa • GIRO PELO MUNDO Apaixonado por história e estudioso de muitas culturas, Isaac Azar percorreu boa parte do mundo em busca de conhecimento. A seguir, os lugares que mais lhe marcaram PARIS Foi o berço da Revolução Francesa e representa tudo o que existe hoje como civilização ocidental. MARROCOS Gosto de conviver com povos semitas para descobrir neles semelhanças e diferenças. A cultura árabe é uma das mais sábias e belas de toda a civilização. TOLEDO Eu sou também de origem espanhola, um judeu sefaradim, e nada como percorrer a Espanha, o país produtor mundial de azeite. Fotos:Shutterstock TÓQUIO Jamais voltaria para ter uma recordação única: o bicampeonato mundial do Corinthias, realizado no Japão, e que fui assistir.

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