Apostila parasitologia livropar

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  1. 1. 1DISCIPLINA DE PARASITOLOGIA PROGRAMA DE REFORÇO DAS ATIVIDADES PEDAGÓGICAS TEÓRICAS EQUIPE: ANDRÉ VIANNA MARTINS AUGUSTO CEZAR P. BASTOS OTILIO MACHADO P. BASTOS
  2. 2. 2 ÍNDICE GERALI. Conceitos Gerais em Parasitologia................................................................005II. Introdução a Protozoologia..........................................................................018II.1 FILO Sarcomastigophora.........................................................................020II.1.1 Subfilo Mastigophora1. Principais Flagelados Cavitários: Giardialamblia...............................................................................................020 Trichomonasvaginalis....................................................................................0242. Principais Flagelados de Habitat Tecidual: GêneroLeishmania........................................................................................027 GêneroTrypanosoma.....................................................................................031II.1.2 Subfilo Sarcodina:Amebídeos......................................................................................................035II.2 FILO Ciliophora........................................................................................039II.3 FILO APICOMPLEXA............................................................................042 Gênero Plasmodium.......................................................................................042 Toxoplasma gondii..........................................................................................048II.4 Infecções Por Protozoários Em Imunodeficientes...................................053 GêneroCryptosporidium.................................................................................053
  3. 3. 3 Microsporídios de ImportânciaMédica........................................................056
  4. 4. 4III. Helmintologia..............................................................................................058III. Introdução à Helmintologia.......................................................................058III.1 FILO Plathyhelminthes............................................................................058III.1.1 Classe DigeneaIII.1.1.1 Gênero Schistosoma............................................................................058III.1.1.2 Gênero Fasciola...................................................................................063III.1.2 Classe CestoideaIII.1.2.1 Gênero Taenia.....................................................................................066III.1.2.2 Gênero Echinococcus........................................................................071III.2 FILO Nemathelminthes............................................................................074III.2.1 Classe NematodaIII.2.1.1 Nematóides de Habitat em Intestino Delgado...................................0741. Ascaris lumbricoides........................................................................................0742. Ancilostomídeos..............................................................................................0773. Strongyloides stercoralis..................................................................................080III.2.1.2 Nematóides de Habitat em Intestino Grosso.....................................0831. Trichuris trichiura...........................................................................................0832. Enterobius vermicularis..................................................................................085III.2.1.3 Nematodíases de Habitat Extra Intestinal........................................0883.1 Filarídeos......................................................................................................0883.2 Larva Migrans.............................................................................................092
  5. 5. 5IV. FILO Artropoda........................................................................................096IV. Introdução ao Estudo dos Artrópodes....................................................096IV.1 Classe Insecta............................................................................................096IV.1.1 Ordem Anoplura....................................................................................096IV.1.1.2 Gêneros Pediculus e Pthirus...............................................................096IV.1.2 Ordem Siphonaptera.............................................................................099IV.1.3 Ordem Diptera ......................................................................................101IV.1.3.1 Espécies determinantes de Miíase.....................................................101IV.1.4 Ordem Hemiptera..................................................................................103IV.2 Classe Arachnida.......................................................................................104IV.2.1 Acaros determinantes de sarna.............................................................104IV.2.2 Familia Ixodidae.....................................................................................105
  6. 6. 6I. CONCEITOS GERAIS EM PARASITOLOGIA MÉDICA As primeiras conceituações de parasitismo o caracterizavam como uma relação desarmônica,portanto unilateral, onde o parasita obrigatoriamente trazia prejuízos ao seu hospedeiro. Como esta definição semostrou falha, principalmente em razão de nem sempre se conseguir demonstrar danos determinantes de sinaise/ou sintomas, no hospedeiro, a mesma foi sendo abandonada pela maioria dos profissionais da área e substituída poroutras mais coerentes com os conceitos mais modernos. Atualmente, parasitismo é principalmente conceituado como a “relação entre dois elementos deespécies (ou grupo e espécie, no caso dos vírus) diferentes onde um destes, apresenta uma deficiência metabólica(parasita) que faz com que se associe por período significativo a um hospedeiro (hospedador), visando suprir talcarência”.A. CAMPO DA PARASITOLOGIA A.1 Sentido amplo (lato senso): Fazem parte, todos os vírus, algumas espécies de: Bactérias, Fungos,Protozoários, Platelmintos, Nematelmintos, Artrópodes e de Algas microscópicas. B.2 Sentido estrito (estrito senso): Onde por razões convencionais são alocados somente algumas espécies de:Protozoários, Helmintos e Artrópodes compreendendo também em algumas instituições de ensino o estudo dosFungos parasitas.B. ADAPTAÇÃO PARASITÁRIA A perda parcial de um ou mais sistemas metabólicos e da capacidade de utilizar outra fontenutricional no meio ambiente externo, em todo seu ciclo de vida ou em parte dele, faz com que o parasita se instaleem seu hospedeiro e dependa da sobrevida deste, principalmente se tratando dos endoparasitas, em que, casoocorra morte do hospedador, o parasita normalmente também sucumbe. Como estratégia de sobrevivência etransmissão, o parasita “busca” reduzir sua capacidade de agressão em relação ao seu hospedeiro, o que se dá porseleção natural, no sentido de uma melhor adaptação a determinado(s) hospedeiro(s). Neste caso, quanto maiorfor a agressão, menos adaptado é este parasita a espécie que o hospeda, e consequente possibilidade de morte deste,o que tende com o passar dos anos à seleção de amostras (cepas) menos virulentas para este hospedador.C. HABITAT PARASITÁRIO Tal como acontece com os seres de vida livre, que têm um habitat definido em determinada áreageográfica estudada, a localização de um parasita em seu hospedeiro não se dá ao acaso, mas sim é conseqüência deuma adequação parasitária a determinado segmento anatômico que passa a ser assim o seu ecossistema interno,em decorrência sofre as conseqüência das ações naturais de resistência de seu hospedeiro. Podemos por assim dizerque o “habitat” parasitário é o local mais provável de encontro de determinado parasita em seu hospedeiro, sendoque para os helmintos normalmente consideramos, quanto não se especifica a fase de desenvolvimento em questão, ohabitat da forma adulta.D. ORIGEM DO PARASITISMO DO HOMEM E OS PRINCIPAIS CONCEITOS DEPARASITISMO A origem do parasitismo do homem pode ser deduzida a partir de vários dados, onde se destacam achadospaleoparasitologicos, comparações genéticas e afinidades entre diferentes hospedeiros comuns. Quando o homem eoutros animais se apresentam como diferentes hospedeiros de um mesmo ciclo (Definitivo e Intermediário), como éo caso dos ciclo encontrados nos gêneros Taenia e Echiniococcus, é deduzido que ambos sofreram processoparasitário acontecido em mesmo momento. Por outro lado, alguns seres de vida livre como é o caso de nematóides,paulatinamente após entrar em contato com o homem, devem ter se adaptados a esse suporte nutricional em razão deperda de autonomia metabolica, se tornando parasitadas do homem ou espécie filogenticamente próximas, com é ocaso do parasitismo por Enterobius vermicularis, que podem parasitar além da especie humana, símios antropóides.PRINCIPAIS TIPOS DE PARASITISMOD.1 Acidental - Quando o parasita é encontrado em hospedeiro anormal ao esperado. P.e. Adulto de Dipylidiumcaninum parasitando humanos.
  7. 7. 7D.2 Errático - Se o parasita se encontra fora de seu habitat normal. P.e. Adulto de Enterobius vermicularis emcavidade vaginal.D.3 Obrigatório - É o tipo básico de parasitismo, onde o parasita é incapaz de sobreviver sem seu hospedeiroP.e. A quase totalidade dos parasitas.D.4 Proteliano - Expressa uma forma de parasitismo exclusiva de estágios larvares, sendo o estágio adulto de vidalivre.P.e. Larvas de moscas produtoras de miíases.D.5 Facultativo - É o caso de algumas espécies que podem ter um ciclo em sua integra de vida livre eopcionalmente podem ser encontrados em estado parasitário. P.e. Algumas espécies de moscas que normalmente sedesenvolvem em materiais orgânicos em decomposição no solo (cadáveres ou esterco), podem sob determinadascondições, parasitar tecidos em necrose, determinando o estado de miíases necrobiontófagas.E. CICLO VITAL (ONTOGÊNICO, BIOLÓGICO OU DE VIDA) DOS PARASITAS É a seqüência das fases que possibilitam o desenvolvimento e transmissão de determinadoparasita. Quanto ao número de hospedeiros necessários para que o mesmo ocorra, podemos ter dois tipos básicosde ciclos:E.1 Homoxeno (monoxeno): Onde é o bastante um hospedeiro para que o mesmo se complete. P.e. Ascarislumbricoides e Trichomonas vaginalis.E.2 Heteroxeno: Onde são necessários mais de um hospedeiro para que o ciclo se complete, existindo pelo menosuma forma do parasita exclusivo de um tipo de hospedeiro.Quando existem dois hospedeiros, é denominado ciclo dixeno (P.e. Gên. Taenia e Trypanosoma cruzi); entretanto,quando são necessários mais de dois hospedeiros, de ciclo polixeno ( P.e. Gên. Diphyllobothrium).F. ESPECIFICIDADE PARASITÁRIA É a capacidade que apresenta o parasita de se adaptar a determinado número de hospedeiros, o quegeralmente acarreta sua maior ou menor dispersão geográfica. Quando sãao encontrados um grande número deespécies de hospedeiros parasitadas de forma natural, denominamos o parasita de eurixeno (P.e. Toxoplasma gondii),se existe pequeno número de espécies tendendo a somente uma, denominamos de estenoxeno (P.e. Wuchereriabancrofti).G. TIPOS DE HOSPEDEIROG.1 Ciclo heteroxeno:*Definitivo: Quando o parasita se reproduz neste, de forma sexuada e/ou é encontrado em estágio adulto.*Intermediário: Se o parasita no hospedeiro só se reproduz de forma assexuada ou se encontra exclusivamente sobforma larvar (helmintos).Obs.: Se um protozoário não apresenta em seu ciclo reprodução sexuada em nenhum dos hospedeiros, estes sãoconhecidos como hospedeiro vertebrado e invertebrado respectivamente.G.2. Paratênico ou de transporte - Quando no mesmo, não ocorre evolução parasitária, porém, o hospedeiro nãoesta apto a destruir o parasita rapidamente, podendo assim, ocorrer posterior transmissão em caso de predação porespécie hospedeira natural.Obs. Não é um verdadeiro caso de parasitismo.G.3. Reservatório: É representado pelo (s) hospedeiro (s) vertebrado (s) natural (is) na região em questão.Obs.: O termo vetor é utilizado como sinônimo de transmissor, representado principalmente por um artrópode oumolusco ou mesmo determinado veículo de transmissão, como água ou alimentos, que possibilite a transmissãoparasitária. Alguns autores utilizam o termo vetor biológico quando ocorre no interior deste animal a multiplicaçãoe/ou o desenvolvimento de formas do parasita (se constituindo em hospedeiro) e vetor mecânico nas situaçõesonde não existem tais condições, transmitindo assim o parasita com a mesma forma de desenvolvimento de cicloque chegou ao mesmo, não sendo portanto um hospedeiro.
  8. 8. 8H. INFECÇÃO x INFESTAÇÃO Existem dois parâmetros em que se baseia a classificação: localização e dimensão. O primeiro sugerido poruma reunião de especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS), é o mais utilizado atualmente.H.1 Localização:Infestação: Localização parasitária na superfície externa (ectoparasitas). P.e. Carrapatos e piolhos.Infecção: Localização interna parasitária (endoparasitas). P.e. Giardia lamblia e Schistosoma mansoni. Por estadefinição, infecção seria a penetração seguida de multiplicação (microrganismo) ou desenvolvimento (helmintos)de determinado agente parasitário.H.2 Dimensão:Infestação: Corresponde ao parasitismo por metazoários. P.e. Enterobius vermicularis e Schistosoma mansoni.Infecção: Definida pelo parasitismo por microrganismos. P.e. Giardia lamblia e Trypanosoma cruzi. Emconseqüência, infecção seria a penetração seguida de multiplicação de microrganismo.Obs. Existe ainda um sentido não parasitário para o termo infestação, que corresponde à presença de númeroconsiderável no meio ambiente externo de animais e/ou vegetais não desejados pelo ser humano. P.e. Infestação decobras, lacraias, ervas daninhas e etc.I. CONTAMINAÇÃOI.1 Biológica : É a presença de agentes biológicos no meio ambiente externo, fômites ou na superfície externa ouinterna sem causar no momento, infecção ou infestação. P.e. Lesão cutânea contaminada por bactéria, bolsa desangue contaminada por Trypanosoma cruzi.I.2 Não biológica : É a presença de elementos químicos e físicos no meio ambiente ou no interior de seres vivos. P.e.Mercúrio nos tecidos de mariscos, radio-isótopos no meio ambiente.Obs.: Em razão de alguns especialistas por não considerarem os vírus seres vivos e sim partículas, é denominada suapresença em determinado ser, não uma infecção mas sim contaminação.J. MECANISMOS DE INFECÇÃO (MECANISMOS DE TRANSMISSÃO) Para que seja definido tal mecanismo, deve ocorrer análise quanto à porta entrada no organismo dohospedeiro (via de infecção) e neste momento se ocorreu ou não gasto de energia pelo parasita (forma de infecção).J.1 Forma de Infecção (Forma de transmissão)* Passiva - Quando não existe gasto de energia para a invasão.* Ativa - Caso ocorra dispêndio energético para tal fim.J.2 Via de Infecção (Via de transmissão ou porta de entrada)*Oral (per os)*Cutânea (per cuten)*Mucosa (per mucus)*Genital (per genus)J.3 Principais mecanismos de infecção*Passivo oral. P.e. Ascaris lumbricoides.*Passivo cutâneo P.e. Gên. Plasmodium*Ativo cutâneo P.e. Trypanosoma cruzi*Ativo mucoso P.e. T. cruzi*Passivo genital P.e. Trichomonas vaginalis
  9. 9. 9J.4 Mecanismos particulares: Em alguns casos, para que fique mais claro o real mecanismo de infecção,empregamos expressões características como:* Transplacentário* Transmamário* Transfusional* Por Transplantação.L. MECANISMOS DE AGRESSÃO E RESPOSTA ÀS PARASITOSESL.1 PATOGENIA E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS AO PARASITISMO É o conjunto de mecanismos lesionais respectivos determinados no decorrer do parasitismo aoorganismo parasitado, incluindo-se também as agressões determinadas pela reação do hospedeiro. Porém, éimportante ser lembrado que não é obrigatória a relação entre patogenia e manifestações clínicas (sinais e ousintomas), que são os paradigmas da doença propriamente dita. Para que ocorra doença, as lesões determinadasdevem ultrapassar a capacidade homeostática do hospedeiro. Os seguintes fatores devem ser avaliados para quesurja tal desequilíbrio: a. Parasita: Virulência, carga parasitária infectiva e porta de entrada utilizada b. Hospedeiro: Mecanismos de resistência a este parasita.L.2 MECANISMOS GERAIS DE AGRESSÃO DOS PARASITAS Os danos determinados na dinâmica da relação Hospedeiro-Parasita podem de forma genérica ser classificados em: a. Diretos - Determinados pelo parasita e substancias por ele secretados b. Indiretos - Quando acarretados pela reação do hospedeiro ao parasitismo L.2.1 MECANISMOS Espoliativo: É o determinado por perda de substâncias nutritivas pelo organismo do hospedeiro, podendo o mesmo ser acarretado por perda direta de nutrientes (P.e. Gên. Taenia), tecidos sólidos ou hematofagismo (P.e. ancilostomídeos). Enzimático: É determinado pela liberação de secreções enzimáticas produzidas por parasitas, que determinam destruição tecidual de extensão variável. P.e. Entamoeba histolytica e larvas infectante de ancilostomídeos. Inflamatório/hipersensibilizante: A maioria dos mecanismos acima leva a uma resposta inflamatória de forma indireta ou diretamente por liberação de substâncias que ativam esses mecanismos. Incluiremos aqui a hipersensiblidade que se constitui também em elemento gerador de resposta inflamatória. P.e. Larvas de helmintos que fazem ciclos pulmonares. Imunodepressor: É determinado por metabólitos liberados pelo parasita ou por outros mecanismos que possam reduzir a capacidade de resposta defensiva do hospedeiro. P.e. Leishmania donovani Neoplásico: Algumas Parasitoses crônicas, através de liberação de metabólitos ou reações inflamatórias crônicas ou de sua conseqüência, podem levar a gênese de tumores malignos. P.e. Schistosoma haematobium e neoplasia de bexiga.Obs.: Quando temos uma resposta do organismo do hospedeiro ao parasitismo, sem que ocorra consequentemanutenção da homeostase, surgem, em função desse desequilíbrio, o que denominamos manifestações clínicas(sinais e/ou sintomas) da parasitose em questão.L.3 RELAÇÕES DEFENSIVAS DO HOSPEDEIRO HUMANO Para tentar reduzir, em número, ou neutralizar, os agentes responsáveis pelas infecções, ou infestações, oorganismo humano lança mão de mecanismos que caracterizam o que foi denominado em seu conjunto comoresistência. A mesma pode ser considerada como total, ou absoluta, quando o parasita não dispõe de condições quepermitam sua instalação, seja por eficiência dos mecanismos protetores do hospedeiro, ou mesmo, por não existiremcondições metabólicas básicas para o desenvolvimento do parasita. Quando a resistência se apresenta reduzindo,
  10. 10. 10significativamente, o número de formas parasitárias, porém, permitindo manutenção do parasitismo, é, então,denominada de relativa, ou parcial. No aspecto concernente à forma de instalação da mesma, é considerado como resistência natural, ouinespecífica, ou, ainda, inata; os mecanismos de resistência ao parasitismo que se comportam da mesma forma,independente de contato anterior com o agente parasitário, não determinando o que é denominado de memória. Se, aocontrário, o sistema linfocitário participa dos eventos defensivos, determinando memória imunológica e posterioralteração de resposta nos contatos com o parasita em situações subseqüentes, o evento é denominado de resistênciaadquirida. Do ponto de vista operacional, a divisão entre os mecanismos inespecíficos e específicos, não têmvalidade, pois, os mesmos, atuam de forma integrativa. Porém, visando a uma melhor apresentação do tema, seráutilizada essa divisão como recurso didático. É importante lembrar que, apesar da importância das reações defensivasfrente ao parasitismo, em alguns casos, a mesma, causa uma tal magnitude lesional em nível local ou sistêmico, que setorna altamente danosa para a própria homeostase, determinando agressão indireta.L.3.1 MECANISMOS DE RESISTÊNCIA INESPECÍFICOSa. Tegumento cutâneoa.1 Barreira mecânica: Impede, ou dificulta a penetração de agentes parasitários.a.2 Barreira uímica: O pH da pele humana é ácido, o que dificulta a penetração, ou instalação, em sua superfície, depatógenos. Esse pH é mantido principalmente pela produção, por parte das glândulas sebáceas, de ácidos graxos decadeia longa e pela degradação, dos mesmos, pela microbiota local, que determina a produção de ácidos graxosvoláteis, que, além de auxiliarem a manutenção do pH, apresentam ação principal em bactérias Gram −. Asglândulas sudoríparas, ao produzirem lisozima (muramidase), apresentam ação lítica bacteriana (principalmente nasGram + ).a.3 Pelos: Barreira mecânica que pode reduzi a penetração de patógenos no organismo, como representado pelasvibrissas (pêlos na porção anterior das fossas nasais).a.4 Microbiana: Várias espécies de bactérias residem na pele normal, ou em glândulas sebáceas. Os componentesmais numerosos são representados pelo Staphylococcus epidermidis e pelo Propionibacterium acneae. A competiçãocom patógenos é a forma pela qual a microbiota participa das defesas do hospedeiro. As formas de reduzir, oueliminar o agente invasor, se baseia principalmente em:1) Produção de substâncias microbicidas e redução do pH local, já explicados anteriormente;2) Ligação a receptores de superfície celular, também utilizados pelo patógeno; e3) Produção de outras substâncias microbicidas.b. Cavidades revestidas por mucosasb.1 Barreira Mecânica: Pelas características histológicas do revestimento mucoso, esta condição se apresenta compouca eficiência.b.2 Barreira química: Existe uma grande variedade de produtos liberados nas cavidades mucosas, entre os quais,HCl (estômago), enzimas digestiva, e outras como a lisozima, sais biliares e suco pancreático que atuam nadegradação ou inativação de grande número de microrganismo.b.3 Muco: A mucina, proteína de alta viscosidade, atua fundamentalmente: 1) facilita a adesividade entre si deagentes biológicos e virais, bem como partículas inertes, visando a posterior remoção; e 2) mantém úmida asuperfície mucosa, formando camada protetora frente a agentes físicos e químicos.b.4 Cílios: A presença, e conseqüente movimentação celular em determinadas mucosas, como a do trato respiratório,determina remoção de elementos inanimados (poeira e vírus), ou biológicos (bactérias, larvas de helmintos eprotozoários) aderidos ao muco.b.5 Microbiota: Tal como acontece no tegumento cutâneo, nos segmentos onde existe microbiota (cavidade oral,vagina, intestino grosso), a mesma pode atuar competindo com patógenos das seguintes formas: 1) Produzindocatabólitos, que determinam redução do pH, como ocorre na cavidade vaginal, onde os bacilos de Doderlein,utilizam o glicogênio proveniente de células descamativas e produzem ácido lático que determina faixa de pH entre3.8 a 4.2; 2) Por competição por fonte nutricional; 3) Ligação a receptores de superfície utilizados por patógeno;e 4) Por produção de substância(s) que tenha(m) ação deletérica(s) sobre espécies patogênicas.c. Fagócitos Profissionais Grande número de tipos celulares têm a capacidade fagocitária, porém, em sua maioria, o fazem deforma sistemática e não especializada. Quando a fagocitose é feita de forma defensiva, tais células são denominadasfagócitos profissionais, sendo representadas pelas seguintes células:
  11. 11. 11c.1 Neutrófilos: Existem, predominantemente, em nível de medula óssea e circulação sangüínea. O potencialmicrobicida destas células é assegurado pela existência de grande quantidade de enzimas lisossomiais e sua grandemobilidade, peróxidos e aldeídos, que apresentam alto poder microbicida. Quando ocorre qualquer dano tecidual, ouliberação de substâncias quimiotáticas, outras para neutrófilos, estas células abandonam o pool circulante e migrampor diapedese para o tecido lesado. Em muitos casos, onde a atividade dos neutrófilos é requisitada, sua vida média,pela grande atividade metabólica, se restringe a poucas horas após sua ativação.c.2 Eosinófilos: Estas células apresentam potencial fagocitário bem inferior ao dos neutrófilos, porém, em menorescala, apresentam-se com capacidade microbicida por mecanismos análogos aos dos neutrófilos.c.3 Macrófagos (M∅s): Pelos conhecimentos atuais, os monócitos circulam e vão progressivamente se localizar emvários sítios anatômicos, onde se diferenciam em células especializadas, sendo, portanto, precursores de todos osoutros macrófagos. Os fagócitos mononucleares se distribuem no organismo constituindo o chamado SistemaFagocitário Mononuclear (SFM), que, no passado, era chamado de Sistema Retículo Endotelial (SRE), que temcomo elementos: Monócitos, células de Kupffer, M∅s gânglionares, M∅s peritoniais, M∅s endotélio dossinusóides esplêmicos, M∅s alveolares, M∅s lâmina própria intestinal, M∅s de medula óssea, histiócitos,osteoclastos e micróglia. O potencial microbicida dos M∅s é determinado pela presença de enzimas e outrassubstâncias como os peróxidos em seu citoplasma, porém, ao contrário dos neutrófilos, depende, significativamente,para uma maior eficiência destrutiva, da ativação determinada, principalmente, por linfócitos T. Outro fator derelevância, destas células, é sua capacidade potencial de apresentação antigênica.d. Resposta inflamatória É definida como um complexo processo defensivo local, acionado por injúria determinada por agentesbiológicos e/ou físicos e/ou químicos, caracterizado por seqüência de fenômenos irritativos, vasculares,exsudativos, degenerativo-necróticos e de reparo. A fagocitose de patógenos é facilitada pela presença, na membrana, dos macrófagos, de receptores paraFc, de IgG e para C3b . Quando o fenômeno se apresenta em intensidade significante, ocorre exteriorização dainflamação por: dor, rubor, calor, tumor (aumento do volume da área) e frequentemente por alteração da funçãolocal. Do ponto de vista cronológico, existem dois tipos de inflamação:d.1 Aguda: É a que ocorre na fase inicial de contato com o agente e existe um predomínio de neutrófilos.d.2 Crônica: Quando a causa injuriante não é eliminada em período inicial, ocorre uma mudança no tipo celularpredominante, onde agora se é encontrado em maior número os mononucleares (linfócitos e M∅s) e uma tendência,em várias situações, a formação de granulomas e/ou células gigantes, bem como processos fibróticos em escalavariada.e. Células Matadoras Naturais ( “Natural Killer Cell” - NK)A ação das células NK parece se dar a partir de alterações de permeabilidade da membrana plasmática da célulaalvo, determinando poros de membrana. Os principais elementos de atuação são os microrganismo e célulasneoplásicas.f. Sistemas de Amplificação BiológicaSão encontrados como sistemas de relevância no campo da amplificação das respostas defensivas, principalmente noque se refere a inflamação de sistemas de grande relevância como: Complemento, Coagulação sanguínea, Cininasvasoativas e outros de menor importância. Será destacado a seguir o sistema Complemento, pela sua importânciaem processos de agressão/defesa determinados por parasitas.f.1 Sistema ComplementoÉ um sistema enzimático sob forma de zimogênios (forma inativa), até serem ativados em sistema de cascata.Existem duas vias para sua ativação inicial: 1. Via clássica onde se destacam os Ac das classes IgM e IgG, e mais raramente outros elementos como produtos bacterianos;
  12. 12. 12 2. Via alterna (alternativa), para a qual são encontradas variedade de substâncias químicas ativadoras de origem biológia e com menor intensidade a própria via clássica. As principais ações biológicas do sistema estão relacionadas ao fomento de fenômenos inflamatórios onde se destacam: a degranulação de mastócitos e basófilos (C3a e C5a), a opsonização (C3b) e a possível lise de membrana, ou parede bacteriana pelo complexo C7,C8 e C9.L.3. 2 MECANISMOS DE RESISTÊNCIA ESPECÍFICOS São os compreendidos pela ação de linfócitos ditos T e B e suas consequências específicas, queparticipam da resposta imunológica propriamente dita, determinando como já assinalado o fenômeno da memóriaimunológica. É importante assinalar, que tais mecanismos, na maioria dos casos, tem sua ação final ligada ainterações relacionadas às células e demais componentes do sistema de resistência inespecífico. A resposta imune de determinado hospedeiro, não necessáriamente leva a um aumento deresistência, podendo em alguns casos ser relevante no que se refere ao aspecto diagnóstico e/ou prognóstico paradeterminada parasitose. A estado de proteção pode ser considerado como: 1. total (esterilizante), onde somente ocorre uma primo-infecção (P.e. viroses como o sarampo, “caxumba” e “catapora”). 2. ou parcial, variando em grau de resistência, onde pode ocorrer várias infecções pelo mesmo agente no mesmo hospedeiro, porém, com redução na capacidade de gerar sintomatologia, graças aos linfócitos de memória. Na quase totalidade das Parasitoses onde ocorre resistência imune, ela se apresenta de forma parcial, tendo em muitos casos se apresentado como imunidade concomitante (premunição), que se caracteriza pela presença do parasita, sob estado de infecção crônica, gerando dificuldade de novos parasitadas de mesma espécie infectarem este hospedeiro. Esta imunidade parcial é a responsável pela resistência e manutenção de uma parasitose na população residente em área endêmica, que sofre baixo nível de agressão pelo parasita, quando comparado a população humana que vive fora desta área e se infecta pelo mesmo.M. MECANISMOS DE ESCAPE PARASITÁRIOS Os parasitas, utilizam o organismo de seus hospedeiros como meio ambiente vital, este reage porvários mecanismo já descritos, a essa invasão. Para tentarem reduzir a sua taxa de mortalidade, os parasitas seutilizam de um ou vários dos mecanismos de escape à resistência do hospedeiro, dos quais foram selecionadosabaixo os mais importantes:M.1 Localização estratégica: Se dá quando determinado agente se localiza em local de difícil acesso quanto asrespostas defensivas do hospedeiro. Em nível intracelular (formas amastigotas de T. Cruzi e do gênero Leishmania)e em luz intestinal (adultos de Ascaris lumbricoides).M.2 Espessura de tegumento externo: Os helmintos adultos se utilizam de um tegumento espesso para dificultar aação de Ac e complemento e células de defesa. P.e. Schistosoma mansoni e Wuchereria bancrofti.M.3 Rápida troca de membrana externa: A produção rápida e consequente perda da membrana externa anterior,facilita a eliminação de Ac, fatores de complemento e mesmo células de defesa. P.e. S. mansoni .M.4 Máscara imunológica: Consiste na preexistência, adsorção ou mais raramente na produção pelo parasita de Agdo hospedeiro, reduzindo inicialmente a resposta aos mesmos. P.e. S. mansoni (adsorção) e T. Cruzi (preexistência).M.5 Variação antigênica: Seria a alternância de produção de Ag parasitários, o que reduziria a capacidade deresposta protetora do hospedeiro. P.e. T. brucei.M.6 Determinação de imunodeficiência ao hospedeiro por parte do parasita: Consiste em produção desubstâncias ou degradação direta parcial significativa do sistema de resistência do hospedeiro. P.e. L. chagasi e L.donovani (ativação policlonal linfocitária).N. PERÍODOS CLÍNICOS E PARASITOLÓGICOSN.1. Períodos Clínicos
  13. 13. 13a. Período de incubação: Consiste no período desde a penetração do parasita no organismo até o aparecimento dosprimeiros sintomas, podendo ser mais longo que o período pré-patente, igual ou mais curto.b. Período de sintomas: É definido pelo surgimento de sinais e/ou sintomas.Período de convalescência: Inicia-se logo após ser atingida a maior sintomatologia, findando com a cura dohospedeiro.c. Período latente: É caracterizado pelo desaparecimento dos sintomas, sendo assintomática e finda com o aumentodo número de parasitas (período de recaída).N.2 Períodos Parasitológicos:a. Período pré-patente: É o compreendido desde a penetração do parasita no hospedeiro até a liberação de ovos,cistos ou formas que possam ser detectadas por métodos laboratoriais específicos.b. Período patente: Período em que os parasitas podem ser detectados, ou seja, podem-se observar estruturasparasitárias com certa facilidade.c. Período sub-patente: Ocorre em algumas protozooses, após o período patente e caracteriza-se pelo não encontro de parasitas pelos métodos usuais de diagnóstico, sendo geralmente sucedido por um período de aumento do número de parasitas (período patente).Obs. Apesar de poderem se relacionar, os períodos clínicos e parasitologicos não apresentam necessariamentecorrelação direta entre si.O. CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA Os sinais e/ou sintomas apresentados pelos hospedeiros humanos infectados, normalmente nãofornecem, como ocorre na maioria das afecções de outra natureza, condições para um diagnóstico definitivo. Peloexposto acima, a confirmação da hipótese diagnóstica deve ser feita através de testes laboratoriais ou maisraramente por outras formas de exames complementares. Será citado a seguir, de forma geral , os principaismétodos de confirmação diagnóstica utilizados em Parasitologia Médica.O.1 Detecção de formas parasitáriasa. Pesquisa visual :a.1 Macroscópica: O parasitismo por artrópodes como exemplificado por piolhos e pulgas e o encontro em matériafecal de fragmentos de helmintos (P.e. proglotes de Taenia sp, A. lumbricoides ), ou mesmo íntegros (P.e. A.lumbricoides), possibilitam o diagnóstico definitivo da Parasitose em questão.a.2- Microscópica: Neste caso, o encontro de estruturas parasitárias de helmintos (ovos e/ou larvas) , protozoários(cistos, trofozoítas e outras formas) e mais raramente provenientes de artrópodes, determinam a condição deconfirmação da hipótese clínica. Essas estruturas podem ser encontradas em vários materiais clínicos:- Sangue: Exame direto entre lâmina e lamínula: P.e. Trypanosoma cruzi e esfregaço (distensão delgada) P.e.Gênero Plasmodium; Métodos de concentração : gota espessa (P.e. Gênero Plasmodium), Strout (T. cruzi) ;Knott (P.e. Wuchereria bancrofti e Mansonela oozardi); Filtração em sistema MilliporeM.R. P.e. Wuchereriabancrofti e Mansonela oozardi.- Fezes: Exame direto entre lâmina e lamímula: Encontro de ovos (P.e. Ancilostomídeos) e larvas ( Strongyloidesstercoralis) pertencentes a helmintos e cistos e formas trofozoíticas de protozoários (Giardia lamblia). Métodos deconcentração (P.e. Faust e col.; Lutz; Ritchie): pesquisa de ovos e larvas de helmintos e cistos de protozoários e detamisação em: malha média (proglotes de Taenia sp) e malha fina (adultos de Enterobius vermicularis).- Raspado cutâneo: Exame direto entre lâmina e lamínula associado ao uso de clarificadores: Estágios evolutivos deácaros causadores da sarna humana (Sarcoptes scabei) e fungos determinantes de lesões superficiais são asprincipais indicações diagnósticas por esta técnica.- Biópsia: Tegumentares (P.e. Gên. Leishmania ), Medula óssea (P.e. Gênero Plasmodium) e retais (válvulas deHouston) no caso de infecção pelo Schistosoma mansoni. Podem ser feitas mais raramente biópsias de vários tecidostais como: hepático, esplênico, ganglionar entre outros.
  14. 14. 14- Recuperação de helmintos adultos ou ovos na superfície cutânea: A Técnica da fita adesiva (papel celofane oumétodo de Grahan) detecta principalmente adultos e ovos de Enterobius vermicularis e mais raramente ovos deTaenia sp.- Inoculação de material suspeito de conter o parasita (sangue ou macerado tecidual) em animais de laboratório(hamster, gerbilídeos e camundongos) como exemplificado para Leishmania e mais raramente Toxoplasma gondii ,ou xenodiagnóstico (T. Cruzi). Essa forma diagnóstica raramente é empregada na rotina diagnóstica, exceto eminstituições de ensino e pesquisa. Outra forma é tentativa de cultivo do parasita a partir de materiais biológicos (P.e.sangue, biópsias e liquor), porém este método não é utilizado com frequência na rotina diagnóstica, emprotozoologia e helmintologia, como em ocorre em bacteriologia e micologia. O uso de culturas em meios próprios,principalmente em instituições acadêmicas, pode determinar o diagnóstico de algumas infecções por protozoários(P.e. T. vaginalis, T. cruzi).O.2 Pesquisa de Antígenos parasitários Atualmente através de técnicas como a imunofluorescência direta e enzimaimuno ensaio (ELISA),poderemos detectar Ag de vários parasitas, como a Entamoeba histolytica entre outros, não só em nível fecal comoem vários tecidos e líquidos corpóreos (P.e. liquor).O.3 Pesquisa de Anticorpos anti-parasitários A positividade por estes métodos, principalmente representados pelas reações de hemaglutinação,imunofluorescencia indireta, enzimaimuno ensaio (ELISA), e em menor escala a Reação de Fixação deComplemento, Contra-Imunoeletroforese e as provas de Imunodifusão, detectam possível resposta imune aosantígenos testados, porém não diagnosticam obrigatoriamente uma infecção presente, podendo ser inclusiveresultado de reação cruzada com antígenos encontrados em diferentes agentes infecciosos ou estruturas químicaspertencentes a outros elementos que entraram previamente em contato com o sistema imune do hospedeiro. Paradebelar estes resultados considerados como falso-positivos, o título de Ac e a classe(s) de Imunoglobulinadetectada(s) (IgG e/ou IgM) detectados nos métodos citados acima são de grande ajuda, bem como a sorologiapareada (comparação com no mínimo de duas semanas de intervalo, utilizando-se a mesma técnica, dos títulosencontrados). Estes testes são usados principalmente nas infecções por T. gondii, T. cruzi e gênero Leishmania entreoutras.O.4 Pesquisa de fragmentos específicos de ADN parasitário Atualmente existem provas de biologia molecular utilizadas em Parasitologia Médica, onde por suaautomação, alta sensibilidade e reprodutibilidade, se destaca a Reação em Cadeia da Polimerase (PolymeraseChain Reaction - PCR), que é utilizada principalmente onde outras técnicas apresentam dificuldade diagnóstica paradetecção da real presença do parasita. Esta técnica é atualmente, uma opção diagnóstica para várias infecçõesparasitárias, como nas determinadas por T. cruzi, Gênero Leishmania e Cryptosporidium parvum.O.5 Intradermorreação (IDR) para pesquisa de reatividade mediada por linfócitos T A base desta reação é a medição da área afetada pela inflamação mediada por LT, observada após 48a 72 h pós-introdução do Ag específico do parasita alvo, em nível intradérmico. Esta reação não revelanecessáriamente parasitismo presente, mas sim resposta ao Ag problema, podendo a mesma ser fruto de infecçõespassadas pelo agente ou mesmo por reações cruzadas com o Ag introduzido. Por essas razões a IDR é consideradaum teste prognóstico. Utilizamos a IDR com maior frequência, em leishmaniose tegumentar e em algumas micoses.O.6 Imagens A análise dos resultados obtidos por métodos que determinam imagens (diagnóstico porimagem), representados por exames de radiologia convencional, tomografia computatorizada, ressonânciamagnética, cintilografia e ultra-sonografia, podem em algumas infecções por helmintos, tais como larvas dosgêneros Taenia (cisticerco) e Echinococcus (cisto hidático) e em determinados casos de parasitismo por adultos A.lumbricoides podem determinar o diagnóstico etiológico específico. É possível também, com a análise das imagensobtidas nos exames, ajudar na avaliação das condições do indivíduo parasitado (estagio da doença) ou mesmo sugerirdiagnósticos em função das alterações encontradas.
  15. 15. 15P. EPIDEMIOLOGIA GERAL DAS INFECÇÕES PARASITÁRIAS A epidemiologia destas doenças é definida como o conjunto de fatores de importância no estudo dosdeterminantes e a frequência de uma doença parasitária, a nível local, regional e mundial.São fatores de importância neste campo: Distribuição geográfica, mecanismo(s) de transmissão, presença ou não de reservatórios, estudodo ciclo vital do parasita na região (doméstico e/ou peri-domiciliar e/ou silvestre), migrações das populaçõesatingidas (internas e externas), se há caráter endêmico, se existem casos de epidemia, sua incidência e prevalência,se a infectividade ou virulência são influenciadas por faixa etária, sexo ou grupo étnico, hábitos culturais daspopulações alvo, profissões/atividades de maior risco para que ocorra transmissão, existência de diferençassignificativas entre as cepas parasitárias. A transmissão e dispersão de cada agente etiológico da parasitose depende de uma série defatores, denominados em seu conjunto como ecossistema parasitário. Os componentes do mesmo variam com oparasita em questão, não apresentando sempre todos os componentes a seguir descritos. De forma genérica constamprincipalmente do(s) mecanismo(s) de transmissão(infecção), em caso de mais de um mecanismo a importânciaepidemiológica, se existem diferenças sazonais ou regionais; A(s) forma(s) parasitária(s) infectante(s) respectiva(s);As condições do meio ambiente: a descrição do ambiente infectivo (a temperatura, índice pluviométrico, tipo desolo, ambiente hídrico); Veículos de transmissão: água, alimentos, fômites, vetor (es) mecânico(s); Caso ocorrapresença de transmissor(es) biológicos: como este se infecta, seus hábitos (nutricionais, refugio, dispersão),longevidade, grau de susceptibilidade a esta infecção, condições de sobrevivência, população, espécies maisimportantes; Possível presença de reservatório(s) não humano(s) e hospedeiros paratênicos; hábitos daspopulações humanas de relevância na transmissão. As infecções parasitárias se comportam como qualquer ecossistema dinâmico, onde na decorrênciade mudanças de seus componentes, pode ocorrer uma redução ou aumento do número da população parasitária.O sedentarismo humano, a exploração dos recursos ambientais e seus desdobramentos geram modificações nomeio ambiente e suas consequências podem alterar esse ecossitema hospedeiro-parasita. A construção de grandesestradas, a implantação de cidades ou loteamentos em matas, alterações de percurso de rios, açudes e a caça ou aredução por outras formas de reservatórios silvestres podem fomentar de forma direta ou indireta o parasitismohumano e sua epidemiologia. Por essas razões, seria de suma importância o estudo prévio do impacto ambiental decada das alterações pretendidas, mas infelizmente a maioria dos países que se encontram nessas condições demodificações ambientais instala tal estudo de forma desordenada e com a principal preocupação situada no ladoeconômico imediato, como ocorre no Brasil. As infecções determinadas pela ingestão de água contaminadas comformas parasitárias é facilitada por fatores relacionadas a falta de educação/condicões sanitárias satisfatórias comoexemplificado pelo nosso país onde, 90% do esgoto produzido não é tratado. Aproximadamente 51% da populaçãourbana brasileira (cerca de 39 milhões de pessoas) não é atendida por rede de esgotos e 15 milhões de pessoas nãotem em suas residências água fornecida por rede pública.P.1 ALGUMAS DEFINIÇÕES EM EPIDEMIOLOGIA* Antroponose: Infecção transmitida exclusivamente entre os homens.* Endemia: É quando determinada infecção tem sua transmissão mantida em determinada área de forma regularem relação ao número de casos esperado.* Epidemia: É a ocorrência em determinado local, região ou país de número de casos autóctones superior aoesperado para aquela época do ano.* Fômite: É qualquer objeto, vestimenta ou afim que possa por estar contaminado e consequentemente veiculardeterminada forma parasitaria que possibilite transmissão do mesmo. P.e. Roupas íntimas, material para examesclínicos e seringas.* Incidência: É a frequencia (número de casos novos) que uma doença ocorre num determinado período de tempo.
  16. 16. 16* Portador são: Qualquer animal vertebrado, incluindo o homem que se apresenta infectado, porém, sem qualquermanifestação clínica presente.*Prevalência: É o número total de casos de determinada doença (novos e antigos) que ocorreram em período detempo definido.* Zoonose: Infecção transmitida em condições naturais entre outros animais vertebrados e o homem, de formaconcomitante ou cíclica em determinada área geográfica, por intermédio de artrópodes ou não. Alguns autoresdividem as Zoonoses em : Antropozoonose: Infecção primária de outros animais vertebrados, que pode ser transmitidapara o homem. Zooantroponose: Infecção primária do homem, que pode ser transmitida para outros animais vertebrados.Q. PROFILAXIA GERAL DAS DOENÇAS PARASITÁRIAS Após estudo cuidadoso da epidemiologia de uma doença parasitária em nível local, determina emfunção destes conhecimentos, medidas visando a prevenção, controle ou mais raramente a erradicação da mesma, nadependência dos recursos disponíveis e das peculiaridades epidemiológicas, sendo em seu conjunto conhecidascomo profilaxia. Pelo exposto, deve-se analisar a viabilidade de medidas que podem ter caráter mais genérico, comoexemplificado pela melhoria das condições sanitárias gerais e que reduziriam como um todo a transmissão dasParasitoses determinadas pela contaminação fecal do meio ambiente, ou ter um caráter mais individual como no casodo uso de calçados que possibilitaria a proteção em grande parte da transmissão de Parasitoses em que a formainfectante se constituem em larvas de nematóides, representadas por ancilostomídeos e o Strongyloides stercoralis.Fica evidente que em países como o Brasil, onde em cada localidade essas medidas profiláticas podem apresentarpeculiaridades, porém a estratégia geral mais relevante será sempre a busca de uma real integração dacomunidade local com a equipe de saúde e consequente esforço integrado no sentido de propiciar uma educaçãosanitária digna para as doenças infecciosas como um todo.R. NOÇÕES BÁSICAS DE NOMENCLATURA EM PARASITOLOGIA Os seres vivos são classificados como integrantes dos reinos Monera, Plantae, Fungi, Protista eAnimalia, Em algumas instituições de ensino, o campo da Parasitologia compreende os integrantes dos Protista(protozoários) e Animalia (nematelmintos, platelmintos e artrópodes), enquanto em outras é acrescido a estes o reinoFungi (fungos). Para uma sistematização, levando-se em conta as similaridades dos diferentes seres vivos, foramcriadas várias categorias e, em alguns casos, super ou subcategorias taxônomicas. Para o reconhecimento dasmesmas normalmente são empregados sufixos determinantes, como será exemplificado no quadro abaixo. A nomenclatura de espécie é obrigatoriamente binominal, sendo o primeiro deles a designação degênero. Sua grafia deve obedecer a colocação de ambos em destaque representado por letras em itálico ousublinhado, sendo as palavras correspondentes de origem latina ou latinizadas e tendo a primeira letra referente aogênero em maiúsculo. Opcionalmente se, já citada no texto, as demais vezes em que uma espécie for escrita, poderáser colocada de forma que a primeira letra do gênero seja seguida de ponto. P.e. Giardia lamblia (1a. Citação)e G. lamblia (2a. citação). Para que determinada espécie seja aceita como nomina válida, é necessário que a mesmapreencha determinados quisítos. Em seres que apresentam multiplicação sexuada, estes devem se entrecruzar,originando descendente fértil. Nos seres em que a reprodução se faz de forma exclusivamente assexuada, aobservação de semelhanças morfológicas e/ou comportamento biológico eram no passado os critérios viáveis.Como tais elementos muitas vezes são subjetivos e de difícil operacionalização, atualmente, existe uma tendência a seacrescentar critérios bioquímicos, em nível celular, representados principalmente pela análise isoenzimatica e dasequencia de DNA. Quando existem somente pequenas diferenças entre os seres em análise, poderemos criar acategoria de subespecie, onde é acrescentado um terceiro vocábulo. P.e. Trypanosoma brucei (espécie) e T. bruceigambiensi (subespécie).
  17. 17. 17 R.1 EXEMPLOS DE CLASSIFICAÇÃO TAXÔNOMICA VIGENTE Categoria Sufixo Exemplo nos Exemplo nos Protozoários Nematelmintos REINO --------- Protista Animalia SUB-REINO a Protozoa Metazoa FILO a ou es Sarcomastigophora Nemathelmintes SUBFILO a Sarcodina --------- SUPERCLASSE a Rhizopoda --------- CLASSE a ou ea Lobosea Nematoda SUB-CLASSE ia Gymnaboebia --------- SUPERORDEM idea --------- --------- ORDEM ida Amoebina Oxyurida SUBORDEM ina Tubulina --------- SUPERFAMILIA oidea --------- Oxyuroidea FAMILIA idae Endamoebidae Oxyuridae SUBFAMILIA inae --------- --------- GÊNERO --------- Entamoeba Enterobius ESPÉCIE --------- E. histolytica E. vermicularis S. PRINCIPAIS GRUPOS DE IMPORTÂNCIA EM PARASITOLOGIA MÉDICA Didaticamente as espécies parasitas do homem se encontram no: 1. Reino Protista: Protozoários; 2. Reino Animalia: Nematelminthes (classe Nematoda), e Platyhelminthes (classes Digenea e Cestoidea) e Artropoda; 3. Reino Fungi: Fungos*.* Em algumas instituições os fungos se enquadram na microbiologia, em outras são individualizados em disciplina própria. ______________________________________________________________________________________________ PÓS-TESTE: INTRODUÇÃO À PARASITOLOGIA 01. Como você definiria parasitismo ? 02. Que diferenças existem entre dissertar e citar ? 03. O que é e que vantagens o parasita obtém com o processo de adaptação parasitária ? 04. Que diferença básica existe entre um parasita e um ser de vida livre ? 05. O que é cadeia alimentar e como os parasitas se inserem na mesma ? 06. O que é adaptação parasitária e que vantagens a mesma pode trazer para o parasita ? 07. Quais são as principais teorias que explicam a origem do parasitismo ? 08. Cite os 2 conceitos existentes respectivamente para as definições a. e b. em parasitologia, indicando o parâmetro que determinou cada uma delas: a. Infecção b. Infestação 09. E o que entende por contaminação ? a. Biológica b. Por agentes físicos/químicos 10. O que é : a. Ciclo ontogênico b. Ontogenia c. Forma ontogênica de evolução d. Ecossistema infectivo 11. Defina epidemiologia , citando os parâmetros gerais mais utilizados para o seu estudo. 12. Conceitue : a. Zoonose b. Antropozoonose c. Antroponose 13. O que entende por : A. Reservatório (Existe mais de uma definição) B. Fonte de infecção C. Vetor 14. Que relação normalmente ocorre entre nível sócio econômico e parasitismo ? Ela existe em todos os ecossistemas parasitários ? Justifique sua resposta. 15. O que é e que parâmetros são utilizados para o estudo dos principais mecanismos de transmissão (Infecção) das parasitoses. Cite-os. 16. O que é : A. Endemia B. Epidemia 17. Como a epidemiologia pode auxiliar um raciocínio clínico ? 18. O que você entende por profilaxia ? 19. Para que se realize um eficiente controle de determinada parasitose em um local, como se deve proceder no início deste trabalho ? 20. Descreva e exemplifique para cada um dos principais mecanismos de escape parasitários. 21. Porque o termo confirmação diagnóstica é mais abrangente que diagnóstico laboratorial ? Exemplifique.
  18. 18. 18 22. O que entende por pesquisa bibliográfica e qual a relevância da mesma ? O que significa sistemas de indexação (P.e. MEDLINE) e obtenção a distancia de periódicos (P.e. COMUT) ? 23. Qual é a diferença entre classificação e taxonomia dos seres vivos ? 24. Como se escreve de forma correta o nome científico de um parasita ? Exemplifique. 25. Quais são os reinos e que grupos seriam de importância em parasitologia estrito senso ? 26. Existem exceções nos sufixos empregados na nômina científica ? Justifique. 27. Sempre que existe uma infecção ela determina manifestações clínicas no hospedeiro? Justifique sua resposta. 28. O que entende por patogenia? E por virulência ? E manifestações clínicas ? 29. Quais são os mecanismos gerais de agressão mais comuns nas Parasitoses ? 30. Cite os períodos clínicos e parasitológicos, definindo cada um deles. Existe sempre correlação entre períodos clínicos e parasitológicos respectivamente ? Justifique sua resposta. 31. Cite as principais diferenças entre resistência inespecífica e específica, exemplificando. 32. Quais são os 3 principais fatores de relevância para que uma infecção seja sintomática ou não. 33. Cite as células componentes do Sistema Fagocitário Mononuclear (S.F. M.), sua localização e célula precursora a nível circulatório e medular. 34. Que macrófagos residentes são responsáveis pela fagocitose de patógenos invasores nas seguintes vias: a. Inalatória b. Circulatória c. Tecido conjuntivo e pele 35. Qual o significado do termo imunidade concomitante ? 36. O que é desvio para a esquerda no leucograma específico ? O que significa à nível funcional ? 37. Defina inflamação, citando o sufixo que é utilizado para designar esta situação orgânica. 38. Cite as principais células apresentadoras de Ag, determinando suas localizações específicas. 39. Que classes de Ig ativam significativamente o sistema complemento? Elas tem a mesma capacidade ? Por quê ? 40. Dê exemplos de ativadores da via alternada do complemento. Que vantagem reacional existe pela possibilidade de ativação inicial por esta via ? 41. Assinale com um X a (s) células que preenche (m) as características da coluna da esquerda respectivamente. MACRÓFAGO MONÓCITO LINFÓCITO NEUTRÓFILO EOSINÓFILO BASÓFILOMononuclearPolimorfonuclearCel. Precursora emM.O.GranulócitoFagócitoProfissionalCel. Principal daresposta imuneCels. Principais na1ª linha de defesa naresposta à infecçãoSemelhante àmastócitoMuito encontradoem parasitoses ehipersensibilidadetipo IIntegrantes doSistema FagocitárioMononuclear (SFM)
  19. 19. 19II. PROTOZOOLOGIAII.1 INTRODUÇÃO À PROTOZOOLOGIA No sub-reino Protozoa, existem atualmente mais de 30.000 espécies, das quais aproximadamente10.000 são parasitas, de hospedeiros animais em sua quase totalidade. Destas, pouco mais de 30 espécies sãoparasitas do homem. Os protozoários são eucariontes, unicelurares, podendo apresentar as organelas que células demetazoários possuem e outras particulares a este grupo. Como as estruturas sub-celulares têm que executar todas ascomplexas atividade destas espécies, podem existir grandes diferenças biológicas principalmente no que se refere anutrição, reprodução, locomoção, fase evolutiva e habitat, entre os diversas espécies de protozoários.II.1.1 PRINCIPAIS FUNÇÕES DOS COMPONENTES DE PROTOZOÁRIOSa. TRANSPORTE, SÍNTESE E ARMAZENAMENTO:Membrana Plasmática - Como em qualquer célula eucariótica, tem como principais funções, a limitação docitoplasma, intermediar o transporte de macromoléculas e a formação de outras estruturas tais como o reticuloendoplasmático.* Aparelho de Golgi - Se apresenta como um complexo vesicular, que determina a síntese de carboidratos earmazenamento de proteínas.* Retículo endoplasmático - a. Liso (REL) - É responsável pela síntese de esteróides ; b. Rugoso (RER) - Sintetiza proteínas* Mitocôndria - Nas células que apresentam metabolismo aeróbio, é a determinante da produção de energia paramanutenção da fisiologia celular.* Cinetoplasto - Existente somente na ordem Kinetoplastida, esta organela, apesar de apresentar estruturamitocondrial, tem como principal função a síntese de proteínas especializadas e pelo seu alto teor de DNA,transmitir informações genéticas.b. REPRODUÇÃO E CONTROLE DE SÍNTESE:Núcleo - Como um representante dos eucariontes, se apresenta com membrana nuclear definida, cariossoma(condensação de DA), comandando as ações de síntese e reprodução celular.c. LISE INTRA-CELULAR:Lisossomos - São vesículas que contém enzimas hidrolíticas em estado inativo, tendo com principal função adigestão de macromoléculas.d. LOCOMOÇÃO:Blefaroplasto (corpúsculo basal) - Se constitue na base dos cílios e flagelos.Axonema - Representa o eixo por onde passam, em alguns casos, os flagelos em trajeto intra-celular.Cílios - São estruturas de locomoção, que se encontram em grande número em alguns protozoários, sendonormalnente menores que os flagelos.Flagelos - Normalmente são encontrados em número variável, geralmente de 1 a 8, tendo comprimento maior queos cílios.e. INGESTÃO ESPECIALIZADA E EXCREÇÃO:Citóstoma - Se constitui no orifício de entrada de partículas, encontrado nos ciliados.Citopígio (citoprócto) - É o orifício de excreção dos ciliados.
  20. 20. 20f. PENETRAÇÃO ESPECIALIZADA NA CÉLULA DO HOSPEDEIRO:Complexo apical - Encontrado entre os apicomplexas, é conhecido como complexo de invasão celular, tendo comoestruturas principais o conóide, roptrias e as micronemas. Esta estrutura apical, apresenta um aro que tem umadepressão, existindo abaixo uma estrutura em forma de tronco em cone oco, formado por sistema de três anéispolares ligados por microtúbulos que se cruzam obliquamente. As Roptrias e micronemas, se apresentam comoestruturas que possibilitam a interiorizaçào do parasita na célula do hospedeiro.II.1.2 FORMAS EVOLUTIVAS GERAIS De acordo com as fases do ciclo e da espécie dos protozoário em questão, é possível oencontro de uma ou mais das formas gerais citadas a seguir:a. TROFOZOÍTA (VEGETATIVA): É a forma que apresenta maior atividade metabólica, se locomovendo,nutrindo e reproduzindo, na dependência da espécie em questão pode ter nomenclatura própria (P.e. formatripomastigota em T. cruzi).b. CISTO: A forma vegetativa pode produzir uma membrana especial denominada de membrana cística, quepossibilita a proteção em seu interior de formas parasitárias ou mesmo de suas organelas. Os cistos podem selocalizar em tecidos ou serem formados e exportados do tecido para o interior de cavidades mucosas, onde sedestaca a intestinal. Na maioria dos casos ocorre reprodução parasitária ou de suas organelas no interior dos cistos.c. GAMETAS: Em algumas espécies de protozoários, ocorre reprodução sexuada através de fusão de gametamasculino (microgameta) com feminino (macrogameta), dando origem a um zigoto (ovo).II.1.3 SISTEMÁTICA DOS PROTOZOÁRIOS O sub-reino Protozoa apresenta sete filos, sendo três de importância médica. Um dos parâmetrosutilizados nesta classificação foi a forma de locomoção encontrada no protozoário. Abaixo serão citados de formaresumida as espécies de relevância principalmente em nosso país.a. FILO Sarcomastigophora: Presença de flagelos e/ou pseudópodes.a.1 Subfilo Mastigophora: Flagelos como principal estrutura de locomoção.a.1.1 Principais Membros de Importância Médica: Gêneros Trypanosoma e Leishmania, Giardia lamblia eTrichomonas vaginalis.a.2 Subfilo Sarcodina: Pseudópodes como principal estrutura de locomoção.a.1.2 Membros de importância Médica: Entamoeba histolytica, Amebídeos de vida livre (Gêneros:Acanthamoeba, Naegleria)b. FILO Apicomplexa: Movimento por deslizamento determinado por contração de microtúbulos subpeliculares epresença de complexo apical de penetração.b.1 Membros de Importância Médica: Gêneros: Plasmodium, Sarcocystis, Isospora, Cryptosporidium eToxoplasma gondii.c. FILO Ciliophora: Membros de importância Médica:c.1 Membro de Importância Médica: Balantidium coli.______________________________________________________________________________________________PÓS-TESTE: INTRODUÇÃO À PROTOZOOLOGIA1. Cite as três formas evolutivas encontradas entre os protozoários, descrevendo suas funções respectivas.2. Quais são os principais componentes das células de protozoários ? Qual das mesmas são exclusivamenteencontradas entre os protozoários ?2. Em que fundamento principal se baseia a divisão dos filos de protozoários ?3. Cite dois exemplos de protozoários de importância médica para cada filo.4. Defina: a. Trofozoíta b. Cisto5. A maioria dos protozoários são parasitas ? Justifique.
  21. 21. 21II. 2 FILO SarcomastigophoraII.2.1 SUBFILO MastigophoraII.2.1 a. FLAGELADOS CAVITÁRIOS PARASITAS DO HOMEM São encontradas grande número de espécies de flagelados parasitas de cavidades revestidas pormucosa no homem e para uma melhor visão deste assunto, tal grupo será dividido tomando-se por base dois tipos desistemas orgânicos:a. Flagelados Parasitas de Sistema Digestivo: Onde são encontrados em cavidade oral a Trichomonas tenax; emintestino grosso, principalmente ceco e cólon a Pentatrichomonas hominis (Trichomonas hominis), Chilomastixmesnili, Retortamonas intestinalis , Cercomonas hominis e Dientamoeba fragilis . Porém, os citados flagelados sãode ocorrência rara e o mais importante dos mesmos é a Giardia lamblia (G. intestinalis ou G. duodenalis), parasita deintestino delgado, esta sim extremamente frequente, principalmente na faixa etária infantil.b. Flagelados de Sistema Genito-urinário: Como única espécie de importância médica temos a Trichomonasvaginalis.II.2.1.a.1 Giardia lambliaA. ENTIDADE MÓRBIDA: Giardíase, giardíose ou lamblíase.B. MORFOLOGIA: B.1 Trofozóita : 10 a 20 µm de comprimento por 5 a 15 µm de largura, aspecto piriforme,simetria bilateral, corpo com achatamento dorso-ventral, na face ventral existe depressão ovóide conhecida comodisco suctorial (disco ventral ou adesivo). No seu interior encontramos 4 pares de flagelos originários deblefaroplasto específico e que se exteriorizam após percorrerem o citoplasma, 2 axonemas, corpos parabasais(corpúsculos de Golgi) e 2 núcleos em cada qual existe cariossoma central. B.2 Cisto: Elipsóides ou ovóides, 10 a12 µm de comprimento por 5 a 8 µm de largura, membrana refringente limitando estruturas intra-citoplasmáticassemelhantes às encontradas no trofozoítas, exceto no número de núcleos que varia de 2 a 4 na dependência doestágio de desenvolvimento cístico.C. CICLO VITAL O mecanismo de infecção é passivo oral, por ingestão de cistos, veiculados principalmente porágua, alimentos ou mesmo por contato oral com as mãos contaminadas pelos mesmos. O contato peri-anal oralpode em menor número de vezes, determinar esta infecção. Os cistos de G. lamblia passam pelo estômago, sofrendoa primeira descarga química que propicia associadamente ao conteúdo de intestino delgado, o processo dedesencistamento. De cada cisto tetranucleado, são gerados dois trofozoítas, que iniciam o processo de adaptação aoseu habitat, o intestino delgado, principalmente duodeno e partes altas baixas de jejuno, no qual permanecefirmemente aderido à mucosa por seu disco suctorial. O seu processo de multiplicação é por divisão binárialongitudinal, gerando dois trofozoitas. Em situações de alto parasitismo, podem-se encontrar trofozoítas emconduto biliar e vesícula biliar. Sua nutrição se faz por pinocitose em sua membrana plasmática. Através deprocesso ainda não totalmente esclarecido, alguns trofozoitas, produzem uma membrana refringente, perdem o seudisco suctorial e flagelos externos, tornando-se esféricos ou elipsóides, o que caracteriza a forma cística.Posteriormente, os seus dois núcleos se dividem dando origem a um cisto tetranucleado, que junto aos resíduos denutrientes são conduzidos pelo peristaltismo até o meio ambiente externo. Por sua grande resistência relativaquímica, são conhecidos por formas de resistência de meio exterior que em locais úmidos podem permanecerviáveis por vários meses, sendo em água, por dois meses ou mais. Neste ambiente e pelas condições já descritasestes cistos podem infectar outro hospedeiro susceptível.D. PATOGENIA E MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Ainda hoje, não existe total conhecimento dos mecanismos de agressão na giardíase e do grau deimportância de cada um dos já descritos, abaixo serão discutidas algumas das hipóteses para explicação da mesma.Em vários casos desta infecção, os hospedeiros se apresentam em equilíbrio, não apresentando em nenhummomento parasitismo sintomático, o que foi confirmado por infecções humanas experimentais.
  22. 22. 22 O acoplamento dos trofozoítas à mucosa intestinal, segundo alguns autores, poderia impedira absorção de nutrientes pelo hospedeiro, porém, somente em raríssimas condições de extremo parasitismo e em faixaetária infantil, o atapetamento da mucosa poderia ser relevante do ponto de vista clínico. O mesmo pode se dizer dacompetição por nutrientes entre a mucosa intestinal e o parasita. A irritação determinada pela fixação dos trofozoítas determina resposta inflamatória local, cominfiltração de macrófagos, LT e LB que após transformação em plasmócitos passam a secretar imunoglobulinasentre as quais IgE que determinando por ligação em mastócitos a degranulação dos mesmos e consequente liberaçãode histamina que associada a outros elementos locais acarreta edema. Outros efeitos determinados por mastócitosincluem liberação de prostaglandinas (também eliminadas por macrófagos locais)e contração da musculatura lisalocal, que associadamente aumentam a motilidade intestinal e atrofia de vilosidades. Esse conjunto de fatorespassa secundariamente a provocar uma acelerada renovação das células de mucosas que por sua imaturidade, sãodeficientes em produção enzimática, principalmente as dissacaridases maltose e lactose o que explicaria a intolerânciaa determinados alimentos, principalmente de origem láctea ou com grande teor de carboidratos. Em alguns casos, aprodução de IgE ultrapassa os limites normais podendo com isso determinar hipersensibilidade tipo I, que pode serlocal, ou se Ag de G. lamblia são absorvidos, se exteriorizar a distancia com seria o caso lesões cutâneas tipourticárias. Esse conjunto de fatores, associados à retenção de gordura intra-luminal, determina uma menorabsorção de nutrientes pelo intestino, o que se exterioriza por diarréia de delgado, com intensidade variada( pastosa ou líquida), em alguns casos esbranquiçadas, fétidas, espumosas e saponificadas ( reação da gordura comcálcio). Essas lesões quando mais acentuadas podem determinar dor abdominal, que simula úlcera duodenal. Outrossinais e/ou sintomas encontrados são: flatulência, distensão abdominal, náuseas, vômitos, distúrbios do apetite,cefaléia e mais raramente febre. Quando esse quadro se cronifica, poderemos ter uma síndrome de má absorção,com redução significatíva de assimilação intestinal de lipídeos, vitaminas A e B12, proteínas, deficiências dedissacaridases e outros nutrientes. Na giardíase crônica, poderemos encontrar ampla gama de manifestações clínicasentre as já descritas, com intervalos assintomáticos. Muito raramente pode ocorrer invasão da vesícula biliar oupâncreas e consequente reações inflamatórias e manifestações clínicas correspondentes. Em pacientes que apresentam grupo sanguíneo A, ocorre maior prevalência de giardíase, porém,ficou constatado que a possível explicação para tal fato se deve ao maior encontro entre os mesmos de hipocloridria,que alteraria as condições fisiológicas dos segmentos de intestino delgado, facilitando a instalação e manutençãoda infecção por este protozoário. Em pacientes que apresentam quadros de intensa subnutrição ou com deficiênciasde produção de IgA sec , o número de parasitas é maior que em infecções de hospedeiros imunocompetentes e suasmanifestações clínicas são de maior intensidade.E. IMUNIDADE PROTETORA Através de estudos epidemiológicos, clínicos e experimentais (G. muris), existe significativovolume de evidencias apontando para a existencia de imunidade protetora na giardíase. A IgA sec tem sido apontadacomo a principal fonte protetora, porém vários estudos revelam a importância de LT citotóxicos e IgG, comoparticipantes dessa imunidade.F. CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA Nas fezes diarréicas onde predominam as fornas trofozoíticas que tem apresentam grandefragilidade, o exame direto, com posterior coloração pelo lugol ou outros corantes apropriados, facilmente identificaessas formas parasitárias. Nas fezes moldadas, onde encontraremos grande número de cistos, os métodos deconcentração são os mais indicados, por sua sensibilidade, como exemplificado pelos métodos de Faust e col. e deRitchie. Para tentarmos anular possíveis períodos de negatividade, em função da eliminação de pequeno número decistos, é conveniente o uso de soluções conservadoras como o de MIF, para coleta de várias amostras fecais(comumente 3), e posterior entrega do conjunto ao laboratório que processará o material fecal assim conservado, emtécnica(s) conveniente(s) como por exemplo a de Ritchie. Apesar de não fazer parte da rotina diagnóstica, em razão das dificuldades técnicas para suarealização, a pesquisa microscópica do liquido jejunal ou bile obtidos por tubagem, apresenta grande sensibilidadediagnóstica nesta Parasitose.
  23. 23. 23G. EPIDEMIOLOGIA O ecossistema infectivo da G. lamblia é composto pelo hospedeiro humano que elimina os cistosnas fezes, normalmente, moldadas binucleados ainda imaturos, que sofrem processo de divisão nuclear nestes locais,chegando ao estágio tetranucleado no máximo em dois dias, tendo resistência em condições adequadas de temperaturae umidade, por meses nestes locais, a forma de infecção é passiva oral, por ingestão de cistos, tendo como principaisveiculadores a água e alimentos e secundariamente contato oral com mãos, região peri-anal e outras partes cutâneascontaminadas. Apesar de poder existir transmissão mecânica por moscas e baratas coprófagas, a importânciaepidemiológica de tais elementos é baixa. Estas condições de transmissão de ciclo monoxenico direto permitemuma dispersão tipo cosmopolita, porém, com maior prevalência em regiões tropicais e subtropicais onde acima dascondições favoráveis de preservação em meio externo (3 meses ou pouco mais), existem precárias condiçõessanitárias e4 também pela grande resistencia do cisto às condiçòes de meio externo, podendo se manter viáveis porvários meses. No Brasil, a prevalência geral oscila entre 4 a 30% . A imunidade protetora já discutida é confirmadapela maior taxa de infecção incidir em população 8 meses a 12 anos, caindo significativamente na fase adulta. Como principais grupos de risco teremos participantes frequentes de sexo oral-anal, crianças pelonão desenvolvimento de imunidade e possuidores do grupo sanguíneo A (maior multiplicação parasitária pelo maisfrequente estado de hipocloridria) Alguns estudos apontam para a possibilidade de existirem reservatórios não humanos nestainfecção, principalmente ratos e cães, porém esses dados devem ser analisados mais profundamente para que fiqueclara a real importância destes animais na epidemiologia da giardíase. Pelas características de transmissão, comunidades fechadas como creches, escolas, enfermarias eafins, se apresentam mais propensas à transmissão entre seus membros. Como o encontro de cistos de G. lamblia éfrequente no leito sub-ungueal, os manipuladores de alimentos podem determinar transmissão no momento dopreparo de refeições a grande número de pessoas.I. PROFILAXIA Em função da características epidemiológicas acima enumeradas, como em outras Parasitosesintestinais de transmissão passiva oral, as medidas mais eficientes neste campo são a educação sanitária dapopulação, a busca de casos, principalmente em população infantil e de escolares, seguida de tratamento específico.Algumas das medidas sanitárias de importância seriam: Tratamento de água e esgoto, cuidados gerais na feitura derefeições, corte de unhas e lavagem das mão após defecar, entre outras.
  24. 24. 24_______________________________________________________________PÓS-TESTE: FLAGELADOS DE SISTEMA DIGESTIVO01. Cite os flagelados encontrados no sistema digestivo do homem, indicando o seu habitat principal.02. Cite todos os níveis taxonômicos da G. Lamblia. (Preferencial para o curso de Biologia)03. Que forma é responsável nesta Parasitose pela: a. Agressão b. Transmissão04. Cite a morfologia das formas parasitárias.05. Descreva os mecanismos patogênicos e as reações orgânicas ao parasitismo pela G. lamblia.06. Correlacione os métodos de confirmação diagnóstica com a mais provável fase clínica e consistência fecal nagiardíase. a. Fezes diarreicas b. Fezes moldadas07. O que é período de falsa negatividade aperiódica ? O que você pode fazer para transpor tal problema ?08. Após resultado negativo pelo método de Faust para fezes moldadas para este protozoário você poderia afirmarque o mesmo não esta parasitado ? Justifique sua resposta.09. Explique as razões que fazem com que a prevalência da giardíase seja muito maior na faixa etária infantil.
  25. 25. 2510. Disserte sobre a epidemiologia e profilaxia desta Parasitose.II.2.1.a.2. Trichomonas vaginalisA. ENTIDADE MÓRBIDA : Tricomoníase uro-genital ou tricomonose uro-genitalB. MORFOLOGIA : Somente existe a forma trofozoítica, que tem de 8 a 32 µm de comprimento por 5 a 14 µm delargura, aspecto piriforme ou amebóide, 4 flagelos livres, axóstilo, flagelo recorrente que forma membranaondulante.C. CICLO VITALO habitat do T. vaginalis é no sexo feminino a cavidade vaginal, exo e endocervix, útero, trompas de Falópio,uretra, Glândula de Skenee e Glândula de Bartholin. Entre os elementos do sexo masculino, a uretra, próstata,vesícula seminal e epidídimo são os locais que podem albergar o parasita. Em razão de exposto, o principalmecanismo de infecção é o passivo genital. Em gestantes infectadas por este parasita, pode ocorrer infecção deconceptos do sexo feminino em canal de parto. Bem mais raramente, em função de certa resistência da formatrofozoítica em meio úmido (água ou secreções) pode-se conceber transmissão através de fômites (roupas íntimase material de exame ginecológico) ou contato da genitália com meio contaminado, tal como banheiras e piscinas.O metabolismo deste protozoário é anaeróbio razão pela qual o seu desenvolvimento, tanto em cultura como emcondições naturais, faz-se melhor em presença de crescimento bacteriano moderado. A ação favorável dasbactérias constituiria na criação de um ambiente redutor, pois foi demonstrado que a presença de oxigênio emambiente que apresente H2O e O2 , ocorre a formação de H2O2 , que determina a morte do T. vaginalis, em razãodeste protozoário não apresentar nenhum tipo de catalase (enzima que desdobra H2O2 em H2O e O2). Suareprodução se dá por divisão binária longitudinal, o que possibilita um grande aumento da população em seu habitatD. PATOGENIA E MANIFESTAÇÕES CLÍNICASD.1 MECANISMOS DE DEFESA DO TRATO GENITALD.1.1 FEMININO (Vulvo-vagino-cervicais) : Integridade perineal; espessura de mucosa; microbiota residente ondepredominam bacilos de Döderlein que são os principais responsáveis pela manutenção do pH entre 3.8 a 4.5; tampãomucoso; produção de acido undecilênico (glândulas apócrinas); sistema imune local ( principalmente por IgA sec eLT); reação inflamatória local.a Fases vitais/Condições Desfavoráveis para os Bacilos de Döderlein: Infância, menopausa, menopausa cirúrgica,deficiência ovariana, fases: pré-menstrual imediata, menstrual, e pós menstrual imediata, rupturas e prolapsos genitais.b. Graus de Pureza vaginais (Schroeder, Hinrichs & Kessler, 1926 - baseada na classificação de Heurlin, 1914):GRAU I: Somente células epiteliais planas e bacilos de Döderlein.GRAU II: Células epiteliais planas, bacilos de Döderlein., grupos isolados de cocos G+ (eventualmente G-), outrosbacilos e leucócitos.GRAU IIIa: células epiteliais planas, cocos G+ e G--, redução dos bacilos de Döderlein (não são os bacilospredominantes), outros bacilos e leucócitos.Grau IIIb: Flora mista, numerosos leucócitos.D.1.2 MASCULINO: presença de esfíncter em uretra posterior, meio uretral pouco propicio à multiplicação de T.vaginalis, resposta imune (principalmente por IgA sec) e reações inflamatórias locais.D.2 MECANISMOS GERAIS DE AGRESSÃO: As principais lesões determinadas por este protozoário sãoexplicadas principalmente pela irritação da mucosa local, causada pelos metabólitos eliminados do parasita(química/antigênica) e por sua fixação a este epitélio, que em conjunto geram resposta inflamatória aoparasitismo e as lesões celulares diretas e indiretas dele decorrentes. Outro aspecto é a possibilidade de
  26. 26. 26sensibilização do organismo do hospedeiro por Ag de T. vaginalis e consequente hipersensibilidade tipo I(Classificação de Gell e Coombs), em nível local ou a distância.D.2.1 FEMININA: Ocorre alteração do pH na agressão, tanto pela ação parasitária, como em alguns casos poralterações orgânicas pré-existentes, que pode se situar entre 5.0 a 8.5 (Entre 7.0 e 8.5 - vaginite ulcerativa).a. Manifestações Clínicas Principais: Leucorréia, (em 80% dos casos sintomáticos), prurido, “ardência”(principalmente vulvar), dispareunia, metrorragia (principalmente pós- coito) e disúria.D.2.2 MASCULINA: Disúria, secreção prostática esbranquiçada matutina, prurido, e esterilidade permanente porlesões inflamatórias testiculares ou estenose de sistema de condução seminal..E. CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICAE.1. FEMININA : Exame microscópico : da secreção vaginal ou cervical diluídas em sol fisiológica, centrifugado dolavado vaginal, sedimento do centrifugado urinário, cultivo destes materiais em meio de : Pavlov, Trussel Johnson,Johnson & Johnson M.R., Kupferberger entre outros, Imunodetecção por pesquisa de Ag de T. vaginalis por : Elisa eaglutinação em látex.E.2. MASCULINA: Exame microscópico : da secreção uretral ou descarga decorrente de massagem prostáticadiluídas em sol fisiológica, sedimento do centrifugado urinário, cultivo destes materiais em meio de : Pavlov, TrusselJohnson, Johnson & JohnsonM.R., Kupferberger entre outros, Imunodetecção por pesquisa de Ag de T. vaginalis por :Elisa e aglutinação em látex.F. EPIDEMIOLOGIA Em razão de a tricomoníase ter mecanismo de infecção quase exclusivo passivo per genus, a faixasexualmente ativa da população será a mais parasitada, sua distribuição cosmopolita e a chance de infecçãodiretamente proporcional ao número de parceiros sexuais e a falta de conhecimento e ausência da utilização depráticas de profilaxia desta Parasitose. Em razão dos preconceitos que cercam, as doenças sexualmente transmissíveis(DST), não existem dados fidedígnos sobre a prevalência e incidência da tricomoníase tanto a nível mundial quantonacional. Por não apresentar forma cística, não apresenta grande rtesistência em condições reais de meio exterior,determinando que a quase exclusiva forma de infecção seja a passiva genital. As gestantes quando infectadas pela T.vaginalis caso tenham parto normal, sendo o concepto do sexo femeinino, podem transmitir a infecçào na passagempelo canl de parto. Situações mais rara de transmissão por fômites ou contato genital com água contaminada com essteflagelado, por banho anterior por pessoa infectada tem sido relatado, porém sua real importância epidemiologicaparece ser pouco significativa. Como será observado pelos dados expostos abaixo, a atividade sexual é diretamenteproporcional a chance de infecção pela T. vaginalis.F.1. PREVALÊNCIA GERALF.1.1. Feminina:a. Assintomáticos (Nível Mundial): 3.4 a 15.0 % b. Sintomáticos (Nível Mundial): 23.3 a 72.6%c. Não apresentando Atividade Sexual Aparente: Geral: 0.1 a 1.9% Recém-natos: 0.1 a 4.8% 0 a 1 ano: 0.07 a 0.1% 2 a 9 anos: 0.005 a 0.008% 9 a 14 anos: 0.003 a 0.3% d. Apresentando Atividade Sexual Aparente: 28 a 35% e. Prostitutas: 16 a 73%F.1.2 Masculinaa. Distribuição etária: 13 a 20 anos: 0.01 a 18% 21 a 25 anos: 8 a 48% 26 a 30 anos: 6 a 26%b. Origem do Material de Exame: Sem massagem prostática: 2 a 5% Com Massagem prostática: 8 a 10%G. PROFILAXIA
  27. 27. 27 A profilaxia desta Parasitose se baseia na educação sanitária da população, quanto aos aspectosrelativos à transmissão/prevenção desta Parasitose, e como qualquer DST, de um elo contínuo e de confiança entre ospostos de saúde e a população. É importante também, assegurar a populações alvo, como prostitutas, horários e locaisde atendimento para seu atendimento. O tratamento deve ser não só do paciente diagnosticado, mas sim do(s) seu(s)parceiro(s) sexual(ais). Para o caso da transmissão por canal de parto, a pesquisa cuidadosa de T. vaginalis. deve serincluída entre os exames pré-natais___________________________________________________________________PÓS TESTE: FLAGELADO DE SISTEMA GENITO-URINÁRIO01. Cite os locais possíveis de servirem como habitat da T. vaginalis.02. Por que este protozoário não pode sobreviver em meio onde ocorra abundância de oxigênio ?03. Disserte sobre o mecanismo de agressão (patogenia e reações orgânicas) desta Parasitose.04. Qual é a importância do homem (sexo masculino) como disseminado do parasita ?05. Cite os métodos de confirmação diagnóstica na tricomoníase urogenital: a masculina e b. feminina.06. Disserte sobre os métodos de confirmação diagnóstica da tricomoníase urogenital: a. masculina e b. feminina.(Preferencial para os cursos de Farmácia e Biologia)07. O simples encontro de T. vaginalis em exsudato vaginal é o suficiente para que a mesma seja a causa isolada davaginite ? (Preferencial para os cursos de Farmácia e Biologia)08. Disserte sobre a epidemiologia correlacionando com a profilaxia nesta infecção.II.2.1.b FLAGELADOS DE HABITAT TECIDUAL
  28. 28. 28 .b.1 Familia Trypanosomatidae Estes protozoários, fazem parte da ordem Kinetoplastida, que é caracterizada pela presença de cinetoplasto.Os gêneros de importância médica são Leishmania e Trypanosoma. .b.1.1 Gênero Leishmania As leishmanioses são infecções causadas por protozoários pertencentes ao gênero Leishmania. Asespécies que fazem parte deste grupo são parasitas dixênicos, no qual existe a necessidade para a realização de seuciclo de um hospedeiro vertebrado e outro invertebrado. Os vertebrados são principalmente mamíferos sendo oshospedeiros invertebrados constituídos por insetos psicodídeos dos gêneros Phlebotomus no Velho Mundo eLutzomyia e Psychodopigus nas Américas. No hospedeiro vertebrado, somente são parasitadas as células pertencentes ao SistemaFagocitário Mononuclear, onde, dependendo da espécie de Leishmania poderá a mesma se multiplicarpredominantemente em macrófagos tegumentares (cutâneos e/ou mucosos) originando a LeishmanioseTegumentar ou macrófagos localizados em outros tecidos de localização profuna (viscerais), determinando assima Leishmaniose Visceral. Esta classificação foi feita baseada principalmente no comportamento parasitário nohomem. Quando infectam hospedeiros onde ocorre boa adaptação ao mesmo, há certo equilíbrio na relaçãoparasita-hospedeiro, de tal forma que o número de protozoários presentes nos macrófagos seja pequeno, comconseqüentes efeitos patológicos de pouca intensidade, gerando, infecções oligossintomáticas ou até assintomáticas.Já nos hospedeiros não adaptados, por haver reações orgânicas mais intensas, e consequentes manifestaçõesclínicas significantes, sejam tegumentares ou viscerais, estas podendo, se não tratadas devidamente, levar ohospedeiro a sérias mutilações (cutâneas e/ou mucosas) ou à morte (visceral). Apesar de existirem várias espécies de Leishmanias em nosso país, citaremos aqui as 3 maisimportantes: A L. braziliensis causa lesões cutâneas e possíveis mucosas, é encontrada de norte a sul do Brasilem áreas de colonização recente ou antiga, e nessa última, associada a animais domésticos como cães e cavalos esinantrópicos como roedores. A transmissão é feita por Psychodopigus wellcomei em florestas do Pará, na bacia doAmazonas e na serra do Baturité no Estado do Ceará, onde hospedeiros silvestres são desconhecidos; por Lutzomyiawhitmani em área de caatinga, cerrado e mata Atlântica, na região Nordeste nos estados do Maranhão, Ceará,Pernambuco e Bahia; Centroeste, nos estados de Mato Grosso e Goiás e Sudeste, Minas Gerais; e por Lu.intermedia na Mata Atlântica do Sudeste, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo e regiões de Araucária noParaná e Santa Catarina. Fora da região Amazônica, cães, equídeos e possivelmente roedores sinantrópricos, assimcomo o homem são considerados fontes de infecção para os vetores. A L. amazonensis causa lesões cutâneas e ocasionalmente a forma cutâneo-difusa (anérgica),associada a roedores silvestres e marsupiais. A infecção no homem é menos frequente, ocorrendo na baciaAmazônica, Maranhão, Bahia, Minas Gerais e Goiás. Vetor: Lutzomyia flaviscutelata. L. chagasi (antigamente conhecida como L. donovani) causa a forma visceral da doença com febre,anemia, hepatoesplenomegalia, e perda de peso progressiva. Ocorre principalmente no Nordeste. Pode ter ciclo rural,peri-urbano e algumas vezes urbano e com os cães domésticos atuando como fonte de infecção. Vetor: Lu.longipalpis. Nos últimos anos, tem ocorrido em áreas urbanas do Nordeste (São Luís - Maranhão, Terezina-Piauí,Natal-Rio Grande do Norte) e no Sudeste (Montes Claros - Minas Gerais e Rio de Janeiro - R.J.). Em áreas rurais esilvestres raposas e marsupiais são incriminados como hospedeiros primários.A. ENTIDADE MÓRBIDA: Leishmaniose (Leishmaniose tegumentar: Leishmaniose cutânea e Cutâneo-mucosa;Leishmaniose Visceral).B. MORFOLOGIA Em razão do grande número de espécies deste gênero, as dimensões das formas parasitáriaspodem sofrer variações, portanto serão descritas abaixo amplas faixas das mesmas.

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