A Glória de Deus no Chamado para Pregar às NaçõesFranklin FerreiraGostaria de usar o texto de Jeremias 1.4-19 para tratar ...
jovem para atender o chamado. Mas Deus responde a objeção: "Não digas: Não passo deuma criança" (Jr 1.7). A compreensão de...
edificar e plantar (Jr 1.10). Toda a corrupção na nação deve ser arrancada e derrubada, esomente depois disto é que se pod...
a aliança (Jr 6.16), é um chamado à comunidade para um retorno à "verdade", "juízo" e"justiça". Em suma, o povo é chamado ...
Meu servo, não temas!Não temas, pois eu te escolhi!Sei que é difícil, mas confia em mim!Confia em mim e então,Tu verás o m...
R. K. Harrison, Jeremias e lamentações; introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova &Mundo Cristão, 1989.Eugene H. Peter...
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A glória de deus no chamado para pregar às nações

  1. 1. A Glória de Deus no Chamado para Pregar às NaçõesFranklin FerreiraGostaria de usar o texto de Jeremias 1.4-19 para tratar de três temas vitais ao ministériocristão de ensino: a vocação, a pregação e seu conteúdo, e a coragem necessária parapermanecer firme. Na verdade, gostaria de usar o texto de Jeremias como um texto deformação, que entrelace nossas vocações de ensino à vocação de Jeremias, que nos ajude arecuperar o senso de chamado para pregar a mensagem de Deus às nações. Antes decontinuar, fazem-se necessárias algumas palavras introdutórias. Jeremias, que significa"aquele que exalta o Senhor", começou seu ministério no reinado de Josias, que iniciou umareforma e renovação da aliança, de curta duração. Ele pertencia a uma família de sacerdotese recebeu seu chamado quando tinha 18 anos, na segunda década do século sétimo a.C., napequena cidade de Anatote, a cinco quilômetros de Jerusalém. Na verdade, Jeremias viveuem meio a um turbulento momento político na história da região: a Assíria entrara emdeclínio como império, o Egito tentava recuperar sua influência, e a Babilônia era o poder emascensão no leste. Pouco depois, Josias foi morto em Megido e, em rápida sucessão, três deseus filhos, Joacaz, Jeoaquim e Zedequias, e um neto, Joaquim, sucederam-no no trono. Pornão temerem a Deus, esses reis conduziram o povo da aliança aos eventos maisdevastadores da história de Judá: a invasão babilônica, a destruição do templo e o exílio noestrangeiro.Nós hoje vivemos numa encruzilhada da história. A igreja tem crescido globalmente. Aqui noBrasil há muitos pastores devotos, crentes sérios, igrejas saudáveis, sinais da obra doEspírito Santo. Ao mesmo tempo, há superficialidade e infidelidade bíblica, traiçãoministerial, divisões, idolatria por crescimento de igreja a qualquer custo. Na esfera públicatemos governos populistas, corrupção, pessoas morrendo em portas de hospitais, violênciacrescendo assustadoramente e impunidade ampla, geral e irrestrita. Há preocupantes sinaisde ameaças à liberdade de culto e de expressão. Diante desse quadro, (1) qual deve ser aimagem cultivada por aqueles chamados a obedecer à ordem de pregar a palavra de Deus?(2) Qual deve ser o conteúdo de tal mensagem? (3) Como aqueles chamados a pregar essasoberana Palavra devem se portar?1. Vocação (4-8)Vamos nos deter um pouco nos versículos 4-7: O relato começa com a afirmação "a mim meveio, pois, a palavra do Senhor" (Jr 1.4). Essas palavras ou expressões equivalentes ocorremoutras vezes no livro (Jr 7.1; 11.1; 14.1; 16.1; 18.1). A palavra wayhi ("continuou a vir")sugere que este chamado veio não de forma súbita, mas de forma persistente. "Antes queeu te formasse": estas primeiras palavras do Senhor a Jeremias revelam que foi iniciativa deDeus o fato de ele ter sido escolhido para ser profeta. O nome de Deus domina a cena:nessa pequena passagem o nome do Senhor é citado 12 vezes! Ele o predestinou paraanunciar a mensagem, e antes mesmo de seu nascimento, Jeremias foi consagrado("separado", "santificado") por Deus para essa tarefa (Jr 1.5; cf. Gl 1.15). Desde aconcepção até a consagração, Deus tinha preparado cada etapa do processo, conhecendotodas as necessidades e sabendo como supri-las. Em outras palavras, Jeremias recebeu ocaráter e a personalidade necessários para a obra profética. "E te constituí": significa "dei",isto é, antes mesmo de Jeremias nascer ele foi dado. Essa é a maneira de Deus agir. Ele fezisso com seu próprio Filho, Jesus Cristo (Jo 3.16). Deus o ofereceu às nações. Deus continuaenviando aqueles que ele chama a pregar às nações, em obediência ao chamado e emimitação a seu Filho (1Co 11.1).Por outro lado, a reação de Jeremias mostra que ele não era voluntário (Jr 1.6). Elemenciona sua idade: "Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança". Na verdade,ele não queria dizer que era uma "criança", mas que ainda não chegara aos trinta anos, queera o tempo quando os levitas iniciavam oficialmente seu ministério, sendo, portanto, muito
  2. 2. jovem para atender o chamado. Mas Deus responde a objeção: "Não digas: Não passo deuma criança" (Jr 1.7). A compreensão de que ele tinha sido escolhido como instrumento darevelação de Deus para uma geração endurecida forneceu a convicção de que sua missãoprovinha de Deus, e levou-o a proclamar a palavra do Senhor a uma nação teimosa erebelde. E ele recebeu forças da comunhão constante com Deus em oração (cf. Jr 12-20, ascinco "confissões" de Jeremias). "Porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eute mandar falarás": Quanto mais próximo do exílio, o cumprimento da profecia, mais suatimidez inicial é substituída por coragem, o que mostra o quanto ele amadureceu em suavocação.Como acontece com Jeremias no versículo 8, os servos de Deus receberam muitas vezes aordem "não temas", como Abraão (Gn 15.1), Moisés (Nm 21.34; Dt 3.2), Daniel (Dn 10.12,19), Maria (Lc 1.30), Simão (Lc 5.10) e Paulo (At 27.24). Diante do medo, uma emoçãoterrível e paralisante, Deus assegura que sustentará seu servo. Jeremias não estaria livre deoposição e até de perigo físico, porém cumpriria seu ministério em todas as dificuldades,porque Deus estaria com ele para fortalecê-lo. Portanto, Jeremias submeteu-se à suavocação. E, mesmo sem sair de Jerusalém, ele seria um profeta às nações – a mensagem deDeus ecoaria por Egito, Filistia, Moabe, Amom, Edom, Damasco, Quedar, Hazor, Elão eBabilônia (Jr 46-51). Talvez, como Jeremias, nunca viajemos para fora de nosso país paraanunciar a mensagem de Deus. Mas, ainda assim, podemos ser instrumentos para levar aPalavra de Deus às nações.Parece que o estilo de vida dos homens que exercem hoje a vocação profética no Brasil estáem ruínas. Esta vocação proclamadora foi substituída por estratégias comandadas porburocratas religiosos munidos de planos de negócios. Pensa-se hoje no pastor como alguém"que faz as coisas" ou que "faz as coisas acontecerem". Pastores construtores de templos.Pastores administradores. Pastores executivos. Pastores seniores. Essa definição se aplicaaos modelos básicos de liderança em nossa cultura: políticos, homens de negócios,celebridades e atletas. Mas nossa vocação precisa ser modelada por Deus, pelas Escrituras epela oração. O elemento central da vocação profética não é de alguém "que faz as coisas", esim de alguém colocado na comunidade para estar atento e chamar a atenção ao que Deusfala em sua Palavra, palavra de juízo e denúncia, mas palavra de graça, misericórdia erenovação.Neste sentido, precisamos relembrar: Deus chama alguns membros da santa comunidadesacerdotal para pregar o evangelho, as boas novas da livre graça de Deus. Essa vocação éuma obra interna de Deus, que chama os servos da Palavra. E embora seja interno, ochamado para o ministério inevitavelmente virá acompanhado por um testemunho externo.Ou seja, aqueles chamados para a pregação da Palavra demonstrarão dons e aptidões para oexercício do ministério. Eles são equipados pelo Espírito Santo para pastorear, evangelizar,pregar e ensinar – e frutos visíveis serão evidenciados por conta desse chamado interno. Eserá confirmado diante da igreja este chamado interno, por conta dos frutos externos daobra da graça que já aconteceu interiormente. Portanto, a vocação profética não pode serreduzida a mero trabalho. Este pode ser quantificado e avaliado. Pode-se dizer se estechegou ao fim ou não, assim como se pode ser contratado ou demitido. Uma vocação não éum trabalho. A vocação profética é sobre a pregação da Palavra, sobre a administração dossacramentos, sobre chamar o povo de Deus a adorar o Pai, Filho e Espírito Santo, é sobrelembrar semanalmente à comunidade da fé os privilégios e responsabilidades da aliança.Karl Barth afirmou que quem não houver sido chamado para pregar, que não o faça, poisnão será pequeno mal que causará se subir ao púlpito sem haver sido escolhido por Deuspara isto. Por outro lado, se você foi chamado para anunciar a santa Palavra, você só temum, e um único oficio: anunciar fielmente "todo o desígnio de Deus" (At 20.27), portando-secomo alguém que pertence exclusivamente ao Senhor.2. Conteúdo e Pregação (9-16)Analisando os versículos 9-10, percebemos que tocando na boca do jovem, Deus simboliza acomunicação de sua mensagem. Agora o Senhor proclama sua mensagem às nações tendoJeremias por arauto. Para transmitir esta mensagem, Deus usa metáforas baseadas naagricultura e na construção, constituída por três pares de verbos, os dois primeiros negativose o terceiro positivo: o profeta deve arrancar e derribar, destruir e arruinar para então
  3. 3. edificar e plantar (Jr 1.10). Toda a corrupção na nação deve ser arrancada e derrubada, esomente depois disto é que se pode edificar e plantar de novo. Portanto, a mensagem doprofeta teria duas funções. Em primeiro lugar, essa mensagem era uma declaração sobre amaldição da aliança que seria executada em seu devido tempo (Dt 28.1-68). Em segundolugar, as bênçãos da aliança se tornariam realidade. Deus quer renovar, reconstruir erestaurar seu povo, mas antes da renovação é necessária a remoção radical do pecado e dainfidelidade à aliança e eleição. A ruína é inevitável, enquanto a nação persistir no pecado,mas a palavra de renovação oferece esperança de restauração. Usando a linguagem do NovoTestamento, Deus tem primeiro de remover o pecado, antes de o pecador começar a crescerna graça e no conhecimento de Jesus Cristo.Jeremias, entretanto, é humano. Ele reage inicialmente com medo e inadequação. Sãoreveladas então a Jeremias duas visões inaugurais, descritas nos versículos 11-13. Aprimeira é a de "uma vara de amendoeira" (Jr 1.11). Em hebraico, a palavra "amendoeira"(shaqéd) e o verbo "eu velo sobre" (shoqéd) têm som semelhante. Há um jogo de palavrasaqui que ilustra a prontidão com que Deus cumpre suas promessas. Sempre que o profetavisse a cada primavera uma amendoeira em flor, ele seria lembrado de que o Senhor estáobservando para assegurar que sejam cumpridas todas as palavras transmitidas em seunome (Jr 1.12). A segunda visão tinha um tom mais sinistro, "uma panela ao fogo" (ou"fervendo"), literalmente uma panela sobre a qual alguém sopra, e cuja boca se inclina doNorte, indicando que seu conteúdo se derrama em direção ao sul (Jr 1.13). Essa visão indicaa invasão babilônica, que virá do norte (Jr 20.4).Percebemos nos versículos 14-16 que o exército da Babilônia executará o propósito de Deusde punir a idolatria de Judá e a quebra da aliança do Sinai. O verbo qtr, "queimar incenso"(Jr 1.16), é usado em outras passagens significando queimar a gordura dos sacrifícios (cf.1Sm 2.16; Sl 66.15). A tensão entre o culto aos ídolos e a adoração exclusiva ao Senhorchegaram ao clímax. A guerra viria para interromper um modo de vida inútil, impuro eindolente, obrigando o povo a voltar seus olhos para o que é essencial e eterno. MasJeremias não vai trazer o fim por meio da espada ou da ação política. Ele é chamado aproclamar a palavra do Senhor quantas vezes for necessário, custe o que custar, e um altopreço será exigido dele.Aqueles chamados ao ofício de anunciar a Palavra de Deus não são chamados a trocar amensagem da aliança pelo discurso político. Nenhuma ideologia é absoluta e nem pode serconfundida com o evangelho. Sempre que a igreja ou mesmo pastores e teólogosidentificaram determinada ideologia com o reino de Deus ou com a mensagem bíblica, essafoi não apenas distorcida, mas acabou sendo perdida. Portanto, a preocupação primeiradaqueles chamados a anunciar a Palavra de Deus não é tanto com a mudança da sociedadecivil, mas com a reforma e renovação da igreja por meio da mensagem de Deus. Aqueleschamados ao ofício de anunciar a palavra de Deus não são chamados para lidar com aquelesque ouvem e se submetem à mensagem profética como se fossem problemas. É fácil reduziras pessoas a problemas, pois na maior parte das vezes é fácil solucionar esses problemas.Mas os profetas são chamados a conduzir as pessoas dos ídolos a Deus, da rebelião para aaliança, por meio da Palavra, da adoração e da oração. Aqui somos meros instrumentos nasmãos de Deus. As pessoas não devem ser vistas como problemas em busca de solução, mascomo pecadores que podem ser renovados à imagem de Deus. Portanto, a vocação é sobreconduzir as pessoas a Deus, por meio de sua Palavra, em humildade. Trata-se depermanecer junto ao povo.A tentação à qual os profetas estão sujeitos é considerar Deus uma mercadoria, utilizá-lopara legitimar a idolatria (cf. Jr 23.21-40). Qual é, então, o conteúdo da mensagemprofética? Deve-se conhecer o Senhor (Jr 8.7; 24.7; 31.31-34). Este conhecimento se dá pormeio do Messias, o Renovo Justo, descendente de Davi, que executa juízo e justiça na terra(Jr 33.14-18), a fonte de águas vivas (Jr 2.13), o bálsamo de Gileade (Jr 8.22), o BomPastor (Jr 23.4), o Renovo Justo (Jr 23.5), o Senhor justiça nossa (Jr 23.6), aquele que traráa nova aliança (Jr 31.31-34). E este novo conhecimento redunda em preocupação pelo aflitoe necessitado e na prática da justiça e retidão.A mensagem profética é o convite para "voltar" (Jr 4.1-2; cf. 9.24; 22.2, 13, 15; 23.5;33.15). Este termo e seus cognatos foram usados quase cem vezes neste livro e são osignificado literal da palavra "arrependimento". Implica voltar-se dos próprios caminhos para
  4. 4. a aliança (Jr 6.16), é um chamado à comunidade para um retorno à "verdade", "juízo" e"justiça". Em suma, o povo é chamado ao arrependimento e ao conhecimento de Deus pormeio do Messias. E o remédio de Deus para o coração enfermo (Jr 17.9) será gravar sua leino coração da nova comunidade (Jr 31.31-34). Portanto, o verdadeiro profeta é aquele queprocura distanciar o povo do mal, enfatizando as exigências de Deus na aliança (Jr 23.14,22).Usando a linguagem do Novo Testamento, aqueles dentre nós chamados ao santo ministérioda Palavra, devem pregar as realidades grandiosas e magníficas de Deus e do Espírito Santo,da Escritura e da criação, da cruz de Cristo e da aliança, da salvação e de uma vida santa, aoração, o batismo, a santa ceia. E isso deve ser pregado no púlpito, nas salas de aula e navisitação pastoral, ansiando por vidas moldadas pela Palavra de Deus, renovada pelo EspíritoSanto, de uma humildade disposta ao sacrifício, que erguem a Deus um louvor santo,sofrendo sem perder o contentamento, orando sem cessar, perseverando na santidade.3. Segurança (17-19)Na seção composta dos versículos 17-19 podemos ver que o desânimo que o profeta sentiuao entender o conteúdo da profecia é combatido por uma ordem direta: "cinge os lombos"(Jr 1.17), que pode ser traduzida como: "e você, prepare-se!" A frase é um termo militarhebraico usado para descrever um soldado vestido e devidamente preparado para tomar suaespada. Antes mesmo de nascer, ele foi convocado para lutar nessa batalha. Não lhe foramconcedidos alguns anos nos quais pudesse refletir e decidir em que lado se posicionaria oumesmo se iria lutar. Ele foi escolhido. Deus o chamou para ser um guerreiro. Então, ele deveser fiel ao anunciar a Palavra de Deus e não deve temer a ninguém. Mais do que isso, oSenhor incita Jeremias a se preparar para a batalha. Se Jeremias perder sua coragem, Deuso abandonará por sua falta de fé: "Não te espantes diante deles, para que eu não te infundaespanto na sua presença". Devemos entender: há uma verdadeira batalha espiritual sendotravada. Há maldade, crueldade e infelicidade. Há superstição e ignorância; brutalidade edor. Não existe zona neutra no Universo. Cada centímetro quadrado é área de combate.Deus se levanta contra tudo isso. Ele está salvando, resgatando, abençoando, provendo,julgando, renovando: "Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos emortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno,quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina" (2Tm 4.1-2).Deus, então, faz uma das promessas mais ricas que ele pode fazer aos seus servos: "Tu,pois, cinge os lombos, dispõe-te e dize-lhes tudo quanto eu te mandar; não te espantesdiante deles, para que eu não te infunda espanto na sua presença. Eis que hoje te ponho porcidade fortificada, por coluna de ferro e por muros de bronze, contra todo o país, contra osreis de Judá, contra os seus príncipes, contra os seus sacerdotes e contra o seu povo.Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão". Mesmo com todos contra ele, Deus estará ao seulado, fazendo-o invencível. A presença de Deus lhe dá a certeza de que ele será umafortaleza invencível, firme como uma "coluna de ferro" e resistente aos ataques como "murosde bronze". E sua mensagem afetará pessoas de todas as classes sociais em Judá, doslíderes políticos e sacerdotes ao cidadão comum.No início do verão de 1942, uma crente luterana, Sophie Scholl, participou da produção edistribuição de panfletos de um pequeno movimento de resistência pacífica chamado RosaBranca. Ela foi presa, junto com seu irmão, Hans Scholl, e outro universitário, ChristophProbst, em 18 de fevereiro de 1943, depois que o reitor da Universidade de Munique ossurpreendeu distribuindo esses panfletos no pátio da universidade. Em 22 de fevereiro de1943 os três foram julgados em menos de quatro horas, acusados de alta traição edecapitados no mesmo dia. Suas últimas palavras foram: "Como podemos esperar que ajustiça prevaleça quando são poucos os que estão dispostos a se doarem individualmente auma causa justa? Um dia bonito e ensolarado, e eu tenho de partir, mas o que importa aminha morte, se através de nós milhares de pessoas forem despertadas e instadas à ação?"Sophie Scholl foi martirizada com 21 anos. Mesmo tão jovem, ela se opôs ao totalitarismonazista, por causa de sua fé, num contexto de repressão, censura e conformismo. Isso écoragem invencível! Se você foi chamado a anunciar a Palavra, fique firme! A promessa e agraça de Deus estão com você! Como diz a canção do grupo Logos:
  5. 5. Meu servo, não temas!Não temas, pois eu te escolhi!Sei que é difícil, mas confia em mim!Confia em mim e então,Tu verás o meu poder!Durante seus quarenta anos de ministério, Jeremias foi invencível. Diversas vezes passoupor intensa agonia, mas não traiu sua vocação. Ele foi desprezado e perseguido, mas jamaisdeixou de anunciar a mensagem de Deus. Ele foi tremendamente pressionado para quefizesse concessões, desistisse e se escondesse, porém, jamais cedeu. Cada músculo do seucorpo foi exigido até o limite da fadiga. Mas ele foi corajosamente "coluna de ferro" e "murosde bronze". Muitos se oporiam, mas Deus prometeu estar com ele e protegê-lo: "Eu soucontigo, diz o Senhor, para te livrar" (Jr 1.19).ConclusãoJeremias foi o profeta mais rejeitado e resistido da história israelita. Ele recebeu a ordem denão se casar ou ter filhos (Jr 16.1-4), uma experiência incomum de celibato. Experimentouoposição, castigos e prisões (Jr 11.18-23; 12.6; 18.18; 20.7; 26.9-19; 28.5-17; 37.11-38.28). Muitas vezes é chamado de o "profeta chorão" (Jr 9.1; 13.17; 14.17). Quandolevado para o Egito, contra a sua vontade, caiu no esquecimento – de acordo com a tradição,ele morreu naquele país, dez anos depois, apedrejado por seus compatriotas, que ainda serecusavam a aceitar sua mensagem. Mas não somos chamados a andar por vista, mas porfé. Jeremias foi grandemente honrado pelos escritores do Novo Testamento. Sua profecia écitada 40 vezes, a metade no Apocalipse (cf. 50.8; Ap 18.4; 50.32; Ap 18.8; 51.59s; Ap18.24s). A mais longa citação do Antigo Testamento no Novo Testamento é a passagem da"nova aliança" (Jr 31.31-34; cf. Hb 8.8-13). As denúncias de Jeremias contra o povo comoincircunciso de coração e ouvido (Jr 6.10; 9.26) foram repetidas por Estevão (At 7.51), umapregação que lhe custou a vida. As lições tiradas da visita à casa do oleiro (Jr 18.1-10) foramaplicadas por Paulo ao chamado dos gentios por Deus (Rm 9.20-24). E Jeremias, que foiconsiderado o mais humano dos profetas, recebeu a maior honra, ter sido comparado aoFilho do Homem (Mt 16.14). Que obedeçamos nossa vocação, preguemos fielmente amensagem recebida, que finquemos os pés no chão com coragem, para que em tudo Deusseja glorificado."Todavia, o meu povo trocou a sua Glória por aquilo que é de nenhum proveito. Espantai-vosdisto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai estupefatos, diz o Senhor. Porque dois males cometeu omeu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternasrotas, que não retêm as águas" (Jr 2.11-13)."Dai glória ao Senhor, vosso Deus, antes que ele faça vir as trevas, e antes que tropecemvossos pés nos montes tenebrosos; antes que, esperando vós luz, ele a mude em sombra demorte e a reduza à escuridão" (Jr 13.16)."Não nos rejeites, por amor do teu nome; não cubras de opróbrio o trono da tua glória;lembra-te e não anules a tua aliança conosco" (Jr 14.21)."Ó Senhor, Esperança de Israel! Todos aqueles que te deixam serão envergonhados; o nomedos que se apartam de mim será escrito no chão; porque abandonam o Senhor, a fonte daságuas vivas. Cura-me, Senhor, e serei curado, salva-me, e serei salvo; porque tu és o meulouvor" (Jr 17.13-14).Bibliografia:Issiaka Coulibaly, "Jeremias", em Tokunboh Adeyemo (ed. geral), Comentário bíblicoafricano. São Paulo: Mundo Cristão, 2010.Karl Barth, Carta aos Romanos. São Paulo: Fonte Editorial, 2009.F. Cawley, "Jeremias", em F. Davidson (ed.), Novo comentário da Bíblia. São Paulo: VidaNova, s/d.J. G. S. S. Thomson, "Jeremias", em J. D. Douglas (ed.), Novo dicionário da Bíblia. SãoPaulo: Vida Nova, 1995, p. 794-800.
  6. 6. R. K. Harrison, Jeremias e lamentações; introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova &Mundo Cristão, 1989.Eugene H. Peterson, Memórias de um pastor. São Paulo: Mundo Cristão, 2011.Eugene H. Peterson, Ânimo; o antídoto bíblico contra o tédio e a mediocridade. São Paulo:Mundo Cristão, 2008.J. R. Soza, "Jeremias", em T. Desmond Alexander & Brian S. Rosner, Novo dicionário deteologia bíblica. São Paulo: Vida, 2009, p. 324-329.O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seuformato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como detradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

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