TRABALHO FINAL - CURSO DE MEDIAÇÃO FAMILIAR - IMAP - 2015

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Trabalho/Reflexão Final no âmbito do Curso de Mediação Familiar ministrado pelo IMAP entre Outubro de 2014 e Março de 2015

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TRABALHO FINAL - CURSO DE MEDIAÇÃO FAMILIAR - IMAP - 2015

  1. 1. REFLEXÃO FINAL – MARÇO DE 2015 CURSO DE MEDIAÇÃO FAMILIAR (IMAP) Simone Guimas
  2. 2. FAMÍLIA Temos de escutar e tentar perceber o que é família para os mediados. Trabalhar a família não significa trabalhar o casal ou os filhos. Há uma estrutura, um sistema inter-relacional tão forte que não podemos falar de um relacionamento sem considerar todos os outros. A nossa definição própria de família tem uma orientação - todos nascemos numa família, todos integramos uma família. Podemos mediar situações que nunca vivemos/experienciámos. Antes de trabalharmos a família, em mediação, trabalhamos a nossa própria família.
  3. 3. EMOÇÕES Numa situação de conflito, podemos sentir Raiva Desespero Frustração Medo Angústia Impotência (…)
  4. 4. Como os mediados chegam à mediação • Com uma visão ilusória, com uma visão parcial • Numa posição de competição – zangados, receosos, revoltados, com vontade de vingança O MEDIADOR DEVE DOMINAR A TÉCNICA DA NEGOCIAÇÃO COOPERATIVA PARA PODER PROMOVÊ-LA JUNTO DOS MEDIADOS
  5. 5. Como os mediados chegam à mediação A primeira coisa que se perde, num conflito familiar, é a confiança Quando atribuímos intenções aos actos e/ou palavras de alguém chegamos a situações de bloqueio e muitas vezes esquecemos o objecto da discussão. O MEDIADOR DEVE SEPARAR AS PESSOAS DOS PROBLEMAS
  6. 6. Papel do Mediador • Acolhemos o estado e o momento em que os mediados chegam • Numa segunda fase – sensibilizamos para a visão do OUTRO • Numa terceira fase – construímos – sabemos que temos visões diferentes e pensamos no que vamos fazer com elas • Falamos de motivações • Separamos pessoas de problemas • Alargamos a discussão a perspectivas diferentes • Promovemos o (auto-)questionamento nos mediados
  7. 7. Papel do Mediador • ADAPTAÇÃO: A forma de mediar, as técnicas a utilizar mudam consoante as pessoas que temos à nossa frente. Temos de integrar as características e adaptar • Evitamos palavras e expressões que possam ser associadas pelos mediados a algo negativo (Ex: conflito, problema, dificuldade) • Quando falam, muitas vezes os mediados remexem no “lixo emocional” do passado. Discutem certo e errado. Bom e mau. Para o mediador não há certo nem errado, verdade nem mentira. • Não diagnosticamos – levamos ao auto-diagnóstico. Promovemos que os mediados se apropriem das suas vidas, integradas pelos seus conflitos.
  8. 8. Comunicar é pôr em comum • Encaramos o Ser Humano como um todo. Daí entendermos que não sabemos nada sobre este Ser Humano. • Analisamos o Ser Humano como um todo pois não o podemos dividir.
  9. 9. O Respeito é difícil de se alcançar no dia-a-dia e ainda mais em sede de mediação Temos de respeitar o outro mediado enquanto ser humano individual e ter vontade de querer com ele resolver a questão. O mediador deve promover o respeito entre os mediados. Pode pedir-lhes que não se interrompam, que respeitem as intervenções do outro, assegurando que lhes será dada
  10. 10. AUTO-COMPOSIÇÃO O mediador não pode aceitar renúncias a interesses. Mas pode aceitar decisões que representem um passo atrás na posição assumida desde que seja considerada como um ganho perspetivado no futuro pelo mediado. O mediador deve a todo o tempo procurar o equilíbrio do poder entre os mediados Num acordo, temos de atender a todos os interesses. Quando chegamos a valores e critérios objetivos – numa fase mais avançada da negociação – são os mediados quem deve procurar a informação.
  11. 11. ISENÇÃO Enquanto mediadores, não vamos conseguir afastar em definitivo os nossos juízos de valor. Temos é de ter consciência dos mesmos para que não contaminemos as nossas intervenções. Devemos estar atentos às emoções provocadas em nós pelo processo negocial e nas intervenções Em mediação, preocupamo-nos com as pessoas e deixamos que elas se preocupem com os seus problemas Aceito os LIMITES das nossas percepções e dos nossos pensamentos COMO AUTO-AVALIAR-ME EM CONTÍNUO PARA ME ASSEGURAR DE QUE NÃO ME ENCONTRO NO CENTRO DA MESA DA MEDIAÇÃO?
  12. 12. ISENÇÃO Temos de utilizar mecanismos que nos permitam afastarmo-nos do que está em cima da mesa da mediação. Devemos despir-nos dos nossos conceitos e preconceitos – tentando aproximarmo-nos de uma visão de neutralidade. Usamos os parâmetros, ideologias e valores dos mediados. Devemos sempre compreender, não excluir, não julgar.
  13. 13. A CONFIDENCIALIDADE É UM DOS PILARES DA MEDIAÇÃO E DEVE SER ASSEGURADA A TODO O TEMPO
  14. 14. Papel do Mediador Auto-Questionamento Somos seres humanos integrados num contexto familiar e social. Filhos de (…), pais de (…), cidadãos do país (…), com a profissão (…). Somos frequentemente invadidos por sentimentos – prazer, raiva, frustração, tranquilidade, amor (…) A forma como lidamos com esses sentimentos é influenciada por fatores internos e externos. Tal como também fatores internos e externos condicionam a forma como olhamos o mundo. Quando escutamos ou simplesmente observamos, atribuímos intençõe aos outros. COMO PODEMOS DESPIR-NOS DE TODAS ESTAS CONDICIONANTES?
  15. 15. ESCUTA • Quando falamos, há uma emissão subjacente ao que dizemos (conteúdo interno e intenção) • Quem escuta: • Processa (associa a conteúdos internos) • Atribui intenção • Descodifica DEVEMOS ESCUTAR QUESTIONANDO SEMPRE • Se quando contamos uma história retiramos o que consideramos acessório e acrescentamos consoante a imagem que formamos dentro de nós ou porque a sequência dos factos deixou de fazer sentido; • Quando escuto visualizo, ou seja, interpreto;
  16. 16. SIMBOLOGIA O acordo assinado no final do processo de mediação: primeiro documento que assinam em conjunto; significa que pela primeira vez estiveram de acordo em relação a algo O final do processo de mediação, em sede de mediação familiar, pode provocar angústia e tristeza – simboliza o final daquela relação
  17. 17. CAUSALIDADE Numa primeira fase, os mediados tentam compor a história segundo eles a percebem. Quando os mediados falam, estruturam a sua narrativa numa perspetiva de causa/efeito. Nós, seres humanos, sentimos necessidade da causalidade. Quando estruturamos o nosso pensamento de forma causal estamos a tentar explicar os factos e criamos uma ilusão de compreensão. Devemos transformar esta causalidade numa causalidade circular.
  18. 18. TÉCNICAS CADEIRA VAZIA Pretende-se que os mediados tomem consciência não só da sua própria vida mas também de que há outras pessoas que não estão a ser escutadas – colocamos assim os mediados no lugar do ausente. De forma simbólica, o terceiro está presente. PERGUNTAS DE RESPONSABILIZAÇÃO Há momentos em que um dos mediados se vitimiza em contínuo até a vitimização se consolidar e se dar uma cristalização emocional. Devemos utilizar esta técnica para quebrar essa conduta – levando a vítima a perceber que está a (não) agir de forma a contribuir para essa situação.
  19. 19. TÉCNICAS PERGUNTAS ABERTAS Auxiliam na investigação, na recolha de informação. Quanto maior a abertura da pergunta maior a possibilidade dos mediados abrirem o discurso. SEMÁFOROS Expressões utilizadas pelos mediados que nos chamam a atenção – objetivamos e questionamos. PERGUNTAS CIRCULARES Pretendem quebrara linearidade do discurso, na procura da história estrutural. Para tal, através desta técnica, desconstruimos a ilusão e aprofundamos a comuncação
  20. 20. TÉCNICAS RESUMOS RESUMOS LINEARES O mediador repete as frases nas palavras exatas dos mediados para que o outro (ou o próprio) se aperceba da importância do que está a ser dito (do que diz). Esclarecemos, evidenciamos e não deixamos passar a informação que pode ser importante. RESUMOS COOPERATIVOS Quando percebemos que existem interesses/motivações que não estão em oposição – reforçamo-los, colocamo-los em evidência.
  21. 21. TÉCNICAS REFORMULAÇÃO POSITIVA Através desta técnica, o mediador troca o dedo acusador pela mão estendida. Enquadramos as acusações, agressões, no seu contexto motivacional METÁFORAS Associamos elementos/ideias. Procuramos alterar o paradigma
  22. 22. TÉCNICAS PERGUNTA DO MILAGRE Quando assistimos a: Cristalização do discurso Impasse repetição no discurso Formulamos a pergunta do milagre – para auxiliar os mediados a trazer outros cenários, desejos
  23. 23. CRIANÇAS NA MEDIAÇÃO Ter um filho responde a mandatos/determinismos sociais O Ser Humano é o único animal que nasce completamente dependente Quando os mediados falam dos seus filhos, falam de filhos “imaginários”. Contraímos uma dívida ao nascer – os nossos pais deram-nos a vida. Os pais exercem duas funções: Materna: Procura a fusão com o filho e vê o filho como complemento; Paterna: Separa os pais do filho para que este possa ter uma vida independente e passe a ter uma identidade propria
  24. 24. CRIANÇAS NA MEDIAÇÃO • É muito importante que os pais se apercebam da sua responsabilidade funcional: os filhos devem ser vistos como indivíduos e não como objectos dentro do relacionamento. • O mediador deve reforçar a função paterna – ajudando os mediados a conhecer/compreender os seus filhos levando-os a aceitar que ambos têm uma função na vida das crianças que ambos vão ter de cooperar para a poderem exercer. • Os filhos podem ser convocados para a mediação pelo discurso dos pais (convocação simbólica) ou presencialmente – quando persiste algum tipo de subjetividade.
  25. 25. Papel do Mediador Autonomização dos Mediados Devemos, portanto, passar despercebidos. Atuamos num momento inicial Vamos desaparecendo sem produzir efeito nocivo. Devemos promover a autonomia dos mediados Devemos capacitar os mediados – não criamos dependência.

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