Trabalho método científico

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Disciplina: Formação Complementar: Metodologia Científica, Ética e Responsabilidade Social
Aluno: Vanderson dos Santos Lage
Ano: 2015

ASSUNTOS:
1. O que é Método Científico
2. Conceitos de Método


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Trabalho método científico

  1. 1. MÉTODO CIENTIFÍCO Universidade Federal de Minas Gerais Escola de Engenharia Departamento de Engenharia de Materiais e Construção Curso de Especialização em Construção Civil
  2. 2. Disciplina: Formação Complementar: Metodologia Científica, Ética e Responsabilidade Social Aluno: Vanderson dos Santos Lage Ano: 2015 e-mail: Professor: Maria Teresa Paulino Aguiar ASSUNTOS: 1. O que é Método Científico 2. Conceitos de Método
  3. 3. INTRODUÇÃO Preocupado em descobrir o funcionamento dos fenômenos naturais, o homem vem, desde da antiguidade da humanidade, buscando explicações para as forças da natureza, sendo está baseada em dois pontos que eram considerados importantes: a vida e a morte. O conhecimento inicialmente adquirido com explicações através de forças sobrenaturais, relacionando-os a entidades sobrenaturais. A verdade era carregada de noções supra-humanas e a explicação firmava-se em motivações humanas, atribuídas a "forças" e potências sobrenaturais. Com o tempo, após muitos anos, o conhecimento passou a ser mais científico, se importando menos com a natureza das coisas, mas sim buscando uma explicação usando o próprio raciocínio humano. Logo, novos métodos foram surgindo, alcançando os resultados esperados cientificamente quando as etapas listadas a seguir são seguidas. CONCEITOS DE MÉTODO A partir de diversos autores, relacionamos vários conceitos sobre método, a saber: Hegenberg afirma que método é o "Caminho pelo qual se chega a determinado resultado, ainda que esse caminho não tenha sido fixado de antemão de modo refletido e deliberado". (1976, p. 115) O método consiste em propor, através de um caminho correto, resultados exatos. Podemos definir o método científico como a teoria da investigação que alcança seus objetivos, quando cumpre ou se propõe a cumprir, de forma científica, as seguintes etapas: a) Descobrimento do problema - ou brecha, num conjunto total de acontecimentos; b) Colocação precisa do problema - ou a recolocação de um velho problema àluz de novos conhecimentos; c) Procura de conhecimentos ou instrumentos relevantes ao problema – pesquisa sobre o conhecido para tentar resolver o problema; d) Tentativa de solução do problema com auxílio dos meios identificados - se a tentativa resultar inútil, passa-se para a etapa seguinte, em caso contrário, passa- se para a subsequente;
  4. 4. e) Invenção de novas ideias – criação e análise de hipóteses, teorias ou técnicas, ou ainda, produção de novos dados empíricos que possibilitem a resolução do problema; f) Obtenção de uma solução – pode ser exata ou aproximada do problema, utilizando-se do instrumental conceitual ou empírico disponível; g) Investigação das consequências da solução obtida – é a busca de prognósticos que possam ser feitos com seu auxílio, em se tratando de uma teoria; h) Prova ou comprovação da solução – comparação entre a solução encontrada e a totalidade das outras teorias e da informação empírica pertinente. Se o resultado for satisfatório, conclui-se a pesquisa B. Do contrário, passa-se para a etapa seguinte; i) Correção das hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados na obtenção da solução incorreta – começa-se um novo ciclo de investigação. Métodos específicos das Ciências Sociais Apesar de alguns autores fazerem distinção entre "método" e "métodos", ainda não ficou clara essa diferença e, portanto, utiliza-se o termo "método" em todos os casos e para tudo. Assim, em primeiro lugar, temos o método de abordagem assim discriminado: 1 - Método Indutivo – parte de questões particulares, caminhando geralmente para planos cada vez mais abrangentes, indo das constatações mais particulares às leis e teorias (conexão ascendente); Indução é um raciocínio em que se tiram conclusões genéricas de fatos particulares. Logo, os argumentos indutivos nos permitem resultados admissíveis, que vão além daqueles já propostos, ou seja, segundo Cervo e Bervian, “pode-se afirmar que as premissas de um argumento indutivo correto sustentam ou atribuem certa verossimilhança à sua conclusão. Assim, quando as premissas são verdadeiras, o melhor que se pode dizer é que a sua conclusão é, provavelmente, verdadeira”. Leis, regras e fases do método indutivo A indução é realizada em três etapas: 1) Observação dos fenômenos: onde analisamos os acontecimentos para descobrir o porquê de seu aparecimento;
  5. 5. 2) Descoberta da relação entre eles: encontramos a relação através de uma comparação entre os acontecimentos; 3) Generalização da relação: etapa na qual tiramos a conclusão após observarmos os acontecimentos de mesma espécie. O método indutivo possui também algumas leis que, segundo Nérici, “nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem os mesmos efeitos” e “o que é verdade de muitas partes suficientemente enumeradas de um sujeito, é verdade para todo esse sujeito universal”. Formas de indução A indução é apresentada em duas formas: 1) Completa ou formal (desenvolvida por Aristóteles): não é uma forma importante para o avanço da ciência pelo fato de nos apresentar apenas informações já estabelecidas, e não informações novas. 2) Incompleta ou científica (criada por Galileu): permite-nos chegar a uma informação através de um determinado número de observações, sendo até possível com apenas uma observação. A indução científica apresenta duas regras: os acontecimentos precisam ser testados o número de vezes necessário para serem considerados válidos, verdadeiros; e para ter a certeza de que as características de algum elemento vêm de sua própria natureza, é preciso testá-lo frente a algumas variações que podem vir a acontecer. No que diz respeito à força indutiva de argumentos, segundo Souza “quanto maior a amostra, maior a força indutiva do argumento” e “quanto mais representativa a amostra, maior a força indutiva do argumento”. Muitas vezes podem ocorrer interferências devido a problemas presentes na amostra, como: amostra insuficiente (conclusões tiradas a partir de pouca informação) e amostra tendenciosa (conclusões tiradas de amostras insignificantes). 2 - Método Dedutivo – inverso do indutivo, parte das teorias e leis, na maioria das vezes, indo parar na ocorrência dos fenômenos particulares (conexão descendente); Segundo Salmon, as diferenças entre argumentos dedutivos e indutivos são:
  6. 6. 1) Dedutivos: “se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser verdadeira” e “toda a informação ou conteúdo fatual da conclusão já estava, pelo menos nas premissas”. 2) Indutivos: “se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente verdadeira, mas não necessariamente verdadeira” e “a conclusão encerra informação que não estava, nem implicitamente, nas premissas”. Com isso, percebe-se que o objetivo dos argumentos dedutivos é esclarecer os assuntos já propostos, já o objetivo dos argumentos indutivos é aumentar a importância da obtenção de informações. Argumentos condicionais Existem dois tipos de argumentos condicionais: “afirmação do antecedente” e “negação do conseqüente”. No primeiro argumento, a primeira proposição está no condicional e a segunda, como o nome já diz, afirma o antecedente no mesmo condicional. Como por exemplo: Se tiver Sol, será calor. Hoje tem Sol, então está calor. No segundo argumento, a primeira proposição também está no condicional, mas a segunda, como o nome já diz, está negando o conseqüente desse condicional. Como por exemplo: Se tiver Sol, será calor. Hoje não tem Sol, então não está calor. 3 - Método Hipotético-dedutivo – parte-se da percepção de uma lacuna nos conhecimentos, acerca da qual formulam-se hipóteses e, pelo processo de inferência dedutiva, testam-se a predição das ocorrências de fenômenos abrangidos pela hipótese. Segundo Karl R. Popper “a ciência começa e termina com problemas”. Por isso desenvolveu um esquema: Problema → teoria-tentativa → eliminação do erro → novos problemas Etapas do método hipotético-dedutivo segundo Popper Baseado no esquema representado acima se conclui que, depois de realizados os devidos testes, se a suposição não resistir é porque não está certa, então é preciso formar novas suposições referentes a determinado problema para resistirem aos testes e se tornarem suposições admissíveis. Portanto, o início da pesquisa é o problema, e não a observação, pois esta só é necessária quando ocorre alguma coisa de errado, que fuja de nossas expectativas, tornando-se um problema, precisando, então, de observação.
  7. 7. Problema Como já citado, a primeira etapa do esquema feito por Popper é o problema. A informação que temos é à base de expectativas, que quando rompidas geram um problema. Esse problema nos leva ao processo de investigação, para sabermos o que é válido ou não analisar, e essa análise é baseada em suposições que ajudam na pesquisa. Conjecturas Conjectura significa hipótese, suposição, e é utilizada para esclarecer nossas dúvidas e curiosidades. Tentativa de falseamento Nesta terceira etapa ocorrem os testes para eliminação de erros. Estes têm como objetivo tornar falsas as conseqüências deduzidas da hipótese. A observação e experimentação são os principais meios para testar este método. 4 - Método dialético – o mais profundo, penetra o mundo dos fenômenos, através de sua ação de reciprocidade, da contradição inerente ao fenômeno e das mudanças dialéticas que ocorrem na natureza e na sociedade. O método dialético possui quatro leis fundamentais: 1) Ação recíproca; 2) Mudança dialética; 3) Passagem da quantidade a qualidade; 4) Interpenetração dos contrários. Ação recíproca Na dialética as coisas estão em constante processo de transformação e não ocorrem isoladamente. Para Engels a dialética é a "grande idéia fundamental segundo a qual o mundo não deve ser considerado como um complexo de coisas acabadas, mas como um complexo de processos em que as coisas, na aparência estáveis, do mesmo modo que
  8. 8. os seus reflexos intelectuais no nosso cérebro, as idéias, passam por uma mudança ininterrupta de devir e decadência, em que, finalmente, apesar de todos os insucessos aparentes e retrocessos momentâneos, um desenvolvimento progressivo acaba por se fazer hoje". Mudança dialética A mudança dialética é explicada como a negação da negação. Conforme Thalheimer "Quando se nega algo, diz-se não. Esta, a primeira negação. Mas, se se repete a negação, isto significa sim. Segunda negação. O resultado é algo positivo". Esta dupla negação resulta numa nova proposição, o que significa que tudo passa por mudanças. Engels afirmava que "para a dialética não há nada de definitivo, de absoluto, de sagrado; apresenta a caducidade de todas as coisas e em todas as coisas e, para ela, nada existe além do processo ininterrupto do devir e do transitório" Temos ainda, os "métodos de procedimento" que seriam etapas mais concretas da investigação, objetivando e justificando-se por uma postura menos abstrata e mais restrita em termos de explicação geral dos fenômenos. Pressupõem-se uma atitude concreta em relação ao fenômeno, estando limitadas a um domínio particular. Passagem da quantidade à qualidade Nesta lei são analisadas as mudanças contínuas ou descontínuas ocorridas devido a fatores alterados bruscamente. Portanto Engels afirma que, "em certos graus de mudança quantitativa, produz-se, subitamente, uma conversão qualitativa". Uma mudança quantitativa é classificada como o aumento ou diminuição de quantidade e a qualitativa como a passagem de uma situação à outra que não ocorre ao acaso devido à dependência da mudança quantitativa. Segundo Stalin "em oposição à metafísica, a dialética considera o processo de desenvolvimento, não como um simples processo de crescimento, em que as mudanças quantitativas não chegam a se tornar mudanças qualitativas, mas como um desenvolvimento que passa, das mudanças quantitativas insignificantes e latentes, para as mudanças aparentes e radicais, as mudanças qualitativas. Por vezes, as mudanças qualitativas não são graduais, mas rápidas, súbitas, e se operam por saltos de um estado a outro; essas mudanças não são
  9. 9. contingentes, mas necessárias; são o resultado da acumulação de mudanças quantitativas insensíveis e graduais". Interpenetração dos contrários As principais características da contradição são: 1) Interna: é a fonte de desenvolvimento da realidade; 2) Inovadora: “é a luta entre o velho e o novo”. A contradição se encontra nesta fase de transformação. 3) Unidade dos contrários: esta unidade representa dois termos que a principio são opostos e que acabam por se converter um no outro. "Essa unidade dos contrários, essa ligação recíproca dos contrários, assume um sentido particularmente importante quando, em dado momento do processo os contrários se convertem um no outro" Listaremos a seguir estes métodos, na área restrita das ciências sociais, em que geralmente são utilizados vários ao mesmo tempo: Método Histórico – é o método que investiga acontecimentos, processos e instituições do passado com a finalidade de verificar a sua influência na sociedade atual. Método Comparativo – este método é bastante utilizado em estudos comparativos entre grupos do presente, do passado, ou entre os dois. Também se usa para comparações entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios de desenvolvimento histórico; Método Monográfico – é um método bastante recortado e consiste no estudo de determinados indivíduos; suas profissões; as instituições; as condições de diversos grupos, separadamente; estuda grupos ou comunidades; todos esses estudos partem da premissa de obtenção de generalizações; Método Estatístico – em termos quantitativos, esse método significa a redução de fenômenos sociológicos, políticos, econômicos, entre outros. A manipulação através da estatística permite analisar e comprovar ou não, as relações dos fenômenos entre si, além de permitir a obtenção de generalizações sobre sua natureza, ocorrência ou significado;
  10. 10. Método Tipológico – muito semelhante ao método comparativo, permite ao pesquisador comparar fenômenos sociais complexos, criando tipos ou modelos ideais (que não existam de fato na sociedade), construídos a partir da análise de aspectos essenciais do fenômeno; Método Funcionalista – poderíamos dizer que esse método é mais de interpretação do que de investigação. A partir dele se estuda a sociedade partindo do pressuposto da função de suas unidades, isto é, como um sistema organizado de atividades; Método Estruturalista – parte da investigação de um fenômeno concreto, caminha para o nível abstrato, por intermédio da construção de um modelo que represente o objeto de estudo, chegando finalmente ao concreto, como uma realidade estruturada e relacionada com a experiência do sujeito social. Método etnográfico – Tem como foco principal a análise dos aspectos culturais de determinado grupo da sociedade. Conforme Eisman "é um modo de investigar naturalista, baseado na observação, descritivo, contextual, aberto e profundo. O objetivo da etnografia é combinar o ponto de vista do observador interno com o externo e descrever e interpretar a cultura". Método clínico – É utilizado em estudos de caso e possui intervenção psicopedagógica com uma relação íntima entre pesquisador e pesquisado e pode ser de âmbito qualitativo ou quantitativo. “Segundo Trivinos a "flexibilidade do método clínico depende da capacidade do pesquisador nessas duas condições fundamentais: apoio teórico e domínio do contexto".”. Métodos e quadro de referência – “Pode ser compreendido como uma totalidade que abrange dada teoria e a metodologia específica dessa teoria.” Conforme identificado no desenvolvimento da pesquisa bibliográfica contida nesse trabalho, podemos dizer que todos esses métodos podem ser utilizados em pesquisas científicas, devendo o pesquisador escolher aquele que lhe permitirá obter os resultados esperados. É um importante exercício científico a escolha do método a ser utilizado, dela dependendo o sucesso da pesquisa.
  11. 11. Após a escolha do método, o próximo passo e iniciar a pesquisa, não antes de conhecer os tipos de conhecimento e a importância da utilização do conhecimento científico ao se fazer ciência. BIBLIOGRAFIA: BRAVOS, Vagner Valadares. Curso de Metodologia do Trabalho Científico. 3 ed. Caratinga: Doctum, 2006. ALVES, Maria Bernardete Martins; ARRUDA, Susana Margaret de. “Como elaborar um Artigo Científico”. Disponível em: <read.adm.ufrgs.br/enviar_artigo/ArtigoCientifico.pdf.> Acesso em: 25 junho. 2015. BARBA, Clarides Henrich de. “Orientações Básicas na Elaboração do Artigo Científico”. Disponível em: <http://adx.doctum.edu.br/adx/unidades/manhuacu/bibtec/listagem_livro.php? p_inicio=26&p_paginas=246&p_total=3195&=&opcao_pesquisa=0&ordempor=&selecao =&ordem=classificacao> Acesso em: 25 junho. 2015.

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