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Estudando a geografia do livro sagrado
Geografia Bíblica é a parte da Geografia Geral que estuda as terras e os povos
bíblicos e conduz à História Bíblica.
Deus permitiu a inserção de grande volume dessa matéria na Bíblia.
Um exame, mesmo superficial, mostrará que a cada passo, a Bíblia menciona
terras, povos, montes, cidades, vales, rios, mares e fenômenos físicos da natureza.
O ensino da Bíblia torna-se objetivo e de fácil comunicação quando podemos
apontar, mostrar e descrever os locais onde os fatos se desenrolaram.
Exemplos: Lc 10.30 (“descia um homem de Jerusalém para Jericó”);
É de muita importância o estudo da geografia bíblica como meio auxiliar no estudo e
compreensão da Bíblia. Mensagens e fatos descritos na Bíblia, tido como obscuros
tornam-se claros quando estudados à luz da geografia bíblica.
Deus permitiu a inserção de grande volume dessa matéria na Bíblia.
Um exame, mesmo superficial, mostrará que a cada passo, a Bíblia menciona terras,
povos, montes, cidades, vales, rios, mares e fenômenos físicos da natureza.
A Geografia é o palco terreno e humano da revelação Divina. É ela que juntamente com a
cronologia, situa a mensagem no tempo e no espaço, quando for o caso.
2. Ela dá cor ao relato sagrado, ao localizar, situar, fixar e documentá-los. Através dela, os
acontecimentos históricos tornam-se vívidos e as profecias mais expressivas.
O ensino da Bíblia torna-se objetivo e de fácil comunicação quando podemos apontar,
mostrar e descrever os locais onde os fatos se desenrolaram. Exemplos: Lc 10.30 ("descia
um homem de Jerusalém para Jericó");
As nações vêm de Deus, logo o estudo deste assunto à luz da Bíblia é rico sob todos os
pontos de vista. Ler Dt 32.8; At 17.26
Inumeráveis personagens tomam vida quando estudados à luz da Geografia. Ver as
peregrinações de Abraão, Jacó, Moisés e o Êxodo, Davi, Paulo, sem falar em Jesus.
Por exemplo:
“Enviou Moisés, de Cades, mensageiros ao rei de Edom, a dizer-lhe: Assim diz teu irmão
Israel: Bem sabes todo o trabalho que nos tem sobrevindo; como nossos pais desceram ao
Egito, e nós no Egito habitamos muito tempo, e como os egípcios nos maltrataram, a nós e
a nossos pais; e clamamos ao SENHOR, e ele ouviu a nossa voz, e mandou o Anjo, e nos
tirou do Egito. E eis que estamos em Cades, cidade nos confins do teu país.
Deixa-nos passar pela tua terra; não o
faremos pelo campo, nem pelas vinhas,
nem beberemos a água dos poços; iremos
pela estrada real; não nos desviaremos
para a direita nem para a esquerda, até
que passemos pelo teu país. Porém Edom
lhe disse: Não passarás por mim, para que
não saia eu de espada ao teu encontro.
Então, os filhos de Israel lhe disseram:
Subiremos pelo caminho trilhado, e, se eu
e o meu gado bebermos das tuas águas,
pagarei o preço delas; outra coisa não
desejo senão passar a pé. Porém ele disse:
Não passarás. E saiu-lhe Edom ao
encontro, com muita gente e com mão
forte. Assim recusou Edom deixar passar a
Israel pelo seu país; pelo que Israel se
desviou dele”.
Passagem de
Edom, atual Petra
Na dispersão das raças após o Dilúvio (Gn caps. 10 e 11):
● Sem povoou o sudoeste da Ásia;
● Cão povoou a África;
● Canaã povoou a península arábica e
● Jafé povoou a Europa e parte da Ásia.
O Dilúvio se constitui hoje um fato praticamente aceito e comprovado pelos estudiosos da
ciência. Entretanto, um outro questionamento e levantado: a sua extensão geográfica; isto
é, se ele foi realmente universal ou apenas local. A leitura atenta na Bíblia nos leva a
entender que o dilúvio foi universal. (Gen. 7:19-21). Diz a Bíblia que todos os altos montes
foram cobertos pelas águas e toda a raça, exceto Noé e sua família, foi destruída. Logo,
segundo o texto: entende-se que a terra foi coberta e que, portanto. o dilúvio foi universal.
Entretanto na dificuldade de se encontrar vestígios universais do dilúvio, tem crescido a
aceitação em torno da localidade do acontecimento. Sabemos que o objetivo maior de Deus
com o dilúvio era destruir a raça humana corrompida. Ora, de Adão a Noé haviam se
passado 10 gerações e a população do mundo na época talvez não atingisse ainda 1 milhão
de pessoas.
De forma alguma essa população teria condições de se dispersar e atingir outros
continentes, limitando-se basicamente as regiões da Mesopotâmia, Armênia e Caucaso,
regiões tidas como prováveis berços da raça humana. Portanto, para destruir toda raça
humana. Bastava apenas que o dilúvio cobrisse as regiões habitadas da terra naquela época.
A questão parece estar na interpretação que damos aos termos “universal”, “toda terra - se
os entendermos do ponto de vista de Moisés e Noé, segundo os quais as águas cobriram
todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu”, então teremos o dilúvio como
universal. Entretanto, se os interpretarmos sob o prisma do mundo conhecido e habitado na
época, então o dilúvio seria apenas local.
Onde está a arca de Noé?
No século passado, muito antes que Botta, Layard, Koldwey ou Woolley pisasse no solo da
Mesopotâmia algumas expedições foram organizadas com a finalidade expressa de escalar o
Ararate para encontrar a arca.
Plantada no sopé do Ararate ha uma aldeia Armênia chamada Bayzit, cujos habitantes
frequentemente se referiram a historia de certo pastor, que dizia ter visto no Ararate, os
restos de um colossal navio.
Em 1833 o governo turco organizou uma expedição que escalou partes do Ararate e trouxe
relatório parecendo confirmar a estória do pastor, que no verão, podia-se ver a carcaça de
um navio.
Dr. Mouri, dignitário eclesiástico de Jerusalém e Babilônia em 1892, citando as nascentes do
Eufrates, diz ter visto os restos de um navio. Em plena vigência da Primeira Guerra Mundial,
um aviador russo, chamado Roskowitzki, diz ter visto restos de um navio. Nicolas II, não
perdeu tempo, sem levar em conta a guerra, enviou para o Ararate uma expedição que viu a
arca e a fotografou.
Aconteceu, porém, que todos os documentos dessa expedição desapareceram durante a
revolução de outubro. Com a ocupação russa da região, nenhuma tentativa se faz mais no
sentido de averiguar os fatos propalados.
Fernando Navarra, um espanhol, na companhia de seu filho Rafael, fez três viagens ao
Ararate: 1952, 1953 e 1954. Diz ter encontrado a arca e trouxe pedaços de madeira tiradas
da arca que foram submetidos a provas de laboratório e constatado ser verdadeira a sua
versão.
O primeiro pecado de Noé depois do dilúvio for sua embriaguez. Graças a Noé, tivemos a
maravilhosa profecia quanto ao futuro de seus três filhos.
A profecia encontra-se em Gn 9:25-27. Noé declara que Canaã, seu neto, em lugar do Cão
seja maldito, servo dos servos de seus irmãos. Jeová seria o Deus de Sem; e a Jafé Deus
alargaria o seu termo ate vir morar nas tendas de Sem. Esta profecia está ainda em processo
de cumprimento, mas o que já foi cumprido basta para nos convencer de sua origem divina.
O cumprimento da profecia
Aos descendentes de Cão coube a tarefa de povoar a África, a Ásia distante. A Oceania e por
algum tempo, certas regiões do Oriente Médio; Babilônia e mediações do Mar Vermelho.
Por algum tempo também esta raça promoveu e desenvolveu uma admirável civilização,
representada pelos babilônios, egípcios, fenícios e outros.
Desses antigos povos nos tem chegado uma vasta literatura e uma cultura que muito
admiramos.
Depois os babilônicos foram vencidos pelos semitas; os fenícios. Notáveis especialmente na
antiga cidade de Cartago, também sendo vencidos pelos jafetitas, enquanto outros ramos
desta raça, espalhados pela Palestina, com diversos nomes, foram absorvidos pelos semitas.
Desta raça primitiva restam apenas a África sempre degradada e as civilizações rebarbadas
da Ásia não chegando a produzir grandes povos nem grandes civilizações.
Dentre todos os semitas, destacam-se os hebreus, que se notabilizaram mais pelos penderes
religiosos do que por outros títulos. Aliás, a profecia de Noé não contempla grandes
civilizações provindas deste ramo, mas a religião. Jeová seria o Deus de Sem uma tarefa mais
espiritual que material. Foi também cumprida a profecia.
A Jafé couberam as ilhas do mar e as distantes paragens europeias. Deus havia de dilatar a
Jafé por profecia. Assim, os jafetitas se dirigiram para o Ocidente, todas as ilhas do
Mediterrâneo: toda Europa e parte da Ásia, aparecendo nos antigos e modernos persas e
medos, e chegando a suplantar os cuchitas hindus. Coube-lhes a tarefa de desenvolver as
artes e as industrias, bem como as ciências.
São os jafetitas os detentores da cultura mundial. No seu afã de desenvolver as suas
faculdades, iriam alastrar-se por toda a terra ate virem morar nas tendas de Sem, de acordo
com a profecia. Hoje os jafetitas não só dominam a Europa e a America, mas também a Ásia
e a África. Não há regiões geográficas que eles não dominem.
Descendentes de Jafé — Gomer. Filho mais velho de Jafe foi o progenitor de muitas nações e
povos, entre outros, os germanos, os cimérios (Cimeri, Cimeia).
Magogue foi o pai dos citas: Madai, dos
medos: Javam. dos gregos; Tiras, dos tracios.
Crê-se que foi o progenitor dos povos das
mediações do Negro, de onde veio o nome de
Axenus, mais tarde Euxino, Magigue, Tubal e
Meseque são mencionados por Ezequiel (cap.
38:14.15); e os seus nomes correspondem aos
Mogui, Mongólia, Toboski, Moscou e Moscovi.
Destes vieram os povos das ilhas do
Mediterrâneo e de outros povos da Europa.
Descendentes de Cão: O filho mais velho de Cão foi Cuche, o povoador dia Etiópia e do Egito, na
África, e das mediações do Mar Caspio. Cuche foi também pai de Ninrode, chefe da primeira
coligação dos povos da Mesopotâmia. Miz ou Mizraim foi o progenitor dos egípcios, porque o
Egito, na linguagem dos hebreus e outros, chamam-se Mizraim. Pute deu origem aos mauritanios.
Canaã, o mais moço dos filhos de Cão, foi pai dos cananeus, dos fenícios e muitos outros
pequenos povos, que foram destruídos pelos semitas. I-lete, um dos filhos de Canaã, foi
progenitor de uma grande raça, ainda mal conhecida, a dos hiteus.
Entre os seus segredos desvendados, aclararam muitos pontos obscuros da antiga civilização.
Parece que esta raça dominou a Ásia Menor, onde teve uma das suas três capitais.
Descendentes de Sem. Os filhos de Sem foram Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Ara. Elão estabeleceu-
se a leste da Pérsia e deu origem aos elamitas, bem notáveis no tempo de Abraão. Assur foi
progenitor dos assírios, notáveis guerreiros e conquistadores.
Arfaxade, progenitor dos semitas, caldeus, que dominaram a Mesopotâmia, sendo vizinhos de
Assur. Elão e outros. O neto Eber foi progenitor dos hebreus. Lude parece que foi o pai dos Hotos,
Ara, pai dos amorreus, povo notável nos dias do reino de Israel, encontrando o seu fim no imperio
assírio. Uz, filho nada velho de Ara, deu o nome ao país de Jo, se bem que não tenha sido possível
localizar o território.
A verificação histórica de todos esses povos, graças aos pacientes estudos da Etnologia e
Etnografia, foi de incalculável valor cientifico e especialmente, bíblico. Por ele, ficou evidente que
a Bíblia é um tesouro da antiguidade.
O mundo bíblico situa-se no atual Oriente Médio e terras do contorno do Mar
Mediterrâneo.
É ele o berço da raça humana. Mais precisamente a Mesopotâmia, nas planícies entre os
rios Tigre e Eufrates.
Foi daqui que partiram as primeiras civilizações.
As principais civilizações da antiguidade e sua localização geográfica
a) No Vale do Nilo (Nordeste da África) - a civilização egípcia.
b) Na Mesopotâmia (na região entre os rios Tigre e Eufrates) - as civilizações dos sumérios,
acádios, babilônicos e os assírios.
c) No Litoral do Mediterrâneo - os povos fenícios e cretenses.
d) Na Margem Ocidental do Jordão - a civilização dos Hebreus.
e) No Planalto do Ira - os povos medos e os persas.
A economia dos povos da antiguidade oriental
A Base da economia na maioria desses povos e a agricultura As principais civilizações
agrícolas eram:
a) EGIPCIOS E MESOPOTAMICOS - Desenvolveram as margens dos rios sistemas
aperfeiçoados de irrigação, drenagem e construção de barreiras, sendo por isso
denominadas de civilizações hidráulicas (Hidro = água).
b) HEBREUS - destacam-se no pastoreio (criação de ovelhas, gado, etc) e também na
atividade comercial. Na agricultura destacam-se no cultivo de cereais, vinha e oliva.
c) PERSAS - a maioria da população persa se dedicava a agricultura. Mas o forte da economia
estava no comercio terrestre com o Oriente, o Egito e os povos da Mesopotâmia.
d) FENICIOS - desenvolveram o comércio marítimo e a construção naval.
Mantinham boas relações comerciais com os hebreus.
A sociedade dos povos orientais
O núcleo básico da sociedade oriental era a Família Patriarcal. O Patriarca (homem mais
velho) era respeitado e obedecido por todos. Como líder do clã familiar exercia as funções
de chefe, de juiz e de sacerdote, mantendo todos sob seu absoluto domínio.
A mulher era geralmente considerada como propriedade do marido e a este deveria
obedecer e chamar de ‘meu senhor. Sua função, como mulher, resumia-se a procriação e a
cuidar da casa e dos filhos.
A população escrava sempre foi muito numerosa entre as sociedades orientais e constituía a
base de todo meio de produção, ou seja, a mão de obra escrava sustentava o poder
econômico e político dos Estados organizados e o prestigio das classes dominantes: nobres
membros das famílias reais, sacerdotes, escribas e demais funcionários civis e militares.
A vida religiosa desses povos
A religião foi o traço mais marcante na vida dos povos orientais. Ela influenciava tudo:
economia, sociedade, política, cultura, artes, tudo. Praticamente, todos os povos orientais
eram politeístas, isto e, adoravam a vários deuses. Só o Egito, por exemplo, possuía mais de
dois mil deuses, uns em forma humana, outros de animais, de formas mistas, ou ainda
deuses representantes de forcas da natureza.
Pode-se afirmar que a única exceção dessa tendência politeísta esteve representada no
monoteísmo dos hebreus. Egito, Babilônia, Assíria, Fenícia e outros povos formavam um
extenso rol de nações pagas e idolatras, onde praticas politeístas e antropomórficas
caracterizavam seus cultos. Cada cidade, nesses países, possuía os seus próprios deuses e
muitas das cerimônias religiosas se transformaram em terríveis carnificinas, com sangrentos
sacrifícios humanos. Só Israel testificou de um único Deus, justo e verdadeiro em meio ao
enraizado e diabólico paganismo oriental.
Mesopotâmia, que em grego quer dizer ‘terra entre rios’, situava-se entre os rios Eufrates e
Tigre e é conhecida por ser um dos berços da civilização humana. Localizada no Oriente
Médio, atualmente esta histórica região constitui o território do Iraque.
Há cerca de 4.000 a.C., grupos tribais da Ásia Central e das montanhas da Eurásia chegaram
ao local devido às extensas áreas férteis próximas aos rios, além da vantagem de terem água
próxima, fornecendo subsídio para pesca, alimentação e transporte. Pelos mesmos motivos
chegaram, tempos depois:
Sumérios
Desenvolveram um importante sistema de canalização dos rios para melhor armazenar a
água para sua comunidade. Também criaram a escrita cuneiforme, registrando os detalhes
de seus cotidianos através de placas de argila, e os zigurates, construções piramidais que
serviam de armazenamento de produtos agrícolas e de prática religiosa. As cidades-Estado
de Nipur, Lagash, Uruk e Ur datam da época dos sumérios.
Zigurates
Babilônios
Criaram os primeiros códigos de lei para controlar a sociedade, como as Leis de Talião,
formuladas pelo Imperador Hamurabi, que previam castigos severos aos criminosos de
acordo com a gravidade de seus delitos. Por volta do século VII a.C., o Imperador
Nabucodonosor II, que formava o Segundo Império Babilônico, ordenou que fossem
construídos dois templos que serviriam de grande reverência arquitetônica: Torre de Babel
e os Jardins Suspensos.
Assírios
Tinham uma ampla organização militar e eram ávidos pela guerra. Quando dominavam
determinados territórios, impunham castigos cruéis aos inimigos como forma de intimidá-
los, para demonstrarem sua superioridade.
Jardins Suspensos da Babilônia (pintura de Martin Heemskerck)
Além destes, os acádios, caldeus e amoritas, dentre outros, também constituíram a
sociedade mesopotâmica. Eles eram povos politeístas (acreditavam em vários deuses) e
tinham uma ligação religiosa com a natureza.
Os povos da Mesopotâmia também desenvolveram a economia através da agricultura e dos
pequenos comércios de caravanas, com base em uma política centralizada por um rei ou
imperador.
Por volta do século VI a.C., o Império Persa se fortaleceu sob comando do Imperador Ciro II,
que não poupou esforços para tomar o poder dos babilônios, que tinham pleno domínio da
Mesopotâmia. A conquista dos persas acabou com as primeiras formas de dinâmica culturais
que marcaram a sociedade de origem mesopotâmica, uma das pioneiras da Antiguidade.
O nome geográfico “Palestino” foi adotado da nomenclatura da administração romana e não da
terminologia judaica original. É uma corruptela (modo errado de escrever ou empregar uma palavra) de
“Filistia” que originalmente significava apenas a porção do literal sul daquilo que hoje chamamos
Palestina, a parte do território habilitada pelos antigos filisteus.
A região que nos conhecemos por ‘Palestina’ tem recebido, através dos tempos, inúmeras
denominações, bem como, sofrido variadas alterações quanto a sua extensão. Os próprios judeus não
tinham um nome especial para seu pais, mas chamavam-no simplesmente de “A Terra”. Para eles, ela
era, e ainda e, a terra por excelência; dádiva especial de Jeová ao seu Israel eleito.
Vejamos alguns nomes que essa região ja recebeu ao longo de sua historia:
a) A Terra de Canaã — e talvez o nome mais antigo por ser a terra habitada pela descendência de
Canaã, filho de Cão, neto de Noé.(Gn. 10:6, 15-20).
b)Terra de Israel — após o retorno do Egito e a conquista da terra-prometida.
c) Reino de Israel (Norte) e Reino de Judá (Sul) — após a morte de Salomão. Esse foi o período do Reino
Dividido.
d) Terra de Judá — após a divisão, as tribos do Norte (Reino de Israel) foram dispersas pelos Assírios.
Com isso, permanece o Reino de Judá. Entretanto, estes também foram cativos pelos babilônicos.
Retornaram, porem, e habitaram a terra sendo seus habitantes chamados de Judeus, (mais tarde região
conhecida por Judeia).
e) Palestina — denominação dada por permissão romana. Consolidou-se após a grande dispersão do
ano 7O d.C. (invasão romana — destruição de Jerusalém).
f) Hoje – a Palestina está divida em dois países: Israel na margem ocidental do Jordão e Jordânia, na
margem oriental.
A Divisão da Palestina
Em 1922 a Inglaterra decidiu limitar a casa nacional dos Hebreus com diplomacia, para o oeste
com 23% da região e os outros 77% como “província da Arábia ou suplemento da Palestina. Para
administrar a pátria da Palestina que se chamava Transjordânia a Inglaterra instalou um membro
na tribo de Mecca, Abdullah e Emir na Jordânia (o membro da tribo era tirado da Arábia pelos
seus concorrentes, os Sauditas foram quem estabeleceram a Arábia Saudita em 1932)”.
Apenas poucos regulamentos Britânicos foram promulgados pelo alto chefe e sua administração;
e estavam no oeste e leste da Palestina.
A ordem Britânica estava legalmente para atender as 2 margens do Rio Jordão. (Eles
permaneceram legalmente para atender o Jordão até 1952) e habitantes do leste e oeste da
Palestina, Judeus e Árabes igualmente. A ordem Palestina assegurava seus passaportes.
Independência de Jordão e Israel
Foi outorgada a independência da Transjordânia pela Inglaterra em 1946.
Israel declarou sua independência em 1948.
Como resultado a oposição a guerra, Israel teve sua independência em 1948-1949. A
Transjordânia ocupou a Judéia e Samaria, e em 1950 o nome dessa região foi trocado para
Jordânia. Exceto a Inglaterra e Paquistão não reconheceram nessa região a ocupação da
Jordânia. Em 1967 a Jordânia uniu-se novamente a Arábia no esforço de destruir Jerusalém.
Seguindo sucessivas guerras em sua defesa, a administração de Israel começou na Judéia e
Samaria.
Jordânia é a Arábia Palestina
“A verdade e que Jordânia e Palestina e Palestina e Jordânia”, Rei Hussein da Jordânia, 1981.
A Arábia é o cenário da Palestina
• ‘Palestina, durante a ordem britânica teve seus limites indivisíveis’
• II artigo da convenção de aceitação do concilio nacional da Palestina 1965.
• ‘Jordanianos e Palestinos são considerados pela OLP como um povo.’
• Farouk kaddoumi, chefe da OLP / Departamento de Política 1977.
• “Palestina e Jordânia são um, Palestina esta no litoral e a Transjordania fica no interior, porém
na mesma região”.Rei Abdullah, da Jordânia, 1948.
• Os Palestinos e os Jordanianos não permanecem com nacionalidades diferentes. Eles
conseguiram os mesmos passaportes e tem a mesma cultura “.
• Abdue Hamid Sharap — Primeiro ministro da Jordânia, 1980.
Os Jordanianos
1 - Originalmente são tribos nativas de homens nômades para oriente da Palestina, os quais são
profundamente fiéis ao domínio dos membros das famílias reais.
2 - Para o oeste da Arábia Palestina: muitos dos que são descendentes de Árabes que imigraram
para a Palestina e para os arredores da região durante o mandato Britânico.
No oeste Árabe e Palestino que entraram para a Jordânia durante as varias guerras entre Arábia e
Israel estavam doando automaticamente sua cidadania jordaniana. Eles agora constituem
aproximadamente 60% do total da população jordaniana.
Estes também chamados Montes do Planalto Oriental (ou Montes de Galaada ou Gileade),
igualmente podem ser agrupados nas três regiões distintas em que se dividem as terras para o
oriente do Jordão.
a) Monte de Basã
Não se trata de uma certa elevação e sim de um largo e fértil conjunto montanhoso na parte
norte do Planalto Oriental, limitado ao norte pelo Hermom, a leste pelo deserto da Síria e parte
do deserto da Arábia, ao sul pelo Vale de Yarmuque e a oeste pelo Jordão e Mar da Galiléia. É o
monte a que se refere o Salmo 68.15. Nos dias de Abraão esta parte da Transjordânia era habitada
pelo povo de gigantes chamado refains, cujo último rei foi Ogue - morto pelos israelitas ainda sob
o comando de Moisés - e cuja cama de ferro media cerca de 4m de comprimento por 1 ,80m de
largura (Dt 3.11). Na conquista, esta região coube a meia tribo de Manassés.
b) Monte de Galaada ou Gileade
Outro conjunto montanhoso, ao sul de Yarmuque, indo ate a parte norte do Mar Morto, dividido
ao meio pelo ribeiro de Jaboque. Na parte sul ha uma montanha mais elevada, a qual os Árabes
chamam de Jebes Jilade. Talvez este fosse o monte que deu nome a região toda; entretanto não
há certeza disto. A linguagem bíblica parece que usa a designação Monte de Gileade com
referencia a região toda, que e um conjunto de elevações da parte central do Planalto Oriental. A
esta região coube a tribo de Gade por ocasião da conquista e foi o primeiro território conquistado
pelos Israelitas (Nm 21.24; Dt 2.3 6), até então dominado pelos amorreus, cujo rei era Seom. Esta
foi a terra de Elias, o grande profeta de Israel (IRs 17.1). No tempo do Novo Testamento, esta
parte da Transjordânia era conhecida como Peréia.
c) Montes de Moabe
Ainda que não se encontre na Bíblia uma expressão precisamente Montes de Moabe e sim
“campo de Moabe” e “país de Moabe”, o fato e que a região ocupada por moabitas ao sul da
Transjordânia e ao oriente do Mar Morto é bastante montanhosa, destacando-se o conjunto mais
próximo do Mar Morto, chamado “montes de Abarim”.
d) Nebo ou Pisga (Dt 34.1) - A cerca de 15 quilômetros a leste da foz do Jordão e por trás da
Planície de Moahe, com 800m de altitude, de onde Moisés contemplou a Terra da Promessa e
onde morreu (Dt 34.1-6). Alguns autores fazem distinção entre os montes Nebo e Pisga,
apontando este último como um pico daquele.
e) Peor - Este monte fica pouco a nordeste de Nebo. Do cume deste, Balaão contemplou o
acampamento de Israel na planície e o abençoou pela terceira vez, quando era para ser
amaldiçoado, como era o desejo de Balaque, rei de Moabe.
A hidrografia da Palestina pode ser dividida em três partes, a saber: mares, lagos e rios.
Mares
Mar Mediterrâneo - Também conhecido na Bíblia como o Mar Grande e Mar Ocidental. Este mar banha
toda a costa ocidental da Palestina. É de pouca profundidade na costa Palestina, assim impedindo a
aproximação de navios de maior calado mesmo dos tempos antigos, razão por que o Mediterrâneo não
funcionava para Israel como caminho marítimo, antes o isolava do mundo. O único porto do
Mediterrâneo de que se valiam os israelitas era Jope, onde há um pequeno promontório com uma linha
de arrecifes. Entretanto, devido a esses arrecifes e os bancos de areia, era de pouca procura pelos
navegantes, preferindo estes os portos fenícios. Assim, do ponto de vista politico-militar, o
Mediterrâneo constituía para a Palestina uma vasta defesa natural de sua fronteira ocidental. Por este
mar foram levados os famosos cedros do Líbano para Jope, destinados a construção do templo de
Salomão em Jerusalém. Neste mar foi lançado o profeta Jonas quando fugia da missão recebida. Por
suas águas navegou o apóstolo Paulo mais de uma vez em suas viagens missionárias.
Neste mar ficam as ilhas referidas na Bíblia, das quais
destacamos Chipre, Creta e Malta.
Mar Morto - Também conhecido pelos nomes de Mar Salgado, Mar Oriental, Mar de Lo,
Asfaltite (Josefo), Mar do Arabá e Mar da Planície (Dt 3. 17;Jl 2.20; II Rs 14.25). Fica na foz do
rio Jordão, entre os Montes de Judá e os Montes de Moabe, na mais profunda depressão do
globo. É de forma ovulada, medindo 76 quilometros de comprimento na direção norte-sul e
17 quilômetros de largura, com o seu nível a 426m abaixo do nível de profundidade máxima
que se verifica na parte norte. Na parte sudeste (na altura do terço inferior) há um
promontório ou península, chamada Lisa. As suas costas são mais planas no lado ocidental e
bastante acidentadas e escarpadas no lado oriental. As suas águas são as mais densas da
superfície da terra, com cerca de 25% de salinidade, em razão das enormes jazidas de sal no
sul e da excessiva evaporação. O fato bíblico mais importante relacionado com este mar é a
destruição de Sodoma e Gomorra, cidades que, parece, tiveram lugar no sul do Mar Morto,
hoje coberto por um pantanal betuminoso. O seu nome atual, Mar Morto, foi lhe dado pelos
geógrafos e historiadores antigos do século II da nossa era, Pausanias (grego) e Justino
(romano), devido ao aspecto triste e desolador que domina a região.
Mar da Galiléia - Também conhecido pelos nomes de Mar de Quinerete (Nm 34.11), Mar de
Tiberíades (Jo 21.1) e Lago de Genezaré (Lc 5.1). Na verdade trata-se de um lago de água doce
formado pelo rio Jordão, mas, devido as suas dimensões avantajadas e temporais violentos que
frequentemente o agitam, as populações adjacentes o tem chamado de mar. É o segundo lago
equilibrador das águas do Jordão, sendo o primeiro o de Meronm que fica 20 quilômetros ao
norte. Mede aproximadamente 24 quillômetros de comprimento por l4 de largura, tendo seu
nível 225m abaixo do nível do Mediterrâneo e profundidade media de 50 m. Suas águas são claras
e muito piscosas. As suas margens do lado oriental são montanhosas, enquanto do lado ocidental
e na direção noroeste estendem-se planícies férteis com cidades importantes, como Cafarnaum,
Corazim, Magdala, Genezare, Betsaida, Tiberiades e outras. O clima da região, especialmente ao
norte, é muito agradável, propício a lavoura e pecuária. As cidades das margens do Mar da
Galiléia e as próprias praias e águas deste foram palco de acontecimentos importantes do
ministério terreno de Jesus operando milagres, apaziguando a tempestade, andando sobre o mar,
alimentando milhares com a multiplicação de pães, pronunciando preciosos ensinamentos
(Sermão do Monte) e aparecendo aos discípulos após a ressurreição.
Lagos
Um único lago encontramos no território palestínico - o Lago de Merom, também conhecido
como Águas de Merom (Js 11.5,7), e modernamente como lago de Hule (nome árabe). Também
era formado pelas águas do Jordão, como o Mar da Galileia, e localizava-se a 20 quilômetros ao
norte deste. O seu comprimento era de cerca de l0 quilômetros por 6 de largura, achando-se o
seu nível 2 m acima do nível do Mediterrâneo e tendo de 3 a 4 de profundidade. Uma vasta região
alagadiça cercava as suas margens em todas as direções onde antigamente vicejava o papiro. Foi
nas proximidades deste lago que Josué ganhou uma de suas grandes batalhas contra os inimigos
confederados do norte de Canaã. Hoje o lago já não existe, pois foi drenado pela engenharia
israelense.
Rios
Os rios Palestinos são distribuídos em duas bacias hidrográficas: Bacia do Mediterrâneo e Bacia do
Jordão.
Bacia do Mediterrâneo
a) Belus – Segundo se crê, trata-se de Sior Libnate referido em Josué 19.26. Corre a sudoeste dos termos
de Asser, na direção do Mediterrâneo, despejando as suas águas na Baia de Acre, pouco ao sul da cidade
de Aco (mais tarde denominada Ptolemaide e Acre). E torrente que se manifesta somente na época das
chuvas, permanecendo seco o seu leito por quase dois terços do ano. E um dos chamados Wadis que
são abundantes na Palestina.
b) Quisom (ou Kishon) – Este é o maior rio da Bacia do Mediterrâneo e o segundo da Palestina.
Nascendo das pequenas correntes de Gilboa e Tabor, Montes da Galileia, e recolhendo outras águas da
Planície de Esdraelom, corre na direção noroeste ao largo do Monte Carmelo ate desaguar no
Mediterrâneo, na parte sul da Baia de Acre. As suas águas são impetuosas e perigosas durante o
inverno, ao passo que no verão são escassas. Foi junto deste rio que Baraque derrotou Sísera, sendo os
cadáveres dos seus soldados arrastados pela corrente do mesmo (Js 5.21), e Elias matou os profetas de
Baal depois do celebre desafio no Monte Carmelo (1 Rs 18.40).
c) Caná - Outro wadi ou torrente dos meses de chuvas, que nasce perto de Siquem e,
atravessando a Planície de Sarom, verte no Mediterrâneo sete quilômetros ao norte de
Jope. E mencionado em Josué 16.8 e 17.9 como limite entre as terras de Manasses e Efraim.
d) Gaás - E outro ribeiro, wadi, que atravessa a região de Sarom na direção leste oeste e
deságuam no Mediterrâneo perto de Jope. o seu nome provavelmente deve-se a um monte,
não identificado, perto do qual foi sepultado o grande líder Josué (Js 24.30). Quanto as
referencias bíblicas ao ribeiro, encontramos em II Samuel 23.30e 1 Crônicas 11.32.
e) Sorec -- Nascendo nas montanhas de Judá, a sudoeste de Jerusalém, este wadi, seguindo
a direção noroeste, despeja suas águas no Mediterrâneo entre Jope e Acalom, ao norte da
Filistia. Os flancos suaves do vale que ele percorre, por sinal largo e fértil, são famosos pelos
vinhedos de uma espécie de uva síria muito apreciada. Segundo Juízes 14.1-5 e 16.4, nas
proximidades deste rio ficava Timna, cidade de Dalila, mulher filistéia que cavou a ruína de
Sansão.
f) Besor - - Este e o mais volumoso de todos os wadis que desembocam no Mediterrâneo.
Nasce no sul das montanhas de Judá, passa ao largo de Berseba pelo lado sul desta cidade e
lança-se no mar a uns oito quilômetros ao sul da cidade de Gaza. Seu nome moderno é wadi
Sheriah. É mencionado nas Escrituras em 1 Samuel 30.1-25, no episódio da libertação dos
habitantes de Ziclague das mãos dos amalequitas, por Davi e seus seiscentos homens, dos
quais duzentos haviam ficado junto de Besor, cansados, para guardar a bagagem.
Bacia do Jordão
a) Jordão - Este e o rio principal da Palestina e corre na direção norte-sul, assim dividindo o país
em duas partes distintas - Canaã propriamente dita e Transjordânia.
Seu nome significa declive ou o que desce. o Jordão origina-se da confluência de quatro pequenos
rios, a 11 quilômetros ao norte do Lago de Merom, cujas cabeceiras - menos as do primeiro -
encontram-se nos flancos ocidental e meridional do Monte Hermom. São eles: Bareighit, o mais
ocidental e cujas fontes não se alimentam das torrentes do Hermom. Hasbani, o mais longo -
cerca de 40 quilômetros de extensão – e tem sua nascente na encosta ocidental do Hermom, a
520m de altitude. Ledan, o mais volumoso porque se origina de muitas fontes nas proximidades
da antiga cidade de Da, no sopé meridional do Hermom, e cujo leito pode ser considerado como
começo do Vale do Jordão; por ser o braço central das nascentes do grande rio. Banias, a mais
oriental das quatro nascentes do Jordão, a mais curta, de apenas 8 quilômetros, porem a mais
bela, que jorra de uma imensa gruta na encosta meridional do Hermom, pouco ao norte da antiga
cidade de Cesárea de Filipe, da qual hoje resta apenas uma pequena aldeia cujo nome moderno e
Banias.
Costuma-se dividir o curso do Jordão em três trechos, para um estudo mais detalhado:
o primeiro trecho, ou seja, a região das nascentes, e o que acabamos de descrever nos seus
aspectos mais setentrionais e que vai até o Lago de Merom. Depois da junção das quatro
nascentes, o Jordão atravessa uma planície pantanosa numa extensão de 11 quilômetros e entra
no Lago de Merom. Neste trecho a sua largura varia muito e a profundidade vai a 3 e 4m.
Rio Jordão
Até o tempo dos romanos não havia ponte sobre o Jordão, de modo que a travessia do mesmo
era feita em certos lugares de margens mais rasas e águas menos profundas, chamados vaus. Um
desses vaus ficava defronte de Jericó, outro, perto da desembocadura do rio Jaboque;
O terceiro trecho do rio Jordão, nas proximidades de Sucote. O rio Jordão, sob todos os pontos de
vista, como: geográfico, histórico, político, econômico e religioso, e o rio mais importante do
mundo antigo. Está ligada a Revelação desde os dias de Abraão até os dias de Jesus. Nas suas
margens ocorreram numerosos e importantes acontecimentos, como a separação das águas para
o povo de Israel entrar na Terra de Canaã, sob o comando de Josué (Js 3.9-17); a permissão dada
por Moises as tribos de Ruben e Gade para ficarem na Transjordania (Nm 32.1-32); a historia de
Gideão, bem como a de Jefté (Jz 7,8,10,11); as lutas políticas de Davi (2Sm 17.24, 19.18); a
travessia, em seco, dos profetas Elias e Eliseu (II Rs 2.6-14); a cura de Naamã, general sírio que
fora acometido de lepra (II Rs 5.1 -i 4); a recuperação do machado de um “seminarista’ (II Rs 6.1-
7); a anexação dos territórios dos gaditas, rubenitas e manassitas (Transjordania) a Síria pelo seu
rei Hazael (II Rs 10.32,33); o ministério de João Batista e o batismo de Jesus (Mc 1 .5,9).
b) Querite - Verdadeiramente não se trata de um rio perene, e sim de um wadi, torrente das épocas de chuvas, que
desce dos montes de Efraim e desemboca no Jordão, pela margem ocidental, pouco ao norte de Jericó, depois de
percorrer uma região agreste, povoada de corvos e águias. Em alguma gruta nas margens deste ribeiro escondeu-se o
profeta Elias, por ordem do Senhor, onde foi sustentado pelos corvos que lhe levavam pão e carne todos os dias pela
manhã e a tarde (1 Rs 17.1-7).
c) Cedrom - Também este não é um rio perene, porém nas épocas de chuvas torna-se uma torrente impetuosa. Nasce
a dois quilômetros a noroeste de Jerusalém e, correndo na direção sudeste, passa ao lado leste da Cidade Santa pelo
Vale de Josafá - que separa esta do Monte das Oliveiras - e prossegue rumo sudeste até o Mar Morto, numa distância
de cerca de 40 quilômetros, por um leito profundo e sinuoso. Os principais fatos bíblicos relacionados com o ribeiro de
Cedrom são: a fuga de Davi por causa da revolta de Absalão, seu filho (25m 15.23), e a travessia de Jesus para o jardim
de Getsemane na noite de sua agonia (Jo 18.1).
d) Yarmuque - Este é o principal afluente oriental do Jordão, embora não esteja mencionado na Bíblia. É formado por
três braços, dos quais o mais setentrional recebe águas abundantes das vertentes orientais e meridionais do Monte
Hermom e desemboca no Jordão, seis quilômetros ao sul do Mar da Galileia.
e) Jaboque - E outro tributário oriental do Jordão. Nasce ao sul do Monte Gileade, corre para leste, depois para norte e
noroeste, descrevendo uma verdadeira semielipse, até desaguar no Jordão, mais ou menos no meio do curso deste,
entre o Mar da Galileia e o Mar Morto, depois de ter percorrido cerca de 130 quilômetros. E celebre na história bíblica
pela luta de Jacó com o anjo do Senhor, ocasião em que o nome deste foi mudado para Israel (Gn 32.22-32).
f) Arnom - Nasce nas montanhas de Moabe, a leste do Mar Morto, despejando neste as suas águas. Este rio
primeiramente separava os moabitas dos amorreus e depois os moabitas do território da tribo de Ruben, ficando como
limite meridional permanente dos territórios israelitas da Transjordania. Os profetas Isaias e Jeremias pronunciaram
condenações contra Moabe referindo-se a Arnom (Is 16.2; Jr 48.20). O missionário alemão F. A. Klein, em 1868, achou
a celebre pedra Moabita nas ruínas da cidade de Dibon, que fica a 5 quilômetros ao norte de Arnom. Esta pedra
contem uma inscrição feita pelo rei moabita Mesa em 850 a.C., em hebraico-fenicio, que confirma a passagem bíblica
de II Reis 3.1-27.
Rio Jaboque
Luta de Jacó com o anjo do Senhor
“Lugar de paz”, “Habitação segura” entre as cidades mais celebres do mundo encontramos
Jerusalém. No que diz respeito a historia bíblica, ela ocupa o primeiro lugar. Esta posição
privilegiada de Jerusalém não esta em sua extensão, nem em sua riqueza ou expressão cultural e
artística, e, sim, em sua profunda e ampla relação com a Revelação, ou seja, no seu sentido
religioso. Ela foi, de um modo especial, o cenário das manifestações patentes e evidentes do
poder; da justiça, da sabedoria, da bondade, da misericórdia, enfim, da grandeza de Deus. Por isto
as alusões proféticas e apostólicas a apresentam como o próprio símbolo do céu (Is 52.1-4; Ap.
21).
(1) Nomes
Durante a sua longa historia -já cerca de 3.000 anos - a cidade era conhecida por vários nomes,
assim como:
a) Urasalim - Encontrado nas Cartas de Tel-el-Amarna escritas por volta de 1400 a.C.,
provavelmente e o seu nome mais antigo.
b) Salém - E o nome mais antigo que aparece na Bíblia, já em uso nos dias de Abraão (Gn 14.18).
Provavelmente trata-se de uma abreviação da palavra Jerusalém, cidade devotada a Shalem,
antiga divindade semítica da paz e prosperidade.
c) Jebus - Assim era conhecida a cidade dos jebuseus na época dos Juízes (Jz 19.10,11).
d) Jerusalém - É o nome mais comum e que permanece ate o presente.
e) Sião - Este era o nome de um dos montes da cidade.
f) Cidade de Davi ou Cidade do Grande Rei - Estes nomes relacionam-se como ato heroico de Davi
na tomada da fortaleza, quando então a cidade foi conquistada e feita a capital do Reino de Israel
(I Rs 8.1; IIRs 14.20; Sl 48.2).
g) Cidade de Deus ou Cidade Santa - Assim chamada por estar ali o templo nacional; o local do
culto centralizado (Sl 46.4; Ne 11.1).
h) Cidade de Judá - A capital do reino de Judá, a cidade principal do reino (II Cr25.28).
i) Aelia Capitolina - Foi o nome dado pelo imperador romano Adriano, que a reedificou no século
II d.C. Aelia em honra a Adriano, cujo primeiro nome era Aelius, e Capitolina por ter sido dedicada
a Jupiter Capitolino, divindade suprema dos romanos.
j) El-Kuds – É o nome que os árabes deram a Jerusalém. O seu significado e “a santa”
(2) Localização e Topografia
Jerusalém fica situada na parte sul da cordilheira central da Palestina, ou sei a, nas montanhas de
Judá, na mesma latitude do extremo norte do Mar Morto, a 21 quilômetros a oeste do mesmo e a
51 quilômetros a leste do Mediterrâneo. Está edificada sobre um promontório a 800m de altitude,
subdividido em uma serie de montes ou elevações. A leste do promontório fica o Vale de Josefa
ou Cedrom, que separa a cidade do Monte das Oliveiras. A oeste e ao sul fica o Vale de Hinom
(Gehena, gr.) que em certa epoca da historia foi o Vale da Matança, assim chamado por causa dos
sacrifícios das crianças em holocausto ao ídolo Moloque (II Rs 23.10; Jr 7.31-34) e dos fogos que
ardiam constantemente, consumindo o lixo da cidade, os detritos dos holocaustos pagãos etc. Dai,
por analogia, a palavra grega Gehena - que significa Vale de Hinom - veio a designar o lugar de
castigo eterno dos condenados, o inferno (Mt 13.42; Mc 9.43-48). Sendo que a cidade e isolada
pelos lados leste, oeste e sul do conjunto da cordilheira pelos vales já mencionados, resta apenas
o lado norte suscetível ao crescimento, uma vez que por ele o tabuleiro continua ligado ao
conjunto montanhoso. O aspecto geral da cidade ao tempo de Cristo apresentava uma
configuração de um trapézio irregular que se alarga do sul para o norte, dividindo-se em cinco
zonas ou bairros caracterizados pelas elevações do tabuleiro: Ofel, que fica a sudeste e onde havia
uma antiga fortificação; Mona, a leste, onde estava edificado o templo de Salomão; Bezeta, ao
norte; Acra, a noroeste; e Sião, a sudoeste. Um vale interno chamado Tiropeom, que corria mais
ou menos na direção de noroeste para sudeste e sul, separava alguns desses bairros. Porem,
através dos tempos, a superfície da cidade tem sofrido muitas alterações com os aterros deste
vale, desaparecendo, assim, o antigo aspecto em que as elevações eram mais distintas.
(3) Muros e Portas
Até a destruição da cidade pelos romanos no ano 70 d.C., Jerusalém era protegida ao leste, sul e
oeste por uma só muralha, tendo havido, porem, ao norte três muros, edificados em épocas
diferentes, por força da expansão da mesma. O primeiro, que data dos dias de Davi, Salomão e
seus sucessores, rodeava a antiga cidade do Ofel, passando pelo sul do Vale do Tiropeom e do
Monte Sião, subindo pelo lado oeste do mesmo, na direção norte, até o sul da elevação de Acra, e
daí na direção leste, ate o norte do Monte Moriá, descendo pela aba oriental deste ate Ofel na
direção sul. Trechos deste muro já existiam desde os tempos dos jebuseus. Este muro era provido
de 60 torres para as sentinelas. O segundo muro foi
levantado por Jotão, Ezequias e Manasses - e depois
do cativeiro reedificado por Neemias – seguindo
praticamente o mesmo traçado do primeiro nos lados
leste, sul e oeste, abrangendo, porém, no lado norte
novas áreas - Acra e parte de Bezeta. Porem a linha
norte do segundo muro e muito discutida e por ora
nada de definitivo se sabe a seu respeito. O terceiro
muro, cujo fim era incluir os subúrbios do norte no
sistema de segurança da cidade, foi obra de Herodes
Agripa 1, começada cerca de dez anos após a
crucificação de Cristo. Também os vestígios deste
muro são escassos e discutidos quanto a sua exata
direção.
As portas nos muros de Jerusalém eram numerosas durante a longa historia da cidade. No livro de
Neemias, por exemplo, temos referencia acerca de dez delas: porta velha, porta do peixe, porta de
Efraim, porta das ovelhas, porta oriental, porta do gado, porta da água, porta dos cavalos, porta da
fonte, porta do esterco. Nem todas elas podem ser localizadas. Porem as principais portas de Jerusalém,
pelas quais o povo transitava mais frequentemente, e cujos nomes perduraram por mais tempo, foram
estas: a. Porta de Jope (ou Jafa) a oeste, que dava para as vias de comunicação com as cidades da região
ocidental; b. Porta de Damasco ou Peixe, que no primei primeiro muro teve o nome de Efraim, ao norte,
dando acesso ao centro e ao norte do pais, bem como ao
estrangeiro; e. Porta de Herodes, também ao norte, não e
mencionada na Bíblia, pois ficava no muro que foi
edificado pouco depois de Cristo mais ou menos na
direção da porta velha do segundo muro; d. Porta das
Ovelhas ou de Benjamim a leste, logo ao norte da esquina
do templo; e. Porta Oriental ou do Ouro, hoje fechada,
também a leste, como o próprio nome diz; f. Porta dos
Cavalos, ainda a leste, logo ao sul da esquina sudeste da
área do templo; g. Porta da Água, do mesmo lado oriental,
que conduzia a fonte de Guiom; h. Porta da Fonte, ao sul,
junto do tanque de Siloé e o açude velho para abeberar o
gado; i. Porta do Esterco ou de Monturo, também ao sul; j.
Porta do Vale, ou dos Essênios, ainda ao sul, no canto
sudoeste da cidade.
(4) Vias de Comunicação
Jerusalém sempre esteve ligada pelos quatro pontos cardeais a toda a Palestina e aos países
estrangeiros. Ao norte partiam os caminhos para Samaria, Galileia, Fenícia, Síria e Mesopotâmia.
A leste, desde as quatro portas orientais, convergiam os caminhos para Jerico e todo o Vale do
Jordão, bem como para as estradas da Transjordania que levavam os viajores para a Arábia, Síria
etc. Ao sul a cidade comunicava-se com Hebrom e Egito. A oeste ligava-se com Jope e os
caminhos para a Felícia e Egito, bem como para a Fenícia, na direção norte. Desde os tempos de
Abraão já havia caminhos cruzando a Terra de Canaã em todas as direções.
Certamente nos dias dos patriarcas esses
caminhos não passavam de trilhos por
onde trafegavam caravanas dos
mercadores e dos pastores de rebanhos.
Já nos dias de Josué, dos Juízes e da
monarquia hebraica, vemos o uso de
carros ferrados que certamente exigiam
estradas mais definidas, embora seguindo
os trilhos antigos. E no tempo dos
romanos já havia ate estradas
pavimentadas para o deslocamento rápido
de suas legiões militares. Tais noções
podemos colher de Juízes 1.19; Ireis
22.31; 35.38; II Reis 23.30; Atos 8.28 etc.
Os habitantes do Oriente Próximo, ou das terras bíblicas, sempre tiveram, como ainda tem, os
seus estilos peculiares de vida, de expressão e de pensamento. Isto se deve as particularidades
geográficas, étnicas e religiosas dos mesmos. Na impossibilidade de uma apreciação vasta e
completa do assunto - pois que o escopo deste livro e limitado, vamos apresentar aqui apenas um
esboço sucinto desses costumes e usos das terras bíblicas, dada a importância deste
conhecimento na interpretação bíblica.
FAMÍLIA HEBRAICA
Casamento - Os hebreus consideravam o casamento de origem divina e de importância básica para a
vida individual, social e nacional (Gn 2.18; 1.28). Segundo o ideal divino, o casamento havia de ser
monogâmico (Mt 19.1-8); a poligamia era tolerada no Antigo Testamento, porem no Novo Testamento
inteiramente repudiada.
O concubinato era tolerado nos casos de esterilidade da mulher legitima, mas frequentemente também
fora desta condição, especialmente entre ricos, nobres e reis (Gn 16.2; 30.3,4,9; 1 Sm 1.2; 25m 5.13; Jz
8.30; 1 Rs 11.3). A posição de concubina sempre era de uma esposa secundaria, pois geralmente
tratava-se de uma serva (escrava) ou prisioneira de guerra, e poderia ser despedida em qualquer tempo
e sem qualquer direito a amparo (Dt 21.10-14). Entretanto, a Bíblia não esconde os males da poligamia
e da concubinagem. O casamento misto era proibido em defesa da família, da tribo e da pureza da raça
(Dt 7.1-4). Havia também o casamento por levirato, quando, por morte do marido que não deixava
filhos, o irmão deste deveria casar-se com a cunhada viúva para suscitar descendência ao seu irmão
falecido (Dt 25.5).
FAMÍLIA HEBRAICA
a) Contrato de Casamento - Este, geralmente, era feito por terceiros - pai do noivo, seu irmão mais
velho, tio, ou algum amigo muito chegado, e só excepcionalmente, pela mãe (Gn 21.21; 24.38; 34.8). Em
alguns casos o próprio filho fazia a sua escolha, ficando, porém, com terceiros as negociações (Gn 34.4).
Estas consistiam nas consultas quanto ao destino dos bens por força do enlace que não poderiam
enfraquecer a tribo nem expor a moça ao desamparo (Nm 36); e nos acertos quanto ao dote que o
noivo havia de pagar ao pai da moça (uma espécie de dádiva que compensava a perda da filha);
geralmente oscilava entre 30 e 50 ciclos e selava o contrato matrimonial, mas podia ser efetuado
também em forma de trabalho, como no caso de Jacó (Gn 29.15-20, 34.12; Ex 22.17; 1 Sm 18.25; Gn
24.22-53). O dote da concubina era o preço da compra (no caso de serva ou escrava). Os casamentos
consanguíneos entre os hebreus eram proibidos (Lv 18.1-18), embora fossem comuns entre os caldeus
(Gn 20.12), os egípcios, os persas e outras nações orientais.
b) Noivado - Este era o primeiro ato do casamento, porém tão importante que somente a morte ou
infidelidade podiam dissolve-lo. Desde o momento em que o noivo entregava a noiva, ou ao
representante dela, na presença de testemunhas uma moeda com a inscrição “Seja consagrada [casada]
a mim” uma espécie de juramento - o jovem casal era (Rt 4.9-II; Ez 6.8) considerado casado, embora a
sua vida conjugal se efetuasse só depois das núpcias (Mt 1.18) que, segundo o Talmude, poderiam
ocorrer um mês depois para as viúvas e um ano depois para as virgens (no caso de Jacó durou sete
anos). Durante o noivado o homem era isento do serviço militar. Depois do exílio babilônico, adotou-se
o costume de lavrar um compromisso escrito.
c) Núpcias - A festa de núpcias durava, geralmente, sete dias (Jz 14.12), prolongando-se,
excepcionalmente, até catorze dias. O noivo, sendo rico, distribuía roupa nupcial aos convidados (Mt
22.11). Saindo de sua casa, ia a casa dos pais da noiva acompanhado de amigos e vestido de sua melhor
roupa, com grinalda na cabeça (Ct 3.11; Is 61.10), ao som de musica e de cânticos. Quando as núpcias
eram realizadas a noite, as pessoas que acompanhavam o cortejo muniam-se de tochas (lâmpadas).
Recebendo a esposa na casa dos pais desta, com rosto velado, acompanhada das bênçãos paternais, o
esposo a conduzia, em cortejo ainda maior, para a casa de seu pai ou para a sua própria, onde seguia-se
o banquete depois do qual os noivos eram conduzidos a camará nupcial (Mt 22.1-10; 25.1-13). Nos seis
dias subsequentes, as festas continuavam, embora mais resumidas. A lua de mel legal era de um ano,
durante a qual o marido estava isento das obrigações militares.
Os Filhos - Estes eram considerados dádivas divinas (Sl 127.3-5);
especialmente os do sexo masculino. Por isso a esterilidade era julgada
como uma falta de favor de Deus. A herança era dividida somente entre
os filhos do sexo masculino. As filhas recebiam a herança somente na
falta de filhos herdeiros. As filhas solteiras eram sustentadas pelos
irmãos até que se casassem. Seu casamento podia ocorrer somente com
alguém de dentro da mesma tribo. A primogenitura era honrada e
respeitada entre todos os povos orientais. O primogênito recebia a
porção dobrada dos bens paternos; com a morte do pai, assumia a
direção da família e as funções sacerdotais da mesma (na época anterior
a doação da lei mosaica). Quanto a educação dos filhos, o pai era
obrigado a ensinar-lhes desde cedo - a par da instrução - um oficio que
lhes garantisse a subsistência. (Nm 27; Dt 21.15-17). Áquila, Priscila e
Paulo sabiam fabricar tendas (At 18.3).
Divórcio - A dissolução dos laços matrimoniais entre os hebreus era permitida como uma
“necessidade calamitosa”, porém não aprovada, e mesmo repudiada já na ultima parte do
Antigo Testamento (Dt 24.1; Mt 2.13-16). Também Jesus repudiou o divorcio, exceto no caso
de adultério (Mt 19.3-9). O divorcio tinha que ser efetivado por um documento escrito,
chamado carta de divorcio, entregue a mulher pelo marido (Mt 19.7), para lhe dar direito a
um novo casamento. Se, porém, viesse a divorciar-se do seu segundo marido ou mesmo se
este viesse a morrer; já não poderia reconciliar-se com o primeiro, uma vez que se
encontrava contaminada pela coabitação com outro homem (Dt 24.4).
O Lugar da Mulher na Sociedade - De um modo geral, os orientais dos tempos antigos
relegavam a mulher a uma condição bastante inferior a do homem. Porém os hebreus
asseguravam a mulher o gozo de vários direitos não encontrados nos costumes de outras
nações. Entre os hebreus ela merecia lugar de honra e distinção (Pv. 31.10-31). A mãe era
digna das mesmas honras que se deviam ao pai (Ex 21.12; Pv. 1.8).
Perante as autoridades, a mulher tinha o direito de requerer justiça (Nm 27.1; 1 Rs 3.16-18).
Quanto as ocupações, quase que não existia distinção de sexo. Assim, a mulher moça
pastoreava rebanhos (Gn 29.6; Ex 2.16); trabalhava nos campos (Rt 2.3) e carregava a água
das fontes para o abastecimento da casa. Entretanto, as principais obrigações das mulheres
eram os trabalhos domésticos, bem mais complicados e difíceis que aqueles que as
mulheres tem hoje.
Elas moiam o grão (Mt 24.41), preparavam as refeições (Gn
18.6; II Sm 13.8), “fiavam a lã e teciam o pano” (1 Sm 2.19).
Na historia do povo hebreu há também uma juíza (Jz 4.4) e
pelo menos três profetisas (Ex 15.20; IIRs 22.14).
Saudações - Estas sempre eram prolongadas no Oriente. Jesus, por exemplo, mandou aos
seus discípulos que a ninguém saudassem pelo caminho justamente para poupar tempo (Lc
10.4). A posição mais comum era a inclinação do corpo para a frente e com a mão direita
posta no lado esquerdo do peito (Gn 23.7,12). Outra maneira usada, especialmente perante
pessoas superiores, era a prostração ou inclinação até a terra (Gn 18.2; 42.6). As expressões
mais comuns eram: “Paz”, “Paz seja convosco”, “Paz esteja nesta casa” (1Sm 25.6; Lc 24.36;
1Cr 12.18).
Enterros e Manifestação de Luto - Constatada a morte, o corpo do falecido era lavado e enrolado com
faixas ou lençóis impregnados de perfumes. Raramente eram usados esquifes ou caixões abertos. O
embalsamamento não era costumeiro entre os hebreus. Embora José e Jacó tivessem sido
embalsamados, sabemos, porém, que o foram pelos egípcios, que possuíam o segredo do processo. O
enterro era feito no mesmo dia da morte - isto por exigência do clima quente que favorecia a
decomposição rápida e também por força da lei que tornava imundo quem tocasse em um defunto (Nm
19.11-16) - acompanhado do cortejo fúnebre na seguinte ordem: as mulheres, as carpideiras (eram as
lamentadoras profissionais), o defunto, os parentes e amigos mais próximos, e o povo. Os túmulos dos
pobres eram simples covas no chão cobertas de terra e marcadas por uma pedra, ao passo que os
sepulcros dos mais abastados eram cavados na rocha, com umas pedras grandes, redondas, a porta,
para fecha-los. Os sepulcros eram geralmente localizados fora da cidade, mas também em certas regiões
e épocas ficavam nos pátios das casas. O costume de caiar os túmulos era praticado para evitar a
contaminação cerimonial por pisar neles.
O período de luto era de sete dias, em casos excepcionais era
delongado para mais (I Sm 31.13; Gn 50.1-4,10; Dt 34.8). As
manifestações de luto eram variadas: o rasgar de roupas, o andar
descalço, o lançar do pó na cabeça, o vestir-se de saco, o arrancar os
cabelos e a barba, o lançar-se no chão, o jejuar; o choro
desesperado, o andar com rosto coberto etc. (Gn 37.34; II Sm 18.3
1; 15.30; Jo 2.12; Am 8.10; Mc 5.38,39). Como demonstração de
respeito filial e para a perpetuação da memória dos mortos (II Sm
18.18) costumavam os hebreus levantar “colunas” (monumentos
que consistiam de uma pedra mais ou menos alongada que se fixava
na terra no sentido vertical).
HABITAÇÕES
Tendas -Este era o tipo mais primitivo de habitação palestínica e de um modo geral de todo o Oriente. A
primeira referência a tendas na Bíblia temos em Genesis 4.20. Originalmente parece que eram feitas de
pele de cabra; depois evoluíram para tecido de pelos de cabra de uma qualidade especial (de pelo longo,
escuro, muito resistente). Os tipos de tendas variavam de tempos em tempos, desde o mais primitivo -
um grande pedaço de tecido retangular levantado sobre uma vara horizontal, apoiada em alguns esteios
verticais, e preso pelos quatro cantos a estacas ao res-do-chao até o mais complicado feitio octogonal,
com uma ou duas colunas verticais no centro e divisões internas para dormitórios de homens, mulheres,
crianças, casais, servos, sala, cozinha etc.
Cabanas - Eram ranchos feitos de estacas encimando varas cobertas de ramos ou folhagens, ou mesmo
de tecidos, destinados a permanência mais prolongada no local.
Tabernáculo - O termo que significa simplesmente habitação e que tanto pode ser uma tenda como
uma cabana. Entretanto, na Bíblia esta palavra e aplicada especificamente a tenda que durante a
peregrinação dos israelitas pelo deserto servia para o culto de Deus. Era uma construção portátil de 30
côvados de comprimento por 10 côvados de largura, ou seja, aproximadamente 15m por 5m, que foi
substituída pelo famoso templo de Salomão construído em Jerusalém. Aquele templo, segundo as
descrições de I Reis 6 e II Crônicas 3, era algo majestoso. Porém, não sabemos se o seu tipo
arquitetônico era egípcio, fenício ou algum outro.
Casas - Pelas escavações arqueológicas, conclui-se que na Palestina as casas eram feitas de pedra, de
tijolos e de madeira (menos Comum), dependendo do que era mais encontrado na região. Quanto ao
tamanho, geralmente eram de um só cômodo e de um só andar. Os cidadãos mais abastados construíam
casas de dois pavimentos com vários cômodos. Os telhados nas regiões mais quentes eram chatos e
transformados em terraços, cercados de parapeitos, com acesso por uma escada exterior. Já nas regiões
mais frias eram encontrados telhados em forma de meia-água ou cumeeira para o deslizamento da
neve. Esses telhados ou terraços eram feitos de paus colocados em sentido cruzado ou paralelo,
cobertos, de barro misturado com capim (estuque).
Devido ao clima quente, a noite o terraço era o lugar preferido para o descanso, meditação e dormida, e
durante o dia para secagem de roupa, de cereais etc. Dos telhados dos edifícios públicos proclamavam-
se os decretos e os avisos de natureza coletiva (Lc. 12.3; Mt 10.27).
A divisão interna das casas dependia das posses do dono e do
tamanho da mesma. As casas de dois andares possuíam um pátio
interno com poço, tanques e até piscina. Na parte da frente, logo a
entrada, ficava a sala de visitas, ao lado, o quarto dos hospedes e o
dos donos da casa e, mais adiante, as acomodações dos servos, a
cozinha, a despensa etc. No segundo andar; os cômodos dos filhos
ou outros moradores da casa e frequentemente também dos
próprios donos. Esses cômodos sempre davam a porta para o pátio
interno. As portas eram estreitas e baixas e as janelas poucas e sem
vidros. A estalagem (khan - hospedaria) era sempre uma casa
maior; de dois andares, acrescida de acomodação para os animais e
servos na parte posterior; com a costumeira área central ou pátio.
Torres de Vigia - Eram armações de estacas e galhos, como as cabanas, com uma plataforma de 2m a
2,5m de altura para facilitar a vigilância dos pomares e das lavouras (Is 5.2; Mt 12.1). As torres de caráter
permanente eram feitas de pedra com acomodações para a família na parte inferior; para os meses de
calor; e uma plataforma em cima para a guarda.
Palácios - Eram as residências reais, construídas com requintes de luxo, em estilos que variavam com a
época de influência histórica - egípcio, fenício, assírio, grego, romano (os últimos ao tempo do Novo
Testamento).
Mobília
A mobília dos antigos no Oriente era bem reduzida. Nas tendas geralmente nada mais havia senão
tapetes ou esteiras servindo como divã, cadeira, mesa e cama, pois os orientais tinham por costume
sentar-se no chão sobre as pernas cruzadas. Os egípcios e babilônios, segundo parecem, introduziram
mais cedo que os outros povos a cadeira e a mesa, estas de 20 e 25cm de altura. Outros objetos de um
habitante de tendas eram: o martelo para fixar as estacas, duas pedras de moinho para moer o grão,
algumas panelas de barro ou metal para preparar comida, tigelas, amassadeiras e odres (recipientes de
couro de animais para leite e vinho) e sela de camelo. Nas casas já havia camas e cadeiras (II Rs 4.10),
bem como mesas, embora estas sempre baixas.
Os candeeiros eram de barro ou metal em forma de pires, com uma espécie de beiço num certo ponto
da borda para o descanso do pavio, que era de algodão ou lã. O combustível comumente era o óleo de
oliva (azeite) ou de sésamo (gergelim). Com o tempo os candeeiros passaram a ser cobertos por uma
tampa em que havia um orifício para o pavio. Talheres não se usavam antigamente. Um pedaço de pão
ou mesmo a mão eram usados para retirar a comida da tigela. Porém, havia garfos para uso no preparo
do alimento na cozinha.
Alimentação
Pão, leite, mel, legumes, frutas, farinha, azeite e vinho eram a base alimentar. A carne geralmente
aparecia somente em ocasiões festivas. Também o peixe era comum nas proximidades dos lagos e
mares. O pão era feito de farinha de trigo, cevada, centeio ou milho. Também costumava-se comer o
grão dos cereais cru - como vinha do campo - tostado, deixado de molho, cozido em leite ou em caldo
de carne.
Manteiga e queijo eram feitos de leite de cabra ou de vaca (mais raramente). O azeite era a gordura
mais usada para temperar a comida. Os legumes mais comuns eram lentilha, cebola, alho, pepino,
repolho e couve-flor. Também eram comuns as amêndoas, o cominho, o endro e o coentro. Das frutas
fazemos a menção de uva, figo, tâmaras, ameixas, pêssegos. A carne mais apreciada era a de cabra,
assada ou cozida em água ou no leite.
Vestuário
As vestes eram confeccionadas de algodão, seda, linho ou lã.
Peças do Vestuário Masculino
(a) Túnica - Era uma camisola de algodão ou linho, sem mangas, chegando ate os joelhos. A túnica dos
ricos e dos sacerdotes tinha mangas compridas e largas.
(b) Manto ou capa - Era uma peça de fazenda geralmente de lã que se usava por sobre a túnica,
servindo também como cobertor; tapete, sela etc. Era uma peca bastante adornada com franjas e borlas
(Dt 22.12).
(c) O cinto do manto - Era feito de couro ou fazenda espesso, bastante comprido para dar varias voltas
na cintura, por dentro do qual também carregavam-se dinheiro e outras miudezas.
(d) O sapato dos palestinos - era a sandália confeccionada de couro ou pano e presa ao pé por cordões
de algodão ou fitas de couro fino. Os ornamentos masculinos mais comuns eram o cajado, o anel-sinete
(que nos tempos mais remotos usava-se pendurado ao pescoço por meio de um cordão, porém
posteriormente no dedo) e as filactenas (tiras de couro com caixinhas, contendo alguns trechos da lei,
presas a testa e ao pulso esquerdo - Ex 13.9; Dt 6.8).
(e) O turbante - Na cabeça usava-se o turbante, que
consistia de uma fita longa enrolando a parte superior da
cabeça, ora em forma esférica, ora em cônica, truncada,
dependendo do gosto. Porém a cobertura mais comum, era
um lenço quadrado preso por uma fita ao redor da cabeça,
deixando a parte mais longa para trás a fim de proteger o
pescoço. Geralmente a fita era de cor diferente dado lenço.
Parece que os calções eram usados, por algum tempo,
somente pelos sacerdotes (Ex 28.42; 39.28)
Peças do Vestuário Feminino - As mulheres usavam as mesmas peças, porém mais longas e mais
ornamentadas, exceto o turbante. As mulheres usavam o véu sobre o rosto quando apareciam em
público. Quanto aos ornamentos e enfeites, apreciavam pendentes no nariz, nos lábios e nas orelhas;
anéis e pulseiras; diademas na cabeça (Is 3.16-24). A pintura em volta dos olhos já era conhecida nos
dias de Jezabel (II Rs 9.30).
Dinheiro, pesos e medidas
O intercambio comercial palestino sofreu as constantes influências políticas estrangeiras. O uso mais
remoto de permuta de valores entre os povos orientais era feito pela simples troca de mercadorias.
Depois entrou em uso a troca de um certo peso de metais preciosos - em forma de pó, pipetas ou barras
(cunhas) - pelos objetos ou propriedades imóveis. Assim, Abraão, ao necessitar de um campo para
sepultar a sua esposa Sara, “pesou (...) quatrocentos ciclos de prata, moeda corrente entre os
mercadores” (Gn 23.16). O ciclo, portanto, era um padrão de peso que variava conforme o metal que se
pesava (prata, ouro ou cobre).
Talento era outro peso, para metais preciosos, usado para valores maiores (como entre nos hoje usamos
arroba, tonelada, etc.). O ciclo cunhado (no valor de um e de meio ciclo) apareceu pela primeira vez
entre os hebreus por volta do ano 143 a.C., nos dias do sacerdócio de Simão Macabeu, quando exerceu
autoridade sobre a Palestina Antioco VII da Síria. O lançamento das primeiras moedas de curso nas
transações comerciais deve-se aos gregos entre 700 e 650 a.C., seguindo-se os persas por volta do ano
500 a.C.
A primeira moeda citada na Bíblia e o dárico, uma moeda persa (Ed
2.69) com que os hebreus já estavam familiarizados. Com a
introdução de novas moedas na Palestina - de tempos em tempos - e
face a exigência legal de pagamento de impostos do Templo, de
ofertas e aquisição de animais para o sacrifício, surgiu o oficio de
cambista, pois somente a moeda judaica podia entrar no tesouro
sagrado.
Moedas Cunhadas
a) Dárico - A moeda cunhada persa mais antiga, conhecida pelos hebreus no período da restauração (Ed.
2.69), valendo, segundo John D. Davis, um dólar.
b) Shekel ou siclo - A primeira moeda cunha da judaica (shekel e meio shekel de prata e a subdivisao em
quartos de cobre, chamados leptos).
c) Dracma - (moeda grega) e denário (moeda romana) - Ambas valiam um quarto de um shekel ou siclo.
Didracma, meio siclo, era a moeda do tributo (Mt 17.2 1).
d) Estáter - Moeda romana, igual a um siclo ou shekel judaico.
e) Ceitil - Moeda romana, também chamada sescum, valia uma oitava parte de um as (Lc. 12.6; Mt
10.29). Dois ceitis equivaliam a um quadrante, e 4 quadrantes a um as ou asse.
Pesos
Segundo Levitico 19.36, os hebreus desde os tempos mais remotos de sua nacionalidade usavam pesos
e medidas para avaliar o dinheiro e outros artigos comerciais. Os pesos referidos na Bíblia são os
seguintes: óbolo ou jeira, shekel ou siclo, beca, arratel, mane ou mina, e talento, cujos valores já foram
apreciados na primeira parte do tópico sobre o dinheiro.
Medidas
A. Medidas de Comprimento
a) Cúbito ou côvado - A unidade principal que variava entre 45 e 55cm.
b) Dedo ou dígito - Correspondendo a largura de um dedo; cerca de 2cm.
c) Mão - Cerca de quatro dedos.
d) Palmo -Aproximadamente 23cm.
e) Vara ou cana de medir- Igual a seis côvados ou cubitos.
f) Braça - (medida grega) - Cerca de 2,20m (At 27.28).
g) Estádio - (medida grega equivalente ao comprimento da pista do estádio de Olímpia, centro de
competições atléticas) – Igual a 185m.
h) Milha - (medida romana) - Equivalente a 1.500m.
i) Caminho de um Sábado - Correspondia a 1.000m aproximadamente, e originou-se do costume
observado no deserto, junto do Sinai, de não se percorrer no sábado distância maior que a do arraial até
o tabernáculo.
B. Medida de Superfície
Jeira, que, segundo Angus, “é um espaço de terra que uma junta de bois pode lavrar num dia”
Evidentemente a dimensão exata da jeira não e possível de se estabelecer; mas os autores opinam em
tomo de 2.500 m2.
C. Medidas de Capacidade Para secos:
a) Efa - Unidade padrão contendo cerca de 36 litros.
b) Alqueire, seá ou três medidas - A terça parte de uma efa;
mais ou menos 12 litros. Nota: alguns autores dão apenas 8,5
litros.
c) Gomer ou omer - A décima parte de uma efa (Ex 16.36),
cerca de 3,6 litros.
d) Cabo ou medida - Aproximadamente 1,5 litro.
e) Homer ou coro - 10 efas ou 360 litros.
Para líquidos:
a) Bato - A unidade basica, igual a efa: com capacidade de 36
litros (Ez 45.11).
b) Hin - Uma sexta parte de efa: 6,6 litros.
c) Logue - Um doze avos de um hin, ou seja, cerca de meio litro.
d) Almude ou metreta - Igual ao bato: 36 litros.
e) Léteque - Cinco batos: aproximadamente 180 litros. Nota:
Algumas destas medidas variam de acordo com os autores e
investigadores que nem sempre tiveram ao seu alcance as
melhores fontes. Nesta tabela baseamo-nos em Joseph Angus e
John D. Davis, considerados os melhores.
O Calendário Judaico
Apresenta as seguintes divisões do tempo e maneiras de conta-lo:
Dia - Este era contado do por do sol até o por do sol do dia seguinte (Gn 1.5), embora o termo também
significasse o período da luz nas 24 horas. Quanto a subdivisão do dia, no Antigo Testamento, nota-se
que o sistema de hora era desconhecido. Costumava-se dividir o dia simplesmente em períodos, com a
nomenclatura seguinte:
Manhã - de 6 ate 10 horas ou pouco mais; Calor do dia - de 10 ate 14 ou 15 horas;
Fresco do dia - de 15 as 18 horas. O período da noite obedecia a uma divisão em três vigílias: Primeira
vigília: - de 18 horas até meia-noite; Segunda vigília: - de meia-noite as 3 horas; Terceira vigília: -de 3 as 6
horas da manha. Já no Novo Testamento temos a seguinte subdivisão do dia: Terceira hora do dia -9
horas; Sexta hora do dia - 12 horas; Nona hora do dia - 15 horas; Décima segunda hora do dia - 18 horas.
Ao passo que a noite era dividida em quatro vigílias: Primeira vigília - de 18 as 21 horas; Segunda vigília –
de 21horas a meia-noite; Terceira vigília - de meia-noite as 3 horas, também designada pela expressão
“o cantar do galo”; Quarta vigília - de 3 as 6horas, também chamada ‘a manha”.
Semana - Esta era de sete dias chamados pelos ordinais - primeiro dia... etc., ainda que o sexto dia
geralmente fosse denominado o dia da preparação, e o sétimo, pelo seu caráter sagrado, o sábado
(descanso).
Meses - A observação das fases da lua determinou a divisão do ano em doze meses ou período de 29 e
30 dias alternadamente, em cujos nomes percebe-se a raiz cananéia, bem como a babilõnica:
Abib (mais antigo) ou Nisã (pós-exílico) era o nome do primeiro mês correspondente ao fim de março ou
começo de abril, Zife (Zive) ou lar; Siva, Tamuz, Ab, flui. Etanim ou Tishri, Bul (Chesvan ou Marchesvani)
Kislev, Tebel, Shebat e Adar. Mas como o ano lunar retrocedia em números de dias e assim
desencontrava das estações agrícolas determinadas pelo ciclo solar; tornou- se necessário intercalar um
mês intermediário cada três anos, ou seja, o 13° mês, denominado Ve-Adar (exatamente sete vezes em
cada ciclo de 19 anos), o que levou a se adotar o ano do ciclo solar.
Anos - No calendário hebreu havia o ano religioso, que começava com a Páscoa no dia do mês de Abib
ou Nisã (março ou abril) e o ano civil, cujo inicio era assinalado com a Festa das Trombetas no dia 2 de
Tishri ou Etanim (correspondendo ao final de setembro ou começo de outubro).
Havia, também, de sete em sete anos um ano sabático (Ex 23.10,11) para o descanso do solo,
destinação da produção espontânea para os pobres e peregrinos e cancelamento das dividas, e o ano do
jubileu, ou selá, cada 50 anos, quando todos os escravos hebreus eram libertados e as terras vendidas
restituídas aos primitivos donos ou seus legítimos descendentes. Parece que isto contribuiu muito para
a cultura social do povo, pois foi “O plano de Deus para evitar que a riqueza da nação fosse acumulada
nas mãos de poucos” e que os irmãos de raça ficassem perpetuamente escravizados uns aos outros.
As Festas de Israel
Os judeus celebravam sete festas religiosas anualmente, sendo que cinco eram da época mosaica e
duas de épocas posteriores. As mais importantes delas - as quais um judeu homem não podia faltar por
exigência da lei - eram três: a da Páscoa, a de Pentecostes e a dos Tabernáculos (Ex 23.14-19). Elas
objetivavam manter viva no coração do povo a realidade de que tudo que ele possuía ou tudo que ele
era em si vinham de Deus como dádiva. Inclusive a própria fertilidade da terra e a colheita resultante
eram provas da providência de Deus a favor de seu povo. Em resumo, as lições que as festas
pretendiam ensinar eram as seguintes:
a) Tudo provem de Deus, como proprietário que é de todas as coisas; b) A natureza produz pela
providência de Deus (uma espécie de maná); c) Este Deus a quem pertencem todas as coisas é que faz
a terra produzir milagrosamente é o Deus dos hebreus, que os dirige, guia e protege, com o fim de
habilita-los a desempenhar no mundo uma missão especifica e messiânica. Isto também fomentava a
unidade nacional indispensável. De modo que o zelo na celebração das festas expressava a consonância
espiritual do coração do povo com a sua conduta, ao passo que a negligência neste sentido provava o
declínio espiritual do povo e atraia sobre o mesmo pobreza, tristeza e perturbações sociais e políticas
que o faziam sofrer. Entretanto, a celebração simples e formal das festas, sem os fundamentos
espirituais que as deviam motivar, não era aceita por Deus (Am 5.21-27). As festas eram as seguintes:
a) Páscoa - Também chamada Festa dos Pães Asmos ou Dias dos Asmos, era celebrado de 14 a 21 do
mês de Abib ou Nisã, o primeiro do ano religioso, como um memorial do livramento dos hebreus do
jugo egípcio, destacando, especialmente, a passagem (este e o significado da palavra “páscoa”) do
anjo que feriu os primogênitos dos egípcios, poupando, porém, os lares em cujos umbrais israelitas
havia o sangue do cordeiro sacrificado na véspera. O cordeiro devia ser assado inteiro e comido com
ervas amargas e com pães asmos (sem fermento). O sangue aspergido nos umbrais significava a
redenção ou expiação; as ervas amargas eram alusivas a amargura do cativeiro; e os pães asmos eram
o símbolo da pureza com que a festa devia ser celebrada. E como o ano começava na primavera,
adicionou-se do segundo dia em diante uma significação relativa a alegria e gratidão pela colheita dos
primeiros frutos da semeadura da cevada (o período das colheitas dividia-se em duas partes: da cevada
e o do trigo), quando o sacerdote agitava perante o altar um molho deste cereal (Lv 23.10,11).
b) Pentecostes - Denominada também Festa das Semanas, Festa da
Ceifa ou Festa das Primícias. Celebrava-se 50 dias (ou sete semanas)
após a Páscoa, no 3° mês, Sivã, e durava um dia. Comemorava
aproximação do fim da colheita do trigo (e com ele a de todos os
cereais) de que era feito o “pão de cada dia” ou seja, a alimentação
comum do povo; A oferta peculiar desta festa era composta de dois
“pães movidos” (Lv 23.17), fermentados - porque representavam as
imperfeições do povo - e era acompanhada de uma outra,
composta de dois cordeiros, para expiação de pecados. Depois do
exílio babilônico adicionou-se a festa de Pentecostes também a
comemoração da doação da lei no Sinai.
c) Tabernáculos - Festa conhecida também como a da Colheita, Festa do Senhor ou simplesmente “a
festa” (Ex 23.33-43; Dt 16.13-15; Jo 7.34), celebrava-se no 7° mês; Tishri, e durava sete dias (15 a 21).
De todas as festas, esta era a mais alegre porque caia justamente numa época do ano em que todos
os corações estavam repletos de contentamento pelas colheitas guardadas nos celeiros, frutos
recolhidos e a vindima feita, o que falava eloquentemente do favor de Deus e ao mesmo tempo
lembrava a proteção de Deus durante a peregrinação no deserto quando o povo habitava em tendas
ou cabanas, isto é, Tabernáculos (habitações portáteis, improvisadas). Diz A. Edersheim que três eram
as coisas principais que distinguiam esta festa das demais: “o caráter alegre das celebrações, a
habitação em “tendas” e os sacrifícios e ritos peculiares a semana” A habitação em tendas ou
cabanas feitas de ramos de arvores, durante os sete dias da festa; visava a recordação dos 40 anos de
peregrinação no deserto sob a proteção divina. Mais tarde, na história dos judeus, a celebração desta
festa sofreu algumas modificações de pouca monta.
d) Trombetas ou Lua Nova - Era observada no 10 e 20 dias de Tishri, 7° mês, porque assinalavam a 7ª
lua nova do ano religioso e o inicio do ano civil. Entretanto, todo dia primeiro de cada mês caia em lua
nova e era assinalado por ofertas e celebrações solenes. A particularidade desta celebração era o
toque de trombetas dos sacerdotes com que se dava o inicio da festa.
e) Dia da Expiação - Este era o dia l0 do 7° mês, Tishri. É observado com abstenção dos
trabalhos e com jejum. Neste dia, somente o sumo sacerdote oficiava, e o fazia não com
vestes comuns, mas especiais, como expressão de pureza. Este era o único dia do ano em
que o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos para oferecer expiação por si mesmo,
pelos sacerdotes e pelo povo. Era realmente o dia mais importante de todo o calendário
judaico e o mais complexo no que diz respeito aos sacrifícios, seu preparo, seus detalhes e
seu oficiante (Lv 16; 23.26-32; Hb 9 e 10).
f) Purim - Festa instituída para comemorar o livramento dos judeus que habitavam a
Pérsia nos dias da perseguição planejada por Hamã, que visava o extermínio total da raca
judaica nos domínios persas. O termo purim significa sorte, e deriva-se do fato de Hamã
ter lançado sorte para saber o dia em que seria executado o seu plano macabro (Et 3.7),
plano este que tornou-se em maldição para Hamã (Et 9.25). A festa era celebrada nos dias
14 e 15 do 120 mês, ou seja, o mês de Adar (Et 9.21).
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Curso de Geografia Bíblica

  • 1. Estudando a geografia do livro sagrado
  • 2. Geografia Bíblica é a parte da Geografia Geral que estuda as terras e os povos bíblicos e conduz à História Bíblica. Deus permitiu a inserção de grande volume dessa matéria na Bíblia. Um exame, mesmo superficial, mostrará que a cada passo, a Bíblia menciona terras, povos, montes, cidades, vales, rios, mares e fenômenos físicos da natureza. O ensino da Bíblia torna-se objetivo e de fácil comunicação quando podemos apontar, mostrar e descrever os locais onde os fatos se desenrolaram. Exemplos: Lc 10.30 (“descia um homem de Jerusalém para Jericó”);
  • 3.
  • 4. É de muita importância o estudo da geografia bíblica como meio auxiliar no estudo e compreensão da Bíblia. Mensagens e fatos descritos na Bíblia, tido como obscuros tornam-se claros quando estudados à luz da geografia bíblica. Deus permitiu a inserção de grande volume dessa matéria na Bíblia. Um exame, mesmo superficial, mostrará que a cada passo, a Bíblia menciona terras, povos, montes, cidades, vales, rios, mares e fenômenos físicos da natureza. A Geografia é o palco terreno e humano da revelação Divina. É ela que juntamente com a cronologia, situa a mensagem no tempo e no espaço, quando for o caso. 2. Ela dá cor ao relato sagrado, ao localizar, situar, fixar e documentá-los. Através dela, os acontecimentos históricos tornam-se vívidos e as profecias mais expressivas.
  • 5. O ensino da Bíblia torna-se objetivo e de fácil comunicação quando podemos apontar, mostrar e descrever os locais onde os fatos se desenrolaram. Exemplos: Lc 10.30 ("descia um homem de Jerusalém para Jericó"); As nações vêm de Deus, logo o estudo deste assunto à luz da Bíblia é rico sob todos os pontos de vista. Ler Dt 32.8; At 17.26 Inumeráveis personagens tomam vida quando estudados à luz da Geografia. Ver as peregrinações de Abraão, Jacó, Moisés e o Êxodo, Davi, Paulo, sem falar em Jesus. Por exemplo: “Enviou Moisés, de Cades, mensageiros ao rei de Edom, a dizer-lhe: Assim diz teu irmão Israel: Bem sabes todo o trabalho que nos tem sobrevindo; como nossos pais desceram ao Egito, e nós no Egito habitamos muito tempo, e como os egípcios nos maltrataram, a nós e a nossos pais; e clamamos ao SENHOR, e ele ouviu a nossa voz, e mandou o Anjo, e nos tirou do Egito. E eis que estamos em Cades, cidade nos confins do teu país.
  • 6. Deixa-nos passar pela tua terra; não o faremos pelo campo, nem pelas vinhas, nem beberemos a água dos poços; iremos pela estrada real; não nos desviaremos para a direita nem para a esquerda, até que passemos pelo teu país. Porém Edom lhe disse: Não passarás por mim, para que não saia eu de espada ao teu encontro. Então, os filhos de Israel lhe disseram: Subiremos pelo caminho trilhado, e, se eu e o meu gado bebermos das tuas águas, pagarei o preço delas; outra coisa não desejo senão passar a pé. Porém ele disse: Não passarás. E saiu-lhe Edom ao encontro, com muita gente e com mão forte. Assim recusou Edom deixar passar a Israel pelo seu país; pelo que Israel se desviou dele”. Passagem de Edom, atual Petra
  • 7. Na dispersão das raças após o Dilúvio (Gn caps. 10 e 11): ● Sem povoou o sudoeste da Ásia; ● Cão povoou a África; ● Canaã povoou a península arábica e ● Jafé povoou a Europa e parte da Ásia.
  • 8. O Dilúvio se constitui hoje um fato praticamente aceito e comprovado pelos estudiosos da ciência. Entretanto, um outro questionamento e levantado: a sua extensão geográfica; isto é, se ele foi realmente universal ou apenas local. A leitura atenta na Bíblia nos leva a entender que o dilúvio foi universal. (Gen. 7:19-21). Diz a Bíblia que todos os altos montes foram cobertos pelas águas e toda a raça, exceto Noé e sua família, foi destruída. Logo, segundo o texto: entende-se que a terra foi coberta e que, portanto. o dilúvio foi universal. Entretanto na dificuldade de se encontrar vestígios universais do dilúvio, tem crescido a aceitação em torno da localidade do acontecimento. Sabemos que o objetivo maior de Deus com o dilúvio era destruir a raça humana corrompida. Ora, de Adão a Noé haviam se passado 10 gerações e a população do mundo na época talvez não atingisse ainda 1 milhão de pessoas. De forma alguma essa população teria condições de se dispersar e atingir outros continentes, limitando-se basicamente as regiões da Mesopotâmia, Armênia e Caucaso, regiões tidas como prováveis berços da raça humana. Portanto, para destruir toda raça humana. Bastava apenas que o dilúvio cobrisse as regiões habitadas da terra naquela época. A questão parece estar na interpretação que damos aos termos “universal”, “toda terra - se os entendermos do ponto de vista de Moisés e Noé, segundo os quais as águas cobriram todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu”, então teremos o dilúvio como universal. Entretanto, se os interpretarmos sob o prisma do mundo conhecido e habitado na época, então o dilúvio seria apenas local.
  • 9. Onde está a arca de Noé? No século passado, muito antes que Botta, Layard, Koldwey ou Woolley pisasse no solo da Mesopotâmia algumas expedições foram organizadas com a finalidade expressa de escalar o Ararate para encontrar a arca. Plantada no sopé do Ararate ha uma aldeia Armênia chamada Bayzit, cujos habitantes frequentemente se referiram a historia de certo pastor, que dizia ter visto no Ararate, os restos de um colossal navio. Em 1833 o governo turco organizou uma expedição que escalou partes do Ararate e trouxe relatório parecendo confirmar a estória do pastor, que no verão, podia-se ver a carcaça de um navio. Dr. Mouri, dignitário eclesiástico de Jerusalém e Babilônia em 1892, citando as nascentes do Eufrates, diz ter visto os restos de um navio. Em plena vigência da Primeira Guerra Mundial, um aviador russo, chamado Roskowitzki, diz ter visto restos de um navio. Nicolas II, não perdeu tempo, sem levar em conta a guerra, enviou para o Ararate uma expedição que viu a arca e a fotografou. Aconteceu, porém, que todos os documentos dessa expedição desapareceram durante a revolução de outubro. Com a ocupação russa da região, nenhuma tentativa se faz mais no sentido de averiguar os fatos propalados. Fernando Navarra, um espanhol, na companhia de seu filho Rafael, fez três viagens ao Ararate: 1952, 1953 e 1954. Diz ter encontrado a arca e trouxe pedaços de madeira tiradas da arca que foram submetidos a provas de laboratório e constatado ser verdadeira a sua versão.
  • 10. O primeiro pecado de Noé depois do dilúvio for sua embriaguez. Graças a Noé, tivemos a maravilhosa profecia quanto ao futuro de seus três filhos. A profecia encontra-se em Gn 9:25-27. Noé declara que Canaã, seu neto, em lugar do Cão seja maldito, servo dos servos de seus irmãos. Jeová seria o Deus de Sem; e a Jafé Deus alargaria o seu termo ate vir morar nas tendas de Sem. Esta profecia está ainda em processo de cumprimento, mas o que já foi cumprido basta para nos convencer de sua origem divina. O cumprimento da profecia Aos descendentes de Cão coube a tarefa de povoar a África, a Ásia distante. A Oceania e por algum tempo, certas regiões do Oriente Médio; Babilônia e mediações do Mar Vermelho. Por algum tempo também esta raça promoveu e desenvolveu uma admirável civilização, representada pelos babilônios, egípcios, fenícios e outros. Desses antigos povos nos tem chegado uma vasta literatura e uma cultura que muito admiramos. Depois os babilônicos foram vencidos pelos semitas; os fenícios. Notáveis especialmente na antiga cidade de Cartago, também sendo vencidos pelos jafetitas, enquanto outros ramos desta raça, espalhados pela Palestina, com diversos nomes, foram absorvidos pelos semitas. Desta raça primitiva restam apenas a África sempre degradada e as civilizações rebarbadas da Ásia não chegando a produzir grandes povos nem grandes civilizações. Dentre todos os semitas, destacam-se os hebreus, que se notabilizaram mais pelos penderes religiosos do que por outros títulos. Aliás, a profecia de Noé não contempla grandes civilizações provindas deste ramo, mas a religião. Jeová seria o Deus de Sem uma tarefa mais espiritual que material. Foi também cumprida a profecia.
  • 11. A Jafé couberam as ilhas do mar e as distantes paragens europeias. Deus havia de dilatar a Jafé por profecia. Assim, os jafetitas se dirigiram para o Ocidente, todas as ilhas do Mediterrâneo: toda Europa e parte da Ásia, aparecendo nos antigos e modernos persas e medos, e chegando a suplantar os cuchitas hindus. Coube-lhes a tarefa de desenvolver as artes e as industrias, bem como as ciências. São os jafetitas os detentores da cultura mundial. No seu afã de desenvolver as suas faculdades, iriam alastrar-se por toda a terra ate virem morar nas tendas de Sem, de acordo com a profecia. Hoje os jafetitas não só dominam a Europa e a America, mas também a Ásia e a África. Não há regiões geográficas que eles não dominem. Descendentes de Jafé — Gomer. Filho mais velho de Jafe foi o progenitor de muitas nações e povos, entre outros, os germanos, os cimérios (Cimeri, Cimeia). Magogue foi o pai dos citas: Madai, dos medos: Javam. dos gregos; Tiras, dos tracios. Crê-se que foi o progenitor dos povos das mediações do Negro, de onde veio o nome de Axenus, mais tarde Euxino, Magigue, Tubal e Meseque são mencionados por Ezequiel (cap. 38:14.15); e os seus nomes correspondem aos Mogui, Mongólia, Toboski, Moscou e Moscovi. Destes vieram os povos das ilhas do Mediterrâneo e de outros povos da Europa.
  • 12. Descendentes de Cão: O filho mais velho de Cão foi Cuche, o povoador dia Etiópia e do Egito, na África, e das mediações do Mar Caspio. Cuche foi também pai de Ninrode, chefe da primeira coligação dos povos da Mesopotâmia. Miz ou Mizraim foi o progenitor dos egípcios, porque o Egito, na linguagem dos hebreus e outros, chamam-se Mizraim. Pute deu origem aos mauritanios. Canaã, o mais moço dos filhos de Cão, foi pai dos cananeus, dos fenícios e muitos outros pequenos povos, que foram destruídos pelos semitas. I-lete, um dos filhos de Canaã, foi progenitor de uma grande raça, ainda mal conhecida, a dos hiteus. Entre os seus segredos desvendados, aclararam muitos pontos obscuros da antiga civilização. Parece que esta raça dominou a Ásia Menor, onde teve uma das suas três capitais. Descendentes de Sem. Os filhos de Sem foram Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Ara. Elão estabeleceu- se a leste da Pérsia e deu origem aos elamitas, bem notáveis no tempo de Abraão. Assur foi progenitor dos assírios, notáveis guerreiros e conquistadores. Arfaxade, progenitor dos semitas, caldeus, que dominaram a Mesopotâmia, sendo vizinhos de Assur. Elão e outros. O neto Eber foi progenitor dos hebreus. Lude parece que foi o pai dos Hotos, Ara, pai dos amorreus, povo notável nos dias do reino de Israel, encontrando o seu fim no imperio assírio. Uz, filho nada velho de Ara, deu o nome ao país de Jo, se bem que não tenha sido possível localizar o território. A verificação histórica de todos esses povos, graças aos pacientes estudos da Etnologia e Etnografia, foi de incalculável valor cientifico e especialmente, bíblico. Por ele, ficou evidente que a Bíblia é um tesouro da antiguidade.
  • 13. O mundo bíblico situa-se no atual Oriente Médio e terras do contorno do Mar Mediterrâneo. É ele o berço da raça humana. Mais precisamente a Mesopotâmia, nas planícies entre os rios Tigre e Eufrates. Foi daqui que partiram as primeiras civilizações.
  • 14. As principais civilizações da antiguidade e sua localização geográfica a) No Vale do Nilo (Nordeste da África) - a civilização egípcia. b) Na Mesopotâmia (na região entre os rios Tigre e Eufrates) - as civilizações dos sumérios, acádios, babilônicos e os assírios. c) No Litoral do Mediterrâneo - os povos fenícios e cretenses. d) Na Margem Ocidental do Jordão - a civilização dos Hebreus. e) No Planalto do Ira - os povos medos e os persas. A economia dos povos da antiguidade oriental A Base da economia na maioria desses povos e a agricultura As principais civilizações agrícolas eram: a) EGIPCIOS E MESOPOTAMICOS - Desenvolveram as margens dos rios sistemas aperfeiçoados de irrigação, drenagem e construção de barreiras, sendo por isso denominadas de civilizações hidráulicas (Hidro = água). b) HEBREUS - destacam-se no pastoreio (criação de ovelhas, gado, etc) e também na atividade comercial. Na agricultura destacam-se no cultivo de cereais, vinha e oliva. c) PERSAS - a maioria da população persa se dedicava a agricultura. Mas o forte da economia estava no comercio terrestre com o Oriente, o Egito e os povos da Mesopotâmia. d) FENICIOS - desenvolveram o comércio marítimo e a construção naval. Mantinham boas relações comerciais com os hebreus.
  • 15. A sociedade dos povos orientais O núcleo básico da sociedade oriental era a Família Patriarcal. O Patriarca (homem mais velho) era respeitado e obedecido por todos. Como líder do clã familiar exercia as funções de chefe, de juiz e de sacerdote, mantendo todos sob seu absoluto domínio. A mulher era geralmente considerada como propriedade do marido e a este deveria obedecer e chamar de ‘meu senhor. Sua função, como mulher, resumia-se a procriação e a cuidar da casa e dos filhos. A população escrava sempre foi muito numerosa entre as sociedades orientais e constituía a base de todo meio de produção, ou seja, a mão de obra escrava sustentava o poder econômico e político dos Estados organizados e o prestigio das classes dominantes: nobres membros das famílias reais, sacerdotes, escribas e demais funcionários civis e militares.
  • 16. A vida religiosa desses povos A religião foi o traço mais marcante na vida dos povos orientais. Ela influenciava tudo: economia, sociedade, política, cultura, artes, tudo. Praticamente, todos os povos orientais eram politeístas, isto e, adoravam a vários deuses. Só o Egito, por exemplo, possuía mais de dois mil deuses, uns em forma humana, outros de animais, de formas mistas, ou ainda deuses representantes de forcas da natureza. Pode-se afirmar que a única exceção dessa tendência politeísta esteve representada no monoteísmo dos hebreus. Egito, Babilônia, Assíria, Fenícia e outros povos formavam um extenso rol de nações pagas e idolatras, onde praticas politeístas e antropomórficas caracterizavam seus cultos. Cada cidade, nesses países, possuía os seus próprios deuses e muitas das cerimônias religiosas se transformaram em terríveis carnificinas, com sangrentos sacrifícios humanos. Só Israel testificou de um único Deus, justo e verdadeiro em meio ao enraizado e diabólico paganismo oriental.
  • 17. Mesopotâmia, que em grego quer dizer ‘terra entre rios’, situava-se entre os rios Eufrates e Tigre e é conhecida por ser um dos berços da civilização humana. Localizada no Oriente Médio, atualmente esta histórica região constitui o território do Iraque. Há cerca de 4.000 a.C., grupos tribais da Ásia Central e das montanhas da Eurásia chegaram ao local devido às extensas áreas férteis próximas aos rios, além da vantagem de terem água próxima, fornecendo subsídio para pesca, alimentação e transporte. Pelos mesmos motivos chegaram, tempos depois: Sumérios Desenvolveram um importante sistema de canalização dos rios para melhor armazenar a água para sua comunidade. Também criaram a escrita cuneiforme, registrando os detalhes de seus cotidianos através de placas de argila, e os zigurates, construções piramidais que serviam de armazenamento de produtos agrícolas e de prática religiosa. As cidades-Estado de Nipur, Lagash, Uruk e Ur datam da época dos sumérios. Zigurates
  • 18. Babilônios Criaram os primeiros códigos de lei para controlar a sociedade, como as Leis de Talião, formuladas pelo Imperador Hamurabi, que previam castigos severos aos criminosos de acordo com a gravidade de seus delitos. Por volta do século VII a.C., o Imperador Nabucodonosor II, que formava o Segundo Império Babilônico, ordenou que fossem construídos dois templos que serviriam de grande reverência arquitetônica: Torre de Babel e os Jardins Suspensos. Assírios Tinham uma ampla organização militar e eram ávidos pela guerra. Quando dominavam determinados territórios, impunham castigos cruéis aos inimigos como forma de intimidá- los, para demonstrarem sua superioridade. Jardins Suspensos da Babilônia (pintura de Martin Heemskerck)
  • 19. Além destes, os acádios, caldeus e amoritas, dentre outros, também constituíram a sociedade mesopotâmica. Eles eram povos politeístas (acreditavam em vários deuses) e tinham uma ligação religiosa com a natureza. Os povos da Mesopotâmia também desenvolveram a economia através da agricultura e dos pequenos comércios de caravanas, com base em uma política centralizada por um rei ou imperador. Por volta do século VI a.C., o Império Persa se fortaleceu sob comando do Imperador Ciro II, que não poupou esforços para tomar o poder dos babilônios, que tinham pleno domínio da Mesopotâmia. A conquista dos persas acabou com as primeiras formas de dinâmica culturais que marcaram a sociedade de origem mesopotâmica, uma das pioneiras da Antiguidade.
  • 20. O nome geográfico “Palestino” foi adotado da nomenclatura da administração romana e não da terminologia judaica original. É uma corruptela (modo errado de escrever ou empregar uma palavra) de “Filistia” que originalmente significava apenas a porção do literal sul daquilo que hoje chamamos Palestina, a parte do território habilitada pelos antigos filisteus.
  • 21. A região que nos conhecemos por ‘Palestina’ tem recebido, através dos tempos, inúmeras denominações, bem como, sofrido variadas alterações quanto a sua extensão. Os próprios judeus não tinham um nome especial para seu pais, mas chamavam-no simplesmente de “A Terra”. Para eles, ela era, e ainda e, a terra por excelência; dádiva especial de Jeová ao seu Israel eleito. Vejamos alguns nomes que essa região ja recebeu ao longo de sua historia: a) A Terra de Canaã — e talvez o nome mais antigo por ser a terra habitada pela descendência de Canaã, filho de Cão, neto de Noé.(Gn. 10:6, 15-20).
  • 22. b)Terra de Israel — após o retorno do Egito e a conquista da terra-prometida.
  • 23. c) Reino de Israel (Norte) e Reino de Judá (Sul) — após a morte de Salomão. Esse foi o período do Reino Dividido. d) Terra de Judá — após a divisão, as tribos do Norte (Reino de Israel) foram dispersas pelos Assírios. Com isso, permanece o Reino de Judá. Entretanto, estes também foram cativos pelos babilônicos. Retornaram, porem, e habitaram a terra sendo seus habitantes chamados de Judeus, (mais tarde região conhecida por Judeia).
  • 24. e) Palestina — denominação dada por permissão romana. Consolidou-se após a grande dispersão do ano 7O d.C. (invasão romana — destruição de Jerusalém). f) Hoje – a Palestina está divida em dois países: Israel na margem ocidental do Jordão e Jordânia, na margem oriental.
  • 25. A Divisão da Palestina Em 1922 a Inglaterra decidiu limitar a casa nacional dos Hebreus com diplomacia, para o oeste com 23% da região e os outros 77% como “província da Arábia ou suplemento da Palestina. Para administrar a pátria da Palestina que se chamava Transjordânia a Inglaterra instalou um membro na tribo de Mecca, Abdullah e Emir na Jordânia (o membro da tribo era tirado da Arábia pelos seus concorrentes, os Sauditas foram quem estabeleceram a Arábia Saudita em 1932)”. Apenas poucos regulamentos Britânicos foram promulgados pelo alto chefe e sua administração; e estavam no oeste e leste da Palestina. A ordem Britânica estava legalmente para atender as 2 margens do Rio Jordão. (Eles permaneceram legalmente para atender o Jordão até 1952) e habitantes do leste e oeste da Palestina, Judeus e Árabes igualmente. A ordem Palestina assegurava seus passaportes. Independência de Jordão e Israel Foi outorgada a independência da Transjordânia pela Inglaterra em 1946. Israel declarou sua independência em 1948. Como resultado a oposição a guerra, Israel teve sua independência em 1948-1949. A Transjordânia ocupou a Judéia e Samaria, e em 1950 o nome dessa região foi trocado para Jordânia. Exceto a Inglaterra e Paquistão não reconheceram nessa região a ocupação da Jordânia. Em 1967 a Jordânia uniu-se novamente a Arábia no esforço de destruir Jerusalém. Seguindo sucessivas guerras em sua defesa, a administração de Israel começou na Judéia e Samaria.
  • 26. Jordânia é a Arábia Palestina “A verdade e que Jordânia e Palestina e Palestina e Jordânia”, Rei Hussein da Jordânia, 1981. A Arábia é o cenário da Palestina • ‘Palestina, durante a ordem britânica teve seus limites indivisíveis’ • II artigo da convenção de aceitação do concilio nacional da Palestina 1965. • ‘Jordanianos e Palestinos são considerados pela OLP como um povo.’ • Farouk kaddoumi, chefe da OLP / Departamento de Política 1977. • “Palestina e Jordânia são um, Palestina esta no litoral e a Transjordania fica no interior, porém na mesma região”.Rei Abdullah, da Jordânia, 1948. • Os Palestinos e os Jordanianos não permanecem com nacionalidades diferentes. Eles conseguiram os mesmos passaportes e tem a mesma cultura “. • Abdue Hamid Sharap — Primeiro ministro da Jordânia, 1980. Os Jordanianos 1 - Originalmente são tribos nativas de homens nômades para oriente da Palestina, os quais são profundamente fiéis ao domínio dos membros das famílias reais. 2 - Para o oeste da Arábia Palestina: muitos dos que são descendentes de Árabes que imigraram para a Palestina e para os arredores da região durante o mandato Britânico. No oeste Árabe e Palestino que entraram para a Jordânia durante as varias guerras entre Arábia e Israel estavam doando automaticamente sua cidadania jordaniana. Eles agora constituem aproximadamente 60% do total da população jordaniana.
  • 27.
  • 28. Estes também chamados Montes do Planalto Oriental (ou Montes de Galaada ou Gileade), igualmente podem ser agrupados nas três regiões distintas em que se dividem as terras para o oriente do Jordão. a) Monte de Basã Não se trata de uma certa elevação e sim de um largo e fértil conjunto montanhoso na parte norte do Planalto Oriental, limitado ao norte pelo Hermom, a leste pelo deserto da Síria e parte do deserto da Arábia, ao sul pelo Vale de Yarmuque e a oeste pelo Jordão e Mar da Galiléia. É o monte a que se refere o Salmo 68.15. Nos dias de Abraão esta parte da Transjordânia era habitada pelo povo de gigantes chamado refains, cujo último rei foi Ogue - morto pelos israelitas ainda sob o comando de Moisés - e cuja cama de ferro media cerca de 4m de comprimento por 1 ,80m de largura (Dt 3.11). Na conquista, esta região coube a meia tribo de Manassés. b) Monte de Galaada ou Gileade Outro conjunto montanhoso, ao sul de Yarmuque, indo ate a parte norte do Mar Morto, dividido ao meio pelo ribeiro de Jaboque. Na parte sul ha uma montanha mais elevada, a qual os Árabes chamam de Jebes Jilade. Talvez este fosse o monte que deu nome a região toda; entretanto não há certeza disto. A linguagem bíblica parece que usa a designação Monte de Gileade com referencia a região toda, que e um conjunto de elevações da parte central do Planalto Oriental. A esta região coube a tribo de Gade por ocasião da conquista e foi o primeiro território conquistado pelos Israelitas (Nm 21.24; Dt 2.3 6), até então dominado pelos amorreus, cujo rei era Seom. Esta foi a terra de Elias, o grande profeta de Israel (IRs 17.1). No tempo do Novo Testamento, esta parte da Transjordânia era conhecida como Peréia.
  • 29. c) Montes de Moabe Ainda que não se encontre na Bíblia uma expressão precisamente Montes de Moabe e sim “campo de Moabe” e “país de Moabe”, o fato e que a região ocupada por moabitas ao sul da Transjordânia e ao oriente do Mar Morto é bastante montanhosa, destacando-se o conjunto mais próximo do Mar Morto, chamado “montes de Abarim”. d) Nebo ou Pisga (Dt 34.1) - A cerca de 15 quilômetros a leste da foz do Jordão e por trás da Planície de Moahe, com 800m de altitude, de onde Moisés contemplou a Terra da Promessa e onde morreu (Dt 34.1-6). Alguns autores fazem distinção entre os montes Nebo e Pisga, apontando este último como um pico daquele. e) Peor - Este monte fica pouco a nordeste de Nebo. Do cume deste, Balaão contemplou o acampamento de Israel na planície e o abençoou pela terceira vez, quando era para ser amaldiçoado, como era o desejo de Balaque, rei de Moabe.
  • 30. A hidrografia da Palestina pode ser dividida em três partes, a saber: mares, lagos e rios. Mares Mar Mediterrâneo - Também conhecido na Bíblia como o Mar Grande e Mar Ocidental. Este mar banha toda a costa ocidental da Palestina. É de pouca profundidade na costa Palestina, assim impedindo a aproximação de navios de maior calado mesmo dos tempos antigos, razão por que o Mediterrâneo não funcionava para Israel como caminho marítimo, antes o isolava do mundo. O único porto do Mediterrâneo de que se valiam os israelitas era Jope, onde há um pequeno promontório com uma linha de arrecifes. Entretanto, devido a esses arrecifes e os bancos de areia, era de pouca procura pelos navegantes, preferindo estes os portos fenícios. Assim, do ponto de vista politico-militar, o Mediterrâneo constituía para a Palestina uma vasta defesa natural de sua fronteira ocidental. Por este mar foram levados os famosos cedros do Líbano para Jope, destinados a construção do templo de Salomão em Jerusalém. Neste mar foi lançado o profeta Jonas quando fugia da missão recebida. Por suas águas navegou o apóstolo Paulo mais de uma vez em suas viagens missionárias. Neste mar ficam as ilhas referidas na Bíblia, das quais destacamos Chipre, Creta e Malta.
  • 31. Mar Morto - Também conhecido pelos nomes de Mar Salgado, Mar Oriental, Mar de Lo, Asfaltite (Josefo), Mar do Arabá e Mar da Planície (Dt 3. 17;Jl 2.20; II Rs 14.25). Fica na foz do rio Jordão, entre os Montes de Judá e os Montes de Moabe, na mais profunda depressão do globo. É de forma ovulada, medindo 76 quilometros de comprimento na direção norte-sul e 17 quilômetros de largura, com o seu nível a 426m abaixo do nível de profundidade máxima que se verifica na parte norte. Na parte sudeste (na altura do terço inferior) há um promontório ou península, chamada Lisa. As suas costas são mais planas no lado ocidental e bastante acidentadas e escarpadas no lado oriental. As suas águas são as mais densas da superfície da terra, com cerca de 25% de salinidade, em razão das enormes jazidas de sal no sul e da excessiva evaporação. O fato bíblico mais importante relacionado com este mar é a destruição de Sodoma e Gomorra, cidades que, parece, tiveram lugar no sul do Mar Morto, hoje coberto por um pantanal betuminoso. O seu nome atual, Mar Morto, foi lhe dado pelos geógrafos e historiadores antigos do século II da nossa era, Pausanias (grego) e Justino (romano), devido ao aspecto triste e desolador que domina a região.
  • 32. Mar da Galiléia - Também conhecido pelos nomes de Mar de Quinerete (Nm 34.11), Mar de Tiberíades (Jo 21.1) e Lago de Genezaré (Lc 5.1). Na verdade trata-se de um lago de água doce formado pelo rio Jordão, mas, devido as suas dimensões avantajadas e temporais violentos que frequentemente o agitam, as populações adjacentes o tem chamado de mar. É o segundo lago equilibrador das águas do Jordão, sendo o primeiro o de Meronm que fica 20 quilômetros ao norte. Mede aproximadamente 24 quillômetros de comprimento por l4 de largura, tendo seu nível 225m abaixo do nível do Mediterrâneo e profundidade media de 50 m. Suas águas são claras e muito piscosas. As suas margens do lado oriental são montanhosas, enquanto do lado ocidental e na direção noroeste estendem-se planícies férteis com cidades importantes, como Cafarnaum, Corazim, Magdala, Genezare, Betsaida, Tiberiades e outras. O clima da região, especialmente ao norte, é muito agradável, propício a lavoura e pecuária. As cidades das margens do Mar da Galiléia e as próprias praias e águas deste foram palco de acontecimentos importantes do ministério terreno de Jesus operando milagres, apaziguando a tempestade, andando sobre o mar, alimentando milhares com a multiplicação de pães, pronunciando preciosos ensinamentos (Sermão do Monte) e aparecendo aos discípulos após a ressurreição.
  • 33. Lagos Um único lago encontramos no território palestínico - o Lago de Merom, também conhecido como Águas de Merom (Js 11.5,7), e modernamente como lago de Hule (nome árabe). Também era formado pelas águas do Jordão, como o Mar da Galileia, e localizava-se a 20 quilômetros ao norte deste. O seu comprimento era de cerca de l0 quilômetros por 6 de largura, achando-se o seu nível 2 m acima do nível do Mediterrâneo e tendo de 3 a 4 de profundidade. Uma vasta região alagadiça cercava as suas margens em todas as direções onde antigamente vicejava o papiro. Foi nas proximidades deste lago que Josué ganhou uma de suas grandes batalhas contra os inimigos confederados do norte de Canaã. Hoje o lago já não existe, pois foi drenado pela engenharia israelense.
  • 34. Rios Os rios Palestinos são distribuídos em duas bacias hidrográficas: Bacia do Mediterrâneo e Bacia do Jordão. Bacia do Mediterrâneo a) Belus – Segundo se crê, trata-se de Sior Libnate referido em Josué 19.26. Corre a sudoeste dos termos de Asser, na direção do Mediterrâneo, despejando as suas águas na Baia de Acre, pouco ao sul da cidade de Aco (mais tarde denominada Ptolemaide e Acre). E torrente que se manifesta somente na época das chuvas, permanecendo seco o seu leito por quase dois terços do ano. E um dos chamados Wadis que são abundantes na Palestina.
  • 35. b) Quisom (ou Kishon) – Este é o maior rio da Bacia do Mediterrâneo e o segundo da Palestina. Nascendo das pequenas correntes de Gilboa e Tabor, Montes da Galileia, e recolhendo outras águas da Planície de Esdraelom, corre na direção noroeste ao largo do Monte Carmelo ate desaguar no Mediterrâneo, na parte sul da Baia de Acre. As suas águas são impetuosas e perigosas durante o inverno, ao passo que no verão são escassas. Foi junto deste rio que Baraque derrotou Sísera, sendo os cadáveres dos seus soldados arrastados pela corrente do mesmo (Js 5.21), e Elias matou os profetas de Baal depois do celebre desafio no Monte Carmelo (1 Rs 18.40).
  • 36. c) Caná - Outro wadi ou torrente dos meses de chuvas, que nasce perto de Siquem e, atravessando a Planície de Sarom, verte no Mediterrâneo sete quilômetros ao norte de Jope. E mencionado em Josué 16.8 e 17.9 como limite entre as terras de Manasses e Efraim. d) Gaás - E outro ribeiro, wadi, que atravessa a região de Sarom na direção leste oeste e deságuam no Mediterrâneo perto de Jope. o seu nome provavelmente deve-se a um monte, não identificado, perto do qual foi sepultado o grande líder Josué (Js 24.30). Quanto as referencias bíblicas ao ribeiro, encontramos em II Samuel 23.30e 1 Crônicas 11.32. e) Sorec -- Nascendo nas montanhas de Judá, a sudoeste de Jerusalém, este wadi, seguindo a direção noroeste, despeja suas águas no Mediterrâneo entre Jope e Acalom, ao norte da Filistia. Os flancos suaves do vale que ele percorre, por sinal largo e fértil, são famosos pelos vinhedos de uma espécie de uva síria muito apreciada. Segundo Juízes 14.1-5 e 16.4, nas proximidades deste rio ficava Timna, cidade de Dalila, mulher filistéia que cavou a ruína de Sansão. f) Besor - - Este e o mais volumoso de todos os wadis que desembocam no Mediterrâneo. Nasce no sul das montanhas de Judá, passa ao largo de Berseba pelo lado sul desta cidade e lança-se no mar a uns oito quilômetros ao sul da cidade de Gaza. Seu nome moderno é wadi Sheriah. É mencionado nas Escrituras em 1 Samuel 30.1-25, no episódio da libertação dos habitantes de Ziclague das mãos dos amalequitas, por Davi e seus seiscentos homens, dos quais duzentos haviam ficado junto de Besor, cansados, para guardar a bagagem.
  • 37. Bacia do Jordão a) Jordão - Este e o rio principal da Palestina e corre na direção norte-sul, assim dividindo o país em duas partes distintas - Canaã propriamente dita e Transjordânia. Seu nome significa declive ou o que desce. o Jordão origina-se da confluência de quatro pequenos rios, a 11 quilômetros ao norte do Lago de Merom, cujas cabeceiras - menos as do primeiro - encontram-se nos flancos ocidental e meridional do Monte Hermom. São eles: Bareighit, o mais ocidental e cujas fontes não se alimentam das torrentes do Hermom. Hasbani, o mais longo - cerca de 40 quilômetros de extensão – e tem sua nascente na encosta ocidental do Hermom, a 520m de altitude. Ledan, o mais volumoso porque se origina de muitas fontes nas proximidades da antiga cidade de Da, no sopé meridional do Hermom, e cujo leito pode ser considerado como começo do Vale do Jordão; por ser o braço central das nascentes do grande rio. Banias, a mais oriental das quatro nascentes do Jordão, a mais curta, de apenas 8 quilômetros, porem a mais bela, que jorra de uma imensa gruta na encosta meridional do Hermom, pouco ao norte da antiga cidade de Cesárea de Filipe, da qual hoje resta apenas uma pequena aldeia cujo nome moderno e Banias. Costuma-se dividir o curso do Jordão em três trechos, para um estudo mais detalhado: o primeiro trecho, ou seja, a região das nascentes, e o que acabamos de descrever nos seus aspectos mais setentrionais e que vai até o Lago de Merom. Depois da junção das quatro nascentes, o Jordão atravessa uma planície pantanosa numa extensão de 11 quilômetros e entra no Lago de Merom. Neste trecho a sua largura varia muito e a profundidade vai a 3 e 4m.
  • 38. Rio Jordão Até o tempo dos romanos não havia ponte sobre o Jordão, de modo que a travessia do mesmo era feita em certos lugares de margens mais rasas e águas menos profundas, chamados vaus. Um desses vaus ficava defronte de Jericó, outro, perto da desembocadura do rio Jaboque;
  • 39. O terceiro trecho do rio Jordão, nas proximidades de Sucote. O rio Jordão, sob todos os pontos de vista, como: geográfico, histórico, político, econômico e religioso, e o rio mais importante do mundo antigo. Está ligada a Revelação desde os dias de Abraão até os dias de Jesus. Nas suas margens ocorreram numerosos e importantes acontecimentos, como a separação das águas para o povo de Israel entrar na Terra de Canaã, sob o comando de Josué (Js 3.9-17); a permissão dada por Moises as tribos de Ruben e Gade para ficarem na Transjordania (Nm 32.1-32); a historia de Gideão, bem como a de Jefté (Jz 7,8,10,11); as lutas políticas de Davi (2Sm 17.24, 19.18); a travessia, em seco, dos profetas Elias e Eliseu (II Rs 2.6-14); a cura de Naamã, general sírio que fora acometido de lepra (II Rs 5.1 -i 4); a recuperação do machado de um “seminarista’ (II Rs 6.1- 7); a anexação dos territórios dos gaditas, rubenitas e manassitas (Transjordania) a Síria pelo seu rei Hazael (II Rs 10.32,33); o ministério de João Batista e o batismo de Jesus (Mc 1 .5,9).
  • 40. b) Querite - Verdadeiramente não se trata de um rio perene, e sim de um wadi, torrente das épocas de chuvas, que desce dos montes de Efraim e desemboca no Jordão, pela margem ocidental, pouco ao norte de Jericó, depois de percorrer uma região agreste, povoada de corvos e águias. Em alguma gruta nas margens deste ribeiro escondeu-se o profeta Elias, por ordem do Senhor, onde foi sustentado pelos corvos que lhe levavam pão e carne todos os dias pela manhã e a tarde (1 Rs 17.1-7). c) Cedrom - Também este não é um rio perene, porém nas épocas de chuvas torna-se uma torrente impetuosa. Nasce a dois quilômetros a noroeste de Jerusalém e, correndo na direção sudeste, passa ao lado leste da Cidade Santa pelo Vale de Josafá - que separa esta do Monte das Oliveiras - e prossegue rumo sudeste até o Mar Morto, numa distância de cerca de 40 quilômetros, por um leito profundo e sinuoso. Os principais fatos bíblicos relacionados com o ribeiro de Cedrom são: a fuga de Davi por causa da revolta de Absalão, seu filho (25m 15.23), e a travessia de Jesus para o jardim de Getsemane na noite de sua agonia (Jo 18.1).
  • 41. d) Yarmuque - Este é o principal afluente oriental do Jordão, embora não esteja mencionado na Bíblia. É formado por três braços, dos quais o mais setentrional recebe águas abundantes das vertentes orientais e meridionais do Monte Hermom e desemboca no Jordão, seis quilômetros ao sul do Mar da Galileia. e) Jaboque - E outro tributário oriental do Jordão. Nasce ao sul do Monte Gileade, corre para leste, depois para norte e noroeste, descrevendo uma verdadeira semielipse, até desaguar no Jordão, mais ou menos no meio do curso deste, entre o Mar da Galileia e o Mar Morto, depois de ter percorrido cerca de 130 quilômetros. E celebre na história bíblica pela luta de Jacó com o anjo do Senhor, ocasião em que o nome deste foi mudado para Israel (Gn 32.22-32). f) Arnom - Nasce nas montanhas de Moabe, a leste do Mar Morto, despejando neste as suas águas. Este rio primeiramente separava os moabitas dos amorreus e depois os moabitas do território da tribo de Ruben, ficando como limite meridional permanente dos territórios israelitas da Transjordania. Os profetas Isaias e Jeremias pronunciaram condenações contra Moabe referindo-se a Arnom (Is 16.2; Jr 48.20). O missionário alemão F. A. Klein, em 1868, achou a celebre pedra Moabita nas ruínas da cidade de Dibon, que fica a 5 quilômetros ao norte de Arnom. Esta pedra contem uma inscrição feita pelo rei moabita Mesa em 850 a.C., em hebraico-fenicio, que confirma a passagem bíblica de II Reis 3.1-27. Rio Jaboque Luta de Jacó com o anjo do Senhor
  • 42. “Lugar de paz”, “Habitação segura” entre as cidades mais celebres do mundo encontramos Jerusalém. No que diz respeito a historia bíblica, ela ocupa o primeiro lugar. Esta posição privilegiada de Jerusalém não esta em sua extensão, nem em sua riqueza ou expressão cultural e artística, e, sim, em sua profunda e ampla relação com a Revelação, ou seja, no seu sentido religioso. Ela foi, de um modo especial, o cenário das manifestações patentes e evidentes do poder; da justiça, da sabedoria, da bondade, da misericórdia, enfim, da grandeza de Deus. Por isto as alusões proféticas e apostólicas a apresentam como o próprio símbolo do céu (Is 52.1-4; Ap. 21). (1) Nomes Durante a sua longa historia -já cerca de 3.000 anos - a cidade era conhecida por vários nomes, assim como: a) Urasalim - Encontrado nas Cartas de Tel-el-Amarna escritas por volta de 1400 a.C., provavelmente e o seu nome mais antigo. b) Salém - E o nome mais antigo que aparece na Bíblia, já em uso nos dias de Abraão (Gn 14.18). Provavelmente trata-se de uma abreviação da palavra Jerusalém, cidade devotada a Shalem, antiga divindade semítica da paz e prosperidade. c) Jebus - Assim era conhecida a cidade dos jebuseus na época dos Juízes (Jz 19.10,11).
  • 43. d) Jerusalém - É o nome mais comum e que permanece ate o presente. e) Sião - Este era o nome de um dos montes da cidade. f) Cidade de Davi ou Cidade do Grande Rei - Estes nomes relacionam-se como ato heroico de Davi na tomada da fortaleza, quando então a cidade foi conquistada e feita a capital do Reino de Israel (I Rs 8.1; IIRs 14.20; Sl 48.2). g) Cidade de Deus ou Cidade Santa - Assim chamada por estar ali o templo nacional; o local do culto centralizado (Sl 46.4; Ne 11.1). h) Cidade de Judá - A capital do reino de Judá, a cidade principal do reino (II Cr25.28). i) Aelia Capitolina - Foi o nome dado pelo imperador romano Adriano, que a reedificou no século II d.C. Aelia em honra a Adriano, cujo primeiro nome era Aelius, e Capitolina por ter sido dedicada a Jupiter Capitolino, divindade suprema dos romanos. j) El-Kuds – É o nome que os árabes deram a Jerusalém. O seu significado e “a santa”
  • 44. (2) Localização e Topografia Jerusalém fica situada na parte sul da cordilheira central da Palestina, ou sei a, nas montanhas de Judá, na mesma latitude do extremo norte do Mar Morto, a 21 quilômetros a oeste do mesmo e a 51 quilômetros a leste do Mediterrâneo. Está edificada sobre um promontório a 800m de altitude, subdividido em uma serie de montes ou elevações. A leste do promontório fica o Vale de Josefa ou Cedrom, que separa a cidade do Monte das Oliveiras. A oeste e ao sul fica o Vale de Hinom (Gehena, gr.) que em certa epoca da historia foi o Vale da Matança, assim chamado por causa dos sacrifícios das crianças em holocausto ao ídolo Moloque (II Rs 23.10; Jr 7.31-34) e dos fogos que ardiam constantemente, consumindo o lixo da cidade, os detritos dos holocaustos pagãos etc. Dai, por analogia, a palavra grega Gehena - que significa Vale de Hinom - veio a designar o lugar de castigo eterno dos condenados, o inferno (Mt 13.42; Mc 9.43-48). Sendo que a cidade e isolada pelos lados leste, oeste e sul do conjunto da cordilheira pelos vales já mencionados, resta apenas o lado norte suscetível ao crescimento, uma vez que por ele o tabuleiro continua ligado ao conjunto montanhoso. O aspecto geral da cidade ao tempo de Cristo apresentava uma configuração de um trapézio irregular que se alarga do sul para o norte, dividindo-se em cinco zonas ou bairros caracterizados pelas elevações do tabuleiro: Ofel, que fica a sudeste e onde havia uma antiga fortificação; Mona, a leste, onde estava edificado o templo de Salomão; Bezeta, ao norte; Acra, a noroeste; e Sião, a sudoeste. Um vale interno chamado Tiropeom, que corria mais ou menos na direção de noroeste para sudeste e sul, separava alguns desses bairros. Porem, através dos tempos, a superfície da cidade tem sofrido muitas alterações com os aterros deste vale, desaparecendo, assim, o antigo aspecto em que as elevações eram mais distintas.
  • 45. (3) Muros e Portas Até a destruição da cidade pelos romanos no ano 70 d.C., Jerusalém era protegida ao leste, sul e oeste por uma só muralha, tendo havido, porem, ao norte três muros, edificados em épocas diferentes, por força da expansão da mesma. O primeiro, que data dos dias de Davi, Salomão e seus sucessores, rodeava a antiga cidade do Ofel, passando pelo sul do Vale do Tiropeom e do Monte Sião, subindo pelo lado oeste do mesmo, na direção norte, até o sul da elevação de Acra, e daí na direção leste, ate o norte do Monte Moriá, descendo pela aba oriental deste ate Ofel na direção sul. Trechos deste muro já existiam desde os tempos dos jebuseus. Este muro era provido de 60 torres para as sentinelas. O segundo muro foi levantado por Jotão, Ezequias e Manasses - e depois do cativeiro reedificado por Neemias – seguindo praticamente o mesmo traçado do primeiro nos lados leste, sul e oeste, abrangendo, porém, no lado norte novas áreas - Acra e parte de Bezeta. Porem a linha norte do segundo muro e muito discutida e por ora nada de definitivo se sabe a seu respeito. O terceiro muro, cujo fim era incluir os subúrbios do norte no sistema de segurança da cidade, foi obra de Herodes Agripa 1, começada cerca de dez anos após a crucificação de Cristo. Também os vestígios deste muro são escassos e discutidos quanto a sua exata direção.
  • 46. As portas nos muros de Jerusalém eram numerosas durante a longa historia da cidade. No livro de Neemias, por exemplo, temos referencia acerca de dez delas: porta velha, porta do peixe, porta de Efraim, porta das ovelhas, porta oriental, porta do gado, porta da água, porta dos cavalos, porta da fonte, porta do esterco. Nem todas elas podem ser localizadas. Porem as principais portas de Jerusalém, pelas quais o povo transitava mais frequentemente, e cujos nomes perduraram por mais tempo, foram estas: a. Porta de Jope (ou Jafa) a oeste, que dava para as vias de comunicação com as cidades da região ocidental; b. Porta de Damasco ou Peixe, que no primei primeiro muro teve o nome de Efraim, ao norte, dando acesso ao centro e ao norte do pais, bem como ao estrangeiro; e. Porta de Herodes, também ao norte, não e mencionada na Bíblia, pois ficava no muro que foi edificado pouco depois de Cristo mais ou menos na direção da porta velha do segundo muro; d. Porta das Ovelhas ou de Benjamim a leste, logo ao norte da esquina do templo; e. Porta Oriental ou do Ouro, hoje fechada, também a leste, como o próprio nome diz; f. Porta dos Cavalos, ainda a leste, logo ao sul da esquina sudeste da área do templo; g. Porta da Água, do mesmo lado oriental, que conduzia a fonte de Guiom; h. Porta da Fonte, ao sul, junto do tanque de Siloé e o açude velho para abeberar o gado; i. Porta do Esterco ou de Monturo, também ao sul; j. Porta do Vale, ou dos Essênios, ainda ao sul, no canto sudoeste da cidade.
  • 47. (4) Vias de Comunicação Jerusalém sempre esteve ligada pelos quatro pontos cardeais a toda a Palestina e aos países estrangeiros. Ao norte partiam os caminhos para Samaria, Galileia, Fenícia, Síria e Mesopotâmia. A leste, desde as quatro portas orientais, convergiam os caminhos para Jerico e todo o Vale do Jordão, bem como para as estradas da Transjordania que levavam os viajores para a Arábia, Síria etc. Ao sul a cidade comunicava-se com Hebrom e Egito. A oeste ligava-se com Jope e os caminhos para a Felícia e Egito, bem como para a Fenícia, na direção norte. Desde os tempos de Abraão já havia caminhos cruzando a Terra de Canaã em todas as direções. Certamente nos dias dos patriarcas esses caminhos não passavam de trilhos por onde trafegavam caravanas dos mercadores e dos pastores de rebanhos. Já nos dias de Josué, dos Juízes e da monarquia hebraica, vemos o uso de carros ferrados que certamente exigiam estradas mais definidas, embora seguindo os trilhos antigos. E no tempo dos romanos já havia ate estradas pavimentadas para o deslocamento rápido de suas legiões militares. Tais noções podemos colher de Juízes 1.19; Ireis 22.31; 35.38; II Reis 23.30; Atos 8.28 etc.
  • 48. Os habitantes do Oriente Próximo, ou das terras bíblicas, sempre tiveram, como ainda tem, os seus estilos peculiares de vida, de expressão e de pensamento. Isto se deve as particularidades geográficas, étnicas e religiosas dos mesmos. Na impossibilidade de uma apreciação vasta e completa do assunto - pois que o escopo deste livro e limitado, vamos apresentar aqui apenas um esboço sucinto desses costumes e usos das terras bíblicas, dada a importância deste conhecimento na interpretação bíblica.
  • 49. FAMÍLIA HEBRAICA Casamento - Os hebreus consideravam o casamento de origem divina e de importância básica para a vida individual, social e nacional (Gn 2.18; 1.28). Segundo o ideal divino, o casamento havia de ser monogâmico (Mt 19.1-8); a poligamia era tolerada no Antigo Testamento, porem no Novo Testamento inteiramente repudiada. O concubinato era tolerado nos casos de esterilidade da mulher legitima, mas frequentemente também fora desta condição, especialmente entre ricos, nobres e reis (Gn 16.2; 30.3,4,9; 1 Sm 1.2; 25m 5.13; Jz 8.30; 1 Rs 11.3). A posição de concubina sempre era de uma esposa secundaria, pois geralmente tratava-se de uma serva (escrava) ou prisioneira de guerra, e poderia ser despedida em qualquer tempo e sem qualquer direito a amparo (Dt 21.10-14). Entretanto, a Bíblia não esconde os males da poligamia e da concubinagem. O casamento misto era proibido em defesa da família, da tribo e da pureza da raça (Dt 7.1-4). Havia também o casamento por levirato, quando, por morte do marido que não deixava filhos, o irmão deste deveria casar-se com a cunhada viúva para suscitar descendência ao seu irmão falecido (Dt 25.5).
  • 50. FAMÍLIA HEBRAICA a) Contrato de Casamento - Este, geralmente, era feito por terceiros - pai do noivo, seu irmão mais velho, tio, ou algum amigo muito chegado, e só excepcionalmente, pela mãe (Gn 21.21; 24.38; 34.8). Em alguns casos o próprio filho fazia a sua escolha, ficando, porém, com terceiros as negociações (Gn 34.4). Estas consistiam nas consultas quanto ao destino dos bens por força do enlace que não poderiam enfraquecer a tribo nem expor a moça ao desamparo (Nm 36); e nos acertos quanto ao dote que o noivo havia de pagar ao pai da moça (uma espécie de dádiva que compensava a perda da filha); geralmente oscilava entre 30 e 50 ciclos e selava o contrato matrimonial, mas podia ser efetuado também em forma de trabalho, como no caso de Jacó (Gn 29.15-20, 34.12; Ex 22.17; 1 Sm 18.25; Gn 24.22-53). O dote da concubina era o preço da compra (no caso de serva ou escrava). Os casamentos consanguíneos entre os hebreus eram proibidos (Lv 18.1-18), embora fossem comuns entre os caldeus (Gn 20.12), os egípcios, os persas e outras nações orientais.
  • 51. b) Noivado - Este era o primeiro ato do casamento, porém tão importante que somente a morte ou infidelidade podiam dissolve-lo. Desde o momento em que o noivo entregava a noiva, ou ao representante dela, na presença de testemunhas uma moeda com a inscrição “Seja consagrada [casada] a mim” uma espécie de juramento - o jovem casal era (Rt 4.9-II; Ez 6.8) considerado casado, embora a sua vida conjugal se efetuasse só depois das núpcias (Mt 1.18) que, segundo o Talmude, poderiam ocorrer um mês depois para as viúvas e um ano depois para as virgens (no caso de Jacó durou sete anos). Durante o noivado o homem era isento do serviço militar. Depois do exílio babilônico, adotou-se o costume de lavrar um compromisso escrito.
  • 52. c) Núpcias - A festa de núpcias durava, geralmente, sete dias (Jz 14.12), prolongando-se, excepcionalmente, até catorze dias. O noivo, sendo rico, distribuía roupa nupcial aos convidados (Mt 22.11). Saindo de sua casa, ia a casa dos pais da noiva acompanhado de amigos e vestido de sua melhor roupa, com grinalda na cabeça (Ct 3.11; Is 61.10), ao som de musica e de cânticos. Quando as núpcias eram realizadas a noite, as pessoas que acompanhavam o cortejo muniam-se de tochas (lâmpadas). Recebendo a esposa na casa dos pais desta, com rosto velado, acompanhada das bênçãos paternais, o esposo a conduzia, em cortejo ainda maior, para a casa de seu pai ou para a sua própria, onde seguia-se o banquete depois do qual os noivos eram conduzidos a camará nupcial (Mt 22.1-10; 25.1-13). Nos seis dias subsequentes, as festas continuavam, embora mais resumidas. A lua de mel legal era de um ano, durante a qual o marido estava isento das obrigações militares.
  • 53. Os Filhos - Estes eram considerados dádivas divinas (Sl 127.3-5); especialmente os do sexo masculino. Por isso a esterilidade era julgada como uma falta de favor de Deus. A herança era dividida somente entre os filhos do sexo masculino. As filhas recebiam a herança somente na falta de filhos herdeiros. As filhas solteiras eram sustentadas pelos irmãos até que se casassem. Seu casamento podia ocorrer somente com alguém de dentro da mesma tribo. A primogenitura era honrada e respeitada entre todos os povos orientais. O primogênito recebia a porção dobrada dos bens paternos; com a morte do pai, assumia a direção da família e as funções sacerdotais da mesma (na época anterior a doação da lei mosaica). Quanto a educação dos filhos, o pai era obrigado a ensinar-lhes desde cedo - a par da instrução - um oficio que lhes garantisse a subsistência. (Nm 27; Dt 21.15-17). Áquila, Priscila e Paulo sabiam fabricar tendas (At 18.3). Divórcio - A dissolução dos laços matrimoniais entre os hebreus era permitida como uma “necessidade calamitosa”, porém não aprovada, e mesmo repudiada já na ultima parte do Antigo Testamento (Dt 24.1; Mt 2.13-16). Também Jesus repudiou o divorcio, exceto no caso de adultério (Mt 19.3-9). O divorcio tinha que ser efetivado por um documento escrito, chamado carta de divorcio, entregue a mulher pelo marido (Mt 19.7), para lhe dar direito a um novo casamento. Se, porém, viesse a divorciar-se do seu segundo marido ou mesmo se este viesse a morrer; já não poderia reconciliar-se com o primeiro, uma vez que se encontrava contaminada pela coabitação com outro homem (Dt 24.4).
  • 54. O Lugar da Mulher na Sociedade - De um modo geral, os orientais dos tempos antigos relegavam a mulher a uma condição bastante inferior a do homem. Porém os hebreus asseguravam a mulher o gozo de vários direitos não encontrados nos costumes de outras nações. Entre os hebreus ela merecia lugar de honra e distinção (Pv. 31.10-31). A mãe era digna das mesmas honras que se deviam ao pai (Ex 21.12; Pv. 1.8). Perante as autoridades, a mulher tinha o direito de requerer justiça (Nm 27.1; 1 Rs 3.16-18). Quanto as ocupações, quase que não existia distinção de sexo. Assim, a mulher moça pastoreava rebanhos (Gn 29.6; Ex 2.16); trabalhava nos campos (Rt 2.3) e carregava a água das fontes para o abastecimento da casa. Entretanto, as principais obrigações das mulheres eram os trabalhos domésticos, bem mais complicados e difíceis que aqueles que as mulheres tem hoje. Elas moiam o grão (Mt 24.41), preparavam as refeições (Gn 18.6; II Sm 13.8), “fiavam a lã e teciam o pano” (1 Sm 2.19). Na historia do povo hebreu há também uma juíza (Jz 4.4) e pelo menos três profetisas (Ex 15.20; IIRs 22.14).
  • 55. Saudações - Estas sempre eram prolongadas no Oriente. Jesus, por exemplo, mandou aos seus discípulos que a ninguém saudassem pelo caminho justamente para poupar tempo (Lc 10.4). A posição mais comum era a inclinação do corpo para a frente e com a mão direita posta no lado esquerdo do peito (Gn 23.7,12). Outra maneira usada, especialmente perante pessoas superiores, era a prostração ou inclinação até a terra (Gn 18.2; 42.6). As expressões mais comuns eram: “Paz”, “Paz seja convosco”, “Paz esteja nesta casa” (1Sm 25.6; Lc 24.36; 1Cr 12.18).
  • 56. Enterros e Manifestação de Luto - Constatada a morte, o corpo do falecido era lavado e enrolado com faixas ou lençóis impregnados de perfumes. Raramente eram usados esquifes ou caixões abertos. O embalsamamento não era costumeiro entre os hebreus. Embora José e Jacó tivessem sido embalsamados, sabemos, porém, que o foram pelos egípcios, que possuíam o segredo do processo. O enterro era feito no mesmo dia da morte - isto por exigência do clima quente que favorecia a decomposição rápida e também por força da lei que tornava imundo quem tocasse em um defunto (Nm 19.11-16) - acompanhado do cortejo fúnebre na seguinte ordem: as mulheres, as carpideiras (eram as lamentadoras profissionais), o defunto, os parentes e amigos mais próximos, e o povo. Os túmulos dos pobres eram simples covas no chão cobertas de terra e marcadas por uma pedra, ao passo que os sepulcros dos mais abastados eram cavados na rocha, com umas pedras grandes, redondas, a porta, para fecha-los. Os sepulcros eram geralmente localizados fora da cidade, mas também em certas regiões e épocas ficavam nos pátios das casas. O costume de caiar os túmulos era praticado para evitar a contaminação cerimonial por pisar neles. O período de luto era de sete dias, em casos excepcionais era delongado para mais (I Sm 31.13; Gn 50.1-4,10; Dt 34.8). As manifestações de luto eram variadas: o rasgar de roupas, o andar descalço, o lançar do pó na cabeça, o vestir-se de saco, o arrancar os cabelos e a barba, o lançar-se no chão, o jejuar; o choro desesperado, o andar com rosto coberto etc. (Gn 37.34; II Sm 18.3 1; 15.30; Jo 2.12; Am 8.10; Mc 5.38,39). Como demonstração de respeito filial e para a perpetuação da memória dos mortos (II Sm 18.18) costumavam os hebreus levantar “colunas” (monumentos que consistiam de uma pedra mais ou menos alongada que se fixava na terra no sentido vertical).
  • 57. HABITAÇÕES Tendas -Este era o tipo mais primitivo de habitação palestínica e de um modo geral de todo o Oriente. A primeira referência a tendas na Bíblia temos em Genesis 4.20. Originalmente parece que eram feitas de pele de cabra; depois evoluíram para tecido de pelos de cabra de uma qualidade especial (de pelo longo, escuro, muito resistente). Os tipos de tendas variavam de tempos em tempos, desde o mais primitivo - um grande pedaço de tecido retangular levantado sobre uma vara horizontal, apoiada em alguns esteios verticais, e preso pelos quatro cantos a estacas ao res-do-chao até o mais complicado feitio octogonal, com uma ou duas colunas verticais no centro e divisões internas para dormitórios de homens, mulheres, crianças, casais, servos, sala, cozinha etc. Cabanas - Eram ranchos feitos de estacas encimando varas cobertas de ramos ou folhagens, ou mesmo de tecidos, destinados a permanência mais prolongada no local.
  • 58. Tabernáculo - O termo que significa simplesmente habitação e que tanto pode ser uma tenda como uma cabana. Entretanto, na Bíblia esta palavra e aplicada especificamente a tenda que durante a peregrinação dos israelitas pelo deserto servia para o culto de Deus. Era uma construção portátil de 30 côvados de comprimento por 10 côvados de largura, ou seja, aproximadamente 15m por 5m, que foi substituída pelo famoso templo de Salomão construído em Jerusalém. Aquele templo, segundo as descrições de I Reis 6 e II Crônicas 3, era algo majestoso. Porém, não sabemos se o seu tipo arquitetônico era egípcio, fenício ou algum outro.
  • 59. Casas - Pelas escavações arqueológicas, conclui-se que na Palestina as casas eram feitas de pedra, de tijolos e de madeira (menos Comum), dependendo do que era mais encontrado na região. Quanto ao tamanho, geralmente eram de um só cômodo e de um só andar. Os cidadãos mais abastados construíam casas de dois pavimentos com vários cômodos. Os telhados nas regiões mais quentes eram chatos e transformados em terraços, cercados de parapeitos, com acesso por uma escada exterior. Já nas regiões mais frias eram encontrados telhados em forma de meia-água ou cumeeira para o deslizamento da neve. Esses telhados ou terraços eram feitos de paus colocados em sentido cruzado ou paralelo, cobertos, de barro misturado com capim (estuque). Devido ao clima quente, a noite o terraço era o lugar preferido para o descanso, meditação e dormida, e durante o dia para secagem de roupa, de cereais etc. Dos telhados dos edifícios públicos proclamavam- se os decretos e os avisos de natureza coletiva (Lc. 12.3; Mt 10.27). A divisão interna das casas dependia das posses do dono e do tamanho da mesma. As casas de dois andares possuíam um pátio interno com poço, tanques e até piscina. Na parte da frente, logo a entrada, ficava a sala de visitas, ao lado, o quarto dos hospedes e o dos donos da casa e, mais adiante, as acomodações dos servos, a cozinha, a despensa etc. No segundo andar; os cômodos dos filhos ou outros moradores da casa e frequentemente também dos próprios donos. Esses cômodos sempre davam a porta para o pátio interno. As portas eram estreitas e baixas e as janelas poucas e sem vidros. A estalagem (khan - hospedaria) era sempre uma casa maior; de dois andares, acrescida de acomodação para os animais e servos na parte posterior; com a costumeira área central ou pátio.
  • 60. Torres de Vigia - Eram armações de estacas e galhos, como as cabanas, com uma plataforma de 2m a 2,5m de altura para facilitar a vigilância dos pomares e das lavouras (Is 5.2; Mt 12.1). As torres de caráter permanente eram feitas de pedra com acomodações para a família na parte inferior; para os meses de calor; e uma plataforma em cima para a guarda. Palácios - Eram as residências reais, construídas com requintes de luxo, em estilos que variavam com a época de influência histórica - egípcio, fenício, assírio, grego, romano (os últimos ao tempo do Novo Testamento).
  • 61. Mobília A mobília dos antigos no Oriente era bem reduzida. Nas tendas geralmente nada mais havia senão tapetes ou esteiras servindo como divã, cadeira, mesa e cama, pois os orientais tinham por costume sentar-se no chão sobre as pernas cruzadas. Os egípcios e babilônios, segundo parecem, introduziram mais cedo que os outros povos a cadeira e a mesa, estas de 20 e 25cm de altura. Outros objetos de um habitante de tendas eram: o martelo para fixar as estacas, duas pedras de moinho para moer o grão, algumas panelas de barro ou metal para preparar comida, tigelas, amassadeiras e odres (recipientes de couro de animais para leite e vinho) e sela de camelo. Nas casas já havia camas e cadeiras (II Rs 4.10), bem como mesas, embora estas sempre baixas. Os candeeiros eram de barro ou metal em forma de pires, com uma espécie de beiço num certo ponto da borda para o descanso do pavio, que era de algodão ou lã. O combustível comumente era o óleo de oliva (azeite) ou de sésamo (gergelim). Com o tempo os candeeiros passaram a ser cobertos por uma tampa em que havia um orifício para o pavio. Talheres não se usavam antigamente. Um pedaço de pão ou mesmo a mão eram usados para retirar a comida da tigela. Porém, havia garfos para uso no preparo do alimento na cozinha.
  • 62. Alimentação Pão, leite, mel, legumes, frutas, farinha, azeite e vinho eram a base alimentar. A carne geralmente aparecia somente em ocasiões festivas. Também o peixe era comum nas proximidades dos lagos e mares. O pão era feito de farinha de trigo, cevada, centeio ou milho. Também costumava-se comer o grão dos cereais cru - como vinha do campo - tostado, deixado de molho, cozido em leite ou em caldo de carne. Manteiga e queijo eram feitos de leite de cabra ou de vaca (mais raramente). O azeite era a gordura mais usada para temperar a comida. Os legumes mais comuns eram lentilha, cebola, alho, pepino, repolho e couve-flor. Também eram comuns as amêndoas, o cominho, o endro e o coentro. Das frutas fazemos a menção de uva, figo, tâmaras, ameixas, pêssegos. A carne mais apreciada era a de cabra, assada ou cozida em água ou no leite.
  • 63. Vestuário As vestes eram confeccionadas de algodão, seda, linho ou lã. Peças do Vestuário Masculino (a) Túnica - Era uma camisola de algodão ou linho, sem mangas, chegando ate os joelhos. A túnica dos ricos e dos sacerdotes tinha mangas compridas e largas. (b) Manto ou capa - Era uma peça de fazenda geralmente de lã que se usava por sobre a túnica, servindo também como cobertor; tapete, sela etc. Era uma peca bastante adornada com franjas e borlas (Dt 22.12). (c) O cinto do manto - Era feito de couro ou fazenda espesso, bastante comprido para dar varias voltas na cintura, por dentro do qual também carregavam-se dinheiro e outras miudezas. (d) O sapato dos palestinos - era a sandália confeccionada de couro ou pano e presa ao pé por cordões de algodão ou fitas de couro fino. Os ornamentos masculinos mais comuns eram o cajado, o anel-sinete (que nos tempos mais remotos usava-se pendurado ao pescoço por meio de um cordão, porém posteriormente no dedo) e as filactenas (tiras de couro com caixinhas, contendo alguns trechos da lei, presas a testa e ao pulso esquerdo - Ex 13.9; Dt 6.8). (e) O turbante - Na cabeça usava-se o turbante, que consistia de uma fita longa enrolando a parte superior da cabeça, ora em forma esférica, ora em cônica, truncada, dependendo do gosto. Porém a cobertura mais comum, era um lenço quadrado preso por uma fita ao redor da cabeça, deixando a parte mais longa para trás a fim de proteger o pescoço. Geralmente a fita era de cor diferente dado lenço. Parece que os calções eram usados, por algum tempo, somente pelos sacerdotes (Ex 28.42; 39.28)
  • 64. Peças do Vestuário Feminino - As mulheres usavam as mesmas peças, porém mais longas e mais ornamentadas, exceto o turbante. As mulheres usavam o véu sobre o rosto quando apareciam em público. Quanto aos ornamentos e enfeites, apreciavam pendentes no nariz, nos lábios e nas orelhas; anéis e pulseiras; diademas na cabeça (Is 3.16-24). A pintura em volta dos olhos já era conhecida nos dias de Jezabel (II Rs 9.30).
  • 65. Dinheiro, pesos e medidas O intercambio comercial palestino sofreu as constantes influências políticas estrangeiras. O uso mais remoto de permuta de valores entre os povos orientais era feito pela simples troca de mercadorias. Depois entrou em uso a troca de um certo peso de metais preciosos - em forma de pó, pipetas ou barras (cunhas) - pelos objetos ou propriedades imóveis. Assim, Abraão, ao necessitar de um campo para sepultar a sua esposa Sara, “pesou (...) quatrocentos ciclos de prata, moeda corrente entre os mercadores” (Gn 23.16). O ciclo, portanto, era um padrão de peso que variava conforme o metal que se pesava (prata, ouro ou cobre). Talento era outro peso, para metais preciosos, usado para valores maiores (como entre nos hoje usamos arroba, tonelada, etc.). O ciclo cunhado (no valor de um e de meio ciclo) apareceu pela primeira vez entre os hebreus por volta do ano 143 a.C., nos dias do sacerdócio de Simão Macabeu, quando exerceu autoridade sobre a Palestina Antioco VII da Síria. O lançamento das primeiras moedas de curso nas transações comerciais deve-se aos gregos entre 700 e 650 a.C., seguindo-se os persas por volta do ano 500 a.C. A primeira moeda citada na Bíblia e o dárico, uma moeda persa (Ed 2.69) com que os hebreus já estavam familiarizados. Com a introdução de novas moedas na Palestina - de tempos em tempos - e face a exigência legal de pagamento de impostos do Templo, de ofertas e aquisição de animais para o sacrifício, surgiu o oficio de cambista, pois somente a moeda judaica podia entrar no tesouro sagrado.
  • 66. Moedas Cunhadas a) Dárico - A moeda cunhada persa mais antiga, conhecida pelos hebreus no período da restauração (Ed. 2.69), valendo, segundo John D. Davis, um dólar. b) Shekel ou siclo - A primeira moeda cunha da judaica (shekel e meio shekel de prata e a subdivisao em quartos de cobre, chamados leptos). c) Dracma - (moeda grega) e denário (moeda romana) - Ambas valiam um quarto de um shekel ou siclo. Didracma, meio siclo, era a moeda do tributo (Mt 17.2 1). d) Estáter - Moeda romana, igual a um siclo ou shekel judaico. e) Ceitil - Moeda romana, também chamada sescum, valia uma oitava parte de um as (Lc. 12.6; Mt 10.29). Dois ceitis equivaliam a um quadrante, e 4 quadrantes a um as ou asse. Pesos Segundo Levitico 19.36, os hebreus desde os tempos mais remotos de sua nacionalidade usavam pesos e medidas para avaliar o dinheiro e outros artigos comerciais. Os pesos referidos na Bíblia são os seguintes: óbolo ou jeira, shekel ou siclo, beca, arratel, mane ou mina, e talento, cujos valores já foram apreciados na primeira parte do tópico sobre o dinheiro.
  • 67. Medidas A. Medidas de Comprimento a) Cúbito ou côvado - A unidade principal que variava entre 45 e 55cm. b) Dedo ou dígito - Correspondendo a largura de um dedo; cerca de 2cm. c) Mão - Cerca de quatro dedos. d) Palmo -Aproximadamente 23cm. e) Vara ou cana de medir- Igual a seis côvados ou cubitos. f) Braça - (medida grega) - Cerca de 2,20m (At 27.28). g) Estádio - (medida grega equivalente ao comprimento da pista do estádio de Olímpia, centro de competições atléticas) – Igual a 185m. h) Milha - (medida romana) - Equivalente a 1.500m. i) Caminho de um Sábado - Correspondia a 1.000m aproximadamente, e originou-se do costume observado no deserto, junto do Sinai, de não se percorrer no sábado distância maior que a do arraial até o tabernáculo. B. Medida de Superfície Jeira, que, segundo Angus, “é um espaço de terra que uma junta de bois pode lavrar num dia” Evidentemente a dimensão exata da jeira não e possível de se estabelecer; mas os autores opinam em tomo de 2.500 m2.
  • 68. C. Medidas de Capacidade Para secos: a) Efa - Unidade padrão contendo cerca de 36 litros. b) Alqueire, seá ou três medidas - A terça parte de uma efa; mais ou menos 12 litros. Nota: alguns autores dão apenas 8,5 litros. c) Gomer ou omer - A décima parte de uma efa (Ex 16.36), cerca de 3,6 litros. d) Cabo ou medida - Aproximadamente 1,5 litro. e) Homer ou coro - 10 efas ou 360 litros. Para líquidos: a) Bato - A unidade basica, igual a efa: com capacidade de 36 litros (Ez 45.11). b) Hin - Uma sexta parte de efa: 6,6 litros. c) Logue - Um doze avos de um hin, ou seja, cerca de meio litro. d) Almude ou metreta - Igual ao bato: 36 litros. e) Léteque - Cinco batos: aproximadamente 180 litros. Nota: Algumas destas medidas variam de acordo com os autores e investigadores que nem sempre tiveram ao seu alcance as melhores fontes. Nesta tabela baseamo-nos em Joseph Angus e John D. Davis, considerados os melhores.
  • 69. O Calendário Judaico Apresenta as seguintes divisões do tempo e maneiras de conta-lo: Dia - Este era contado do por do sol até o por do sol do dia seguinte (Gn 1.5), embora o termo também significasse o período da luz nas 24 horas. Quanto a subdivisão do dia, no Antigo Testamento, nota-se que o sistema de hora era desconhecido. Costumava-se dividir o dia simplesmente em períodos, com a nomenclatura seguinte: Manhã - de 6 ate 10 horas ou pouco mais; Calor do dia - de 10 ate 14 ou 15 horas; Fresco do dia - de 15 as 18 horas. O período da noite obedecia a uma divisão em três vigílias: Primeira vigília: - de 18 horas até meia-noite; Segunda vigília: - de meia-noite as 3 horas; Terceira vigília: -de 3 as 6 horas da manha. Já no Novo Testamento temos a seguinte subdivisão do dia: Terceira hora do dia -9 horas; Sexta hora do dia - 12 horas; Nona hora do dia - 15 horas; Décima segunda hora do dia - 18 horas. Ao passo que a noite era dividida em quatro vigílias: Primeira vigília - de 18 as 21 horas; Segunda vigília – de 21horas a meia-noite; Terceira vigília - de meia-noite as 3 horas, também designada pela expressão “o cantar do galo”; Quarta vigília - de 3 as 6horas, também chamada ‘a manha”.
  • 70. Semana - Esta era de sete dias chamados pelos ordinais - primeiro dia... etc., ainda que o sexto dia geralmente fosse denominado o dia da preparação, e o sétimo, pelo seu caráter sagrado, o sábado (descanso). Meses - A observação das fases da lua determinou a divisão do ano em doze meses ou período de 29 e 30 dias alternadamente, em cujos nomes percebe-se a raiz cananéia, bem como a babilõnica: Abib (mais antigo) ou Nisã (pós-exílico) era o nome do primeiro mês correspondente ao fim de março ou começo de abril, Zife (Zive) ou lar; Siva, Tamuz, Ab, flui. Etanim ou Tishri, Bul (Chesvan ou Marchesvani) Kislev, Tebel, Shebat e Adar. Mas como o ano lunar retrocedia em números de dias e assim desencontrava das estações agrícolas determinadas pelo ciclo solar; tornou- se necessário intercalar um mês intermediário cada três anos, ou seja, o 13° mês, denominado Ve-Adar (exatamente sete vezes em cada ciclo de 19 anos), o que levou a se adotar o ano do ciclo solar. Anos - No calendário hebreu havia o ano religioso, que começava com a Páscoa no dia do mês de Abib ou Nisã (março ou abril) e o ano civil, cujo inicio era assinalado com a Festa das Trombetas no dia 2 de Tishri ou Etanim (correspondendo ao final de setembro ou começo de outubro). Havia, também, de sete em sete anos um ano sabático (Ex 23.10,11) para o descanso do solo, destinação da produção espontânea para os pobres e peregrinos e cancelamento das dividas, e o ano do jubileu, ou selá, cada 50 anos, quando todos os escravos hebreus eram libertados e as terras vendidas restituídas aos primitivos donos ou seus legítimos descendentes. Parece que isto contribuiu muito para a cultura social do povo, pois foi “O plano de Deus para evitar que a riqueza da nação fosse acumulada nas mãos de poucos” e que os irmãos de raça ficassem perpetuamente escravizados uns aos outros.
  • 71. As Festas de Israel Os judeus celebravam sete festas religiosas anualmente, sendo que cinco eram da época mosaica e duas de épocas posteriores. As mais importantes delas - as quais um judeu homem não podia faltar por exigência da lei - eram três: a da Páscoa, a de Pentecostes e a dos Tabernáculos (Ex 23.14-19). Elas objetivavam manter viva no coração do povo a realidade de que tudo que ele possuía ou tudo que ele era em si vinham de Deus como dádiva. Inclusive a própria fertilidade da terra e a colheita resultante eram provas da providência de Deus a favor de seu povo. Em resumo, as lições que as festas pretendiam ensinar eram as seguintes: a) Tudo provem de Deus, como proprietário que é de todas as coisas; b) A natureza produz pela providência de Deus (uma espécie de maná); c) Este Deus a quem pertencem todas as coisas é que faz a terra produzir milagrosamente é o Deus dos hebreus, que os dirige, guia e protege, com o fim de habilita-los a desempenhar no mundo uma missão especifica e messiânica. Isto também fomentava a unidade nacional indispensável. De modo que o zelo na celebração das festas expressava a consonância espiritual do coração do povo com a sua conduta, ao passo que a negligência neste sentido provava o declínio espiritual do povo e atraia sobre o mesmo pobreza, tristeza e perturbações sociais e políticas que o faziam sofrer. Entretanto, a celebração simples e formal das festas, sem os fundamentos espirituais que as deviam motivar, não era aceita por Deus (Am 5.21-27). As festas eram as seguintes:
  • 72. a) Páscoa - Também chamada Festa dos Pães Asmos ou Dias dos Asmos, era celebrado de 14 a 21 do mês de Abib ou Nisã, o primeiro do ano religioso, como um memorial do livramento dos hebreus do jugo egípcio, destacando, especialmente, a passagem (este e o significado da palavra “páscoa”) do anjo que feriu os primogênitos dos egípcios, poupando, porém, os lares em cujos umbrais israelitas havia o sangue do cordeiro sacrificado na véspera. O cordeiro devia ser assado inteiro e comido com ervas amargas e com pães asmos (sem fermento). O sangue aspergido nos umbrais significava a redenção ou expiação; as ervas amargas eram alusivas a amargura do cativeiro; e os pães asmos eram o símbolo da pureza com que a festa devia ser celebrada. E como o ano começava na primavera, adicionou-se do segundo dia em diante uma significação relativa a alegria e gratidão pela colheita dos primeiros frutos da semeadura da cevada (o período das colheitas dividia-se em duas partes: da cevada e o do trigo), quando o sacerdote agitava perante o altar um molho deste cereal (Lv 23.10,11). b) Pentecostes - Denominada também Festa das Semanas, Festa da Ceifa ou Festa das Primícias. Celebrava-se 50 dias (ou sete semanas) após a Páscoa, no 3° mês, Sivã, e durava um dia. Comemorava aproximação do fim da colheita do trigo (e com ele a de todos os cereais) de que era feito o “pão de cada dia” ou seja, a alimentação comum do povo; A oferta peculiar desta festa era composta de dois “pães movidos” (Lv 23.17), fermentados - porque representavam as imperfeições do povo - e era acompanhada de uma outra, composta de dois cordeiros, para expiação de pecados. Depois do exílio babilônico adicionou-se a festa de Pentecostes também a comemoração da doação da lei no Sinai.
  • 73. c) Tabernáculos - Festa conhecida também como a da Colheita, Festa do Senhor ou simplesmente “a festa” (Ex 23.33-43; Dt 16.13-15; Jo 7.34), celebrava-se no 7° mês; Tishri, e durava sete dias (15 a 21). De todas as festas, esta era a mais alegre porque caia justamente numa época do ano em que todos os corações estavam repletos de contentamento pelas colheitas guardadas nos celeiros, frutos recolhidos e a vindima feita, o que falava eloquentemente do favor de Deus e ao mesmo tempo lembrava a proteção de Deus durante a peregrinação no deserto quando o povo habitava em tendas ou cabanas, isto é, Tabernáculos (habitações portáteis, improvisadas). Diz A. Edersheim que três eram as coisas principais que distinguiam esta festa das demais: “o caráter alegre das celebrações, a habitação em “tendas” e os sacrifícios e ritos peculiares a semana” A habitação em tendas ou cabanas feitas de ramos de arvores, durante os sete dias da festa; visava a recordação dos 40 anos de peregrinação no deserto sob a proteção divina. Mais tarde, na história dos judeus, a celebração desta festa sofreu algumas modificações de pouca monta. d) Trombetas ou Lua Nova - Era observada no 10 e 20 dias de Tishri, 7° mês, porque assinalavam a 7ª lua nova do ano religioso e o inicio do ano civil. Entretanto, todo dia primeiro de cada mês caia em lua nova e era assinalado por ofertas e celebrações solenes. A particularidade desta celebração era o toque de trombetas dos sacerdotes com que se dava o inicio da festa.
  • 74. e) Dia da Expiação - Este era o dia l0 do 7° mês, Tishri. É observado com abstenção dos trabalhos e com jejum. Neste dia, somente o sumo sacerdote oficiava, e o fazia não com vestes comuns, mas especiais, como expressão de pureza. Este era o único dia do ano em que o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos para oferecer expiação por si mesmo, pelos sacerdotes e pelo povo. Era realmente o dia mais importante de todo o calendário judaico e o mais complexo no que diz respeito aos sacrifícios, seu preparo, seus detalhes e seu oficiante (Lv 16; 23.26-32; Hb 9 e 10). f) Purim - Festa instituída para comemorar o livramento dos judeus que habitavam a Pérsia nos dias da perseguição planejada por Hamã, que visava o extermínio total da raca judaica nos domínios persas. O termo purim significa sorte, e deriva-se do fato de Hamã ter lançado sorte para saber o dia em que seria executado o seu plano macabro (Et 3.7), plano este que tornou-se em maldição para Hamã (Et 9.25). A festa era celebrada nos dias 14 e 15 do 120 mês, ou seja, o mês de Adar (Et 9.21).