Conhecendo as Doutrinas da Biblia - Myer Pearlman

57.539 visualizações

Publicada em

É necessário que todo cristão adquira conhecimento básico das doutrinas expostas na Bíblia. Compreendendo essa necessidade, Myer Pearlman reuniu neste livros um vasto material e informações de grande valor. Esta obra se dirige tanto ao cético como ao crente que deseja melhorar seus conhecimentos bíblicos, a fim de estar sempre preparado para responder com mansidão e temor “a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. Este é um livro excelente para estudo bíblico, merecedor de lugar de destaque em todo lugar, onde há pessoas que desejam compreender melhor a Palavra de Deus. O autor Myer Pearlman foi um grande pesquisador, e um dos mais apaixonados estudiosos das Escrituras. Deus o abençoou grandemente no seu ministério de ensino da Bíblia. Em Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, ele coloca ao alcance dos leitores o fruto dos muitos anos que passou estudando cuidadosamente a Palavra de Deus.

5 comentários
58 gostaram
Estatísticas
Notas
Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
57.539
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
8.539
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1.925
Comentários
5
Gostaram
58
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Conhecendo as Doutrinas da Biblia - Myer Pearlman

  1. 1. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia Myer Pearlman Editora Vida, 2006 ISBN 8573671440 Título original: Knowing the Doctrines of the Bible Tradução: Lawrence Olson Reeditado por SusanaCap, a partir de arquivo txt encontrado na web.* Agradecimentos ao Dumane pela digitalização do Cap.VIII, que faltava. www.semeadores.net Nossos e-books são disponibilizados gratuitamente, com a única finalidade de oferecer leitura edificante a todos aqueles que não tem condições econômicas para comprar. Se você é financeiramente privilegiado, então utilize nosso acervo apenas para avaliação, e, se gostar, abençoe autores, editoras e livrarias, adquirindo os livros. Semeadores da Palavra e-books evangélicos* Obs.: Algumas referências bíblicas estavam ilegíveis e não puderam serrecuperadas
  2. 2. CONTEÚDOIntrodução: Um confronto teológico................................6 I. A natureza da doutrina...................................................7 II. O valor da doutrina........................................................9 III. A classificação da doutrina.........................................11 IV. Um sistema de doutrina..............................................12Capítulo I: As Escrituras................................................15 I. A necessidade das Escrituras........................................16 II. A inspiração das Escrituras.........................................18 III. A verificação das Escrituras........................................23Capítulo II: Deus............................................................28 I. A existência de Deus....................................................28 II. A natureza de Deus......................................................44 III. Os atributos de Deus..................................................50 IV. O Triúno Deus............................................................61Capítulo III: Os anjos.....................................................69 I. Os Anjos.......................................................................69 II. Satanás.......................................................................74 III. Espíritos Maus............................................................79Capítulo IV: O Homem..................................................82 I. A origem do homem......................................................82 II. A natureza do homem..................................................86 III. A imagem de Deus no homem....................................97Capítulo V: O pecado....................................................101 I. O fato do pecado.........................................................101 II. A origem do pecado....................................................103 III. A natureza do pecado................................................108 IV. Conseqüências do pecado.........................................113Capítulo VI: O Senhor Jesus Cristo.............................117 I. A natureza de Cristo...................................................117
  3. 3. II. Os ofícios de Cristo....................................................136 III. A obra de Cristo........................................................141Capítulo VII: A Expiação.............................................151 I. A Expiação no Antigo Testamento................................151 II. A Expiação no Novo Testamento.................................159Capítulo VIII: A Salvação..............................................177 I. A natureza da salvação...............................................177 II. A Justificação............................................................185 III. A Regeneração..........................................................196 IV. A Santificação...........................................................203 V. A Segurança da Salvação...........................................219Capítulo IX: O Espírito Santo.......................................227 I. A natureza do Espírito Santo.......................................227 II. O Espírito no Antigo Testamento...............................235 III. O Espírito em Cristo.................................................242 IV. O Espírito na experiência humana............................246 V. Os Dons do Espírito Santo.........................................261 VI. O Espírito na Igreja...................................................269Capítulo X: A Igreja......................................................276 I. A natureza da Igreja....................................................276 II. A Fundação da Igreja.................................................280 III. Os membros da Igreja...............................................281 IV. A obra da Igreja........................................................282 V. As ordenanças da Igreja.............................................283 VI. A Adoração da Igreja.................................................289 VII. A Organização da Igreja...........................................291Capítulo XI: As últimas coisas.....................................295 I. A morte.......................................................................295 II. O estado intermediário...............................................297 III. A ressurreição...........................................................299 IV. A vida futura.............................................................303 V. O destino dos justos...................................................306
  4. 4. VI. O destino dos ímpios.................................................310 VII. A segunda vinda de Cristo.......................................312Questionário................................................................318
  5. 5. INTRODUÇÃO: UM CONFRONTO TEOLÓGICO A teologia, sobre a qual versa este livro, no sentidoetimológico, é: "o assunto acerca de Deus", assunto o mais elevadode que é capaz de se ocupar a mente humana. Vários métodosde teologia têm sido propostos, como sejam: especulativo,deístico, racionalista, dogmático e místico.Esses têm conduzido oshomens a conclusões contrárias às Escrituras, conclusões queviolam ao mesmo tempo a nossa natureza moral. O método teológico, que ao mesmo tempo honra as Escriturase também satisfaz à alma do homem é o método indutivo, talqual o autor deste livro, Myer Pearlman, o emprega. A Bíblia é parao teólogo o que a natureza é para o homem de ciência. É sua fontede fatos concretos. O teólogo reverente adota, para averiguar o quea Bíblia ensina, o mesmo método que o filósofo adotapara averiguar o que a natureza ensina. Nesse processo, que requer grande diligência, precauçãoe exaustivo trabalho, derivam-se os princípios dos fatos, e nãoos fatos dos princípios. Os grandes fatos da Bíblia devem seraceitos tais quais são, e deles edificar-se o sistema teológico, afim de abraçá-lo na sua integridade. É motivo de grande satisfação notarmos que as Escriturascontêm todos os fatos da teologia, admitindo verdades intuitivas,tanto intelectuais como morais, por causa da nossa constituiçãocomo seres racionais e morais. Ao mesmo tempo admitem asEscrituras o poder controlador sobre as crenças exercido peloensino intimo do Espírito Santo, ou seja a experiência religiosa.Esta verdade ao bem se ilustra na palavra do apóstolo Paulo quedisse: "A minha palavra, e a minha pregação não consistiu empalavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstraçãode Espírito e de poder" (1 Cor. 2:4). Esse ensino ou "demonstração"íntima do Espírito Santo limita-se às verdades objetivamentereveladas nas Escrituras, não como revelação de novas verdades,mas como iluminação da mente que a torna apta para perceber averdade, a excelência e a glória das coisas anteriormente reveladas.
  6. 6. Assim disse o apóstolo Paulo em continuação da passagem:"Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espíritopenetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque,qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito dohomem, que nele está ? Assim também ninguém sabe as coisas deDeus, senão o Espírito de Deus. Mas nós não recebemos o espíritodo mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para quepudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.As quais também falamos, não com palavras de sabedoriahumana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando ascoisas espirituais com as espirituais. Ora o homem natural nãocompreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecemloucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernemespiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele deninguém é discernido. Porque, quem conheceu a mente do Senhor,para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo" (1Cor. 2:10-16). Essa posição doutrinária e bíblica, simples e espiritual, éa posição tomada pelo autor, o irmão Myer Pearlman, posição doapóstolo Paulo. Nessa posição a Bíblia contém todos os fatos e todas asverdades reveladas pelo Espírito de Deus ao homem. N. Lawrence Olson I. A NATUREZA DA DOUTRINA A doutrina cristã (a palavra "doutrina" significa "ensino"ou "instrução") pode definir-se assim: as verdades fundamentaisda Bíblia dispostas em forma sistemática. Este estudo chama-se comumente: "teologia", ou seja, "um tratado ou um discursoracional acerca de Deus". (Os dois termos serão usadosalternadamente nesta seção.) A teologia ou a doutrina assim sedescreve: a ciência que trata do nosso conhecimento de Deus e dassuas relações para com o homem. Trata de tudo quanto serelaciona com Deus e com os propósitos divinos.
  7. 7. Por que descrevemos a teologia ou a doutrina como sendouma "ciência"? A ciência é a disposição sistemática e lógica defatos comprovados. A teologia é chamada ciência porque consisteem fatos relacionados com Deus e com as coisas de ordemdivina, apresentadas de uma maneira lógica e ordenada. Qual é a conexão entre a teologia e a religião? Religião vemda palavra latina "ligare" que significa "ligar"; religião representa asatividades que "ligam" o homem a Deus numa determinadarelação. A teologia é o conhecimento acerca de Deus. Assima religião é a prática, enquanto a teologia é o conhecimento.A religião e a teologia devem coexistir na verdadeiraexperiência cristã; porém, na prática, às vezes, se achamdistanciadas, de tal maneira que é possível ser teólogo sem serverdadeiramente religioso, e por outro lado a pessoa pode serverdadeiramente religiosa sem possuir um conhecimentosistemático doutrinário. "Se conheces estas coisas, feliz serás se as observas", éa mensagem de Deus ao teólogo. "Procura apresentar-te aDeus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar,que maneja bem a palavra da verdade" (2Tim. 2:15), é a mensagemde Deus ao homem espiritual. Qual é a diferença entre doutrina e dogma? Doutrina é arevelação da verdade como se encontra nas Escrituras; dogma éa declaração do homem acerca da verdade quando apresentada emum credo. Esperamos confiadamente que a teologia ou doutrinaencontre o lugar que merece no pensamento e na educaçãoreligiosa. Para um ser imortal, a verdade acerca de Deus, do destinohumano e do caminho para a vida eterna, nunca pode ser depouca importância. Todos os homens que raciocinam devem tomar emconsideração essas coisas. São perguntas tão antigas quanto aprópria raça humana e só podem ser esquecidas quando a raçahouver submergido na idiotice ou houver perdido a imagem deDeus.
  8. 8. "Assim como o homem pensa no seu oração, assim ele é.Toda a existência do homem gira em torno do que pensa,especialmente do que pensa acerca de Deus" — David S. Clarke. II. O VALOR DA DOUTRINA 1. O conhecimento (doutrinário) supre a necessidade de haver uma declaração autoritária e sistemática sobre a verdade. Há uma tendência em certos meios de não somente procurardiminuir o valor de ensinos doutrinários como também dedispensá-los completamente como sendo desnecessários e inúteis.Porém, enquanto os homens cogitam sobre os problemas da suaexistência, sentirão a necessidade de uma opinião final esistemática sobre esses problemas. A doutrina sempre seránecessária enquanto os homens perguntarem: "De onde vim?quem sou eu? e para onde vou?" Muitas vezes se ouve esta expressão: "não importa o que apessoa crê uma vez que faça o bem." Essa opinião dispensa adoutrina por julgá-la de nenhuma importância em relação à vida. Mas todas as pessoas têm uma teologia, queiram ou nãoreconhecê-lo; os atos do homem são fruto de sua crença. Porexemplo, quão grande diferença haveria no comportamento datripulação um navio que estivesse ciente de que viajava em direçãoa um destino determinado, e o comportamento da tripulação dumnavio que navegasse à mercê das ondas e sem rumo certo. A vida humana é uma viagem do "tempo" para a eternidade, eé de grande importância a pessoa saber que essa viagem não temsignificado ou rumo certo, ou que é uma viagem planejada peloseu Criador e dirigida por ele para um destino celestial.
  9. 9. 2. O conhecimento doutrinário é essencial para o pleno desenvolvimento do caráter cristão. As crenças firmes produzem caráter firme; crenças bemdefinidas produzem também convicções bem definidas.Naturalmente, a crença doutrinária da pessoa não é sua religião,assim como a espinha dorsal do seu organismo não é a suapersonalidade. Mas assim como uma boa espinha dorsal é parteessencial do corpo, assim um sistema definido de crença é umaparte essencial da religião. Alguém disse: "O homem não precisa expor a sua espinhadorsal, no entanto deve possuí-la para estar bem aprumado. Damesma forma, o cristão precisa de uma definição doutrinária paranão ser um cristão volúvel e até corcundo!" Certo pregadorfrancês unitáriano fez a seguinte declaração: "A pureza de coraçãoe de vida importa mais do que a opinião correta." A essadeclaração outro pregador francês respondeu: "A cura também émais importante que o remédio; mas sem o remédio não haveriacura!" Sem dúvida é mais importante viver a vida cristã do queapenas conhecer as doutrinas cristãs; porém não pode haverexperiência cristã enquanto não houver conhecimentos dasdoutrinas cristãs. 3. O conhecimento doutrinário é um baluarte contra o erro. (Mat.22:29; Gál. 1:6-9; 2 Tim. 4:2- 4.) Diz-se com razão, que as estrelas surgiram antes daastronomia, e que as flores existiram antes da botânica, e que avida existia antes da biologia, e que Deus existia antes da teologia. Isto é verdade. Mas os homens em sua ignorânciaconceberam idéias supersticiosas acerca das estrelas, e o resultadofoi a pseudociência da astrologia. Os homens conceberam falsasidéias acerca das plantas, atribuindo-lhes virtudes que nãopossuíam, e o resultado foi a feitiçaria. O homem na sua cegueiraformou conceitos errôneos acerca de Deus e o resultado foi opaganismo com suas superstições e corrupção. Porém surgiu a astronomia com seus princípios verdadeirosacerca dos corpos celestes e dessa maneira expôs os errosda astrologia. Surgiu a botânica com a verdade sobre a vida vegetal
  10. 10. e dessa maneira foram banidos os erros da feitiçaria. Damesma maneira, as doutrinas bíblicas expurgam as falsas idéiasacerca de Deus e de seus caminhos. "Que ninguém creia que erro doutrinário seja um mal depouca importância", declarou D. C. Hodge, teólogo de renome."Nenhum caminho para a perdição jamais se encheu de tantagente como o da falsa doutrina. O erro é uma capa da consciência,e uma venda para os olhos." 4. O conhecimento doutrinário é uma parte necessária do equipamento de quem ensina a Palavra de Deus. Quando uma remessa de mercadorias chega a uma casacomercial, essas mercadorias são desempacotadas, devidamenteregistradas, e colocadas em seus devidos lugares nas prateleiraspara serem vendidas. Essa ilustração mostra que deve haver certaordem. Da mesma maneira, um dos propósitos do estudosistemático é pôr as doutrinas em ordem. A Bíblia obedece a umtema central. Mas existem muitas verdades relacionadas com otema principal que se encontram nos diversos livros da Bíblia.Assim sucede que, para adquirir um conhecimento satisfatório dasdoutrinas, e para poder entregá-lo a outrem, devem-se combinaras referências relacionadas ao assunto e organizá-las em tópicos esubtópicos. III. A CLASSIFICAÇÃO DA DOUTRINA A teologia inclui muitos departamentos: 1. A teologia exegética (exegética vem da palavra gregaque significa "sacar"ou "extrair" a verdade) procura descobriro verdadeiro significado das Escrituras. Um conhecimentodas línguas originais nas quais foram escritas as Escrituraspertence a este departamento da teologia.
  11. 11. 2. A teologia histórica traça a história do desenvolvimentoda interpretação doutrinária, e envolve o estudo da históriada igreja. 3. A teologia dogmática é o estudo das verdadesfundamentais da fé como se nos apresentam nos credos da igreja. 4. A teologia bíblica traça o progresso da verdade atravésdos diversos livros da Bíblia, e descreve a maneira de cadaescritor apresentar as doutrinas importantes. Por exemplo: segundo este método ao estudar a doutrina daexpiação estudar-se-ia a maneira como determinado assunto foitratado nas diversas seções da Bíblia — no livro de Atos, nasEpístolas, e no Apocalipse. Ou verificar-se-ia o que Cristo,Paulo, Pedro ou João disseram acerca do assunto. Ou descobrir-se-ia o que cada livro ou seção das Escrituras ensinou concernenteàs doutrinas de Deus, de Cristo, da expiação, da salvação ede outras. 5. A teologia sistemática. Neste ramo de estudo osensinos bíblicos concernentes a Deus e ao homem são agrupadosem tópicos, de acordo com um sistema definido; por exemplo, asEscrituras relacionadas à natureza e à obra de Cristo sãoclassificadas sob o título: "Doutrina de Cristo". A matéria contida no presente livro é uma combinaçãode teologia bíblica e sistemática. É bíblica no sentido de queas verdades são extraídas das Escrituras e o estudo acompanhaas perguntas: "Que dizem as Escrituras (exposição) e quesignificam as Escrituras (interpretação)"? É sistemática no sentidode que a matéria está agrupada segundo uma ordem definida. IV. UM SISTEMA DE DOUTRINA Qual é a ordem a que vai obedecer o agrupamento dessestópicos? Não se pode fazer uma regra rígida. Há muitos modos defazer esses agrupamentos, cada qual possuindo o seu valorpeculiar.
  12. 12. Procuraremos seguir a ordem baseada sobre as relações deDeus com o homem, nas quais Deus visa a redenção dahumanidade. 1. A doutrina das Escrituras. De que fonte extrairemosa verdade inerente acerca de Deus? A natureza, na verdade, revelaa existência, o poder e sabedoria de Deus. Mas não expõe ocaminho do perdão, e nenhum meio provê de escapar ao pecado esuas conseqüências.Ela não supre incentivo algum para asantidade e nenhuma revelação fornece acerca do futuro. Deixandode lado o primeiro livro de Deus — a natureza — vamos ao outrolivro de Deus — a Bíblia — na qual encontramos a revelaçãoperfeita de Deus concernente a esses assuntos. Qual a razão de se aceitarem as opiniões bíblicas como sendoa pura verdade? A resposta a tal pergunta leva-nos ao estudoda natureza das Escrituras, a sua inspiração, precisão e confiança. 2. A doutrina de Deus. Procuramos verificar o queas Escrituras ensinam acerca do maior de todos os fatos — o fatode Deus, sua natureza e existência. 3. A doutrina dos anjos. Do Criador naturalmente passamosao estudo de suas criaturas, e, portanto, vamos considerar asmais elevadas de suas criaturas: os anjos. Este tópico tambéminclui os anjos maus, Satanás e os demônios. 4. A doutrina do homem. não nos demoraremos muito tempono tema dos espíritos maus e bons, mas passaremos a considerara opinião bíblica acerca do homem, porque todas as verdadesbíblicas se agrupam ao redor de dois pontos focais — Deus e ohomem. Em segundo lugar em importância, apos o estudo deDeus, está o estudo acerca do homem. 5. A doutrina do pecado. O fato mais trágico em conexão como homem é o pecado e suas conseqüências. As Escrituras nosfalam de sua origem, natureza, conseqüências e remédio. 6. A doutrina de Cristo. Segue-se, depois do pecado dohomem, o estudo da pessoa e da obra de Cristo, o Salvador dohomem. 7. A doutrina da expiação. Sob este título consideramosos fatos que esclarecem o significado da obra de Cristo a favordo homem.
  13. 13. 8. A doutrina da salvação. Como se aplica a expiaçãoàs necessidades do homem e como se faz real em sua experiência?Os fatos que nos dão essa resposta agrupam-se sob a doutrina dasalvação. 9. A doutrina do Espírito Santo. Como se faz real no homema obra de Cristo? Isto é assunto tratado na doutrina da natureza eda obra do Espírito Santo. 10. A doutrina da igreja. Os discípulos de Cristoobviamente necessitam de alguma organização para se realizaremos propósitos de adoração, instrução, comunhão e propagaçãodo Evangelho. O Novo Testamento nos fala acerca da natureza e daobra dessa organização. 11. A doutrina das últimas coisas. É natural dirigirmoso nosso olhar para o futuro e pensar: "Qual será o resultadofinal de todas as coisas — a vida, a história, o mundo?" — Tudoo que se relaciona com o futuro então se agrupa sob o título:"As últimas coisas".
  14. 14. CAPÍTULO I: AS ESCRITURAS "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar" (Mat. 24:35). "Seca-se a erva, e caem as flores, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente" (Isa. 40:8). "Quem destruísse este Livro, como já tentaram fazer osinimigos da felicidade humana, nos deixaria profundamentedesconhecedores do nosso Criador, da criação do mundo quehabitamos, da origem e dos progenitores da raça, como também donosso futuro destino, e nos subordinaria para sempre ao domíniodo capricho, das dúvidas e da concepção visionária. A destruiçãodeste Livro nos privaria da religião cristã, com todos os seusconfortos espirituais, esperanças e perspectivas animadoras, e nolugar desses, nada nos deixaria a não ser a penumbra triste dainfidelidade e as monstruosas sombras do paganismo. A destruiçãodeste Livro despovoaria o céu, fechando para sempre suas portascontra a miserável posteridade de Adão, restaurando ao rei dosterrores o seu aguilhão; enterraria no mesmo túmulo que recebe osnossos corpos, todos os que antes de nós morreram, e deixando anós o mesmo triste destino. Enfim, a destruição deste Livronos roubaria de uma vez tudo quanto evita que a nossa existênciase tome a maior das maldições; cobriria o sol; secaria o oceanoe removeria a atmosfera do mundo moral, e degradaria o homema ponto de ele ter ciúmes da posição dos próprios animais."
  15. 15. I. A NECESSIDADE DAS ESCRITURAS "Que é a verdade?" perguntou Pilatos, e o tom de sua vozinferiu que em vão se buscaria essa qualidade. Se não houvesse um meio de chegar ao conhecimento deDeus, do homem e do mundo, Pilatos então teria razão. Mas não há razão de andar às apalpadelas nas dúvidas eno ceticismo, porque existe um livro — as Sagradas Escrituras —que "podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que háem Cristo Jesus" (2 Tim. 3:15). 1. Essa revelação é desejável. O Deus que criou o universo só pode ser um Deus sábio, eum Deus sábio certamente terá um propósito para suas criaturas.Negligenciar esse propósito é loucura e contrariá-lo constituipecado. "Mas, como se verifica com certeza o propósito divino? Ahistória prova que os homens chegam a conclusões muito diversase muitas pessoas não chegam a conclusão nenhuma! A experiênciademonstra que esse problema não se resolve somente pelosestudos. Alguns não dispõem de tempo suficiente, e outros, aindaque tenham o desejo, não possuem a habilidade; mesmo quealcançassem êxito, suas conclusões seriam alcançadas lentamentee com grande desconfiança. Os sábios são capazes de levantarescadas de pensamentos no esforço de alcançarem as verdadescelestiais, mas a escada mais elevada ainda estaria muito aquémda necessidade. "O mundo pela sabedoria (filosofia) não conheceua Deus." As verdades que informam o homem como passar da terrapara o céu devem ser enviadas do céu à terra. Em outras palavras,o homem precisa de uma revelação. 2. Essa revelação é de se esperar. A natureza é a revelação de Deus que se alcança pela razão.Mas quando o homem está algemado pelos seus pecados esobrecarregada a alma, a natureza e a razão são impotentes paraesclarecer e aliviar a situação. Vamos permitir que os homens darazão testifiquem. Disse Kant, um dos maiores pensadores detodos os tempos, acerca dos cristãos: "Fazem bem em basear a sua
  16. 16. paz e piedade nos Evangelhos porque somente neles está a fontedas verdades profundas e espirituais, depois de a razão haverexplorado em vão todas as possibilidades." Outro físico derenome, Hegel, quando estava no leito de morte, não permitiu quese lesse nenhum outro livro para ele a não ser a Bíblia. Ele disseque no caso de se prolongar a sua vida ele faria desse Livro o seuúnico estudo, pois nele encontrara o que a razão não lhe puderaproporcionar. Se existe um bom Deus, como cremos, é razoável crer que eleconceda às suas criaturas uma revelação pessoal de si mesmo.Assim escreveu David S. Clarke:" não podemos crer que um pai seoculte para sempre de seu filho, sem nunca se comunicar com ele.Nem tampouco podemos imaginar um Deus que retivesse oconhecimento do seu ser e de sua vontade, ocultando-o às suascriaturas que ele criara à sua própria imagem. Deus fez o homem capaz e desejoso de conhecer a realidadedas coisas. Será que ele ocultaria uma revelação que satisfizesseesse anelo? A mitologia egípcia antiga conta a história dafabulosa Esfinge que propunha enigmas aos transeuntes e como osmatava quando não lhe podiam decifrá-los. Não é de crer que umDeus amoroso e sábio permita que o homem pereça por falta deconhecimento, perplexo diante do enigma do universo.E o Dr.Hodges escreve: "A inteligência divina nos leva a crer que Deustenha adaptado os meios ao fim, e que ele, enfim, coroará essanatureza religiosa com uma religião sobrenatural. Abenevolência de Deus nos conduz a esperar que ele solucione agrave perplexidade e evite o perigo para as suas criaturas. A justiçade Deus nos conduz à esperança de que falará ele em tons claros ecom autoridade à nossa consciência." 3. Essa revelação deveria estar em forma escrita. É razoável que sua mensagem tomasse forma de livro. Comodisse o Dr. Keyser: "Os livros representam o melhor meio depreservar a verdade em sua integridade e transmiti-la de geração ageração. A memória e a tradição não merecem confiança. Portanto,Deus agiu com a máxima sabedoria e também dum modo normaldando ao homem a sua revelação em forma de livro. De nenhumaoutra maneira, pelo que podemos ver, podia ter ele entregue aoshomens um ideal infalível que estivesse acessível a todos os
  17. 17. homens e que continuasse intacto através dos séculos e do qualtodos os povos pudessem obter a mesma norma de fé e prática." É razoável concluir que Deus inspirasse os seus servos aarquivarem essas verdades, verdades que não poderiam serdescortinadas pela razão humana. E, finalmente, é razoável crerque Deus tivesse preservado, por sua providência, os manuscritosdas escrituras bíblicas e que tivesse influenciado a sua igreja aincluir no cânon sagrado somente os livros que fossemdivinamente inspirados. II. A INSPIRAÇÃO DAS ESCRITURAS É possível que haja uma religião divina sem umaliteratura inspirada. O professor Francis L. Patton observa: Se osimples testemunho histórico prova que Jesus operou milagres,pronunciou profecias e proclamou a sua divindade — se pode serdemonstrado que ele foi crucificado para redimir os pecadores, eque foi ressuscitado dentre os mortos e que fez com que o destinodos homens dependesse de aceitá-lo como o seu Salvadorentão, sejam inspirados ou não os registros, aí daquele quedescuidar de tão grande salvação." Todavia, não tomaremos mais tempo com isso, pois nãoexiste nenhuma dúvida quanto à inspiração da Bíblia. "Toda aEscritura é divinamente inspirada" (1iteralmente: "é dada pelosopro de Deus"), declara Paulo. (2 Tim. 3:16.) "Porque a profecianão foi antigamente produzida por vontade de homem algum",escreve Pedro, "mas os homens santos de Deus falaram, inspiradospelo Espírito Santo" (2 Pedro 1:21). Assim define Webster a inspiração: "A influência sobrenaturaldo Espírito de Deus sobre a mente humana, pela qual os profetas,apóstolos e escritores sacros foram habilitados para exporema verdade divina sem nenhuma mistura de erro." Segundo o Dr. Gaussen, "é o poder inexplicável que oEspírito Divino exerce sobre os autores das Escrituras, em guiá-losaté mesmo no emprego correto das palavras e em preservá-los detodo erro, bem como de qualquer omissão".
  18. 18. Assim escreveu o Dr. William Evans: "A inspiração divina,como é definida por Paulo nesta passagem (2 Tim. 3:16), é a forteinspiração espiritual de Deus sobre os homens, capacitando-osa expressarem a verdade; é Deus falando pelos homens, e,por conseguinte, o Antigo Testamento é a Palavra de Deus. é comose o próprio Deus houvesse falado cada palavra do livro.As Escrituras são o resultado da divina inspiração espiritual,da mesma maneira em que o falar humano é efetuado pelarespiração pela boca do homem." Podemos dizer que a declaraçãode Pedro revela que o Espírito Santo estava presente dumamaneira especial e milagrosa sobre os escritores das Escrituras,revelando-lhes as verdades que antes não conheciam e guiando-ostambém no registro dessas verdades e dos acontecimentos, dosquais eram testemunhas oculares, de maneira que as pudessemapresentar com exatidão substancial ao conhecimento de outrem. Alguém poderia julgar, pela leitura dos vários credosdo Cristianismo, tratar-se de assunto bastante complexo, cheiode enigmas teológicos e tumultuado por definições obscuras.Mas esse não é o caso. As doutrinas no Novo Testamento,como originalmente expostas, são simples e se podem definir demaneira simples. Mas, com o passar dos tempos, a igreja teve deenfrentar doutrinas e opiniões erradas e defeituosas e, porconseguinte, se viu obrigada a cercar as doutrinas certas eprotegê-las com definições. Deste processo de definições exatas edetalhadas surgiram os credos. As declarações doutrináriasocuparam uma parte importante e necessária na vida da igreja, econstituíram impedimento a seu progresso unicamente quandouma aquiescência formal a essas doutrinas veio substituir a vivafé. A doutrina da inspiração, como é apresentada na Palavra,é relativamente simples, mas o surgimento de idéias errôneascriou a necessidade de proteger a doutrina certa comdefinições completas e detalhadas. Contra certas teorias, énecessário afirmar que a inspiração das Escrituras é a seguinte: 1. Divina e não apenas humana. O modernista identifica a inspiração das Escrituras Sagradascom o mesmo esclarecimento espiritual e sabedoria de que foramdotados tais homens como: Platão, Sócrates, Browning,
  19. 19. Shakespeare e outros gênios do mundo literário, filosófico ereligioso. A inspiração, dessa forma, seria considerada apenas umacoisa puramente natural. Essa teoria rouba à palavra inspiraçãotodo o seu significado e não combina, em absoluto, com o carátersobrenatural e único da Bíblia. 2. Única e não comum. Alguns confundem a inspiração com o esclarecimento. Refere-se à influência do Espírito Santo, comum a todos os cristãos,influência que os ajuda a compreender as coisas de Deus. (1 Cor.2:4; Mat. 16:17.) Eles mantêm a opinião de que esseesclarecimento espiritual seja a explicação adequada sobre aorigem da Bíblia. Existe uma faculdade nos homens, assimensinam eles, pela qual se pode conhecer a Deus — uma espéciede olho da sua alma. Quando os homens piedosos da antiguidademeditavam em Deus, o Espírito Divino vivificava essa faculdade,dando-lhes esclarecimentos dos mistérios divinos. Tal esclarecimento é prometido aos crentes e tem sidoexperimentado por eles. Mas este esclarecimento não é o mesmoque inspiração. Sabemos, segundo está escrito em 1Ped. 1:10-12,que às vezes os profetas recebiam verdades por inspiração e lhesera negado esclarecimento necessário à sua compreensão dessasmesmas verdades. O Espírito Santo inspirou-lhes as palavras masnão achou por bem conceder-lhes a compreensão do seusignificado. Descreve-se Caifás como sendo o veículo dumamensagem inspirada (se bem que o foi inconscientemente), apesarde não estar ele pensando em Deus. Nesse momento ele foiinspirado mas não esclarecido. (João 11:49-52.) Notemos duas diferenças especificas entre o esclarecimento ea inspiração: 1) Quanto à duração, o esclarecimento é, ou pode ser,permanente. "Porém a vereda dos justos é como a luz da aurora,que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito" (Prov. 4:18). Aunção que o crente recebeu do Espírito Santo permanece nele, dizo apóstolo João (1 João 2:20-27). Por outro lado, a inspiraçãotambém era intermitente; o profeta não podia profetizar à vontade,porém estava sujeito à vontade do Espírito. "Porque a profecianão foi antigamente produzida por vontade de homem algum",
  20. 20. declara Pedro, "mas os homens santos de Deus falaram, inspiradospelo Espírito Santo" (2 Pedro 1:21). Que a inspiração proféticaviesse repentinamente está implícita na expressão comum: "Apalavra do Senhor veio" a este ou àquele profeta. Uma distinçãoclara se faz entre os verdadeiros profetas, que profetizamunicamente quando lhes vem a palavra do Senhor, e os profetasfalsos que proferem uma mensagem de sua própria invenção. (Jer.14:14; 23:11, 16; Ezeq. 13:2, 3.) 2) O esclarecimento admite a graduação, enquanto ainspiração não admite graduação alguma. Varia de pessoa parapessoa o grau de esclarecimento, mas no caso da inspiração, nosentido bíblico, a pessoa ou recebeu ou não recebeu a inspiração. 3. Viva e não mecânica. A inspiração não significa ditado, no sentido de que osescritores fossem passivos, sem que tomassem parte as suasfaculdades no registro da mensagem, embora sejam algumasporções das Escrituras ditadas, como por exemplo os DezMandamentos e a Oração Dominical. A própria palavra inspiraçãoexclui o sentido de ação meramente mecânica, e a ação mecânicaexclui qualquer sentido de inspiração. Por exemplo, um homem denegócios não inspira sua secretária ao ditar-lhe as cartas. Deusnão falou pelos homens como quem fala por um alto falante. Antesseu Divino Espírito usou as suas faculdades mentais, produzindodesta maneira uma mensagem perfeitamente divina, e que, aomesmo tempo, conservasse os traços da personalidade do autor.Embora seja a Palavra do Senhor, é ao mesmo tempo, em certosentido, a palavra de Moisés, ou de Paulo. "Deus nada fez a não ser pelo homem; o homem nada fez, anão ser por Deus. é Deus quem fala no homem, é Deus quem falapelo homem, é Deus quem fala como homem, é Deus quem fala afavor do homem." O fato de haver cooperação divina e humana na produçãoduma mensagem inspirada é bastante conhecido; mas "como" seprocessa esta cooperação é mais difícil de explicar. Se oentrosamento de mente e corpo já é um mistério demasiadogrande, mesmo para o homem mais sábio; quanto mais não é oentrosamento do Espírito de Deus e o espírito do homem!
  21. 21. 4. Completa e não somente parcial. Segundo a teoria da inspiração parcial, os escritoresseriam preservados do erro em questões necessárias à salvaçãodos homens, mas não em outras matérias como sejam: história,ciência, cronologia e outras semelhantes. Portanto, segundoessa opinião, seria mais correto dizer que "A Bíblia contém aPalavra, em lugar de dizer que é a Palavra de Deus". Essa teoria nos submergiria num pântano de incertezas, poisquem pode, sem equívoco, julgar o que é e o que não é essencialà salvação? Onde está a autoridade infalível que decida qual parteé a Palavra de Deus e qual não o é? E se a história da Bíbliaé falha, então a doutrina também o é, porque a doutrina bíblicase baseia na história bíblica. Finalmente, as Escriturasmesmas reivindicam para si a inspiração plenária. Cristo e seusapóstolos aplicaram o termo "Palavra de Deus" a todo oAntigo Testamento. 5. Verbal e não apenas de conceitos. Segundo outra teoria, Deus inspirou os pensamentos masnão as palavras dos escritores. Isto é, Deus inspirou os homens, edeixou ao critério deles a seleção das palavras e das expressões.Mas a ênfase bíblica não está nos homens inspirados, mas sim naspalavras inspiradas. "Havendo antigamente falado aos pais pelosprofetas" (Heb. 1:1). "Homens santos de Deus falaram inspiradospelo Espírito Santo" (2 Pedro 1:21). Ainda mais, é difícil separar apalavra do pensamento; um pensamento é uma palavra antes deser ela proferida. ("não comeceis a dizer em vossos corações"; "otolo disse em seu coração"); uma palavra é um pensamento ao qualse deu expressão. Pensamentos divinamente inspiradosnaturalmente teriam sua expressão em palavras divinamenteinspiradas. Paulo nos fala de "palavras ensinadas pelo Espírito"(1Cor. 2:13). Finalmente, uma simples palavra é citada como sendoo fundamento de doutrinas básicas. (João 10:35; Mat. 22:42-45;Gál. 3:16; Heb. 12:26, 27.) Precisamos fazer distinção também entre a revelação e ainspiração. Por revelação queremos dizer aquele ato de Deus peloqual ele dá a conhecer o que o homem por si mesmo não podia
  22. 22. saber; por inspiração queremos dizer que o escritor é preservadode qualquer erro ao escrever essa revelação. Por exemplo, os DezMandamentos foram revelados, e Moisés foi inspirado ao registrá-los no Pentateuco. A inspiração nem sempre implica revelação; por exemplo,Moisés foi inspirado a registrar eventos que ele mesmohavia presenciado e que dessa maneira estavam dentro do âmbitodo seu próprio conhecimento.Distingamos também entre aspalavras inspiradas e os registros inspirados. Por exemplo, muitosdizeres de Satanás são registrados nas Escrituras e sabemos que odiabo certamente não foi inspirado por Deus ao proferi-los; maso registro dessas expressões satânicas foi inspirado. III. A VERIFICAÇÃO DAS ESCRITURAS 1. Elas reivindicam inspiração. O Antigo Testamento declara-se escrito sob uma inspiraçãoespecial de Deus. A expressão "e Deus disse", ou equivalente, éusada mais de 2.600 vezes. A história, a lei, os salmos e asprofecias são declarados escritos por homens sob inspiraçãoespecial de Deus. (Vide Êxo. 24:4; 34:28; Jos, 3:9; 2 Reis 17:13;Isa.34:16; 59:21; Zac. 7:12; Sal. 78:1; Prov. 6:23.) Cristo mesmosancionou o Antigo Testamento, citou-o e viveu em harmonia comos seus ensinos. Ele aprovou a sua veracidade e autoridade (Mat.5:18; João 10:35; Luc. 18:31-33; 24:25, 44; Mat.23:1, 2; 26:54). Eo mesmo fizeram os apóstolos. (Luc. 3:4; Rom. 3:2; 2 Tim. 3:16;Heb. 1:1; 2 Pedro 1:21; 3:2; Atos 1:16; 3:18; l Cor. 2:9-16.) Arroga-se o Novo Testamento uma inspiração semelhante?Quanto à inspiração dos Evangelhos é garantida pela promessa deCristo de que o Espírito traria à mente dos apóstolos todas ascoisas que ele lhes havia ensinado, e que o mesmo Espírito osguiaria em toda verdade. Em todo o Novo Testamento ele sedeclara uma revelação mais completa e clara de Deus do queaquela dada no Antigo Testamento, e com absoluta autoridadedeclara a ab-rogação das leis antigas. Portanto, se o AntigoTestamento é inspirado, a mesma inspiração deve ter o Novo.Parece que Pedro procura colocar as epístolas de Paulo no mesmonível dos livros do Antigo Testamento, (2 Ped. 3:15,16), e Paulo e
  23. 23. os demais apóstolos afirmam falar com a autoridade divina, (1 Cor.2:13; 14:31; 1Tess. 2:13; 4:2; 2 Ped. 3:2; l João 1:5; Apoc. 1:1.) 2. Dão a impressão de serem inspiradas. As Escrituras se dizem inspiradas; um exame delas revelará ofato de que seu caráter sustenta essa posição. A Bíblia, aose apresentar em juízo, o faz com bom testemunho! Quanto a seusautores, foi ela escrita por homens cuja honestidade e integridadenão podem ser postas em dúvida; quanto ao seu conteúdo, há nelea mais sublime revelação de Deus ao mundo; quanto à influência,tem trazido a luz salvadora às nações e indivíduos, e possui umpoder infalível para guiar os homens a Deus e transformar-lhes ocaráter; quanto à sua autoridade, desempenha o papel dumtribunal supremo em assuntos religiosos, de maneira que atémesmo os cultos falsos são obrigados a citar suas palavras parapoderem impressionar o público. Falam sobre coisas especificas. Notemos: 1) Sua exatidão. Nota-se a ausência total dos absurdos que seencontram em outros livros "sagrados". não lemos, por exemplo,que a terra saísse dum ovo, tendo transcorrido certo número deanos para a sua incubação, descansando ele sobre uma tartaruga;a terra rodeada por sete mares de água salgada, suco de cana,bebidas alcoólicas, manteiga pura, leite coalhado, etc. Escreve oDr. D. S. Clarke: "Há uma diferença insondável entre a Bíblia equalquer outro livro. Essa diferença deve-se à sua origem." 2) Sua unidade. Contendo sessenta e seis livros, escritos poruns quarenta diferentes autores, num período de mais ou menosmil e seiscentos anos, abrangendo uma variedade de tópicos, ela,no entanto, demonstra uma unidade de tema e propósito que só seexplica como tendo ela uma mente diretriz. 3) Quantos livros suportam serem lidos mesmo duas vezes?Mas a Bíblia pode ser lida centenas de vezes sem se poder sondarsuas profundezas ou sem que se perca o interesse do leitor. 4) A sua assombrosa circulação, estando já traduzida emmilhares de idiomas e dialetos, e lida em todos os países domundo.
  24. 24. 5) O tempo não a afeta. é um dos livros mais antigos domundo e ao mesmo tempo o mais moderno. A alma humana nuncaa pode dispensar. O pão é um dos alimentos mais antigos, e aomesmo tempo o mais moderno. Enquanto os homens tiveremfome, desejarão o pão para o corpo; e enquanto anelarem por Deuse as coisas eternas, desejarão a Bíblia. 6) Sua admirável preservação em face de perseguição e aoposição da ciência. "Os martelos se gastam mas a bigornapermanece." 3. Sente-se que são inspiradas. "Mas será que você crê naquele livro?" disse um professor deum colégio de Nova York a uma aluna que havia assistido àsclasses bíblicas. "Oh, sim," ela respondeu; "acontece que conheçopessoalmente o Autor." Ela declarou a mais ponderável razãode crer na Bíblia como a Palavra de Deus; a saber, o seu apelo aonosso conhecimento pessoal, falando em tom que nos faz sentirsua origem divina. A Igreja Romana assevera que a origem divina dasEscrituras depende, em última análise, do testemunho da igreja, aqual se considera o guia infalível em todas as questões de fé eprática. "Como se a verdade eterna e inviolável de Deusdependesse do juízo do homem!" declarou João Calvino, o grandeReformador. Ainda, declarou ele: Assevera-se que a igreja decide quala reverência que se deve às Escrituras, e quais os livros quedevem ser incluídos no cânone sagrado. Esta interrogação: "Comosaberemos que vieram de Deus as Escrituras, a não ser que hajauma decisão da igreja?" é tão tola quanto a seguintepergunta:"como discerniremos a luz das trevas, o branco do negro,o amargo do doce?"O testemunho do Espírito é superior a todos osargumentos. Deus, na sua Palavra, é a única testemunha fidedignaconcernente a si mesmo: da mesma maneira a sua Palavra nãoachará crença verdadeira nos corações dos homens enquanto nãofor selada pelo testemunho do seu Espírito. O mesmo Espírito quefalou pelos profetas deve entrar em nossos corações para
  25. 25. convencer-nos de que esses profetas fielmente entregaram amensagem que Deus lhes confiara. (Isa. 59:21.) Que este então seja um assunto resolvido: aqueles que sãoensinados internamente pelo Espírito Santo depositam confiançafirme nas Escrituras; que as Escrituras são a sua própriaevidência; que elas não podem legalmente estar sujeitas às provase aos argumentos, mas sim que obtenham, pelo testemunho doEspírito, a confiança que merecem. Sendo assim, por que aduzimos evidências externas daexatidão das Escrituras e de seu merecimento geral? Fazemosisto primeiramente, não para poder crer que são certas, mas simporque sentimos que são certas; em segundo lugar, é naturalmotivo de alegria poder apontar evidências externas das coisas quecremos no coração; finalmente, estas provas servem de veiculo ereceptáculo, por assim dizer, pelos quais podemos expressar empalavras a nossa convicção íntima, e dessa maneira "estandosempre preparados para responder a qualquer que vos pedir arazão da esperança que há em vos" (1 Ped. 3:15). 4. Provam ser inspiradas. O Dr. Eugene Stock disse: Quando em menino, li umahistória que me mostrou os diferentes meios pelos quais podemoster certeza de que esta grande biblioteca de Livros Sagrados, a quechamamos bíblia, é realmente a Palavra de Deus, e sua revelaçãoaos homens. O escritor da história havia explicado três classes deevidências — a histórica, a interna e a experimental. Então elecontou como certa vez enviou um menino a um químico paracomprar uns gramas de fósforo. O menino voltou com umpacotinho; seria mesmo fósforo? O menino relatou que foi àdrogaria e pediu fósforo. O químico foi às prateleiras, tirou umasubstância dum frasco, colocou-a num pacotinho e lho deu. Omenino o levou diretamente à casa. Esta foi então a evidênciahistórica de que no pacotinho havia fósforo. Ao abrir-se opacotinho, notava-se que o conteúdo parecia ser fósforo e cheiravatambém a fósforo. Essa foi a evidência interna. Quando ateou fogoà substância houve fortíssima combustão! Essa foi a evidenciaexperimental!
  26. 26. As defesas intelectuais da Bíblia têm seu lugar; mas, afinalde contas, o melhor argumento é o prático. A Bíblia temproduzido resultados práticos. Tem influenciado acivilização, transformado vidas, trazido luz, inspiração e conforto amilhões e sua obra ainda continua.
  27. 27. CAPÍTULO II: DEUS Vivemos num universo cuja imensidão pressupõe umCriador poderoso, universo cuja beleza, desenho e ordem apontamum sábio Legislador. Mas quem fez o Criador? Podemos recuar notempo, indo da causa para o efeito, mas não podemos continuarnesse processo de recuo sem reconhecer um ser "Sempiterno".Aquele ser eterno é Deus, o Eterno, a Causa e a Origem de todasas coisas boas que existem. I. A EXISTÊNCIA DE DEUS 1. Sua existência declarada. Em parte alguma as Escrituras tratam de provar a existênciade Deus mediante provas formais. Reconhece-se como fato auto-evidente e como crença natural do homem. As Escrituras em partealguma propõem uma série de provas da existência de Deus comopreliminar à fé; declaram o fato de Deus e chamam o homem aaventurar-se na fé. "O que se chega a Deus, creia que há Deus", éo ponto inicial na relação entre o homem e Deus. A Bíblia, em verdade, fala de homens que dizem em seuscorações que não há Deus, mas esses são "tolos", isto é, osímpios praticantes que expulsariam a Deus dos seus pensamentosporque já o expulsaram das suas vidas. Esses pertencem aogrande número de ateus praticantes, isto é, esses que procedem efalam como se não existisse Deus. Seu número ultrapassa emmuito o número de ateus teóricos, isto é, esses que pretendemaderir à crença intelectual que nega a existência de Deus. Note-seque a declaração " não há Deus" não implica dizer que Deus nãoexista, mas sim que Deus não se ocupa com negócios do mundo.Contando com a sua ausência, os homens corrompem-se e secomportam de maneira abominável. (Sal. 14.) Assim escreve o Dr. A. B. Davidson: (a Bíblia) não tentademonstrar a existência de Deus, porque em todas as partes daBíblia subentende-se a sua existência. Parece não haver nenhuma
  28. 28. passagem no Antigo Testamento que represente os homensprocurando conhecer a existência de Deus por meio da naturezaou pelos eventos da providência, embora haja algumas passagensque impliquem que as idéias falsas sobre a natureza de Deuspodem ser corrigidas pelo estudo da natureza e da vida... O AntigoTestamento cogita tão pouco da possibilidade de conhecer a Deusquanto cogita de provar a sua existência. Por que os homensargumentariam sobre o conhecimento de Deus quando jáestavam persuadidos de que o conheciam, cônscios de estarem emcomunhão com ele, estando seus pensamentos cheios eiluminados por ele, sabendo que seu Espírito neles movia, eguiava-os em toda a sua história? A idéia de que o homem chega ao conhecimento ou àcomunhão com Deus por meio de seus próprios esforços étotalmente estranha ao Antigo Testamento. Deus fala; ele aparece;o homem ouve e vê. Deus aproxima-se dos homens; estabelece umconcerto ou relação especial com eles; e dá-lhes mandamentos.Eles o recebem quando ele se aproxima: aceitam a sua vontade eobedecem aos seus preceitos. Moisés e os profetas em partealguma são representados como pensadores refletindo sobre oInvisível, formando conclusões acerca dele, ou alcançandoconceitos elevados da Divindade. O Invisível manifesta-se-lhes, eeles o conhecem. Quando um homem diz: "Eu conheço o presidente", ele nãoquer dizer: "Eu sei que o presidente existe," porque isso sesubentende na sua declaração. Da mesma maneira os escritoresbíblicos nos dizem que conhecem a Deus e essas declaraçõessignificam a sua existência. 2. Sua existência provada. Se as Escrituras não oferecem nenhuma demonstraçãoracional da existência de Deus, por que vamos nós fazer essatentativa? Pelas seguintes razões: Primeiramente, para convencer os que genuinamente buscama Deus, isto é, pessoas cuja fé tem sido ofuscada poralguma dificuldade, e que dizem: "Eu quero crer em Deus; mostra-me que seja razoável crer nele." Mas evidência nenhumaconvencerá a pessoa, que, por desejar continuar no pecado e no
  29. 29. egoísmo, diz: "Desafio-te a provar que Deus existe." Afinal, a fé équestão moral e não intelectual. Se a pessoa não está disposta aaceitar, ela porá de lado todas e quaisquer evidências. (Luc. 6:31.) Segundo, para fortalecer a fé daqueles que já crêem.Eles estudam as provas, não para crer, mas sim porque já crêem.Esta fé lhes é tão preciosa que aceitarão com alegria qualquer fatoque a faça aumentar ou enriquecer. Finalmente, para poder enriquecer nosso conhecimentoacerca da natureza de Deus. Que maior objeto de pensamento eestudo existe do que ele? Onde acharemos evidências da existência de Deus? Nacriação, na natureza humana e na história humana. Dessas trêsesferas deduzimos as cinco evidências da existência de Deus: 1) O universo deve ter uma Primeira Causa ou um Criador.(Argumento cosmológico, da palavra grega "cosmos", que significa"mundo".) 2) O desígnio evidente no universo aponta para uma MenteSuprema. (Argumento teleológico, de "Teleos", que significa"desígnio ou propósito".) 3) A natureza do homem, com seus impulsos e aspirações,assinala a existência de um Governador pessoal. (Argumentoantropológico, da palavra grega "anthropos", que significa"homem".) 4) A história humana dá evidências duma providência quegoverna sobre tudo. (Argumento histórico.) 5) A crença é universal. (Argumento do consenso comum.) (a) O argumento da criação. A razão argumenta que ouniverso deve ter tido um princípio. Todo efeito deve ter umacausa suficiente. O universo, sendo o efeito, por conseguinte deveter uma causa. Consideremos a extensão do universo. Naspalavras de Jorge W. Grey: "O universo, como o imaginamos, é umsistema de milhares e milhões de galáxias. Cada uma delas secompõe de milhares e milhões de estrelas. Perto da circunferênciade uma dessas galáxias — a Via Láctea — existe uma estrelade tamanho médio e temperatura moderada, já amarelada pela
  30. 30. velhice — que é o nosso Sol." E imaginem que o Sol é milhões devezes maior que a nossa pequena Terra! Prossegue o mesmoescritor: "O Sol está girando numa orbita vertiginosa em direçãoà circunferência da Via Láctea a 19.300 metros por segundo,levando consigo a Terra e todos os planetas, e ao mesmo tempotodo o sistema solar está girando num gigantesco circuito àvelocidade incrível de 321 quilômetros por segundo, enquanto aprópria galáxia gira, qual colossal roda gigante estelar.Fotografando-se algumas seções dos céus, é possível fazer acontagem das estrelas. No observatório de Harvard College eu vi uma fotografia queinclui as imagens de mais de 200 Vias Lácteas — todasregistradas numa chapa fotográfica de 35 x 42cm. Calcula-se queo número de galáxias de que se compõe o universo é da ordem de500 milhões de milhões." Consideremos nosso pequeno planeta e nele as várias formasde vida existentes, as quais revelam inteligência e desígnio divinos. Naturalmente surge a questão: "Como se originou tudo isso?"A pergunta é natural, pois as nossas mentes são constituídasde tal forma que esperam que todo efeito tenha uma causa.Logo, concluímos que o universo deve ter tido uma PrimeiraCausa, ou um Criador. "No princípio — Deus" (Gên. 1:1). Dum modo singelo este argumento é exposto no seguinteincidente: Disse um jovem cético a uma idosa senhora: — Outrora eucria em Deus, mas agora, desde que estudei filosofia ematemática, estou convencido de que Deus não é mais do que umapalavra oca. — Bem — disse a senhora — é verdade que eu nãoaprendi essas coisas, mas desde que você já aprendeu, pode medizer donde veio este ovo? — Naturalmente duma galinha — foi a resposta. — E donde veio a galinha? — Naturalmente dum ovo. Então indagou a senhora: — Permita-me perguntar: qualexistiu primeiro, a galinha ou o ovo?
  31. 31. — A galinha, por certo — respondeu o jovem. — Oh, então, a galinha existia antes do ovo? — Oh, não, devia dizer que o ovo existia primeiro. — Então, eu suponho que você quer dizer que o ovo existiaantes da galinha. O moço vacilou: — Bem, a senhora vê, isto é, naturalmente,bem, a galinha existiu primeiro. — Muito bem — disse ela —, quem criou a primeira galinhade que vieram todos os sucessivos ovos e galinhas? — Que é que a senhora quer dizer com tudo isto? —perguntou ele. — Simplesmente isto — replicou ela: — Digo que aquele quecriou o primeiro ovo ou a primeira galinha é aquele que criou omundo. Você nem pode explicar, sem Deus, a existência dum ovoou duma galinha, e ainda quer que eu creia que você podeexplicar, sem Deus, a existência do mundo inteiro! (b) O argumento do desígnio. O desígnio e a formosuraevidenciam-se no universo; mas o desígnio e a formosura implicamum arquiteto; portanto, o universo é a obra dum Arquiteto dotadode inteligência suficiente para explicar sua obra. O granderelógio de Estrasburgo tem, além das funções normais dumrelógio, uma combinação de luas e planetas que se movem,mostrando dias e meses com a exatidão dos corpos celestes, comseus grupos de figuras que aparecem e desaparecem comregularidade igual ao soarem as horas no grande cronômetro. Declarar não ter havido um engenheiro que construiu orelógio, e que este objeto "aconteceu", seria insultar a inteligência ea razão humana. É insensatez presumir que o universo"aconteceu", ou, em linguagem cientifica, que procedeu "doconcurso fortuito dos átomos"! Suponhamos que o livro "O Peregrino" fosse descrito daseguinte maneira: o autor tomou um vagão de tipos de imprensa ecom pá os atirou ao ar. Ao caírem no chão, natural e gradualmentese ajuntaram de maneira a formar a famosa história de Bunyan. Ohomem mais incrédulo diria: que absurdo! E a mesma coisa
  32. 32. dizemos nós das suposições do ateísmo em relação à criação douniverso. O exame dum relógio revela que ele leva os sinais de desígnioporque as diversas peças são reunidas com um propósito prévio.Elas são colocadas de tal modo que produzem movimentos eesses movimentos são regulados de tal maneira que marcam ashoras. Disso inferimos duas coisas: primeiramente, que o relógioteve alguém que o fez, e em segundo lugar, que o seufabricante compreendeu a sua construção, e o projetou com opropósito de marcar as horas. Da mesma maneira, observamos odesígnio e a operação dum plano no mundo e, naturalmente,concluímos que houve alguém que o fez e que sabiamente opreparou para o propósito ao qual está servindo. O fato de nunca termos observado a fabricação dum relógionão afetaria essas conclusões, mesmo que nunca conhecêssemosum relojoeiro, ou que jamais tivéssemos idéia do processo dessetrabalho. Igualmente, a nossa convicção de que o universo teveum arquiteto, de forma nenhuma sofre alteração pelo fato denunca termos observado a sua construção, ou de nunca termosvisto o arquiteto. Do mesmo modo a nossa conclusão não se alteraria sealguém nos informasse que "o relógio é resultado da operação dasleis da mecânica e explica-se pelas propriedades da matéria".Ainda assim teremos que considerá-lo como obra dum hábilrelojoeiro que soube aproveitar essas leis da física e suaspropriedades para fazer funcionar o relógio. Da mesma forma,quando alguém nos informa que o universo é simplesmente oresultado da operação das leis da natureza, nós nos vemosconstrangidos a perguntar: "Quem projetou, estabeleceu e usouessas leis?" Isso, em razão de ser implícita a presença de umlegislador uma vez que existem leis. Tomemos, para ilustrar, a vida dos insetos. Há uma espéciede escaravelho chamado "Staghom" ou "Chifrudo". O macho temmagníficos chifres, duas vezes mais compridos do que o seu corpo;a fêmea não tem chifres. No estágio larval, eles enterram-se asi mesmos na terra e, silenciosamente, esperam na escuridão pelasua metamorfose. São naturalmente meros insetos, semnenhuma diferença aparente e, no entanto, um deles escava parasi um buraco duas vezes mais profundo do que o outro. Por quê?
  33. 33. Para que haja espaço para os chifres do macho se desenvolveremcom perfeição. Por que essas larvas, aparentemente iguais,diferem assim em seus hábitos? Quem ensinou o macho a cavarseu buraco duas vezes mais profundo do que o faz a fêmea? é oresultado dum processo racional? Não, foi Deus, o Criador, quempôs naquelas criaturas a percepção instintiva que lhes seria útil. De onde recebeu esse inseto a sua sabedoria? Alguém talvezpense que a herdara de seus pais. Mas um cão ensinado, porexemplo, transmite à sua descendência sua astúcia e agilidade?Não. Mesmo que admitamos que o instinto fosse herdado, aindadeparamos com o fato de que alguém havia instruído o primeiroescaravelho chifrudo. A explicação do maravilhoso instinto dosanimais acha-se nas palavras do primeiro capítulo de Gênesis: "Edisse Deus" — isto é: a vontade de Deus. Quem observa ofuncionamento dum relógio sabe que a inteligência não está norelógio mas sim no relojoeiro. E quem observa o instintomaravilhoso das menores criaturas, concluirá que a primeirainteligência não era a delas, mas sim do seu Criador, e que existeuma Mente controladora dos menores detalhes da vida. O Dr. Whitney, ex-presidente da Sociedade Americana emembro da Academia Americana de Artes e Ciências, certa vezdisse que "um dia repele o outro pela vontade de Deus e ninguémpode dar razão melhor." "Que quer o senhor dizer com a expressão:a vontade de Deus?" alguém lhe perguntou. O Dr. Whitneyreplicou: "Como o senhor define a luz? ...Existe a teoriacorpuscular, a teoria de ondas, e agora a teoria do quantum; enenhuma das teorias passa duma conjetura educada. Com umaexplicação tão boa como essas, podemos dizer que a luz caminhapela vontade de Deus... A vontade de Deus, essa lei quedescobrimos, sem a podermos explicar — é a única palavra final." O Sr. A. J. Pace, desenhista do periódico evangélico"Sunday School Times", fala de sua entrevista com o finado WilsonJ. Bentley, perito em microfotografia (fotografar o que se vê atravésdo microscópio). Por mais de um terço de século esse senhorfotografou cristais de neve. Depois de haver fotografado milharesdesses cristais ele observou três fatos principais: primeiro, que nãohavia dois flocos iguais; segundo: todos eram de um padrãoformoso; terceiro: todos eram invariavelmente de forma sextavada.
  34. 34. Quando lhe perguntaram como se explicava essasimetria sextavada, ele respondeu: "Decerto, ninguém sabe senãoDeus, mas a minha teoria é a seguinte: Como todos sabem, oscristais de neve são formados de vapor de água a temperaturasabaixo de zero, e a água se compõe de três moléculas, duas dehidrogênio que se combinam com uma de oxigênio. Cada moléculatem uma carga de eletricidade positiva e negativa, a qual tem atendência de polarizar-se nos lados opostos. O algarismo três,portanto, figura no assunto desde o começo." "Como podemos explicar estes pontinhos tão interessantes,as voltas e as curvas graciosas, e estas quinas chanfradas tãodelicadamente cinzeladas, todas elas dispostas com perfeitasimetria ao redor do ponto central?" perguntou o Sr. Pace. Encolheu os ombros e disse: "Somente o Artista que osdesenhou e os modelou conhece o processo." Sua declaração acerca do "algarismo três que figura noassunto" me pôs a pensar. não seria então que o triúno Deus, quemodela toda a formosura da criação, rubrica a própria trindadenestas frágeis estrelas de cristal de gelo como quem assina seunome em sua obra-prima? Ao examinar os flocos de neve aomicroscópio, vê-se instantaneamente que o princípio básico daestrutura do floco de neve é o hexágono ou a figura de seis lados, oúnico exemplo disso em todo o reino da geometria a este respeito.O raio do circulo circunscrevente é exatamente igual aocomprimento de cada um dos seis lados do hexágono. Portanto,resultam seis triângulos eqüiláteros reunidos ao núcleo central,sendo todos os ângulos de sessenta graus, a terça parte de toda aárea num lado duma linha reta. Que símbolo sugestivo do triúnoDeus é o triângulo! Aqui temos unidade: um triângulo, formado detrês linhas, cada parte indispensável à integridade do conjunto. A curiosidade agora me impeliu a examinar asreferências bíblicas sobre a palavra "neve", e descobri, com grandeprazer, este mesmo "triângulo" inerente na Bíblia. Por exemplo, há21 (3 x 7) referências contendo o substantivo "neve" no AntigoTestamento, e 3 no Novo Testamento, 24 ao todo. Então acheireferencias, que falam da "lepra tão branca como a neve". Trêsvezes a purificação do pecado é comparada à neve. Achei mais trêsque falam de roupas "tão brancas como a neve". Três vezes aaparência do Filho de Deus compara-se à neve. Mas a maior
  35. 35. surpresa foi ao descobrir que a palavra hebraica, "neve", écomposta inteiramente de algarismos "três"! É fato, embora nãoseja geralmente conhecido que, não tendo algarismos, tanto oshebreus como os gregos usavam as letras do seu alfabeto comoalgarismos. Bastava um olhar casual de um hebreu à palavraSHELEG (palavra hebraica que quer dizer "neve") para ver que elasignifica o algarismo 333, bem como significa "neve". No hebraico aprimeira letra, que corresponde à nossa "SH", vale 3OO; a segundaconsoante "L" vale 30; e a consoante final, o nosso "G", vale 3.Somando-as, temos 333, três algarismos de três. Curioso, não éverdade? Mas por que não esperar exatidão matemática dum livroplenamente inspirado, tão maravilhoso quanto o mundo que Deuscriou? Acerca de Deus disse Jo: "Faz grandes coisas que nãopodemos compreender. Pois diz à neve: Cai sobre a terra" (Jo 37:5,6). Eu já gastei dois dias inteiros para copiar com pena e tinta odesenho de Deus de seis cristais de neve e fiquei muito fatigado. Ecomo é fácil para ele fazê-lo! "Ele diz à neve" — e com umapalavra está feito. Imaginem quantos milhões de bilhões de cristais de nevecaem sobre um hectare de terra durante uma hora, e imaginem, sepuderem, o fato surpreendente de que cada cristal tem suaindividualidade própria, um desenho e modelo sem duplicata nestaou em qualquer outra tempestade. "Tal conhecimento émaravilhoso demais para mim; elevado é, não o posso atingir" (Sal.139:6). Como pode uma pessoa ajuizada, diante de tal evidência dedesígnios, multiplicados por um sem-número de variedades,duvidar da existência e da obra do Desenhista, cuja capacidade éimensurável?! Um Deus capaz de fazer tantas belezas é capaz detudo, até mesmo de moldar as nossas vidas dando-lhes beleza esimetria. (c) O argumento da natureza do homem. O homem dispõe denatureza moral, isto é, a sua vida é regulada por conceitos do beme do mal. Ele reconhece que há um caminho reto de ação quedeve seguir e um caminho errado que deve evitar. Esseconhecimento chama-se "consciência". Ao fazer ele o bem, aconsciência o aprova; ao fazer ele o mal, ela o condena. Aconsciência, seja obedecida ou não, fala com autoridade. Assim
  36. 36. disse Butier acerca da consciência: "Se ela tivesse poder na mesmaproporção de sua autoridade manifesta, governaria o mundo, istoé, se a consciência tivesse a força de pôr em ação o que ordena, elarevolucionaria o mundo." Mas acontece que o homem é dotado delivre arbítrio e, portanto, pode desobedecer àquela voz íntima.Mesmo estando mal orientada, sem esclarecimento, a consciênciaainda fala com autoridade, e faz o homem sentir suaresponsabilidade. "Duas coisas me impressionam", declarou Kant, o grandefilosofo alemão, "o alto céu estrelado e a lei moral em meu interior." Qual a conclusão que se tira deste conhecimento universal dobem e do mal? Que há um Legislador que idealizou uma norma deconduta para o homem e fez a natureza humana capaz decompreender esse ideal. A consciência não cria o ideal; elasimplesmente testifica acerca dele, registrando a sua conformidadeou não-conformidade. Quem originalmente criou esses dois poderosos conceitos dobem e do mal? Deus, o Justo Legislador! O pecado ofuscou aconsciência e quase anulou a lei do ser humano; mas no MonteSinai Deus gravou essa lei em pedras para que o homem tivesse alei perfeita para dirigir a sua vida. O fato de que o homemcompreende esta lei, e sente a sua responsabilidade para com ela,manifesta a existência dum Legislador que criou o homem comessa capacidade. Qual é a conclusão que podemos tirar desse sentimentode responsabilidade? Que o Legislador é também um Juiz querecompensar os bons e castigar os maus. Aquele que impôs alei finalmente defenderá essa lei. Não somente a natureza moral do homem, como tambémtodos os aspectos da sua natureza testificam da existência deDeus. Até as religiões mais degradadas demonstram o fato de queo homem, qual cego, tateando, procura algo que sua alma anela. Afome física indica a existência de algo que a possa satisfazer.Quando o homem tem fome, essa fome indica que há alguém oualgo que o possa satisfazer. A exclamação, "a minha alma tem sedede Deus" (Sal. 42:2), é um argumento a favor da existência deDeus, pois a alma não enganaria o homem com sede daquilo quenão existisse. Assim disse certa vez um erudito da igreja primitiva:
  37. 37. "Para ti nos fizeste, e nosso coração estará inquieto enquanto nãoencontrar descanso em ti." (d) O argumento da história. A marcha dos eventos dahistória universal fornece evidência de um poder e dumaprovidência dominantes. Toda a história bíblica foi escrita pararevelar Deus na história, isto é, para ilustrar a obra de Deus nosnegócios humanos. "Os princípios do divino governo moralencontram-se na história das nações tanto quanto na experiênciados homens", escreve D. S. Clarke. (Sal. 75:7; Dan. 2:21; 5:21.)"O protestantismo inglês vê a derrota da Armada Espanhola comouma intervenção divina. A colonização dos Estados Unidos porimigrantes protestantes salvou-os da sorte da América do Sul, edesta maneira salvou a democracia. Quem negaria que a mão deDeus estivesse nesses acontecimentos?" A história da humanidade,o surgimento e declínio de nações, como Babilônia e Roma,mostram que o progresso acompanha o uso das faculdades dadaspor Deus e a obediência à sua lei, e que o declínio nacional e apodridão moral seguem a desobediência" (D. L. Pierson). A. T.Pierson, em seu livro, "Os Novos Atos dos Apóstolos", expõe asevidências da dominante providência de Deus nas missõesevangélicas modernas. Especialmente o modo de Deus tratar com os indivíduosfornece provas de sua ativa presença nos negócios humanos.Charles Bradiaugh, que foi em certo tempo o ateu mais notávelna Inglaterra, desafiou o pastor Charles Hughá Price, para umdebate. Foi aceito o desafio e o pregador, por sua vez, desafiou oateu da seguinte maneira: Como todos sabemos, Sr. Bradiaugh, "ohomem convencido contra a própria vontade mantém sempre seuponto de vista", e, visto que o debate, como ginástica mental queé, provavelmente não converterá a ninguém, proponho-lheque apresentemos algumas evidências concretas da validadedas reivindicações do cristianismo na forma de homens emulheres redimidos da vida mundana e vergonhosa pela influênciado cristianismo e pela do ateísmo. Eu trarei cem desses homense mulheres, e desafio-o a fazer o mesmo. Se o Sr. Bradiaughá não puder apresentar cem, contra osmeus cem, ficarei satisfeito se trouxer cinqüenta homens e
  38. 38. mulheres que se levantem e testifiquem que foram transformadosduma vida vergonhosa pela influência dos seus ensinos ateus. Senão puder apresentar cinqüenta, desafio-o a apresentar vintepessoas que testifiquem com rostos radiantes, como o farão osmeus cem, que tenham um grande e novo gozo na sua vidaelevada, em resultado dos ensinos ateus. Se não puder apresentarvinte, ficarei satisfeito se apresentar dez. Não, Sr. Bradiaugh,desafio-o a trazer um só homem ou uma só mulher que dê taltestemunho acerca da influência enobrecedora dos seus ensinos.Minhas pessoas redimidas trarão prova irrefutável quanto ao podersalvador de Jesus Cristo sobre as suas vidas redimidas daescravidão do pecado e da vergonha. Talvez, senhor Bradiaugh, essa será a verdadeirademonstração da validade das reivindicações do cristianismo. O Sr. Bradiaughá retirou o seu desafio! (e) O argumento da crença universal. A crença na existênciade Deus é praticamente tão difundida quanto a própria raçahumana, embora muitas vezes se manifeste em forma pervertidaou grotesca e revestida de idéias supersticiosas. Esta opinião temsido contestada por alguns que argumentam existirem raças quenão têm a menor concepção de Deus. Mas o Sr. Jevons, autoridadeno assunto de raças e religiões comparadas, diz que esta opinião,"Como é do conhecimento de todos os antropólogos, já foi para olimbo das controvérsias mortas... todos concordam que nãoexistem raças, por mais primitivas que sejam, totalmentedestituídas de concepção religiosa! Embora alguém cite exceções,sabemos que a exceção não inutiliza a regra. Por exemplo, sefossem encontrados alguns seres humanos inteiramentedestituídos de todo sentimento humano e compaixão, isso nãoserviria de base para dizer que o homem é essencialmente umacriatura destituída de sentimentos. A presença de cegos no mundonão prova que todos os homens são cegos." Como disse WilliamEvans: "o fato de certas nações não conhecerem a tabuada demultiplicação não afeta a aritmética." Como se originou esta crença universal? A maior parte dosateus parece imaginar que um grupo de teólogos se tenha reunidoem sessão secreta na qual inventaram a idéia de Deus, a qualdepois apresentaram ao povo. Mas os teólogos não inventaram
  39. 39. Deus como também os astrônomos não inventaram as estrelas,nem os botânicos as flores. É certo que os antigos mantinhamidéias erradas acerca dos corpos celestes, mas esse fato não nega aexistência dos corpos celestes. E visto que a humanidade já teveidéias defeituosas acerca de Deus, isso implica que existe um Deusacerca do qual podiam ter noções errôneas. Este conhecimento universal não se originounecessariamente pelo raciocínio, porque há homens de grandecapacidade de raciocínio que também negam a existência de Deus.Mas é evidente que o mesmo Deus que fez a natureza, com suasbelezas e maravilhas, fez também o homem dotado de capacidadepara observar, através da natureza, o seu Criador. "Porquanto, oque se pode conhecer de Deus, neles está manifesto; pois Deus lhomanifestou. As perfeições invisíveis dele, o seu poder eterno, e asua divindade, claramente se vêem desde a criação do mundo,sendo percebidas pelas suas obras" (Rom. 1:19, 20). Deus não fezo mundo sem deixar certos sinais, sugestões e evidências claras,que falam das obras das suas mãos. "Mas os homens conhecendoa Deus, não o glorificaram como Deus, nem deram graças, antes seenfatuaram nas suas especulações e ficou em trevas o seu coraçãoinsensato" (Rom. 1:21). O pecado fez embaçar a sua visão;perderam de vista a Deus e, em vez de ver a Deus através dacriatura, desprezaram-no pela ignorância e adoraram a criatura.Foi desta maneira que começou a idolatria. Mas até isto prova queo homem é criatura adoradora e que forçosamente procura umobjeto de culto. Esta crença universal em Deus é prova de quê? É prova deque a natureza do homem é de tal maneira constituída que é capazde compreender e apreciar essa idéia, como o expressoucerto escritor: "O homem é incuravelmente religioso", que nosentido mais amplo inclui: (1) A aceitação do fato da existênciadum ser acima das forças da natureza. (2) Um sentimento dedependência de Deus como quem domina o destino do homem;este sentimento é despertado pelo pensamento de sua própriadebilidade e pequenez e pela magnitude do universo. (3) Aconvicção de que se pode efetuar uma união amistosa e que nestaunião ele, o homem, achará segurança e felicidade. Desta maneiravemos que o homem, por natureza, é constituído para crer naexistência de Deus, para confiar na sua bondade, e para adorar emsua presença.
  40. 40. Este "sentimento religioso" não se encontra nas criaturasinferiores. Por exemplo, perderia seu tempo quem procurasseensinar religião ao mais elevado dos tipos de símios. Mas o maisinferior dos homens pode ser instruído nas coisas de Deus. Porquê? Falta ao animal a natureza religiosa — não é feito à imagemde Deus; o homem possui natureza religiosa e procura um objetode adoração. 3. Sua existência negada. O ateísmo consiste na negação absoluta da idéia de Deus.Alguns duvidam que haja verdadeiros ateus; mas se os houver, éimpossível provar que estejam sinceramente buscando a Deus ouque sejam logicamente coerentes. Visto que são os ateus que se opõem às convicções maisprofundas e mais fundamentais da raça humana, aresponsabilidade de provar a não-existência de Deus recai sobreeles. não podem sincera e logicamente dizer-se ateus enquanto nãoapresentarem provas irrefutáveis de que de fato Deus não existe.Inegavelmente, a evidência da existência de Deus ultrapassa demuito a evidência contra a sua existência. Nesta conexão, D. S.Clarke escreve: Uma pequena prova demonstrará que há Deus,porquanto nenhuma prova, por maior que seja, pode atestar a suanão-existência. As pegadas de uma ave sobre uma rocha junto aomar provariam que em algum tempo um pássaro visitou as terrasadjacentes ao Atlântico. Mas antes que se declarasse que pássaronenhum jamais estivera por ali, seria necessário conhecer ahistória inteira dessa costa desde o começo da vida no globoterrestre. Um pouco de evidência demonstrará que existe Deus.Antes que se diga que não há Deus, devem-se analisar todos oselementos do universo; devem-se investigar todas as forçasmecânicas, elétricas, biológicas, mentais e espirituais — deve-seter conhecimento de todos os seres e compreendê-loscompletamente; deve-se estar em todos os pontos do espaço a umsó tempo, para que possivelmente Deus não esteja em algumaoutra parte e assim escape à sua atenção. Essa pessoa deve seronipotente, onipresente, eterna; de fato, essa mesma pessoa deveser Deus antes que ela afirme dogmaticamente que não há Deus.Por muito estranho que pareça, somente Deus, cuja existência oateu nega, teria essa capacidade de provar que não há Deus!
  41. 41. Outrossim, mesmo a mais remota possibilidade de que existeum Soberano moral põe sobre o homem imensa responsabilidade,e a conclusão ateísta é inaceitável enquanto a inexistência de Deusnão for demonstrada de maneira irrefutável. A posição contraditória ateísta demonstra-se no fato deque muitos ateus, ao se encontrarem em perigo ou emdificuldades, têm orado. Quantas vezes, tempestades e lutas davida têm varrido seu refúgio teórico, revelando os alicercesespirituais, e demonstrando comportamento humano. Dizemos"humano" porque aquele que nega a existência de Deus abala esuprime os instintos e impulsos mais profundos e nobres da alma.Como disse Pascal: "O ateísmo é uma enfermidade." Quando ohomem perde a fé em Deus não é devido aos argumentos ( nãoimporta a lógica aparente com que se apresente a sua negação),mas "a algum desastre, traição, ou negligência íntimos ou algumácido corrosivo destilado em sua alma que dissolveu a pérola degrande preço". O seguinte incidente, contado por um fidalgo russo,esclarecer este assunto: Foi em novembro de 1917, quando os bolcheviques venceramo governo de Kerensky e iniciaram um reinado de terror. O fidalgoestava na casa de sua mãe, tomado de constante medo de serpreso. A campainha da porta tocou e o criado que atendeu trouxeum cartão de visita com o nome do Príncipe Kropotkin — o própriopai do anarquismo. Ele entrou e pediu permissão para examinar oapartamento. Não havia outra coisa a fazer a não ser permitir-lheentrar, porque evidentemente estava autorizado a dar busca e atémesmo a requisitar a casa. "A minha mãe permitiu-lhe passar adiante", diz o narrador."Entrou num quarto e depois em outro, sem parar, como setivesse morado ali antes e conhecesse a ordem dos cômodos.Entrou na sala de jantar; olhou em redor e, de repente, dirigiu-seao quarto ocupado por minha mãe. — Oh! me perdoe — disse minha mãe, quando o Príncipe iaabrir a. porta — ; é meu quarto de dormir. Ele parou por um instante diante da porta, olhou para aminha mãe então, como se estivesse envergonhado, e com voztrêmula, disse rapidamente:
  42. 42. — Sim, sim, eu sei. Perdoe-me, mas preciso entrar nestequarto! Pôs a mão na maçaneta e lentamente começou a abrir aporta, e então repentinamente fechou-a atrás de si depois deentrar. "Fiquei tão agitado diante da conduta do Príncipe que me vitentado a olhar. O Príncipe Kropotkin estava ajoelhado orandoante o oratório no quarto de minha mãe. Eu o vi ajoelhado fazer osinal da cruz; não vi seu rosto nem seus olhos, pois o via por trás.Sua figura ajoelhada e sua oração fervorosa, fizeram-no parecertão humilde enquanto sussurrava vagarosamente a reza. Estavatão ocupado que nem notou a minha presença." "De repente toda aminha ira e meu ódio contra esse homem tinham-se evaporado,qual cerração ante os raios do sol. Tão comovido fiquei quecuidadosamente cerrei a porta."O Príncipe Kropotkin permaneceuno quarto de minha mãe talvez vinte minutos. Finalmente saiucom o ar dum menino que tivesse cometido uma falta, e nemlevantou os olhos, como que reconhecendo o seu erro. Entretanto,havia um sorriso no seu rosto. Chegou perto da minha mãe,tomou-lhe a mão, beijou-a e logo disse em voz muito baixinha: —Agradeço-lhe muito por haver-me permitido esta visita à sua casa.Não fique nervosa comigo... a Sra. vê, foi neste quarto que morreua minha mãe. Foi grande consolação para mim, estar outra vez noseu quarto. Obrigado, muito obrigado." A sua voz tremia, e seusolhos estavam umedecidos. Logo se despediu e desapareceu. "Essehomem, apesar de ser anarquista, revolucionário, e ateu — aindaorou! Não é evidente que ele ficou ateu porque esmagou ossentimentos mais profundos de sua alma? O ateísmo é um crimecontra a sociedade, pois destrói o único fundamento da moral e dajustiça — um Deus pessoal que põe sobre o homem aresponsabilidade de guardar as suas leis. Se não há Deus, entãonão há lei divina, e todas as leis são do homem. Mas por que sedeve proceder legalmente? Por que um homem, ou grupo dehomens o ordenam? É possível que haja pessoas dotadas derelativa nobreza de espírito, e que essas façam o bem e sejamdireitas, sem, contudo, possuírem crença em Deus, mas para agrande massa da humanidade existe somente uma sançãopara fazer o que é reto e isso é — "Assim diz o Senhor", o Juizdos vivos e dos mortos, o poderoso Governador do destino eterno.
  43. 43. Remover isso é destruir os fundamentos da sociedadehumana. Comenta James M. Gillis: O ateu é como um ébriocambaleante que entra num laboratório de pesquisas e começa aajuntar certas substâncias químicas que o podem destruir, bemcomo a tudo ao seu derredor. Na verdade, o ateu está facilitandocom forças mais misteriosas e mais poderosas que qualquer coisaque existe nos tubos de ensaios; mais misteriosas do que o muitofalado raio da morte. Nem se pode imaginar qual seria o resultadose um ateu realmente extinguisse a fé em Deus; toda a trágicahistória deste planeta não registra um só evento que ilustretal cataclismo universal que se verificaria. O ateísmo é crime contra o homem. Ele procura arrancar docoração do homem o anelo pelas coisas espirituais, sua fome esede do infinito. Os ateus protestam contra os crimes que sepraticaram em nome da religião; reconhecemos que a religião tomsido pervertida pelo sacerdotalismo e eclesiasticismo. Masprocurar apagar a idéia de Deus por ter havido abusos é tãoabsurdo quanto tentar arrancar o amor do coração humanoporque em alguns casos esse amor se desvirtuou. II. A NATUREZA DE DEUS. 1- Conceito bíblico (os nomes de Deus) Quem é, e que é Deus? A melhor definição é a que seencontra no Catecismo de Westminster: "Deus é Espírito, infinito,eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade,justiça, bondade e verdade." A definição bíblica pode formular-sepelo estudo dos nomes de Deus. O "nome" de Deus, nasEscrituras, significa mais do que uma combinação de sons;representa seu caráter revelado. Deus revela-se a si mesmofazendo-se conhecer ou proclamando o seu nome. (Êxo. 6:3; 33:19;34:5, 6.) Adorar a Deus é invocar seu nome (Gên. 12:8); temê-lo(Deut. 28:58); louvá-lo (2 Sam. 22:50); glorificá-lo (Sal. 86:9); ésacrilégio tomar seu nome em vão. (Êxo. 20:7), ou profaná-lo oublasfemá-lo (Lev. 18:21; 24:16). Reverenciar a Deus é santificar oubendizer seu nome (Mat. 6:9). O nome do Senhor defende o seu
  44. 44. povo (Sal. 20:1), e por amor do seu nome não os abandonará (1Sam. 12:22). Os seguintes nomes de Deus são os mais comuns queencontramos nas Escrituras: (a) Elohim (traduzido "Deus".) Esta palavra emprega-sesempre que sejam descritos ou implícitos o poder criativo e aonipotência de Deus. Elohim é o Deus-Criador. A forma pluralsignifica a plenitude de poder e representa a trindade. (b)Jeová (traduzido "Senhor" na versão de Almeida.) Elohim,o Deus-Criador, não permanece alheio às suas criaturas.Observando Deus a necessidade entre os homens, desceu paraajudá-los e salvá-los; ao assumir esta relação, ele revela-se a simesmo como Jeová , o Deus da Aliança. O nome JEOVÁ tem suaorigem no verbo SER e inclui os três tempos desse verbo —passado, presente e futuro. O nome, portanto significa: Ele queera, que é e que há de ser; em outras palavras, o Eterno. Visto queJeová é o Deus que se revela a si mesmo ao homem, o nomesignifica: Eu me manifestei, me manifesto, e ainda memanifestarei. O que Deus opera a favor de seu povo acha expressão nosseus nomes, e ao experimentar o povo a sua graça, desse povoentão pode dizer-se: "conhecem o seu nome." A relação entre Jeováe Israel resume-se no uso dos nomes encontrados nos concertosentre Jeová e seu povo. Aos que jazem em leitos de doençamanifesta-se-lhes como JEOVÁ-RAFA, "o Senhor que cura" (Êxo.15:26). Os oprimidos pelo inimigo invocam a JEOVÁ-NISSI, "oSenhor nossa bandeira" Êxo. 17:8-15). Os carregados de cuidadosaprendem que ele é JEOVÁ-SHALOM, "o Senhor nossa paz" (Jui.6:24). Os peregrinos na terra sentem a necessidade de JEOVÁ-RAAH, "o Senhor meu pastor" (Sal. 23:1). Aqueles que se sentemsob condenação e necessitados da justificação, esperançosamenteinvocam a JEOVÁ-TSIDKENU, "o Senhor nossa justiça" (Jer. 23:6).Aqueles que se sentem desamparados aprendem que ele é JEOVÁ-JIREH, "o Senhor que provê" (Gên. 22:14). E quando o reino deDeus se houver concretizado na terra, será ele conhecido comoJEOVÁ-SHAMMAH, "o Senhor está ali" (Ezeq. 48:35).
  45. 45. (c) El (Deus) é usado em certas combinações: EL-ELYON(Gên. 14:18-20), o "Deus altíssimo", o Deus que é exaltado sobretudo o que se chama deus ou deuses. EL-SHADDAI, "o Deus que ésuficiente para as necessidades do seu povo" (Êxo. 6:3). EL-OLAM,"o eterno Deus" (Gên. 21:33). (*) (d)Adonai significa literalmente "Senhor" ou "Mestre" e dá aidéia de governo e domínio. (Êxo. 23:17; Isa. 10:16, 33.) Por causado que Deus é e do que tem feito, ele exige o serviço e a lealdade doseu povo.Este nome no Novo Testamento aplica-se ao Cristoglorificado. (e) Pai, emprega-se tanto no Antigo como no NovoTestamento. Em significado mais amplo o nome descreve a Deuscomo sendo a Fonte de todas as coisas e Criador do homem; demaneira que, no sentido criativo, todos podem considerar-segeração de Deus. (Atos 17:28.) Todavia, esta relação não garante asalvação. Somente aqueles que foram vivificados e receberam novavida pelo seu Espírito são seus filhos no sentido intimo dasalvação. (João 1:12, 13.) 2- Crenças errôneas Existem outras idéias extra-bíblicas acerca de Deus. Dessas,algumas originaram-se em verdades exageradas. Algumas sãodeficientes; outras pervertidas ou torcidas. Por que tomar otempo para considerar essas idéias? Visto que é muitodifícil descrever perfeitamente o ser de Deus, podemos, sabendo oque ele não, chegar a uma melhor compreensão do que elerealmente é. (a) O agnosticismo (expressão originada de duas palavrasgregas que significam "não saber") nega a capacidade humana deconhecer a Deus. "A mente finita não pode alcançar o infinito",declara o agnóstico. Mas o agnóstico não vê que hágrande diferença entre conhecer a Deus no sentido absoluto econhecer algumas coisas acerca de Deus. Não podemos* N. do T. — Poderia, também ter sido acrescentado o termo Emanu-El —Deus Conosco.
  46. 46. compreender a Deus, isto é, conhecê-lo inteira e perfeitamente;mas podemos aprender, isto é, ter uma concepção da sua Pessoa."Podemos saber quem é Deus, sem saber tudo o que ele é",escreve D. S. Clarke. "Podemos tocar a terra embora não possamosenvolvê-la com os braços. Um menino pode conhecer a Deusenquanto o filósofo não pode descobrir todos os segredos do Todo-poderoso." As Escrituras baseiam-se no pensamento de que épossível conhecer a Deus; por outra parte, elas nos avisam que poragora "conhecemos em parte". (Vide Êxo. 33:20; Jo 11:17; Rom.11:33, 34; l Cor. 13:9-12.) (b) O politeísmo (culto de muitos deuses) era característicodas religiões antigas e pratica-se ainda hoje em muitas terraspagãs. Baseia-se ele na idéia de que o universo é governado, nãopor uma força só, mas sim por muitas, de maneira que há umdeus da água, um deus do fogo, um deus das montanhas, umdeus da guerra, etc. Foi esta a conseqüência natural dopaganismo, que endeusou os objetos finitos e as forças naturais e"adoraram e serviram à criatura antes que o Criador" (Rom. 1:25).Abraão foi chamado a separar-se do paganismo e a tomar-se umatestemunha do único verdadeiro Deus; sua chamada foi o começoda missão de Israel, a qual era pregar o monoteísmo (o culto aum só Deus), o contrário do politeísmo das nações vizinhas. (c) O panteísmo (proveniente de duas palavras gregas quesignificam "tudo é Deus") é o sistema de pensamento que identificaDeus com o universo, árvores e pedras, pássaros, terra e água,répteis e homens — todos são declarados partes de Deus, e Deusvive e expressa-se a si mesmo através das substâncias e forçascomo a alma se expressa através do corpo. Como se originou essesistema? O que está escrito em Rom. 1:20-23 desvenda essemistério. Pode ser que na penumbra do passado os filósofospagãos, havendo perdido de vista a Deus e expulsando-o de seuscorações, tenham observado que era necessário achar algumacoisa que preenchesse o seu lugar, visto que o homem procurasempre um objeto de culto. Para preencher o lugar de Deus, devehaver algo tão grande quanto o próprio Deus. Havendo Deus seretirado do mundo, por que então não fazer do mundo Deus?
  47. 47. Desta maneira arrazoaram os homens e assim se iniciou oculto às montanhas e às árvores, aos homens e aos animais, e atodas as forças da natureza. À primeira vista essa adoração danatureza tem certa feição lógica, mas leva a uma conclusãoabsurda. Pois se a árvore, a flor e a estrela são Deus, logo tambémo devem ser o verme, o micróbio, o tigre e também o mais vilpecador — uma conclusão absolutamente irrazoável. O panteísmoconfunde Deus com a natureza. Mas a verdade é que o poema nãoé o poeta, a arte não é o artista, a música não é o músico, e acriação não é o Criador. Uma linda tradição judaica nos relatacomo Abraão observou essa distinção: Quando Abraão começou arefletir sobre a natureza de Deus, pensou primeiramente que asestrelas fossem divindades por causa de seu brilho e formosura.Mas quando percebeu que a lua as excedia em brilho, concluiuentão que a lua era divindade. A luz da lua, porém, desvaneceu-seante a luz do sol e este fato o fez pensar que este último era aDivindade. No entanto, à noite o sol também desapareceu. "Deveexistir algo no mundo maior do que estas constelações", pensouAbraão. Desta maneira, do culto à natureza, ele se elevou ao cultoao Deus da natureza. As Escrituras corrigem as idéias pervertidasdo panteísmo. Ao ensinar que Deus é revelado mediante anatureza, fazem a distinção entre Deus e a natureza. Os panteístasdizem que Deus é o universo; a Bíblia diz que Deus criou ouniverso. Onde se professa o panteísmo hoje? Primeiramente entrealguns poetas que atribuem divindade à natureza. Em segundolugar, é a filosofia básica da maior parte das religiões da Índia, asquais a citam para justificar a adoração de ídolos. "Não será aárvore, da qual se fez a imagem, uma parte de Deus?"argumentam eles. Em terceiro lugar, a Ciência Cristã é uma formade panteísmo porque um dos seus fundamentos é: "Deus é tudo etudo é Deus." Tecnicamente falando, é panteísmo "idealista",porque ensina que tudo é mente ou "idéia," e que, por conseguinte,a toda matéria falta realidade. (d) O materialismo nega qualquer distinção entre a mente e amatéria; afirma que todas as manifestações da vida e da mentee todas as forças são simplesmente propriedades da matéria."O pensamento é secreção do cérebro como a bílis é secreção dofígado"; "o homem é apenas uma máquina", são alguns dospensamentos prediletos dos materialistas. "O homem é

×