QUESTÃO

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EXTINGUIRAM

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DINOSSAUROS DA FACE DA TERRA?
1. DINOSSAUROS

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Figura 3: Reconstituição do Archaeopteryx, (segundo Editorial Verbo, 1993)

2. EXTINÇÃO
Praticamente tão inesperado como o...
exemplares de Triceratops e dois Tyrannosaurus. Pensa-se que esta região terá estado sujeita a uma série
de alterações, à ...
A teoria da equipa de Alvarez, segundo a qual a anomalia de irídio é devida ao impacte de um
corpo extraterrestre é ainda ...
Nos dias de hoje, a teoria do impacte é bastante popular, contudo existe uma teoria alternativa, ou
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Geologia 10º ano

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Porque se extinguiram os dinossauros?

  1. 1. QUESTÃO PROBLEMÁTICA: PORQUE É QUE SE EXTINGUIRAM OS DINOSSAUROS DA FACE DA TERRA? 1. DINOSSAUROS A extinção dos dinossauros constitui um exemplo de como pode haver alterações em muitos dos subsistemas da Terra. Os dinossauros constituem um grupo de vertebrados fósseis há muito desaparecido e que deixou testemunhos da sua passagem pela Terra, como sejam ossos, pegadas e até ovos. As referências aos seus fósseis, comumente atribuídos a dragões, gigantes ou a outros seres mitológicos, remontam, nomeadamente na cultura chinesa, a mais de dois mil anos. O termo dinossauro foi criado em 1841 pelo paleontólogo inglês Sir Richard Owen, e resulta dos étimo gregos deinós, que significa terrível, e saurós, lagarto. A palavra chinesa para dinossauro, kong long, significa, literalmente, terrível dragão. Eram aparentados com os répteis, uns, e com certas aves, outros. Há mesmo quem admita que eles ainda estão representados por animais tão vulgares, como as avestruzes. Entre os dinossauros havia quadrúpedes enormes, herbívoros, pesando dezenas de toneladas, uns com mais de 30 metros de comprimento, de longos pescoços e compridas caudas, e outros altos como um prédio de 4 andares. A par destes, viviam outros dinossauros que se deslocavam apenas sobre as patas traseiras, uns herbívoros outros carnívoros, numa grande variedade de tamanhos, desde os muito pequenos (como galinhas) corredores, aos monstruosos carnívoros com mais de 6 metros de altura e várias toneladas de peso, de que o Tyrannosaurus rex é o exemplo mais conhecido. Os primeiros dinossauros conhecidos apareceram há cerca de 235 milhões de anos (Ma) no período Triásico, era mesozóica (era dos répteis ou dos dinossauros), 4365 Ma depois da origem do nosso planeta e do Sistema Solar. Conhecem-se milhares de fósseis de dinossauros que correspondem a algumas centenas de espécies. Habitaram o planeta durante 170 Ma, mas não viveram todos ao mesmo tempo. Muitos só aparecerem depois da extinção de outros (ver figuras 1 e 2). Os dinossauros foram sempre animais terrestres, alguns vivendo na dependência de rios, lagos ou pântanos, como sucede com muitos animais de hoje (hipopótamos, crocodilos, etc.). Porém, nunca foram animais marinhos, como se escreve em muitas obras de duvidosa qualidade científica. Os dois únicos grupos de sobreviventes de parentes de dinossauros são as aves e os crocodilos. As aves são geralmente consideradas os seres vivos mais próximos dos dinossauros, embora a relação direta entre os dois grupos seja controversa. A visão mais aceite defende que as aves evoluíram a partir de dinossauros bípedes como o Coelophysis. O indício mais forte desta relação é a grande semelhança entre os ossos dos membros dos pássaros de hoje e os de Coelophysis ou do Archaeopteryx (ver figura 3) (a ave mais antiga que se conhece): todos têm membros anteriores com três dedos e membros posteriores com quatro dedos, estando um destes, o primeiro, virado para trás. Os crocodilos estão levemente relacionados com os dinossauros, visto que os dois grupos evoluíram em sentidos diferentes, tendo divergido de um antepassado comum no Triássico inferior (há 248-243 milhões de anos).
  2. 2. Figura 3: Reconstituição do Archaeopteryx, (segundo Editorial Verbo, 1993) 2. EXTINÇÃO Praticamente tão inesperado como os próprios dinossauros é o facto de muitos terem desaparecido num curto espaço de tempo, há cerca de 65 milhões de anos. No entanto, a extinção faz parte integrante da evolução: todas as espécies acabam eventualmente por desaparecer. Mais de 90 por cento de todos os organismos que habitaram a Terra encontram-se extintos; se assim não fosse, não haveria espaço para novas espécies. Mas a extinção não se dá a um ritmo uniforme. Aparentemente ocorrem períodos calmos na história da vida, manchados por extinções maciças pontuais. Nos últimos 550 milhões de anos ocorreram cinco grandes extinções, nas quais sucumbiram 50 por cento das espécies animais. A mais significativa deu-se no final da era permiana, antes dos dinossauros terem evoluído, e varreu 95 por cento da vida do planeta. A mais recente ocorreu há 65 milhões de anos e atraiu mais atenções do que todas as outras: foi o fim dos dinossauros. Expuseram-se mais de 80 teorias para explicar o desaparecimento dos dinossauros. Estas hipóteses incluem pragas, alterações na composição das plantas, aumento do nível de CO2, alterações do nível do mar e sua salinidade, elevadas doses de radiações ultravioletas, radiações ionizantes de explosões de supernovas, esterilização por temperaturas elevadas, envenenamento por plantas fanerogâmicas, predação dos ovos por mamíferos, senilidade racial, ataques de extraterrestres e muitas outras. Mas qualquer das teorias propostas tem de explicar um estranho padrão de extinção. Enquanto os dinossauros foram severamente afetados, animais como lagartos, tubarões, marsupiais, uma vasta gama de animais marinhos, restantes mamíferos, crocodilos, rãs, tartarugas e salamandras sobreviveram relativamente incólumes. Um dos problemas enfrentados pela atual análise da extinção consiste no facto dos dados serem avaliados em função das condições no Oeste dos Estados Unidos, pois a maior parte do trabalho mais pormenorizado foi realizado em locais como a Formação de Hell Creek (localizada na fronteira entre os estados de Montana, Wyoming e Dakota), que constitui uma luxuriante planície costeira durante o Cretácico. Tem-se revelado uma fonte inesgotável de fósseis de dinossauro, incluindo numerosos
  3. 3. exemplares de Triceratops e dois Tyrannosaurus. Pensa-se que esta região terá estado sujeita a uma série de alterações, à semelhança do que aconteceu no deserto interior da China, mas não existem dados comparativos. Hell CreeK é uma das raras jazidas de fósseis de dinossauros que transpõem o chamado limiar K-T, correspondendo ao período precisamente entre o final do Mesozóico e o início das atuais eras do Cenozóico. As amostras retiradas das camadas de transição apresentam irídio (metal nobre da família da platina) e um tipo característico de cristais de quartzo, indicando impacto de meteorito nesta área. Os achados vegetais revelam uma terra que viria a ser destruída pelo meteorito. No rescaldo do impacte verifica-se um incremento no número de fetos, tornando-se evidente que estas plantas cobriram o planeta “ferido”. A pesquisa nesta área revelou diversas forças influentes no final do Cretácico, que tornaram a vida bastante difícil à maioria dos organismos. Em 1980 foi divulgada uma teoria global que procura explicar a extinção em massa do final do Cretácico baseada em causas extraterrestres. Esta nova teoria nasceu do trabalho de investigadores da Universidade de Berkeley, na Califórnia (EUA), encabeçada por Luis Alvarez, prémio Nobel da Física, e composta por físicos, químicos e pelo geólogo Walter Alvarez. A cratera situada no Golfo do México (com um diâmetro cerca de 195 km), que em termos dimensionais e temporais é, presentemente, considerada como a que melhor corresponde à possível cratera de impacte, bem como a camada de irídio, um mineral raro que cobre todo o planeta, sugerem a colisão com um asteróide ou cometa medindo 10 quilómetros de diâmetro, aproximadamente nesta área. A camada de irídio, com cerca 1 a 2 cm de espessura, encontra-se em leitos de argila vermelha em concentrações cerca de trinta vezes superior ao que é normal em rochas da superfície terrestre, e separa calcários do Cretácico superior de calcários do início do Paleocénico (fig. 4). A anomalia de irídio corresponde a um fenómeno à escala global do qual resultou a deposição na superfície do planeta de cerca de 500 milhões de toneladas de material rico em elementos siderófilos (entre quais se contam, para além do irídio, o ósmio, o paládio, a platina, o ródio, o ruténio, o selénio, etc.) muitíssimo raros nas rochas da crosta terrestre, mas mais abundantes nos meteoritos. Figura 4 – Camada de irídio encontrada por Walter Alvarez em Gubbio, Itália (segundo Chernicoff, 1995).
  4. 4. A teoria da equipa de Alvarez, segundo a qual a anomalia de irídio é devida ao impacte de um corpo extraterrestre é ainda apoiada pela presença, no nível argiloso onde esta se regista, de minúsculas esférulas vítreas (tectitos), resultantes da fusão e pulverização das rochas da crosta, em consequência da energia térmica libertada pelo impacte (fig. 5). Figura 5 – Microtectitos da Tailândia encontrados em sedimentos com 65 milhões de anos; formaram-se quando a rocha fundiu e arrefeceu rapidamente, devido ao impacto do meteorito (segundo Chernicoff, 1995). O impacto do meteorito libertou 4 mil milhões de vezes mais energia que a bomba atómica que destruiu Hiroshima (fig. 6). As consequências de tal impacte incluiriam chuvas muito ácidas, incêndios em várias regiões do globo e, devido à camada de detritos terrestres e extraterrestres espalhados na atmosfera que bloquearia a luz do Sol, num longo “Inverno de impacte”. Afetou drasticamente os organismos fotossintéticos, base das cadeias alimentares tanto em ambientes terrestres como marinhos. O fitoplâncton marinho, com ciclos vitais da ordem de algumas semanas, foi irremediavelmente afetado, enquanto as plantas terrestres, capazes de sobreviver devido às suas sementes, o foram bastante menos. Figura 6 – Visão artística da teoria de Alvarez da colisão de um meteorito com a Terra (segundo Carvalho, 1996).
  5. 5. Nos dias de hoje, a teoria do impacte é bastante popular, contudo existe uma teoria alternativa, ou melhor, complementar, que é a do vulcanismo intenso (fig. 7). Durante centenas de milhares de anos, paralelamente ao impacte do meteorito, a aproximação da Índia da placa continental asiática produziu uma atividade vulcânica maciça e contínua. Atualmente conhecida como Deccan Traps, esta atividade gerou uma escoada de basalto suficiente para cobrir uma área com o tamanho do Alasca e do Texas juntos, com um quilómetro de espessura. Isto poderá ter originado um arrefecimento global, e entre os vários venenos expelidos para a atmosfera contar-se-ia o selénio, particularmente tóxico para os embriões em desenvolvimento dentro dos ovos. Finalmente, deu-se uma queda significativa do nível do mar e um aumento de 25 por cento da área terrestre – o equivalente ao continente africano. Este aumento ocorreu à custa dos mares epicontinentais, podendo muito bem ter causado a dispersão das populações animais. Figura 7 – Imagem artística de uma paisagem vulcânica no final do Cretácico (segundo Carvalho, 1996). Nenhuma teoria do fim do mundo contempla todos os aspetos do problema, mas como sabemos que estes fenómenos ocorreram ao mesmo tempo, é possível que tenham contribuído para a destruição em massa. Na verdade, somando todos os fatores, é de admirar que ainda houvesse sobreviventes.

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